sábado, 26 de julho de 2008

Governo amplia programa Bolsa Família a 1 mês da eleição; beneficiários serão qualificados

Um mês antes das eleições municipais, 1,4 milhão de famílias do Bolsa Família irão receber em suas casas uma carta do governo federal com a boa notícia de que, sem o risco de perder o benefício mensal, poderão disputar uma vaga num plano de qualificação profissional na área da construção civil.

Essas famílias estão localizadas em cerca de 280 municípios, de 20 regiões metropolitanas do país. Em cada um deles, gestores do Bolsa Família irão além do conteúdo da carta.

Informarão às famílias sobre a possibilidade de, em meio às aulas teóricas de qualificação, alguns dos beneficiários seguirem com carteira assinada para canteiros de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Esse beneficiário receberá o piso salarial da categoria e terá a chance de ser efetivado pela empresa. Em São Paulo, por exemplo, o piso de um servente de pedreiro é de R$ 712.

Apenas um integrante de cada família poderá concorrer a uma vaga no programa de qualificação. A condição é que tenha entre 18 e 60 anos e ao menos a quarta série completa. Quanto mais pobre a família e mais instruído o candidato, maiores as chances de seleção.

Ao final do processo, 200 mil candidatos serão selecionados pelo Ministério do Trabalho. Serão quatro meses de treinamento, a partir de novembro. O número de vagas com carteira assinada dependerá dos empresários, que devem receber uma espécie de "selo inserção" pela participação no plano.

Mesmo contratado pela empresa, o beneficiário não deixará de receber o Bolsa Família. Isso porque a verificação da renda familiar mensal, que não pode ultrapassar R$ 120 por pessoa, ocorre apenas a cada dois anos. Hoje o programa paga entre R$ 20 e R$ 182 para cerca de 11 milhões de famílias.

Recebe o teto uma família extremamente pobre, com três filhos de até 15 anos e ao menos dois adolescentes de 16 e 17 anos, sendo R$ 62 de benefício básico, R$ 20 por filho (num limite de três) e R$ 30 por adolescente (limite de dois).

Na semana passada, Lula pediu que, durante o período eleitoral, os ministros da área social dêem "mais publicidade" às realizações do governo para que, segundo ele, a população esteja "bem informada" em meio aos debates municipais.

Para o governo, o envio da carta às vésperas das eleições não configura um eventual auxílio a candidaturas apoiadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A questão eleitoral não pode impedir essa perspectiva de promoção e de emancipação dessas famílias", diz Arlete Sampaio, secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social. "Eles [beneficiários do programa] vão participar de um processo de qualificação profissional e provavelmente só vão ser admitidos [pelas empresas] depois do período eleitoral", completa.


Eduardo Scolese
Folha Online, 26/07/08

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Miss Universo é a nova madrinha da Comissão Latina Contra Aids

A Comissão Latina Contra Aids aprovou nesta sexta a Miss Universo Dayana Mendoza como a nova madrinha da organização, já que a modelo, durante seu reinado, levará a mensagem sobre a prevenção para evitar o contágio da doença. A organização Miss Universo tem como incumbência de cada uma das rainhas levar a mensagem contra a Aids.

A venezuelana, que em 13 de julho conquistou o título de mulher mais bela do mundo, visitou na quinta-feira a sede da Comissão Latina Contra Aids em Manhattan.

No local, ela se reuniu com o presidente da organização, Dennis de León, e o diretor-executivo, Guillermo Chacón, que informaram do impacto do HIV nas comunidades hispânicas nos Estados Unidos.

"É importante para mim e para a organização Miss Universo demonstrar nosso compromisso e solidariedade para com aquelas pessoas impactadas pelo HIV", disse Dayana.


Folha Online, 26/07/08

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Programa contra Aids do Brasil é modelo mas tem lacunas, diz Bird

O programa brasileiro de prevenção contra a Aids e o vírus HIV "atingiu a maioridade", mas ainda conta com "lacunas" em áreas como gerenciamento e campanhas de informação.

É essa a opinião de Joana Godinho, especialista-sênior na área de Saúde do Banco Mundial (Bird, na sigla em inglês), que deu entrevista à BBC Brasil, por telefone, a partir de Washington, na sede da instituição.

O Bird tem desde 1988 uma parceria com o governo brasileiro na área de prevençao à Aids e já investiu um total de US$ 400 milhões em diferentes programas ligados ao combate da epidemia.

No começo dos anos 90, a epidemia de Aids vinha crescendo no Brasil e os índices de pessoas que viviam com HIV eram semelhantes aos da África. Atualmente, a taxa de soropositivos caiu para 0,6% da população adulta e o número de mortes causadas pela Aids caiu para metade.

As estimativas iniciais do Bird eram de que o Brasil teria 1,2 milhões de pessoas com o vírus da Aids até o ano 2000, mas atualmente o índice de infectados é de 620 mil.

Futuro da parceria
Os avanços feitos pelo Brasil levam a especialista até a dizer que a parceria com o banco pode até estar caminhando para o fim, já que o país "começa a deixar de precisar do auxílio técnico e financeiro do Bird".

Mas ela vê a necessidade de progressos em diferentes setores, como o de informações relativas aos grupos considerados mais vulneráveis: homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, usuários de drogas injetáveis e mulheres grávidas.

Godinho afirma que o mais recente programa aprovado pelo Bird, chamado Aids-SUS, quer contornar esse problema, trabalhando mais de perto com o Sistema Único de Saúde (SUS) e procurando obter dados mais específicos a respeito destes grupos.

"Como a epidemia está a avançar para o interior do país, entre grupos mais pobres e entre as mulheres, é preciso atuar muito mais com o SUS para alcançar pessoas em comunidades mais remotas, por exemplo, no Norte e no Nordeste. Essa seria uma importante área de trabalho, garantir o acesso à cobertura dos novos grupos atingidos pela doença."

Gerenciamento
A especialista acredita ainda que seria preciso progredir no sistema de gerenciamento dos programas de combate à Aids. "Outros setores da sociedade brasileira têm avançado para a gestão de resultados", através dos quais "municípios e Estados recebem financiamentos baseados em programas de monitoramento e avaliação".

Godinho acredita que o programa brasileiro é um sucesso porque há uma sintonia entre os diversos participantes envolvidos com o combate e a prevenção da doença.

"Temos no Brasil uma parceria entre todos os vários envolvidos. As pessoas com HIV estão muito ativas e organizadas e defendem os seus interesses. Há hoje mais de mil organizações da sociedade civil que trabalham na questão dos direitos, prevenção e aconselhamento e o governo exerce suas responsabilidades nas áreas de tratamento e prevenção".

Conferência
A especialista do Bird acredita que a experiência brasileira servirá de modelo durante a 27ª Conferência Internacional sobre Aids, a ser realizada entre os dias 3 e 8 de agosto, na cidade do México.

O evento contará com a participação de representantes de diversos países, entre eles o Brasil, além da presença do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e do ex-presidente americano Bill Clinton, atualmente à frente de uma fundação que financia programas de combate à Aids.

"O Brasil está desenvolvendo muitas parcerias no âmbito sul-americano, além de exportar medicamentos retrovirais para países como Bolívia e Paraguai, e para nações africanas de língua portuguesa, como Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, São Tomé e Cabo Verde", afirma.

"O Brasil tem um grande manancial de conhecimento nessa área, que já está sendo exportado. E pode fazer ainda muito mais", conclui Godinho.


Bruno Garcez, da BBC Brasil, em Londres
Folha Online, 26/07/08

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CNS patrocina Orquestra Sinfônica de Israel

A Orquestra Sinfônica de Israel, que se apresentará no Teatro Municipal carioca no dia 14 de agosto, faz sua estréia no Brasil com o patrocínio da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e apoio máster da Klabin.

A apresentação tem caráter beneficente e é uma iniciativa do Beit Lubavitch. A renda arrecadada será revertida às obras assistenciais da Associação e ao Lar de Esperança, que assiste mensalmente cerca de 250 famílias no Rio.

Natan , CHL, CSC Brasil, e Real Assets também apóiam a iniciativa. A Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) parceira institucional do evento.


Meio & Mensagem, 25/07/08

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Search Marketing Expo chega ao Brasil em agosto

Depois de levar as mais recentes informações a respeito da comunicação da internet para diversos países, em mais de 50 edições, a Search Marketing Expo chega ao Brasil

Nos próximos dias 7 e 8, a cidade de São Paulo receberá o evento sobre marketing de buscas, que trará especialistas europeus, norte-americanos e brasileiros das áreas de publicidade e tecnologia para mostrar como a web pode ser utilizada na divulgação e apresentação de marcas.

Links patrocinados, buscadores, integração digital e as várias possibilidades de utilização da internet serão alguns dos temas discutidos durante o evento, que conta com o apoio do International Advertising Bureau (IAB-Brasil) e é produzido pelo Online Marketing Espanha (OME) e pelo portal SEM Brasil.

O encontro acontecerá no Hotel Unique, em São Paulo. Outras informações podem ser obtidas no site do evento.


Meio & Mensagem, 25/07/08

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O compromisso com o ensino do Novo Telecurso

O Brasil tem 52,96 milhões de estudantes matriculados na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, Médio e Técnico. São 46,61 milhões em estabelecimentos públicos e 6,35 milhões em instituições privadas

Os dados, revelados pelo "Censo Escolar da Educação Básica 2007", são expressivos e apontam avanços na meta da universalidade do acesso à escola. Entretanto, ainda estão aquém desse objetivo imprescindível para o desenvolvimento, considerando que 800 mil crianças com idade para o ensino fundamental não estão estudando, assim como 18% dos adolescentes entre 15 e 17 anos, conforme mostram, respectivamente, estudos da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e da Fundação Getulio Vargas.

O número ainda elevado dos "sem-escola" não se deve à falta de vagas no ensino público, mas às suas condições inadequadas, favorecendo a evasão e repetência. Professores mal pagos, segurança precária, baixa qualidade e os problemas sociais e familiares são as principais causas. Além de cercear o direito ao estudo, as deficiências da educação geram alto prejuízo socioeconômico, como demonstra o Banco Mundial (Bird), no recente relatório "Jovens em Situação de Risco no Brasil": nossa economia deixa de crescer meio ponto percentual por ano em decorrência de um grande contingente de indivíduos não terminar a escola. Isto significa que, a cada quatro décadas, o País desperdiça R$ 300 bilhões, o equivalente a cerca de 16% do PIB de 2007.

O cenário é muito atenuado pela intervenção da sociedade. Nesse sentido, não há dúvida de que o Telecurso 2000 seja o mais amplo projeto educacional do Terceiro Setor no País. Além de sua abrangência, foca exatamente o principal problema da educação brasileira, que é a evasão, oferecendo oportunidade concreta às pessoas, de recuperarem o tempo perdido, resgatarem a escolaridade básica e se credenciarem à universidade ou a uma carreira qualificada.

São 27 mil telessalas, 5 milhões de alunos beneficiados, 30 mil professores capacitados, 24 milhões de livros e 1,8 milhão de fitas distribuídas. Há, ainda, 1.500 instituições parceiras. Estes são os números da iniciativa conjunta da Fundação Roberto Marinho e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio do Sesi-SP e do Senai-SP.

O primeiro, presente em 123 municípios paulistas, com 210 unidades e mais de 190 mil matrículas por ano, ministra Educação Infantil, Ensino Fundamental e, desde 2007, Médio. Agora, também abrimos a possibilidade dos estudantes cursarem de modo integrado o Ensino Médio do Sesi-SP e os cursos técnicos do Senai-SP. Esta instituição, com 152 unidades, atende a mais de 30 segmentos industriais, alcançando quase um milhão de matrículas anuais. Oferece cursos de Aprendizagem Industrial, Técnicos e Superiores (Mecatrônica, Meio Ambiente, Vestuário e Gráfica), incluindo pós-graduação latu sensu nessas mesmas áreas.

Ante a dimensão dos desafios persistentes, surge o Novo Telecurso, incorporando as disciplinas de Filosofia, Artes Plásticas, Música, Teatro e Sociologia, 110 novas aulas, mais 48 livros para alunos e professores, criação de um banco de dados único para promover a formação continuada dos docentes e a comunicação entre estudantes e inclusão de portadores de deficiência auditiva, a partir da criação de legendas na Linguagem Brasileira de Sinais (Libras).

Com os avanços, o Novo Telecurso, que está sendo lançado em março, passa a cumprir ainda melhor a função de permitir que milhões de brasileiros continuem estudando. Seu conteúdo é o currículo básico do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), do Ministério da Educação. As aulas dos ensinos Fundamental e Médio irão ao ar na Rede Globo, Canal Futura, TV Cultura, Rede Minas e Globo Internacional, com audiência semanal estimada em 7 milhões de pessoas. O acesso é garantido, ainda, nas telessalas, que contam com mediação de um professor, recursos audiovisuais, livros e a vivência de atividades complementares.

Com certeza, o Novo Telecurso inclui-se entre os fatores capazes de melhorar o acesso à educação. E isto é decisivo, pois o ingresso do Brasil no Primeiro Mundo e a solução efetiva do déficit social estão condicionados à sua capacidade de prover ensino universal de qualidade. Desse modo, o desafio do conhecimento é prioridade absoluta. Vencê-lo, porém, não é responsabilidade apenas do Estado. Cabe às organizações do setor privado um papel relevante, como demonstra a atitude dos parceiros do Novo Telecurso.


Paulo Skaf
Presidente da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp)
Gazeta Mercantil, 25/07/08

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sexta-feira, 25 de julho de 2008

Rede de solidariedade

Assista à animação sobre a rede de voluntariado V2V - idealizada pelo Portal do Voluntário em colaboração com Fundación Chandra (Espanha) - e veja como funciona esta rede de solidariedade.




Se quiser saber mais sobre o Portal do Voluntário, sobre o V2V, sobre voluntariado ou se simplesmente quiser encontrar uma oportunidade para ser voluntário, visite www.portaldovoluntario.org.br/

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Cidade de Minas Gerais promove "Inverno Orgânico" até domingo

Cappelletti brodo orgânico é uma das receitas servidas no festival que termina no domingo


Termina no próximo domingo (27), o festival "Inverno Orgânico" na cidade de Gonçalves há 220 km de São Paulo.

Conhecida como a cidade dos orgânicos graças a produção de frutas, legumes, verduras, cachaça, café e pinhão sem o uso de agrotóxicos e pelas características do solo e plantação.

Até o fim de julho, a cidade que registra uma altitude média de 1.300 metros e possui aproximadamente 35 cachoeiras, promove um festival gastronômico nos finais de semana.

Entre as atrações está a apresentação do chef de cozinha Sérgio Peres, do restaurante Nó de Pinho, de Gonçalves que vai apresentar receitas preparadas com produtos orgânicos. Os pratos poderão ser provados pelo público presente na "Feira dos Orgânicos" no centro da cidade.

Mais informações podem ser obtidas no site: www.invernoorganico.com.br



Folha Online, 25/07/08

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Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência indica mudança de paradigma

“Estamos passando por um processo de mudança. Já conquistamos muitas coisas. O Brasil ter ratificado a Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (PcDs) foi um marco, uma conquista histórica, um compromisso da sociedade brasileira”.

A afirmação é do professor Carlos Ferrari, deficiente visual, vice-presidente da Associação para Valorização e Promoção de Excepcionais (AVAPE), instituição que busca a inclusão de pessoas com deficiência e integra o Conselho Nacional de Assistência Social, do Ministério do Desenvolvimento Social e Assistência Social.

Segundo o professor, a ratificação marca uma mudança de paradigma nas atitudes e abordagens em relação à questão. “A sociedade passa a ter um novo olhar. O Brasil fala para o mundo e entra no hall dos países que assinaram a convenção”, explica.

A convenção foi estabelecida em Nova Iorque em 30 de março de 2007 e a ratificação brasileira ocorreu no início do mês de julho de 2008. “Sem dúvida, veio numa boa hora. O debate já está amadurecido, o assunto foi muito discutido por diversos setores da sociedade e segmentos de lutas. As pessoas conseguiram chegar num ponto de maturação sobre a questão e convergir diferentes visões da sociedade. O Brasil precisava do debate, pois sem a discussão teríamos ratificado a convenção, mas ela funcionaria apenas em âmbito legal, e na prática mesmo poucas coisas mudariam”, diz Ferrari.

A convenção foi definida como um documento histórico, porque é o primeiro tratado internacional com status constitucional da história do Brasil. O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), promulgou o decreto legislativo com a ratificação do texto no dia 9 de julho de 2008. Ele beneficiará 14,5% dos brasileiros, aproximadamente 25 milhões de pessoas que têm algum tipo de limitação funcional.

Construída com a participação de organizações de deficientes de todo o mundo, o texto da convenção estabelece obrigações para assegurar igualdade de oportunidades e adaptações necessárias ao livre acesso a bens, serviços e direitos, conferindo reconhecimento universal à dignidade das pessoas com deficiência.

Situação das pessoas com deficiência
Segundo Ferrari, o Brasil vem evoluindo no sentido de respeitar os direitos das pessoas com deficiência. “A lei de cotas nas empresas, por exemplo, foi um grande avanço. Os estabelecimentos comerciais evoluíram, colocando sinalização e rampas de acesso. As calçadas apropriadas nas ruas e nos metrôs também já fazem parte da cidade. As próprias empresas estão mais conscientizadas e mais preparadas para receber as pessoas com deficiência”.

Neste contexto, o trabalho do Terceiro Setor é de grande importância. “O Terceiro Setor vem fazendo um ótimo trabalho, se manifestando com muita propriedade, mobilizando a sociedade civil e chamando atenção para o assunto. As pessoas estão se conscientizando. Não queremos ser vistos como pessoas que precisam de proteção social, mas como cidadãos com direitos e plena capacidade para exigi-los e tomar suas próprias decisões como membros ativos da sociedade”.

Ferrari também explica que para a inclusão obter sucesso é necessário realizar um trabalho de sensibilização junto às empresas. “Não basta você contratar pessoas com deficiência para apenas cumprir cotas estipuladas pelo governo. A empresa tem que ter consciência que está contratando alguém que tem capacidade e total competência para exercer aquela função”, ressalta.


Vivian Lobato, do Aprendiz
Envolverde, 24/07/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para
fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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Microcrédito não atinge 50% dos pobres

Serviços financeiros e oferta de crédito a juro baixo, com menos burocracia, beneficiam 47,8% das famílias de baixa renda do planeta

As microfinanças — oferta de crédito e de outros serviços bancários a juros baixos, com menos burocracia e prazos de pagamento flexíveis — atingem menos da metade das famílias pobres do mundo. Das 193,6 milhões de famílias que recebem menos de US$ 1 por dia, 47,8% têm acesso a esse tipo de serviço, de acordo com números citados num estudo do Centro Internacional de Pobreza, uma instituição de pesquisa do PNUD em parceria com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

A Ásia é a única região em desenvolvimento em que mais da metade (68%) dos domicílios pobres são beneficiados por microcrédito. A proporção é menor na Europa Oriental e na Ásia Central (28,8%) e na América Latina (20,2%). A região em que as microfinanças têm menor penetração é África e Oriente Médio (11,4%).

“O acesso aos serviços financeiros traz inúmeros benefícios. Mas menos da metade dos domicílios nos países em desenvolvimento têm acesso a serviços financeiros, comparados com mais de 70% no mundo desenvolvido”, afirma Degol Hailu, do Centro Internacional de Pobreza, autor do paper Equitable Access to Financial Services: Is Microfinancing Sufficient?.

Em 2006, de acordo com o estudo, havia 3.316 instituições de microfinanças no mundo, que atendiam a 133 milhões de famílias pobres — desse total, quase 70% estava abaixo da linha da miséria e 85% eram mulheres.

Hailu destaca que o microcrédito é bastante importante para promover o acesso da população rural e de famílias pobres de centros urbanos às principais vantagens oferecidas pelos serviços financeiros. Servem de alternativa aos bancos, que freqüentemente não têm unidades em locais próximos a concentração de famílias de baixa renda. "Os pobres podem não ter o mínimo de dinheiro requerido pelo banco para abrir as contas. A falta de familiaridade com os complexos processos e as documentações envolvidas no depósito e retirada de dinheiro podem também constranger o acesso", diz o texto.

As microfinanças ainda não estão suficientemente disseminadas entre os pobres porque ainda se concentram em zonas urbanas e são “excessivamente dependentes de fundos internacionais”, afirma Hailu no artigo.

Para reverter a situação, diz o autor, freqüentemente a sugestão é ligar as instituições de microfinanças aos bancos comerciais — uma rede que traria benefícios tantos às instituições de microfinanças quanto para as bancárias. "Isso daria aos bancos uma maior base de clientes de pequenos negócios", afirma o texto, acrescentando que esse fenômeno pode ser chamado de "formalização da economia informal". Esse processo, ressalva, não garante que um número suficiente de pobres seja beneficiado, pois há carência de bancos comerciais, principalmente na zona rural.

Nesse sentido, defende Hailu, é preciso que as políticas públicas incluam financiamento direto aos pobres — como é feito na China, por meio de cooperativas de crédito rural, e no Vietnã, por meio de um banco público. Nesses dois países, “a política pública buscou o desenvolvimento rural por meio de programas de crédito em setores intensivos de mão-de-obra”, destaca. Não por acaso, nas duas nações asiáticas a pobreza tem caído rapidamente.


Redação do Pnud
Envolverde, 25/07/08
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Todo mundo quer saber

Olívio Guedes, diretor do Museu Brasileiro da Escultura, ministra aula no Universo do Conhecimento, uma das novas casas de cultura no bairro dos Jardins
Foto Sergio Zacchi/Valor


Logo no hall de entrada da Escola São Paulo, uma das muitas casas de cultura abertas nos últimos anos no refinado bairro dos Jardins, na esteira do sucesso da Casa do Saber, lê-se a placa: "Cultura é saúde". De fato, desde que trocou as aulas semanais de natação por cursos de literatura e arte, o advogado Marcio Silveira, de 37 anos, se sente melhor e mais produtivo. Diretor-jurídico da Oracle do Brasil, gigante no ramo de software empresarial, Silveira conseguiu convencer outros colegas de trabalho a trocarem atividades esportivas ou de lazer por algumas horas por semana ouvindo contos de Jorge Luis Borges.

Silveira desembolsa cerca de R$ 300 por mês para freqüentar vários tipos de cursos, um pouco mais do que gastaria na academia de ginástica e na natação. Não se arrepende. Hoje, mesmo com alguns quilos a mais, é capaz de citar de cor trechos do livro "Cidades Invisíveis", de Italo Calvino, um de seus favoritos, cujo diálogo entre os personagens Marco Pólo e Kublai Khan virou uma espécie de mantra diário. "Esse texto tocou-me profundamente e levo-o comigo no meu dia-a-dia, inclusive na empresa, pois é por meio da aprendizagem contínua que se garante a renovação do olhar e conseqüentemente a busca de alternativas viáveis", diz Silveira, animadíssimo com a próximo curso que freqüentará por três dias - A Arte de Colecionar: Paixão e Determinação.

Silveira não pode mais ser considerado um advogado excêntrico. Buscar aperfeiçoamento intelectual de todos os tipos virou uma tendência forte entre a classe média de São Paulo e de outras capitais brasileiras. Só na região dos Jardins há pelo menos uma dúzia de casas que oferecem todos os tipos de cursos possíveis, dos mais tradicionais, como História da Filosofia, aos mais curiosos, como A Arte de Contar Histórias para Crianças.


A Casa do Saber, por exemplo, a mais conhecida de todas, que pelo número de alunos de bom poder aquisitivo chegou a ser apelidada de "Daslup" (combinação de Daslu, a megaloja de luxo paulistana, com a Universidade de São Paulo, a USP, berço da intelectualidade paulistana) acaba de fazer mais um investimento de peso. Além das duas sedes em São Paulo - uma nos Jardins, outra em Higienópolis - e uma filial carioca, no bairro da Lagoa, a casa também mantém, desde o dia 20, uma unidade no luxuoso Shopping Cidade Jardim. O valor do empreendimento não é revelado, mas pelo preço do metro quadrado do shopping, um dos mais caros da cidade (cerca de R$ 10 mil), e o amplo espaço da nova unidade (200 m²), é possível ter uma idéia de como a Casa do Saber virou uma âncora poderosa e lucrativa dessa modalidade de negócios.

Para muitos, a força desses cursos é parte do ciclo de bonança econômica, que favorece o surgimento de uma nova classe média, sempre ávida por legitimação social por meio da cultura. Esse fenômeno, entretanto, tem lá seu lado positivo. "Todo mundo deseja o saber. A classe média alta também quer saber além dos horizontes da Daslu, e é bom que existam espaços para ela", justifica Daysi Bregantini, diretora do Espaço Cult. "O simples contato com alguns pensadores, mesmo que superficial, pode contribuir para melhorar o repertório", avalia.

Renato Janine Ribeiro, professor de filosofia política da USP está alinhado com Daysi. Para ele, não há nenhum mal em verificar o anseio dos emergentes por cultura. "A ignorância leva a um constrangimento social, que acaba obrigando o sujeito a procurar por conhecimento", afirma Ribeiro. "E esse tipo de pressão é ótimo, leva a pessoa a avançar na vida."

O aumento do número de casas de cultura foi acompanhado por uma mudança do perfil dos freqüentadores. A classe média alta, representada por empresários, profissionais e socialites, ainda forma a base de sustentação dos cursos, mas, nos últimos anos, tem dividido o espaço nas salas com estudantes de pós-graduação, à procura de aulas complementares, e com profissionais das mais variadas áreas e classes sociais, bancados por suas respectivas empresas. Na maioria dos casos, o funcionário é levado ao curso para aprofundar o conhecimento na sua área. "As empresas que pagam cursos para seus funcionários exigem aplicação prática", explica Daysi. "Por exemplo, no curso A Arte de Editar um Livro, aqui da Casa Cult, grande parte dos alunos era de profissionais ligados a editoras."

No entanto, há casos cada vez mais comuns de a empresa se dispor a bancar o curso de um funcionário mesmo que não haja nenhuma ligação do conteúdo da aula com a atividade profissional. A socióloga Marina Bedran, curadora da Casa do Saber, acredita que essa tendência é reflexo imediato da crescente segmentação do mercado. "O profissional fica tão preso ao seu universo, ao seu saber, que acaba sendo necessário o conhecimento em outras áreas para que ele ganhe mais produtividade", comenta.

Na Casa do Saber, há bancários fazendo curso de literatura, com bolsas de estudo oferecidas por suas companhias. Para Marina, o resultado nem sempre é satisfatório. "Por um lado, é muito bom abrir a cabeça de um profissional para outras culturas, para outros conhecimentos, enfim, humanizar sua formação, mas as empresas, tão afeitas a padrões, a normas, podem criar, meio sem querer, funcionários mais contestadores, mais idealistas", alerta.

No Espaço É Realizações, localizado na Vila Mariana, a porta está aberta para alunos de todas as idades e classes sociais. Há cursos sobre tudo, seja para os que se interessam apenas superficialmente por um assunto e desejam cursos rápidos, de duas horas, seja para alunos de pós-graduação com lacunas na formação. Dona de casas entediadas e aposentados também são bem-vindos. O curso A Arte de Contar Histórias faz sucesso com senhoras voluntárias que querem aprender a narrar histórias para crianças doentes em hospital. Executivos têm preferência por cursos de filosofia e arte contemporânea. "Nosso público é muito variado, mas a motivação é a mesma: todos querem aprender a consumir cultura de qualidade", diz Edson Filho, diretor-geral da Espaço É Realizações.

Considerada uma das pioneiras do ramo, a da Augôsto Augusta, no mercado há dez anos, é a mais ortodoxa das casas de cultura. Localizada na rua Augusta, também nos Jardins, nasceu como uma extensão da galeria e livraria inaugurada em 1968 por Regina Berjuhy e Lúcia Bertizlian. Em 1998, assumiu-se como um núcleo de reflexão sobre cultura e arte, com cursos de música, teatro, literatura, cinema e filosofia. A escola recusa-se a ministrar cursos rápidos e não faz questão de atrair todos os perfis de alunos. "Temos aqui desde alunos jovens até senhores de 84 anos, mas todos, com níveis intelectuais altíssimos, tem o mesmo objetivo: aprofundar o conhecimento", informa Regina. "Ninguém vem aqui para fazer hora, para aparecer ou por modismo: quem vier com essa proposta certamente vai se sentir constrangido."

Regina revela certo incômodo com a proliferação de escolas que ministram cursos de conhecimento na região, a maioria, segundo ela, com a clara intenção de aproveitar apenas um novo filão do mercado. "Elas tentam copiar o nosso esquema, mas não conseguem", diz, sem citar nomes. Mas o alvo, certamente, é a Casa do Saber, a mais badalada casa de conhecimento de São Paulo - a abundância de socialites freqüentando os cursos chegou a provocar a oposição de alguns intelectuais, que não aceitaram dar aulas no local.


Segundo a curadora da Casa do Saber, o perfil dos freqüentadores hoje é muito mais heterogêneo. Os cursos se diversificaram ao longo do tempo e atraíram um público diferente e diferenciado. Marina não concorda com o estereótipo criado em torno da casa, de ser apenas mais um ponto de encontro dos bem-nascidos - ou novos-ricos - da cidade. "Temos de tudo aqui, de estudantes de classe média a profissionais de pós-graduação e também não temos absolutamente nada contra o aluno que não tenha uma ligação profissional, diretamente produtiva, com as aulas", afirma.

Ela conta que atualmente é muito comum a procura por temas contemporâneos, tanto por estudantes, que querem se aprofundar no tema, quanto por empresários, profissionais liberais e socialites que desejam "estar por dentro do que acontece no mundo". "Os nossos cursos sobre a eleição nos Estados Unidos ou sobre os Brics [expressão criada pelo economista Jim O'Neill para denominar os principais mercados emergentes do mundo, Brasil, Rússia, Índia e China] fazem muito sucesso."

O músico e compositor Luiz Tatit, professor titular do Departamento de Lingüística da USP, vê com bons olhos o aumento do número de casas que ministram cursos de humanidades. Na sua opinião, eles podem - e devem - ser uma ótima alternativa ao academicismo. "É preciso louvar qualquer instituição que tem como objetivo vender cultura, mesmo que não tenha a pretensão de se aprofundar no tema", diz Tatit.

Ele já foi convidado para dar aulas no Espaço Cult e ficou impressionado com o clima informal das aulas. "O lugar era agradável, as poltronas dos alunos eram muito confortáveis e havia um interesse genuíno do público pelo que eu dizia - como posso ser contra isso?", indaga Tatit. "Era um curso ministrado à noite, freqüentado basicamente por estudantes. Mas eu não teria problema nenhum em dar aula para mulheres 'desocupadas'. Seria puro preconceito da minha parte."

A Universo do Conhecimento, inaugurada recentemente, segue o script da maioria das outras escolas. Localizada num casarão tombado nos Jardins (na alameda Ministro Rocha Azevedo) mantém o clima de sala de visitas. Os alunos são recebidos ao som de música clássica por uma espécie de hostess, que anota seus nomes e os encaminha até a sala de aula. Tudo planejado pela empresária Luciene Miranda de Paula, ex-sócia da Universidade São Marcos, fundada por sua família. Há quatro anos, Luciene coordenava cursos livres da Livraria Cultura, na região da avenida Paulista. A demanda aumentou e ela decidiu investir entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões na fundação da Universo do Conhecimento, que integra um espaço maior, dedicado à cursos de especialização e pós-graduação. "Se há melhora no poder aquisitivo, as pessoas procuram mais qualificação", observa Luciene.

A reportagem assistiu a um dos encontros culturais da noite na Universo do Conhecimento - A Arte como Valor: Simbólico, Emocional e Mercadológico -, ministrado por Olívio Guedes, diretor do Museu Brasileiro da Escultura (Mube). O curso tinha como objetivo "organizar o conhecimento, através da historia dos objetos de arte". Seu público-alvo: "interessados em geral que buscam ampliar o conhecimento em relação ao conceito de arte, suas mudanças ao longo do tempo e sua transformação em mercadoria".

Dos 14 alunos da sala, Adriana Teixeira de Lima, de 41 anos, foi a primeira a chegar. Formada em economia e em artes plásticas, Adriana viu no curso uma rara oportunidade de unir os dois universos, artes e economia, sempre conflitantes. "Nos cursos de artes, os professores sempre destacaram o lado intuitivo da arte e nunca a questão mercadológica; nos cursos de economia, aprendi a deixar a intuição de lado e a lidar apenas com a razão." Adriana desembolsou R$ 180 na esperança de, finalmente, conseguiu transformar seu conhecimento nas duas áreas em algo lucrativo. "Estou aqui para isso, para aprender a lucrar com a minha intuição", diz, determinada.

A tradutora e intérprete Ezir de Paiva, de 44, não tem grandes pretensões profissionais. Está ali por conhecer o professor e acha que de alguma forma deixará o curso com mais conhecimentos e prestígio. "Eu dou aula particular de inglês e a partir do momento que comentei com os alunos que estava fazendo um curso de arte passei a ser vista com outros olhos, com mais respeito e admiração", conta.

O sociólogo Dario Caldas, curador da Universo do Conhecimento, não escondia certa preocupação com a forte concorrência, mas esperava se diferenciar de outros espaços apostando em cursos mais longos, de maior profundidade. "Não faço a mínima questão de renegar o nosso perfil acadêmico, não sou partidário daqueles que acham que a academia tem cheiro de mofo", diz Caldas. A Universo do Conhecimento, debutando no segmento, terá concorrentes dos mais duros: a alguns metros dali, na avenida Paulista, a Livraria Cultura oferece cursos de graça, no mesmo horário. "A nossa estratégia está definida: queremos que o espaço sirva para que o aluno aprofunde o conhecimento que já tem."

Renato Janine Ribeiro acredita que a procura da classe média por cursos de conhecimento é um reflexo direto da falência da educação de base. "Como temos uma educação formal muito limitada, com grandes lacunas, é natural que as pessoas, mesmo na fase adulta, sintam a necessidade de buscar conhecimentos." Mas o professor também alerta para outro fenômeno: o anseio da sociedade por um aprendizado menos tradicional. Até há pouco tempo, segundo Janine Ribeiro, era importante e necessário apenas que o sujeito tivesse um completo domínio de sua atividade profissional, deixando o resto de lado. "Hoje, não. O conhecimento em outras áreas é muito bem-vindo e começa a ter uma ligação direta com a produtividade desse profissional. As pessoas estão acordando para isso, o que é muito bom."


Tom Cardoso de São Paulo
Valor Online, 25/07/08

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Montadoras dobram verba de marketing para atingir jovens

Herlander Zola, gerente de propaganda da Volks: montadora quer deixar de ser a fabricante do "carro do papai"
Foto Anna Carolina Negri / Valor

Se as montadoras fizessem uma grande campanha online para vender automóveis usando só os seus sites oficiais, atingiriam cerca de dois milhões de usuários na internet. Mas se os integrantes das comunidades virtuais que tratam do tema carros decidissem disparar uma campanha contra ou a favor de alguma marca na web, envolveriam um bilhão de internautas, ou seja, provocariam um impacto 500 vezes maior, segundo pesquisa do Ibope NetRatings realizada este ano sobre as redes sociais. Detalhe: nas comunidades relacionadas a veículos, mais de 90% dos membros têm até 24 anos de idade.

Não por acaso, as montadoras estão cada vez mais interessadas nos motoristas que carregam há menos de dez anos a carteira de habilitação. Para isso investem mais em ações na web e também no mundo "real", voltadas especificamente para este público.

Duas montadoras anunciaram esta semana estratégias pioneiras para atingir os motoristas com menos de 30. A Volkswagen patrocina com exclusividade a partir de hoje, sexta-feira, o download do novo álbum da banda Cansei de Ser Sexy, em uma parceria fechada com a gravadora Trama. Por meio da ação, qualquer internauta pode baixar o álbum completo, como parte da campanha de lançamento do novo Gol, capitaneada pela agência Almap BBDO. Já a Fiat acaba de levar ao ar o primeiro site brasileiro para usuários do iPhone. Os donos do aparelho da Apple, um misto de celular e tocador de música digital, poderão conhecer detalhes do Palio Adventure, lançamento da montadora.

Tanto na Volkswagen, quanto na Fiat, os investimentos voltados ao público jovem irão consumir entre 25% e 30% da verba total de marketing deste ano. Na Volks, esse montante estava em 15% em 2003, quando a empresa decidiu intensificar as ações de comunicação com os novos consumidores, a partir do lançamento do Fox. "O online é o principal meio para se comunicar com esse público, tanto que nossa aposta nessa área mais do que dobrou nos últimos cinco anos - de 3% para 7% da verba de mídia", diz o gerente de propaganda e estratégias de marketing da Volks, Herlander Zola.

O investimento está acima da média aplicada pelo mercado em comunicação online, que foi de 2,8% da verba de mídia no ano passado, segundo a pesquisa Inter-Meios. Fiat e Volks aplicaram juntas, de acordo com o levantamento, R$ 170 milhões e R$ 130 milhões, respectivamente. Na Fiat, a aposta em web vai muito além e deve fechar entre 10% e 12% do total investido em marketing este ano, de acordo com o diretor de marketing, João Batista Ciaco.

O curioso é que a estratégia de marketing das duas, centrada no online para chegar aos jovens, vai na contramão das estatísticas do Denatran: há cada vez menos motoristas jovens (de 18 a 25 anos) nas ruas, enquanto cresce o número de condutores com mais de 50. Ciaco explica. "É importante falar com os jovens não necessariamente para vender carro, mas para influenciá-los como formadores de opinião", afirma. De acordo com o diretor, a aquisição do veículo está cada vez menos solitária e mais compartilhada, daí a necessidade de estar presente nas redes sociais. O próprio executivo está aprendendo isso pessoalmente: criou há dois anos um blog pessoal.

"A influência começa dentro de casa, opinando sobre a marca que o pai ou a mãe podem comprar", afirma Herlander. "E mesmo que os mais jovens não tenham dinheiro para andar de quatro rodas agora, podem ser fiéis à marca amanhã".

Mas não é qualquer ação virtual que tem peso junto a esse público, diz Sérgio Mugnani, da Almap. "Só ganha espaço uma ação relevante, como a entrega de música digital de qualidade e de graça", afirma. Na Volks, porém, os esforços vão além do virtual. Fez uma parceria com a MTV (promoção Pimp my Fox) e criou um concurso (o Fox Route) para universitários. A alemã quer aposentar de vez aquela imagem de "carro do papai", sério e comportado, para adotar uma postura mais arrojada.


Daniele Madureira, de São Paulo
Valor Online, 25/07/08

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quinta-feira, 24 de julho de 2008

Atuação por programas estruturados

A revisão da estratégia ocorrida em 2003 reforçou o papel da Fundação Banco do Brasil na articulação e implementação de programas e projetos próprios, afastando-a cada vez mais da imagem de mera financiadora de iniciativas de terceiros no campo do desenvolvimento social.

Uma decisão estratégica relevante nesse sentido foi a de concentrar o foco de atuação da Fundação nos campos da geração de trabalho e renda e da educação, tendo o Banco de Tecnologias Sociais como grande inspirador. Como desdobramento dessa nova orientação, houve não apenas uma ampliação do volume de investimentos nesses campos, mas também a consolidação da imagem da Fundação junto ao tema Tecnologia Social. Além da certificação e divulgação das tecnologias proporcionadas pelo Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologias Sociais, a Fundação passou a atuar na reaplicação das tecnologias consideradas mais aderentes aos seus objetivos estratégicos.

Como conseqüência desse novo direcionamento, a Fundação passou a ter como prioridades de atuação, no campo de geração de trabalho e renda, regiões geográficas com baixos índices de desenvolvimento humano e populações sob maior risco de exclusão social, como assentados da reforma agrária, catadores de materiais recicláveis, extrativistas e habitantes de antigos quilombos.

Além desses eixos orientadores, adotou-se a priorização de algumas cadeias produtivas, particularmente aquelas consideradas mais importantes para a economia das regiões mais pobres e, também, mais ajustadas à cultura e ao cotidiano dos setores sociais priorizados. Dessa forma, decidiu-se concentrar a atuação da Fundação nas cadeias da reciclagem de resíduos sólidos, apicultura, mandiocultura, cajucultura, ovinocaprinocultura e do artesanato.

Passados quatro anos da adoção desses recortes na atuação da Fundação, no campo da geração de trabalho e renda já é possível verificar ganhos importantes, tais como:

a) construção de conhecimento, com a formação de "inteligência interna" a respeito de temas específicos (incubação de empreendimentos solidários, desenvolvimento local, comercialização), atividades econômicas (apicultura, cajucultura, reciclagem) e segmentos sociais (agricultores familiares, catadores e quilombolas, por exemplo);

b) definição e validação de Referencial Metodológico para Atuação em Cadeias Produtivas Envolvendo Populações Pobres1, que passou a nortear a atuação da Fundação na construção de projetos-referência2 nas cadeias produtivas priorizadas;

c) constituição de amplo leque de parcerias, com o desenvolvimento de relacionamento profícuo com instituições governamentais e não-governamentais de reconhecida importância nos temas, setores e segmentos sociais priorizados, tais como: Embrapa, Sebrae, Conab, Petrobras, Unitrabalho, Unisol-Brasil, Icco, Ministério do Desenvolvimento Social e Ministério do Trabalho e Emprego, dentre outras;

d) consolidação de uma política de alinhamento com as ações do Banco do Brasil nos campos do desenvolvimento sustentável e da responsabilidade sócio-ambiental.

No entanto, se o período de 2003 a 2005 foi fecundo na formatação dessa nova estratégia, demarcando fortemente o espaço de atuação no campo da geração de trabalho e renda, por outro lado levou a uma excessiva elevação na quantidade de projetos, tendo o número de convênios ativos alcançado a casa dos 2.000 no final deste período.

As conseqüências desse quadro, em 2006, resultaram em um forte impacto no processo operacional da Gerência de Trabalho e Renda - RENDA. A dificuldade em se promover o correto acompanhamento da implantação de tão elevada quantidade de projetos resultou na necessidade de mudança da sistemática do trabalho, principalmente em razão de sua natureza fundacional e, mais do que isso, por seu vínculo histórico com o Banco do Brasil.

Para solucionar esse problema a Fundação passou por uma reestruturação organizacional em 2007, oportunidade em que foram definidas novas metodologias de monitoramento e avaliação de projetos. Foram criados dois núcleos de monitoramento vinculados à RENDA e um núcleo de avaliação vinculado à Secretária Executiva - SECEX. Uma questão, no entanto, se tornou fundamental para a sustentabilidade dessas novas estruturas: a limitação do número de projetos aprovados a cada ano. Isto porque a definição do atual quantitativo de funcionários da RENDA foi precedida de estudo técnico baseado em uma estimativa de 300 convênios contratados a cada ano. Acima desse número a capacidade operacional daquela Gerência ficaria comprometida e, novamente, a Fundação voltaria a ficar exposta aos riscos anteriormente mencionados.

Se for observada a quantidade de projetos aprovados no período de 2004 a 2005 - 1.306 convênios -, em comparação ao período 2006 a 2007 - 867 convênios -, observa-se que já vem ocorrendo expressiva redução na formalização. Comparando-se, no entanto, o volume dos investimentos na área de geração de trabalho e renda nos dois períodos em questão - R$ 93 milhões contra R$ 123 milhões, respectivamente - conclui-se que a redução na quantidade de projetos não resultou em menos investimentos da Fundação. Ao contrário, observa-se que houve incremento da ordem de R$ 30 milhões.

Outro aspecto merecedor de atenção é o valor médio dos projetos aprovados. No período de 2004 a 2005, o valor médio dos projetos foi de R$ 71 mil, enquanto que, no período de 2006 a 2007, essa média subiu para R$ 142 mil.

Feita essa análise, o fundamental é que se entenda que o rompimento da Fundação com a política de atuação no chamado "varejo", convergindo para uma atuação sob a forma de programas estruturados, também no campo da geração de trabalho e renda, é um caminho irreversível. Aliás, este mesmo caminho já havia sido adotado pela própria Fundação há cerca de dez anos, em sua Gerência de Educação e Cultura, com inegável sucesso.

Mais importante, porém, é compreender que o caminho da focalização não é um fim em si mesmo. Representa a possibilidade de a Fundação qualificar cada vez mais suas ações, atuando na articulação e modelagem de novas iniciativas, acompanhando e avaliando de forma efetiva os projetos que aprova a cada ano.

(1) Documento elaborado em 2003 pela Fundação Banco do Brasil, Banco do Brasil, SEBRAE, EMBRAPA e UNITRABALHO.

(2) Principais projetos-referência implementados com o investimento social da Fundação: Unidade Industrial de Processamento de Termoplásticos (MG), Central Casa Apis (CE e PI), Cadeia Produtiva da Mandioca (BA) e Cadeia Produtiva do Caju (BA, CE, PI e RN).


Jorge Streit e Mario Teixeira
Gerente de Articulação e Parcerias e Gerente de Trabalho e Renda, ambos da Fundação Banco do Brasil

Fonte: Fundação Banco do Brasil
RTS, Notícias da Rede, 24/7/08

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Market Analysis apresenta ranking de Responsabilidade Social 2008

Pesquisa revela opinião dos consumidores sobre atuação das companhias em sustentabilidade. Petrobrás é considerada a melhor pelo 3º ano consecutivo

A Market Analysis, instituto de pesquisa de mercado e opinião pública, apresenta os resultados do levantamento que aponta as dez melhores e piores companhias em Responsabilidade Social atuantes no país. Entre as mais bem avaliadas estão Petrobrás (19,8%), Coca-Cola (4,8%) e Vale do Rio Doce (3,8%). Bradesco, Votorantim, Natura, Fiat, Sadia e Azaléia também compõem este grupo. Os dados fazem parte do Monitor de Responsabilidade Social 2008, estudo realizado anualmente pela empresa no Brasil.

Entre as empresas classificadas negativamente, a Parmalat lidera com 10,6%, seguida pela Souza Cruz (5,8%) e Telemar (5,3%). Mac Donald´s, Telefônica, Petrobrás, Vale do Rio Doce e AE Cedae dividem o 4º lugar (1,9%) do ranking. Para traçar os resultados o instituto ouviu 805 pessoas nas principais capitais brasileiras.

Segundo Fabián Echegaray, diretor da Market Analysis, o estudo reforça a preocupação dos brasileiros com o tema e a atenção dada aos fatores que envolvam o ramo de atuação das empresas. Tanto a Petrobrás como a Vale do Rio Doce são citadas nos rankings de melhores e piores. "Esta duplicidade reflete tanto a aceitação dos investimentos massivos em ações sociais e de marketing, tidos como muito relevantes por alguns consumidores, como também a percepção crítica de outros consumidores sobre a natureza intrinsecamente questionável dos negócios destas empresas, ligados à poluição e deteriorização do meio ambiente", alerta Echegaray.

Outro exemplo que clareia esta percepção é a posição da Parmalat, que atualmente ocupa o topo do ranking das piores empresas em responsabilidade social. A empresa teve sua imagem abalada após a denúncia sobre o uso de soda cáustica no leite fornecido por algumas cooperativas, no segundo semestre de 2007, evidenciando a preocupação e atenção do brasileiro quanto à maneira como são tratados os negócios das empresas.

"A maior atenção da mídia, não apenas na maneira como as empresas distribuem parte dos seus ganhos, mas também como elas geram suas receitas torna o consumidor brasileiro cada vez mais atento e exigente diante do mundo corporativo", aponta Echegaray. "Ele reage rapidamente às informações que circulam sobre as empresas e - neste sentido - reputação e valor de mercado das empresas podem crescer rapidamente, como cair no abismo com a mesma velocidade", conclui.

Para ver o ranking completo, acesse: http://www.s2.com.br/s2arquivos/477/multimidia/255Multi.pdf.

Monitor de Responsabilidade Social 2008: pesquisa sobre reputação das empresas realizada anualmente pela Market Analysis Brasil. Foram entrevistados 805 adultos (18-69 anos), nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Porto Alegre, Curitiba, Goiânia e Brasília. As entrevistas foram realizadas em novembro e dezembro de 2007, no domicílio do entrevistado. A margem de erro é de aproximadamente 3,4%.


Fonte: Market Analysis
HSM On-line, 23/07/08

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O Movimento do Novo Luxo é irreversível

Carlos Ferreirinha, diretor-presidente da MCF Consultoria & Conhecimento, especializada no negócio do luxo e premium

Com uma taxa de crescimento anual invejável, entre 15% e 22%, o mercado de luxo definitivamente entrou na pauta das discussões mundiais. Alguns
mercados chegam a crescer a taxas bem maiores isoladamente, como é o caso de países como China, Índia e o eixo do Leste Europeu e Rússia. Já mercados tradicionais como o norte-americano, o europeu e o japonês cresceram menos e projeta-se que não avancem além de 7% em 2008. O mercado brasileiro tem se expandido nos últimos dois anos em média 17% ao ano, alcançando o faturamento de US$ 5 bilhões e demonstrando oportunidades em regiões não muito exploradas até bem pouco tempo, como o interior de São Paulo e as regiões Norte e Nordeste.

As expectativas são de que 2008 será um ano especial para a atividade do luxo no Brasil. Muitos são os projetos que, executados, garantirão pelo menos a repetição da média do crescimento do mercado dos últimos anos, se não sua superação. As empresas têm demonstrado o vigor do crescimento, tanto no Brasil como no exterior. Praticamente todos os grandes grupos de luxo do mundo – de diversas atividades empresariais, como automóveis, alimentação, bebidas, hotelaria, jóias e relógios, entre outras – têm apresentado excelentes resultados de faturamento e lucratividade. Apesar do desaquecimento do mercado norte-americano, as estimativas para os resultados deste ano continuam muito otimistas.


E o que vem impulsionando esse segmento? Entre uma série de razões, a profissionalização empresarial, aliada ao processo de democratização do acesso ao luxo –a atividade altamente exclusiva e elitista do passado ganha cada vez mais ares contemporâneos de acessibilidade e influencia uma série de novas atividades, originando, assim, o chamado “novo luxo”. Ou seja, vivemos novos tempos (leia-se “o passado não tem volta”).

O conceito e a percepção de exclusividade têm sido alterados com isso? Evidentemente que sim. E, por esse motivo, as marcas aumentam sua preocupação com a severa gestão. Mas a democratização é um processo irreversível. Os mercados mundiais cresceram. A riqueza disponível no mundo aumentou. Novas classes de consumo têm surgido em todas as partes. O movimento dos afluentes é uma realidade em diversos mercados do planeta. Tudo isso leva ao incremento do consumo aspiracional, bem traduzido na frase “Dai-me o luxo e esquecerei as necessidades”. Não há dúvida de que o marketing agressivo da atividade vem mudando a percepção de luxo, como bem dito pela escritora Dana Thomas em Deluxe – mas para melhor, em minha opinião. A marca Louis Vuitton, bastante criticada pela autora em seu livro, tornou-se a marca de luxo mais valiosa do mundo. Deixou de representar o luxo inacessível e posicionou-se como de luxo intermediário.

Qual é o problema em relação a isso? A questão que merece reflexão, muito mais importante, é outra. Até quando será possível esse movimento da Louis Vuitton e de tantas outras marcas? Esse é o desafio e a responsabilidade dos gestores. No passado, as marcas eram administradas exclusivamente pelas vontades e intuições e muitos desses movimentos foram desastrosos. Atualmente, porém, executivos administram focados em resultado – a intuição passa a ser mais uma peça do quebra-cabeça. O poderoso Hotel Ritz Carlton, que muitos ainda crêem existir somente em Paris, já possui mais de 40 operações no planeta e, em breve, também estará no Brasil. A Cartier tem mais presença mundial do que a maior empresa da Terra, o Wal-Mart. A conservadora e tradicional Baccarat fez parceria com o designer pop Philip Stark. A sofisticada Veuve-Clicquot tem uma linha de mobiliário assinada pelo vanguardista Karin Rashid. São tantos os exemplos que temos de ver a democratização e a massificação da atividade do luxo como necessárias. Mudar sempre. Mudar inclusive para se manter vivo nos próximos cem anos.

Novos tempos!
Para ler a matéria completa “O velho luxo ainda pode existir” , a edição 69 da revista HSM Management de julho-agosto estará nas bancas a partir do próximo dia 28 e os assinantes podem já acessar o site www.hsmmanagement.com.br

1ª. Conferência Internacional do Negócio do Luxo -ATUALUXO 2008
Pela primeira vez, o Brasil sediará um evento internacional do mercado de luxo no Brasil, de 1 a 3 de setembro próximo, no Hotel Renaissence em São Paulo.

Movimentando USD 210 bilhões ao ano no mundo e USD 5 bilhões no Brasil, este segmento não é mais modismo, mas efetivamente um segmento de negócios expressivo e em plena ascensão com crescimento na China de 98% no ano de 2007. No Brasil enquanto o PIB cresceu 5,4% em 2007, o mercado de luxo cresceu 17% segundo pesquisa realizada pela GFK e MCF Consultoria.

Com o objetivo de posicionar o evento no calendário das Conferências Internacionais do segmento do Luxo e Premium, além de educar o mercado, os formadores de opinião, o Governo Brasileiro, os executivos, a imprensa e os profissionais sobre as atividades desta segmentação, a MCF Consultoria capitaneada por Carlos Ferreirinha e Daniele Costa, tem como objetivo beneficiar o setor com uma visão empresarial, social e educacional de negócios. Além de consolidar o Brasil como importante mercado nesta atividade de negócios.

Palestrantes Já Confirmados:
Chile
Casa Lapostolle, Patricio Eguiguren – Managing director
Argentina
Sensation du Temps, Ernesto Kohen – President América Latina
IFF, Dionisio Ferenc – General Manager Latin America Fragrances
México
Uriarte Talavera, Socorro Mayen – General Manager
EUA
NY
West LB, Ricardo Amorim – Executive Director
Soussand Associates, LLC, Philippe Soussand - CEO
FL
Mastercard, Richard Hartzell – President of Latin America and Caribean
Portugal
International Journalist, Rita Ibérico Nogueira (Portugal)
França
LuxuryCulture.com, Yaffa Assouline - Founding & Chief Editor
Itália
Altagamma, Armando Branchini – Executive Director
Bain & Co., Claudia D´Arpizio – Senior Associate
Grã-Bretanha
Stella McCartney, Marco Bizzarri - CEO
Naked Communications, Will Collin – Founding Partner
WGSN, Barbara Kennington – Founder Member Creative Director
Quintessentially.com, Aaron Simpson – Founding Partner
The Walpole, Guy Salter – Deputy Chairman
Pernod-Ricard à confirmar
Brasil
GfK Indicator, Paulo Carramenha – President
Taste.com.br, Gabriel Pupo Nogueira – Founding Partner and President
MCF Consultoria & Conhecimento, Carlos Ferreirinha – Founding Partner and President


Carlos Ferreirinha
Diretor-presidente da MCF Consultoria & Conhecimento, especializada no negócio do luxo e premium, com atuação no Brasil e na América do Sul. http://www.atualuxo.com.br

HSM On-line, 23/07/08

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A Arte das Negociações de Vendas

Um guia prático para gerentes de vendas e seus vendedores

O que é influência?
A maioria das pessoas confunde influência com persuasão. Há uma diferença. Persuasão é o processo de alterar as atitudes ou as crenças de outra pessoa. A influência é o processo de mudar o comportamento de alguém. Enquanto a persuasão pode ser um meio de gerar influência, a influência é muito mais importante para um representante de vendas, pois um aumento em vendas só pode ser resultado de uma mudança positiva no comportamento do consumidor.

É um erro comum considerar que a habilidade de influenciar é um atributo de caráter que algumas pessoas têm e outras não. É fato que há indivíduos para quem a influência vem naturalmente. Felizmente para todos os demais, pesquisas científicas conduzidas ao longo dos últimos 30 anos indicam que praticamente qualquer um pode aplicar os princípios da influência para mudar o resultado das interações pessoais, inclusive nos processos de vendas. Essas pesquisas são baseadas em extensa observação de vendedores de alto desempenho, dentro de uma ampla variedade de setores, incluindo seguros, automóveis, fotografia, beneficência, propaganda, relações públicas e outros. Através de décadas de tentativa e erro, as empresas aprenderam o que funciona nas situações de vendas.

Por meio da comparação dos sucessos em vendas naqueles setores, os cientistas identificaram padrões de comportamento e de discurso que aumentam a probabilidade de uma pessoa dizer sim a uma solicitação. Enquanto representantes de vendas (e outros) têm uma boa razão para acreditar que chegar ao sim é uma questão de oferecer um produto ou serviço de valor para o cliente, pesquisas indicam que indivíduos ou organizações que apresentam sua oferta de maneira influente ficarão com a melhor parcela das vendas.

Quais são os princípios da influência?
De acordo com a pesquisa, você pode aumentar drasticamente a probabilidade de fechar uma venda, se aplicar um ou mais dos seis princípios básicos da influência. Os seis princípios são os que seguem.

Princípio da Reciprocidade. Os clientes se sentem obrigados a dizer sim àqueles a quem eles devem algo. Por exemplo, quando entidades beneficentes incluem pequenos presentes na mala-direta, a resposta dos destinatários dobra. Para implementar esse princípio, sempre entre em uma situação de venda com o pensamento de ajudar, em vez de ser ajudado. Quando isso é sinceramente sentido e expressado, cria uma obrigação que o cliente vai achar extremamente difícil ignorar. Similarmente, uma das melhores maneiras de conseguir uma indicação de um cliente é dar ao cliente uma indicação. Crie um senso de obrigação e venda mais.

Princípio da Escassez. Os clientes são mais propensos a dizer sim se eles acreditam que o produto ou o serviço que está sendo vendido é raro ou está se tornando menos disponível. Por exemplo, quando a GM anunciou o fim da linha de produção do Oldsmobile, os Oldsmobiles que estavam parados há meses foram vendidos em questão de dias. Uma maneira de usar esse princípio é revelar ao cliente qualquer circunstância que possa tornar o seu produto ou serviço difícil de ser obtido no futuro. Outra maneira é focar a discussão naquilo que o cliente vai perder se não tiver o seu produto ou serviço, em vez de naquilo que o cliente ganhará ao tê-lo.

Princípio da Autoridade. Os clientes são mais propensos a dizer sim, se eles vêem o representante de vendas como possuidor de conhecimento especial ou credibilidade única. Por exemplo, empresas de alta tecnologia freqüentemente levam seus presidentes ao processo de venda, a fim de fechar uma grande venda. Para implementar esse princípio, sempre revele qualquer coisa sobre seu passado ou sua experiência que poderia fazer aumentar a percepção de autoridade que o cliente tem a seu respeito. Outro jeito de usar esse princípio é enfatizar a reputação de sua empresa no setor a que pertence e a sua história de sucesso.

Princípio da Coerência. Os clientes são mais propensos a dizer sim, quando dizer sim é coerente com um compromisso anterior que tenham feito em sua presença. Por exemplo, empresas de pesquisa de mercado dobram o número de pessoas que concordam em ser entrevistadas simplesmente ao perguntar ao potencial entrevistado o seguinte: “Você é uma pessoa colaborativa?” Para usar esse princípio, consiga o compromisso do cliente acerca de objetivos e preferências e, então, faça o seu produto ou serviço corresponder a esses objetivos e preferências. Melhor ainda, consiga que o cliente faça um compromisso público que defina sua identidade. Então, quando você amarrar a compra do seu produto ou serviço a essa identidade, o cliente vai querer dizer sim, porque dizer não seria incoerente com sua auto-imagem. Por exemplo, se o cliente diz “eu me sinto responsável pela segurança desta organização”, você pode dizer “então, você vai realmente interessar-se por saber como nossa solução tornará suas instalações mais seguras”.

Princípio da Prova Social. Os clientes são mais propensos a dizer sim, se lhes são apresentadas evidências de que pessoas como eles estão dizendo sim também. Por exemplo, programas televisivos de vendas têm uma resposta muito maior quando eles entrevistam pessoas que compraram o produto e estão dispostas a falar sobre como ele é maravilhoso. Um modo de usar esse princípio é oferecer ao cliente exemplos e referências que combinam o máximo possível com o perfil desse cliente. Outro modo é convidar o cliente a um encontro de usuários, no qual o cliente estará exposto a dúzias de seus (presumivelmente felizes) clientes.

Princípio da Afinidade. Os clientes são mais propensos a dizer sim, se eles conhecem o representante de vendas e gostam dele. Os comerciais de televisão, por exemplo, sempre veiculam celebridades, porque os clientes sentem que eles gostam delas e que as conhecem. Afinidade é difícil para muitos representantes de vendas, porque parece ser uma questão de personalidade e sorte, mas do que comportamento e intenção. Entretanto, a afinidade não é nenhum grande mistério. Para usar esse princípio, encontre similaridades entre você mesmo e o cliente e traga-as à superfície. Vocês estão no mesmo negócio? Há algo parecido no passado de vocês? O princípio da afinidade é complementar ao princípio da reciprocidade. Se você puder encontrar algo sobre o cliente que você verdadeiramente goste e respeite, então o cliente vai naturalmente gostar de você e respeitá-lo. Ao mesmo tempo em que isso parece manipulação, não o é, porque, se você realmente gostar do cliente, terá certeza de que o cliente será bem tratado.

Lembre-se que esses princípios devem ser aplicados antes que você proponha o negócio em questão. As pesquisas indicam que o pré-posicionamento da venda é o principal diferencial entre oportunidade que resultam em vendas e oportunidades que adoecem e morrem. Isso não significa que as características do produto, os elementos de contrato e outros fatores de um processo de vendas não sejam importantes. Criar um ambiente psicologicamente receptivo para uma proposta de venda, contudo, é o ponto mais importante para o fechamento da venda.

Como aplicar esses princípios
A chave para aplicar esses princípios é a preparação. Antes de qualquer contato de venda, você deve descobrir o que puder sobre o cliente, os seus interesses e o seu papel na organização. A razão para isso é simples: quanto melhor você entender o cliente, mais provável será que você seja capaz de aplicar um ou mais dos princípios, enquanto você se prepara para o fechamento. Antes de fazer uma visita, repasse os seis princípios, um após o outro, e decida se eles estão disponíveis para uso na situação específica de venda. Durante a venda, prepare-se para o fechamento trazendo à luz os princípios, gradualmente e naturalmente, como parte da conversação.

É evidente que você deve ajustar sua abordagem para incluir qualquer informação adicional que você obtenha durante o processo. Por exemplo, se você descobre que o cliente freqüentemente comprava produtos de sua empresa no passado, reforce esse compromisso anterior pedindo ao cliente que lhe dê mais detalhes sobre quando e como essas compras ocorreram.

As perguntas mais freqüentes feitas por representantes de vendas
P: Somos uma empresa mundial. Essas técnicas funcionarão para influenciar pessoas que pertencem a outras culturas de negócios?
R: Sim, mas os elementos específicos da técnica variarão de acordo com as peculiaridades da cultura. Por exemplo, em culturas asiáticas, as pessoas são mais propensas a ser influenciadas pelos apelos da autoridade do que em culturas mediterrâneas, nas quais as pessoas tendem a reagir mais positivamente aos apelos à amizade. Ambos os vieses diferem do que acontece nos Estados Unidos, onde os principais pontos de influência são a obrigação e a reciprocidade.

P: Qual é a diferença entre influência e manipulação?
R: Ética. É influência, quando você honestamente acredita que, ao vender seu produto, você está verdadeiramente ajudando o cliente a conquistar um objetivo ou superar um problema. É manipulação, quando você está tentando induzir um cliente a comprar algo que não é nem desejado, nem necessário.

P: Nosso produto é melhor do que o da concorrência. Por que precisamos usar a influência para vendê-lo?
R: Na maioria dos casos, um produto de qualidade melhor venderá mais do que um de baixa qualidade. Entretanto, sendo as variáveis mais ou menos iguais, os representantes de vendas que usam a influência efetivamente superam os que não o fazem. Se você usar a influência, não apenas vai vender mais que a concorrência, mas também venderá mais do que seus colegas de empresa que não utilizam os princípios. Um dos fatores que compõem um produto de qualidade é uma força de vendas bem treinada, que pode ajudar o cliente a tomar uma boa decisão. Assim, sua habilidade de influenciar é realmente determinante sobre o fato de seu produto ser considerado o melhor da categoria. Devido a isso, uma empresa com um produto fraco, mas com uma forte força de vendas, pode, às vezes, oferecer mais valor que uma empresa que tenha um produto forte, mas uma fraca força de vendas.


Robert B. Cialdini contribuiu para esse artigo.
Fonte: Personal Selling Power Inc.
HSM On-line, 22/07/08

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quarta-feira, 23 de julho de 2008

Fórum de Mobilização de Recursos ABCR - SENAC tem edição inaugural no próximo dia 5

As inscrições para o evento são gratuitas, mas há limites de vagas

Nesta primeira edição de 2008, com o título de “Geração de renda como estratégia de captação de recursos”, serão tratados temas ligados a qualidade do produto, distribuição, onde vender, quais os impostos que incidem, produtos diferenciados, planejamento jurídico e de gestão, embalagem, produção e diversificação das fontes de receitas. A abordagem do tema pelos convidados será feita na forma de entrevistas e que possibilitará ampla participação do público.

Data: 5 de agosto de 2008 - das 19h30 às 21h30
Local: Rua Dr. Vila Nova, 228 - Auditório Nobre
Inscrições pelo Telefone 2135.0300
Palestrantes: Ester Tarandach e Danilo Tiisel Moderadores: Marcio Zepellini e Marcelo Estraviz

Ester Tarandach é mestra em serviço social pela PUC-SP e foi coordenadora da Loja Social da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social de São Paulo, nesta última gestão municipal. Atua no Terceiro Setor há mais de 30 anos em instituições como a ADERE e OAT. Tem trabalhado com foco voltado para a elaboração de produtos com qualidade e que gerem renda para as instituições e seus beneficiários.

Danilo Brandani Tiisel é advogado graduado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP), especializado em Legislação do Terceiro Setor, Gestão para o Terceiro Setor e Direito Ambiental. Membro do Grupo Estratégico da “Comissão de Direito do Terceiro Setor da OAB-SP”, atua como consultor jurídico, em gestão e responsabilidade social para organizações do Terceiro Setor e empresas socialmente responsáveis. É professor da Escola Superior de Advocacia (ESA) da OAB, do SENAC e diretor da Consultoria Criando Atividades Alternativas.

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Os 6 pecados do greenwashing

Greenwashing é a apresentação inexistente ou inadequada de benefícios ambientais ou socioambientais apresentados por empresas, serviços ou produtos. Recente estudo realizado com 1.758 promessas encontradas nas embalagens de 1.018 produtos disponíveis no mercado dos Estados Unidos, revelou os seis pecados do apelo greenwashing. Veja quais são eles:

Pecado dos Malefícios “esquecidos”
O principal pecado encontrado na pesquisa, estando em 56% dos produtos pesquisados, se caracteriza pelo fato do produto destacar apenas um benefício ambiental e “esquecer” os outros. Exemplos: Meu produto é reciclável (mas é extremamente gastador de energia e água para ser produzido); meu produto é feito sem teste em animais (mas sua decomposição natural pode prejudicar a cadeia alimentar natural).

Pecado da Falta de Provas
Representando 26% das promessas encontradas, é utilizado por produtos que anunciam benefícios ambientais sem comprovação científica ou certificação respeitável. Nesta categoria são encontrados xampus que não são testados em animais, produtos de papel com uso de material reciclado, lâmpadas com maior eficiência energética – todos sem comprovação dos argumentos disponível ao consumidor.

Pecado da Promessa Vaga
Entre as promessas vagas – encontradas em 11% dos produtos pesquisados – estão produtos “não-tóxicos” (e sabemos que qualquer produto em excesso pode intoxicar uma pessoa); produtos “livre de químicos” (o que é impossivel, porque todos os insumos de todos os produtos têm elementos químicos em sua composição); “100% natural” (urânio, arsênico e outros venenos também são “naturais”); “ambientalmente produzido”, “verde”, “conscientemente ecológico”, todas promessas 100% vagas. E estamos falando de embalagens – imagine aqui no Brasil as promessas vagas que vimos diariamente na propaganda…

Pecado da Irrelevância
Pecado encontrado em 4% dos produtos pesquisados, se caracteriza por destacar um benefício que pode ser verdadeiro, mas não é relevante. A mais irrelevante das promessas foi a relacionada ao CFC, banido do mercado norte-americano nos anos 70: inseticidas, lubrificantes, espumas de barba, limpadores de janelas e desifetantes, por exemplo, todos livres de CFC. A promessa é irrelevante porque se não fossem livres de CFC estes produtos não teriam licença para estar à venda no mercado…

Pecado da Mentira
Encontrado em 1% dos produtos, é simplesmente uma mentira deslavada.

Pecado dos Dois Demônios
Encontrado em 1% dos produtos, são benefícios verdadeiros, mas aplicados em produtos cuja categoria inteira tem sua existência questionada, como cigarros orgânicos, inseticidas ou herbicidas orgânicos.


E o greenwashing tupiniquim?
Este tipo de pesquisa de análise de promessas de sustentabilidade socioambiental nas embalagens dos produtos infelizmente ainda não foi feita no Brasil. Na verdade sequer temos condições de avaliar o greenwashing na propaganda comercial ou na cobertura jornalística – territórios ainda sem metodologias para fazê-lo.

Como um exercício de foro íntimo podemos fazer algumas reflexões:
• Quando será que o CONAR, que retirou a publicidade da Petrobras do ar porque se dizia uma “empresa sustentável” mas não tomava medidas para cumprir o acordo do PROCONVE, vai adotar legislação sobre o greenwashing em embalagens de produtos?

• Você conhece alguma promessa publicitária “vazia” feita por grande anunciante que fala mais do que faz – digamos assim, um grande clássico do greenwashing publicitário?

• Você considera éticamente correto uma empresa investir “x” em um projeto socioambiental e investir até 3 vezes mais do que este valor para comunicar este fato? Isto pode ser considerado greenwashing?

• Os critérios de conceituação e definição de greenwashing devem ser uma iniciativa do Estado (regulamentação oficial), do Mercado (regulamentação da iniciativa privada) ou da Sociedade (regulamentação pela preferência de compra)?


Rogerio Ruschel
Diretor da Ruschel & Associados Marketing Ecológico e editor da revista eletrônica Business do Bem. Saiba mais sobre este assunto em http://www.ruscheleassociados.com.br/revista/ed8/interface.html

Envolverde, 23/07/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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A governança nas fundações se aplica também aos investimentos

Ao longo dos anos, me surpreendeu ver o quão limitadas são as oportunidades de troca de informações entre os membros dos Conselhos das fundações, para aprendizagem entre pares e, mais importante, para o seu desenvolvimento profissional. Em minha opinião, isso reflete a pouca importância que as fundações (ou seja, os executivos das fundações) atribuem aos seus Conselhos e que os próprios membros dos Conselhos atribuem à sua função. Um obstáculo ao engajamento maior dos membros dos Conselhos é que, muitas vezes, eles não conhecem as suas responsabilidades.

No mundo corporativo, as responsabilidades dos Conselhos são bastante bem definidas, mas, no mundo das organizações sem fins lucrativos, elas precisam ser discutidas e definidas. Pode estar claro de que o Conselho tem a responsabilidade última pela organização, mas até que ponto ele delega essa autoridade à administração varia. Não quero desenvolver essa questão em profundidade, apenas observar que existe a tendência, certamente entre as fundações maiores, de os Conselhos se manterem à distância e fazerem a distinção entre governança e administração. Cada vez mais, vemos Conselhos se concentrando em fiscalizarem a administração, garantir a responsabilização da organização e garantir que as estratégias e as atividades da organização estejam alinhadas com a sua missão e seus objetivos.

O meu argumento principal é que o Conselho deveria entender que a governança não se limita aos gastos de uma fundação, mas também inclui seus investimentos. Mesmo quando os Conselhos mantêm distância das operações concretas da fundação, a responsabilidade pelas políticas de investimento é uma responsabilidade fiduciária.

A implementação de uma política de investimento – a administração dos portfólios em si – pode ser delegada a "profissionais", mas a responsabilidade pelo investimento das dotações da fundação, ou seja, a administração do processo de investimento, não pode ser delegada. Mesmo quando os Conselhos estabeleceram um Comitê de Investimentos, o Conselho como um todo ainda tem de estar consciente de suas responsabilidades fiduciárias.

As responsabilidades fiduciárias incluem vários elementos: formulação dos objetivos dos investimentos com base nos retornos desejados, retornos exigidos e riscos toleráveis; formulação de uma alocação apropriada dos ativos;aprovação de uma estrutura de administradores do dinheiro, e monitoramento do programa geral de investimentos para cumprimento das políticas de investimentos.

Infelizmente, os Conselhos, às vezes, pensam que podem delegar a questão de investimentos completamente a uma pessoa de fora, muitas vezes um ex-banqueiro ou um tesoureiro aposentado. Às vezes, até mesmo a um consultor de investimentos, sem que haja um poder adequado do Conselho como contrabalanço. Os Conselhos acreditam que isso lhes permite se concentrarem no lado do gasto, em alcançar os objetivos caritativos, supondo que o dinheiro a ser gasto seja uma dádiva e o resultado de um processo externo.

Recomendo, portanto, que os Conselhos, como fiduciários, devam manter a função estratégica na administração do processo de investimento, mesmo quando deixam que as pessoas de fora tenham um papel na administração dos portifólios de investimentos (seleção de ações, seleção do gerente de investimentos, avaliação do desempenho, etc.).

Nos últimos dois anos, se intensificou a discussão sobre o alinhamento entre as políticas de investimento e de gasto (em lugar de haver uma cortina de ferro entre os dois) no mundo das fundações. Isso despertou um maior interesse no investimento socialmente responsável (SRI) e no investimento relacionado à missão (IRM). Ainda assim, poucos conselhos de fundações tratam da questão formalmente ou a vêem como parte de sua responsabilidade fiduciária.

Há quem acredite que a maioria dos consultores em investimentos não considera sua atribuição estimular as fundações a alinhar a sua política de investimentos com a sua política de gastos. Em minha opinião, essa á apenas uma das razões pelas quais as fundações estão demorando a considerar o ISR e/ou o IRM.

O outro lado, como sugeri anteriormente, é que as políticas de investimento são, muitas vezes, delegadas pelos Conselhos a "profissionais" externos. Se você institucionaliza a separação entre as políticas de gastos e de investimentos, não pode esperar uma abordagem alinhada entre o investimento dos ativos e o gasto dos retornos com propósitos caritativos. Em tais circunstâncias, as fundações estão deixando passar a possibilidade de usar o corpo de ativos como meios adicionais de aumentar seus objetivos estatutários.


Rien van Gendt
Consultor independente e Presidente da Associação Holandesa de Fundações.
Envolverde, 22/07/08

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Prêmio Destaque de Marketing 2008 abre inscrições na sexta, 25

As inscrições para o Prêmio Destaque de Marketing 2008 estarão abertas a partir desta sexta-feira, 25 de julho. Realizado pela ABMN (Associação Brasileira de Marketing & Negócios), o evento reconhece o sucesso de profissionais e empresas especializadas em marketing, além de promover o setor. Os projetos poderão ser inscritos em categorias como Produtos; Empresa de Comunicação/Telecomunicações; Marketing de Incentivo; Marketing Promocional; Serviços; Tecnologia da Informação e Internet; Responsabilidade Social e Empresarial; Indústria de Energia; e Marketing Institucional e Gestão.

Os executivos também concorrem a Personalidade do Ano e Personalidade de Marketing. A festa de homenagem aos vencedores acontece em 5 de dezembro, no Hotel Intercontinental, em São Paulo. Mais informações no www.premiodestaquenomarketing.com.br.


Portal da Propaganda, 23/07/08

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A nova geração dos bilionários

Quando Fabio Calderaro era um cadete de 23 anos da academia militar em 2000, ele investiu pouco mais de 3.000 reais no mercado acionário. No início, o valor de seu investimento caiu. Mas à medida que ganhou mais conhecimento sobre o mercado, sua sorte mudou -- de tal forma que poucos anos depois deixou o Exército e começou a viver de seus ganhos.

Quando tinha 29 anos, Calderaro tinha muito mais que um milhão de reais graças às apostas em ações de metalúrgicas, mineradoras e bancos no momento em que a economia brasileira decolava após décadas de baixo crescimento. Desde então, sua fortuna aumentou, confirmando seu status de membro do clube brasileiro de novos ricos. "Eu estava no lugar certo na hora certa", disse Calderaro, que hoje tem 31 anos e apresenta seminários sobre o mercado acionário quando não está gerenciando sua própria carteira. "Tudo isso foi possível por causa da economia."

Graças ao rápido avanço das commodities e do crédito, o Brasil está crescendo e tirando milhões da condição de pobreza em um país mundialmente conhecido por sua desigualdade. No topo dessa onda, surfando em um mercado acionário que triplicou em quatro anos, existe uma porção de milionários como Calderaro sendo criados a um ritmo alucinante -- pelo menos 23.000 no último ano.

Apenas Índia e China criaram milionários num ritmo mais rápido que o Brasil em 2007, segundo relatório do Merrill Lynch e Capgemini sobre a riqueza mundial. O número de brasileiros com mais de um milhão de dólares saltou 19,1% no último ano, para mais de 143.000, ante crescimento de 10% em 2006. O clube brasileiro dos bilionários também está crescendo em ritmo inédito. Segundo pesquisa da revista Exame, pelo menos 14 brasileiros se tornaram bilionários no último ano, quase cinco vezes mais que o crescimento de 2006.

Mercado do luxo
Como Calderaro, muitos ganharam com a bolsa de valores, entrando na onda de ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês). Um recorde de 62 empresas abriram capital no último ano no Brasil. A moda do IPO perdeu força este ano devido à turbulência nos mercados globais, mas agora parece dar sinais de recuperação. No mês passado, a OGX Petróleo e Gás Participações levantou 4,1 bilhões de dólares no maior IPO da história do mercado brasileiro, com investidores fazendo fila para conseguir parte da riqueza do petróleo recém encontrado na costa do país.

Não existe lugar onde o salto de renda é mais aparente do que em São Paulo, a capital financeira e maior cidade do país. Num sábado recente, as lojas da Rua Oscar Freire estavam tão cheias que os compradores quase se debatiam pelas peças de roupas da última moda. Shoppings especializados para ricos estão sendo inaugurados por todo o país, com butiques exclusivas como Giorgio Armani e Hermes. As vendas de novos carros estão batendo recordes mês após mês, e apartamentos de luxo brotam em massa.

Segundo um estudo recente da firma de consultoria MCF, o mercado de bens de luxo no Brasil cresceu 17% no último ano, gerando 5 bilhões de dólares em vendas. A economia como um todo, em contraste, cresceu 5,4%. "Não está lá ainda, mas o Brasil está a caminho de se tornar um mercado prioritário para as marcas de luxo", disse Carlos Ferreirinha, fundador da MCF e ex-presidente da Louis Vuitton no Brasil.

Aviões e helicópteros

O crescimento do número de indivíduos de alta renda também deu impulso para fabricantes de helicópteros e aviões privados. A Embraer está vendendo tanto seu pequeno avião empresarial Phenom no Brasil que a empresa espera que ele se torne em breve maioria na frota nacional de aviões privados. A venda de helicópteros está crescendo quase 13% ao ano. O mercado mais aquecido é a cidade do tráfego travado de São Paulo, onde já existem mais de 500 helicópteros, uma das maiores frotas urbanas do mundo.

A TAM Taxi Aéreo Marília, companhia de taxi aéreo e representante de vendas do Cessna e do Bell Helicopter, costumava atender os pedidos em menos de um ano. Agora clientes precisam esperar até quatro anos por um helicóptero novo. "Em todos os meus anos no negócio, nunca vi demanda tão forte", disse Rui Aquino, presidente-executivo da empresa.

Mas nem todos os novos membros do clube brasileiro de milionários são grandes gastadores. Calderaro, o "cadete-investidor", ainda vive em um apartamento alugado e prefere investir seu dinheiro na bolsa de valores a gastá-lo em carros exuberantes e casas na praia. "Minha mãe gosta de dizer que sou econômico, e não um pão-duro", disse. "Eu acho que eu tenho mais prazer em ganhar dinheiro no mercado do que em gastá-lo."


Veja.com, 23/07/08

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Leão de Cannes X Tigre Asiático

O festival publicitário de Cannes todo ano tem uma surpresa depois que acaba. Já teve campanha que foi criada para ganhar prêmios e o cliente não sabia; teve ano que criaram para um produto inventado; outro ano fizeram uma peça para o cliente de outra agência….

Mas nada se compara a repercurssão do caso desse ano. A TBWA de Paris criou uma campanha para a Anistia Internacional e faturou em Cannes esse ano, um Leão de Bronze. Até aí tudo bem, mas o escritório da ONG, em Londres, afirmou ter decidido não usar os anúncios por preferir adotar um foco mais positivo em sua campanha relativa aos Jogos Olímpicos.

Mesmo assim, a Anistia International permitiu à agência veicular a campanha uma vez para que ela pudesse ser inscrita no festival (prática muito utilizada no mundo todo para “esquentar” a peça).

O que a ONG não contava é com a repercurssão do prêmio. As peças ganharam a rede e rodaram fortemente por vários sites. E foi aí que os problemas começaram.

A campanha bate forte na questão do desrespeito aos direitos humanos na China, onde rolam as olímpiadas desse ano: “After the Olympic Games, the fight for human rights must go on” (Depois dos Jogos Olímpicos, a luta pelos direitos humanos deve continuar).

Na matéria do Wall Street Journal, Tom Carroll, presidente e CEO da TBWA Worldwide, pede desculpas pela inscrição da campanha em Cannes sem prévia aprovação ou conhecimento da cúpula da agência.

Enquanto isso na China, onde a agência possui uma filial a situação ficou mais complicada. A rede TBWA tem agência na China, o que torna a situação ainda mais delicada. Sem contar que a conta local da Adidas (patrocinadora dos jogos) é da agência.

Os blogs chineses começaram a sugerir o boicote a todos os trabalhos criados pela TBWA. Um blog foi mais longe: sugeriu que todos os chineses que trabalhassem para a agência pedissem demissão: “I suggest that all Chinese employees in TBWA resign from this company“.

Segundo o CCSP: “os consumidores na China levam a sério o boicote a marcas, personalidades ou seja o que for que tenha ‘ofendido sentimentos patrióticos’. Depois das manifestações contrárias à China em Paris, quando a Tocha Olímpica passou pela França, em abril, consumidores lançaram um boicote ao Carrefour, uma das maiores redes de supermercados presente na China.

Louis Vuitton e Christian Dior também receberam o mesmo tratamento depois que a atriz Sharon Stone sugeriu que o terremoto que atingiu a China era por causa do ”karma” criado em função da forma como o governo trata a população tibetana (relembre aqui)”.

Tirando a parte questionável de “esquentar” as peças para festival, me parece que os chineses deveriam boicotar o governo ao invés da agência. Afinal quem esta errado? O governo que faz essas atrocidades ou a agência que faz uma campanha para criticar tal? Aliás, a TBWA Paris não foi a única que fez essa crítica, a Saatchi&Saatchi da Slovakia tem anúncios bem parecidos. Outros esportes, outro layout, mas a mesma idéia.

Não foi mera coincidência, as torturas chinesas existem e parece que os chineses vão ter que boicotar muuuita gente se não quiserem ver a própria sujeira.


Veja os outros anúncios da confusão: aqui e aqui.

E aproveite pra ver os criados pela Saatchi&Saatchi: aqui, aqui e aqui.


Daniel Chagas Martins
Área 3 do Up Date or Die, 23/07/08

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