segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Artigo: O bom cidadão corporativo coloca o lucro em primeiro lugar

Vocês não acham que as empresas deviam ser socialmente responsáveis nestes tempos de concorrência difícil? Isso seria uma necessidade ou um luxo?

As empresas devem ser sempre socialmente responsáveis, não importa se nos bons ou nos maus tempos. Isso é ponto pacífico. Contudo, as dificuldades próprias das condições econômicas atuais estão trazendo à tona uma realidade oculta até então — e aqui vai o que pensamos sem meias palavras: a principal responsabilidade de uma empresa é se dar bem. Alguém pode achar essa afirmação politicamente incorreta, mas os fatos são implacáveis. Empresas vencedoras criam empregos, pagam impostos, crescem e fortalecem toda a economia. Empresas vencedoras, em outras palavras, criam condições para que haja responsabilidade social corporativa, e não o contrário. Portanto, toda empresa deveria pôr a lucratividade em primeiro lugar neste momento. Este é o requisito principal que torna tudo o mais possível.

Bem, antes que você dispare em nossa direção uma carta criticando nosso jeito capitalista e cruel de ser, por favor entenda que não estamos sugerindo que as empresas abandonem suas práticas filantrópicas e outros projetos de caridade retomando-os apenas quando os céus da economia estiverem límpidos e azuis de novo. Estamos dizendo apenas que a responsabilidade social corporativa, ou RSC, conforme é conhecida, precisa se adequar às circunstâncias. Não se trata de luxo. Hoje a liderança precisa deixar claro para si mesma e para seus subordinados qual o lugar da RSC na lista de prioridades da empresa.

Cremos que os projetos de RSC se apresentam sob três formas distintas. Em primeiro lugar, as empresas podem contribuir para com a sociedade fazendo doações em dinheiro, bens ou serviços em prol de escolas, abrigos para sem-teto, hospitais etc. Em segundo lugar, elas podem estruturar suas campanhas de RSC de tal modo que haja envolvimento da comunidade por meio de atividades conduzidas por seus funcionários como, por exemplo, orientação profissional para estudantes ou a realização de trabalho voluntário. Em terceiro lugar, as empresas podem configurar suas estratégias de produtos e serviços tomando por referência a RSC: dedicando-se a iniciativas verdes, por exemplo, ou incorporando as preocupações ambientais a seus processos de fabricação.

Em tempos de maré econômica favorável, muitas empresas, naturalmente, praticam, até certo ponto, pelo menos as duas primeiras formas de RSC; outras, todas as três formas. É bom insistir que é isso mesmo o que devem fazer. Não apenas essa é a coisa certa a fazer, como também as práticas de RSC podem desempenhar um papel extremamente importante no processo de recrutamento, preservação e sobre o moral de todos os funcionários.

Mas, de que forma as empresas deveriam refletir sobre essas três formas de RSC agora que as margens estão encolhendo, o desemprego está crescendo e o consumidor decidiu que deve gastar menos?

Em primeiro lugar, as contribuições em dinheiro e bens provavelmente vão diminuir. Em tempos difíceis, o fluxo de caixa é crítico para a sobrevivência da empresa. Além disso, quando, de um lado, a empresa manda gente embora, é muito difícil, do outro lado, explicar aos que ficaram a distribuição de cheques para “causas nobres”. Cabe então aos gerentes decidir como será feita a partilha do conteúdo do pote agora reduzido. A empresa poderá pulverizar o dinheiro igualmente, dando um pouco para muitas causas; ou então, enxuga-se a lista de instituições de caridade beneficiadas concedendo-se um montante maior para menos instituições. Em nossa opinião, as duas opções são boas, mas somos a favor da última porque, nesse caso, as doações tendem a ter um impacto maior.

Com relação às atividades da comunidade, as empresas deveriam insistir com seus empregados, por todos os meios, para que permaneçam envolvidos, facilitando seus esforços sempre que possível, seja através da concessão de meio de transporte ou de subsídio financeiro. Contudo, é preciso que os gerentes também saibam compreender se o funcionário decidir abandonar seu compromisso anterior. É perfeitamente humano recuar e dedicar todas as energias ao trabalho quando sentimos que ele corre perigo.

Por fim, a RSC pode também ser usada como estratégia.

Com o galão de gasolina a US$ 4, um Tooyota Prius híbrido torna-se uma proposição de valor atraente. Com o galão a US$ 2, a situação é outra. Quando a maior parte dos consumidores tem bons empregos, e se sente segura neles, faz sentido esperar que paguem mais por um produto que não agride o meio ambiente. Contudo, se o consumidor não tem mais dinheiro algum em sua conta bancária, será muito difícil conseguir convencê-lo a adquirir um produto caro.

O que queremos dizer com tudo isso? Que hoje as exigências estratégicas da RSC são mais rigorosas do que nunca. O consumidor tem cada vez menos condições (ou vontade) de pagar mais por algo simplesmente porque isso faz com que se sinta bem. Hoje, ele precisa se sentir bem também financeiramente. Isto não significa que a era dos produtos “socialmente responsáveis” tenha chegado ao fim. Significa apenas que há pressões intensas de custo cada vez maiores sobre as empresas que vendem esses produtos, e qualquer gerente que ignore esse fato ignora ao mesmo tempo a locomotiva da concorrência que vem em sua direção.

Não queremos parecer contrários à RSC. Mesmo em tempos incertos como os de hoje, toda empresa deve pôr em prática a boa cidadania corporativa. No entanto, é preciso também que as empresas encarem a realidade: primeiro, elas têm de ganhar dinheiro, para então distribuí-lo.


Trifon Manolov, Sandanski, Bulgária
Exame, 03/08/09

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PAC vai dar R$ 150 milhões por ano para 124 cidades históricas

Municípios vão receber investimentos em infraestrutura e melhorias urbanas; programa será lançado no dia 28

As rachaduras na parede da Igreja de São Francisco de Assis, na cidade mineira de Mariana, podem ser vistas como cicatrizes dos anos e anos de descaso com o patrimônio histórico brasileiro. Inaugurado em 1794, o templo está infestado de cupins e corre o risco de desabar - bem como várias outras igrejas de Ouro Preto. Rachaduras e insetos não são as únicas marcas da negligência. Em Erechim, no Rio Grande do Sul, um prédio de alvenaria de 1933 foi demolido sem autorização. No Recife, Pernambuco, 12 estátuas do Circuito da Poesia foram depredadas. Na Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes, também em Pernambuco, os azulejos brancos portugueses da fachada estão caindo. Já em Juazeiro do Norte, no Ceará, a estátua de Padre Cícero perdeu a ponta dos dedos da mão direita. E tudo isso aconteceu apenas em julho.

Para tentar restaurar e conservar o que sobrou de patrimônio histórico no Brasil, o Ministério da Cultura vai lançar no dia 28 o Programa de Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas. Abrigado sob o generoso guarda-chuva do PAC, o projeto deverá injetar R$ 150 milhões por ano em 124 cidades históricas, com obras de requalificação urbanística, infraestrutura urbana, financiamento para recuperação de imóveis privados, restauro de monumentos e promoções do patrimônio cultural.

Entre as cidades, estão as 27 capitais, municípios da Costa do Descobrimento, da Chapada Diamantina e da rota do ouro em Minas Gerais e em Goiás, 18 localidades na Bacia do Rio São Francisco, além das demais localidades tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O plano envolve recursos da Casa Civil e dos ministérios das Cidades, do Turismo e da Educação. Até o ano que vem, o PAC das Cidades Históricas será voltado para 50 cidades, que ainda não foram todas escolhidas - segundo o Ministério da Cultura, mil imóveis privados devem receber financiamento nesta primeira fase, além de cem monumentos e prédios públicos serem restaurados e 120 atividades produtivas locais receberem investimentos. Algumas regiões já enviaram orçamentos para o projeto. Em São Luís (MA), por exemplo, o centro histórico pode ser revitalizado ao custo de R$ 50 milhões, enquanto Laguna (SC) deverá receber R$ 8,5 milhões para obras de cabeamento subterrâneo das redes de energia elétrica, e Corumbá (MS) vai pleitear R$ 10 milhões para reforma de imóveis históricos.

“É uma iniciativa inédita, tanto pela criação de uma política urbana com objetivos bem definidos, quanto pelo possível incremento da economia dessas cidades”, diz o ministro da Cultura, Juca Ferreira. Na segunda fase do PAC, entre 2011 e 2012, as 74 cidades restantes vão entrar no pacote - o Iphan afirma que também poderá aceitar propostas de outros municípios interessados no projeto. “As regiões históricas têm os mesmos problemas de grandes metrópoles, mas as restrições são bem maiores. Não basta só proteger, é preciso investir na conservação e no uso desses patrimônios”, diz o ministro.

Para o prefeito de Ouro Preto (MG) e presidente da Associação de Prefeitos das Cidades Históricas Brasileiras, Ângelo Oswaldo, tão importante quanto o dinheiro é a necessidade de uma política de preservação do patrimônio. “Começamos esse diálogo com o governo federal para mostrar a necessidade de uma política conjunta com as prefeituras”, diz. “É simples, se não há preocupação e investimento, a memória desaparece.”


Rodrigo Brancatelli,
O Estado de S. Paulo, 02/08/09

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Caixa recebe projetos de promoção do artesanato

A Caixa recebe até 07 de agosto projetos de desenvolvimento de comunidades artesãs e de valorização do artesanato tradicional e da cultura brasileira.

Os projetos deverão ser realizados dentro do período de janeiro a junho de 2010 e
deverão ser apresentados por cooperativas, associações, organismos não governamentais
e comunitários, sem finalidades lucrativas e instituições de ensino superior.

Será concedido um valor máximo de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais) por projeto.

Os projetos serão selecionados com base nos seguintes critérios:
- Caráter tradicional do artesanato;
- Qualidade artística e demais características (material, dimensões, fragilidade) das peças;
- Características sócio-econômicas das unidades produtivas (serão priorizadas as que
sejam compostas por grupos vulneráveis ou historicamente excluídos, tais como
comunidades indígenas, comunidades quilombolas, grupos produtivos provenientes da
agricultura familiar, cooperativas e associações);
- Capacidade produtiva das unidades e criatividade das soluções propostas para sua
melhoria;
- Manejo sustentável das matérias-primas para a produção artesanal, em concordância
com os princípios de responsabilidade sócio-ambiental;
- Adequação aos princípios de economia solidária e comércio justo;
- Adequação orçamentária;
- Sustentabilidade do projeto;
- Vinculação à promoção do desenvolvimento sustentável, do bem estar e da qualidade de vida da população na qual as unidades produtivas estão inseridas.

Clique aqui para baixar o edital, a ficha de inscrição e a planilha orçamentária.


Fonte: Caixa Cultural

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BNDES vai financiar laptop educacional

Computadores: Governo anuncia hoje, no Rio, linha de crédito de R$ 600 milhões para Estados e municípios
Cesar Alvarez, assessor especial da Presidência: "mais apoio aos municípios"

Foto Lucio Tavora/Folha Imagem


O governo federal tem um novo plano para levar adiante o projeto Um Computador por Aluno, iniciativa que prevê a distribuição de laptops para estudantes da rede pública de ensino de todo o país. Por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o governo anuncia hoje uma linha de financiamento de R$ 600 milhões destinada a municípios e Estados interessados em adquirir os computadores portáteis e distribuí-los em escolas públicas.

A expectativa é de que a linha de crédito esteja disponível entre 30 e 60 dias, disse ao Valor o assessor especial da Presidência da República Cezar Alvarez. O financiamento, cujas regras de adesão estão em fase de conclusão, será concedido com Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP , hoje em 6%) mais 1%, um custo considerado baixo para quem aderir ao financiamento.

Hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado dos ministros da Educação, Fernando Haddad, e da Casa Civil, Dilma Rousseff, deverá fazer o anúncio do programa de financiamento na cidade fluminense de Piraí , durante visita que marcará a distribuição simbólica de notebooks a 20 alunos do município. O evento também será acompanhado pelo governador do Rio, Sérgio Cabral, e o prefeito de Piraí, Arthur Henrique Gonçalves Ferreira.

A entrega dos portáteis em Piraí, cidade de 24 mil habitantes localizada na região Sul do Estado, é um desdobramento da experiência iniciada pelo governo federal em 2007, quando quatro municípios do país - Palmas, Piraí, Porto Alegre e São Paulo - foram escolhidos para iniciar o piloto do projeto. Na ocasião, Piraí recebeu 400 laptops Classmate, um portátil de configuração simples, idealizado pela fabricante de chips Intel. "O resultado dessa experiência mostra que a evasão escolar caiu para menos de 1% (a média nacional é de 26%) na escola em que fizemos o teste e que o Ideb (índice que mede a qualidade do ensino) dobrou, subindo de 2,4 para 4,8 pontos", diz Gustavo Tutuca, coordenador geral do projeto de educação digital do município. "Houve melhora disciplinar dos alunos e um aumento do interesse em participar das aulas."

No mês passado, a Prefeitura de Piraí comprou 5,5 mil laptops Classmate, equipamentos fabricados pela Positivo Informática. A aquisição teve apoio do governo do Estado, que entrou com recursos de R$ 4 milhões, além de mais R$ 2 milhões da prefeitura. Os portáteis serão distribuídos aos 6,2 mil alunos que estudam nas 21 escolas da cidade. Cada equipamento, que teve custo médio de R$ 700, tem garantia de três anos.

Com a criação de uma linha de financiamento no BNDES e a consequente autonomia dada a Estados e municípios para que decidam como tocarão seus próprios projetos de inclusão digital nas escolas, o governo federal pode, finalmente, dar andamento a uma iniciativa que há mais de quatro anos não sai do papel.

A ideia de distribuir computadores como se fossem livros foi inspirada no chamado "laptop de US$ 100", projeto idealizado pelo ex-professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT) Nicholas Negroponte. Em novembro de 2006, Negroponte chegou a vir ao Brasil para entregar, nas mãos do presidente Lula, um protótipo de seu equipamento.

De lá para cá, o governo realizou dois pregões eletrônicos com o propósito de comprar 150 mil laptops. As máquinas seriam distribuídas entre 300 escolas de 270 municípios. As duas licitações lideradas pelo MEC, no entanto, não foram para frente. Em dezembro de 2007, a Positivo venceu o pregão com uma proposta de R$ 98 milhões - o equivalente a R$ 654,00 por portátil ou US$ 350, conforme a cotação do dólar fixado à época - mas o governo achou o preço alto e cancelou o pregão.

No fim do ano passado, uma nova licitação foi realizada. Dessa vez, a brasileira Comsat venceu, com uma proposta R$ 82,5 milhões. O projeto, no entanto, foi paralisado pelo MEC, que alegou ter encontrado restrições técnicas no produto da empresa. A Comsat contestou o MEC e o pregão foi parar no Tribunal de Contas da União (TCU), que deve definir se a licitação será cancelada ou não. "Independentemente de qual venha a ser a decisão do TCU, não vamos desistir de realizar esse grande piloto", diz Cezar Alvarez, da Presidência. "O financiamento com o BNDES é mais uma forma de acelerarmos o projeto, mas não exclui outras iniciativas federais."

A Intel, segundo um executivo da companhia, está em contato com mais 15 cidades para realizar testes com seu portátil. O objetivo é levar para esses municípios experiências como a de Piraí, que tornou-se famosa já em 2004, ao distribuir redes sem fio de acesso à internet (WiFi) pela cidade. O projeto tornou-se vitrine internacional e Piraí chegou a ganhar, em Nova York, o prêmio "Top Seven Intelligent Comunities". Na avaliação do governo do Estado, a doação dos notebooks aos alunos só faz sentido porque eles terão acesso gratuito à rede.


André Borges e Heloisa Magalhães, de São Paulo e do Rio
Valor Online, 31/07/09

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domingo, 2 de agosto de 2009

Nova pesquisa revela crescimento da RSE no Brasil

Produzido por Ethos, Akatu e Ibope, o estudo tem o objetivo de mapear o movimento de responsabilidade social empresarial no Brasil.

Será lançado nesta quarta-feira (29/7), em São Paulo, o relatório da pesquisa Práticas e Perspectivas da Responsabilidade Social Empresarial no Brasil – 2008, realizada em parceria pelo Instituto Ethos, Instituto Akatu e Ibope Inteligência, a qual retrata o atual panorama e a efetiva atuação das empresas brasileiras no que se refere à responsabilidade social.

O estudo buscou identificar as principais conquistas e os desafios do fenômeno da RSE no Brasil. Investigou o comportamento das empresas e os níveis de implementação das suas ações por meio do questionamento direto sobre a existência de práticas de RSE.

Entre os resultados da pesquisa, destaca-se o crescimento no número de empresas que se envolveram com as práticas de responsabilidade social nos últimos anos. O estudo revelou que 50% das empresas têm ao menos 22 práticas de RSE implantadas, dentre um total de 56 práticas avaliadas. O maior envolvimento das empresas foi detectado na comparação indireta dos dados atuais com os de um estudo realizado pelo Instituto Akatu em 2004, em que 50% das empresas haviam implantado apenas 11 ou mais práticas, de um total de 55. A comparação feita com perguntas e amostras diretamente cotejáveis demonstrou que, de fato, houve um crescimento da adesão das empresas em alguns temas específicos.

Outra evidência apresentada pelo trabalho foi a capilaridade dos conceitos de responsabilidade social entre as empresas brasileiras, atingindo inclusive as organizações menores. O envolvimento efetivo com o tema, no entanto, tende a ser maior entre as grandes corporações e entre as empresas pesquisadas em duas amostras especiais: a das associadas ao Instituto Ethos e a das 500 maiores da revista Exame.

Para avaliar esse envolvimento, a pesquisa utilizou os indicadores percentuais de adesão a práticas de RSE, a presença de instrumentos formais para construção de estratégias de RSE (comitês, departamentos, políticas formais) e a utilização de fontes de referência e ferramentas de apoio à implantação da RSE nas empresas – como a ISO 14000, as Diretrizes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) etc.

As grandes empresas da amostra principal se destacam da média geral em alguns temas e estão em um estágio mais avançado do processo de implementação de suas ações. Já as empresas que fazem parte da amostra especial das 500 maiores da revista Exame foram as que mais se destacaram em relação à média.

O mesmo acontece com as empresas associadas ao Instituto Ethos, que aparecem no estudo com tendências claras de comportamento, sendo consideradas referência no processo de discussão e implantação da RSE no Brasil. Suas médias de adesão às práticas são maiores, bem como os percentuais que mensuram a formalização de suas estratégias de RSE.

Apesar do maior envolvimento das empresas nos últimos anos, as práticas de RSE no Brasil ainda estão em processo de construção. Muitas práticas importantes, em diferentes temas, ainda não são adotadas pela maioria das empresas, enquanto as mais adotadas coincidem com aquelas que impactam mais diretamente na sobrevivência das empresas ou que estão submetidas a regulamentações, tais como a proteção das relações de consumo e as relações de trabalho – temas geralmente submetidos a pressões do mercado e da sociedade ou regulados por leis e normas.

A pesquisa Ethos-Akatu-Ibope revela também que poucas empresas utilizam instrumentos de formalização de políticas globais de RSE, bem como ferramentas e referências para auxiliar na definição de suas ações. Ou seja, embora as práticas de responsabilidade social sejam crescentemente incorporadas nas empresas, algumas de modo formal (práticas escritas, divulgadas, colocadas em contrato), falta, por outro lado, uma maior formalização e institucionalização dessas práticas em nível estratégico e político. As empresas que se encontram em estágio mais avançado na implantação de práticas de RSE, isto é, que registram 34 ou mais práticas implantadas, chegam a um percentual de 20%.

Metodologia, amostragem e critérios
A pesquisa Práticas e Perspectivas da Responsabilidade Social Empresarial no Brasil – 2008 foi realizada com o apoio da Fundação Kellogg e do Fundo Multilateral de Investimentos (Fumin), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O trabalho investigou ações de RSE em aspectos como as relações de consumo da empresa com seu cliente/consumidor, as relações de trabalho com os colaboradores e funcionários terceirizados, questões de ética e transparência da empresa, o diálogo com stakeholders, a governança corporativa e também questões ligadas ao impacto ambiental.

A pesquisa preocupou-se também em realizar um mapeamento que pudesse representar o conjunto de empresas brasileiras, além de aprofundar a investigação de alguns segmentos. As 56 práticas que compõem o questionário foram escolhidas a partir de duas ferramentas: o manual Critérios Essenciais de Responsabilidade Social Empresarial e Seus Mecanismos de Indução, elaborado pelo Instituto Ethos, e a Escala Akatu de Responsabilidade Social Empresarial, criada pelo Instituto Akatu.


Celso Dobes Bacarji (Envolverde), Edição de Benjamin S. Gonçalves (Instituto Ethos)

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Manual busca facilitar a disseminação dos conceitos de RSE

O Instituto Ethos lança nesta quarta feira (29/07) o Manual de Incorporação dos Critérios Essenciais de Responsabilidade Social Empresarial.

Produzida pelo Instituto Ethos no âmbito do Programa Tear, a publicação pretende orientar as empresas na incorporação dos critérios de responsabilidade social empresarial (RSE) em sua gestão e administração, ajudando-as a estabelecer relações comerciais sustentáveis e socialmente responsáveis. A idéia é que o manual facilite a ampliação do objetivo básico do Programa Tear, que é a disseminação desses conceitos e, consequentemente, a ampliação das oportunidades de mercado para as pequenas e médias empresas.

O manual enfatiza em sua introdução que “o momento atual é de desafio para lidar com problemas que afetam todas as organizações, independentemente do local em que elas operam”. Para o Instituto Ethos “contribuir para reverter o quadro ameaçador do aquecimento global e erradicar as desigualdades sociais não é tarefa a ser cumprida por apenas uma empresa. Na era em que vivemos, o relacionamento intrínseco das ações e reações torna o sistema social complexo e interdependente”.

Diante desse cenário, além de adotar um comportamento socialmente responsável, as empresas devem fazê-lo de forma integrada e vinculada ao ambiente em que estão inseridas. O Ethos lança esse manual sabendo que os líderes empresariais mais atentos aos riscos éticos, sociais e ambientais conseguem vislumbrar oportunidades e obter vantagem competitiva ao encarar a responsabilidade social empresarial de forma estratégica.

De acordo com a publicação, os critérios essenciais de RSE estão agrupados em sete grandes áreas de interesse: direitos humanos; direitos das relações de trabalho; proteção das relações de consumo; meio ambiente; ética e transparência; diálogo/engajamento com stakeholders; e governança corporativa. O manual busca ajudar a empresa a relacionar esses temas com suas atividades e orientá-la a implantar práticas responsáveis na gestão interna e nas relações comerciais.

Na publicação, o leitor tem acesso a uma lista de documentos, instrumentos e fontes de referência que ampliam e esclarecem os conceitos de gestão sustentável. Cita exemplos de formas encontradas por diversas empresas para implantar práticas inerentes a cada critério e orienta a análise do grau de evolução em que se encontra a empresa, verificando sua consonância com as legislações e as autorregulações, certificáveis ou não, em cada tema e critério. Ao fazer essa análise mais detalhada e sistêmica de seu negócio, a empresa poderá planejar-se, utilizando para isso os próprios critérios essenciais de RSE ou as diversas ferramentas de gestão para sustentabilidade que existem atualmente.

Entre elas, o manual relaciona os critérios essenciais de RSE com três ferramentas complementares, de amplo alcance no Brasil: os Indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial 2008, os Indicadores Ethos-Sebrae de Responsabilidade Social Empresarial para Micro e Pequenas Empresas 2007 e as Diretrizes para Relatório de Sustentabilidade 2006 GRI (G3), da Global Reporting Initiative (GRI).

Fabrício Ângelo (Envolverde), Edição de Benjamin S. Gonçalves (Instituto Ethos)

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Paul Watson e as baleias de origami do Greenpeace


Essa iria matar o capitão Paul Watson de rir…

A Greepeace Australia lançou a campanha “Send (And Save) A Whale“, que tem como ação um site no qual você monta a sua baleia de origami (escolhe o papel, olhos, acessórios, etc…), e depois de pronta ela vai carregar a seguinte mensagem para o Primeiro Ministro do Japão: “Querido Primeiro Ministro Aso, estou preocupado com a caça às baleias no Oceano Sul. Respeitosamente, peço que reveja imediatamente a política do Japão para acabar com a matança das baleias“.

O site é muito divertido e super bem feito, como toda a comunicação da ONG. Mas vendo essas ações, além de duvidar de sua real efetividade (será que o Primeiro Ministro do Japão vai ler essas mensagens?), sempre me lembro do Capitão Paul Watson, fundador do Greenpeace e que atualmente abomina a organização, que afirmou: “Hoje o Greenpeace é uma corporação burocrática que arrecada 200 a 300 milhões de dólares por ano e está mais interessada em levantar dinheiro vendendo produtos do que em salvar a Terra. Os ativistas deixaram a entidade, que foi tomada por burocratas, contadores e advogados. Me sinto como o doutor Frankenstein criei o grande monstro verde.”

Por isso, se você se interessa pelo assunto e quer conhecer um pouco mais sobre pessoas que fazem algo de verdade para salvar as baleias, tipo entrar na frente dos baleeiros japoneses, correndo o risco de levar um arpão na cabeça de presente, não deixe de assistir o programa Whale Wars, que mostra a rotina do navio do Sea Shepherd, ONG fundada (adivinha!) pelo próprio Paul, onde ele e a tripulação literalmente dão a vida por esses belos animais.

Mas claro, pode também se divertir com as baleias de origami do Greenpeace, clicando aqui.


Laís Andrade
Update or Die, 15/07/09

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O curto prazo e o marketing ligado a causas

Este post é para falar de uma das mais recentes descobertas de Cause Related Marketing, ou Marketing Ligado a Causas (outra sigla CRM para decorar), nos Estados Unidos. Existem dois tipos de consumidores suscetíveis a esse marketing de ações de responsabilidade social das empresas e, enquanto um aceita bem o discurso da mudança de longo prazo, para o outro o apelo disso é zero, o que restringe muito o público-alvo. É um grupo de consumidores numeroso esse que pensa e vive no curto prazo.

A descoberta, a partir de uma pesquisa, foi do Jeremy Kees, da Villanova School of Business, que escreveu sobre ela nesse site, da Andrea Heintz Tangari e do Scot Burton, da University of Arkansas, e da Judith Anne Garretson Folse, da Louisiana State University.

Conclusão óbvia: o marketing verde, ou relativo a qualquer outra causa, precisa conter uma promessa de curto prazo para poder sensibilizar mais gente e ganhar “escala”. Ou seja, o lance para as empresas é prometer o seguinte: “Se você comprar nosso produto, este mês 5 crianças com câncer serão tratadas”. (Escrito assim, parece chantagem emocional barata, mas deve ter um jeito melhor de formular.) Claro, as mensagens podem acrescentar ainda que são previstos também efeitos de longo prazo com aquela ação (até para ver se as pessoas se acostumam a pensar um pouco no futuro).

Sempre desconfio que, quando uma empresa abraça uma causa por marketing, não abraça de verdade. Mas é fato que, se as organizações com fins lucrativos não puderem ganhar (ou, ao menos, empatar) com sua responsabilidade social, elas não se responsabilizarão por nada. Sem marketing as empresas não conseguirão nem o empate. E sem elas a roda não vai girar. Então, em vez de polianismos, é melhor aceitar pragmaticamente o CRM. (Acho mais: a imprensa devia fazer sua parte de responsabilidade social estimulando as práticas de CRM das empresas ao noticiá-las com destaque. Criar o caldo de cultura. Mas essa é outra história.)


Adriana Salles Gomes
Update or Die, 18/07/09

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Portal WBCSD

Para quem se interessa por sustentabilidade, e quer saber o que algumas das maiores empresas do mundo estão fazendo a respeito, vale a pena conferir o site do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), uma associação global de mais de 200 companhias que aprenderam a equilibrar o “tripé” da sustentabilidade (Social - Ambiental - Econômico), e consequentemente estão tendo resultados excelentes, mesmo em tempos de crise.

O Conselho funciona como uma plataforma para que as empresas filiadas explorem as melhores práticas sustentáveis e compartilhem conhecimento e experiência sobre o assunto com outras companhias ao redor do globo. E certamente esse conhecimento é valiosíssimo, uma vez grandes corporações (Alcoa, Caterpillar, DuPont, General Motors, IBM, Procter & Gamble, dentre outras) já aderiram ao Conselho. A participação brasileira também é significativa: Natura, Petrobras, Suzano, Votorantim e Vale já garantiram seu espaço nessa cadeia global.

Vai lá: http://www.wbcsd.org


Laís Andrade
Update or Die, 28/07/09

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Xixi no Banho lança comercial

A iniciativa “Xixi no Banho” criada pela F/Nazca para a SOS Mata Altlântica (e comentada por mim anteriormente aqui e no A3 aqui) lançou um comercial em animação visando ampliar a visibilidade e a mobilização. Confiram:



Paula Rizzo
Update or Die, 29/07/09

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Como cultivar uma carteira verde

Investir em empresas que se preocupam com sustentabilidade é uma tendência, mas descobrir quais são elas não é uma missão fácil. Saiba por onde começar

Ao tomar uma decisão de investimento, a primeira ideia que vem à mente de um indivíduo é a de quanto ele poderá ganhar com essa operação. A segunda é em quanto tempo ele ganhará. A terceira é até quando ele deverá permanecer com tal investimento. Até aí, nada de anormal. Afinal, não é crime querer obter o melhor rendimento em uma aplicação financeira. A diferença é que, de uns tempos para cá, o capitalismo egoísta e impiedoso abriu espaço para novas susvariantes muito mais brandas e vistosas aos olhos da sociedade.

Empresas de capital aberto que investem em sustentabilidade empresarial, ambiental e social são cada vez mais observadas pelo mercado e despertam a curiosidade dos investidores. Eles, com razão, querem saber o que há de tão sustentável em tais companhias e por que devem investir nelas. Se fizerem boas escolhas na bolsa, poderão ajudar a mudar o mundo para melhor, imaginam. Será? O economista Adam Smith, em seu A Riqueza das Nações, já dissertava no século XVII sobre isso."Ao perseguir seus próprios interesses, o indivíduo muitas vezes promove o interesse da sociedade muito mais eficazmente do que quando tenciona realmente promovê-lo."

Investir em companhias cujo impacto ambiental e social é mitigado por ações de sustentabilidade é uma das formas, ainda que egoísta, de amenizar o sentimento de culpa pela progressiva deterioração do planeta, pelas diferenças sociais e pelos demais males que assolam a humanidade. Mas como escolher uma companhia que mereça as suas economias? O Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) é a referência da BM&FBovespa para as empresas consideradas sustentáveis. Foi elaborado pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo e leva em conta parâmetros de liquidez, transparência, governança corporativa e ações ambientais.

Ao todo, é composto por 29 empresas, como Braskem, Natura, Eletropaulo, Cemig, Gerdau e Banco do Brasil. Atualmente, o Itaú Unibanco ocupa a parte majoritária da carteira do índice, compondo 28,6% da carteira. O Bradesco vem em segundo lugar, correspondendo a 22,2%. Juntos, os bancos representam 55,8% da carteira do ISE. O índice acumula 29% de rentabilidade em 2009, abaixo dos 45% do Ibovespa.

Para fazer parte do ISE, a burocracia é grande. É preciso responder a inúmeros questionários e comprovar cada resposta com evidências físicas do que está sendo feito de sustentável em uma empresa. "O mais difícil é a empresa estruturar a maneira de provar para a bolsa o que está sendo feito de sustentável.

Os bancos saem na frente porque têm orçamento maior para investir nisso", avalia Ricardo Almeida, professor de finanças do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper). Apesar de ser uma ferramenta comparativa útil para os gestores de fundos socialmente responsáveis, o ISE não é uma unanimidade e gera discussões sobre as atividades das empresas que o formam. Até novembro de 2008, a Petrobras constava na carteira do índice.

A gigante brasileira é uma grande incentivadora cultural, adota boas práticas de governança corporativa e investe grandes quantias em obras sociais. Mas como a extração e o refino de petróleo é uma atividade poluente e o combustível não é renovável, o setor é muito criticado pelos ambientalistas. Uma polêmica envolvendo o teor de enxofre no combustível da Petrobras acabou resultando em sua exclusão do ISE. A empresa continua sendo a principal ação no Ibovespa.

Outro exemplo controverso é a VCP, que faz parte do índice e tem uma forte política de reflorestamento. Ao comprar recentemente a Aracruz, a VCP pagou o valor mínimo por ação a seus minoritários, que se queixaram de pouca transparência e governança corporativa ruim. A Embraer também faz parte da carteira sustentável da bolsa. Grande fabricante de aeronaves comerciais, a companhia também fabrica aviões militares.

"É difícil considerar sustentável uma empresa que tenha ganhos expressivos no setor da guerra. Esse setor não é sustentável, assim como o de materiais fósseis e tabaco, por exemplo", explica o economista Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra.

As empresas do setor de tabaco, por mais que tenham transparência, governança, façam reflorestamento e invistam em ações sociais, sempre vão constar na lista das menos sustentáveis. Tanto é que a gigante Previ, fundação de previdência dos funcionários do Banco do Brasil, anunciou há poucos dias que venderá sua participação de 2% na Souza Cruz. A companhia está há mais de 20 anos na carteira da Previ.

"Financiar algo que não é sustentável é o mesmo que admitir a não sustentabilidade", afirma Jean Philippe Leroy, diretor de relações com o mercado do Bradesco. O banco tem arrochado o crédito a empresas que não possuem boas práticas de governança e sustentabilidade, a exemplo do Banco Real, que foi o primeiro a adotar esse princípio sob a gestão de Fabio Barbosa, hoje no comando do Grupo Santander no Brasil. O banco espanhol pretende fazer uma emissão acionária de peso na bolsa brasileira mas sua imagem ainda está longe da aura de sustentabilidade plantada por Barbosa em sua época de Real.

O executivo promete que isso irá mudar. "A sustentabilidade continua sendo um forte pilar do Grupo Santander Brasil. Continuamos engajados nessa proposta com total apoio da matriz, pois entendemos que a sociedade mudou e que as empresas que estiverem mais preparadas para lidar com esse assunto estarão mais bem posicionadas", disse Barbosa à DINHEIRO . O investidor precisa entender que nem sempre uma empresa adepta de ações ambientais será uma empresa totalmente sustentável. Um exemplo disso é a Brasil Ecodiesel, produtora de biodiesel feito à base de soja e mamona. Apesar de fabricar um combustível bem menos poluente, erros de gestão fizeram com que as ações da empresa caíssem 91% em 2008, exigindo uma completa reestruturação.

"Não adianta nada ter uma empresa que faça um produto ecológico correto e não tenha chances de sobreviver no longo prazo. Sustentabilidade é todo um conjunto, não são ações esparsas", afirma Reginaldo Alexandre, diretor da Apimec-SP. A companhia diz que busca a sustentabilidade acima de tudo. "Não acreditamos em soluções mágicas, mas sim em perseguir os valores de sustentabilidade que nortearam a criação da empresa", afirma Marcos Leite, diretor de relações com investidores da Brasil Ecodiesel.

Saber ao certo quais empresas são as mais sustentáveis não é fácil. E talvez nunca ninguém saberá. São tantas as nuances e as mudanças que podem ocorrer em uma companhia em um curto período de tempo que o conceito de sustentabilidade nem sempre será perene. O investidor mais curioso, informado e atencioso poderá sair na frente. "Ele deve procurar nos sites das empresas o relatório de sustentabilidade e de resultados, ligar para o departamento de RI e perguntar o que a empresa faz para merecer o investimento dele", aconselha Almeida. Outra opção é exigir mais comprometimento nas empresas nas quais já investe.

"O poder real de mudar as empresas está na mão dos acionistas. Eles podem pedir isso. E quanto mais ganhos de curto prazo eles quiserem, mais inviável será para uma empresa se manter sustentável", afirma o professor. O paradoxo entre lucro e sustentabilidade é uma discussão antiga e complexa, mas não é de impossível resolução. Barbosa, que tanto trabalhou essa questão, não vê dificuldade em desmembrá-la. "Cada vez mais o mercado busca formas de mostrar que ser sustentável também significa ser rentável. E esse é um caminho sem volta."




Boletim IstoÉ Dinheiro - Edição 617
Ana Clara Costa

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Seleção de projetos Cartão Instituto HSBC Solidariedade vai até 21/8

O Instituto HSBC Solidariedade selecionará projetos de Educação que tenham como objetivo trabalhar na redução da vulnerabilidade de crianças e adolescentes aliada ao sucesso escolar.

Como participar
Os projetos deverão ser formatados de acordo com o formulário padrão do Instituto HSBC Solidariedade, seguindo as diretrizes do regulamento desta seleção.

Nesse processo seletivo ocorre a participação ativa dos colaboradores das empresas do Grupo HSBC, incluindo agências e departamentos, que farão parte do processo de avaliação dos projetos. As unidades locais do HSBC, filiais Losango e HSBC Global Technology Brazil (GLTb) serão os padrinhos/madrinhas das instituições sociais, representando o elo entre a entidade apoiada e o Instituto HSBC Solidariedade. Para saber mais sobre as responsabilidades das agências e departamentos HSBC/Losango/GLTb e conferir o cronograma, acesse o regulamento da seleção.

Investimento
Para essa seleção serão destinados R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais) para apoio a projetos durante 24 meses. Este recurso é proveniente da contribuição dos clientes do Banco HSBC, portadores do Cartão Instituto HSBC Solidariedade. Serão selecionados 40 projetos, em todo o território nacional, os quais receberão até R$40.000,00 (quarenta mil reais) no primeiro ano e até R$ 20.000,00 (vinte mil reais) no segundo ano.

Entenda como funciona o Processo de Avaliação de Projetos desta seleção
1. Instituições Sociais - Procuram o Gerente Titular, em caso de agência, ou colaboradores das áreas administrativas para entregar o formulário e convidá-los a conhecer a entidade.


2. Agência ou Departamento* - Seleciona 01 projeto e envia para o Superintendente Regional (agência) ou Head (departamento).
3. Superintendente Regional ou Head - Seleciona 5 projetos e envia para o Instituto HSBC Solidariedade.
4. Instituto HSBC Solidariedade - Recebe os projetos, realiza a avaliação técnica e indica os melhores colocados para o Comitê de Sustentabilidade Corporativa.
5. Instituto HSBC Solidariedade - Publica o resultado da seleção no site www.porummundomaisfeliz.org.br.
* Agências ou Departamentos do HSBC e Losango e GLTb. Todas as unidades participam desta seleção.

Regulamento e Formulário
Faça o download do regulamento (PDF – 95 KB)
Faça o download do formulário (DOC – 495 KB)

Período de inscrição dos projetos: De 28/04 a 21/08
Data da divulgação dos resultados: 11/11


Fonte: Instituto HSBC Solidariedade

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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Linux Foundation lança cartão de crédito com programa de fidelidade

Organização vai arrecadar US$ 50 por cartão ativado e porcentual nas compras para financiar inovação do sistema operacional aberto

A organização sem fins lucrativos Linux Foundation, que apoia o desenvolvimento do núcleo do sistema operacional Linux de código aberto, lançou um cartão de crédito com programa de fidelidade com a bandeira Visa para ampliar suas fontes de arrecadação.

Conforme explica o site da fundação, a iniciativa é fruto de uma parceria com a empresa CardPartner, que vai oferecer o cartão de afinidade por meio do banco UMB Bank. Para cada cartão ativado, a fundação receberá 50 dólares, além de um porcentual sobre as compras realizadas com o cartão Visa Platinum.

A soma arrecadada pelo programa será destinada a eventos técnicos da comunidade e a viagens de membros da entidade para acelerar a inovação do sistema de código aberto.

O usuário do cartão da Linux Foundation também pode acumular pontos e trocá-los por itens promocionais da organização, passagens aéreas e diversos produtos de varejistas online ou lojas físicas.

Inicialmente, o cartão está disponível aos consumidores norte-americanos, mas a Linux Foundation informa que pretende expandir a oferta nos próximos meses.


IDG Now!, 28/07/09

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Rede social capta e compartilha conhecimento disperso nas empresas

Corporações devem eliminar "paranoia de controle da informação" e quebrar barreiras na internet, afirma Mauro Segura, da IBM Brasil

Reunir conhecimentos que estariam dispersos na área do café da empresa e quebrar barreiras hierárquicas estão entre as vantagens de promover as redes sociais corporativas, afirma Mauro Segura, líder de Marketing e Comunicação da IBM Brasil, que vai participar do Digital Age 2.0, com a palestra "Corporação 2.0: acesso livre às redes sociais".

Nesta edição do Podcast IDG Now!, Segura, que também é autor do blog A Quinta Onda, aborda a relação entre redes sociais e produtividade, conta um caso curioso da IBM e avalia a importância de adotar uma estratégia adequada de ferramentas de colaboração dentro das companhias, antes de interagir com o público.

Ouça o Podcast IDG Now!


Daniela Braun
IDG Now!, 28/07/09

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Orkut: 75% dos internautas brasileiros acessam rede social do Google

Usuários passaram, em média, seis horas e 40 minutos no site durante o mês de maio, enquanto ficaram apenas 11,1 minutos no Facebook

Cerca de 75% dos usuários de internet no Brasil acessaram o Orkut durante o mês de maio. O dado foi divulgado pelo Google Brasil nesta quarta-feira (29/7), durante apresentação ao mercado publicitário, demonstrando que a rede social continua popular entre os brasileiros.

Os internautas brasileiros passam, em média, 390 minutos (seis horas e 40 minutos) no site em maio. Para compararmos, segundo a empresa de métricas online Ibope Nielsen, o tempo de visita ao MySpace no Brasil é, em média, de 12,6 minutos e, no Facebook, 11,1 minutos.

O tempo médio de permanência por internauta a cada acesso ao Orkut é de 15,7 minutos. No Fotolog é de 5,4 minutos e no Facebook é de 4,8 minutos.

Em média, os brasileiros visitam o Orkut 24,5 vezes ao mês, enquanto no Fotolog a quantidade de visitas fica em 3,6 vezes e o Twitter recebe 3,4 visitas mensais, em média. Sonico e Facebook recebem, respectivamente, 3,3 e 2,5 visitas mensais por internauta no Brasil.

Outro dado interessante é que os usuários do Orkut divulgam 80 milhões de recados, 30 milhões de fotos e 3,5 milhões de vídeos por dia.

Perfil e comportamento dos usuários
Encomendada pelo Google Brasil para trazer o perfil desses internautas, a pesquisa feita pela empresa Netpop Research envolveu mil pessoas com mais de 15 anos de idade que participavam de redes sociais no Brasil. O estudo revelou que os assuntos mais interessantes ao público que está no Orkut são fotografia (67% se interessam), conhecimentos gerais (65%), tecnologia (65%), compras (63%) e jogos (57%).

Em relação à publicidade online, os assuntos sobre os quais os usuários mais gostariam de ver anúncios no Orkut são tecnologia (61%), mídia e entretenimento (61%), viagens (59%), empregos (59%) e telecomunicações (59%).

Modelos de publicidade oferecendo descontos ou cupons para lojas online são os que mais interessam aos usuários do Orkut (71%). Ainda segundo a pesquisa, 81% dos integrantes do Orkut afirmaram que se cadastrariam em comunidades patrocinadas por marcas comerciais.

Entre as mil pessoas pesquisadas, 95% das usam o Orkut, 28% usam o MySpace e 17% usam o Facebook.

Fãs brasileiros
Segundo a Nielsen Online, o Orkut possui 24 milhões de usuários ativos no Brasil. Cerca de 70% dos internautas com mais de 35 anos de idade estão na rede. Aproximadamente sete milhões de usuários são mulheres com mais de 25 anos de idade, enquanto 6,8 milhões são homens com idade entre 25 e 49 anos.

O Google aponta que 57% dos internautas brasileiros entram diariamente em redes sociais, um número acima da média mundial, que está em 31%. Na Índia, 41% dos internautas entram todos os dias em uma rede social e nos Estados Unidos o total é de 33%.

Cerca de 84% dos usuários brasileiros do Orkut acessam a rede pelo menos uma vez por dia. Destes, 63% entram várias vezes ao dia no site. Para 90% deles, o objetivo de participar da rede social é poder fazer contato com amigos antigos; 89% acreditam que a ferramenta serve para manter contato com familiares e amigos; 78% afirmam que entraram para expandir a rede de contatos e 72% dizem que é uma forma divertida de passar o tempo livre.


Daniela Braun, e Evelin Ribeiro
IDG Now!, 29/07/09

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McDonald’s carrega seu carro elétrico

A Carolina do Norte, nos EUA, recebeu o primeiro restaurante ‘green’ do McDonald‘s. Todo o projeto foi desenhado com a sustentabilidade como foco principal. Como exemplo, banheiros e cozinhas foram projetados de modo a economizar água e a madeira toda veio de florestas certificadas.

Mas o mais interessante é que o restaurante contará com dois pontos gratuitos de carregamento de carros híbridos. O aeroporto de Seattle também já oferece o mesmo serviço aos seus usuários.


Fonte: Springwise
Marcus 'Mark' Cardoso
Update or Die, em 15/07/09

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Snickers: Bar Hunger

O ator David Arquette, se fechou ontem por oito horas em uma caixa de acrílico sobre o Madison Square Garden, em Nova York, com o objetivo de arrecadar fundos para a luta contra a fome nos Estados Unido e hoje continua o projeto.

Dentro da estrutura, o ator conecta-se com as redes sociais Twitter e Facebook para interagir com os seguidores da campanha. O objetivo é arrecadar US$ 250 mil através de doações, por meio de mensagens de celular ou através da página da barra de chocolate Snickers (da Mars) - www.barhunger.com - ou pelo Facebook. O dinheiro vai para a organização Feeding America, uma das maiores do país na luta contra a fome nos EUA.

A marca está também fazendo a sua parte, além de mobilizar a população: está doando o equivalente a 3 milhões de refeições.


Paula Rizzo
Update Or Die, 15/07/09

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Edital de Apoio a Projetos para Adolescentes e Jovens Afro-brasileiros

Aberto edital para projetos de prevenção de violência entre a juventude negra. Inscrições até 15 de agosto, pelo Siconv

Até o dia 15 de agosto está aberto o prazo para que prefeituras e estados buscarem apoio do Governo Federal no desenvolvimento de projetos voltados a jovens negros em situação de vulnerabilidade social e segregação familiar.

É o Projeto Farol - Oportunidade em Ação, promovido pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR/PR) em parceria com o Ministério da Justiça, no âmbito do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), que destinará recursos de aproximadamente R$ 3,3 milhões até o final deste ano. O objetivo é articular ações sociais para a prevenção da violência entre a juventude negra, especialmente nas 84 cidades que integram as regiões metropolitanas de 13 estados considerados críticos, com base no “Diagnóstico da incidência de homicídios nas regiões metropolitanas”, produzido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça.


Por meio do edital de chamada pública anexo terão apoio as iniciativas para ampliação do acesso a oportunidades econômicas, sociais, políticas e culturais de jovens com idade entre 15 e 24 anos, que estejam em situação infracional ou em conflito com a lei, com baixa escolaridade, expostos à violência doméstica e urbana.

Os dados mais recentes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde mostram que, em 2006, dos jovens com idade entre 15 e 19 anos vítimas de armas de fogo, 6.436 eram brancos, enquanto 14.103 eram negros.

Confira o Edital:
EDITAL DE CHAMADA PÚBLICA 001/2009 – SUBPAA/SEPPIR

Maiores informações poderão ser obtidas pelo telefone (61) 3411-3639, 3411-3655 e 3411-3604


Fonte: Coordenação de Comunicação Social da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
Ministério da Cultura, 22/07/09

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Edital Prêmio Cultural Loucos pela Diversidade

O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria e da Identidade e Diversidade Cultural, e o Ministério da Saúde, por intermédio da Fundação Oswaldo Cruz, comunicam que o prazo do edital “Loucos pela Diversidade 2009 - Edição Austregésilo Carrano” foi prorrogado até o dia 27 de agosto de 2009.

Os projetos deverão ser enviados, até 27 de agosto, para o endereço:
Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial - ENSP/Fiocruz.
Avenida Brasil, 4036 salas 506, Manguinhos.
21040-361, Rio de Janeiro, RJ
Caixa Postal: 926

Confira o termo publicado no Diário Oficial da União
O Ministério da Cultura, por intermédio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural - SID, em parceria com o Ministério da Saúde, representado pela Fundação Oswaldo Cruz - FIOCRUZ, por meio do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental - LAPS, e a Caixa Econômica Federal divulgama abertura das inscrições e a realização do Concurso Público Prêmio Cultural Loucos pela Diversidade 2009 - Edição Austregésilo Carrano.

O Edital destina-se a premiar iniciativas culturais de instituições públicas ou privadas sem fins lucrativos que atuam na interface saúde mental e cultura, organizações da sociedade civil sem fins lucrativos e grupos artísticos ou artistas sem vínculo institucional que atuam na interface saúde mental e cultura e, pessoas em sofrimento psíquico.

Este concurso integra a ação da SID, Saúde e Diversidade Cultural e resulta das propostas identificadas durante a Oficina Nacional de Indicação de Políticas Públicas para Pessoas em Sofrimento Mental e em Situação de Risco Social, observadas as disposições da Lei nº. 8.666/93 e conforme as normas estabelecidas neste Edital.

Serão premiadas 55 iniciativas dentre as propostas recebidas, sendo divididas em quatro categorias, que somam um investimento de R$ 675 mil. Podem se inscrever instituições públicas ou privadas sem fins lucrativos, que atuam na interface saúde mental e cultura; organizações da sociedade civil, entidades, ONGs, associações sem fins lucrativos que atuam na interface saúde mental e cultura; grupos artísticos que tenham ou tenham tido vínculo com istituições e/ou serviços integrando pessoas em sofrimento psíquico; e pessoas em sofrimento psíquico que tenham ou tenham tido vínculo com instituições ou serviços de saúde mental que desenvolvam atividades artístico-culturais e desejem concorrer individualmente, e que apresentem projetos voltados para os objetivos constantes no item 2 do Edital.

Informações

Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental da Fundação Oswaldo Cruz - endereço eletrônico:loucospeladiversidade@ensp.fiocruz.br o ou pelo telefone: (21) 3316-0656.

Veja o edital e os anexos
Edital - 2009
Anexo I - Modelo de Autorização
Anexo II - Formulário - Pessoa FÍsica
Anexo III - Formulário - Entidades
Anexo IV - Formulário - Grupos
Anexo V - Formulário - Instituição


Fonte: Portal Cultural da Zest (http://portalculturaldazest.blogspot.com)
Ministério da Cultura, 27/07/09

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quarta-feira, 29 de julho de 2009

O gap entre o discurso e a prática

A relação entre as percepções sobre responsabilidade social empresarial e reputação corporativa

A diferença entre o discurso e a prática não é limitada apenas ao clero, ao congresso ou a líderes empresariais. Essa diferença também é notável quando se trata de responsabilidade social empresarial (RSE). Mirvis chama essa diferença de o “gap entre o discurso e a prática de RSE", no mundo corporativo atual.

Uma pesquisa bienal da Boston College Center for Corporate Citizenship (BCCCC), sobre negócios nos Estados Unidos, mostra que, do lado empresarial, a maioria dos executivos acredita em RSE, percebe seus benefícios para reputação e pensa que ela contribui para seu “bottom-line”, dando retorno financeiro. Entretanto, quando o BCCCC comparou as práticas da empresa em relação às expectativas do público geral sobre os negócios, foram apontadas várias lacunas.

Há um alinhamento entre as expectativas da sociedade e a responsabilidade das empresas para, por exemplo, prover tratamento igualitário a seus empregados ou para apoiar instituições de caridade e projetos sociais. No entanto, ele ressalta que o compromisso das empresas ainda está muito aquém das expectativas do público geral no que diz respeito ao compromisso das empresas de manter um padrão elevado de RSE para suas operações em países subdesenvolvidos ou de produzir bens e serviços social e ambientalmente responsáveis ou, ainda, de ajudar a reduzir as diferenças entre classes sociais.

A avaliação feita com a sociedade em geral indica haver indícios de que, enquanto muitos consumidores dizem que querem comprar produtos “sustentáveis” ou “associados a causas sociais”, na verdade eles continuam a optar pelo preço, pela conveniência ou por produtos funcionais do que pelos que trazem “benefícios éticos”. Essa avaliação sobre RSE tem mais peso quando associada às percepções do público sobre Reputação Corporativa. Recentemente, um estudo realizado pelo Reputation Institute e o Boston College apontou um gap entre as percepções do público geral sobre a RSE e como o mesmo público avalia a Reputação Corporativa nos Estados Unidos.

Foi feita uma análise das percepções sobre RSE e reputação em 27 países. Os consumidores americanos concedem às empresas americanas índices elevados de RSE (ex.: ética corporativa, práticas sociais e ambientalmente corretas e o tratamento dos empregados), mas quando comparados a outros países, os americanos atribuem menor importância a RSE em seu posicionamento sobre a reputação de uma empresa. A pesquisa também aponta que para os consumidores a RSE é importante para confiança e reputação das empresas.

Existem duas hipóteses para esse fato:
1) A perda de credibilidade da RSE: “Quem pode garantir a veracidade do que as empresas estão dizendo sobre SER, depois de tanto falso discurso?”
2) O crescente ceticismo em relação à ação empresarial: “Você simplesmente não pode confiar em empresas, não importa o que elas digam ou façam!”.

Enquanto as empresas tem que ‘correr atrás’ para reduzir esses gaps, o público precisa ‘ligar os pontos’ entre a verdadeira responsabilidade social empresarial e a sua percepção da reputação de uma empresa.


Philip Mirvis
Pesquisador e psicólogo organizacional na “Boston College Center for Corporate Citizenship”. Consultor de negócios nos Estados Unidos, Europa Ásia e Austrália, é autor de 10 livros, incluindo o The Cynical Americans, Building the Competitive Workforce, Joining Forces e To the Desert and Back. Website: http://blog.reputationinstitute.com

HSM Online, 29/07/09

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Inscrições para o Concurso Banco Real Universidade Solidária estão abertas

O Grupo Santander Brasil está com as inscrições abertas para a 12ª edição do Concurso Banco Real Universidade Solidária. Até 28 de agosto, instituições de ensino superior podem enviar projetos sociais que tenham o objetivo de fortalecer o desenvolvimento e contribuir para a geração de renda de comunidades carentes em todo o País.

Os dez projetos selecionados receberão R$ 40 mil por ano, com a possibilidade de renovação por mais um ano. Cada projeto receberá ainda a consultoria do Universidade Solidária (UniSol) e da equipe técnica do Grupo Santander Brasil no seu acompanhamento e implementação.

Em 13 anos o concurso já mobilizou 94 universidades, 1.340 estudantes, 178 professores e beneficiou direta e indiretamente mais de 4 mil pessoas em todo Brasil, a partir da interação entre o conhecimento acadêmico e o popular.


O regulamento completo da 12ª edição do Concurso Banco Real Universidade Solidária está disponível no site www.unisol.org.br. O apoio à educação superior é um dos principais focos das ações de sustentabilidade do Grupo Santander Brasil.


Setor3, 21/07/09

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Edital Pontões de Cultura 2009

Inscrições até 4 de setembro

A Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura (SCC/MinC) divulgou a abertura da seleção de pré-projetos que resultem na criação de 40 Pontões de Cultura, ação inserida no âmbito do Programa Cultura Viva. O Edital de Divulgação nº 4 foi publicado no dia 22 de julho no Diário Oficial da União (Seção 3, páginas 14 e 15).

As iniciativas poderão ser inscritas até o dia 4 de setembro e deverão ser desenvolvidas por entidades públicas ou privadas sem fins lucrativos, que sejam de natureza cultural, tais como associações, sindicatos, cooperativas, fundações privadas, organizações tituladas como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) e Organizações Sociais (OS), sediadas e com atuação comprovada na área cultural há pelo menos dois anos.

As instituições que tiverem seus projetos aprovados e atenderem as condições para a formalização do convênio, com vigência de 36 meses, receberão o pagamento em três parcelas de até R$ 350 mil, cada. Para a primeira etapa, a SCC/MinC conta com recursos de R$ 14 milhões e, segundo a disponibilidade orçamentária, poderá contemplar outros projetos classificados no processo seletivo.

Confira os editais e anexos:
Edital Pontões 2009
Formulário de Inscrição
Requerimento
Pré-projeto
Declaração de Adimplência

Mais informações poderão ser obtidas em www.cultura.gov.br/cultura_viva, pelo e-mail culturaviva@cultura.gov.br ou pelo fax (61) 3316-0731.


Ministério da Cultura, 23/07/09

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Fundo Global oferece recursos para projetos

O Fundo Global para Fundações Comunitárias, uma iniciativa do Banco Mundial, Fundação Ford, WINGS (Worldwide Initiatives for Grantmaker Support) e Fundação Charles Stewart Mott, convida organizações a enviarem cartas de apresentação (letters of intent) para fazer parte dos projetos selecionados para concorrer aos recursos ainda no ano de 2009. Até 7 de agosto de 2009.

Os recursos serão destinados às seguintes áreas:
. Suporte à capacidade de construção e experimentação entre uma fundação comunitária, instituições filantrópicas locais e novas iniciativas.
. Promoção de relacionamentos colaborativos e o fortalecimento de redes de fundações comunitárias e outras instituições filantrópicas, nacional, regional e internacionalmente.

O Fundo possui dois passos para o processo de inscrição. A data limite para o envio da carta de apresentação (letter of intent) é dia 7 de agosto de 2009. As organizações convidadas a submeter a apresentação completa sobre o seu projeto serão avisadas até o dia 30 de setembro.

Além das áreas supracitadas, o Fundo também busca programas que dêem suporte e promovam pesquisas e ações de desenvolvimento de políticas públicas, advocacy, e caminhos de estreitamento entre fundações comunitárias, investidores sociais locais, governos e instituições internacional de financiamento, para promover desenvolvimento local. Para estes casos, não há data limite para envio e o fundo diz que propostas serão bem-vindas.

Para mais informações, acesse o site do Fundo Global. Em casa de dúvidas, mande um e-mail para link para e-mail info@wings-globalfund.org .


Fonte: Gife
ABCR, 23/07/09

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terça-feira, 28 de julho de 2009

Espalhando informações

Bem utilizado, o marketing viral é excelente ferramenta de captação de recursos e comunicação

Marketing viral. O nome desta ferramenta de comunicação já diz tudo. Como um “vírus”, a idéia é se espalhar com dimensões similares às de uma epidemia, atingindo um grande número de pessoas a custos baixos. O processo pode funcionar no “boca-a-boca”, ou, atualmente, pela tão utilizada internet. E-mails, sites, blogs e páginas de relacionamento, como o Orkut, são excelentes meios para espalhar o vírus da informação. Para as organizações do Terceiro Setor, pode ser uma mão na roda, já que é simples e, se bem utilizado, eficaz.

Explorar redes sociais já existentes é o foco do marketing viral, que tem como meta divulgar marcas e práticas que possam ser replicadas. Segundo Janine Saponara, fundadora da Lead Comunicação Organizacional, agência de comunicação especializada em responsabilidade social corporativa, “a estratégia é pedir a outros indivíduos que passem para frente uma mensagem, o que cria oportunidades infinitas”. Essa atitude demanda menos energia, e espera-se que isso se torne uma bola de neve, no bom sentido da expressão.

Mundo pequeno
A teoria do “Mundo Pequeno”, publicada em 1967 pelo psicólogo norte-americano Stanley Milgram, foi a base do conceito do marketing viral. Mais tarde, o estudo ficou conhecido como os “Seis Graus de Separação”, já que mostrou que este é o número máximo de contatos necessários para criar uma ponte entre duas pessoas em qualquer lugar do planeta.

Assim, se seis contatos são suficientes para atingir qualquer pessoa no mundo, cada ser humano se torna um importante canal de comunicação. Atualmente, com o uso da internet, esses contatos ficaram ainda mais simples. Um bate-papo informal pode “vender” uma causa ou uma marca e, pela teoria do mundo pequeno, esse assunto será facilmente expandido de maneira exponencial.

Como utilizar o marketing viral no Terceiro Setor?
Investindo pouco ou, às vezes, nada, é possível divulgar sua causa por meio desta ferramenta. Mas é importante tomar cuidado com o público que se quer atingir, para que suas mensagens não sejam consideradas inoportunas e inconvenientes. Se isso acontecer, os destinatários podem classificar seus e-mails como spam e ter uma imagem errada da organização.

Um exemplo de instituição que soube aproveitar o marketing viral é a People for the Ethical Treatment of Animals (Peta), que tem mais de 2 milhões de membros. Grande parte de sua divulgação é feita com meios de comunicação de baixo custo, repassando vídeos chocantes sobre abusos sofridos por animais ou campanhas contra o uso de peles com celebridades seminuas. “Nós não temos um orçamento, como as grandes empresas, para contratar agências publicitárias que nos ajudem a transmitir a mensagem de proteção aos direitos dos animais. Por isso, utilizamos o marketing viral como meio de espalhar nosso ideal. Nossos apoiadores conversam com suas famílias, amigos e transmitem os assuntos que os comovem”, explica Joel Bartlett, diretor-assistente de Marketing da instituição nos Estados Unidos. As campanhas da instituição também são famosas e já contam com a participação de celebridades. “Fazemos parcerias com pessoas conhecidas e campanhas on-line de baixo custo que têm grande impacto na sociedade”.

Ralph Wilson, consultor americano especialista em marketing, fez uma análise que ficou muito conhecida, e chegou aos sete princípios do marketing viral que podem ser adaptados também às organizações do Terceiro Setor:

1) Ofereça um produto ou serviço de valor para seus prospectores
Esse quesito se baseia na oferta de produtos ou serviços grátis. Para instituições, pode ser colocado em prática de outra forma, por meio de campanhas. Um exemplo é vender produtos que gerem renda à instituição e sensibilizar os receptores em relação à causa.

2) É preciso ser bem definido e de fácil transmissão
Os meios pelos quais a mensagem passa devem ser fáceis de serem replicados assim, é interessante utilizar e-mails e sites gratuitos. É importante que o conteúdo da mensagem seja simples e curto, para que não fique pesada.

3) Capacidade de crescer rapidamente
A mensagem deve ser retransmitida rapidamente para que, quando os usuários começarem a utilizar o serviço, possam promovê-lo e colocar em prática o marketing viral.

4) Comportamentos comuns
O vírus deve causar um apelo às emoções humanas, especialmente no Terceiro Setor, gerando a vontade de passá-lo para frente.

5) Redes de comunicação já existentes
Aproveite as redes já existentes, como grupos de amigos, familiares e colegas de trabalho, que podem facilitar a transmissão de mensagens para um maior número de pessoas.

6) Recursos de terceiros
É possível colocar textos ou imagens em outros sites, por meio de parcerias. Alguns sites permitem que isso seja feito até gratuitamente.

7) Baixo custo
O ideal é que o único custo no marketing viral seja o da criação do que será transmitido. Quanto mais leve e divertido for, mais chances terá de ser replicado. Atualmente, há a estratégia de criar jogos interativos que prendem a atenção e divertem o receptor.

Atual e eficaz
Com o mundo da internet e a interatividade cada vez mais em alta, não haveria melhor momento para colocar em prática esse tipo de comunicação. Graças à existência de sites gratuitos e com grande número de acessos, como o Orkut, o Google e o Youtube, é possível divulgar ações sem gastar nada. Além disso, os sites das próprias instituições devem ser ferramentas práticas, que permitam a comunicação ágil e que demonstrem a transparência e credibilidade daquela organização.

Em 2005, o Peta lançou um vídeo na internet sobre uma investigação da indústria da pele de animais na China. “Nosso vídeo foi visto por mais de 34 milhões de pessoas no mundo inteiro pela internet, e seu conteúdo motivou muitos a pararem de usar pele e a se envolverem nas campanhas do Peta. Causou também impacto na indústria. Marcas como Polo Ralph Lauren, Ann Taylor, Kenneth Cole e Guess prometeram nunca mais usar esse material em seus produtos”, conta Bartlett.

Outro bom exemplo de conectividade é o da organização Kiva, considerada modelo na prática da interatividade e marketing viral. Sua missão é conectar pessoas do mundo todo por meio de um sistema de microempréstimos, que dão possibilidade a indivíduos de classes mais baixas para que comecem seus negócios nos países em desenvolvimento, sendo que tudo é feito pelo site. A página mostra perfis de empreendedores que precisam desse empréstimo para melhorar sua qualidade de vida, assim como perfis de pessoas que gostariam de emprestar dinheiro, colocando-os em contato e mostrando os resultados. Quem emprestou recebe o dinheiro de volta, com o sucesso dos negócios, e pode emprestar novamente a outro empreendedor.

Efeito contrário
Assim como a boa imagem da organização pode ser transmitida com a velocidade de uma epidemia, a imagem ruim também pode. Alguém pode usar o nome de uma instituição sem fins lucrativos e divulgar mensagens falsas, por exemplo, por isso é importante checar a veracidade das informações antes de retransmiti-las.

O que também pode acontecer é que uma notícia negativa e verdadeira seja repassada, situação que prejudica significativamente a imagem da empresa ou instituição. Um exemplo famoso é o da rede americana de fast food, KFC, que ficou conhecida pela maneira cruel com a qual sacrificava as galinhas. Vídeos da ação foram transmitidos pela internet e geraram revoltas nos consumidores e associações protetoras de animais.

Por isso, antes de querer espalhar uma idéia ou o nome de uma instituição, é preciso tomar cuidado com o que será divulgado e, principalmente, pensar previamente e com planejamento, como a ferramenta do marketing viral será utilizada.

Links:
http://www.kiva.org
http://www.lead.com.br
http://www.peta.org


Marcio Zeppelini
Consultor em comunicação para o Terceiro Setor, editor da Revista Filantropia, produtor editorial pela Universidade Anhembi Morumbi e diretor executivo da Zeppelini Editorial & Comunicação. marcio@zeppelini.com.br

Artigo publicado na edição 37 da Revista Filantropia

Envolverde, 27/07/09
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Prêmio pró-ODM espera ter 1.500 inscrições

Já é possível se inscrever no concurso que escolherá as 20 melhores iniciativas locais que ajudem cidades a atingir os Objetivos do Milênio

Abrem neste dia 27 as inscrições para o prêmio que vai selecionar projetos sociais exemplares sobre os ODM (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio). O Prêmio ODM Brasil 2009, que chega a sua terceira edição, escolhe, entre as iniciativas concorrentes, as vinte que melhor auxiliam o cumprimento dos objetivos em suas regiões. Os ODM são metas socioeconômicas que os países da ONU se comprometeram a cumprir até 2015 e envolvem temas como combate à fome, melhoria da saúde da mulher e a defesa do meio ambiente.

Podem participar associações da sociedade civil, empresas, universidades e também governos municipais. A organização do prêmio espera receber pelo menos 1.500 inscrições, o que seria um recorde. Nas edições de 2007 e 2005, foram 1.062 e 920 participantes, respectivamente. Os interessados têm até 2 de outubro para enviar seus projetos pelo site do prêmio, a premiação final só ocorre em abril de 2010.

O Prêmio ODM Brasil foi lançado em 2005 e é realizado a cada dois anos, coordenado pelo PNUD, a Secretaria-Geral da Presidência e o Movimento Nós Podemos. Os 20 vencedores recebem um certificado e um troféu, entregues em cerimônia com a presença do presidente Lula. Davi Schmidt, assessor da Secretaria-Geral, afirma que o que importa na premiação é o reconhecimento. “Tem projetos da primeira edição que foram convidados pra terem divulgação no exterior”, conta.

“O mais importante é que o prêmio está servindo para disseminar o debate sobre os ODM, isso é o importante para nós”, afirma Schmidt. Para divulgar o prêmio e explicar as metas do milênio, a organização promove seminários em todos os Estados brasileiros. O ciclo de eventos começou no dia 23 de julho, com reuniões no Tocantins, Maranhão e Roraima e vai terminar em 7 de setembro, no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Acre.

Nos seminários, membros dos governos e de ONGs locais apresentarão as regras do prêmio e divulgarão formas de mobilizar e monitorar as metas por região. Qualquer pessoa pode participar dos eventos e a agenda completa para todos os Estados está no portal do prêmio (http://www.odmbrasil.org.br/oficinas).

Como participar
Para inscrever um projeto no Prêmio ODM Brasil (http://www.odmbrasil.org.br) é preciso preencher um formulário disponível no site. Seminários em todos os Estados vão explicar as regras, o calendário (http://www.odmbrasil.org.br/oficinas) dos eventos também está on-line.


Dayanne Souza, do Pnud
Envolverde, 27/07/09
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Envolverde sorteia 5 vagas para o Sustentável 2009

Organizado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o 3º Congresso Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável - Sustentável 2009 - será realizado de 4 a 6 de agosto, no Teatro TUCA, na PUC-SP, em São Paulo. Com o tema "Sustentabilidade na Prática: Inovação, Educação e Oportunidades de Negócio", o evento reunirá no mesmo fórum de debate autoridades governamentais, líderes empresariais e representantes da sociedade civil, do Brasil e do exterior.

Patrocinado por grandes empresas instaladas no Brasil, o Sustentável 2009 contará com o apoio da ONU por meio do Instituto de Estudos Avançados da Universidade das Nações Unidas (UNU/IAS), da UNESCO e do PNUMA, além do suporte organizacional e técnico do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD).

A Envolverde irá sortear 5 vagas para Congresso. Para participar basta escrever um e-mail para agencia@envolverde.com.br com o assunto "Sorteio Sustentável 2009". Coloque seu nome completo, telefones para contato, profissão e localidade. O sorteio será feito no dia 29 de julho (quarta-feira) e os ganhadores serão contatados individualmente.

Para mais informações e programação acesse: http://www.sustentavel.org.br
Participe e boa sorte!
Equipe da Envolverde


Envolverde, 28/07/09
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Nem tudo são flores

No final da década de 1990 foi um momento de grande perplexidade das lideranças empresariais capixabas, diante da gradativa redução de investimentos por parte do Estado na área de assistência social. O que gerou desconfiança crescente do empresariado quanto à finalidade dos recursos recolhidos pelo Estado, em forma de pesados impostos, sob o discurso de melhoria da educação, saúde e segurança pública.

As organizações sociais se esforçavam em busca da sustentabilidade, através da captação de recursos junto ao poder público, empresariado local e organizações internacionais de cooperação e fomento. Os empresários se movimentavam em busca de respostas que os ajudassem a investir nas áreas, que entendiam prioritárias, e que fosse garantida a competência e segurança na aplicação dos seus investimentos.

Nascia, nesse contexto, em 1994 a Ação Comunitária Espírito Santo (ACES) que guardava em sua gênese a proposta de sustentabilidade que seria garantida pelo investimento dos sócios fundadores, através de um “Fundo ACES”, com objetivo de auto-sustentação.

A estruturação dos programas e projetos da ACES, inicialmente, priorizou-se as demandas apresentadas por organizações da sociedade civil que realizavam atividades nas áreas de reforço escolar, saúde comunitária e atividades socioesportiva e culturais, na tentativa de suprir ações do poder público. A ACES se consolidava como mediadora das demandas socias e o investimento social privado.

Na visão da época um dos pilares da sustentabillidade estava garantido. A capacidade de investimentos privados e o desenvolvimento de “boas práticas” educativas e sociais, dando a sensação de sustentação duradoura. Com a ampliação do quadro com mais 15 novos associados, reafirmou-se esta “certeza”.

Iniciava-se a busca coletiva de modernização na gestão e profissionalismo dos quadros técnicos, visando garantir a sobrevivência da organização. Foi nesse momento de inquietação que ampliamos a captação de recursos para a esfera internacional, firmando parceria com a Kellogg Foundation. Os investimentos eram voltados para a formação de gestores nas áreas estratégicas, de gestão e de captação de recursos. Temas estes nunca antes abordados nas organizações sociais no Estado.

A aproximação com esses temas impulsionou a equipe técnica a elaborar, em 1995, o planejamento estrégico da ACES, definindo como missão: “Articular as organizações e realizar programas e projetos sócio-educativos com qualidade, ética e inovação, contribuindo para a promoção social”. Não houve participação da direção nessa construção e sem o devido respaldo nunca foi implementado.

Dizíamos em tom de brincadeira que o PIB capixaba encontrava-se presente nas reuniões da diretoria. Esta representatividade não se traduzia em participação dos dirigentes, que se limitavam às reuniões deliberativas, sem uma participação efetiva nas discussões de fundo, como se a sustentabilidade fosse o resultado esperado da intervenção técnico-gerencial da organização.

Outro dado relevante no caminhar da ACES foi a contribuição na formulação de políticas públicas, através da inserção em instâncias de controle social, estadual e municipal. Ato continuo foi a formação de conselheiros dos direitos da criança e do adolescente de Vitória, em conjunto com o poder público e a rede de atendimento municipal. Fomos convidados a coordenar o “Projeto de Comunicação com o Terceiro Setor”, uma parceria com a Arcellor Mital Tubarão, que objetiva “aprimorar os processos de gestão nas dimensões de governança, desenvolvimento de pessoas, administrativo, financeiro, contábil, jurídico e estratégico das organizações sem fins econômicos”.

Caminhamos em direção a “sustentabilidade” buscando a captação e diversificação de recursos, alcançamos a almejada credibilidade junto aos parceiros e diferentes atores sociais, contribuíamos na construção de políticas públicas nas áreas de assistência social, criança e adolescente, direitos humanos, pessoas com deficiência e consolidamos a articulação nas redes sociais locais. Ou seja, a construção de estratégias de atendimento às necessidades política, pedagógica e social estavam em desenvolvimento.

Será que não deixamos escapar nesta busca alguns pontos importantes, como o projeto político e pedagógico, que deveria estar intrinsicamente ligado aos valores e a missão e visão da organização, governança, comunicação com nossos públicos e um sistema de acompanhamento e avaliação?

Teriamos alcançado a tão almejada mobilização de recursos e o desenvolvimento institucional ?

No final de 2008 desencadeamos, em cumplicidade com a nova direção, um processo de análise e avaliação da história da organização e buscamos entender quais os fatores que deveriam ser agregados para o alcance de nossos objetivos.

Entendemos que precisávamos preparar-nos para a tarefa que está sendo assumida, alinhando a organização com suas crenças e os valores.

Nossos quadros técnicos ressentiam-se com a carência de diálogo interno e formação, os projetos não se comunicavam e não tinham a mesma orientação teórico-prática. Nossos processos de gestão, nas dimensões de governança, administrativa e financeira não estavam estruturados para responder ao imperativo do desenvolvimento institucional. Éramos uma “bela” colcha de retalhos.

Nessa ebulição institucional buscamos cooperação de parceiros que contribuíssem com apoio técnico e financeiro e nos estimulasse a “desenvolver competências organizacionais a fim de manter sua sustentabilidade; aumentar a eficiência e eficácia de seus processos de gestão” . Ao lançar seu edital de seleção de projetos, o Instituto C&A de Desenvolvimento Social desponta como parceiro que corresponde às nossas ansiedades “institucionais”.Elaboramos o “Projeto Faces” e fomos selecionados para a difícil tarefa encontrar as respostas para o nosso desenvolvimento, passando pela mobilização e fortalecimento institucional.

O projeto FACES, se consolida como uma estratégia formativa de revelar a identidade, o processo de organização e a dinâmica do funcionamento da ACES em sua integralidade e multidimensionalidade. Tem se mostrado um instrumento de busca e, ao mesmo tempo, uma oportunidade coletiva de reflexão sobre os sentidos das práticas, em suas várias dimensões. Uma imagem da realidade vivida e, ao mesmo tempo, o querer construir mais e melhor. Por isso, sua elaboração não pretende como resultado um documento frio, estático ou estanque, e sim um documento mobilizador em relação à utopia de uma sociedade mais igual.

Para dar conta do processo iniciado, entendemos que havia um caminho a ser percorrido para alcance dos resultados já explicitados. Teríamos que criar uma metodologia participativa e aglutinadora com o público (organizações parceiras, diretoria, conselho fiscal, usuários e colaboradores) envolvido na atuação da ACES.

O primeiro passo foi se apropriar de toda a história da ACES. Construímos uma dinâmica que contou com depoimentos de integrantes do público-alvo, além de acessarmos os documentos, relatórios, revistas e materiais fotográficos.

Movimentamos-nos a passos largos em direção a atualização do planejamento estratégico. Propusemos como missão: “Promover o desenvolvimento institucional da rede social por meio do fortalecimento de programas que contribuam para a transformação social”. E como visão: “Ser referência em tecnologia social para o gerenciamento de projetos de desenvolvimento institucional”, o que foi referendado pela Diretoria em sua última reunião.

Está sempre presente nessa formulação o conceito de desenvolvimento institucional que comungamos:

“... o desenvolvimento institucional permanente é condição sine qua non da sustentabilidade. Isto quer dizer que é inescapável para uma ONG encetar um processo permanente de atualização e qualificação de sua missão e de seu projeto político, das bases de sua legitimidade, de sua capacidade de gestão estratégica, da adequação de sua estratégia de intervenção e metodologia, de sua habilidade e força para influenciar o processo das políticas públicas, de seus mecanismos de governança institucional, de sua disposição e preparo para gerar conhecimentos socialmente úteis e de administrar pessoas e recursos”. Armani, Domingos - Sustentabilidade: desafio democrático.

O “World Café” foi a metodologia adotada para elaborarmos as diretrizes para a reformulação do Estatuto Social da ACES e que, segundo Chris Corrigan, “é o processo que uso quando queremos descobrir o que o coletivo sabe".

Torna-se cada vez mais presente a constatação sobre como estávamos distantes de alcançar a sustentabilidade. Deparamos-nos com mudanças simples e tão significativas na cultura institucional, como as questões estratégicas sendo discutidas nas reuniões de colaboradores, ou a participação da diretoria no desenvolvimento de temas relevantes, como a comunicação e diretrizes metodológicas, em conjunto com a equipe técnica.

A democratização dos processos decisórios. Ou até mesmo o desnudamento da organização quando reflete suas dificuldades e tropeços com as organizações parceiras e que tinha na ACES um farol onde deveriam se espelhar. O projeto político pedagógico sendo discutido calorosamente por estagiários e empresários na mesma mesa e com o mesmo objetivo: a transformação social!

Entendemos que estamos engatinhando na direção para alcançarmos a nossa utopia de uma sociedade mais igual. Olhando para o novo horizonte a ser perseguido e algumas tarefas tornam-se vitais. A co-participação com a rede social da concepção política de enfretamento da pobreza, o valor social do projeto institucional, a árdua tarefa de ampliar os investidores e que se tornem “cúmplices” dessa busca pelo desenvolvimento, ampliar o poder de interferir na elaboração de políticas públicas que correspondam a minimize as desigualdades sociais.


Maria Helena Escovedo
Gerente geral da Ação Comunitária Espírito Santo (ACES)
redeGIFE Online, 27/07/09

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