quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Microempresários têm mobilidade social maior

Rendimento médio também é maior que o dos demais trabalhadores, aponta a FGV

O número de microempresários no Brasil já chega a 22 milhões. E essas pessoas apresentam rendimento e mobilidade social acima da média dos demais trabalhadores, segundo pesquisa divulgada ontem pelo economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O conceito de microempresário da pesquisa é amplo, e inclui desde vendedores ambulantes e camelôs até empregadores ou profissionais liberais, como médicos e dentistas.

Segundo o estudo, a renda domiciliar per capita dos microempresários era de R$ 761 no ano passado, superior à renda média per capita do total dos ocupados (R$ 526). O economista explica que a renda desse grupo está acima da média porque inclui não apenas o rendimento do trabalho, mas também transferências de programas sociais, como as do Bolsa Família.

A pesquisa mostra também que, segundo projeções para este ano, a maior parte, ou 54% dos microempresários, estão na classe C. De acordo com Neri, a mobilidade social é maior para eles do que para o restante da população. Em 2003, segundo a pesquisa, 42,8% dos microempresários estavam na classe C e 22,5% na D. Em 2008, segundo projeções da FGV, o porcentual de microempresários na classe C tinha subido para 54%, enquanto a fatia na classe D havia caído para 18,1%.

Para o total dos trabalhadores, também houve migração, mas um porcentual menor (50%) estava na classe C em 2008, segundo as projeções da FGV. A pesquisa destacou os microempresários como ponto de partida para análise do Crediamigo, programa de microcrédito do Banco do Nordeste - que encomendou o estudo.

Para Neri, a força desses microempresários e a continuidade do avanço no processo de mobilidade social no País este ano, como já havia ocorrido no ano passado, serão “amortecedores” para se enfrentar a crise financeira internacional. Segundo ele, a redução da pobreza e a ampliação da classe C - em detrimento das classes D e E - serão fatores “muito importantes para segurar a economia brasileira”. De acordo com Neri, “o mercado interno é um amortecedor da economia do País bastante importante para enfrentar a crise”.

De acordo com o pesquisador, a classe C, que ele chama de nova classe média, que chegou a 47,1% da população total do País em 2007, será de 50% do total em 2008. Em 2003, a classe C equivalia a 37,6% da população. No que diz respeito à classe E, ou seja, a camada de renda mais baixa, a projeção de Neri é que caia de 18,1% da população, segundo os dados do ano passado, para 15,3% segundo as projeções para este ano. Em 2003, essa fatia correspondia a 28% da população.

NÚMEROS
22 milhões é o número total de microempresários no País
R$ 761,00 foi a renda domiciliar per capita dos microempresários em 2007
R$ 526,00 foi a renda domiciliar per capita da população ocupada em 2007


Jacqueline Farid, O Estado de S. Paulo
EnvolveRSE - Sustentabilidade Empresarial de Robson Pereira, 25/11/08

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Chinaglia nega-se a votar projeto sobre filantropia

O vácuo político provocado pela devolução da Medida Provisória 446, que concede anistia a entidades filantrópicas sem critério de regularidade, permaneceu ontem com decisão do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), de não votar projeto semelhante que tramita na Câmara enquanto a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado não disser se a devolução ao presidente da República, assinada por Garibaldi Alves (PMDB-RN), presidente do Senado, é ou não legal. Garibaldi foi ao gabinete de Chinaglia para discutir o assunto e voltou para o Senado sem garantia de que haverá votação na Câmara.

O encontro frustrado ocorreu por iniciativa de Garibaldi. Tão logo Chinaglia recusou a parceria com o Senado para solucionar o impasse, Garibaldi ligou para ele. "Esse é um assunto que, inevitavelmente, sofre desdobramentos nas duas Casas". "O presidente Chinaglia está tão empenhado quanto eu em resolver esse problema", disse o pemedebista.

O encontro de ontem frustrou também a esperança de alguns senadores de encontrar uma saída para a crise gerada pela devolução da MP 446. Como existe um projeto de iniciativa do Executivo em tramitação na Câmara tratando do mesmo assunto - o relator é o deputado Gastão Vieira (PMDB-MA) - a alternativa imaginada pelos senadores era a aprovação do texto na Câmara e depois no Senado. Desta forma, a MP poderia ser derrubada "por perda de objeto", livrando a CCJ de ter que, eventualmente, declarar impróprio ou ilegal um ato do presidente do Congresso.

Na Câmara, não há pressa. Deputados experientes apostam que o impasse poderá terminar no Supremo Tribunal Federal. Mas parlamentares próximos de Chinaglia acreditam que ainda há espaço para negociações. "É isso que procuramos nesse lapso de tempo. Uma saída política", declarou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).


Paulo de Tarso Lyra, de Brasília
Valor Online, 27/11/08

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Auditório do Ibirapuera pretende atrair novos parceiros

Investimentos para 2009 estão orçados em cerca de R$ 10 milhões, sendo 70% deste valor doado pela TIM; curadoria do espaço deve criar eventos e classificá-los na Lei Rouanet para buscar patrocinadores

O Auditório do Ibirapuera mira novas parcerias. Doado à Prefeitura de São Paulo pela TIM em outubro de 2005, o espaço conta hoje com a empresa de telefonia móvel como sua principal mantenedora, com seus projetos coordenados por uma organização de sociedade civil de interesse público (Oscip), o Instituto Auditório Ibirapuera (IAI). Os investimentos para 2009 estão orçados em cerca de R$ 10 milhões, sendo 70% deste valor doado pela TIM. Os outros 30% são de responsabilidade do próprio instituto, obtidos através da bilheteria e de parcerias com empresas durante o ano - e é justamente esse número de eventos que a entidade pretende ver ampliado.

Segundo Mário Cohen, presidente do IAI, a idéia é que os valores doados pela operadora de telefonia sejam decrescentes, até que cheguem a um patamar de 50% do total do orçamento em 2010. "A idéia é que a curadoria crie eventos e os classifique na Lei Rouanet para buscarmos novos patrocinadores", explica. Mas o projeto estanca em um "detalhe": a excelência do auditório. Por conta da seleção rigorosa, o espaço conta apenas com cerca de 15 eventos patrocinados por empresas durante o ano como os shows de João Gilberto, Roberto Carlos e Caetano Veloso, em agosto, patrocinados pelo Itaú. Para 2009, já há alguns projetos em andamento.

O espaço receberá diversas ações do Ano da França no Brasil, como concertos de jazz e apresentações de música popular. O destaque será um festival de cinema a céu aberto no Parque do Ibirapuera, entre os dias 1o e 30 de julho, com apoio do consulado francês. "Recebemos muitas propostas. Mas fazemos poucos eventos por ano, porque existe uma escolha criteriosa do que interessa ao auditório", conta Mozart Galvão, gestor do IAI. Economista com cerca de 20 anos de experiência na Souza Cruz, ele é o responsável pela administração do instituto, fundado em abril de 2004 e com cerca com 25 pessoas atuantes no momento.

"A administração dá suporte a todos os produtos e atividades do auditório, ao planejamento estratégico e financeiro do instituto e cuida também da parte orçamentária", conta o diretor. "O orçamento é muito importante. O de 2009 já está pronto, e o fechamos durante a crise", brinca Galvão. O modelo virou exemplo para outros espaços, em Estados como Minas Gerais e Bahia. "Essa gestão privada dentro de um espaço público é o melhor exemplo de como os projetos podem funcionar", acredita. Toda a programação é analisada por uma comissão de gestão cultural, presidida por Galvão e composta por dois membros do IAI e três indicados pela prefeitura.

O auditório conta com mais ou menos cem shows por ano, cuja produção está sob a responsabilidade de Pena Schmidt, um dos responsáveis por festivais como Hollywood Rock e Free Jazz Festival, além de ex-produtor de bandas como Titãs e Paralamas do Sucesso.

Universidade de música
Além dos espetáculos, o IAI conta hoje com a Escola do Auditório. Participam 120 crianças carentes da Zona Sul de São Paulo, escolhidas durante as atividades do projeto TIM Música nas Escolas. "Elas foram identificadas como as que têm vocação musical. Aqui, fazem o que chamamos de Universidade da Música. Em um período de três a cinco anos, sairão daqui como uma orquestra", explica Galvão.

O auditório ainda recebe um terceiro projeto: Acalanto, o canto entoado para adormecer crianças. A intenção do instituto é coletar informações sobre o assunto, artigos, pesquisas e referências sobre o tema.

Um sonho de meio século
Criado em 1954 pelo arquiteto Oscar Niemeyer, o projeto do Auditório do Ibirapuera ficou quase 50 anos no papel. Em 2002, a 1818 Branding, de Mario Cohen, responsável por cuidar da imagem e da marca TIM no Brasil, decidiu oferecer à cidade de São Paulo a construção do espaço. A obra foi doada à prefeitura em outubro de 2005, depois de cerca de R$ 30 milhões investidos pela operadora.

A obra completa o conjunto de edifícios do Parque do Ibirapuera e muito se discutiu, à época, sobre sua construção. O Auditório é inteiramente branco e tem 4,87 mil metros quadrados de área construí­da, com capacidade para 800 pessoas. Hoje se encaixa perfeitamente no espaço onde foi pensado por Niemeyer. Suas divisões são simples: o conjunto palco e platéia ocupa a porção oposta do trapézio que dá forma ao auditório. No subsolo encontram-se a administração, os camarins e a escola de música. Uma porta de 20 metros, localizada no fundo do palco, quando aberta, permite espetáculos na área externa para cerca de 15 mil pessoas.

O local abriga três grandes obras de arte. Na entrada principal está a Labareda, escultura de metal de Niemeyer que chegou erroneamente a ser relacionada com a marca da TIM. No hall principal há uma escultura da artista plástica Tomie Ohtake, e no hall central da escola, o Ensaio de Orquestra, painel artístico de Luis Antônio Vallandro Keating, com 16 metros de comprimento e 2,5 metros de altura.


Renato Pezzotti
Meio & Mensagem Online, 26/11/08

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Unesco alerta para o atraso na garantia da educação

A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) lançou um alerta nesta terça-feira sobre o grande atraso dos governos no objetivo de fazer com que toda a população mundial tenha acesso à educação em 2015 e afirmou que milhões de crianças estão "condenadas a viver na pobreza".

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A Unesco advertiu que o problema consiste em que os governos não fizeram o suficiente no combate às desigualdades na educação, apesar de terem prometido em 2000 que as terão superado em 2015.

No documento, divulgado em Paris e apresentado simultaneamente em Genebra e Santiago do Chile, se destaca que o acesso à educação ainda depende de "inaceitáveis desigualdades" fundadas na renda, no sexo, na etnia ou no local de residência.

Por isto, em 2006 (último ano do qual se têm dados) havia 75 milhões de crianças - 55% meninas - sem escolarização e 776 milhões de adultos - dois terços mulheres - analfabetos.

Esta é a principal conclusão do Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos 2009.

No estudo é dito que os especialistas da Unesco consideram que, caso a tendência atual seja mantida, haverá em 2015 pelo menos 30 milhões de crianças sem escolarização e 700 milhões de adultos analfabetos.

A Unesco afirma que a "indiferença política", os Governos e o "fracasso dos doadores" são parcialmente culpados por isto.

Do lado dos progressos alcançados, o relatório destaca o aumento do índice de escolarização nos países em desenvolvimento, que passou na África Subsaariana de 54% em 1999 para 70% em 2006, e no sudeste e oeste da Ásia de 75% para 86%.

Na América Latina o relatório constata que a maior parte dos países já conseguiu universalizar o ensino primário, enquanto acontece uma expansão do ensino pré-escolar, secundário e superior.

A Unesco destaca o "exemplo encorajador" dos programas impulsionados no Equador, no Brasil e no México "de transferência de renda" às famílias mais pobres.

A estratégia para enfrentar o desafio mundial educacional é, segundo os autores do relatório, atuar o mais rápido possível e destinar a ajuda externa voltada à educação para os grupos mais vulneráveis e desfavorecidos.


Agência EFE - Todos os direitos reservados.
Fonte: http://noticias.terra.com.br/educacao/interna/0,,OI3351582-EI8266,00.html, via Carla Corrêa, Da Rede do Terceiro Setor de Porto Alegre

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Análise: Por que a ajuda externa é ruim para a África

O continente africano abriga 10% da população do mundo e responde por apenas 1% do comércio global. Mas nós, africanos, não podemos continuar culpando o Ocidente por nossos problemas --está na hora de assumirmos nossa parcela de responsabilidade.

Na região de onde venho, no oeste da África, existe um ditado: "Um bobo aos 40 é um bobo para sempre". A maioria dos países africanos conquistou sua independência há mais de quatro décadas.

Grande parte deles foi abençoada com todos os elementos necessários para a competição no plano global --recursos naturais em abundância, uma população jovem e o clima e as condições para que sejam grandes potências agrícolas. Ainda assim, toda essa riqueza natural e cinco décadas de ajuda estrangeira não conseguiram tirar a África da pobreza. Seria a corrupção o grande vilão dessa história?

Os sintomas da corrupção são facilmente identificáveis. Professores exigem suborno dos alunos porque não conseguem sobreviver com seus salários. Funcionários públicos, médicos e enfermeiras roubam drogas destinadas aos pacientes para vendê-las no mercado negro. Líderes africanos possuem propriedades em várias partes do mundo, enquanto seus cidadãos vivem com US$ 1 por dia, ou menos.

Na procura pelas respostas, tive de perguntar a mim mesmo algumas questões difíceis. É comum as pessoas dizerem que cada país tem o governo que merece. E nós africanos certamente fizemos algumas escolhas ruins ao elegermos nossos líderes. Os líderes ruins, no entanto, quase sempre são salvos pela ajuda externa.

A ajuda estrangeira tem dado legitimidade à corrupção e a regimes autoritários, permitindo que eles continuem no poder mesmo quando perderam a popularidade com os próprios cidadãos. Enquanto filmávamos dentro do hospital Mulago, o maior de Uganda, essas idéias vieram à minha mente com clareza.

Vimos dezenas de mães com bebês recém-nascidos deitadas no chão sujo de sangue, ao lado de seringas usadas ainda com as agulhas. Vítimas de acidentes de trânsito foram carregadas para os pronto-socorros por parentes, porque há poucos atendentes, poucas macas e ainda menos ambulâncias. Alguns pacientes foram deixados no chão, sangrando.

Estas foram imagens que vi repetidas por toda a África e que me fizeram perguntar a mim mesmo: por que nós africanos não podemos exigir mais de nossos líderes? Por que eles continuam escapando ilesos apesar de tanta negligência? Logo me lembrei de um outro ditado, uma cantiga de roda que os africanos aprendem na infância: quem paga o flautista escolhe a música.

Prestação de Contas
Muitos países subsaarianos vêm dependendo da ajuda estrangeira há décadas. Em alguns casos, ela corresponde a mais de 10 % do produto interno bruto, ou mais de a metade dos gastos públicos. Quando a metade do orçamento do governo vem da ajuda externa, o líder fica menos inclinado a cobrar imposto dos cidadãos.

Como resultado, governos que são altamente dependentes em ajuda dão muita atenção aos doadores e pensam pouco nas necessidades da população. Infelizmente, os doadores têm seus próprios objetivos, que nem sempre são os mesmos dos cidadãos de países africanos.

Construir escolas e hospitais novos em número recorde parece bom no papel e dá boa imagem aos políticos junto aos eleitores. Mas se os hospitais não têm os equipamentos mais básicos e se não há professores suficientes na sala de aula, quem sofre é o povo africano.

Oportunidades Perdidas
No que diz respeito à ajuda estrangeira, outra crítica cada vez mais freqüente entre os africanos, e raramente ouvida no Ocidente, é que ela patrocina o fracasso mas quase nunca premia o sucesso. Enquanto eu filmava em Uganda com minha equipe, o editor de um jornal local, Andrew Mwenda, nos levou ao vilarejo onde nasceu, perto da cidade de Port Loco, no oeste do país.

No vilarejo, ele nos apresentou a dois homens. Um, com cerca de 60 anos, outro, com 26. "Este homem representa a tragédia da ajuda externa", disse o editor, apontando para o mais velho. "E este representa o potencial da ajuda", ele disse, indicando o mais jovem.

Mwenda explicou que o sexagenário era diretor de um departamento da prefeitura local e durante grande parte de sua vida havia sido sustentado por dinheiro estrangeiro, enquanto supervisionava projetos que tinham como objetivo beneficiar a comunidade. Hoje ele é um alcoólatra que ainda mora com a mãe.

O homem mais novo começou vendendo batatas na praça do vilarejo aos 17 anos. Menos de dez anos depois, ele é o dono da maior e mais movimentada loja da vila. Ele não recebeu um centavo em ajuda, mas comprou terras e construiu uma casa.

"Você vê", disse Mwanda. "Se este jovem recebesse apoio na forma de crédito a juros baixos, ele poderia não apenas expandir seu negócio, gerando empregos e um serviço valioso para sua comunidade, mas poderia também, mais adiante, devolver o dinheiro". Mas ao invés de financiar inovações e criatividade, a ajuda externa financiou o estilo de vida irregular do homem mais velho.

Elevação de preços
Programas de ajuda que se estendem por vários anos também têm implicações para as economias em desenvolvimento. Trinta anos de dólares entrando na economia de Uganda deixaram o país sofrendo do que os economistas chamam de "doença holandesa". Grandes quantidades de moeda estrangeira entrando no país elevam o valor da moeda local, tornando seus produtos agrícolas e manufaturados menos competitivos.

Isto resulta em menos exportações e ainda menos ganhos domésticos, sustentáveis, para o país.

Empresários locais, como exportadores de café e de farinha, deveriam estar se beneficiando da alta global nos preços de alimentos e commodities, mas estão sendo marginalizados em sua própria economia pelos dólares da ajuda externa. Pequenos produtores africanos também tiveram de competir com produtos altamente subsidiados na Europa e América do Norte.

A indústria de algodão de Uganda é capaz de explorar quase meio milhão de fardos por ano, mas até o momento, em 2008, o país só conseguiu exportar 160 mil fardos. Altos subsídios do governo americano para os produtores de algodão nos Estados Unidos impedem que os agricultores de Uganda ofereçam preços competitivos nos mercados internacionais.

Em seus panfletos impressos em papel caro e nos seus websites high-tech, os doadores tendem a falar da importância do comércio para o futuro da África, mas muito pouco progresso tem sido feito na abertura dos mercados internacionais. A produção africana ainda representa apenas 1% do comércio global.

E pelo menos 70 mil profissionais recém-formados abandonam o continente todos os anos, freqüentemente após receber treinamento financiado pela ajuda externa, mas incapazes de permanecer no mercado local porque os salários são muito baixos. Até que essas pessoas talentosas e cheias de iniciativa possam ser atraídas de volta para a África, grande parte das missões de paz, e certamente a maior parte da ajuda externa, vão ter pouco resultado.


Sorious Samura, da BBC
Folha Online, 25/11/08

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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A convergência das normas contábeis

Padronização das Normas Internacionais de Contabilidade traz mais transparência aos resultados apresentados

A contabilidade, assim como qualquer elemento da vida humana, está passando por grandes transformações neste início de século. A mais fundamental delas é a padronização das Normas Internacionais de Contabilidade (International Accounting Standard – IAS), atualmente conhecidas como normas do International Financial Reporting Standard (IFRS). Trata-se de um conjunto de pronunciamentos de contabilidade internacionais publicados e revisados pelo International Accounting Standards Board (IASB).

O objetivo dessa adequação, que chega aos poucos ao Brasil e a outros países – tendo começado pela União Européia em 31 de dezembro de 2005 –, é harmonizar as demonstrações financeiras consolidadas publicadas pelas empresas. Desse modo, ganha-se mais transparência nas informações sobre a posição financeira, os resultados e as mudanças na posição financeira de uma entidade, que são úteis a um grande número de usuários (investidores, empregados, fornecedores, clientes, instituições financeiras ou governamentais, agências de notação e público) em suas tomadas de decisão.

Os pressupostos básicos da contabilidade internacional são o regime de competência e a continuidade. Já as características qualitativas das demonstrações financeiras em IFRS são clareza, relevância, confiabilidade, comparabilidade e equilíbrio entre custo e benefício.

O Terceiro Setor também será inserido nesse processo, e seus profissionais (contadores e administradores) devem se adequar às novas legislações. As demonstrações contábeis sofrerão alterações quanto a sua estrutura e nomenclaturas. Mas a grande pergunta para quem atua na gestão de organizações sociais é: será que a minha entidade está preparada para esta adequação contábil? O melhor a fazer é consultar o seu contador e tirar suas dúvidas a respeito desse tema.

Regulamentações
No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários, por meio da CVM nº 457, de 13 de julho de 2007, publicada no Diário Oficial da União de 16 de julho do mesmo ano, dispôs sobre a elaboração e divulgação das demonstrações financeiras consolidadas. Com base no padrão contábil internacional esta instrução resolveu que:

Art. 1º - As companhias abertas deverão, a partir do exercício findo em 2010, apresentar as suas demonstrações financeiras consolidadas adotando o padrão contábil internacional, de acordo com os pronunciamentos emitidos pelo International Accounting Standards Board (IASB).

Sendo assim, o Brasil criou o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) através da resolução CFC 1.055/05, que está elaborando a padronização com as Normas Internacionais da União Européia através de pronunciamentos técnicos.

Além disso, há a lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, antigo projeto de lei nº 3.741, de 2000, que introduz mudanças fundamentais na Lei das Sociedades por Ações. O principal objetivo é a convergência com as Normas Internacionais. A convergência vai abrir uma porta mais larga para facilitar o ingresso do Brasil no mercado global.

No mesmo caminho, a resolução nº 1.106/07 do Conselho Federal de Contabilidade determinou que as Normas Brasileiras editadas pelo CFC seguissem os padrões das Normas Internacionais a partir de 1º de novembro de 2007. Já a resolução nº 1.121/08, do CFC, que aprova a NBC T 1 – Estrutura Conceitual para Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis –, veio para emitir procedimentos de contabilidade e divulgar informações desta natureza visando permitir a emissão de normas uniformes pelas entidades-membro do CPC, levando em consideração o processo de convergência às Normas Internacionais. Cabe salientar que a NBC T 1 já existia, e foi reescrita para atender às Normas Internacionais.

Até o momento foram emitidas sete Normas Internacionais de Relatórios Financeiros (IFRS), incorporadas pelas IAS, e 41 Normas Internacionais de Contabilidade (IAS). Podemos citar, a título de exemplo, a “IAS ou NIC 1 – Apresentação das Demonstrações Contábeis”, que prevê as demonstrações obrigatórias que devem ser apresentadas anualmente e comparativamente ao exercício anterior: balanço patrimonial; demonstração do superávit ou déficit do exercício; demonstração das mutações do patrimônio social; demonstração do fluxo de caixa; e notas explicativas. Existem também as demonstrações opcionais: demonstração do valor adicionado (DVA) e informe sobre impacto ambiental.

Estrutura de balanço patrimonial prevista na NIC 1
ATIVO
PASSIVO
ATIVOS CORRENTES PASSIVOS CORRENTES
• Caixas e equivalentes
• Clientes e outras contas a receber
• Fornecedores e contas a pagar
• Passivos fiscais
• Provisões da folha

ATIVOS NÃO CORRENTES PASSIVOS NÃO CORRENTES
• Títulos negociáveis a LP • Contas a pagar a LP

ATIVOS TANGÍVEIS E INTAGÍVEIS PATRIMÔNIO LÍQUIDO
• Propriedades para investimento
• Imobilizado tangível
• Imobilizado intangível
• Patrimônio social
• Reservas
• Superávit ou déficit do exercício



Alexandre Chiaratti e Ivan Pinto
Alexandre Chiaratti. Contador, perito contábil e auditor com mais de dez anos de experiência em entidades do Terceiro Setor, filantrópicas ou não. Sócio da Audisa Auditores Associados, é especialista em Finanças (FGV-SP) e pós-graduado em Gestão de Organizações do Terceiro Setor pelo Mackenzie.
Ivan Pinto. Contador, perito contábil e auditor, com mais de 12 anos de experiência em entidades do Terceiro Setor, filantrópicas ou não. Sócio da Audisa Auditores Associados, é membro do colegiado de auditoria do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), do Instituto dos Auditores Internos do Brasil (Audibra) e do Institute of Internal Auditors (IIA).
Revista Filantropia - OnLine - nº176

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Evento discute desenvolvimento local na América Latina e Caribe



Traçar perspectivas para o Desenvolvimento Local Sustentável no continente latino americano sob a ótica do contexto atual, tendo a imigração como um dos pontos centrais desse desenvolvimento. Lançar espaços de estudo e de diálogo, além de produtos - cartilhas e DVD - com a finalidade de difundir a informação e a reflexão sobre essa temática.

Para efetuar sua inscrição para a Conferência, faça o download do arquivo e envie preenchido para o e-mail :
penha@sp.senac.br ou ligue para 55 11 2135 0300

Senac Consolação
Rua Dr. Vila Nova, 228
São Paulo 01222-903
Tel. 11 2135 0300
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Petrobras fora do índice de sustentabilidade da Bovespa

Motivo seria a não redução do teor de enxofre no diesel comercializado no Brasil

A Petrobras está entre as companhias que foram excluídas do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa, indicador que reúne ações emitidas por empresas com alto grau de comprometimento com a sustentabilidade e a responsabilidade social. A notícia foi divulgada nesta terça-feira, 25, no site da Bovespa, cuja assessoria de imprensa disse que o assunto não seria comentado.

O motivo da exclusão seria o não cumprimento por parte da empresa da resolução 315/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que determina a redução do teor do enxofre no diesel comercializado no Brasil a partir de janeiro de 2009.

A Petrobras - leia abaixo - soltou um comunicado oficial sobre o assunto. A estatal investiu em 2007, voluntariamente, R$ 592 milhões em iniciativas sociais, culturais, esportivas e ambientais. Também foram excluídas da carteira do ISE: Aracruz, CCR Rodovias, Copel, Iochpe-Maxion, e WEG.

Os ativos que ingressaram foram das empresas: Celesc, Duratex, Odontoprev, TIM, Telemar e Unibanco.

A nova carteira vigora até o dia 30 de novembro de 2009 e reúne 38 ativos de 30 companhias que totalizam R$372 bilhões em valor de mercado.

São elas: AES Tiete, Duratex, Odontoprev, Bradesco, Eletrobras, Perdigão, Banco do Brasil, Eletropaulo, Sabesp, Braskem, Embraer, Sadia, Celesc, Energias BR, Suzano Papel, CEMIG, Gerdau, Telemar, CESP, Gerdau MET, TIM, Coelce, Itaú, Tractebel, CPFL Energia, Light, Unibanco, DASA, Natura e VCP.

Leia o comunicado da Petrobras:

Esclarecimentos sobre o ISE da Bovespa
Com relação às notícias veiculadas nesta terça-feira sobre a não manutenção da Petrobras na carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bolsa de Valores de São Paulo, a Companhia esclarece que solicitou que o Conselho Deliberativo do ISE informe os motivos que levaram a essa decisão. A Companhia somente irá se pronunciar com base na resposta do Conselho.

As razões apresentadas por fontes não oficiais não serão consideradas. Sobre as afirmações de algumas entidades, como o Movimento Nossa São Paulo, de que a Petrobras não estaria cumprindo a resolução 315/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama, a Companhia afirma que é uma inverdade, já que a citada resolução não está relacionada quantidade de enxofre no diesel e sim aos limites de emissões que os novos motores deverão atender.

Mesmo sem a disponibilidade de motores próprios para a redução das emissões, em 30 de outubro de 2008, a Petrobras comprometeu-se de forma participativa a fornecer o diesel S-50 (com menor teor de enxofre) já a partir de janeiro de 2009.

A disponibilidade desses motores próprios para a redução de emissões está prevista em acordo firmado com o Ministério Público Federal, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Fabricantes de Veículos, Fabricantes de Motores, Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), ligada à Secretaria do Meio Ambiente do Governo de São Paulo, conforme cronograma aprovado pelo MP de São Paulo.

A Companhia repudia toda e qualquer acusação infundada, baseada em interpretações equivocadas, como a de que não está cumprindo a legislação vigente em relação à qualidade dos combustíveis comercializados no Brasil.Em seu Plano Estratégico, a Petrobras consolida o comprometimento com a responsabilidade social e ambiental e com o desenvolvimento sustentável.

A Companhia investe em qualidade de combustíveis, com os objetivos de atender às mudanças nas especificações e garantir a competitividade de seus produtos.


Meio & Mensagem Online, 25/11/08

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Brasileiro mostra menos resistência a revista on-line

Juan Señor, consultor e diretor da Innovation: editoras devem ampliar presença em plataformas como internet e celular
Foto Ana Paula Paiva/Valor


Os brasileiros são mais inclinados a comprar sua revista favorita exclusivamente no formato on-line do que europeus, canadenses e americanos, que se mostram mais apegados ao papel. Ao lado dos demais países do Bric - Índia, China e Rússia -, o Brasil apresenta um percentual maior de consumidores dispostos a pagar pelo conteúdo, prática que agrada pouco os leitores dos países mais ricos. Seja qual for a nação, porém, mais de 65% dos consumidores odeiam os pop-ups (as "janelas" com propaganda on-line que saltam à tela do computador).

Essas são algumas das conclusões da pesquisa "The medium is the message", apresentada pela PricewaterhouseCoopers ontem em São Paulo, durante o II Fórum da Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner). Conduzido pelo Centro de Excelência em Mercado Editorial da Price, o levantamento, concluído em junho, realizou entrevistas on-line com 5.036 consumidores, de 12 a 65 anos, em dez países (Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Holanda, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos).

O objetivo foi identificar quais as tendências de consumo de mídia, especialmente de revistas, para os próximos cinco anos. "Embora apenas 10% da receita das revistas venha hoje das suas respectivas plataformas digitais, é inegável que este meio tende a crescer, tendo em vista que os consumidores mais jovens - entre 12 e 15 anos - estão entre os que menos apreciam a mídia papel", afirma Marieke van der Donk, gerente sênior da PriceWaterhouseCoopers.

Para Juan Señor, diretor em Londres da consultoria internacional Innovation, especializada em mídia, é urgente que as editoras marquem presença em plataformas variadas - internet, celular, eventos e também produtos licenciados com a marca das suas publicações. "O futuro das revistas não me preocupa, mas sim o presente que elas enfrentam", brinca Señor. Segundo ele, as editoras inovam pouco no formato e não se dão conta de que o modelo do negócio mudou. "O papel vai continuar, mas as histórias contadas nele precisam estar presentes em outras plataformas", diz ele.

De acordo com a pesquisa da Price, os consumidores gostariam de pagar por um título on-line 47% do que o desembolsam pelo mesmo produto impresso. No Brasil, 57% dos consumidores comprariam uma revista que passasse a ser apenas on-line. Embora seja um percentual bem maior do que o da Alemanha, por exemplo (35%), é o menos representativo entre países do Bric. Na China, 79% pagariam pelo conteúdo que começasse a ser distribuído somente pela via digital.

Para ilustrar a pesquisa, a Price produziu um vídeo com consumidores de revistas de diferentes partes do mundo. A maioria deles ficou muito incomodada com o excesso de propaganda on-line. No entanto, há quem suporte os anúncios digitais, desde que isso signifique conteúdo gratuito, o maior interesse dos usuários.

Outra peculiaridade apresentada pelo levantamento diz respeito às diferenças de gênero no consumo do conteúdo. De acordo com a pesquisa da Price, os homens são mais inclinados a consumir publicações on-line, enquanto as mulheres se mostram bem menos interessadas em substituir o papel pelo digital.

Um alento para o mercado publicitário, apontado na pesquisa, foi a disposição para a compra on-line. Os leitores de revistas digitais se mostraram dispostos a comprar a partir de links nos seus sites de conteúdo prediletos. Nesse quesito, o Brasil é destaque: 72% dos usuários gostariam de fazer compras a partir de links em sites de conteúdo. Nesse âmbito, só perdem para os chineses (82%).

O mercado de revistas no Brasil gira em torno de 400 milhões de exemplares ao ano, com receita publicitária prevista de R$ 1,6 bilhão em 2008. "Será um percentual entre 12% e 13% superior ao do ano passado", diz Jairo Leal, presidente da Aner. A previsão é de que o aumento da circulação será tímido: entre 2% e 3% este ano. Com a crise econômica, a meta para 2009 é manter a circulação na casa dos 400 milhões de exemplares. A receita publicitária deve crescer apenas um dígito. "Não me arrisco a prever quanto", diz Leal. O mercado continua sendo puxado pelo sucesso dos títulos populares, que custam em torno de R$ 1. Atualmente, cerca de 70% da receita das editoras vêm da circulação, enquanto 30% são publicidade.


Daniele Madureira, de São Paulo
Valor Online, 26/11/08

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Empreendedorismo além do próprio negócio

O empreendedor é um profissional dotado de uma visão revolucionária, capaz de causar um verdadeiro “furacão” na sua vida profissional, pois está sempre em busca de resultados. Em outras palavras, o empreendedor não descansa enquanto não alcança seu objetivo, que muitas vezes é julgado, aos olhos alheios, como impossível.

Porém, essa força que existe nos empreendedores não necessita, necessariamente, ser canalizada para o negócio próprio. Um empreendedor não precisa abrir uma empresa para ser um empreendedor, já que as características desse profissional, e que fazem dele um inovador e visionário, são inatas e não dependem de um empreendimento em si para vigorarem. Pelo contrário: o intra-empreendedor, como é chamado o profissional que investe sua capacidade empreendedora no mercado de trabalho, é visto como figura necessária nas empresas que têm, em sua cultura, a inovação e a visão futura.

A diferença entre esses profissionais é que, enquanto o que mantém o foco em abrir o próprio negócio arrisca seu capital, o intra-empreendedor põe em jogo sua carreira e seu emprego, que são, respectivamente, o seu maior capital. Essa é a maior característica que os difere. Em outros pontos, ambos mantêm a mesma ousadia e persistência.

O intra-empreendedor tem um objetivo comum com o dono da empresa em que trabalha: os dois se empenham ao máximo para alcançar o sucesso nos negócios. Podemos até dizer que, mais do que uma hierarquia de trabalho – em que o dono, detentor do capital e do empreendimento, comanda e estabelece as diretrizes a serem seguidas pelos funcionários – a relação do intra-empreendedor com o presidente da empresa é uma parceria, em que são compartilhados tanto os riscos como o foco da empresa.

A história do mundo corporativo nos mostra casos clássicos, e de muito sucesso, de empreendedores que canalizaram essas habilidades para uma organização que já existe. Jack Welch, que fez carreira como CEO da General Eletric e se consagrou como o ícone entre os empreendedores, causou uma verdadeira revolução enquanto executivo na empresa. Suas atitudes, nem sempre eloqüentes, mudaram o valor de mercado da companhia de 14 bilhões para 410 bilhões de dólares. Isso nos mostra a incrível capacidade que um intra-empreendedor possui para modificar e melhorar a gestão dos processos já enraizados e que não necessariamente são sinônimos de resultados efetivos.

Vale lembrar que o caso acima ilustra apenas a valorização mensurável que Welch alcançou. Mesmo que o intra-empreendedor não ocupe uma posição de destaque formal dentro da corporação, ele é capaz de mudar os hábitos e os costumes de trabalho das pessoas que o cercam. Para que consiga executar plenamente o seu lado empreendedor, mesmo sendo funcionário, acredito que alguns “mandamentos” são importantes e devem ser levados em conta:
* Não tenha medo da demissão, só assim terá liberdade suficiente para por em prática aquilo em que acredita;
* Siga sua intuição, principalmente a respeito das pessoas que escolher para trabalhar com você. Escolha somente as melhores, mantenha-as ao seu redor e faça o que for necessário para ser uma delas;
* Não se limite a fazer aquilo que seu chefe pede. Estude as reais necessidades da empresa e pense em maneiras de trazer soluções inteligentes e aplicáveis. Desse modo, as pessoas reconhecerão suas habilidades empreendedoras naturalmente;
* Seja leal às suas metas, mas realista quanto às maneiras de atingí-las. Lembre-se, quanto maior o sonho, maior a glória em alcançá-lo; mas também, maior o tombo.


Luiz Fernando Garcia
Especialista em manejo comportamental e empreendedorismo em negócios. Autor dos livros Pessoas de resultado e Gente que faz, da Editora Gente, Garcia é um dos quatro consultores certificados pelo ONU (Organização das Nações Unidas) para coordenar os seminários e capacitar os coordenadores, facilitadores e trainees do Empretec/Sebrae.
Newsletter HSM Online, 25/11/08

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O potencial da marca Brasil

O estudo anual Country Brand Index (CBI) 2008, divulgado na semana passada em Londres, mostra que o Brasil tem muito potencial de evolução de sua marca: aparece em primeiro lugar entre os países que ainda não estão entre os “Top 10”.

O CBI é produzido há quatro anos pela consultoria global em branding FutureBrand em parceria com a empresa de relações públicas Weber Shandwick.

O estudo contém rankings que avaliam as marcas dos países sob critérios importantes para a indústria do turismo e identifica tendências globais relevantes para este setor, que é o que mais cresce no planeta. Por três anos consecutivos, a Austrália tem a marca mais bem conceituada entre todos os países do mundo. No ranking 2008, o país é seguido pelo Canadá e pelos EUA.

As avaliações são resultado de uma metodologia que mescla opinião de especialistas em diversas áreas, entrevistas com turistas, pesquisa quantitativa e referências estatísticas que relacionam brand equity de cada país a investimentos, crescimento e expansão. Foram ouvidas 2.700 pessoas em nove países, incluindo o Brasil.

No quesito “Vida Noturna”, o Brasil é o segundo país mais bem identificado na pesquisa, atrás apenas do Japão. O Brasil aparece pela primeira vez no ranking do quesito “Praias”, na décima posição. Entre os países considerados inseguros, o Brasil apresenta um dado interessante: o desejo de visitar o país é três vezes maior que a percepção do seu nível de segurança.

O CBI aponta ainda o crescimento do turismo para destinos marcados por cenários de pobreza ou de degradação ambiental. São turistas que desejam fazer de suas viagens uma experiência de vida. O Rio de Janeiro é um dos destinos apontados por esses viajantes – entre Soweto, na África do Sul, e Mumbai, na Índia.


Fonte: Tree Comunicação
Newsletter HSM Online, 25/11/08

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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Tompkins, o ambientalista latifundiário e antiliberal

Ex-empresário de moda, Douglas Tompkins diz já ter gasto US$ 370 milhões de sua fortuna comprando terras na região
Foto Divulgação


Em Rincón del Socorro, uma estância na Província argentina de Corrientes, a paisagem é absolutamente plana e o horizonte parece não ter fim. A longa e poeirenta estrada de terra converge para o infinito. Apesar dessa amplitude, até onde a vista alcança a terra pertence a uma pessoa, o americano Douglas Tompkins. Mas lá não há plantações e quase não há gado, como nas estâncias vizinhas. Sobram pássaros, capivaras e jacarés, comuns nessa região, os Esteros del Iberá, uma versão argentina do pantanal brasileiro.

Tompkins, de 65 anos, é um dos maiores proprietários de terras do mundo. Empresas e fundações dele e de sua mulher, Kristine, possuem cerca de 830 mil hectares na Argentina e no Chile (o número é uma estimativa). Mas seu objetivo é diametralmente oposto ao de grandes latifundiários, como os reis da soja brasileiros. Ex-empresário do setor de moda, Tompkins vendeu sua empresa nos EUA para se tornar um ícone do ambientalismo, comprando terras para promover a conservação da paisagem e da biodiversidade.

Para isso, ele disse já ter gasto US$ 370 milhões de sua fortuna. E espera gastar outro tanto até o fim da vida. "Mas isso vai depender de quanto eu vou viver", brincou.


Pichação perto da fazenda na Argentina: acusações de vínculos com a CIA
Foto Humberto Saccomandi

A maior parte de suas terras é área de conservação natural, onde não há nenhum tipo de atividade econômica, a não ser visitação turística. É o caso do imenso Parque Pumalín, com seus quase 300 mil hectares no sul do Chile. Ele divide o país ao meio, pois ocupa uma área que vai da costa do Pacífico até a fronteira com a Argentina (veja mapa). Mas Tompkins tem também fazendas com criação de gado e plantações, cujos objetivos são, segundo ele, dar dinheiro e fornecer um modelo de produção ambientalmente sustentável. "Somos bons fazendeiros."

Olhando pelo seu ponto de vista atual, o da conservação quase sem concessões, Tompkins passou por uma espécie de conversão, já que hoje renega a atividade com a qual fez fortuna. Ele fundou nos anos 60 duas grifes de muito sucesso nos EUA: a The North Face, que logo vendeu para criar a Esprit.

"Comecei a me dar conta do negócio em que atuava, que era produzir coisas de que ninguém necessitava. Na verdade, o que fazíamos era produzir o desejo nas pessoas de comprá-las, por meio de propaganda, construção de imagem e marketing. E constantemente fornecer algo novo", disse.

Essa crise existencial coincidiu com um interesse maior pelo ambiente. "Eu retornava a lugares e via vários tipos de desenvolvimento, como projetos florestais, estradas, prédios, represas. Projetos humanos tinham avançado sobre a paisagem, deformando-a. Tentei entender, de modo sistemático, quais eram as forças que estavam por trás dessa marcha implacável do progresso e do desenvolvimento, como chegamos ao ponto de achar que é bom derrubar florestas e eliminar biomas, alterando seriamente paisagens e ecossistemas." Sua conclusão foi que "isso era uma crise de civilização".

Essa conversão foi um processo longo, explica. O ativismo ambiental conviveu anos com a atividade empresarial, até 1990. "Então simplesmente me livrei dos meus negócios. E usei a receita aferida para criar fundações sem fins lucrativos, cujo objetivo é parar a demolição da paisagem por essa civilização perturbada. Coloquei-me do lado de Davi contra Golias."

Sua primeira fundação foi a Deep Ecology Foundation, inspirada no conceito de ecologia profunda, do filósofo norueguês Arne Naess, que coloca o ser humano em pé de igualdade com outras espécies como parte integrante (e não acima) do ambiente e que se opõe a um uso utilitarista da natureza pelo homem. Essa fundação financia estudos e publica livros. Em seguida, Tompkins criou a The Conservation Land Trust, por meio da qual passou a comprar terras para conservação, inicialmente no Chile e depois na Argentina. A Conservacion Patagonica foi criada em 2000, por Kristine, para projetos específicos de conservação na Patagônia argentina.

Hoje, o casal mora parte do ano na Argentina e parte no Chile. Nos dois lugares, Tompkins comprou brigas pelo ativismo conservacionista. No Chile, ele se opõe à construção de hidrelétricas, que ajudariam a minimizar o problema da escassez de energia no país, e de estradas na região de seu parque. Na Argentina, denunciou à Justiça fazendas vizinhas que retiravam, sem autorização, água do pantanal para irrigar plantações. Isso levantou suspeitas e críticas. Ele foi acusado, entre outras coisas, de ser agente da CIA e de querer se apoderar do aqüífero Guarani. Na estrada que leva à sua estância, há pichações "Tompkins pirata".

"Há oposição em todo lugar, não há dúvida. O mundo da produção e o da conservação são antagonistas, por natureza. É assim no mundo inteiro, pois o uso da terra é uma questão política."

A estância Rincón del Socorro, onde ele mora, foi quase totalmente convertida de rancho de gado para a conservação (há também uma pequena pousada). Parte das terras fica dentro da reserva natural do Iberá. O vilarejo mais próximo, que antes dependia da produção, agora vive de turismo e das atividades de conservação, como o monitoramento ambiental da área, em boa parte financiadas por Tompkins. "A conservação da biodiversidade sempre foi uma questão central na minha visão de mundo. Ao final, é a saúde do ecossistema que sustenta tudo", disse.

Para ele, a visão utilitarista segundo a qual o homem pode fazer o que bem entender com a natureza, é uma característica do que ele chama de sociedade tecnológico-industrial, que se desenvolveu no Ocidente rico e se alastrou. "Essa obsessão pela produção e pelo consumo é, na realidade, uma conversão da natureza em produtos humanos. Isso é claramente uma coisa errada, é a grande ilusão da modernidade", diz. "Essa sociedade acha que pode ignorar a natureza, que seria apenas um vasto armazém de recursos à nossa disposição, e que podemos mudar a paisagem do modo que quisermos e não haverá conseqüências."

Nessa hora lhe vem em mente o Brasil. "Você vê aquelas imensas plantações de soja no Brasil e se pergunta: que tipo de vida selvagem vai sobreviver lá? Nenhuma. Mas isso nem é percebido como um problema." Mas os produtores brasileiros podem respirar aliviados. Tompkins diz que nunca cogitou comprar terras no Brasil e que não tem planos para isso. "Vocês no Brasil têm um imenso reservatório de espécies, e provavelmente estamos extinguindo espécies que ainda não foram descobertas. Deveríamos nos envergonhar."

O Chile o atraiu por conta da paisagem, com montanhas, neve, vales e o mar, tudo muito perto, além da segurança jurídica oferecida pelo país no início dos anos 90. Já a maior parte das terras na Argentina foi comprada durante a crise econômica no país, no início desta década. Nesse caso, Tompkins se disse atraído por um ecossistema muito particular, os Esteros del Iberá, que estavam em situação ruim de degradação. "Gosto de comprar as coisas em mal estado e recuperá-las."

Tompkins esclarece alguns princípios de sua atuação. Ele não compra pequenas propriedades para juntá-las, pois nesse caso teria de remover muita gente, em geral gente pobre. Ele mantém seu dinheiro em fundos em euro, mas não permite investimentos numa série de empresas, como de armas, biotecnologia e combustíveis (inclusive etanol). Ele e suas fundações não financiam partidos nem políticos. "Queremos estar bem com todos, o que não é fácil." Ele cita a boa colaboração com o governo do ex-presidente socialista Ricardo Lagos, no Chile, e com o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, nesse caso para a criação de um parque nacional na Província natal de Kirchner.

Milionário, ele diz que não tem ambições patrimonialistas e que seu modelo preferido é, sempre que possível, recuperar o ecossistema e devolver a terra ao país, por meio da criação de parques nacionais. Nesse caso, ele faz uma doação ao governo, condicionada à manutenção do parque. "Se tentarem dar um outro uso, retomamos a terra." Essas doações já foram feitas na Argentina e no Chile.

O ponto central da atuação de Tompkins é que a paisagem deve ser o principal "marcador", sinalizador, da economia, e não a produção. Assim, um modelo que estimula, por exemplo, uma agricultura intensiva baseada na monocultura, que resulta em profundas modificações na paisagem e no seu ecossistema, não é um modelo saudável, ainda que em termos de produção seja mais eficiente. "Isso significa passar de um mundo antropocêntrico para um mundo ecocêntrico. Essas duas visões de mundo estão em disputa, e uma delas é muito perigosa."

"Obviamente isso é muito diferente do que dizem os economistas e políticos 'integrados', cuja visão e gestão nos levaram à crise das extinção [de espécies], da redução da biodiversidade e, é claro, da mudança climática, que é a expressão pura do modelo econômico neoliberal." Modelo, ele alfineta, que é promovido pelos jornais econômicos. "Todas as pessoas que têm poder, prestígio e privilégio são ligadas a esse modelo, se beneficiam dele, e não querem ver nada diferente." E, no que ele qualifica de realidade única, "o desenvolvimento, o progresso e o crescimento econômico são dogmas".

Tompkins é cético quanto à maioria dos programas de sustentabilidade promovido por empresas. "Isso em geral é bobagem, é só marketing. O máximo que podemos falar é de menos insustentabilidade." Também é crítico de boa parte do movimento ambientalista pelas excessivas concessões.

Para ele, não é possível conciliar sustentabilidade com transformações profundas na natureza, inerentes ao padrão de produção e consumo atual, e que geram efeitos imprevisíveis. "Temos de pensar no sistema como um todo. É um sistema muito complexo e não deveríamos ter a arrogância da ciência ocidental que crê que tudo é compreensível. Em última análise, não é. E não é bom pensar que vamos entender, pois isso é um modo de nos isolarmos da enorme complexidade do mundo. Há esferas que não conhecemos. Toda vez que se lança no ambiente uma nova tecnologia, como os telefones celulares, abre-se um vasto buraco negro de ignorância. Não sabemos quais os efeitos de todas essas microondas. Suspeita-se agora que elas estão confundindo os sinais de reprodução dos sapos. E se os sapos não se reproduzem, estamos perdendo sapos por toda a parte. Bem, um financista em Nova York ou Paris pode dizer: ´Para que precisamos de sapos?´. Isso só demonstra o quão estúpido ele é. Os sapos são peças-chave para ciclos que são importantes para outras coisas, pois tudo está interconectado. As variáveis são tantas que nenhum modelo de computador pode predizer quais são as implicações. Só podemos saber que haverá problemas não previstos em cascata nos ecossistemas."

Pergunto a Tompkins: como fazer para vencer o incentivo econômico que é o fato de que as pessoas, a sociedade, o país ficam mais ricos no curto prazo derrubando florestas para plantar soja? "Sua questão é típica, pois vai direto para a estratégia. Sabemos que as pessoas ficam mais ricas no curto prazo, que essa é a força motora. Como se muda isso? Não sei, prefiro deixar para o futuro. Mas sei que, se mais pessoas pensarem como eu penso, políticas diferentes começarão a ser elaboradas. Haverá uma preocupação com o futuro. Não pensamos no curto, mas no longo prazo, bem além das nossas vidas. É uma posição religiosa, moral, se você quiser. Vai além do você ganha ou perde hoje. Você precisa acordar pela manhã preocupado com o futuro do mundo. Se você assume essa posição, então pode liberar a sua mente para poder ver o que estamos de fato fazendo."

Tompkins admite que as desigualdades no mundo constituem um obstáculo, mas não justificam continuar a marcha de destruição da natureza. "Vamos olhar pelo outro lado: se não for possível [reduzir a degradação ambiental], podemos dar adeus ao mundo." Observo que quem não tem o que comer dará adeus ao mundo antes. "Se partirmos da idéia de que não há futuro, então tanto faz dar adeus mais cedo ou mais tarde." E argumenta que o modelo de produção intensiva, além de degradar o ambiente, não favorece a distribuição de renda, pelo contrário.

Tompkins não fornece uma estratégia clara de saída, mas a sua atuação indica para onde ele gostaria de ir. A sua produção agrícola sustentável implica pequena escala, com variedade de culturas e pouco ou nenhum uso de fertilizantes químicos e agrotóxicos. Isso reduziria a produção e elevaria o preço dos alimentos. Haveria assim menos excedente para gastar com consumo de outros bens e serviços, o que, por sua vez, diminuiria a pressão sobre outros recursos e sobre o ambiente. O mundo seria materialmente mais pobre.

Ele diz que que as pessoas nos países ricos gastam de 5% a 10% de sua renda, em média, com alimentação. "Deveria ser muito mais, algo como 25% a 30%." Essa redução, para que as pessoas tivessem um excedente para gastar com carros, viagens e universidades caras, só foi conseguida por meio da produção agrícola intensiva, com forte dano ambiental. Ele vê nisso um antagonismo entre o campo e a cidade. "A população urbana vive de sugar os recursos do campo, mas não tem a menor idéia do que se passa lá, do tsunami ambiental que está chegando."

A entrevista está acabando e pergunto a Tompkins se ele não se sente às vezes vivendo numa ilha da fantasia, tanto pela paisagem que se vê de sua janela como pelas suas idéias. "Toda revolução começa com um primeiro passo. Não sabemos onde estamos na história. Vamos descobrir isso depois. Ao final, todos buscam fazer o melhor que podem, sob as condições e as perspectivas que têm. O que mais você pode fazer? Sabemos que estamos lutando contra as tremendas forças motoras da economia e seus fatores políticos. Mas qual é a alternativa? Aderir a isso? Isso está arruinando o futuro. Você tem de trabalhar no que acredita, e acredito que o que fazemos é melhor para o presente e para o futuro. É por isso que acordamos todas as manhãs, mesmo sem ilusões e sem grandes esperanças diante das tremendas forças da sociedade tecnológico-industrial. Sem encontrar um sentido no trabalho diário, a vida não vale a pena."


Humberto Saccomandi, de Rincón del Socorro, Argentina
Folha Online, 24/11/08

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China e Rússia buscam ampliar influência na América Latina

China e Rússia desafiaram os Estados Unidos na América Latina, ao aproveitar a cúpula do Fórum de Cooperação Econômico Ásia-Pacífico (Apec), deste fim de semana, no Peru, para tentar ampliar sua influência comercial e política em uma região deixada em segundo plano, pela administração de George W. Bush, nos últimos anos.

O presidente chinês, Hu Jintao, usou o Apec como plataforma para uma viagem por Cuba, Costa Rica e Peru, enquanto seu homólogo russo, Dimitri Medvedev, incluiu entre seus destinos Venezuela, Cuba, Brasil e Peru.

"As viagens de Hu Jintao e de Medvedev representam uma desafiante mensagem para os Estados Unidos em sua histórica zona de influência", disse à AFP Farid Kahatt, professor de Relações Internacionais da Universidade Católica do Peru.

"A China vê a região como um mercado potencial para suas exportações, em constante crescimento. Eles têm interesse em diversificar mercados e em obter matérias-primas da América Latina", acrescentou, avaliando que "o interesse chinês na região é essencialmente econômico e não há interesse em ganhar pontos na esfera política".

Acesso ao mercado brasileiro
No Peru, por exemplo, anunciou-se, durante a visita de Hu Jintao, um acordo de livre-comércio, que pode ajudar a China a ter mais acesso ao mercado brasileiro. Além disso, este ano, a China se posicionou como um dos principais sócios da região, passando do terceiro para o segundo lugar.

Taiwan é o único caso em que a China parece ter interesse em explorar politicamente em sua crescente relação com o subcontinente, já que é onde está a maioria dos países que reconhecem, de maneira formal, a ilha rebelde.

"Na América Latina, fica metade dos países que reconhecem Taiwan", lembrou Kahatt, explicando o interesse chinês em reverter essa situação.

Em relação a Moscou, sua relação com a América Latina enfrenta obstáculos, começando pelo fato de a Rússia não ter o peso comercial que a China ostenta em nível mundial.

"A Rússia é uma potência militar, antes de econômica, e não está entre as 10 principais economias globais", destacou Kahatt.

"A divisa internacional da Rússia para fazer negócios é a exportação de armas. Vendendo armas, ela tem de repor peças, fazer manutenção, e isso estabelece vínculos duradouros com conseqüências políticas", finalizou Kahatt.

Intenções reais
O analista Alejandro Deustua, professor da Academia Diplomática do Peru, criticou o papel da Rússia na América do Sul, ressaltando que já é hora de os russos "explicarem a cada país sul-americano suas intenções reais com os exercícios militares na Venezuela", que serão realizados no fim deste mês, no Caribe.

Em Moscou, analistas russos disseram que a busca por influência na América Latina, na qual Medvedev se lançou, é uma tentativa de compensar a influência dos EUA nos países que antes faziam parte da órbita soviética no Leste europeu, Cáucaso e Ásia Central.

Nicarágua, Cuba, Peru e Venezuela são os principais compradores de armas russas na região.


da France Presse, em Lima
Folha Online, 23/11/08

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Cafeicultores colombianos propõem comprar Starbucks

O gerente da Federação Colombiana de Cafeicultores (Fedecafé), Gabriel Silva, propôs uma aliança entre os países produtores do grão - entre os quais o Brasil tem a maior produção mundial - para comprar a cadeia de cafeterias americano Starbucks e ter assim um canal de distribuição próprio.

O diretor assinalou em entrevista publicada pelo jornal "El Tiempo" que, aproveitando a queda das ações da Starbucks de US$ 45 para US$ 8, devido à crise financeira, proporá aos países produtores "fazer um esforço" para comprar a rede de cafeterias.

"Poderíamos nos unir todos para comprar essa empresa e termos assim um canal de distribuição próprio, controlado pelos países produtores", disse Silva.

O gerente da Fedecafé assegurou que essa compra reforçaria a luta pela origem do café e os cafeicultores chegariam diretamente ao consumidor através do maior distribuidor do mundo.

"O desafio que proponho não é tão grande: com US$ 200 milhões ou US$ 300 milhões, o mundo cafeicultor poderia ter o controle da Starbucks. Antes isso era impensável, um sonho", acrescentou.

Com uma produção de 12 milhões de sacos de 60 quilos prevista para este ano, a Colômbia é o terceiro produtor de café do mundo, depois do Brasil - que exporta em torno de 18 milhões - e do Vietnã.


da Efe, em Bogotá
Folha Online, 23/11/08

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sábado, 22 de novembro de 2008

Avaí arrecada "vaquinha" para subir à elite

Se o torcedor corintiano tirou dinheiro do bolso para ter a foto no uniforme do clube, em Florianópolis, houve quem "pagasse" para ver o Avaí na Série A em 2009 --o time está garantido na elite.

Há cerca de um mês, uma associação de torcedores lançou a campanha "Quanto você doaria para ver o Avaí na Série A?".

Por meio dela, o grupo insta os fãs do clube a doarem no mínimo R$ 25 aos jogadores. Segundo a associação, o valor arrecadado --que seria devolvido aos doadores em caso de fracasso do time na empreitada-- foi um "estímulo a mais" para subir.

No próximo sábado, na partida contra o São Caetano, no estádio da Ressacada, a associação entregará um cheque simbólico do montante levantado. Mas os organizadores reconhecem que a quantia até agora obtida está abaixo da esperada.

"O objetivo era conseguir até R$ 1 milhão. Sabíamos que era difícil, mas tem muita empresa que prometeu e até agora não doou", diz Márcio Borges, diretor financeiro da Assta (Associação Social e Cultural dos Torcedores do Avaí). "A previsão agora é de conseguir uns R$ 30 mil, R$ 40 mil. Quem sabe um pouco mais."

Se o valor de R$ 30 mil for alcançado, cada um dos 42 jogadores do time profissional do Avaí receberá R$ 714 dos torcedores. Se o "bicho" for repartido com a comissão técnica, o valor será inferior a R$ 484. "A avaliação é que a campanha foi positiva. A associação ficou conhecida, esperamos agora ter mais sócios [hoje são cerca de 350]. Pelo que os jogadores vão ganhar, o valor que conseguimos é pequeno, mas vai dar para ajudar", diz Borges.

A diretoria do Avaí foi favorável à iniciativa e autorizou que a campanha fosse veiculada no site do time catarinense. No entanto o próprio clube lançou, há uma semana, uma campanha para arrecadar fundos para a disputa da elite no ano que vem.


Ricardo Viel
Folha Online, 22/11/08

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Internet ajuda jovens a se tornarem cidadãos competentes na era digital

Usar a internet é essencial para que os jovens determinem habilidades sociais e técnicas para se tornarem cidadãos competentes na era digital, revela estudo da MacArthur Foundation.

A web faz com que os adolescentes desenvolvam sua personalidade e ainda auxilia na tomada de decisões de uma forma que gerações mais antigas não entendem, segundo a organização.

Os pesquisadores responsáveis pelo estudo informaram que a web não é meramente recreacional para os jovens internautas. No lugar de nomear a internet como “distração improdutiva”, o estudo classificou a rede como “um salto de pensamento da geração”.

Além de aprender mais sobre seus próprios relacionamentos, os jovens aceitam mais obter novos conhecimentos dos seus próprios amigos ao invés de adultos, o que poderia levar a uma mudança significativa em estratégias educacionais.

O estudo mostra que a internet e seus recursos - mensagem instantânea, redes sociais e derivados - é importante também para os casais, que conseguem se manter em contato com frequência.

Neste último caso, há controvérsias - afinal, a tecnologia permite que os tímidos se aproximem online mesmo sem conhecer alguém pessoalmente, o que pode gerar outro tipo de entrave social. Um bom exemplo é a camiseta com o sistema ShotCode, que permite, por uma foto, o levantamento de dados sobre quem a veste em redes sociais.

O levantamento envolveu análises de 2005 a 2008, conduzindo 23 estudos de caso, além dados sobre práticas de jovens, principalmente nos Estados Unidos. O relatório completo está online no site da MacArthur Foundation.

JR Raphael
Editor da PC World, de São Francisco
Idéia 2.0, 21/11/08

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FutCup movimenta patrocinadores

Torneio infanto-juvenil de futebol em escolas particulares da capital paulista é patrocinado pela Perdigão, Sony, Centauro, Schin Guaraná e Penalty

Promovido pela TTK Marketing Esportivo, o FutCup - campeonato infanto-juvenil de futebol em escolas particulares de São Paulo - acaba de renovar acordo com a loja de artigos esportivos Centauro (Co-patrocinador) e com a Schin Guaraná (Guaraná Oficial). Outra marca que assinou contrato para atuar como co-patrocinadora do FutCup em 2009 é a Bauducco. Já os patrocinadores máster Perdigão e Sony, afora a Penalty (Material Esportivo) e a Rádio Transamérica (Rádio Oficial) estão em trâmite para renovar o apoio.

Torneio que reúne uma média de 50 escolas particulares pertencentes ao público A e B, o FutCup é direcionado para meninos e meninas entre 07 e 17 anos que jogam futebol nas modalidades campo, society e futsal. São dez meses de competição, além de ações interativas com o público-alvo como festivais, gincanas, jogos entre os pais, ações recreativas e distribuição de brindes por parte dos patrocinadores. Entre alguns dos colégios participantes estão o Rio Branco, Santo Américo, Porto Seguro, Miguel de Cervantes e Santa Cruz.

"Buscamos associar os pilares educação, família e esporte com o FutCup. Este também é o interesse das empresas patrocinadoras, que visam agregar valores aos participantes e familiares", afirma Marcos Yano, diretor da TTK Marketing Esportivo. O executivo explica que as ativações estão de acordo com o objetivo de cada anunciante no evento. "A Perdigão, por exemplo, pretende se associar a família dos atletas. Por este motivo sorteamos cupons com uma viagem para toda a família do aluno", conta.

As ações dos patrocinadores também são contempladas com faixas, placas e camisetas promocionais nos dias dos jogos, além do logo de cada empresa no site do torneio FutCup. O FutCup Day, que também faz parte do projeto ações promocionais, divulga as marcas patrocinadoras nos colégios durante os intervalos das aulas, por meio de atividades com os alunos que acontecem 40 vezes ao ano. Segundo Yano, a FutCup 2008 atingiu uma média de 70 mil alunos e cerca de 300 mil pessoas.

Para Marcus Trugilho, gerente de comunicação e propaganda da Sony, "fazer parte da FutCup é estar presente em um dos momentos mais importantes da vida de uma pessoa: sua formação. Esta fase é consideravelmente lembrada em todas as outras. Mas, muito além disso, vinculamos nossa marca ao esporte, que é extremamente importante para evolução desses jovens e muito bem visto como uma atividade de entretenimento pelas escolas, pais e familiares", pontua.

As categorias do FutCup são divididas entre Sub-12, Sub-14, Sub-16 e Sub-17. Crianças entre 7 a 10 anos não disputam partidas, pois ainda não estão preparadas para possíveis derrotas.

Projetos complementares
A TTK Marketing Esportivo também criou a FutStars, que seleciona estudantes que foram destaques durante os 400 jogos realizados da FutCup. O projeto permite a participação dos alunos em campeonatos mundiais infanto-juvenis em regiões como Europa e Estados Unidos. O FutCup Social, por sua vez, se trata de um projeto social que angaria doações de alimentos (conquistados nos ingressos para assistir aos campeonatos), doações de material esportivo, livros e reciclagem de pets.

Já o FutCup Soccer Camp é o projeto de férias com acampamentos diferenciados com foco em treinamentos de futebol aos estudantes. O contrato de patrocínio inclui aparição das marcas em todas as iniciativas FutCup. "A nossa comunicação o público-alvo é permanente. Além de todos os encontros presenciais, a FutCup traz reportagens e vídeos em seu site oficial que são acessados em qualquer momento, blog do torneio, além do envio do FutCup News, jornal impresso produzido pela equipe de imprensa da TTK durante os jogos e eventos que fazem parte da marca", destaca Marcos Yano.

O diretor da TTK Marketing Esportivo revela que a agência pretende levar o FutCup para outras duas praças em 2010. "É bem provável que tenha uma FutCup no Rio de Janeiro em 2010. Também estamos estudando as cidades de Brasília, Belo Horizonte e Curitiba como outra sede", conclui Yano.


André Lucena
Meio & Mensagem Online, 21/11/08

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"Redes sociais" e trabalho

Sempre me assusto quando converso com alguém que me diz que no seu trabalho não é permitido o uso de programas como Skype, MSN e equivalentes. Aliás, qualquer limitação em termos de comunicação e uso de tecnologia sempre me deixa embasbacada. Outro dia, ouvi de uma amiga publicitária que na "agência nada disso é permitido". Em que planeta vivem as pessoas que fazem essas regras?

Tem razão o rapazinho da charge aí acima quando diz que vai usar sinal de fumaça...

"Quem não se comunica se estrumbica"! A frase é velha, mas faz cada vez mais sentido.

Uma rápida pesquisa no Google com a frase "redes sociais nas empresas" vai dar tantos resultados interessantes sobre as vantagens do uso das "redes sociais" nas e pelas empresas (e sobre as desvantagens do não uso) que nem vale a pena comentar tais proibições. Pelo jeito esses "chefes" nem descobriram os jornais ainda... E não sabem o que estão perdendo - eles e suas organizações.

A propósito, li um artigo interessante outro dia sobre como a geração dos que têm hoje entre 18 e 31 anos - conhecida como millennial generation - se relaciona com as regras corporativas de tecnologia - não estão nem aí!

Em tempo: "redes sociais" entre aspas, claro. Estamos falando de ferramentas de comunicação e não de redes sociais... E a charge eu encontrei no blog Humor Beta do IDG Now!.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Intercâmbio entre profissionais de comunicação ingleses e ONGs brasileiras

A The International Exchange, organização que atua em Recife (PE), está selecionando organizações que desejam receber profissional de comunicação inglês/a para auxiliar no desenvolvimento de projetos de comunicação. Para participar do programa de intercâmbio, a entidade precisa ter um trabalho reconhecido, sede própria e a disponibilidade de uma pessoa de referência para se comunicar com o/a visitante em inglês. Não há custos financeiros para a instituição, que precisa firmar compromisso de colaborar com o/a visitante no desenvolvimento do projeto, realizado em parceria com uma agência de publicidade indicada.

A fase piloto do projeto aconteceu no ano passado. Chris Jackson, da Leo Burnett, elaborou, junto com a Mart Pet, uma campanha de mobilização de recursos para a ONG Gestos, que trabalha com a causa do HIV/Aids. Penny Brough, profissional de atendimento da Wieden + Kennedy desenvolveu, junto com a Arcos Comunicação, um planejamento para tornar os projetos da Plan International, em Cabo de Santo Agostinho (PE), mais conhecidos na Inglaterra. Atualmente, várias agências britânicas estão interessadas em participar da iniciativa. No próximo ano, está prevista a vinda de seis profissionais ingleses ao Brasil para desenvolver projetos. Em 2010, esse número deve subir para 15. “Agora vamos reforçar o trabalho e elencar novas parecerias locais, entre ONGs e agências, para que esta demanda tenda sempre a aumentar”, afirma Ivan Moraes Filho, diretor nacional da TIE no Brasil.

Mais informações sobre a TIE estão no site www.theinternationalexchange.co.uk ou podem ser obtidas com Philippa White, pelo endereço philippa@theinternationalexchange.co.uk e com Ivan Moraes Filho, ivan@theinternationalexchange.co.uk ou ivanmoraesfilho@yahoo.com.br.


Rets, 11/11/08

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Programa de Intercâmbio Sul-Sul financia estudos sobre gênero

O Programa de Intercâmbio Sul-Sul para Pesquisadores da História do Desenvolvimento [Sephis, sigla do original em inglês] está iniciando um projeto de pesquisa sobre Sexualidades e Modernidades, apoiado pela Fundação Ford. O objetivo do programa é permitir que pesquisadores/as obtenham conhecimentos históricos profundos e comparativos sobre a complexa interligação entre o contexto cultural e as políticas de identidade baseadas em sexo e gênero.

Será oferecido financiamento de até US$ 10 mil para pesquisadores/as que terão 12 meses para completar um relatório de pesquisa acadêmica, assim como um artigo de 10 mil palavras.

Para se candidatar, as pessoas devem estar baseadas no hemisfério Sul e ter grau de mestrado, preferencialmente em História ou em Ciências Sociais. Receberão atenção especial trabalhos sobre os seguintes temas: Masculinidade, Sexualidade e Modernidade; Doenças Sexualmente Transmissíveis, Construção Social de Doenças e Identidade Política; Juventude, Educação sobre Saúde Sexual e Construção da Religiosidade; Sexualidade, Nacionalismo e Políticas de Estado e Construção da Identidade de Gênero; Modernidade e Contexto Pós-colonial.

Para concorrer, é necessário enviar carta de recomendação do supervisor da tese e uma amostra do trabalho escrito, atestando a capacidade do/a candidato/a para escrever e terminar a tarefa para simtiaz00@gmail.com, aos cuidados de Imtiaz Saikh, coordenadora do Programa de Sexualidades. As propostas devem ser remetidas até 10 de dezembro. Mais informações podem ser encontradas no site www.sephis.org.


Rets, 19/11/08

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MinC lança blog para discutir a Lei Rouanet

Por meio do blog, é possível ainda enviar sugestões e comentários sobre a proposta de alteração que deve ir ao Congresso em breve

Para manter a sociedade informada dos passos para a reformulação dos mecanismos de incentivo fiscal à cultura, o MinC criou o Blog da Reforma da Lei Rouanet, que põe à disposição todo o acervo de documentos, dados e propostas elaborados nos diversos fóruns que discutem o tema. Há, também, a apresentação que o ministro Juca Ferreira tem feito pelo País sobre as idéias do MinC sobre as mudanças - os chamados Diálogos Culturais.

Por meio do blog, é possível ainda enviar sugestões e comentários sobre a proposta de alteração que deve ir ao Congresso em breve. O endereço é blogs.cultura.gov.br/reformadaleirouanet.


O Estado de São Paulo, 21/11/08

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Programa Fundo Canadá

O Fundo Canadá de Apoio a Iniciativas Locais funciona como um balcão de projetos, selecionando os projetos entre as propostas recebidas. Ocasionalmente, a Coordenadoria do Fundo procura propostas em setores ou áreas pouco contempladas nas propostas encaminhadas.


Objetivos
* Apoiar o esforço de desenvolvimento econômico e social das comunidades menos favorecidas;
* Estimular a participação ativa e a organização das próprias populações para a solução de seus problemas;
* Fortalecer a atuação de entidades não-governamentais e das organizações de representação dos interesses dos segmentos menos favorecidos da população.

1.2 - Estratégia de implantação
O Fundo Canadá funciona como um balcão de projetos, selecionando os projetos entre as propostas recebidas. Ocasionalmente, a Coordenadoria do Fundo procura propostas em setores ou áreas pouco contempladas nas propostas encaminhadas. A Embaixada não desenvolve uma estratégia específica de divulgação do Fundo devido à grande quantidade de propostas que já recebe.

1.3 - Áreas temáticas
* O Fundo Canadá apóia projetos voltados diretamente para o fortalecimento da cidadania de crianças e adolescentes, direitos humanos (prioritariamente de mulheres e crianças), saúde, educação, governança e desenvolvimento democrático (neste caso quando são projetos estritamente comunitários).

1.4 - População-alvo
Crianças e adolescentes em situação de desvantagem

1.5 - Órgão/setor/departamento/secretaria responsável
Divisão de Cooperação Técnica (CIDA-ACDI) da Embaixada do Canadá

1.6 - Nome e endereço do responsável
Vanda Mendes Ribeiro - Coordenadora do Fundo Canadá

Coordenadora: Daniela Pinto
Embaixada do Canadá
SES Av das Nações Qd.803 Lote 16
70.410-900 Brasília - DF
Tel: (61) 3253-7958
E-mail: fundocanada@gmail.com

Organizações que podem se candidatar
Associações, cooperativas, sindicatos, entidades religiosas, entidades de assessoria, de educação popular e grupos comunitários. O Fundo não financia projetos de instituições governamentais, salários e despesas administrativas e o valor máximo financiado é R$ 45.000,00. O Fundo Canadá atende a pedidos de todo o país, no entanto, privilegia projetos provenientes das regiões Norte e Nordeste e da periferia das grandes cidades.

2.2 - Critérios básicos para participação
Enquadramento nos temas, população-alvo e tipo de organização previamente descritos.

2.3 - Critério para apresentação das propostas pelas organizações
A entidade solicitante deverá apresentar cópias do Estatuto Social, da ata de fundação, da publicação no Diário Oficial e do Cadastro de Pessoas Jurídicas, da ata da eleição das duas últimas diretorias e uma relação de nomes, endereços e profissão dos atuais componentes da diretoria. Em caso de reforma ou construção: cópia autenticada da documentação que demonstra regularidade e posse do terreno e do projeto arquitetônico.

2.4 - Forma(s) de acesso aos projetos e recursos (concurso, convite, convênio, contrato etc.)
O programa dispõe de um Guia de Apoio à Elaboração de Projetos do Fundo Canadá, disponível para download (.doc, 106 KB). São analisados somente os projetos elaborados de acordo com este modelo, com todas as informações e documentos solicitados devidamente apresentados, incluindo três orçamentos de cada item solicitado.

As propostas de projeto são recebidas ao longo do ano e conduzidos, após triagem e análise, ao Comitê de Seleção de Projetos, que formula a decisão final. As contribuições do Fundo Canadá são pontuais. O Fundo Canadá não faz donativos em dinheiro desvinculados de projeto de desenvolvimento, não estabelece convênios, nem cobre despesas administrativas das entidades apoiadas.

2.5 - Critérios básicos para seleção das propostas das organizações que irão desenvolver os programas
Além dos critérios anteriormente especificados, o Fundo privilegia os projetos elaborados em conjunto com o público beneficiário e que contemplem a gestão coletiva dos recursos. A participação do Fundo Canadá em projetos tem sempre a característica de associação de recursos, seja aos da própria comunidade, da entidade solicitante ou de outras fontes financiadoras, nacionais ou internacionais.

2.6 - Prazo para entrega das propostas
O Fundo Canadá recebe propostas ao longo de todo o ano e não tem, portanto, prazo para entrega de propostas. É importante mencionar que o ano fiscal canadense vai de abril de um ano até março do ano seguinte.


Critérios para implementação do programa
A organização beneficiária deverá assinar um Acordo de Contribuição com a Embaixada do Canadá e deverá abrir uma conta específica para a movimentação dos recursos destinados ao projeto. A contribuição do Fundo é, em geral, liberada em uma única parcela.

3.2 - Forma(s) de avaliação de resultados do programa desenvolvido pelas organizações
O Acordo de Contribuição assinado com a Embaixada prevê o envio, ao final do projeto, de um relatório de encerramento, descrevendo os resultados alcançados e as dificuldades e soluções encontradas. O Coordenador do Fundo procura realizar visitas aos projetos e, eventualmente, pode ser contratada uma auditoria externa do Fundo que também realizará visitas aos projetos.

3.3 - Forma(s) de prestação de contas
A apresentação de prestação de contas está prevista no Acordo de Contribuição. Um Guia para Preparação da Prestação de Contas acompanha o Acordo de Contribuição. A prestação de contas deverá ser encaminhada ao final do projeto e deve conter as notas fiscais originais, as quais são devolvidas pela Coordenadoria do Fundo após conferência. Mudanças nas rubricas acordadas com o Fundo Canadá devem ser negociadas antes de serem executadas.


Fonte: Rede Rits
ABCR - Associação Brasileira de Captadores de Recursos, 20/11/08

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Peta faz paródia sangrenta de jogo culinário para promover vegetarianismo

Na paródia, usuário tem de depenar peru e depois retirar órgãos para fazer receita; distribuidora diz que já oferece pratos vegetarianos

Um simpático jogo em que o usuário pode preparar iguarias culinárias virou motivo de discórdia entre a associação defensora dos animais Peta (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais, da sigla em inglês) e a Majesco Entertainment, que distribui o game. A tônica do debate é a inclusão de pratos vegetarianos na série de jogos "Cooking Mama".

A Peta colocou em seu site um jogo on-line que faz paródia de "Cooking Mama" --em vez de uma cozinheira feliz que prepara pratos divertidos, o game pede que o jogador depene violentamente um peru e depois retire os órgãos do animal para preparar uma refeição.

Também no site, a organização pede que o internauta mande um e-mail para a Majesco, pedindo a criação de um jogo "só com receitas vegetarianas". "Eu adoraria ver uma Mama mais compassiva lutar por esses animais, em vez de cozinhá-los para o jantar", diz a carta sugerida pela Peta.

Em nota, a Majesco respondeu à paródia da organização e informa que o jogo "Cooking Mama World Kitchen" tem "51 receitas de todo o mundo, incluindo pratos vegetarianos como missoshiro e bolo de arroz".

"Como qualquer cozinheira talentosa, eu crio receitas que atraiam diferentes gostos e preferências. Meu único objetivo é assegurar que você saia da mesa bem alimentado", "diz" a Mama, no comunicado da distribuidora. De acordo com a empresa, o game tem 25 receitas vegetarianas, com opções para café da manhã, jantar, sobremesa e aperitivo.

Os jogos da franquia Cooking Mama estão disponíveis para o console portátil Nintendo DS e Wii. No caso de "Cooking Mama World Kitchen", os usuários podem usar o controle do Wii para cortar, picar, ralar e agitar os ingredientes das receitas.


Folha Online, 21/11/08

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Brasileiro está receptivo ao Mobile Marketing

Estudo feito pela MMA Latam apontou que usuários estão altamente interessados nesse tipo de publicidade

Instaurada na América Latina em junho desse ano, a Mobile Marketing Association (MMA) acaba de divulgar os resultados do primeiro estudo focado no perfil dos usuários de telefones celulares do continente. Realizada entre internautas do Brasil, México e Argentina, a pesquisa ouviu 1,3 mil pessoas - 437 no Brasil - e apontou a região como um forte mercado para o desenvolvimento da comunicação entre marcas e consumidores utilizando a plataforma móvel.

No que diz respeito ao perfil dos brasileiros entrevistados, o levantamento mostra que o recurso mais valorizado na hora de adquirir um equipamento ainda é a câmera fotográfica embarcada com 89% seguida pelos fones de ouvido sem fio e tecnologia Bluetooth com 85%. "A procura do brasileiro pela conectividade via Bluetooth surpreendeu bastante e mostra que o mercado deve olhar com mais atenção para as campanhas que envolvam esse recurso. Até então não se sabia se esse tipo de ação era bem-vinda, mas a pesquisa mostrou que vale a pena trabalhar em cima deste formato", acredita Terence Reis, diretor gerente da MMA para a América Latina.

De forma geral, os dados mostram que o brasileiro está bastante receptivo ao mobile marketing, uma vez que 74% mostraram interesse alto ou moderado em receber esse tipo de publicidade e 72% se disseram dispostos a integrarem as listas de permissão das operadoras (Opt-in). Do total entrevistado, 17% afirmaram já terem tido algum contato com a publicidade móvel.

Quando questionados sobre os tipos de publicidade desejados, os pesquisados escalonaram em primeiro lugar o recebimento de mensagens com alertas de ofertas, mensagens com ações de relacionamento pós-compra de produtos e serviços, sorteios e mensagens baseadas em serviços de localização. "Entre os brasileiros, as formas de publicidade móvel que registraram menos interesse foram as que incluem votações e anúncios puros. Comparado com Argentina e México, o interesse por cupons promocionais se mostrou menor", comenta Reis.

O acesso à internet móvel - outro elemento analisado - ainda se mostra embrionário mesmo entre os mais jovens, que ainda consideram altos os custos de pacotes de dados praticados pelas operadoras. No Brasil, 24% disseram utilizar o recurso, sendo que apenas 6% o fazem diariamente. "Estes números mostram que o uso da internet móvel tem potencial, mas ainda deve conseguir maior penetração para se desenvolver como espaço publicitário diferenciado e eficiente", prevê o diretor.

Segundo Reis, o Brasil foi o país que apresentou as melhores perspectivas para o desenvolvimento do canal na América Latina tanto em razão do tamanho do mercado e da receptividade da população às novas tecnologias quanto pelo histórico de investimentos publicitários. Com o estudo em mãos, a MMA Latam agora tem a missão de começar a balizar o mercado de forma a estabelecer os formatos e regulamentar o uso da mídia. "Hoje temos um cenário em que os mundos mobile e publicitário ainda não entendem um ao outro. Os resultados agora serão devidamente traduzidos para os dois mundos o que facilitará o entendimento e desenvolvimento das ações", pretende.


Mariana Ditolvo
20/11/08

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