segunda-feira, 17 de março de 2008

Entre no clima

Dinheiro também dá em árvore, como mostra o crescente número de fundo de investimento com apelos ambientais ou sociais. Praticamente todos os grandes bancos de varejo do país já contam com esse tipo de aplicação, que soma 19 carteiras e um patrimônio de R$ 2,8 bilhões, segundo dados do site Fortuna. As opções vão muito além das carteiras de ações que seguem o Índice de Sustentabilidade (ISE), formado pelas empresas que atendem a um padrão de comportamento responsável. Há também fundos de renda fixa que destinam parte da taxa de administração do banco para projetos sociais ou programas que visam a redução do aquecimento global. A última novidade é um fundo que distribuirá aos cotistas créditos de carbono.

Pioneiro do setor com o ABN Amro Ethical, primeiro fundo de ações de empresas socialmente responsáveis, em 2001, o Banco Real lança hoje o fundo Floresta Real, uma carteira de renda fixa que, além de sua rentabilidade, dará ao cotista créditos de carbono. Com aplicação mínima de R$ 25 mil e taxa de administração de 1% ao ano, a carteira funciona da seguinte maneira: o investidor aplica os recursos no Floresta Real e este comprará cotas de um outro fundo do banco, o Renda Fixa Plus. Para cada R$ 25 mil aplicados, o investidor receberá um crédito de carbono. Se o investidor permanecer por mais de três anos na aplicação, ele receberá em conta corrente o valor referente ao total de créditos de carbono que possui.

Por exemplo, para um investimento de R$ 100 mil, o cotista terá direito a quatro certificados que, após três anos, serão vendidos pelo próprio banco e o valor creditado na conta corrente do cliente. Se resgatar antes dos três anos, o investidor abrirá mão dos créditos e terá também de pagar uma taxa decrescente de saída, que começa em 0,75% e cai 0,25 ponto percentual a cada ano. Após três anos, a taxa é zerada. Os cotistas terão um site específico para acompanhar o valor dos papéis a que têm direito.

Os créditos de carbono serão provenientes do projeto Floresta Real 1, que tem 84 hectares e fará o plantio de 126 mil mudas no Vale do Ribeirão da Mota, no município paulista de Registro. Serão plantadas 86 mil mudas de espécies nativas da região e 40 mil de palmito-juçara, que está em extinção. "É um projeto que também tem um caráter social, já que as mudas serão compradas da própria comunidade local", diz Victo Hugo Kamphorst, consultor socioambiental do Banco Real. Do palmito, serão colhidos somente os frutos, que são parecidos com o açaí. Dos recursos obtidos com a venda dos frutos, 15% serão destinados à Pastoral da Criança.

A opção por estruturar um fundo como esse nos moldes de um renda fixa, que poderá investir em títulos prefixados, se deve ao cenário de queda de juros no longo prazo, diz Luciane Ribeiro, diretora executiva da ABN Amro Asset Management. Segundo a executiva, a idéia é, mais à frente, lançar uma família de carteiras nesses mesmos moldes. O fundo receberá recursos até 1º de agosto, mas poderá fechar para captação antes caso atinja o patrimônio de R$ 250 milhões.

O HSBC é outro que deve criar no segundo semestre um fundo com cunho ambiental. O banco terá um analista especializado em questões socioambientais que visitará as empresas com freqüência. Esse novo fundo não será composto simplesmente das empresas que fazem parte do ISE, podendo investir em ações de qualquer companhia com projetos socialmente responsáveis. Serão acompanhadas entre 50 e 60 empresas com programas do tipo. Atualmente, o banco conta com duas carteiras com apelo socioambiental. Uma delas é um a HSBC Sustentabilidade Empresarial, um fundo de ações que segue ISE. O outro é o HSBC Referenciado DI Ação Social, no qual 50% da taxa de administração, de 1% ao ano, é repassado para entidades sociais apoiadas pelo banco.

Embora esse tipo de aplicação tenha crescido nos últimos anos no Brasil, ela ainda representa uma gota no oceano do setor de fundos de investimento, que conta com R$ 1,2 trilhão, diz Alexandre Zakia, diretor de produtos de investimento do Itaú. "Mas as novas gerações são muito mais preocupadas com as questões socioambientais e, quando elas estiverem maduras e com mais dinheiro para investir, certamente esses fundos ganharão mais mercado", diz.

O Itaú tem duas famílias de fundos. O primeiro é o Excelência Social, de ações, no qual metade dos custos com administração, de 3% para o investidor de varejo, são destinados a projetos sociais. Em fevereiro deste ano, R$ 3,3 milhões foram destinados a 20 organizações não-governamentais (ONGs) da área de educação. O segundo grupo de fundos do Itaú é o Ecomudança, de renda fixa, que repassa 30% da taxa de administração, de 3,5% ao ano no varejo, para financiar programas com foco na redução dos efeitos das mudanças climáticas por meio da compensação de emissões de carbono.

No BB Referenciado DI Social, do Banco do Brasil, o investidor poderá ajudar entidades sociais mesmo com pouco dinheiro, já que o fundo tem aplicação mínima de R$ 200,00. A carteira doa 50% do valor arrecadado com a taxa de administração para programas sociais por meio da Fundação Banco do Brasil. Fazer o bem, no entanto, pode custar caro, já que a taxa cobrada é de 4,5% ao ano, o que faz com que o ganho, descontado o imposto de renda, seja inferior ao da caderneta de poupança. "O banco vem lançando carteiras com taxas menores e isso poderá acontecer também com esse fundo", diz Rodrigo Ayub, gerente de Fundos de Investimento do Banco do Brasil. Segundo ele, a instituição estuda a criação de outros fundos com um cunho socioambiental. Além dessa carteira, o banco tem em sua prateleira um fundo que procura seguir o ISE.

O Bradesco oferece até o momento apenas um fundo atrelado ao ISE. "Mas o índice tem 65% de concentração em apenas dois setores, Petrobras e bancos, e estamos avaliando outro fundo de ações que poderá aplicar em outros papéis de empresas sustentáveis", diz Herculano Aníbal Alves, superintendente executivo de Renda Variável da Bradesco Asset Management (BRAM).

Luciana Monteiro, de São Paulo
Publicado pelo Valor Online em 17/03/08


Um comentário:

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