terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Planejamento e captação de recursos

Embora o artigo abaixo, da Pequenas Empresas, seja direcionado a empresas, ele é aplicável às organizações do terceiro setor.

Bons financiadores, cada vez mais, têm a atitude de investidores na hora de decidir onde colocar seus recursos. As organizações que entenderem isso não terão problemas de sustentabilidade.

A idéia de elaborar um plano de "negócios" pode parecer absurda para muitos que acreditam que devem se dedicar principalmente à atividade-fim da organização, mas qualquer um sabe que sem recursos - ou com recursos insuficientes - não é possível fazer muito, nem fazer bem.

Outra observação importante é que a complexidade do plano está diretamente relacionada com a complexidade do que se quer fazer. Portanto, qualquer organização, independentemente do nível em que se encontra - dos recursos de que dispõe ou da profissionalização de seus dirigentes, funcionários e colaboradores - é capaz de elaborar um plano para o que é capaz de realizar.

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Plano de negócios é usado para atrair investidor

Nos últimos anos, a chegada do capital de risco deu a pequenos empreendedores um novo sentido à palavra plano de negócios. Antes apenas ferramenta burocrática de gestão, o documento tornou-se essencial para atrair investidores, cada vez mais interessados em arriscar seu dinheiro em novos negócios no país. "O plano servia apenas para começar um negócio. Hoje, é fundamental em outros momentos da vida da empresa, especialmente na busca de recursos", diz José Dornelas, professor de Empreendedorismo do Ibmec-SP e autor do livro Plano de Negócios que Dão Certo, informou o jornal O Estado de São Paulo.

Para fisgar os capitalistas - e também possíveis parceiros, fornecedores e bancos, outros "alvos" do plano de negócios -, é preciso ir além de apenas boas idéias. Segundo Dornelas, o empreendedor tem que entregar hoje uma fotografia completa da empresa que tem ou pretende criar. Isso inclui pesquisas de mercado, planejamento de marketing, estruturação da equipe e das operações do negócio e uma minuciosa análise financeira. "O plano precisa mostrar que o negócio tem vantagem competitiva, um equipe de primeira linha e um potencial de retorno considerável." Tudo sem esquecer da objetividade: 15 a 20 páginas é o tamanho ideal, avalia o especialista.

Na opinião do professor de Empreendedorismo e Inovação da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Tales Andreassi, mais que o plano financeiro - que geralmente é revisto após a entrada do capital - o investidor hoje está atento para a equipe que está por trás do projeto. "A experiência do empreendedor e do time é fundamental" diz ele.

Foi tentando e errando que Daniel Heise, de 35 anos, aprendeu a melhor forma de apresentar a proposta de expansão de sua empresa para investidores. O empreendedor, sócio da companhia de produção de software para call center Direct Talk, conta que já fez mais de quinze planos de negócios. "Só fazendo esse exercício, refleti e pude dar consistência para minhas idéias", diz Heise.

Há cinco anos, a Direct Talk conseguiu o aporte de uma empresa de capital de risco para financiar seu projeto de expansão. Em 2004, outros dois fundos investiram no negócio. "O plano foi importante pois me deu total segurança para enfrentá-los", diz Heise. Ele acredita que o cuidado com os números - orçamento e valor dos recursos necessários para o projeto - também foi fundamental para conquistar os investidores.

Na Rio Bravo Investimentos são recebidos até 30 planos de negócios todos os meses. Mas nem todos têm o mesmo destino do elaborado por Heise. Segundo o sócio Marcelo Romeiro, muitos empreendedores apresentam projeções financeiras sem fundamento. "Isso tira de cara a chance de ter o plano aprovado", diz ele. Paulo Henrique de Oliveira Santos, presidente da Votorantim Novos Negócios, especializada em gestão de capital de risco, concorda. "Há muitos planos conceituais demais", afirma Santos, que recebe cerca de 15 planos de empreendedores por mês.


Pubicado pelo Projeto Envolverde em 22/02/08

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Por que planos estratégicos não saem do papel?

Paulo Cury *

"Estratégia sem ação é um sonho; ação sem estratégia é um pesadelo", diz um antigo provérbio japonês.

Todos sabem que o mundo dos negócios está cada vez mais complexo e que fatores como a globalização, a hipercompetição e a multisegmentação dos públicos-alvo, só reforçam essa complexidade. Nos dias de hoje, ter um plano estratégico é a peça- chave para lidar com esse grau de complexidade, além de ser um diferencial competitivo e permitir que os recursos, quase sempre escassos, sejam alocados de forma adequada.

Qualquer executivo sênior competente acredita na importância de ter um plano estratégico, pois ele estabelece para onde a empresa deve seguir e o que deve ser feito para alcançar seus objetivos, a médio e longo prazos.

Para isso, as empresas investem recursos, reúnem seus principais executivos em inúmeras discussões, em hotéis e "retiros", para elaborar o plano que será a base do seu negócio para os anos futuros.

Ao final do trabalho, discursos são realizados e assinaturas são coletadas dos participantes, com o intuito de reforçar o compromisso de todos com o plano desenhado. Porém, a realidade é que grande parte dos planos estratégicos morre, ou melhor, aproximadamente, 75% não saem do papel.

Você deve estar se perguntando: por que isso acontece? Como algo tão importante como o plano estratégico, que tem o apoio de altos executivos, não se torna realidade?
Uma análise mais aprofundada dos motivos pelo quais os planos estratégicos não saem do papel demonstra que existem cinco fatores principais que contribuem para que isso ocorra:

Não gerar o "buy-in" da organização - comumente as empresas deixam de fora das discussões estratégicas os "middle-managers"; e esse grupo é responsável por fazer as coisas acontecerem no dia-a-dia das organizações. E como não são convocados a participar do desenho da estratégia, não têm como colocar em prática algo que não conhecem ou não entendem o racional. Além disso, a maioria das empresas comunica de forma inadequada para a organização, os macroobjetivos do plano fazendo que seus colaboradores não estejam alinhados na mesma direção.

Acreditar que implementar um plano estratégico é uma tarefa simples - essa é uma visão enviesada e um tanto perigosa; pois a implementação de um plano estratégico é muito complexa, pois lida, ao mesmo tempo, com duas variáveis de grande impacto nas organizações: promover mudanças e construir o futuro. E quanto maior a empresa, mais difícil é fazer com que os colaboradores, no meio das dificuldades e correria do dia-a-dia, percebam a importância de mudar e construir um futuro, que muitas vezes é bem diferente da realidade atual e pouco entendido em um primeiro momento.

Não avaliar o impacto financeiro no negócio com a implementação do plano estratégico - é fundamental deixar claro ao desenhar o plano, quais são os resultados esperados com a efetivação da estratégia e, qual será o impacto nos indicadores-chave do negócio. Isso faz com que o plano tenha maior aderência com a realidade da empresa e não seja simplesmente um exercício de futurologia descolado da realidade.

Não criar um time específico para implementar o plano - a maior parte das empresas coloca a implementação do plano, como mais uma tarefa diária dos executivos (que já tem inúmeras outras coisas para se preocuparem) e isso é um grande erro. É fundamental criar um time de executivos que dedicará 100% do seu tempo para a efetivação do plano, e que, a avaliação e a remuneração variável desse grupo, estejam atreladas ao sucesso dessa implementação.

Distanciamento do CEO da implementação do plano estratégico. É comum o principal executivo da empresa participar de toda estruturação do plano e depois "desaparecer" no andamento do processo. A estratégia da empresa é a base do seu negócio e o executivo número um da organização deve acompanhar de perto um processo de tal magnitude.

Ter um plano estratégico sólido, consistente com a realidade, é uma poderosa arma competitiva. Ela possibilita que os recursos do seu negócio sejam alocados de forma mais eficiente e concentra esforços em uma única direção. Entretanto, um plano que não sai do papel não gera resultados para as empresas e valor para os seus acionistas... É um exemplo típico de um dinheiro mal gasto.

* Presidente da Condere Consultoria

Gazeta Mercantil
Publicado pelo Projeto Envolverde em 22/02/08

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Jornal critica sistema tributário brasileiro e defende reforma

"O sistema de impostos bizantino do Brasil enfraquece o espírito empreendedor", afirma o jornal britânico "Financial Times" ("FT") em uma análise publicada nesta terça-feira. "Leis complexas prejudicam os negócios enquanto a política dificulta as reformas prometidas", diz o artigo.

O "FT" afirma que, segundo um estudo recente do Banco Mundial, no Brasil uma empresa típica precisa trabalhar 2.600 horas por ano para pagar todos os impostos, tornando-o o pior dos 177 países analisados. Na Irlanda, bastam 76 horas.

"Grandes empresas contratam batalhões de advogados para guiá-los pelo labirinto dos regulamentos", diz o jornal.

"Além dos impostos trabalhistas e das contribuições para a seguridade social, as empresas têm que lidar com impostos de venda estaduais - governados nos 27 Estados brasileiros por 27 conjuntos de leis diferentes - e uma série de outros impostos municipais, estaduais e federais em vendas, lucros e pagamentos."

Segundo o jornal, o sistema tributário impede que os negócios cresçam e acaba "empurrando" pequenos empresários para a informalidade, ou os forçam a desistir do negócio.

"O peso dos impostos no Brasil chega a 37% do produto interno bruto, tão alto quanto o de muitos países desenvolvidos, mas sem a qualidade de seus serviços", afirma o "FT".

O jornal lembra que, com a derrota do governo na votação da CPMF, no fim do ano passado, a reforma tributária se faz ainda mais necessária.

"A reforma vem sendo prometida desde que Luiz Inácio Lula da Silva se tornou presidente em 2003. Mas agora tem um incentivo extra: em dezembro, o governo sofreu um golpe quando o Senado rejeitou o projeto de lei para perpetuar a CPMF, um imposto sobre transações financeiras que teria arrecadado cerca de R$ 40 bilhões neste ano."

O "FT" afirma que a reforma iria unificar e simplificar impostos e contribuições sociais, mas os Estados maiores, dominados pela oposição, são os que mais perderiam com qualquer reforma, dificultando as mudanças.

Segundo o jornal, as eleições municipais de outubro, em que muitos congressistas devem sair candidatos, vão complicar ainda mais "o equilíbrio de forças necessário para uma reforma tão ambiciosa".

da BBC Brasil
Publicado pela
Folha de São Paulo em 26/02/08

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Lula integra programas sociais já existentes e oposição vê uso eleitoral

Paulo de Tarso Lyra

Lula anuncia o Territórios de Cidadania: "O mais extraordinário programa de atendimento de políticas de oportunidades combinadas com políticas sociais"
Foto Ruy Baron/Valor


Em pleno ano eleitoral, o governo federal resolveu reunir programas de 15 ministérios, totalizando R$ 11,3 bilhões e criou os chamados Territórios de Cidadania. São 135 ações em 60 municípios - a meta é atingir 120 municípios até 2010. Os recursos estão assegurados no Orçamento e compõem o planejamento de cada uma das Pastas para este ano. Apesar de ser apenas uma reunião formal de várias ações já previstas pelo União, em diferentes ministérios, Lula classificou o programa Territórios de Cidadania como "o mais extraordinário programa de atendimento de políticas de oportunidades combinadas com políticas sociais que nós já tínhamos preparado no Brasil".

Algumas regras permearam a escolha dos municípios. São áreas com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), maior concentração de agricultores familiares e assentamentos da reforma agrária, maior concentração de população quilombola e indígena, maior número de beneficiários do Bolsa Família e maior organização social. Segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, a intenção "é resgatar populações carentes de cidadania e infra-estrutura básica".

De acordo com o ministro, existem comunidades, por exemplo, atendidas pelo Luz para Todos mas que não são contempladas pelo Pronaf. "A integração do conjunto de ações e dos investimentos previstos contribuirá para melhorar o IDH, evitar o êxodo rural e superar as desigualdades regionais".

Lula afirmou que o novo programa precisa da parceria entre a União, Estados e municípios para funcionar. "Não é possível fazê-lo dar certo daqui de Brasília. As pessoas vão ter que estar de corpo e alma presentes, acompanhando, porque envolve dezenas de ministros e ações desde fazer o registro civil de uma criança que nasce até você criar condições para que as pessoas cresçam", afirmou o presidente.

Lula aposta que o Territórios de Cidadania poderá funcionar como uma complementação ao Bolsa Família. Mas destacou que não tem nenhuma intenção de acabar com o principal programa social do governo federal nessas áreas rurais. "Eu não tenho pressa de acabar com o Bolsa Família. Ele vai acabar no dia em que a sociedade brasileira, junto com todos nós, conseguir construir as políticas de distribuição de renda para que o povo não precise mais dessa política de governo".

Lula disse também que existem pessoas que se incomodam com o fato de, em pouco tempo, o governo ter conseguido colocar 11 milhões de pessoas no Bolsa Família. "Eu espero que o Territórios faça essa complementação e que a gente consiga, definitivamente, fazer com que essa gente tenha vez no nosso país", discursou.

Lula acha que o programa lançado ontem é "o segundo grande passo para a gente acabar com a pobreza". E ressaltou o crescimento da economia, sobretudo a notícia da semana passada de que o Brasil tem reservas internacionais maiores do que o montante de sua dívida externa. E atacou: "Uns poucos continuam teimando e torcendo para que as coisas não dêem certo".

No Congresso, a resposta foi imediata. Os presidentes do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), e do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), criticaram o lançamento do programa Territórios da Cidadania. Segundo Maia, o programa é eleitoreiro e Lula quer, com ele, favorecer o PT nas eleições de outubro próximo. "É um programa 100% eleitoreiro. Estão pulverizando o assistencialismo nas Pastas do PT para tirar proveito eleitoral".

Para Sérgio Guerra é "estranho" que o lançamento do programa tenha ocorrido neste momento - já que o pacote prioriza os municípios em um ano em que serão palco da disputa eleitoral.

"Não se questiona investimento, mas a oportunidade de investimento. O governo não disse que estava quebrado sem a CPMF? Como lança, então, esse programa agora?", questionou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). Segundo o senador, a oposição vai acompanhar a "coerência" na distribuição de recursos do programa para avaliar um eventual recurso à Justiça Eleitoral. "Por que esse pacote não foi editado no ano passado, quando o governo tinha tantos recursos? Isso foi agora só porque é ano eleitoral."

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello, disse que o lançamento do Territórios da Cidadania em ano eleitoral poderá ser contestado judicialmente. "Temos de aguardar que os que se sintam prejudicados recorram ao Poder Judiciário. Em tese fica muito difícil eu me pronunciar", afirmou Mello.

DEM e PSDB estudam ir ao STF contra o projeto. O DEM solicitou à sua assessoria técnica estudo com detalhes do programa e aguarda sua publicação oficial para verificar se a maioria dos potenciais favorecidos está em Estados governados pela base, para entrar com recurso.

"Queremos saber quais são os critérios adotados para definir as áreas beneficiadas e, se verificarmos o caráter eleitoreiro, claro que vamos ao Supremo", disse o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA).

Lula e os ministros que atuam no programa poderão ser alvos de ações por abuso de poder político. A Lei Eleitoral não admite repasses de recursos da União para Estados e municípios e dos Estados para municípios 90 dias antes das eleições.


(Com agências noticiosas)

Publicado pelo Valor Online em 26/02/08

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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

ABCR abre inscrições para encontro sobre Captação de Recursos

O encontro acontece em Salvador no dia 2 de abril e antecede o 5º Congresso do Gife sobre Investimento Social Privado, inaugurando uma série de novas iniciativas e parcerias da ABCR - Associação Brasileira de Captadores de Recursos.

Veja abaixo mais detalhes sobre o evento e o contexto no qual ele está sendo organizado.

Você também pode
ler aqui uma entrevista do presidente da Associação, Marcelo Estraviz, para saber mais sobre como anda a captação de recursos no Brasil e como a entidade pretende contribuir para o desenvolvimento do setor.


Contexto
O crescimento vertiginoso do número de ONGs no Brasil a partir dos anos 90 e a pressão dos novos financiadores do Terceiro Setor (organismos internacionais e empresas) por resultados, fez com que a profissionalização e algumas ferramentas típicas do mundo empresarial fossem incorporadas ao dia-a-dia das ONGs. Planejamento estratégico, avaliação, indicadores, marketing, foram algumas das palavras que passaram a compor o vocabulário de quem trabalha no terceiro setor.

Nesse cenário, nasce, no início dos anos 2000 a ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos, inspirada em movimentos internacionais pela ética na atividade da captação de recursos e pelo fortalecimento dessa atividade como fundamental para fortalecer todo o setor da Sociedade Civil. Essa também é missão da Resource Alliance, uma ONG internacional com presença na Europa, Ásia, África e a partir de 2008 no Brasil.

Mas depois de quase dez anos do início desse processo, afinal, quais foram os avanços na profissionalização da atividade de captação de recursos no Brasil? E como evoluiu a atividade do captador de recursos? As ONGs valorizam ter em sua equipe um profissional de captação de recursos? Qual o perfil desse profissional? Como formar um captador de recursos?

Essas são algumas das perguntas que inspiram o Encontro de Mobilização de Recursos ABCR e Resource Alliance.

Objetivos
Discutir sobre os avanços da sustentabilidade das ONGs no Brasil e
Discutir o papel do captador de recursos na busca pela sustentabilidade.

Pré-inscrições e Investimento
Em poucos dias, teremos o processo de inscrição para o Encontro de forma on line. Enquanto isso, garanta sua vaga enviando um email para salvador@captadores.org

Também existe a possibilidade de associar-se à ABCR e com isso garantir o desconto já para o próprio evento. Informe seu interesse no email. A Anuidade para a ABCR é de somente R$50. O evento custará R$100 para associados ABCR e/ou GIFE e R$150 para não sócios da ABCR.

As vagas para o Encontro são limitadas, por isso envie o quanto antes sua pré-inscrição.


PROGRAMAÇÃO

8:30 a 9:00
Mesa de abertura e boas-vindas
Norma Galafassi Conselheira da Resource Alliance
Marcelo Estraviz Presidente da ABCR
Fernando Rossetti Secretário Geral do GIFE

9:00 a 11:00
Palestra internacional
Panorama mundial da mobilização de recursos e a sustentabilidade das ONGs
Norma Galafassi

11:00 a 11:30
Cofee-break
Mesas temáticas para intercâmbio e discussão

11:30 a 13:00
Oficinas
Captação de Recursos através de Incentivos Fiscais Federais
Michel Freller
Captação de Recursos para o Desenvolvimento Local
Claudia Amaral

13:00 14:00
Almoço

14:00 a 16:00
Oficinas
Cadeias de valor: empresas & comunidades tradicionais em parceria
João Meirelles
Negócios sociais: criando valor financeiro ao que tem valor simbólico
Rodrigo Alvarez

16:00 a 16:30
Cofee-break
Mesas Temáticas para intercâmbio e discussão

16:30 a 17:00
Comunicação
Marca X Causa: agregando valor à comunicação no Terceiro Setor

Marcio Zepellini

17:0 a 18:00
Palestra nacional
Rumo ao desenvolvimento institucional: 'Mobilizando' mobilizadores de recursos

Marcelo Estraviz

18:00 A 18:30
Mesa de encerramento
Resumo do dia e convite para o coquetel

Norma Galafassi e Marcelo Estraviz


Serviço
Data: 2 de abril
Local: Pestana Bahia Hotel - Salvador
Horário: das 8:30h às 18:30h
Preço: R$ 100 para sócios e R$ 150 para não-sócios
Pré-inscrições: salvador@captadores.org
Informações: http://www.captadores.org/

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Oscip, Utilidade Pública Federal e CEAS

Para quem precisa - ou quer - entender as várias certidões e qualificações das chamadas "ongs" no Brasil, este é um bom começo - um texto que descreve e compara algumas das possibilidades.

Mais adiante publicarei mais coisa a respeito, inclusive bibliografia que dê uma visão mais profunda sobre o tema.


Reconhecimento das ONGs pelo Estado: Certificações e Qualificações Federais
Fernando Moraes Quintino da Silva *


I - Terceiro Setor no Brasil

O início das atividades do Terceiro Setor no Brasil se dá notadamente a partir do início do século XX, com a criação de entidades assistenciais e filantrópicas em geral ligadas à elite brasileira à época e à igreja católica.

No final da década de 50, o movimento das sociedades civis tornou-se mais representativo, arrefeceu-se uma década após com o endurecimento do regime e desde meados da década de 80 vem tomando fôlego em decorrência da restituição dos direitos civis, da promulgação de constituição de 1988 e do aumento do fluxo de investimento privado voltado ao terceiro setor.

De acordo com a natureza das atividades e os objetivos almejados, as atividades das entidades sem finalidade lucrativa podem se aproximar daquelas de evidente utilidade ou interesse público, como se dá no caso de ações sociais, assistenciais, culturais, esportivas e outras, na medida em que atinjam o bem comum e o interesse público.

Nesse sentido, atividades praticadas por entidades do terceiro setor que vierem a atender ao interesse público em sua essência e finalidade, por se revestirem dessa natureza, podem vir a pleitear junto ao Estado titulações e qualificações concedidas a entidades que desempenham tais ações, o que demonstra o reconhecimento do poder público pelo resultado atingido, garantindo-lhes benefícios de diversas ordens.

Atualmente, as principais qualificações/certificações são conferidas pelo Ministério da Justiça, sendo: (a) declaração de Utilidade Pública Federal - UPF e (b) qualificação como Organização Da Sociedade Civil De Interesse Público – OSCIP e pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome, no caso o CEAS.


II - Título de Utilidade Pública Federal

A Utilidade Pública Federal foi o primeiro título concedido pelo Poder Público a entidades que desenvolviam atividades de interesse público, tendo sido criado em 1935 com a aprovação da Lei nº 91/35, regulamentada mais tarde pelo Decreto nº 50.517/61.

Em 1935, o título de Utilidade Pública tinha apenas caráter honorífico outorgado pelo Estado brasileiro, sem proporcionar benefícios ou conseqüências jurídicas para as entidades que o possuíssem.

Na segunda metade do século passado, em função de alterações nas legislações fiscais e previdenciárias, o certificado de Utilidade Pública passou a conferir alguns benefícios de ordem fiscal e reflexos positivos no relacionamento com entes estatais, estabelecendo algumas contrapartidas às entidades certificadas pela inegável utilidade pública.

A Lei nº. 91/35 dispõe que podem ser declaradas de Utilidade Pública federal as entidades constituídas no país com fim exclusivo de atender desinteressadamente a sociedade, condicionada a titulação à não remuneração de cargos de diretoria, conselhos fiscais, deliberativos ou consultivos. Como resultado, por falta de critérios objetivos na lei, o título de Utilidade Pública Federal possui um caráter discricionário de concessão.

O artigo 2º, letra “e”, do Decreto 50.517/61, que regulamenta a Lei 91/35, elenca as atividades consideradas de utilidade pública ao dispor que a requerente do título deve ter como objetivo, predominantemente, a promoção da educação ou exercer atividades de pesquisas científicas, de cultura, inclusive artísticas ou filantrópicas, estas de caráter geral e indiscriminado.

Devido à imprecisão conceitual acerca do termo filantropia na lei, bem como, em vista da ausência de normas que definam quais seriam as atividades e como os serviços devam ser prestados, a concessão da qualificação de utilidade pública pode ser outorgada desde que não haja remuneração para os cargos de diretoria, conselhos fiscais, deliberativos ou consultivos e que a entidade precisamente sirva desinteressadamente à coletividade no desenvolvimento de atividades de interesse público, sem distinção de cor, credo, raça ou convicções políticas.

Além de não remunerar, por qualquer forma, os cargos de diretoria, a entidade obrigatoriamente não pode distribuir lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma ou pretextos.

O decreto que regulamenta a lei federal ainda exige que a entidade deva comprovar que esteve em efetivo e contínuo funcionamento nos 03 (três) anos de exercício anteriores à formulação do pedido, com exata observância dos estatutos. Não importa que a entidade tenha atuado de fato nos três anos anteriores, é necessário que comprove pelos atos societários a existência e atividades desenvolvidas nos últimos três anos.

Como a atribuição do título está a cargo do Ministro da Justiça, para que o pedido de Utilidade Pública Federal seja avaliado, a entidade deverá atender aos seguintes requisitos formais, de acordo com orientação do Ministério da Justiça [1];

  1. Ficha de cadastramento da entidade [2];

  2. Requerimento dirigido ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República solicitando a declaração federal de utilidade pública, original [3];

  3. Estatuto (cópia autenticada); se a entidade for fundação, observar os artigos. 62 a 69 do Código Civil c/c os artigos 1.199 a 1.204 do CPC; com destaque onde consta a cláusula que a instituição não remunera, por qualquer forma, os cargos de sua diretoria, conselhos fiscais, deliberativos ou consultivos, e que não distribui lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma ou pretexto;

  4. Certidão de Breve Relato dos atos constitutivos, obtida no Cartório de Registro das Pessoas Jurídicas, em que conste, resumidamente, o teor das alterações averbadas;

  5. Cartão do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas);

  6. Atestado de autoridade local (i.e. Prefeito, Juiz de Direito, Delegado de Polícia) informando que a instituição esteve, e está, em efetivo e contínuo funcionamento nos 03 (três) últimos anos, com exata observância dos princípios estatutários [4];

  7. Ata da eleição de todos os membros da diretora atual, registrada em cartório e autenticada;

  8. Qualificação completa dos membros da diretoria atual e atestado de idoneidade moral, expedido por autoridade local (se de próprio punho, deverá ser sob as penas da lei) [5];

  9. Declaração da requerente de que se obriga a publicar, anualmente, o demonstrativo de receitas e despesas realizadas no período anterior, quando subvencionada pela União (original).

  10. Relatórios Circunstanciados[6] dos serviços desenvolvidos nos 03 (três) anos anteriores à formulação do pedido, acompanhado dos demonstrativos contábeis daqueles exercícios (art.2º, e, decreto 50.517/01)[7].

Ao reconhecimento do pedido segue-se a publicação no Diário Oficial da União, não havendo a expedição de nenhum diploma em favor da entidade, a publicação no Diário Oficial serve como documento hábil a comprovar a certificação, bem como, os interessados poderão realizar consulta on-line no sítio do Ministério da Justiça onde consta rol das entidades certificadas como de Utilidade Pública Federal.

O prazo previsto para se proferir a decisão é de 90 dias. Conforme já mencionado, considerando-se que o critério é subjetivo e encontra-se submetido à análise e à interpretação técnica. Não obstante o prazo legal previsto para tramitação do processo administrativo, via de regra, o prazo costuma se estender até 180 dias.

O Ministério da Justiça não cobra nenhuma taxa para concessão do título. Os serviços prestados pelo Departamento de Justiça, Títulos e Qualificações são inteiramente gratuitos.

Denegado o pedido, ele não poderá ser renovado antes de decorridos 02 (dois) anos da data da publicação de despacho denegatório, do qual caberá pedido de reconsideração, mediante a apresentação no prazo de 120 (cento e vinte) dias de recurso circunstanciado, com a exposição de fatos e argumentos que justifiquem a declaração de utilidade pública.

Para dar segurança ao sistema como um todo e transparência dos atos administrativos, inclusive aos negócios jurídicos que terceiros e particulares possam vir a celebrar com as instituições declaradas de Utilidade Pública Federal, está prevista obrigação à pessoa jurídica detentora do título de apresentar todos os anos, até o dia 30 de abril, ao Ministério da Justiça, um relatório circunstanciado dos serviços prestados à coletividade no ano anterior, devidamente acompanhado de demonstrativo de receita e da despesa realizada no período, ainda que não tenham sido subvencionadas, sob pena de ter o título cassado.

Caso parte das receitas tenha sido fruto de subvenção da União, o relatório deverá vir acompanhado da prova de publicação das demonstrações financeiras, ou seja, a publicidade é obrigatória.

A partir de 2008, em conformidade com Portaria da Secretaria Nacional de Justiça – SNJ[8], as entidades devem utilizar o Sistema de Prestação de Contas Anual, denominado Cadastro Nacional de Entidades – CNEs/MJ, que é dividido em duas etapas:

  1. cadastro do responsável e dos dados básicos da entidade; e após comprovação do vínculo do responsável, a entidade terá acesso ao

  2. sistema de prestação de contas digital.
A cassação do título está prevista em lei e poderá ocorrer em processo instaurado ex officio pelo Ministério da Justiça nas seguintes hipóteses:

  1. a entidade deixar de apresentar, durante 03 (três) anos consecutivos, o relatório anual acima referido;

  2. a entidade se negar a prestar serviços compreendidos em seus fins estatutários;

  3. retribuir de alguma forma os membros de sua diretoria e conselhos, ou distribuir lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados.
Sempre que houver mudança da Diretoria, de endereço e de alteração do estatuto, o representante legal da entidade está obrigado a comunicar as alterações e enviar a documentação comprobatória original ou cópia autenticada ao órgão competente do Ministério da Justiça.

O título de utilidade pública na esfera federal pode ser conferido independentemente da entidade ser considerada de utilidade pública nas esferas estadual, municipal ou distrital, pois não se trata de pré-requisito nesse caso.

No Distrito Federal, por exemplo, a Lei n° 1.617/97 que, em linhas gerais, segue a legislação federal, estabeleceu que para a concessão do título às entidades sediadas no seu território devem aplicar integralmente no País os seus recursos, para a manutenção de seus objetivos institucionais, além de comprovar que atua há mais de 03 (três) anos no Distrito Federal e estar registrada ou credenciada no órgão ou conselho competente para o tipo de serviço prestado, observada a legislação específica.

Quanto à obrigatoriedade de aplicação dos recursos da entidade de forma integral no país para a manutenção e desenvolvimento de suas atividades, informamos que embora não haja disposição expressa nesse sentido na lei federal, trata-se de uma exigência que conta no critério de avaliação para a concessão do título na medida em que a lei federal apenas dispõe de forma vaga que a entidade deva atender desinteressadamente à coletividade (brasileira) para cumprimento do interesse público.

Em consulta feita ao departamento técnico jurídico do Ministério da Justiça, obtivemos a informação de que se a entidade efetua pagamentos no exterior que não atendam à suas atividades finalísticas, o pedido de utilidade pública federal será negado, pois o entendimento está embasado no pressuposto de que ao aplicar integralmente seus recursos no país a entidade comprova que serve desinteressadamente à coletividade em prol do interesse público. A observância a tal prerrogativa, portanto, tornou-se um requisito para o reconhecimento da entidade como de Utilidade Pública Federal.

Dentre as possíveis vantagens auferidas pela obtenção do título, temos:


  1. receber doações de empresas, dedutíveis do lucro operacional da pessoa jurídica doadora (até o limite de 2% (dois por cento) - antes de computada sua doação, efetuada a entidades civis, legalmente constituídas no Brasil, sem fins lucrativos, que prestem serviços gratuitos em benefício da comunidade onde atuem). O resultado financeiro da dedução como despesa operacional é de 34% (trinta e quatro por cento), conforme veremos a seguir em quadro específico.

  2. o acesso a subvenções e auxílios da União Federal e suas autarquias;

  3. possibilidade de realizar sorteios, desde que autorizada pelo Ministério da Justiça;

  4. possibilidade de requerer a isenção da cota patronal da contribuição previdenciária, desde que dentre o preenchimento de outros requisitos cumulativos, a entidade declarada de utilidade pública seja portadora do certificado e do registro de entidade de fins filantrópicos, que atualmente passou a se denominar Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEAS, concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS[9], conforme veremos a seguir.
A possibilidade de dedução do valor doado como despesa (limitado a 2% do lucro operacional) gera redução do valor sujeito à incidência do Imposto de Renda, Adicional de IR e a Contribuição Social Sobre o Lucro, proporcionando à empresa doadora recuperar parte do valor doado, no importe de 34% (trinta e quatro por cento) conforme simulação que realizamos conforme o quadro abaixo.

Para fruição do benefício fiscal, é obrigatório que o doador seja pessoa jurídica tributada pelo regime de lucro real, estando vedada a dedução para empresas que se enquadrem no regime do lucro presumido.

A instituição beneficiada pela doação deve emitir um recibo de doação a empresa doadora e se comprometer em aplicar integralmente os recursos nos objetivos sociais.

Por força da Medida Provisória n° 2.113-32/01, referido benefício fiscal concedido inicialmente somente as entidades declaradas de utilidade pública se estendeu as OSCIP´s (organizações da sociedade civil de interesse público), conforme trataremos abaixo em capítulo específico.

No tocante a possibilidade de requerimento da isenção da cota patronal das entidades de benemerência e assistenciais, junto ao INSS, o título de utilidade pública é condição indispensável para que a entidade receba o CEAS - Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (anteriormente denominado Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos) e, a partir desse, a isenção de respectiva cota patronal previdenciária.


III - Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEAS

O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (anteriormente denominado Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos) é certificação concedida pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, órgão ligado ao Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

O Certificado representa o reconhecimento do Poder Público Federal às entidades sem fins lucrativos que prestam atendimento ao publico alvo da assistência social, passando a ser reconhecida como Entidade Beneficente de Assistência Social (anteriormente conhecida como "filantrópica").

A concessão do Certificado de fins filantrópicos remonta à edição da Lei nº 3.577, de 04 de julho de 1959. A partir da aprovação dessa norma, o então Conselho Nacional de Assistência Social - CNSS recebeu a prerrogativa de emitir Certificados às entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebiam remuneração, com a finalidade de isentá-las do recolhimento da contribuição previdenciária. O Certificado era emitido por prazo indeterminado.

Em 1977 foi editado decreto que impediu o Conselho Nacional de Serviço Social – CNSS de conceder novos Certificados, assegurando os benefícios para as entidades que já possuíam o Certificado.

A partir da aprovação da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, o CNSS voltou a ter a prerrogativa de emitir novos Certificados, o qual passou a ser emitido com prazo de validade por 03 (três) anos, renováveis, bem como, o Certificado deixou de conceder o benefício automaticamente.

Atualmente, a concessão ou renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a que se refere o inciso IV do artigo 18 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, obedece ao disposto no Decreto n.º 2.536, de 6 de abril de 1998 e respectivas alterações previstas nos Decretos n.º 3.504/2000, 3.504/2000, 4.325/2002, 4.381/2002 e 4.499/2002.

Considera-se entidade beneficente de assistência social, para os fins da concessão ou renovação do Certificado, a instituição dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que atue no sentido de promover:

  1. proteção à família, à infância, à maternidade, à adolescência e à velhice;

  2. amparo às crianças e adolescentes carentes;

  3. ações de prevenção, habilitação, reabilitação e integração à vida comunitária de pessoas portadoras de deficiência;

  4. assistência educacional ou de saúde gratuita;

  5. integração ao mercado de trabalho;

  6. desenvolvimento da cultura;

  7. atendimento e o assessoramento aos beneficiários da Lei Orgânica da Assistência Social e a defesa e garantia dos seus direitos.
Nesse sentido, o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social somente poderá ser concedido ou renovado para entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente:
  • Estar legalmente constituída no país e em efetivo funcionamento, nos três anos imediatamente anteriores ao requerimento;

  • Estar previamente inscrita no Conselho Municipal de Assistência Social do município de sua sede se houver, ou no Conselho Estadual de Assistência Social, ou Conselho de Assistência Social do Distrito Federal;

  • Estar previamente registrada no CNAS. A entidade poderá formular em um único processo o pedido de Registro e o pedido de certificado. Neste caso, deverá obter, preencher o Requerimento/Questionário utilizado para requerer o certificado;

  • Aplicar anualmente, em gratuidade, pelo menos 20% (vinte por cento) da receita bruta proveniente da venda de serviços, acrescida da receita decorrente de aplicações financeiras, de locação de bens, de venda de bens não integrantes do ativo imobilizado e de doações particulares, cujo montante nunca será inferior à isenção de contribuições sociais usufruídas;
Constar em seus ESTATUTOS dispositivos determinando que a entidade:

  1. Aplica suas rendas, seus recursos e eventual resultado operacional integralmente no território nacional e na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais;

  2. Não distribui resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcela do seu patrimônio, sob nenhuma forma;

  3. Não percebem seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores ou equivalente remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; - Destina, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, o eventual patrimônio remanescente a entidade congênere registrada no CNAS ou a entidade pública.
Ao pleitear o certificado, as fundações particulares, constituídas como pessoas jurídicas de direito privado, deverão apresentar seus contratos, atos constitutivos, estatutos ou compromissos inscritos junto ao Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o disposto no artigo 16 do Código Civil e devidamente aprovados pelo Ministério Público.

Por sua vez, as fundações públicas, constituídas como pessoas jurídicas de direito privado, instituídas pelos poderes públicos através de autorização legislativa, ao pleitear o certificado, deverão comprovar que:

  • O regime jurídico do seu pessoal, não incluído diretoria, conselheiros, sócios, benfeitores e instituidores, sejam o da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT;

  • Não participam da diretoria, dos conselhos, dos sócios e dos benfeitores pessoas físicas ou jurídicas dos poderes públicos federal, estaduais, municipais ou do Distrito Federal;

  • As subvenções sociais, dotações orçamentárias ou quaisquer recursos recebidos dos poderes públicos federal, estaduais, municipais ou do Distrito Federal não poderão ser destinados ao pagamento de pessoal;

  • No caso de dissolução, o eventual patrimônio da fundação seja destinado, de acordo com o art. 30 do Código Civil, ao patrimônio de outras fundações que se proponham a fins iguais ou semelhantes.

A relação dos documentos necessários à formalização de processo e ao exame e julgamento do pedido de concessão ou renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social está fixada pelo artigo 4º da Resolução CNAS n. º 177, de 10 de agosto de 2000, publicada no Diário Oficial em 28 de agosto de 2000. A saber:

  • Requerimento/formulário fornecido pelo CNAS;

  • Cópia autenticada do estatuto;

  • Cópia da ata de assembléia geral de eleição dos membros da atual diretoria;

  • Declaração de que a entidade está em pleno e regular funcionamento;

  • Relatórios de atividades (referente aos 03 (três) exercícios anteriores à solicitação);

  • Balanços patrimoniais (referente aos 03 (três) exercícios anteriores à solicitação);

  • Demonstrativos dos resultados dos exercícios (referente aos 03 (três) exercícios anteriores à solicitação);

  • Demonstração de mutação do patrimônio (referente aos 03 (três) exercícios anteriores à solicitação);

  • Demonstração das origens e aplicações de recursos (referente aos 03 (três) exercícios anteriores à solicitação);

  • Notas Explicativas (referente aos 03 (três) exercícios anteriores à solicitação);

  • Demonstrativo de Serviços Prestados (referente aos 03 (três) exercícios anteriores à solicitação);

  • Comprovante de inscrição no Conselho Municipal de Assistência Social;

  • Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (antigo CGC);

  • Reconhecimento de Utilidade Pública Federal e Declaração atualizada;

  • Em se tratando de Fundação, a requerente deverá apresentar ainda: cópia autenticada da escritura de sua instituição, devidamente registrada no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, ou lei de sua criação; Comprovante da aprovação do estatuto, bem como de suas respectivas alterações, se houver, pelo Ministério Público.
Notas explicativas sobre o teor dos documentos a serem apresentados são encontradas no sítio do Ministério do Desenvolvimento Social - http://www.mds.gov.br/institucional/conselhos1/conselho-nacional-de-assistencia-social-cnas-1/instrucoes-para-certificados#4.

As demonstrações contábeis das entidades que pleiteiam a concessão ou a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social devem observar as resoluções expedidas pelo Conselho Federal de Contabilidade, especialmente os Princípios Fundamentais de Contabilidade (PFC) e as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC).

O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social tem validade por 03 (três) anos, contados a partir de sua aprovação publicada no Diário Oficial da União. O pedido de renovação deve ser formulado com antecedência, dentro do exercício de seu vencimento.

O Conselho Nacional de Assistência Social poderá cancelar, a qualquer tempo, o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, se verificado o descumprimento dos requisitos estabelecidos pelo Decreto nº 2.536/1998.

O Conselho Nacional de Assistência Social julgará a solicitação da entidade e, no caso de indeferimento, caberá pedido de reconsideração ao próprio Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS. O pedido de reconsideração somente será acatado se apresentado no prazo de 10 (dez) dias, a contar da data de ciência da decisão e comprovada através de Aviso de Recebimento (AR).

Para obter a isenção da quota patronal da contribuição previdenciária, a entidade portadora do Certificado deve apresentar pedido de isenção junto ao Instituto Nacional da Seguridade Social e atender a todas as exigências e formalidades exigidas pelo INSS, inclusive apresentando o Certificado emitido pelo Conselho.

Nesse sentido, vale mencionar que a Lei 8.212/91 que organiza a Seguridade Social, prevê em seu artigo 55 que as entidades de assistência social, para deixarem de recolher as contribuições previdenciárias à seguridade social, devem deter não só do título de utilidade pública federal, como também do título de utilidade pública estadual ou distrital ou municipal. Nesse caso, há exigência da comprovação documental de existência concomitante dos títulos para a concessão da isenção da cota patronal do INSS.


IV – Qualificação como OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público

Trata-se a OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público de qualificação instituída pela Lei 9.790/99, podendo ser conferida a entidades sem fins lucrativos, inclusive entes fundacionais privados, cujos objetivos sociais atendam os requisitos instituídos pelo artigo 3o, inciso II da referida Lei.

Cabe ao Ministério da Justiça a análise do pedido de qualificação.

Podem qualificar-se como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público as pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, considerando-se como sem fins lucrativos aquelas que não distribuem, entre os seus sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que os aplica integralmente na consecução do respectivo objeto social.

Das vantagens advindas da obtenção de qualificação como OSCIP, destacamos a que prevê (i) a possibilidade de conferir benefício fiscal a doadores sujeitos à apuração pelo lucro real, em contrapartida aos investimentos realizados para o desenvolvimento dos projetos; (ii) a possibilidade de remunerar os diretores estatutários que atuarem na gestão executiva da entidade; e (iii) possibilidade de firmar Termo de Parceria com entes públicos, visando a realização de suas atividades de interesse público.

(a) Benefício Fiscal

O benefício fiscal é exatamente aquele conferido às entidades de Utilidade Pública Federal, conforme tratamos no capítulo II acima.

O benefício consiste em oferecer ao doador a possibilidade de deduzir como despesa o valor doado até o limite de 2% (dois por cento) de seu lucro operacional.

A possibilidade de dedução do valor doado como despesa (limitado a 2% do lucro operacional) gera redução do valor sujeito à incidência do Imposto de Renda, Adicional de IR e a Contribuição Social Sobre o Lucro, proporcionando a seus doadores recuperar parte do valor doado, no importe de 34% (trinta e quatro por cento) conforme o quadro abaixo.

A dedutibilidade das doações para OSCIPs está prevista pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2.001, pela qual foi estendida as OSCIPs, benefício já concedido às entidades de utilidade pública federal, a condição de beneficiárias de doações que proporcionam aos seus doadores incentivo fiscal, anteriormente estabelecida pela Lei nº 9.249/95.

Para beneficiar-se da dedução, basta que a empresa doadora obtenha o recibo de doação fornecido pela OSCIP, no qual estará firmado compromisso de aplicar integralmente os recursos nos objetivos sociais.

(b) Remuneração dos Dirigentes (art. 4o , VI)

Uma das principais novidades trazidas pela Lei de OSCIP está na possibilidade de que a entidade assim qualificada pode remunerar os Diretores que atuarem na gestão efetiva da entidade em valores de mercado, sendo que, como parâmetro de remuneração, o Ministério da Justiça tem aceitado o valor teto de remuneração do funcionalismo no Estado em que a entidade está sediada.

Pretende-se, desta forma, conferir gestão profissional à OSCIP, possibilitando que seus diretores possam se dedicar integralmente às atividades da entidade, sendo remunerados de acordo com a CLT.

(c) Termo de Parceria (art. 9o e seguintes)

Outra novidade advinda com a Lei de OSCIP é a possibilidade das OSCIPs celebrarem com o Poder Público o Termo de Parceria, nova modalidade de contrato em que há a conjunção de esforços e recursos para a consecução de atividade de interesse público.

Nessa modalidade de contrato, é possível prever todas as receitas e despesas a serem realizadas e o detalhamento das remunerações e benefícios de pessoal a serem pagos com recursos oriundos ou vinculados ao Termo de Parceria, a seus diretores, empregados e consultores.

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[1] O departamento competente para gerir o processo de solicitação do título de qualificação de UPF é a Coordenação de Justiça, Títulos e Qualificação, cujo atendimento é feito no prédio das Esplanada dos Ministérios, Bloco T, anexo II, sala 213, CEP: 70064-901, Brasília - DF Telefone (0xx61) 3429 3429 Fax (0xx61) 3429 3677 email: utilidadepublica@mj.gov.br

[2] http://www.mj.gov.br/services/DocumentManagement/FileDownload.EZTSvc.asp?DocumentID=%7b3D3D0FC2-A06B-4995-9086-B7D90A3229ED%7d&ServiceInstUID=%7b59D015FA-30D3-48EE-B124-02A314CB7999

[3] http://www.mj.gov.br/services/DocumentManagement/FileDownload.EZTSvc.asp?DocumentID=%7bB740DDC1-85E8-4F23-A484-BBEFCBE5D8D4%7d&ServiceInstUID=%7b59D015FA-30D3-48EE-B124-02A314CB7999

[4] Modelo de Atestado - http://www.mj.gov.br/services/DocumentManagement/FileDownload.EZTSvc.asp?DocumentID={A781A837-BF90-4BE0-8BCA-5D899A8F70D4}&ServiceInstUID={59D015FA-30D3-48EE-B124-02A314CB7999

[5] Modelo de Declaração - http://www.mj.gov.br/services/DocumentManagement/FileDownload.EZTSvc.asp?DocumentID={3D3BAF98-E05F-4243-9699-BFD522135593}&ServiceInstUID={59D015FA-30D3-48EE-B124-02A314CB7999

[6] http://www.mj.gov.br/services/DocumentManagement/FileDownload.EZTSvc.asp?DocumentID=%7bA926AB45-938A-43B4-9914-456B099F777C%7d&ServiceInstUID=%7b59D015FA-30D3-48EE-B124-02A314CB7999

[7] Ver Manual para Demonstrações Contábeis: http://www.mj.gov.br/services/DocumentManagement/FileDownload.EZTSvc.asp?DocumentID={20BB1200-6737-4083-8AEF-158ADA2921E5}&ServiceInstUID={59D015FA-30D3-48EE-B124-02A314CB7999

[8] www.mj.gov.br/services/DocumentManagement/FileDownload.EZTSvc.asp?DocumentID=%7BBB904395-5000-4150-A0F5-AC5D6CD16ECD%7D&ServiceInstUID=%7B59D015FA-30D3-48EE-B124-02A314CB7999%7D

[9] http://www.mds.gov.br/institucional/conselhos1/conselho-nacional-de-assistencia-social-cnas-1/instrucoes-para-certificados



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* Fernando Moraes Quintino da Silva é advogado, sócio do escritório Cesnik, Quintino e Salinas Advogados; especializado em cultura e terceiro setor; doutorando em Pedagogia Social pela Universidade de Siegen – Alemanha (2007-2010) E-mail: quintino@cqs.adv.br.

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A Coluna Legal é o espaço da revista IntegrAção de acompanhamento da legislação para o Terceiro Setor no Brasil e no mundo, sua publicação é mensal.*


Os artigos, entrevistas, análises e reportagens assinadas expressam a opinião de seus autores, não representando, necessariamente, o ponto de vista da editoria da Revista IntegrAção e do CETS – Centro de Estudos do Terceiro Setor.

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Publicado pela Revista IntegrAção, edição fevereiro 2008 (ano XI – nº 81)

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Utilizando suas forças para ficar mais forte

Lauren Keller Johnson*

Melhorar a performance tem a ver com superar as fraquezas, correto? Não, segundo Marcus Buckingham, autor de Go Put Your Strengths to Work: 6 Powerful Steps to Achieve Outstanding Performance (Coloque Suas Forças para Trabalhar: 6 Passos Poderosos para Alcançar Performances Diferenciadas, em tradução livre, Free Press, 2007). Ele diz que aqueles que possuem performances consideradas top atingem a excelência não por enfatizar suas fraquezas mas por enfatizar suas forças, identificando-as, colocando-as no âmago do seu trabalho e lapidando-as.

Mas o que são forças exatamente? “São muito mais do que simplesmente o que você faz bem”, diz Buckingham, ex-pesquisador do Instituto Gallup (Washington, D.C.), que atualmente comanda a The Marcus Buckingham Company, sediada em Beverly Hills, California. Esta empresa fornece consultoria neste assunto, treinamento e e-Learning. “A noção de que suas forças são aquilo em que você é bom é incompleta”., explica Buckingham. Atividades que por acaso você realiza bem o desanimam se você não gostar delas. “E isso acaba transformando-se em fraquezas.”

Suas forças são as atividades do trabalho que consistentemente fazem você se sentir produtivo, energizado e comprometido. Times compostos por pessoas que gastam a maior parte do tempo delas utilizando suas forças atingem performances mais altas que aqueles que não fazem isso, embora sejam comprometidos da mesma forma, de acordo com a pesquisa sobre times de alta performance da Gallup, citadas por Buckingham.

Para criar valor máximo para o negócio, a partir de suas forças, você precisa:

- Identificá-los
- Encontrar formas de colocá-los no âmago do seu trabalho.

Identificando suas forças
Quando surge a hora de identificar suas forças, diz Buckingham, “Apenas você pode fazer isso. Você é aquele que melhor sabe quais atividades o animam ou o desanimam. Você não precisa de uma avaliação de 360º ou um comentário do seu chefe.”

Determinar suas forças exige que você anote como você se sente antes, durante e após realizar cada atividade durante seu dia. Se você se vê vislumbrando o depois de uma atividade específica antes mesmo de começar a cuidar dela, se você tem condições de se concentrar nela enquanto a realiza e se você se sente realizado e animado ao terminá-la, são grandes as chances de ela ser uma força para você.

Buckingham sugere este exercício: Pegue um bloco de papel e desenhe uma linha dividindo as primeiras páginas em duas colunas. No topo da coluna da esquerda, escreva “Eu adorei”. No topo da coluna da direita, escreva “Eu detestei”. Todo dia, durante uma semana, registre cada atividade que você realiza no seu trabalho em uma das colunas.

Registre todas suas atividades e as sensações que elas despertaram em você no momento em que elas se desenrolarem, e não no final do dia ou semana. Liste também as atividades e suas emoções de forma específica. Por exemplo, “Eu me senti entusiasmado quando analisei os números das vendas para a divisão de iluminação.

Eu me senti consumido por uma sensação de medo quando eu sentei para escrever o artigo sobre nova estratégia para a companhia.” Evite linguagens vagas, como por exemplo “eu gostei da reunião do novo time de marketing”, “eu gostei dos novos desafios que surgiram para mim nesta semana” ou “Eu me senti bem quando aprendi coisas novas”.

Assegure-se também de listar as atividades que você realiza de fato, em vez de situações em que você foi o destinatário de outras ações. Por exemplo, não escreva algo do tipo “eu me senti energizado quando o CFO elogiou meu trabalho durante a reunião.”

O que você deve fazer se tiver muitas atividades listadas na coluna “Eu odiei”? “Isso não significa necessariamente que você deva abandonar seu emprego e começar tudo de novo”, diz Buckingham. Nem mesmo significa que você precisa rever seu papel. Como discutido anteriormente, mudanças incrementais podem ajudá-lo a melhorar o equilíbrio entre as duas colunas.

Uma vez completada sua lista de atividades “Eu adorei” e “Eu odiei”, preste atenção na coluna “Eu adorei”. Identifique as três atividades que mais incitam reações emotivas positivas a você. Estas são as atividades com as quais você gostaria de ocupar mais seu tempo, para não dizer todo seu tempo, durante uma semana típica. Ela são suas forças mais importantes.

Encontre formas de colocar suas forças no âmago do seu trabalho
Agora que você identificou suas três forças-chave, o próximo passo é fazer ajustes no seu papel para ocupar mais tempo utilizando as mesmas. Para cada força, Buckingham recomenda seguir esta abordagem LIVRE composta de quatro passos:

Focar: Identifique como você atualmente utiliza estas forças no trabalho, e com que freqüência. Por exemplo, no livro Go Put Your Strengths to Work, Buckingham apresenta uma diretora chamada Heidi, que identificou uma de suas forças-chave como sendo “ajudar um gerente de hotel a pegar um bom hotel e transformá-lo no melhor hotel”. Neste passo da estratégia, Heidi diz que ela utiliza sua força quando ela dá aula de liderança para gerentes gerais e quando ela planeja e conduz orientações em pré-aberturas e pós-encerramentos da atividade. Ela calculou que ela utiliza sua força, por alto, em 20% do seu tempo.

Deixar fluir: Imagine em que situações você poderia ocupar seu tempo e quais ações você poderia tomar para utilizar sua força. Por exemplo, Heidi percebeu que “ter uma conference call com o grupo pertinente para identificar suas necessidades” concentra esta força e a torna apta a utilizá-la além dos 20%.

Educar: Identifique habilidades e técnicas que possam ajudá-lo a alavancar futuramente esta força. No caso da Heidi, ela decidiu checar se havia alguma “melhor prática” interna que ela pudesse aprender perguntando aos diretores de produto de alguma empresa co-irmã da Hampton Inn’s, sobre como eles abordavam as melhorias de performance do hotel.

Expandir: Considere como você compartilha suas melhores práticas com os outros no que se refere a esta força e expanda seu papel para fazer melhor uso dela. Por exemplo, Heidi decidiu encontrar-se com um diretor de produto na semana seguinte para discutir idéias sobre como medir os resultados da performance dos hotéis.

E ela resolveu conversar com seu gerente sobre como o trabalho dela poderia ser reformatado de forma que ela poderia focar sua atenção no suporte para os gerentes do hotel alcançar performance superiores.

Seu objetivo é fazer mudanças incrementais e empurrar gradualmente seu trabalho em direção de suas forças e o mais longe possível de suas fraquezas. “Você está reescrevendo a descrição do seu trabalho, bem sob o nariz do seu chefe”, diz Buckingham. “E assim como em toda predisposição, seu chefe quer que você faça isso. A isto chamamos assumir responsabilidades para seu próprio desenvolvimento.”

O que você faz com as atividades que o desanimam e são críticas para seu trabalho? Buckingham sugere estas estratégias:

Encontre alguém que é forte na atividade que o desanima e veja se ele se interessa em conversar com você sobre esta questão.

Ofereça constantemente suas forças; isto pode no final tornar suas fraquezas irrelevantes. Buckingham cita um executiva da AT&T que adorava iniciar novos projetos e sistemas, mas que considerava dar manutenção a um projeto extremamente tedioso. Ela perguntava constantemente quais projetos novos e desafios estavam programados para serem iniciados e se oferecia para participar deles. Após um período, ela tornou-se tão habilidosa em procurar e se oferecer para projetos de inovação que seu supervisor concordou em reformatar a carreira dela em 18 meses, através de uma série de avaliações. Hoje, diz Buckingham, ela é conhecida como a Rainha dos Novos Projetos.

Redesenhe a atividade com fraqueza como um veículo para alavancar uma força. Por exemplo, se você detesta reuniões de briefings de design mas adora auxiliar clientes, pratique mentalmente a idéia de que tais reuniões são meios de tornar possível você atender melhor os clientes. Esta técnica não transformará uma atividade “com fraqueza” em uma “com força”, Bucukingham reconhece, “mas pode ajudá-lo a se sentir menos esvaziado por ela.”

Admita que nenhum trabalho é perfeito.Todo papel contém ao menos uma pequena porcentagem de atividades que o enfraquecem mas que você pode evitar, independentemente de como, de forma solícita, você reformate suas responsabilidades a favor de suas forças. O objetivo é manter as fraquezas em um patamar mínimo.

Transformar suas forças em drivers de performance de alto nível leva tempo, reflexão e coragem de redesenhar seu papel como é preciso. Mas o investimento vale a pena. Quando você ocupa a maior parte do seu tempo realizando atividades que toca suas paixões mais profundas, você e sua empresa se beneficiam disso.

* Lauren Keller Johnson é escritora de negócios, de Massachusetts

Fonte: Harvard Management Update, 18/01/08
Publicado pela
HSM Online em 19/02/08

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domingo, 24 de fevereiro de 2008

ONU quer turismo contra pobreza no Brasil

Rafael Sampaio


PNUD pretende obter recursos do governo espanhol para projetos nessa área; proposta de apoio ao PAC também será discutida

O PNUD vai propor ao governo espanhol acordos de cooperação para implantar projetos sociais na área de turismo no Brasil. A idéia é aproveitar o potencial do setor para desenvolver programas de capacitação, geração de emprego e preservação do meio ambiente. A proposta será apresentada nesta semana, durante reunião entre a Espanha e representantes de escritórios do PNUD na América Latina.

“O Brasil tem grande potencial para turismo, e a atividade pode ter impacto positivo na redução da pobreza, pois pode gerar empregos e conhecimento”, avalia Maristela Baioni, representante do PNUD Brasil no evento, que acontece nesta terça e na quarta-feira, em Cartagena, na Colômbia. “O movimento do setor privado espanhol no Brasil pode ser acompanhado de cooperação para projetos”, afirma.

A sugestão do PNUD é que a cooperação na área de turismo seja definida como uma das áreas prioritárias na parceria entre a agência da ONU e o governo espanhol. O PNUD formularia e apresentaria projetos relacionados ao setor para serem implantados com apoio da Espanha, maior doador do PNUD internacional.

O PNUD Brasil também vai propor um projeto para fortalecer o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que poderia ser inserido em uma linha de apoio já aprovada pelo governo espanhol, relacionada a parcerias entre o setor público e privado. O projeto, ainda em elaboração, prevê monitorar o programa do governo para verificar seu impacto na redução da pobreza, além de mapear as potencialidades de empresas e outras instituições privadas para parcerias.

Outro projeto que o PNUD Brasil vai apresentar na reunião é ligado à violência. A idéia é escolher uma comunidade em um município violento e desenvolver, por cerca de quatro anos, um trabalho com outras agências da ONU. “A partir daí, pode-se por em prática ações de educação para infância e combate ao tráfico de drogas, por exemplo”, sugere Maristela.

O governo espanhol já é parceiro do PNUD Brasil em projetos relacionados a emprego e trabalho descente, principalmente para jovens, e à promoção da igualdade de gênero, que incluem ações para combater racismo contra mulheres negras.

Publicado pela Envolverde em 22/02/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.


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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

O que os consumidores realmente desejam

Artificial, insincero, falso, nada original. Seus clientes utilizam alguma destas palavras para descrever o que ou como você vende? Se a resposta é sim, bem-vindo ao clube.

Inundado por cópias e falsificações sofisticadas, as pessoas cada vez mais separam o mundo em dois grupos: original ou falsificado. Elas preferem comprar algo original de alguém confiável do que algo falsificado de alguém não confiável. Quando decidem comprar, consumidores julgam a autenticidade de uma oferta (e da empresa) tanto quanto preço, qualidade e disponibilidade (ou até mais que isso tudo).

Em Authenticity, James H. Gilmore and B. Joseph Pine II argumentam que para derrotar os rivais, as empresas precisam compreender, gerenciar e se sobressair em prover autenticidade.

Através de exemplos de uma ampla gama de indústrias, bem como de setores governamentais, ONG’s, da educação e religioso, os autores demonstram como gerenciar a percepção de autenticidade do cliente: através da identificação de como os negócios são falsificados; apelando para os cinco gêneros diferentes de autenticidade; mapeando como ser verdadeiro a si mesmo e que você diz que é; produzindo à mão e implantando estratégias de negócios para prover autenticidade.

Este livro é o primeiro a explorar o que autenticidade realmente significa para os negócios e como as empresas podem abordar isso tanto de forma ponderada como a fundo. É um must-read para qualquer organização que procura satisfazer seus clientes e aumentar a demanda de seu genuíno negócio.

Visite o site www.harvardbusinessonline.com para obter mais informações.

Publicado pela HSM Online em 20/02/2008
Fonte: Harvard Business Online

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Desafio: como direcionar a comunicação para universitários

Mauro Lissoni*

Conquistar consumidores de notícia do público jovem é um dos maiores desafios da mídia. Os jornais vêm aumentando significativamente sua presença on-line, como uma forma de chegar mais perto dos jovens. Os noticiários das redes e emissoras locais de televisão também respondem a esta demanda, mas não com a intensidade que deve ser feita.

A comunicação é uma arte realizada desde a existência humana, na forma de pinturas, mímicas, símbolos e progredindo para a palavra escrita. A comunicação passou a ser estudada por teóricos e deixou de aplicar somente o modelo de emissão e recepção para integrar novos participantes como mensagem, canal e código.

Hoje, ela é utilizada como estratégia para estabelecer uma imagem corporativa positiva.

Nos últimos anos, percebe-se que a comunicação reage às reclamações dos consumidores com programas específicos de atendimento, aos desejos confessos ou ainda latentes dos clientes criando novos desejos com a publicidade e, inclusive, ao esgotamento das necessidades de produtos por parte do consumidor com marcas que garantam a felicidade, sucesso e status.

Uma das preocupações manifestadas pelas organizações: como transmitir uma imagem positiva para a mídia e a sociedade? A imprensa tem o papel de informar e formar a opinião pública. No Brasil, a imprensa tem o poder de ser o retrato condensado do mundo, seja em veículos no formato impresso, televisivo, via web ou rádio.

A comunicação organizacional figura hoje como um dos mais importantes meios para aperfeiçoar a gestão da informação com os mais diferentes públicos. Para a organização sobreviver no ambiente competitivo, que exige um relacionamento diferenciado com a mídia e um planejamento de suas ações, ela precisa buscar um domínio da gestão integrada e das estratégias corporativas.

Nos últimos dez anos, percebemos que a mídia se segmentou e os números de veículos de comunicação estão cada vez mais direcionados para seu público-alvo. Segundo Armando Medeiros de Farias, no livro Assessoria de imprensa e relacionamento com a mídia, “diante das transformações estruturais da mídia, a fragmentação das audiências conduz ao impasse: qual mídia escolher para atingir públicos cada vez mais pulverizados?”

Muitos veículos deixam de realizar a comunicação em massa para otimizar suas verbas, ou seja, em vez de investir milhões em campanhas que atinjam um grande público, do qual apenas um pedaço efetivamente faz parte do target da empresa, investe-se menos, mas no público correto. Se tudo for bem feito, os resultados finais superam as expectativas, com a vantagem de originar economia no investimento.

E um nicho de mercado que vem se tornando foco é o público universitário. Esse segmento passa por uma grande transformação e está virando o novo alvo das empresas. Cada vez mais, são desenvolvidos benefícios para esse setor como descontos e facilidades que vão ao encontro de seu estilo de vida. Porém, percebe-se ainda uma grande carência de mídias segmentadas para o universitário, quando comparada ao que já existe para outros nichos. O que é normal, uma vez que estamos nesse momento de transição com esse segmento.

Este público é muito mais que um mero telespectador, ele é interativo, ativo seja através da TV, celular, ipod, rádio, web, etc. e mais exigente no conteúdo e novidades.

Mas, minha proposta nesse artigo é ilustrar que somente com essa demanda, que já acontece, é possível criar novidades em comunicação para os universitários. Então, como atingir esse setor?

Segundo Hamish McLennan, presidente mundial da Young Rubicam, “com o uso intensivo da internet, o público se afastando das mídias convencionais, os jovens se comunicando por celulares e serviços de mensagens rápidas... Em cinco anos o cenário de mídia estará irremediavelmente alterado”.

Conquistar consumidores de notícia do público jovem é um dos maiores desafios da mídia. Os jornais vêm aumentando significativamente sua presença on-line, como uma forma de chegar mais perto dos jovens. Os noticiários das redes e emissoras locais de televisão também respondem a esta demanda, mas não com a intensidade que deve ser feita.

O perfil do público jovem não é homogêneo. Ele apresenta características diferentes, e nem sempre essa diversidade está clara nas páginas dos jornais e revistas. Muitas vezes, ele procura por interatividade, sendo contra a passividade.

O comportamento dos jovens é, em grande parte, determinado pelo grupo ao qual pertence. Além disso, eles esperam que as marcas cumpram suas promessas. Já não aceitam tão facilmente o endosso de celebridades e apresentam baixa fidelidade a marcas.

Para a internet, os portais estão inserindo hiperlinks, quizz, blogs, chats e outros meios para atrair a atenção deste público. Na televisão, os veículos procuram direcionar programas para esta faixa, com produtos e marcas que se identificam com os jovens, já a revistas e jornais tentam capturar a atenção por meio de cadernos especializados.

Mas isso não basta. As mídias que conversam com esse público ainda são abrangentes, pois alcançam o interesse da família também.

O grande desafio hoje é identificar as necessidades e despertar a atenção deste público, por meio de uma comunicação cada vez mais segmentada. É preciso criar mecanismos de personalização. É justamente nesse ponto que entra o trabalho dos publicitários e agências. Sabemos que há um nicho, com grande potencial, mas é preciso desenvolvê-lo e contar com o apoio das marcas que desejam chegar a esse público. Além disso, este universitário, que hoje já tem um perfil otimista de consumo, será um potencial ainda maior para aquisição de seu produto, futuramente. Basta buscar ações que trabalhem na sua fidelização desde já. Mãos a obra.

Publicado pela HSM Online em 20/02/2008
Fonte: NB Press Comunicação

* Mauro Lissoni é Diretor de Mídias da Mundo Universitário, agência de publicidade, promoções e eventos com foco em ações direcionadas exclusivamente ao público universitário.

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Governo de Minas quer mudar leis ambientais para atrair investimentos

Ivana Moreira
Publicado pelo
Valor Online em 20/02/08

Aécio Neves, governador de Minas: atrair empresas para Cofins é estratégico
Foto Marisa Cauduro/Valor


Sem alarde, o governo de Minas trabalha para alterar mecanismos da legislação ambiental do Estado que estão dificultando a instalação de novos empreendimentos em áreas estratégicas, como a região do entorno do aeroporto internacional de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, e a região norte do Estado.

Em dezembro, o governador Aécio Neves (PSDB) sancionou a lei 17.353, que modifica um decreto de 2004 e aumenta de 60% para 70% a possibilidade de desmatamento na Floresta Estacional Decidual, também chamada Mata Seca, um ecossistema do Norte de Minas. Agora, o governo tenta aprovar nova legislação para alterar um decreto estadual de 1980, que cria uma área de preservação ambiental especial na região de Confins.

O projeto de lei 1.444, de autoria do Executivo, tramita desde setembro do ano passado na Assembléia Legislativa. Este mês, o governo encaminhou um substitutivo ao mesmo projeto. De acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, o objetivo é adequar a legislação de modo a proteger o patrimônio arqueológico da região, mas garantir também a relevância econômica da região.

Transformar Confins num aeroporto industrial, atraindo empresas para a zona de tratamento tributário especial e para toda a região, é um dos projetos estratégicos da gestão de Aécio. Muito antes do acidente com o Airbus da TAM , no aeroporto de Congonhas, colocar em evidência o carregado tráfego aéreo nos aeroportos centrais, o governo mineiro conseguiu, numa parceria com a Infraero, transferir todos os vôos entre capitais do aeroporto da Pampulha, na zona norte da capital.

O objetivo era garantir movimento de passageiros e fluxo aéreo no aeroporto que, por mais de duas décadas, foi uma espécie de terminal fantasma. Aécio também está investindo na Linha Verde, uma via expressa que ligará Confins, distante cerca de 40 quilômetros, ao centro da capital. Nada disso, porém, garantirá a atração de indústrias na região se os investidores não conseguirem as licenças ambientais para seus projetos.

Segundo informações do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama), todos os processos com pedidos de licença ambiental para expansão ou novos empreendimentos na região estão parados. Com base no decreto estadual 20.597, florestas e demais formas de vegetação natural da região são de preservação permanente. De acordo com a assessoria de imprensa, o órgão não pode atuar em desacordo com o decreto estadual. A norma atinge a região de Confins e os municípios de Lagoa Santa, Pedro Leopoldo, Matozinhos e Funilândia.

Técnicos do governo alegam que o decreto estadual de 1980 conflita com legislação federal de 1990, mais moderna e menos restritiva. O decreto federal 98.881 define como área de proteção ambiental o mesmo contorno geográfico do decreto estadual, mas, diferentemente dele, admite atividades industriais e ocupação urbana. No entendimento do Ministério Público Estadual, o decreto estadual de 1980, mais restritivo, prevalece sobre o federal. A legislação impede a instalação não apenas de indústrias, mas também de estabelecimentos como postos de combustível e estacionamentos.

A necessidade de atualizar a legislação ambiental para permitir a atração de investimentos em determinadas regiões do Estado não é consenso entre ambientalistas. Enquanto técnicos do próprio Ibama concordam com o governo do Estado e entendem que é possível levar desenvolvimento industrial para as regiões sem comprometer as áreas especiais de preservação, ambientalistas ligados a entidades como a Associação Mineira de Meio Ambiente (Amda) denunciam falta de rigor técnico nas análises da Fundação Estadual de Meio Ambiente para concessão de licenças ambientais em diferentes regiões do Estado.

A Amda foi uma das entidades que se pronunciaram contra a sanção, no fim de dezembro, da legislação que amplia a possibilidade de desmatamento na Mata Seca. Trata-se, de acordo com a associação, de um ecossistema pouco estudado, com número significativo de espécies de fauna e flora. A floresta é rica em árvores altas de bom valor econômico, como ipê e umbu. A nova legislação mineira permite que 70% das árvores secundárias sejam derrubadas - 10% mais do que o permitido pela deliberação normativa do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) de 2004 - e o desmatamento de até 60% da cobertura vegetal primária, três vezes mais do que o autorizado pelo Copam.

Questionada sobre o assunto, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente informou, por meio da assessoria de imprensa, que a aprovação da lei 17.353, sancionada pelo governador em dezembro, atendeu a antiga reivindicação dos produtores da região norte para uso do solo da Mata Seca em empreendimentos agrossilvipastoris, depois de o assunto ser sido debatido em audiências públicas. A lei diz que o desmatamento só será autorizado para atividades econômicas sustentáveis, mas não deixa claro os critérios de sustentabilidade que deverão ser aplicados.

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Concurso internacional convoca jovens a opinarem sobre as cidades

Publicado pelo redeGIFE Online em 19/02/08

“O que precisaria ser feito para transformar a sua cidade no lugar de seus sonhos?”. Essa é uma das questões apresentadas aos jovens por um concurso internacional que quer discutir a questão urbana no mundo.

A competição é organizada pelo Banco Mundial, a Aliança de Cidades e o Governo da Noruega e convoca a participação de jovens de 18 a 25 anos. Eles devem elaborar um texto sobre o tema e inscrevê-lo no concurso até 23 de março. Os detalhes e demais orientações para o evento estão no endereço www.essaycompetition.org.

A justificativa principal para o concurso é o crescimento de mega-cidades no mundo e com ele o desafio de encontrar soluções para problemas urbanos como a pobreza, a degradação ambiental e a carência de serviços básicos (habitação, água, saneamento, energia, estradas, entre outros)

Segundo os organizadores do evento, a cada dia mais e mais pessoas nos países em desenvolvimento, particularmente na África e na Ásia, migram do campo para a cidade.

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Conselho Nacional de Assistência Social convoca eleições

Publicado pelo redeGIFE Online em 19/02/08


Na última semana, começou o processo de eleição dos representantes da sociedade civil no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) para a gestão 2008/2010. Neste primeiro momento, representantes das entidades e organizações socioassistenciais, representantes de usuários, ou de organizações de usuários, e também dos trabalhadores já podem se inscrever, seja como eleitores ou como eleitores e candidatos às vagas de representação.

Um dos objetivos do CNAS é acompanhar a política nacional de assistência social, em articulação com as demais políticas públicas, para exercer o controle social e zelar pela efetivação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). O Conselho é vinculado à estrutura do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), responsável pela coordenação da política nacional de assistência social no País.

“A eleição deste ano é mais uma etapa de controle social com ampla democracia. A participação popular é importante para fortalecer este controle e ampliar o leque da assistência social”, afirmou o presidente da Comissão Eleitoral, João Paulo Ribeiro, representante da sociedade civil pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra). João Paulo lembrou ainda que as eleições do CNAS ocorrem de dois em dois anos, sem caráter permanente.

Para dar mais visibilidade e transparência ao processo eleitoral, cujas inscrições encerram-se no dia 10 de março, o Conselho Nacional de Assistência Social preparou o “Kit Eleição que contém toda legislação referente à eleição dos representantes da sociedade civil.

As entidades inscritas deverão, no momento de apresentação do pedido de habilitação, indicar o segmento a que pertencem, observados seu Estatuto. O pedido de habilitação deve ser feito em formulário próprio, assinado pelo representante legal da entidade ou organização ou por um de seus representantes legais

Para o coordenador do Projeto Marco Legal e Políticas Públicas do GIFE, Eduardo Pannunzio, a eleição é importante, pois é esse conselho que zela pelas boas práticas e regularidade das organizações assistenciais. “Ele tem um papel fundamental no reconhecimento de entidades beneficentes. Ele define, por exemplo, quais delas têm direito a imunidades sobre as contribuições sociais”, argumenta.

Para se ter uma idéia, as organizações com Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social (Cebas), que dá o direito a imunidade sobre as contribuições previdenciárias deixaram de recolher R$ 7,8 bilhões (37%), segundo dados do Ministério da Previdência Social.

A presidente da Associação Paulista de Fundações e da Confederação Brasileira de Fundações (Cebraf), Dora Silvia Cunha Bueno, afirma que o conselho tem uma “missão importante” ao defender os interesses de todo o setor social, não apenas das entidades associadas ao conselho. “Não é apenas a prática cartorial (que gerencia imunidades e isenções) que os gerentes sociais devem prestar atenção. O CNAS acompanha toda a política nacional de assistência social”, define.
Dora Silvia também é enfática ao dizer que a área social não deve olhar para o conselho apenas nas eleições. “Não adianta enviar apenas técnicos para as reuniões. Os dirigentes das organizações sociais devem se conscientizar de todos os processos. Além disso, as pessoas podem simplesmente participar das reuniões (que são abertas) e contribuir nas discussões”, crê.

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Pedido de apoio ao MinC agora por meio da internet

O Estado do Maranhão, 19/02/2008

Até a implantação do sistema, ao contrário do que diz a Associação de Servidores da Funarte, as inscrições em papel continuam, garante o secretário de Fomento, Roberto Nascimento

“Socorro!”, é como começava o email enviado pelo leitor Marco Ferreira sobre suas tentativas de contato com o site do Ministério da Cultura: “Há mais de dois meses, em momentos diferentes, envio ao MinC, pelo sistema de mensagens direcionado a “Dúvidas do proponente”, questões sobre preenchimento do formulário da Lei Rouanet e, até hoje, nada. Os funcionários do MinC recebem seus salários para atender os cidadãos ou não é isso?”

Marco e todos que quiserem inscrever projetos culturais na Rouanet, para captar patrocínio via desconto fiscal, terão que se acostumar com a relação com o órgão pela internet. A partir de 3 de março, segundo a previsão do MinC, ele só aceitará inscrições de projetos na Rouanet por um sistema online desenvolvido pela Secretaria de Fomento do ministério. Atualmente, podem ser feitos testes e simulações no sistema pelo site do MinC (www.cultura.gov.br).

Até a implantação do sistema, ao contrário do que diz a Associação de Servidores da Funarte, as inscrições em papel continuam, garante o secretário de Fomento, Roberto Nascimento. Ele diz que não se excluirá quem não tem acesso à internet. Segundo a Secretaria de Fomento, ela responde gradativamente aos cerca de cem emails que recebe por dia, como o enviado por Marco Ferreira.

“Vamos pôr à disposição acesso à internet em nossas sedes regionais (seis, para todo o país) e nas secretarias de cultura locais”, diz Nascimento, acrescentando que, no novo sistema, o proponente do projeto dirá onde ocorrerá a ação, em vez de só seu endereço, como era antes. “Até então, um festival em Parintins contava como sendo projeto de São Paulo se o produtor fosse de São Paulo”.

Mudanças
O processo de inscrição e análise dos projetos da Lei Rouanet está passando por mais mudanças. Com cerca de dois mil projetos culturais atrasados desde o ano passado, o MinC está contratando o que chama de força-tarefa: um grupo de 20 pareceristas (quem faz a análise e dá o parecer), que ficará responsável por concluir até junho deste ano o parecer dos projetos atrasados, segundo o presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Celso Frateschi. A Associação de Servidores da Funarte diz que cinco pareceristas teriam sido demitidos, sem terem sido substituídos.

A dispensa de “alguns pareceristas”, segundo Frateschi, é um processo normal, pois eles seriam contratados por serviço. Este ano, também começará a ser feito um cadastro com quem inscrever projetos na Rouanet, algo pedido por produtores há pelo menos dois anos.

O objetivo do MinC é poder saber, nos anos seguintes, quem já se inscreveu, quem se inscreve pela primeira vez e quem deve algo em processos anteriores de inscrição na Rouanet.

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