quinta-feira, 5 de junho de 2008

Microtendências

"Olhe ao seu redor, olhe o presente, olhe os números e você verá as microtendências que estão aí e vão dominar o mundo”, aconselhou Mark Penn, durante a palestra de abertura do Fórum Mundial de Marketing e Vendas da HSM, realizada em 3 de junho.


Mark Penn foi considerado pelo The Washington Post como um dos homens mais poderosos dos bastidores de Washington. É o CEO mundial da Burson-Masteller e, entre os seus clientes, estão Bill Gates, Steve Ballmer, Tony Blair, Bill Ford e Bill Clinton. Penn é autor de Microtrends: the small forces behind tomorrow’s big changes. Durante a palestra de abertura do Fórum Mundial de Marketing e Vendas da HSM, no dia 3 de junho, Penn falou aos presentes sobre como forças que atuam nas microcomunidades podem mudar nossas vidas
Foto Tachibana Zen / Lola Studio


Mark Penn iniciou sua palestra comentando sobre o otimismo que costumeiramente destaca os brasileiros, quando lhes perguntam como vai a situação do País. “Diferentemente de em outros países, no Brasil, as notícias sempre são boas. No entanto, as coisas aqui passaram a florescer de fato”. Segundo o palestrante, o Brasil está experimentando muitas das tendências decorrentes do crescimento da classe média. “Surpreendi-me ao ver que as coisas estão indo bem, mudando profundamente”, disse.

Penn, especialista em pesquisas de mercado, enriqueceu sua palestra com exemplos que mostram como as microtendências são importantes. Para dar o tom de sua apresentação, citou um erro do passado: “Pensávamos que, à medida que a sociedade de massas aumentasse, seríamos padronizados em rosto e cor. Porém, o que vimos foi que mais individualista ela se tornou.” Para ele, a era das megatendências acabou. Os pequenos grupos tornaram-se poderosos e mudam a face da sociedade tal qual a conhecemos. “A maioria das previsões para o futuro são erradas, porque é necessário entender muito melhor o presente”, esclareceu.

Economia Starbucks versus economia Ford
Penn recomenda que cada empresário se pergunte: “Estou na Economia Ford ou na linha da Starbucks?”. Ele recorda: “A economia Ford baseava-se na pseudo-escolha que você teria de comprar carro de qualquer cor, desde que fosse preta”. A Starbucks, segundo ele, é o modelo oposto, no qual o consumidor pode ter o que quiser, desde que pague a conta. “Você pode ter café com conhaque, café com leite, café descafeinado. São diversas opções para uma xícara de café.”

De acordo com Penn, isso acontece por três principais razões:
1. a internet muda a maneira pela qual as pessoas vendem, ao reunir grupos de pessoas dispersas geograficamente;
2. o custo da produção de bens personalizados reduziu-se, pois a manufatura está mais eficiente e tornou-se mais econômico produzir bens customizados;
3. os indivíduos determinaram que querem ser diferentes – vestir-se, agir, viver, consumir diferentemente.

O especialista mencionou que o caso do i-pod da Apple é emblemático como exemplo de mudança, porque se trata do sonho do produto moderno: ser personalizado e, ao mesmo tempo, produzido de modo totalmente padronizado, pois todo o trabalho da customização fica a critério do consumidor.

Pequenos, mas poderosos
Grupos pequenos podem revolucionar um negócio e as estatísticas do Brasil mostram o desenvolvimento de novos mercados. “É uma economia de um trilhão de dólares, baseada em coisas que, antes, eram impensáveis. Os idosos são em maior número, há um crescimento grande no número de consumidores, casais adiam a chegada dos filhos e tornam-se uma classe média que se expande, 45% das mulheres trabalham. Há uma explosão de microtendências no Brasil.”

Penn alerta: “A sociedade é uma massa enorme de contradições. Para cada tendência, há uma contra-tendência”. Para cada grupo mais religioso, há um grupo que fala mais de ciência, por exemplo. O que acontece é que esses extremos tornam-se grandes o suficiente para se tornarem mercados.

Para o estudioso, as sociedades que privilegiam as microtendências são aquelas que privilegiam a individualidade. “Os marketeiros devem pensar em como produzir para o consumidor que quer customizar seu produto ou fazer como a Starbucks, que customiza para ele”, recomenda Penn.

Confira, a seguir, alguns dos exemplos que fizeram parte da exposição de Mark Penn e que constam de seu livro Microtrends: the small forces behind tomorrow´s big changes. Todos eles apontam para mudanças em estilos de vida.

A família mudou
“Nos Estados Unidos, as mulheres solteiras passaram de 30 milhões para 55 milhões, ou seja, aumentou o número de mulheres que lideram a estrutura familiar”, diz Penn. O palestrante salienta que, naquele país, existem mais nascimentos de meninos do que de meninas, mas, em torno da idade de 20 anos, há mais homens que morrem do que mulheres. No entanto, há duas vezes mais homossexuais masculinos do que entre as mulheres, o que dificulta a vida amorosa das mulheres heterossexuais. Ainda sobre as mudanças entre as mulheres, o especialista fala: “À medida que vemos mais mulheres bem-sucedidas na força de trabalho, vemos o surgimento da ‘mulher-pantera’. Com isso, cresce o número de casais em que a mulher é cerca de cinco anos mais velha que o homem”.

Os jovens casais atrasam o nascimento do seu primeiro filho. Mas muitos optam por ter bichos de estimação, que são muito mimados em petshops, hotéis e até padarias especiais para os animais. “Os bichos passaram a ser a família em determinados grupos e consomem vorazmente sua renda disponível”, ressaltou Penn.

Quanto aos pais de segunda viagem (pessoas que se tornam pais e torno dos 45 anos), o que acontece, segundo as pesquisas de Penn, é que a experiência da paternidade torna-se bem diferente da dos pais jovens. É diferente, também, a experiência familiar de consumo. “Está aí um novo grupo, com novo estilo de vida. Assim, o que buscamos são as mudanças no estilo de vida”, arremata.

Ao mesmo tempo, os pais (do sexo masculino) passam mais tempo com os filhos nos Estados Unidos do que passavam antes, porque as mães transferiram parte de sua responsabilidade ao marido. Esses pais se consideram negligenciados pelo mercado.

Identificou-se, também, a tendência de os casais morarem em cidades distintas durante um determinado período de tempo, por razões de trabalho ou estudo. Isso significa um grande mercado para vídeo-conferência, por exemplo.

Casamentos entre pessoas que se conheceram pela internet são um outro caso de microtendência de relevo. O casamento surge a partir de um grupo social muito menos restrito do que antes. “Agora, há um mundo de escolhas, inclusive sites especializados em encontros. Tal fenômeno está quebrando as barreiras convencionais de classes sociais e distância”, explicou o consultor. “72% das pessoas que se casaram pela internet, segundo nossas pesquisas, estão extremamente felizes, apesar do preconceito que ainda existe quanto a esse tipo de encontro”, salientou Penn.

A relação com o trabalho gera novas demandas
A respeito do tempo de vida economicamente ativa das pessoas, Penn mencionou que o esperado era que se trabalhasse menos, quanto mais afluente se tornasse a sociedade. O que se vê, hoje, é que as pessoas querem trabalhar mais, seja porque gostam do trabalho na economia do conhecimento, seja porque limitações de renda as impede de se aposentar.

Penn afirmou que o crescimento da população idosa que tem tempo, energia e renda, é notável. “Se a geração mais velha resolvesse trabalhar um ano a mais, resolveria muitos problemas da previdência social”, apontou o conferencista, que informou que metade dos americanos de hoje não vai se aposentar. Uma parte deles, porque não tem dinheiro; outra parte, porque quer continuar trabalhando. “As pessoas estão escolhendo o trabalho antes do prazer. É preciso reavaliar como será a próxima geração de idosos. As implicações disso são enormes.”

Dobrou, nos Estados Unidos, o número das pessoas que viajam para chegar ao trabalho. Cresce, assim, o mercado para livros em áudio, porta-copos ou alimentos para serem ingeridos no automóvel. Essas pessoas constituem o grupo a ser mais afetado pelo aumento no preço da gasolina. Penn afirmou que, para poupar dinheiro, esse grupo terá que usar carros híbridos ou, talvez, nem ir ao trabalho. “Poderão trabalhar em casa mesmo, usando recursos de contato via vídeo, por exemplo”, diz Penn, que explicou que, da mesma maneira como aumenta grandemente o número de pessoas que trabalham em casa, também aumenta o número de pequenos estabelecimentos, fruto do empreendedorismo dessas pessoas que não querem mais trabalhar convencionalmente.

O setor que mais cresce nos Estados Unidos é o de negócios sem fins lucrativos. O charme do mundo comercial já não é tão atraente. Os jovens buscam um campo que seja empolgante, baseados no ideal de melhorar o mundo.

Preocupações com a saúde afetam consumo
Um exemplo de como as preocupações com saúde impactam o consumo é o aumento no consumo de água pelos americanos, o que cria problemas para a indústria dos refrigerantes. Por outro lado, as pessoas consomem mais cafeína. Assim, nos Estados Unidos, vendem-se mais bebidas enlatadas à base de cafeína.

“Nunca vimos uma população tão obesa, nem tanta gente morrendo de fome para viver mais”, brincou o palestrante. Segundo ele, um número cada vez maior de pessoas, em nome da longevidade, está em busca de uma dieta de menos de 1.000 calorias por dia. À medida que as pessoas não estarão nos restaurantes, portanto, precisarão de opções de coisas a fazer que não estejam relacionadas ao consumo de alimentos.

“Se você é médico”, comentou Penn, “observe que há uma nova geração de pacientes. São aqueles que pesquisam na internet e lhe dizem o que fazer e até que remédio prescrever”. Com isso, muitas farmácias já vendem mais remédios para quem se auto-medica, equivocadamente.

Na esteira da preocupação com a saúde, observou-se que, no Brasil, o mercado de filtro solar aumentou 50% nos últimos anos. “Para cada pessoa que ama o sol, existe um que odeia o sol. Isso tem impacto também sobre o setor de turismo, que pode precisar fazer o seguro do filtro-solar. Consomem-se mais chapéus, roupas de manga longa e roupas em tecidos com filtro-solar”, exemplificou o palestrante.

A relação com a tecnologia pode ser contraditória
Mais jovens estão entrando nos negócios. “Eu mesmo entrei no mercado aos 13 anos, vendendo selos. Hoje, isso é rotina no e-bay”, declarou Penn. De acordo com pesquisas, cerca de 1,6 milhão de adolescentes americanos estão ganhando dinheiro na internet.

Como contra-tendência, há um crescente número de jovens que tricotam, numa busca por fazer coisas com as mãos, que pode ser uma maneira de escapar de um mundo em que tudo é rápido. “Vemos, também, pessoas se afastando da tecnologia e buscando sossego”, alerta o consultor.

O palestrante destacou que os chamados social geeks são os consumidores de tecnologia que têm vida social ativa (diferentemente do que ocorria no passado, quando os adeptos da tecnologia escondiam-se). “A tecnologia, portanto, também deve estar atenta às mudanças no estilo de vida”, explicou Penn. Ele apontou que as mulheres passaram a ser grandes consumidoras de tecnologia e querem design e facilidade de uso. “As mulheres também compram muitos carros. Assim, os anúncios têm que ser voltados a elas, bem como os modelos de automóveis.”


Portal HSM On-line, 03/06/08

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“Responsabilidade é mais do que preencher um cheque”

Durante anos, Akhtar Badshah soube o quanto era difícil captar recursos para os seus projetos. No comando da fundação Digital Partners, organização social de Seattle (EUA) que promove a economia digital em benefício de populações de baixa renda, bateu na porta de toda a sorte de grandes corporações na busca por financiamento.

Hoje, no entanto, a história é outra. Desde 2004, Badshah está à frente da direção de Assuntos Comunitários da Microsoft e, no leque de responsabilidades, não apenas comanda do o programa Unlimited Potential (UP), de alcance mundial, mas de todas as ações de inclusão digital da empresa.

Para o doutor do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT) de origem indiana, a tarefa é complexa: deve administrar os bilhões de dólares que a Microsoft colocou sob o seu crivo. Em visita relâmpago por São Paulo, ministrou uma aula aberta promovida pelo GIFE em parceria da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), no último dia 26 de maio.

No evento, o indiano falou sobre o que é importante na hora de apoiar os projetos. “Selecionar uma ação social implica em uma série de elementos. O primeiro é seu potencial de impacto, em que analisamos a capacidade da organização em atender, não apenas em números, mas em qualidade”, argumentou.

O segundo ponto levantado pelo indiano é a credibilidade da instituição, seu histórico e outros parceiros. “O principal é trabalhar com organizações que estejam estreitamente vinculadas com a comunidade. Às vezes uma idéia pode ser muito boa, mas não serve se não existe interesse local”.

Questionado sobre a sua experiência no trabalho com organizações do terceiro setor, o especialista garante que o grande desafio é fazer com que seus gestores entendam que nem tudo é dinheiro. “Em alguns casos, as ONGs não necessitam de dinheiro, mas requerem apoio, uma rede. Por outro lado, é muito importante que as empresas também entendam que a responsabilidade social não é apenas preencher um cheque”, criticou.

Na visão de Badshah, é imprescindível que empresas e organizações social fortaleçam alianças de colaboração para estabelecer agendas comuns. Isto é, que identifiquem diferentes expertises para o bom uso dos recursos.

Sobre as práticas da Microsoft, nesse campo, o indiano vê um retorno além dos recursos financeiros, outros benefícios. Se a empresa investe com o objetivo de ajudar a que mais pessoas tenham acesso a tecnologias da informação, é claro que em longo prazo ela pode se beneficiar. No entanto, por enquanto, o êxito do programa é que o investimento seja efetivo e tenha como produto final uma melhoria social. Sem isso é um fracasso.”

Ele acredita que, como empresa, a Microsoft entende que possui a responsabilidade de incluir a todas as pessoas no mundo das TIs. Há 30 anos, não se necessitava saber comutação para ser secretária. Hoje são habilidades básicas. Para mim, essa é nossa responsabilidade e uma obrigação”.

Nessa questão, Akhtar Badshah acredita na elaboração de produtos que atendam as demandas de determinadas comunidades. Como um exemplo genérico, ele comentou sobre um novo produto da empresa Danone, em Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo, com 144 milhões de habitantes, sendo que mais de um terço da população vive com menos de um dólar ao dia.

Como vender um produto que seja viável economicamente e pensado na comunidade? Segundo Badshah, a empresa desenvolveu um iogurte com mais vitaminas, fibras e minerais, com um preço menor do que o praticado no mercado. O fez com a colaboração do governo e organizações locais. “Os três setores fazem parte da solução. È uma questão de alinhamento.”


Rodrigo Zavala, da Rede Gife

Envolverde, 03/06/08

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Prefeitura de SP dá início à construção de praças com recursos da venda de créditos de carbono

As obras, autorizadas pelo prefeito nesta quarta-feira (04) em Perus (Zona Norte), são as primeiras executadas com recursos obtidos coma venda de créditos de carbono no país. Serão investidos R$ 1,6 milhões nas praças.

O prefeito de São Paulo assinou nesta quarta-feira (04) autorização para o início das obras de construção de três praças em Perus (Zona Norte). As obras são as primeiras executadas com recursos obtidos com a venda de créditos de carbono no país.

A solenidade que marcou o início das obras foi realizada no local da futura praça Vale do Saber, que ocupará área de 15 mil metros quadrados. Nos três espaços de lazer serão investidos R$ 1,6 milhão. No total, serão 14 praças na região com dinheiro da venda de créditos de carbono.

Ele referiu-se à geração de energia elétrica a partir de gás emitido nos aterros sanitários situados no município. "No momento em que implantamos nos dois aterros a tecnologia que faz a conversão do gás metano em energia, estamos melhorando a qualidade de vida na cidade e combatendo a poluição e o efeito estufa", afirmou.

Com as usinas de geração de energia em operação nos aterros, a Prefeitura se habilitou a emitir créditos de carbono, de acordo com o Protocolo de Kyoto. O prefeito anunciou que em breve será realizado o segundo leilão de créditos de carbono em São Paulo, com arrecadação estimada entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões.

A administração municipal fará as praças Vale do Saber (avenida Florestan Fernandes, esquina com rua da Várzea, no Jardim Monte Belo), que receberá investimentos de R$ 932 mil; a Cuitegi (rua de mesmo nome), com verba de R$ 228 mil; e a Mogeiro (rua Virginia Castiglione, no Jardim Santa Fé), com custo de R$ 498 mil.

As praças terão pistas de caminhada, playgrounds, equipamentos de ginástica, área de lazer e projetos paisagísticos. Em pontos específicos, conforme o local e a necessidade da população, serão acrescentados outros itens, como quadra de esportes.

Na praça Vale do Saber, com 15 mil metros quadrados, está prevista a construção de teatro de arena, parque infantil, pérgula, estacionamento, pista de skate, praça de esculturas, ponte, área de ginástica e quadra poliesportiva, além de acessos e caminhos.

Os créditos de carbono são uma espécie de "moeda ambiental" comprada pelos países poluidores para ajudar a cumprir as metas de redução de poluentes na atmosfera, estabelecidas pelos 172 países que assinaram o Protocolo de Kyoto (Japão).

No primeiro leilão de crédito de carbono realizado na Cidade de São Paulo, em setembro do ano passado, na BM&F, a Prefeitura obteve R$ 34 milhões. A maior parte dos recursos será destinada a projetos de melhoria ambiental na região de Perus e Pirituba (Zona Norte), onde está localizado o Aterro Bandeirantes.

"Essa ação é uma resposta da Prefeitura a um problema tão importante para o mundo inteiro, que é o aquecimento global. Nossa cidade pode se orgulhar de, com a captação do metano nos aterros Bandeirantes e São João, neutralizar 20% de todos os gases de efeito estufa que São Paulo produz", explicou o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente.

O leilão vendeu 808.450 créditos de carbono do Município e o lote foi arrematado pelo Fortis Bank NV/SA, da Holanda, que pagou € 16,20 por tonelada de carbono equivalente, o que representou um ágio de 27,5% sobre o preço mínimo de € 12,70 fixado pela Prefeitura. Nove empresas ofertaram lances no leilão, feito via internet.

Em janeiro de 2007, entrou em operação a usina termelétrica do aterro sanitário São João, em São Mateus (Zona Leste). Transforma em energia elétrica a maior parte do gás produzido pela decomposição natural de 26 milhões de toneladas de resíduos sólidos depositados no aterro, entre 1992 e 2007.

O sistema é o mesmo utilizado no Aterro Bandeirantes, na Zona Norte, que já deixou de lançar na atmosfera mais de 2 milhões de toneladas de CO² (dióxido de carbono). Por conta disso, foram gerados cerca de 1,6 milhão de créditos de carbono.

Assim, a cidade ganha duas vezes: com a queima do gás emitido a partir da decomposição do lixo, fonte de poluição causadora do efeito estufa, e a geração de energia. No Aterro Bandeirantes, a queima de 80% do gás gera 175 mil MWh/ano.

Os créditos certificados pela ONU pertencem à Prefeitura e à empresa Biogás, concessionária da exploração do gás. Com a transformação do gás em energia elétrica nos dois aterros, o Município deixará de lançar, até 2012, um total de 11 milhões de toneladas de CO² na atmosfera, o correspondente à poluição gerada por 2 milhões de veículos movidos a combustíveis derivados de petróleo.

Praças revitalizadas
Antes de assinar a ordem de início, o prefeito entregou obras de revitalização da praça Luis Pereira Rebouças, uma das oito praças que foram reformadas pela administração municipal na região de Perus.

A Prefeitura aplicou R$ 712 mil nas obras. Situada no Jardim Primavera, a praça recebeu piso novo, pista de caminhada, adequação de acessibilidade, instalação de novos brinquedos, espaço para contemplação (deck), paisagismo, bancos e mesas e reforma da quadra poliesportiva. São as seguintes as outras sete praças revitalizadas: Doutor Fausto Ribeiro Filho, Antônio Molina, Noel Rosa, Oswaldo Oliveira, Paulo Maurício, Jardim Morada do Sol e Jardim dos Manacás.

Envolverde/Prefeitura SP, 05/06/08

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FAO vai destinar US$ 17 milhões para combater crise mundial dos alimentos

Como forma de tentar combater a crise dos alimentos no mundo, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) anunciou hoje, 4, que vai destinar até 2009 US$ 17 milhões aos países mais pobres que sofrem com o problema.

O fundo é uma ação de emergência da FAO e será destinado à compra de sementes e de fertilizantes, à melhoria de sistemas de irrigação e infra-estrutura e a aquisição de outros equipamentos necessários para desenvolver a agricultura em países africanos. A FAO estima, no entanto, que são necessários pelo menos US$ 1,7 bilhão até 2009 para que o problema alimentar seja reduzido com mais eficácia nessas regiões.

Alguns países também anunciam ajuda àqueles que enfrentam mais duramente a crise dos alimentos. Na abertura da conferência da FAO, ontem, 3, o presidente francês, Nicolas Sarcozy, assumiu o compromisso de colaborar com US$ 1,5 bilhão nos próximos cinco anos para países africanos.

O Banco Mundial também anunciou a destinação de US$ 1,2 bilhão para a crise alimentar. O presidente da instituição, Robert Zoellick, disse no plenário da Conferência da FAO que fará da crise alimentar uma das prioridades na reunião do G 8 (grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo – Estados Unidos, Canadá, Japão, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália – e a Rússia), marcada para julho.

"Na reunião do G 8 vamos coordenar políticas internacionais para transformar a grande demanda por comida em uma oportunidade para o desenvolvimento dos países". Segundo ele, haverá o incentivo aos pequenos agricultores e o investimento em pesquisa.

Zoellick ainda pediu a conclusão da Rodada Doha, para que lentamente se possa corrigir as distorções entre os subsídios agrícolas e as tarifas.


Priscilla Mazenotti, da Agência Brasil

Envolverde, 05/06/08

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Conferência da FAO não resultou em medidas para diminuir a fome, avaliam ONGs

A conferência da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) não resultou em medidas práticas para amenizar a crise alimentar vivida pelo mundo, na avaliação de organizações não-governamentais (ONGs) que acompanharam o encontro, em Roma.

"A sociedade civil não foi citada em nenhum documento aqui. Isso é reflexo da total exclusão dos agricultores nessa conferência", disse o secretário-geral da Rede de Ação e Informação Alimentação Primeiro, Flávio Valente.

Para ele, na conferência que se encerra hoje (5), os governos demonstraram que têm agendas diferentes e que não há acordo para resolver o problema. "São os mesmos compromissos do passado. Não tem nenhum compromisso novo. A conferência realmente mostrou que eles não se prepararam para achar uma solução aqui. Só assuntos pessoais, como a questão dos combustíveis, mas as pessoas que passam fome todos os dias não terão uma resposta daqui. O que está aqui já foi dito várias vezes e nunca foi cumprido", criticou.

"Não acredito que os governos vão encontrar, por eles mesmos, a solução para o problema", completou o secretário-geral.

Na prévia da declaração do encontro, há a intenção de delegar à força-tarefa criada pela ONU a responsabilidade pelo problema da distribuição alimentar no mundo. Valente lembrou que essa força-tarefa não é intergovernamental. "Os governos não poderão interferir nas ações".

"A conferência se transformou num sucesso para os interesses errados, não é um sucesso para o povo, é um sucesso para os interesses econômicos que saem fortalecidos desse processo à medida que a FAO sai enfraquecida desse encontro, porque perde o mandato de defender a segurança alimentar, porque ele é transferido para um organismo que não tem controle governamental", comentou.

Para ele, a culpa pela crise alimentar não pode ser atribuída somente aos subsídios agrícolas pagos pela União Européia a seus agricultores. É preciso discutir os mecanismos de regulação de mercado. "O mercado não é livre. O mercado livre, na verdade, está a serviço dos grandes interesses econômicos. A sociedade precisa ter mecanismos de regulação sobre ele", reclamou.


Priscilla Mazenotti, da Agência Brasil

Envolverde, 05/06/08

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Inscrições para o Prêmio ANA são prorrogadas para 04 de julho

Prêmio tem seis categorias e tema é “Conservação e Uso Racional da Água”
Foto ANA


Os interessados em participar do Prêmio ANA 2008 terão até 04/07, uma sexta-feira, para enviar suas inscrições – não há limite de candidaturas por concorrente. A premiação, cujo tema é “Conservação e Uso Racional da Água”, visa a reconhecer o mérito de iniciativas que se destaquem pela excelência de sua contribuição para a gestão e o uso sustentável dos recursos hídricos do Brasil.

Em cada uma das seis categorias em disputa – imprensa, governo, organizações não-governamentais (ONGs), organismos de bacia, empresas e academia –, serão escolhidos três finalistas, dos quais sairá um vencedor. Os seis ganhadores do Prêmio ANA 2008 serão conhecidos durante a solenidade de premiação, que ocorrerá em dezembro, em data a ser definida, em Brasília, e receberão o Troféu Prêmio ANA.

A Comissão Julgadora da premiação será composta de cinco membros externos à ANA e com notório saber na área de recursos hídricos. Cabe à Comissão escolher os três finalistas e os vencedores de cada categoria. As avaliações se darão segundo os critérios de: efetividade; impactos social, cultural e ambiental; potencial de difusão/replicação; originalidade; e adesão e participação social.

Inscrições
As inscrições são gratuitas e deverão ser enviadas até 4/7, por remessa postal registrada, e dirigidas à “Comissão Organizadora do Prêmio ANA” no seguinte endereço: SPO, Área 5, Quadra 3, Bloco “M”, CEP: 70.610-200, Brasília, DF.

No regulamento do Prêmio ANA 2008 há a lista de documentos que devem ser enviados junto com a ficha de inscrição de cada candidatura. Na categoria imprensa, os jornalistas deverão enviar uma cópia do material jornalístico em papel (para veículos impressos e sítios) ou em CD ou DVD (para rádios e TVs) contendo arquivos de fácil leitura. Os conteúdos devem ter sido veiculados entre 20/12/2004 e 04/07/2008.

Mais informações sobre a premiação podem ser obtidas por meio do hotsite www.ana.gov.br/premio, pelo e-mail premioana@ana.gov.br ou pelos telefones (61) 2109-5412 e 2109-5495 (exclusivo para a categoria imprensa).

Quem pode participar
1) Governo: categoria que abrange órgãos e entidades governamentais federais, estaduais e municipais, nas esferas executiva, legislativa e judiciária, assim como o Ministério Público e os Tribunais de Contas;

2) Empresas: categoria que abrange empresas públicas e privadas, bem como sociedades de economia mista;

3) Organizações não-governamentais: categoria que abrange organizações não-governamentais sem fins lucrativos (também chamadas de organizações da sociedade civil), com atuação na área de recursos hídricos e meio ambiente, associações de classe, sindicatos;

4) Organismos de bacia: categoria que abrange Comitês de Bacia Hidrográfica de rios de domínio da União e dos Estados, comissões de açudes e barragens, consórcios intermunicipais com ações na área de recursos hídricos, associações de usuários e agências de bacia;

5) Imprensa: categoria que abrange trabalhos de jornalistas de veículos de comunicação dos seguintes tipos: jornais, revistas, rádios, TV e sítios jornalísticos. Poderão ser apresentadas matérias especiais ou séries de reportagens relacionadas ao tema da Segunda Edição do Prêmio ANA, veiculadas por meio da mídia nos últimos três anos a contar da data da publicação deste edital;

6) Academia: categoria que abrange estudantes, instituições e profissionais ligados ao ensino, à pesquisa e à extensão.

Fonte: Agência Nacional de Águas (ANA)

Boletim da RTS, 30/05/08

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Sebrae prorroga inscrições para Edital na área de Tecnologia Social

Participantes terão até 30 de junho para enviar propostas nas áreas de bioenergia, cultivos agroecológicos e aproveitamento de resíduos e produtos da floresta
Foto Sebrae


O Sebrae prorrogou para 30/06, o prazo para o envio de propostas para edital do Sebrae destinado à difusão de Tecnologias Sociais (TSs). O edital, que mobiliza recursos da ordem de R$ 3 milhões para melhorar as condições de competitividade e sustentabilidade de produtores/as rurais e de micro e pequenos empreendimentos, contempla a utilização de bioenergia; sistemas de produção com aproveitamento sustentável de resíduos; sistemas de cultivos agroecológicos; e o aproveitamento sustentável de produtos da floresta.

As propostas devem conter solicitação de apoio financeiro de até R$ 100 mil, sendo a participação do Sebrae limitada a 70% do valor total do projeto. Poderão ser apoiadas despesas correntes tais como material de consumo; softwares; instalação, recuperação e manutenção de equipamentos; serviços de terceiros (pessoa física ou jurídica); passagens e diárias. Não serão apoiadas despesas de capital, investimentos, aquisição de equipamentos e despesas operacionais e administrativas. O prazo de execução de cada proposta contratada deverá ser de até 18 meses, podendo ser prorrogado a critério do Sebrae Nacional.

A entidade proponente poderá ser uma Instituição Científica ou Tecnológica (ICT) pública ou privada sem fins lucrativos ou uma Organização Não-Governamental (ONG) legalmente habilitada a conduzir projetos de difusão de tecnologia. Cada entidade proponente poderá apresentar somente uma proposta por unidade da Federação.

Os projetos deverão, ainda, contar com a participação de uma entidade parceira, que deve ser uma associação de produtores rurais, um sindicato ou uma cooperativa agropecuária ou agroindustrial de empreendimentos de micro e pequeno porte.

Clique aqui para acessar o edital.


Vinícius Carvalho


Informativo do Portal da RTS, 28/05/08

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PUC-RS testa equipamento para TV digital feito no país

A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) faz hoje em Porto Alegre a primeira transmissão experimental com um modulador desenvolvido no país dentro das normas do sistema brasileiro de televisão digital (SDTV). O teste será restrito ao interior de um prédio do campus da universidade e faz parte de um projeto financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que envolve também o Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), de Porto Alegre, e a empresa paulista RF Telavo.

O modulador digitaliza o sinal transmitido pelas emissoras de televisão e, segundo o coordenador do Centro de Pesquisa em Tecnologia Wireless da Faculdade de Engenharia da PUC-RS, Fernando de Castro, a intenção é desenvolver um equipamento mais barato para facilitar o ingresso das pequenas empresas no novo sistema. Na implantação da primeira fase da tecnologia de TV digital no país, na região metropolitana de São Paulo, foram utilizados moduladores importados. As estimativas são de que a fabricação local poderá reduzir os custos do produto em até 70%.

De acordo com Castro, o modulador que será apresentado hoje utiliza um chip importado "reprogramável" FPGA e poderá ser produzido comercialmente pela RF Telavo até o fim deste ano. Esse tipo de chip foi escolhido para a primeira fase do trabalho porque permite a correção de eventuais erros que apareçam durante os testes e até a reprogramação de equipamentos já produzidos.

A próxima etapa será o desenvolvimento, pelo Ceitec, de um chip "dedicado" (que depois de programado não pode ser modificado) capaz de operar nos sistemas japonês (adotado no Brasil), americano e europeu com vistas a futuras exportações dos moduladores. Segundo a gerente do centro de design do Ceitec, Edelweiss Ritt, o circuito integrado dedicado é mais barato, menor e mais eficiente em consumo de energia do que o chip FPGA.

A previsão é de que o primeiro protótipo do novo chip, configurado para operar apenas no sistema brasileiro, estará pronto até o fim do ano para testes. O circuito para os três sistemas será desenvolvido em seguida e deverá ser produzido a partir de 2010 pela alemã X-Fab, que tem um acordo operacional com o Ceitec. Todo o projeto para a produção do modulador nacional deverá ser executado em três anos a contar de abril de 2007, com investimentos de R$ 15 milhões do BNDES mais uma contrapartida de 15% da RF Telavo.


Sérgio Bueno

Valor Online, 05/06/08

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segunda-feira, 2 de junho de 2008

El dinero compra la felicidad... si se lo das a otro

El dinero puede comprar la felicidad, pero sólo si usted lo gasta en otra persona, esta es la conclusión de un estudio realizado por el equipo de la University of British Columbia y la Harvard Business School found. "Gastar únicamente 5 dolares al día en otra persona podría aumentar significativamente la felicidad", afirman los investigadores. Sus experimentos se han realizado en más de 630 estadounidenses los cuales mostraban felicidad cuando se gastaban dinero en otras personas y que incluso sentían satisfacción si sólo pensaban en hacer regalos a otros.

Cómo gastar el dinero
"Queríamos poner a prueba la teoría que afirma que la forma en qué las personas gastan su dinero es al menos tan importante como la cantidad de dinero que ganan", señaló Elizabeth Dunn, una psicóloga de la Universidad de la Columbia Británica.

El experiemento consistió en solicitar a sus 600 voluntarios que evaluran su felicidad en general, su informe anual de ingresos y el detalle de sus facturas mensuales de los gastos, regalos para sí mismos, para otros regalos y las donaciones a la caridad.

La catidad de los ingresos
"Los que gastaban dinero en otros aseguraron tener una mayor felicidad, independientemente de la cantidad de ingresos que cada persona ganaba. Por el contrario, los que gastaban más en sí mismos experiementaban menos satisfacción ", dijo Dunn.

Dunn también realizó la encuesta a 16 empleados en una empresa en Boston antes y después de que recibieran una prima anual de participación en los beneficios que oscilaba entre los 3.000 y los 8.000 dólares anuales.

Mayor felicidad
"Los empleados que dedican una mayor parte de sus ingresos en favor de los gastos sociales experimentaron un mayor felicidad después de recibir el bono, y la forma en que gastan ese bono era un indicativo más importante de su felicidad que el tamaño de la bonificación en sí misma", según escribió la investigadora en su artículos de la revista Science.

"Por último, los participantes que fueron asignados al azar a gastar dinero en los otros experimentaron una mayor felicidad que los asignados a gastar dinero en sí mismos", explica Dunn.

Gastar en los otros
Los investigadores dieron sus voluntarios entre 5 ó 20 dólares y la mitad de ellos recibió instrucciones claras sobre la forma de gastar. Los que gastaron el dinero en alguien o algo informaron sentirse más felices.

"Estos hallazgos sugieren que muy pequeñas cambios en el gasto del dinero - tan poco como 5 dólares - puede ser suficiente para producir ganancias reales en la felicidad" dijo Dunn.

Sociedad más rica
Esto también puede explicar por qué las personas no son más felices aunque EE.UU. es la sociedad más rica.

"De hecho, aunque los ingresos reales han aumentado drásticamente en los últimos decenios, los niveles de felicidad se han mantenido sin alteraciones a través del tiempo en los países desarrollados", concluye el artículo.


Reuters, 23/03/2008
Publicado no Boletim Informativo da Asociación Española de Fundraising

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domingo, 1 de junho de 2008

Mecanismos de Incentivo Fiscal para Projetos Voltados à Preservação do Meio Ambiente

Está em tramitação no Congresso Nacional um Projeto de Lei que amplia as possibilidades de financiamento de projetos voltados à conservação e uso sustentável dos recursos naturais. Se aprovado, o “Imposto de Renda Ecológico” será instituído, o que seguramente fortalecerá as ações de entidades do Terceiro Setor ligadas à preservação do meio ambiente, que receberão recursos através de um mecanismo de incentivo fiscal semelhante ao que contempla a área cultural em nosso país.

A princípio foram propostos dois Projetos de Lei sobre o tema: o PL nº 5.974/2005 de autoria do Senador Waldeck Ornellas e o PL nº 5.162/2005 de autoria do Deputado Federal Paulo Feijó. O último encontra-se arquivado desde 03/10/2007, pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, nos termos do § 4º do artigo 58 do RICD. Isto porque, por exceder o limite de dedução já previsto na legislação brasileira (o PL nº 5.162/2005 estabelecia o valor de dedução limitado a 5% do imposto de renda devido), seria necessária a apresentação de um estudo de impacto fiscal, a fim de não se prejudicar as metas fiscais previstas na Lei de Diretrizes Orçamentária, o que não foi feito, padecendo, assim, referido PL, dos vícios de inconstitucionalidade, ilegalidade e antijuridicidade.

O PL nº 5.974/2005 está em vias de ser votado em Plenária pela Câmara dos Deputados, já tendo sido aprovado pelas Comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Finanças e Tributação; e de Constituição, Justiça e Cidadania; todas desta casa. Após tal votação deverá seguir novamente ao Senado Federal, onde já foi previamente aprovado, uma vez que foi esta casa a iniciadora do PL nº 5.974/2005 sendo, a Câmara dos Deputados, a casa revisora. Lembramos que o Imposto de Renda Ecológico e um breve relato acerca do mecanismo de votação e aprovação de leis no Brasil foi tema da Coluna Legal, na edição de maio de 2006.

Diferentemente do que ocorreu com o PL nº 5.162/2005, o PL nº 5.974/2005 está em conformidade com a Lei de Diretrizes Orçamentárias, uma vez que submete o incentivo fiscal ao limite de dedução já existente na legislação tributária vigente (dedução limitada a 4% do imposto de renda devido – mesmo montante aplicado à cultura, por intermédio da Lei Rouanet, por exemplo).

Passamos a analisar o teor do PL nº 5.974/2005, que dispõe sobre incentivos fiscais para projetos ambientais.

As pessoas jurídicas poderão deduzir do imposto de renda devido até 40% do valor efetivamente doado a entidades sem fins lucrativos, que apliquem tal recurso em projetos de preservação do meio ambiente e promoção do uso sustentável de recursos naturais, sendo certo que o valor doado não poderá exceder o limite de 4% do imposto de renda devido. Já as pessoas físicas poderão deduzir até 80% dos valores efetivamente doados a tais entidades, montante limitado a 6% do imposto de renda devido.

O PL nº 5.974/2005 veda a aplicação dos recursos doados para remunerar, a qualquer título, dirigente da entidade que executará o projeto incentivado. Ademais, estabelece que a inexecução total ou parcial do projeto fará com que a entidade tenha que devolver o valor do imposto de renda que deixou de ser arrecadado, proporcionalmente à parte não cumprida do projeto, acrescido de juros e encargos previstos na legislação do imposto de renda.

Quanto à inexecução sem justa causa, ou simulação de execução, inclusive com uso de documentação inidônea, dos projetos ambientais que receberam recursos de incentivo fiscal, o PL nº 5.974/2005 prevê, aos praticantes de tal conduta, considerada como crime, uma pena de reclusão de 2 a 6 meses e multa de 50% do valor do benefício fiscal recebido.

O Ministério do Meio Ambiente será o órgão responsável pela apreciação dos projetos ambientais incentivados, bem como de suas planilhas de custos e cronogramas de execução, sendo certo que, para serem aprovados, os projetos deverão ser compatíveis com as normas e diretrizes do Fundo Nacional do Meio Ambiente.

O Fundo Nacional do Meio Ambiente foi instituído pela Lei nº 7.797/89, com a finalidade de desenvolver projetos relacionados ao uso sustentável de recursos naturais, o que inclui a manutenção, melhoria e recuperação da qualidade ambiental e melhoria da qualidade de vida da população brasileira.

Seus recursos são provenientes de:
(i) dotações orçamentárias da União;
(ii) doações que venha a receber de pessoas físicas ou jurídicas;
(iii) rendimentos de qualquer natureza; e
(iv) outros recursos, destinados por lei.

Os recursos do Fundo Nacional do Meio Ambiente são aplicados em projetos de entidades privadas sem fins lucrativos ou através de órgãos públicos federais, estaduais e municipais, cujos objetivos estejam em consonância com a finalidade do Fundo, acima mencionada, sendo considerada prioritária a aplicação dos recursos nas seguintes áreas:
(i) unidade de conservação;
(ii) pesquisa e desenvolvimento tecnológico;
(iii) educação ambiental;
(iv) manejo e extensão florestal;
(v) desenvolvimento institucional;
(vi) controle ambiental; e
(vii) aproveitamento econômico racional e sustentável da flora e fauna nativas.

Segundo informações do Ministério do Meio Ambiente, o Fundo Nacional do Meio Ambiente é o maior fundo público do país, tendo investido, desde sua criação, 170 milhões de reais em mais de 1.300 projetos sócio-ambientais que contribuem com a conservação, uso sustentável dos recursos naturais e apoio a comunidades em todas as regiões do Brasil.

A expectativa é de que o PL nº 5.974/2005 seja aprovado, e que possamos contar com incentivo fiscal voltado a projetos ambientais, seguindo as diretrizes e normas do Fundo Nacional do Meio Ambiente, que é bem estruturado.

Cumpre lembrar que o incentivo fiscal na área ambiental é uma realidade no mundo. A maioria dos países desenvolvidos conta com uma legislação específica sobre o tema, e as doações de pessoas físicas e jurídicas são uma constante. Em Portugal, por exemplo, o ordenamento jurídico contempla o benefício fiscal na área ambiental desde 1998, através do "Estatuto das Organizações Não Governamentais de Ambiente - ONGA", que prevê o Mecenato Ambiental, o qual consiste na possibilidade de aplicar, sem acumulação, o regime do Mecenato Cultural previsto nos Códigos do IRS e do IRC – respectivamente, Imposto sobre o Rendimento Singular e Colectivo, semelhantes aos nossos Impostos de Renda da Pessoa Física e Jurídica – em projetos de interesse público previamente reconhecidos pelo Instituto do Ambiente Português.

Outro mecanismo de incentivo fiscal voltado à área ambiental que merece destaque é o contemplado pelo PL nº 1.657/07, de autoria do Deputado Federal Zequinha Marinho. O texto aprovado dispõe sobre os incentivos fiscais a serem concedidos às pessoas físicas e jurídicas que investirem em projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), gerando Reduções Certificadas de Emissões (RCE´s), bem como na constituição de Fundos de Investimento em Projetos de MDL.

Extrai-se do teor do referido PL que o lucro decorrente das vendas de RCE´s seria excluído para fins de apuração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); cujas receitas também ficariam isentas da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS).

Cabe ressaltar que a justificativa para o projeto encontra respaldo no Protocolo de Kyoto, datado de 1997, que estipulou metas de redução de emissão de gases de efeito estufa para países considerados poluidores mundiais, no período compreendido entre 2008 e 2012, possibilitando, assim, que países como o Brasil, considerado não poluidor, passassem a vender as quotas das RCE’s.

Dessa forma, faz-se extremamente pertinente à aprovação dessa norma, uma vez que é justamente a falta de regulamentação jurídico-fiscal que tem inibido as negociações de créditos de carbono no país.

O Projeto de Lei relativo aos incentivos fiscais voltados a projetos de MDL já foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, devendo ainda ser analisado, em caráter conclusivo, pelas Comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Ainda com relação a incentivo fiscal voltado à área ambiental, verificamos o PL nº 2.027/2007, de autoria do Deputado Federal Antônio Carlos Mendes Thame. O texto disciplina a comercialização dos Créditos de Carbono e Certificados de Redução pelas Emissões com o uso de energia elétrica alternativa, tal como a energia solar, eólica e térmica, e pretende estimular o Mercado de Crédito de Carbono proveniente do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), a partir da geração de energia de tais fontes alternativas. Referido PL será analisado ainda neste mês pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. Se aprovado, o PL nº 2.027/2007 segue para a apreciação conclusiva das Comissões de Minas e Energia; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


Valeria Puglisi Andrade e Erika Kishita Fukuda

Valéria P. Puglisi Andrade é advogada do escritório Cesnik, Quintino e Salinas Advogados (www.cqs.adv.br), especializado em cultura e terceiro setor; tem Mestrado em Direito Ambiental e Especialização em Direito Contratual pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP.
E-mail: valeria@cqs.adv.br

Erika Kishita Fukuda é estagiária do escritório Cesnik, Quintino e Salinas Advogados (www.cqs.adv.br), especializado em cultura e terceiro setor; graduanda em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP.
Email: erika@cqs.adv.br.



Revista IntegrAção, Ano XI - Nº 84 Maio/2008

A Coluna Legal é o espaço da revista IntegrAção de acompanhamento da legislação para o Terceiro Setor no Brasil e no mundo, sua publicação é mensal.*

Os artigos, entrevistas, análises e reportagens assinadas expressam a opinião de seus autores, não representando, necessariamente, o ponto de vista da editoria da Revista IntegrAção e do CETS – Centro de Estudos do Terceiro Setor.

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Um Conselho que Vale a Pena

Ninguém questiona que a boa direção leva uma Instituição a lograr seus objetivos, a crescer e a ter êxito. Governança de qualidade facilita a conquista de metas. Seja em nível de país, estado, município e certamente em uma entidade do Terceiro Setor.

Muitas organizações dependem de uma pessoa ou de poucos. Situação esta perigosa, que ameaça sua estabilidade e continuidade. Se aquele que concentra o poder em suas mãos não mais puder dar tanta dedicação à instituição, ou se perder o interesse, ou não mais estiver disponível, a organização corre o risco de decretar seu atestado de óbito.

Uma forma válida e inteligente de fortalecer a direção da Instituição é através de um Conselho de Administração. Mais adiante apresentaremos várias ponderações que esperamos que levarão vocês a reconhecerem o grande valor deste poderoso aliado.

Nos países mais adiantados quanto à condução de organizações sem fins lucrativos, os Conselhos estão sempre presentes na boa gestão.

Na sua Instituição existe um Conselho de Administração? Se sua entidade é amostra representativa do que ocorre em nossa geografia, certamente pelo menos sete em cada dez de vocês responderá que não. Má e boa noticia... Má porque lhe falta uma poderosa e muito importante ferramenta para melhor desenvolver sua entidade. Boa porque você está com uma ótima oportunidade de profissionalizar sua organização.

No dia 20 de Abril estivemos num Seminario da ADETS(1). Havia cerca de 20 entidades presentes. Perguntamos quantas tinham um Conselho de Administração. Só 15% disseram que sim.

No mês passado fizemos uma pesquisa com 21 entidades de 12 países das Américas. São associadas da Alianza Latina(2). Também lhes perguntamos quantas tinham um Conselho de Administração. 81% disseram que não.

Este pouco uso de Conselho de Administração significa principalmente o grande desconhecimento dos benefícios que o mesmo pode e deve trazer.

Mas, o que faz um Conselho de Administração? Cada entidade deve definir o que deseja que seu Conselho faça. Aqui alguns exemplos:
* Determinar (Revisar) a Missão e os objetivos da Organização;
* Selecionar seu principal dirigente;
* Avaliar seu principal dirigente;
* Contribuir para a efetividade do Planejamento;
* Construir a imagem pública da Organização;
* Participar integralmente da Captação de Recursos.

Há exatos 20 anos (em 1988), criou-se nos Estados Unidos da América a "National Center for Non-Profit Boards", entidade que em 2002 passou a chamar-se "BoardSource". Esta entidade tem a Missão de "aumentar a efetividade das organizações não-lucrativas através do fortalecimento de seus Conselhos". Para maiores detalhes, recomendo seu site: www.boardsource.org

Os membros do Conselho de Administração podem (e devem!) adicionar conhecimento e experiência à entidade. Analisem de que conhecimentos carece sua organização Vocês são bons em Marketing? Entendem bem a parte legal? Dominam as questôes fiscais?

Considerem fortalecer sua Organização convidando especialistas nestes conhecimentos para fazer parte de seu Conselho.

Uma vez estabelecido o Conselho, surgirá o desafio de manter os Conselheiros motivados, "ligados" na entidade. Aqui, como membro do Conselho do CEPAC (3) recomendo nossa experiência. Liguem os Conselheiros a atividades específicas da entidade: administração, planejamento, projetos, captação,etc. Eles não devem dirigir estas atividades, pois isto cabe a Diretoria. Eles sim, participarão de projetos, serão "recursos" para a Diretoria.

O Conselho pode ser um importante diferencial no sucesso e crescimento de sua entidade. O que você espera? Mãos à obra!!!

René Steuer
Professor do Instituto Procura, do México. Trabalhou em Marketing e Administração na Richardson Vicks e Procter & Gamble no Brasil, México e Venezuela. Foi um dos fundadores e preside o conselho da ABCR. Palestrante em Gestão e Captação de Recursos no Brasil e diversos países.


Revista IntegrAção, Ano XI - Nº 84 Maio/2008

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sexta-feira, 30 de maio de 2008

O alcance dos territórios

Programa Territórios da Cidadania investirá mais de R$ 11 bilhões em quase mil municípios brasileiros de baixo IDH na zona rural. TSs farão parte do cardápio, mas ainda enfrentam o desafio de chegar às periferias dos grandes centros urbanos
Foto MDA


Tendo em vista intensificar a reaplicação em escala de Tecnologias Sociais, o CC/RTS decidiu associar, quando possível, a reaplicação das TSs aos Programas de Transferência de Renda, como o Bolsa-Família. Também ficaram definidos, como espaços prioritários de intervenção, as periferias dos grandes centros urbanos e os Territórios da Cidadania.

Lançado pelo governo federal, dia 25 de fevereiro, o programa Territórios da Cidadania reúne 60 territórios rurais de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), abrangendo cerca de mil municípios em todos os estados da federação. Entre seus objetivos estão a inclusão produtiva das populações pobres destes territórios, a integração de políticas públicas e a busca da universalização de programas básicos de cidadania, com investimentos estimados em R$ 11,3 bilhões para 2008.

“Na época da criação da RTS, buscamos privilegiar os territórios mais fragilizados do país. A idéia permanece e agora os Territórios da Cidadania permitirão alinhar esta reaplicação a um cardápio de políticas públicas”, avalia Lenart Nascimento, coordenador de Tecnologias Sociais da Petrobras. A idéia, avisa, não é atuar com exclusividade nestes territórios, mas se associar aos esforços de desenvolvimento territorial conduzidos por diversos entes de governo.

O Programa integra ações dos governos Federal, estaduais e municipais. Em cada território, um Colegiado Territorial composto pelas três esferas governamentais e pela sociedade determina um plano de desenvolvimento e uma agenda pactuada de ações. Os territórios foram definidos com base em conjuntos de municípios com características econômicas e ambientais comuns e com identidade e coesão social, cultural e geográfica.

Segundo a coordenadora do Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento (IADH), Tânia Zapata, um dos grandes desafios do programa será garantir a integração de políticas públicas, tendo em vista a “tradição” do Brasil diante de diferentes e contraditórias políticas territoriais nos mais diferentes níveis de governo, com superposição de ações e desperdício de recursos. “Há recortes territoriais demais. Assim a gente recorta é a cidadania”, diz. Outro desafio, segundo ela, será a capacidade do programa em gerar ações efetivas de empoderamento local. “Na Europa, quando se fala em políticas territoriais se fala em descentralização, protagonismo local e integração de políticas. Não da oferta da instituição, mas da demanda da população”, alerta.

Maiores que o município e menores que o Estado, os territórios servem, em tese, para o planejamento de ações governamentais tendo em vista o desenvolvimento integrado dessas regiões. Em 2008 serão beneficiados 60 territórios em todo o país. Até 2010, outros 60 territórios serão incorporados ao programa. As 135 ações que serão desenvolvidas em 2008 por 15 ministérios, com investimentos da ordem de R$ 11,3 bilhões, vão beneficiar mais de dois milhões de famílias de agricultores familiares, assentados da reforma agrária, quilombolas, indígenas, pescadores e comunidades tradicionais. A esta agenda podem ser acrescidas ações dos governos estaduais e municipais.

“Ações como essas têm um alcance reduzido se não há também um forte trabalho para fortalecer a capacidade local de gerar alternativas e inovações. É preciso reforçar também redes solidárias e parcerias para ampliar e aprofundar a participação de setores tradicionalmente não alcançados por políticas de desenvolvimento”, admite o secretário de Desenvolvimento Territorial do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Humberto Oliveira.

A concepção do programa permite, por exemplo, que sejam desenvolvidas ações que combinem financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e ampliação da assistência técnica; construção de estradas e ampliação do Programa Luz para Todos; recuperação da infra-estrutura dos assentamentos e ampliação do Bolsa Família; implantação de Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e ampliação dos programas Saúde da Família, Farmácia Popular e Brasil Sorridente; e construção obras de saneamento básico e de cisternas.

Olho nos territórios
“O principal desafio da focalização dos territórios e da escala é criar um efeito
demonstrativo que dê visibilidade às TSs Brasil afora, para que outros parceiros possam entrar”, avalia Lenart. Apesar da nova fase, todos os entrevistados ouvidos pelo Portal da RTS salientaram que os Territórios da Cidadania não devem ter exclusividade na reaplicação de Tecnologias Sociais.

“Muitos investidores econômicos querem focar as ações em suas áreas de atuação. As parcerias é que devem determinar os territórios”, diz o presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques Pena. Segundo ele, o desafio prioritário está na definição de Tecnologias Sociais passíveis de reaplicação em escala, capazes de garantir visibilidade e atração de novos parceiros. “O verdadeiro desafio não é investir em diversas TSs ao mesmo tempo, mas gerar convergências de instituições se concentrando em algumas TSs visando a questão da escala”, diz.

Para a reaplicação, a estratégia constituída na criação da RTS foi definir foco e territórios nos quais se concentraria a ação dos parceiros financiadores e reaplicadores. A idéia é que a concentração do financiamento em determinados espaços potencializaria o efeito da ação e dos recursos aplicados por cada um, o que geraria um efeito-demonstração para outras instituições e para o poder público, que poderiam adotar as TSs como política pública.

O foco foi o de geração de trabalho e renda. Já os territórios definidos foram aqueles reconhecidamente mais afetados pela situação de exclusão social: Semi-Árido e Vale do São Francisco, Amazônia e Periferias de Grandes Centros Urbanos, aos quais foi acrescido depois o Cerrado.

Para Juarez de Paula, uma priorização de territórios muito restritiva também pode significar uma barreira de entrada para novos investidores interessados na reaplicação, sobretudo num momento em que se busca fortalecer a RTS e ampliar o conceito de Tecnologia Social. “Se aproximarmos a lente, encontraremos bolsões de pobreza em qualquer território do país. Por que não concentrar os investimentos em áreas de pobreza de um modo geral? Isso significaria ampliar a capacidade de reaplicação e a adesão de novos parceiros em todo o país”, argumenta.

Na opinião do coordenador da Expo Brasil Desenvolvimento Local, Caio Silveira, restringir excessivamente o território é também incorrer no risco de reproduzir erros cometidos pelo próprio modelo de desenvolvimento que se busca alterar. “Não adianta determinar os territórios exogenamente, até porque não se pode considerar as TSs apenas pelo ponto de vista da oferta. Seria voltar a um erro fundamental”, diz.

Vácuo urbano
Um dos principais desafios da RTS, segundo os entrevistados ouvidos pelo Portal, é avançar na consolidação de TSs nos grandes centros urbanos. “Predominam os empreendimentos localizados na área rural. Realmente precisamos avançar nas cidades, onde vive a maior parte da população brasileira”, diz Pena.

Reflexo desta preocupação foi a criação, no âmbito da RTS, de um GT responsável pelo detalhamento de planos estratégicos para a reaplicação em escala de processos de incubação de empreendimentos solidários e de Tecnologias Sociais de reciclagem. Os resultados serão apresentados na próxima reunião do Comitê, marcada para junho. Entre os critérios definidos para a escolha das TSs a serem reaplicadas, estão sua capacidade em atender demandas das comunidades locais, a existência preliminar de resultados comprovadamente geradores de transformação social e o potencial de parceria em torno da TS.

“Temos de fazer esse debate. Será, por exemplo, que hortas comunitárias em ambientes de favela não seriam uma opção? A parte dos centros urbanos ainda tem que ser construída”, admite Lenart.

Números do programa Territórios da Cidadania
* Investimentos do Governo Federal -R$ 11,3 bilhões
* Municípios Beneficiados - 958 (17% dos municípios brasileiros)
* População Total Atendida - 24 milhões (14%)
* População Rural - 7,8 milhões (27%)
* Agricultura Familiar - 1 milhão de agricultores (24%)
* Assentados Reforma Agrária - 319,4 mil famílias (40%)
* Bolsa Família - 2,3 milhões de famílias (21%)
* Comunidades Quilombolas - 350(37%)
* Terras Indígenas - 149 (25%)
* Pescadores - 127,1 mil (33%)

Os critérios
Os territórios rurais do TC reúnem as seguintes características:
* conjunto de municípios com até 50 mil habitantes;
* densidade populacional menor que 80 habitantes/Km2;
* organizados em territórios rurais de identidade;integrados
* com os Consórcios de Segurança Alimentar e Desenvolvimento Local (Consad), do Ministério do Desevnvolvimento Social (MDS) e/ou Mesorregiões, do Ministério da Integração Nacional (MI).

Para identificação de quais territórios seriam o foco da atuação do Programa Territórios da Cidadania, foram considerados:
* menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH);
* maior concentração de agricultores familiares e assentamentos da Reforma Agrária;maior número de beneficiários do Programa Bolsa Família;
* maior concentração de populações quilombolas e indígenas; maior número de municípios com baixo dinamismo econômico;maior organização social (capital social).

A partir desses critérios técnicos, foram identificados 60 Territórios da Cidadania, em todos os Estados e no Distrito Federal, que perfazem os seguintes dados:
* Municípios: 958
* População Total: 23,9 milhões
* População Rural: 6,8 milhões
* Agricultura Familiar: 973.949 famílias
* Assentados Reforma Agrária: 351.056 famílias
* Bolsa Família: 2 milhões de famílias
* Comunidades Quilombolas: 364
* Terras Indígenas: 201

Vinícius Carvalho
Boletim da RTS, 28/05/08

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Incubação de empreendimentos solidários para o Desenvolvimento Local

Projeto Rede CataBahia, que articula seis cooperativas de catadores de materiais recicláveis do Estado
Foto: Petrobras


O impulso dado para o trabalho associado e o cooperativismo na perspectiva da autogestão ganha um suporte decisivo com a atuação das Incubadoras Tecnológicas, enquanto um ambiente de experimentação, apoio e transferência tecnológica com enfoque na sustentabilidade de empreendimentos coletivos. No âmbito da RTS, este esforço tem se dado, especialmente, pelo acompanhamento e avaliação dos projetos de reaplicação dos procedimentos de incubação de cooperativas populares financiados pela Caixa Econômica Federal, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Lançado em 2005, o edital disponibilizou R$ 3,1 milhões para 21 iniciativas, em 13 estados, que possuem diferentes formatos institucionais e operam a partir de distintas matrizes conceituais e metodológicas. O processo de acompanhamento é realizado pela Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) em diálogo com o Comitê Coordenador da RTS, envolvendo visitas aos projetos e a realização de seminários com vistas à afirmação, como Tecnologia Social, das metodologias de organização do trabalho associativo voltado para a autogestão.

“O edital visa justamente repassar conhecimentos, formar novos quadros, ampliar os recursos, descentralizar, difundir e interiorizar ações, ampliando a escala, mobilizando atores e repassando a eles os instrumentos desenvolvidos”, diz o coordenador da avaliação e diretor da Fase, Pedro Cunca Bocayuva.

Segundo levantamentos realizados pela organização, as incubadoras beneficiadas pelo edital já representam as três diferentes frentes de atuação das incubadoras no país: a incubação tradicional, com o apoio e capacitação de grupos solidários; a incubação de empreendimentos articulada a políticas públicas estaduais e municipais de economia solidária, incluindo a construção de incubadoras públicas; e a incubação de redes solidárias e segmentos produtivos associados a mais de um empreendimento.

“Isso recoloca a área de extensão das universidades dentro de um novo patamar, porque a incubadora consegue concretamente articular as três dimensões de ensino, pesquisa e extensão não apenas para gerar conhecimento por meio de teses e dissertações, mas também conhecimento apropriado pela sociedade”, avalia o diretor do Departamento de Estudos e Divulgação da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), Roberto Marinho.

Trajetória
O processo de construção das incubadoras de empreendimentos solidários no Brasil iniciou-se com a fundação em 1995 da primeira incubadora universitária de cooperativas populares, a ITCP/COPPE-UFRJ. Nos últimos anos, graças aos esforços de professores e alunos de diversas universidades e ao apoio recebido do Programa Nacional de Incubadoras de Cooperativas (Proninc), esse processo tem se expandido consideravelmente. Atualmente, existem cerca de 80 incubadoras universitárias de empreendimentos solidários ligadas ao Proninc, além de outras que ainda não se vincularam ao programa.

Os debates sobre o fortalecimento das incubadoras de cooperativas populares estão relacionados, segundo Marinho, à ampliação do número de empreendimentos solidários em todo o país. O último levantamento da Senaes aponta a existência de 21.859 Empreendimentos Econômicos Solidários (EES) no Brasil, distribuídos em 52% dos municípios brasileiros com mais de 1,6 milhão de trabalhadores.

Entre os principais motivos para a criação dos empreendimentos, segundo a pesquisa, estão a alternativa ao desemprego, a complementação da renda e a capacidade que a mobilização oferece para o acesso a novos financiamentos. Entre as principais dificuldades, 60% dos EES apontaram a comercialização, seguida do acesso ao crédito (48%) e do Apoio e Assistência Técnica (25%). “Fato é que a demanda da sociedade é muito maior do que as incubadoras conseguem ofertar”, afirmou Marinho.

Segundo Rodrigo Fonseca, analista de projetos da Área de Tecnologia para o Desenvolvimento Social da Financiadora de Estudos e Projetos, o reconhecimento dos processos de incubação como Tecnologia Social é um passo importante para ampliar o alcance destas iniciativas. “Estamos num momento em que é importante dar outro status ao conhecimento, ao trabalho e ao território. E a RTS é um canal estratégico para fazer a aproximação entre TSs e a economia solidária”, disse.

Incubadoras públicas
Diante do aumento da demanda por incubação, a consolidação de Incubadoras Públicas de EES, ligadas a governos estaduais ou municipais, começa a ser apresentada como estratégia para a disseminação dos procedimentos de incubação junto às iniciativas no campo da economia solidária. “É preciso dar escala ao processo de incubação enquanto política de Estado. Isso significa consolidar bases sociais que permitam a estas incubadoras ultrapassar os próprios governos” defendeu André Santana, da Rede de Gestores Públicos em Economia Solidária.

Além de disporem de mais recursos financeiros e materiais do que as incubadoras ligadas a universidades ou a ONGs, as incubadoras públicas, por estarem inseridas na estrutura estatal, possuiriam condições potencialmente mais favoráveis de articular ações intra-governamentais que contemplem as diferentes dimensões envolvidas nos processos de incubação. Contudo, este processo também traz incertezas, como a dificuldade de assegurar a continuidade dos processos de incubação para além dos mandatos executivos e a maior possibilidade de ingerências políticas, tanto no tocante à escolha das equipes técnicas quanto na seleção das comunidades e dos empreendimentos atendidos.

Durante o seminário "Tecnologia Social e economia solidária: estratégias de formação e desenvolvimento local", realizado em Salvador/BA, nos dias 10 e 11 de abril, a Superintendência de Economia Solidária da Secretaria de Trabalho e Emprego da Bahia (Sesol) deu sinal desta tendência ao anunciar a criação de oito centros públicos de economia solidária no Estado. Os centros funcionarão como espaços multifuncionais de desenvolvimento e fomento à economia solidária nas áreas de formação, incubação e concessão de microcrédito, além de disponibilizar infocentros e lojas solidárias.

A meta é implementar também 40 incubadoras públicas até 2010, das quais 10 devem ser instaladas ainda este ano. Entre as ações previstas estão a formação técnica e gerencial, o incentivo à legalização dos empreendimentos e a ampliação do crédito. “O objetivo é avançar na articulação dos empreendimentos em redes solidárias, da produção à comercialização”, disse Tatiana Reis, do Projeto Estadual de Incubadoras Públicas da Sesol.

Outra experiência beneficiada pelo edital construído no âmbito da RTS é o Programa Estadual de Economia Solidária do Acre. Iniciado no segundo semestre de 2007, o programa encontra-se em fase de implantação. Seu objetivo é a incubação de empreendimentos econômicos solidários por meio de um conjunto de ações articuladas, incluindo qualificação empreendedora, produtiva e gerencial; elaboração de projetos técnicos e planos de negócios; concessão de microcrédito produtivo orientado; certificação socioambiental e prospecção de mercado e apoio à comercialização.

O programa é coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia do Acre, mas a sua execução envolve também a participação de prefeituras municipais e de organizações da sociedade civil como o Fórum Estadual de Economia Solidária, a ACS Amazônia (entidade certificadora) e a Amazoncred (Oscip de microcrédito). Na sua fase inicial, o programa tem como meta a incubação de 15 empreendimentos em sete municípios do estado, com apoio da Universidade Federal do Acre. O objetivo é fortalecer a infra-estrutura, a organização do trabalho para o aumento da produção e a orientação para a participação em licitações. Para esta ação, o programa conta com R$ 8 milhões até 2010.

Destaque ainda para o Programa Osasco Solidária, instituído por lei municipal em dezembro de 2005. A principal instância operacional é a Incubadora Pública de Empreendimentos Populares e Solidários (Ieps), que consiste em um espaço público destinado a apoiar a criação, organização e consolidação de EES no município. As ações implementadas pela Ieps envolvem, entre outras, a realização de cursos de gestão de empreendimentos solidários, assessoria multidisciplinar, realização de oficinas por segmento econômico e de experiências práticas de produção e comercialização. A Ieps conta com uma equipe técnica interdisciplinar, formada por profissionais de 12 áreas de conhecimento.

Incubação de redes solidárias e segmentos produtivos
Outro fator destacado pelos participantes do seminário é a incapacidade da incubação resolver por si só os desafios de estruturação dos empreendimentos. De acordo com pesquisa da Senaes, apenas 16% dos EES tiveram acesso ao crédito nos últimos 12 meses, ao passo que 73% dos empreendimentos disseram ter acesso a assistência técnica. “Para terem o mínimo de autonomia, os EES precisam ver combinadas a incubação com qualificação social e profissional e com crédito e financiamentos solidários. Isso sem falar na construção de redes, já que empreendimentos isolados não vão a lugar nenhum”, alertou Marinho.

Uma das iniciativas contempladas pelo edital que faz essa aposta é executada pelo Pangea, que trabalha na articulação em rede entre cooperativas de catadores tendo em vista estabelecer uma relação comercial direta com a indústria recicladora. “Há intermediários que alugam os carrinhos de coleta aos catadores ao mesmo tempo em que compram o material coletado a preços irrisórios, gerando ganhos de até 600%”, alerta o diretor do Centro de Estudos Socioambientais Pangea, Antônio Bunchaft.

Durante o seminário, ele apresentou a experiência do Projeto Rede CataBahia, que rompeu este ciclo ao implantar uma rede solidária de coleta e comercialização de materiais recicláveis, em grande escala, a partir da união de seis cooperativas. A iniciativa, que conta com patrocínio da Petrobras e parcerias da Fundação Banco do Brasil, Fundação Avina e MNCR, possibilitou a diminuição dos custos operacionais e melhorias nos preços de venda dos resíduos, aumentando para mais de dois salários mínimos a renda média gerada para cada catador. Entre julho de 2003 e dezembro de 2007, o grupo coletou 15 mil toneladas de recicláveis.

A metodologia de construção do Projeto Rede CataBahia abarca seis etapas, não necessariamente subseqüentes. A primeira consiste no diagnóstico da composição gravimétrica, quando são aferidos os valores de contribuição de resíduos per capita (kg/habitante/funcionário x dia) e os percentuais da composição dos resíduos domiciliares (matéria orgânica, materiais recicláveis e rejeitos), de modo a orientar o planejamento na hora da coleta.

A segunda etapa envolve a assistência social integrada, quando os catadores são cadastrados no Bolsa Família, alfabetizados em articulação ao Programa Mova Brasil da Petrobras e têm seus documentos regularizados. Só então é realizada a capacitação, que traz módulos profissionalizantes com princípios de gestão de cooperativas e de comercialização do material coletado. Por fim, são realizadas a incubação, quando começam a ser estruturados os sistemas de logística de captação de resíduos, padronização da triagem e comercialização em Rede, e as ações de comunicação e mobilização social, com a formação de multiplicadores e ações de educação ambiental.

Outra experiência apoiada pela RTS que também avança no processo de incubação e criação de redes e cadeias produtivas está na Incubadora Social de Comunidades do Instituto Gênesis, ligada a PUC/RJ. A incubadora tem como objetivo fomentar o “empreendedorismo” entre os moradores de quatro comunidades de baixa renda do município, por meio da identificação de produtos e serviços com potencial de integração a cadeias produtivas.

Os critérios para incubar uma determinada iniciativa são a qualidade e viabilidade do produto e/ou serviço e a “incorporação de características empreendedoras” pelos beneficiários. Os empreendimentos visitados nas áreas de artesanato em tecidos e jornal e hospedagem comunitária inserem-se dentro de uma estratégia para fomentar uma cadeia produtiva ligada ao turismo, ligada a um público interessado em uma hospedagem de custo mais baixo e em conhecer o dia-a-dia de uma comunidade na cidade do Rio de Janeiro.

Saiba mais sobre a Trajetória da Economia Solidária no Brasil.

Vinícius Carvalho

Boletim da RTS, 28/05/08

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Um clube para quem tem no mínimo US$ 10 milhões

"Riquistão - Como Vivem os Novos-Ricos e Como Construíram suas Megafortunas" - Robert Frank.
Manole, 256 págs. R$49,90


"Riquistão" é leitura que pode interessar a novos ricos, àqueles que desejam ser ricos, aos que trabalham, prestam serviços ou vendem produtos para ricos ou burgueses decadentes. O fato de o livro retratar essencialmente a questão da riqueza na sociedade americana não retira valor ao trabalho de Robert Frank. Afinal, hábitos e comportamentos típicos do capitalismo americano se alastraram pelo mundo todo.

Ao falar da origem de novas fortunas, Frank, jornalista que vive em Nova York, as localiza entre pessoas que não as herdaram, mas as acumularam por conta própria. Baseando-se em dados do livro "Wealth and Democracy", do economista Kevin Phillips, Frank diz que os grandes picos da prosperidade americana foram impulsionados pela mesma convergência de forças: novas tecnologias, aumento da especulação financeira e governos que deram apoio aos mercados livres e à riqueza.

Frank descreve em detalhes as diferentes etapas em que emergiram novas fortunas na sociedade americana. Mas o grande momento está naquilo que ele chama de "evento de liquidez". É o momento em que o empreendedor ou o executivo de uma empresa vende sua participação em ações da companhia por uma vultosa quantia. Irônico, Frank comenta que "banqueiros adoram eventos de liquidez, pois lhes proporcionam uma montanha de dinheiro para administrar". Estão nessa categoria fundadores de empresas, executivos que lhes são vinculados e que obtiveram significativas participações acionárias, e altos executivos de grandes empresas, com excelentes salários e bonificações. Frank tipifica os integrantes de cada um desses grupos e seus comportamentos.

Ao situar o que se pode entender como uma pessoa rica, Frank afirma que, hoje, ela deve possuir no mínimo US$. 10 milhões. Será o começo para alguém conseguir manter um padrão de vida que possa ser considerado à altura de um rico e suas demandas.

Ao falar de alguns ricos e sua maneira de encarar o assunto, Frank mostra casos interessantes - inclusive, de alguns que satirizam o comportamento de seus colegas de fortuna. O bilionário americano David Tepper afirma que "a riqueza pode trazer à tona o pior - ou o melhor - das pessoas, transformando-as em uma versão um pouco exagerada delas mesmas". Diz também que "o dinheiro é como o soro da verdade. Coloca à mostra a natureza do indivíduo. Assim, se for um imbecil, será um imbecil ainda maior depois de ficar rico".

Existe o medo de perder tudo. Diz o autor: "Embora consigam amealhar grandes fortunas em tempo recorde, os novos ricos podem perdê-las num piscar de olhos. Os mercados financeiros e as tecnologias que mudam em ritmo acelerado criam oportunidades históricas para empreendedores e presidentes corporativos faturarem milhões e bilhões praticamente da noite para o dia. Mas também criam oportunidades históricas para perderem tudo com a mesma rapidez."

Os ricos também curtem suas insatisfações. Estudo realizado em 2005 mostrou que menos da metade dos ricos acha que a riqueza os fez mais felizes. Para 10% dos milionários, e 16% das milionárias, a riqueza criou mais problemas do que solucionou.

Segundo Frank, "os ricos sentem-se frustrados pela competição que existe entre eles. Não importa quão bem estejam se saindo, alguém estará sempre melhor. Essa corrida nunca termina, pois eles querem se tornar os maiorais, esperando por uma tranqüilidade que nunca chega". E aí, então, formam grupos de apoio. Esse mercado de auto-ajuda tornou-se um próspero negócio para os espertos de plantão.

Existem previsões de que, até 2052, devem ser transferidos para herdeiros a importância de US$. 15 trilhões. Na maioria dos casos de fortunas americanas, a destinação para filantropia gira em torno de 15% do total acumulado. O restante cairá nas mãos de herdeiros pouco educados para a herança e, menos ainda, para a própria vida.

Ao falar da conduta consumista dos novos ricos, Frank diz que "nunca foi tão difícil ser um consumista realmente esbanjador, pois há milhões de milionários competindo pelos mesmos símbolos e status e um número ainda maior de consumidores afluentes comprando artigos de luxo para imitar a elite".

"Riquistão" será leitura atraente para uma seleta parcela de brasileiros que vivem esses dilemas ou estão por eles cercados. Não é literatura relevante, mas certamente é interessante.


Renato Bernhoeft, para o Valor, de São Paulo
Valor Online, 29/05/08

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A vírgula...

A vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.
Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.
Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.
Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

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quarta-feira, 28 de maio de 2008

Programa de consumo responsável: 5,5 bilhões de sacolas plásticas a menos

Com a presença do governador José Serra e de outras autoridades, a indústria do plástico e os supermercados de São Paulo vão formalizar nesta segunda, às 14h, o início do Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas, que visa a reduzir o consumo de sacolas plásticas no país em 5,5 bilhões de unidades por ano – o equivalente a 30% do total atual de 18 bilhões – no período de 12 meses.

A cerimônia de abertura da Apas 2008, no Expo Center Norte, será palco para a assinatura do termo de implementação da iniciativa conjunta da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, do Instituto Nacional do Plástico (INP) e da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (Abief), que conta com o apoio da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e da Associação Paulista de Supermercados (Apas).

O programa estabelece a produção e distribuição de sacolas plásticas de melhor qualidade, fabricadas de acordo com a norma ABNT 14.937, capazes de acondicionar mais produtos, dispensando o uso sobreposto para evitar que se rompam (pesquisa de observação realizada pela SP Trade em 12 supermercados na cidade de São Paulo revelou que 13% dos consumidores utilizam as sacolinhas em duplicidade e, em 61% dos casos, ocupam menos da metade da sua capacidade). Mais resistentes, as sacolas poderão suportar até 6 quilos e serão identificadas com um Selo de Qualidade.

O projeto piloto será instalado no dia 29 (quinta-feira) em 18 lojas da Grande São Paulo – 14 das redes Pão de Açúcar e Carrefour e 4 de outras bandeiras – e depois espalhado para outras 9 capitais. O programa prevê ainda ações de educação para conscientizar os consumidores a usar apenas o número de embalagens necessário para transportar as compras. Os operadores de caixa e os empacotadores receberão treinamento específico para isso.

Sobre a Plastivida, o INP e a Abief
A Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, fundada em 1994, acumula grande conhecimento em áreas como educação ambiental, responsabilidade social e legislação sobre manejo de resíduos sólidos urbanos, coleta seletiva e reciclagem e vem promovendo a interação entre a sociedade, os governos e as indústrias do setor. A utilização ambientalmente correta do plástico está entre seus principais objetivos.

O Instituto Nacional do Plástico (INP) iniciou suas atividades em 1989 com o propósito de atuar como vertente tecnológica da cadeia produtiva do plástico. Trabalha ainda no sentido de tornar o mercado brasileiro de plásticos mais competitivo no cenário internacional e desenvolve projetos a partir das seguintes frentes de trabalho: Qualidade e Produtividade, Tecnologia, Agronegócio, Qualificação Profissional, Normalização, Imagem do Plástico e Exportação.

A Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), criada em 1977, reúne hoje 166 empresas responsáveis pela produção de diversos tipos de embalagens. Tem como um de seus principais objetivos promover a integração de toda a cadeia produtiva do plástico até a empresa usuária de embalagem. A entidade também fomenta a reciclagem de conhecimentos e a atualização tecnológica e mercadológica das empresas do setor nos âmbitos nacional e internacional.


Envolverde, 28/05/28
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Global Forum apresenta cases de sucesso

Tecnologias limpas, empreendedorismo e tecnologias sociais, governança corporativa e políticas públicas e sustentabilidade são alguns dos temas a serem explorados nos 86 resumos científicos e relatos empresariais a serem apresentados no Global Forum América Latina. O encontro, que acontece em Curitiba, de 18 a 20 de junho, reunirá universidades, empresas, poder público e sociedade civil para repensar o papel da educação para os negócios, com foco na sustentabilidade.

A iniciativa é do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi), Unindus – universidade corporativa do Sistema Fiep, Case Western Reserve University (EUA), Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP) e Instituto de Promoção do Desenvolvimento (IPD).

Os trabalhos foram selecionados dentre 120 inscritos, avaliados por doutores de todo o Brasil, selecionados pela FGV. Os resumos estão divididos em doze áreas temáticas: empreendedorismo e tecnologias sociais; eco-eficiência e produção mais limpa; gestão do relacionamento; políticas públicas e sustentabilidade; base da pirâmide; tecnologias limpas; governança corporativa; transformação organizacional; finanças sustentáveis; ética na comunicação e marketing; agronegócio sustentável e mudanças climáticas.

O Global Fórum se propõe a ajudar a construir caminhos para que a sustentabilidade seja inserida de forma efetiva nas agendas das organizações. Os resultados desta edição latino-americana serão levados ao Global Fórum mundial, marcado para 2009.
Outras informações sobre o evento e inscrições no site www.globalforum.com.br.

Tecnologias limpas

O trabalho “Águas de chuvas para usos residenciais”, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é um dos destaques na área temática “Tecnologias limpas: Inovação e reposicionamento para a sustentabilidade”. Na avaliação de João Marcelo do Nascimento, responsável pelo projeto, as águas de chuvas são elencadas como possíveis fontes alternativas de abastecimento de água, porém falta a consolidação dos dados que relacionem o tipo de uso pretendido com seu respectivo custo.

Dois países se destacam no design do sistema de coleta e reuso de água de chuva: a Alemanha, que utiliza cisternas e filtros subterrâneos e apresenta soluções mais completas de reciclagem de água de chuva, e a Austrália, mais simples, que utiliza filtros de descida e caixas d'água acima do nível do solo.

A Universidade Federal de Goiânia apresenta o estudo “Reciclagem de Pneus”, que cria uma nova forma de destinação de pneus inservíveis, com o objetivo de evitar o seu descarte no meio ambiente e ao mesmo tempo desenvolver um produto que seja capaz de produzir benefício ambiental.

De acordo com Estevão Julio Walburga Keglevich de Buzin, aluno da universidade e desenvolvedor do projeto, a proposta é uma solução para os problemas das enchentes em grandes cidades. “Os pneus usados na construção das mini-cisternas de drenagem serão aqueles já destinados ao descarte. As mini-cisternas de drenagem serão utilizadas para absorção da água pluvial, podendo ser colocadas em calçadas, parques públicos, jardins, rotatórias, quintais”, explica.

Empreendedorismo e tecnologias sociais

Os trabalhos apresentados na área temática empreendedorismo e tecnologias sociais descrevem o desenvolvimento e uso destas tecnologias, principalmente com atuação em rede.

Um deles dos trabalhos nesta área é o “5 acessos para o fortalecimento e integração do empreendedorismo comunitário”. Desenvolvido pela Associação Aliança Empreendedora, de Curitiba, o trabalho apresenta um processo de integração e fortalecimento em rede de microempreendedores e grupos produtivos comunitários de diversas regiões e realidades mas com necessidades, talentos e ativos comuns e complementares.

De acordo com Rodrigo de Méllom Brito, responsável pelo estudo, o trabalho utiliza uma metodologia integral de apoio, integração e fortalecimento de grupos produtivos comunitários e microempreendedores e de públicos e comunidades de baixa renda, envolvendo uma série de parcerias que venham a focar, integrar e fortalecer 5 pilares estratégicos: acesso a informação e conhecimento, acesso a capital, acesso a mercado, acesso a infra-estrutura e acesso à cidadania. Esses pilares respondem e completam as 5 maiores lacunas e dificuldades responsáveis pelo fracasso dos microempreendimentos no Brasil.

“Esta metodologia vem sendo ano a ano comprovada pelos projetos e resultados gerados de aumento no número de postos de trabalho, produtos criados, canais de venda desenvolvidos e receitas geradas pelos grupos e microempreendedores apoiados”, afirma.


Envolverde/Mercado Ético, 28/05/08
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