segunda-feira, 10 de março de 2008

Saiba em qual estágio está a construção da futura norma de Responsabilidade Social e as perspectivas de avanço em 2008

A 5ª plenária do Grupo de Trabalho de Responsabilidade Social da ISO (WG SR) aconteceu em Viena (Áustria), de 5 a 9 de novembro de 2007, e apontou os caminhos da construção da futura norma de Responsabilidade Social, a ISO 26000. Entre as novidades do encontro, em que foram aprovadas vinte resoluções, estão: o documento será tratado de forma integrada na próxima reunião; a previsão de lançamento da ISO foi alterada para 2010 e a elaboração da quarta minuta do documento (WD.4), com a meta de avançar para o estágio seguinte (Committee Draft - CD) na próxima reunião, marcada para setembro de 2008 em Santiago, no Chile.

Sob a liderança compartilhada da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e do Instituto Sueco de Normalização (SIS), a plenária foi marcada por forte presença de países em desenvolvimento, que ultrapassou a dos países desenvolvidos. Ao todo, participaram 400 especialistas de 78 países, um recorde. "Isso confirma o crescente interesse que essa norma vem despertando", afirmou o co-secretário do WG SR, Eduardo Campos de São Thiago, que supervisionou a organização da plenária, feita pelo Instituto de Normalização da Áustria (ON).

São Thiago observou que, em paralelo ao desenvolvimento da norma, a ISO e o WG SR têm sido ativos no que se refere à ampliação de representação e da conscientização, promovendo inúmeros workshops regionais para aumentar conscientização em relação à importância da futura ISO 26000. Em 2008 está prevista uma reunião em Copenhague, na Dinamarca.

Confira abaixo a breve entrevista concedida por São Thiago, que também é assessor de Relações Internacionais da ABNT, ao portal Setor3 sobre o atual estágio do processo da ISO 26000 e as perspectivas e novidades para 2008.

SETOR3 – Quais resultados importantes foram alcançados nesta reunião?
Eduardo Campos de São Thiago – Entre eles, 7.225 comentários foram recebidos em relação ao terceiro projeto de trabalho (WD.3) da ISO 26000, circulado previamente à reunião de Vienna, mostrando notável engajamento e compromisso por parte dos quase 400 especialistas que participam do desenvolvimento da norma. Com 20 resoluções aprovadas o Grupo de Trabalho decidiu que é tempo de avançar um pouco mais. O documento avançou e foi tomada a decisão de se discutir um quarto projeto de trabalho (WD.4) após a reunião de Viena, com a recomendação expressa em resolução de ter como meta avançar para o estágio seguinte (CD) na próxima reunião plenária, marcada para setembro de 2008 em Santiago, Chile. Com isso, espera-se que a ISO 26000 seja publicada em 2010.

No atual estágio do trabalho (WD), o objetivo consiste em continuar construindo consenso entre os especialistas. Já na fase de CD, o objetivo será a obtenção de consenso entre os organismos nacionais de normalização e as organizações internacionais participantes.

Também foi definido o estabelecimento de uma Força Tarefa de Redação (IDTF) para revisar o texto da ISO 26000 de forma integrada, com base nos comentários recebidos. A reunião de Viena foi a última em que o texto da norma foi preparado e discutido em partes separadas. A partir de agora, o texto será trabalhado de forma integral, segundo cronograma de trabalho detalhado que foi estabelecido em Viena para a preparação do WD.4.

SETOR3 – O que prevê o cronograma de trabalho detalhado estabelecido em Viena para a preparação do WD.4?
Eduardo Campos de São Thiago – O cronograma prevê os passos a serem dados pelo grupo para a elaboração do WD.4, a ser discutido em Santiago, incluindo preparação do texto, submissão aos especialistas para comentários, compilação dos comentários, preparação de novo texto com base nos comentários recebidos e envio do texto aos especialistas para sua análise prévia para a reunião de Santiago. Além disso, são estabelecidos o(s) responsável (eis) e os tempos envolvidos para cada passo. Na verdade, o tempo é escasso para o volume do trabalho que está sendo realizado e por isso pode-se dizer que haverá sempre especialistas trabalhando na preparação do texto em alguma parte do mundo.

SETOR3 – Houve participação equilibrada das seis categorias de stakeholders nas delegações nacionais?
Eduardo Campos de São Thiago – Embora em termos de número ainda haja uma quantidade maior de stakeholders das categorias indústria, governo, ONGs e SSPO (Serviço, Suporte, Pesquisa e outros), em relação à quantidade de representantes dos consumidores e dos trabalhadores, pode-se considerar que, de modo geral, o WG SR tem obtido uma participação expressiva e crescente, particularmente se for levado em consideração sua participação histórica em outros comitês da ISO. É importante destacar que a busca por uma participação mais equilibrada é uma preocupação constante tanto da liderança do WG SR quanto da própria ISO.

SETOR3 – Como você define a participação dos especialistas brasileiros em Viena?
Eduardo Campos de São Thiago – Os especialistas brasileiros tiveram atuação destacada em Viena, seja defendendo com convicção as posições da delegação, seja assumindo responsabilidades nos diferentes grupos que se formaram.

Confira abaixo as notícias sobre a construção da ISO 26000...


Matérias anteriores:
Ladislau Dowbor
Leia o artigo: Gestão social e transformação da sociedade

Og Dória, de Barcelona
Fórum Universal das Culturas debate perspectivas para um mundo melhor

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Será a privatização das causas sociais?
Nova Norma
Com publicação prevista para 2009, a ISO 26000 será um guia de diretrizes em Responsabilidade Social e de uso voluntário

Juliana Rocha Barroso
Publicado pelo Setor3 em 25/02/08

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MEC oferece sistema on-line para solicitação de recursos

O Ministério da Educação (MEC) disponibiliza a estados e municípios um sistema on-line para solicitação de recursos do programa Brasil Profissionalizado. Em 2008, são R$ 210 milhões para aumentar a oferta de escolas e matrículas de educação profissional pública no país. Até 2011 serão mais R$ 690 milhões. A meta é atender 800 mil alunos, capacitar 14 mil professores e construir 2.500 laboratórios.

O financiamento deve servir para construção, ampliação ou reforma de escolas públicas de ensino médio e profissional; aquisição de mobiliário, equipamentos e laboratórios destinados ao ensino profissional e tecnológico; ou ainda para compra de acervo bibliográfico. Os recursos também podem ser utilizados para a formação de professores na área de ciências (química, matemática, física e biologia).

Os proponentes dos projetos terão que respeitar algumas condições, tais como: gratuidade do ensino; alcance da maior amplitude de matrículas; consonância com o catálogo de cursos técnicos; implantação de plano de estágio; vagas para jovens e adultos; e compromisso de gerenciamento na manutenção das escolas e das respectivas matrículas na educação profissional, a ser verificado por meio dos dados do Censo Escolar.

(Envolverde/Nota 10)

Publicado péla Envolverde em 05/03/08


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Investimento social privado em alta

Os desafios e particularidades da atividade social das empresas no Brasil

O Brasil é uma das maiores economias do mundo e um dos países com pior distribuição de renda. As desigualdades sociais explicam, em grande medida, porque cada vez mais corporações têm investido em áreas que antes eram responsabilidade exclusiva dos governos como educação e saúde. “O ambiente é favorável ao investimento social privado no Brasil. Trata-se de um setor em franca expansão, na medida em que, com a estabilização da economia, mais empresas têm acumulado riqueza e ampliado o seu potencial de contribuir para a sociedade”, diz Fernando Rossetti, secretário-geral do Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), organização com 106 associados de origem privada que financiam projetos sociais, ambientais e culturais de interesse público e que realizará entre 2 e 4 de abril, em Salvador (BA), o seu quinto congresso de investimento social privado.

Apesar do avanço, o investimento social feito por empresas no Brasil está muito distante da realidade de países como os Estados Unidos. Para se ter uma idéia, as 189 maiores empresas e fundações norte-americanas investiram US$ 10,2 bilhões em causas sociais no ano de 2006. No Brasil, os investimentos sociais privados atingiram R$ 4,7 bilhões, segundo a pesquisa “A ação social das empresas”, divulgada, em 2006, pelo Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas).

A política de benefícios tributários pode ser uma das hipóteses para essa importante diferença de volume do investimento social. Nos EUA, segundo Rossetti, os doadores consideram financeiramente mais vantajoso investir seu patrimônio em fundações administradas pelos filhos por conta dos incentivos fiscais. De acordo com o Ipea, apenas 2% das corporações fizeram uso de incentivos fiscais no período de 2000 a 2004. Para 40% dos empresários entrevistados, o valor do incentivo era muito pequeno e não compensava seu uso. Mesmo assim, o investimento social privado teve um crescimento de 10% comparado à primeira edição da pesquisa (2002).

Ainda segundo Rossetti, a atuação social das empresas avançou conceitualmente, deixando de ser assistencialista para desenvolver a cidadania. Hoje o investimento social privado, seja por meio de projetos próprios, apoio a organizações do terceiro setor, criação de institutos, fundações corporativas ou familiares, obedece a uma lógica empresarial de planejamento, monitoramento e avaliação de resultados, gerando benefícios para a comunidade atingida e para os negócios da empresa.

Em entrevista a Idéia Socioambiental, Rossetti, recentemente eleito presidente da Wings (Worldwide Initiatives for Grantmakers Support), rede global de 140 grandes doadores e apoiadores de filantropia no mundo, faz uma análise ampla da evolução desse setor no Brasil e dos desafios que enfrenta no novo contexto da sustentabilidade nos negócios.


1. Na conjuntura atual, ainda há espaço para a filantropia?

Há espaço para todos os tipos de ação, desde a filantropia tradicional, caracterizada pelo assistencialismo, até uma filantropia estratégica por meio do investimento social privado com visão de longo prazo e objetivo de transformar a realidade de uma comunidade. Evidentemente, há uma diferença qualitativa entre uma e outra, mas as práticas mais tradicionais não devem ser abandonadas. Hoje ainda é preciso dar o peixe, ensinar a pescar e ao mesmo tempo reformular toda a cadeia produtiva da pesca.


2. Existem as fundações vinculadas às empresas e às pessoas físicas. Quais são as vantagens e limitações de cada uma delas?

As fundações ligadas às empresas hoje, frequentemente, têm que pensar o seu trabalho no campo social ou ambiental de maneira alinhada com o pensamento estratégico do negócio. As fundações corporativas podem agregar valor à sociedade por meio da transferência das suas competências. Por exemplo, uma empresa de telecomunicações dispõe de uma competência em comunicação, já uma companhia financeira tem a administrativa, enquanto que uma fabricante de software pode contribuir para a inclusão digital. Em todos esses casos, o trabalho que a empresa realiza apresenta alguma relação também com o negócio. O limite é esse. A boa filantropia corporativa baseia-se na relação ganha-ganha, de modo que a comunidade e a empresa sejam beneficiadas. Quando a empresa promove a inclusão digital, a comunidade se beneficia, mas cria-se um mercado para os softwares que a companhia fabrica. Já no da filantropia familiar, essas amarras em relação ao negócio, propriamente dito, não existem. Há mais liberdade na hora de pensar a maneira como se vai aplicar o investimento. Por outro lado, existe o risco de perder um pouco a ênfase na gestão ou na profissionalização desse trabalho, o que para as empresas costuma ser um fator essencial. Quando a gestão e profissionalização não são prioridades, aumenta a tendência de fazer trabalhos mais assistencialistas deixando de lado um pensamento estratégico. A questão é que o ambiente todo está amadurecendo. Então, mesmo as fundações vinculadas às pessoas físicas já estão surgindo com pensamento estratégico muito desenvolvido.


3. Em relação à legislação e incentivos fiscais, as condições para criação de uma fundação, vinculada à empresa ou à pessoa física, são as mesmas?

Não. As empresas gozam de alguns benefícios fiscais para fazer o seu investimento social privado, a exemplo da Lei Roaunet, do Fundo para a Infância e Adolescência e, mais recentemente, da Lei de Incentivo ao esporte. Para as pessoas físicas, só há isenção por meio da Declaração do Imposto de Renda pelo formulário completo. Já no nível familiar, não há nenhum tipo de incentivo. Essa é a grande diferença do Brasil para os Estados Unidos, por exemplo. Lá, se alguém decide deixar uma herança para a sua família os tributos podem chegar a 40%. Enquanto aqui, o nível de tributação é de 4%. Sendo assim, nos EUA, é mais vantajoso investir em uma fundação e não pagar tributos. Os incentivos bem feitos e administrados são instrumentos muito importantes para aumentar o investimento social privado.


4. Há ambiente favorável para o investimento social privado no Brasil?

Sim, extremamente favorável. Esse é um setor em franca expansão. O número de ONGs triplicou nos últimos 15 anos. Hoje, há cerca de 300 mil delas, desenvolvendo trabalhos relevantes para a sociedade brasileira. Ao mesmo tempo, houve um desenvolvimento econômico significativo no País nesses últimos 10 anos. Com o Plano Real, o Brasil alcançou uma política estável que está gerando novas riquezas. E o acúmulo de riquezas em determinadas empresas e famílias aumenta o potencial de contribuição para com a sociedade.


5. Existe uma relação entre desenvolvimento e crescimento do investimento social privado?

Sem dúvida nenhuma. A filantropia é feita com dinheiro do ente privado, seja empresa ou pessoa física. Quanto mais riqueza um país gera, mais condições de filantropia ou investimento social privado ele tem. Não por acaso, quando se olha o Brasil, a região Sudeste e depois a Sul, onde há maior concentração econômica, são as que têm mais investimento social privado.


6. Os fatores culturais ou religiosos influenciam o volume de investimento social em um país?

Têm influência enorme. Os fatores culturais e religiosos talvez estejam nas bases das práticas filantrópicas de um país. São nítidas as diferenças da filantropia praticada entre comunidades católicas, cristãs ou judaicas. Na cultura norte-americana, por exemplo, as famílias doam uma parte de sua renda para fundações, obras de assistência ou de caridade. No Brasil, um país de tradição católica, as famílias têm o costume de dar o dinheiro para a igreja desenvolver trabalhos sociais. Mas isso vem mudando, com o crescimento da filantropia corporativa no mundo. Com a abertura da nossa economia, sobretudo a partir da década de 90, o Brasil passou a receber essas influências e a incorporar elementos da filantropia vindos de outras culturas.


7. O volume de investimentos de empresas em causas sociais e ambientais é uma forma de avaliar o grau de maturidade da responsabilidade social em um país?

Acho que sim. O número de organizações que existe na sociedade reflete a quantidade de recursos disponível. Mas no Brasil tem-se uma cultura que reproduz a má distribuição de renda. Há também a questão política. Tradicionalmente, o Estado brasileiro não é gerido para o benefício público, mas para o de determinados entes privados. Existe uma necessidade de reforma política séria, a partir da qual o Estado passe a atuar com uma orientação mais pública e menos privada.

É necessária também uma mudança cultural. A elite deve se preocupar com a questão pública e não apenas com interesses privados. Por outro lado, o um dos traços característicos do brasileiro é o seu jogo de cintura, a sua criatividade e sua capacidade, para o bem ou para o mal, de se adaptar fácil a novas situações. Tem-se aqui uma enorme capacidade de lidar em ambientes que estão em transformação como a economia global de hoje.


8. Qual a sua avaliação da filantropia no Brasil? Existem avanços? Quais são os desafios?

As práticas filantrópicas não só no Brasil, mas em todo o mundo, observam um caráter mais assistencialista. Houve uma evolução muito significativa nos últimos 15 anos, mas isso aconteceu principalmente nas grandes empresas porque elas têm o capital para investir em planejamento, consultores, profissionais para fazer a gestão. Nas pequenas e médias empresas, nas fundações de pessoas físicas ou famílias, essa cultura ainda não chegou. Há muito ainda o que evoluir para atingir uma visão mais estratégica da contribuição para a sociedade.


9. Mesmo que a empresa não tenha uma política de responsabilidade social, investir em filantropia é algo positivo?

Sim. Esse é um tipo de atividade que se aprende fazendo. Para envolver a estratégia de como trabalhar na sociedade, é preciso fazer, experimentar, avaliar, replanejar. A tendência é que este trabalho filantrópico comece a ficar cada dia mais alinhado com o negócio. É o conjunto de ações no qual está incluída a filantropia ou o investimento social privado que ajuda a construir a imagem que os consumidores fazem desta ou daquela empresa. Cada vez mais as pessoas escolherão marcas nas quais identificam uma relação mais responsável com a sociedade e com o meio ambiente.ist


Dimensão do investimento social privado no Brasil

Total de investimentos em 2006: R$ 1 bilhão
Áreas de atuação:
1º - Educação: 81%
2º - Desenvolvimento comunitário: 52%
3º - Cultura e artes: 50%
4º - Geração de trabalho e renda: 44%
5º - Apoio à Gestão de organizações do Terceiro Setor: 40%
6º - Assistência Social: 35%
7º - Meio ambiente: 35%
8º - Defesa dos direitos: 27%
9º - Esportes: 25%
10º - Comunicações: 21%
11º - Outros: 15%

Fonte: Censo Gife 2005/2006


(Envolverde/Idéia Socioambiental)

Juliana Lopes, da Revista Idéia Socioambiental
Publicado pela
Envolverde em 05/03/08
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Mais dólares no combate a violência contra mulheres

Os recursos da Organização das Nações Unidas para combater a violência contra as mulheres cresceram de maneira significativa, passando de US$ 3,5 milhões em 2006 para US$ 15 milhões no ano passado. Este dinheiro é administrado pelo Fundo das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), agência que estabeleceu uma meta ambiciosa: arrecadar US$ 100 milhões por ano ate 2015. Desde que foi criado em 1997 o fundo para combater a violência de gênero recebeu mais de US$ 33 milhões. Quase a metade destes recursos foi obtida no ano passado.

“O fundo é um complemento vital de nosso trabalho em todas as regiões para pôr fim à violência de gênero na vida das mulheres, seja em situações de conflito ou não”, disse a diretora-executiva interina do Unifem, Joanne Sandler. A funcionária afirmou que a campanha agregará valor e visibilidade aos esforços que governos, doadores, organizações de mulheres e outros da sociedade civil realizam para combater a violência de gênero, cuja erradicação é tão importante quanto outras metas de desenvolvimento.

Na semana passada, a companhia de cosméticos Avon anunciou o lançamento de uma associação público-privada para promover as mulheres e pôr fim à violência contra elas. A empresa se comprometeu a dar US$ 1 milhão ao fundo administrado pelo Unifem. A presidente da Avon, Andréa Jung, declarou à imprensa que a companhia contribui há mais de 120 anos com a valorização das mulheres, oferecendo a elas a oportunidade de manejarem seu próprio negócio, através da venda de seus produtos, e alcançar a independência econômica.

O Departamento para o Desenvolvimento Internacional da Grã-Bretanha destinará US$ 350 mil, durante um período de três meses, para combater a violência sexual e de gênero em Ruanda. É parte de um programa de três anos, com custo estimado de US$ 3,2 milhões, no qual o Unifem trabalha com as forças de segurança desse país africano. Em novembro o Unifem lançou uma iniciativa através da Internet, “Diga não à violência contra as mulheres”, liderada pela atriz australiana Nicole Kidman, que é embaixadora da boa vontade do Unifem.

“Na medida em que mais pessoas aderem, podemos ver um crescente movimento de gente exigindo o fim da violência, incluindo governos e clebridades como as atrizes Catherine Deneuve e Hillary Swank”, disse Sandler. No mês passado a Fundação da ONU, com sede em Washington, expressou seu apoio ao Unifem e prometeu doar um dólar para cada uma das primeiras cem mil assinaturas reunidas pela campanha na Internet, que já acumula 197.531 adesões de pessoas de todo o mundo.

Em uma declaração à Comissão sobre o Status das Mulheres das Nações Unidas, que na sexta-feira encerrou duas semanas de deliberações, a Coalizão Contra o Tráfico de Mulheres disse que a violência masculina é uma barreira para atingir a igualdade de gênero. “Entre as práticas mais sérias e preocupantes da violência de gênero estão a exploração sexual com fins comerciais, que inclui o tráfico sexual, a prostituição, a indústria da busca de noivas pela Internet, a pornografia e o turismo sexual”, disse a Coalizão, às vésperas do Dia Internacional da Mulher, comemorado no sábado.

Sandler disse à Comissão que o nível de financiamento com que contam os diferentes programas é um indicador da brecha que deve ser fechada para acabar com a violência de gênero. Outros fundos administrados pela ONU, para a promoção da democracia ou a manutenção da paz, contam com mais recursos do que o manejado pelo Unifem para acabar com a violência de gênero. O programa para combater a Aids, a tuberculose e a malária, lançado em 2002, reuniu US$ 10 bilhões.

Em fevereiro, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lançou formalmente a campanha “Unidos para acabar com a violência contra as mulheres”. Ban disse em seu discurso na Comissão que se trata de um tema que “não pode esperar”. Pelo menos uma em cada três mulheres apanham, são violentadas ou forçadas a manter relações sexuais em algum momento de sua vida, acrescentou. “Nenhum país, cultura ou mulher, jovem ou adulta, está imune a este açoite. Com muita freqüência os autores destes crimes não são punidos”, disse Ban.

A campanha para erradicar a violência contra as mulheres coincide com a decisão dos líderes mundiais de renovar seu compromisso para financiar as Metas de Desenvolvimento do Milênio, assumidas pela Assembléia Geral da ONU em 2000, que propõe reduzir pela metade a pobreza extrema e a fome ate 2015, entre outros objetivos, entre os quais está alcançar a igualdade de gênero. Incrementar os recursos para este fim, disse Ban, é fundamental para atingir as demais metas de desenvolvimento. (IPS/Envolverde)

(Envolverde/IPS)
Thalif Deen, da IPS
Publicado pela
Envolverde em 10/03/08
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ONU pede que mundo invista em meninas e mulheres

Secretário-Geral falou durante cerimônia para marcar Dia Internacional da Mulher, em 8 de março

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a igualdade de gênero é uma condição para o progresso no mundo. Ele lembrou que o tema é um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Ban fez a afirmação durante uma cerimônia antecipada de comemoração do Dia Internacional da Mulher, marcado neste sábado. A mensagem teve como tema: "Investir nas Mulheres e Meninas".

Segundo Ban, investir em mulheres não é só a coisa mais certa, mas também a mais inteligente.

Fome
O Secretário-Geral da ONU disse que com o financiamento da igualdade de gênero, o mundo também ajuda a combater a pobreza, a fome, as doenças e o analfabetismo.

Ban falou ainda do impacto, em nível global, de empréstimos para micro-empresas geridas por mulheres.

Ele disse que houve um crescimento de 10 milhões de pequenas empresas em 1999 para 69 milhões em 2005.

Ban Ki-moon afirmou que com o acesso ao financiamento, à tecnologia e ao mercado, as mulheres conseguem expandir seus negócios e assim contribuir para o desenvolvimento.

Política
Uma das participantes da cerimônia, em Nova York, a deputada da Assembléia Nacional de Angola, Maria Vahekeny do Rosário, falou à Rádio ONU, sobre medidas adotadas no país para aumentar a presença de mulheres na politica.

"Em setembro, em Angola vão se realizar eleições legislativas e, por força das mulheres parlamentares, nós conseguimos integrar nesta lei uma disposição que obriga todos os partidos políticos a terem pelo menos 30% de mulheres nos órgãos de decisão dos partidos. E pensamos que, a partir daí, poderão depois surgir ministras, deputadas e outras mulheres para os níveis subsequentes", disse.

Nesta semana, centenas de mulheres de todo o mundo estão participando, na sede da ONU, da 52ª. Sessão da Comissão das Nações Unidas sobre o Estatuto da Mulher com tema sobre igualdade de gênero e empoderamento de mulheres.

Para ouvir esta notícia clique em http://www.un.org/av/radio/portuguese/realfile/5484.asp

(http://www.un.org/radio/por/detail/5484.html)

(Envolverde/Rádio ONU)

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU

Publicado pela Envolverde em 07/03/08
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Cidades apagam as luzes para alertar sobre mudanças do clima

Desligue as luzes por uma hora e ajude a chamar a atenção do mundo para as mudanças climáticas

No dia 29 de março, quem se importa com o planeta vai desligar as luzes por uma hora, das 20h às 21h. A iniciativa chama-se Earth Hour e é uma idéia do WWF-Austrália, que já realiza este movimento desde o ano passado.

O objetivo da ação é aumentar a consciência sobre mudanças climáticas e demonstrar como indivíduos, trabalhando juntos, podem fazer a diferença na luta contra este tema global. Oficialmente, a Rede WWF está apoiando o Earth Hour em mais de 20 cidades e cinco países da Rede.

Essas cidades já se juntaram: Atlanta, São Francisco, Fênix, Chicago )EUA) Bangcoc (Tailândia), Ottawa, Vancouver, Montreal, Toronto (Canadá), Dublin, (Reino Unido), Sydney, Perth, Melbourne, Canberra, Brisbane, Adelaide (Austrália), Copenhagen, Aarhus, Aalborg, Odense, Manila (Filipinas), Suva (Fiji), Tel Aviv (Israel) e Christchurch (Nova Zelândia).

Quem quiser assinar o compromisso de apagar as luzes em nome do combate às mudanças climáticas, pode clicar no link http://www.earthhour.org/sign-up.


(Envolverde/WWF)

Publicado pela Envolverdem em 10/03/08

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Prêmio Nike premia torpedos de celular do Brasil

ONG brasileira que envia informação a jovens por meio de mensagens de telefone móvel é um dos ganhadores de concurso internacional

O projeto brasileiro 0800 Rede Jovem, que oferece informação de utilidade pública a jovens via torpedo de celular, foi um dos três vencedores de um concurso internacional promovido pela fabricante de artigos esportivos Nike, em parceria com a organização não-governamental Ashoka/Changemakers. A premiação, cujo objetivo era identificar ações inovadoras que usem o esporte como instrumento de mudança social, dará US$ 5 mil a cada ganhador. A ONG brasileira planeja aplicar o recurso no aperfeiçoamento de seu site e na criação de um serviço de boletim noticioso, para ampliar o número de pessoas atendidas.

Numa primeira etapa, 381 iniciativas de 69 países haviam se inscrito no concurso, chamado Todo Mundo pode Mudar o Mundo: Esporte para um Mundo Melhor. Submetidos a um júri de seis pessoas ligadas às áreas social e esportiva — entre elas o presidente da Nike, Mark Parker, o ala do Chicago Bulls Luol Deng e o presidente do Barcelona, Joan Laporta —, 16 projetos foram selecionados para a final. A escolha dos três vencedores foi feita por meio de voto popular, no site do concurso.

Dois projetos brasileiros — além do 0800 Rede Jovem, o Programa Vencer — estavam entre os finalistas. Os outros dois trabalhos vencedores foram o Grassroot Soccer: Usando o poder do futebol na luta contra a Aids, da África do Sul, e o Sports4Kids: Levando o jogo de volta à área de lazer das escolas, dos Estados Unidos.

O 0800 Rede Jovem não tem enfoque voltado exclusivamente ao esporte. Sua principal meta é ampliar as oportunidades para a juventude de baixa renda, oferecendo informações sobre trabalho, educação, esporte e serviços públicos, todo dia útil, por meio de mensagens de texto via celular, conhecidas como torpedos. "Nosso projeto era o único entre os finalistas que não realiza uma atividade esportiva direta, mas apresenta uma abordagem inovadora a respeito do esporte, aliado a outras questões que fortalecem a juventude", afirma a coordenadora do projeto, Alice Gismonti.

A ONG faz parcerias com organizações das cinco favelas em que atua. Por meio de jovens dessas comunidades, elas pesquisam oportunidades esportivas e culturais gratuitas, além de vagas de trabalho. As informações são sintetizadas e enviadas por celular. O ponto de partida do projeto é que uma boa parte das pessoas nessa faixa de idade desconhece serviços disponíveis próximos de onde moram. Como parte dos jovens tem celular (geralmente pré-pago), usou-se a tecnologia para tentar promover inclusão social.

Hoje, a iniciativa beneficia 500 jovens de 17 a 24 anos, do Complexo do Alemão e do Complexo do Maré (Rio de Janeiro), de Madureira (Rio de Janeiro), Val Paraíso (Santo André, em São Paulo) e Primeiro de Maio (Vila Velha, Espírito Santo).

Ampliação
"O recurso do prêmio vai nos ajudar, de certa forma, a ampliar o número de jovens que vão receber essas oportunidades, mas por e-mail. Com a visibilidade, no entanto, nós vamos procurar aumentar a quantidade de jovens que recebem por celular também", diz Alice. "O nosso planejamento para 2008 é encontrar parceiros que nos ajudem a elevar esse número para 2.000 jovens."

Embora o esporte seja apenas uma das abordagens da ação, a ONG possibilitou que 23% dos participantes se inscrevessem em alguma modalidade esportiva, de acordo com pesquisa realizada pela entidade em setembro.

Agora, o 0800 Rede Jovem estuda criar um serviço de envio de torpedos só sobre atividades esportivas. Essa ação, contudo, depende ainda da chegada de novos apoiadores. "Acredito que a visibilidade oferecida por esse prêmio vai nos trazer muitos parceiros estratégicos e possivelmente financiadores para a gente aumentar o alcance de nosso trabalho", completa Alice.
O PNUD é parceiro da Nike na Rede Esporte pela Mudança Social — iniciativa que tem a participação de 23 entidades no Brasil, além de atletas e ex-atletas profissionais — e apoiou a divulgação do prêmio Todo Mundo pode Mudar o Mundo.

Leia a descrição do 0800 Rede Jovem no site da premiação: http://www.changemakers.net/en-us/node/3438

(Envolverde/Pnud)

Osmar Soares de Campos, do Pnud

Publicado pela Envolverde em 07/03/08
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6ª Edição do Prêmio Senai de Reportagem

Prêmio de R$ 20 mil para reportagem sobre educação profissional

Estão abertas até o dia 30 de abril as inscrições para a 6ª edição do Prêmio SENAI de Reportagem, realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). A indústria brasileira premiará as melhores reportagens sobre educação profissional e tecnológica.

Podem ser inscritas reportagens publicadas no período de 1º de janeiro de 2007 a 15 de fevereiro de 2008. O primeiro colocado de cada categoria, com exceção da Especial Universitário, receberá R$ 15 mil; o segundo colocado, R$7 mil; e o vencedor do 6º Prêmio SENAI de Reportagem receberá R$ 20mil. O prêmio é dividido em seis categorias: Jornalismo Impresso, Radiojornalismo, Fotojornalismo, Telejornalismo, Internet e Especial Universitário.

A novidade desta edição é a inclusão do tema Inovação Tecnológica para a Indústria, em homenagem aos 70 anos da Confederação Nacional da Indústria (CNI). As reportagens deverão focar a inovação como melhoria para o desenvolvimento de novos processos e produtos, contribuindo para o aumento da competitividade da indústria e do país. Nessa categoria, podem ser inscritas somente reportagens de veículos impressos.

Na categoria Especial Universitário podem ser inscritas reportagens de alunos do curso de Jornalismo a partir do 5º semestre. O vencedor ganhará viagem e hospedagem para visitar um Centro de Tecnologia do SENAI e mais R$ 2 mil para transporte e alimentação.

O material deve ser enviado juntamente com a ficha de inscrição para a Unidade de Comunicação Social do Sistema Indústria (Unicom), no Setor Bancário Norte, quadra 1, bloco C, 14º andar – Edifício Roberto Simonsen – CEP 70.040-903.

O regulamento e mais informações sobre o prêmio podem ser conferidos no site http://www.senai.br/reportagem ou pelos telefones: (61)3317-9562/ 3317-9912.



Publicado pelo Pauta Social em 07/03/08

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domingo, 9 de março de 2008

Publicidade online cresce 25% em 2007 e atinge receita de US$ 21,1 bilhões

Análise indica receita anual recorde potencializa por cifra no quatro trimestre, período de crescimento recorde

A receita da publicidade online durante 2007 atingiu 21 bilhões de dólares, aumento de 25% em relação aos 16,9 bilhões de dólares em 2006, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (25/01) pela Internet Advertising Bureau (IAB) em parceria com a consultoria PricewaterhouseCoopers.

O setor foi beneficiado pelo último trimestre de 2007, quando foram movimentados 5,9 bilhões de dólares, maior cifra já registrada pela entidade na história do mercado e aumento de 24% em comparação ao mesmo período de 2006.

Segundo o grupo, todos os trimestres do ano recentemente fechado registraram níveis recordes de faturamento.

"Não existe meio tão mensurável como o interativo, que oferece produtos e serviços no momento preciso em que o consumidor deseja. A mídia interativa continua seu crescimento inigualável", afirmou Randall Rothenberg, presidente e CEO da IAB.

Os resultados divulgados pela nesta segunda são compilações de dados dos 15 maiores vendedores de anúncios online no mercado publicitário mundial.


Publicado pelo IDG Now! em 25/02/08
Atualizada em 03/03/08

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Portais perdem participação em publicidade online, revela agência

Avenue ARazorfish mostra que anunciantes deixaram de priorizar portais e que consumidor é influenciado por blogs e fóruns

Pela primeira vez em quatro anos, os portais perderam participação no
mercado de anúncios online. Esta é uma das constatações do relatório Digital Outlook, divulgado nesta terça-feira (26/02), pela agência Avenue ARazorfish.

Em 2007, 19% dos gastos de mídia da Avenue A foram direcionados a portais - em 2006, o segmento representou 24% dos investimentos da agência em publicidade digital -, 11% a redes de anúncios, 31% a mecanismos de busca e 39% a domínios verticais.

A causa dessa mudança é o crescimento das opções de destino para os anúncios. Em 2006, a Avenue A distribuiu seus gastos em 863 sites e, no passado, esse número mais do que dobrou, atingindo 1.832 sites.

No ano passado, o faturamento da agência de marketing digital, que foi comprada no ano passado pela Microsoft por US$ 6 bilhões, somou 735 milhões de dólares, o que representa crescimento de 36% em relação a 2006.

O Digital Outlook selecionou algumas tendências que devem ser observadas em 2008. As principais são: o impacto de uma recessão dos anúncios online nos Estados Unidos; a nova definição das medidas de avaliação da mídia online; a diminuição de aquisições de redes de anúncios; a explosão da mobilidade – mas não dos anúncios em aparelhos móveis; a revelação da Nokia como player fundamental na indústria de marketing digital; a ausência de padrão para anúncios em vídeo e o impacto da internet nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

O relatório também mostra que os consumidores estão agindo cada vez menos de forma automática. Não existe mais a seqüência marca, promoção e vendas. Em vez disso, eles “petiscam” conteúdos digitais exibidos em inúmeros tipos de dispositivos eletrônicos, trocam informações e opiniões sobre produtos, empresas e marcas. Ou seja, eles são muito mais influenciados pelo que o público expressa em blogs, fóruns e vídeos do YouTube, por exemplo, do que por campanhas publicitárias.

Publicada pelo IDG Now! em 26/02/08

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sábado, 8 de março de 2008

Blogs: 9 ferramentas e serviços essenciais para criar e sofisticar o seu

De ferramentas de publicação a serviços de medição de acesso, junto a licenças de conteúdo e sistemas de busca, confira sites essenciais

Não há mais espaços para estereótipos: a grande mídia vai ter de se adaptar a milhões de vozes que publicam conteúdo online, enquanto os blogueiros devem saber que não vão enterrar a mídia já estabelecida.

Nesta conjuração entre o novo e o tradicional, nada como entender as principais ferramentas e serviços disponíveis online para correr atrás de notícias, comentar assuntos aleatórios ou registrar o que acontece no seu cotidiano.

Tal qual os 13 serviços brasileiros indispensáveis para o usuário, o IDG Now! juntou nove nomes, entre ferramentas de blogs, ferramentas de medição e até mesmo métodos de licenciamento, que não devem ser ignorados na hora de montar seu próprio blog.

A lista é um bom apanhado para que usuários iniciantes tenham um direcionamento mínimo para escolherem a melhor plataforma de publicação, junto a serviços complementares para melhor gerenciamento e acréscimo de funções básicas no blog.

O resto é contigo. Confira a lista.


WordPress
É difícil apontar hoje uma ferramenta de blogs melhor que o Wordpress, criado pela pequena Automattic e responsável por roubar usuários e atenção do Blogger, do gigante Google.

Some uma plataforma em código aberto altamente customizável com uma biblioteca de temas e plug-ins gigantesca criada e organizada pela comunidade e um competidor há muito completamente estagnado e você tem uma migração em massa para o WordPress.

A facilidade de gerenciamento de textos, a riqueza de edição de posts, a facilidade com que plug-ins são instalados e o número de ferramentas ignoradas pelo Blogger (a nuvem de tags é a principal delas) fazem do WordPress o serviço realmente indispensável para quem pensa em começar um blog ou facilitar o gerenciamento do seu.

Ao adotar o WordPress, abra os olhos para dois plug-ins essenciais: o Akismet, já integrado ao serviço, que filtra comentários spams, e o WP-Cache, que ajuda a manter seu blog no ar no caso de avalanches de acesso.


Blogger
O Blogger montou sua dominação entre blogs num mercado praticamente abandonado por outras opções - de 1999 a 2003, a ferramenta de blogs da Pyra Labs, comprada pelo Google em 2003, reinou soberana.

Quando surgiu, é inegável que o Blogger fosse a ferramenta mais ampla e customizável em um mercado onde blogs ainda se restringiam a entusiastas que começavam a quebrar a visão do blog como diário virtual.

A compra do Google deu ao Blogger uma ótima interação com a plataforma de publicidade AdSense, assim como com vídeos do YouTube e Google Video - por mais que as obras do primeiro tenham também ótima interação com plataformas externas, como WordPress e LiveJournal.

A pressão do WordPress fez com que o Google voltasse a investir pesado na sua plataforma de blogs, o que vem diminuindo a superioridade técnica do concorrente.



Technorati
O que os milhões de blogueiros estão dizendo neste exato instante? O Technorati rastreia posts, vídeos e imagens publicadas na blogosfera para tentar indicar as direções de um sistema altamente dinâmico e nem um pouco previsível.

Ao indexar os posts e agregá-los conforme assuntos, o Technorati se transforma em uma espécie de janela da blogosfera, onde se descobre os assuntos em voga nos blogs.

O Technorati é também essencial para que você meça a popularidade pela melhor métrica online: o número de links que apontam para seu blog. Pelos critérios do Technorati, cada blog ganha uma Autoridade correspondente ao número de links provenientes de blogs diferentes nos últimos seis meses.


Google Analytics
Não só de links se faz uma medição de audiência de blogs. Entre as ferramentas que indicam como e quantas pessoas chegaram ao seu blog e quanto tempo elas navegaram visitantes, o Google Analytics dá um banho em qualquer concorrente.

Além de não sujar seu blog com propagandas indesejadas (cuidado com estes, como o WebStatus, por exemplo), o serviço, facilmente instalado em blogs hospedados em servidores próprios, demonstra visitantes, páginas vistas, localização, palavras chaves usadas em buscadores e referências, além de cruzar diferentes métricas e oferecer relatórios que podem ser baixados em planilhas.


BlogBlogs
Em poucas palavras, o BlogBlogs se baseia na funcionalidade do Technorati para mapear a blogosfera brasileira e indicar tantos os endereços mais populares como os assuntos em discussão no momento.

Mais que simplesmente indexar, porém, o BlogBlogs começa a tomar o caminho agregar muitos tipos de conteúdo a respeito de um mesmo tempo, mimetizando o que o TechMeme faz com a blogosfera norte-americana.

Ótimo exemplo da funcionalidade acompanhou jornalistas e blogueiros durante a Campus Party Brasil 2008, quando o LiveStream se tornou a principal fonte de informação do evento de internet realizado no prédio da Bienal.


FeedBurner
O que blogueiros experientes já sabem, mas é necessário que os iniciantes entendam é que restringir o próprio feed RSS em nome de alguns cliques no blog não passa de uma grande bobagem.

Com o feed liberado, é preciso confiar num serviço que dê mais que simplesmente o número de assinantes. É aí que entra o FeedBurner, ainda melhor depois que o Google o comprou em junho, liberando seus serviços Pro para todos os usuários.

Além de acompanhar a popularidade do seu feed pelo número de visitantes e plataforma usada pelos leitores, o FeedBurner indica os posts mais lidos, cria sistemas de entrega de posts por e-mail e integra campanhas de publicidade na reproduções de textos em RSS.


Sphere
Assim como você vai tecer suas considerações, acrescentar novidades ou apenas replicar notícias, saiba que são milhões de pessoas, blogueiros ou jornalistas profissionais, escrevendo e dando opiniões sobre o mesmo assunto.

O Sphere aposta nesta integração entre milhares de outros blogs com um ícone colocado no final de cada post que, clicado, traz uma relação de posts, notícias e reportagens sobre o mesmo assunto.

Ao invés de se perder pela overdose de conteúdo indexado pelo Technorati, o leitor consegue ter acesso a conteúdos similares, determinados pelo algoritmo do serviço, sem abrir uma nova aba do navegador.


Google Translate

Nem todos os leitores que chegarão ao seu blog falam português - algumas das buscas por nomes próprios em serviços como Google e Yahoo podem trazer usuários de outros países para seu blog.

Por que não oferecer uma ferramenta na coluna lateral que faça a tradução automática pelo Google Translate, melhor serviço do tipo na internet atualmente?

Integrado ao blog por um simples código, o gadget do Google Translate, formatado para português, faz a tradução apenas para o inglês. A partir do inglês, o serviço faz a tradução para até 13 línguas.


Creative Commons
Produzir conteúdo online, seja você um conglomerado de mídia ou um blogueiro iniciante, implica em possíveis citações e uso de conteúdo que passam por supostas regras de proteção aos direitos autorais.

Já ouviu falar do Creative Commons, não? Por mais que não seja um serviço, o entendimento do sistema de licenças é essencial para proteger os aspectos que você acha mais importantes no conteúdo que produz.

A terceira versão das licenças do Creative Commons traz seis variações, escolhidas pelo usuário conforme seu gosto, que vão desde a simples atribuição de trabalho à restrição de material derivado ao bloqueio da comercialização de conteúdos.


Por Guilherme FelittiPublicado pelo IDG Now! em 20/02/08
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sexta-feira, 7 de março de 2008

“Todo cidadão é um rei”

O ministro Gilberto Gil lançou na tarde desta quinta-feira, dia 6 de março, o Observatório dos Editais, programa que vai estruturar e sistematizar as seleções públicas do Ministério da Cultura para ampliar e qualificar o acesso dos cidadãos brasileiros ao apoio do governo. O programa nasce de resultados concretos já obtidos pela Pasta que, nos últimos cinco anos, conseguiu aumentar em nove vezes o uso de editais públicos em suas políticas de fomento à Cultura.

O Observatório dos Editais será uma instância colegiada, de regulação e monitoramento dos editais e da seleção dos projetos, formada por representantes do Sistema MinC, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, dos Fóruns de Secretários Estaduais e Municipais de Cultura e de empresas públicas e privadas.

“Se nesses cinco anos de gestão eu não tivesse feito nada, essa nossa política de republicanização dos gastos públicos já justificaria minha presença no governo. Este é um legado que deixamos aos ministros que virão”, disse o ministro Gilberto Gil, depois do anúncio de dados sobre os impactos de sua gestão na democratização dos recursos públicos. Desde 2003, a cada ano, o MinC tem aumentado em 75% o uso de seleções públicas em suas políticas de apoio à cultura.

“Com a seleção pública trazemos melhores critérios para contemplar o todo. O gestor público deixa de agir de forma discricionária e subjetiva para agir a partir de práticas democráticas e republicanas”, disse Gil. Com o uso dos editais, o MinC conseguiu distribuir seus recursos de forma mais equilibrada entre as regiões brasileiras. No ano passado, investiu 7% na região Centro Oeste; 8% no Norte; 15% no Sul; 28% no Nordeste e 43% no Sudeste. Em 2003, praticamente dois terços dos recursos estavam concentrados na região Sudeste ((veja tabela comparativa).

“Estabelecemos critérios claros e objetivos previamente divulgados, comitês de análise especializados, oferecendo iguais chances a todos cidadãos que busquem apoio do governo”, afirmou Alfredo Manevy, secretário de Políticas Culturais, responsável pelo programa no Ministério. Segundo o secretário, com esse mecanismo o MinC conseguiu estimular empresas públicas e privadas a deixarem de orientar seus patrocínios a partir de critérios exclusivamente de mercado, para se alinharem à ótica pública de financiamento.

“Hoje as empresas estatais têm 45% dos seus recursos utilizados via seleção pública. As empresas privadas também já sinalizam mudanças nessa direção. Nos últimos dois anos, aumentaram em 36% o uso de editais em seus patrocínios”, informou Manevy. Ele também falou da prática de gestão descentralizada a partir dos editais. “Conseguimos ampliar parcerias com os governos estaduais e municipais com a realização de seleções públicas comuns. No fim do ano passado, por exemplo, viabilizamos editais conjuntos para a criação de novos 1.200 Pontos de Cultura em todo Brasil”, destacou.

O Secretário de Incentivo e Fomento à Cultura, Roberto Nascimento, também presente no evento, disse que a ampliação do uso de editais via renúncia fiscal já sinaliza mudanças significativas no uso da Lei Rouanet, mesmo antes da sua reforma legislativa. “A adesão das empresas a esse modelo já mostra o quanto avançamos no processo de sensibilização do mundo empresarial. Os critérios de comunicação, baseados principalmente no retorno de público, passaram a dialogar com outros critérios de análise, esse foi um grande avanço”, disse Nascimento. Ele anunciou que, neste ano, o MinC vai criar um Fórum de Investidores Privados para aprimorar essa articulação.

O subchefe-executivo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR), Ottoni Fernandes Júnior, também participou do lançamento do Observatório dos Editais. Para ele, o programa traz a marca de republicanização do governo e acaba com “práticas de favorecimento, de quem indica e quem conhece”, representando um avanço histórico na cultura do financiamento público. Ottoni falou do papel da Secom/PR na disseminação de melhores práticas de patrocínio, mas também da importância de se aprimorar a ação do governo na capacitação dos brasileiros para a elaboração de projetos culturais. “Em breve, lançaremos em parceria com o MinC e o Sebrae um programa de apoio à formação de projetos através das unidades do Sebrae espalhadas por todo país”, informou.

Durante o lançamento, o secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do MinC, Sérgio Mamberti, apresentou os números dos editais desenvolvidos pelo Ministério para segmentos culturais historicamente desassistidos pelo Estado. “Fizemos editais de apoio às culturas populares, aos povos ciganos, às comunidades indígenas, às manifestações de capoeira, às ações culturais voltadas para idosos e às atividades do movimento GLTB, entre outros”, afirmou.

Mamberti falou, ainda, das dificuldades enfrentadas pelo governo para chegar a um modelo de atendimento a esses grupos. “Tivemos que pensar em uma estratégia de comunicação forte, pois tínhamos que alcançar povos indígenas de todo Brasil. Procuramos uma forma menos burocrática de atendimento, fazendo um edital de premiação das ações culturais de povos indígenas, com inscrições via 0800, Internet, projetos e vídeos postados pelo Correio. O resultado foi surpreendente, recebemos 467 propostas e 180 horas de vídeo.”

O ministro encerrou o evento falando do impacto dessa política no fortalecimento do orçamento para a Cultura. “Na medida em que as políticas públicas sejam fator de alinhamento das políticas empresariais, o orçamento da União vai ser multiplicado muitas vezes, vai ser, de fato, o orçamento da cultura do país”, disse. O ministro fez alusão à música de Nelson Rufino e Zé Luis, Todo menino é um rei, e disse que a política de editais públicos faz com que “todo cidadão seja um rei” para o Estado Brasileiro. “Vamos fazer do Observatório dos Editais um pólo irradiador da responsabilidade republicana, fazendo com que todo menino, menina, jovem, velho ou velha sejam reis e, a cidadania, soberana”, ressaltou Gil.

Veja a apresentação na íntegra.

Depois do lançamento do Observatório dos Editais, o ministro participou da cerimônia de lançamento da Política de Patrocínio da Casa da Moeda, que vai formar um banco reserva dos projetos culturais selecionados pelo MinC, mas não classificados, para suas ações de financiamento.

Leia, também, matéria relacionada: Secretário de Políticas Culturais do MinC fala sobre a importância do Observatório dos Editais.



Carol Lobo/Comunicação Social
Publicado pelo
Ministério da Cultura em 07/03/08

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Cinema ganha mais investidores

Nova regra eleva dedução fiscal de dinheiro investido e incentiva aplicação na produção de filmes

Colocar dinheiro em cinema deixou de atrair apenas patrocinadores e começa a chamar a atenção de investidores profissionais. O bom momento do cinema nacional e uma mudança na legislação, que permite maior dedução no imposto do dinheiro aplicado, deram visibilidade para fundos de investimento em cinema.

O que era visto quase como aplicação a fundo perdido, com expectativa de retorno zero, transformou-se em um negócio, que busca títulos de apelo de bilheteria, com potencial de mobilizar recursos e de dar retorno para o investidor.

O patrimônio dos quatro Funcines, os fundos desta categoria registrados na CVM, já soma R$ 32,671 milhões e pelo menos mais dois fundos estão em fase de formação.

Até o momento, os fundos disponíveis são voltados para a pessoa jurídica, mas o crescimento deste segmento resultará em fundos também para pessoa física. Hoje, várias corretoras viabilizam o investimento em cinema para o investidor pessoa física, mas por meio da compra de certificados de investimento, que funcionam como uma cota direta de um determinado filme.

Criados em 2001 pela Ancine (Agência Nacional do Cinema) para estimular o investimento na cadeia do audiovisual, o investimento funciona como aplicações incentivadas. As empresas podem ter uma dedução fiscal correspondente a 100% do valor aplicado até o limite de 3% do Imposto de Renda a pagar. Para pessoa física, o percentual sobe para 6%.

“Antes da nova lei, o total que podia ser restituído era de 68% do dinheiro aplicado. Hoje, a empresa aplica no Funcine, recebe a restituição total destes recursos e ainda leva uma cota do fundo de igual valor, que pode se valorizar”, diz o presidente da Ancine, Manoel Rangel.

O RB Cinema 1, da Rio Bravo, é um dos precursores desse tipo de aplicação. Antes de criar o fundo, a Rio Bravo investiu em filmes como “Olga” e “Carandiru”. Hoje, o fundo investe em títulos como “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”, de Cao Hamburger, que foi selecionado para participar do Festival de Cinema de Berlim, “Sexo com Amor?”, de Wolf Maya, que está em cartaz e “Xuxa em Sonho de Menina”.

Não há receita para descobrir os filmes que vão cair no gosto do público. Segundo Gustavo Catão, analista de investimentos da Rio Bravo, a seleção leva em conta roteiro, elenco e diretor, entre outros fatores. A bilheteria é só uma das formas de se ganhar dinheiro. Os gestores negociam também vendas de DVDs, exibição na TV e no exterior. “Historicamente os filmes no Brasil não se pagam no cinema, precisam de outras janelas de exibição também.”

Alguns fundos estão em fase de captação de recursos. O mercado é pequeno, e o BNDES entra como um dos cotistas. O orçamento do banco para o setor é de R$ 25 milhões.

“Se tivermos bons projetos, ainda podemos ampliar”, diz Luciane Gorgulho, chefe do departamento de Economia da Cultura do BNDES. O banco investiu em dois fundos. Segundo a Folha apurou, pedidos de dois fundos são analisados e outros três fizeram consultas.

De acordo com Bruno Wainer, da Downtown Filmes, os fundos são voltados para o cinema que busca resultado. “A natureza deste fundo é profissionalizar a relação entre investidores e a produção cinematográfica. É uma equação que só dá certo se o filme der retorno”, disse. No final do ano passado foi lançado o Funcine Lacan-Downtown Filmes, uma parceria com a distribuidora.
“A idéia é permitir que uma distribuidora nacional possa concorrer com as internacionais com o melhor do cinema produzido no país.” Wainer é o distribuidor de “Meu Nome Não é Johnny”, um dos maiores sucessos recentes nas telas.

Os fundos podem aplicar em outros segmentos da cadeia cinematográfica. Sidney Chameh, da DGF Investimentos, elabora um fundo com foco na locação de equipamentos. “Vamos investir na cadeia produtiva do cinema, em produtora, estúdio e equipamentos.”

Para Luiz Fernando Castello Branco, do Banco Fator, que tem um Funcine em fase de captação, há espaço para investimento em novas salas de cinema. “Apesar de ter crescido o número de salas, há espaço em cidades de médio porte.”

O modelo brasileiro tem semelhanças com o Soficas, fundo francês em cinema, no qual a aplicação é restituída. Segundo Thierry Perrone, que acompanhou o renascimento da indústria francesa, a aplicação deve chegar ao investidor pessoa física no Brasil. “O grande mercado é a classe média, mas para isso os fundos precisam emitir cotas com valor menor.”


Marcelo Lucena/Comunicação Social
Publicado pelo
Ministério da Cultura em 25/02/08

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Você sabe qual a sua colocação no ranking dos mais ricos do mundo?

Todos os anos você dá aquela espiadinha na lista dos mais ricos do mundo e nada de seu nome ali. Chegou a sua hora de saber qual a sua posição no ranking, clique aqui e surpreenda-se.

Dica do Marcelo Kertesz do UoD

Daniel Chagas Martins
Publicado na Área 3 do Update or Die em 06/03/08

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"Para Mim os Animais Importam"

Recebi agora uma corrente para divulgar a campanha Para Mim os Animais Importam, apoiando a Declaração Universal do Bem-Estar Animal (DUBEA), um acordo entre pessoas e nações reconhecendo que os animais são passíveis de sentir dor, de sofrer, e que suas necessidades de bem-estar devem ser respeitadas, acabando com todo tipo de ato cruel que possa existir contra eles.

O Presidente da Costa Rica, Oscar Arias, prêmio Nobel da Paz em 1987, foi o signatário de número um milhão, ato efetuado em uma celebração que ocorreu dia 5 de março.

A intenção é alcançar 2 milhões de assinaturas em 2008 e, assim, chamar a atenção para que governos nacionais façam o mesmo e dêem seu apoio oficial à Declaração Universal.

O foco no Brasil é atingir o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Sr. Reinhold Stephanes, fazendo com que os animais importem para ele.

É importante ressaltar que mais do que recolher uma assinatura, esse tipo de iniciativa busca fazer com que as pessoas assumam compromissos pessoais de melhorar o bem-estar animal em suas próprias vidas.


Larissa Teixeira
Publicado na Área 3 do Update or Die em 07/03/08

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Financimento de empreendimentos que apostem em bens e serviços para pessoas que vivem com menos de U$ 4 por dia

Enfoques de medição baseados no mercado
Os enfoques baseados no mercado, que podem fornecer, de maneira sustentável, os bens e serviços depois que o dinheiro dos doadores tiver acabado, deve ser uma parte da solução para o problema da pobreza. No entanto, a construção de novos modelos que forneçam esses bens e serviços a preços acessíveis, tendo em vista os altos custos das transações, os sistemas de distribuição fracos, os clientes dispersos, as opções limitadas de financiamento e, muitas vezes, a corrupção, requer soluções imaginativas de negócios e parcerias apoiadas por investidores que queiram assumir riscos que os financiadores tradicionais não assumiriam.

O Acumen Fund está preparado para assumir esses riscos. Seu objetivo é transformar o paradigma do desenvolvimento de um enfoque top-down para um enfoque que reconheça o valor das pessoas de baixa renda como clientes que querem tomar decisões ativas para melhorar suas vidas. Nosso objetivo é construir organizações sustentáveis financeiramente e com capacidade de crescimento, que forneçam bens e serviços críticos que sejam acessíveis às 4 bilhões de pessoas que vivem com menos de 4 dólares por dia, a base da pirâmide.

Nossos principal meio é o investimento, geralmente em torno de um milhão de dólares, em empresas (com ou sem fins lucrativos) nos setores de saúde, água, habitação e energia. Procuramos organizações com alguns anos de operação e com um modelo de negócios com receitas reais e ambição de crescimento.

Nós também investimos conhecimento e talento, buscando construir, através de nosso programa de Fellows, uma rede de pessoas dedicadas a servir aos pobres no mundo em desenvolvimento que têm as capacitações profissionais, operacionais e de negócios para efetuar a mudança.

Medindo o que realizamos
Nós avaliamos nossos investimentos com base em quatro critérios:

Sustentabilidade financeira
As empresas que financiamos têm boa saúde financeira? Elas poderão retornar nosso capital? Eles têm sido capazes de entrar nos mercados de capitais comerciais?

Impacto social
Quantas vidas foram afetadas por nossos investimentos e como elas foram afetadas (por exemplo, o número de fazendeiros que usam o sistema de irrigação por gotejamento e o grau de aumento de produtividade que obtiveram)? Nós fazemos parcerias oportunas com organizações de pesquisa de nível mundial para conduzir pesquisas profundas para entender melhor o impacto social de investimentos selecionados.

Escala
Que progresso foi feito no sentido do crescimento da organização e como esse crescimento está ajudando a tratar o problema?

Eficácia de custos
Outra organização pode fornecer o mesmo produto ou serviço com menos custo? Para determinar isso, desenvolvemos o método Best Available Charitable Option (BACO). Comparando cada um de nossos investimentos com opções de caridade reais ou hipotéticas, nós começamos a quantificar como nosso impacto social, para cada dólar investido, se compara com o impacto social de outras opções filantrópicas. Apesar de ter limitações, esse cálculo permite a compreensão do custo de oportunidade de nosso capital filantrópico e permite decisões de investimento informadas que alcançam o maior impacto social.

Nós esperamos medições financeiras, operacionais e de impacto social de cada empresa a cada trimestre. Nós, então, completamos nossa estrutura de avaliação com uma Avaliação de Capacidade feita por nossa equipe de portfolio e que dá uma visão qualitativa mais ampla da saúde da equipe de administração, de seus sistemas organizacionais, sua adequação à missão do Acumen Fund e seu potencial para sustentabilidade financeira e crescimento.

Com o apoio do Google, construímos uma ferramenta baseada na Web para compartilhar dados confiáveis e atualizados de desempenho do portfolio entre nossos escritórios internacionais. Nós podemos analisar esses dados para identificar princípios e para explorar e comunicar idéias sobre como levar o mercado à base da pirâmide.

Nós aplicamos o mesmo enfoque de métricas para gerenciar nosso desempenho operacional. O desempenho do Acumen Fund é o mais eficiente possível? Estamos acompanhando nosso desempenho com cuidado e planejando nosso crescimento de acordo? Usamos uma planilha equilibrada para acompanhar nossa eficiência operacional e nosso progresso em direção a nossos objetivos de investimentos, conhecimentos e talentos.


Desafios?
Avaliar investimentos sociais é difícil. Como podemos quantificar os benefícios sociais intangíveis como uma melhor saúde ou mais dignidade. Como podemos chegar a uma métrica padrão que meça o sucesso de um investimento social e permita que comparemos investimentos? Como podemos fazer isso de forma econômica? No final, a medida de nosso sucesso será a existência de outras organizações e empreendedores replicando nossos modelos para melhor servir ao mundo pobre e um aumento no fluxo de investimentos para enfoques de combate à pobreza baseados no mercado.

Para obter mais informações: http://www.acumenfund.org/.


Raman Nanda é Diretor de Gestão de Portfolio do Acumen Fund.
E- mail: rnanda@acumenfund.org.


Raman Nanda
Publicado pela Alliance Brasil em 20/02/08

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quinta-feira, 6 de março de 2008

Congresso Gife - Inscrições com desconto até o dia 10/03



Estão abertas as inscrições para o 5º Congresso GIFE sobre Investimento Social Privado, de 2 a 4 de abril, em Salvador (BA), no Pestana Bahia Hotel.

Evento vai dialogar sobre novos arranjos do Investimento Social Privado, construção de políticas públicas nacionais, alianças intersetoriais, construção de indicadores e intercâmbio de soluções para atuação em escala mundial.

Com o tema Experiências Locais, Transformações Globais, estarão em pauta durante o evento as complexidades dos novos arranjos do Investimento Social Privado, sua legitimidade e sustentabilidade, e as possibilidades de ações supranacionais.

O tema reflete o momento em que o Brasil passa, ao assumir um papel de articulador e propositor no campo do investimento social privado. “Temos a oportunidade de dialogar de igual para igual com experiências de investimento social privado e filantropia de qualquer outra parte do mundo, seja no hemisfério sul ou norte, sejam em países desenvolvidos ou em desenvolvimento”, afirma o secretário-geral do GIFE, Fernando Rossetti.

O 5º Congresso GIFE sobre ISP representa um espaço privilegiado de relacionamento e intercâmbio entre os atores nacionais e internacionais mais relevantes para a transformação social, motivando a troca de experiências e o debate de soluções para os desafios sociais e ambientais, antes restritos aos países menos desenvolvidos.

O conteúdo será dividido em duas grandes conferências, realizadas nas manhãs dos dias 3 e 4 de abril, quando serão oferecidos diagnósticos sobre situação do ISP no Brasil e no mundo, respectivamente. No período da tarde, esses temas serão aprofundados em mesas de debates temáticos simultâneos.

Com foco no diálogo, a programação do 5° Congresso GIFE também busca novas maneiras de organizar os espaços, horários e conteúdos. No lugar dos stands tradicionais das mostras do terceiro setor, haverá uma variedade de áreas de convivência, onde os patrocinadores oferecerão espaços temáticos e infra-estrutura para conversas informais ou formais, para duas, algumas ou muitas pessoas. Os intervalos serão de 30 minutos e o almoço, de duas horas, com diversas atividades paralelas ocorrendo nesses períodos (apresentação de cases, encontros temáticos, articulações de redes).

As mesas da programação principal buscarão debater os temas propostos, sem deter-se em cases -- que terão outros espaços e momentos para serem apresentados e discutidos. “O rico num Congresso do GIFE é que muitos da platéia poderiam também estar palestrando. A idéia é estimular mais interação entre os palestrantes e deles com o público, como num talk show”, diz
Rossetti.

O evento reunirá cerca de 600 lideranças nacionais e internacionais ligadas a governos, empresas e organizações da sociedade civil, além de consultores, imprensa, universidades e centros de estudo e pesquisa.

O processo de inscrição é eletrônico e exclusivamente por meio deste site, no link “Inscreva-se”. Há preços diferenciados para cada categoria de público.

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Investimento social em tempos de sustentabilidade

No final da década de 1990, e início dos anos 2000, era comum tratar a Responsabilidade Social Empresarial (RSE) como sinônimo de filantropia. Afinal, o debate sobre o tema mal se iniciara, os conceitos ainda não estavam bem delimitados e as empresas começaram a ver no núcleo “social” do novo termo o guarda-chuva ideal para abrigar os seus projetos e ações voltados para as comunidades.

No esforço de mostrar que a noção de RSE era mais ampla, e que a filantropia representava uma parte e não o todo, os porta-vozes do novo movimento passaram a dar —até involuntariamente –menos destaque, em seus discursos, ao investimento social nas comunidades. Para alguns, uma maneira de reduzir sua importância relativa foi associá-lo a práticas assistencialistas, pouco transformadoras e de baixo impacto. O fato é que ele nunca deixou de existir. Pelo contrário, até cresceu, ganhou novas formas e alinhou-se com os preceitos de uma nova visão empresarial orientada para a sustentabilidade. Cresceu,vale frisar, mesmo em terreno árido –não há aqui, como nos EUA, condições tão favoráveis do ponto de vista de benefícios fiscais para a doação de recursos seja de indivíduos seja de pessoas jurídicas

Antes, o investimento social privado sintetizava o compromisso socialmente responsável de uma corporação. Era a sua base. Hoje, é apenas a comissão de frente, um braço institucional que reforça o quanto uma empresa se preocupa com o desenvolvimento de sua comunidade. As corporações mais avançadas em RSE já não têm mais dúvida de que os negócios como um todo geram mais impactos sociais e ambientais – o que explica a ascensão de um novo jeito de conduzi-los -- do que este ou aquele projeto social isoladamente, quase sempre restrito pela limitação da área de influência, recursos financeiros e escala. Ao mesmo tempo, elas sabem também que, ao fazerem um trabalho pertinente, suas fundações, institutos ou programas conferem alguma materialidade e legitimam o discurso da sustentabilidade para públicos de interesse e toda a sociedade.

Bons tempos estes em que as sinergias parecem prevalecer sobre os conflitos. E que os debates avançam, em benefício da sociedade, para além de discussões conceituais ou ideológicas que, muitas vezes, escondem questões menores de demarcação de territórios institucionais. Toda a sociedade ganha com os bons resultados do trabalho de uma fundação, de um instituto ou de um projeto social de empresa, a despeito da intenção com que tenham sido criados – se por convicção ou conveniência. Toda a sociedade ganha quando uma empresa muda suas práticas, modelos e estratégias de negócio visando tornar-se mais sustentável, independentemente da tese, idéia ou escola de pensamento que tenham exercido influência sobre esta decisão.

Uma análise da evolução da filantropia empresarial no Brasil revela dois saltos importantes de qualidade. O primeiro ocorreu na transição do conceito puramente filantrópico para o de investimento social privado. E não foi só uma mudança de nome, como sugerem alguns. Em comum entre os dois modelos, sempre houve o impulso de destinar recursos financeiros para causas sociais de interesse público. As importantes diferenças, no entanto, estão no modo de fazê-lo. Enquanto o agir filantrópico caracterizava-se pelo desprendimento de uma doação feita a partir de processos simples, fundamentados na boa vontade de um indivíduo mas sem uma noção clara de impactos e resultados, o do investimento social privado incorporou princípios empresariais de planejamento, definição de estratégias, monitoramento e avaliação.

No primeiro modelo, sem um diagnóstico de necessidades, acabava-se quase sempre por investir recursos aleatoriamente em soluções parciais, menos eficazes, que minimizavam os efeitos sem sequer tangenciar as causas dos problemas. Com a adoção do segundo, as ações passaram a ser produto de uma análise mais aprofundada dos problemas. Tornaram-se mais específicas. Ganharam foco, indicadores, profissionalismo, métodos mais eficientes. O expontaneísmo de outros tempos deu lugar a processos mais efetivos de intervenção, com resultados melhores para o desenvolvimento de comunidades. Não por acaso, algumas das mais importantes experiências no campo da educação, por exemplo, têm sido construídas no grande laboratório do investimento social privado. Muitas delas começam agora a ser reconhecidas por governos e a ganharem a escala que nunca tiveram, servindo de objeto a políticas públicas bem-sucedidas

O outro salto importante se deu, mais recentemente, com a aproximação estratégica entre as empresas e seus institutos e fundações. Ainda que tenham sido criadas e sejam mantidas por empresas, essas organizações sempre foram tratadas como estrutura á parte, mundo diferente e relativamente autônomo, embora nem todas tivessem autonomia plena em suas escolhas estratégicas. Em alguns casos, interpunha-se entre uma e outra parte um muro alto e conveniente. O diálogo era pouco e pontual. Os interesses, tidos como distantes.

Há quem veja nessa aproximação o risco de contaminar a agenda de trabalho das fundações com os interesses socioambientais específicos das empresas. É possível, claro, que isso venha a ocorrer com prejuízo para as atividades, especialmente se os institutos forem tratados como meros reprodutores de uma estratégia que nada tem a ver com sua missão ou competências, criada, sem a sua participação, nos departamentos de marketing das corporações. Mas também é possível que isso aconteça em benefício da ampliação do papel das fundações, do escopo de sua atuação e até dos impactos que ela venha a produzir para a sociedade. Há hoje exemplos interessantes de fundações que, com a ascensão do conceito de RSE, ganharam novo status e passaram a ser parceiras das empresas mantenedoras na construção de políticas de sustentabilidade.

Como se vê as fundações empresariais e as empresas que as criaram têm muito a aprender entre si. E os novos tempos, com os desafios de sustentabilidade, estão aí para oferecer o pretexto adequado.

* Ricardo Voltolini é publisher da revista Idéia Socioambiental e diretor da consultoria Idéia Sustentável. ricardo@ideiasocioambiental.com.br

Por Ricardo Voltolini, da Revista Idéia Socioambiental
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(Envolverde/Idéia Socioambiental)
Publicado pela
Envolverde em 05/03/08
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quarta-feira, 5 de março de 2008

Bolsa-eletrodoméstico

O discurso oficial agora é que o dinheiro do Bolsa-Família aumentaria a demanda por bens duráveis, o que levaria à ampliação de fábricas e ao aumento de empregos. Balela. Mesmo se fosse verdade, o consumo cresceria nas áreas carentes e a produção, nas áreas já afluentes, perpetuando as desigualdades.

Todos são testemunhas de que, quando o Bolsa-Família foi lançado, o objetivo era matar a fome de 54 milhões de brasileiros. Meus leitores são também testemunhas de que, desde o início, venho dizendo que não existem 54 milhões de famintos. Pois bem, uma visita à página do Ministério do Desenvolvimento Social (aqui) vai surpreender. Ali, o governo anuncia que vários estudos comprovam que o Bolsa-Família tem ajudado os beneficiários a comprar eletrodomésticos. Isso mesmo, nada de arroz, feijão e carne, isso tudo que há muito já está na mesa dos pobres brasileiros, como provou a Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE; o que tem sido comprado é geladeira, microondas, máquina de lavar, fogão, liquidificador, forno elétrico, televisão e DVD.

Rosa Maria Marques, da PUC-SP é citada dizendo que, no passado, todo dinheiro extra era usado pelos pobres na compra de alimentos, mas que isso mudou, graças ao efeito multiplicador do Bolsa-Família: "Com o passar do tempo, as famílias ganharam segurança de que vão receber o benefício e, assim, puderam destinar parte de sua renda para a compra a prazo de eletrodomésticos." Rosa cita outros fatores para explicar o crescimento do consumo daqueles bens, como a elevação constante do salário mínimo, a estabilidade monetária , o aumento do número de trabalhadores com carteira assinada e a ampliação do crédito consignado, mas a ênfase do press-release do ministério é a injeção de recursos do Bolsa-Família, R$ 10,9 bi previstos para este ano.

O release cita também Felícia Madeira, do Seade (São Paulo), para quem oscilações no orçamento sempre impediram que famílias pobres fizessem gastos que necessitassem de um horizonte longo, fato remediado agora pelo Bolsa-Família: "Como existe a garantia de que o dinheiro virá, a pessoa se planeja e pode abrir um crediário para comprar um eletrodoméstico ou um equipamento para trabalhar."

O ministério dá exemplos. A catadora de lixo Rosineide dos Santos, 47 anos, de Maceió, com três filhos, recebe R$ 76 do Bolsa-Família, mas declara uma renda total de R$ 200. Com isso, pegou um empréstimo de R$ 500 no Banco do Cidadão, uma instituição que opera com micro-crédito para empreendimentos populares. O release diz que ela já tem fogão, liquidificador, cafeteira e forno elétrico, mas que, assim que saldar a dívida, pretende comprar uma televisão. Ou seja, não usa o Bolsa-Família para se alimentar nem o Banco do Cidadão para um pequeno empreendimento: usa para aumentar a conta de luz. Patrícia Belmira Henrique, de 43, manicure mineira, recebe R$112,00 do Bolsa-Família. O dinheiro, diz o release, ajuda a pagar a máquina de lavar roupa. "Estou feliz, porque é a minha primeira máquina de lavar. Antes, tinha que lavar a roupa na mão. Dava um trabalho enorme."

O release cita ainda o economista Cícero Péricles de Carvalho, da Universidade Federal de Alagoas, para quem o Nordeste está se transformando num cenário de muitos investimentos produtivos. O release prossegue: "A explicação para esse crescimento, além da diminuição das desigualdades regionais, vem sempre da mesma origem: as transferências de renda federal crescentes e os investimentos sociais que impactam sobre a maioria da população nordestina." O texto conclui, orgulhoso, citando o caso de Alagoas, que há 45 meses bate recordes de consumo popular, sem, porém, "ter um crescimento econômico que justifique tamanha elevação de compras". A razão, diz o texto, é clara: os R$ 2 bi que a Previdência dá aos aposentados de lá (o dobro do que dava em 2002) e os R$ 300 milhões do Bolsa-Família distribuídos por ano a mais da metade da população do estado.

Aposentadoria e Bolsa-Família. Há futuro nisso?
O discurso oficial agora é que o dinheiro do Bolsa-Família aumentaria a demanda por bens duráveis, o que levaria à ampliação de fábricas e ao aumento de empregos. Balela. Mesmo se fosse verdade, o consumo cresceria nas áreas carentes e a produção, nas áreas já afluentes, perpetuando as desigualdades. Na realidade, o programa transfere, mas não gera renda: o consumo só aumentaria se a propensão de consumir dos beneficiários do Bolsa-Família fosse maior do que a propensão dos que pagam o imposto que torna o programa possível, o que é improvável. O contribuinte, sem o imposto, gastaria o dinheiro em alguma coisa. Assim, trata-se de uma soma de resultado zero, não havendo aumento de produção. O programa distribui renda? Sim, mas de uma maneira não sustentável: o efeito cessará assim que o programa tiver um fim. Distribuição sustentada de renda só se obtém educando o povo, para que se possa abastecer de gente qualificada uma economia crescente.

Ninguém pode ficar contrariado sabendo que pessoas pobres, na ausência de fome, estão comprando eletrodomésticos. É bom olhar a PNAD, como faz o release, e constatar que entre 2002 e 2006, nas faixas de renda mais baixas, cresceu muito o número de lares que tem esses bens. Mas é angustiante olhar os dados das provas nacionais e internacionais que medem o conhecimento de nossas crianças e constatar que tudo vai de mal a pior. Se não há fome, por que gastar R$10,9 bi com o Bolsa-Família em vez de aplicar a maior parte disso em educação? Para aumentar artificialmente a venda de eletrodomésticos em áreas carentes?

Essa política condenará as crianças de hoje a continuar, como os seus pais, a depender do Bolsa-Família para ter um microondas, enquanto um investimento maciço em educação faria delas seres independentes, produtivos, indispensáveis para chegarmos ao bom futuro.

Ali Kamel
Publicado pel'O Globo em 04/03/08

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sábado, 1 de março de 2008

Por que as empresas de internet querem invadir o seu celular?

Entenda porque empresas como Google, Microsoft e Yahoo estão investindo cada vez mais pesado em internet móvel

..."há três vezes mais celulares que computadores no mundo. Muitas pessoas farão o seu primeiro acesso à internet pelo celular, e não pelo computador”

Esqueça as tradicionais marcas de celulares. Depois da Apple, que roubou a cena com seu iPhone, quem mais se destacou no mercado de mobilidade em 2007 não foi nenhuma grande fabricante de aparelhos ou operadora, mas sim uma empresa de internet: o Google.

A indústria parou para acompanhar o anúncio da plataforma Android, que foi muito além de um único aparelho com a marca Google (o Gphone, que muitos aguardavam), oferecendo um ambiente completo para celulares, que os desenvolvedores poderão povoar com os mais diversos aplicativos.

Mas o Google não está sozinho nesta corrida à mobilidade. Outros gigantes da internet, como Microsoft e Yahoo, vêm anunciando numerosos acordos com operadoras e fabricantes de aparelhos, além de esforços para adaptar seus produtos mais populares ao universo do celular.

O motivo mais evidente é que há três vezes mais celulares que computadores no mundo. “Muitas pessoas farão o seu primeiro acesso à internet pelo celular, e não pelo computador”, opina Leonardo Tristão, diretor de novos negócios do Google. “O futuro da internet é móvel. É a próxima grande fronteira”, concorda Marcos Lopes, diretor de marketing da TIM.


Mesmo com as restrições atuais nos custos de acesso a dados pelo celular – especialmente nos mercados em estágio de desenvolvimento, como o brasileiro –, os usuários de internet móvel já passam de 400 milhões no mundo – um terço dos internautas que navegam pelo PC – e a previsão é de que cheguem próximo à marca de 1 bilhão dentro de três anos, segundo o eMarketer.

Em mercados mais maduros, como o Japão, o número de usuários de internet pelo celular já é superior ao de internautas que navegam pelo desktop. “O mundo é cada vez mais on demand, As pessoas querem utilizar os serviços onde, como e quando têm vontade”, justifica o diretor de novos negócios da Oi, José Luis Volpini.

Para as empresas de internet – como Microsoft, Google e Yahoo! –, trata-se de um novo universo de oportunidades. Segundo previsões do eMarketer, os gastos com anúncios em celulares devem chegar a 13,8 bilhões de dólares em 2011. Deste total, 17% virão de um mercado que estas três companhias vêm disputando ferrenhamente: as buscas.

Dos 982,4 milhões de usuários de internet móvel previstos para 2011, mais de 90% vão utilizar os serviços de busca, fornecendo combustível para um mercado de 2,3 bilhões de dólares em links patrocinados.


E o interesse nas buscas móveis não está apenas no volume, mas também na qualidade. Segundo as empresas de internet, as taxas de clique em links patrocinados são maiores no celular que no PC. “Quando o usuário busca no PC, tem tempo livre para navegar pelas opções e escolher. Já no celular, ele tem que ser objetivo. A idéia é resolver o problema em um único clique”, explica André Izay, diretor geral do Yahoo! Search Marketing.

Outra vantagem dos dispositivos móveis em relação aos PCs é a possibilidade de oferecer resultados de buscas baseados em localização. “Se o usuário faz uma busca por McDonald’s no celular, por exemplo, provavelmente ele não quer informações nutricionais sobre os lanches da cadeia ou o telefone para entrega, mas sim saber onde está a loja mais próxima, o que facilita ao buscador entregar o link mais adequado”, explica Alexandre Fernandes, diretor de produtos e serviços da Vivo.

De olho nestas oportunidades, as empresas de internet costuram parcerias com operadoras e fabricantes de celular para posicionar estrategicamente os seus mecanismos de buscas. No Brasil, o Yahoo fechou acordos para prover motor de buscas para a Claro e a Vivo, replicando alianças globais firmadas com as empresas-mãe das operadoras - América Móvil e Telefónica, respectivamente.

Ter um bom sistema de buscas também é um diferencial para as operadoras. De acordo com Alexandre Olivari, gerente de serviços de valor agregado da área de varejo da Claro, metade das vendas de conteúdos do portal Claro Idéias – que abrange música, vídeos e jogos, entre outros itens – se originam a partir de buscas.

Mas as oportunidades não estão restritas aos buscadores. A TIM, por exemplo, assinou um acordo com o Google, tornando-se a primeira operadora a trazer o popular site de compartilhamentos de vídeo YouTube aos celulares dos brasileiros – embora a busca preferencial também esteja no pacote.

Outros serviços sociais – como as redes de relacionamento – também têm grande potencial de crescimento no celular. A consultoria Pyramid Research prevê que em 2012 os usuários de redes sociais pelo celular cheguem a 950 milhões. No Brasil, um acordo entre o Google e as operadoras Claro, TIM, Brasil Telecom e Telemig já permite que os usuários enviem recados para o Orkut.

Na lista de experiências locais bem sucedidas, outro destaque é a integração do serviço de mensagem instantânea MSN Messenger, da Microsoft, aos celulares. De acordo com Priscyla Alves, gerente de marketing do grupo de serviços online da Microsoft, o serviço que permite enviar mensagens a partir do computador para um celular já tem mais de 2 milhões de usuários cadastrados, mesmo sendo pago.

As operadoras começam a testar também modelos alternativos de publicidade no celular. É o caso da Claro, que fez um projeto piloto com banner gráfico do Fiat Punto no portal móvel Claro Idéias. De acordo com Olivari, o número de cliques registrados pelo celular no período foi o dobro da média que teria um banner veiculado em um site tradicional.

“Alguns modelos vencedores da web podem ser muito bem adaptados ao celular”, observa Rafael Magdalena, gerente de serviços de valor adicionado móvel da Brasil Telecom.

Os dispositivos móveis abrem, contudo, novas portas para outros tipos de publicidade, que vão além dos modelos utilizados em PCs. “Um exemplo é o ‘click to call’, em que o usuário clica em uma publicidade e disca automaticamente para o anunciante. Outro é o “click to download”, em que ele baixa algum conteúdo associado ao anúncio”, explica Izay, do Yahoo.

As empresas do ramo são unânimes em ressaltar, porém, que para explorar bem a publicidade móvel são necessários conhecimento e consentimento do usuário. "É preciso ter clareza de quem é o cliente. E, como em todo marketing direto, o segredo é ter um bom relacionamento", opina Volpini, da Oi.

Outro desafio para as empresas de internet – assim como dos fabricantes de celulares e operadoras – é proporcionar aos usuários uma melhor experiência de web no celular.

A navegação por menus e listas que predomina na maioria dos aparelhos disponíveis no mercado sequer lembra aquilo que entendemos por internet e frustra as expectativas de quem se aventura por ela. “Pesquisas indicam que a cada novo menu apresentado, metade dos usuários desiste de navegar”, relata Tristão, do Google.

A prova de que os usuários estão ansiosos por uma experiência mais rica no celular é o sucesso do navegador Safari, integrado ao iPhone. Lançado no início do ano, o aparelho, que oferece navegação muito similar à do PC, exibindo versões completas dos sites, já conquistou 50% mais usuários que o Windows Mobile – que roda em diversos modelos de smartphones - no acesso à internet pelo celular, segundo a empresa de pesquisas Net Applications.

“A contribuição do iPhone foi mostrar que a usabilidade é fundamental”, afirma Tristão. “Acreditamos que o usuário tem de ter a mesma experiência de internet, independente da plataforma – seja TV, computador ou celular”, ele acrescenta.

Daniela Moreira, do IDG Now!
Publicado pelo
Computerworld em 28/02/08

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