terça-feira, 14 de outubro de 2008

Números da cultura

Apenas 8,7% dos 5.564 municípios brasileiros possuem salas de cinema; as capitais com maior percentual de público que lê, pelo menos, um título de jornal por semana são Porto Alegre (68%) e Rio de Janeiro (57%); com relação a orquestras, São Paulo (132 formações) e Pernambuco (77 formações) são os Estados que mantêm maior número de grupos atuantes. Esses e outros dados estatísticos do setor cultural brasileiro, que fazem parte do primeiro volume do Anuário de Estatísticas Culturais a ser lançado oficialmente pelo Ministério da Cultura (MinC), em formato digital, no início de novembro, e em formato de livro em 2009, foram apresentados no 3º Seminário de Políticas Culturais, realizado nos últimos dias 24, 25 e 26 de setembro, na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro.

A resolução de publicar o Anuário surgiu com a constatação da inexistência de um documento que centralizasse as informações estatísticas da cultura no Brasil. Apesar das pesquisas existentes, faltava organizar as informações, de modo a permitir um cruzamento de dados, além de uma posterior interpretação do cenário cultural brasileiro com o intuito de gerar subsídios para a formulação de políticas públicas mais ajustadas e auxiliar na democratização dos investimentos na área. “Embora identifiquemos muitas pesquisas no setor cultural, o fato de terem sido divulgadas de forma isolada não propiciava a formação de um centro de referência para o gestor cultural, para o empresário, para formadores de opinião ou para o público em geral”, explica Pablo Martins, gerente de Planejamento, Estudo e Pesquisa da Secretaria de Políticas Culturais do MinC e responsável pelo projeto.

Há cerca de cinco anos, o Ministério da Cultura iniciou um trabalho de coleta de dados, de incentivo e fomento a inúmeras pesquisas pelo País, além de firmar convênios com órgãos como o IBGE –Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Ipea –Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e o Ibope–Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), com o intuito de reunir as informações que serão publicadas agora.

Pablo Martins explica que a compilação desses dados permitirá um diálogo constante com os públicos que se interessam pelo setor e ajudará a tornar os números mais “palpáveis”. Para ele, o Anuário terá também a função pedagógica de criar e estimular o hábito da pesquisa dos números da cultura, o que poderá acarretar no surgimento de projetos mais maduros e desenhados conforme as reais demandas da sociedade. Como exemplo, Martins citou o fato de 10% dos municípios brasileiros não terem bibliotecas. “De posse de informações como essa, os investidores poderão direcionar melhor seus recursos e definir metas para alcançar o que desejam em termos de cidadania cultural”, salienta.

Com estatísticas culturais de mais de 20 segmentos do setor – teatro, biblioteca, museu, artes plásticas, moda, design, cultura digital, cinema, festa popular, rádio comunitária, provedor de internet, entre outros – Martins acredita que o compêndio poderá auxiliar o desenvolvimento do País de forma objetiva. Para isso, o MinC deve atualizar o volume anualmente, com dados de outros indicadores e de outros índices desenvolvidos no Brasil, como o IDCULT– Indicador de Desenvolvimento Cultural, lançado pelo IPEA, que é uma espécie de IDH – Índice de Desenvolvimento Humano da cultura. Além dessas informações, o Anuário trará curiosidades sobre cada segmento e peculiaridades da formação cultural brasileira. A primeira edição abarca dados dos anos de 2005 a 2007 e, de anos anteriores, quando necessário traçar a evolução histórica da cultura no País.

O Anuário está dividido em cinco grandes áreas, que são oferta da cultura, demanda por cultura, indicadores culturais, gestão cultural e projetos apresentados, aprovados e com captação via Lei Rouanet. As duas primeiras áreas estão baseadas no conceito econômico de oferta versus demanda, mas trarão também dados sobre a qualidade dos equipamentos disponíveis para o acesso, a freqüência dos cidadãos às atividades artísticas e os números sobre o consumo e o consumidor cultural.

Já a área de indicadores mostrará a cultura no universo de produção industrial brasileiro, sua participação no comércio e nos serviços, as despesas públicas dos municípios e o consumo familiar brasileiro. Com relação à gestão, serão apresentados itens como o turismo cultural e a existência de Secretarias ou Conselhos Municipais exclusivos de cultura. Por fim, na área referente aos projetos aprovados, o anuário pretende prestar contas do que vem sendo feito com recursos públicos e permitir maior transparência nos dados federais de projetos incentivados pela Lei Rouanet ou pelo Fundo Nacional de Cultura, discriminando os investimentos por região e por pessoa física ou jurídica. Será possível, também, relacionar o volume de empregos gerados por Real investido nos projetos.

Formação cultural brasileira
Entre os dados que serão apontados pelo primeiro volume do Anuário de Estatísticas Culturais, chama a atenção o baixo índice de leitura verificado entre os brasileiros – a média de leitura no País é de 1,8 livros a cada ano – que teria relação com o também baixo percentual de associações literárias existentes no País. O Rio de Janeiro é o Estado que tem mais municípios que declararam possuir esse tipo de associação, 44% deles. Nos demais, o número é discreto e concentrado, novamente, nas capitais.

Verificou-se, também, que o brasileiro vai pouco ao cinema, apenas 7% freqüenta o equipamento cultural ao menos uma vez por mês. Mas, por outro lado, há um consumo cada vez maior de informações via internet, assim como um aumento na locação de filmes em videolocadoras.

A explicação parece estar na proposição que diz que, em cultura, é a oferta que induz à demanda. Assim, já que existem poucas salas de cinema no Brasil – apenas 8,7% das cidades possuem pelo menos uma sala de cinema –, o público acaba consumindo menos esse tipo de produto. A pesquisa apurou que a quantidade de salas de cinema e livrarias vem caindo paulatinamente. E, embora essa realidade seja pouco observável nas capitais, onde há maior concentração desses instrumentos, o baixo número é comum mesmo em Estados como Rio de Janeiro – 41% dos municípios têm cinemas – e São Paulo – somente 22% das cidades têm o equipamento cinematográfico. Mesmo com poucas salas e sendo apenas o 8º Estado no ranking brasileiro de salas de cinema, Santa Catarina apresenta a melhor distribuição entre as cidades, com apenas 25% das salas concentradas na capital Florianópolis e o restante espalhado pelo Estado.

Pablo Martins interpreta o alto índice de locações como conseqüência de existirem locadoras em 82% das cidades brasileiras. O Espírito Santo, por exemplo, contabiliza locadoras em 98,7% de seus municípios. Em termos absolutos, Minas Gerais e São Paulo ainda ficam à frente, com 643 e 592 locadoras, respectivamente. “Temos visto um outro tipo de consumo audiovisual, já que o cinema não atinge, em uma primeira instância, a maior parte dos municípios. Mas essa tendência reflete também a mudança dos hábitos dos brasileiros. Hoje, as pessoas querem decidir os horários e o tipo de programação que vão consumir. Os aumentos vertiginosos das horas gastas com internet e dos provedores e usuários nos municípios demonstram isso mais claramente. O cidadão quer cada vez mais buscar conteúdos específicos”, explica.

Outro dado verificado que merece atenção é a baixa institucionalização da Cultura pelos municípios, sendo que apenas 4% deles possuem secretarias exclusivas para a área cultural. Essa informação se alinha ao fato de de existirem poucos investimentos e políticas públicas para a cultura nos municípios brasileiros e acena para um cenário desafiador, que pode ser revertido com a ajuda da constatação a partir de instrumentos como o Anuário.


Boletim da Democratização Cultural - Edição 42

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Estranhos na Noite

Nos últimos dois anos eu tenho colaborado com o Fundo Global para as Fundações Comunitárias para avaliar se elas deveriam ou não estabelecerem-se como entidades independentes. Um dos pontos mais interessantes deste envolvimento tem sido o diálogo entre o Fundo Global e o empreendimento Desenvolvimento Comunitário do Banco Mundial, o maior mantenedor do Fundo Global. O Banco Mundial, por méritos próprios, tem considerado se vale a pena testar a utilidade das fundações comunitárias como um meio para o desenvolvimento comunitário, ou seja, uma ação nada comum.

Sempre me surpreendeu como algo inusitado os profissionais de desenvolvimento, seja em agências governamentais de desenvolvimento, instituições multilaterais, ONGs e praticantes de fundações comunitárias viverem, ao que parece, em universos paralelos. Em qualquer reunião de peritos em desenvolvimento aparece muita discussão sobre quais instituições podem levar adiante e manter o processo de desenvolvimento; no entanto as fundações comunitárias são raramente mencionadas. Aqui defino desenvolvimento como o progresso de um conjunto de variações que, como um todo, mede a qualidade de vida. Poderíamos discutir sobre a inclusão de quais variáveis específicas, mas o objetivo é determinar o que torna a vida das pessoas mais gratificante.

Enquanto os profissionais do desenvolvimento raras vezes mencionam as fundações comunitárias, os profissionais das fundações comunitárias dificilmente batem nas portas das reuniões de desenvolvimento. Ao contrário, parecem envolvidos em disputas internas. Nos Estados Unidos, onde está a metade das fundações comunitárias do mundo, os profissionais estão finalmente aparecendo após uma longa, demorada e basicamente inútil discussão a respeito se os detentores são os da comunidade onde trabalham, ou os doadores que fornecem os recursos para servir essas comunidades. Por que é tão difícil concordar que ambos são detentores e seguir em diante?

No exterior, onde o número de fundações comunitárias em alguns países está estourando, o foco na comunidade tem permanecido mais centralizado. O debate, então, tem sido se as áreas locais pobres têm os recursos para dar início e, sobretudo, sustentar as fundações comunitárias. Este debate tem polemizado as discussões sobre ajuda estrangeira na sustentabilidade das fundações comunitárias. A resposta, da forma como estamos aprendendo, parece ser a de que existem recursos não descobertos nas mais miseráveis comunidades e que os recursos estrangeiros podem ter um papel legítimo como catalisadores e sustentadores. Isto é, caso a liderança da fundação for vista “como parte da comunidade”.

Se as fundações comunitárias e a comunidade em desenvolvimento são como “estranhos na noite”, então está na hora de juntarem-se, saírem e juntas darem um passeio. Qualquer casamenteiro que se preze poderá ver que elas têm muitas coisas em comum. Em primeiro lugar, as fundações comunitárias geralmente abrangem uma área geográfica gerenciável. Junto com o conhecimento profundo delas é imprescindível entendê-las a fim de se ter condições de desenvolvê-las de forma a fincar raízes sólidas. Somando-se à estes três atributos das fundações comunitárias a combinação adequada ao desenvolvimento parece ser boa demais para ser verdadeira. As fundações comunitárias de certa forma são propriedades das comunidades: a liderança delas vem da comunidade e suas prioridades são definidas pela própria comunidade e não impostas por pessoas de fora.

No entanto, há um quinto atributo irrefutável. Hoje em dia somos bombardeados por filantropos de risco alegando que a grande diferença entre eles e o velho estilo de filantropia tradicional é que eles entram nas suas iniciativas com uma estratégia de saída embutida. Isto ajuda a reduzir a dependência e ficar atolado na rotina de colocar recursos e fazer esforços contínuos não sustentáveis. Este não é o lugar para debater os méritos da filantropia de risco direta, mas vale a pena assinalar que as fundações comunitárias podem ser as intermediárias no processo de desenvolvimento com este precioso atributo: uma estratégia de saída embutida no processo de filantropia.

Todos nós, na filantropia tradicional, filantropia de risco e desenvolvimento, temos medo de criar dependência e ficarmos presos ao assistencialismo com esforços insustentáveis. As fundações comunitárias quase que por definição têm como objetivo atingir níveis de auto-suficiência gerados por meio de recursos vindos da comunidade. Eles fazem isto para se assegurar que a fundação será orientada por líderes comunitários, propriedade da comunidade e terá as próprias prioridades definidas pela comunidade. Quanto mais e melhor os profissionais de desenvolvimento entenderem a comunidade, um maior fluxo de recursos poderá ser canalizado para elas. Isso é o que eu chamo de um encontro de grandes resultados!


Barry D Gaberman
Ex-vice Presidente da Fundação Ford. Pode ser contatado no bgaberman@gmail.com.
redeGIFE Online, 06/10/08

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Avaliação ainda causa confusão no campo social

O que se entende por avaliação no campo social e como seu processo é implementado em 211 empresas com investimentos comunitários. Esse foi o enfoque de pesquisa divulgada pelo Instituto Fonte e pela Fundação Itaú Social, no último dia 2, que mostrou existir não só uma confusão conceitual sobre o tema, como também soluções caseiras para seu desenvolvimento.

Realizado pela TNS InterScience, empresa de pesquisa de mercado, com apoio do GIFE, o levantamento trouxe dados curiosos quanto ao planejamento, aplicação e validação das análises realizadas pelas empresas. Enfim, o “estado da arte” da avaliação do setor privado sobre seus projetos, nos anos de 2006 e 2007.

“Quando a idéia de filantropia passou a ser investimento social, foi incorporado o conceito de resultado. O objetivo da pesquisa foi identificar as percepções e decisões dos investidores sobre a avaliação”, afirmou o presidente da agência, Paulo Roberto Secches, durante o evento de divulgação dos dados, na sede do Instituto Itaú Cultural, em São Paulo.

Entre os números apresentados, um dos que mais chamam a atenção se refere à questão central do trabalho: se a organização avalia seus projetos. Segundo as respostas, 75% afirmam que o fazem, contra 25%. No entanto, quanto estes 75% são questionados sobre o valor gasto nessa avaliação, 69% disseram “não saber”.

“Como não sabe? Se não tem essa informação é porque não o faz. Creio que o número verdadeiro, daqueles que realmente avaliam é o oposto, apenas 25%”, analisou Secches. Mesmo assim, ele não perdeu o otimismo: “creio que a resposta politicamente correta para isso é que, pelo menos, eles acham importante pensar em avaliação”.

Para aqueles que não fazem, os 25% restantes, apenas 2% não acham necessário realizar avaliação. Para os respondentes, as principais razões são: confiam nas organizações sociais que apóiam (28%), falta de recursos humanos e financeiros (21%) ou realizam ações de mensuração, mas não de forma estruturada (17%).

Outro número importante mostra quem são os responsáveis pela avaliação. Em 53% dos casos, ela é interna, coordenada pelos profissionais envolvidos nos programas. Isto é, em mais da metade há um conflito, em que não há diferença entre avaliador e avaliado. “Isso mostra uma solução caseira para o problema. Quem faz não pode avaliar, por melhor que seja a intenção”, argumentou Secches.

Confusão
Para analisar os dados da pesquisa, o Instituto Fonte e a Fundação Itaú Social realizaram um evento com a participação da diretora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Anna Maria Peliano, e do gerente de Projetos do GIFE, Fernando Nogueira. Eles trouxeram novos estudos para contextualizar o debate com a platéia. “Os dois maiores desafios globais atuais são como avaliar os resultados das ações sociais e como dar escala a esses projetos”, apontou Nogueira.

Ele apresentou alguns números do censo realizado pelo GIFE com seus associados, cujo investimento somado em iniciativas sociais chegou a R$ 1,3 bilhão em 2007, cerca de 72% das fundações e institutos e 74% das empresas fazem o monitoramento de todos os projetos. Dessas, 64% das fundações e institutos e 58% das empresas fazem avaliação de resultado de todos os projetos.

No entanto, segundo dados do IPEA, as empresas não tem sido tão eficientes quanto os associados ao GIFE. Para saber, o setor privado brasileiro investe cerca de R$ 5.3 bilhões por ano no campo social. O GIFE representa 20% desse montante, enquanto o resto do investimento está diluído em mais de 500 mil empresas. Essa é a base do estudo divulgado por Anna Maria Peliano. Realizado em cinco regiões do país, o levantamento concluiu que elas falham na hora de avaliar o destino dos recursos.

Questionadas se possuem avaliação documentada das ações sociais desenvolvidas, 79% disseram não. “Não há compreensão sobre o conceito, tal como não existem metas ou objetivos claros. Pelas entrevistas realizadas percebemos que os responsáveis pelos investimentos têm entusiasmo para fazê-lo, mas confundem monitoramento com avaliação”, afirmou.

A diretora acredita que essa imprecisão conceitual explica também os dados da pesquisa divulgada no último dia 2. Como falta formação para os respondentes, os dados tendem a mostrar números contraditórios, como por exemplo, o dos 69% que não sabem quanto investem. “Tal como não sabem quanto gastam, pois os custos estão diluídos nos custos administrativos do projeto”, lembrou.

Segundo ela, as formas de fortalecer a avaliação passam por quatro grandes desafios: definição de objetivos claros para os projetos; adoção de atividades plausíveis com os objetivos; execução adequada das atividades previstas; e diagnosticar as informações necessárias para acompanhar e julgar resultados.

A diretora do Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e de Ação Comunitária (Ideca), Simone Coelho, agregou pontos ao debate, ao deixar claro que a avaliação deve obrigatoriamente ser planejada durante a concepção do projeto. “Não ter recursos para realizá-la demonstra um equívoco. Se a ação nascesse com o propósito de ser avaliada, os custos já estariam na conta”, criticou.

Programa
A pesquisa divulgada na última quinta-feira faz parte um programa maior, idealizado pelo Instituto Fonte e pela Fundação Itaú Social, que irá, nos próximos anos, articular uma série de ações voltadas para empresas, ONGs e universidades.

“O instituto atua há 10 anos no desenvolvimento do campo da avaliação no País. Nesse tempo, percebemos que o debate é muito incipiente e não existe uma comunidade de avaliadores”, explica o consultor associado do Instituto Fonte, Daniel Brandão.

Ele afirma também que a produção teórica é muito reduzida, o que inviabiliza a difusão da cena crítica sobre avaliação. “Não entendemos esse campo. Quem faz? Como faz?”, argumenta.

O início dos trabalhos, o Instituto e a Fundação Fonte está centrado em dois grandes projetos. O primeiro é a pesquisa. Ao mesmo tempo, pretendem identificar e analisar a produção acadêmica brasileira. “Esses dois eixos permitirão conhecer o estado da arte da avaliação no campo social”, garante Brandão.

Com apoio do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos (IPSO), o programa pretende organizar, disponibilizar e caracterizar o que se estuda nas universidades, com a promoção de debates focais sobre o material. “Pretendemos tornar mais acessível um conteúdo mais qualificado produzido na academia”, define.


Rodrigo Zavala
redeGIFE Online, 06/10/08

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Unicef e RMG Connect lançam campanha "Doe uma Infância"

Ação incentiva pessoas a contarem histórias de seus tempos de criança.Foi lançada nesta quarta-feira (8) a campanha “Doe uma Infância”, primeira ação online desenvolvida pela RMG Connect para o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

A campanha, iniciada no Mês das Crianças, convida as pessoas a contarem histórias marcantes de seus tempos de criança como forma de envolvê-las com a causa da infância. O principal objetivo da ação é despertar em quem escreve e lê as histórias o desejo de ajudar meninas e meninos mais vulneráveis e de contribuir com o trabalho realizado pelo UNICEF no Brasil.

Por meio do site http://www.doeumainfancia.org.br, o internauta pode relatar sua experiência de infância clicando em uma das fotos de brinquedos da página. Os brinquedos ficam coloridos quando o internauta publica sua história.

Depois de compartilhar a sua história e de ter a oportunidade de ler depoimentos de outras pessoas, o internauta pode ainda fazer uma doação ao UNICEF e ajudar a levar saúde, educação de qualidade e oportunidades para crianças em todo o país.

O usuário também pode ajudar a divulgar a campanha baixando a imagem do brinquedo escolhido com a frase “Eu doei a minha infância” e publicar o relato em seu site pessoal, no seu blog ou em comunidades virtuais como o Orkut.

“Doe uma Infância” contará também com diversas peças onlines e com uma divulgação via bluetooth que acontecerá ainda este mês em São Paulo nas lojas Café Suplicy, Rockafé e Chilli Beans. A ação será realizada em parceira com a Ponto Mob. A tecnologia bluetooth permite que as pessoas possam se conectar para trocar informações entre dispositivos como telefones celulares ou computadores e é usada em áreas de redes sem fio.

Participam na divulgação ou realização da campanha com o UNICEF e a RMG Connect: Weka, Web Traffic, Única, Ponto Mob, Café Suplicy, Rockafé, Chilli Beans, Estadão, MSN, Yahoo!, Terra, Vírgula, Estrelando, Bolsa de Mulher e Localweb.

O UNICEF não terá nenhum custo com a campanha “Doe uma Infância” como prova de que a RMG Connect está comprometida com os trabalhos da organização que é a principal referência mundial em assuntos relacionados aos direitos de crianças e adolescentes.


Envolverde, 09/10/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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A crise das ONGs e das políticas sociais

Há mais de um ano as relações entre o Estado brasileiro e as organizações não-governamentais estão em estado quase catatônico, devido a um enrijecimento crescente dos controles de convênios que regem as parcerias entre ambos.

As causas desse enrijecimento são múltiplas. O número de ONGs vem crescendo cada vez mais depressa, conforme os censos do IBGE das Fasfil (fundações e associações sem fins lucrativos): em 1996, havia 107.332 no Brasil; em 2002, elas passaram a ser 275.895; em 2005 (último censo), eram 338.162. Se o ritmo de crescimento do último triênio meramente se manteve, o número de ONGs deve neste ano andar por volta de 416 mil.

A análise dos resultados do censo de 2005 pelo IBGE aponta algumas razões desse crescimento acelerado: "A idade média das Fasfil, em 2005, era 12,3 anos, e a maior parte delas (41,5%) foi criada na década de 1990.

Entre os vários fatores que contribuíram, naquele momento, para o crescimento acelerado dessas entidades, destaca-se o fortalecimento da democracia e da participação da sociedade civil na vida nacional".

Mais adiante, o texto do IBGE diz que a maioria das entidades a partir dos anos 1990 é voltada para a promoção do desenvolvimento e da defesa dos direitos e interesses dos cidadãos.

À medida que o Brasil se redemocratizou e passou a eleger governos cada vez mais comprometidos com políticas sociais de redistribuição da renda e de luta contra a exclusão social e a pobreza, era inevitável que essas políticas exigissem o engajamento de um número crescente de ONGs dedicadas à educação popular, à prevenção das causas da mortalidade infantil e subnutrição, à organização dos trabalhadores excluídos em associações autogestionárias e muitos outros objetivos análogos.

Com a expansão do número dessas entidades, vieram ONGs falsas, criadas para se apoderarem em proveito próprio de parte das verbas destinadas àquelas políticas.

As fraudes perpretadas pelas falsas ONGs são da mesma índole das praticadas pelos que desviam o recurso público destinado à compra de bens e à contratação de serviços a fim de assim se locupletarem.

As denúncias de fraudes cometidas por meio de ONGs repercutem do mesmo modo que os demais escândalos de corrupção, colocando-as num contexto que leva à suspeita todas as políticas sociais do governo federal.

Como reação natural, os órgãos de controle internos e externos ao governo passam a exigir novos controles, mais rígidos, além de substituir as parcerias entre o governo e as ONGs por chamadas públicas, o que destrói a confiança mútua construída em anos de colaboração entre os dois lados que conveniam e, em seu lugar, instaura a competição entre ONGs que atuam nos mesmos setores.

Estão sujeitos às novas regras institutos de pesquisa científica, entidades de assistência social, hospitais e universidades que não visam lucro, sindicatos, cooperativas, associações esportivas, entidades do Sistema S de ensino profissional, organizações indígenas, de quilombolas etc.

É óbvio que fraudes têm de ser prevenidas e severamente reprimidas, mediante controles cuidadosos e eficazes da natureza da entidade a ser conveniada, do valor a ser expendido, da efetiva execução das ações programadas e dos resultados alcançados.

Mas é fundamental evitar que os controles se somem e se multipliquem, o que não aumenta sua eficiência, só absorve recursos que deveriam ser aplicados na realização dos objetivos dos convênios.

Infelizmente, chegou-se ao extremo de assimilar os procedimentos dos convênios com ONGs aos da contratação de empresas de porte com fins de lucro. O que praticamente impede a realização de convênios com ONGs pobres, emanadas de comunidades carentes, as quais prestam serviços relevantes. E tende a entregar ao mercado a prestação de toda a gama de serviços acima referidos.

Não há motivos para duvidar das boas intenções dos que promovem a exacerbação dos controles, mas seus efeitos tendem a ser desastrosos para o povo pobre, que depende de serviços gratuitos de saúde, educação, assistência social etc.

É necessário que o desenho dos controles tenha a participação não só de representantes dos órgãos de controle e prevenção de fraudes mas também dos órgãos do governo que realizam convênios para cumprir as missões que a lei lhes atribui e sobretudo dos representantes das próprias ONGs autênticas, que são as maiores interessadas em coibir as práticas desonestas, que só as prejudicam, como as ocorrências do último ano fartamente comprovam.


Paul Singer
76, economista, professor titular da Faculdade de Economia e Administração da USP, é secretário nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego. Foi secretário municipal do Planejamento de São Paulo (gestão Luiza Erundina).
Envolverde, 10/10/08
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Ecoshop vence 4º Prêmio de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo

Fortalecer a produção de artesanato do Amazonas dentro de um padrão que valorize a autenticidade e a preservação do meio ambiente. Essa é a missão da Ecoshop que venceu na categoria Microempresa o 4º Prêmio de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo.

O evento é realizado pelo Centro de Excelência em Varejo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP). Foram premiados trabalhos em seis categorias: micro, pequena, média e grande empresas, shopping center e entidade varejista.

Os organizadores receberam neste ano 104 inscrições de projetos de responsabilidade social/sustentabilidade de empresas e varejistas espalhados pelo País dos mais diversos segmentos. As categorias micro, pequena e média empresas foram responsáveis pela apresentação de 45% dos projetos, sendo seguidas pelo setor de grandes companhias, com 23%, de shoppings, com 12% , e de entidades varejistas (19%).

Ecoshop
Desde 1992, a Ecoshop é a primeira empresa do ramo de artesanato no Amazonas a desenvolver uma linha de ação fundamentada no conceito de desenvolvimento sustentável, valorizando a produção artesanal de caboclos e índios, orientando essa produção e contribuindo para que inúmeras famílias possam tirar seu sustento da atividade artística.

A iniciativa vencedora da Ecoshop será apresentada durante o 6º Seminário de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo, que acontecerá no dia 29 de outubro de 2008, no Auditório da FGV-EAESP. Informações no email: premiocev@fgv.br ou ligue nos telefones: (11) 3281-3276 ou 3281-3654.

Conheça os projetos vencedores:
Microempresa: Ecoshop, de Manaus, com o projeto Ecoshop.
Pequena empresa: Franquia O Boticário - São Paulo e Osasco, projeto Mulheres Fabulosas.
Média empresa: Supermercados Cardoso, Jequié, projeto Sensibilização para a Coleta Seletiva de Materiais Recicláveis.
Grande empresa: Leo Madeiras, São Paulo, Escola de Marcenaria Moderna.
Shopping Center: CenterVale Shopping, São José dos Campos, projeto Desenvolvimento Sustentável, Arquitetura e Meio Ambiente.
Entidade varejista: Sincopetro, São Paulo, projeto Diga Não à Adulteração de Combustíveis.


Andressa Besseler, da Envolverde
Agência Envolverde,10/10/08
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Thais Corral: educação para sustentabilidade é mais que uma disciplina, é uma nova forma de estar no mundo

Thais Corral: educação para sustentabilidade é mais que uma disciplina, é uma nova forma de estar no mundo

Confira entrevista com a especialista em comunicação social e liderança, membro do Conselho Consultivo do Akatu, que há anos vem trabalhando com questões relacionadas a gênero, desenvolvimento sustentável, governança local e global.

O termo ‘sustentabilidade’ vem ganhando força. Profissionais das mais variadas áreas procuram especialização. Empresas, escolas, faculdades, instituições e governo tentam entender o que é, para que serve e como implantá-la de fato. A questão é complexa e existem profissionais que já estão envolvidos nisso há muitos anos.

Este é o caso de Thais Corral, que vem trabalhando com temas relacionados a sustentabilidade desde 1990. “Por ser esta uma área central na minha trajetória de vida, todos os projetos em que estou envolvida têm a ver com a sustentabilidade. Eu diria, porém, que não é só ambiental e sim a busca de uma integração entre a sustentabilidade ambiental e outras sustentabilidades, pois todas elas estão integradas”, afirma ela. Descrever Thais Corral não é nada fácil, a começar pelo currículo extenso*. Sua experiência perpassa diferentes setores. É possível considerá-la pioneira na questão da educação para a sustentabilidade e no desenvolvimento de lideranças.

Você é presidente do Conselho da ABDL (Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Liderança). Quais os desafios de uma instituição pioneira na educação para a sustentabilidade?
Thais Corral: Os pioneiros têm a seu favor o fato de poder experimentar e tornar-se referência. Correm por outro lado o risco de tornarem-se obsoletos sem se dar conta. Muitas vezes, quando se tem sucesso com um projeto, é difícil perceber o que a dinâmica das mudanças pede. O início da ABDL foi concomitante com o da internet. Fomos uma das primeiras organizações de educação no Brasil a usá-la como ferramenta de trabalho. Hoje, grande parte das organizações utiliza a internet, e esse diferencial que tínhamos não existe mais.

A ABDL hoje se diferencia por três aspectos. O primeiro deles está no DNA do programa e esteve sempre presente: é propiciar a possibilidade de uma interação multi-setorial. A ABDL sempre investiu para ter em suas turmas um equilíbrio na diversidade entre os participantes provenientes do terceiro setor, setor privado, governo e mídia. A interação entre os setores, a formação de uma rede de colaboração entre lideranças que provêm de vários setores é um dos propósitos do programa.

O segundo aspecto é a dinâmica do aprendizado que se dá a partir da elaboração de projetos que cada um dos participantes no programa desenvolve durante o período de interação com os outros membros do grupo. Essa perspectiva de aprender a partir da prática vem se demonstrando muito positiva, pois permite a interação com os outros membros do grupo, facilitadores e docentes de forma mais efetiva.

O terceiro é o desenvolvimento de habilidades pessoais que também chamamos de recursos internos. Nossos encontros presenciais são feitos em lugares onde há uma forte presença da natureza, do cuidado com as pessoas e isso acaba facilitando uma relação mais profunda consigo próprio e com as outras pessoas. Nossa abordagem de desenvolvimento de liderança está inspirada na visão de que a sustentabilidade tem que se dar no nível das pessoas com elas mesmas, com as outras pessoas e com o planeta.

O que é, para você, educação para a sustentabilidade? É possível implantá-la? Como?
Thais Corral: Na realidade a educação para a sustentabilidade é hoje a principal educação, já que encontrar alternativas para a crise ambiental, e em particular à crise climática, passou a ser essencial para que continuemos a ter as nossas bases de vida no planeta. Não se trata mais de um tema complementar. A questão é que é mais do que uma disciplina, trata-se de uma nova forma de estar no mundo. No programa Liderança para a Segurança Climática que a ABDL lançou este ano estamos abordando o tema da sustentabilidade e a transformação individual é central. Sabe-se hoje que sem que a pessoa se disponha a um processo de transformação, os resultados não são profundos o suficiente a ponto de obter uma mudança à altura dos desafios da sustentabilidade.

Qual era o perfil da liderança há alguns anos, como é hoje e o que você pensa que pode ser a liderança num mundo sustentável?
Thais Corral: Até alguns anos atrás o modelo de liderança mais comum era o do comando e controle, muito baseado na autoridade e no poder de coerção. Ao líder era concedido o poder de proteger, dirigir, orquestrar os conflitos, alocar papéis na sociedade. Em geral o estereótipo do líder estava associado ao do macho alfa dos chimpanzés. Os atributos de força e poder psíquico para coagir, para impor uma norma eram muito importantes. Essa percepção vem mudando em função de todas as conquistas sociais e democráticas do século 20 e da complexidade dos problemas. Hoje, a capacidade de liderar exige habilidades que vai muito além da força, tem muito mais a ver com a capacidade de influência, de apoiar as pessoas a fazer um processo de adaptação para a mudança. Tem a ver com empatia, cuidado e capacidade de ajudar as pessoas num processo de transformação que é necessário.

Como desenvolver lideranças em linha com as idéias de sustentabilidade?
Thais Corral: A emergência dessa liderança depende do desenvolvimento de recursos pessoais e interpessoais que permitam a emergência da inteligência coletiva, ajudando as pessoas a criarem as condições necessárias para as mudanças que tem que ocorrer. A questão da segurança climática oferece uma oportunidade única por contemplar o aspecto do tempo. A transformação para estabilizar o clima terá que acontecer nos próximos 20 anos. Isso significa uma grande mudança nos padrões de produção e consumo que irão impactar fortemente nossas vidas.

Qual o papel da mulher nesse processo?
Thais Corral: Mais do que a mulher enquanto categoria de gênero propriamente dita são as qualidades do feminino (empatia, cuidado, flexibilidade) que podem estar presente em mulheres e homens que fazem uma grande diferença neste momento. A mulher continua a ter um papel importante por estar muito presente no âmbito da reprodução da sociedade, na educação das crianças, no cuidado da família, dos velhos, das comunidades. A questão é que até agora esse trabalho foi invisível, neste momento de crise esse papel se torna muito mais visível e ganha relevância inclusive em nível das políticas públicas que valorizam o desenvolvimento do capital humano, fundamental para que superemos a crise da sustentabilidade e da nossa cultura.

Conte-nos um pouco sobre o seminário internacional "Megacidades e Mudanças Climáticas", organizado pelo LEAD Internacional (www.lead.org) instituição à qual a ABDL está vinculada.
Thais Corral: O Programa Liderança para a Segurança Climática (LSC) faz parte de um conjunto de mudanças curriculares e organizacionais que vem ocorrendo na ABDL desde 2001, quando a organização deixou de receber recursos institucionais da Fundação Rockefeller, principal patrocinador do programa de formação de lideranças para a sustentabilidade. Essas mudanças se traduzem também em novas articulações institucionais, novas temáticas e na busca da sustentabilidade econômico-financeira.

Como parte de seu processo formativo, o Programa de Liderança para a Segurança Climática, 13ª turma do Programa LEAD Brasil, terá seminário internacional realizado na cidade do México, entre 16 e 22 de novembro próximo. O seminário reunirá lideranças de todo o mundo para trabalhar o tema 'Megacidades e Mudanças Climáticas: cidades sustentáveis num mundo em mudança'.

O seminário, promovido pelo LEAD International e pelo LEAD México, é uma chance única de compartilhar conhecimento e informação com participantes do Programa LEAD vindos de cinco continentes. A turma 13 do programa LEAD é realizada em 11 centros ao redor do mundo e reúne a diversidade cultural de mais 40 países.

Sob o tema-chave das Megacidades no contexto do mundo em transformação, serão formadas quatro unidades temáticas: Água e Saneamento, Produção e Consumo de Energia, Uso da terra e planejamento urbano, e Transporte e Mobilidade urbana.

Os seminários internacionais são também uma chance para entrar em contato com os participantes de programas semelhantes em outros países e poder ter essa exposição a outras culturas e visões. Os seminários internacionais também estão no DNA da LEAD Internacional.

Você é coordenadora do Projeto Pintadas Solar, um dos cinco vencedores do prêmio SEED de 2008. Qual o objetivo dessa rede global? E quais são os objetivos do Projeto?
Thais Corral: A iniciativa SEED ( http://www.seedinit.org), é uma rede global fundada pelas organizações IUCN, PNUD e PNUMA, que tem como missão promover parcerias em prol do desenvolvimento sustentável em sintonia com as Metas de Desenvolvimento do Milênio e a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável também conhecida como Rio +10.

Selecionado entre mais de 400 projetos de várias partes do mundo, Pintadas Solar conquistou o prêmio pela estratégia inovadora do projeto que promove o uso de tecnologias apropriadas de irrigação e bombeamento de água com o objetivo de fortalecer a agricultura de pequena escala, a segurança alimentar e a geração de renda no promissor mercado brasileiro dos bio-combustíveis. Um dos principais objetivos do projeto é desenvolver estratégias de adaptação às mudanças do clima que se fazem particularmente sentir nas regiões semi-áridas onde a escassez de chuva e as temperaturas altas acabam por agravar a situação já muito difícil.

O projeto leva o nome do município, de apenas 11 mil habitantes situado a 250 KM de Salvador. Em Pintadas, quase todos os 1.600 domicílios rurais contam com cisternas para armazenar água de chuva. Esse fato somado à forte organização comunitária atraiu o interesse de parceiros externos para realização do projeto Pintadas Solar, cuja fase piloto durou dois anos, de 2006 a 2008.

Agora partiremos para a segunda fase do projeto que será de dar escala às ações piloto. Pretendemos implementar nesta próxima etapa todos os aspectos que podem fazer do projeto Pintadas Solar um modelo a ser replicado não só no Brasil como no mundo.

Você está envolvida em vários projetos cujo foco é a sustentabilidade. Conte-nos um pouco sobre essas iniciativas.
Thais Corral: Sustentabilidade é uma área em que venho trabalhando desde 1990. Por ser esta uma área central na minha trajetória de vida, todos os projetos em que estou envolvida têm a ver com a sustentabilidade. Eu diria, porém, que não é só ambiental e sim a busca de uma integração entre a sustentabilidade ambiental e outras sustentabilidades, pois todas elas estão integradas.

Sou co-diretora de capacitação da Rede Sul Sul Norte (http://www.southsouthnorth.org), que existe em 6 países e implementa projetos de mitigação e adaptação à mudança climática com redução da pobreza. Sou também co-coordenadora do projeto da Comunidade Júlio Otoni (http://julio-otoni.org) que tem por objetivo transformar uma favela do Rio de Janeiro numa comunidade saudável. Sou também uma das fundadoras do Centro de Desenvolvimento Vista Alegre (www.vista-alegre.org), o lugar é um dos mais especiais no entorno do Rio de Janeiro com a presença de cachoeiras e da mata atlântica. Lá, a exuberância do lugar está unida ao cuidado de cada detalhe, da comida ao tratamento das pessoas. Vista Alegre tem como principal proposta acolher programas e oficinas de desenvolvimento de lideranças.

No nível internacional sou também co-diretora da REDE Global Leadership, nossa visão é a de levar trabalhar uma visão da liderança que articule setores, culturas, além do desenvolvimento de habilidades internas e externas em prol de propiciar as bases para uma mudança civilizatória.

* Thais Corral - sua área de interesse atual se dá no campo do desenvolvimento de lideranças para a transição para a sustentabilidade. Coordena a Rede de Desenvolvimento Humano (REDEH) desde 1990. É também presidente do conselho diretor da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Lideranças (http://www.abdl.org.br) e membro do conselho deliberativo do LEAD Internacional (http://www.lead.org). É também co-diretora da Global Leadership Network (http://www.globalleadershipnetwork.net) que acaba lançar o livro “Leadership is Global” no qual 22 autores provenientes de várias disciplinas, setores e áreas do planeta compartilham visões e práticas inovadoras que fortalecem a perspectiva de sustentabilidade. Ela também faz parte do Conselho Consultivo do Instituto Akatu.


Naná Prado, para o Instituto Akatu
Envolverde, 10/10/08
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O Museu Lasar Segall realiza na terça-feira (14) tradicional leilão anual de pratos de arte, em prol da instituição. A 11ª edição do evento, organizado pela Associação Cultural de Amigos do Museu Lasar Segall com apoio do Ateliê Barro Blanco e restaurante Trio, tem campanha publicitária criada pela Ogilvy, com direção de criação de Rubens Filho e veiculação no jornal Folha de S.Paulo.

Em uma das peças, um convite ao público com a frase "Como em qualquer restaurante, quando quiser um prato é só levantar o braço". A agência também criou ação para o restaurante Trio (local do leilão), durante este mês, com ilustração de um prato em jogo americano com o título "Enquanto os outros não ficam prontos, desenhe aqui o seu". Os clientes que frequentam o restaurante recebem giz de cera para desenhar.

O artista Feres Khoury comandará o XI Leilão de Pratos que terá 48 participantes, entre eles Regina Silveira, Sérgio Fingermann, Iran do Espírito Santo, Arnaldo Bataglini e o argentino León Ferrari.

No ano passado, prato produzido por Carmela Gross foi arrematado por R$ 12 mil, em disputa acirrada. "A generosidade dos artistas tem ajudado o leilão a fazer história no cenário das artes brasileiras e manter viva a tradição das oficinas do Museu Lasar Segall", afirma Sonia Matarazzo, da associação de amigos do museu.


Meio & Mensagem Online, 10/10/08

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Sustentabilidade, não há alternativa

Entre as empresas líderes mundiais, a pergunta por que se deve incorporar a sustentabilidade nas estratégias de negócio parece já ter ficado na página anterior. Os desafios agora giram em torno de como, quando e com que intensidade se deve aproveitar as oportunidades geradas pela crescente valorização das preocupações socioambientais nos mercados.

No entanto, mesmo ante as evidências de que as mudanças climáticas, as desigualdades sociais e a opinião volúvel de stakeholders cada dia mais verdes afetam diretamente os negócios, há ainda empresas que resistem a pensar no assunto. As pequenas alegam quase sempre baixo impacto e, portanto, menor responsabilidade frente ao meio ambiente e à sociedade. As médias insistem na tese de que se trata de um “problema” das grandes e que o investimento em mudanças para o futuro compromete, no presente, sua capacidade de competir. Algumas grandes, confortáveis em seus modelos de negócio consagrados, fazem o suficiente para cumprir as leis sob a justificativa de que seus clientes ainda não valorizam o tema o suficiente a ponto de pagarem os custos das mudanças de processos, práticas e produtos.

Àquelas que ainda não se convenceram da relevância da sustentabilidade para os negócios – não como imperativo moral, mas vantagem competitiva – vale mencionar o acrônimo Tina, cunhado por executivos da Shell para explicar por que se vêem impelidos a fazer determinadas transformações. Tina são as iniciais de There Is No Alternative, ou seja, não há alternativa. Simples assim.

Sustentabilidade é, portanto, a coisa certa a se fazer, hoje e daqui por diante, em um mundo com recursos limitados e sérios riscos ambientais. Se quiserem se perenizar, as boas empresas terão que considerar em sua gestão –tanto mais quanto maior for a dependência de seus insumos dos serviços dos ecossistemas – fatores como as mudanças climáticas, a saturação dos combustíveis fósseis, a escassez de água, a poluição atmosférica, a gestão de resíduos, a depleção da camada de ozônio e o desmatamento. Não há outra alternativa.

Algumas empresas -- é verdade -- precisarão se preocupar mais do que outras com as grandes ameaças ambientais. Em livro recentemente lançado no Brasil, O Verde que Vale Ouro (Editora Campus Elsevier), Daniel Esty e Andrew Winston, professores da Universidade de Yale (EUA) listaram as oito categorias mais suscetíveis ao risco da chamada “onda verde”. A primeira refere-se ás corporações globalizadas, com alta exposição de marca e grande número de consumidores em todo o mundo, casos de algumas importantes varejistas, cadeias de alimentação rápida ou fabricantes de refrigerantes e cervejas. Com teto de cristal, elas costumam ser alvo preferido dos grupos de pressão, dos governos vigilantes e dos ativistas de ONGs. A segunda diz respeito ás empresas que operam nos setores extrativistas ou de indústria pesada, pois serão cada vez mais cobradas pelas sociedades graças ao alto impacto gerado ao meio ambiente. As companhias que dependem de recursos naturais, como, por exemplo, as de alimentos e papel, também sofrerão crescente pressão social. O mesmo se dará com as que atuam em segmentos altamente regulados, como os de distribuição de energia, obras de infra-estrutura e indústria química e farmacêutica.

A quinta categoria, proposta por Esty e Winston, relaciona empresas que atuam em mercados com crescente potencial de regulação. São os casos, por exemplo, das fabricantes de automóveis (emissão de carbono) e produtos eletrônicos (descarte). A sexta inclui companhias de serviços e da Nova Economia, nas quais impera forte competição por talentos. A existência de políticas ambientais tem sido – e será – uma forma de manter satisfeitos os funcionários e colaboradores cada dia mais exigentes da “sociedade do conhecimento”.

A sétima classificação reúne as empresas de pequeno e médio portes, com pouco poder de mercado, que fornecem para as grandes. Na Europa e nos EUA, como também aqui no Brasil, muitos fornecedores têm sido persuadidos a rezar na cartilha socioambiental dos compradores de seus serviços e produtos. A última categoria concentra um grupo de empresas com alto passivo reputacional. As que carregam no currículo fantasmas ambientais do passado serão certamente mais cobradas a mostrar atitude. As que evitaram máculas, terão por sua vez maior liberdade de movimento e poderão se beneficiar da boa vontade dos mercados.

Uma das boas teses do livro e Esty e Winston – tantas vezes reforçada nesta coluna - é que as empresas inteligentes saem na frente da “onda verde”, reduzem risco financeiro e operacional, e adotam estratégias ambientais capazes de proporcionar maior liberdade de operação, lucros e crescimento. Seus líderes enxergam os negócios a partir de um prisma ambiental, identificam oportunidades de cortar custos, aumentar a receita e o valor intangível. Mais do que isso, criam uma ligação estreita com clientes, funcionários e demais stakeholders, construindo um no tipo de vantagem competitiva sustentável, que os autores definem como ecovantagem. Não há alternativa.


Ricardo Voltolini, da Revista Idéia Socioambiental
Publisher da revista Idéia Socioambiental e diretor da consultoria Idéia Sustentável. ricardo@ideiasustentavel.com.br
Envolverde, 08/10/08
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Sustentabilidade requer novos modelos de aprendizagem

Empresas buscam formas de criar ambientes favoráveis à cooperação e diversidade de idéias para gerar soluções inovadoras.

Apesar de bem aceita, a idéia de que a construção de negócios sustentáveis requer que os indivíduos sejam educados para se reconhecerem como parte do todo e orientem suas ações com base nos impactos para as gerações atuais e futuras ainda desafia os modelos institucionais.

Departamentalizadas por natureza, as empresas têm dificuldades em proporcionar uma experiência de construção coletiva do saber, essencial para a inovação e sustentabilidade. “Tudo está mudando muito rápido. Precisamos de novos tipos de aprendizado, redes sociais e modelos de liderança, pois não será mais possível achar que as pessoas no topo das companhias ou governos terão todas as respostas de que precisamos”, analisa Jane Nelson, diretora do Centro de Iniciativa para Responsabilidade Social Empresarial da Universidade de Harvard.

As companhias que conseguem, aos poucos, superar modelos de gestão excessivamente verticalizados e pouco participativos têm sabido identificar novas oportunidades de negócios.

Com o intuito de estimular a integração e possíveis sinergias, a DuPont, por exemplo, reúne funcionários das mais variadas áreas, níveis hierárquicos e países em encontros anuais para discussão de projetos. Segundo John Jansen, diretor de fluoroprodutos, de pesquisa e desenvolvimento para América Latina, além dos funcionários, o evento conta com a participação de convidados externos que, juntos, selecionam cerca de 100 idéias. As propostas são avaliadas com base nos benefícios gerados para a sociedade em termos ambientais e sociais, assim como nas necessidades do mercado. De cinco finalistas, um projeto é escolhido para ser adotado pela empresa.

Foi justamente da experiência de geração coletiva de idéias que surgiu uma das mais interessantes e recentes soluções de negócio da empresa. Trata-se da SoleCina, elaborada a partir da combinação da proteína vegetal da soja com diferentes tipos de carne. Segundo Jansen, o produto foi criado após a identificação de uma necessidade da população mexicana da base da pirâmide, para a qual os altos preços da proteína animal inviabilizavam o consumo desse item essencial na alimentação Além de ser até 40% mais barata do que a proteína animal, a SoleCina, fabricada em parceria com a Solae Company, possibilita o desenvolvimento de produtos com menos gordura, calorias e sem colesterol.

A Braskem, detentora da tecnologia para fabricação do polietileno verde, apostou na criação de um banco de idéias para receber sugestões de projetos. Criado em 2004, o Programa de Inovação Braskem (PIB) conta com um software para auxiliar na avaliação das propostas. Com base em informações técnicas e comerciais, o sistema calcula a possibilidade de a sugestão ser transformada em produtos e serviços para o mercado. Segundo Luiz Fernando Cassinelli, diretor de inovação da companhia, atualmente, há 75 projetos em andamento nascidos no PIB. Outras 250 idéias aguardam seu lugar nesse portifólio verde.

Novo perfil profissional
Ao contrário do passado, quando o universo das conexões corporativas era, a rigor, o seu próprio umbigo, as empresas de hoje orbitam em torno de uma rede de relacionamentos muito mais diversa. Até menos de duas décadas, os públicos de interesse de uma corporação podiam ser contados nos dedos de uma mão. Hoje, além de funcionários, fornecedores, e clientes, entraram no jogo comunidades, investidores, lideranças comunitárias, governos, organizações não-governamentais, formadores de opinião, grupos de pressão locais e nacionais e até mesmo indivíduos mais atentos e dispostos a disseminar suas eventuais insatisfações pela Internet.

Uma complexa rede de relacionamentos como esta pode ser regida de modo a estabelecer benefícios comuns. Mas não se trata de uma tarefa simples. Requer, além de uma nova forma de gestão, mais transparente e atenta, um time de profissionais preparados para escutar, filtrar e incorporar os pontos de vista das partes interessadas na maneira de pensar e fazer negócios.

Nos últimos dois anos, a Aracruz, recentemente adquirida pela Votorantim, tem centrado esforços no treinamento de funcionários para o relacionamento com a sociedade. “Como a Aracruz é uma empresa florestal com unidades distribuídas em mais de 120 municípios, os profissionais da empresa se relacionam com diferentes tipos de comunidade. Por isso, é importante que desenvolvam a habilidade de construir pontes entre a empresa e a sociedade em diferentes situações”, afirma Carlos Alberto Roxo, diretor de sustentabilidade.

A empresa também tem buscado profissionais com essa competência no mercado. Segundo Roxo, a formação não é o fator mais importante no processo de seleção, mas sim as experiências que o profissional acumulou ao longo de sua trajetória. Para exemplificar, ele conta um exemplo registrado em seu próprio departamento. “Demoramos seis meses para contratar um gerente de sustentabilidade. Só depois fui descobrir que era jornalista. A experiência que ele acumulou por meio de projetos realizados na Amazônia e junto a órgãos governamentais foi determinante para a sua contratação. Além de sólida formação, buscamos profissionais que não sejam apenas resolvedores de problemas, mas capazes de encontrar respostas a partir do relacionamento com diferentes públicos de interesse”, ressalta.

Entender a realidade do outro não é tarefa fácil e demanda, segundo Jansen da DuPont, a ruptura de paradigmas. “O profissional precisa ter a predisposição para entender a fundo a dinâmica das diferentes partes interessadas, além de iniciativa para vivenciar a realidade do outro. Não adiante ler um monte de coisas. É preciso estar lá, conversar e escutar”, explica.

Jansen destaca ainda o espírito empreendedor como competência essencial do profissional para fazer conexões entre as soluções criadas e as necessidades da sociedade. “É interessante observar que o tipo de profissional que se dá melhor nessa área, normalmente, desenvolveu a inteligência emocional, o lado direito do cérebro, área à qual as instituições de ensino não têm se dedicado muito”, completa.

Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), Rodrigo Rocha Loures reforça que a inovação social é uma competência a ser desenvolvida. “A inovação voltada para a sustentabilidade depende de habilidades pessoais, como, por exemplo, a de aprender a aprender, aprender a entender, a se relacionar, a fazer coisas em conjunto, conhecer a si próprio e ter a compreensão do contexto onde se situa. O desafio seguinte é transformar esses conhecimentos em produtos e serviços sustentáveis”, aposta.

A ponte entre a teoria e a prática
Outro caminho para o desenvolvimento de novas soluções se dá a partir de parcerias com universidades. Recentemente, a Braskem lançou o primeiro polietileno verde produzido com o uso da cana-de-açúcar em substituição à nafta, derivada do petróleo. A descoberta contou com o apoio de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “É preciso buscar o conhecimento onde ele está, principalmente nos casos em que são muito específicos. A open innovation oferece essa possibilidade de troca de informações não só com universidades, mas também com outras empresas que não concorrem no mesmo mercado. A principal vantagem é a divisão dos custos da pesquisa”, afirma Cassinelli. Este modelo de cooperação permite que empresas comprem ou licenciem processos de inovação (como patentes) de outras organizações.

Segundo Jansen, da DuPont, a inflexibilidade das universidades em relação a propriedade intelectual dificulta o avanço dessa modalidade de pesquisa no Brasil. “Hoje em dia a inovação fica cada vez mais cara. Normalmente, a cada mil idéias, 100 são efetivamente transformadas em projetos, 10 conseguem atingir a fase de testes e apenas uma chega ao mercado. A colaboração entre empresas e universidades dilui os riscos e aumenta as chances de sucesso da inovação. No entanto é preciso assegurar o retorno financeiro para as empresas. Os resultados da inovação que vingou precisam compensar todo o investimento destinado às outras 1000 idéias malsucedidas. As universidades brasileiras resistem em ceder a patente ainda que 100% do seu desenvolvimento tenha sido financiado pela empresa”, exemplifica Jansen.

A Embraco, por sua vez, mantém parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desde 1982, por meio de convênios de pesquisa que se renovam periodicamente. A primeira grande conquista da mais longa união entre iniciativa privada e academia de que se tem notícia no País foi a fabricação, em 1987, do primeiro compressor com tecnologia 100% nacional.

De dentro pra fora
Pioneiro na capacitação de seu corpo de funcionários com a criação das “Oficinas de sustentabilidade” em 1991, o Banco ABN Anro Real também inovou ao levar a experiência obtida a partir da vivência desse conceito na empresa a clientes e parceiros de negócio.

O programa “Práticas em sustentabilidade” teve início em 2001 com a realização de workshops sobre o tema com fornecedores para troca de informações e experiências. Hoje, o banco também disponibiliza um endereço na internet para ampliar o alcance com o público externo. O blog Práticas disponibiliza o acesso a um banco de iniciativas de implementação da sustentabilidade, uma biblioteca com documentos de referência e cursos online.

O Real apostou na troca de experiências e informações para construção conjunta de conhecimentos, reconhecendo a importância da colaboração na economia contemporânea. “Os indivíduos têm que ser protagonistas, o que pressupõe olhar para o novo, reconhecendo que não sabemos tudo e temos muito a aprender. Podemos não ter todas as repostas, mas não temos medo das perguntas”, afirma Carla Bardaro, superintendente de desenvolvimento sustentável do Banco ABN Anro Real.

Desafios da educação voltada para a sustentabilidade
* Desenvolver ambientes de construção coletiva do saber
* Criar estruturas descentralizadas que proporcionem sinergias entre diferentes áreas do conhecimento
* Estabelecer relações de confiança
* Formar indivíduos integrais que pensam e ajam em um contexto global
* Proporcionar o autoconhecimento
* Valorizar a diferença


Juliana Lopes, da Revista Idéia Socioambiental
Envolverde, 08/10/08
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Para construir uma escola, salve um hipopótamo

Como descobriu a comunidade Wechiau, que vive na ribeira do rio Volta Negro, em Gana, cuidar dos hipopótamos pode ajudar a construir escolas e obter eletricidade. Em 1998, as 17 comunidades agrícolas e de caça dos Wechiau não tinham onde estudar, nem água potável e nem eletricidade. Agora, seus aproximadamente 10 mil membros contam com tudo isso, graças a um plano para preservar a população de hipopótamos. Os Wechiau simplesmente acordaram criar uma reserva para esses animais. “Logo começamos a colher algum lucro com o projeto, especialmente através do turismo”, disse à IPS o líder da comunidade, Chielinah Bandanaa, que participa em Barcelona do Congresso Mundial da Natureza, organizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

“Com o dinheiro ganho, e o apoio para o desenvolvimento de nossos sócios do mundo industrializado, especialmente do Canadá, pudemos construir escolas, cavar poços de água e instalar painéis solares para gerar eletricidade”, explicou Bandanaa. A reserva é o lar de mais de 500 espécies animais e de numerosas plantas medicinais. É administrada por uma junta que representa todas as comunidades Wechiau. As crianças da comunidade agora têm bolsas de estudo graças ao dinheiro obtido com o projeto. Bandanaa recebeu o prêmio Equator, que reconhece internacionalmente os esforços destacados em países abaixo da linha do Equador em sua luta contra a pobreza, pela conservação ambiental e pelo uso sustentável da biodiversidade.

O prêmio é entregue pela Equator Initiative, uma coalizão de organizações da sociedade civil, empresários, governos e comunidades, sob patrocínio da Organização das Nações Unidas. A diretora-executiva para desenvolvimento sustentável da Fundação das Nações Unidas, Érika Harms, afirmou que estes tipos de projetos são “simples e inspiradores exemplos do que as comunidades de base fazem ao longo do Equador para preservar a biodiversidade e, ao mesmo tampo, aliviar a pobreza”. Harms disse que o trabalho da Equator Initiative se baseia no simples fato de que “as grandes concentrações de riqueza biológica do mundo estão nos trópicos, em nações que também têm alguns dos mais altos níveis de pobreza”.

A comunidade Wechiau foi um dos 25 grupos que receberam o prêmio este ano. Os demais foram comunidades indígenas de Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, pela América Latina; das Ilhas Salomão, Filipinas, Sri Lanka, Micronésia, Indonésia, Vanuatu e Camboja, pela Ásia-Pacífico; e República Democrática do Congo, Zâmbia, Quênia, Senegal, Namíbia, Tanzânia e Gana, pela África. O centro para o Desenvolvimento Comunitário (CDC) em Sri Lanka ganhou o prêmio graças a um plano para preservar vegetais tradicionais, especialmente tubérculos. O projeto foi lançado em Aranayaka, no distrito de Kegalle, em1996.

“Desde então, redescobrimos 58 variedades de batata-doce muito nutritivos e saborosos, bem como raízes que nossos ancestrais usavam e que quase desapareceram da dieta diária de nossas comunidades”, disse à IPS Achala Adikari, do CDC. Nos últimos 12 anos – acrescentou – mais de 800 agricultores se uniram ao grupo para cultivar tubérculos tradicionais. “Não usamos aditivos químicos em nossa agricultura”, ressaltou. Mas estes vegetais não só enriquecem a dieta das comunidades Aranayaka como também trouxeram segurança alimentar. “A batata-doce e os tubérculos estão disponíveis o ano todo”, disse Adikari. Além disso, as vendas trouxeram uma nova fonte de renda para as comunidades. “Agora queremos criar um centro de pesquisa e capacitação para permitir a expansão do projeto, bem como o mercado para as sementes tradicionais”, afirmou Adikari.

Outro ganhador foi um projeto de tecido de algodão no Peru. Em 2004, 25 artesãos de Mórrope, na província de Lambayeque, lançaram um programa para preservar uma variedade nativa e tradicional do algodão. “Também quisemos resgatar do desaparecimento nossa indústria artesanal do tecido”, disse à IPS Magbdalena Puican Chinguel, representante do projeto. As mulheres da região tecem com ferramentas locais que carregam na cintura. “No início, nossos maridos nos olhavam como se estivéssemos lucas. Mas logo, quando o dinheiro começou a chegar, viram que tínhamos razão”, contou Chinguel à IPS.

Agências do governo se integraram ao projeto fornecendo cursos de capacitação e apoio financeiro a planos suplementares destinados, por exemplo às fontes de água, tanto para consumo quanto para uso agrícola. “Agora, as mulheres de Mórrope geram sua própria renda e contribuem para o desenvolvimento da província”, disse Puican Chinguel.


Por Julio Godoy, da IPS
Envolverde, 08/10/08
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Cresce a busca de permuta para garantir economia

Bertagnon, da Village, já reservou 500 caixas de panetone como moeda de troca nesse Natal: "Quero espaço de mídia"
Foto Ed Viggiani/Valor


Os móveis do departamento comercial do carioca Studio Alfa - fornecedor de peças para mobiliário urbano - acabam de ser trocados. Depois de passar dez anos com a mesma mobília, os 20 funcionários da área agora vão trabalhar em mesas e cadeiras de primeira linha, fornecidas pela fabricante ML Magalhães, também do Rio de Janeiro. Esta, por sua vez, vai distribuir no próximo Natal aos seus clientes e parceiros brindes da mineira Cia. do Acrílico. Antes disso, em novembro, o Studio Alfa deve entregar as peças da nova campanha publicitária da rádio Oi FM.

Cada uma dessas operações será devidamente tributada (ver reportagem abaixo), mas nenhuma envolve dinheiro. Todas são fruto de permuta multilateral, permeadas pela ProRede, com sede no Rio e unidades em Minas Gerais, Paraná e Santa Cataria. Em São Paulo, a Permute e a Tradaq também são especializadas nessa atividade, que cresce no Brasil como forma de diminuir custos e manter livre o fluxo de caixa.

A ProRede deve movimentar o equivalente a R$ 9 milhões em permutas este ano, valor 40% superior ao de 2007. Entre as 400 empresas atendidas, estão a vinícola Miolo, a editora Record e escola de idiomas Wizard. Já a Permute tem cerca de 600 clientes, que encerrarão o ano trocando entre si produtos e serviços que somam R$ 7 milhões, 27% a mais do que o ano passado. A Permute cobra 5% sobre o valor da operação, de cada uma das empresas envolvidas. A comissão da ProRede, por sua vez varia de 4% a 9%, de acordo com o volume de trocas feitas pelo cliente.

"O sistema funciona como uma 'câmara de compensação', em que cada empresa acumula créditos, conforme o que cede para outras, que podem ser debitados com qualquer tipo de produto ou serviço das demais clientes cadastradas", explica Nádia Nunes, diretora da Permute. A permuta também pode ser "repassada", quando uma empresa oferece como pagamento bens ou serviços que recebeu de terceiros. "O melhor do sistema é que ele mantém livre o fluxo de caixa das companhias", diz Nádia.

Para Francisco Barone, professor Fundação Getúlio Vargas (FGV), trata-se de uma prática atraente, em especial em tempos de pouco crédito na praça. "Nessa época, como a que se avizinha para as empresas brasileiras, tudo o que permitir postergar o desembolso é interessante", diz o professor, que coordena o programa Small Business na Ebap-FGV. Para ele, as empresas economizam com operações de permuta cerca de 5% do seu orçamento anual. "Esse percentual só não é maior porque é preciso uma pessoa - ou, no caso, uma empresa, como essas intermediadoras - apenas para costurar as permutas", diz Barone.

É o que acontece na HSM, empresa de educação e eventos corporativos. Cliente da Permute, a HSM tem uma executiva apenas para tratar de parcerias e permutas. "Vamos economizar 10% a mais este ano em relação a 2007, atingindo uma economia de R$ 3,3 milhões com essas atividades ", diz Vera Costa, gerente de relacionamento da HSM. Em troca de cursos e participação em eventos, a HSM busca brindes e presentes para parceiros e clientes. "A tendência é que essas operações continuem crescendo no próximo ano", diz Vera, considerando a economia de tempo um dos principais atributos das permutas costuradas pela Permute. "Não precisamos ir pessoalmente fechar uma negociação e tudo corre mais rápido".

Para Leandro Bach, sócio Studio Alfa, cliente da ProRede, o melhor é alocar parte da sua capacidade ociosa como moeda para aquisição de produtos ou serviços que dificilmente teriam espaço no orçamento. "Nenhuma empresa trabalha com 100% da sua capacidade produtiva e é plenamente possível encaixar a permuta em períodos ociosos, mesmo em momentos de maior demanda, como o atual", diz ele, que vai economizar o equivalente a 2,3% do seu faturamento deste ano, previsto em R$ 22 milhões, com permutas.

A fabricante de produtos alimentícios Village, de São Paulo, também está a todo vapor com a produção de panetones. Mas já reservou 500 caixas, de 12 unidades cada uma, para as trocas negociadas por meio da Permute. "Temos interesse por mídia, como anúncios em revistas e ações de merchandising", diz Reinaldo Bertagnon, gerente comercial e de exportação da Village, que vê outra vantagem na operação. "Muita gente que não conhecia o meu panetone tem a chance de saboreá-lo agora, o que pode aumentar as minhas vendas futuras", afirma.

Não se sabe ao certo quanto as operações de permuta movimentam no Brasil mas, segundo a International Reciprocal Trade Association (IRTA), entidade sem fins lucrativos que promove esse tipo de atividade no mundo, só nos Estados Unidos essas atividades permitem trocas de R$ US$ 10 bilhões ao ano. No Brasil, o mercado ainda é incipiente: Permute e ProRede começaram há cerca de cinco anos. A Tradaq, do grupo americano Intagio, começou no Brasil em 2000.

Márcio Lerner, diretor da ProRede, acredita que o mercado pode crescer mais agora com a crise. Na sua mira estão empresas com mais de R$ 20 milhões de faturamento. "Já atendemos desde profissionais liberais à locação de DVD, mas o esforço na permuta desses serviços é quase o mesmo destinado a uma grande operação e não compensa", diz ele.


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- Operação é tributada como uma venda


Daniele Madureira, de São Paulo
Valor Online, 09/10/08

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Lei cria cadastro contra telemarketing em SP

Um cadastro estadual permitirá aos usuários proibir que empresas de telemarketing liguem para eles

Uma lei, sancionada nesta quarta (8) pelo governador de São Paulo, José Serra, prevê a criação de um cadastro estadual de usuários que não desejam ser abordados por serviços de telemarketing. A lei valerá para todos os telefones com prefixos paulistas, como 11, 12 e 16, por exemplo.

O cadastro será organizado pela Fundação Procon. O usuário que não quiser ser abordado por estes tipos de serviços, deverá fornecer seu telefone ao órgão e, a partir daí, as empresas de call center terão 30 dias para bloquear este número em suas centrais.

A lei não prevê como será feito o cadastro. O Procon espera fornecer a opção de entrar ou sair do cadastro pela internet. As empresas que descumprirem a lei serão multadas pelo Procon.


Felipe Zmoginski
Plantão INFO, 08/10/08

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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A origem das coisas

Este vídeo já está circulando há algum tempo, mas hoje descobri esta versão dublada em português pela comunidade Permacultura do Orkut (parabéns pessoal!). É muito interessante e dá informações que todos deveriam saber, especialmente quem anda dedicando tempo e energia para construção de um mundo melhor.





Embora fale da realidade dos Estados Unidos, infelizmente, tem tudo a ver conosco...
E é também um bom exemplo de comunicação - simples e direta.

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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Grifes estão de olho nas pré-adolescentes

Suzana, da Cookie, decidiu apostar no potencial de consumo das meninas de 10 a 14 anos: "Elas ainda são um pouco crianças, mas têm um poder de decisão incrível"
Foto Gustavo Lourencao/Valor


Elas não querem mais saber de roupas infantis. Mas também não se sentem à vontade com o estilo de roupas de suas mães. Elas são as "tweens" (o nome vem da palavra between, em inglês), ou pré-adolescentes, as mais novas consumidoras a entrar no mira do mercado de moda. Ainda dependentes do pais, mas com muita decisão sobre o que querem usar, essas meninas de 10 a 14 anos, que têm despertado a atenção de publicitários e da indústria de bens de consumo, começam a contar com grifes só para elas.

É o caso da Cookie, que acaba de abrir as portas no bairro de Moema, em São Paulo, e é um misto de loja com espaço para eventos. A grife carioca Mary Zaide também enxergou boas perspectivas nesse segmento. Há um ano e meio, criou a Miss Zaide, focada na moda para meninas. "As tweens representam um nicho com muito potencial de crescimento", diz a consultora de varejo Celina Kochen.

A Cookie nasceu de um sonho antigo da empresária Suzana Pasternak Kuzolitz, dona da Iorga, indústria de lubrificantes industriais. "Minha família já atuou no ramo da tecelagem e eu sempre tive essa ligação com moda", diz a empresária, que bancou uma pesquisa de mercado para encontrar um setor promissor dentro do universo da moda. Foi assim que ela descobriu as "tweens". "Elas ainda são um pouco crianças, mas têm um poder de decisão incrível."

Para poder atender os desejos dessas consumidoras mirins, Suzana optou por criar uma grife exclusivamente feminina. "Fui atrás dos gostos e preferências delas", afirma Suzana, que descobriu, por exemplo, que as "tweens" adoram bichos de pelúcia e preferem lingeries grandes e confortáveis.

Além de roupas, a Cookie vende acessórios, artigos de papelaria e perfumes. A loja também comercializa bichos de pelúcia fabricados pelas ONGs Orienta Vida, de São Paulo, e Bichos do Mar de Dentro, do Paraná. "A consciência ecológica e o comércio justo são preocupações que já passam pela cabeça dessa geração", afirma Suzana. A empresária reservou um espaço da loja para encontros das clientes com as amigas. "Também pretendemos realizar oficinas de customização." A coleção da Cookie é bastante colorida e feita basicamente de roupas de malha. "Descobri que essas meninas prezam o conforto porque o seu corpo está em transformação", diz.

Essa também é a opinião da consultora Celina Kochen: para agradar esse público é preciso fugir dos decotes, do salto-alto e de outros atributos da moda para mulheres. "Acerta quem consegue criar uma moda nem tão infantil, mas sem o apelo sensual da moda feita para as adultas."

Para o empresário Eduardo Zaide, as consumidoras pré-adolescentes não querem roupas descartáveis. "Elas já prezam a qualidade", diz ele, diretor das marcas Mary Zaide (feminina) e Essencial (masculina), do Rio de Janeiro. As duas grifes, voltadas para o público adulto, foram criadas no início dos anos 1990. Há cerca de um ano e meio, mais uma grife se uniu à família: a Miss Zaide, destinada à meninas e que já representa 20% do faturamento da empresa.

"No próximo ano, deveremos abrir a primeira loja exclusiva Miss Zaide", diz o empresário. Por enquanto, as meninas encontram as roupas da grife dentro das lojas Mary Zaide -- 17, ao todo, distribuídas entre São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Curitiba. A coleção da Miss Zaide inclui roupas para o dia-a-dia e para festas. "Antes, as meninas iam à loja com as mães", diz Eduardo. "Hoje, já vão sozinhas."

O público "tween" é considerado difícil por Marcos Ribeiro, diretor de marketing da Cia. Hering. "Nessa idade, o jovem muda muito, muda de tribo, de escola e de estilo", diz Ribeiro. "Além disso, ele dificilmente é fiel a uma grife." Ainda assim, a Hering não descuida do público pré-adolescente, atendido pela linha Hering Kids (com roupas de zero a 14 anos).

Com 25 anos de mercado, a Tkts, de São Paulo, resolver dividir sua linha de produtos, há três anos, para atender crianças e adolescentes de forma separada. "Passamos a focar o consumidor 'tween' mais fortemente", diz Diego Gadelha Júnior, diretor comercial da grife, que recentemente contratou a estilista Mariana Rotta para cuidar da linha feminina. "O segmento infantil está muito concorrido e as vendas de roupas para os adolescentes vem crescendo", afirma o executivo.


Vanessa Barone, de São Paulo
Valor Online, 07/10/08

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Tenista russa apóia 'filhos de Chernobyl'

Maria Sharapova doa US$ 210 mil para programa que tenta ajudar alunos de região afetada por acidente nuclear a concluir universidade

A estrela do tênis feminino Maria Sharapova doou US$ 210 mil a um programa educacional voltado a estudantes de uma área afetada pelo maior acidente nuclear da história, o de Chernobyl, ocorrido há 22 anos. A iniciativa, uma parceria da Fundação Maria Sharapova e do PNUD, vai permitir que 12 jovens talentosos de Belarus possam concluir os estudos em duas das principais faculdades do país.

A usina nuclear de Chernobyl, em que um reator explodiu em 26 de abril de 1986, ficava numa parte da União Soviética que hoje é a Ucrânia. O desastre, porém, também afetou áreas onde hoje ficam a Rússia e Belarus. Na ocasião, a família de Sharapova morava na província de Homiel (Belarus), mas fugiu para a Sibéria (Rússia), onde a tenista nasceu, em 1987.

A fundação por ela criada já contribuiu com US$ 100 mil para projetos envolvendo jovens dos três países atingidos pelo acidente. "Sempre foi meu sonho ajudar a recuperação da região onde tenho ligações pessoais", disse a campeã na entrega do cheque ao PNUD. "Contribuir para que jovens talentosos concluam os estudos é parte do esforço de construir um futuro brilhante para a região", acrescentou ela, que é Embaixadora da Boa-Vontade do PNUD.

A parceria com o PNUD vai oferecer financiamento por cinco anos para 12 estudantes na Academia Estadual de Artes Belarus e na Universidade Estadual Belarus. Os jovens serão selecionados a partir de uma lista preparada pelas universidades, em um trabalho conjunto com o PNUD e o Ministério de Emergências da Bielorrússia, responsável pelos programas de recuperação das vítimas de Chernobyl.

O objetivo é contribuir para a formação de jovens talentos que, de outra forma, não teriam oportunidade de terminar a faculdade. Esta é a primeira vez em Belarus que uma organização não-governamental oferece apoio desse tipo para projetos de educação. Os primeiros alunos beneficiados vão iniciar seus estudos em setembro de 2009.


da PrimaPagina
Boletim Diário PNUD Brasil, 06/10/08

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Legislação do Brasil terá 'Google das leis'

Serviço de buscas vai tornar mais fácil encontrar jurisprudências, leis, normas e projetos na internet; buscador deve estrear em novembro

Um grupo que reúne técnicos de 12 organismos federais, como o Senado, o Superior Tribunal de Justiça, a Advocacia Geral da União e o Ministério da Justiça, está desenvolvendo uma ferramenta de buscas na internet que vai varrer sites do poder público para encontrar, de maneira simples e direta, leis, normas, decretos, projetos de leis e jurisprudências.

O serviço, que se chamará LexML e será de livre acesso, permitirá localizar os textos por meio de seu número, pelo nome, pela data ou até pelo apelido. Assim, uma busca por “11.340”, “Lei de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher”, “7 de agosto de 2006” e “Lei Maria da Penha” apontaria, nos resultados, para a lei que torna mais rigorosa a punição contra agressão às mulheres.

A expectativa é que a primeira versão do "Google das leis" esteja disponível em novembro, no endereço eletrônico www.lexml.gov.br (ele já existe, mas atualmente traz informações sobre o projeto). O objetivo é que já nessa versão seja possível buscar mais de 1 milhão de registros — todas as leis, projetos de leis e jurisprudências federais dos últimos 20 anos, desde a homologação da Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988. Numa etapa posterior, as legislações estaduais e municipais também deverão ser incluídas.

"Imagine que um cidadão quer informações sobre a lei seca. Hoje, basicamente, ele vai ao Google e faz a pesquisa e lá obtém 100 mil registros, embora só exista uma lei. A proposta do LexML é que ele encontre uma página que vai gerar links para páginas do Diário Oficial, do Senado, da Câmara e do Ministério da Justiça, onde a lei estiver disponível", afirma o analista de informática legislativa do Senado Federal João Lima, que lidera a execução do LexML. "O cidadão vai encontrar informações categorizadas da lei, no original, com as transformações por que ela passou ao longo do tempo, até a versão atualizada."

A intenção da equipe responsável pelo serviço é que, a partir do primeiro semestre de 2009, a base de dados do LexML contenha legislações, jurisprudências e proposições legislativas anteriores a 1988, ou seja, que facilite a busca de mais de 10 milhões de registros. Também devem ser incluídas leis dos maiores municípios do país e dos Estados. Para que isso ocorra, as cidades têm de usar um software desenvolvido pelo INTERLEGIS (Comunidade Virtual do Poder Legislativo) com apoio do PNUD: o módulo Provedor de Dados do LexML. "A partir do próximo ano, vamos ter 100% das leis federais e algumas estaduais e municipais — para aqueles que usam o SAPL [Sistema de Apoio ao Processo Legislativo] a integração será bastante tranqüila", diz Lima. No site do LexML vai haver um formulário de adesão para órgãos da administração pública direta e indireta, que poderão enviar perfis e baixar o módulo Provedor de Dados do LexML.

A consulta no sistema é simples. A página inicial é limpa e dá bastante destaque ao logotipo do serviço e ao campo para busca (foto acima). Quando o usuário aciona a consulta, aparece uma segunda tela, com os resultados relacionados às palavras ou aos números que ele digitou (como data, tipo de documento e abrangência — federal, estadual ou municipal). Ao clicar no link que está procurando, o internauta é levado a uma nova página, em que poderá encontrar o registro com a data de publicação, versão original, publicada no Diário Oficial da União. Há ainda links para a lei em outras esferas do governo federal, a lei em outras línguas, se houver, retificações e a versão atualizada da lei, levando em consideração todas as alterações pelas quais ela passou ao longo dos anos (veja a imagem abaixo).



"Decreto, lei, medida provisória, jurisprudência... O que o usuário quiser ele vai encontrar em um único ponto de acesso, a partir dessa página de resultado, que vai trazer os links possíveis", afirma Lima. "Hoje, no Brasil, não existe nenhum site que faça esse serviço. E é realmente algo bem simples. O esforço, comparado com o benefício, é muito pequeno."

O grupo de técnicos envolvidos no projeto chama-se Comunidade TI Controle. A idéia surgiu em 2000, mas só começou a ser tocada a partir deste ano. Como não tem um orçamento exclusivo, o serviço terá uma rede de computadores que vai crescendo conforme a necessidade de ampliação do banco de dados. O site não é vinculado diretamente a nenhum órgão.

Além de apoiar a execução do sistema SAPL, o PNUD participa do LexML com contribuições técnicas para o trabalho. Ambos compõem o projeto Rede de Integração e Participação Legislativa.


Osmar Soares de Campos, da PrimaPagina
Boletim Diário PNUD Brasil, 06/10/08

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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Índice de Oportunidade Humana coloca Brasil em oitavo lugar na América Latina

Um novo indicador criado pelo Banco Mundial aponta que o Brasil está atrás de países como Argentina, Chile, Jamaica e México no que diz respeito à igualdade de oportunidades oferecidas às crianças. Ainda assim, está dois pontos acima da média latino-americana.

O Índice de Oportunidade Humana (IOH), divulgado ontem (2) pela instituição, mede as oportunidades necessárias para assegurar o acesso universal de crianças e jovens a serviços básicos essenciais para uma vida produtiva. O índice vai de 0 a 100 e aumenta à medida que há mais oportunidades. Outro fator levado em consideração é se essas chances são distribuídas de forma eqüitativa. A insituição defende que esse nivelamento de chances para as crianças é a chave do desenvolvimento na região. A nota do Brasil é 72 e a da América Latina, 70. O país com melhor resultado é o Chile, com IOH de 91. Na outra ponta, a Nicarágua ficou com 46.

Em função das desigualdades entre a população dos países latino-americanos, a região foi escolhida pelo Banco Mundial para aplicação do IOH pela primeira vez. Foram avaliados 19 países. O índice é calculado com base na distribuição das oportunidades educacionais e habitacionais oferecidas nos países. Os cinco indicadores considerados foram acesso à saneamento, água potável, eletricidade, freqüência escolar na faixa etária de 10 a 14 anos e conclusão da 6ª série do ensino fundamental na idade correta.

Segundo o banco, “entre 25% e 50% da desigualdade permanente de renda observada entre os adultos da América Latina e do Caribe deve-se a circunstâncias que essas pessoas enfrentaram ainda na infância e sobre as quais não tinham controle nem responsabilidade”.

Entre os 19 países da América Latina e Caribe, Argentina, Chile, Costa Rica, Uruguai e Venezuela foram considerados os mais próximos da universalidade nos serviços básicos. Já Guatemala, Honduras e Nicarágua são os mais distantes da meta.

O estudo analisa ainda de que forma fatores como cor de pele, local de nascimento e condições de renda da família influem no acesso aos serviços básicos em cada país. De acordo com o relatório, o nível educacional da mãe e a renda salarial do pai estão entre os fatores de maior peso para explicar desigualdades na distribuição de oportunidades entre as crianças da região.

Os pesquisadores analisam ainda os avanços dos países na última década, considerando indicadores sociais de 1995 a 2005. Nesse recorte, o Brasil aparece como destaque, já que o índice subiu de 59 para 72 no período, com uma taxa de crescimento anual de 1,3%.

Ranking IOH América Latina e Caribe: http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/10/02/materia.2008-10-02.9609431861/view

Oportunidades educacionais são menores no Brasil, diz Banco Mundial
No Brasil, as oportunidades em educação oferecidas às crianças são menores do que nos outros países da América Latina e Caribe, com exceção de Nicarágua, El Salvador e Honduras.

A educação é uma das variáveis utilizada para calcular as oportunidades necessárias para assegurar o acesso universal de crianças e jovens a serviços básicos essenciais para uma vida produtiva. A instituição considera esse acesso como fator determinante para a ocorrência de desigualdades sociais e econômicas em uma população.

O IOH brasileiro na área educacional é de 67 pontos, nove abaixo da média (76 pontos) dos 19 países que participaram do estudo. O Chile é o país com melhor desempenho na área educacional, com 90 pontos. As crianças da Nicarágua são as com menos chances de acesso a uma boa educação, com um IOH de 59 pontos.

O índice da educação é calculado com base na freqüência escolar dos alunos de 10 a 14 anos e no número de crianças que conclui a 6ª série do ensino fundamental na idade indicada para o período. O relatório aponta que o Brasil, ao lado do Chile e da República Dominicana, é o país mais próximo da universalização de oportunidades para a freqüência escolar, com 96%.

Por outro lado, o IOH para crianças que concluem a 6ª série na idade certa é de 37%, o terceiro pior entre os países. O índice vai de 0 (privação total) a 100 (universalização de oportunidades). Apesar do baixo desempenho, o relatório do Banco Mundial aponta o Brasil como um país que registrou significativas melhorias na área.

“Na verdade, quando os países latino-americanos são ranqueados pelas melhorias nas oportunidades educacionais, o Brasil é o melhor ou o segundo melhor na região”, diz o estudo.

Segundo o relatório, o avanço é resultado de políticas públicas criadas para esse objetivo. O aumento do financiamento para a educação com a criação do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) é citado como um pilar da política educacional. O relatório aponta ainda o Bolsa Família como “vital para acelerar o progresso educacional do país”.


Amanda Cieglinski, da Agência Brasil
Envolverde, 03/10/08
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