quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Fundação Banco do Brasil avalia investimentos sociais realizados no sistema Pais

Entre principais desafios para o Pais, aponta pesquisa, estão a seleção mais criteriosa de produtores que atendam os pré-requisitos da tecnologia e o aumento do número de quilombolas e assentados assistidos.

As empresas, em geral, não investem em programas sociais. Das poucas que o fazem, menos ainda os avaliam. A afirmação, de Kátia Puente Palacios, professora do Programa de Pós-graduação em Psicologia Social e do Trabalho nas Organizações da Universidade de Brasília (UnB), foi feita esta semana, em Brasília/DF, durante apresentação de pesquisa de avaliação de projetos sociais da Fundação Banco do Brasil.

Palacios foi a responsável, ao lado dos pesquisadores Jacob Arie Laros, Luciana Mourão e Rossana Pavanelli, por avaliar o Programa AABB Comunidade. Maria Cecília Prates Rodrigues e Leandro Molhano, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), coordenaram, por outro lado, a pesquisa de avaliação dos projetos de Produção Agroecológica Integrada Sustentável (Pais) e da Casa Apis, este focado na cadeia produtiva do mel, na região de Picos/PI.

Geralmente, os investimentos das empresas são assistencialistas. “Falta-lhes sistematização, organização e pessoal capacitado. As instituições desejam, apenas, aparecer e permanecer no imaginário e na consciência de cidadãos e consumidores como empresas preocupadas com a sustentabilidade, com o meio ambiente e com a diminuição das desigualdades sociais”, diz Palacios.

Pesquisa de 2002 do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (Ipea) já apontava que apenas 2% dos investidores privados controlavam a destinação de recursos destinados a investimentos sociais, monitorando e verificando se suas ações implicaram melhoria de vida da população; 86% afirmaram que somente colocavam verbas à disposição e o restante do universo pesquisado acompanhava informalmente os trabalhos desenvolvidos, sem metodologia precisa.

O presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques Pena, acredita que a avaliação permite à instituição apresentar à sociedade e aos órgãos de controle os resultados, os impactos e a efetividade dos investimentos sociais da entidade. “Para isso, é necessária a implantação de uma política de avaliação externa consistente tecnicamente”, diz. “Ao estabelecer uma política com metodologia própria buscamos corrigir eventuais problemas e distorções e demonstrar a seriedade com que realizamos nossos projetos e ações”, complementa Jacques.

Consolidação
O gerente de Educação e Cultura da Fundação BB, Marcos Fadanelli, acredita que “o destaque do processo avaliativo reside no processo de reflexão entre os atores que fazem os programas acontecerem, resultando na produção de conhecimentos técnicos de caráter cumulativo, ascendente e muito pragmática”. Conhecer o impacto do projeto sobre as comunidades, servir como parâmetro na tomada de decisões, prestar contas à sociedade e divulgar resultados obtidos são os principais objetivos das avaliações, explica o gerente do Núcleo de Gestão da Avaliação da Fundação BB, Fernando Nóbrega.

A metodologia de avaliação utilizada pela Fundação BB para aferir os resultados de seus investimentos sociais envolve tanto as cadeias produtivas quanto programas educacionais, como o AABB Comunidade.

Na avaliação deste último, desenvolvida pela equipe da professora Kátia Palacios, da EMP Consulting, buscou-se verificar como o programa influencia nos resultados de desempenho e comportamento na escola dos participantes e, também, como afeta a continuidade da escolarização e a inserção, no mundo do trabalho, dos egressos do AABB Comunidade.

A pesquisa envolveu um universo de 1.156 pessoas de dez cidades brasileiras, entre entrevistas e aplicação de questionários. Também foram levantados dados em fontes secundárias, junto a históricos escolares de participantes do programa e grupo de controle, perfazendo um total de 1.083 coletas.

O AABB Comunidade busca contribuir para a inclusão, a permanência e o desenvolvimento educacional de crianças e adolescentes de famílias de baixa renda. A metodologia envolve atividades sócio educativas, culturais, esportivas e de saúde.

Pais amplia segurança alimentar e eleva renda
A avaliação da professora Maria Cecília Prates Rodrigues, da FGV Opinião, sobre o Pais, tinha como foco verificar o atingimento dos objetivos centrais do programa – viabilizar alimentação saudável para famílias de baixa renda, por meio do incentivo à produção e ao consumo de hortifrutigranjeiros e gerar renda – e sua amplitude. O projeto foi implantado em 12 estados brasileiros.

A amostra priorizada envolveu 180 produtores do Piauí, Goiás e Minas Gerais, onde estão instaladas 270 hortas do Pais. Os principais resultados alcançados, segundo Rodrigues, foram o aumento e a diversificação na produção e comercialização de produtos de horta, a melhoria no padrão de consumo alimentar das famílias e o aumento na renda das famílias envolvidas. A aquisição de uma consciência ambiental também foi lembrada pela professora como resultado obtido pelo projeto.

Ponto alto para a segurança alimentar, conforme relato de produtora do Piauí: “Não tinha hábito de comer alface... cheiro verde eu tinha. Agora a alface e o pepino... cenoura, nunca comia! Essas coisas a gente só comprava se viesse alguém para casa, alguém de fora! Minha família, que mora em São Paulo, quando chegava eu tinha que comprar. Agora não, agora eu uso mesmo, no dia-a-dia, quer tenha gente de fora ou não, já tem a fartura na mesa”. Na dimensão quantitativa, 77,2% dos entrevistados apontam como principal ponto da Tecnologia Social a melhoria na alimentação da família, outros 19,8%, o aumento de renda da família.

“Marco zero” da Casa Apis
Com relação ao projeto Central de Cooperativas Apícolas do Semi-Árido Brasileiro (Casa Apis), a equipe da FGV Opinião mostrou a situação atual do projeto, uma vez que se tratava de uma avaliação de “marco zero”. Não obstante, algumas recomendações foram apresentadas.

A Casa Apis foi criada para fortalecer a capacidade de produção de pequenos produtores de mel, quanto à apropriação do valor agregado da matéria-prima, até então na mão de atravessadores e grandes empresas, e ampliar as oportunidades de geração de trabalho e renda.

O universo da pesquisa abrangeu uma amostra de produtores do Piauí, vinculados a cinco cooperativas filiadas à Casa Apis: Campil, Coopermel, Coopix, Compai e Comapi.

Recomendações
No programa AABB Comunidade, a equipe da EMP Consulting sugere desenvolver estratégias de integração entre os diferentes municípios envolvidos, expandir o programa, manter o foco na permanência na escola entre os participantes do programa e continuar desenvolvendo ações que permitam a inserção no mundo do trabalho dos egressos. Também recomenda criar estratégias mais focadas na retenção, para o público adolescente do programa.

Os principais desafios para o Pais são a seleção mais criteriosa de produtores que atendam os pré-requisitos da tecnologia, como, por exemplo, disponibilidade de água, e o aumento do número de quilombolas e assentados assistidos. Revisar a Tecnologia Social também foi sugerido, pois, em parte das áreas analisadas, o galinheiro no centro da horta, previsto no projeto, não faz parte da cultura local. É preciso ainda, diz o relatório de avaliação da FGV Opinião, formatar os cursos de capacitação de forma a que atendam aos seguintes requisitos: objetividade; linguagem simples e direta; abundância de práticas; e curta duração. O documento sugere, ainda, priorizar combate às pragas e fortalecer a comercialização dos produtos Pais.

As recomendações da equipe de pesquisa, relacionadas à Casa Apis, foram: potencializar recursos investidos; focar viabilidade econômica da central apícola; fortalecer as bases cooperativas; adequar assistência técnica aos apicultores; e ampliar orientação sobre o acesso e uso do crédito para os produtores de mel. O relatório sugere, ainda, a manutenção de um cadastro atualizado, com indicadores básicos dos resultados do projeto, como produção total, número de colméias, casas de mel utilizadas, quantidade de mel entregue à cooperativa, preço recebido por quilo e valor recebido na repartição das “sobras” da Casa Apis.

Metodologia
A Fundação Banco do Brasil desenvolveu um documento - Base Conceitual de Monitoramento e Avaliação - e, simultaneamente, contratou a FGV para produzir uma metodologia a ser utilizada na avaliação de cadeias produtivas.

A avaliação para cadeias produtivas é baseada na metodologia EP2ASE (Eficácia Pública e Eficácia Privada da Ação Social de Empresas), sistemática adotada pela FGV. Apropria-se do critério da “eficácia pública” para identificar de que modo os objetivos de impactos, estabelecidos pela Fundação BB para as comunidades-alvo das cadeias produtivas, estão sendo alcançadas.

A EP2ASE adapta complexos modelos estatísticos e econométricos de avaliação de impacto, adotando uma “lógica experimental”, que busca manter o rigor metodológico para a construção do experimento, porém utiliza procedimentos mais parcimoniosos para análise de resultados.

A Fundação Banco do Brasil também utiliza o instrumental metodológico de estudo de casos, categoria de pesquisa que tem como objeto de análise uma unidade específica e, como propósito, seu conhecimento aprofundado. É uma abordagem que permite adquirir conhecimentos mais detalhados e aprofundados sobre ações de projetos e programas, tendo como propósito subsidiar, complementar ou originar outro tipo de avaliação. São utilizados como técnica as análises de discurso e de conteúdo. A primeira valoriza o contexto de interação na interpretação do discurso. A análise de conteúdo implica em uma “quantificação” do dado qualitativo, através da localização de palavras-chave, expressões e conceitos (léxicos) que permitam observar “regularidades” contidas no discurso, que se tornam a base da análise.


Fonte: Fundação Banco do Brasil
Noticias da Rede - Nº 50

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Accountability sociambiental: uma nova forma de promover mercados sustentáveis

O que um pequeno produtor brasileiro, uma grande rede varejista norte-americana, um consumidor e um ativista europeu podem ter um comum? No antigo paradigma de fazer negócios, pouca coisa. Mas no novo estágio de accountability socioambiental, defendido pelo economista norte-mericano Michael Conroy, esses agentes nunca estiveram tão próximos. O autor de “Branded - How the certification revolution is transforming global corporations (Marcado! - Como a revolução das certificações está transformando corporações globais, que será lançado no Brasil em outubro) defende que a adoção de sistemas de certificação representa uma nova fase na responsabilidade social corporativa.

“A certificação é, a meu ver, a base a partir da qual se pode saltar do estágio da responsabilidade social corporativa para o que chamo de accountability socioambiental. (...) A verificação de uma terceira parte independente, faz com que a companhia se comprometa com padrões negociados pelas várias partes interessadas”, ressalta.

Em entrevista exclusiva a repórter Juliana Lopes, de Idéia Socioambiental, Conroy avaliou as conquistas e avanços necessários em relação aos mecanismos de adesão voluntária.

Idéia Socioambiental – Como e por que as certificações estão revolucionando as corporações globais?
Michael Conroy - O que chamo de revolução das certificações está tomando forma por causa de três fatores. O primeiro consiste na realização de campanhas de marketing pelas organizações da sociedade civil para convencer as companhias a aumentar seus padrões sociais e ambientais. Segundo, a criação dos sistemas de certificação, como o do Marine Stewardship Council (MSC), o Forest Stewardship Council (FSC) e o Fairtrade (comércio justo). No passado, tivemos várias campanhas para as empresas mudarem suas práticas, mas não havia consenso entre os ativistas sobre qual direção elas deveriam tomar. Um sistema de certificação com a participação dos representantes de ONGs cria uma série muito clara de metas e alvos para as mudanças de hábitos que se quer ver nas corporações. Já o terceiro fator refere-se ao fato de que, dentro das companhias, quase sempre existe uma pessoa que se torna um campeão em altos padrões, alguém que lidera a empresa nesse caminho. Conheço poucos exemplos de grandes corporações com práticas mais sustentáveis sem um líder interno que acredita que a empresa pode se tornar mais lucrativa sendo mais responsável.

IS - As certificações contribuíram para aproximar a responsabilidade social da estratégia do negócio? Como?
MC – A certificação é, a meu ver, a base a partir da qual se pode saltar do estágio da responsabilidade social corporativa para o que chamo de accountability socioambiental. Penso que tenham existido três momentos diferentes na história da responsabilidade social corporativa. No século 19, companhias como a Standard Oil, criada por John D. Rockefeller, seguiam princípios de responsabilidade porque a sua fé religiosa os conduzia nessa direção. A responsabilidade corporativa do século 19 se baseava nos compromissos discursivos de um líder que não seguia nem mesmo o que pregava. No século 20, começa a emergir uma nova forma de RSC a partir do momento em que empresas criam padrões mais elevados. Vale lembrar, como marco, o desastre de Bophal, na Índia, na década de 1980, quando a refinaria Union Carbide explodiu e matou milhares de pessoas. A partir desse episódio, a indústria química criou um programa transversal, chamado Atuação Responsável (Responsible Care). A associação das indústrias químicas estabeleceu novos padrões, o que se convencionou classificar como certificação de segunda parte ou garantia da segunda parte. Só que não havia responsabilização para as companhias que não seguissem esses princípios. A novidade no século 21 é que as certificações constituem a verificação de uma terceira parte independente, comprometendo a companhia com os padrões que são negociados por todos os públicos de interesse.

IS - O senhor acredita que as certificações impulsionaram parcerias entre o setor privado e organizações não-governamentais?
MC – Claro. Quando a empresa desiste de resistir às campanhas públicas contra ela, acaba encontrando nas ONGs um apoio para rever, por exemplo, suas cadeias produtivas. Há dois tipos de ONGs: as que apenas executam campanhas de propaganda contra alguma empresa e outras, como a WWF, que preferem ajudar as companhias a resolverem os problemas de cadeia produtiva ou facilitar a compra de madeira certificada e a criação de um mercado para esse produto. Ambas as estratégias são importantes: pressionar as empresas e ajudá-las a resolver os seus problemas.

IS - Quais são os principais fatores que levam as empresas a buscar certificações? Por quê?
MC – Cada vez mais as empresas tem buscado a certificação por vontade própria. Dou o exemplo da maior companhia de café dos Estados Unidos, a Green Mountain Coffee Roasters. É uma empresa de médio porte, que fica na região da Nova Inglaterra e já foi apontada pela CRO Magazine (Corporate Responsability Organization) como a mais ética dos EUA. Esse é um exemplo de empresa que não precisou de campanha contrária para ver nas cerificações uma forma de validar suas práticas e gerar segurança para os clientes. No entanto, a maioria ainda toma a decisão como resposta a alguma campanha pública contra sua marca. Muitas se vêem forçadas pela pressão externa a rever eventuais práticas irresponsáveis em sua cadeia produtiva. Vejo como fator importante também a ação das empresas líderes. Ao adotarem um sistema de certificação, elas acabam forçando as concorrentes a pegarem a mesma estrada. São, portanto, indutoras de mudança. Se as grandes mudam, as pequenas também precisam mudar, até por razões de competitividade. Se só uma empresa se adapta a padrões éticos mais altos, a preocupações ambientais e ao rastreamento dos produtos, isso encarece o produto e torna a competição com os concorrentes muito difícil. Para serem bem-sucedidas, as certificações precisam transformar gradualmente todo segmento, evitando a competição injusta.

IS – Como o senhor avalia o avanço das certificações nos países em desenvolvimento?
MC – Na conferência da ONU sobre comércio e desenvolvimento, por exemplo, algumas nações mostraram-se preocupadas com as certificações voluntárias alegando que elas poderiam aumentar o custo de sua produção, prejudicando a sua competitividade. Mas começam a perceber que estão perdendo a oportunidade de mercado para novos produtos com maior valor agregado. Além disso, não encontram credibilidade para seus próprios critérios nos mercados internacionais.

No Brasil, existe uma companhia chamada Bom Dia, cujo principal produto é o Café Bom Dia. Há anos a empresa vinha tentando crescer no mercado internacional associando o café e a marca à responsabilidade socioambiental. A partir do momento em que passou a ser certificada com o Fairtrade, conquistou a confiança de um dos maiores compradores nos Estados Unidos, o Sam’s Club, agora Wal-Mart. E agora, além do reconhecimento nos EUA, expandiu os negócios e está exportando até açaí.

IS – Qual o papel de grandes companhias na promoção de mercados sustentáveis?
MC -A partir de uma campanha lançada em 2005 contra o Wal-Mart, a rede – pelo menos nos EUA – está mudando dramaticamente a responsabilidade empresarial das suas cadeias de fornecedores. Não há duvida que empresas muito grandes como o Wal-Mart têm poder considerável sobre seus fornecedores. Essa é outra dimensão da revolução das certificações. Antigamente eram os fabricantes que mantinham esse poder e podiam vender qualquer coisa para os consumidores com propaganda. Agora, os revendedores são os que têm o poder e podem especificar o que querem do produto.

IS – Em que setores as certificações enfrentam mais dificuldades para avançar?
MC - Os padrões trabalhistas têm sido decepcionantes.

No livro, cito o caso da Nike, que, em 1996, recebeu denúncias de jornadas exaustivas de trabalho e exploração de mão-de-obra infantil em fornecedores mundiais. E termino com a discussão sobre as mudanças promovidas pela companhia depois desse episódio. Diante dos danos causados pela crise à sua reputação, a Nike adotou padrões trabalhistas e sistemas de monitoramento que excedem as exigências da FLA – Fair Labor Association [Associação de Trabalho Justo]. A companhia estabeleceu um departamento de responsabilidade social composto por 85 profissionais para monitorar as condições sociais e ambientais dos seus fornecedores. No entanto, esses esforços não foram suficientes para produzir mudanças significativas. Em 2003, Richard Locke, professor do MIT, analisou os processos da Nike com base nas informações da própria empresa. Depois de avaliar o sistema interno de “compliance rating”, Locke e sua equipe descobriram que as condições de trabalho em quase 80% dos fornecedores se mantiveram iguais ou até mesmo pioraram. Como estabelece um desempenho médio, o sistema permite que algumas fábricas estejam em total atendimento ao Código de Ética da companhia, enquanto outras apresentam sérios problemas como baixos salários e jornadas de trabalho exaustivas. A ausência de certificação trabalhista nos segmentos de vestuário e calçados potencializa as críticas e possíveis danos a reputação e performance financeira das empresas.

Estágios da responsabilidade social corporativa, por Michael Conroy:
Século XIX: Compromisso de primeira parte - Baseados nos princípios de um líder.
Ex.: John D. Rockefeller - Standard Oil

Século XX: Compromisso de segunda parte - Empresas criam padrões, mas não há punição caso não sejam cumpridos.
Ex.: Atuação Responsável, programa criado pela indústria química

Século XXI: Accountability socioambiental - Compromisso de terceira parte - A verificação de uma terceira parte independente faz com que a companhia comprometa-se com padrões negociados por vários stakeholders.
Ex.: Sistemas de certificação

Fonte: “Branded - How the certification revolution is transforming global corporations”, Michael Conroy

Certificações: sinais de progresso
• As vendas de comércio justo certificado crescem 40% ao ano. Em 2007, alcançaram U$ 2.5 bilhões, beneficiando mais de um milhão de famílias no campo

• As florestas certificadas pelo FSC já atingem 300 milhões de hectares mundialmente e crescem 25% por ano

• Os pescados certificados pelo MSC cobrem cerca de 70% do salmão pescado nos oceanos e 26% dos peixes de água doce.

Fonte: “Branded - How the certification revolution is transforming global corporations”, Michael Conroy


Juliana Lopes, da Revista Idéia Socioambiental
Envolverde, 17/09/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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Mudança climática: A preocupação dos novos filantropos ambientais

Os filantrocapitalistas e as fundações mais tradicionais abordam atualmente problemas mundiais como a mudança climática com inédito fervor. Mas, há dúvidas sobre a eficácia com que usam seu dinheiro. Uma das principais críticas aos filantropos ambientais mais apegados às tradições era que fossem evitados desafios sistêmicos como a sustentabilidade, pois preferiam causas como a conservação. Mas nos últimos tempos a tendência se reverteu, em boa parte graças ao surgimento de novos filantropos com muito dinheiro preocupados com o aquecimento do planeta.

“Muitos membros da nova geração de filantropos estão preocupados com a mudança climática”, disse à IPS o jornalista Matthew Bishop, da revista britânica The Economist e autor – junto com Michael Gree – do livro “Philanthrocapitalism: how the rich can save the world” (Filantrocapitalismo: como os ricos podem salvar o mundo), que será publicado em breve. “As fundações atendem, por um lado, as preocupações mais tradicionais e, depois, a mudança climática, uma questão que ganhou impulso nos últimos três a cinco anos entre os multimilionários” procedentes do mundo da tecnologia, afirmou Bishop.

Os doadores veteranos e as fundações tradicionais também estão cada vez mais comprometidos com a luta contra a mudança climática, mas os novos filantropos buscam maneiras inovadoras de abordar o problema. Os englobados pelo neologismo “filantrocapitalismo” fundem a caridade com um enfoque baseado no mercado para solucionar problemas sociais. Esta geração de filantropos aborda os problemas ambientais investindo em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias “verdes”, redesenhando edifícios para reduzir o consumo de energia e a contaminação, e contribuindo com grupos de ativistas que compartilham a aspiração de conseguir mudanças sociais sem afastar-se do mercado.

Nesse sentido, o Google.org, a fundação do popular site de buscas da Internet, promove o desenvolvimento de um automóvel que funcione com um combustível composto por 85% de etanol e o restante por gasolina. Filantropos preocupados com a sustentabilidade e o aquecimento global pressionam os governos para que se somem a tratados internacionais que regulamentam as emissões de dióxido de carbono. Ao mesmo tempo, informam o setor privado sobre como tirar proveito desses acordos. O dinheiro destinado a causas ambientais não se limita às pesquisas e ao desenvolvimento tecnológico ou a pressionar governos.

Ainda persiste o enfoque mais tradicional: dar dinheiro para organizações ambientalistas como o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais ou Greenpeace através de uma fundação ou associação que destine as subvenções. A revista Grist informou em 2007 que essas doações chegam até a US$ 2 bilhões ao ano. Mas, qual a efetividade, em última instância, dos esforços dos filantropos para produzir mudanças sociais e ambientais em grande escala? Segundo Daniel Faber, professor da Universidade Nordeste em Boston, o dinheiro proporcionado pelos filantropos para proteger o meio ambiente ainda não é usado da melhor maneira para se conseguir esse objetivo.

Faber considera que essas contribuições devem servir para construir um amplo movimento social. “Conseguir um ambientalismo transformador exigirá uma grande base civil. Se tal mobilização não ocorrer, os financistas buscarão soluções mais fáceis. Os enfoques políticos dentro do status quo não prevêem que o ambientalismo mobilize o público de um modo participativo”, disse Faber, que pesquisa e escreve sobre a relação entre as fundações filantrópicas e o movimento pela justiça ambiental, é critico do que chama “enfoque empresarial” para as causas ambientais.

Esse enfoque se concretiza no “filantropocapitalismo” que, segundo ele, continua ignorando os movimentos ambientalistas da sociedade civil. “O problema” dos esforços para desenvolver novas tecnologias amigáveis com o meio ambiente “é a intenção que os investimentos dêem lucro a curto prazo”, explicou. “Se alguém está comprometido com a construção de um movimento de longo prazo, leva um tempo – às vezes cinco, seis, sete anos – muito difícil de ser previsto”, acrescentou.

Matthew Bishop é mais otimista sobre as ações dos filantropos em matéria de sustentabilidade, mas concorda com Faber em suas limitações para incidir na tomada de decisões políticas. “Fazer os governos chegarem a um acordo será muito difícil, devido aos interesses maciços em preservar o status quo. Os políticos estão orientados ao curto prazo. Seguir a rota do governo é muito difícil. Exigirá a construção de informação e pressão públicas”, disse à IPS. A Internet é uma das vias usadas por doadores e grupos de pressão contra governos e empresas para que tomem decisões ambientalmente responsáveis.

Os receptores de fundos filantrópicos têm capacidade para investir nas últimas tecnologias em rede para promover sua causa. O ativismo “não vai a parte alguma sem uma plataforma de comunicação viável”, disse Ethan Orginel, fundador da consultoria Aequus Green Communications, que trabalha com organizações ambientalistas e edita o site Greenbrooklyn.com. segundo Orginel, nos últimos cinco anos houve uma confluência de interesses dentro do movimento ambientalista e deste com os dos filantropos. Ao mesmo tempo, as novas tecnologias deram às organizações capacidade para implementar campanhas virais na Internet para criar consciência. A sustentabilidade e a mudança climática são as pedras angulares desta nova agenda.

Entre essas campanhas, Orginel aponta a Aliança Apolo, dirigida a destinar financiamento do governo norte-americano para um projeto que acabe com a dependência do petróleo e incentive fontes de energia limpas. As ações dessa entidade, que se refere ao Projeto Apolo de exploração espacial dos anos 60 e 70, teve um impacto concreto sobre o público, segundo o consultor. “Nos dois lados do mostrador se entende que é preciso acabar com o petróleo e embarcarmos em uma nova missão Apolo. Fazer com que os norte-americanos falem sobre independência energética tem sido um êxito muito grande”, afirmou.

Mas, Faber disse que o financiamento frequentemente depende de critérios políticos. Citou o exemplo da Fundação Jessé Smith Noyse, que tem dificuldades para conseguir fundos a fim de integrar-se plenamente à revolução das comunicações. Esta fundação é um exemplo de organização que favorece as repostas civis e comunitárias para os problemas de justiça ambiental que organizações de maior porte costumam evitar. Por exemplo, em seu esforço para reduzir a contaminação e o consumo de energia nas atividades do gigante da informática Intel, o grupo incentivou organizações comunitárias a participarem de reuniões de acionistas, chegando a um acordo com a empresa, disse Faber. A gigantesca Fundação Ford optou por não apoiar esse esforço, em um exemplo de como “o mundo da filantropia está perdendo o trem”, ressaltou Faber.


Sam Cassanos, da IPS
Envolverde, 17/09/08
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Dez regras de ouro para uma comunicação sustentável

Assim como parece não haver dúvida de que a preocupação sustentável passou a ser, mais recentemente, fator importante no processo de construção de uma marca, começa a se esboçar um consenso de que o desafio dos planejadores de marca será utilizar, nesse esforço, um marketing também sustentável que considere quatro princípios afinados com a noção de sustentabilidade: a verdade, a clareza, o não-desperdício e a coerência entre o que a marca promete e o que efetivamente entrega. A título de contribuição para os que pretendem fazer uma comunicação consciente e responsável do atributo da sustentabilidade, fica a recomendação de dez regras de ouro:

1) Identidade é tudo, imagem é pouco
O posicionamento deve se basear em identidade clara, persuasiva, verdadeira. Precisa se expressar em idéias fortes e símbolos vivos. Uma empresa sustentável tem uma causa, um propósito que excede o do negócio, mas se expande nele e o legitima, inserindo-se na vida cotidiana das pessoas. O desafio de comunicar a sustentabilidade é, portanto, conferir verdade a essa causa e compartilhá-la com os públicos de interesse e a sociedade.

2) Identidade define a linguagem
A identidade define a linguagem e inspira. Constrói-se a partir de uma missão, uma visão e valores. Traduz o que ela faz para ser sustentável, como ela deseja ser no futuro e em que acredita. Como disse o filósofo francês, Giles Lipovetski, em visita recente ao Brasil, “ética e estética andam abraçadas nesse mundo contemporâneo.” Na comunicação da sustentabilidade, isso vale como regra de ouro.

3) Sustentabilidade são valores
A sustentabilidade se escora em um conjunto de novos valores que devem estar presentes na comunicação: diversidade, transparência, interdependência, respeito aos outros e ao ambiente. Tudo o que se opõe a isso tenderá a ser visto como arcaico. Não tem verdade, não produz confiança. Boa comunicação é a que, de alguma forma, incorpora esses valores na mensagem.

4) Confiança é palavra-chave
Uma comunicação criativa é aquela que consegue gerar confiança nos públicos, que abre janelas em sua percepção, toca algum sentimento positivo, respeita a sua inteligência, mobiliza emoções. Só a confiança constrói relações sólidas. E o que gera confiança num mundo de desconfiados em potencial? Fatos e não promessas, humildade e não arrogância, números e não suposições, políticas concretas e não projetos, práticas e não discursos; convicção e não conveniência, senso de oportunidade e não oportunismo.

5) Primeiro, a lição de casa
Antes de comunicar para fora, a empresa deve fazer a sua lição de casa, informar sobre as políticas, ações e projetos. Precisa envolver os funcionários, fazendo-os se apropriarem da mudança e se sentirem “parte importante” dela, criar cultura para a sustentabilidade, alinhar conceitos e educar as pessoas.

6) Honestidade sempre
Cuidado com as promessas que não podem ser cumpridas ou facilmente contestáveis, seja porque são exageradas seja porque a empresa não está preparada para atendê-las. Sustentabilidade é futuro. Mas o futuro se edifica com atitudes honestas hoje. Comunicar o que não se é, o que não se pode ser ou que não se consegue fazer acaba gerando desconfiança.

7) Menos idealização, mais foco no presente
Cuidado com as idealizações excessivas, as projeções mirabolantes, a grandiloqüência. Os públicos tendem a acreditar no que podem ver e tocar, no que lhes faz sentido hoje. Todo cliente, cada vez mais, quererá se relacionar com empresas/marcas que agem e pensam como indivíduos decentes.

8) O tom humano das mensagens
Substitua o tom distante do “Eu faço, eu sou...” por um mais inclusivo do tipo “Nós fazemos, nós somos...”. Afinal, a única verdade que se tem como absoluta em sustentabilidade é que estamos todos no mesmo barco. O tema deve servir para aproximar as pessoas em torno de uma causa comum e não afastá-las. Elimine também o auto-elogio, o tom relatorial, frio e hierárquico. Prefira um tom mais próximo, sincero e baseado em narrativas que façam sentido para a vida das pessoas. Evite, por outro lado, a linguagem seca, áspera, impessoal. Não se está falando de algo “empresarial”, fora do universo humano. Mas do próprio humano que há no empresarial

9) A simbologia
Transmita otimismo, fé na vida, altruísmo, respeito ético pelo ambiente e pelas pessoas. Valorize o que é diverso. Venda o sentimento de que não se sabe tudo, mas se quer aprender. Não intime a participar, convoque vontades. Mostre gente com cara de gente, meio ambiente próximo. Dê aos receptores da mensagem a possibilidade de reconstruí-las simbolicamente, de se apropriar delas, de se identificar com o que é comunicado.

10) Sobre Transparência
Preste contas. Para cada fato apresentado na comunicação, apontes evidências. Mostre que cada ação, projeto ou programa integram o conjunto de políticas sustentáveis da empresa, que são parte de um todo, uno e integrado; que dizem respeito à missão, à visão e aos valores; que evocam a identidade da organização. Só a coerência supera a tendência à desconfiança das pessoas em relação à honestidade dos atos sustentáveis por parte das empresas.


Ricardo Voltolini, da Revista Idéia Socioambiental
ricardo@ideiasustentavel.com.br
Envolverde, 07/09/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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5 Perguntas a Philip Kotler

Lenda viva quando o assunto são estratégias de marketing, Philip Kotler é o autor do clássico Administração de Marketing (ed. Prentice Hall Brasil), atualmente em sua 12ª edição no Brasil. Entre seus títulos recentes estão Gestão de Marcas em Mercados B2B, Construção de Biomarcas Globais, Marketing Esportivo e Marketing no Setor Público (todos, ed. Bookman). O professor da Kellogg School, da Northwestern University, fala a seguir sobre os maiores desafios do marketing atual e como vencê-los.

Quais são os principais desafios que os gestores de marketing enfrentam nos dias de hoje?
É cada vez mais difícil chegar até as pessoas, conseguir um nanossegundo da atenção delas. Outro desafio é comprovar o retorno do investimento: qual a eficácia de um comercial de 30 segundos? E da mala direta? Também ficou mais complicado nos diferenciarmos daqueles que copiam nossos produtos. Há uma crescente "comoditização" da oferta e, por isso mesmo, o cliente decide pelo preço.

Mensagem criativa e grandes investimentos em publicidade já não ajudam muito nesses desafios. Que estratégias de marketing podem ajudar?
Podemos olhar para as empresas vencedoras. Uma boa estratégia é cobrar o menor preço e oferecer grande valor, como fazem Wal-Mart, Costco, Ikea e Southwest Airlines. Elas encontraram formas inovadoras de baixar os custos operacionais e, com isso, puderam reduzir o preço final - há muitos produtos que as pessoas compram em função do preço. Outra estratégia vencedora é oferecer produtos de qualidade excelente, os melhores de sua categoria. Os automóveis da Toyota e os detergentes da Procter & Gamble são dois exemplos. Há, ainda, empresas que se distinguem por uma cultura da criatividade nos produtos, como 3M ou Sony.

Um modelo de negócio inovador pode ser, em si, uma proposta de marketing?
Certamente. Basta pensar no sucesso das livrarias com mesas e cadeiras para sentar-se e tomar um café, que funcionam como ponto de encontro entre amigos ou como local de palestras e shows.

Que características o marketing experiencial deve ter para ser eficaz?
No caso de um produto, o design desempenha papel importante, porque é vital que se leve em conta cada um dos passos na experiência de uso: desde o momento em que o cliente abre a embalagem de um computador, por exemplo, até quando lê o manual e liga a máquina. Se uma empresa vende roupas para prática de esportes ao ar livre, pode construir em suas lojas uma parede para escalar, para que o cliente experimente a roupa em situações reais.

Qual é a idéia de marketing mais atraente dos últimos tempos?
Gosto do buzz marketing, que é a recomendação boca a boca. Não que isso seja novo em si: vem de tempos imemoriais, quando a serpente disse a Eva que comesse a maçã e ela, por sua vez, sugeriu o mesmo a Adão. A novidade é que agora se trata de uma prática organizada. A Procter & Gamble, por exemplo, oferece amostras grátis de seus novos produtos a centenas de mulheres, com a condição de que os divulguem entre suas amigas se gostarem deles e que os esqueçam se não gostarem.


HSM Management nº 69, 17/09/2008

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terça-feira, 16 de setembro de 2008

Nokia é nova líder do relatório 'verde' do Greenpeace

Sony e Sony Ericsson perdem a liderança para a fabricante, que se destacou pela melhoria em sistema de reciclagem de eletrônicos

A Nokia foi eleita a empresa de tecnologia mais verde da 9ª edição do The Greener Electronics Guide, do Greenpeace, divulgada nesta terça-feira (16/09). Com 7 pontos em pontuação máxima de 10, a empresa se destacou pelo sistema de reciclagem de eletrônicos, que na última edição do estudo, apresentava problemas e deixou a empresa em 3º lugar.

Esta edição do estudo possui um novo critério, voltado a eficiência energética, no qual alguns produtos da Nokia foram contemplados. Com a mesma excelência na categoria estão a Apple, Sony Ericsson e Samsung.

No ranking, logo após a Nokia estão a Samsung, com 5,7 pontos e a Fujitsu-Siemens, com 5,5 pontos - salto direto do 15º lugar para a terceira posição do relatório, após prometer eliminar PVC e BFRs de seus produtos até 2010. A Sony Ericsson veio em seguida, com 5,3 pontos, empatada com a Sony - as empresas dividiam o 1º lugar na 8º edição do guia.

O estudo mostra, contudo, que os fabricantes de PCs ainda não conseguiram criar um computador sem PVC (poli cloreto de vinila) e retardantes de chamas (BFR), embora fabricantes de eletrônicos que consigam produzir pequenos gadgets sem estas químicas.

Embora a Apple tenha anunciado uma nova linha de iPods mais 'verde', sem PVC, BFRs e mercúrio, o Greenpeace continua infeliz com outros aspectos de seus produtos, como o custo do case que torna mais fácil a substituição do produto à troca da bateria. A fabricante alcançou 4,1 pontos.

A Nintendo continua em uma posição ruim, com apenas 0,8 ponto e, acima dela, está a Microsoft, com 2,2 pontos.


Por IDG News Service, França
Computerworld, 16/09/08

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Cidades 'encolhem' e perdem verba federal

Paulo Ziulkoski, da CNM: impacto violento para os pequenos municípios
Foto Fabio Pozzebom/ABr


Em 2006, a paranaense Santa Tereza do Oeste, que fica a 523 quilômetros a oeste de Curitiba e faz limite com o território do Parque Nacional do Iguaçu, tinha 14.181 habitantes, era produtora de grãos e possuía forte atividade pecuária. Um ano depois tudo continuava igual, menos o tamanho da população, que caiu 33,7%, para um total de 9.378 moradores.

A mudança não foi conseqüência de um êxodo repentino ou de alguma tragédia que disseminou mais de um terço da população da cidade no período de um ano. Foi, na verdade, resultado de um censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que no ano passado fez a contagem da população de localidades com até 170 mil habitantes. O levantamento censitário corrigiu supostas distorções na população estimada pelo próprio órgão em períodos anteriores.

O impacto para Santa Tereza do Oeste, porém, não se limitou a uma simples mudança em um de seus dados geográficos oficiais. O número de habitantes é o único critério utilizado para calcular a fatia de cada cidade do interior nos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), principal transferência obrigatória feita pela União às prefeituras. A população medida em um ano é usada para a distribuição de recursos do fundo no período seguinte.

Com a queda brusca de população de um ano para outro, o coeficiente de participação do município paranaense caiu de 1 em 2007, para 0,6 em 2008. De janeiro a agosto de 2008, Santa Tereza recebeu R$ 2,53 milhões em recursos do fundo. No mesmo período do ano passado, a prefeitura havia recebido R$ 3,62 milhões. A queda nominal de 29,96% chama mais atenção ainda num momento em que o repasse consolidado da União aos municípios tem aumentado. De janeiro até agosto de 2008, o total dessas transferências aumentou 22,9% em termos nominais (ver texto ao lado).

Santa Tereza do Oeste não é o único lugar que está deixando de aproveitar o aumento dos repasses obrigatórios da União. No ano passado, o resultado da contagem de população nos municípios com até 170 mil habitantes surpreendeu o IBGE por indicar um número de habitantes menor do que o esperado. E surpreendeu também, segundo o órgão, um total de 444 municípios espalhados pelo interior do país que apresentaram redução na fatia de recebimento dos repasses da União por conta da queda no número de moradores.

O IBGE não faz o censo com contagem de população todos os anos. Isso é feito a cada cinco ou dez anos. Quando não há contagem, o IBGE solta estimativas de população para cada um dos municípios. As estimativas são baseadas nas tendências apontadas nos censos e são também usadas para definir, a cada ano, a participação nas transferências da União.

O órgão divulgou no início do mês as novas populações estimadas para 2008 e que deverão ser levadas em consideração para o cálculo do repasse do fundo no próximo ano. Dos 444 municípios que perderam fatia em 2008, 148 conseguiram aumentar o coeficiente de participação para o ano que vem. Dois municípios, porém, segundo o IBGE, terão em 2009 nova redução de participação.

Santa Tereza do Oeste é uma das 294 cidades que continuarão em 2009 com o mesmo coeficiente reduzido de 2008. Como o IBGE concede 20 dias para a contestação, as prefeituras ainda podem solicitar um recálculo. A secretária de Finanças do município, Vera Biss, explica que Santa Tereza entrou com recurso na contagem de 2007, mas não teve sucesso. A redução na fatia do fundo faz muita diferença para a cidade, que tem nos recursos da União praticamente metade de seu orçamento total.

"O impacto da redução da participação no FPM é violento para os pequenos municípios , que têm alta dependência das transferências", diz Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Ele lembra que a redução de população também repercute em outros recursos da União, como os destinados à saúde, cujos critérios de distribuição são baseados em número de habitantes.

Vera explica que a queda provocou em Santa Tereza corte de investimentos e de programas na área de saúde. A prefeitura, que programava entregar 300 casas populares até o fim do ano, cortou o projeto habitacional para 150 moradias. Exames de saúde antes financiados pela prefeitura também foram comprometidos, além de obras na área de educação, como a construção de um centro de ensino integral, diz ela.

Vera contesta a contagem do IBGE. Segundo ela, a cidade tem pelo menos 10,2 mil pessoas, o que permitiria à Santa Tereza sair do menor coeficiente existente, de 0,6, para 0,8. O município, porém, não recuperaria o coeficiente de 1,0, que detinha em 1997. "Vamos entrar com ação judicial sobre o assunto", diz ela. Antes, porém, explica, a administração procura reunir os dados para comprovar que tem número de habitantes suficiente para elevar a participação nos recursos da União. "Estamos preparando os dados, como a população cadastrada no SUS da cidade", diz ela, referindo-se ao atendimento de saúde público no município.

Outros municípios prometem acompanhar o movimento de ida ao Judiciário. Valentim Gentil, cidade do extremo norte do interior paulista, deve ser um deles, diz o prefeito, Liberato Rocha Caldeira (PP). A cidade, que na estimativa do IBGE tinha 10.601 habitantes em 2006, ficou na contagem de 2007 com 9.408 moradores, o que fez a participação no fundo cair de 0,8 para 0,6. "Isso é uma irresponsabilidade. Estamos perdendo mensalmente entre R$ 80 mil e R$ 100 mil mensais", diz. Segundo ele, a receita do município é de R$ 800 mil ao mês. "A contagem do IBGE está errada", argumenta.

Segundo ele, a prefeitura contratou pesquisa de uma empresa de publicidade de Votuporanga que indica que o município tem 11 mil habitantes. Essa população, diz, pode ser provada com base no número de eleitores e de pessoas atendidas pelo serviço de saúde local. "O IBGE diz que encontrou mais de 400 casas fechadas. Mas as pessoas da casa estavam trabalhando durante o dia. Se tivessem voltado depois, à noite, teriam visto que há moradores lá." Pela nova estimativa, que valerá para a distribuição dos recursos em 2009, Valentim Gentil continuará com o coeficiente reduzido, de 0,6.

Situada na região de Araraquara, a cidade de Bady Bassitt foi um dos 148 municípios que conseguiram recuperar para 2009 ao menos parte do coeficiente de participação que perderam em 2008. A informação, porém, não deixa completamente satisfeito o prefeito Airton Silva Rego (PSDB). Ele diz que também irá ao Judiciário para recuperar um total de R$ 1,5 milhão que está deixando de receber em 2008 em função da queda de coeficiente de 1,0, no ano passado, para 0,8 neste ano. O orçamento de 2008, informa, previa uma receita de R$ 6,1 milhões em repasses da União. Com a queda na participação, Bady Bassitt terá R$ 4,7 milhões. O orçamento total da prefeitura é de R$ 16 milhões.

Rego diz que, caso a Justiça não lhe garanta o recebimento da diferença pleiteada, o prejuízo às contas da prefeitura irá além do corte de gastos. "Corremos um sério risco de fechar 2008 descumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal", diz. Segundo ele, as despesas acima do nível de receitas do ano darão um saldo de restos a pagar para 2009. Para o prefeito, a contagem do IBGE foi na "contramão da realidade".

"A população do município não está diminuindo. Na verdade, é crescente. Temos atualmente seis loteamentos em construção e não há mais espaços vazios a serem ocupados na cidade", conta o prefeito. Ele diz que a prefeitura de Bady Bassitt chegou a ser reconhecida pela confederação dos municípios por seu alto índice de responsabilidade fiscal e social. "No ano passado investimos na saúde 40% a mais do que o gasto obrigatório. Este ano teremos redução de 25% nos investimentos, principalmente na área social."


Marta Watanabe
Valor Online, 16/09/08

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Ganho financeiro supera renda do trabalho

Participação de juros, aluguéis e lucros na renda do Brasil cresceu 34,6%, enquanto fatia de remuneração de empregados caiu 19,8%

Juros, aluguéis e lucros foram os itens da renda brasileira que mais cresceram desde a última década, superando o rendimento dos trabalhadores. Os ganhos financeiros representavam, em 1990, 38,4% na renda nacional — um dos componentes do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2003, o peso havia subido para 51,7%. A remuneração das pessoas ocupadas apresentou tendência inversa e passou a ser a parte menor do bolo: caiu de 53,5% para 42,9%.

Os dados constam do relatório Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente – A experiência brasileira recente, lançado em 8 de setembro por três agências da ONU: CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), OIT (Organização Internacional do Trabalho) e PNUD.

O relatório mostra que a participação da remuneração dos trabalhadores no total de ganhos do Brasil caiu 19,8% entre 1990 e 2003. Nos últimos três anos abordados no estudo, acumulou três quedas. Na direção contrária, os ganhos com juros, aluguéis e lucros (chamados de “excedente operacional bruto”) têm tido forte crescimento — o peso aumentou 34,6% no período e cresceu continuamente nos últimos quatro anos analisados.

Os dois fatores fazem parte da distribuição funcional da renda, que é composta ainda por um terceiro item — o ganho dos autônomos, cuja parcela no bolo total também declinou: de 8,1% da renda para 5,4%. Os dados são das Contas Nacionais, calculadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Esse cenário indica, conforme o relatório, que os ganhos com o crescimento do PIB e os benefícios que as empresas brasileiras tiveram com melhoria de tecnologias podem não ter sido repassados, na mesma proporção, aos trabalhadores. O estudo sugere que “a melhoria na distribuição funcional depende de políticas distributivas de renda e, talvez ainda mais essencialmente, das condições em que os ganhos de produtividade são transmitidos aos trabalhadores. O comportamento das variáveis relevantes para essa transmissão foi pouco favorável aos trabalhadores no período aqui estudado”.

Os dados só foram analisados até 2003 devido a mudanças de metodologia no cálculo do PIB, o que influencia diretamente os números. “De qualquer modo, os dados divulgados pelo IBGE com a nova metodologia mostram que, nos anos mais recentes, a distribuição funcional passou a manter relativa estabilidade na repartição entre rendimentos do trabalho e excedente operacional bruto”, assinala o estudo.

Desigualdade de renda no trabalho
Apesar de a fatia da renda nacional relacionada com os ganhos dos trabalhadores ter diminuído, outros indicadores no estudo mostram que, embora muito elevada, a concentração de renda do trabalho caiu nos últimos anos. Essa concentração é medida pelo índice Gini para o rendimento mensal: quanto mais perto de zero, menor a concentração de renda. De 1992 a 2006, o índice caiu de 0,571 para 0,541, uma melhora de 5,2%.

“Contribuíram para essa melhoria na década atual o comportamento favorável do mercado de trabalho e a elevação do poder de compra do salário mínimo. (...) a razão óbvia é que o rendimento do trabalho é decisivo para a renda das famílias”, destaca o relatório.

Apesar disso, o rendimento médio do trabalhador só tem aumentado recentemente. O relatório mostra que ele chegou a R$ 999 em 1996 (ponto mais alto desde 1992), caiu para R$ 807 em 1994, para se recuperar, gradualmente, e chegar a R$ 904 em 2006.


Tiago Mali
da PrimaPagina
Boletim PNUD Brasil, 15/09/08

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Publicação e portal fortalecem a construção de redes intersetoriais

Organizações da sociedade civil (OSCs) e segmentos do setor público e empresas privadas em um mesmo ambiente virtual. Interagindo, trocando informações sobre mobilização de recursos, descobrindo novas possibilidades para o fortalecimento das ações sociais e das ONGs.

Ao mesmo tempo, uma publicação que faz uma análise de programas de qualificação de organizações não-governamentais da região Nordeste, no desenvolvimento de suas estratégias de sustentabilidade e construção da sua base social de apoio local.

Esses são os projetos que serão lançados nesta terça-feira (16), às 15h, em Recife, Pernambuco, pela Aliança Interage, entidade que reúne organizações de cooperação internacional, fundações e institutos privados com a missão de criar condições para o fortalecimento institucional do tecido social do nordeste brasileiro.

Homônimos, o portal e a publicação fazem parte de um trabalho em que se destaca a questão da sustentabilidade das organizações da sociedade civil, na definição de planos de longo prazo, principalmente para as tradicionais do campo da defesa e promoção de direitos.

Via Web
Os participantes do Portal terão acesso a informações sobre cursos, oficinas, editais para acesso a recursos, publicações, sistematizações e outras fontes. Poderão criar, ler e comentar notícias, formar parte de comunidades; conhecer projetos sociais desenvolvidos por ONGs e principalmente discutir sobre Mobilização de Recursos com entidades parceiras, profissionais especialistas dessa temática e representantes de outras entidades.

Segundo o secretário executivo da Aliança Interage, Rubén Pecchio, o Portal Mobilizar se propõe a abrir canais para potenciais construções solidárias, parcerias e outros apoios que hoje descortinam tanto no cenário de organizações do poder público, como também no segmento empresarial ou mesmo de cidadãos que se mobilizam para intervir em ações sociais junto com ONGs.

“Será uma oportunidade que as organizações terão para discutir o tema Mobilização de Recursos, divulgar seus projetos, compartilhar e conquistar novos aliados estratégicos para suas causas de inclusão social,” complementa Rubén. A meta da ferramenta é consolidar-se como referência disseminadora sobre esse tema, através da base de conhecimentos que apresenta e que permite ir estruturando pelo uso dos seus usuários.

O debate sobre Mobilização de Recursos acontece na comunidade Reflexão Política (administrada pela Interage) a qual conta com o apoio do sociólogo, Mestre em Ciência Política (UFRGS) e consultor em Desenvolvimento Institucional, Domingos Armani que desenvolveu um planejamento temático focado nos principais desafios das OSCs.

Outras comunidades administradas pela Aliança são: Biblioteca Mobilizar, a qual reúne publicações, relatórios e sistematizações de práticas disponíveis para download pelos participantes do Portal; Banco de Oportunidades, comunidade que traz informações sobre editais de acesso a recursos, sejam estes recursos privados ou fundos públicos, vagas de trabalho no setor social; Organizações e Projetos apresenta um perfil de ONGs e seus respectivos projetos de desenvolvimento social. Nesta seção, pessoas e interessados poderão fazer contato com estas organizações para oferecer apoios ou colaborar solidariamente.

A disponibilização do portal foi possível graças ao apoio da Fundação AVINA e do Centro de Estudos de Sistemas Avançados do Recife, CESAR, que projetou a plataforma base do portal A.M.I.G.O.S. – Ambiente Multimídia para a Integração de Grupos e Organizações Sociais, ferramenta inteligente que se estrutura pelo uso de seus participantes.

Publicação
O livro “Mobilizar - A Experiência do Programa de Formação em Mobilização de Recursos” traz uma análise das duas edições do Programa Mobilizar, desenvolvido pela Aliança Interage, destinado a qualificar ONGs desenvolvimento de suas estratégias de sustentabilidade.

Cada edição do Programa Mobilizar teve duração de aproximadamente 14 meses. Vinte e seis organizações passaram por um processo de aprendizagem em oficinas temáticas sobre: Planejamento Estratégico e Mobilização de Recursos, Fontes de Financiamento e Parcerias; Estrutura Organizacional e Controles Internos versus Mobilização de Recursos, Comunicação e Fundos Públicos, Indicadores de Sustentabilidade e Governança.

O livro foi organizado pelo diretor executivo do Instituto Fonte, Rogério Silva. De acordo com ele, o leitor irá encontrar um relato honesto de uma experiência, através da leitura política de conceitos para a sustentabilidade das ONGs. “A publicação oferece elementos para pensar processos de sistematização, como dicas metodológicas, e um relato de lições aprendidas com o Programa. Essa será uma ferramenta útil para outros gestores, educadores e empreendedores sociais que estão ajudando o Brasil a ser um país mais justo, solidário e sustentável”, complementa Rogério.

Serviço: Para ter acesso ao conteúdo do Portal Mobilizar, os interessados devem cadastrar-se através do endereço eletrônico: http://portalmobilizar.cesar.org.br e clicar no link “Cadastre-se Agora”, para preencher o formulário. O acesso é gratuito. O participante do portal irá ter sua home page própria, com descrições do seu perfil, na qual ele poderá ter acesso às notícias e comunidades postadas por ele e por outros participantes.

Lançamento
Local: Livraria Cultura.
Data: 16 de setembro de 2008.
Hora: 15h.
End. R. Madre de Deus, S/N, Bairro do Recife (ao lado do Paço Alfândega), Recife, PE.


redeGIFE Online, 15/09/08

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Fundação Nestlé destinará R$ 700 mil a ações sociais

A principal promoção da Nestlé para este ano, denominada Nestlé Torce por Você, destinará R$ 700 mil a projetos sociais por meio da Fundação Nestlé Brasil. O objetivo da iniciativa é estimular o atendimento a crianças e adolescentes com programas voltados à educação alimentar ou para a promoção da prática de esportes, como forma de alcançar uma vida saudável.

A fundação demonstra interesse em apoiar projetos que indiquem impacto em longo prazo e possuam estratégia de continuidade e sustentabilidade após o término do investimento; que tenham princípios pedagógicos claros; apresentem um diagnóstico da situação nutricional das crianças e adolescentes atendidos, além de ter um cronograma viável para a implementação das ações.

Para se inscrever e conhecer o edital é necessário acessar o site www.nestle.com.br/torceporvoce.

A mecânica da promoção Nestlé Torce por Você é simples. A cada R$ 7,00 em compras de produtos Nestlé nas redes participantes da campanha o consumidor recebe um código (emitido na própria nota fiscal da compra) que deve ser enviado via mensagem de texto (SMS) para o número 70000. Em seguida, o participante receberá um SMS confirmando a sua participação na promoção e será informado se foi contemplado com um dos prêmios instantâneos.

Serão sorteadas 1.200 camisas exclusivas dos 20 clubes da primeira divisão, além dos sete clubes de maior torcida da segunda divisão (Avaí, Bahia, Ceará, Corinthians, Fortaleza, Paraná e Ponte Preta), R$ 70 mil durante 12 semanas, viagens com acompanhante para conhecer o centro de treinamento do time do coração, além do grande prêmio final no valor de R$ 700 mil. Os residentes das cidades que sediam os jogos do Brasileirão 2008 poderão ganhar todos esses prêmios e, ainda, ingressos em setores especiais dos estádios para torcerem por seus times.

A Nestlé incentiva ainda os clubes a realizar partidas com baixo número de faltas e poucos cartões amarelo e vermelho. A equipe que apresentar, ao final do Brasileirão 2008, o melhor Fair Play nos 80 jogos da promoção será recompensada com um prêmio de R$ 70 mil. Ganhará a equipe que apresentar a menor média ponderada de cartões recebidos.


redeGIFE Online, 15/09/08

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Abrinq seleciona projetos para o Programa Nossas Crianças

O Programa Nossas Crianças da Abrinq mobiliza e articula recursos técnicos e financeiros da sociedade civil que possibilitem um atendimento de qualidade a crianças e adolescentes em organizações sociais. As inscrições para a seleção de projetos para receber financiamento com repasse de recursos por um período de até dois anos estão abertas até o próximo dia 30.

Este processo seletivo amplia a área de atuação geográfica do Programa para além da Região Metropolitana de São Paulo, incluindo os municípios da Região Metropolitana da Baixada Santista, Região Metropolitana de Campinas e os Estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba e o Distrito Federal. O prazo de vigência destes convênios será de 02 anos (fevereiro de 2009 a janeiro de 2011).

Podem participar da seleção, as organizações da sociedade civil que cumprirem os critérios de participação do Programa Nossas Crianças e os projetos apresentados devem oferecer atendimento direto para crianças e adolescentes em projetos voltados para:
educação infantil, erradicação do trabalho infantil, medidas socioeducativas em meio aberto (liberdade assistida e prestação de serviços à comunidade) e programas de aprendizagem para adolescentes.

Saiba quais os tipos de atendimento para financiamento em seu Estado.

Para participar, os inscritos devem cumprir os critérios de participação de projetos.

O recurso financeiro deve ser utilizado em gastos diretos com a criança ou adolescente e os projetos apresentados devem conter a proposta de ampliação do número de atendidos ou implantação de novo atendimento.

O processo seletivo acontece em cinco etapas:
1. Análise e triagem dos projetos inscritos pelas organizações sociais, pela equipe técnica do Programa Nossas Crianças;
2. Recebimento e análise de documentação dos projetos aprovados na fase 1 e análise dos projetos aprovados na fase 1;
3. Visita da equipe do Nossas Crianças as organizações sociais, com projetos aprovados na fase 2 e parecer técnico dos projetos pré finalistas;
4. Aprovação dos projetos finalistas pela equipe técnica da Fundação Abrinq e comunicação aos selecionados;
5. Assinatura de convênio com as organizações com projetos aprovados.

A organização social só poderá apresentar um projeto por processo seletivo, e o Programa Nossas Crianças só aceitará propostas inscritas no sistema de cadastramento de projetos.

Também deve ser enviado ao Programa por correio, preferencialmente carta registrada ou SEDEX, cópias simples dos seguintes documentos da organização social aprovada na fase 1:
· Estatuto Social;
· Ata de Eleição da última diretoria;
· Ata de Constituição do núcleo onde será desenvolvido o projeto;
· Registro no CMDCA;
· Cartão do CNPJ;
· Certidão Negativa de Débito fornecida pelo INSS;
· Para projetos de Programas de Aprendizagem de Adolescentes deve ser incluída carta de compromisso da organização social comprometendo-se a realizar a formação teórica e profissional para os adolescentes atendidos pelo projeto e indicando as empresas parceiras nas quais os aprendizes realizarão a formação prática do programa de aprendizagem.

O repasse financeiro às organizações aprovadas no processo seletivo ocorrerá através de depósito bancário em conta corrente do Banco Bradesco. Portanto, a organização aprovada que não possuir conta neste banco, precisará comprovar a abertura da conta até JANEIRO/09.

As organizações sociais da Rede Nossas Crianças, só poderão encaminhar projetos de núcleos que ainda não foram conveniados ao Programa e que possuam CNPJ próprio.

O Nossas Crianças também segue critérios para analisar os projetos enviados pelas organizações sociais. Saiba como os projetos são avaliados.

Prazos
. Inscrição de projetos – de 01 a 30 de setembro de 2008;
. Envio de documentação dos projetos aprovados na fase 1 – 1ª quinzena de Outubro de 2008.
. Visita aos projetos aprovados na fase2 – 2ª quinzena de Outubro e 1ª quinzena de Novembro de 2008;
. Seleção dos finalistas e cumprimento de exigências documentais (comprovação de conta corrente no Banco Bradesco) – 2ª quinzena de Novembro de 2008 a Janeiro de 2009.
. Assinatura de convênio – Fevereiro de 2009.


Fonte: Site da Abrinq

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Sociedade civil organizada deve apoiar cobertura da imprensa

A pergunta foi pontual: a grande imprensa tem como política mostrar as propostas dos movimentos sociais para as eleições municipais? A resposta dada pelos especialistas convidados ao Diálogos da J-Aliança, foi um sonoro não, seja para questões locais, seja para políticas nacionais.

O evento, promovido pela Aliança Internacional de Jornalistas, em São Paulo, no entanto, não pode ser considerado pessimista. Jornalistas como Florestan Fernandes Jr., diretor do Departamento de Jornalismo da TV Brasil, Antonio Martins, do Le Monde Diplomatique, Verônica Goyzueta, presidente da Associação dos Correspondentes Estrangeiros e Guto Camargo, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de SP, mostraram como é importante a sociedade civil organizada apoiar a mídia na busca pela imparcialidade e objetividade.

Segundo eles, apenas com o apoio de movimentos sociais será possível uma cobertura mais transparente, não apenas para as eleições, mas para uma gama variada de assuntos. “A última eleição presidencial foi a primeira vez que a sociedade civil respondeu imediatamente à manipulação de dados feita pelos grandes meios de comunicação”, lembrou Florestan Fernandes.

O diretor da TV Brasil acredita que as emissoras de TV e rádio, tal como a imprensa escrita, têm interesses políticos e econômicos para defender ou rechaçar um determinado candidato ou político (e sua plataforma). “Imprensa livre no Brasil é um sonho”, afirmou.

A conseqüência direta dessa ação, além do benefício ao político, é dar as costas ao bem público em prol de interesses privados. É nesse ponto que organizações sociais podem pressionar para que essas relações sejam mais claras.

Por outro lado, as decisões sobre o que publicar ou não dependem da estrutura hierárquica da própria empresa de comunicação, relegando ao jornalista-repórter um papel muito pequeno na edição do material. “Existe uma relação de poder assimétrica entre o meio de comunicação e o jornalista, que deve fazer o que a direção impõe”, criticou Guto Camargo.

Nesse contexto, a articulação com movimentos sociais levaria a uma dupla vantagem: fortaleceria a figura do repórter, ao mesmo tempo em que forneceria mais dados e informações para a produção de matérias. Isto é, legitima o jornalista e melhora a qualidade de seu trabalho.

Em uma visão mais prática, é possível dar como exemplo as propostas dos candidatos. “Qual é o trabalho da imprensa? A cobertura deve mostrar se determinada promessa é possível de ser implementada. Sobre como as organizações locais vêem os projetos e os impactos nas regiões beneficiadas”, argumentou Verônica Goyzueta.

No entanto, as relações entre movimentos sociais e imprensa não são simples. A complexidade da utilização de informações, principalmente em ano eleitoral, assombra as redações. “Dar voz à sociedade civil pode ser interpretado como campanha contra, de forma eleitoreira”, avaliou o diretor do Núcleo de Sorocaba da Aliança Internacional de Jornalistas, Hélio Rubens.

Antonio Martins, do Le Monde Diplomatique, questionou também a motivação do próprio jornalista. “Ainda é pouco destacada a rede de organizações da sociedade civil”. Ele apontou como exemplo a cobertura da mídia sobre a redução dos índices de criminalidade no bairro Jd. Ângela, zona Sul de São Paulo.

Depois que o Jardim Ângela foi considerado a região mais violenta do planeta, iniciou-se ali, em 1996, uma mobilização liderada pelo padre irlandês Jayme Crowne. Surgiu o Fórum de Defesa da Vida, que aglutina centenas de entidades. Dessa pressão, foram criadas ali cinco bases de policiamento comunitário. Como os policiais tinham de conviver com a população, ganharam confiança e receberam informações sobre quem eram e onde estavam os criminosos. O resultado: sua taxa de homicídios caiu em 75%, entre 1991 e 2005.

“Quase não há cobertura da grande imprensa sobre essas redes sociais. O que se vê são os dados da Secretaria de Segurança Pública”, criticou Martins.

São Paulo
Durante o evento, a jornalista Luanda Nera, uma das responsáveis pela área de comunicação do Movimento Nossa São Paulo, mostrou como é possível trabalhar para melhorar a cobertura jornalística. A iniciativa, que reúne cerca de 500 organizações da sociedade civil, lançou no início deste ano o Observatório Cidadão.

Trata-se de 158 indicadores econômicos e sociais da cidade com resultados divididos resultados entre as 31 subprefeituras da capital. A análise dos dados levou a outra proposta do movimento: cerca de 1.500 propostas de governo entregues aos candidatos à Prefeitura de São Paulo.

As propostas foram apresentadas pelas organizações da sociedade civil que participaram de uma série de debates que duraram quatro meses. O documento não aponta quais devem ser as prioridades da próxima gestão, mas relaciona as idéias levantadas pela própria sociedade.

Embora o princípio da proposta seja mais transparência e controle social, as possibilidades para a cobertura de imprensa são ilimitadas. Ao mesmo tempo em que reúne dados sobre o município, o movimento torna-se uma espécie de guia de fontes na hora de elaborar a matéria.

“Fazemos um trabalho didático com jornalistas que buscam essas informações. Mastigamos os dados para eles usarem nas matérias. Muitas vezes, os direcionamos para as pautas mais importantes”, afirmou Luanda.

Em tempo: o movimento já conseguiu, no ano passado, a aprovação na Câmara Municipal de uma emenda à Lei Orgânica do Município que determina que todos os prefeitos apresentem, no primeiro trimestre da gestão, um plano de metas quantitativas para cada setor e para cada subprefeitura.


Rodrigo Zavala
zavala@gife.org.br
redeGIFE Online, 15/09/08

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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Brad Pitt e Angelina Jolie doam US$ 2 milhões para a saúde na Etiópia

Angelina Jolie segura a filha Zahara, que nasceu na Etiópia

Os atores Angelina Jolie e Brad Pitt doaram US$ 2 milhões (R$ 3,6 milhões) para financiar operações de saúde na Etiópia, onde nasceu um dos filhos adotados do casal, anunciou nesta segunda-feira a organização favorecida, o Global Health Committee (GHC).

"O GHC receberá US$ 2 milhões da fundação Jolie-Pitt para fornecer medicamentos aos etíopes portadores do vírus da Aids e da tuberculose", destacou a ONG em comunicado.

"O dinheiro será utilizado para construir na capital, Addis Abeba, um centro para as crianças com Aids e tuberculose, e para ajudar a criar um programa para curar os casos de tuberculose resistente aos remédios que afetam as crianças e os adultos", segundo o texto.

Um centro semelhante, também financiado pela fundação criada por Brad Pitt e Angelina Jolie, já existe no Camboja, outro país de nascimento de um dos filhos adotados do casal.

"A idéia é que o centro da Etiópia tenha o mesmo sucesso que o do Camboja", afirmou a atriz.

A clínica de Addis Abeba será batizada Zahara, em homenagem à filha etíope do casal. "Esperamos que quando crescer, Zahara assuma suas responsabilidades e dê prosseguimento a missão desta clínica", explicou Brad Pitt.

No fim de junho, a fundação Jolie-Pitt doou um milhão de dólares à educação de crianças afetadas pela guerra no Iraque.

Brad Pitt e Angelina Jolie têm seis filhos, três deles adotados. A atriz é embaixadora de boa vontade para a Unicef, e seu marido participou de ações de reconstrução na Louisiana (sul dos EUA) após a passagem do furacão Katrina, em 2005.


da France Presse, em Los Angeles
Folha Online, 15/09/08

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Programa busca fomentar ecoturismo em unidades de conservação

Atualmente 3,5 milhões de pessoas visitam, todos os anos, as unidades de conservação ambiental brasileiras, que somam 64 em todo o país. No entanto, a maior parte dos visitantes vai a apenas duas unidades: os Parques Nacionais do Iguaçu e da Tijuca. Para ampliar o acesso, os Ministérios do Turismo e do Meio Ambiente e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade lançaram nos sábado (13) o programa Turismo nos Parques, no Rio de Janeiro.

No primeiro momento, seis unidades de conservação receberão cerca de R$ 28 milhões em investimentos dos dois ministérios. Os contemplados são os Parques Nacionais de Aparados da Serra (SC/RS), da Chapada dos Veadeiros (GO), dos Lençóis Maranhenses (MA), da Serra dos Órgãos (RJ), do Jaú (AM) e da Serra da Capivara (PI).

“É a oportunidade de a sociedade conhecer, entender melhor por que se conserva, entender melhor o trabalho de proteção das unidades de conservação e ter acesso às belezas maravilhosas que podem ser vistas nessas unidades”, disse o presidente do Instituto Chico Mendes, Rômulo Mello.

Ele não soube estimar em quanto a visitação nessas áreas pode aumentar, mas informou que, em todas, o Ministério do Turismo vai investir na infra-estrutura do entorno dos parques para possibilitar hospedagem e melhorias nas condições de acessibilidade. Para Mello, o aumento do número de turistas não vai prejudicar as unidades de conservação.

“O turismo que é praticado dentro das unidades de conservação é um turismo orientado, em que as pessoas visitam a unidade, entendem o processo de conservação. A partir dessa visitação, podem melhor desenvolver atividades no que diz respeito ao seu comportamento fora da unidade, porque na unidade você desenvolve uma atividade de turismo que é efetivamente sustentável e que respeita todos os parâmetros de qualidade ambiental”, defendeu.

Nos Estados Unidos, há cerca de 390 áreas conservadas, das quais 58 são consideradas parques nacionais. Lá, o número de visitantes é muito maior. “É um país que obviamente tem grandes áreas protegidas, mas eu diria que não tem as belezas naturais que nós temos e tem cerca de 172 milhões de visitantes/ano”, comparou o presidente do Instituto Chico Mendes, ao ressaltar que, dessa forma, o Brasil tem grande potencial devido à enorme diversidade ambiental.

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Em lançamento de programa, ministro pede que pessoas usufruam dos parques nacionais

Por Vítor Abdala, da Agência Brasil

Rio de Janeiro - O governo federal lançou no sábado (13), em cerimônia na cidade de Petrópolis (RJ), o programa Turismo nos Parques. Estiveram no evento o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc e o ministro interino do Turismo, Luiz Barreto.

O objetivo do programa é aumentar a visitação aos parques nacionais, unidades de conservação gerenciadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

Atualmente, 3,5 milhões de pessoas visitam as unidades de conservação ambiental todos os anos. As mais visitadas são os Parques Nacionais do Iguaçu e da Tijuca, que ficam, respectivamente, no Paraná e no Rio de Janeiro.

O ministro do Meio Ambiente lamentou o fato da visitação estar restrita a apenas dois parques nacionais, quando há 64 unidades dessas no país. “Cerca de 192 milhões de pessoas visitam os parques americanos por ano. Os nossos parques, 3,5 milhões, sendo que 90% dessas pessoas concentradas em dois parques, Iguaçu e Tijuca.”

Minc pediu que todos busquem informações sobre os parques nacionais no país e tentem visitá-los. “Os nossos parques e reservas, em geral, são menos defendidos, menos usufruidos e dão prejuízo. Eles têm que ser mais usufruidos, por mais cientistas, mais turistas e mais montanhistas, e gerar recursos”, afirmou.

O presidente Lula destacou que, no passado, a cultura em relação aos parques nacionais era a da proibição, em que as pessoas não tinham autorização para participar da maioria das atividades desenvolvidas na unidade.

“É melhor dizer para as pessoas como fazer o melhor uso possível e dar utilidade às coisas. Só tem sentido a gente permitir que a sociedade brasileira possa adentrar esses locais. As pessoas não sabem nem que os parques existem”, lamentou.

Na primeira fase do programa, serão destinados R$ 28 milhões para seis unidades de conservação: Parque Nacional de Aparados da Serra (SC/RS), da Chapada dos Veadeiros (GO), dos Lençóis Maranhenses (MA), da Serra dos Órgãos (RJ), do Jaú (AM) e da Serra da Capivara (PI).

“É a oportunidade de a sociedade conhecer, entender melhor por que se conserva, entender melhor o trabalho de proteção das unidades de conservação e ter acesso às belezas maravilhosas que podem ser vistas nessas unidades”, disse o presidente do Instituto Chico Mendes, Rômulo Mello.

Segundo ele, o Ministério do Turismo vai investir na infra-estrutura do entorno dos parques para possibilitar hospedagem e melhorias nas condições de acessibilidade.

Mello explicou que o turismo nos parques é uma atividade organizada, que não prejudica a preservação que se busca nas unidades. “O turismo que é praticado dentro das unidades de conservação é um turismo orientado, em que as pessoas visitam a unidade, entendem o processo de conservação.”


Por Morillo Carvalho, da Agência Brasil
Envolverde, 15/09/08
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ONU alerta para emergência de desenvolvimento

Os muito divulgados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – que pretendem entre outras coisas reduzir em 50% a fome e a pobreza até 2015 em relação aos níveis de 1990 – estão sendo seriamente afetados pelas crises alimentar, financeira e climática planetárias. “Não enfrentamos outra coisa além de uma emergência de desenvolvimento”, afirmou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon. Quando estamos na metade do caminho para a data fixada de 2015, “é claro que não estamos no caminho correto para alcançar as metas, especialmente na África”, disse.

“E novos desafios globais – queda da economia, altos preços dos combustíveis e a mudança climática – ameaçam reverter o progresso que conseguimos”, alertou Ban. A advertência chega às vésperas de uma reunião de líderes mundiais sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, prevista para 26 deste mês, previa à 63ª sessão da Assembléia Geral. Ao apresentar na quinta-feira seu estudo de 51 páginas sobre essas metas, Ban Ki-moon afirmou que os problemas climáticos podem colocar em risco os avanços obtidos na redução da pobreza.

Mas Alison Woodhead, da organização Oxfam International, tem outro ponto de vista sobre a crise. Ela afirma que o informe demonstra que foi a falta de ação dos governos que causou uma “emergência de pobreza”. A “crescente crise alimentar e a queda econômica são razões para que os líderes atuem, sem desculpas para o fracasso”, afirmou. A ONU espera que pelo menos 90 chefes de Estado e de governo participem do que é considerada uma “reunião de alto nível” sobre os Objetivos de do Milênio.

Woodhead afirmou que os líderes que irão à Nova York deveriam acordar um plano de ação para por fim à extrema pobreza nos próximos sete anos. “Sem uma forte liderança, os progressos sobre os Objetivos retrocederão, não avançarão, e este é um momento-chave”, afirmou. Essas metas incluem redução de 50% da pobreza extrema e da fome; educação primária universal; promover a igualdade de gênero; reduzir em dois terços a mortalidade infantil e em três quartos a materna; combater a propagação do HIV/Aids, da malaria e de outras doenças; garantir a sustentabilidade ambiental e criar uma aliança Norte-Sul pelo desenvolvimento.

Uma cúpula de 189 líderes mundiais realizada em setembro de 2000 se comprometeu a alcançar tudo isto até 2015. Mas, os resultados são muito decepcionantes, especialmente na África subsaariana. O estudo divulgado na quinta-feira diz que o recente avanço no Sul em desenvolvimento (incluindo o aumento das matriculas escolares, a produtividade agrícola e os progressos para a erradicação da malaria) “demonstra que um êxito rápido é possível quando políticas sãs são harmonizadas com uma crescente assistência internacional e apoio técnico”.

Porém, muitos países não estão bem encaminhados. Muitas das metas não serão alcançadas na África, se continuarem as atuais tendências. E inclusive em nações de renda média, grandes bolsões de pessoas que continuam vivendo na extrema pobreza”, acrescentou. Embora o número de pessoas que vivem na extrema pobreza tenha caído mais de 400 milhões, a maior parte desta redução se deu na Ásia oriental, particularmente na China. Mas a África subsaariana e as ex-repúblicas soviéticas experimentaram um aumento no número de pobres entre 1990 e 2005, segundo o estudo.

O diretor da Campanha do Milênio da ONU, Salil Shetty, reconheceu que as crises alimentar, financeira e climática mundiais pioraram a situação. “E grande parte da responsabilidade cabe aos poucos especuladores financeiros, emissores de contaminantes e consumidores de petróleo”, acrescentou. Shetty disse que faltando apenas sete anos para vencer o prazo, é chave que os países ricos se comprometam a alcançar estes compromissos. Consultado sobre um resultado concreto na próxima reunião de alto nível, Shetty disse à IPS: “Estamos na metade do caminho, e um renovado compromisso político no nível máximo seria importante em si mesmo. Mas, é bom que a sociedade civil pressione para um plano de ação com prazos, daqui até 2010”, afirmou.

Esta reunião também será muito importante para marcar as discussões para o encontro sobre Financiamento para o Desenvolvimento, que acontecerá em Doha em novembro, acrescentou. Consultado sobre quanto confiança tinha em que a maioria das nações em desenvolvimento alcançará as metas para 2015, Shetty disse que alguns países pobres no mundo, incluindo Bangladesh, Gana, Malawi, Moçambique, Ruanda, Tanzânia e Zâmbia estão no caminho de consegui-lo. Isso também se aplica a alguns países maiores, como Brasil, que se aproxima de atingir todas as metas, menos a referente ao saneamento.

“É claro que se os líderes nacionais no Sul em desenvolvimento falam seriamente de alcançar as metas, não há razão para que um país fique para trás”, afirmou Shetty. “Temos de aumentar as operações”, afirmou, e disse que os países ricos não cumprem muitos de seus compromissos, como demonstrou com dados, na semana passada, outro informe especial da ONU. Shetty disse que os volumes de ajuda estavam atrasando, particularmente os do Grupo dos Oito países mais poderosos (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia).

“A qualidade de ajuda ainda é pobre como vimos (a conferência sobre ajuda internacional da semana retrasada) em Accra. E os países pobres têm um acordo muito injusto nas negociações comerciais de Doha”, acrescentou. Shetty também afirmou que os produtores de petróleo deveriam reduzir os preços do óleo, que têm um impacto direto no custo dos alimentos. “Os mais pobres do mundo são os mais afetados por estes preços exorbitantes, elevando o custo dos alimentos a níveis que não podem alcançar”, afirmou.

Por sua vez, a indústria financeira deve deixar de fazer especulações imprudentes, prática que repercute na economia mundial. Que poucos indivíduos, corporações e países obtenham grandes lucros à custa dos mais pobres não é apenas uma falta de ética, mas uma economia ruim também, segundo Shetty.


Por Thalif Deen, da IPS
Envolverde, 15/09/08
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Projeto Quintais ganha prêmio ambiental

O projeto Quintais Orgânicos de Frutas, resultado da parceria entre a Embrapa Clima Temperado, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e a Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE) foi o vencedor do 16° Prêmio Expressão de Ecologia, na categoria Tecnologias Socioambientais, com o case “Quintais orgânicos de frutas: contribuição para a segurança alimentar em áreas rurais, indígenas e urbanas”.

O prêmio, que existe desde 1993, se consolidou como a maior premiação ambiental da Região Sul e conquistou um recorde histórico de 164 projetos participantes na seleção deste ano. “Ficamos orgulhosos com a premiação, que dará maior visibilidade ao trabalho, o qual contribui com a segurança alimentar e ambiental de comunidades carentes em áreas rurais e urbanas.

Afinal, esse é um trabalho voltado para agricultores familiares, comunidades quilombolas, indígenas e escolas do campo e urbanas, pois aborda questões culturais, étnicas, ambientais, alimentares, econômicas e medicinais”, destacou o coordenador do projeto, Fernando Costa Gomes.

Este projeto já havia sido reconhecido em 2007, quando recebeu a Certificação de Tecnologia Social, pela Fundação Banco do Brasil, realizada em parceria com a Petrobras, com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), e a KPMG Auditores Independentes.

Além da premiação, Fernando informou que o projeto Quintais Orgânicos renovou recentemente seu contrato com a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CGTEE), e passou a contar com o apoio do Grupo Eletrobras que também passou a financiar o projeto. “Agora temos como meta para 2008, a implantação de mais de 200 quintais, assim vamos chegar ao final do ano com aproximadamente 750 quintais implantados.

O projeto está em fase de plantio para o cumprimento das metas e, ao mesmo tempo, a equipe técnica também promove a produção das mudas nos viveiros da Estação Experimental da Cascata (EEC) em Pelotas, e na Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE) em Candiota, visando o ano que vem”, explicou Fernando.

Ele destacou ainda que além do projeto superar suas metas todos os anos no Sul do Brasil, ele está se expandindo para o Uruguai, onde por meio da parceria com a Fundação Logros e com as universidades uruguaias e o Instituto Nacional de Investigación Agropecuária (INIA) já foram implantados mais de 30 quintais em escolas, através do projeto horta orgânica.

“No Brasil, estamos ampliando nossa atuação, pois fomos contatados por técnico da prefeitura do município de Tietê (SP) e pretendemos desenvolver uma experiência piloto naquele município com a implantação de três quintais em 2009”, acrescentou.


Por Redação Embrapa
Envolverde, 15/09/08
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Prazo para envio de propostas sobre edital referente a catadores de materiais recicláveis termina em 29 de setembro

Dentre as atividades a serem desenvolvidas pela empresa contratada, há a apresentação do plano de capacitação, explicando a metodologia e o conteúdo programático

Capacitar catadores de materiais recicláveis em todo o país, promover pesquisas e fortalecer as instituições que trabalham com este público. Essas serão as atribuições da empresa que vencer processo de licitação - previsto no Edital nº 782/2008 - iniciado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). As empresas interessadas em participar têm até o próximo dia 29 de setembro para enviar suas propostas.

Publicado pelo Ministério e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), na edição de 14 de agosto de 2008 do Diário Oficial da União, o edital determina que as propostas sejam encaminhadas para a Representação da Unesco no Brasil, em Brasília (DF). A meta principal é contribuir para o fortalecimento institucional da organização política e administrativa dos catadores, promovendo pesquisas sobre o trabalho desenvolvido por eles.

Dentre as atividades a serem desenvolvidas pela empresa contratada, há a apresentação do plano de capacitação, explicando a metodologia e o conteúdo programático para discussão com a Secretaria Nacional de Assistência Social do MDS (responsável técnica pelo contrato) e com o movimento dos catadores de materiais recicláveis.

A instituição selecionada também promoverá pesquisa para levantamento do custo da coleta seletiva realizada pelos catadores, em comparação aos custos da coleta feita por prefeituras, ou por empresas contratadas para essa finalidade. Pesquisará ainda os impactos sociais, econômicos e ambientais do trabalho dos catadores no âmbito da reciclagem brasileira e realizará seminários regionais de políticas públicas para inserção social e econômica dos catadores, além de encontros estaduais.

Cronograma do Edital nº 782/2008
Data final para apresentação das propostas: às 18h do dia 29 de setembro de 2008
Abertura das propostas: às 15h do dia 1º de outubro de 2008
Endereço da Representação da Unesco no Brasil: SAS Quadra 05, bloco H, sala 1106, 11º andar, Ed. CNPq/IBICT/UNESCO – CEP 70070-914 (Brasília/DF)


Notícias da Rede - Nº 49, 10/09/08

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