quarta-feira, 6 de junho de 2007

Grifes apostam em tecidos orgânicos

Vanessa Barone
Publicado no Valor Online em 06/06/2007

Não basta que a roupa seja bonita. Ela tem que "participar". Essa máxima adaptada define os lançamentos das grifes cariocas Cantão e Redley para a temporada primavera-verão 2007/2008. As duas grifes são as primeiras a colocar no mercado roupas com o selo Natural Organic World (NOW). Concedido pela brasileira Coexis e inspecionado pela Associação de Certificação Instituto Biodinâmico (IBD), o selo atesta produtos 100% orgânicos e que não geram resíduos poluentes na sua fabricação. As peças, feitas de jeans e sarja orgânicos, estão sendo lançadas no Fashion Rio - que acontece até sexta-feira na Marina da Glória, no Rio de Janeiro - e chegam ao mercado em meados de setembro.

A iniciativa das grifes cariocas vai ao encontro do que parece ser a tendência do momento. A americana Levi's lançou recentemente a linha Revolution, feita com Organic Jeans, tecido 100% natural, cultivado sem utilização de produtos químicos. A brasileira de moda esportiva Body for Sure apresentou em sua coleção de inverno camisetas e regatas feitas com a malha Organic, da malharia catarinense Menegotti, que mistura algodão tradicional com orgânico.

O selo NOW, dados às roupas da Cantão e da Redley, faz parte de um projeto iniciado há dois anos pela Coexis, empresa que trabalha com pesquisa e desenvolvimento de produtos socialmente responsáveis. A companhia adota a agricultura orgânica familiar como base de sustentação da produção de matérias-primas de origem vegetal, cultivadas e colhidas à mão por dezenas de pequenos proprietários rurais, sem a aplicação de produtos químicos ou agrotóxicos na lavoura. Todo o ciclo produtivo, do plantio à distribuição, é inspecionado e certificado pela Associação de Certificação Instituto Biodinâmico (IBD).

O encontro entre a Coexis e as grifes cariocas se deu pela YD, empresa de confecção do mesmo grupo da Coexis e que fornecia roupas para a Cantão e a Redley. As duas marcas são varejistas, e não fabricantes. "Apaixonamos-nos pelo projeto", diz Thomas Simon, diretor das grifes, que têm um único dono. Dentro das duas marcas, a consciência ecológica já era uma premissa. "Desde 1985, promovemos caminhadas com os nossos funcionários para limpar as praias, por exemplo", conta.

Nesse primeiro momento, a produção de peças ainda é pequena e cara. O algodão orgânico chega a custar cerca de 30% mais do que a fibra tradicional. Outro fator que encarece a produção dos tecidos que levam o selo NOW é o processo de tingimento, feito com ativos biodegradáveis e não poluentes. "Se mais empresas se interessarem pelo produto, a escala aumenta e a produção barateia", diz Simon. Mesmo assim, o investimento vale a pena. "O cliente gosta de saber que está fazendo algo pelo meio ambiente." Para a próxima coleção de inverno, Simon quer lançar tênis da grife Redley de lona orgânica. A Redley tem 24 lojas (entre franquias e próprias) e é distribuída para 400 multimarcas no Brasil. A Cantão tem 35 lojas e é vendida também em 650 pontos-de-venda multimarcas.

Segundo Jorge Yammine, sócio-diretor da Coexis e um dos proprietários da YD, o objetivo da empresa é oferecer um produto sócio-ambiental que seja competitivo e viável economicamente. "A cultura de algodão é uma das que mais poluem." Por enquanto, apenas 5% da produção de roupas da YD usa algodão orgânico - mas a aposta é que esse percentual cresça ao longo do tempo. Os primeiros produtos do selo NOW, fabricados pela YD e lançados com as grifes Cantão e Redley, consumiram dois anos de trabalho. "Mas montamos uma cadeia produtiva da matéria-prima à confecção", diz Yammine.

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Divergência sobre clima é total às vésperas do G-8

Assis Moreira
Publicado no Valor Online em 06/06/2007

A premiê alemã, Angela Merkel, resolveu deflagrar uma operação de última hora e encontrará individualmente cada um dos lideres dos países ricos membros do G-8, antes da reunião de cúpula que começa hoje à noite, na busca de compromisso em torno de estratégia de combate as mudanças climáticas. Por ora, não há acordo entre europeus e americanos.

Merkel receberá o presidente George Bush para almoço hoje em Heiligendamm, e insistirá num entendimento. Um porta-voz da premiê estima que um plano de ação terá de passar pelo crivo de uma reunião entre "13h e 14h30" na sexta, envolvendo líderes do G-8 e do G-5 (Brasil, China, Índia, México e Africa do Sul).

Os alemães visivelmente procuram baixar as expectativas de que o G-8 anunciará um plano original e ambicioso. "A expectativa sobre o clima foi alta demais desde o começo", resignou-se o secretário de Estado Bernd Pfafenbach. Mas eles martelam que Merkel já obteve "um sucesso", ao fazer EUA e China acenaram com engajamento no combate aos gases que causam o efeito estufa. Na semana passada, o presidente Bush propôs que os 15 maiores países poluidores estabeleçam suas próprias metas, numa conferencia no final deste ano.

Num encontro com a imprensa, ontem em Berlim, assessores do governo alemão apresentaram um documento com nove pontos sobre o que deve ser discutido de hoje até sexta-feira no G-8. A questão do combate ao clima está ausente, refletindo a enorme divergência entre os alemães e os americanos.

Para o governo alemão, um compromisso firme de luta contra a mudança climática deve limitar o aquecimento global a 2ºC. Isso exigiria cortar as emissões de gases nos próximos 10 a 15 anos, seguido por substancial emissão global de cerca de 50% até 2050 comparado aos níveis de 1990. Os EUA não se comprometem com metas.

O plano chinês de redução das emissões, anunciado anteontem, foi recebido como uma mensagem de que a economia vem antes do meio ambiente. A mensagem do Brasil, na interpretação de funcionários alemães, é um pouco diferente: prevê que manter a competitividade econômica é tão importante quanto proteger o ambiente.

O G-8 deverá enfatizar planos de eficiência energética que, segundo Berlim, pode reduzir custos em mais de 100 bilhões de euros por ano.

As divergências prosseguiam também sobre a questão de definir novas metas para a ajuda ao desenvolvimento e recursos para programas de combate a Aids na África. A reunião do G-8 no Reino Unido, há dois anos, estabelecera meta de US$ 50 bilhões de ajuda até 2010, mas organizações não governamentais dizem que, pelo ritmo atual, o montante será US$ 30 bilhões inferior.

Tampouco haverá decisão sobre mecanismo de transparência para os fundos hedge, fundos especulativos que movimentam atualmente US$ 1,6 trilhão, ao contrário do plano defendido por Berlim.

O G-8 deverá, por outro lado, prometer transferência de tecnologia para os países em desenvolvimento, incluindo para a segunda geração de bicombustíveis. Para o Brasil, não há nada de novo, já que a transferência de tecnologia já está prevista nas convenções internacionais sobre o clima.

A reunião de cúpula começa hoje à noite, num elegante hotel nas margens do Mar Báltico, com um jantar de boas-vindas, antecedido por um concerto de um grupo local, que tocará Bach e Beethoven.

O site oficial da cúpula é http://www.g-8.de/

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terça-feira, 5 de junho de 2007

Fundação Bunge compartilha experiências em publicação

A Fundação Bunge lançou os Cadernos Bunge de Cidadania, que terão distribuição gratuita.

As publicações estão divididos em temas – Criança; Educação e Escola; Família e Comunidade; Elaboração de Projetos Sociais e Institucional - e fornecem, além de orientações, as etapas necessárias para a implantação de projetos nas comunidades.

Escrito por especialistas em diversos assuntos, os exemplares estimulam outras instituições a difundirem seu conhecimento, criarem seus próprios projetos sociais e, ainda, multiplicarem o desenvolvimento do setor, garantindo a sustentabilidade do País.

Com os Cadernos, a entidade consolida sua vocação de disseminadora de conhecimento e compartilha toda sua experiência na gestão de programas sociais com a comunidade. “Oferecemos nosso bem mais precioso, mais que durável, eterno: o conhecimento”, comenta Claudia Calais, gerente de projetos da Fundação Bunge. A executiva lembra que os cadernos, além de serem um reconhecimento ao excelente trabalho realizado pelos voluntários, servirão como instrumento de orientação para as próximas atividades.

A Fundação Bunge disponibiliza exemplares para entidades e empresas interessadas em conhecer e replicar suas experiências. Para solicitar os cadernos, basta enviar e-mail para fundacao@bunge.com.

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ESPM e GIFE promovem Curso Avançado de Gestão do Investimento Social Privado

Publicado no Rede Gife Online em 04/05/07

O Curso Avançado de Gestão do Investimento Social Privado, promovido pela ESPM - Escola Superior de Propaganda e Marketing e pelo GIFE - Grupo de Institutos, Fundações e Empresas, será lançada no dia 20 de junho, em São Paulo.

Lato senso, o curso é voltado para funcionários de institutos, fundações e empresas que praticam o ISP (investimento social privado), executivos de empresas que buscam maior capacitação para implantar e gerenciar projetos sociais empresariais e profissionais que buscam oportunidades no terceiro setor.

Segundo Ismael Rocha, coordenador do curso pela ESPM, o setor privado demanda cada vez mais profissionalismo na gestão e no desenvolvimento de seus investimentos sociais – antes marcados pelo amadorismo e desarticulados dos modelos de negócios empresariais. “Tais mudanças trazem desafios aos profissionais que atuam ou pretendem atuar nessa área. São necessárias pessoas com o profissionalismo característico do mercado, a sensibilidade social típica do terceiro setor e a visão pública do setor estatal”, argumentou. O curso, assim, vem suprir essa carência.

Para as 240 horas de aulas, que serão iniciadas em agosto deste ano, já estão confirmados nomes como: Antonio Carlos Gomes da Costa (Modus Faciendi), Wanda Engels (Instituto Unibanco), Cenise Vicente (Unicef), Antonio Luiz de Paula e Silva (Instituto Fonte), Fernando Rossetti (GIFE), Mauricio Turra Ponte (ESPM), Luciane Lucas (ESPM), Ismael Rocha (Pulsar), Anna Penido (Cipó - Comunicação Interativa) e do advogado Eduardo Szazi, especialista em terceiro setor.

O Curso Avançado de Gestão do Investimento Social Privado será ministrado a partir de agosto, no Campus Rodolfo Lima Martensen, que sedia a pós-graduação da ESPM (na R. Joaquim Távora, 1240, Vila Mariana, São Paulo).

Mais informações (local e horário do lançamento oficial) pelo telefone (11) 5081-8225 ou pelo e-mail candidato@espm.br.

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segunda-feira, 4 de junho de 2007

Banco Central promove seminário sobre microfinanças em Porto Alegre

O objetivo principal do seminário é divulgar o resultado das ações já empreendidas e apresentar, por intermédio da troca de experiências e da discussão dos diversos aspectos que envolvem a atividade de microfinanças, sua viabilidade como opção de investimento a agentes provedores de capital e sua potencial contribuição à inclusão social e ao desenvolvimento do Brasil, ao permitir o acesso da população de baixa renda a serviços financeiros com formato apropriado à sua realidade e ao proporcionar opção de crédito de maneira facilitada a empreendedores populares.

Feito em consonância com as diretrizes governamentais traçadas para o setor microfinanceiro, o seminário dá continuidade à seqüência de eventos de divulgação realizados nos últimos anos, presente a positiva e efetiva repercussão dessas iniciativas junto à sociedade.

O evento será em Porto Alegre, nos dias 14 a 15 de junho, no Centro de Eventos do Plaza São Rafael Hotel, na Av. Alberto Bins, 514, Centro.

As inscrições vão até o dia 8 de junho, custam R$ 15,00 e serão destinadas à obra assistencial Lar Santo Antônio dos Excepcionais, que atua em Porto Alegre.

Para mais informações, clique no link no título desta matéria ou entre em contato com Josué Biachi Picini do Banco Central do Brasil em Porto Alegre pelos telefones (51)3215-7175 e (51)8441-8013 ou pelo email: jbiachi@bcb.gov.br

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domingo, 3 de junho de 2007

Controladoria-Geral da União e Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crime criam Biblioteca Virtual Sobre Corrupção

A CGU - Controladoria-Geral da União em parceria com o Unodc - Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crime, apresenta a BVC - Biblioteca Virtual Sobre Corrupção, um repositório de dados que disponibiliza documentos, artigos, teses, notícias, pesquisas, eventos, apresentações e outros materiais relacionados ao tema da corrupção, cujo enfoque é o da prevenção como estratégia de combate à corrupção.

De acesso livre e gratuito, a iniciativa tem por objetivos:
. viabilizar o livre acesso à informação sobre o tema da corrupção e áreas afins;
. contribuir como um instrumento de difusão do conhecimento, informação e pesquisa sobre corrupção e demais áreas relacionadas; e
. promover o fortalecimento do controle social e do exercício da cidadania.

O acervo é atualizado diariamente e dispõe das seguintes coleções:
01. Sistema Nações Unidas
02. Organismos Multilaterais / Blocos Regionais
03. Convenções Internacionais
04. Organizações Governamentais / Brasil
05. Organizações Governamentais / Outros Países
06. Organizações Não-Governamentais
07. Institutos e Federações
08. Legislação Brasileira
09. Obras Clássicas
10. Produção Acadêmica
11. Pesquisas sobre Corrupção
12. Diretórios de Grupos de Pesquisa / CNPq
13. Eventos
14. Outros

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sexta-feira, 1 de junho de 2007

Conheça o manual "Captação de Fundos e Mobilização de Recursos para o Trabalho contra o HIV/AIDS"

Publicado no site Women, Children and HIV

O manual, publicado pela International HIV/AIDS Alliance, está baseado na compreensão de que mobilizar recursos (principalmente fundos) é uma necessidade vital para qualquer ong. No entanto, isso pode ser uma tarefa difícil e, caso não seja bem planejada, pode levar muito tempo. O manual apresenta ferramentas para o planejamento e execução do trabalho de mobilização de recursos, de modo estratégico e sistemático, com o objetivo de garantir que ocorra o máximo de retorno com o menor esforço possível e que as organizações permaneçam fieis às suas missões.

O objetivo geral do manual sobre mobilização de recursos é: desenvolver a confiança e as habilidades necessárias às ongs para mobilizar, estratégica e sistematicamente, recursos para o trabalho contra o HIV/AIDS. O manual fornece uma série de informações e atividades para o desenvolvimento de habilidades que podem ajudar as organizações a:
• pensarem de maneira criativa sobre diferentes abordagens envolvidas na mobilização de recursos
• aprenderem como planejar o trabalho de mobilização de recursos a partir de suas necessidades e não de acordo com aquelas dos doadores
• desenvolverem habilidades-chave, como a redação de propostas, planejamento de encontros com provedores de recursos e manutenção de relacionamentos.

Captação de Fundos e Mobilização de Recursos para o Trabalho contra o HIV/AIDS – Um Manual de ferramentas para apoiar as ONGs/OCBs documenta algumas das atividades de assistência técnica implementadas pela a Alliance em conjunto com as ONGs/OCBs associadas em países em desenvolvimento.

Os aspectos mais importantes desta abordagem são que ela usa, principalmente, metodologias participativas, que vinculam o planejamento estratégico à mobilização de recursos, e visa desenvolver habilidades práticas em mobilização de recursos entre os funcionários da organização. Ao publicar este manual, a Alliance tem o objetivo de compartilhar esta abordagem com outras organizações e provedores de apoio a ongs.

Para ver e salvar o manual em PDF, basta clicar no título deste artigo.

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Um fundamentalista no Banco Mundial

Publicado pelo IPS em 31/05/2007

O executivo de Wall Street e fundamentalista do livre mercado proposto pelo presidente George W. Bush para presidir o Banco Mundial, Robert Zoellick, fez uma exortação para que seja esquecido o escândalo de nepotismo que afundou seu antecessor, Paul Wolfowitz.

“Bob Zoellick é o homem correto para suceder Paul neste trabalho vital”, disse Bush. O presidente propôs o nome de seu ex-subsecretário de Estado e ex-representante de Comércio para que lidere o Banco Mundial, uma vez efetivada a renúncia de Wolfowitz no dia 30 de junho.

O anúncio cortou de vez as especulações sobre dezenas de nomes considerados para assumir o cargo da instituição, imersa em uma profunda controvérsia ética. Zoellick, até agora alto executivo da firma de investimento Goldman Sachs, se comprometeu a trabalhar para restaura a confiança no Banco, prejudicada quando se soube que Wolfowitz havia concedido à sua noiva e subalterna, Saha Riza, um alto aumento de salário e benefícios sem autorização.

Numerosos funcionários do Banco, ativistas, economistas e ex-ministros de todo o mundo exigiram a saída de Wolfowitz, que havia sido subsecretário de Defesa dos Estados Unidos. “Precisamos deixar as discórdias para trás e nos concentrarmos juntos em um futuro. Creio que os melhores dias do Banco Mundial ainda estão por vir”, disse Zollick. A Junta de Diretores do Banco, de 24 membros, receberá a indicação formal em meados de junho e fará a designação no final desse mês.

É certo que Zoellick será confirmado, pelo acordo tácito entre as grandes potências que controlam a Junta, Estados Unidos e Europa. Segundo a tradição, o presidente do Banco sempre é um cidadão norte-americano, e o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional é sempre um europeu. Nesta ocasião, mais ainda do que nas anteriores, foram reiterados os chamados para reformar o processo de seleção do presidente do banco, uma instituição-chave na arquitetura financeira mundial desenhada pelos vencedores da Segunda Guerra Mundial.

Na quarta-feira, o acadêmico Centro para o Desenvolvimento Mundial, com sede em Washington, informou que quase 85% dos 700 especialistas ouvidos rechaçam o atual sistema de designação do presidente do Banco, pelo qual os Estados Unidos o nomeia com consultas informais com outros países. Uma maioria semelhante disse ser partidária de um processo de seleção baseado nos méritos, sem importar a nacionalidade. A pesquisa foi feita com membros da comunidade de desenvolvimento internacional, entre os quais integrantes de agências governamentais, universidades, centros acadêmicos, organizações não-governamentais, funcionários do Banco Mundial e outros organismos multilaterais.

Organizações não-governamentais, que há muitos anos cobram uma reforma do processo de seleção do presidente do Banco, alertaram que a nomeação de Zoellick é um golpe em sua campanha pela democratização da instituição. Segundo os ativistas, esta escolha reflete um duplo discurso, pois os Estados Unidos e o Banco Mundial pregam a responsabilidade e a transparência na gestão dos países em desenvolvimento, os principais emprestadores. “Substituir um designado por Bush por outro não resolverá os problemas fundamentais de administração do Banco”, disse Peter Bosshard, diretor de políticas da Rede Internacional de Rios, que desde São Francisco acompanha os aspectos ambientais de projetos financiados pela instituição.

“Os governos-membros deveriam rejeitar um acordo que deixa intacta a estrutura de direção do Banco, e deveriam procurar um processo de seleção aberto e baseado nos méritos”, dos candidatos à sua presidência, afirmou Bosshard. A escolha de Zoellick também alarmou funcionários de fomento do desenvolvimento, devido aos seus estreitos vínculos com os círculos de poder político e empresarial dos Estados Unidos. Zoellick, de 53 anos, foi até julho passado subsecretário de Estado, mas seu trabalho mais destacado foi a de representante de Comércio norte-americano, cargo desde o qual pressionou, com resultados nem sempre positivos, pela abertura dos mercados do mundo em desenvolvimento aos bens e serviços de seu país.

Nesse sentido, foi notória sua defesa da liberalização das importações desses mercados – embora não pelo fim dos subsídios agrícolas norte-americanos – na Rodada de Doha de negociações multilaterais da Organização Mundial do Comércio. Zoellick também multiplicou a quantidade de acordos de livre comércio entre os EUA e nações em desenvolvimento. Para os ativistas, ele carece de experiência em desenvolvimento internacional, e o criticam por pressionar os países pobres a aceitarem os critérios norte-americanos de propriedade intelectual, que encarecem os medicamentos no Sul.

“Foi um bom amigo da indústria farmacêutica. Os acordos de livre comércio que negociou bloquearam eficazmente o acesso de milhões de pessoas a remédios genéricos”, disse Paul Zeitz, diretor-executivo da não-governamental Global Aids Alliance. A indicação de Zoellick foi apoiada de imediato pelo secretário do Tesouro, Henri Paulson, e alguns legisladores norte-americanos. (IPS/Envolverde) (FIN/2007)

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Os 5 custos ocultos da computação

Don St. John - Computerworld, EUA
Publicado no site Computerworld em 23/05/2007

Treinamento, suprimentos, doenças e até perda de produtividade: cada PC embute em si uma série de outros custos além do seu preço. Saiba quais para tentar reduzi-los.

Você fala sobre isso há meses e agora finalmente decide comprar um novo computador. Ou talvez você seja um gerente de TI que acabou de fazer um upgrade de sistemas operacionais para toda a companhia. Bem, não ponha a carteira de lado porque você apenas começou a abrir o leque de todas as coisas que vai precisar gastar durante o tempo de vida útil desses equipamentos e sistemas.

O entusiasmo de adquirir uma nova máquina ou o alívio de renovar o negócio com uma nova leva de computadores podem mascarar uma verdade elementar sobre essa compra. “As pessoas nem sempre pensam no que estão ingressando cada vez que compram um novo computador”, observa Geoff Butterfield, diretor de tecnologia da informação da George Lucas Educational Foundation, da Califórnia.

No ambiente de trabalho ou em casa, os computadores realmente são algo que continua a gerar despesas, e nem sempre de uma forma boa. Aplicativos, suplementos como cartuchos de tinta e papel e questões de saúde estão entre os custos que você vai enfrentar durante toda a vida útil do equipamento.

E espere antes de se livrar dos velhos equipamentos. O pensamento de Michael Corleone no filme O Poderoso Chefão III vem à mente: “justamente quando você pensava que estaria livre (dos custos relacionados a computadores), eles retornam.

Mas você não precisa simplesmente sentar e aceitar isso. Já que não pode evitar custos associados à propriedade e ao uso do computador em si, você pode reduzi-los. Acompanhe dicas para minimizar o prejuízo.

Aplicações – Faça com que o computador seja útil
Quando você adquire um computador, ele normalmente chega com várias aplicações pré-instaladas: um ou dois editores de texto, um media player, alguns jogos e algumas ferramentas básicas, das quais algumas você vai querer se livrar rapidamente.

Dessa forma, você vai acabar comprando softwares adicionais – pacotes de finanças pessoais, alguns jogos mais avançados, talvez uma suíte de softwares de escritório como o Office. Você vai descobrir que software pode ser algo bastante caro, antes mesmo de tentar integrar uma aplicação com a outra. Se você é o chefe de TI de uma organização, pode multiplicar esse gasto pelo número de funcionários.

“Integrar as aplicações umas com as outras consome boa parte do seu tempo e orçamento”, afirma Paris Finley, diretor de TI do jornal Daily Hampshire Gazette. “As pessoas estão constantemente precisando trocar dados entre diferentes aplicações e poucas aplicações tornam isso fácil aos usuários”.

“O tempo de treinamento gasto em um upgrade ou na implantação de uma apliação chave é enorme”, diz Michael Crowley, diretor de redes da Mount Holyoke College in South Hadley. “Os funcionários estavam acostumados com o que tinham, confiavam naquele modelo e uma simples versão nova pode fazer com que eles se comportem de maneira diferente”, afirma.

Preso ao fornecedor: a amarra mortal
Aquela impressora foi um grande negócio, agora você poderá fazer cópias de todos os documentos importantes, rodar seus próprios formulários de impostos e tudo o que possa imaginar. Tudo isso por 99 dólares? Calma, você já avaliou quanto de papel e tinta terá de despender?

O papel é a parte fácil. Não é tão caro e a marca não importa muito. Mas e os cartuchos de tinta? Prepare-se para o volume de gastos, especialmente se você descobrir que sua impressora só aceita cartuchos do mesmo fabricante da máquina.

“Toner é um dos itens sobre o qual você tem menos controle”, afirma Butterfield. “Os fabricantes podem realmente amarrar você à sua marca. Se tentar adquirir o produto de outro fornecedor, não há garantia de que vá funcionar e você perdeu o suporte técnico do fabricante”, explica.

Bem-vindo ao mundo das amarras do fornecedor, o fenômeno no qual seu software ou hardware só trabalham dentro de uma plataforma específica – ou, pior ainda, somente com produtos específicos de um fabricante.

As impressoras são um caso típico, mas uma série de softwares trabalha do mesmo jeito. Macintosh não conversa diretamente com o Windows, na verdade, aplicações multimídia precisam de drivers específicos para trabalhar com seu cartão de vídeo e tente abrir uma imagem do Photoshop sem o Adobe original. Existem tradicionalmente maneiras de driblar esses problemas, mas isso requer conhecimento e pesquisa, o que envolve tempo e dinheiro.

A questão da saúde – Parte 1 – ‘Quem está brincando com meu mouse?’

Computadores, ou mais especificamente seus teclados e mice – são aquele tipo de coisa que você vai tocar todo dia. E, em muitas situações, outras pessoas também. Em casa você provavelmente vai disputar o tempo do seu computador com sua esposa e filhos. No trabalho, colegas e chefes estão o tempo todo usando seu teclado e mouse enquanto você colabora para resolver problemas ocasionais do trabalho.

E isso significa que todas essas pessoas estão deixando – ou adquirindo de você – um “presente”: germes. Na época das gripes, não há dúvidas de que sua mesa e seu computador carregam uma série de vírus.

“Todo dispositivo que você divide carrega germes. Estamos apertando mais botões do que nunca”, afirmou o biólogo Chuck Gerba, da Universidade do Arizona. “Telefones são péssimos, controles remotos de TV são ainda piores. Mas os computadores estão no centro da lista porque são o centro de uma série de atividades tanto em casa como no trabalho.

Os custos resultantes da falta ao trabalho e perda de produtividade, além de medicamentos, podem resultar em despesas de centenas de dólares por pessoa todo ano, afirma o estudo do biólogo.

Algumas soluções para esses custos são bem simples, como adquirir alguns lenços com bactericidas e produtos de limpeza adequados para a limpeza das mãos dos empregados. Sprays também são OK para a mesa de trabalho em si.

A questão da saúde - Parte 2 – ‘minha coluna dói’
A verdade nua e crua é que gastamos muitas horas do dia diante de um computador. Em uma jornada de 40 horas semanais (muitos irão rir desse número) , são 2,4 mil minutos toda semana gastos sentados, diante de uma tela, digitando ou operando um mouse – todos contribuindo para doenças como lesões por esforços repetitivos, problemas de coluna, danos circulatórios e dores de cabeça, além de até mesmo obesidade.

Tempo adicional gasto em casa para escrever e-mails ou trocar mensagens instantâneas, assistir vídeos ou trocar fotos digitais e você passa a correr sérios riscos de adquirir uma doença.

Ter funcionários adoentados por uso excessivo de computador pode ser um verdadeiro pesadelo para a companhia. Você pensou que ter uma gripe disseminada na companhia era ruim o suficiente? Pense em perder mais e mais funcionários – por um período de tempo maior – por problemas de coluna ou tendão e ainda ter de pagar o tratamento, além de aceitar que eles reduzam seu ritmo de trabalho enquanto se recuperam.

Produtividade – Para onde foi o tempo?
No mundo da banda larga, os impedimentos para ter suas atividades feitas – em casa ou no trabalho – são tão grandes quanto a internet em si. No ambiente de trabalho, isso adiciona milhares de dólares em perda de produtividade.

“Você se perde tão facilmente fazendo outras coisas”, afirma Crowley. “O computador é uma forma clássica de se perder tempo, especialmente se você está conectado à internet”. “Mesmo no trabalho, é tão comum se distrair das coisas que você precisa fazer”, afirmou Butterfield. “Você checa sua caixa de e-mails e, antes que você se dê conta, a hora passou”.

Uma resposta para reduzir esse tipo de custo associado à perda de produtividade é a disciplina, sua e dos demais. Primeiro, elimine os instrumentos de desperdício de tempo como games e media players da máquina.

Correio eletrônico e sistemas de mensagem instantânea são funções críticas para a realização do trabalho em muitos casos. Mas, para manter a produtividade em bom nível e assegurar que os empregados não estão abusando desses instrumentos para uso pessoal, é importante determinar limites, o que pode ser feito com software de monitoramento, e deixar as regras claras para todos os funcionários.

O custo final - não acaba até que chegue o fim
Já se passaram quatro anos e você está ansioso para ter um novo computador – e agora ele chegou. Está fora da caixa, novo e brilhante e aquela máquina que serviu-o nos últimos quatro anos ainda está lá em sua mesa. E o que você vai fazer com ela?

Bem, a menos que você tenha espaço na garagem, vai ter de pensar em uma forma de se livrar desse PC – e vai descobrir que ainda há um custo final que este velho computador ainda lhe trará. Para indivíduos, isso pode significar algumas dezenas de reais para despachar a máquina, mas, para as corporações, esse é um dos maiores custos que elas irão enfrentar.

“É algo bastante difícil”, afirma Frances O'Brien, analista do Gartner. “Já é complicado para uma pessoa encontrar um destino para o seu equipamento antigo, mas imagine que se trate de uma corporação com 10 mil máquinas. Quem vai querer 10 mil PCs velhos?”, questiona o analista.

Além disso, mesmo os usuários domésticos, antes de se desfazerem de um computador antigo, precisam armazenar todas as informações que ele acumulou em seu disco rígido por todos esses anos para mídias removíveis, como CD ou DVD, e, em seguida, apagar o HD por motivos de segurança. Isso também envolve custo.

Para corporações, entretanto, todos esses equipamentos antigos ainda reservam uma série de informações críticas sobre a companhia e por isso ninguém vai querer que esses discos rígidos caiam em mãos erradas.

O processo não é barato. Um estudo do Gartner de 2005 afirma que o custo de se desfazer dos PCs antigos para uma corporação - por qualquer método - é de entre 55 e 130 dólares por máquina.

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quinta-feira, 31 de maio de 2007

Portal Social abre prazo para inscrição de instituições

Publicado no Rede Gife Online em 28/05/07


Organizações sociais sem fins lucrativos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, que possuam registro nos conselhos da Criança e do Adolescente e/ou de Assistência Social de sua cidade, podem se candidatar a uma vaga no Portal Social.

O programa, mantido pela Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho (FMSS), da RBS, com apoio do Instituto Nestor de Paula, é uma ferramenta de comunicação com a finalidade de mobilizar pessoas e empresas para apoiar financeiramente organizações que atuam em benefício da sociedade.

Neste segundo processo de seleção (o primeiro foi realizado em setembro/outubro de 2005), os recursos que vierem a ser captados via internet serão destinados ao financiamento de um plano de investimento apresentado pela instituição. Este deverá ter um valor máximo de R$ 20 mil e poderá contemplar o pagamento de recursos humanos, reformas, construção, despesas administrativas, compra de máquinas e equipamentos, material de consumo, entre outros, não tendo mais a obrigatoriedade de estar vinculado à realização de um projeto específico.

Mérito e relevância da área de atuação da instituição, sua capacitação técnica, bem como a vocação para estabelecer parcerias e mobilizar a comunidade, são alguns dos critérios de seleção, além da experiência e idoneidade.

Desde novembro de 2005, quando foi lançado, o Portal Social captou mais de R$ 244 mil via internet, os quais já foram repassados a mais de 120 instituições sociais gaúchas e catarinenses.

Os projetos cadastrados na primeira etapa do Portal Social e que ainda não atingiram sua meta de captação permanecerão buscando contribuições via site até 30 de junho.

A partir da segunda quinzena de julho, os internautas encontrarão um novo catálogo de iniciativas com as quais poderão contribuir. “O foco de apoio passa a ser o das necessidades da instituição como um todo”, explica Alceu Terra Nascimento, gerente executivo da FMSS. O edital com as regras, bem como o respectivo formulário de inscrição estão no http://www.portalsocial.org.br/. O prazo para o envio das informações vai até 1º de junho de 2007, às 12h.

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A forma de remuneração mais eficiente para o captador de recursos

Renata Brunetti
Publicado pela revista IntegrAção



Como professora de captação de recursos, sou constantemente questionada sobre a forma ideal de se remunerar o captador profissional. Parece que passa automaticamente pela cabeça das pessoas, a idéia de remuneração proporcional ao valor a ser captado.

A primeira pergunta que costumo fazer aos alunos dos cursos de especialização em mobilização de recursos é: como são remunerados os demais funcionários da instituição em que trabalham? Normalmente, a resposta é a esperada: um salário fixo, um valor determinado pelas horas trabalhadas e definido também pelo mercado de trabalho. Em seguida, pergunto: por que não remunerar o captador de recursos da mesma forma? A resposta que se segue é quase sempre: se estou precisando de um profissional para captar recursos para minha instituição é porque não tenho recursos! Como vou remunerá-lo, então?

Esses tipos de respostas parecem naturais e justas. Entretanto, tal forma de remuneração é proibida tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. Por que o assunto é ainda tão polêmico aqui no Brasil?

Por termos hoje duas posturas antagônicas formalizadas. A primeira e mais antiga segue o determinado pela lei de incentivo à cultura – Lei nº 8.313, também conhecida como Lei Rouanet (1991) –, que autoriza disponibilizar um percentual do custo do projeto para a remuneração de um captador de recursos. Ou seja, a remuneração atrelada ao valor e ao sucesso imediato da captação. A outra postura é a definida pela ABCR (Associação Brasileira de Captação de Recursos), que, ao acompanhar as determinações internacionais, desautoriza que se remunere o profissional de forma comissionada, propondo outras alternativas.

A ABCR, fundada em 1999, pretende não só representar formalmente o captador, mas também profissionalizá-lo regulamentando suas atividades e garantindo uma ética em sua atuação.

A Lei Rouanet foi uma inovação no que diz respeito aos incentivos fiscais, uma vez que possibilita que empresas invistam diretamente em projetos culturais. Trata-se de uma idéia interessante e de grande impacto na área cultural brasileira, embora não se perceba ainda uma mudança significativa no comprometimento das empresas em continuarem investindo. Poderíamos nos perguntar se esse relacionamento estratégico – investimento versus dedução de imposto – garantiria um maior envolvimento entre as partes. Uma empresa que investe seus próprios recursos percebe logo as vantagens de ver sua marca associada a atividades culturais. Com boas experiências, poderá continuar a investir em cultura no país, mesmo que o incentivo fiscal venha a ser extinto. A percepção do setor é que se os incentivos deixarem de existir, provavelmente o valor investido também cairá.

No que diz respeito à remuneração dos captadores de recursos, a Lei deixa claro: "Nenhuma aplicação de recursos poderá ser feita por meio de qualquer tipo de intermediação. Todavia, a contratação de serviços necessários à elaboração de projetos para obtenção de doação, patrocínio ou investimento, bem como a captação de recursos ou a sua execução por pessoa jurídica de natureza cultural não configura intermediação”. Ela foi, porém, reformulada no decorrer dos anos. Na primeira versão, constava que deveria ser pago ao captador 10% sobre qualquer valor captado. Hoje, esse percentual foi revisto e se reduz proporcionalmente ao aumento do valor captado.

Já a ABCR segue as determinações internacionais que não autorizam uma remuneração vinculada ao valor captado. Essa proibição não se apóia em valores morais e, sim, em resultados práticos obtidos.

O que se aponta, entre outras coisas, é o enfraquecimento do argumento do captador no ato de captar, caso seu interesse pessoal fale mais alto do que a causa pela qual está lutando.

A ABCR fez modificações em seu código de ética no que diz respeito a remuneração do captador para ajustar as determinações internacionais – com seus argumentos importantes – à realidade das instituições brasileiras, quando apresentam a dificuldade real em financiar uma área de captação de recursos.

A primeira versão, o código de ética da ABCR previa: "Trabalhar em troca de remuneração pré-estipulada e não aceitar comissionamento – trabalhando por um salário ou honorários, e não em troca de comissão ou remuneração condicionada a resultados. Pode-se aceitar uma retribuição baseada em desempenho, por exemplo, em bônus, quando estes estejam de acordo com as práticas seguidas pelas próprias organizações. Não deve ser aceita retribuição baseada em porcentagem sobre os fundos filantrópicos obtidos".

Já a segunda versão sugere que: "o captador de recursos deve receber pelo seu trabalho apenas remuneração pré-estabelecida – não aceitando, sob nenhuma justificativa, o comissionamento baseado em resultados obtidos; e atuando em troca de um salário ou de honorários fixos definidos em contrato; eventual remuneração variável, a título de premiação por desempenho, poderá ser aceita em forma de bônus, desde que tal prática seja uma política de remuneração da organização para a qual trabalha e estenda-se a funcionários de diferentes áreas”.

Penso que, aos poucos, a captação de recursos motivada pela remuneração percentual, principalmente nos casos ligados a projetos de organizações sem fins lucrativos e de utilidade pública, deveria ser revista. Essa forma de remuneração ainda presente no Brasil deveria ser analisada, como ocorreu nos demais países, sob a ótica de eficiência de resultados.

Para colaborar com o esclarecimento dessa polêmica tão presente, seguem alguns argumentos que podem justificar a importância de não vincular a remuneração do captador de recursos ao valor do projeto. Tais argumentos foram desenvolvidos por uma escola norte-americana de captação de recursos – The Fund Raising School, Center of Philantropy, Indiana University.

1. A captação de recursos é um processo longo. Inicia-se com a preparação da instituição para tal. Antes de “sair” para captar recursos, a instituição precisa ter muita clareza de sua missão, seus objetivos e suas metas. Precisa conhecer também suas necessidades e priorizá-las. Enfim, será necessário dedicar algum tempo a um processo que envolve muitas pessoas e que não se capta nenhum recurso. Como remunerar o captador nessa fase? E os demais envolvidos, quanto devem receber por esse trabalho?

2. Mesmo no momento de negociação, o captador conta com a colaboração de outras pessoas. Normalmente, nessas horas, está acompanhado de um diretor e/ou um voluntário. Faria sentido “ratear” a comissão do captador? Quanto caberia do valor captado a cada uma dessas pessoas?

3. É sabido e comprovado que a ferramenta de maior sucesso em uma negociação de parceria é a “causa”. O que poderia acontecer se, no momento da negociação, o interesse pessoal do captador em sua remuneração transparecesse? Não estaríamos assim correndo o risco de ter os argumentos enfraquecidos e a transparência da relação comprometida?

Sugere-se, assim, que o captador tenha um ganho fixo, quer seja por hora, quer por projeto. Nunca vinculado ao valor captado.

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Transparência no relacionamento com as empresas

Jamile Chequer
Publicado pela Agência Ibase em 25/05/2007

O Ibase acaba de finalizar a redação do Código Interno de Relações com Empresas. O documento é uma antiga intenção da instituição que há muito trabalha com o tema da responsabilidade social das empresas.

O código foi acordado, principalmente olhando o futuro e a possibilidade de estabelecer parcerias políticas entre Ibase e algumas empresas. Ainda que essa não seja uma relação preferencial da instituição, ela pode acontecer. “Por isso, o código é fundamental, por ser um código de conduta”, diz o diretor geral do Ibase, Cândido Grzybowski.

Ele também faz parte do esforço institucional de se tornar cada vez mais transparente. Para a diretora Dulce Pandolfi, “é fundamental para uma instituição como o Ibase, que procura pautar sua atividade pela transparência e tem como objetivo interferir no debate público, ter um código público de relacionamento com as empresas".

Por ser uma organização com fins públicos – que utiliza recursos públicos nacionais e internacionais– e com posicionamentos políticos em que externa a necessidade da construção da democracia, do combate as desigualdades e estimula a participação cidadã, o Ibase quer deixar claro quais são os seus critérios para se relacionar com as empresas. O código de relações vai dar segurança a partir de princípios muito bem estabelecidos. “Foi por isso que declaramos não nos relacionarmos com empresas que tenham trabalho escravo ou que produzam armas, por exemplo. Elas são uma contradição aos princípios do Ibase”, afirma o diretor João Sucupira.

O Ibase nasceu em um segmento em que as empresas são vistas mais como parte do problema do que como parte da solução. O fato de a instituição ter esse código, que abre a possibilidade de relações com empresas, não significa que essa visão tenha mudado totalmente. Mas que o Ibase acredita que o norte das empresas devem ser os bens e serviços que produz para a sociedade e não o lucro. “É isso que nos leva a aceitar que temos relações a fazer, alguns pontos em comum, como o de construir sociedades mais justas”, diz Cândido.

Claro que não há como ter controle sobre todas as cadeias produtivas. “O código é sobre o conhecido, não somos uma instituição de investigação. Mas deixamos claro que, uma vez sabido que certa empresa com a qual nos relacionamos, por exemplo, tem trabalho infantil etc, nos damos o direito de romper nossas relações, porque não concordamos e não vamos corroborar com isso”, alerta Cândido.

Para ele, o código é um ganho institucional que significa uma expressão do amadurecimento de uma cultura política. “Ele tenta transformar os princípios e valores que defendemos em uma norma de conduta prática, operacional." “Considero o código um avanço, assim como foi a publicação do nosso balanço social. Estamos mostrando publicamente que temos princípios para nos relacionar com empresas”, finaliza João Sucupira

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Projeto social torna-se movimento estadual articulado

Rodrigo Zavala
Publicado no Rede Gife Online em 28/05/07

Na última semana, entre os dias 24 e 25 de maio, o VII Seminário Pró-Conselho reuniu mais de 2 mil pessoas de todo o país em Belo Horizonte (MG), em busca do fortalecimento dos conselhos estaduais e municipais pelos direitos da criança e do adolescente.

Entre conferências, palestras, painéis e mesas-redondas, o evento tornou-se um diálogo em torno de uma preocupação comum: como melhorar a gestão desses conselhos, para torná-los não apenas responsáveis pelos Fundos da Infância e Adolescência, mas protagonistas das políticas públicas para essa população.

Independentemente do viés formativo do seminário, um ponto fundamental para o seu êxito se deve a articulação alcançada pelo programa responsável por sua elaboração, o Pró- Conselho. Criado há oito anos por meio de uma parceria entre o Instituto Telemig Celular e a Frente de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Minas Gerais, a iniciativa enfrentou alguns revezes quando o instituto deixou de financiar a empreitada no final do ano passado. “Estamos reavaliando os projetos apoiados pela empresa, revendo prioridades”, explicou o coordenador do instituto, Fernando Elias, durante o evento.

No entanto, o que poderia parecer um fim para muitas iniciativas, o envolvimento de diversos atores e setores (governamental e privado) tornou possível a manutenção do Pró-Conselho com uma bandeira única: a criança e o adolescente são prioridades absolutas para o desenvolvimento social e econômico. “É uma transição importante, em que uma iniciativa deixa de ser um programa empresarial e passa a se tornar um movimento de toda a sociedade”, enfatizou Antonio Carlos Gomes da Costa, um dos convidados mais incensados do seminário.

Nesse sentido, o evento foi, ao mesmo tempo, promotor e exemplo para os conselheiros, representantes de organizações não-govenamentais e administradores públicos, presentes nos dois dias de atividades. Afinal, sob o tema Conselhos articulados para o desenvolvimento, os participantes observaram os frutos reais do alinhamento efetivo entre setores da sociedade.

“Estiveram representados os 27 Estados da federação. Isso mostra o seminário como um movimento nacional para tornar os conselhos co-responsáveis de políticas que garantam os direitos da infância”, afirmou a coordenadora da Frente de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Minas Gerias, Marilene Cruz.

Segundo ela, o sucesso do evento também está ligado à participação de representantes de conselhos municipais de Saúde e Educação, fundamentais para a construção de políticas de benefício integral à infância. “Precisamos parar de disputar fatias do orçamento e construir diálogos convergentes. Isso não significa perder identidade, mas elaborar uma agenda comum”.

Embora seja sensível apontar a articulação social como responsável pelo evento, é importante ressaltar que ele foi possível por meio do patrocínio de empresas, fundações e institutos, como a Fundação Itaú Social, o Instituto C&A, a Nokia e a Petrobras. “O que se busca é a qualificação do trabalho técnico dos gestores desses conselhos”, explicou a coordenadora do Instituto C&A, Cristiane Felix, ao falar sobre o apoio de sua organização.

Críticas – As discussões sobre a atuação dos conselhos estaduais e municipais pelos direitos da criança e do adolescente não foram apenas edificantes. Nas conferências e mesas redondas, os palestrantes deixaram claro, alguns em críticas veladas, que ainda há muito a ser feito.

Segundo a presidente do Child Watch Internacional no Brasil, Irene Rizzini, persiste no país uma confusão de papéis entre os setores público e privado, em que os equívocos são evidentes. “A política centralizadora e totalitária modelada historicamente por uma elite não protege o cidadão mais pobre. Exemplo disso é a idéia de menor, na qual você diferencia as crianças com seus direitos assegurados (da tal elite) e as que vivem em situação de risco. Estas últimas são as consideradas menores, abandonadas. E os conselheiros ainda persistem nessas idéias”.

Ainda mais grave são os dados apontados pelo promotor de Ministério Público de Justiça de Minas Gerais, Márcio Rogério. Ao comentar pesquisas oficiais sobre a eficácia dos conselhos pelo Brasil, ele afirmou que 80% deles não têm qualquer diagnóstico sobre as demandas locais. “Os conselheiros não têm as informações mais básicas sobre a sua missão elementar “, criticou.

Nessa óptica, é oportuno pensar se, nestas condições, os conselhos têm realmente a qualificação necessária para não apenas orientar o destino dos Fundos da Infância e Adolescência, mas de ser protagonistas das políticas públicas para essa população.”Muitos dos conselhos têm pouca efetividade deliberativa. Equivocadamente, apenas encaminham documentos, sem qualquer participação nas políticas locais”, concluiu Leonardo Avritzer.

De acordo com o representante da Fundação Avina para a região Sudeste da Fundação Avina, Marcus Fuchs, antes gestor do Instituto Telemig, os conselheiros não estão preparados para lidar com a diversidade dos problemas a serem enfrentados. Ele explicou que as políticas públicas são homogêneas e não diferenciam as peculiaridades regionais.”Os conselhos perpetuam isso ao não entender as diferenças entre as demandas entre as crianças que vivem em zonas rurais ou urbanas. O mesmo ocorre em comunidades indígenas e quilombolas.”

As críticas apontadas pelos especialistas tornaram-se, na opinião dos participantes, uma provocação positiva. “Temos uma responsabilidade muito clara e o apoio é mais do que necessário para apresentarmos com clareza e transparência nossas ações”, afirmou um dos representantes do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente de Porto Alegre, Gilberto Lisboa, no primeiro dia de atividades do seminário.

O intempestivo pessimismo, assim, foi acompanhado pelo discurso formativo, que apontou possibilidades de diálogo. “A gestão participativa é o caminho mais saudável para qualquer democracia. O futuro dos conselhos é substituir as secretarias de Assistência Social, Educação, ou mesmo Saúde. São eles que conhecem realmente as demandas locais, identificadas junto à comunidade”, argumentou o membro da executiva nacional do Fórum Brasil do Orçamento e coordenador do Instituto Cultiva, Rudá Ricci.

Entre as idéias apresentadas pelo especialista, está a criação de uma fundação nacional de apoio aos conselhos de direitos da criança e do adolescente. “Trata-se de uma assessoria nacional, somada a uma à implementação de um fundo comum (extraído do FIA), envolvendo ONGs e conselhos, para a formação de uma rede”, expôs.

Marilene Cruz, o grande destaque do evento, deixou claro que o programa Pró-Conselho passará por uma reformulação estrutural, na qual provavelmente mudará até de nome. “Mas o compromisso estimular a criação de conselhos e qualificar conselheiros será o eixo principal de nosso trabalho. Esse é o caminho para efetivar o movimento nacional pela garantia dos direitos da criança e do adolescente e o objetivo deste evento”, mensurou.

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Pacto mostra sucesso de articulação social

Rodrigo Zavala
Publicado no Rede Gife Online em 21/05/07

Nas comemorações de dois anos do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, seus organizadores mostraram resultados positivos da iniciativa, como a visibilidade alcançada intersetorialmente e o aumento de empresas e organizações engajadas. No entanto, eles alegam que o maior motivo para celebrar é a eficiência conquistada pelo trabalho conjunto de diferentes atores, que possibilitou sistemáticos êxitos.

Lançado no dia 19 de maio de 2005, em Brasília, o pacto é promovido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social e pela ONG Repórter Brasil. Foram essas três organizações que iniciaram um trabalho de conscientização social, que hoje conta com a adesão de mais de 100 empresas nacionais e estrangeiras, além de entidades de classe do setor empresarial. Todas se comprometeram a não mais adquirir produtos de empresas que, comprovadamente, se utilizam de mão-de-obra escrava.

A idéia é simples. O pacto segue a chamada “lista suja” do trabalho escravo no Brasil, um cadastro público que informa as empresas flagradas em atos ilícitos, atualizada semestralmente pelo Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE). Com base nesse rol de criminosos, bancos públicos e privados, governos locais e federal bloqueiam recursos que possam financiar essas atividades, tal como grandes varejistas se negam a distribuir seus produtos.

“É um estrangulamento comercial e financeiro dessas empresas, para que elas simplesmente sigam a lei. E seguir a lei, nesse caso, é respeitar a dignidade humana”, afirma a coordenadora do Projeto de Combate ao Trabalho Escravo da OIT no Brasil, Patrícia Audi. Segundo ela, a lista ainda colabora ao informar os consumidores, para que não apenas deixem de comprar os produtos, mas também pressionem outras empresas a fazer o mesmo. É uma questão de responsabilidade social das empresas, enfim.

As principais atividades econômicas em que foram resgatados os escravos contemporâneos brasileiros são: pecuária de corte (com 62% dos casos), seguidas por carvão (12%), algodão (5,2%) e soja (4,7). “Foram libertados, no ano passado, 3729 trabalhadores só no setor bovino. Eles não são os vaqueiros, mas aqueles que cuidam da manutenção do pasto e, pior, da abertura de florestas, em práticas ilegais, para o aumento desse pasto”, explica o coordenador geral da ONG Repórter Brasil, Leonardo Sakamoto, responsável pelo levantamento.

Embora o pacto não seja responsável pela as apreensões ou investigações, mas sim o Ministério Público, o bloqueio de investimentos a essas empresas tem surtido um efeito real: a diminuição do número de trabalhadores escravos. Afinal, segundo procurador do Ministério Público do Trabalho, Luis Camargo de Mello, um fazendeiro flagrado pode abrir uma nova empresa e novamente burlar a lei, enquanto enfrenta o processo de seu antigo empreendimento.

“Há inúmeros casos em que o empresário, por meio de liminares, consegue retirar seu nome da lista suja e, durante alguns meses, tenta financiamento. Sem os critérios e comportamentos trazidos pelo pacto, ele possivelmente conseguiria”, afirma. Nessas situações, os signatários podem seguir uma espécie de histórico, que os mantenha informados das alterações na lista, inviabilizando possíveis burlas.

Um dos exemplos vem do Mato Grosso, um dos Estados que mais apresentam casos de trabalho escravo – perdendo apenas para o Pará, nos levantamentos da ONG Repórter Brasil. É a experiência do Grupo Amaggi, que, por meio da Fundação André Amaggi, de Souza, não apenas segue a lista, como faz um levantamento socioambiental de seus fornecedores.

Com 18% de participação no mercado de Mato Grosso, o grupo conseguiu baixar de 14% para 1% os casos de compras oriundas de fornecedores suspeitos. “Sem auditoria não há negociação. Capacitamos nossos funcionários para fazê-las, pois muitos fazendeiros usam disfarces para distribuir seus produtos, como substituir o CNPJ, por exemplo”, lembra a coordenadora de desenvolvimento social da fundação, Juliana Lopes.

A experiência do Grupo Amaggi tem o mérito também de persuadir os fazendeiros a mudar suas práticas. Embora não os ajude financeiramente, tenta dar suporte para que eles sigam a lei. Isto é, mostram que, se estiverem quites com a justiça, obterão mais benefícios do que embargos. Afinal, eles não precisam ser instruídos, como se confirma pelo curioso dado trazido pelo senador José Neri, que faz parte da Subcomissão de Combate ao Trabalho Escravo do Senado – vinculada à Comissão de Direitos Humanos –, nascida pós o pacto. Por meio dos relatórios elaborados pela instância, o perfil dos empresários que praticam o crime não é de iletrados, desinformados ou ignorantes; pelo contrário. “São pessoas instruídas, com apoio jurídico. Isso explica porque conseguem liminares para voltarem a receber recursos. Trata-se de uma chaga social que envergonha o país internacionalmente”, discursa.

Segundo o senador, está em discussão um Projeto de Lei que prevê a expropriação das terras de fazendeiros flagrados cometendo o delito. A iniciativa, se não prova, pelo menos evidencia um grau de comprometimento do legislativo sobre a questão.

Mesmo assim, ainda há muito a ser feito, como denuncia o frei Xavier Plassat, que há mais de uma década constata as piores transgressões. Como coordenador da Comissão Pastoral da Terra, ele tem acesso ao número de denúncias anuais, em torno de 250. “Existe uma necessidade real de fiscalização. Basta ver que há um número muito maior de casos do que de cadastrados na lista. Os produtores sempre encontram brechas e apenas um envolvimento de todos poderá evitá-las”, crê.

Para secretário-executivo do Instituto Ethos, Caio Magri, a luta contra o trabalho escravo no país não é apenas uma questão humanista. Trata-se também da idoneidade do setor privado brasileiro, não apenas internamente – com consumidores mais conscientes sobre a origem dos produtos –, mas em acordos internacionais. Afinal, perde-se confiabilidade no mercado quando a origem dos produtos é duvidosa. Basta lembrar do achincalhamento público que sofreu a empresa de artigos esportivos Nike, em 2002, , quando seus fornecedores foram denunciados por maltratar empregados e usar mão-de-obra escrava e infantil em países asiáticos.

Em uma época em que a responsabilidade social deixa de ser altruísmo ou diferencial empresarial – no que tange a valores e ética universais - para se tornar as bases de um mundo sustentável, o respeito a “dignidade humana”, nas palavras de Patrícia Audi, da OIT, é o consenso mais evidente.

De acordo com dados da OIT, os trabalhadores aliciados para o trabalho escravo são, em sua grande maioria, homens com idade entre 21 e 40 anos, analfabetos ou com pouquíssimos anos de instrução. A vulnerabilidade desses trabalhadores, a maioria provenientes de estados com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) deve-se, principalmente, à falta de oportunidade de geração de emprego e renda que permitam a sobrevivência de suas famílias, lembra Patrícia.

“Embora o Brasil tenha avançado muito na repressão e combate a esse crime são necessárias ainda medidas de prevenção e informação àquelas comunidades vulneráveis que correm o risco de terem seus trabalhadores aliciados e traficados para serem explorados como escravos principalmente em fazendas Região Norte”, argumenta.

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domingo, 20 de maio de 2007

Brasil das Águas* vai para Mato Grosso percorrer o Rio Verde

Publicado no boletim eletrônico do Projeto Brasil das Águas em 20/05/2007

No mês passado, o projeto viajou quase 8 mil quilômetros, saindo de Brasília para percorrer o rio Ibicuí, no Rio Grande do Sul, e esticando o roteiro até Concepción del Uruguay, na Argentina, onde foi convidado a palestrar na Universidade.

A maior surpresa com o Ibicuí, maior afluente do rio Uruguai, foi descobrir que o rio tem uma extensão de 460 km, e não os 280 km indicados em várias fontes. Nas margens daquele belo rio, dotado de praias brancas, que corta os campos sulinos, predomina o cultivo do arroz.

Foz do rio Verde no rio Teles Pires
A região que está sendo visitada e estudada nesta semana, entre 19 a 24 de maio, é bem diferente. O alvo agora é o Rio Verde, no Mato Grosso.
Verde é o nome de muitos rios em estados diferentes do país, e só no Mato Grosso existem dois.
Um deles é afluente do Guaporé, na fronteira com a Bolívia e que a expedição Brasil das Águas vai visitar no próximo mês.
O outro Verde, que está sendo percorrido pelo Brasil das Águas nesses dias, nasce na Serra Azul a 170 km ao norte de Cuiabá em linha reta, e desemboca no Rio Teles Pires perto de Sinop.
Mato Grosso ainda leva fama pelo desmatamento extensivo, porém nos últimos anos houve esforços – mais do que em outros estados brasileiros localizados no “Arco de Desenvolvimento” – para diminuir as queimadas e respeitar as áreas de reserva legal e as matas ciliares.
Acompanhe o diário de bordo da expedição ao rio verde aqui.
* O Projeto Brasil das Águas foi concebido por Gérard e Margi Moss e realizado com o patrocínio da Petrobras. As empresas parceiras são: BR Aviation, Agência Nacional de Águas, Chubb Seguros, Osklen e Rede Globo.

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sábado, 19 de maio de 2007

Discurso de Steve Jobs em Stanford

É provável que você já tenha visto isto circulando na Internet.
Mas será que leu ou ouviu com atenção? Se ainda não o fez, vale a pena! O link no título leva ao vídeo, disponível no You Tube, dividido em 2 partes, com legendas em português.
Veja a parte 1 (8 min 39 seg) aqui e a parte 2 (5 min 54 seg aqui).

Para español, clique aqui (parte 1) ou aqui (parte 2).

Para ler texto do discurso de Steve Jobs, o criador da Apple, para os formandos de Stanford, continue:

"Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.

A primeira história é sobre ligar os pontos
Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais dezoito meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei?
Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina. Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: "Apareceu um garoto. Vocês o querem?" Eles disseram: "É claro." Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade. E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de 6 meses, eu não podia ver valor naquilo. Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria OK. Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes.Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo. Muito do que descobri naquele época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço.Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante. Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse. Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para a frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa - sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.

Minha segunda história é sobre amor e perda.
Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação - o Macintosh - e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses. Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício]. Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo. Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa. Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple. E Lorene e eu temos uma família maravilhosa.
Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple. Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama. Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.

Minha terceira história é sobre morte.
Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: "Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último". Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: "Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?" E se a resposta é "não" por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.
Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar - caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de 3 a 6 semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas - que é o código dos médicos para "preparar para morrer". Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus. Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem. Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário. Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid. Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes do Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de The Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês. Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras: "Continue com fome, continue bobo". Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos. Obrigado."

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sexta-feira, 18 de maio de 2007

Saída de Wolfowitz pode impulsionar progresso do Banco Mundial

Jerry Norton
Publicado no site da Reuters Brasil em 18/05/2007

CINGAPURA (Reuters) - A saída de Paul Wolfowitz da presidência do Banco Mundial abre caminho para que a entidade avance, disseram muitos observadores depois que ele anunciou sua demissão. Porém, por não ter saído antes, ele feriu sua própria reputação e a do banco.

A reação inicial foi a de constatar que a prolongada crise provocada por uma promoção dada à namorada de Wolfowitz havia inviabilizado a permanência dele na presidência do Banco Mundial.
"Os mais pobres do mundo merecem o melhor que temos a oferecer", disse Wolfowitz em nota na quinta-feira. "Agora é necessário encontrar uma forma de avançar." Ele deixa efetivamente o cargo em 30 de junho.

"As ações de Wolfowitz estavam impedindo a capacidade do Banco Mundial em realizar sua missão crítica de aliviar a pobreza global", disse o senador norte-americano Christopher Dodd, pré-candidato democrata à presidência dos Estados Unidos. "Sua renúncia ajudará a restaurar a integridade e credibilidade do Banco Mundial, centrais para que o banco cumpra sua missão."

Wolfowitz assumiu em 2005 o cargo no banco --responsável pela distribuição de bilhões de dólares em projetos de ajuda ao desenvolvimento mundo afora. Ex-subsecretário de Defesa dos EUA, um dos mentores da invasão do Iraque em 2003, ele vinha recebendo elogios de alguns na África e na Ásia pela atuação do banco, que incluía uma forte campanha contra a corrupção nos programas de ajuda e nos governos receptores. Pouco antes do anúncio da demissão, o ministro japonês das Finanças, Koji Omi, disse que Wolfowitz estava fazendo "um bom trabalho". O Japão é o segundo maior acionista do banco, atrás apenas dos EUA.

Na Indonésia, um dos países que mais recebem ajuda do Banco Mundial, Wolfowitz também é tido em alta consideração. "É uma vergonha que um homem como ele renuncie. Ele era conhecido por sua campanha vigorosa anticorrupção e de erradicação da pobreza", disse o economista Fauzi Ichsan, do Standard Chartered Bank, à Reuters.

Mas muitos acharam que a promoção e aumento salarial dados a Shaha Riza, especialista do banco em Oriente Médio e namorada de Wolfowitz, destruíram qualquer credibilidade que ele poderia ter como paladino da honestidade. Uma comissão interna disse que Wolfowitz violou várias regras para ajudar a namorada.

"Acabei de voltar de uma missão na África Ocidental onde comecei a sentir mais agudamente o impacto da crise em termos da legitimidade que temos para defender um bom governo", disse Daniel Owen, do departamento de desenvolvimento social do banco. "Temos um trabalho a fazer para reconstruir nossa credibilidade nessas questões e vai ser mais fácil agora que Wolfowitz saiu."

O ministro alemão das Finanças, Peer Steinbruck, também elogiou a demissão de Wolfowitz. "Agora será importante focar não no passado, mas reconstruir assim que possível a reputação do Banco Mundial e sua capacidade de funcionar," disse Steinbruck a uma rádio alemã.

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RS criará nesta segunda-feira a Rede de Parceria Social

Publicado no site de Políbio Braga em 18/05/2007

Será lançado na segunda-feira, 19h30m, no Teatro São Pedro, a Rede de Parceria Social. “Vamos reunir as 12 mil entidades do terceiro setor para propor-lhes parceria com o governo gaúcho”, avisou a esta página o secretário da Justiça e Desenvolvimento Social, Fernando Schüller.

O secretário Schüller e o editor desta página conversaram nesta quinta durante quase duas horas. A idéia é criar de cara 10 carteiras de apoio a ONGs que trabalham com “adoção e apadrinhamento afetivo”, por exemplo. Assim, uma entidade como a Federação das Apaes, apenas para exemplificar, captará apoio das empresas, entidades nacionais e estrangeiras, além dos governos, podendo depois disto abrir um edital para que as Apaes municipais inscreverem os projetos para os quais pretendem apoio. Isto valerá para cada uma das 10 carteiras.

A Rede de Parceria Social desenvolverá um programa bastante redondo. O secretário Fernando Schüller já acertou com
1) a Parceiros Voluntários que caberá a ela capacitar as ONGs, melhorando-lhes a gestão e treinando os líderes, enquanto que
2) outro acerto, este com a Unesco, permitirá a realização do acompanhamento dos serviços de cada carteira e também o trabalho de auditoria externa.

O programa se completará com a criação do Observatório do Terceiro Setor, que terá o apoio do Instituto Nestor de Paula e da Caixa RS, e cujo foco serão de duas naturezas:
1) o diagnóstico técnico sobre o Terceiro Setor
2) a identificação e busca de recursos nacionais e internacionais para as ONGs.

Quem tocará tudo isso ? “A Fundação Gerações, totalmente privada”, avisou o secretário Fernando Schüller. A Fundação gerirá também o Fundo Gerações, cujo objetivo será o de garantir a sustentabilidade para o Terceiro Setor, que em 99% dos casos come da mão para a boca. O governo estadual, nesse sentido, enviará projeto para a Assembléia, propondo a mudança da Lei da Solidariedade, exigindo que 5% dos recursos captados destinem-se a um fundo de poupança que garanta a sustentabilidade.

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quinta-feira, 17 de maio de 2007

Mesmo sob pressão, Wolfowitz resiste

Publicano no Valor Online de 17/05/2007


Um dia depois de praticamente perder o apoio da Casa Branca, até então sua maior aliada na luta para permanecer na presidência do Banco Mundial, Paul Wolfowitz enfrentou, ontem, nova bateria contra sua manutenção à frente do organismo multilateral de crédito.

O Conselho Executivo do banco passou o dia reunido, discutindo alternativas para uma renúncia de Wolfowitz. A intenção do "board" da instituição financeira multilateral era obter uma "saída honrosa" para seu presidente. O objetivo não foi alcançado e a reunião deve prosseguir hoje. Wolfowitz é acusado de favorecer sua namorada, Shaha Riza, funcionária de carreira da instituição. Ele a promoveu e ofereceu um salário considerado elevado para os padrões do banco.

A decisão de retomar os debates hoje foi comunicada em uma nota curta, distribuída no início da noite de ontem. As indicações são de que dificilmente o executivo irá se manter no cargo. A avaliação de sua conduta pelo Conselho era um desejo do próprio Wolfowitz, conforme manifestou seu advogado, Robert Bennet.

Um relatório do comitê publicado esta semana confirmou o resultado de uma investigação interna do Banco Mundial e concluiu que Wolfowitz violou as regras de princípio do Banco Mundial ao promover Riza.

Ontem mesmo o presidente da instituição desistiu de sua viagem à Eslovênia, onde pretendia participar de uma conferência sobre desenvolvimento prevista para hoje e amanhã.
Wolfowitz já se manifestou contrário à própria renuncia várias vezes. Se mantiver essa posição e os integrantes do Conselho entenderem que é necessário submeter uma eventual demissão do presidente a votação, os Estados Unidos, principais "acionistas" do banco, terão a palavra final. Na terça-feira, o governo americano não retirou formalmente seu apoio a Wolfowitz, mas admitiu que sua saída do cargo está cada vez mais próxima. Antes de presidir o banco, Wolfowitz trabalhou no Departamento de Defesa americano.

Para que uma decisão importante seja aprovada por votação no Banco Mundial são necessários os votos de uma maioria composta por 85% dos votos. Os Estados Unidos têm 16,5% e o Japão, o segundo na escala, 7,9%. Como sua participação é maior que os 15% necessários para barrar uma decisão, Washington tem, efetivamente, poder para vetar qualquer assunto. Basta usar sua participação no voto contrário à tese defendida.

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Bancos ainda procuram modelo no microcrédito

Fernando Travaglini
Publicado no Valor Online de 17/05/2007

Desde que o governo obrigou a destinação de 2% dos depósitos à vista para o microcrédito, os bancos procuram o modelo adequado para cumprir essa meta. A maioria deles, por dificuldades de acesso e desconhecimento desse mercado, prefere transferir os recursos para outros bancos ou organizações não governamentais (ONG) que trabalham com o público de baixa renda. Segundo dados do Banco Central, a carteira total da modalidade em fevereiro cobria apenas 50% da exigibilidade (R$ 216 milhões).
Dentre os que partiram para originação própria, o mais bem sucedido é o Banco do Nordeste (BNB). A instituição, estatal e com missão de banco de desenvolvimento, usa como funding boa parte desses recursos não utilizados pelos grandes bancos para financiar quase 250 mil clientes, com saldo da carteira em R$ 173 milhões.

Depois de alguns sustos com elevação de inadimplência, o gerente de Microfinanças do BNB, Marcelo Azevedo Teixeira explica que a solução encontrada foi o uso do que eles chamam de empréstimos solidários.



Nesse formato, que hoje já representa mais de 80% de toda a carteira, o crédito é concedido para um grupo de três a dez pessoas, que administram os recursos, cobrindo, inclusive, eventuais atrasos entre eles. "Costumo dizer que os principais agentes de crédito são os próprios clientes", brinca o executivo.


O interessante, segundo Teixeira, é que o grupo solidário, em geral, é formado por pessoas que se conhecem, em comunidades pequenas. Assim, os não pagadores sofrem uma pressão social grande, inibindo atrasos.


Teixeira explica ainda que o segredo está no treinamento dos agentes de crédito, responsáveis pela formação dos grupos, além de o acompanhamento "bem de perto". A desvantagem é ser um método de custos altos.


"Fizemos a opção por um modelo com custos elevados, acompanhamento forte, mas com baixo risco", afirma. Prova disso é que o total de parcelas com atraso de até 90 dias é de pouco mais de 1% (era de 4% em 2002). As despesas com provisões para créditos com liquidação duvidosa, no mesmo caminho de queda, representam pouco mais de 1%.

O programa do BNB é dos poucos no Brasil que já apresenta lucro, com rentabilidade de 12%. Mesmo assim, o banco pensa em aperfeiçoar o modelo com a adoção do sistema de credit score, usado nos grandes bancos para avaliar a reputação dos clientes.

Essa metodologia, no entanto, já foi rejeitada para uso no microcrédito, explica o gerente executivo do Unibanco, Eduardo Ferreira. "O credit score não funciona quando o cliente não tem uma renda previsível, como é o caso da baixa renda", explicou Ferreira durante seminário de microfinanças organizado pelo IQPC, em São Paulo.

Segundo ele, a solução passa por um modelo híbrido, com o uso de ferramentas estatísticas aliada a parcerias com varejistas para utilizar o conhecimento que eles têm do pequeno cliente. O banco, que já tem uma carteira de R$ 23 milhões, é um dos líderes de mercado.

O Banco Real, que apostou na concessão própria e com uma carteira na casa dos R$ 20 milhões, reformulou sua operação recentemente depois de atingir 35% de inadimplência. Passou a adotar os empréstimos em grupo (cerca de 30% do total) e as parcerias. Agora, pretende fechar o ano com R$ 85 milhões e deve atingir o chamado break-even (ponto em que a operação passa a ser rentável), com R$ 50 milhões em carteira.

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Brasil muda postura e avalia meta para desmatamento

Assis Moreira
Publicado no
Valor Online de 17/05/2007

Para marcar nova postura no debate internacional sobre mudança climática, o governo brasileiro estuda estabelecer de modo unilateral e voluntário objetivos de redução do desmatamento da Amazônia.

Foi o que sugeriu Celso Amorim, ministro das Relações Exterio-res, a três semanas da cúpula do G-8, da qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará parcialmente como convidado. "O Brasil tem que ter uma postura combativa e não defensiva", disse Amorim. "Tem que ter seus objetivos para combater o desmatamento porque isso é uma perda para nós."

A Alemanha, na presidência do G-8 (grupo que inclui EUA, Japão, Canadá, Reino Unido, França, Itália e Rússia) quer compromissos firmes dos emergentes que convidou (Brasil, China, Índia, África do Sul e México) para lançar um novo acordo obrigatório de redução de gases de efeito-estufa que substituirá o Protocolo do Kyoto.

O Brasil é o quarto maior emissor de gases-estufa do mundo, basicamente por causa do desmatamento na Amazônia, e suas exportações agrícolas vem sendo alvos de acusações de destruir a floresta. Até recentemente, o governo brasileiro preferia só apontar a culpa dos países industrializados no aquecimento do planeta. Agora, Brasília repensa sua posição no rastro dos recentes relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), órgão que reúne mais de mil cientistas no mundo todo, que fazem previsões alarmantes globalmente.

A destruição da Amazônia tem sido vista como uma das causas do aquecimento global. "Agora está cada vez mais claro que a Amazônia seria não causadora, mas vítima, correndo risco de virar savana e de enorme perda da biodiversidade", disse Amorim. Ele avisa que o Brasil "assumirá responsabilidades", mas diferenciadas, proporcionais, "que não podem comparar com quem está poluindo o planeta nos últimos 200 anos". Mas alertou: "Agora, metas que sejam objetos de punição internacional é outra coisa" - ou seja, o Brasil não aceita.

A Alemanha quer que o G-8 aprove assistência financeira para o Brasil e outros países em desenvolvimento combaterem o desmatamento das florestas. Segundo o britânico Nicholas Stern, que publicou relatório sobre o clima em 2006, as nações ricas deveriam oferecer US$ 15 bilhões por ano para ajudar na preservação de florestas.

O Brasil já propôs a criação de um fundo internacional para os países industrializados darem dinheiro para combater o desmatamento. Mas Amorim é incisivo: "Sugerimos incentivos, mas recebendo ou não dinheiro, devemos evitar o desmatamento da Amazônia, porque é de nosso interesse".

As pressões sobre Brasil, China e Índia foram atenuadas, porque o próprio G-8 não se entende. Os EUA são acusados de tentar esvaziar o objetivo alemão. Um trecho do comunicado final sobre a luta contra a mudança climática que deveria ser qualificada de "dever" pelos G-8 foi cortada pelos representantes americanos. Os EUA tampouco aceitam uma fórmula pela qual o G-8 se declara "profundamente preocupado" com a evolução do clima. O país quer só "tomar nota" dos relatórios do IPCC.

O presidente George W. Bush, em seu último telefonema ao presidente Lula, pediu apoio brasileiro a sua posição contra a fixação de metas de redução de gases-estufa.
EUA e Austrália não assinaram o Protocolo de Kyoto, que dura até 2012 e obriga 35 países desenvolvidos a cortar suas emissões em 5% abaixo dos níveis de 1990 nos próximos seis anos. Mas esses industrializados reclamam que as nações signatárias representam apenas um terço das emissões globais.

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Prefeitura de Porto Alegre lança primeiro vídeo do Programa de Governança

Veja no You Tube o vídeo de 1m30s clicando aqui.

Se quiser saber mais sobre este projeto de desenvolvimento municipal participativo, visite o site do Programa de Governança Solidária Local.

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