quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Wikipedia consegue levantar os US$ 6,2 milhões para continuar operando

A fundação Wikimedia, que coordena o portal colaborativo, afirmou que conseguiu levantar os recursos necessários para continuar operando a Wikipédia até o final de junho próximo

A organização sem fins lucrativos Wikimedia Foundation anunciou que recebeu 6,2 milhões de dólares com a sua campanha de arrecadação de fundos. Mais de 125 mil doadores ajudaram a organização.

Em dezembro de 2008, Jimmy Wales, fundador da Wikipedia, postou um apelo pedindo ajuda aos usuários para manter o portal colaborativo funcionando. Segundo ele, a Wikimedia necessitava dos 6 milhões de dólares para manter a sua infra-estrutura técnica em crescimento, já que grande parte dos recursos de TI está vinculada com a Wikipedia, um dos sites mais populares do mundo.

Como é gratuita e não coloca publicidade em suas páginas, a Wikipedia depende de doações para operar.

"Esta campanha provou que a Wikipedia é importante para os usuários. E isso prova que os nossos usuários apóiam a nossa missão: levar o conhecimento livre para o planeta," disse em nota oficial Jimmy Wales.

O objetivo da Wikimedia era conseguir 6 milhões de dólares para suportar as suas operações até o final do seu ano fiscal, que acaba em 30 de junho de 2009.

Cerca de 250 milhões de pessoas visitam a Wikipedia mensalmente, de várias partes do mundo. Nos Estados Unidos, levantamento da comScore aponta que os portais da Wikimedia, includindo a Wikipedia, estão na nona posição dos sites mais populares em novembro de 2008, com 60,7 milhões de visitantes únicos.

Entre os outros sites gerenciados pela Wikimedia está o dicionário online Wiktionary e a compilação de frases famosas Wikiquote.

Os interessados podem continuar a doar recursos para a Wikimedia, já que a organização disse vai usar os recursos além dos 6 milhões de dólares como um fundo reserva para as despesas do próximo ano fiscal.

IDG News Service/EUA
Computerworld, 05/01/09

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As máximas da liderança segundo Jack Welch

Jack Welch é o CEO mais admirado do mundo e o líder de negócios mais influente de nossa era. Ele será um dos grandes nomes da ExpoManagement 2009 da HSM, quando ele compartilhará por videoconferência, um pouco do que aprendeu e ensinou nos 20 anos à frente da General Electric, empresa na qual desenvolveu líderes em todos os níveis.

Confira aqui as oito máximas de Welch para quem deseja desenvolver sua habilidade de liderança:

As máximas da liderança segundo Jack Welch
1. Líderes valorizam a sua equipe incessantemente, usando cada encontro como uma oportunidade de avaliar e orientar as pessoas e construir autoconfiança.
2. Líderes certificam-se de que as pessoas não apenas conheçam a visão, mas vivam e respirem a visão.
3. Líderes penetram na pele das pessoas, emanando energia positiva e otimismo.
4. Líderes estabelecem confiança com franqueza, transparência e crédito.
5. Líderes têm coragem para tomar decisões impopulares e emocionais.
6. Líderes sondam e pressionam com uma curiosidade que beira o ceticismo, certificando-se de que suas perguntas sejam respondidas com ações.
7. Líderes inspiram, por meio do seu exemplo, a assunção de riscos e o aprendizado.
8. Líderes comemoram.
Sobre a General Electric
* US$ 176 bilhões de receita em 2007.
* 10% de crescimento entre 1997 e 2007.
* 2.500 funcionários dedicados exclusivamente à inovação científica e aos novos produtos.
* Escolhida como um dos dois melhores conglomerados para investir em 2008, segundo a publicação Smart Money.


Tips from the top – HSM Global, 06/01/09

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Peneirando os escombros

No contexto internacional, doadores de todo tipo apertam o cinto, enquanto os recursos para as fundações começam a minguar e os governos ficam de olho nos centavos gastos. É a crise econômica que certamente afetou o setor social e, à primeira vista, parece trazer efeitos desastrosos.

No entanto, qual será o impacto dessa “retração econômica” ou o “desastre” em diferentes partes do mundo? E o cenário, se vê completamente sombrio? Alguns dos membros do conselho editorial da revista inglesa Alliance apresentam seus prognósticos.

“O que podemos aprender desta crise para prevenir a recorrência dela? Qual é o papel da filantropia e da sociedade civil no controle de excessos do nosso sistema econômico? Olhando para trás, será que a filantropia nos garantirá uma análise forense imparcial do que aconteceu e que o processo “verdade e reconciliação” permita às vítimas julgarem os responsáveis?

Olhando para frente, poderíamos imaginar novos modelos de controle onde a sociedade civil tenha um papel mais importante? Será que a filantropia pode nos ajudar a garantir um sistema preventivo quando os investidores comecem uma nova indulgência que, como a história mostra, certamente acontecerá?”.
David Bonbright, Keystone, Grã-Bretanha

“Eu não posso imaginar qual será o impacto da crise nas fundações em geral, mas posso dar-lhes um exemplo. Em nosso caso (um modesto doador), não pretendo propor ao conselho mudanças nos planos de despesas. A diretoria do nosso comitê de investimento me informou que o patrimônio investido, muito conservadoramente, ainda não foi afetado.

No entanto, gostaria de mencionar dois fatores a serem acompanhados em nossa região. O crescimento da filantropia privada e a formação de novas fundações privadas serão mais lentas. As fundações comunitárias serão as primeiras a sentir o impacto. Por outro lado, a filantropia corporativa poderá receber um forte impulso para reafirmar sua imagem pública e responsabilidades.

Em nossa região, por exemplo, os bancos estão entre os líderes da filantropia corporativa. Uma mensagem: vocês têm feito coisas erradas e agora pensem em fazer algo bom”.
Rayna Gavrilova Trust for Civil Society na Europa Central e do Leste

“Sem dúvida nenhuma teremos que olhar cuidadosamente os fundos “novos” e os intermediários que têm se apoiado nos fundos hedge e nos outros instrumentos que agora estão sob pressão para ver se foram atingidos fortemente ou não. No entanto, esses fundos são minimizados pelos ativos da fundação que estarão, pode-se assumir, razoavelmente bem protegidos. Suspeito que o impacto mais significativo pelos próximos anos poderia ser na área de mudanças de prioridades e dos financiamentos dos maiores doadores.

Se considerarmos o impacto social e econômico da crise financeira nas comunidades menos abastadas dos EUA e Europa em especial, poderia ser difícil para as fundações resistirem comprometendo-se a curto ou longo prazo em tomar outros programas ou expandir os já em funcionamento. Por outro lado isto poderia afetar o financiamento para assuntos mais “marginalizados”: doações internacionais, justiça ambiental etc. Em adição a este cenário considere também o provável declínio das doações individuais, das corporativas e de uma parte significativa da sociedade civil que poderá sofrer severas crises de financiamento.
Andrew Kingman Micaia, Moçambique.

“A filantropia é a criança do capitalismo. Coloque-se no lugar de uma criança que neste momento seu pai sofreu um ataque do coração e não pode trabalhar. O que ela faz? Ela urge para que ele mude sua forma de vida: cortar o excesso de dieta, fazer suaves caminhadas pelo bosque, desfrutar da beleza do planeta e, sobretudo, procurar um novo significado de vida. Ela o apóia na sua nova vida e o critica se tentar retroceder”.
Barry Knights, CENTRIS, Grã-Bretanha.

“O presente e o futuro imediato, sem exagerar, se veem muito ruins. Porém, tenho conversado com instituições financeiras e líderes empresariais, na maioria do Oriente Médio, para identificar alguma tendência positiva. Na região árabe, alguns comentam que a responsabilidade social corporativa terá maior significância. Tendo ainda a vantagem dos excedentes do petróleo, muitas empresas aumentarão significativamente os esforços para identificar mais oportunidades aqui levadas pelas fatias de lucros realizados nesta região.

Eles, portanto, estarão mais propensos agora do que no passado para encaminhar esses lucros para a filantropia na Região Árabe e para as causas populares do público em geral tais como educação, trabalho para jovens e a Palestina”.
Atallah Kuttab Fundações Árabes e Associações de Beneficência.“No final de setembro, enquanto se desvelava a crise financeira global, eu estava visitando as organizações de comunidades de base de Malawi, fundadas pela minha fundação. Vocês poderão imaginar: uma fundação do Norte instruindo com muitos esforços, gerenciamento criterioso uma organização muito bem administrada de diminuta vila, enquanto pessoas e instituições eram acusadas de gerenciar negligentemente tremendas somas de dinheiro com conseqüências desastrosas.

Se houve alguma oportunidade para virar a mesa em nossas discussões sobre responsabilização e exigir das nossas fontes de financiamento a mesma transparência, boa fé e resultados confiáveis que exigimos de nossos parceiros doadores, esse era o momento.

Para essas mesmas fundações, eu lhes lembraria que, na crise presente, a contribuição mais útil é a combinação de duas forças: ter visão de longo prazo e ter flexibilidade no curto prazo. Vejamos estes dois pontos com muito esmero para complementar as iniciativas dos governos que estão compreensivelmente focadas no curtíssimo prazo, mas que também podem demorar a serem implementadas.
Peter Laugharn, Fundação Firelight, Estados Unidos.

“No Quênia (e a situação de nossos vizinhos é a mesma) estamos passando por momentos difíceis. Já temos evidência de redução de fundos e de incertezas de nossas fontes de doações tradicionais. Nas recentes reuniões do conselho, têm ocorrido sérias discussões sobre a possibilidade de apertar certas área para alcançar os mesmos resultados.

Também existe uma redução de remessas do Norte, que um gerente de banco calculou em 30%, por enquanto. Isto tem consequências profundas porque as remessas têm sido as maiores fontes de sobrevivência para muitos no Sul Global. A inflação também tem aumentado nos últimos meses e obviamente aqueles que estão à margem são os mais penalizados.

Algum ponto positivo? Algumas vias da nova filantropia poderão se abrir. Talvez não sejam muito grandes em termos financeiros reais, porém deixam espaço para crescer no futuro. Vejo oportunidades para fazer cortes do lixo desenvolvimentista: dinheiro doado por estrangeiros que simplesmente querem exaurir seus orçamentos sem levar em consideração os efeitos de suas ações. Uma energia muito positiva está sendo gerada, o que nos leva a pensar sobre as oportunidades que precisamos “conhecer” que têm permanecido latentes; isto é; junto com o aprendizado de novas estratégias que, por enquanto, são desafiadoras.
Janet Mawaiyoo, Fundação de Desenvolvimento Comunitário, Quênia.

“Do ponto de vista da perspectiva de filantropia corporativa, penso que veremos programações e orçamentos operacionais notavelmente afetados visto que muitas corporações estão em crise e, em alguns casos, tentando sobreviver. Ouço muitas discussões sobre colaboração entre corporações com áreas comuns de interesse e foco. Acredito que isto é realmente positivo (nos bons tempos e nos ruins também).

Nós sempre esperamos que os nossos doadores colaborem, mas nós mesmos não fazemos o suficiente para isso. Seria muito interessante ver se estes tempos difíceis gerarão criatividade e vontade de trabalhar em conjunto para somar os recursos. Na American Express, temos procurado maneiras de nos associarmos com nossos sócios de negócios e de comércio e administramos uma ou duas modestas iniciativas nos EUA e também estamos explorando novas oportunidades na Europa. Espero fazer mais no próximo ano”.
Georgie Shields. Anteriormente com American Express, Estados Unidos.

“É evidente que a crise financeira terá um impacto profundo no setor sem fins lucrativos e na filantropia da América Latina: maiores riscos para os investimentos em doações, capacidade restringida das ONG para levantar fundos, movimentos mais conservadores na filantropia corporativa etc.

Mas o que mais me preocupa é o impacto político e social que terá esta crise. Como de costume, o tsunami financeiro deixará os pobres em piores condições e os governos com menos capacidade para construir uma governança democrática autônoma dos centros financeiros. O setor de sem fins lucrativos terá que criar redes de segurança para os excluídos. Já vimos este filme muitas vezes em diversas escalas! O que temos aprendido? Como podemos preparar-nos melhor para o que está vindo?
Andrés Thompson Fundação Kellogs, América Latina.

“Preocupam-me duas áreas de impacto em potencial. Em primeiro lugar, o temor de que o quadro futuro faça com que as pessoas se afastem das comunidades procurando “outros culpados”, polarizando-os e tornando-os destrutivos para a sociedade civil. Certamente que a história pode mostrar muitos exemplos deste tipo de embaraço. Podemos encontrar também exemplos onde a incerteza mostra o melhor das pessoas. Será que já aprendemos algo sobre como cultivar a segunda opção e evitar a primeira?

Em segundo lugar, enquanto os impulsos filantrópicos individuais continuam, o que acontecerá com o “negócio de doar”, visto a escalada de incertezas deste momento? Suposições sobre transferências de riqueza em grande escala terão que ser reexaminadas, assim como também sofrerão um realinhamento radical os planos de aposentadoria, seguro saúde e segurança financeira familiar. Também não sabemos como ficarão os mercados de doações, os empreendimentos sociais, o investimento social e outras inovações que surgiram nos bons tempos e que com o declínio curto ou prolongado, essas mudanças reverberaram em práticas de maior longevidade”.
Lucy Bernholz, da Blueprint Research & Design, Estados Unidos.


redeGIFE Online, 05/01/09

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Leitura sustentável para 2009

A título de contribuição intelectual, esta coluna listou seis livros importantes, já tratados, de forma direta ou indireta, nesta página de sustentabilidade da Gazeta Mercantil. São obras inteligentes, provocativas e promotoras de idéias novas e vigorosas. Constituem leitura imprescindível para quem quer começar o ano antenado com as mais importantes tendências dessa área.

O ex-presidente Bill Clinton resolveu colocar em livro suas idéias sobre a importância do ato de doar. Trata-se de Doar- Como Cada um Pode Mudar o Mundo (Editora Agir, 238 páginas). A obra combina breves análises, opiniões e crenças de Clinton com histórias de pessoas e organizações com quem conviveu e que, em sua visão, têm feito a diferença na construção de um mundo mais justo.

Sobre Clinton, vale lembrar que, após dois mandatos à frente do governo dos EUA (1993-2001), ela passou a se dedicar à gestão e de uma fundação que leva o seu nome. E hoje emprega seus ativos pessoais na missão de levar assistência médica digna, promover a cidadania e o desenvolvimento econômico em países pobres.

São interessantes as idéias de Clinton sobre como doar dinheiro, tempo, coisas e habilidades. Oportunas também são as teses que ele partilha com o leitor, especialmente as relacionadas ao modo como se pode organizar mercados para atender causas de grande interesse público. No entanto, os depoimentos colhidos no convívio com grandes personagens são, de longe, o melhor do livro. A leitura já valeria a pena pelas passagens com Bill Gates e Warren Buffet. Mas há muitas outras boas surpresas.

Em Um Mundo Sem Pobreza (Editora Ática, 263 páginas) o prêmio Nobel da Paz de 2006, Muhammad Yunus, propõe uma espécie de reinvenção do capitalismo a partir do que ele chama de “empresas sociais”, empreendimentos não focados na idéia do lucro convencional cujo objetivo principal é fornecer produtos e serviços para atender necessidades das populações mais pobres.

Não só pela polêmica tese que defende – vista por muitos como incompatível com o mundo dos negócios --, mas pela maneira convicta como descreve os resultados alcançados pela experiência de joint venture social entre o Grameen Bank e a Danone, na produção de um iogurte fortificado para combater a desnutrição em Bangladesh, o livro vale a pena ser lido da primeira à última página. Experiências como a de Yunus ainda são tratadas como alternativas porque confrontam a lógica vigente da rentabilidade de curto prazo. Mas é bom que elas existam para não nos fazer esquecer de que o melhor lucro é o que está a serviço do bem-estar da humanidade.

Daniel Esty é um dos mais importantes pensadores norte-americanos em estratégia ambiental corporativa. No livro Verde que Vale Ouro (Editora Campus Elsevier, 300 páginas), escrito a quatro mãos com Andrew Winston, o professor da Universidade de Yale mostra como criar vantagem competitiva e adicionar valor aos negócios incorporando as questões ambientais na estratégia de negócio. Bem redigida, didática em ser chata, a obra se destaca pelas boas idéias dos autores, sobretudo pelos estudos de caso nos quais apóiam suas teses. Um dos seus pontos altos é o capítulo que trata das 13 armadilhas nas quais as companhias podem cair ao trilhar o caminho para a sustentabilidade.

Há três obras muito importantes, infelizmente ainda sem tradução para o Português, que valem o esforço de serem adquiridas por meio de um site de vendas internacional.

Uma delas é Plan B 3.0: mobilizing to save civilization (Editora W.W. Norton & Company, 384 páginas), novo livro de Lester Brown, um dos mais renomados ambientalistas do mundo. A tese central de Brown, recentemente convocado por Barack Obama para assessorá-lo em questões ambientais, é de que, à beira de um colapso de recursos, o mundo precisa de um Plano B capaz de rever o atual modelo econômico insustentável.

A solução, segundo o ambientalista, pressupõe seis pontos: erradicar a pobreza e estabilizar a população, restaurar o planeta, alimentar bem oito bilhões de pessoas, planejar melhor as cidades, criar eficiência energética e mudar a matriz para energias renováveis.

Outro livro estrangeiro importante é “Branded - How the certification revolution is transforming global corporations” (New Society Publishers, 320 páginas) de Michael Conroy. Para o autor, a marca consiste no componente mais importante e volátil do patrimônio de uma companhia. Cada dólar investido na expansão desse ativo aumenta os riscos e desafios para a empresa no campo social e ambiental. Os sistemas de certificação, no entanto, podem eliminar esses riscos, contribuindo para as empresas fidelizarem clientes e conquistarem novos mercados.

De acordo com Conroy, a revolução das certificações resulta da combinação de três variáveis: campanhas de marketing desenvolvidas para convencer as companhias a melhorar suas práticas; a criação de sistemas de certificação e a existência de líderes nas companhias convencidos da importância de rever processos e atitudes com vistas à sustentabilidade. A boa notícia é que o livro deve ser editado no Brasil em 2009.

O que ganha uma empresa que resolve basear sua gestão no princípio da sustentabilidade, combinando os aspectos econômicos, ambientais e sociais no negócio. Essa pergunta-central motivou Bob Willard a escrever “The sustainability advantage – seven business cases benefits of triple bottom line”, (New Society Publishers, 203 páginas.)
Com uma linguagem pragmática, o autor, ex- vice-presidente da IBM, revela que os ganhos de uma estratégia focada no triple bottom line são quantificáveis e que os executivos não precisam se tornar ativistas de causas socioambientais para alcançar esses benefícios.


Ricardo Voltolini
Publisher da revista Idéia Socioambiental e diretor da consultoria Idéia Sustentável
ricardo@ideiasustentavel.com.br
Idéia Socioambiental, 06/01/09

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Investimento Social Privado - 2009 começa com otimismo

O que esperar para 2009? Especial do redeGIFE reúne depoimentos dos principais investidores sociais de origem privada do país para mostrar quais as expectativas desse grupo para o ano. As voltas com os desafios impostos pela crise econômica mundial, eles enfatizam que é possível ser otimista nas mais ameaçadoras adversidades.

Embora tenham convicção de que será necessário conter custos, há um consenso sobre de como isso será feito: a partir da utilização racional e responsável dos recursos disponíveis. Na prática, isso significa mais parcerias e articulação entre setores para dinamizar as ações sociais.

“O estágio do ISP no Brasil de hoje permite supor que não haverá cortes drásticos, pois as empresas têm programas estruturados e de longo prazo, e não ações filantrópicas pontuais”, acredita o diretor presidente da Fundação Telefônica, Sérgio Mindlin.

Segundo o secretário-geral do GIFE, Fernando Rossetti, este ano irá dizer se os investimentos sociais fazem parte da cultura ou é apenas gordura dentro das empresas. “É uma oportunidade para o setor mostrar que se consolidou, que é forte e dinâmico. Também vai evidenciar quem está realmente comprometido com o bem comum e que não está”, afirma.

Veja depoimentos:

“A Fundação Bradesco é uma ação pioneira de investimento social privado no Brasil, e um dos maiores programas socioeducacionais do mundo. Tem como principal missão proporcionar ensino a crianças, jovens e adultos, para que possam alcançar a realização pessoal por meio do trabalho efetivo da cidadania.

Em 2008, a Fundação Bradesco atendeu a mais de 110 mil crianças, jovens e adultos. No próximo ano ampliará sua atuação na Educação Infantil atendendo cerca de 1200 alunos. São milhares de crianças, jovens e adultos que, graças à Fundação Bradesco puderam mudar sua perspectiva de vida, ampliaram suas oportunidades e tiveram acesso a um mundo mais amplo e um futuro promissor. É a educação abrindo caminhos, formando cidadãos e ajudando a construir uma sociedade mais justa e um Brasil melhor.”
Denise Aguiar - Presidente do Conselho de Governança do GIFE e diretora da Fundação Bradesco.

"Este ano começou marcado por momentos de esperança. O primeiro semestre anunciava uma era de prosperidade, mas o segundo chegou trazendo uma grande nuvem negra sobre nossas cabeças. É a crise! Sim mas que crise? É a crise do capitalismo. A “mão invisível do mercado”, desta vez, não se fez presente para regular o próprio mercado, principalmente o financeiro.

Ao nos aproximar de 2009, vemos que haverá chuvas e trovoadas, mas a nuvem pode não ser tão negra como imaginávamos. É muito difícil fazermos uma previsão do que nos espera, pois a globalização torna a análise de cenários cada vez mais complexa. Para o Investimento Social Privado, haverá impacto, com certeza, pois ele sempre depende do desempenho das empresas e, ao que parece, será pior que este ano. Porém, poderá ser também uma oportunidade para aprimorarmos nossa forma de atuar e ser mais efetivos no que fazemos. Procurar formas de fazer mais com menos.

O investimento social de algumas empresas, que já o incorporaram como uma questão estratégica para o negócio, certamente será menos afetado. Algumas até acham que é neste momento que o investimento social se faz mais necessário. Este é o caso do Grupo Camargo Corrêa, que fará o máximo possível para que os projetos ligados ao investimento social não sejam prejudicados. Em alguns casos eles serão ampliados, como em Angola, por exemplo, onde há três anos a empresa está presente. 2009 será um ano, no mínimo, diferente. Este será um daqueles momentos da vida em que alguns vêem crise, outros, oportunidades. Quem sabe possamos exercitar mais nossa capacidade de colaboração, de construção de parcerias. Quem sabe esta crise nos ensina que devemos aprender mais a cooperar do que competir, pois este é um caminho mais fácil e mais humano."
Francisco Azevedo - Diretor-executivo do Instituto Camargo Corrêa.

"A Odebrecht é uma das empresas que está alinhada com a bandeira do governo de não deixar o Brasil parar por conta da crise econômica internacional. A organização não pretende reduzir nenhum tipo de investimento, inclusive o social. A Fundação Odebrecht deverá manter, e poderá até aumentar, seu orçamento para o próximo ano. Sabemos, no entanto, que precisaremos conter custos e pretendemos fazer isso a partir da utilização racional e responsável dos recursos disponíveis.

Se crise é mesmo sinônimo de oportunidade, buscamos ver este momento pelo seu lado bom. Sabemos que o capitalismo, da forma como está estabelecido hoje, na linha do ganha-perde, não é sustentável. Apesar de termos consciência disso, não conseguimos fazer a mudança radical necessária à manutenção da vida na terra. É como um fumante que sabe que o cigarro faz mal, mas não pára de fumar. Um dia ele infarta e, se der a sorte de sobreviver, irá rever sua vida.

Espero que esta crise sirva para nos alertar. Dela deverá sair um novo capitalismo, do tipo ganha-ganha. Neste contexto, quem já atua com foco na sustentabilidade, como nós, não só sairá na frente como poderá disponibilizar modelos a serem replicados. Como diz Dr. Norberto Odebrecht, nós não queremos ser uma ilha de prosperidade num mar de pobreza".
Marta Castro - Comunicação e Relações Institucionais da Fundação Odebrecht

"Creio que a consolidação do Investimento Social Privado ao longo da última década não permitirá recuarmos e o que estaremos rediscutindo é a intensidade em que o mesmo ocorrerá nos próximos dois anos. O Instituto C&A encontra-se empenhado em planejar o seu investimento para 2009 no mesmo patamar de 2008.

Finalmente compreendo que não temos outra alternativa para o setor senão continuarmos avançando em nossa visão de construção de um país justo em que toda a população tenha assegurado os seus direitos."
Paulo Castro - Diretor-presidente do Instituto C&A.

”Para a Fundação ArcelorMittal Brasil, os desdobramentos da crise são mais desafios a serem enfrentados, do que motivos para esmorecimento do nosso entusiasmo. Nossa empresa está fortemente impactada pela crise internacional e, como uma fundação empresarial, estamos sentindo as turbulências.

Esta circunstância, porém, é o vetor que nos impele a buscar mais parcerias com o poder público, com outras empresas e ONGs, para a realização dos programas. Seremos mais criativos e mais competentes. Vamos evidenciar que a ação social bem estruturada e compartilhada gera resultados positivos para todos os envolvidos. Isto implica em planejamento e monitoramento dos projetos - desenvolvimento de indicadores consistentes”.
Leonardo Gloor - Gerente Geral Fundação ArcelorMittal Brasil,.

"A IBM continuará a investir em projetos que visam a Inovação para um mundo melhor, usando a tecnologia para o progresso da sociedade, pois acreditamos que existe um imenso potencial para que o planeta se torne cada vez mais saudável, sustentável e inteligente - o que a IBM vem chamando de “Smarter Planet".

Confiamos que temos a oportunidade de contribuir positivamente com projetos que farão a diferença. Prosseguiremos com nossas ações, buscando ajudar o crescimento do País através dos incentivos em Educação, Inovação e Tecnologia.

Podemos citar, entre outros, planos de aumentar parcerias com Secretarias de Ensino para a inclusão do Kidsmart - softwares educacionais interativos para crianças para o ensino infantil; parcerias com Instituições de Ensino com o Reading Companion - software de reconhecimento de voz que fornece aos usuários a oportunidade de adquirir habilidades de pronúncia e leitura na língua inglesa; além de aumentar o número de voluntários do World Community Grid - projeto social global com a missão de ajudar no avanço de pesquisas que buscam tratamentos e a cura de doenças."
Ruth Harada- Executiva de Cidadania Corporativa da IBM Brasil

O Boticário é uma empresa que tem em seu alicerce a crença na beleza. Desde a beleza estética, que está nas pessoas e movimenta o nosso negócio por meio de produtos inovadores e de qualidade reconhecida, mas também a beleza que vai além disso. A que está nas relações, nas pessoas e na natureza. Essa atitude sempre foi reconhecida pelo consumidor e o investimento social privado que realizamos fortalece essa troca entre a empresa e a sociedade.

Acreditamos muito fortemente na força do empresariado para contribuir com as questões sociais e ambientais mais críticas e, mais do que isso, para sensibilizar seus próprios colaboradores, formando pessoas comprometidas com as responsabilidades que são de todos. Por este motivo é tão importante praticar o investimento social privado. Trata-se de uma ferramenta da qual dispomos para promover um mundo mais belo.
Miguel Gellert Krigsner - Presidente do Conselho de Administração do Boticário.

“Da mesma forma como tem atingido resultados e perspectivas de produção nos diversos campos da economia, a crise tende a reduzir os investimentos sociais das empresas. Há, porém, um aspecto positivo a ser considerado no cenário nacional. O estágio do ISP no Brasil de hoje permite supor que não haverá cortes drásticos, pois as empresas têm programas estruturados e de longo prazo, e não ações filantrópicas pontuais. É o caso, por exemplo, da Telefônica, que não tem previsão de redução de investimentos nem na área de produtos e serviços nem na área de ação social.

Entendo que a Responsabilidade Social Empresarial vai além do ISP e os empresários brasileiros já demonstraram o quanto valorizam essa postura estratégica. Por isso, em um momento como este, acredito que as decisões levarão em conta os interesses e necessidades das diversas partes interessadas e buscarão um equilíbrio que permita ao país - governo, empresas e sociedade civil - atravessar a crise e manter o esforço compartilhado de desenvolvimento social”.
Sérgio Mindlin - Diretor Presidente da Fundação Telefônica.

“O próximo ano não será dos mais fáceis, todos temos consciência disso. Mas é justamente nos momentos mais difíceis que a responsabilidade de fazer dar certo, manter o “círculo do bem” ativo e de fazer valer o compromisso para um futuro mais sustentável e justo se fazem mais necessários.

Para nosso Instituto Société Générale, 2009 será um ano de muito trabalho, vitórias, alegria e de incontáveis realizações de sonhos. Vamos, juntos, fazer um mundo mais feliz e justo. Feliz 2009 a todos!”
Renato Oliva - Presidente do Instituto Société Générale.

" Na nossa vida, estamos o tempo todo tomando decisões, queiramos ou não fazê-lo. E, a cada ano novo, temos uma boa oportunidade de ponderar as escolhas e os caminhos feitos, abrindo novas perspectivas de ação. Espero, neste novo ano, que todos nós possamos vivenciar a virtude da prudência, que não significa cautela, mas sim é a arte de decidir corretamente. Que façamos as melhores escolhas...”
Ana Beatriz Patrício - Diretora da Fundação Itaú Social.

"O Instituto BM&FBovespa sabe que 2009 será um ano difícil para a economia e conseqüentemente para o Investimento Social Privado. A dificuldade, no entanto, deve nos estimular a buscar, ainda com mais afinco, as soluções capazes de estimular a atuação das instituições comprometidas com a responsabilidade social e ambiental. Não podemos nos fiar apenas em períodos de bonança e crescimento econômico.

As épocas de crise, se são difíceis para as empresas, são ainda mais dramáticas para a população desassistida e marginalizada. O Instituto BM&FBovespa, com apoio da BM&FBovespa S.A, empresa à qual está diretamente vinculado, fará tudo o que estiver a seu alcance para manter em 2009 seus projetos e programas socioambientais."
Izalco Sardenberg - Superintendente do Instituto BM&FBovespa.

"2009 será um ano difícil mais também cheio de oportunida7des. A crise econômica vai sim afetar a Fundações Filantrópicas e o ISP, pois o orçamento da maioria estas organizações depende ou de um endownment ou de uma percentagem do lucro da empresa com a qual a organização esta atrelada. Este sentido não tenho dúvidas que no ano que vem teremos menos recursos destas organizações e consequentemente menos recursos para os diversos projetos sociais que dependem das parcerias com estas organizações.

Infelizmente, os grupos sociais mais pobres e excluídos serão não só afetado pela diminuição destes projetos sociais mais serão provavelmente duplamente afetados pois serão os primeiros a perder seus empregos com a recessão econômica.

Espero, entretanto, o ano de 2009 possa também ser um ano de oportunidades. Por exemplo a crise financeira talvez obrigue as ISP que ainda trabalham de forma isolada comecem a trabalhar em parceria e de forma coordenada com outras organizações. A outra possível oportunidade pode ser das ISP com o setor público em apóio uma agenda comum e prioritária de políticas públicas que afetem os mais vulneráveis mais diretamente.

Mais talvez a maior oportunidade desta crise financeira seja ela nos levar a rever e refletir sobre a sustentabilidade ambiental, social e econômica dos modelos de desenvolvimento que apoiamos com nossas ações. Esta claro que esta crise revela que já não podemos continuar no "business as usual" e as ISP estão muito bem posicionadas para experimentar, inovar e promover novos modelos de desenvolvimento. Não podemos ter medo da crise que esta chegando, e sim assegurar que novos parâmetros de desenvolvimento surjam e sejam fortalecidos, parâmetros estes que possam assegurar com que crises financeiras como estas sejam evitadas e/ou que os mais vulneráveis não sejam afetados por elas. "
Ana Toni - Fundação Ford

“Em 2009, o Grupo Carrefour manterá o investimento social privado com o foco em consumo consciente, educação e mobilização social. A companhia continuará a investir nos projetos apoiados e realizados atualmente.

Pertencemos às comunidades onde mantemos negócios e, nelas, queremos influenciar a geração de renda e o desenvolvimento social. Esta diretriz reitera o compromisso do Carrefour com os três níveis de Responsabilidades que orientam nossas ações e conduta nos âmbitos econômico, social e ambiental. Sabemos que uma empresa só pode avançar em suas metas de sustentabilidade se souber definir e transmitir seus valores, crenças e visão de futuro. Este é um compromisso do Grupo com seus públicos de relacionamento.
Antônio Uchoa, diretor do Instituto Carrefour.


Rodrigo Zavala
redeGIFE Online, 05/01/09

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Concurso "Experiências em Inovação Social" estende prazo de inscrições

As inscrições para o quinto ciclo do concurso "Experiências em Inovação Social", da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), com apoio da Fundação W.K. Kellogg, forem prorrogadas até o dia até 16 de janeiro de 2009.

O concurso estava definido somente até 2008 mas, devido aos bons resultados obtidos na identificação de idéias inovadoras, foi estendido por um novo período.

O ciclo 2008-2009 dá continuação a quatro convocações bem-sucedidas, que receberam 4.400 inscrições e selecionaram 60 finalistas, provenientes da Argentina (8), Belize (1), Bolívia (3), Brasil (19), Chile (2), Colômbia (9), Cuba (1), Equador (3), El Salvador (1), Guatemala (1), Haiti (1), México (1), Paraguai (2), Peru (6), Santa Lucía (1) e Uruguai (1).

O concurso envolve experiências inovadoras de oito áreas: saúde comunitária, educação básica, programas de juventude, geração de rendas, responsabilidade social corporativa, voluntariado, desenvolvimento rural/agrícola e segurança alimentar/nutrição.

Podem participar governos regionais, departamentais, provinciais e municipais, associações comunitárias, comunidades religiosas, organizações não governamentais, e outras instituições do setor privado sem fins lucrativos que trabalhem em algum dos 33 países da América Latina e do Caribe membros da CEPAL.

O primeiro prêmio é de 30.000 dólares, o segundo de 20.000 dólares, o terceiro de 15.000 dólares, e o quarto e quinto, de 10.000 e 5.000 dólares, respectivamente. Até hoje, o concurso entregou um total de 268.000 dólares.

Os projetos participantes devem ser sustentáveis e por isso, requer-se, pelo menos, 2 anos de trabalho efetivo em atividade.

As iniciativas apresentadas nos ciclos anteriores podem ser inscritas novamente no ciclo 2008-2009. Os projetos devem ser geridos ou executados pelas próprias comunidades, associações ou redes da população beneficiária ou, ainda, por alguma das entidades antes definidas.

O projeto CEPAL/Kellogg parte do princípio que tanto os governos locais como a sociedade civil e as organizações religiosas/comunitárias têm desenvolvido modelos inovadores de atenção, na busca de uma melhor resposta efetiva dos sistemas sociais.

O concurso identifica iniciativas inovadoras em desenvolvimento social, a fim de extrair lições e difundir tais experiências. Divulgando-as, espera contribuir para a melhora das práticas e políticas sociais em benefício da população mais pobre dos países da Região.

Os formulários de inscrição estão disponíveis na página web da CEPAL, ou da Fundação Kellogg para a América Latina e o Caribe.

Também podem ser solicitados pelo e-mail innovacion.socialcepal.org ou pelo correio: "Projeto CEPAL/Kellogg", CEPAL. Avda. Dag Hammarskjold 3477, Casilla 179-D, Vitacura, Santiago, Chile.

As inscrições podem ser enviadas por e-mail para innovacion.socialcepal.org, por fax + 562 208-1553.


redeGIFE Online, 29/12/08

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O que 2008 tem a nos dizer

Na última semana de 2008, o redeGIFE traz aos leitores uma visão sobre o que o ano pode ensinar às organizações sociais brasileiras. Embora os desafios para uma gestão estratégica, avaliação de resultados, transparências das ações e segurança jurídica tenham pautado as principais discussões do terceiro setor no ano, nada foi mais acalorado como o debate sobre os impactos da crise financeira mundial no orçamento dos projetos sociais.

Nos últimos meses, palavras de ordem como “apertar os cintos”, “rever metas” e “priorizar investimentos” das ações sociais encontraram eco na cobertura do colapso financeiro global. Embora existisse mais especulação do que dados concretos, os movimentos sociais no Brasil ficaram em polvorosa sobre onde os cortes seriam feitos.

Não por acaso, em matéria publicada no jornal paulistano Folha de S. Paulo, no dia 28 de outubro, a coordenadora-geral da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Cristina Pimenta, comentou: “sempre que acontecem cortes em orçamentos governamentais, bem como do setor privado, o terceiro setor e as áreas sociais são sempre os primeiros a sofrer", em matéria intitulada Terceiro setor deve sofrer forte impacto com a crise.

Essa preocupação pode ser explicada em dois pontos-chave, baseados na realidade brasileira: poucas organizações criaram fundos capazes de garantir a longevidade de seus programas, tal como ainda são dependentes a recursos doados, seja por convênios com governos locais ou federais, seja por parcerias com empresas socialmente responsáveis. POr esse lógica, qualquer razão que faça escassear o dinheiro dessas fontes traria conseqüências para os programas sociais.

No entanto, especialistas em investimento social têm uma visão menos pessimistas do setor no país. “As organizações que perceberem que podem ser afetadas podem tomar este momento como uma oportunidade para reverem seus processos e práticas. Podem ser o momento para estarem mais bem preparadas para retomar seu crescimento quando esta crise for história”, acredita o presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), Marcos Kisil. (Leia artigo).

As idéias de Kisil encontram convergência com as do coordenador do Centro de Estudos do Terceiro Setor (CETS) da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, Carlos Merege. Ele acredita que este é o momento para as organizações priorizarem estratégias de diversificação das fontes de receitas.

“Sem duvida alguma a geração de renda própria através da produção de bens e serviços deve ser a meta número um para a sustentabilidade econômica das organizações do terceiro. Esta é a maior lição que estamos aprendendo neste momento e que não pode ser esquecida jamais!”, afirma Merege. (Veja opinião).

A mesma visão menos aflitiva pode ser escutada do ex-vice Presidente da Fundação Ford, Barry Gaberman, que acredita que “uma sacudida periódica não é tão ruim assim”. Para ele, é uma oportunidade para que as alianças estratégicas ajam a pleno vapor. “De forma peculiar, as mudanças de prioridades das filantropias organizadas poderão representar mais uma ameaça do que um declínio na economia. Especialmente se as mudanças são feitas precipitadamente e não são administradas com responsabilidade e sensibilidade”.

Mas como essas premissas entram no dia-a-dia das organizações que provém algum serviço social? De acordo com a diretora de Ação Comunitária da ArcelorMittal Inox Brasil, Rosaly Todeschi Bandeira, o planejamento das ações está cada vez compartilhado com parcerias.

“Os recursos privados não estão limitados ao financeiro, recursos humanos e conhecimento, maior capital das empresas podem e devem ser considerados no contexto atual como grandes aliados para o investimento social”, acredita.

Nas considerações gerais, um dos conselhos mais entusiasmados vem diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE), Paulo Nassar: “Não fale em crise, trabalhe”.

Na próxima semana, o redeGIFE trará um especial sobre as expectativas dos principais investidores sociais privados do país para 2009.


Rodrigo Zavala
redeGIFE Online, 29/12/08

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Você vai fazer o nosso futuro

As sete tendências que dominarão a sociedade brasileira nos próximos anos estão ligadas à adoção de uma nova postura individual para resolver os problemas coletivos

Depois de conquistar democracia política e estabilidade econômica, que resultaram no melhor momento de sua história recente, a sociedade brasileira vai entrar em ritmo acelerado num processo ainda mais profundo de mudanças.

Nos próximos anos, indicam os estudos de tendências feitos por consultorias, haverá uma revolução no comportamento. Os brasileiros investem no crescimento pessoal e desejam uma sociedade mais harmônica e menos agressiva. A segurança emocional permeia este novo momento. Nossas escolhas estão ligadas à proximidade daqueles em quem confiamos. Perde espaço o 'eu', do individualismo e da competição. O 'nós', o grupo, passa a ser o caminho para um mundo melhor, uma prosperidade em que todos saiam ganhando. É uma contraposição às notícias de violência que nos bombardeiam todos os dias. "A insegurança nos fez perder nossas certezas como indivíduo. Em grupo é mais fácil se proteger", diz a cientista social Débora Emm, gerente da Voltage, empresa que analisa tendência

Não significa que os desejos de consumo irão desaparecer. "Mas o investimento naquilo que traz crescimento pessoal e dissemina o saber será especial, principalmente para as classes C e D, que agora já têm os eletrodomésticos que almejavam", afirma Ricardo Tortorella, diretor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), de São Paulo.

A MasterCard, com a campanha publicitária "Não tem preço", começou há quase duas décadas a estudar o que o consumidor realmente considerava indispensável para ser feliz. Para a nova fase da campanha, usou dados da pesquisa comparativa da consultoria Yankelovich Monitor, que reflete como a sociedade está revendo as certezas daquilo que vale a pena na vida. No começo dos anos 90, ter uma casa espaçosa e cara era importante para 25% dos entrevistados. Em 2007, o índice caiu para 17%. Enquanto tirar um dia de folga era o foco de 62% das pessoas ouvidas pela pesquisa há 18 anos, hoje dar uma parada no trabalho para ter prazer em algo faz 75% dos entrevistados mais felizes. "Ninguém mais quer esperar as férias para aproveitar um descanso, um lazer ou estar com quem gosta", diz Beatriz Galloni, vice-presidente de marketing da MasterCard.

Com base nas pesquisas de tendências, ISTOÉ preparou uma reportagem especial e apresenta sete temas que permearão os hábitos do brasileiro. Esses valores já estão presentes na sociedade, mas ainda em grupos seletos. Nos próximos anos, irão se espalhar, como uma onda. Existem muitas novidades a caminho na área tecnológica e nas chamadas ecossoluções. O mercado também se voltará para pessoas com mais de 60 anos e a casa será valorizada como um espaço de segurança e conforto. Mas as principais mudanças visam o crescimento pessoal: aprofundar o conhecimento, avançar na busca espiritual e trabalhar o bem-estar.

Clique na matéria desejada
A era do bem-estar
Mentes espertas
Você vai fazer o nosso futuro
No conforto do lar
Um mundo pronto para os idosos
Pegadas verdes no planeta
O Poder que vem de Obama


Boletim IstoÉ - Edição 2043, 24/12/08

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Grupo americano beneficia 6 milhões de pessoas no Brasil

Estudo inédito sobre o Investimento Social Privado de organizações americanas no Brasil mostra que 59 organizações, entre 46 empresas e 13 fundações, beneficiam diretamente 6 milhões de brasileiros. Ao todo, elas são responsáveis por 765 programas sociais no país, nos quais coordenam mais de 87 mil voluntários.

A pesquisa foi elaborada a partir de um levantamento junto a 59, das 104 companhias integrantes do Grupo +Unidos. O Grupo é uma parceria entre a Missão Diplomática dos Estados Unidos no Brasil e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), apoiados pela Câmara de Comércio Americana (AmCham).

“O +Unidos tem o propósito de desenvolver e divulgar iniciativas de responsabilidade social corporativa no Brasil. O estudo é uma forma de incentivo para que elas trabalhem de forma conjunta”, afirma o embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel.

Produzido pelo GIFE, o levantamento faz um mapeamento das ações sociais realizadas por essas organizações, presentes em todo o território nacional. Assim, foram analisadas as estratégias de investimento das companhias, tal como os repasses de recursos pela matriz americana, bem como sua efetiva participação na aplicação das verbas. Também foram mensuradas as instâncias envolvidas na administração do ISP e os processos de seleção e criação de projetos.

A partir da discussão desse relatório, o +Unidos busca criar o que chama de marco zero do Grupo. Com ele, será possível visualizar as oportunidades, os desafios e as tendências que irão nortear as ações do Grupo. Além disso, haverá organização de workshops, em que as empresas poderão trocar experiências. “Nós queremos ser exemplo para empresas trabalharem em parceria”, garante o presidente da Microsoft Brasil e co-chairman do grupo, Michael Levy

Principais resultados
O balanço consolidado do estudo refere-se às ações realizadas no ano de 2006 por essas 59 organizações. Nesse período, 765 ações foram apoiadas ou realizadas, em todos os Estados. Destas, 564 programas e projetos sociais desenvolvidos assistiram, prioritariamente, as áreas de educação, saúde, meio ambiente e formação para o trabalho. Já 201 ações de voluntariado foram aplicadas em áreas diversas.

Juntas, todas as ações beneficiaram diretamente, de “forma constante, regular e consistente” – veja publicação --, 6 milhões de brasileiros. O estudo mostra também que mais de 32 milhões de pessoas foram beneficiadas indiretamente por esse conjunto de ações, por meio de participações pontuais em projetos culturais, educacionais ou de saúde, por exemplo, ou ainda por intermédio da transmissão de conhecimentos por uma pessoa capacitada.

Entre as 46 empresas analisadas nesse trabalho, a maioria (63%) afirmou ter baseado sua estratégia de 2006 no financiamento de projetos de terceiros concomitantemente com a operação de projetos próprios. Mais da metade das empresas – 55% – declarou não se valer de orçamentos em investimento social para leis de incentivo fiscal.

Questionados sobre a influência da matriz para definir financiamentos de projetos, 52% dos respondentes afirmaram receber pouca ou quase nenhuma, tal como 41% deles disserem não utilizar auxílio de consultores na concepção dos programas.

Com relação aos principais impactos observados pelas organizações, a maioria, ou 59%, acredita que suas ações de ISP resultam na criação da chamada tecnologia social, isto é, desenvolvem métodos, técnicas ou processos que podem contribuir para solucionar problemas sociais aplicados em outras comunidades. Essa conclusão se dá a partir de monitoramentos técnico e financeiro realizados por 80% das empresas.

“Empresas americanas começam a visitar o Brasil para fazer parte desse Grupo e aprender com essas ações. O próprio (presidente eleito dos EUA) Barack Obama disse, para meu espanto, conhecer essas iniciativas”, conta Clifford Sobel

Objetivos do Milênio
As organizações pertencentes ao +Unidos obedecem como regra pétrea a missão do Grupo: “Fortalecer alianças entre os setores público e privado para otimizar e intensificar os investimentos de responsabilidade corporativa dos EUA no Brasil de forma sustentável, a fim de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.”

Assim, “Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento” é o líder das ações de ODMs desenvolvidas pelo +Unidos, com 27% dos programas realizados em 2006. Em segundo lugar recebeu atenção a meta “Combater HIV/AIDS, malária e outras doenças”, com 19% das ações.

O terceiro lugar em prevalência (18%) foi atribuído a ações diversas, que não se enquadram diretamente em nenhum dos oito objetivos. Em sua maioria, pertencem às áreas de cultura e assistência social, como: patrocínio a espetáculos, apoio à publicação de livros, doações para fundos municipais da infância e da adolescência são exemplos dessa categoria.

“Garantir a sustentabilidade ambiental” apresenta 17% das ações e ocupa a quarta colocação. Com 9% de ações, a meta de “Atingir o ensino básico universal” ocupou a quinta posição de programas realizados pelo +Unidos. 4% das ações foram destinadas à meta de “Erradicar a pobreza e a fome”.

“Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia entre as mulheres” ficou em sétimo lugar, com 3% das ações. E nas oitava e nona colocações, respectivamente, estão elencadas ações dedicadas às metas de “Redução da mortalidade infantil” (3%) e de “Melhorar a saúde materna” (menos de 1%).

Entre os programas menos desenvolvidos pelo Governo brasileiro, dois estão inclusos nos quatro principais programas do +Unidos. São eles o 8 e o 7. A Saúde Materna, considerada uma meta deficitária no País, é também um assunto pouco abordado pelas ações do +Unidos, o que indica uma importante oportunidade para a atuação futura das companhias.

“Esse estudo torna-se um compêndio da atuação deles. Assim, eles podem identificar as áreas com menores investimentos e criar projetos focados”, considera Michael Levy.

Áreas de atuação
Entre as 564 ações realizadas pelas organizações, 44% tem como prioridade a educação. Para essa área foram realizados projetos de abrangência para todos os níveis de ensino e ampla faixa etária (da primeira infância à educação continuada para adultos). Adoção de escolas próximas às fábricas, capacitação de professores, apoio financeiro a entidades que promovem educação, envolvimento da comunidade, oferta de livros, computadores e softwares, reforço escolar, premiações exemplificam essas iniciativas.

Em seguida, foram promovidas ações para a saúde, com 153 iniciativas (27%); meio ambiente, totalizando 109 programas (19%), e formação para o trabalho, compondo 89 ações (16%).

Na seqüência, registraram-se 69 iniciativas (13%) de apoio e assistência a pessoas em situação de exclusão social. Cabe salientar que assistência social também foi alvo da maior parte das iniciativas de voluntariado. Abaixo de 10% ficaram ações para geração de trabalho e renda, e cultura e artes, cada uma com 8%. Comunicações e defesa de direitos, com 4%; desenvolvimento comunitário e esportes, cada uma com 3%, e, fechando com 2%, apoio à gestão de organizações do Terceiro Setor. Outros 2% não se encaixaram em nenhuma das classificações.

Voluntariado
As organizações estudadas realizaram mais de 200 ações de voluntariado em todo o País no ano de 2006. O contingente declarado de funcionários que participaram dessas ações totaliza 87 mil pessoas. Considerando um universo de 320 mil empregados, a média de adesão do grupo de empresas que representa o +Unidos, tem representatividade de 27%.

Isso demonstra um índice de mobilização acima de média nacional, que é calculada em 20%, de acordo com a pesquisa do Riovoluntário, publicada em 2007. Além disso, 80% das companhias afirmaram ter investido em voluntariado em 2006.

Em 2007, esse número foi ampliado para 85%. É importante salientar que 63% dos voluntários participaram da escolha das ações, opinando nos temas a realizar. Além disso, quase a metade do total de voluntários (46%) contava com planos delineados para a aplicação da força disponível e eram liberados do serviço para atuar (48%).

As ações de voluntariado do Grupo +Unidos envolveram cerca de 860 mil pessoas, beneficiadas direta e indiretamente, em várias cidades do Brasil, no período analisado Além disso, mais de 1.200 instituições receberam benefícios. Embora não se saiba a quantidade de pessoas que elas atingiram, sabe-se que compõem um universo variado de ONGs, lares de crianças, casas de idosos, creches, cooperativas, escolas, hospitais e postos de saúde. Assistência social representa a área de maior atuação. Ela é seguida por educação, saúde e outras, como meio ambiente, cultura/artes e defesa de direitos, entre outros.

“Em meio a um cenário de crise e possível redução de investimentos sociais por parte das empresas, aumenta a necessidade de atuar em rede para ampliar o impacto de suas ações. A pesquisa do Grupo é oportuna porque facilita a articulação entre essas organizações”, argumenta o secretário-geral do GIFE, Fernando Rossetti.


Rodrigo Zavala, da Rede Gife
Envolverde, 16/12/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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Festa de Zico terá atletas do pentacampeonato brasileiro

O atual técnico do Bunyodkor, do Uzbequistão, Zico, divulgou que o meia Rivaldo e os laterais Cafu e Roberto Carlos também participarão da partida beneficente, no dia 23, no Maracanã. Os três foram importantes na campanha vitoriosa da seleção brasileira na Copa do Mundo-2002.

"Sempre buscamos novos atrativos para o público. Já trouxemos craques consagrados como o Maradona, Seedorf, Deco, Adriano, e este ano já confirmamos com Rivaldo, Cafu e Roberto Carlos. São três ídolos brasileiros, campeões do mundo e que não jogam no Brasil há muito tempo", disse Zico, que organiza o evento.

O ingresso de arquibancada custa R$ 10 e das cadeiras comuns, R$ 6. As entradas podem ser compradas na bilheteria 8 do Maracanã, na Gávea, no CFZ e no Parque Terra Encantada (Barra).

"Será uma boa oportunidade dos torcedores matarem as saudades dos jogadores que não têm a chance de ver sempre, e ainda ajudar a quem precisa", falou Zico.


Folha Online, 16/12/08

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Oposição consegue adiar votação de projeto que substitui MP da Filantropia

A oposição conseguiu adiar nesta terça-feira na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado a votação do projeto de lei do governo que substituiu a MP (medida provisória) das Filantrópicas. Os governistas se articularam para acelerar a votação do texto com o objetivo de concluí-la antes do recesso legislativo, mas o senador Raimundo Colombo (DEM-SC) pediu vista à matéria --o que adiou sua votação para quinta-feira.

O presidente da comissão, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), concedeu vistas de 48 horas à matéria para tentar agilizar sua votação. Com o adiamento, o projeto tem que ser votado na CAE na quinta, mas ainda precisa passar pela CAS (Comissão de Assuntos Sociais), onde tramita de forma terminativa. Somente depois de aprovado pela CAS, o texto segue para votação na Câmara.

A expectativa é que o projeto das filantrópicas entre na pauta da CAS também na quinta-feira --embora alguns senadores da oposição já trabalhem para deixar sua votação para 2009.

O projeto, apresentado pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR), substitui a MP que foi devolvida ao Executivo pelo presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). Como presidente do Congresso, Garibaldi tem a prerrogativa prevista pelo regimento do Senado de devolver MPs ao Executivo --caso não atendam aos critérios de urgência e relevância, necessários para a edição de medidas provisórias.

O senador argumentou que a MP das Filantrópicas não atende a esses requisitos, por isso decidiu devolvê-la ao Executivo.

O texto da MP tornava automática a aprovação dos pedidos de renovação de certificados de filantropia pendentes no CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social), com a autorização para a concessão de renovações inclusive às entidades com processos na Justiça.

A oposição batizou a matéria de "MP da Pilantropia" ao afirmar que a concessão automática dos pedidos de renovação poderá beneficiar entidades com pendências judiciais.

O projeto solucionou o principal impasse em torno da MP ao estabelecer que todos os pedidos devem ser analisados por três ministérios relacionados ao setor de atuação da entidade. A autorização dos certificados passa a ser prerrogativa dos ministérios, e não mais do CNAS.

As instituições que não tiverem pendências judiciais terão os certificados renovados pelos ministérios. Já aquelas que respondem a processos na Justiça, o governo vai determinar o recolhimento de contribuição à Receita Federal --mas o pagamento ficará suspenso até os ministérios emitirem o seu parecer sobre a renovação, ou não, do certificado para aquela entidade.

O texto também criou um sistema intermediário para as entidades filantrópicas que tiveram seus certificados renovados no período de vigência da medida provisória --antes da aprovação do projeto de lei. As renovações automáticas, autorizadas ou canceladas nesse período de 'vácuo' legal, serão reavaliadas pelos respectivos ministérios até o dia 31 de dezembro de 2009 --prazo fixado pelo governo no texto.


Gabriela Guerreiro
Folha Online, 16/12/08

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Uol deixará de usar pop-up

Maior portal brasileiro, o UOL vai banir o pop-up de sua home-page a partir de janeiro de 2009. Um dos formatos publicitários mais tradicionais da internet, o banner que é aberto repentinamente na página é considerado intrusivo pela maioria dos usuários. As pessoas também se sentem incomodadas com o fato de terem de fechar o anúncio.

Desde 2003, o UOL oferece um programa antipop-ups, sendo que no último ano aproximadamente 65% dos visitantes do portal passaram a utilizar a ferramenta - o crescimento da rejeição à peça foi um sinal de que estava na hora de abandonar o formato. No lugar dos pop-ups, o UOL passará a oferecer ao mercado o formato 'dhtml', que permanece por cerca de 12 segundos na tela e desaparece automaticamente. "A vantagem é que o usuário não precisa clicar no banner caso não queira interagir com a peça", destaca Enor Paiano, diretor de publicidade do UOL.

O executivo observa que apesar da relação de ódio do usuário com o pop-up, o formato sempre trouxe resultados excelentes para os anunciantes. "Fizemos vários estudos para encontrar um tempo adequado de exposição do 'dhtml' na tela, para alcançar uma performance semelhante à do pop-up", diz.


Propaganda & Marketing, 15/12/2008

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Como desatar o "nó" dos processos

Os processos representam o conjunto de atividades e tarefas realizadas por toda a organização, visando o cumprimento de seus objetivos e podem estar estruturados e ordenados de várias formas.

O que se busca atualmente é assegurar que estes sejam realizados dentro de parâmetros aceitáveis de desempenho e risco, garantindo também a gestão de conhecimento e busca por melhorias consistentes. Uma das maiores dificuldades reside no fato de que os processos não estão necessariamente restritos a uma única função da organização. Assim surgiu o BPMO (Business Process Management Office), ou também chamado de "Escritório de Processos".

O escritório de processos é, portanto, a unidade organizacional que tem como objetivo assegurar a "lógica de processos", considerando: integração, desempenho, balanceamento, restrições e riscos da organização. Esta lógica representa exatamente como esses processos foram sendo estruturados e ordenados, ou seja, fazemos "X" primeiro, depois o "Y" e assim por diante, por determinados motivos. Tal seqüência foi sendo construída ao longo do tempo de vida da organização e pode ser influenciada por fatores próprios da atividade, como equipamentos ou sistemas de controle e de gerenciamento de recursos.

Mas nem sempre a lógica de processos obedece a melhor e mais adequada "lógica", seja por uma restrição técnica, seja por uma situação alheia ao próprio processo. Assim, surgem os "Nós" e às vezes são bem difíceis de desatar, por que nem sempre tal situação é perceptível à organização, muitas vezes gerando impacto negativo de desempenho, de custos ou ambos. O escritório de processos tem como uma de suas principais atribuições justamente identificar tais situações.

A pergunta quase imediata que surge é: afinal, o gestor do processo não é o responsável por isso? Isso seria verdade se todos os processos tivessem "donos", mas existem processos que não o possuem por estar espalhados pela organização, impedindo a percepção do problema de forma abrangente.

Assim, o escritório de processos assume a responsabilidade pela análise desses casos, além de desenvolver padrões, técnicas e ferramentas para gestão de processos organizacionais: treinar e desenvolver a equipe nos conceitos e técnicas de gestão de processos; apoiar o gestor no acompanhamento e avaliação dos processos; acompanhar e monitorar o desempenho de processos críticos, avaliando melhores práticas e difundindo o conhecimento e integrar os múltiplos processos aos gestores, consolidando informações.

O escritório de processos pode atuar como "consultor" ou como "interventor", ou ainda em variações destas duas formas, mas sempre voltado a esforços de estabilização e melhoria de desempenho de processos. A diferença entre os modelos está na postura de seus membros e na resposta esperada pela organização. No modelo "consultor", os profissionais do escritório de processos atuam como consultores internos, numa postura mais reativa, aguardando solicitações da empresa.

Na outra ponta, ou seja, no modelo "interventor", o escritório identifica processos que merecem atenção e intervém em três diferentes níveis: suporte a melhoria; responsabilidade pela melhoria e responsabilidade pelo processo até sua elevação de desempenho. Cada nível merece um tipo diferente de envolvimento e de postura dos profissionais, sendo que nos três casos deve-se sempre imaginar que o líder do processo deverá assumir o comando após a melhoria. É também importante observar que aspectos políticos e culturais podem dificultar e até bloquear a ação do escritório e, portanto, deve-se ficar atento a este detalhe na hora de definir o modelo de operação.

O escritório de processos não deve ser uma ação de impulso, pois não está relacionada com a busca por ganhos rápidos e imediatos. Entretanto, para aqueles que buscam melhorias consistentes e perenes ele é, com certeza, a melhor opção. Isto porque representa uma nova orientação organizacional, que pode alterar inclusive decisões de investimento em processos, como aquisição de equipamentos, aumento ou redução de efetivos de mão-de-obra.


Marcelo Raducziner
Diretor da Compass International www.compassbr.com.br, empresa de consultoria especializada nas áreas de gestão e negócios e-mail: marceloraducziner@compassbr.com.br
Newsletter HSM Online, 15/12/08

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Para bairro pobre, político usa Bolsa Família

Em São Paulo e Salvador, 60% dos participantes crê que político desvia dinheiro e usa programa em campanha, diz estudo premiado
Foto Unicef/ Mila Petrillo


Em dois bairros pobres de São Paulo e Salvador, 58% dos beneficiários do Bolsa Família acreditam que governos utilizem o programa em proveito próprio, sendo que 37% crêem que os políticos desviam dinheiro da iniciativa e 23% que a usam pra pedir votos em campanha. Os números são de uma pesquisa realizada por um centro de estudos mexicano e premiada em um concurso do governo federal para destacar artigos sobre o programa.

“Trata-se de um uso político indireto, que tenta ajustar políticas públicas para ter retorno nas eleições e não da compra votos e coação dos beneficiários, como acontece em várias regiões da América Latina”, afirma Felipe Hevia, autor do estudo Relações Diretas ou Mediadas? Participação cidadã e controle social no programa Bolsa Família.

O artigo — do Centro de Pesquisas e Estudos Superiores em Antropologia Social, do México — foi o primeiro colocado em um concurso do governo que selecionou pesquisas sobre o programa e ações municipais e estaduais que aprimorem a iniciativa. Os estudos participantes estão disponíveis na Biblioteca Virtual do Bolsa Família, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome e do Centro Internacional de Pobreza, uma instituição de pesquisa do PNUD, resultado de uma parceria com o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas).

Entre junho de 2007 e fevereiro de 2008, a pesquisa analisou 71 questionários respondidos por beneficiários do Bolsa Família, sendo 37 de Cidade Tiradentes, em São Paulo, e 41 da favela Bairro da Paz, em Salvador, primeiro e terceiro municípios com maior número de beneficiários do Bolsa Família.

Entre os entrevistados, 57,9% avaliam que os políticos “tiram proveito do programa”. Deles, 37,2% acreditam que os governantes desviam dinheiro; 23,3% que usam o Bolsa Família para pedir votos e 14% que usam para fazer propaganda política; 9,3% crêem que os políticos se apossam da autoria do programa para atrair eleitores; 7% que enganam pessoas pouco esclarecidas e 4,7% que ameaçam de extinguir a iniciativa se não forem eleitos.

“Estes mecanismos indiretos não implicam necessariamente em práticas tradicionais de compra e coação de votos, mas representam uso político no sentido que as decisões são tomadas com fins mais eleitorais do que técnicos”, afirma o estudo. Uma das maneiras de angariar votos com o programa, segundo a pesquisa, é aumentar o número de beneficiários em períodos próximos às eleições.

“Uma das ações mais comuns de uso político indireto é a ampliação do padrão com fins eleitorais, como a ampliação do programa em localidades, Estados ou municípios, usando critérios partidaristas com o objetivo de, aumentando o corpo de beneficiários, aumentar a votação do partido de governo em uma zona determinada”, afirma o estudo.

É o que aconteceu em São Paulo e Salvador: Entre 2003 e 2007 os picos de crescimento no número de participantes do programa foram durante as eleições municipais de 2004 e as presidenciais de 2006, segundo a pesquisa. “Apesar de haver uma intencionalidade política, não há pesquisas que comprovem que essas estratégias diretamente virem votos”, avalia Hevia.

Participação Social
A percepção dos beneficiários sobre compra de votos e outros usos políticos do programa pode ser reduzida pela pouca participação que têm no controle e gestão do Bolsa Família, segundo o estudo. O desenho da iniciativa estabelece que determinadas instituições públicas realizem ações como cadastro das famílias e repasse do beneficio, e impede que organizações da sociedade civil participem desses processos, com fim de impedir a corrupção.

O estudo considera o modelo eficiente em evitar irregularidades como desvio de dinheiro e cadastro de pessoas sem o perfil do programa. Porém, diminui a participação social. “Assim se estabelecem instâncias de controle social de acordo com o sistema descentralizado e participativo de assistência social, onde se reconhece a ação coletiva, mas, ao mesmo tempo, o desenho de operação faz com que a intermediação seja mínima, altamente institucional, que as organizações civis tenham pouco espaço para atuar e menos espaço ainda para representar os beneficiários do Bolsa Família nas instâncias institucionalizadas de participação”, afirma o estudo.

Com a distância os beneficiários podem ter mais dificuldade de se defender de abusos de poder, como compra e coação de votos e podem ter mais trabalho para corrigir eventuais erros administrativos, como uma eventual troca de nome no cadastro, por exemplo, aponta a pesquisa. “As organizações sociais deveriam participar como pontos de informação sobre o programa. Mas não devem ficar responsáveis nem pelo repasse do dinheiro nem pelo cadastro, para evitar irregularidades”, avalia o autor.


Sarah Fernandes, da PrimaPagina
Pnud, Boletim nº 519, 15/12/08

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Soldados e voluntários são flagrados furtando doações para vítimas das chuvas em Blumenau (SC)

Flagelados de Itajaí (SC) recebem doações de diversos Estados brasileiros; número de desalojados diminui, mas situação é grave
Fernando Donasci/Folha Imagem


Um grupo de voluntários e soldados do Exército foi flagrado furtando donativos do Pavilhão 1 do Parque Vila Germânica, em Blumenau, onde funciona um posto de arrecadações da Defesa Civil de Santa Catarina. As imagens foram exibidas na noite deste domingo (14) por uma emissora de TV local.

Nesta segunda-feira, o governo do Estado e a Prefeitura de Blumenau anunciaram um pacote de medidas para prevenir novos furtos. De acordo com o secretário de Assistência Social do município, Mário Hildebrandt, ainda não é possível saber ainda quanto foi levado do depósito.

Segundo o secretário, o fato foi "isolado" e, ainda hoje, a Prefeitura de Blumenau registrou um boletim de ocorrência na 1ª DP da cidade para que o caso seja investigado.

Em um comunicado divulgado hoje, a prefeitura e o governo do Estado anunciaram a contratação de uma empresa especializada em logística, sob a coordenação da Secretaria Regional de Blumenau, para realizar os serviços de recepção e distribuição das cargas.

Segundo Hildebrandt, uma empresa de segurança e vigilância também deverá ser contratada para impedir que novos furtos ocorram no local.

Tanto a Prefeitura de Blumenau quanto o governo de Santa Catarina lamentaram o ocorrido, mas elogiaram a atuação dos "milhares de voluntários sérios, honestos e comprometidos com a recuperação de Blumenau e região", por meio de nota.

"Esta não é, de maneira alguma, a imagem que os soldados do Exército deixam aqui. Eles prestaram um excelente serviço no atendimento às vítimas em Blumenau. Isso é um fato lamentável, mas pontual", afirmou Hildebrandt, à Folha Online.

Blumenau foi uma das cidades mais atingidas pelas chuvas que devastaram o Estado de Santa Catarina. Segundo a Defesa Civil Estadual, das 128 mortes confirmadas no Estado até hoje, 24 ocorreram no município.

Ao menos 5.567 pessoas continuam em abrigos públicos no Estado, e outras 27.236 continuam desalojadas, informou o órgão.

O ministério da Defesa, por meio de sua assessoria, informou que o Comando do Sul do Exército abriu um processo administrativo para apurar os fatos.


Folha Online, 15/12/08

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National Geographic no varejo

A famosa sociedade sem fins lucrativos investe US$ 44 milhões para abrir uma rede de lojas. O objetivo? Fazer dinheiro para financiar suas pesquisas

A National Geographic Society (NGS), sociedade sem fins lucrativos, que nasceu em 1888 com a missão de difundir o conhecimento geográfico e financiar pesquisas científicas, é conhecida principalmente pelo canal de televisão e pela revista que levam o seu nome. Mas ela quer muito mais do que isso: pretende se tornar sinônimo de varejo.

É que recentemente ela abriu uma loja no coração da cidade de Londres, em Regent Street, e, na semana passada, inaugurou uma loja em Cingapura. "Temos planos para mais lojas em 2009", diz Liz Nickless, diretora de comunicação da National Geographic. Os próximos passos apontam para Istambul, na Turquia, e Barcelona, na Espanha, em um investimento total de US$ 44 milhões - dinheiro levantado em parceria com a empresa espanhola Worldwide Retail Store.

Nas lojas, os clientes encontrarão - além de produtos relacionados a viagens como guias - roupas e acessórios esportivos, móveis de design, brinquedos, objetos de arte e até jóias importadas da África.

O objetivo da sociedade é aumentar o faturamento, que hoje já é de aproximadamente US$ 550 milhões, para reverter parte do lucro para cerca de nove mil projetos de pesquisa da própria Nat Geo, como a sociedade é chamada. "Abrir lojas é o caminho natural da organização", afirma Kátia Murgel, diretora de programação do canal National Geographic no Brasil.

Ainda não há planos para que o comércio chegue por aqui. Porém, na capital inglesa, desde que foi aberta, a loja tornou-se ponto turístico e passou a concorrer, quem diria, com museus como a National Gallery ou mesmo com o British Museum. Com 1,8 mil metros quadrados divididos em três andares, o espaço abriga auditório, restaurante, estúdio fotográfico, agência de viagens, biblioteca e pavilhão para exposições. O mais impressionante, porém, é a forma como os produtos à venda podem ser testados.

A loja conta com salas especiais que simulam tempestades de vento e mudanças bruscas de temperatura para provar a resistência dos equipamentos de aventura. Outra novidade inclui uma parceria com a Sony para instalar um sistema exclusivo de som e imagem. Através de uma rede interna, o mesmo conteúdo pode ser passado simultaneamente nas 42 televisões do local.

"Por enquanto, essa é uma ação isolada da National Geographic Society International", explica Gustavo Leme, vice-presidente da Fox Latina, que possui os direitos do canal no Brasil. "Não há previsão de ter nada parecido por aqui." A idéia, pelo menos por enquanto, é investir no canal, que, com nove anos de presença no País, alcança cerca de cinco milhões de casas.

As novidades com foco na América Latina incluem dois documentários sobre as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e dois documentários de produção nacional: um de viagem pela selva, batizado de Across the Amazon, e uma série com o navegador Amir Klink.

"Queremos aumentar em 25% a receita de publicidade do canal", conta Leme. Ao que parece, toda a National Geographic passa por um desafio de se multiplicar sem perder a essência. "A National Geographic vende conhecimento, com uma proposta que se aproxima dos museus", aponta Jeaninne Carvalho, consultora de marcas da Brand Up. "Eles só têm de tomar cuidado para não sofrer com a superexposição."


Carolina Guerra
Boletim IstoÉ Dinheiro - Edição 585

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Imagem das Empresas Socialmente Responsáveis

Ações institucionalizadas de Responsabilidade Social alavancam reputação das empresas

Doar alimentos a grupos carentes, financiar reformas em uma instituição escolar, patrocinar um evento comunitário ou esportivo, plantar mudas de árvores... Ações isoladas como essas, de engajamento comunitário e ambiental por parte das grandes empresas, têm definido durante muito tempo o entendimento de responsabilidade social corporativa. Algumas empresas até definem erroneamente tais empreendimentos, soltos como partes de algum programa empresarial de cidadania corporativa. Porém, o que o brasileiro hoje demanda – e, sobretudo, que define com força a respeitabilidade que sente pelas empresas – está muito mais próximo de iniciativas institucionalizadas de RSE do que medidas emergenciais ou práticas avulsas de sensibilidade socioambiental.

Pesquisa da Market Analysis nas nove principais capitais do país revela que a imagem das grandes empresas melhora, e muito, quando elas desenvolvem atividades institucionais de longo prazo, antes que emergenciais, tais como parcerias com organizações sociais, criação de fundações filantrópicas ou mesmo quando elas permitem que seus funcionários tirem dias de folga para realizar trabalhos voluntários.

Das três opções de institucionalização possíveis, a parceria com ONGs ou instituições de caridade é a que mais desperta empatia pela empresa por parte do consumidor médio: sete em cada dez respondem que a imagem da empresa que faz tais parcerias melhora muito. Quando se trata de viabilizar ações de voluntariado ou formalizar uma fundação própria, o impacto positivo de reputação dessas ações continua sendo majoritariamente positivo, mas não com a força das parcerias com entidades independentes da sociedade civil. Essas diferenças parecem apontar para uma preferência entre os consumidores por iniciativas validadas externamente e que reúnam atores autônomos (como as ONGs ou instituições de caridade), capazes inclusive de dar um aval objetivo tanto nas intenções como nos resultados concretos obtidos a partir do investimento social das corporações.

Quem reage mais favoravelmente a esta opção de RSE institucionalizada? Embora o apoio seja alto, nem todos os consumidores demonstram a mesma sensibilidade. Algumas características pessoais, como o grau de interesse por assuntos de cidadania corporativa ou o engajamento em conversas sobre a conduta das empresas, claramente apontam diferenças importantes. Assim, o efeito positivo de estabelecer parcerias é muito mais intenso entre aqueles que expressam alto interesse por RSE (72%) do que entre os que permanecem desinteressados (58%), e o mesmo ocorre entre aqueles que se envolvem muito freqüentemente em conversas sobre o comportamento das empresas (79%) e aqueles que permanecem apáticos (67%).

Mas não se trata apenas de quem já está predisposto culturalmente a dar valor a tais ações. Por exemplo, quem acha que o governo deveria intervir mais para estimular ações de sustentabilidade socioambiental das empresas está menos predisposto a transferir uma boa imagem para aquelas empresas parceiras de instituições da sociedade civil. Em outras palavras, desenvolver parcerias de sucesso com ONGs pode resultar, também, em uma estratégia que minimize incentivos para o governo intervir e regulamentar a esfera de atuação corporativa.

Um último dado relevante é que a opção de formar parcerias com ONGs redunda em benefícios de imagem, tanto para consumidores que trabalham em empresas de pequeno e médio portes, como para aqueles empregados de corporações com mil ou mais funcionários. É, nesse sentido, a alternativa que reúne o maior consenso sem importar o âmbito de trabalho do entrevistado (já as outras duas opções tendem a ser privilegiadas particularmente por aqueles que trabalham para as maiores corporações do país).

Naturalmente fica pendente a resposta sobre que tipo de parceria e quais ONGs e instituições de caridade emergem como as opções mais coerentes para uma determinada empresa ou setor. Empresas líderes da sustentabilidade em setores geralmente questionados pelo seu impacto ambiental, como o petroleiro e o químico, ou pelo seu baixo impacto social, como o bancário, têm sido capazes de resolver essa questão de maneira competente, consultando seus diferentes stakeholders e conhecendo os valores e objetivos priorizados pelas potenciais parceiras. Uma das conseqüências de tais decisões é que esses pioneiros da RSE conseguem capitalizar positivamente suas ações institucionalizadas em reputação corporativa, mesmo quando o setor como um todo é visto de modo crítico.

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O quanto a sua impressão sobre uma empresa melhora
quando você descobre que a empresa

Faz parcerias com ONGs ou com instituições de caridade - 70%
Permite que funcionários tirem folga para realizar trabalho voluntário
para instituições de caridade ou entidades comunitárias - 59%
Criou sua própria fundação filantrópica - 55%
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Ficha técnica
Entrevistas pessoais por amostragem probabilística realizadas com 805 adultos (18 a 69 anos) nas nove principais capitais do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Brasília e Goiânia.
Market Analysis - www.marketanalysis.com.br, info@marketanalysis.com.br
(48) 3234-5853


Revista Filantropia - OnLine - nº180

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Cooperação entre países em desenvolvimento

O Programa África-Brasil de Cooperação em Desenvolvimento Social, com o objetivo de facilitar a implementação de políticas sociais, tornou seu site bilíngüe, com o conteúdo em inglês e português.

O programa, resultado de uma parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o Ministério Britânico para o Desenvolvimento Internacional e o Centro Internacional da Pobreza, é inspirado em um projeto-piloto de cooperação entre Brasil e Gana assinado em 2007.

O site é uma ferramenta que visa promover uma crescente modalidade de cooperação técnica internacional e disseminar o conhecimento sobre a cooperação entre o Brasil e os países africanos. www.undp-povertycentre.org/africa-brazil


Revista Filantropia - OnLine - nº180

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Mulheres lideram projetos inovadores no país

Cátia Jourdan, depois do MBA, assumiu a gerência da Incubadora Social de Comunidades do Instituto Gênesis, da PUC, no Rio de Janeiro
Foto Leo Pinheiro/Valor

A executiva Cátia Jourdan tirou o salto e subiu o morro. Antes de ser gerente da Incubadora Social de Comunidades do Instituto Gênesis, da PUC-RJ, a formação como psicóloga a ajudou a atender novos empreendedores no Morro do Pereirão, no Rio Janeiro. Ao mesmo tempo, para adquirir mais habilidades na área de negócios, cumpriu um MBA em administração. "Minha meta era melhorar a auto-estima das empresas, alavancar oportunidades de trabalho e afinar a relação delas com a população carente do entorno". Graças ao seu trabalho, assumiu a gerência da instituição, em 2006.

As incubadoras oferecem apoio gerencial e técnico para micro e pequenas empresas interessadas em desenvolver novos projetos. Hoje, o Instituto Gênesis abriga três delas, todas gerenciadas por executivas. A unidade de Cátia tem quatro empreendimentos incubados e dois a caminho. Em 2009, graças a um aporte de US$ 150 mil do Banco Mundial, vai montar na Vila Parque da Cidade, no bairro da Gávea, um centro de tecnologia com dez computadores, acesso à internet e uma cozinha-escola. "Vamos desenvolver in loco o potencial empreendedor dos habitantes do lugar."

Sem saber, Cátia faz parte de um movimento observado na área do empreendedorismo inovador no Brasil. Uma pesquisa realizada no segundo semestre deste ano constatou que as mulheres estão tomando conta dos cargos de chefia de incubadoras e parques tecnológicos no país- uma área tradicionalmente masculina. Hoje, 48,6% dos parques e incubadoras são liderados por executivas.

O estudo "Mulheres Empreendedoras: Gênero e Trabalho nas Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos" foi realizado pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), em parceria com a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ITCP/UFRJ). O Brasil tem 400 incubadoras e parques que geram 33 mil empregos e abrigam mais de 6 mil companhias.

"O levantamento retrata transformações ocorridas na sociedade brasileira nas três últimas décadas, em relação à inserção das mulheres no mercado de trabalho", aponta o coordenador da pesquisa, Gonçalo Guimarães. A análise mostrou que mais de 40% das profissionais da área de inovação têm de 26 a 35 anos, 50% delas são pós-graduadas e conseguiram um nível de escolaridade melhor do que o que viam dentro de casa: mais de 30% declararam que suas mães só concluíram o primeiro grau.

Os dados mostraram também que 41,8% das profissionais são casadas, 48,1% são mães e 51,9% não têm filhos. "Há relatos de perda de emprego por causa da família", comenta o antropólogo e pesquisador Marcelo Ramos, consultor da Anprotec para a realização do estudo.

Segundo Ramos, os números constroem um cenário pouco comum para os padrões de inserção da mulher no ambiente produtivo. "Pesquisas mostram que na faixa etária de 30 a 40 anos, quando elas se tornam mães ou estão criando os filhos, há uma queda de participação no mercado de trabalho. Em campos tradicionalmente masculinos, o número de executivas nos cargos diretivos era, até pouco tempo atrás, inexpressivo", diz. "Foi surpreendente encontrar esse volume de mulheres jovens ocupando posições de coordenação e direção."

Embora batam cartão em áreas de ponta do empreendedorismo, as pesquisadas também se deparam com algumas ilhas de atraso. De cem entrevistadas, 45% afirmaram ter sofrido ou presenciado algum tipo de preconceito relativo à idade ou pelo simples fato de serem mulheres. "Mesmo com um alto nível de formação e de ocuparem cargos de direção, 50,7% das pesquisadas dizem que, com a mesma escolaridade e funções, ganham menos que os colegas homens". Entre as entrevistadas, apenas 17% do total recebem salários acima de R$ 2,5 mil.

Para Henry Etzkowitz, professor de gestão da inovação da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, a mulher tem trocado a vida acadêmica por outras atividades. Etzkowitz coordena o projeto "As Mulheres na Inovação, Ciência e Tecnologia na Inglaterra", que estuda o comportamento de pesquisadoras e cientistas no setor.

Em visita ao Brasil, o especialista afirma que a necessidade de anos de estudo e a demanda por produção científica batem de frente com o período fértil da mulher. "O sistema caminha no sentido contrário ao relógio biológico feminino", diz. Etzkowitz acredita que exigências como a mudança ou a permanência em uma cidade ou país para a realização de mestrados e doutorados são pontos limitadores da presença da mulher no meio acadêmico.

Para ele, a diminuição da participação feminina na ciência pode estar relacionada com o crescimento da quantidade de mulheres no setor do empreendedorismo inovador. "Elas mostram habilidades como articulação e socialização, que lhes garantem vantagens nesse campo."

Em Belém (PA), a engenheira civil e mestre em engenharia de produção Verônica Nagata não reclama da dupla jornada. Além de ser coordenadora da Rede de Incubadoras de Tecnologia (RITU) da Universidade do Estado do Pará (UEPA), ensina empreendedorismo e gestão da qualidade para alunos da graduação e pós-graduação da instituição.

Casada, com uma filha, coordena a incubadora desde 2002. Antes, era responsável pela área de engenharia de produção da rede, que tem 11 empresas incubadas e oito em período de pré-incubação- cinco já foram graduadas. A presença feminina fala alto entre os negócios da unidade paraense: 54,5% das empresas também são chefiadas por mulheres.

Entre as companhias supervisionadas por Verônica, a Coopsai desenvolve brinquedos educativos a partir de madeira reaproveitada para crianças de três a 12 anos, enquanto a Mamma Di Mais, especializada em tecnologia de alimentos, cria massas utilizando elementos da culinária amazônica, como o jambu e o açaí.

Em Florianópolis (SC), a coordenadora da incubadora Micro Distrito Industrial de Informática (MIDI), Jamile Marques, já tem uma longa história no centro que dirige. "Em dez anos de atuação da incubadora, já graduamos 41 empresas". Administradora e mestranda em gestão da inovação, Jamile é casada, tem dois filhos e cuida da incubadora desde 2004. Ex-executiva da Kodak, mantém 13 companhias incubadas e vai receber mais duas em breve. "Mais de 90% das empresas graduadas aqui obtiveram sucesso no mercado, um número superior à média nacional dos negócios que passam por incubadoras, que é de 80%", comemora.

É o caso da Pixeon, que deixou o MIDI em 2005. Especializada no desenvolvimento de produtos para o setor hospitalar, criou um sistema que faz o armazenamento, interpretação, distribuição e gerenciamento de exames médicos em formato digital. Segundo Jamile, a Pixeon cresceu mais de 250% em 2007. No último ano, o faturamento da empresa saltou de R$ 550 mil para R$ 1,4 milhão e a previsão para 2008 é chegar a R$ 2,1 milhões.

Para o professor Geraldo Borin, coordenador do curso de empreendedorismo e gestão da PUC-SP, a participação feminina na área da inovação é uma conseqüência natural do avanço da mulher no mercado de trabalho. No curso coordenado por Borin, que já formou 200 alunos em quatro anos, 50% dos diplomados são mulheres e a maioria tem entre 25 e 35 anos.

Segundo ele, para gerenciar uma incubadora, o profissional, independentemente do sexo, deve possuir bom conhecimento sobre negócios, ter vivência em processos administrativos da atividade de incubação, além de conhecer novas tecnologias e a legislação dos segmentos onde irá atuar. "Frente a um empreendimento, as mulheres revelam uma percepção mais intuitiva da viabilidade econômica das empresas, enquanto os homens são inclinados a elaborar planos financeiros mais técnicos."

De acordo com Jamile Marques, da incubadora MIDI, de Santa Catarina, o setor de tecnologia ainda é dominado pelos homens, mas é notório o crescimento da ocupação feminina nas empresas da área, principalmente nos postos gerenciais. "Já temos incubadas em Florianópolis onde as mulheres são a maioria do capital humano", garante a executiva.


Jacílio Saraiva, Para o Valor, de São Paulo
Valor Online, 15/12/08

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