quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Informalidade ajuda mais a deixar pobreza

Dados de seis regiões metropolitanas do Brasil indicam que trabalho informal tira mais pessoas da pobreza do que trabalho com carteira

Nas maiores regiões metropolitanas do Brasil, o emprego informal tira mais pessoas da pobreza do que o emprego formal, afirma um estudo publicado pelo Centro Internacional de Pobreza, um instituto de pesquisa do PNUD em parceria com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O documento indica, porém, que o trabalhador com carteira registrada tem menor chance de entrar na pobreza.

Em artigo intitulado Where are the Jobs that Take People Out of Poverty in Brazil?, os autores do estudo sintetizam os resultados, que têm como base números de 2004 da Pesquisa Mensal de Empregos, feita pelo IBGE em seis regiões metropolitanas de capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador.

No texto, os pesquisadores Rafael Ribas, do Centro Internacional de Pobreza, e Ana Flávia Machado, do CEDEPLAR (Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional, ligado à UFMG), analisam a mobilidade social de trabalhadores pobres, classificando a população de 18 e 60 anos em três grupos: trabalhadores formais, trabalhadores informais e desempregados. São definidos como pobres os que têm renda per capita inferior a 60% da mediana (teto da remuneração dos 50% que ganham menos).

Dos trabalhadores pobres no setor informal em um dado mês, 3% ficavam acima da linha de pobreza no mês seguinte. No setor formal, o percentual era de apenas 1%. Entre os desempregados, 6% da população deixava de ser pobre todo mês.

É sobre esse percentual de desempregados que o artigo mais se debruça. "O resultado mais interessante é que apenas 14% dos desempregados apresentam mobilidade positiva por encontrar um emprego formal. Isso sugere que o setor formal não ajudou tanto as pessoas a escaparem da pobreza quanto o setor informal. Trabalhos informais responderam por 37% da mobilidade ascendente experimentada pelos desempregados”, afirma o texto.

Por outro lado, a chance de desempregados e trabalhadores informais caírem na pobreza é maior: a cada mês, 3% e 4%, respectivamente. Entre trabalhadores que ocupam postos no setor formal, 2% viram pobres a cada mês. "Trabalhadores do setor informal, desta forma, estão mais propensos a cair na pobreza por estarem desprovidos de proteção durante períodos de turbulência econômica", observam os autores.

Os pesquisadores salientam a importância da geração de empregos como forma de reduzir a pobreza urbana. "Obviamente, o setor formal oferece as melhores condições para os trabalhadores, mas no Brasil os pobres têm um acesso muito limitado a esse setor." Eles sugerem ênfase na criação de postos de trabalho formal, oferta de cursos de especialização e expansão do crédito para pequenas empresas. "Melhores redes que protejam tanto trabalhadores formais e informais deve ser uma política alternativa efetiva no curto prazo", concluem.


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PNUD Brasil, Boletim nº 512, 21/10/08

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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Por mais transparência na gestão pública

Em alguns momentos, principalmente naqueles de crise, o Governo é criticado por não estabelecer uma relação de parceria com a sociedade. Isso não é sempre verdade, pelo menos no Ministério da Justiça (MJ) e especialmente na Secretaria Nacional de Justiça (SNJ), no atual período. Além de criticar – e a crítica é fundamental para a democracia – faz-se necessário também reconhecer as ações do Estado em benefício da transparência e da participação cidadã.

Mas antes, vamos voltar um pouco no tempo. Em 2006 foi criada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação de organizações não governamentais e diferenciar as entidades filantrópicas das ditas “pilantrópicas”. A atuação desta e de outras CPIs é de conhecimento de parte da população que acompanha os noticiários. Porém, outras iniciativas também merecem ser melhor conhecidas. Destaco a seguir, uma ação específica da Secretaria Nacional de Justiça, em direção a uma maior transparência na gestão pública.

A ação, que não ocupou grande espaço na mídia e mereceria, a meu ver, uma maior atenção, é o novo modelo de controle social e fiscalização dos recursos públicos utilizados pelo terceiro setor e criado pelo Ministério da Justiça: o Cadastro Nacional de Entidades de Utilidade Pública do Ministério da Justiça (CNEs/MJ).

O CNEs/MJ vem sendo construído desde 2004. Em 2006, com a Portaria SNJ nº23, de 28 de dezembro, foi instituída a obrigatoriedade de prestação de contas de Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips) e de entidades declaradas de Utilidade Pública Federal (UPF).

Hoje, o CNEs/MJ é um sistema eletrônico que permite registrar em um banco de dados organizado a existência, o funcionamento e os serviços prestados por entidades privadas, sem fins lucrativos e que cumprem finalidades de interesse público. Essa importante ferramenta, disponibilizada no site do MJ (www.mj.gov.br/cnes) possibilita ao cidadão exercer um controle democrático sobre os órgãos da Administração Pública, porque permite a ele o acesso às informações das entidades que tiveram suas certidões de regularidade liberadas e a fiscalização mais efetiva do uso dos recursos públicos repassados a elas.

Qualquer entidade que queira desenvolver atividades de interesse público com recursos públicos, ainda que não possua qualificação ou titulação alguma, pode se cadastrar no CNEs//MJ. Outra novidade é que todos os órgãos estatais que detenham informações não sigilosas sobre entidades sociais, poderão disponibilizá-las no CNEs/MJ, mediante acordo de cooperação firmado com o MJ.

Hoje o Cadastro, administrado pelo Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação (Dejus), já recebe, sistematiza e dá ampla publicidade na Internet às prestações de contas anuais de cerca de 17 mil entidades qualificadas no Ministério da Justiça. Mais de 12 mil entidades de Utilidade Pública Federal (UPF) e mais de 4 mil Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips) já se cadastraram no CNEs/MJ. As Organizações Estrangeiras (OEs) que atuam ou pretendem atuar no Brasil também devem atualizar ou fazer seu cadastro no CNEs/MJ..

As funcionalidades do CNEs/MJ permitem também a divulgação das prestações de contas das entidades que recebem recursos públicos, com ou sem aprovação dos respectivos órgãos parceiros. É importante esclarecer que as entidades qualificadas no âmbito do MJ ainda têm por obrigação a prestação anual de contas para manter sua qualificação e obter a certidão de regularidade. Já as entidades que não possuem qualificação e que tenham interesse na captação de recursos públicos, podem, querendo, fazer o cadastro básico no sistema, o que lhes garante maior transparência perante a sociedade.

A interface com o cidadão é onipresente no CNEs. O sistema permite que qualquer cidadão possa fazer elogios e/ou denúncias sobre a utilização de recursos públicos por quaisquer organizações não governamentais. Há a forma simplificada do “Clique Denúncia” e, no relatório de prestação de contas a própria entidade poderá, por questionário e campo de livre preenchimento, emitir sua opinião sobre o CNEs e sua prestação de contas.

Atribuir maior transparência à gestão pública e promover uma maior participação da sociedade nas atividades administrativas do Governo são os principais objetivos deste serviço. A expectativa é que com esse novo modelo de controle social se possa fiscalizar com maior eficiência e efetividade as políticas públicas e a utilização de recursos públicos repassados a organizações não governamentais, ainda que estas não possuam qualquer qualificação ou titulação federal.

Além de fomentar o controle social, o CNEs/MJ pode se constituir em importante rede de proteção da administração pública. A cultura de condicionar o repasse de recursos públicos a entidades sem fins lucrativos à apresentação da certidão de regularidade do CNEs/MJ, vai estabelecer uma rede que, a cada passo, se reforça e se amplia. Assim, o administrador exige a certidão; para obtê-la a entidade deve prestar contas ao CNEs/MJ e as contas da entidade, por sua vez, são tornadas públicas no sítio do Ministério da Justiça; e assim o cidadão pode participar do controle, fiscalizando e denunciando. Com essa rede de proteção, ganham todos: o cidadão, as entidades e o poder público.

Certamente, o CNEs/MJ não pode resolver todos os problemas relativos à utilização inadequada de recursos públicos. Mas é forçoso reconhecer que sua existência incrementa significativamente a capacidade de controle do Estado e, principalmente, da sociedade sobre os recursos públicos. Não é por outra razão que o desenvolvimento do CNEs está vinculado às metas da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro – ENCCLA. Sem, contudo, violar a autonomia de organização da sociedade civil e sem instituir uma desconfiança generalizada sobre organizações não governamentais.


Romeu Tuma Júnior
Secretário Nacional de Justiça
redeGIFE Online, 21/10/08

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Programa analisa pertinência de Estatuto para o Terceiro Setor

Aos moldes de estatutos como o do Idoso ou da Criança e do Adolescente, qual seria a pertinência real de um novo conjunto de leis para disciplinar as relações jurídicas do terceiro setor? A questão é o ponto inicial do trabalho realizado pelo Instituto Pro Bono, coordenado pelo professor-doutor de Direito Administrativo da USP, Gustavo Justino de Oliveira.

O projeto tem duração total de seis meses e possui dois eixos estruturantes. O primeiro, em uma pesquisa sobre o marco legal para o terceiro setor no Brasil, em comparação aos EUA e alguns países da Europa – Itália, França, Espanha, Portugal e Inglaterra. Já em segundo, a realização de seminários focais pelo Brasil para discutir o tema, unindo sociedade civil organizada, governo, setor privado e academia.

Com base nessa interlocução, o Instituto Pro Bono e o representante da USP esperam criar uma minuta de anteprojeto de lei (isto é, as diretrizes básicas do projeto definitivo de uma lei) para análise do Ministério da Justiça. “Angariamos informações, dados e depoimentos com representantes de entidades pertencentes ao terceiro setor, representantes do Poder Público e a sociedade civil sobre a relevância do setor e a necessidade de sua regulação. Trata-se de um trabalho científico, cuja adoção dependerá exclusivamente do Ministério”, explica Oliveira.

Contexto da Ação
Todo o trabalho de Gustavo Oliveira e do Instituto Pro Bono, no entanto, faz parte de um programa maior, liderado pela Secretaria de Assuntos Legislativos (SAL), órgão do Ministério da Justiça, e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), chamado “Pensando o Direito”. A iniciativa tem como objetivo estreitar os laços com a academia e qualificar a Secretaria em seu trabalho de elaboração normativa.

Iniciado em 2007, o “Pensando o Direito” já realizou pesquisas em nove áreas temáticas: Direito Ambiental, Direito do Consumidor, Direitos Humanos, Direito Urbanístico, Federalismo, Observatório do Judiciário, Penas Alternativas, Propriedade Intelectual, Reforma Política e Direito Eleitoral. Basicamente, a idéia era a de que uma universidade propusesse um projeto de pesquisa sobre determinada temática e depois apresentasse um relatório ao SAL.

“Essas áreas foram consideradas importantes para o Ministério. São temas complexos mesmo nos debates acadêmicos, que podem demorar anos para chegar a consensos. Se nas universidades é assim, imagina do dia-a-dia da secretaria?”, acredita Rafael Alves, da Secretaria de Assuntos Legislativos.

Segundo ele, o êxito da experiência motivou o lançamento de uma nova edição da iniciativa, no início de 2008, realizada em duas etapas. A primeira teve como foco os eixos de Direito Penal e Processual Penal e de Direito Constitucional e Eleitoral. Já a segunda inclui oito áreas temáticas em diversos campos do Direito: Conselho Tutelar, Vítimas de Violência, Conflitos Coletivos sobre a Posse e a Propriedade de Bens Imóveis, Sucessão – Companheiros e Cônjuges, Grupos de Interesse (lobby), Estatuto dos Povos Indígenas, Estado Democrático de Direito e Terceiro Setor, Igualdade de Direitos entre Mulheres e Homens.

“O financiamento desses projetos tem como fim o estímulo à pesquisa jurídica no país. E, nessa questão, as faculdades estão muito isoladas, seja com a sociedade civil organizada, governos ou empresas”, argumenta Alves.

Conceituação
Uma das primeiras ações para o trabalho do Instituto Pro Bono e a USP, após serem selecionados para participar com o projeto “Estatuto Jurídico do Terceiro Setor – pertinência, conteúdo e possibilidades de configuração normativa”, foi a de realizar um encontro em São Paulo, em parceria com o Centro Acadêmico “XI de Agôsto”, da Faculdade de Direito da USP.

Na ocasião, participaram cerca de 60 lideranças de entidades sociais, representantes do poder público e estudiosos da academia, para dar as impressões iniciais sobre a necessidade de um estatuto. A primeira questão a que se chegou nas palestras foi a da indefinição sobre o termo: o que afinal é terceiro setor?

“Não temos uma definição jurídica sobre o termo. Há poucos estudos em direito sobre isso. Definir o que é terceiro setor é o primeiro passo para desburocratizá-lo”, exclamou a presidente da Comissão de Direito do Terceiro Setor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo, Lucia Maria Bludeni Cunha.

Para o coordenador do Centro de Estudos do Terceiro Setor da Escola da Administração de Empresas (Eaesp), Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, Luiz Carlos Merege, a metodologia elabroada pelo Centro de Estudos da Sociedade Civil da Universidade Johns Hopkins, em 2002, não é mais o suficiente.

Apesar dessa lógica conceitual basear o Manual sobre Organizações Não Lucrativas do Sistema de Contas Nacionais da Organização das Nações Unidas - que passou a ser um referencial para as pesquisas que desde então são realizadas sobre o terceiro setor -, segundo Merege, ela não abarca a heterogeneidade das práticas pelo bem comum.

“Há uma série de iniciativas promovidas por organizações informais, que não estão no bojo de associações, fundações, entidades etc, que fazem parte da lista que compõe o terceiro setor registrada pela ONU”, argumenta.

A presidente da Associação Paulista de Fundações, Dora Silvia Bueno, também apresentou considerações contundentes sobre o tema. “Se a definição de terceiro setor se afirma no seu objetivo, que é a defesa dos direitos sociais, é preciso rever porque condomínios e clubes esportivos, organizações de origem privada, usufruem dos mesmos benefícios que algumas entidades de assistência”, questionou, evidenciando certa confusão jurídica sobre o setor no Brasil.

Insegurança Jurídica
Uma das conclusões mais unânimes do evento é que o Brasil possui uma legislação para o terceiro setor fragmentada, contraditória e conflituosa. A situação torna-se ainda mais negativa quando analisada a conturbada relação entre sociedade civil organizada e governo, que trabalha, muitas vezes, de forma ambivalente, ora concedendo imunidades e isenções, ora cancelando-as de forma arbitrária.

Um dos exemplos mais vistosos sobre o assunto pode ser encontrado no Art. 62 do Código Civil, que legisla sobre a criação de uma fundação, especificando o fim a que se destina. Em parágrafo único, legitima: “a fundação somente poderá constituir-se para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência”.

O questionamento dessa legislação é simples: se uma fundação atua para a educação, saúde ou meio ambiente, em que fim ela se identifica. Para os convidados do encontro em São Paulo, essa é apenas umas das pérolas de conflitos, porque, as organizações de educação, saúde ou meio ambiente se registram na área cinzenta dos fins “morais”.

Essa conceituação, no entanto, está a cargo do Ministério Público, que, na pessoa do Curador de Fundações, pode interpretar de forma diferente essa situação. O que, no fim, impede o trabalho da Fundação por uma tecnicalidade.

Para Márcia Pelegrini, membro do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, a instabilidade jurídica é para todos. “O controle que é feito traz insegurança não apenas para a entidade, mas para quem faz o controle”, lembrou. Ela afirma que os técnicos do Ministério Público, ou mesmo do Tribunal de Contas, passam por dificuldades na hora de analisar a situação de organizações sociais, graças às rotineiras mudanças nas regras.

Márcia defende, por exemplo, a consolidação do marco legal do terceiro setor, que sistematizaria a legislação existente. “Quando se fala em instrução, decreto ou portaria, é sempre traumático para ambos os lados (organizações sociais e técnicos da administração pública)”, criticou.

Dados
Para entender o peso do setor, é preciso analisar seus números. Entre 2002 e 2006, o número de fundações privadas e associações sem fins lucrativos cresceu 22,6%, passando de 276 mil para 338 mil. Comparativamente, o número é tímido em relação ao período de 1996 e 2002, quando o crescimento dessas organizações sociais foi de 157% (105 mil para 276 mil).

Os dados são da segunda edição da pesquisa As Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos no Brasil (Fasfil). O levantamento foi realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o GIFE e a Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong).

Os dados utilizados são do Cadastro Central de Empresas (Cempre) do IBGE para o ano de 2005, que cobre o universo das organizações inscritas no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). O ponto de partida do processo foi selecionar, no Cempre, as entidades qualificadas como sem fins lucrativos.

Resultados
Embora as conclusões do encontro em São Paulo tenham tendido para a não criação de um Estatuto Jurídico para o Terceiro Setor, ficou clara a necessidade de mudanças no marco legal. Há, assim, uma prerrogativa pelo aperfeiçoamento e consolidação das leis já existentes.

O Instituto Pro Bono espera apresentar a proposta à Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, em abril de 2009. “Privilegiaremos a participação por meio dessas consultas públicas nos próximos seis meses (cinco meses)”, garante Marcos Roberto Fuchs, presidente do instituto.


Rodrigo Zavala
redeGIFE Online, 20/10/08

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Prêmio Interações Estéticas: inscrições prorrogadas até 4 de novembro

A Fundação Nacional de Artes (Funarte), em parceria com a Secretaria de Programas e Projetos Culturais (SPPC) do Ministério da Cultura, lança o edital do PRÊMIO INTERAÇÕES ESTÉTICAS - RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS EM PONTOS DE CULTURA. O prazo de inscrições foi prorrogado para dia 4 de novembro de 2008.

Com investimento total de R$ 2,09 milhões, o programa oferece a artistas de diversos segmentos a possibilidade de desenvolver um trabalho integrado a ações de Pontos de Cultura de todo o país.

Para tanto, serão viabilizados projetos de residência, que levarão o artista a promover atividades integradas com os Pontos e criar produtos finais de acordo com as demandas locais. Serão concedidos 71 prêmios que variam de R$ 15 mil a R$ 90 mil.

O Ponto de Cultura é a ação prioritária do Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura. Representantes da sociedade civil firmam convênio com o MinC e, por meio de seleção pública, criam Pontos de Cultura, que ficam responsáveis por articular e impulsionar ações já existentes em suas comunidades. Atualmente, existem cerca de 800 Pontos de Cultura espalhados pelo país.

Para atender à política de descentralização de recursos do MinC, o edital do Prêmio Interações Estéticas prevê a distribuição de 66 prêmios entre as cinco regiões do país. Além disso, cinco prêmios de R$ 90 mil serão destinados a projetos de abrangência nacional, que não estão submetidos a nenhuma categoria regional pré-estabelecida. Em ambos os casos, o artista, independente de seu estado de origem, poderá escolher com liberdade o local em que pretende atuar e o Ponto de Cultura com o qual deseja trabalhar.

Os proponentes precisam enviar seus projetos por correio para a Funarte, contendo objetivo, justificativa e uma descrição das possibilidades de interação e integração com a dinâmica de ações do Ponto de Cultura escolhido. Além disso, devem apresentar detalhes sobre o planejamento de execução das atividades e sobre o produto final previsto. Será preciso anexar também a ficha de inscrição, o currículo do proponente e um relatório, elaborado pelo Ponto de Cultura envolvido, de avaliação do projeto.

A análise das propostas recebidas será realizada por uma comissão de seleção composta por sete membros de reconhecida idoneidade e capacidade de julgamento, sendo dois deles representantes da SPPC. Os critérios serão: o currículo do proponente; a justificativa da necessidade do prêmio; a qualidade e originalidade do projeto; a interação e integração com a dinâmica de ações do Ponto de Cultura escolhido; a consistência, coerência e metodologia no planejamento de execução das idéias propostas.

>> Edital
>> Ficha de inscrição
>> Busca de Pontos de Cultura em funcionamento
>> Mais informações: cepin@funarte.gov.br


Fonte: Funarte

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Propostas para projetos em pequena escala do Centro Cultural do BID

As Representações do BID na América Latina e no Caribe receberão as candidaturas para financiamento

O Centro Cultural do Banco Interamericano de Desenvolvimento anuncia sua convocatória de propostas para concessões de ajuda financeira em 2009 a projetos de desenvolvimento cultural de pequena escala.

As propostas devem ser enviadas antes de 31 de janeiro de 2009 para as Representações do BID nos 26 países da América Latina e do Caribe que são membros mutuários do Banco.

As doações únicas, em valores que variam de US$ 3.000 a US$ 10.000, serão concedidas a propostas que satisfaçam uma necessidade local, contribuam para os valores culturais, estimulem a atividade econômica e social de forma inovadora e bem-sucedida, apóiem a excelência artística e contribuam para o desenvolvimento dos jovens e da comunidade.

O Programa de Desenvolvimento Cultural foi concebido para estimular o desenvolvimento de projetos inovadores, preservar e recuperar tradições e conservar o patrimônio cultural, entre outros objetivos. Os projetos são avaliados de acordo com sua viabilidade, alcance educativo, uso eficaz de recursos, capacidade de mobilizar recursos financeiros adicionais e impacto de longo prazo sobre a comunidade.

O BID pode financiar até dois terços de um projeto. As organizações locais são responsáveis por proporcionar o resto dos recursos e apoiar o projeto de modo sustentável. Desde 1996, o Programa de Desenvolvimento Cultural tem demonstrado a eficácia de microinvestimentos em empresas culturais comunitárias para a geração de empregos e desenvolvimento de capacidade.

Confira o edital


Ministério da Cultura, 21/10/08

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Ninguém é insubstituível

Sala de reunião de uma multinacional, o CEO nervoso fala com sua equipe de gestores. Agita as mãos, mostra gráficos e olhando nos olhos de cada um, ameaça: “ninguém é insubstituível”. A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio. Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada.

De repente um braço se levanta, e o CEO se prepara para triturar o atrevido:
- Alguma pergunta?
- Tenho sim. E o Beethoven?
- Como? – o CEO encara o gestor, confuso.
- O senhor disse que ninguém é insubstituível, e quem substitui o Beethoven?

Silêncio.

Ouvi essa estória esses dias, contada por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso. Afinal, as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização, e que quando sai um é só encontrar outro para por no lugar.

Quem substitui Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Dorival Caymmi? Garrincha? Michael Phelps? Santos Dumont? Monteiro Lobato? John Kennedy? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso?

Todos esses talentos marcaram a História fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem – ou seja – fizeram seu talento brilhar. E, portanto, são sim insubstituíveis.

Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Está na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe, focando no brilho de seus pontos fortes e não utilizando energia em reparar “seus gaps”.

Ninguém lembra e nem quer saber se Beethoven era surdo, se Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico, Elvis paranóico. O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos.

Cabe aos líderes de sua organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.

Se você ainda está focado em “melhorar as fraquezas” de sua equipe, corre o risco de ser aquele tipo de líder que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo e Gisele Bundchen por ter nariz grande.

E na sua gestão, o mundo teria perdido todos esses talentos.


Celia Spangher
Atua na Facioli como Consultora de Comunicação e Novos Negócios - celia@facioli.com
Facioli Consultoria, 05/09/08

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Cartilha OAB "Aspectos Jurídicos da Captação de Recursos para o Terceiro Setor"


Captação ou mobilização de recursos são termos utilizados para denominar um conjunto de atividades multidisciplinares, realizadas pelas organizações do Terceiro Setor, com o objetivo de gerar recursos financeiros, materiais e humanos para a consecução de suas finalidades. Ou seja, é uma ATIVIDADE MEIO para a sustentação financeira das organizações, envolvendo questões de marketing, comunicação, gestão, jurídicas éticas.

Para o sucesso da atividade de captação de recursos recomenda-se o acesso a diferentes fontes de recursos, tais como iniciativa privada (pessoas físicas e jurídicas), fundações, organizações religiosas, organismos internacionais, projetos de geração de renda, governo e eventos.

A necessidade de acesso a diferentes fontes de recursos existe não apenas pelo aumento da possibilidade de sucesso das campanhas para mobilização de fundos. Essa diversificação também é fator essencial para a diminuição do risco da falta de recursos financeiros, materiais e humanos.

Quanto mais diversificadas as fontes e em maior quantidade, menor será o risco para a sustentação financeira e organizacional e maior a legitimidade social da entidade.

Assim, fica claro que uma organização do Terceiro Setor, no que diz respeito à captação de recursos, deve relacionar-se com diversos públicos e de formas diferenciadas. Solicitação de doações, realização de bazares, cursos, estabelecimento de parcerias e alianças estratégicas, autorização para o uso de marcas e promoção de eventos são alguns exemplos dessas relações que envolvem diversos aspectos, inclusive jurídicos.

Veja a Cartilha na Íntegra


ABCR, 21/10/08

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

CAFAmerica ajuda organizações a construir base de doadores nos Estados Unidos

Organizações brasileiras sem fins lucrativos podem receber doações motivadas por deduções do imposto de indivíduos, fundações privadas e empresas que operam nos Estados Unidos. Especialista em promover investimentos sociais entre fronteiras, o escritório norte-americano da Charities Aid Foundation (CAFAmerica) recebe e encaminha recursos para organizações estrangeiras escolhidas por doadores. Vinte e uma organizações brasileiras como o Comunitas, o Instituto Ayrton Senna e o Instituto Tomie Ohtake já fazem parte da lista com 1.672 instituições.

O Internal Revenue Service (IRS), órgão responsável pela arrecadação de impostos nos Estados Unidos, determina que os investimentos sociais dedutíveis do imposto são somente os encaminhados a instituições organizadas nos Estados Unidos e identificadas como public charity – inscritas pelo código US501(c)(3). Como conseqüência, as organizações da sociedade civil (oscs) estrangeiras que desejam se beneficiar da legislação precisam ser reconhecidas como equivalentes às inscritas no IRS.

O processo caro e demorado pode ser evitado com a ajuda de instituições como a CAFAmerica, inscrita como uma public charity e que atua como intermediadora de investimentos sociais. Com esta natureza, a CAFAmerica está sujeita a regras menos restritivas em relação a filantropia internacional do que aquelas aplicadas a indivíduos e fundações privadas nos Estados Unidos.

Como funciona
O investidor norte-americano manda a sua contribuição para a CAFAmerica e determina qual organização estrangeira deve ser beneficiada. Se a organização for elegível – ou seja, já passou pelo processo de validação realizado pela CAF para garantir que os recursos sejam utilizados com os propósitos declarados -, o dinheiro é repassado e o doador recebe o documento que permite o desconto no imposto devido.

A organização escolhida que ainda não constar da lista de elegíveis é contatada diretamente pela CAFAmerica, solicitando que esta inicie o processo de validação . O mesmo acontece com as organizações sem fins lucrativos que não foram indicadas por um doador, mas que desejam criar uma base de captação de recursos nos Estados Unidos. Estas, se consideradas elegíveis, passam a integrar uma lista de possíveis beneficiárias de investimentos.

O processo de validação, chamado de Grant Elegibility Avaliation (GEA), dura entre 4 e 6 semanas é baseado em boas práticas internacionais para a prevenção de fraudes e lavagem de dinheiro. As organizações devem apresentar:
* Documentos de governança – o estatuto, memorandos, artigos ou quaisquer outros documentos que descrevam como a organização é estruturada. É necessário enviar cópias com a língua original e em inglês não-juramentado.
* Previsão de dissolução – se não fizer parte dos documentos de governança, a CAFAmerica exige uma declaração do que deve acontecer com os fundos se a organização chegar ao fim. Cópia em inglês.
* Processo de seleção da diretoria – a CAFAmerica quer saber qual é o processo pelo qual diretores e os responsáveis legais (trustees) são escolhidos. Cópia em inglês.
* Documentos financeiros – embora prefira revisar declarações financeiras auditadas, a CAFAmerica aceita documentos não auditados caso não exista obrigação legal de produzi-los por meio de auditoria. Se não for possível entregar declarações financeiras, a CAF pede cópias dos documentos que comprovem renda e gasto. Isso pode incluir recibos bancários, dados de contas ou outros documentos financeiros e uma narrativa escrita em inglês que explique a posição financeira da instituição. Se a organização está no processo de estabelecimento e ainda não possui documentos financeiros, a CAF pede uma projeção orçamentária para o próximo ano e deve pedir os documentos financeiros do primeiro ano de funcionamento.
* Verificação independente da missão – pode ser um relatório anual, brochura, website, material de mobilização de recursos ou qualquer outro documento que descreva a missão da organização. Não é necessário ser em inglês.
* Responsáveis - lista atualizada da diretoria e responsáveis legais
* Status - prova do status de organização sem fins lucrativos no país de domicílio.

O processo é válido por 2 anos. Embora a maioria das doações sugeridas sejam aprovadas, a CAFAmerica rejeita o investimento social em organizações estrangeiras com suspeitas de lavagem de dinheiro ou suporte ao terrorismo.


Idis, 14/10/08

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O que é o movimento Bota Pra Fazer

Empreendedorismo brasileiro no movimento Bota Pra Fazer


Bota Pra Fazer é a versão brasileira do movimento global pelo empreendedorismo, que está mexendo com as pessoas do planeta. É a primeira vez que o mundo todo colocará o empreendedorismo em pauta simultâneamente!

O que é o movimento Bota Pra Fazer
O objetivo mesmo, é fazer com que empreendedores materializem possíveis ideias geniais que mantém em suas cabeças. É um movimento para chutar as cadeiras e tirar logo aquele seu projeto, produto, máquina ou serviço da gaveta. Vamos lá!

O movimento surgiu na Inglaterra, em 2004, quando o Ministro da Fazenda, Gordon Brown, sentiu que precisava estimular o espírito empreendedor, a inovação e a criatividade no país.
Foi criada então, a Semana do Empreendedorismo, em que foram desenvolvidas diferentes atividades que estimulassem mais a atitude, e a colocarem suas ideias em prática.
Esse movimento migrou para outros países, causando grandes e bons efeitos. Agora, o mundo todo está engajado nesse movimento.

No Brasil é o Instituto Endeavor que está encabeçando a coisa toda e convocando todos ao empreendedorismo.
As atividades promovidas giram em torno de:
Concurso de planos de negócios;
Competições de cases;
Premiações;
Palestras;
Eventos culturais;
Fóruns on-line;
Debates.

A Semana Global do Empreendedorismo
Nessa semana empresas e universidades do mundo inteiro vão promover seminários, workshops, debates, fóruns para estimular as inciativas de gente empreendedora. Serão estudos de casos, exemplos de gente que chegou lá, cursos, informações técnicas etc… TUDO DE GRAÇA.
De 17 a 23 de novembro

Como participar do movimento Bota Pra Fazer
Há duas maneiras de entrar no movimento; como participante e como empresa parceira. Informações e cadastro no site oficial: www.semanaglobal.com.br.


Jair Pedrosa
Ética, Responsabilidade Social, Economia Solidária e Comércio Justo, 19/10/08

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domingo, 19 de outubro de 2008

Sustentabilidade: cola ética para a crise moral

Empresas e Sustentabilidade foi o tema que encerrou o primeiro dia (16) do evento realizado pelo Instituto Envolverde, discutindo os diferentes enfoques da sustentabilidade na mídia e no mundo.

Já resumindo o clima do dia, o jornalista Adalberto Marcondes recepcionou os participantes do evento lembrando que “a sustentabilidade é a ferramenta capaz de nos assegurar futuros”. E acrescentou “é a cola ética para a crise moral, social e econômica que vive a sociedade”, disse. Uma sociedade, aliás, guiada pela técnica, mas com pouca ética, como pontuou a senadora Marina Silva em sua palestra magna proferida na abertura. Na perspectiva da discussão aberta, o tema do posicionamento sustentável das empresas toma contornos capitais.

Na mesa, a consultora em sustentabilidade empresarial, Flávia Moraes, prega o auto-conhecimento como primeiro passo para aquelas empresas que queiram tomar o caminho da responsabilidade para com a sociedade e o planeta. “A empresa deve representar ela mesma a mudança que queira empreender em seu espaço de ação”, disse Flávia. A ex-diretora de comunicação da Philips tem larga experiência em direcionar empresários para o tema. Suas falas ecoaram em uma mesa eminentemente técnica, mas que tentou questionar os rumos de uma comunicação institucional para essa área.

Antes de alcançarem uma reputação responsável e comunicarem todas as suas ações positivas aos parceiros, é “preciso que as empresas abram um verdadeiro diálogo” entre as partes envolvidas, sejam ONGs, comunidades e outras. “Uma empresa nunca será sustentável se reproduzir a injustiça social reinante na sociedade”, ensina Flávia Moraes. Para além de incorporarem os valores do triple bottom line, uma empresa deve permear suas atitudes pela ética. Ou melhor, antes de tomar o compromisso com ações sustentáveis (e comunicar estas ações!), as lideranças empresariais devem reorganizar seus negócios e trazer para suas lideranças o pacto da mudança de dentro para fora.

Segundo a consultora, ao se perguntarem se de fato seus bens e serviços são relevantes, se o seu investimento na área social visa à construção de um novo paradigma, ou se conseguem de fato ouvir os beneficiários de seus projetos, presidentes e CEOs estarão no caminho de rever conceitos importantes e transformar seus negócios em empresas verdadeiramente orgânicas.

Ao compartilharem das idéias da consultora, Luis Fernando Maia Nery, gerente de Responsabilidade Social e de Comunicação Institucional da Petrobras, e Pablo Barros, coordenador de Comunicação do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), também acreditam que o importante processo traz incomensuráveis retornos de credibilidade, confiança e reputação (ou imagem) para a marca e o negócio.

Para ambos, não é mais possível pensar a comunicação empresarial sem pensar em co-responsabilidade de todos para com todos, em um contexto planetário. Hoje, esta comunicação empresarial deve ser participativa e voltada ao conhecimento caso queira ser uma ponte para um relacionamento de confiança de empresas com seus clientes, fornecedores ou parceiros. Nestas idéias, estão a base para um novo posicionamento do negócio. E, até para um novo paradigma de desenvolvimento econômico, social e ambiental.

No caso da Petrobras, uma das grandes conquistas almejadas é “ser considerada por todos como uma empresa grande e rentável, preferida entre seu público de interesse”. Este sim é um grande valor sustentável, segundo Nery. Alcançá-lo é trabalho que impõe um ritmo inerente a um processo de transformação, onde se criam “valores com riscos minimizados”.

Comunicar esta estratégia com transparência em relatórios de prestação de contas à sociedade é a ponta de uma cadeia de esforços concentrados, onde a evolução de padrões de transparência fez com que empresas como a Petrobras adotassem modelos elaborados de balanço social, caso do G3, do Global Reporting Initiative (GRI).

Seja adotando os princípios de responsabilidade social do Instituto Ethos ou modelos sofisticados de contas sociais, a sustentabilidade em uma empresa já não pode mais ser tratada como uma simples alavanca de imagem corporativa. Mas deve refletir mudanças de paradigmas. Ao menos é o que se espera para um mundo com novos valores.

* A cobertura do Encontro Latino Americano de Comunicação e Sustentabilidade está sendo feita por uma equipe de jornalistas. A coordenação é de Naná Prado e o material será publicado no site da Envolverde (http://www.envolverde.com.br) e do Mercado Ético (http://www.mercadoetico.com.br).


Isabel Gnaccarini, especial para a Envolverde
Foto Clóvis Fabiano
Agência Envolverde, 18/10/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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Desenvolvimento: Crise reduz assistência ao desenvolvimento

Consultado sobre o futuro da desfinanciada agenda de desenvolvimento da Organização das Nações Unidas diante da crise econômica, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon , recordou os US$ 16 bilhões para combater a fome prometidos no mês passado por chefes de Estado e de governo. Ban evitou uma resposta direta quando foi perguntado se algum doador já havia entregue sua parte. Limitou-se a expressar confiança de que, mesmo em tempos difíceis, os líderes mundiais estão comprometidos com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Os jornalistas recordaram que um funcionário da União Européia alertou – isso em setembro – que os doadores que reafirmam seus compromissos simplesmente estão mentindo.

Devido à gravidade da situação e seu possível impacto sobre as atividades de desenvolvimento dão ONU, sua Assembléia-Geral convocou uma sessão especial para examinar a crise financeira, no próximo dia 24. Anwarul Karim Chowdhury, ex-subsecretário-geral das Nações Unidas encarregado dos países menos adiantados, disse que a atual crise financeira mundial causará “uma importante redução” da campanha para cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio antes de 2015, prazo estabelecido pela comunidade internacional. “Será quase impossível para qualquer dos governos dos países industrializados – os tradicionais doadores – sequer manter o atual nível de assistência oficial ao desenvolvimento, para não falar em aumento”, acrescentou, ressaltando que isso também debilitará a capacidade de ação das organizações dedicadas ao financiamento do desenvolvimento.

Consultado se a atual crise afetará as atividades de desenvolvimento da ONU, Chowdhury disse à IPS: “Sim. Acredito que muito brevemente”. Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, definidos em 2000 pela Assembléia Geral, incluem reduzir à metade a proporção de pessoas que sofrem pobreza e fome em relação aos índices de 1990; garantir a educação primária universal; promover a igualdade de gênero; reduzir a mortalidade materna e infantil; combater a Aids, a malária e outras doenças; assegurar a sustentabilidade ambiental e fomentar uma associação mundial para o desenvolvimento.

A iminente conferência da ONU sobre Financiamento para o Desenvolvimento, no final deste mês no Qatar, enfrentará “um sério desafio na obtenção de um resultado que valha a pena” para os países do Sul. As piores vítimas serão os 49 países menos adiantados, os mais pobres do mundo pobre, porque, ao contrário de outras nações em desenvolvimento, são os menos atraentes para investimentos estrangeiros diretos, lembrou Chowdhury.

Anuradha Mittal, diretora-executiva do Instituto Oackland, que fez vários estudos sobre comércio internacional e desenvolvimento, disse à IPS que a capacidade da ONU para realizar essas atividades já estava afetada porque os países ricos não cumpriram suas promessas. Inclusive antes da crise financeira a credibilidade do Grupo dos Oito países mais poderosos (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia) caiu, pois ainda não cumpriram seu compromisso de duplicar a ajuda à África feito em 2005. de fato, entre 2005 e 2006, a assistência geral à África aumentou apenas 2%, excluindo as operações de cancelamento da dívida, disse Mittal.

Mas, excluindo estas operações financeiras da assistência a todos os países que a recebem, a quantia, na realidade, caiu 2%, acrescentou Mittal. “Devido à evidente falta de vontade e compromisso político, não será surpresa para ninguém que as nações ricas usem a crise financeira, causada por seus próprios erros e pela falta de mecanismos reguladores efetivos para Wall Street, para não cumprirem seus compromissos”, afirmou esta especialista. “Entretanto, os respingos de sua crise financeira fora de suas fronteiras terão impacto em comunidades e na qualidade de vida dos trabalhadores pobres de todo o mundo”, alertou Mittal.

As cotas dos países para o funcionamento da ONU são de caráter obrigatório. Mas, as contribuições para agências como os fundos das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e para a População (UNFPA) e para o Programa para o Desenvolvimento (Pnud) são voluntários. A grande parte do orçamento desses organismos procede dos Estados Unidos, do Japão e de países da Europa ocidental. Se a crise financeira persistir, como todos os sinais indicam, na conferência do Qatar a maioria dos doadores reduzirá suas contribuições argumentando que seus países sofre uma recessão.

A crise financeira é, “sem dúvida alguma” extremamente séria, disse à IPS James Paul, diretor-executivo do centro de estudos sobre desenvolvimento Global Policy Fórum. Paul prevê que alguns países irão à bancarrota, como já aconteceu com grandes companhias. “Poderemos ver no futuro uma enorme desordem social, econômica e política”, alertou.


Thalif Deen, da IPS
Envolverde, 18/10/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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sábado, 18 de outubro de 2008

Apresentação de Projetos Culturais

O orçamento da União é elaborado pelo Poder Executivo, mediante a aprovação do Congresso Nacional. Conforme previsto na Constituição, esse planejamento é feito por meio de três leis: o Plano Plurianual (PPA), que estabelece os objetivos, diretrizes e metas de governo para quatro anos, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA), estas últimas anuais. A LOA deve respeitar os limites da LDO, que, por sua vez, deve respeitar os do PPA.

Com base nos orçamentos individuais de cada ministério, o Projeto de Lei Orçamentária é consolidado pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) e encaminhado à Comissão Mista de Orçamentos e Planos do Congresso Nacional, para apreciação dos senadores e deputados. Estes podem acrescentar, modificar ou retirar itens no que está previsto no referido projeto de lei, mediante a apresentação de emendas.

Uma das formas de participar desse processo de elaboração do orçamento é propor a um parlamentar ou a um grupo de parlamentares (senadores ou deputados federais) a apresentação de uma emenda no intuito de beneficiar uma comunidade. Se, por exemplo, uma instituição identificar a necessidade de realizar um projeto cultural em um determinado município, pode propor a um deputado que apresente uma emenda direcionando recursos para a execução.

Como o orçamento do MinC é composto por recursos do FNC e por recursos do Tesouro Nacional, a emenda por ser feita ao orçamento do FNC ou ao orçamento do Tesouro. Isso deve ser observado na elaboração do projeto, pois é um elemento que condiciona, por exemplo, a definição sobre a necessidade de a instituição proponente prever a contrapartida.

Se a emenda for aprovada e incluída no orçamento, quando este é finalizado e a LOA é publicada, a instituição pode elaborar o projeto cultural, que deve ser encaminhado para análise do MinC. Se a proposta estiver dentro dos critérios técnicos e legais e se houver dotação orçamentária para sua realização, é executada mediante celebração de convênio ou contrato de repasse.

Todas as orientações sobre a apresentação de projetos, critérios de seleção, documentos a serem apresentados, podem ser obtidas no Portal de Convênios (SICONV).

Para acessar tais informações, é só acessar um dos seguintes links:

- EMENDAS/SEFIC - Projetos de Emendas Parlamentares com recursos da Administração Direta (Tesouro);
- EMENDAS/SEFIC - Projetos de Emendas Parlamentares com recursos do Fundo Nacional da Cultura - FNC

O Fundo Nacional da Cultura (FNC) é um fundo público constituído de recursos destinados exclusivamente à execução de programas, projetos ou ações culturais. O MinC pode conceder este benefício através de programas setoriais realizados por edital por uma de suas secretarias, ou apoiando propostas que, por sua singularidade, não se encaixam em linhas específicas de ação, as chamadas propostas culturais de demanda espontânea.

A Secretaria de Incentivo e Fomento à Cultura (SEFIC) realiza processo seletivo de propostas de demanda espontânea para receber apoio através do FNC, mediante a celebração de convênio ou de contrato de repasse. Todas as orientações sobre a apresentação de projetos, critérios de seleção, documentos a serem apresentados, podem ser obtidas no Portal de Convênios (SICONV).

Para acessar tais informações, é só clicar em FNC/SEFIC - Projetos da demanda espontânea do Fundo Nacional de Cultura.

Para acessar o Formulário de Informações Complementares em extensão .doc, clique aqui.


Site do Ministério da Cultura, 17/10/08

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AfroReggae luta contra desigualdade

"A cultura aproxima", criada pela F/Nazca, é inspirada pela expressão gráfica da periferia

Criada pela F/Nazca, "A cultura aproxima" é a nova campanha institucional do AfroReggae. A intenção é valorizar a persistência e intensidade do trabalho de 15 anos do grupo e mostrar a cultura como um meio de conexão entre morro e asfalto. Com grafismo diferenciado, as peças foram feitas em computação gráfica. A comunicação envolve filme, spots, anúncios para jornais e revistas, mobiliário urbano e internet.

"Buscamos uma mensagem diferente daquela clássica institucional. O momento é de comemoração. Queremos reproduzir o sentimento que o AfroReggae carrega", explica Fernand Alphen, diretor nacional de planejamento da F/Nazca. No caso do filme "Muro", a animação mostra as diferenças sociais e as tentativas do personagem, o jovem morador de favela, de quebrar essas barreiras. A "batalha" ocorre entre o "muro", que defende o lado do asfalto, e o garoto, que procura sair do ambiente em que vive. "O traço é inspirado na expressão gráfica da periferia. Sentimos atração por essa linguagem e tentamos reproduzi-la", diz Alphen.

Situações um tanto inusitadas foram criadas paras os spots de rádio. Neles, há uma brincadeira entre o linguajar corriqueiro das favelas e os nomes dos personagens em ação. Da Vinci, Camões, Mozart, Olavo Bilac, "Machadão" de Assis e Beethoven são alguns dos participantes da gangue. A peça termina dizendo: "A arte não tem medo de entrar na favela, basta alguém levar. AfroReggae: música para combater a violência, arte para transformar a realidade". Na mesma linha, a mídia impressa traz ilustrações e títulos como "O AfroReggae resgata meninos do tráfico. Usa cordas de instrumento para puxar de volta".

Todas as ilustrações são de Lucas Camargo, com direção de criação de Fabio Fernandes e Eduardo Lima, e redação de André Kassu. O AfroReggae trabalha com mídia gratuita, e a campanha será veiculada nos canais TV Globo e Sony, em cinema, por meio da distribuidora Rain Brasil e impressos pelo Infoglobo. É o primeiro trabalho expressivo da F/Nazca para o grupo. "É uma organização atípica, muito participativa e democrática; é inspirador trabalhar com eles", completa Alphen.


Carla Said Lima
Meio & Mensagem Online, 17/10/08

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Oi abre edital para patrocínio de projetos culturais

Grupo de telefonia, por meio de sua divisão Oi Futuro, selecionará projetos artísticos dos estados em que atua para o fornecimento de verbas para desenvolvimento em 2009

A operadora de telefonia Oi lançou o edital para a seleção de projetos culturais que pretende patrocinar no ano de 2009, por meio do chamado Programa Oi de Patrocínios Culturais Incentivados.

A empresa pretende captar e selecionar idéias provenientes de todos os estados em que atua, incluindo São Paulo, seu mais recente pólo de operações. Poderão participar do projeto artistas e produtores culturais cujas obras atendam a alguns requisitos determinados pelo regulamento do programa, como capacidade de geração de novas platéias, de renda e de criação e ampliação da possibilidade de formação de novos artistas.

Todo o processo de gestão e avaliação dos projetos inscritos ficará a cargo da Oi Futuro - divisão da Oi de estímulo a responsabilidade e ao desenvolvimento social. Uma comissão irá julgar as propostas inscritas e a lista com o resultado das iniciativas que serão patrocinadas deve ser publicada em março de 2009.

Desde o ano de 2001, a Oi Futuro já investiu cerca de R$ 170 milhões na cultura nacional, por meio do patrocínio de shows, filmes, espetáculos teatrais, de dança e de cultura popular, festivais de música, entre outras manifestações artísticas.

Os projetos podem ser escritos até o dia 30 do mês de novembro no site oficial da Oi ou na página da Oi Futuro, que disponibiliza o regulamento completa e as normas de adequação dos projetos às leis de incentivo à cultura.


Meio & Mensagem Online, 17/10/08

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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Versace financia centros para vítimas de terremoto na China

A grife italiana Versace fechou um acordo com a fundação Jet Li One para a abertura de uma série de centros dedicados às crianças vítimas do terremoto em Sichuan. Os centros oferecerão apoio psicológico e pós-traumático.

Em novembro, será aberto o primeiro Centro para Crianças Versace / One Foundation. Serão recolhidos fundos para a construção de outros centros através de um leilão beneficente que será realizado em Pequim junto com um desfile e um evento de gala.

Além disso, serão vendidos objetos em uma série limitada, que terão um logotipo especial criado por Donatella Versace exclusivamente para as lojas Versace em toda a China.

A renda obtida será completamente revertida para a fundação, para a construção de outros três centros em Sichuan.

Em 12 de maio, um terremoto devastador atingiu a Província de Sichuan e deixou cerca de 88 mil mortos e desaparecidos.


da Ansa, em Milão
Folha Online, 16/10/08

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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O poder da ONG dos empresários

De onde vem a influência do Lide, que em apenas cinco anos reuniu os presidentes de 500 grandes empresas em torno dos seus eventos e se tornou uma espécie de Fiesp dos novos tempos

PPPRRRIIIIII!!! Quando trila o apito, centenas de homens e mulheres acostumados a mandar simplesmente silenciam. E obedecem. Normalmente, eles são os chefões. Quando se reúnem no Grupo de Líderes Empresariais, o Lide, se transformam. "É sempre um momento impressionante", afirma Roberto Cortes, presidente da Volkswagen Caminhões, que já presenciou a cena dezenas de vezes nos últimos anos e, ainda assim, não deixa de se surpreender. "Aquele conjunto de executivos que vivem de dar ordens de repente se torna um disciplinado exército". Por trás do apito de ouro - um presente do industrial Pedro Eberhardt, dono da Arteb -- e da façanha está o empresário João Doria Jr., criador da entidade e comandante do improvável pelotão de elite do mundo corporativo. Seu feito mais impressionante não é, no entanto, o de atuar como o rígido mestre-de-cerimônias (um papel sempre lembrado grupo) nos mais de 100 eventos organizados pelo Lide a cada ano. A grande obra é o próprio Lide. Com apenas cinco anos de idade, a entidade é hoje uma das mais influentes vozes do capitalismo nacional, reunindo os presidentes de mais de 500 grandes corporações que, somadas, têm o peso econômico correspondente a 44% do PIB privado brasileiro. Com uma atuação que muitas vezes lembra um grande clube exclusivo para presidentes de empresas e que rapidamente se transforma em um sério plenário para discussões dos grandes temas nacionais, é hoje uma espécie de alternativa às tradicionais instituições do empresariado, como as federações de indústrias e do comércio.


Será o Lide a Fiesp do futuro? "Não temos a intenção de nos sobrepor a entidades históricas, que realizam com muito valor o seu trabalho de defender os interesses dos setores que representam", diz Doria, diplomático. O fato, porém, é que os encontros promovidos pelo Lide têm, nos últimos anos, oferecido aos grandes executivos uma fórmula mais atraente e produtiva de convívio que as vetustas instituições classistas. Com uma rara, complexa e bem-sucedida combinação lazer e reflexão, família e trabalho, descontração e formalidade, a ONG dos empresários conquistou adesões e uma fidelidade incomum a quem luta para conseguir algum espaço livre na agenda. Não importa a hora, não importa o local, não importa o traje. Pode ser um convescote, de bermuda, à beira da piscina em Comandatuba, ou um almoço engravatado com o presidente da República em São Paulo, evento do Lide é sinônimo de casa cheia. E sempre com o primeiro escalão das empresas. Qual o segredo de tamanha assiduidade? Responder a essa pergunta é quase como decifrar o enigma do ovo e da galinha: os empresários vão ao Lide por causa do poder crescente da instituição ou a influência do Lide aumenta a cada dia por que a nata do setor privado está sempre lá, chova ou faça sol?

Qualquer resposta que se dê, nesse caso, estará correta. Pragmático e direto, o próprio Doria resume as razões de seus associados a um balanço, como o das empresas que cada um deles dirige: "Todos investem tempo e dinheiro para estar no Lide. Não se trata de um passeio bem organizado. Eles vão aos eventos em busca de resultado". Em outras palavras, pode-se dizer que o Lide é um clube com fins lucrativos. Ali, ninguém se envergonha em admitir que as relações "interesseiras" são o combustível básico da convivência com os outros associados. "A primeira coisa que enxergamos ao ingressar no Lide foi a oportunidade de fazer relacionamentos que levassem, no futuro, à concretização de novos negócios", conta José Jacobson Neto, vice-presidente do grupo GP Guarda Patrimonial, um dos maiores do País no setor de segurança privada. "Na nossa área, as relações de confiança são fundamentais e isso só se obtém no contato direto, olho no olho, como temos no Lide. Participando do grupo, passamos a ser conhecidos nas maiores empresas do País". Jacobson tem na ponta do lápis o "efeito Lide" na empresa: há quatro anos, quando se juntou à ONG, 4,5% do faturamento da empresa provinha de contratos com outras empresas associadas; hoje, elas respondem por 23% da receita.

A criação de um ambiente fértil à troca de experiências e à geração de negócios entre executivos está na gênese do grupo. O Lide é, na verdade, fruto de uma idéia que Doria teve há 14 anos para estreitar seus laços com os patrocinadores do programa de tevê ShowBusiness, que apresenta até hoje. Ele convidou os presidentes de oito empresas e suas esposas para um fim de semana no Club Méd, em Angra dos Reis. "A experiência foi tão rica que repetimos no ano seguinte, mas já com 16 casais", lembra. Depois disso, a palavra de ordem foi multiplicação. Primeiro, na quantidade de participantes - os principais eventos do Lide chegam a reunir mais de 700 pessoas. Depois, na de formatos. A reunião de casais passou a ser realizada no Exterior e virou Meeting Internacional, em seguida foi criado o Fórum de Comandatuba, que deu origem ao Lide, que diversificou suas atividades e hoje organiza desde seminários e almoços mensais com autoridades a eventos gastronômicos e esportivos. E, finalmente, na profusão de temas. Aos encontros de relacionamento foram se somando causas, como a defesa da ética, a disseminação de boas práticas de gestão e a melhoria da educação pública. Assim, a marca Lide virou âncora para uma série de novas empreitadas - Lide Gastronomia, Lide Esportes, Lide Sustentabilidade, Lidem (braço feminino do grupo), JLide (que reúne os jovens líderes), Lide EDH (Empresários para o Desenvolvimento Humano, com foco na execução de programas sociais) -, ganhou versões regionais - Lide Rio e Lide Sul - e ambiente propício para experiências vencedoras como o Family Workshop, evento anual que reúne, durante um fim de semana, os executivos, suas mulheres e seus filhos. "Em todos esses anos e eventos o mote foi o mesmo, fortalecer o relacionamento entre dirigentes de empresas", afirma Doria. "Além disso, a presença permanente das esposas e das famílias ajuda a criar um ambiente ainda menos formal e ajuda a criar vínculos entre os empresários", afirma Afonso Celso de Barros Santos, presidente da locadora Avis. "É sempre melhor fechar negócio com alguém em quem confiamos".

Os relacionamentos são o ponto inicial de uma produtiva ciranda. Barros, da Avis, e Jacobson, do GP, por exemplo, tornaram-se parceiros - a empresa de segurança usa carros da locadora, que contrata serviços da primeira. Mais que isso, hoje são amigos. "O CEO normalmente é um sujeito solitário", analisa Cortes, da Volks. "No ambiente do Lide, encontra gente semelhante, com quem pode trocar experiências e afinidades". Concentração tão grande de pesos pesados do mundo corporativo despertou a atenção do poder político, também interessado em girar nessa ciranda. Com isso, o Lide se transformou numa eficiente plataforma para interlocução entre o público e o privado, uma parada quase obrigatória para as autoridades que procuram diálogo com os empresários. Lula, por exemplo, já se deslocou a São Paulo especialmente para debater com o grupo. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também esteve lá. Ministros, governadores, prefeitos e parlamentares são presença constante nos eventos do grupo. Sabem que encontrarão gente com posições firmes e disposta a cobrar ações efetivas, principalmente em questões como a tributária e a da educação. "Diferentemente do que ocorre em outras associações, quando as autoridades vêm ao Lide, falam menos e ouvem mais", constata Barros. Mas têm também consciência de que podem sair ganhando. No contato direto com os empresários, podem conquistar investimentos para suas cidades ou Estados, abrir portas importantíssimas no meio privado. "Hoje há fila de governadores querendo se aproximar do grupo e levar para o seu Estado a experiência e as verbas do EDH", conta a empresária Chieko Aoki, presidente do Lidem e do grupo hoteleiro Blue Tree. O caso do EDH é emblemático. Numa parceira com o Instituto Ayrton Senna, a entidade iniciou pelo Estado de Pernambuco um projeto de investimento na qualificação da gestão nas escolas públicas. Em quatro anos, o grupo já investiu R$ 20 milhões, todos colhidos em leilões beneficentes em eventos do Lide. No último Fórum de Comandatuba, em maio passado, não levou mais que dez minutos para que a empresária Viviane Senna levantasse R$ 6 milhões para a causa. "Somos muito rápidos. É um grupo que quer fazer, não fica só na reflexão", define Doria.

O leilão de Viviane é um dos mais completos exemplos de como funciona o clima de ganha-ganha que leva empresários, autoridades e até artistas ao Lide. Em 2007, José Talarico, vice-presidente da Pepsico, aproveitou a presença no Fórum de Comandatuba para uma conversa reservada com o governador da Bahia, Jaques Wagner. Falou dos planos de expansão da companhia, que incluíam a construção de uma nova fábrica de alimentos, investimento estimado em US$ 25 milhões. Wagner não perdeu tempo. Ali mesmo prometeu benefícios para que a unidade fosse instalada na cidade de Feira de Santana. Em 2008 os dois se reencontraram no evento, já para discutir a data de lançamento da fábrica. Talarico, então, vislumbrou outra oportunidade. No leilão, preencheu um cheque de R$ 250 mil para arrematar um show da cantora Ivete Sangalo, que será a estrela da festa em Feira de Santana. O dinheiro do cachê foi para o caixa do Instituto Ayrton Senna. "É a triangulação perfeita entre o interesse público, o privado e a área social", comemora Talarico. "Não há outro ambiente no País em que essa relação com o poder seja possível de forma tão direta."

A contabilidade da participação no Lide tem, para a imensa maioria dos membros de grupo, saldo positivo. Ouve-se aqui e ali queixas, nada contundentes, sobre o pendão de Doria de transformar em evento até mesmo confraternizações propiciadas pela integração do grupo. Há anos, por exemplo, o próprio Doria era o anfitrião, em sua casa, de uma pelada semanal, da qual participavam associados do Lide. Como tudo que ele organiza, dos vestiários ao estado do gramado, tudo era impecável, mas informal. O interesse da turma cresceu tanto, porém, que o líder do Lide vislumbrou uma oportunidade. A pelada virou um torneio corporativo e foi parar no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. E aí, tome-se cota de patrocínio - em cada evento do Lide, não há atividade que não seja bancada por verbas das empresas. "Daqui a pouco estaremos maiores que o Campeonato Brasileiro", ironiza um dos participantes. O custo da brincadeira sobe, pode haver chiadeira, mas a sensação de que um gol pode sair a qualquer momento no campo dos negócios mantém a bola em jogo. É esse sentimento que faz o apito de ouro de Doria soar mais alto. E os craques do empresariado silenciarem quando ele trila.


Luiz Fernando Sá
ISTOÉ Dinheiro, 05/09/08

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Como fazer o capitalismo se interessar pelos pobres? Bill Gates acha que sabe, mas está errado

Celebridades, às vezes (traindo certa culpa) dizem coisas assim: “o capitalismo melhorou sim, as vidas de muitas pessoas,mas também deixou de fora bilhões delas”. Como remediar? Bill Gates propõe: “Precisamos de um capitalismo mais criativo. As grandes corporações podem ser o instrumento para incluir mais gente no sistema; são elas que têm as competências para fazer inovações tecnológicas que funcionem para os pobres”.

Algum ogro ousaria discordar de proposta tão generosa? Obrigado por perguntar.

Se a história ensina algo, as grandes corporações não serão o caminho. Veja por que.

O capitalismo é construído sobre o direito das pessoas “terem coisas” (“titularidade da propriedade privada”,como dizem pomposamente). Existem grandes diferenças entre os cerca de 200 países que o praticam, como ensina em livro recente o scholar William Baumol. Há pelo menos quatro tipos de capitalismo - de qual deles Bill Gates estará falando?

Em certos bolsões da America Latina, Oriente Médio árabe e África, há o que chamam de capitalismo oligárquico. Nele, riqueza e poder são altamente concentrados, e as regras existentes reforçam essa situação. Naturalmente ,Bill Gates não está se referindo a isso.

Noutro tipo, o capitalismo é guiado pelo estado - governos incentivam os setores da economia que identificam como tendo mais chance de serem vencedores. As economias do sudeste asiático tiveram sucesso assim,mas nas regiões miseráveis a que se refere Gates, não há nada parecido com uma base industrial da qual se possa selecionar “vencedores”. Esqueça.

Um terceiro tipo seria o capitalismo de grandes corporações - o defendido por Gates como veículo de inclusão para os pobres. Grandes empresas dominam a produção e o emprego,produzindo em massa inovações criadas por empreendedores. Europa Ocidental e Japão são exemplos.

Será que filiais de grandes corporações desempenhariam esse papel em lugares pobres? Difícil. Falemos claro: grandes empresas tendem a só inovar para ganhar dinheiro da maneira pela qual estão estruturadas para ganhar dinheiro. Não lhes falta talento ou recursos, o que elas não têm é apetite para arriscar - têm medo de gerar a percepção de que podem tornar seus acionistas mais pobres com inovações de margem ($) mais baixa. Esse tipo de inovação é o único que pode dar certo em “mercados de pobre”. Bill Gates está exortando as grandes corporações a irem contra seu próprio DNA. O instinto delas é: inovação sim, mas só do tipo “mais da mesma margem”.

A IBM perdeu a liderança em PCs porque não deu para conciliar seus processos para comercializar main frames [caros e com margens de mais de 60%],com processos para PCs [baratos e margens de 20-30%]. Canon e Ricoh com pequenas copiadoras de mesa de margem baixa, fizeram a poderosa Xerox sangrar. As motos Honda idem com as Harley Davidson. Rádios e TVs transistorizados Sony acabaram com os modelos de mesa da RCA (e acabaram, de quebra, com a própria RCA) .

Inovações ”para pobre” geralmente entram no mercado “por baixo” - têm performances inferiores, são mais baratas e só têm apelo ao público que não usa o produto-padrão.

Quase ninguém usava fornos de micro ondas na China antes da Galanz. Com um modelo de negócio de altos volumes a preços muito baixos, a chinesa Galanz (não a Samsung, não a GE, não a Siemens) criou um mercado: em 1993 ela tinha 2% de market-share, em 2000 tinha 76%. Clientes menos exigentes (pobres) ficam felicíssimos em adotar produtos assim, pois a outra opção é não ter produto nenhum.

As grandonas, quando agem, o fazem quase sempre para reagir à ameaça de “tubaínas” locais. Veja a Unilever. Sua subsidiária na Índia - a Hindustan Lever - sempre focara o topo do mercado, até que apareceu a Nirma oferecendo detergente “para pobre”, muito mais barato, produzido segundo um modelo de baixo custo. Formulação, embalagem, produção, distribuição - tudo diferente. A Unilever teve de se mexer. Reformulou totalmente seu modelo para evitar que a “tubaína” da Nirma, vinda de baixo, continuasse a bicar o topo do mercado como já começara a fazer. A Unilever é das poucas que reconhece ativamente o mercado “para pobre”, tendo incorporado sua experiência hindu às suas práticas globais,mas ela é exceção. A GM fala há anos em produzir um carro abaixo de 3000 dólares, mas quem já lançou um foi a indiana Tata Motors. É assim desde sempre: a poderosa Western Union dona das comunicações no século XIX (telégrafo), rejeitou o telefone de Graham Bell porque seu sinal só alcançava três milhas. A Bell Telephone começou então com um modelo de baixo alcance e “subiu”, melhorando pouco a pouco a tecnologia até matar a Western Union.

O quarto tipo de capitalismo de que fala William Baumol - o capitalismo de empreendedores - é o que oferece melhores perspectivas. Nele, o dinamismo se origina em empresas pequenas, iniciativas de indivíduos empreendedores (modelo americano). Um montão de inovações que criaram setores econômicos inteiros surgiu assim. Quem quer incluir os pobres no capitalismo deveria estimular o empreendedorismo local entre os pobres, não tentar mudar a cabeça das grandes corporações. Elas dizem que farão mas não farão na escala necessária. Seu DNA não deixa.

Empreendedores locais sempre existem independentemente da população ser pobre ou rica. Sua ação se dá por meio do processo “schumpeteriano” de sempre: eles introduzem o novo “destruindo criativamente” o que havia antes.

Só uma coisinha: nos locais hoje excluídos, não há nada a ser destruído porque não há nada criado. O estímulo “de fora” deve ser para o surgimento da fase “pré-destruição”, ou seja, da fase da “criação criativa” mesmo. A partir daí, o empreendedor local resolve.



Clemente Nóbrega
Artigo publicado na Revista Época Negócios – Nº 20– Outubro 2008 – Coluna INOVAÇÃO.

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Funarte amplia vários prazos de inscrição

Atenção para as novas datas de inscrição de projetos na Funarte:


Seleção de Projetos
Programa Nacional de Bolsas
Prêmio Interações Estéticas
Projeto Pixinguinha
Rede Nacional de Artes Visuais
Prêmio Marcantonio Vilaça
Prêmio de Dança Klauss Vianna
Prêmio de Teatro Myriam Muniz


As datas foram atualizadas também na agenda "Eventos e Editais" no fim da página do blog.

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BrazilFoundation seleciona projetos

A BrazilFoundation, fundação que apóia projetos sociais de organizações da sociedade civil em todo o país, abriu inscrições para o seu processo de seleção 2008. A fundação recebe projetos nas áreas de Educação, Saúde, Direitos Humanos, Cidadania e Cultura, remetidos pelo correio até 5 de dezembro, que concorrerão ao apoio financeiro de até R$ 30 mil, para cada projeto.

Os projetos selecionados serão monitorados durante seu desenvolvimento e receberão apoio técnico em gestão e comunicação.

O Edital 2008/2009 está disponível no site www.brazilfoundation.org, contendo os critérios de seleção, o formulário de inscrição e o modelo de planilha de custos do projeto. O carimbo do correio servirá como comprovante de postagem dentro do prazo. Para todos os detalhes e requisitos, leia atentamente o edital.


Fonte: Rede Gife

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Os jornalistas Andrea Vialli e Marcio Pessôa discutem a cobertura da responsabilidade social na grande imprensa

O Instituto Ethos está publicando entrevistas com todos os vencedores do Prêmio Ethos de Jornalismo 2008. Nesta semana, os entrevistados são Andrea Vialli, vencedora da categoria Jornal, e Marcio Pessôa, da categoria Rádio.

Entrevista com Andrea Vialli

Instituto Ethos: As reportagens que você tem publicado no jornal O Estado de S.Paulo geralmente abordam aspectos econômicos de iniciativas de responsabilidade social. Por que você optou por esse enfoque?
Andrea Vialli: O enfoque econômico dado às matérias se explica pelo fato de a editoria que hospeda o espaço ser a de "Economia & Negócios". Desde que o jornal abraçou a idéia de cobrir o tema, o enfoque seria mostrar a relação entre as políticas de responsabilidade corporativa das empresas e suas estratégias de negócios. Com o passar do tempo, vimos que em muitos casos essas questões estavam se transformando em negócios (energias renováveis, comércio justo, empreendedorismo) e nosso foco ficou ainda mais econômico. Desde o princípio a preocupação não era simplesmente cobrir projetos sociais de empresas, uma vez que isso poderia parecer um jornalismo marqueteiro, e sim mostrar o avanço desse movimento no Brasil.

IE: Ainda é difícil encontrar espaço na grande imprensa para publicar matérias que envolvam responsabilidade social e desenvolvimento sustentável? Essas matérias dependem de iniciativa pessoal do jornalista ou as redações já estão mais abertas a esses temas?
AV: Hoje o espaço para matérias sobre desenvolvimento sustentável está razoavelmente garantido na imprensa. Nos últimos anos, esse espaço aumentou significativamente. O atual desafio é tirar essa cobertura dos nichos - ou seja, de uma página específica, num dia específico - e trazer para a cobertura diária, o enfrentamento das questões da sociedade sob a ótica da sustentabilidade. Nisso, precisamos avançar muito ainda.

IE: O Prêmio Ethos de Jornalismo tem contribuído para que os jornalistas procurem fazer matérias sob a ótica da sustentabilidade?
AV: Sem dúvida, o prêmio contribui, e por dois motivos. A perspectiva de ganhar uma premiação é motivadora para o jornalista. Se ele tiver afeição pelo tema, com certeza se sentirá estimulado. Outro motivo é a perspectiva de ganhar uma bolsa de estudos e poder se aperfeiçoar no assunto, uma vez que hoje são raros os veículos de comunicação que investem na formação de seus jornalistas.


Entrevista com Márcio Pessoa

Instituto Ethos: Entre suas reportagens premiadas, uma aborda o desastre ambiental no Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, e outra mostra o drama de quem não consegue pagar os empréstimos que contraiu com empresas financeiras. Isso mostra que a responsabilidade social e a sustentabilidade não são seções nem editorias específicas, mas uma base do trabalho jornalístico.Você concorda com isso?
Marcio Pessôa: A base da ética jornalística é a contribuição social. A busca da ética na sociedade deve ser o alvo do jornalista. Isso significa ter responsabilidade com o ser humano e com a sociedade. Na minha opinião, essas duas matérias registram o quanto é possível uma empresa, objetivando sua sobrevivência dentro do mercado, colocar de lado as questões da sociedade, do ser humano e da ética. No caso das empresas financeiras, a gente via a situação de pessoas que queriam dar cabo da vida, estavam em depressão profunda, em razão de terem contraído um empréstimo com uma empresa que não conseguiam pagar. Mesmo assim, assumiam uma nova dívida com outra empresa, e muitas iriam aceitá-la como cliente. O desastre ambiental no Vale dos Sinos foi um misto de irresponsabilidade não só das empresas, mas também do setor público. Acho que não é uma questão de editoria. A gente tem sempre de tentar criar espaço nas redações para abordar temas relativos à responsabilidade social.

IE: Suas reportagens foram veiculadas na Rádio Cultura FM, de Porto Alegre, que é uma emissora estatal da Fundação Cultural Piratini. Haveria mais espaço nas emissoras não-comerciais para abordar esses temas?
MP: Em alguns momentos você sugere matérias que vão colocar em risco um patrocinador ou um anunciante num veículo. Acho válido que pelo menos a empresa comece a discutir se deve colocar em risco um patrocínio. O que não pode é, por causa desse anunciante, interromper totalmente a iniciativa de um repórter que está fazendo seu trabalho. Acredito que, no setor privado, falar de empresas privadas é difícil. No setor público, falar de empresas públicas também pode ser difícil. Na Cultura FM, nunca tive problema para falar de nenhum dos lados, para comentar ações sociais ou de responsabilidade social de nenhum dos lados. No caso de uma empresa privada, isso já aconteceu. Era o cotidiano da nossa redação, e isso marcou muito minha carreira.

IE: Os jornalistas que se interessam por essas questões e têm esse tipo de olhar são minoria e muitas vezes agem motivados por um engajamento pessoal. Você acha que abordar tais questões vai continuar a ser uma luta solitária desses jornalistas ou as próprias redações e as empresas de comunicação vão começar a se abrir mais para esse tipo de pauta?
MP: Isso é muito complexo. Em cada uma dessas esferas - a dos jornalistas e a dos veículos de comunicação - existem questões a ser trabalhadas. Acho que tem de aproximar o jornalista da empresa de comunicação, e ela tem de se aliar à formação do jornalista. Temos de criar um ambiente em que os jornalistas tenham mais força dentro das redações. Ao mesmo tempo, as empresas de comunicação têm de tentar inserir-se num contexto mais moderno. Isso mexeria com o mercado. Atualmente não vejo esse movimento. O que vejo é empresas de comunicação fazendo endomarketing. Mas a estrutura da redação, que se comunica com o ouvinte, com o telespectador ou com o leitor, permanece a mesma, continua antiga. Isso tem de mudar. Nas empresas de comunicação, existem várias ações sociais, como dar cestas de Natal para os funcionários. Agora, e o produto informação? Vincular seu produto às necessidades da sociedade é um casamento que se dá na responsabilidade social, que é um ponto frágil nas empresas de comunicação.

IE: Você já recebeu vários prêmios por reportagens veiculadas na rádio Cultura FM de Porto Alegre. O que significa ganhar o Prêmio Ethos de Jornalismo nessa edição especial, que reconhece o conjunto da obra?
MP: Considero cada prêmio jornalístico um selo de qualidade ao trabalho. Tentamos prestigiar nosso trabalho com coisas em que acreditamos. Se você observar todos os prêmios que ganhamos ou nos quais fomos finalistas, vai ver que a temática é sempre a mesma. Porque, para nós, é isso que pauta nosso trabalho - temas vinculados à questão da responsabilidade social, como direitos humanos ou cidadania. Para mim, o Prêmio Ethos sela um esforço de carreira. Esse esforço cotidiano de tentar discutir a questão da responsabilidade social em todos os níveis, discutir os valores humanos e cobrar um comportamento ético. Esse tipo de reconhecimento é um indício de que estamos no caminho certo. Para mim, o Prêmio Ethos é um indício de que estamos no caminho certo e fazendo um trabalho criterioso.


Fátima Cardoso, para o Instituto Ethos
Envolverde, 15/10/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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Em meio à crise, Veja SP lança edição de luxo

Em novembro, revista especial trará reportagens e guias de compras para os consumidores de alto padrão; Veja Rio também terá encarte especial sobre o tema

Enquanto o mercado financeiro mundial vivencia a incerteza e os receios dos efeitos da crise econômica, a editora Abril vê no consumo de luxo um propício - e, a principio, firme - terreno para estruturar a nova edição especial da revista Veja.

No próximo dia 19 de novembro, irá circular, junto a Veja São Paulo, a revista especial Veja São Paulo - Especial Luxo. A publicação reunirá reportagens, curiosidades e guias de compras e serviços de tudo o que é referente ao consumo de alto-padrão na capital paulista. Temas como gastronomia, jóias, moda, turismo de luxo e comportamento estarão inseridas na revista, que terá a tiragem de 130 mil exemplares, distribuídos gratuitamente aos assinantes da Veja e comercializados em bancas e pontos de venda de locais nobres da cidade, pelo preço de R$ 15.

O glamour e os supérfluos do mercado do Rio de Janeiro também serão abordados dentro da edição da Veja Rio, que circulará no dia 26 de novembro. Diferente de São Paulo, o assunto não ganhará uma publicação à parte, mas será abordado no formato de encarte especial, inserido na Veja Rio.

De acordo com o superintendente de Veja, Claudio Ferreira, o interesse pelo segmento de luxo condiz com o perfil dos leitores de veja - 73% deles são pertencentes às classes A e B. Ele também pontua que o mercado anunciante dos produtos e serviços de alto padrão possuem um grande espaço a ser explorado em diferentes fatias do público devido ao apelo aspiracional que algumas marcas cativam entre os consumidores.

Junto com o anúncio oficial das edições especiais de luxo de Veja São Paulo e Rio, realizada na manhã desta quarta-feira, em São Paulo, a editora Abril também apresentou os dados da pesquisa Como Falar com o Consumidor de Luxo, realizada pelo consultor Carlos Ferreirinha. Segundo as conclusões do estudo, a individualização, o apelo emocional e a idéia de exclusividade são os fatores que mais impactam os consumidores das mais privilegiadas camadas sociais.


Bárbara Sacchitiello
Meio & Mensagem Online, 15/10/08

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