quinta-feira, 17 de julho de 2008

Doação individual: fazendo-a ser percebida

Apesar de pessoas de todos os setores da sociedade sempre doarem à caridade, o apelido “filantropo” tem sido dado tradicionalmente aos ricos industriais não importando se as fortunas foram feitas do petróleo ou aço (Rockefeller e Carnigie), ou software, ou finanças. (Gates e Buffett). Hoje, no entanto, a filantropia se popularizou. Brad Pitt, Angelina Jolie e Bono têm ajudado refugiados, aos grupos de direitos humanos, aliviando dívidas e em causas célebres. E se os executivos da NBC conseguirem o que desejam a filantropia logo mais poderão chegar à sua casa através de um canal de televisão.

Entre os shows do horário nobre programados para o inverno de 2009, está “O Filantropo”, o herói que será “o primeiro Filantropo Vigilante”, um bilionário que usa sua riqueza, sua rede de relacionamentos e seu poder para ajudar pessoas necessitadas: em vez de gastar US $ 25.000 o prato num evento beneficente, ele foge das balas nos países do Terceiro Mundo para entregar vacinas em mãos. O próximo papel de George Clooney?

Enquanto as celebridades podem contribuir com dinheiro e chamar a atenção pela fama que têm, a maioria dos doadores individuais não consegue nem ser mencionada na última página da imprensa, na primeira... nem sonhando. No entanto, eles fazem a diferença. US$10.000 podem ter um profundo impacto num projeto de irrigação de uma vila. US$ 50.000 podem financiar pequenos empréstimos para toda uma vizinhança numa cidade Africana. Somada a outras doações, US$100.000 podem fornecer capital de investimento para um fabricante de vacinas de baixo custo nos países em desenvolvimento. A escala dos doadores de US$ 1.000.000 até US$ 5.000.000 é diferente.

A chave disto é identificar qual é a melhor forma de usar cada uma das doações. Isto significa ter uma idéia muito clara de qual é a paixão do filantropo, o tamanho dos recursos dela ou dele e o nível de participação desejado. Isto então requer estar ciente de que negócios e filantropia exigem habilidades diferentes. Os bons doadores podem adaptar seus talentos empreendedores para negócios e aplicá-los no seu trabalho filantrópico; só que, desenvolver um negócio de sucesso e criar um projeto eficiente na saúde, implicam esforços qualitativos totalmente diferentes. A seguir algumas dicas para doações individuais inteligentes.

O que o filantropo individual tem a oferecer
Uma pessoa, ou até uma família muito coesa, podem conseguir muito se acreditarem numa idéia ousada planejando os recursos sociais, financeiros e profissionais e no engajamento num ideal. Os filantropos precisam começar com um entendimento claro dos assuntos, ter a capacidade de ouvir as pessoas que serão beneficiadas com a sua doação, desejar colaborar visando o impacto máximo e confiar no raciocínio estratégico com planejamento e persistência. Em resumo, um compromisso para agir de forma que possa aumentar as probabilidades de fazer mudanças que perdurem.

Quais são algumas das vantagens que o filantropo individual tem sobre os grandes fundos? Para começar os doadores individuais são mais ágeis que as grandes fundações.

As decisões e ações podem acontecer com maior velocidade permitindo agir rapidamente em casos de necessidades urgentes. Por exemplo, Jeff Horowitz, há tempo se interessava na troca do Carbono como uma solução para o aquecimento global. Quando ele percebeu que não havia suficiente regulamentação destinada a reduzir as emissões de carbono originadas em queimas de florestas e degradação (REDD), licenciou-se da sua participação societária do escritório de arquitetos de São Francisco, a KMD Arquitects, para fundar o Avoided Deforestation Partners (Parceiros da Prevenção de Desflorestamento); uma empresa internacional sem fins lucrativos que promove políticas de mercado para proteger e incrementar o ecossistema florestal. Horowitz agora dedica seu tempo em convencer políticos e líderes corporativos muitos deles conhecidos na sua antiga atividade, sobre a REDD (Regional Ecosystem Description Database, algo como Cadastro das Descrições dos Ecossistemas Regionais).

Da mesma forma, indivíduos e famílias podem arriscar mais do que as grandes organizações em assuntos que evitariam entrar, tais como experimentar novas tecnologias ou apoiar idéias ainda não testadas. Em 1991, quando Martin Fisher e Nick Moon fundaram uma organização que mais tarde seria a KickStart, uma organização sem fins lucrativos no Quênia que desenvolve, fabrica e distribui tecnologias inovadoras como bombas para micro-irrigação, materiais para construção e fabricação de ferramentas, eles aplicaram a poupança e lucros provenientes de um contrato que tinham para fabricar latrinas nos campos de refugiados Somalis. Este primeiro investimento permitiu a KickStart afinar o seu modelo e colocou a organização num ritmo de crescimento rápido. Hoje a KickStart trabalha na África Subsaariana e sua rede de distribuição chega às mais remotas regiões.

Devido a sua independência, os filantropos individuais frequentemente trazem novas idéias e novas estratégias para resolver problemas deixados de lado por outros. A educação e o treinamento são exemplos das preocupações persistentes de muitos dos filantropos, no entanto, muitos têm dificuldade em transpor as barreiras políticas, econômicas e sociais que mantêm as pessoas atoladas na pobreza. Essas barreiras são as mais altas de todas em regiões onde o desemprego crônico tem criado um ciclo de frustrações, perda de esperança e raiva. Em 2004, Ron Bruder desenvolveu a Fundação Educação para Emprego, gerando oportunidades de trabalho para jovens desempregados em países de maioria muçulmana dando-lhes treinamento profissional e técnico de primeiro mundo encaminhando-os para uma carreira profissional. Através de parcerias com empresas, escolas e governos, a F.E.E. fornece aos jovens as ferramentas e o treinamento necessários para prosperar no ambiente empresarial acompanhando-os com um sólido programa de tutoria para garantir um sucesso duradouro.

Os doadores individuais também são organizadores ideais e intermediários de relacionamentos. Quando Uday Khemka queria chamar a atenção dos doadores para o tema de como evitar as ameaças potenciais das mudanças climáticas sobre as pessoas carentes do mundo, o empresário indiano reuniu os filantropos com peritos em mudanças climáticas do mundo todo para uma série de reuniões com o objetivo de explorar alternativas para mitigar as mudanças climáticas. Foram reuniões informais e orientadas para a implementação de ações. O resultado? A fundação da “Filantropia para a Rede de Ações de Mudanças Climáticas” formado por um grupo de filantropos individuais e de fundações comprometidas a fazer intercâmbios de boas práticas e coordenar estratégias e planos de ação em torno das mudanças climáticas.

O que faz de uma pessoa um bom filantropo?
Então, o que faz de uma pessoa um bom filantropo? O mesmo que faz um bom filantropo institucional: acima de tudo, a vontade de ouvir as pessoas do campo. No final de contas, o impacto do trabalho do filantropo depende da vontade das pessoas da localidade em levar as ações adiante. Uma coisa é um doador financiar pesquisas de AIDS e outra coisa totalmente diferente é montar uma clinica para Aidéticos. Têm que levar em consideração um mínimo de desafios: a falta de transporte para chegar à clínica; a falta de água potável para limpeza e desinfecção, tabus contra as pessoas aidéticas e práticas sexuais da região que disseminam o vírus.

A eficácia do doador aumenta de forma dramática se visualizar a doação de forma consistente com a cultura e os valores locais. Os filantropos, mesmo com as melhores das intenções, se não se derem tempo para estudar o terreno e colher informações, podem cometer uma gafe se ignorarem o contexto cultural ou seguirem em frente sem as devidas consultas. Com humildade e paciência se chega longe no objetivo de ajudá-los a atingir suas metas. Por exemplo, quando a doadora Ann Lurie viu uma lacuna no tratamento médico no Quênia rural, ela fundou uma clínica móvel para fazer diagnósticos, tratamentos, prevenção e educação de saúde dirigida às comunidades não atendidas. Os parceiros locais não só ajudaram a manter a unidade móvel como também contribuíram para a construção de clínicas.

Os bons filantropos também procuram alavancagem por meio de sociedades, alianças e colaborações. Como Betsy Brill, presidenta e fundadora da Filantropia Estratégica Ltda., diz: “trabalhar isoladamente não é a receita para o sucesso. A alavancagem, o conhecimento, a experiência e o relacionamento com outros filantropos somados, levam aos objetivos desejados. Estar atento, seguir a própria instituição e rodeado de recursos filantrópicos profissionais, os filantropos irão longe e garantirão investimentos sociais eficientes.”.

Afortunadamente, os recursos dos doadores individuais na década passada cresceu dramaticamente. A rede de doadores como o Global Philantrophy Fórum e a Synergos’s Global Philanthropist’s Circle, oferecem oportunidades para outras redes e colaboradores enquanto organizações como a Ásia Foundation fornecem os meios para dar apoio à governabilidade, às leis, à sociedade civil, à participação da mulher para o desenvolvimento econômico e relações internacionais. Para filantropos à procura de soluções mais de mercado, os fundos de risco sem fins lucrativos como o Acumen Fund, usam abordagens de profissionais empreendedores para resolver os problemas globais de pobreza.

Estratégias de pesquisas e procura de melhores práticas com a ajuda de uma rede de filantropos, constituem um bom lugar para começar. As organizações intermediárias, grupos que angariam fundos em nome de uma variedade de pequenas organizações que geralmente estão agrupadas em volta de um tema ou região, formam uma das maneiras mais práticas e eficientes para que um doador individual possa causar impacto imediato. O Fundo Global para Mulheres, o Fundo Greengrants, o Fundo Global Para Crianças, Mama Cash e outros intermediários criaram uma rede de beneficiários e programas baseados em habilidades.

Uma doação relativamente modesta pode ter grande impacto quando canalizada via intermediários. Com o simples conhecimento de que recursos estratégicos existem no solo, no campo ou numa área geográfica, pode agregar valor aos esforços do doador individual.

Para qualquer doador, “tirar o máximo proveito da grana” é um ponto a ser considerado e a colaboração tem um forte efeito multiplicador. Como Presidente da GITI Pneus, uma das líderes do mercado que fabrica pneus na Ásia, Enki Tan conseguiu alavancar a presença da GITI na Ásia para dar apoio ao trabalho da Conservation Internacional (CI), de onde é membro da diretoria. Em Dezembro último, a GITI doou US$ 1.000.000 para os projetos da CI no norte de Sumatra (Indonésia) e nas montanhas do sudoeste da China. Além do mais, em Setembro passado, Tan e sua esposa Cherie Nursalim, organizaram o Leilão Azul, um evento beneficente black-tie em benefício das obras da CI em preservação marinha.

Auspiciado pelo Príncipe Albert II, no museu oceanográfico de Mônaco, a Christie leiloou a concessão de direitos de nomear dez espécies de vida marinha descobertas recentemente na Costa da Bird’s Head Seascape na província de Papua, Indonésia. O leilão levantou US$ 2.500.000, incluindo a oferta de US$ 480.000 da GITI. Em ambos os casos, foi muito mais que dinheiro: era sobre como utilizar relações pessoais e profissionais para movimentar o trabalho.

Os doadores que desejam por a mão na massa da filantropia, poderão investir mais tempo e recursos no planejamento. Por exemplo, quando um doador decide começar uma fundação, até mesmo as tarefas mais triviais como elaborar um pedido de autorização ou criar diretrizes, podem virar perdas de tempo e distração. Doadores associados e doadores conselheiros podem ajudar a desenvolver uma estratégia eficiente. Doadores que decidem montar uma organização para de fato trabalhar nelas, enfrentam outros tipos de desafios: registrá-la como sendo sem fins lucrativos, organizar uma equipe, formar infra-estrutura local e angariar fundos.

Progredindo: melhorando a efetividade das doações individuais
Para os experimentados doadores individuais, o desafio eterno é a ampliação. Uma estratégia especialmente criada para um indivíduo ou uma fundação familiar com muito dinheiro é expandir um programa de sucesso. Por exemplo, os doadores individuais foram de grande ajuda para juntar os Partners in Health (Parceiros da Saúde), uma rede de postos de saúde avançados estabelecida originalmente no Haiti, em vilas de Ruanda e Lesoto. O fundador de Parceiros da Saúde, Paul Farmer, afirma que os doadores individuais são mais flexíveis e giram dinheiro mais rapidamente que outras fontes. Do ponto de vista dos doadores, financiar a expansão de uma comprovada ação benéfica poupa tempo e recursos.

De forma inversa, um pequeno doador pode fazer uma parceria com uma grande organização para ter a certeza que comunidades menores não sejam esquecidas. Em 1993, Rodrigo Baggio, naquela época um jovem professor de tecnologia da informação de escolas privadas do Rio de Janeiro, queria que jovens de diferentes classes sociais falassem entre si via internet. Depois de lançar este projeto, ele percebeu que os jovens pobres não participavam do projeto porque não tinham computadores. Então, ele reformou seu projeto e 2 anos depois fundou o Comitê Pela Democracia na Tecnologia da Informação, (CDI) uma organização sem fins lucrativos que utiliza tecnologia e escolas da comunidade de base para debates, reflexões e engajamento dos cidadãos.

Os doadores que fazem seu dever de casa e conseguem encontrar oportunidades para colaborar e encontrar o veículo de filantropia adequado, continuarão fazendo uma significativa diferença na solução dos problemas mundiais. Os doadores devem ser incentivados a procurar apoio, reforçar os grupos de apoio e alavancar diversidade de recursos e não simplesmente seus talões de cheques. Em 1999, quando John Wood se afastou do cargo de Diretor de Novos Negócios da Microsoft da China para organizar a Sala Para Ler, investiu seu dinheiro, seu talento e sua agenda de telefones na sua meta de ajudar 10 milhões de crianças nas regiões em desenvolvimento para serem educadas melhorando as escolas, bibliotecas e outras infra-estruturas. Em apenas 8 anos, Wood tem conseguido difundir Sala Para Ler desde o primeiro ano quando levou 3.000 livros para uma vila no Nepal no lombo de um yak para uma organização que já construiu 440 escolas e mais de 5.000 bibliotecas bilíngües até alcançar mais de 1,7 milhões crianças na Ásia e África.

Como dizia Sir Winston Churchill, “qual é o objetivo de viver, que não seja para lutar pelas causas nobres e fazer este mundo confuso um lugar melhor para aqueles que viverão depois de irmos embora?”.


Peggy Dulany, Adele Simmond e Rory Tolentino
Peggy Dulany é Presidenta do Instituto Synergos que ela fundou em 1987 para facilitar o relacionamento entre os líderes da Grassroots e líderes políticos e de negócios. E-mail: pdulany@synergos.org.
Adele Simmond é Presidenta da Parceria Filantrópica Global, (Global Philanthropy Partnership) membro do comitê da Synergos e fundadora da Rede de Doadores Globais de Chicago (Chicago Global Donors Network). Ela foi Presidenta da John D & Catherine T Mac Arthur Foundation. E-mail: adelesimmons@mindspring.com
Rory Tolentino é Chefe Executivo do Consórcio de Filantropia Ásia-Pacífico (Asia Pacific Philanthropy Consortium). E-mail: roryappc@pldtdsl.net.

Boletim Alliance Brasil, 17/07/08

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Iluminando o caminho do Investimento Social Privado

Está ficando cada vez mais popular e lucrativo para as empresas pular na carruagem do “comércio justo”, “ecológico”, mesmo que por pouco tempo. Uma vez que o jargão genérico para estimular lucros parece estar cada vez mais generalizado, é difícil identificar quem está adotando novos comportamentos para o bem geral e quem está andando na cauda dos caprichos do mercado. É crucial para uma organização sem fins lucrativos poder distinguir o que é fato do que é fachada.

O Fundo Global Greengrants, já em 1999, recebeu os primeiros fundos da Aveda, uma empresa especializada em produtos de saúde e beleza ecologicamente corretos. Com o objetivo de reconhecer o Dia do Planeta, a Aveda lista toda sua rede de salões de beleza, spas, profissionais, empregados e convidados para angariar fundos das organizações tradicionais e incrementar a divulgação dos temas-chave que incluem florestas, biodiversidade, povos indígenas e, mais recentemente, água limpa.

Um novo relacionamento
Em 15 anos de financiamento de projetos comunitários do meio-ambiente no Global South, a Greengrants nunca fez uma parceria formal com doadores corporativos. Porém, no ano passado, fomos designados parceiros do Mês do Planeta da Aveda e começou a surgir uma nova colaboração.

Para começar, a Aveda desenvolveu a Light in the Way, uma vela de edição limitada, fabricada para angariar fundos durante o Mês do Planeta para a Greengrants. O logotipo da Greengrants aparecia na parte externa da embalagem. Além do mais, a Aveda Europa escolheu Greengrants como seu parceiro local para receber o dinheiro arrecadado nas campanhas dos salões de beleza e spas.

Ao longo dos últimos dois anos, a Greengrants tem dado apoio à Aveda Europa enviando pessoal e um “conselheiro” com o objetivo de educar e incentivar as equipes sobre a origem internacional da Fundação. Como diz o Diretor e Fundador Chet Tchozewski, “treiná-los mediante busca de pequenas doações pode fazer uma significativa diferença no Sul Global”. Por sua vez eles treinam seus clientes e os motivam a participar dos eventos para angariar fundos e fazer doações. Os conselheiros participam ativamente nas áreas em que se dispõem a colaborar com a Greengrants, identificando os grupos mais promissores merecedores de fundos. Neste ano, Christ Allan, o Diretor de programas planeja visitar a Sede Corporativa da Aveda em Minnesota para conduzir um seminário sobre como angariar fundos em comunidades locais.

Greengrants e Aveda além de demonstrar publicamente responsabilidade social e trabalhar em conjunto no posicionamento da marca, também trabalham juntas internacionalmente na outorga de fundos relacionados à água. O dinheiro arrecadado é utilizado em lugares remotos do planeta onde a Aveda providencia muitos dos componentes e onde a Greengrants possui uma rede de conselheiros.

A Greengrants nunca antes teve um parceiro global e, para reforçar os laços com a Aveda, precisamos saber se isto é aceitável para a nossa rede de ativistas dedicados a pressionar as empresas que ignoram o meio-ambiente e as comunidades. Em outras palavras, a Aveda é uma dessas empresas?

Malha fina
Antes deste acontecimento a arrecadação corporativa foi tema do retiro global bianual da Greengrants em 2005. Uma força-tarefa de conselheiros voluntários e funcionários foi criada para desenvolver o tema e o grupo elaborou nossas “diretrizes para arrecadação de fundos”. O documento foi enviado para a nossa rede de conselheiros analisá-lo e depois para o pessoal e o comitê. Todo o processo levou dezoito meses e teve seu primeiro teste quando a Aveda propôs parceria global com a Greengrants no Mês da Terra em 2007.

Utilizando as diretrizes, investigamos a Aveda e a sua parceira Estee Lauder com o intuito de conhecer melhor como opera cada uma das empresas e o relacionamento entre elas. Quando Lauder comprou a Aveda em 1997, temia-se que as políticas corporativas da nova parceira da Aveda poderiam dominar sua visão filosófica, social e ambientalmente responsável.

Enquanto se fazia o levantamento, muitos de nós participamos de uma reunião de três dias na sede da Aveda com outros parceiros do Mês da Terra. Os executivos da Aveda apresentaram seus resultados e planos a respeito das ações quanto à responsabilidade ambiental e social. Estas incluíam o aumento de percentual orgânico em seus produtos na ordem de 20 a 93 % e a proporção de dejetos pós-consumo das embalagens de 25 a 85% em comparação aos oito anos anteriores. A melhoria geral na distribuição, energia alternativa e expedição foram enfatizadas, demonstrando o compromisso da Aveda para minimizar sua presença no efeito estufa.

Ficamos impressionados com as impecáveis práticas ecológicas da Aveda e o seu compromisso para estabelecer um exemplo de liderança e responsabilidade ambiental. Observamos também o cuidado deles com as práticas trabalhistas corretas e o trato adequado para com os indígenas. Concluímos que a Aveda não está só focada na fabricação de produtos e serviços, mas também tem dado passos conscientes para ser considerada uma empresa com responsabilidade social e ambiental.

Eles não estão jogando dinheiro para compensar um mau comportamento. Eles não estão simulando ou viajando no trem da onda “tudo natural, por enquanto”. Estamos convencidos de que a Aveda, baseados na nossa devida diligência desde a sua fundação, procura integrar na sua cadeia de valores práticas de responsabilidade social e ambiental.

E os parceiros corporativos?
Nós não temos uma previsível rede de Corporações batendo na nossa porta, porém repetimos este processo em 2007. Neste caso, nós concordamos por causa dos temas relacionados aos direitos humanos, que não podíamos deixar de nos comprometer e as diretrizes são irrelevantes quando se trata de algumas indústrias que desconsideramos totalmente: extrativismo, agronegócios, madeira, etc.

Um bom casamento
O elo com a Aveda permitiu à Greengrants atrair novos entusiastas e receitas para o movimento na Europa abrindo caminhos inexplorados: os salões de beleza e spas da Aveda. Por sermos conselheiros de arrecadação e intermediários da Aveda, queremos acreditar que os ajudamos a melhorar a qualidade da sua arrecadação com menos projetos em andamento, maior mobilização de recursos com mais autonomia nas comunidades patrocinadas por eles.

Aparentemente, Greengrants e Aveda não parecem ser colaboradores: uma empresa de beleza e outra angariadora de doações para o meio-ambiente. À medida que conhecemos a Aveda, achamos que eram duas organizações empenhadas com a mesma finalidade: um mundo mais justo. Vemos-las como um exemplo para outras porque demonstram que as empresas podem adotar práticas legítimas e justas e manterem-se lucrativas.

Ter ou não ter um parceiro
O mercado de angariar fundos transformou-se num mercado ferozmente competitivo. Isso se deve às quedas na economia, ao aumento de empresas sem fins lucrativos e à distribuição desigual da riqueza. É tentador para qualquer organização ser seduzida pelo dinheiro corporativo para alcançar as metas anuais de arrecadação de doações.

Ter a capacidade de fazer uma avaliação objetiva é fundamental. Estamos satisfeitos com a decisão de sermos parceiros da Aveda. Eles não estão comprando uma reputação verde ao fazer-nos doações. De certa forma, a empresa desde seu começo permanece com suas práticas de negócios politicamente corretas e, como parte disso, eles apóiam a Greengrants.

Para mais informações: www.greengrants.org


Kelly Purdy e Marie Smith
Kelly Purdy é Diretora do Desenvolvimento de Fundações do fundo Global Greengrants e Marcie Smith é Diretora de Comunicações. E-mails: kelly@greengrants.org e marcie@greengrats.org.

Boletim Alliance Brasil, 17/07/08

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ONU: faltam verbas para crises

As doações humanitárias internacionais aumentaram em 2008, mas ainda não cobrem os 3,4 bilhões de dólares necessários para o combate aos maiores problemas do mundo na atualidade -- crise dos alimentos, conflitos violentos e desastres naturais. O alerta foi feito pela Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira. Só a crise alimentar já levou o escritório de assuntos humanitários da ONU a acrescentar 700 milhões de dólares ao seu orçamento, o que equivale a 37% do total da verba esperada.

"Os preços mais altos dos alimentos e dos combustíveis, um número crescente de pessoas com necessidades alimentares e o impacto da mudança climática estão gerando maiores pedidos de fundos", disse o chefe do escritório humanitário da ONU, John Holmes. Mas o funcionário comemorou ter atualmente 46% das necessidades de financiamento para 2008 atendidas, contra apenas 43% em todo o ano de 2007.

"Apesar da difícil situação econômica global, seguimos recorrendo à generosidade dos contribuintes tradicionais, e não posso pensar em melhor momento para que novos doadores se manifestem para ajudar o crescente número de necessitados", afirmou Holmes. Desde janeiro, os pedidos humanitários ao escritório da ONU aumentaram em 1,1 bilhão de dólares. As maiores necessidades envolvem Somália, República Democrática do Congo, Sudão, Mianmar e Zimbábue.


Veja.com, 17/08/08

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Monumenta vai conceder empréstimos a proprietários de imóveis históricos

18 cidades tombadas serão contempladas no edital de financiamento para restauração de imóveis privados. Em 2008 os proprietários de imóveis localizados no centro histórico de 18 cidades brasileiras terão nova oportunidade de restaurar suas edificações

O Programa Monumenta / Iphan vai relançar o edital que concede financiamento a juro zero para recuperação de imóveis privados em Belém, Congonhas, Corumbá, Diamantina, Laranjeiras, Manaus, Natividade, Olinda, Ouro Preto, Pelotas, Penedo, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Cristóvão, São Francisco do Sul, São Paulo e Serro.

Obras de restauro
Poderão ser financiados os seguintes itens: recuperação de fachada e telhado, demolição de acréscimo que tenha descaracterizado a edificação, estabilização ou consolidação estrutural e embutimento da fiação elétrica. Serão financiadas também adequações interiores quanto à ventilação e instalações sanitárias, desde que a renda familiar mensal dos proponentes seja inferior a três salários mínimos. Para estes também poderá ser incluída obra para adequação do imóvel à geração de renda.

Podem participar da seleção pessoas físicas e jurídicas que possuam imóveis situados nas áreas tombadas das cidades citadas. Inquilinos ou prováveis compradores também podem apresentar propostas, além daqueles que estejam utilizando o imóvel para fim residencial e/ou comercial nos últimos cinco anos.

Os interessados já podem ter acesso à minuta do edital, formulário de inscrição e todas as informações necessárias para a elaboração de um projeto, mas as propostas só poderão ser apresentadas quando cada cidade lançar seus editais, que estarão disponíveis no site do Monumenta ou nas Unidades Executoras de Projetos (UEPs), representantes locais do Programa Monumenta (veja endereços no site).

Os proponentes poderão solicitar apoio técnico às UEPs para a elaboração de suas propostas, que deverão conter os serviços a serem realizados e os respectivos custos.

Por meio desses editais, o Monumenta já aplicou cerca de 12,5 milhões de reais em 253 imóveis de 25 cidades. Até agora 129 obras foram concluídas. O valor médio dos contratos assinados é de R$ 55 mil, sendo 70% destes inferior a 20 mil reais. Metade dos proponentes que já assinaram contratos têm renda inferior a três salários mínimos.

Programa Monumenta
Programa do Ministério da Cultura, o Monumenta é executado com recursos da União, de estados e de municípios, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e cooperação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Unesco. Seu conceito é inovador. Enquanto restaura obras, busca conciliar esta ação com a sustentabilidade dos sítios históricos, motivando seus usos econômico, cultural e social. Por meio de editais públicos, o Programa destina recursos financeiros para a realização de cursos de restauro e eventos culturais, estimulando o desenvolvimento de atividades econômicas associadas aos centros históricos e fortalecendo as estruturas turísticas locais. Simultaneamente, incentiva municípios e estados a colaborarem na captação de novos financiamentos e a cultivarem na sociedade uma postura de zelo com os bens históricos e culturais. Hoje, 26 cidades de todas as regiões do País são contempladas pelo Monumenta

Minuta do Edital de Imóveis Privados
Formulário para Apresentação das Propostas
Cartilha de financiamento para recuperação de imóveis privados


Fonte: Site do Iphan

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Envio de Projetos para quilombolas prorrogado até 21 de julho

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) prorrogou até o dia 21 de julho o prazo de envio de projetos para apoio financeiro e fortalecimento de atividades produtivas em comunidades quilombolas de todo o País. As entidades interessadas devem acessar i site do ao Programa de Gênero, Raça e Etnia (Ppigre/MDA) em www.mda.gov.br/aegre para obter informações sobre as exigências da chamada de projetos 2008.

A novidade neste ano é a destinação de recursos para duas linhas de projetos: Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) e Apoio ao Desenvolvimento Sustentável das Comunidades Quilombolas. Os recursos visam apoiar tanto o custeio de assistência técnica voltada a atividades produtivas, como de atividades voltadas para o protagonismo das mulheres quilombolas, revitalização de práticas tradicionais, comunicação, informação e outras.

Tipos de projetos
Assim serão selecionados projetos de agricultura, criação de gado, psicultura, agroextrativismo, apicultura, artesanato, avicultura, ecoturismo, uso de plantas medicinais, condimentares e aromáticas. Podem ser apoiados pelo MDA, ainda, projetos que busquem agregar valor à essas produções, além de redes de intercâmbio e capacitação para elaboração de projetos.

O recurso destinado pelo Ppigre/MDA pode ser utilizado para realizar diagnósticos (que levarão à escolha da melhor atividade produtiva para cada comunidade); oficinas; cursos; seminários; acompanhamento técnico e toda a logística (hospedagem, alimentação e viagens) necessária para a realização dessas atividades.

No âmbito da comercialização, o apoio financeiro do Ministério poderá ser empregado no custeio de despesas com a elaboração de planos de comercialização, pesquisa de mercado, canais de escoamento da produção, avaliação de custos do transporte, entre outras atividades de venda. Outra linha importante que pode ser apoiada é o intercâmbio para a troca de experiências produtivas, seja em comunidades quilombolas ou em outros grupos rurais.

Coordenadora do Ppigre, Renata Leite explica que não é autorizado o uso do recurso desta chamada de projetos para atividades de investimento. “Não será possível usar o dinheiro para comprar equipamentos, veículos ou realizar obras nas propriedades quilombolas”, frisa.

Exemplos por todo País
Desde que foi criada em 2004, a Assistência Técnica e Extensão Rural Quilombola (Ater Setorial) possibilitou a inovação das atividades produtivas de várias comunidades do País. Um dos exemplos vem do Amapá, estado onde o povo quilombola investiu na meliponicultura, com a criação de abelhas sem ferrão. “O mel dessa espécie de abelha e super valorizado nos mercados nacional e internacional pela qualidade, sabor e raridade da produção”, afirma Renata Leite.

Na comunidade de Oriximiná, no Pará, os exemplos de sustentabilidade e inovação estão no artesanato das mulheres quilombolas. A matéria-prima vem do ouriço da castanha-do-pará, que é transformada em objetos utilitários e decorativos como, por exemplo, descanso de panela, jogo de mesa e porta-guardanapo.

Já na Paraíba, as comunidades quilombolas construíram unidades demonstrativas de horticultura e desenvolveram técnicas agroecológicas nas hortas e no tratamento dos animais, o que tem resultado em aumento e aprimoramento da produção. O sucesso da atividade já proporcionou o ingresso do grupo quilombola no Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA).

Calendário
Recebimento dos projetos - Até 21 de julho de 2008
Análise e julgamento - 30 de julho a 01 de agosto de 2008
Divulgação de resultado - 04 de agosto de 2008
Inicio da contratação dos projetos - A partir de 11 de agosto de 2008
Prazo de execução do projeto - De 31 de outubro de 2008 até 31 de outubro de 2009

Chamada de Projeto Quilombola
Carta de Apresentação
Projeto Básico
Curriculum da Proponente
Relação da Equipe
Curriculum da Equipe Técnica
Plano de Trabalho e Memória de Cálculo
Declaração de Contrapartida
Declaração de Adimplência
Territórios da Cidadania
Delegacias do MDA
Documentação para Formalização de Convênio


Foto Arquivo/MDA
Fonte: Site do Ministério do Desenvolvimento Agrário

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Mulheres Trabalhadoras Rurais - Prorrogado até 21 de julho prazo de Ater para mulheres

Prorrogado até 21 de julho o prazo para os interessados em apresentar projetos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) direcionados às mulheres do Programa de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia do Ministério do Desenvolvimento Agrário (Ppigre/MDA). O endereço é Setor Bancário Norte (SBN), Quadra 1, 21º andar, sala 2104, Edifício Palácio do Desenvolvimento, CEP 70057-900. No caso de projetos enviados via postal, será considerada a data registrada pela agência dos Correios.

Para os projetos entregues diretamente no Ppigre, o prazo termina às 18h do dia 21 de julho. A coordenadora do Programa, Renata Leite, informa que não terão validade os projetos enviados por e-mail.

O texto completo da Chamada de Projetos está disponível no site www.mda.gov.br/aegre e pode também ser retirado gratuitamente na sede do Ppigre. Os telefones para informações são: (61) 2191-9879 e 2191-9845.

Diretrizes
Os projetos de Ater Setorial para Mulheres deverão atender às seguintes diretrizes: redução da pobreza rural; sistemas de produção sustentáveis; geração de renda e agregação de valor; segurança alimentar e nutricional; articulação entre Ater, Pesquisa e Ensino; gênero, raça e etnia; e redes territoriais de Ater.

As propostas enviadas ao Ppigre ainda deverão contemplar ações obrigatórias descritas na Chamada de Projetos, além de uma ou mais ações prioritárias dentro da linha apresentada. São duas as ações obrigatórias: gênero e o desenvolvimento rural e políticas públicas do MDA de apoio à produção e comercialização.

Calendário

Recebimento dos projetos - Até 21 de julho de 2008
Análise e julgamento - 22 a 25 de julho de 2008
Divulgação de resultado - 28 de julho de 2008
Inicio da contratação dos projetos - A partir de 04 de agosto de 2008
Prazo de execução do projeto - De 31 de outubro de 2008 até 31 de outubro de 2009

Chamada ATER Mulheres 2008
Carta Apresentação de Proposta
Roteiro de Elaboração
Currículo do Proponente
Relação de Equipe
Currículo Equipe Técnica
Plano de Trabalho
Memória de Cálculo
Declaração de Contrapartida
Declaração de Adimplência
Relação de Territórios da Cidadania


Foto Tamires Kopp
Fonte: Site do Ministério do Desenvolvimento Agrário

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Negócios Sociais Sustentáveis – Estratégias inovadoras para o desenvolvimento social

A Editora Peirópolis acaba de lançar o segundo livro de autoria do Centro de Competência para Empreendedores Sociais Ashoka-McKinsey, Negócios Sociais Sustentáveis – Estratégias inovadoras para o desenvolvimento social. A obra (Editora Peirópolis, 2006, 104 páginas, 35 reais) identifica e descreve uma nova tendência do setor social, que é o surgimento dos negócios sociais sustentáveis, desenvolvidos por instituições que, para não depender exclusivamente de financiamentos externos, desenvolvem suas próprias estratégias de geração de recursos.

Os negócios sociais são normalmente inovadores e aliam sustentabilidade, geração de renda para as comunidades e inclusão social. No livro, dividido em quatro capítulos, o leitor poderá conhecer os principais conceitos que legitimam os negócios sociais, bem como compartilhar as reflexões iniciais sobre essa tendência, e analisar casos práticos desse novo modelo de intervenção social.

No primeiro capítulo, a obra apresenta um breve histórico sobre a origem da atuação organizada da sociedade civil e do setor social, remontando à filantropia presente no Brasil desde o século XVI com o surgimento das santas casas de misericórdia, passando pelo surgimento das organizações não-governamentais (ONGs), na década de 70, e pelo engajamento das empresas, na década de 90, até chegar ao surgimento do conceito “negócios sociais”.

O segundo capítulo descreve a criação e o desenvolvimento do Prêmio Empreendedor Social Ashoka - McKinsey – concurso de planos de negócio para organizações da sociedade civil - e as conclusões de um estudo de impacto que avaliou os resultados da iniciativa. Já o terceiro capítulo é dedicado a reflexões sobre os negócios sociais, os processos envolvidos e a importância do engajamento de toda a organização para o sucesso do negócio.

O último capítulo apresenta cases de organizações que implementaram com sucesso projetos de negócios sociais, aprendendo, na prática, a superar conceitos e transpor barreiras para se desenvolverem. É o caso, por exemplo, do Projeto Quixote, uma organização social que trabalhava com a cultura hip hop e o grafite como formas de acesso a expressão de jovens da periferia. Eles perceberam o potencial da grafitagem como geradora de renda, pois os comerciantes de São Paulo buscavam no grafite uma alternativa para a divulgação, a decoração ou mesmo a proteção de seus imóveis contra a pichação. Com base nesses elementos, a equipe do Projeto Quixote desenvolveu a idéia de seu plano de negócios: a criação da Agência Quixote Spray Arte, um programa de educação para o trabalho através do grafite.

O que é o Centro de Competência para Empreendedores Sociais Ashoka-McKinsey
Parceria pioneira estabelecida em 1996 entre a associação global, sem fins de lucro, Ashoka Empreendedores Sociais e a empresa de consultoria em alta gestão McKinsey and Company, com o objetivo de maximizar o impacto de empreendedores sociais e de suas instituições por meio da adaptação e transferência de conhecimentos e ferramentas entre os setores privado e social.


Fonte: site da Ashoka

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Carteira Fauna Brasil do Funbio financia projetos de conservação com espécies silvestres

Os programas e projetos que poderão ser financiados com recursos da Fauna Brasil deverão atender as seguintes linhas temáticas: conservação de espécies ameaçadas de extinção ou migratórias; uso sustentável de espécies nativas; manejo de espécies invasoras e desenvolvimento da capacidade técnica para conservação e uso sustentável da fauna.

A Carteira Fauna Brasil foi lançada em novembro de 2006, com o objetivo de criar uma alternativa para captar, alavancar e investir recursos financeiros destinados à proteção da fauna e dos recursos pesqueiros no país. Os recursos são oriundos de fontes diversas, como doações, sanções penais e multas administrativas ambientais. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Funbio, o Ibama, o ICMBio e o Ministério Público Federal.

Em 2007, a carteira recebeu os primeiros recursos, provenientes de um Termo de Compromisso assinado entre o Ibama e algumas empresas que fazem estudos para prospecção de petróleo (sísmica), no valor de R$ 2,7 milhões. Ainda em 2007, no Funbio, foi instalada a Comissão Técnica de Fauna, que marcou o início da implementação da Carteira Fauna Brasil.

Classificação dos recursos e seleção de projetos
Os recursos da Carteira Fauna Brasil são classificados, em sua origem, da seguinte maneira:
- Recursos livres
- Recursos dirigidos
- Recursos dirigidos a projetos específicos


Os recursos livres são aqueles aportados sem determinação prévia da linha temática. O uso de tais recursos será definido de acordo com as prioridades indicadas pela Comissão Técnica de Fauna e aprovadas pelo Conselho Deliberativo do Funbio.

Os recursos dirigidos são aqueles cujo uso em determinada linha temática tenha sido previamente estabelecido, antes mesmo do envio dos recursos ao fundo financeiro da Carteira. A definição de prioridade de programas e projetos será indicada pela Comissão Técnica de Fauna e aprovada pelo Conselho Deliberativo do Funbio.

Os recursos dirigidos a projetos específicos são aqueles vinculados a determinados projetos apresentados à Carteira, devendo atender às linhas temáticas e às ações elegíveis. Serão submetidos previamente à avaliação da Comissão Técnica de Fauna e posteriormente ao CD para aprovação, para então serem internalizados e geridos pela Carteira Fauna Brasil.

Para o uso de recursos classificados como livres e dirigidos, os projetos a serem contemplados serão selecionados através de demanda induzida. As chamadas de propostas acontecerão via editais específicos ou por meio de outras formas de indução, com prazos definidos e direcionados às linhas temáticas. Os projetos serão analisados pela Comissão Técnica de Fauna que priorizará e recomendará ao Conselho Deliberativo para aprovação.

No caso do uso de recursos classificados como dirigidos a projetos específicos, os projetos deverão atender às linhas temáticas e ações elegíveis, devendo ser submetidos à avaliação da Comissão Técnica de Fauna e então encaminhados para decisão do Conselho Deliberativo. Se aprovados, serão internalizados e geridos pela Carteira Fauna Brasil.


Fonte: site do Funbio

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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Unesco e TV Globo renovam contrato do "Criança Esperança"

A Unesco e a Rede Globo assinarão nesta quarta-feira (16) um novo acordo de cooperação, que prorrogará a produção do programa "Criança Esperança", destinado a ajudar as crianças e adolescentes brasileiros desfavorecidos, anunciou a agência da ONU em um comunicado.

O acordo será assinado na sede da organização, em Paris, por Koichiro Matsura, diretor-geral da Unesco, e José Roberto Marinho, vice-presidente da TV Globo.

"A TV Globo organiza todos os anos uma importante campanha de arrecadação de fundos nos meios de informação e, em particular, na TV, mediante um grande show televisivo, no qual artistas, esportistas e personalidades de destaquem incentivam o público a fazer doações", recorda o comunicado.

Essa campanha permitiu arrecadar US$ 8,2 milhões (R$ 13 milhões) em 2004, US$ 10,7 milhões (R$ 17 milhões) em 2005, US$ 9,7 milhões (R$ 15,5 milhões) em 2006 e US$ 9,5 milhões (R$ 15,1 milhões) em 2007. Com essas quantias, o escritório da Unesco no Brasil financia projetos de diversas organizações não-governamentais.

Entre os beneficiários estão quatro centros "Criança Esperança" situados em bairros pobres do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Olinda e São Paulo.

Desde sua criação em 1986, o programa "Criança Esperança" arrecadou mais de US$ 78 milhões (R$ 124,5 milhões), com os quais foram financiados 5.000 projetos sociais em favor de mais de três milhões de crianças e adolescentes.


Folha Online, 16/07/08

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Responsabilidade social de resultados

O artigo da semana passada rendeu polêmica boa e de qualidade. Para os que não o leram, o texto tratou da controvertida tese de Michael Porter, o guru de Harvard, de que as empresas devem tornar mais estratégico o seu investimento social, selecionando causas que, de alguma forma, impactem sua cadeia produtiva ou o seu contexto competitivo.

Para Porter é recomendável substituir o modelo baseado em cidadania corporativa mais compensação de externalidades negativas por outro focado em valor. Recorreu-se a idéia do especialista para justificar uma tendência, cada vez mais perceptível, de as corporações revirem suas ações de investimento social a partir da perspectiva da vocação do core business. É notório um certo movimento entre empresas de criarem ou replanejarem as atividades de seus institutos, fundações e departamentos específicos com base no que Porter definiu como "valor compartilhado" para a sociedade e os negócios.

Há os que repudiam a proposta de Porter. O que parece chocá-los especialmente é a lógica de resultados nela implícita. Incomoda-os, sobretudo, a idéia de que as empresas realizem investimento social não pela convicção ética de suas responsabilidades socioambientais, mas pela conveniência de fazê-lo com a finalidade de gerar mais valor econômico para os seus negócios. Crêem que, ao adotar a ênfase no que lhes é conveniente, em detrimento do que deveria ser imperativo moral, a intenção diminui o gesto, reduzindo um potencial ato de grandeza a uma prática mesquinha. Se houver divulgação desse gesto então, ele invariavelmente passa de mesquinho a indigno.

Não é preciso grande esforço de análise para enxergar aí resquícios de um embate moral-ideológico, que se escora na falsa oposição de duas lógicas - a socioambiental e a econômica - que, nesses tempos de ascensão da sustentabilidade, não deveriam mais ser vistas como conflitantes, e sim complementares. Para Porter, a maioria das ações de investimento social reforça ainda uma outra oposição, entre empresas e sociedade, quando, a rigor, o mais sensato seria que fortalecesse a noção de interdependência. Oposição sugere conflito de interesses, interdependência pressupõe sinergias. E o que é a sustentabilidade senão a interface entre os negócios e os interesses da sociedade e do planeta. Só empresas fortes podem gerar valor para a sociedade. Valor econômico, valor econômico-ambiental e valor econômico - social.

Na linha de tiro dos críticos a visões pragmáticas como a de Porter, destaca-se um argumento certeiro: o de que o fundamento utilitarista do "investimento social estratégico" nada mais faz do que oferecer pretexto racional para empresas que não querem mudar modelos de negócio, não aceitam rever suas práticas á luz dos preceitos da responsabilidade social e só investem em ações sociais o suficiente para serem percebidas publicamente, porque sabem que isso gera (gera?) dividendos de reputação em um tempo de vínculos cada vez mais frágeis com os clientes".

Não há como negar. Essas empresas existem. E estão por toda a parte. Há as que, de modo conveniente, ainda confundem investimento social privado com responsabilidade social. E acham que fazendo o primeiro, ainda que mal, podem ser consideradas socioambientalmente responsáveis. Inauguraram - com o perdão da expressão -- uma espécie de responsabilidade social de resultados. Sob o argumento de que são, por definição, pragmáticas, muito competitivas, diligentemente focadas em negócio, aceitam criar institutos bem-intencionados para canalizar uns caraminguás a projetos culturais (de preferência dedutíveis de leis de incentivos fiscais) ou a ações pontuais, dispersivas e de cunho assistencialista. Mas não admitem - porque a mudança as assusta e desconforta - incorporar às suas práticas questões como diversidade, o respeito integral a direitos humanos, a redução radical de impactos ambientais, códigos de ética para colaboradores e fornecedores, inclusão de critérios socioambientais em suas compras, ambiente de trabalho digno e saudável, diálogo aberto com as partes interessadas, comunicação baseada em verdade, governança e transparência efetiva.

Aqui, mais uma vez, e por razão específica, vale recorrer a Porter. Segundo ele, eventuais benefícios de reputação e de licença para operar ou mesmo o imperativo ético são motivos insuficientes para justificar o investimento social privado ou a adoção de práticas de responsabilidade social empresarial. Esta é também a nossa opinião.

Então o que deve motivar uma empresa a investir recursos próprios em projetos que geram bem-estar e desenvolvimento para a sociedade? O mesmo que para as questões ambientais. A noção sistêmica de que elas fazem parte dessa sociedade, dependem de seu equilíbrio para prosperar e da sua estabilidade para perpetuar seus negócios. Simples assim. As que não inserirem este princípio em suas práticas, estratégias e modelos empresariais vão passar. Como passam sempre os que não deixam o mundo melhor do o que o pegaram.

Há empresas que, de modo conveniente, ainda confundem investimento social privado com responsabilidade social.


Ricardo Voltolini, da Revista Idéia Socioambiental
Publisher da revista Idéia Socioambiental e diretor da consultoria Idéia Sustentável - E-mail: ricardo@ideiasustentavel.com.br

Envolverde, 16/07/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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terça-feira, 15 de julho de 2008

Para quem quer entender sites de redes sociais

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Organizações promovem geração de renda e inclusão social pelo comércio justo

Gerar trabalho e renda, incluir trabalhadores no mercado formal, combater a pobreza e a desigualdade social. Recuperar a auto-estima dos artesãos, formar e promover a identidade cultural. Realizar tudo isso é a missão comum de três projetos da capital paulista, especializados na divulgação e venda de produtos de origem exclusiva do comércio justo - as associações Mundaréu, Ponto Solidário e o Projeto Terra.

O comércio justo é baseado na venda de produtos que tragam benefícios ao produtor e sejam fabricados com responsabilidade em relação ao meio ambiente e ao trabalhador. Os critérios dessa forma de comércio estabelecem que a remuneração dos trabalhadores deve ser justa; que o grupo produtor deve assegurar e promover a igualdade entre homens e mulheres; que o grupo produtor deve buscar o desenvolvimento conjunto da população; que a produção deve respeitar o entorno social e natural; e que o produto tem que ser de qualidade.

Além de vender os produtos, a Mundaréu articula um programa de formação dos artesãos, a partir do qual se propõe a cobrir o vácuo existente na sua educação formal e qualificação profissional. Renata Mendes, diretora-tesoureira da associação, explica que o programa de capacitação desenvolvido com comunidades trata de temas como a sensibilização para o empreendedorismo, o aperfeiçoamento das habilidades técnicas, o desenvolvimento dos produtos a partir de pesquisas de mercado, a gestão administrativo-financeira e a ampliação do universo cultural do artesão, que envolve, além do crescimento do seu repertório individual, a promoção de referenciais de criação. "Para este módulo, o programa leva os grupos a feiras de artesanato, a exposições de arte e de design, que o ajudam a reconhecer o gosto dele e o gosto do outro", conta Renata. Em São Paulo, a Mundaréu tem uma parceria com a Pinacoteca do Estado, que cria atividades especiais para estes grupos. "Eles estudam um tema específico, como composição de forma e cor. Fazem a visita e, ao final, têm um laboratório prático", explica.

Em algumas comunidades, esse tipo de trabalho auxilia na criação da identidade cultural das pessoas envolvidas. É o caso de um grupo de costureiras formado no Guarujá, cidade no litoral paulista. "A maioria mora lá há muito tempo, mas essas mulheres não nasceram lá, são migrantes, grande parte vem do Nordeste. Como podem ter uma identidade com a cara daquele grupo? Que referências o grupo vai ter, se cada uma é de um lugar e nem conhece direito onde vive? Fizemos então um passeio pelo Guarujá, pelo mar, olhado o que tem na cidade e suas cores. É um incentivo para a criação", descreve Renata.

Ela lembra que, por trás de todo o programa, está a geração de renda. Na maior parte dos casos de comunidades que trabalham com comércio justo, a iniciativa vem de empresas que financiam projetos de geração de renda nos arredores de sua indústria ou seu ponto comercial. "São poucas as oportunidades de trabalho para quem não tem escola e formação profissional", afirma Renata. O grupo de costureiras foi criado a pedido da Elektro, a companhia de energia do Guarujá, que decidiu investir no programa como uma das formas de combater inadimplências na contas de luz.
Já a Associação Ponto Solidário busca um leque maior de comunidades assistidas, por meio da parceria com organizações que variam desde ONGs e cooperativas a artesãos e tribos indígenas. A associação tem hoje parceria com cerca de 150 fornecedores, e seu projeto está sustentado na valorização do artesanato como objeto de transformação social e recuperação de auto-estima. "A cultura popular brasileira é muito rica, e procuramos trabalhar com produtos de várias regiões do Brasil, sempre valorizando a identidade cultural de cada uma", conta Idália de Almeida, coordenadora do projeto. "O artesanato mantém vivas a tradição e a cultura das regiões, é fonte de renda familiar e é uma atividade sustentável, que mantém o artesão em sua comunidade sendo uma alternativa de trabalho."

A Ponto Solidário possui um vasto catálogo, que representa a enorme diversidade cultural mencionada por sua coordenadora. Há, por exemplo, estatuetas em cerâmica feitas no Vale do Jequitinhonha, luminárias de bagaço de cana, agendas, bolsas e álbuns fotográficos de saco de cimento reciclado, cordéis de Juazeiro do Norte ilustrados com xilogravuras, sabão feito com óleo de cozinha usado, brinquedos, colares, peças em marchetaria e diversas outras produções artesanais. São exclusividade da associação o Canjinjim, uma bebida artesanal com propriedades afrodisíacas e produzida por quilombolas do Mato Grosso desde o período colonial, e os sabonetes de babaçu do Maranhão, feitos por um grupo de mulheres que se uniram em defesa dos babaçuais, e que são muito disputados dentre os artigos para brindes corporativos.

Um forte elo entre empresas e comércio justo tem sido formado por meio dos brindes corporativos, distribuídos por empresas que queiram presentear seus funcionários, parceiros ou clientes com produtos que tenham um valor social ou ambiental agregado. Para Frederico Muraro Filho, diretor de Higiene, Segurança e Meio Ambiente para a América Latina da Pirelli, "há uma empatia imediata com o brinde e com a atitude. As pessoas se sentem orgulhosas e satisfeitas ao saber que trabalham em uma empresa com tal preocupação". Há três anos a Pirelli compra brindes corporativos para o dia internacional das mulheres na Associação Ponto Solidário, e segundo Frederico, eles contribuem para a imagem da empresa da maneira mais eficiente: a propaganda boca a boca. Ele explica: "ao se sentir feliz ou satisfeito por alguma medida positiva que a empresa tenha feito ou incentivado, direta ou indiretamente, o colaborador divide esse sentimento de orgulho com seus familiares e amigos. Isso contribui para a imagem positiva da empresa em dimensões inimagináveis". A Pirelli, por sua vez, vê de maneira muito positiva as iniciativas do projeto, pois compartilham os valores que a empresa busca: "parte dos projetos socioambientais desenvolvidos ou apoiados pela Pirelli são voltados à inclusão social e respeitam as premissas de resgate da auto-estima, geração e promoção de renda, além de promoção da identidade cultural."

Roberto Felix, responsável pelos brindes corporativos do Ponto Solidário, comenta o valor que existe por trás destes pequenos presentes: "vendemos muito mais que um produto ou brinde para empresa. Vendemos uma vivência, um processo, um jeito de fazer diferente. Junto com a peça, vem uma parte de cada artesão, vem sua cultura, sua comunidade, seu meio ambiente. Dessa maneira, vamos descobrindo nosso Brasil e valorizando as pessoas pelo seu trabalho."

O Projeto Terra trabalha com o conceito de consumo solidário. O projeto acredita em justiça social e correção ambiental a partir da valorização da cidadania, do patrimônio cultural e dos recursos naturais, tudo isso na forma de uma vitrine de produtos que se tornam acessíveis ao consumidor crítico e consciente. O site do Projeto explica o que isso significa: "Acreditamos em vender produtos que tenham histórias para contar, que representem todo um conjunto de valores, permitindo a transformação do ato de comprar em uma ação efetiva de mudança, para melhor, das condições de vida das nossas cidades e do nosso país".

Os compromissos abraçados pelos três projetos baseados nos princípios do comércio justo apontam para a responsabilidade do consumidor, seja ele a empresa ou o indivíduo, o que vai atrair mais empresas para essa causa. Por isso, lembram: na hora de escolher o produto, os consumidores devem considerar os preceitos do comércio justo. Renata Mendes, da Mundaréu, conta como o consumidor já percebe a importância dos valores que estão por trás daqueles produtos. "Quando encomendam os produtos, os consumidores querem conhecer a história deles", conta Renata.

Associação Ponto Solidário: http://www.pontosolidario.org.br

Associação Mundaréu: http://www.mundareu.org.br

Projeto Terra: http://www.projetoterra.com.br



Betina Sarue, para o Instituto Ethos
Imagem Mundaréu
Envolverde, 15/07/08
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Projeto Bagagem promove turismo comunitário

Identificar organizações não-governamentais (ONGs) pelo Brasil e por meio de parcerias construir roteiros de turismo que possibilitem a geração de renda para as comunidades visitadas e aprendizagem para os viajantes.

É dessa maneira que, desde 2002, o Projeto Bagagem busca criar uma rede de economia solidária de turismo no país. “O objetivo é contribuir com o crescimento econômico e a valorização da cultura dessas comunidades”, explica a presidente e sócia-fundadora do projeto, Cecília Zanotti.

Para isso, o projeto trabalha a partir de três eixos. O primeiro cria uma rede de destinos de turismo de base comunitária, quer dizer, a comunidade deve ser proprietária dos empreendimentos turísticos e gerenciar coletivamente a atividade. Além disso, a comunidade deve ser a principal beneficiária e a principal atração deve ser o seu modo de vida.

O segundo eixo forma uma rede de agências e organizações parceiras, buscando envolver todos os elos da cadeia do turismo no benefício das comunidades.

Por fim, o terceiro constrói uma rede de visitantes, partindo da idéia de que esses atores continuem apoiando a rede e as comunidades mesmo depois do fim da viagem.

Atualmente, as expedições são feitas para o estado do Pará, para as comunidades ribeirinhas de Santarém e Gurupá, além da comunidade de Lençóis, na Bahia.

Cada grupo de viajantes tem de 7 a 15 pessoas. Elas levam um pouco da sua cultura, por meio de fotos e vídeos. Assim que chegam, os viajantes fazem uma roda de vivência. Eles participam de dança, circo, festas e eventos produzidos pela comunidade visitada. “O intuito do projeto é que os viajantes reconheçam e valorizem o modo de vida daquelas pessoas”, explica Cecília.

O jornalista Bruno Asp foi bagageiro em 2006 e visitou a comunidade de Lençóis, na Chapada Diamantina, Bahia. Durante uma semana, ele conheceu projetos desenvolvidos pela ONG Grãos de Luz e Griô, que atua na região. Asp afirma que a experiência possibilitou uma nova visão “Eu saí da redoma e vi um outro mundo”, conta.

“Você aprende a respeitar culturas diferentes. Não só os turistas, mas as pessoas da comunidade aprendem a valorizar mais a própria cultura”, completa o jornalista.

Além de promover o turismo comunitário, o projeto também busca formar jovens das comunidades na atividade. A criação dos chamados Núcleos Jovens de Turismo de Base Comunitária compõe a principal estratégia de disseminação da metodologia do projeto. A idéia consiste em formar os jovens para que eles possam liderar e gerenciar o turismo de base comunitária na região. “Assim, eles aprendem a dar valor a sua cultura e fazer de sua própria comunidade uma fonte de renda”, explica Cecília.

“A gente acredita que todo brasileiro deveria conhecer esses projetos. Nós ficamos muito encantadas com os lugares e os projetos desenvolvidos pelas ONGs, mas queríamos contribuir de alguma forma para o desenvolvimento das comunidades”, conclui Cecília, lembrando que em breve o projeto abrangerá outras comunidades.


Bruna Souza, do Aprendiz
Envolverde, 15/07/08
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SOS Mata Atlântica lança Plataforma Ambiental aos municípios, prefeitos e vereadores para 2008

A SOS Mata Atlântica lança, nesta quarta-feira (16), em parceria com a Frente Parlamentar Ambientalista, a Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anamma), Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam) e a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS), a Plataforma Ambiental aos governos locais, candidatos a prefeitos e vereadores municipais, com o objetivo de fornecer instrumentos para o cidadão nas Eleições Municipais de 2008 na busca do compromisso dos governos locais em uma Agenda Socioambiental, num universo de 3406 municípios brasileiros abrangidos pelo Bioma Mata Atlântica que podem ser conferidos no Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, desenvolvido pela SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e disponível no portal da SOS Mata Atlântica (http://www.sosma.org.br). O evento acontece na Câmara dos Deputados (anexo 2), sala Plenário 2, em Brasília.

“Devido à diversidade de um bioma como a Mata Atlântica e um País tão grande como o nosso, é imprescindível uma atenção especial ao meio ambiente nas eleições municipais deste ano. É o momento de cobrar atitudes concretas pela conservação desta floresta, onde vivem mais de 120 milhões de pessoas”, explica Mario Mantovani, diretor de mobilização da SOS Mata Atlântica e coordenador da Plataforma Ambiental.

Entre os princípios que a Plataforma reforça estão o meio ambiente como bem de uso comum do povo, a priorização do interesse público, o acesso à informação, a participação da população e a compatibilidade com ações de âmbito econômico, social, de saúde, educacional e cultural. Baseado em três eixos estruturais: desenvolvimento sustentável (compatibilizar o desenvolvimento socioeconômico com preservação ambiental e qualidade de vida); educação e saúde (com investimento efetivo nestas áreas); e saneamento ambiental (água, esgoto e resíduos sólidos), o documento dá subsídios à população para que se cobre a importância dos municípios para a conservação ambiental.

O documento propõe a adoção, em cada município, de uma Agenda Institucional, que possibilite a implementação de sistemas municipais de gestão do meio ambiente, ao mesmo tempo em que convoca o Legislativo dos municípios para a discussão de instrumentos legais referentes a políticas ambientais municipais; de uma Agenda da Cidadania, que promova a mobilização social e gestão participativa, pelo uso de ferramentas como a Agenda 21 Local ou Educação Ambiental, entre outras; a criação de incentivos como o IPTU Verde; e a Agenda Temática, que englobe assuntos como a gestão de Águas e Florestas, Uso e Ocupação do Solo, Áreas Verdes, Resíduos Sólidos, Turismo Sustentável e Agricultura Sustentável. “Nosso intuito é mostrar que nas esferas locais (municipais) é que ocorre de fato a regulamentação e a aplicação das possibilidades legais de proteção ambiental apresentadas na Constituição Federal e, mais recentemente, na Lei da Mata Atlântica, aprovada no final de 2006”, reforça Mantovani.

O lançamento da Plataforma Ambiental 2008 está previsto para acontecer em outras cidades e capitais dos estados da Mata Atlântica, como Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Recife, Porto Alegre, Presidente Prudente, São Paulo, Londrina, Curitiba e Belo Horizonte, até setembro, envolvendo candidatos, partidos e organizações da sociedade civil.

Tanto a Plataforma Ambiental 2008 mencionada acima, quanto a Plataforma Ambiental para o Município de São Paulo estarão disponíveis, a partir desta quarta-feira, no portal da SOS Mata Atlântica em uma nova área que incentiva o “ciberativismo”, ou seja, a mobilização e a ação via internet.

Município de São Paulo
Para o município de São Paulo, voluntários da Fundação SOS Mata Atlântica desenvolveram um conjunto de idéias consolidadas por linhas temáticas na Plataforma Ambiental para o Município de São Paulo, que apresenta diretrizes em harmonia com os ideais de desenvolvimento sustentável que deverão nortear as políticas públicas a serem implementadas pela municipalidade e estimular a participação da coletividade no processo de proteção e preservação do meio ambiente urbano.

“Este documento expressa o olhar da sociedade civil sobre as soluções para os desafios ambientais da nossa cidade. Trata-se de um conjunto das impressões dos cidadãos paulistanos sobre o dia-a-dia da cidade, apresentadas de modo a direcionar os trabalhos na Câmara dos Vereadores e na Prefeitura Municipal”, comenta Beloyanis Monteiro, coordenador do Programa de Voluntariado na Fundação. As diretrizes da Plataforma para a cidade de São Paulo estão em consonância com a Constituição da República Federativa do Brasil, a Agenda 21 e demais tratados e protocolos internacionais, bem como com a legislação ambiental incidente sobre a cidade de São Paulo, notadamente no Plano Diretor do Município.

Histórico
A Plataforma Ambiental da SOS Mata Atlântica surgiu em 1989 como contribuição da sociedade civil para a proteção do bioma Mata Atlântica, declarada Patrimônio Nacional na Constituição Federal de 1988. Neste mesmo ano, a Fundação lançou a Plataforma Mínima para os Presidenciáveis; em 1990, foi lançada a Plataforma Ambiental Mínima para os Candidatos ao Governo do Estado – Plataforma Ambiental de São Paulo/1990; em 1998, foi lançada a Plataforma Ambiental Mínima para o Brasil – Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário – 1998, em parceria com o Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Desenvolvimento e Meio Ambiente; em 2000, visando o período legislativo de 2000-2004, foi lançada a Plataforma Ambiental Mínima para os candidatos a Prefeito e Vereadores do Município de São Paulo. E em 2006, foi lançada a Agenda Ambiental Voluntária.


Envolverde, 15/07/08
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Acordo amplia controle sobre convênios com ONG

A Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia (Secis/MCT) está ampliando os mecanismos de controle e gestão de repasse de recursos para organizações não-governamentais (ONG), universidades e demais instituições. Na quarta-feira (9), em Brasília (DF), o secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social, Joe Valle, assinou o acordo de cooperação técnica com o Instituto de Fiscalização e Controle (IFC). O acordo prevê a adoção de medidas para a fiscalização de gastos, acompanhamento de projetos e convênios e a ampliação da transparência nas ações da administração pública.

Para Joe Valle, o acordo torna mais eficiente o acompanhamento dos convênios celebrados pela Secis. "A secretaria já fiscaliza a aplicação de verbas, mas entendemos que com essa parceira e a experiência do IFC, conseguiremos potencializar esses processos, tanto no sentindo de fazer com que os recursos cheguem a população que precisa, quanto da seriedade com que esse dinheiro será repassado e gasto", destaca.

O secretário explica que o convênio ampliará os contatos do ministério com a rede de controle social mantida pela o IFC. Os integrantes do Instituto também ministrarão palestras para os técnicos do MCT, que são responsáveis pela análise dos projetos. Em agosto próximo será promovido o primeiro encontro que permitirá aos técnicos do MCT ter uma visão geral da atuação dos órgãos de controle da União, que acompanham a execução de projetos.

Joe Valle destaca ainda que a Secis está promovendo um amplo processo de gestão, com a implantação de sistemas de qualidade, que permitem a adoção de mecanismos de controle mais eficientes. Segundo ele, além do acordo celebrado hoje, a Secis também firmou convênios, recentemente, com o Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério da Justiça (MJ) e Banco do Brasil (BB).

IFC
Para o vice-presidente do IFC, Antônio Augusto Miranda, o acordo contribui para o aprimoramento dos mecanismos de controle e para aproximar a sociedade civil do MCT. "Essa parceria é voltada para a troca de informações e de experiências. A perspectiva é que possamos promover a otimização do controle, por meio da verificação em pontos chaves, e com o envolvimento da sociedade civil nos projetos em sua própria localidade", disse.

O IFC também mantém parecerias com outros órgãos. Desde 2006, o Instituto realiza um trabalho em conjunto com a Controladoria Geral da União (CGU). Outra iniciativa importante, de acordo com Augusto, foi o convênio firmado com a Escola Superior do Ministério Público da União, que permite aos promotores que estão ingressando na carreira, receber informações e analisar o processo de fiscalização sob a ótica social.


Foto Ricardo Lemos
Envolverde, 10/07/08
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Website mapeia locais com conexão Wi-Fi grátis

A web conta agora com um serviço de utilidade pública a favor da democratização do acesso sem fio a internet. Trata-se do Portal Wi-Fi Livre (www.wifilivre.com.br) que tem como objetivo mapear os estabelecimentos com acesso gratuito a internet e que utilizam a tecnologia wireless.

O site vai atender usuários de tecnologias móveis, como notebooks e smartphones, que desejam baixar e-mails e consultar a internet. Através do site, é possível identificar cafés, restaurantes, hotéis, clubes que oferecem o acesso a web sem custos.

Para participar é simples. Basta cadastrar o estabelecimento no banco de dados do site. Logo após a aprovação do cadastro, um hot-site é criado com as informações do local, como endereço, telefone, e localização no Google Maps. O objetivo do portal é cadastrar o maior número de estabelecimentos na região da Grande São Paulo e depois expandir o serviço para outras cidades do Brasil.

O Wi-Fi Livre é uma iniciativa da associação Meninos dos Morumbi e tem o apoio da AMD e da Relatório Bancário. De acordo com Antonio Balochini, Coordenador de Tecnologia dos Meninos do Morumbi e idealizador do projeto, o site é um serviço de utilidade pública, uma vez que socializa o acesso a internet.

O site é também um projeto social com a assinatura da Associação Meninos do Morumbi. Com a divulgação do portal, a equipe busca o apoio de fabricantes de roteadores Wi-Fi para fazer a instalação nas áreas carentes atendidas pela ONG, como a comunidade de Paraisópolis.


Fonte: Divulgação - www.wifilivre.com.br
HSM On-line, 14/07/08

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10º Concurso Banco Real de Talentos da Maturidade

As inscrições para o 10º Concurso Banco Real de Talentos da Maturidade vão até o dia 22 de agosto. Composto por seis categorias – artes plásticas, contador de histórias, literatura, música vocal, monografia e programas exemplares -, o concurso pretende premiar os melhores trabalhos nessas categorias, incentivando a produção e a memória cultural de pessoas com 60 anos ou mais.

O concurso também pretende promover a criatividade desses participantes, ampliando seu potencial artístico e sua participação social. Todos os concorrentes, independentemente da colocação no concurso, receberão certificado de participação. Mais informações pelo fone 0800-120077 e em www.bancoreal.com.br/talentos.


redeGIFE Online, 14/07/08

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Programa Rumos Educação, Cultura e Arte 2008-2010 prorroga inscrições

As inscrições para o Programa Rumos Educação, Cultura e Arte 2008-2010 foram prorrogadas até o dia 25 de julho de 2008. A iniciativa do Instituto Itaú Cultural seleciona até 15 profissionais voltados ao ensino da arte e da cultura no âmbito da educação não-formal, vinculados a organizações não-governamentais, instituições culturais e museus. Como na primeira edição, em 2005, este ano o comitê autônomo de seleção dos projetos é formado por especialistas na área. Cada contemplado receberá R$ 10 mil de premiação. O Itaú Cultural também promoverá viagens de formação para os educadores escolhidos, em locais a serem definidos.

Além disso, até 3 selecionados destacados pelo instituto farão visitas a organizações internacionais a fim de conhecer experiências educativas desenvolvidas no exterior. Os contemplados serão apresentados em 10 de novembro de 2008, quando serão divulgados os nomes por meio da imprensa e do site da instituição (www.itaucultural.org.br).

Na primeira edição do programa, cinco educadores foram selecionados entre 221 projetos inscritos, com trabalhos ligados ao ensino de teatro, vídeo e música em quatro estados brasileiros. São eles: Carla Araújo Lopes, professora de teatro do CRIA - Centro de Referência Integral de Adolescentes, Salvador; Gustavo Vilar Gonçalves, da Associação Respeita Januário, em Tacaratu, Pernambuco, que desenvolveu projeto em música; Valmir Alcântara Alves, o Bodô ensinou música a crianças e adolescentes da Paróquia de Santo Inácio de Loyola, em Belo Horizonte; Maria Helena dos Santos, da Associação Novolhar, com projeto de vídeo em São Paulo; e Gustavo Arantes de Souza Lima, que desenvolveu trabalho com teatro no Centro Comunitário e Recreativo Jardim Macedônia, em São Paulo.

Para mais informações e inscrições clique aqui.


redeGIFE Online, 14/07/08

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Vivo patrocina equipe de surf de deficientes visuais

A Vivo, por meio do Instituto Vivo, patrocina o programa Especialmente Surf – O Surf Visto Com Outros Olhos”, que acontece durante o “Circuito Vivo de Surf Profissional”, de julho a novembro, no Rio de Janeiro. Em parceria com a Escola Carioca de Surf e a empresa Chantilly Entertainment, serão treinadas 12 pessoas com deficiência visual – do Instituto Benjamin Constant – que farão uma apresentação no último dia do circuito, para mostrar que a modalidade também pode ser inclusiva.

Para a execução do projeto, são aplicados métodos de ensino diferenciados. Na primeira etapa, serão ministradas aulas teóricas, além dos primeiros contatos com o equipamento na água (na piscina e no mar).

Os treinos acontecem uma vez por semana, na Escola Carioca de Surf e a equipe é coordenada pelo professor Pedro B. Cunha, que atua a cerca de 10 anos como instrutor, além de 11 anos como surfista profissional. Os alunos com deficiência visual têm todo o suporte de segurança, como pranchas adaptadas, estrepes guias especiais, que ligarão os alunos aos instrutores, capacete especial para surf e coletes salva-vidas.

A iniciativa se soma aos demais programas desenvolvidos pela Vivo, como o “Eu Vivo Remando, que capacita jovens com algum tipo de deficiência física para a modalidade paraolímpica do remo adaptado, e reforça o compromisso da Vivo de trabalhar em prol da inclusão social de deficientes. “A Vivo, desde sua criação, em 2003, investe no esporte por acreditar que a prática esportiva é uma importante ferramenta de inclusão social e cultural”, afirma o Diretor de Eventos e Marketing Promocional da Vivo, Filipe Barahona.


redeGIFE Online, 14/07/08

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Grupo cria 18 compromissos para a área da infância

Nas comemorações de 18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), um grupo formado por organizações governamentais, não-governamentais, organismos internacionais e a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Congresso Nacional lançou uma plataforma com 18 compromissos na área da infância para os candidatos a prefeito e a vereador.

O objetivo é que sejam realizadas audiências públicas, em parceria com os Conselhos dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes e com a participação de meninos e meninas, em que esta pauta possa ser assumida pelos candidatos e candidatas ao pleito de outubro próximo.

A plataforma chamada “Estatuto da Criança e do Adolescente: 18 anos, 18 Compromissos - A criança e o adolescente no centro da gestão municipal” foi divulgada em sessão solene do Congresso, realizada no último dia 10 de julho. ”Esse é um ano importante de eleições municipais, e é no município que se decidem as políticas públicas preventivas”, afirmou a deputada Rita Camata (PMDB-ES), que, em 1990, foi relatora da lei que criou o ECA .

No documento, há 18 compromissos que envolvem a implementação e fortalecimento de políticas municipais para trabalhar com temas como: renda familiar, mortalidade, desnutrição infantil, escolarização, enfrentamento à violência sexual infanto-juvenil e de combate ao trabalho infantil, além da definição de parâmetros para a execução de medidas sócio-educativas.

A relação com as 18 prioridades foi entregue aos presidentes do Senado e da Câmara. A intenção foi lembrar o aniversário de implementação do ECA, fortalecendo os princípios propostos pelo próprio Estatuto e pela Constituição de 1988, que coloca a criança e o adolescente como prioridade absoluta para a família, a sociedade e o Estado.

Segundo a coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa da Criança e do Adolescente, senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), observou que o estatuto chegou à “maioridade”, mas ainda não foi aplicado com responsabilidade no Brasil. “Isso faz com que a sociedade, como um todo, não entenda o valor do ECA, como se fosse apenas um documento que protege os malfeitos de crianças e adolescentes”, afirmou. Apesar das falhas, Patrícia considera o ECA “uma das maiores conquistas da sociedade brasileira”.

A plataforma foi elaborada por um grupo de organizações comprometidas com os direitos da infância e da juventude, como o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR), a frente parlamentar, entre outros.

A secretária do Fórum Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Jimena Grignani, disse que a apresentação dos 18 compromissos foi um avanço. Para Jimena, a criança e o adolescente têm de ser sempre prioridade nas administrações. “A sociedade civil tem que se manter sempre acordada, mobilizada, atuante no controle, cobrando dos seus representantes. Essa é a luta, e os 18 anos marcam um amadurecimento dessa proposta.”

O Diretor Presidente da Fundação Telefônica, Sérgio Mindlin, concluiu que o eventos, na Câmara e no Senado, tiveram um efeito simbólico muito importante, porque reuniram figuras representativas da defesa e da promoção dos direitos das crianças e adolescentes no Brasil. “O conjunto de ações demonstra a importância que o ECA tem, os benefícios que já trouxe para o País e, também, os desafios que ainda persistem para que a lei seja plenamente conhecida e cumprida”, argumenta.

Para que isso ocorra, Mindlin acredita que a iniciativa privada tem um importante papel. “As empresas podem apoiar os conselhos municipais e estaduais dos direitos das crianças, com doação de recursos, com apoio a iniciativas locais e, principalmente, respeitando e promovendo as diretrizes do Estatuto em suas práticas de negócio. Toda a sociedade só tem a ganhar com universalização dos direitos", explica.

O Portal Pró-Menino, iniciativa da Fundação Telefônica, que dissemina informações e apóia organizações governamentais e não-governamentais que lidam com esta temática, fez um especial com os principais eventos de comemorações para os 18 anos do ECA. Para acessar, clique aqui.

Clique aqui e baixe a Carta de Compromisso destinada aos prefeitos
Clique aqui e baixe a Carta de Compromisso destinada aos vereadores


Com informações de Amanda Cieglinski, repórter da Agência Brasil
redeGIFE Online, 14/07/08

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segunda-feira, 14 de julho de 2008

Anunciantes e agências enfrentam fogo cerrado

Leifert Gilberto, presidente do Conar: "Quando governo, escola, família e justiça não cumprem o seu papel, alguém tem que ser responsabilizado"
Foto Gustavo Lourenção/ Valor


O Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) nunca trabalhou tanto. Só neste primeiro semestre foram 223 processos instaurados pelo órgão, um recorde para o período, em 28 anos de história do Conar. Na entidade estão reunidos publicitários, anunciantes, representantes da mídia e também da sociedade civil, que monitoram campanhas em todo o país e julgam casos que geraram - ou podem gerar - reclamações do público.

A propaganda de bebidas alcoólicas é a que mais tem motivado horas extras no órgão: nos primeiros seis meses foram 86 processos analisados, que superam com folga os 52 instaurados em todo o ano de 2007 contra o setor. Este ano, o próprio Conar aumentou as restrições à propaganda de bebida, dois meses antes da entrada em vigor nova "Lei Seca", em junho.

O medo do mercado publicitário é que aconteça com as cervejas o mesmo que ocorreu com os cigarros: a proibição total na mídia. Reunidas, as marcas de bebidas alcoólicas formam o quarto maior setor anunciante, depois de varejo, serviços financeiros e higiene e beleza, tendo injetado cerca de meio bilhão de reais nos veículos de comunicação no ano passado, de acordo com a pesquisa Inter-Meios. Se depender dos órgãos federais e do poder legislativo, porém, não são só as campanhas de álcool que estão sob risco.

Segundo Gilberto Leifert, presidente do Conar, existem cerca de 200 projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional com o objetivo de regulamentar a atividade publicitária. "O ambiente regulatório está cada vez mais hostil", afirma Leifert, que também é diretor de relações com o mercado da Rede Globo. Daí o interesse do Conar em aumentar as restrições à propaganda dos setores mais sensíveis - bebidas, alimentos e medicamentos -, antes que o governo, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou de algum parlamentar, encarregue-se disso. Câmara e Senado discutem hoje as mais diferentes propostas, desde a obrigatoriedade de constar no rótulo do óleo de cozinha uma advertência de como se descarta o produto até a proibição de propaganda ao telefone, enquanto se aguarda atendimento.

Uma das iniciativas mais polêmicas é o substitutivo do projeto de lei (PL) 5921/2001, que proíbe qualquer propaganda de produtos para crianças. O texto foi aprovado no último dia 9 na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, depois de sete anos de discussão, e agora segue para a Comissão de Constituição e Justiça. "Queremos proteger a formação da criança e do adolescente, seguindo o que já é aplicado em vários outros países", diz a deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG), relatora do projeto. "Uma campanha que insiste para que a criança tenha um produto incompatível com o orçamento da sua família, por exemplo, gera frustração e dificulta o relacionamento em casa".

Na opinião de Dalton Pastore, presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), é um erro assumir como modelo no Brasil determinações vigentes no exterior. "Nossa realidade é única, cada país deve decidir por si o que é ou não politicamente correto na comunicação", diz Pastore. Para ele, a publicidade brasileira já mostrou ser competente o suficiente para se auto-regular. "Se o Conar decide pela suspensão de uma campanha, os veículos acatam em menos de 24 horas, não precisamos de censura".

Não por acaso, a liberdade de expressão comercial será a principal tônica do IV Congresso Brasileiro de Publicidade, que começa hoje em São Paulo. A Abap, organizadora do evento, convidou o ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, e a ex-repórter do jornal "The New York Times", Judith Miller - presa em 2005 por não ter revelado sua fonte à Justiça americana - para tratar do tema liberdade.

Se depender da Anvisa, no entanto, discursos inflamados não vão garantir a independência publicitária. Ela deve divulgar esta semana o resultado da consulta pública sobre a propaganda de alimentos. Ao todo, foram 676 contribuições, que serão consolidadas e encaminhas para audiência pública. O resultado será apreciado pela diretoria , que irá elaborar uma resolução. Campanhas para crianças estão entre as principais preocupações da Anvisa.

"Não se deve usar personagem de desenho infantil na propaganda de alimentos ou refrigerantes", diz Maria José Delgado Fagundes, gerente de monitoramento de propaganda da Anvisa. "A criança com até oito anos está em processo de formação cognitiva e não sabe separar o comercial do desenho".

A discussão sobre propaganda de comida ficou apimentada no final de junho, quando uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) indicou que as campanhas de alimentos sugerem opções nocivas ao consumidor. O estudo acompanhou 20 horas diárias da programação de canais de TV abertos e fechados, entre 2006 e 2007. Do total de peças publicitárias, 72% estavam relacionadas a opções com altos teores de gordura, açúcar e sal. Nos canais para o público infantil, a pesquisa identificou que 50% das propagandas eram de alimentos.

Segundo Maria José, a população precisa receber informação para se preservar de possíveis riscos à saúde. "Em setores como alimentos, bebidas e medicamentos, a mensagem não pode ter só conotação comercial, precisa trazer informação de saúde pública", diz.

Nas campanhas de medicamentos, Maria José vê avanços. "As peças têm mais informação hoje do que em 2000, quando a propaganda começou a ser regulada, mas ainda não são eficientes ao esclarecer, por exemplo, qual a principal contra-indicação de um produto", diz. A nova resolução da agência para remédios deve ser publicada até o final do ano e inclui um anexo para produtos isentos de prescrição. Aqueles que possuem cânfora, por exemplo, devem informar que não são indicados para crianças com menos de dois anos.

Quanto à propaganda de bebidas, a Anvisa já tem uma resolução pronta, mas aguarda que seja votado no Congresso o projeto de lei que diminui de 13 para 0,5 grau Gay Lussac a classificação do que é considerado bebida alcoólica na propaganda. "Hoje, pela lei 9294/96, cerveja não é produto alcoólico e pode ser anunciada durante o dia", lembra. Para ela, as restrições nada têm a ver com cerceamento da liberdade de expressão. "Nós estamos falando de uma atividade puramente comercial".

Para Leifert, do Conar, a propaganda se tornou vidraça porque é muito mais fácil restringir a comunicação do que atuar de forma estruturada sobre problemas graves - como alcoolismo, obesidade e auto-medicação. "Quando governo, escola, família e justiça não cumprem o seu papel, alguém tem que ser responsabilizado".


Daniele Madureira, de São Paulo
Valor Online, 14/07/08

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Até pequenos negócios aderem à terceirização

Do lado de fora, o prédio cinza em estilo vitoriano, com janelas de vitrais, parece a típica casa dos sonhos da classe média. Mas ele também é a sede do que se pode chamar de uma micromultinacional. Randy e Nicola Wilburn administram companhias imobiliárias, de consultoria, design e alimentos para bebês a partir de sua casa, em uma quadra reurbanizada de Dorchester, Massachusetts. Eles fazem isso levando a terceirização ao extremo.

Profissionais de todas as partes do mundo prestam serviços para a dupla. Por US$ 300, um artista indiano desenhou a bela logomarca de um bebê olhando com curiosidade para as palavras "Baby Fresh Organic Baby Foods" e o papel timbrado da companhia. Um "freelancer" de Londres redigiu material promocional. Randy contratou "assistentes virtuais" em Jerusalém para transcrever mensagens de voz, atualizar seu site na internet e elaborar gráficos no PowerPoint. Corretores aposentados de Virgínia e Michigan cuidam da papelada da unidade imobiliária.

A terceirização global deixou de ser uma coisa só para as grandes corporações. Cada vez mais, empresas que incluem de revendedores de automóveis a agências de propaganda acham mais fácil transferir o desenvolvimento de software, a contabilidade, os serviços de apoio e os trabalhos de design para terras distantes. A Elance - empresa de serviços on-line de Mountain View, na Califórnia, e principal conexão dos Wilburn com a força de trabalho cibernética -, tem 48,5 mil pequenas empresas como clientes, um número 70% superior ao do ano passado. Por mês, a companhia registra 18 mil novos projetos. Sites como Guru.com, Brickwork India, DoMyStuff.com e RentACoder também apresentam crescimento acelerado.

Desde o início dos anos 90 ouvem-se previsões de que a internet revolucionaria o trabalho ao criar um vasto mercado global para os profissionais. John Doerr, a lenda do capital de risco, pensou tanto na idéia em 1999 que sua empresa, a Kleiner Perkins Caufield & Byers, apostou quase tanto na Elance quanto no Google e na Amazon. Raymond J. Lane, sócio-gerente da Kleiner, é o presidente do conselho da companhia.

Mas, enquanto outras formas de comércio eletrônico pegaram rapidamente, apenas recentemente os sites da internet para "freelancers" começaram a ganhar força. A Evalueserve, uma empresa de pesquisa de mercado, estima que as receitas dos mercados de serviços on-line vão crescer 20% em 2008, para US$ 190 milhões. Algo distante do alarde inicial.

Por que levou mais tempo para os compradores e vendedores de serviços se sentirem confortáveis negociando on-line do que as companhias que lidam com bens físicos? Um eBay para serviços, diz Fabio Rosati, executivo-chefe da Elance "foi uma idéia brilhante que começou cedo demais". Mas a melhoria dos programas de computador, mecanismos de busca e novas ferramentas estão dando impulso ao setor. Vários sites já permitem que os compradores vejam amostras de trabalho detalhadas e que os clientes dêem notas para milhares de vendedores de serviços. O Guru lançou um sistema de pagamentos para mediar disputas e permite aos compradores fazer depósitos em garantia até que o trabalho seja recebido. A Elance desenvolveu um software para monitorar o andamento dos trabalhos e realizar cobranças, pagamentos e registrar impostos.

Essas melhorias começam a fazer a diferença. A Elance, que faz dinheiro cobrando assinaturas e uma parcela de 4% a 6% de cada projeto, prevê um crescimento de 50% do faturamento total este ano, para US$ 60 milhões. O Guru prevê um crescimento parecido, para US$ 26 milhões.

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O vendedor de carros Ariel Tehrani, de Nova York, encomendou a brasileiros a criação de seu site de vendas
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Os pequenos empreendedores são a maior fonte do crescimento. Ariel Tehrani, revendedor (das marcas de carros) Lincoln Mercury do Queens, em Nova York, contratou brasileiros para desenvolver um site multimídia para a venda de automóveis on-line. Jonathan Fleming, agente imobiliário de San Francisco, usa designers gráficos de Portugal, gerenciadores de bancos de dados da Índia e redatores da Hungria em seu blog.

Os Wilburn começaram comprando designs gráficos por meio da Elance em 2000. Eles afirmam que mudaram para a terceirização radical depois de ler, em 2007, o best-seller "Trabalhe 4 Horas por Semana", de Timothy Ferriss, que enaltece os méritos de se conseguir mais tempo livre contratando "assistentes virtuais" em países de mão-de-obra mais barata para a realização de tarefas de rotina.

A ajuda remota vem permitindo a Randy Wilburn, de 38 anos, lidar melhor com as oscilações da economia. Seus negócios na área imobiliária esfriaram e agora ele passa mais tempo mostrando a organizações sem fins lucrativos dos Estados Unidos como elas podem ajudar proprietários de residências a evitar que suas hipotecas sejam executadas. Assistentes virtuais cuidam da correspondência de rotina e juntam material de negócio enquanto ele está viajando, tudo isso por menos de US$ 10 mil por ano. Ele calcula que uma secretária trabalhando em período integral lhe custaria US$ 45 mil por ano.

Nicola, uma designer de 35 anos, decidiu trabalhar em casa depois que teve seu segundo filho. Agora, ela encomenda trabalhos de design para "freelancers" e está começando a vender alimentos orgânicos para bebês que ela mesma prepara. Para expandir o negócio, ela começou a montar um site na internet, oferecendo US$ 500 pelo trabalho de design. Dos 20 interessados que responderam, via Elance, 18 são de fora dos Estados Unidos.

O casal usa dois vendedores de serviços de terceirização. Um é a GlobeTask, uma empresa de Jerusalém que emprega dezenas de artistas gráficos, designers da internet, redatores e assistentes virtuais em Israel, na Índia e nos EUA. Geralmente, cobra US$ 8 a hora. A outra é a Webgrity de Calcutá, que possui 45 funcionários e cobra de US$ 1 a US$ 1,20 a hora.

Cinco anos atrás, diz o fundador Amit Keshan, de 32 anos, a Webgrity criava sites na internet para clientes indianos. Agora, ele faz todo esse negócio por meio da Elance, lidando com até 300 trabalhos por mês para clientes americanos, britânicos e australianos. Por US$ 125, a Webgrity criou uma logomarca para a empresa imobiliária dos Wilburn. Segundo Randy Wilburn, a tarefa teria custado até US$ 1 mil nos Estados Unidos.

Um mercado mundial em que a terceirização dos negócios das empresas familiares tenha um apelo mais amplo ainda pode estar a anos de distância. Mas empresários de micromultinacionais como os Wilburn poderão não ser raridades por muito mais tempo. "As pessoas vão fazer as coisas à moda antiga enquanto não ficar óbvio que é melhor fazer da maneira nova", prevê Rosati, da Elance.


Pete Engardio, BusinessWeek
Valor Online, 14/07/08

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