sexta-feira, 3 de julho de 2009

Prefeitura de São Paulo lança portal para estimular adoção de animais

Site do Probem oferece informações sobre como cuidar de cães e gatos de maneira responsável e pretende reduzir abandono.

A Prefeitura Municipal de São Paulo lançou na quinta-feira (2/7) um portal para estimular a adoção de cães e gatos. Com o tema “Não abandone aquele que nunca vai abandonar você", o site faz parte do Programa de Proteção e Bem-Estar de Cães e Gatos (Probem).

O portal possui uma busca pelos animais conforme o perfil desejado. É possível escolher entre cães ou gatos, machos ou fêmeas e diferentes portes, idades e comprimentos de pelo.

Nesta sexta-feira (3/7), o portal já possuía 65 animais disponíveis para adoção e três já haviam sido adotados.

O site ainda possui dicas de como cuidar do animal de maneira responsável, dando dicas de tudo o que o usuário precisa saber antes de adotar, como informações sobre doenças, vacinas, alimentação e treinamento. Além disso, o site oferece cartilhas animadas para crianças, espaço para animais achados e perdidos e destaque para o telefone 156, onde as pessoas podem denunciar maus tratos.

O programa é realizado em conjunto com a Secretaria de Saúde e pretende reduzir o número de animais abandonados. Também está prevista a nomeação de 80 veterinários e 67 biólogos que atuarão em ações de controle e vigilância de zoonoses, bem como a ampliação do programa de controle reprodutivo, com o credenciamento de novas clínicas veterinárias, para alcançar a meta de até 100 mil castrações anuais.


IDG Now!, 03/07/09

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BID deve liberar US$ 1 bilhão para as sedes da Copa-2014

O Ministério do Turismo negocia com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) a criação de uma linha de crédito específica para as 12 cidades-sedes da Copa de 2014.

A pasta pede ao banco que disponibilize US$ 1 bilhão (cerca de R$ 1,95 bi) para serem aplicados pelas capitais em obras de infraestrutura turística voltadas para o Mundial.

Até o fim do mês, as sedes de 2014, que já devem receber verba do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da Copa, saberão se vão ser contempladas com essa ajuda financeira adicional do banco.

Atualmente, o ministério já possui um convênio de US$ 1 bilhão com o BID para o Prodetur (Programa de Desenvolvimento do Turismo). Segundo esse programa, somente Estados e cidades com mais de um milhão de habitantes podem solicitar o empréstimo para aplicar em projetos turísticos.

Ceará, Pernambuco, Rio (Estado e capital) e Goiânia já solicitaram a linha de crédito atual.

A nova verba deve favorecer principalmente Natal e Cuiabá, únicas das 12 cidades-sedes da Copa que têm um número populacional inferior ao limite imposto pelo atual programa.

Ontem, durante evento promovido em São Paulo pelo Ministério do Turismo, o prefeito de Cuiabá, Wilson dos Santos, chegou a pedir mais investimentos do Governo Federal em sua cidade com vistas à Copa.

"Acho que Cuiabá e Manaus merecem uma ajuda especial do governo. Precisamos de mais dinheiro para a Copa do que Rio e São Paulo", disse o prefeito, diante do ministro do Turismo, Luiz Barretto.

De acordo com a assessoria da pasta, as sedes que usarem a linha de crédito do BID terão de se comprometer a aplicar 60% da verba em obras de infraestrutura turística voltada para a Copa, 20% em qualificação profissional e o restante na promoção. Como contrapartida, o banco deve exigir do ministério que aplique mais 50% do valor de cada projeto na cidade que o pleiteou.

As cidades terão um prazo de 20 anos para pagar o empréstimo, a uma taxa de juros que deve girar em torno de 6%.

Além da negociação com o BID, o ministério anunciou hoje os quatro principais focos da pasta para a Copa: hospedagem, qualificação profissional, promoção da Copa e infraestrutura voltada para o turismo.

Em parceria com a FGV (Fundação Getúlio Vargas), o ministério estabeleceu uma lista de 65 destinos turísticos que receberão verba adicional do governo para se desenvolverem nesses quesitos até 2014. Mas o foco principal serão as 12 sedes.

"De acordo com esse diagnóstico feito pela FGV, haverá um plano de ação turístico voltado para cada cidade da Copa. Mas não é para ter competição entre as cidades. Cada uma vai medir sua evolução de acordo com suas características", ressaltou o ministro.

Barretto também prometeu um programa voltado para a capacitação profissional, principalmente com o ensino de idiomas, para pessoas que trabalharão diretamente com turistas na Copa. Segundo o estudo da FGV, esse é o maior desafio turístico para o evento de 2014.

Atualmente, há em curso somente um programa piloto que vem sendo aplicado no Rio e em Salvador, mas, segundo o ministro, haverá a ampliação para as outras 10 cidades-sedes.



Mariana Bastos
Folha de S.Paulo, 03/07/09

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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Medidas restritivas trazem dificuldades para programas sociais

A burocracia e o excesso de moralização que surgiram a partir da comissão parlamentar de inquérito que investiga a atuação das organizações não governamentais (CPI das ONGs) prejudicam o andamento de programas sociais no Brasil, especialmente o de economia solidária, que seria “uma inovadora alternativa de geração de trabalho e renda e uma resposta a favor da inclusão social”.

Entre os entraves está a proibição de convênios com entidades da sociedade civil dirigidas por parentes de até segundo grau de pessoas que ocupam cargos públicos. A crítica foi feita pelo economista e secretário nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego, Paul Singer, em entrevista concedida na última sexta-feira (26/6), por telefone, à Agência Brasil.

Essa campanha de moralização para impedir fraudes, na visão do secretário, além de não alcançar seu objetivo, atrasa os programas sociais do país. “Temos hoje, no Brasil, mais de 300 mil ONGs. E uma parte dessas centenas de milhares trabalha com educação, com pesquisas científicas, com saúde e outras atividades fundamentais. Todas elas estão sendo submetidas a uma espécie de camisa de força com a ideia de se impedir as fraudes. E, na verdade, não impedem, porque se você é obrigado a tirar o seu cunhado, mas estiver mal-intencionado, pode colocar um outro laranja lá. E vai ficar tudo igual.”

Confira abaixo trechos da entrevista de Paul Singer à Agência Brasil:

Agência Brasil: Há quantos projetos dentro do programa de economia solidária? E que resultados estão sendo obtidos de maneira geral por esses programas?
Paul Singer: Temos 11 ações distintas de economia solidária. Entre elas, ações de fomento direto de empreendimentos de economia solidária e de formação em economia solidária - temos um programa educativo muito amplo e que está sendo ampliado cada vez mais em parceria com o próprio Ministério do Trabalho. Estamos qualificando milhares de pessoas. No último programa, que terminou no ano passado, foram 4 mil [pessoas]. Estamos começando agora um Plano Setorial de Qualificação [Planseq] com mais de 5 milhões de pessoas. O Planseq leva mais de um ano [de duração] e é um programa extenso que dá qualificação profissional e também qualificação em economia solidária, que é fundamental em associativismo, ensinando as pessoas a trabalhar juntas, em ajuda mútua, em termos de cumprir as exigências fiscais e legais. Havia 80 mil pessoas organizadas em empreendimentos de economia solidária, nos mais diferentes setores, na fila para receber formação. Está difícil fazer as políticas sociais, que eram mais fáceis quando você podia fazer vários tipos de convênio com os diferentes parceiros em nível estadual e municipal. Agora está tudo muito mais restrito, mas está sendo feito.

ABr: Que dificuldades seriam essas?
Singer: É uma sucessão de proibições que vêm caindo em carta dupla desde 2007. Tem a ver com uma campanha de moralização das parcerias do governo federal com as entidades sem fins lucrativos da sociedade civil. Acho que essa moralização em si é correta, mas está sendo feita de uma forma muito intensa a ponto de matar a galinha dos ovos de ouro. Procura-se evitar que haja fraude, mas praticamente se impede que a própria política, pelo menos, tenha a agilidade que tinha antes, o que eu lamento muito. O exemplo que gostaria de dar é o seguinte: hoje todos os convênios passam por um cadastro único, que se chama Sincov [Sistema de Conveniamento do governo federal] e que não permite que haja mais do que um único convênio. Se quisermos fazer um programa de formação, por exemplo, temos que fazer um convênio com uma única entidade, que deve fazer toda a formação. Não posso conveniar, como fazíamos antes, com uma entidade abrangente que, por sua vez, podia conveniar nos diferentes lugares do Brasil com outras entidades de formação. Tem muita ONG se dedicando à formação. Esse conveniamento em cadeia, que fazíamos sempre, nos dava um poder de capilaridade e hoje não se pode mais. Há outras restrições que estão sendo feitas e dificultando bastante a ação das políticas sociais.

ABr: Essas restrições surgiram a partir da Comissão Parlamentar de Inquérito das ONGs?
Singer: Isso. A partir de 2007 começou uma caça às bruxas, a meu ver. É sempre a mesma coisa: há irregularidades? Sim, há. Devem ser evitadas? Sim, devem. Só que as irregularidades, provavalmente, estão presentes numa minoria de contratos. Sei lá: 10% ou 15%. É difícil calcular. Talvez você evite alguma coisa, mas, em compensação, as dificuldades que você cria… Para começar, custa caro ao erário. Algumas vezes, tanto ou quanto as fraudes custavam antes. Mas, antes de mais nada, você atrasa e dificulta políticas que ajudam milhões de pessoas. Não é a finalidade, mas acaba acontecendo.

ABr: Qual seria a alternativa? Como moralizar e ao mesmo tempo não impedir que as políticas públicas aconteçam? Qual seria esse modelo?
Singer: O modelo, na verdade, deveria parar de proibir coisas. Os que fazem os convênios, como o Ministério do Trabalho, no qual eu estou, praticamente não foram consultados. Isso está sendo feito pelos órgãos de controle. Não estou discutindo as boas intenções deles. Só estou dizendo que eles não entendem as dificuldades que nós temos porque eles não fazem convênios. Órgão de controle como Tribunal de Contas, Controladoria-Geral da União e mesmo os ministérios do Planejamento e da Fazenda não fazem convênio. Não precisam. A ação desses ministérios é sobre os outros ministérios que fazem convênios. Eles nos controlam. É a função deles. Não estou querendo que não nos controlem. Mas, na hora de mudar o caráter dos controles para torná-los eventualmente mais abrangentes e mais efetivos, deveríamos estar juntos. E infelizmente não estamos. Algumas vezes, as coisas são feitas com intenções boas - bem, mas o inferno está cheio de boas intenções. Outra vedação recente é que hoje você está proibido de fazer convênios com uma organização da sociedade civil - pode ser uma ONG ou uma Oscip [organização da sociedade civil de interesse público] - que tenha na sua direção qualquer pessoa que exerça algum cargo público em nível federal, estadual ou municipal. Mas não só. Estão proibidos também os convênios com todas as entidades que tenham algum dirigente que seja parente de alguém que esteja em cargo público em parentesco de até segundo grau. Temos 5,6 mil municípios. Temos milhões de pessoas que são vereadores e secretários municipais. Proibir convênios com parentes dessas pessoas na santa ideia de que isso se evitará que haja favorecimento com o parentesco é, inclusive, uma violação do direito que essas pessoas têm de trabalhar e atuar como qualquer outro. Quando a pessoa é prima ou cunhada de um vereador, por que ela não pode continuar dirigindo uma ONG? Para podá-la tem que ter alguma prova de que a pessoa agiu errado. De antemão, preventivamente, proibir isso com a suposição de que o parentesco é indutor de fraude, a meu ver, não cabe.

ABr: O excesso de burocracia, então, estaria também prejudicando o programa?
Singer: Está prejudicando, eu diria, todas as políticas sociais brasileiras que, tradicionalmente, se fazem - não tem outra maneira de fazer - com o chamado terceiro setor. Temos hoje no Brasil mais de 300 mil ONGs. E uma parte dessas centenas de milhares trabalham com educação, com pesquisas científicas, com saúde e outras atividades fundamentais. E todas elas estão sendo submetidas a uma espécie de camisa de força com a ideia de se impedir as fraudes. E, na verdade, não impedem, porque se você é obrigado a tirar o seu cunhado, mas estiver mal-intencionado, pode colocar um outro laranja lá. E vai ficar tudo igual. Não é difícil fraudar isso. Mas, para quem não quer fraudar coisa nenhuma e quer trabalhar sério, são dificuldades que aumentam cada vez mais.

ABr: A crise econômica, de certa forma, também prejudicou os programas sociais no Brasil?
Singer: Pelo contrário. O que ela fez foi aumentar a importância e a demanda por esses programas. Aumentou o desemprego, aumentou a probreza. Então, as políticas socias têm de crescer para atender às demandas.

ABr: A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) divulgou números apontando que a crise econômica deixará 1 bilhão de pessoas passando fome no mundo. Que ajuda os programas sociais dariam para diminuir esse número?
Singer: Os programas sociais ajudam imensamente. Aliás, o Brasil é um país de vanguarda no sentido de redução de pobreza e de desigualdade. Ainda tem muita pobreza e desiguldade no nosso país. Mas, comparativamente, [o país] é outro. Nós conseguimos avançar - e avançar recentemente. Cerca de metade dos que antes eram pobres hoje está na chamada classe C e está acima da linha de pobreza. E as novas ações do governo dão mais potência a essa luta. Os programas mais importantes, a meu ver, são o do salário mínimo e o Bolsa Família. E eu quero dizer que o Bolsa Família significa salvar uma geração toda, porque efetivamente nós sabemos que as crianças das famílias beneficiárias do Bolsa Família estão indo à escola, estão sendo alimentadas e passam de ano.

ABr: Que outro programa o senhor destacaria?
Singer: Temos hoje um programa de crédito aos mais pobres por meio de bancos comunitários. Somos parceiros nesse programa com o Banco do Brasil. Os bancos comunitários recebem depósitos do Banco Popular do Brasil, que é uma parte do Banco do Brasil. Esses bancos são resultado da construção de comunidades coesas, que reúnem suas próprias poupanças - que são poucas, mas importantes - e usam moeda social para promover atividades dentro de seus bairros. E isso dá resultado. Eles começam a desenvolver atividades que geram trabalho e renda e começam a sair da pobreza. São programas dessa natureza que me parecem mais importantes, programas emancipatórios. Eles estão acontecendo e pessoalmente posso dizer que estou bastante otimista a respeito do nosso país.

ABr: Esses programas de economia solidária poderiam ser uma solução para a crise ou para esse 1 bilhão de pessoas que estarão passando fome no mundo?
Singer: Sim. Em grande parte está sendo um modelo. Na agricultura, o cooperativismo de gente pobre é um instrumento fundamental. Os camponeses produzem comida, antes de mais nada, para eles próprios. Mas, para isso, eles precisam ter apoio, sementes, crédito, apoio tecnológico. O governo brasileiro faz política de economia solidária por meio de 22 ministérios, bem mais do que a metade dos ministérios do governo federal, que são 37. Todos os ministérios que são de políticas sociais dão apoio ao [programa de] economia solidária. É isso que dá ao Brasil essa imagem de ser um país onde a economia solidária tem amplo apoio. Está crescendo também o apoio dos governos estaduais e municipais à economia solidária no Brasil. Em outros países da América Latina é a mesma coisa, mas eles começaram mais tarde, então estão um pouco mais atrasados. Há dois países na América Latina que mudaram suas constituições recentemente, inclusive em referendos populares: a Bolívia e o Equador. Nas duas constituições, a economia dos países é definida como economia solidária. São países com os quais colaboramos. A Venezuela está fazendo programas muito amplos também de apoio e de fomento à economia solidária. Isso está, inclusive, se estendendo para outros países, como os Estados Unidos, que hoje têm uma rede de economia solidária.E não é do governo não. Isso vem da sociedade civil.

“Acabar com o Bolsa Família seria uma crueldade”

Agência Brasil: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que é melhor dar dinheiro para o cidadão do que desonerar a indústria. No entanto, as medidas que o governo vem adotando para combater a crise se concentram principalmente em desoneração da indústria. Isso não é uma postura contraditória?
Paul Singer: O que vocês chamam de dar dinheiro ao cidadão são as medidas relacionadas ao Bolsa Família, ao salário mínimo e agora recentemente ao [programa] Minha Casa, Minha Vida. São programas de longo prazo. O Bolsa Família não tem data, graças a Deus, para acabar. E acaba quando a família deixa de estar necessitada. A desoneração é realmente uma medida transitória, de momento de crise, e é normal que ela acabe e os impostos sejam restaurados.

ABr: O Bolsa Família é um programa que vem sendo muito questionado, com críticas de que o governo estaria dando o peixe, mas não estaria ensinando a pescar. Já não está na hora de o governo começar a ensinar as pessoas a pescar?
Singer: O esforço de ensinar a pescar é contínuo para o governo. Não tem nada a ver uma coisa com outra, não é “ou”. O Bolsa Família é um programa de uma urgência enorme e seria, a meu ver, uma crueldade acabar com ele a pretexto de dizer que agora vamos ensinar a pescar. Com fome, ninguém aprende coisa nenhuma. E, inclusive, pescar significa lutar para ter um trabalho que dê renda. Essa coisa de ensinar a pescar é bobagem no sentido de que o cidadão é pobre porque ele não sabe coisas. Não é assim. Isso é um ponto de vista cruelmente patronal. Os empregadores sempre almejam ter disponíveis empregados que já tenham experiência. As pessoas são pobres por razões estruturais e históricas, que já vêm de séculos. Para que ele deixe de ser pobre, são necessárias medidas estruturais como redistribuição de terra, reforma agrária, investimentos em educação. E isso está sendo feito, por exemplo, com o ProUni [Programa Universidade para Todos, do Ministério da Educação], que é um programa que ensina jovens que jamais pisariam numa universidade a pescar. E ele atinge muita gente. As pessoas que criticam o Bolsa Família esquecem que há muitos programas que fazem exatamente isso. Que são programas, vamos dizer, de luta positiva para que as pessoas deixem de ser miseráveis pelo próprio esforço.

ABr: E quantas pessoas fariam parte dos demais programas?
Singer: A estimativa é que haja 400 mil quebradeiras de coco organizadas em cooperativas em todo o Nordeste e Norte do Brasil. As quebradeiras de coco vivem da exploração do babaçu, que é de grande utilidade e tem muitas aplicações, desde farmácia e cirurgias a sabonetes. Só que, quando deu a onda de soja, começaram a derrubar o babaçu. E as mulheres se organizaram e estão lutando para preservar a árvore. É uma luta que é, ao mesmo tempo, ambiental e social. Nós estamos conseguindo, graças à ajuda do governo, que os próprios interessados se organizem. Outro exemplo: temos hoje o Ministério da Pesca. Os pescadores me fizeram ver que há envenenamento dos cursos de água no Brasil devido à expansão da cana. Há um líquido poluente, que decorre da fabricação do álcool, que é jogado na água e simplesmente extermina os peixes. É preciso coibir essa destruição dos recursos naturais.


Daniel Mello e Elaine Patricia Cruz, da Agência Brasil
Envolverde, 01/07/09
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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Projeto Itaúbrasil realiza ações na Flip

Esta é a quinta edição em que o Unibanco é o patrocinador oficial da feira; com a fusão das duas instituições financeiras, Itaú também assina o patrocínio

O sucesso dos projetos que tiveram apoio do Itaúbrasil - como a homenagem aos cinquentenário da Bossa Nova, em 2008 e os 50 anos de música de Roberto Carlos, agora em 2009 - levou o Itaú a criar uma marca sob a qual estarão outras iniciativas na área cultural e esportiva, a partir de agora. O primeiro evento a receber apoio será a Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece entre os dias 1 e 5 de julho.

Esta é a quinta edição em que o Unibanco é o patrocinador oficial da feira. Após a fusão das duas instituições financeiras, o Itaú também assina o patrocínio. Para destacar sua presença na feira, o Itaúbrasil prepara diversas ações, como a distribuição gratuita, via online, de mais de 30 obras literárias (e-books) que já caíram em domínio público. Para adquiri-las, o público terá que acessar um dos terminais de computadores instalados no Espaço Itaú Unibanco, na tenda de autógrafos da FLIP. Além disso o Itaú Unibanco instalará em Paraty uma agência móvel durante os cinco dias do evento.

A sétima edição da FLIP terá como homenageado o poeta pernambucano Manuel Bandeira (1886-1968). A programação completa está disponível no site. O banco acredita que eventos como a Festa Literária, são uma oportunidade de exercer um compromisso institucional e histórico de promoção de ações culturais.


Meio & Mensagem Online, 26/06/09

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CESE lança edital para projetos ambientais

A CESE - Coordenadoria Ecumênica de Serviço, lança edital de apoio a iniciativas que visem à defesa do meio ambiente. Serão aceitos projetos de todo país com enfoque na sensibilização, formação e educação ambiental que envolvam mobilização popular e tenham ações concretas em defesa do meio ambiente.

O total de recursos destinados a cada projeto aprovado será de até R$ 20 mil reais. Os projetos podem ser entregues diretamente na sede da instituição, ou enviados por correio ou e-mail, desde que remetidos no período de 06 de junho a 06 de julho, das 8h às 12h e das 13h às 17h.

Com este edital, a CESE reforça o apoio a uma das áreas que tem se tornado uma prioridade na pauta política nacional e internacional. São graves os problemas sócio-ambientais, com destaque para as mudanças climáticas que agravam o conflito no uso dos recursos naturais e seus rebatimentos sobre as populações mais vulneráveis e demais formas de vida do planeta.

No Brasil, desmatamentos de florestas, avanço de monoculturas que destroem a biodiversidade, instalação de grandes empreendimentos de turismo em zonas costeiras, construção de barragens e grandes empreendimentos em áreas de proteção ambiental, crescimento desordenado de cidades, poluição de rios e mares ocasionada por atividades industriais e detritos urbanos, consumo exacerbado de bens são apenas alguns exemplos da ação humana sobre o meio-ambiente.

Sobre a CESE
Nas suas análises e seleções de projetos a CESE dá destaque as ações de caráter pontuais com capacidade de mobilização, desdobramento e multiplicação. A instituição evita, com isto, criar laços de dependência respeitando a autonomia dos grupos apoiados e incentivando a participação popular nas políticas públicas. A CESE prioriza as regiões Norte e Nordeste, por serem as mais empobrecidas do país e apoia projetos sintonizados com a defesa de direitos. Iniciativas ligadas às mudanças climáticas e seus graves reflexos sócio ambientais estão entre as prioridades por entender que se trata de uma temática intrínseca à defesa de direitos.

Clique e confira o edital na íntegra

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terça-feira, 30 de junho de 2009

Nova lógica para o investimento social privado

Projetos realizados por empresas apostam no protagonismo das comunidades como via indutora de desenvolvimento

Pensar global, agir local. A máxima do desenvolvimento sustentável tem levado empresas a repensar suas relações com diferentes públicos de interesse. Nesse contexto, tão importante quanto estabelecer diferentes canais de diálogo é reconhecer que o negócio não pode ser o principal agente de desenvolvimento.

A partir dessa ótica, o investimento social privado assume novos contornos. Mais do que ensinar, as empresas estão aprendendo a ouvir as comunidades, para contribuir de maneira efetiva com o desenvolvimento local. Realização de diagnósticos socioeconômicos para identificação de carências e potenciais, apoio no planejamento participativo e fomento à atuação em rede caracterizem as iniciativas de desenvolvimento comunitário pensadas dentro dessa lógica.

Assim, a responsabilidade social empresarial ganha dimensão estratégica não apenas porque traz benefícios de reputação e imagem para a companhia ou assegura a licença para operar. Segundo Augusto de Franco, especialista em desenvolvimento social e professor de RSE da Fundação Dom Cabral, as corporações passam a compreender que não são unidades-produtivas isoladas, mas uma comunidade de negócios formada a partir de um ecossistema. “Só há uma maneira de a empresa continuar existindo: entender que o meio não é uma ameaça, mas sim faz parte dela. A companhia deve desenvolver muitos canais de interação porque se quiser embarcar tudo o que precisa para produzir, vai falir”, ressalta.

Para De Franco, a empresa não tem condições, por exemplo, de investir sozinha em educação para desenvolvimento do seu capital humano e social. “A descoberta de que as corporações precisam investir no protagonismo da comunidade representa um salto de qualidade na responsabilidade social corporativa. As pessoas precisam adquirir novas capacidades geradas na própria comunidade e que, portanto, são permanentes”, afirma.

Dentre as armadilhas comuns no desenvolvimento de projetos sociais por empresas, De Franco destaca a tentativa de atuar de maneira isolada, correndo o risco de tornar-se um alterego do Estado e reproduzir relações de dependência. “A companhia precisa atuar de maneira integrada com o poder público, organizações da sociedade civil e outras empresas. Para que isso ocorra, têm que entender a responsabilidade social como um assunto estratégico, não podendo ser destinado ao marketing ou qualquer outro departamento específico”, ressalta.

No final das contas, as conexões locais estabelecidas pela empresa asseguram que esteja interligada ao todo. Segundo De Franco, mais importante do que dar escala às iniciativas é respeitar as diferentes realidades, desenvolver produtos, serviços e ações que expressem as dinâmicas da comunidade. “Toda grande transformação resulta da efervescência de micro mudanças. É a lógica do tipping point: temos que salvar o mundo, um instante de cada vez. Assim, a visão ética dá lugar à visão lírica, que nos diz: se queres ser universal, canta tua aldeia”.

Construção de consensos
Uma cidade voltada para as necessidades das pessoas. Essa é a proposta do Ortopólis, que em grego significa cidade ideal. A ideia do consultor Edgar von Buettner tomou forma a partir do reencontro com um amigo de faculdade, Carlos Bühler, presidente da Holcim no Brasil, que buscava uma forma de estimular o desenvolvimento local sustentável da cidade de Barroso (MG).

Em 2003, iniciou-se um processo de diálogo com a comunidade para construção da visão de futuro da cidade para 2013. “Já no primeiro encontro, reunimos representantes dos três setores da comunidade para olhar para o município como um todo, identificar problemas, construir consensos e soluções coletivamente”, afirma Juliana Andrigueto, coordenadora geral do Instituto Holcim.

A mudança comportamental de uma visão assistencialista para a de desenvolvimento sustentável consiste em um dos principais desafios do projeto devido a uma relação histórica de dependência de Barroso em relação à fábrica de cimento, instalada na cidade, em meados de 1950, pelo grupo Paraíso.

A onda de progresso gerada pela empresa não resultou na diversificação da economia. Pelo contrário, pequenas cadeias produtivas locais, como a agropecuária, foram suprimidas diante do poder de atração da companhia sobre os trabalhadores, em especial os jovens, que preferiam ser assalariados da fábrica a tocar seus próprios empreendimentos.

Na década de 90, a Paraíso enfrentou dificuldades financeiras por causa das mudanças no mercado consumidor, da automação e da pressão por maior controle ambiental. Ao ver ameaçada a continuidade do negócio a, transferiu as suas atividades à Holcim.

Ao assumir o controle da fábrica em Barroso, no ano de 1996, o grupo suíço iniciou a adaptação dos processos produtivos e de gestão em linha com padrões internacionais. A economia de Barroso, que já vinha enfraquecida, sentiu fortemente os impactos dessa mudança, sobretudo com a perda de postos de trabalho a partir automação da fábrica.

Para reverter esse quadro, a Holcim fomentou a criação da Associação Ortópolis Barroso, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que tem como principal objetivo o fortalecimento de todas as instituições da cidade. Também foi criado o Fundo Solidário de Investimento Social, por meio do qual a AOB recebe aportes do Instituto Holcim e outros financiadores.

A OAB também estimulou a criação de grupos de trabalho no setor eletromecânico, de artesanato, pecuária, reciclagem e comércio. Os participantes encontram na associação um apoio para viabilização dos seus projetos, formulação de estratégias de ação, e captação de recursos e parceiros.

Os impactos decorrentes da mobilização da comunidade já são perceptíveis na economia de Barroso. Em 2006, teve início o projeto Rumo Certo para mapeamento do comércio local e capacitação dos empreendedores. Dois anos após sua implementação, registrou-se um aumento médio de 64% no faturamento dos empreendimentos e 20% no crescimento dos empregos.

Segundo Juliana, do Instituto Holcim, o grande desafio de agora em diante é mobilizar mais participantes, sobretudo os jovens. “A questão da sucessão nos negócios é crucial. Muitos jovens saem de Barroso para estudar e acabam não retornando. Buscamos ferramentas de comunicação adequadas para aumentar a visibilidade do projeto e com isso atrair cada vez mais as novas gerações”, ressalta.

Redes sociais

A estratégia de responsabilidade social da Veracel Celulose se divide entre antes e depois do programa de Redes Sociais, que teve início em 2007. Em parceria com o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), a companhia identificou as principais necessidades e ativos das comunidades do seu entorno.

“Buscávamos uma forma de estimular o desenvolvimento local, sem fazer filantropia e encontramos essa resposta junto a comunidade”, afirma Eliane dos Anjos, gerente de sustentabilidade da Veracel.

O projeto contempla os municípios de Barrolândia, Boca do Córrego, Santa Maria Eterna, Belmonte, Ponto Central, Santa Cruz Cabrália, Mascote, Guaratinga, União Baiana e Itagimirim, todos na Bahia, somando cerca de 400 mil habitantes.

Segundo Eliane, essa experiência proporcionou grande aprendizado para a empresa. “Aprendemos, primeiramente, que nenhum município é igual ao outro. Também compreendemos a importância de exercitar a humildade, respeitar o conhecimento local e o ritmo de cada comunidade”, destaca.

Cada município decide suas estratégias de ação. Da Veracel, eles recebem capacitação técnica e apoio para captação de financiadores.

Para Elaine, o grande fator de sucesso do projeto é o envolvimento dos diferentes atores da comunidade. “A empresa não pode ser prepotente. Deve ter a capacidade de ouvir e atrair novos parceiros. Somente a soma de experiências e esforços possibilita a construção de um tecido social para sustentação do projeto”, ressalta.

Legado de conhecimento
Possibilitar condições para que as comunidades sejam capazes de protagonizar o seu próprio desenvolvimento, no longo prazo, quando a mineração não estiver mais presente. Essa é a principal diretriz da nova estratégia de responsabilidade social da Vale. A implementação de unidades da Estação Conhecimento – Núcleo de Desenvolvimento Humano e Econômico no Sudeste do Pará faz parte desses esforços.

Constituídas como Oscips, essas organizações têm como missão mobilizar a comunidade em torno de soluções que estimulem o desenvolvimento local. Para tanto, contam com os diagnósticos socioeconômicos - elaborados por uma equipe multidisciplinar contratada pela Vale, a partir do cruzamento de uma série de dados estatísticos e de um processo de consulta pública junto a comunidade.

O programa aposta na formação de profissionais para promover o desenvolvimento em três frentes: físico, com esporte de alto rendimento (atletismo, judô, futebol e natação); emocional por meio da cultura (teatro, dança, música e artes); e intelectual, com base na qualificação profissional. Na perspectiva econômica, a Estação apoia a organização da produção em escala empresarial, oferecendo orientação técnica para melhoria da qualidade e padronização da produção.

Segundo Silvio Vaz, diretor-presidente da Fundação Vale, a Estação Conhecimento amplia o conceito da escola tradicional porque trabalha com a visão de desenvolvimento humano e econômico da sociedade integrada ao mercado.

“Nosso objetivo é deixar um legado institucionalizado e sistematizado para a comunidade local. Para isso, instalamos Núcleos de Desenvolvimento Humano em um esforço de pensar a escola fora da caixa, para que se transforme em pólo de conhecimento, participando do desenvolvimento da sociedade”, afirma Vaz.

Fatores-chave para projetos de desenvolvimento comunitário
-Estimular a organização da comunidade em redes sociais;
-Elaborar estudos socioeconômicos para conhecer as necessidades e potenciais da comunidade;
-Buscar parceiros junto ao poder público, setor privado e sociedade civil;
-Estabelecer diferentes canais de diálogo com a comunidade;
-Desenvolver as capacidades locais para que a comunidade assuma a gestão do projeto no longo-prazo.


Idéia Sustentável, 30/06/09

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2009 motivos para participar do Festival Latino-Americano de Captação de Recursos!


Profissionais brasileiros e estrangeiros se unem para trazer estratégias inovadoras de captação de recursos

1º Os temas são fascinantes e interessam a todos: teoria e prática sobre captação de recursos em relatos, oficinas e mesas redondas.

2º Captação de recursos se aprende com experiência e vivência, e a troca delas com colegas será uma constante.

3º Diversos países estarão representados com palestrantes expondo suas experiências internacionais.

4º Os palestrantes estão entre os mais experientes captadores de recursos do mundo.

5º Em tempos de mudança, é necessário aprender novas formas de comunicação e novas oportunidades em captação.

6º Além das palestras e oficinas, será possível se reunir com os colegas do setor, e este será o melhor ponto de encontro.

7º São necessárias novas técnicas e novas estratégias para desenvolver a captação de recursos em época de crise.

8º Haverá o Espaço Aberto, em que participantes poderão programar oficinas com temas pertinentes à captação de recursos.

9º Aprender é sempre uma oportunidade para melhorar, e lá CRIAREMOS MUITAS NOVAS OPORTUNIDADES!

E... Mais de 2.000 motivos para você se arrepender se perder a inscrição, pois as vagas são limitadas... é bom correr!

Compareça e compartilhe você também seu conhecimento: no evento, exponha suas experiências no “Espaço Aberto”

20 a 22 de Julho de 2009

LOCAL
Teatro Tuca - PUC São Paulo
Rua Monte Alegre, 1.024
Perdizes/São Paulo

Informações e Inscrições
(11) 2281-9643
dialogo@dialogosocial.com.br
www.dialogosocial.com.br/festival

Veja alguns temas que serão abordados:

Ferramentas para gestão de base de dados de doadores (sistema de cobrança automática de doações)
Palestrante: Gonzalo Ibarra L.

Desenvolvimento de estratégias de arrecação de fundos usando os novos meios.
Palestrante: Gonzalo Ibarra L.

Como escrever relatórios no padrão da Global Reporting Initiative (GRI)
Palestrante: João Meirelles

Relação de longo prazo entre Responsabilidade Social Empresarial e ONGs – casos reais
Palestrante: João Meirelles

Empresas sociais – como as ONGs estão criando empresas para ser sustentáveis
Palestrante: João Meirelles

Construindo parcerias duradouras com empresas
Palestrante: Carla da Nóbrega

Cenário da captação de recursos na Europa: financiadores, mercado de trabalho e formação dos captadores de recursos
Palestrante: Marcos Concepción Raba

Cara a cara com o potencial doador
Palestrante: Víctor Naranjo

Conceito de marketing relacionado a causas e casos de sucesso no Brasil
Palestrante: Márcia Woods

Como desenvolver relações sustentáveis com doadores internacionais
Harley Nascimento

Montando um departamento de captação de recursos
Palestrante: Marcelo Estraviz

Harmonizando conceitos para escrever projetos de captação de recursos
Palestrante: Michel Freller

Geração de renda e impostos incidentes sobre venda de produtos e serviços
Palestrante: Michel Freller

Histórias que mobilizam: como utilizar o poder das histórias para mobilizar recursos
Palestrante: Rodrigo Alvarez

Planejamento de indicadores de êxito
Palestrante: René Steuer

Introdução à Captação de Recursos - o que você não pode deixar de saber para ser bem sucedido
Palestrante: Claudia Amaral

Você é com quem se relaciona - gestão de relacionamentos para a mobilização de recursos
Palestrantes: Claudia Amaral e Fabiano Moraes

Inspirações: as melhores práticas de captação de instituições de saúde no Brasil e nos EUA.
Palestrantes: Renata Brunetti e Fabiana Dias

Segmentação de doadores
Palestrante: Pedro Adam



Fonte: Diálogo Social

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Especialistas defendem a importância de novas tecnologias em favor das mudanças sociais

Pensar a transformação, a visão integral e complexa dos seres humanos como pessoas, além dos valores que possuem na conta bancária. Esse foi uma das questões debatidas na primeira mesa redonda da Conferência Internacional Ethos 2009, que aconteceu entre os dias 15 e 18 de junho.


Com o tema Redefinindo o Marketing e a Comunicação das Empresas num Mercado Socialmente Responsável, participaram: a vice-presidente do Núcleo de Estudos do Futuro (NEF/PUC SP), Rosa Alegria; o diretor geral e superintendente da MTV, José Wilson Andrade da Fonseca; o fundador e presidente da Thymus Branding, Ricardo Guimarães; a coordenadora do Unicef para os estados de Minas Gerais, São Paulo e Sul do Brasil, Anna Penido e a vice-presidente de responsabilidade social empresarial da Holcim, Barbara Dubach.

Rosa Alegria, moderadora do debate, abriu o debate falando sobre os processos mentais e interativos intensificados pelas novas tecnologias da informação. “Somos influenciados pelos valores coletivos, temos uma vida integral. Mas o marketing vê hoje o consumidor de uma forma fragmentada. A própria palavra “consumidor” é anacrônica. Não sou mais só um algo que consume, mas que interage.”

De acordo com Rosa Alegria vivemos um tempo que necessidade não é somente de uma mudança nas relações da comunicação publicitária, mas de realmente reinventar as regras do marketing. “Por que a propaganda não se pauta pela felicidade ao invés da infelicidade? É preciso investir nas pessoas e naquilo que elas têm de bom. A economia precisa mudar, se desmaterializar, para satisfazer as reais necessidades humanas.”

Penido concordou com o poder da comunicação e abordou vários aspectos que apontam para uma transformação profunda nas formas sociais de comunicação e retransmissão de conhecimento e informação. “A comunicação tradicional é vertical, unidirecional, traz poucas fontes e é de fácil controle. Já a comunicação contemporânea é horizontal, em rede, plural e difícil de controlar.” Ou seja, com as novas possibilidades de manejamento, produção e difusão popularizadas pela internet, os veículos de massa não são as únicas fontes de informação.

“Toda a transformação pode acontecer pela consciência, ou pela ciência. Ou pelos dois. A ciência nasce da natureza e sobre a natureza você não tem vontade, você não pode escolher. Ela te pune”, reflete Ricardo Guimarães sobre a necessidade de conscientização dos processos de produção de bens de consumo e de serviços. O presidente da Thymus Branding ressaltou que antes a transparência das empresas com relação ao impacto sob o meio ambiente era uma questão de escolha, de virtude. “Agora significa uma capacidade de competir no mercado, saiu do plano moral. É o cenário. Tudo comunica. Comunicação é um exercício de identidade.”, disse.

Já a honestidade parece se refletir nos indicadores de credibilidade junto aos clientes. De acordo com Barbara Dubach, a disponibilidade das empresas em ouvir as reclamações e acolher as expectativas de seus consumidores é cada vez mais valorizada e tida como um fator de pré-avaliação daqueles que pensam em adquirir produtos de determinada empresa. “O poder de ouvir, de empenhar a sua palavra e de construir parcerias são itens essenciais. Os fatos devem corresponder ao discurso empresarial.”

De acordo com José Fonseca é essa mesma a missão da MTV. O compromisso de levar os jovens a processos de conscientização numa linguagem própria e identificada com o público. “Existe um paradoxo desesperador. O jovem nunca teve tanto acesso à informação, mas nunca foi tão individualista. Essa é uma questão muito latente para a MTV. Como quebrar esse fenômeno?”

Para esclarecer seu questionamento, Fonseca exibiu vídeos de campanhas da MTV em favor do consumo consciente, da responsabilidade social, sexual e campanhas de mobilização, como esta aqui: http://mtv.uol.com.br/publica/blog/como-ser-um-consumidor-um-pouco-consciente

Serviço:
Conferência Internacional Ethos 2009
www.ethos.org.br/Ci2009


Camila Caringe,
Setor3, 23/06/09

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Depois do sucesso: cópia vs disseminação

Como uma organização sem fins lucrativos pode progredir baseada nos seus projetos de sucesso? E como as fundações podem ajudá-las a fazer isso?

A replicação é um enfoque, mas a propagação é um conceito mais forte. Enquanto os dois termos implicam na continuidade e no crescimento de projetos de sucesso, a propagação abrange resultados mais amplos, contínuas “gerações” e novos direcionamentos. A propagação incorpora a disseminação de adaptações de idéias e projetos para novos ambientes geográficos, culturais e socioeconômicos.

Uma estratégia para expandir ou ampliar projetos de sucesso é ajudá-los com a replicação; ou seja; copiar suas características essenciais e implementá-las em outros cenários. No entanto, o termo replicação é tirado de dois outros contextos: (a) o experimento em laboratório (um cientista deseja replicar um experimento para confirmar uma hipótese) e (b) o mundo das licenças de varejo e franquias (MacDonald, em suas localidades, deseja comida consistente, valor e “experiência com o consumidor”). Nenhuma das duas utilizações do termo geralmente não são aplicáveis aos serviços sociais ou às organizações de comunidades de base.

A rigor, os projetos de sucesso das comunidades de base não podem simplesmente ser copiados ou “clonados” ou franqueados. “O fator do sucesso é sempre exclusivo e, frequentemente, depende dos esforços de um ou mais “campeões” muito ligados às circunstâncias específicas de tempo e lugar.

Uma avaliação de um reconhecido “sucesso”, muitas vezes identifica – e depois tropeça destacando-se nas diferentes variáveis de um lugar a outro. A comparação resultante de “alhos” com “bugalhos” é ilusória e inconcludente. Outro ponto fraco é a ênfase exagerada em desenvolver “melhores práticas”.

Existe uma visão cujo principal ponto assinala a diminuta quantidade de processos ou técnicas que deram certo num cenário e, assim, ser espalhados em pacotes uniformes - gerando uma visão que subestima ou ignora a complexidade humana, as organizações e outros temas de contextos específicos.

A propagação – adaptação, dispersão e expansão
Um dos mais modestos, realista e robusto conceito é a propagação: um termo da ciência natural que sugere dispersão e expansão em números. Também leva a inerência natural de gerações múltiplas e a existência de variáveis nos casos individuais. A propagação tem sucesso análogo ao das famílias: ter filhos e netos que podem herdar as características dos seus ancestrais, muito embora sejam visualmente diferentes. É, portanto, um conceito mais útil e mais objetivo que replicação.

No entanto, enquanto muitas organizações têm a capacidade de manter e gerenciar um projeto, a maioria preocupa-se mais com as prioridades imediatas e não tem a capacidade de expandir programas ou melhorá-los de forma organizada. O resultado é que poucas organizações têm desenvolvido a capacidade explícita de autopropagar-se.

As “histórias de sucesso” são rapidamente publicadas; porém, quantas organizações podem sempre acomodar um estagiário visitante ou um gerente médio para aprenderem os sistemas? Com que frequência o fundador/ganhador ficou por um extenso período de tempo em outro local como mentor ou multiplicador? Até que ponto existe um processo em curso alimentando a multiplicação ou apenas definindo a propagação como uma meta importante para uma organização?

Raramente há o reconhecimento de que a própria organização forneceu recursos de tempo, energia e dinheiro e desenvolveu procedimentos operacionais que incentivaram a propagação. É nesse ponto que os doadores podem ajudar – não apenas com dinheiro como também com uma visão ampla e mais informada do processo.

Os benefícios do enfoque de propagação
Existem benefícios para os doadores, beneficiados e para a população alvo ao adaptar o enfoque da propagação.

Aumento do Impacto. Os doadores deveriam prestar mais atenção às “histórias de sucesso”. Projetos iniciais que respondam às necessidades urgentes merecem apoio filantrópico. Nosso ponto não é denegrir esses esforços, mas incluir a propagação como outro objetivo a ser reconhecido. Responde à pergunta: “o dinheiro está bem gasto?”. Parte da resposta poderia direcionar-se aos projetos que já tiveram sucesso e ajudá-los a se propagarem.

Elementos críticos. A propagação reconhece que organizações de sucesso dependem dos esforços dedicados e do “toque” humano das pessoas que fizeram-na acontecer. As doações direcionadas à propagação tanto podem dar apoio financeiro aos indivíduos quanto às idéias de sucesso comprovado. Os recursos devem ser gastos para cultivar novas gerações por um período longo além dos cálculos de “custo - benefício”. Esta é uma perspectiva importante que o financiamento das fundações pode providenciar.

Efetividade organizacional. As doações para a propagação oferecem incentivos tangíveis e recompensas pelo sucesso. Estes reforçam o que as organizações estão fazendo melhor e fortalecem a comunicação entre o diretório e o pessoal, visto concentrarem-se nas prioridades tanto dentro como fora da organização.

Capital humano. Um impacto menos óbvio e de longa duração da propagação é construir uma carreira profissional genuína para os campeões dentro (ou fora) das organizações, uma correspondente diminuição do risco de ser “queimado” ou abandonar o campo.

Baixo risco e alta eficiência. Resumindo: comparativamente, a propagação é um método de baixo custo para disseminar boas idéias em novos lugares. De fato, doações para propagações dão capital e liquidez para as empresas de risco social darem um arranque em lugares novos sem reinventar a roda.

Financiamento crítico e temas do recrutamento
Para empresas interessadas em propagação, existem algumas implicações claras referentes às finanças e ao pessoal.

  • Precisa de uma alocação exata de tempo do pessoal para ter sucesso; para tanto será necessário “comprar” algum percentual de tempo de indivíduos chave que lideraram um projeto bem sucedido; vamos calcular de 10 a 25 por cento, a ser utilizado em orientar equipes de outras organizações, atender conferências, publicar relatórios etc.
  • O diretório e a liderança devem decidir se inclui ou não na propagação a estratégia e os objetivos da organização e se comunica o fato e suas implicações com clareza aos acionistas de dentro e fora da organização.
  • É necessário estabelecer critérios apropriados para monitorar e avaliar a propagação. Como muitos dos benefícios dela são gerados fora da organização, é importante avaliar seu valor para o sucesso desta por meio de outros critérios que não sejam os financeiros, operacionais ou aqueles não-tangíveis.
  • A propagação atrai a colaboração com outros. Devido aos impactos externos e os de longo prazo, existem oportunidades para desenvolver alianças e colaborações para diminuir alguns dos custos.
Resumindo, a propagação significa “refocalizar-se” no interior da organização para poder construir com sucesso. Isto terá implicações em cada uma das partes da organização.

No entanto, eu acredito que é um conceito mais forte e realista que a replicação. Em termos financeiros um gasto modesto pode gerar impacto considerável ao ajudar um projeto de sucesso que possa continuar, que possa ser adaptado a outros cenários e ser divulgado mais amplamente.

Veja comentário sobre o texto elaborado pelo diretor da Young Foundation, Geoff Mulgan.


James R. Posner
Phd, é membro da fundação sediada nos EUA: Posner – Wallace Foundation.
E-mail: posnerplus@AOL.com
redeGIFE Online, 29/06/09

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Investidores sociais querem alinhar recursos para Educação

Debater o alinhamento entre investidores sociais e o governo em prol de um ensino de qualidade para o alcance de melhores resultados foi o objetivo do 2º Workshop de Alinhamento do Investimento Social Privado em Educação. Realizado no dia 26 junho, o evento é promovido pelo GIFE, Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) e Todos pela Educação e contou com a participação de 100 convidados.

Na abertura, Cláudio Haddad, presidente do Insper, reafirmou o compromisso da universidade em desenvolver mais conhecimento e melhores práticas em Educação. “Um dos temas importantes para o desenvolvimento do país e seu crescimento”, esclareceu. Segundo Haddad, a mudança do nome da universidade – antes Ibmec – para Insper também contribui para os valores da organização. “Insper significa Inspirar, pertencer e transformar”, declarou.

Já o presidente-executivo do Todos Pela Educação, Mozart Ramos, destacou a importância da harmonia entre o investimento público e privado. “Esse momento de alinhamento e de conhecimento das experiências dos institutos e fundações é decisivo para a continuidade de políticas públicas”, disse. Em sua experiência, enquanto reitor da Universidade Federal de Pernambuco, ele pôde perceber a contribuição do investimento social privado na UFPE, o que possibilitou a criação de novos departamentos de estudos.

De acordo com dados do Censo GIFE -- mapeamento que o GIFE faz sobre o Investimento Social Privado (ISP) de seus associado -- , educação é a área prioritária do ISP. Em 2007, 80 associados – de uma base de 101 organizações - investiram R$ 1,15 bilhões nessa área. “O workshop partiu da constatação de que é desafiador trabalhar de maneira alinhada. São universos diferentes no setor privado, no terceiro setor e no setor público, são vocabulários diferentes e perspectivas distintas sobre o que é boa educação. Gerar esse alinhamento é um grande desafio e o workshop conseguiu avançar nessa agenda”, afirmou o secretário-geral do GIFE, Fernando Rossetti.

Secretário-geral ainda afirmou que “o engajamento das organizações que foram ao workshop e o esforço verdadeiro em discutir como articular seus projetos entre si e com as políticas públicas mostra a preocupação dos investidores sociais brasileiros em realmente fazer transformação social por meio de seus projetos.

Além de seu censo bienal, o GIFE começou a produzir um levantamento denominado “Mini-Censo Educação”, que apontará as práticas realizadas pelos investidores sociais associados ao Grupo. A diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, Ana Lúcia Lima, apresentou algumas reflexões já apontadas na pesquisa:

atuar em parceria não é novidade para associados que praticam seu ISP na área da Educação, seja por meio da própria execução de seus programas, recebendo aportes de diferentes tipos de parceiros ou apoiando parceiros com recursos econômicos e técnicos;

o critério que o associado leva em conta ao desenhar sua estratégia de investimento social na área de Educação é temático (ex: Educação para questões de Meio Ambiente, Saúde etc.);

as diretrizes consideradas na seleção dos segmentos populacionais beneficiados pelas ações são indicadores educacionais, tal como a proximidade às instalações da empresa;

as formas de atuar são muito diversas e complementares, por meio de campanhas de mobilização, voluntariado, entrega de prêmios, ações de advocacy etc.;

recursos e metodologias podem ser compartilhados.

A secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar Lacerda, também presente no evento, destacou que é fundamental para os investidores sociais privados o conhecimento mais aprofundado da realidade da escola pública e de seu funcionamento. “Atualmente os professores estão se debatendo com questões para as quais eles não tiveram formação”, explicou.

Por meio do relatório do Unicef “Situação da Infância e da adolescência brasileira 2009” – O Direito de Aprender”, a oficial de projetos de Educação do organização internacional, Maria Salete Silva, pontuou que desigualdades como, região ou local onde a criança vive, cor da pele, idade e deficiências físicas ou mentais, impactam no aprendizado desse público. “Queremos discutir o papel do ISP na garantia do desenvolvimento das crianças”, afirmou.

Ele fez também algumas recomendações como:
. potencializar avanços e radicalizar na redução ou eliminação das desigualdades;
. universalização de direitos
. conhecimento e reconhecimento da situação das crianças e adolescentes mais vulneráveis;
. intersetorialidade;

. abordagem sistêmica dos ciclos de vida;
. ampliação da escolaridade obrigatória;
. alcançar 8% do PIB na Educação;
. troca de experiências e aprendizagem conjunta com outros países.

Os participantes do workshop participaram ainda da dinâmica “O papel de cada ator: obstáculos e soluções”, cujo objetivo era chegar a consensos sobre caminhos para o alinhamento dos investimentos. Com a mediação de Fernando Abrucio, doutor em Ciência Política pela USP e professor da Fundação Getúlio Vargas, os participantes do grupo representavam um “personagem” que participava de uma reunião para definir o projeto que uma usina fictícia patrocinaria em uma cidade do Nordeste.

Nessa reunião hipotética, participaram representantes da secretaria de educação do município, da Usina, da associação local e das escolas da rede. Ao final da dinâmica, cada grupo entregou um formulário preenchido, mostrando como foi a discussão, como seria o projeto e relatando os principais obstáculos encontrados para o alinhamento.

Ao final, o evento trouxe como proposta a construção de eixos de conteúdo, identificando ideias e materiais já desenvolvidos pelos associados sobre o investimento nessa área. Como encaminhamento ficou a construção de uma carta de princípios para o alinhamento do ISP em Educação.

Conheça o histórico dessa iniciativa: Workshop de Alinhamento do Investimento Social Privado em Educação.


Tatiana Vieira
redeGIFE Online, 29/06/09

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Banco de leite humano em São Bernardo do Campo (SP) precisa de doações

O Banco de Leite Humano do Hospital Municipal Universitário (HMU), em São Bernardo do Campo (Grande SP), precisa urgentemente de doações. Os 16 litros atualmente em estoque são suficientes para o consumo de apenas três dias. O ideal é ter aproximadamente 300 litros de leite.

As candidatas devem ser saudáveis e produzir leite em excesso. Elas não podem ter tido hepatite ou ser portadoras de sífilis ou do vírus HIV.

Para doar, basta entrar em contato com o HMU, que orienta sobre a retirada do leite e fornece materiais como vidro esterilizado, máscara e touca. O banco também pode recolher o leite, inclusive em São Paulo.

Antes de ser liberado para o consumo, o leite doado -que alimenta cerca de 80 prematuros por mês no HMU- passa por um controle de qualidade e por um processo de pasteurização que elimina vírus e bactérias.

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 0/ xx/11/4365-1480, ramal 203.


Folha de S.Paulo, 30/06/09

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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Palestrantes debaterão mobilização de recursos com foco na inovação e sustentabilidade

A Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), em parceria com a Revista Filantropia e The Resource Alliance, promoverá em 20, 21 e 22 de julho, no Teatro Tuca, em São Paulo (SP), o “Festival Latino-Americano de Captação de Recursos”, que reunirá profissionais brasileiros e estrangeiros para discutir estratégias inovadoras de captação de recursos.

A captação de recursos é uma temática que merece atenção e preocupação constante quando se fala em gestão de organizações do Terceiro Setor. Quem atua nessa área é responsável por trabalhar com criatividade, profissionalismo e amor pela causa para trazer recursos e colocar projetos em prática.

O crescimento em número e importância das organizações da sociedade civil contrasta com maiores desafios para a mobilização de recursos governamentais, da cooperação internacional e de empresas para o Terceiro Setor. Nesse cenário, novas modalidades de financiamento de organizações sociais, como o marketing relacionado a causas (MRC) e os negócios sociais, surgem com grande intensidade, à medida que também aumenta o interesse de indivíduos para se envolverem com causas. Mas, diante de tantas alternativas e com recursos aparentemente escassos, resta, ao captador, a dúvida sobre por onde começar.
Pode o captador de recursos ser um profissional importante na construção de um mundo melhor?
Como enfrentar a crise de financiamento do Terceiro Setor e inovar com poucos recursos para investir em campanhas?
Por que a profissão de captador de recursos, estabelecida em países da Europa e nos Estados Unidos, encontra limites no Brasil e na América Latina?
Quais são as dificuldades mais frequentes que um captador de recursos enfrenta?
De que tipo de apoio esse captador precisa para se desenvolver?

Essas e outras perguntas nortearão o Festival Latino-Americano de Captação de Recursos, que contará com a participação de palestrantes internacionais como Gonzalo Ibarra L. (Chile), coordenador de Desenvolvimento de Fundos para as Américas, das Sociedades Bíblicas Unidas; Hernan Nadal, gerente de novas mídias do Greenpeace Argentina; Lyndall Stein (Inglaterra), CEO da The Resource Alliance e diretora voluntária da Fundação Sheila McKechnie; e Marcos C. Raba, coordenador da Asociación Española de Fundraising; além de palestrantes brasileiros, como Marcio Zeppelini, editor geral da Revista Filantropia e diretor da Diálogo Social Eventos para o Terceiro Setor; Marcelo Estraviz, presidente da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR); Rodrigo Alvarez, consultor da The Resource Alliance no Brasil e coordenador de mobilização de recursos e desenvolvimento de negócios do Instituto Elos BR; e Renata Brunetti, fundadora e coordenadora da Atuação Social.

Serviço:
Festival Latino-Americano de Captação de Recursos
De 20 a 22 de julho de 2009, das 9h às 18h
Teatro Tuca – PUC São Paulo
Rua Monte Alegre, 1.024, Perdizes, São Paulo/SP
www.dialogosocial.com.br/festivalABCR


ABCR, 26/06/09

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Prêmio Instituto Claro incentiva novas práticas educacionais

Estão abertas desde 24 de junho as inscrições para o Prêmio Instituto Claro – Novas formas de aprender. No total, mais de R$ 100 mil em prêmios serão concedidos para projetos e práticas educacionais, trabalhos acadêmicos e de iniciação científica.

Com objetivo de estimular e reconhecer iniciativas que potencializem o uso das novas tecnologias de informação e comunicação para o desenvolvimento de oportunidades de aprendizagem inovadoras, o Prêmio é dividido em três modalidades: Pesquisa, Desenvolvimento e Vivência.

As inscrições vão até o dia 4 de setembro e serão feitas neste mesmo site, onde estarão disponíveis o regulamento e fichas de inscrição para cada modalidade e categoria. Poderão participar estudantes de graduação, curso técnico e pós-graduação; instituições educativas formais e não-formais; e educadores e professores.

As iniciativas inscritas serão avaliadas por uma comissão técnica composta por especialistas em educação e tecnologia. A premiação acontecerá no mês de outubro em São Paulo, em data a ser anunciada pelo Instituto, durante seminário que contará com a presença de convidados que são referências no tema.

Confira abaixo os públicos-alvos, requisitos e descrição de cada modalidade.

Pesquisa
A modalidade Pesquisa pretende estimular estudantes a desenvolverem pesquisas científicas que explorem a temática da causa do Instituto Claro: aprendizagem com as novas tecnologias. Subdivide-se em duas categorias: Graduação e Curso Técnico, que inclui trabalhos de iniciação científica e de conclusão de curso; e Pós-Graduação (Lato Sensu e Strictu Sensu), que inclui trabalhos de especialização, mestrado e doutorado.

Para se inscrever nestas categorias, o estudante deve estar regularmente matriculado e com o projeto ou trabalho de pesquisa a iniciar ou em andamento, tendo de 6 a 12 meses para terminá-lo a partir da data de premiação.

Cada categoria terá uma pesquisa premiada. O trabalho vencedor de Graduação e Curso Técnico receberá R$ 5 mil e o de Pós-Graduação levará R$ 16 mil para financiar o desenvolvimento de parte ou totalidade do projeto.

Desenvolvimento
Esta modalidade foi criada para incentivar instituições educativas – formais e não-formais -, desde escolas e universidades a ONGs e outras associações e organizações, a implementar, manter ou complementar projetos e ideias inovadoras relacionadas à causa do Instituto Claro.

O requisito para se inscrever na modalidade é que o projeto esteja para ser iniciado ou em andamento, e que seja finalizado de 6 a 12 meses após a data de premiação.

O número de premiados da modalidade Desenvolvimento não é pré-definido e será determinado pela comissão técnica. O valor total que será distribuído entre os vencedores é de R$ 80 mil.

Vivência
O objetivo da modalidade Vivência é reconhecer os melhores relatos de práticas educacionais implementadas por educadores e professores a favor da causa do Instituto. As práticas devem estar em andamento por no mínimo 6 (seis) meses ou concluídas no momento em que o educador for efetuar sua inscrição e não podem ser anteriores a janeiro de 2006. A participação nesta modalidade pode ser individual ou em equipe. Duas práticas serão premiadas com um notebook com 3G da Claro cada. Caso a participação seja em equipe, um líder deverá ser nomeado para intermediar a comunicação e o preenchimento dos documentos e formulários de inscrição. A premiação, no caso da equipe, será concedida a este líder.

Sobre o Instituto Claro
O Instituto Claro foi lançado em março de 2009 e tem como missão estimular a discussão e o desenvolvimento de oportunidades de aprendizagem inovadoras e lúdicas, por meio das novas tecnologias de informação e comunicação. Ao eleger a causa da educação, o Instituto incentiva e apoia a revisão, a discussão e a inovação dos processos de ensino e de aprendizagem, compatíveis com a realidade e demandas atuais da sociedade. Sua iniciativa central é este Portal Integrado (www.institutoclaro.org.br), que conta com informações institucionais, além do Observatório e do Laboratório. Uma das finalidades do Portal é divulgar e reconhecer estudos, pesquisas acadêmicas e ações que discutam o impacto das novas tecnologias na aprendizagem, além de disponibilizar jogos e outros recursos para que as pessoas possam, de fato, experimentar formas lúdicas e interativas de aprender. Outros projetos, como a edição de 2009 do Claro Curtas, festival nacional de curtas-metragens, também são gerenciados pelo Instituto. Além disso, estão previstas ações direcionadas ao público interno da Claro, como o Programa de Voluntariado e Doação ao FIA (Fundo da Infância e da Adolescência), com o objetivo de fortalecer o engajamento dos funcionários com a prática de ações sociais.



Instituto Claro, 24/06/09

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UOL lança campanha para sensibilizar anunciantes sobre publicidade online

"A Internet merece ser vista com mais atenção." Este é o mote de uma campanha que o portal UOL lança na próxima segunda-feira (29/6) para sensibilizar agências de publicidade e potenciais anunciantes sobre o potencial da internet como mídia.

A iniciativa envolve a distribuição de um material com dados e gráficos sobre o crescimento e a penetração da Internet no Brasil. O conteúdo será encartado em jornais de grande circulação e veículos especializados em publicidade, bem como divulgado em campanhas online e por meio do site www.amidiaquemaiscresce.com.br. O site apresenta todas as peças da campanha, além de informações sobre formatos de publicidade online e como anunciar na internet.

"A ideia é dar mais fundamentos a agências e anunciantes para que, no momento de direcionar as verbas para publicidade, olhem com mais carinho para a internet", explica Marcelo Epstejn, diretor geral do UOL.

Na avaliação do executivo, embora a internet seja um meio de comunicação amadurecido no Brasil e ofereça uma segmentação superior a qualquer outra mídia, sua participação na verba publicitária brasileira - 3,1% em 2008 segundo o Projeto Inter-Meios - ainda é baixa em relação a países como a Inglaterra, onde a web recebeu 11% dos investimentos em publicidade, ultrapassando a TV por assinatura e a TV aberta.

A campanha questiona a 15ª posição do Brasil entre os mercados que mais anunciam na internet, quando o País possui a 7ª maior audiência de internet do mundo e se classifica na mesma posição entre os que mais investem em publicidade globalmente, no geral.

"A internet brasileira está consolidada. A campanha mostra que brasileiro tem muito interesse na internet", disse Epstein.



Idéia 2.0, 26/06/09

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Estudando nus pra fazer caridade, vc viu essa?

Os estudantes da Universidade de Oxford, na Inglaterra, tiraram a roupa para um calendário beneficente. As fotos mostram a rotina dos estudantes - passeando de barco pelos canais, lendo, indo a festas – porém nus. A dica é do LikeCool.




Luciana van Deursen Loew
Blue Bus, 29/06/09

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Órgãos públicos de São Paulo liberam acesso a redes sociais e blogs

Objetivo é melhorar a prestação de serviços aos cidadãos e divulgar ações usando redes sociais, blogs e outros serviços online.

Todos os órgãos públicos de São Paulo vão liberar o acesso a redes sociais, blogs e outras ferramentas de ‘web 2.0’ aos servidores públicos, com o objetivo de melhorar a prestação de serviços aos cidadãos.

A medida é de autoria do governador de São Paulo, José Serra (PSDB-SP), e foi publicada no Diário Oficial da Secretaria de Gestão Pública na quinta-feira (25/6), quando entrou em vigor.

A resolução libera o acesso a redes sociais, sites de vídeo, blogs, microblogs e softwares de colaboração, além de serviços relacionados. Os servidores públicos poderão utilizar as ferramentas para se comunicar com os usuários e divulgar ações ou iniciativas do governo.

Além disso, os órgãos poderão se comunicar via mensagem de texto no celular (SMS), desde que haja autorização prévia do usuário.

Para facilitar a comunicação, serão armazenados, nos bancos de dados das administrações, os e-mails e números de celular dos usuários de serviços dos órgãos.


DG Now!, 29/06/09

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Flamengo cria baralho para pagar dívidas com time de basquete

Para tentar quitar a dívida que ainda tem com seus jogadores, o Flamengo vai criar uma nova promoção: a edição comemorativa de um baralho de 20 cartas com as fotos dos jogadores.

O clube pretende colocar à venda 15 mil unidades, pelo valor mínimo de R$ 50.

Outra aposta dos flamenguistas é uma nova camiseta do time, dessa vez com caricaturas dos atletas. A venda de peças relacionadas à equipe já ajudou o Flamengo a quitar salários atrasados.

O clube, no entanto, ainda deve aos atletas o pagamento de prêmios pelos títulos do Brasileiro de 2008 e do Estadual e do Sul-Americano deste ano, somando pouco mais de R$ 500 mil.

Segundo o vice-presidente de esportes olímpicos, João Henrique Areias, o clube deve pagar nesta semana o prêmio relativo ao Nacional do ano passado. A conquista de ontem também vai aumentar a dívida, já que foi prometida premiação pela taça.

Destaque do time, Marcelinho cobrou "compromisso" por parte do clube.

"Quando assumo um compromisso, é porque tenho condições de cumprir. Não queremos privilégios, o que pedimos é que o Flamengo cumpra a sua parte, porque, fora da quadra, somos pais de família", disse o jogador.

Baby também pediu contrapartida dos dirigentes. "Nunca deixamos as dificuldades e os atrasos de salários afetarem no treinamento e na quadra", afirmou.

Areias, a quem se atribui parte da recuperação financeira do basquete, não tem certeza se continua no clube.

"O trabalho permanece. Se eu continuo ou não, não sei", afirmou o dirigente.

"Mas provamos que o time é viável, autossustentável e não depende de receita do clube. O basquete é um bom produto. E, no Flamengo, basta ter competência e profissionalismo para dar certo", completou ele, que afirma ter copiado o modelo de gestão do Real Madrid no basquete flamenguista.


Raphael Gomide
Folha de S.Paulo, 29/06/09

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Cidades de baixo IDH ganharão capacitação

Quatro municípios de índice abaixo da média serão escolhidos pelo PNUD para dividir R$ 1,8 mi destinados a qualificar agentes públicos

O PNUD escolheu 160 municípios brasileiros com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) abaixo da média nacional para participar da seleção de um projeto que distribuirá R$ 1,8 milhão para ações que visem melhoria nos indicadores sociais. As cidades podem se inscrever até 10 de julho; entre os inscritos, quatro serão selecionados para participar da iniciativa Fortalecimento de Capacidades para o Desenvolvimento Humano Local.

O dinheiro será usado para capacitar funcionários das prefeituras, do setor privado e do terceiro setor a elaborar e pôr em prática políticas e projetos que contribuam para melhorias socioeconômicas inclusivas e sustentáveis na cidade, explica Ieva Larazeviciute, assessora do PNUD responsável pela iniciativa. “A ação vai ajudar os municípios a preparar projetos e a encontrar fontes de financiamento para eles, não vai financiá-los diretamente”, ressalta.

Junto com o PNUD, participam desse programa a Confederação Nacional de Municípios (CNM), entidade que representa prefeituras do Brasil), a Subchefia de Assuntos Federativos da Presidência da República e a Agência Brasileira de Cooperação. Todos integram o comitê gestor do projeto, responsável por oferecer capacitação aos selecionados.

Critérios
Além de possuírem baixo IDH, os 160 municípios elegíveis obedecem pelo menos um dos seguintes critérios: estão em área de fronteira, são pólos de desenvolvimento regional, integram áreas metropolitanas muito pobres, ou têm obras estruturais já em andamento – principalmente as do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). "Sabemos que nem todos farão inscrição, mas esperamos receber o maior número possível de interessados", diz Ieva.

Do total de inscritos, oito passarão para a segunda fase da seleção. Eles serão escolhidos de acordo com a ficha de inscrição apresentada. Ela exige um requerimento de participação, a apresentação de documentos (como o plano plurianual e o orçamento do município) e – o mais fundamental, segundo Ieva – a indicação de contrapartidas oferecidas pelo município à organização do projeto.

A quantidade de horas semanais dedicadas pelo prefeito ao projeto, a quantidade de secretários que se envolverão com ele e o oferecimento de funcionários e estrutura física para a equipe são alguns dos fatores levados em consideração. “Elas [as contrapartidas] indicam comprometimento, uma garantia de que o projeto será levado para frente”, explica a assessora do PNUD. “Mas sabemos que esses municípios não têm muita estrutura, tudo deve ser dentro da possibilidade de cada um.”

Os oito pré-aprovados serão visitados pela comissão de avaliação e julgamento do projeto, que entrevistará o prefeito da cidade, gestores municipais, agentes do terceiro setor e da iniciativa privada para comprovar o engajamento apresentado na inscrição. “Vamos ao local para avaliar com mais precisão a situação da prefeitura”, afirma Ieva.

Na prática
Após os quatro municípios serem selecionados, começa a implantação do projeto (que deve ocorrer até dezembro de 2010). Ela envolve ações comuns para todos os municípios e outras específicas para cada um.

As primeiras são atividades para diagnosticar as necessidades de capacitação e prioridades de desenvolvimento humano dos participantes, além de apresentar às equipes locais a metodologia de trabalho do projeto.

As ações específicas serão elaboradas com base no diagnóstico. Elas podem ser, por exemplo, o estabelecimento de parcerias voltadas ao fortalecimento institucional, ou a “disponibilização de metodologias e ferramentas para formulação de políticas, programas e projetos em áreas definidas por meio de processo de priorização conduzido por equipes locais”, conforme explicita o regulamento do projeto.

Ieva cita exemplos dessas ferramentas: “Podemos elaborar um ‘banco de boas práticas’”, diz, com referência ao levantamento de práticas já implementadas em outros municípios a serem levadas aos aprovados. “O ponto forte do projeto seria identificar experiências no país que pudessem ajudar e facilitar a aplicação em outros lugares, visando criar mecanismo permanente para esse tipo de troca”, avalia. “Podemos também elaborar uma “plataforma para troca de experiências” entre os próprios municípios desse programa”.

Ela acrescenta que o PNUD também participa do “Fortalecimento de Capacidades para o Desenvolvimento Humano Local” transmitindo suas experiências e conhecimentos relacionados ao desenvolvimento local aplicado a cidades.

Além disso, o valor de R$1,8 milhão não será repassado diretamente aos participantes nem será dividido igualmente entre os quatro. “Uns municípios podem precisar de mais outros de menos”, explica a assessora, lembrando que o dinheiro também será usado para necessidades gerais do projeto, como elaboração de metodologias.

As 160 cidades que podem se candidatar. Lista dos municípios selecionados pelo PNUD - http://cdhl.cnm.org.br/sites/9100/9145/Lista_Municipios_Elegiveis.htm

Inscrições abertas até 10 de julho. Confira o calendário com os prazos e os requisitos - http://cdhl.cnm.org.br/003/00318005.asp?ttCD_CHAVE=108456

Mais informações no site do projeto - http://cdhl.cnm.org.br/


Fábio Brandt, do Pnud
Envolverde, 29/06/09
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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A bienal depois do caos

O novo presidente da maior mostra de arte da América Latina começa a tapar o rombo de R$ 2,8 milhões e promete para 2010 um evento com um olhar brasileiro

Eleito por unanimidade o novo presidente-executivo da Fundação Bienal de São Paulo, o consultor financeiro e colecionador de arte Heitor Martins, 41 anos, assume uma Bienal paralisada por uma crise financeira e administrativa que se arrasta há anos. Em junho, a fundação deixou de arcar com seu compromisso de promover o financiamento, a organização e a curadoria da representação brasileira na Bienal de Veneza. O impasse e o vazio institucional só foram suplantados com a intervenção do Ministério da Cultura, que fez um aporte de US$ 170 mil para o envio das obras brasileiras. A julgar pelo projeto de Martins, as relações da fundação com as esferas governamentais vão permanecer estreitas. Ele quer que o governo participe da gestão, ocupando quatro diretorias: "A Bienal sempre teve em seu estatuto vagas para o Ministério da Cultura, Itamaraty, Estado e município." Marido da produtora Fernanda Feitosa, criadora da feira SP Arte, e sócio da empresa internacional de consultoria McKinsey & Company, Martins tem pela frente o desafio de pagar as dívidas da fundação e de montar a 29ª Bienal em outubro de 2010.

ISTOÉ - Como se dedicará ao cargo?
Heitor Martins - Mais que a dedicação individual, será o espírito de equipe que permitirá que a Bienal avance. Não é tarefa de uma pessoa só. Temos a equipe da própria Bienal, de 31 colaboradores, uma diretoria com sete diretores voluntários, mas ativos, e um novo grupo de conselheiros.

ISTOÉ - O formato de gestão compartilhada entre diretores é novidade?
Martins - Cada presidente formatou a sua diretoria e a sua equipe. Eu trouxe um modelo de colegiado, de trabalho em equipe mais colaborativo e mais horizontal. Um pouco menos hierárquico, buscando aproximar o corpo técnico da diretoria e do conselho e fazer com que essas entidades trabalhem de uma forma mais coordenada, aproximando a Bienal da sociedade.

ISTOÉ - Na 27ª Bienal, "Como viver junto", Lisette Lagnado propôs um formato semelhante ao compartilhar a curadoria com cinco cocuradores. Temos agora um "Como viver junto" no âmbito administrativo?
Martins - Esse é um modelo mais moderno, mais empresarial. Essas relações hierárquicas mais distantes, esses modelos de "one man show" já não funcionam muito bem.

ISTOÉ - Qual o rombo da Bienal?
Martins - Temos de levar em conta que a Bienal é uma fundação e não gera receita própria. Ela depende de recursos que vêm da sociedade. Ao se fazer uma Bienal, tem-se de montar um orçamento e captar recursos para custeá-la. E o que aconteceu na 28ª Bienal? A captação ficou aquém do necessário. Isso gerou déficit, que hoje está na casa dos R$ 2,8 milhões.

Para estabilizar a situação financeira, a Bienal precisa de um aporte da ordem de R$ 4 milhões. Mas temos confiança de que a sociedade vá abraçar o projeto"


ISTOÉ - Como se compõe a dívida?
Martins - É uma dívida bancária, cujo pagamento requer recursos de bancos. E incluiu algumas dívidas com fornecedores, que têm de concordar em postergar o seu recebimento. Além disso, existe um conjunto de gastos e despesas correntes que são necessários no dia a dia. Para estabilizar a situação financeira, a Bienal precisa de um aporte da ordem de R$ 4 milhões. É necessário fazer o saneamento das dívidas e resgatar o equilíbrio de caixa para uma instituição desse porte.

ISTOÉ - Em tempos de crise financeira mundial, como o seu know-how de consultor financeiro vai ajudar na captação de R$ 30 milhões para montar a próxima Bienal?
Martins - Não há dúvida de que o cenário hoje é muito mais complicado. Mas temos confiança de que a sociedade vá abraçar o projeto. Aportamos habilidade e conhecimentos específicos que no conjunto formam uma equipe muito forte. Tenho muita experiência em estratégia e em formação de equipes.

Temos pessoas que vêm de bancos, alguns empresários empreendedores, advogados. Nomes como os de Miguel Chaia, que está muito bem inserido na comunidade artística e intelectual, e de Julio Verlang, que foi diversas vezes presidente da Bienal do Mercosul.

ISTOÉ - O resgate da imagem da Bienal passa por uma reforma da estrutura administrativa. Qual é seu projeto?
Martins - O primeiro ponto que a gente tem de ressaltar é a importância da fundação. No mundo todo há cinco grandes instituições que marcaram a história da arte contemporânea do pós-guerra. A Bienal de São Paulo é uma delas, junto com Veneza, Kassel, o Museu Georges Pompidou e o MoMA. Ela é anterior à criação do Centro Pompidou e da Documenta de Kassel. É realmente um pilar, reconhecida por qualquer instituição do mundo.

ISTOÉ - Seu protagonismo não se diluiu nos últimos dez anos graças à proliferação de bienais e à crise administrativa da própria instituição?
Martins - Nós temos de assumir essa bandeira: reinserir a Bienal de São Paulo como um dos pilares do cenário da arte contemporânea internacional. Podem existir dezenas de bienais, mas o lugar da Bienal de São Paulo é preservado. O mundo inteiro olha o que está se passando aqui, com grande expectativa. Essa é a primeira coisa que deve ser entendida: o espaço existe, é importante e deve ser preservado. As pessoas perdem a dimensão dessa importância porque se atêm a questões de curto prazo, conjunturais.

ISTOÉ - Mas a crise, mesmo que conjuntural, não põe o prestígio em risco?
Martins - Existem duas crises que se sobrepõem. Há uma que parte de um questionamento sobre o papel das bienais, que se dá em escala global: qual a função de uma bienal em um mercado de arte globalizado, em um mundo onde as feiras passam a cumprir o papel de atualização do que está acontecendo na produção contemporânea? Junto a isso, existe a questão: qual o sentido da Bienal de São Paulo? Em 1951 era muito claro: ela era um mecanismo de conexão da arte brasileira com a arte internacional, em que você trazia o que estava acontecendo no mundo e colocava aqui no pavilhão. Além da crise de identidade das bienais, sobrepõe-se agora uma crise financeira, que é circunstancial.

ISTOÉ - Como lidar com ela?
Martins - Não estamos falando de nenhum obstáculo intransponível. O problema de recursos se resolve se houver projetos que sejam de interesse da sociedade. Você depende dos recursos para realizar a Bienal e para sustentar a fundação. E a sociedade vai estar disposta a apoiar na medida em que esteja em sintonia com os projetos. É muito difícil levantar recursos se não há projetos.

Queremos que a 29ª Bienal esteja muito mais próxima do público. Queremos criar uma Bienal que motive as pessoas a ter um contato direto com a arte contemporânea. As pessoas têm de ser instigadas e provocadas.

ISTOÉ - Em geral, todas as diretorias expressam o mesmo desejo. Como promover essa sintonia?
Martins - O primeiro horizonte é o reaparelhamento financeiro e administrativo da fundação. Precisamos equalizar a questão financeira e rever o modelo administrativo nos próximos três ou quatro meses. Nosso segundo objetivo é a realização da 29ª Bienal em outubro de 2010. A definição de nosso projeto é que essa vai ser uma Bienal muito mais próxima do público, que trará a produção artística para o centro do debate. Desejamos que a Bienal não seja formada por eventos pontuais. Ela não pode nascer e morrer a cada ciclo de dois anos, precisa ter uma ação continuada. Esse é o terceiro ponto da agenda: evitar esse efeito fênix de mudar tudo a cada dois anos e criar as bases para uma atuação muito mais contínua.

ISTOÉ - Como garantir isso?
Martins - Por mecanismos de funding que transcendam uma gestão. Algumas soluções que estamos explorando com muita intensidade são a criação de um programa educativo continuado e o desenvolvimento de mostras subsequentes, que seriam desdobramentos da Bienal de São Paulo. A representação brasileira no pavilhão de Veneza em 2011, por exemplo, vai ser definida dentro do próprio processo curatorial da 29ª Bienal. Também imaginamos uma série de recortes que possam seguir uma itinerância para museus em outras cidades brasileiras e, quem sabe, para fora do País. Isso seria muito importante para divulgar e reforçar o papel da fundação e da arte brasileira no Exterior e para levar a arte contemporânea às populações que estão fora de São Paulo.

"No mundo há cinco grandes instituições que marcaram a história da arte contemporânea do pós-guerra. A Bienal de São Paulo é uma delas"

ISTOÉ - Discute-se também, mundo afora, a pertinência das megaexposições. Há dezenas de novas bienais que não funcionam como panoramas, mas apenas como mostras temáticas.
Martins - São modelos simplificados. Nós não temos de optar por eles. Temos de ocupar o espaço que a Bienal de São Paulo merece e tem no contexto global. Não devemos subestimar a importância do que você chama de megaexposição. Ela é muito importante porque cumpre exatamente esse papel de traçar um panorama do que é a produção contemporânea naquele momento. Esse é o papel de Veneza, de Kassel e de São Paulo.

ISTOÉ - Já temos um sistema de museus e galerias que promove a circulação maior de obras internacionais. O papel de vitrine não estaria obsoleto?
Martins - Sim, a internet e o mercado editorial promoveram um acesso mundial muito maior ao que está se passando em todo o mundo. Além disso, nossos artistas trabalham fora do Brasil, temos um intercâmbio muito grande. Não existe hoje uma fronteira muito clara entre o que é arte brasileira e arte internacional. Ernesto Neto, por exemplo, é visto como um artista contemporâneo, antes de ser visto como artista brasileiro. Essas fronteiras nacionais foram rompidas e atualmente se discute qual o papel da Bienal nesse novo contexto. Nossa proposta é olhar para a arte contemporânea a partir de uma ótica brasileira, o que é uma inversão da ideia original.


Paula Alzugaray
Isto É, Edição 2068, Junho/09

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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Edital de Seleção de Pontos de Cultura em Mato Grosso

Inscrições até 10 de julho

O edital irá selecionar 40 Pontos de Cultura no Estado de Mato Grosso. Podem participar deste Edital Pessoas Jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, que sejam de natureza cultural como associações, sindicatos, cooperativas, fundações privadas, ou instituições tituladas como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) e Organizações Sociais (OS), sediadas e com atuação comprovada na área cultural, há pelo menos dois anos no Estado de Mato Grosso.

O QUE SÃO PONTOS DE CULTURA?
São iniciativas desenvolvidas pela sociedade civil que, após seleção por edital público, firmam convênio com a Secretaria de Cultura do Estado de Mato Grosso e o Ministério da Cultura, e tornam-se responsáveis por articular e impulsionar ações que já existem nas comunidades.

O Ponto de Cultura não tem modelo único de instalações físicas, de programação ou atividade, é uma iniciativa que impulsiona a realização de ações envolvendo Arte e Educação, Cidadania com Cultura e Cultura com Economia Solidária.

QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS?
A instituição selecionada como Ponto de Cultura receberá anualmente R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), disponibilizados da seguinte forma: a)2009-2010: R$26.000,00 em capital e R$34.000,00 em custeio b)2010-2011: R$24.000,00 em capital e R$36.000,00 em custeio c)2011-2012: R$24.000,00 em capital e R$36.000,00 em custeio

QUEM PODE PARTICIPAR? Podem participar deste Edital Pessoas Jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, que sejam de natureza cultural como associações, sindicatos, cooperativas, fundações privadas, ou instituições tituladas como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) e Organizações Sociais (OS), sediadas e com atuação comprovada na área cultural, há pelo menos dois anos no Estado de Mato Grosso.

QUEM NÃO PODE PARTICIPAR? Não podem participar, sob pena de imediata inabilitação: pessoa física, instituições com fins lucrativos, instituições de ensino, pesquisa, e desenvolvimento institucional, públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, suas mantenedoras e associações de pais e mestres, fundações e institutos criados ou mantidos por empresas ou grupos de empresas, entidades integrantes do “Sistema S” (SESC, SENAC, SESI, SENAI, SEST, SENAT, SEBRAE, SENAR e outros), instituições ou grupos que já sejam Pontos de Cultura com convênio ativo e com parcelas financeiras a receber do Ministério da Cultura, e/ou sem prestação de contas final aprovada.

Confira o edital e os anexos:
Edital-2009
Termo de retificação do Edital
Tabela I - Territorialização do Programa Mais Cultura
Tabela II - Critério de Seleção e Julgamento
Tabela III - Cotas de Pontos
Tabela IV - Regiões de Planejamento do MT
Anexo I - Requerimento
Anexo II - Formulário de Inscrição
Anexo III - Plano de Trabalho e Cronograma de Desembolso
Anexo IV - Relatório de Atividade
Anexo V - Declaração
Anexo VI - Atestado

Mais Informações: (65) 3613-9203 ou pelo site: http://www.cultura.mt.gov.br/TNX/conteudo.php?sid=73&cid=2654


Ministério da Cultura, 10/06/09

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Prêmio Funarte Artes Cênicas na Rua 2009

Inscrições até 7 de agosto

A Fundação Nacional de Artes (Funarte), em parceria com o Instituto Cultural Sérgio Magnani, lança o edital do Prêmio Funarte Artes Cênicas na Rua 2009 para viabilizar projetos de grupos, companhias, trupes e artistas independentes que busquem, em apresentações de rua, um novo significado para o espaço público. Ao todo, 60 projetos serão contemplados, com valores de R$ 20 mil, R$ 40 mil ou R$ 50 mil. As inscrições estão abertas até 7 de agosto.

Podem ser inscritos projetos de montagem ou circulação de espetáculos, performances cênicas e intervenções urbanas. Grupos e artistas com mais de dez anos de atuação na rua têm também a possibilidade de concorrer com propostas voltadas para o registro e a preservação memorialística de suas atividades.

O material de inscrição, que inclui a documentação do proponente e o projeto técnico das ações que pretende desenvolver (ver detalhes e especificações no edital), além de um formulário preenchido, deve ser enviado, via Correios, para o Centro de Artes Cênicas da Funarte, no Centro do Rio de Janeiro. Os selecionados deverão executar as ações propostas até 30 de abril de 2010, em pelo menos uma cidade brasileira.

A análise das propostas caberá a uma comissão composta por cinco especialistas em artes cênicas, que deverão considerar a excelência artística e a viabilidade prática do projeto, a qualificação dos profissionais envolvidos e a diversidade da produção das artes cênicas brasileiras. O resultado final será divulgado no Diário Oficial da União e no site da Funarte.

Leia o edital

Mais informações:
artescenicasnarua@funarte.gov.br
21 2279 8018


Ministério da Cultura, 23/06/09

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