quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Governo de Minas quer mudar leis ambientais para atrair investimentos

Ivana Moreira
Publicado pelo
Valor Online em 20/02/08

Aécio Neves, governador de Minas: atrair empresas para Cofins é estratégico
Foto Marisa Cauduro/Valor


Sem alarde, o governo de Minas trabalha para alterar mecanismos da legislação ambiental do Estado que estão dificultando a instalação de novos empreendimentos em áreas estratégicas, como a região do entorno do aeroporto internacional de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, e a região norte do Estado.

Em dezembro, o governador Aécio Neves (PSDB) sancionou a lei 17.353, que modifica um decreto de 2004 e aumenta de 60% para 70% a possibilidade de desmatamento na Floresta Estacional Decidual, também chamada Mata Seca, um ecossistema do Norte de Minas. Agora, o governo tenta aprovar nova legislação para alterar um decreto estadual de 1980, que cria uma área de preservação ambiental especial na região de Confins.

O projeto de lei 1.444, de autoria do Executivo, tramita desde setembro do ano passado na Assembléia Legislativa. Este mês, o governo encaminhou um substitutivo ao mesmo projeto. De acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, o objetivo é adequar a legislação de modo a proteger o patrimônio arqueológico da região, mas garantir também a relevância econômica da região.

Transformar Confins num aeroporto industrial, atraindo empresas para a zona de tratamento tributário especial e para toda a região, é um dos projetos estratégicos da gestão de Aécio. Muito antes do acidente com o Airbus da TAM , no aeroporto de Congonhas, colocar em evidência o carregado tráfego aéreo nos aeroportos centrais, o governo mineiro conseguiu, numa parceria com a Infraero, transferir todos os vôos entre capitais do aeroporto da Pampulha, na zona norte da capital.

O objetivo era garantir movimento de passageiros e fluxo aéreo no aeroporto que, por mais de duas décadas, foi uma espécie de terminal fantasma. Aécio também está investindo na Linha Verde, uma via expressa que ligará Confins, distante cerca de 40 quilômetros, ao centro da capital. Nada disso, porém, garantirá a atração de indústrias na região se os investidores não conseguirem as licenças ambientais para seus projetos.

Segundo informações do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama), todos os processos com pedidos de licença ambiental para expansão ou novos empreendimentos na região estão parados. Com base no decreto estadual 20.597, florestas e demais formas de vegetação natural da região são de preservação permanente. De acordo com a assessoria de imprensa, o órgão não pode atuar em desacordo com o decreto estadual. A norma atinge a região de Confins e os municípios de Lagoa Santa, Pedro Leopoldo, Matozinhos e Funilândia.

Técnicos do governo alegam que o decreto estadual de 1980 conflita com legislação federal de 1990, mais moderna e menos restritiva. O decreto federal 98.881 define como área de proteção ambiental o mesmo contorno geográfico do decreto estadual, mas, diferentemente dele, admite atividades industriais e ocupação urbana. No entendimento do Ministério Público Estadual, o decreto estadual de 1980, mais restritivo, prevalece sobre o federal. A legislação impede a instalação não apenas de indústrias, mas também de estabelecimentos como postos de combustível e estacionamentos.

A necessidade de atualizar a legislação ambiental para permitir a atração de investimentos em determinadas regiões do Estado não é consenso entre ambientalistas. Enquanto técnicos do próprio Ibama concordam com o governo do Estado e entendem que é possível levar desenvolvimento industrial para as regiões sem comprometer as áreas especiais de preservação, ambientalistas ligados a entidades como a Associação Mineira de Meio Ambiente (Amda) denunciam falta de rigor técnico nas análises da Fundação Estadual de Meio Ambiente para concessão de licenças ambientais em diferentes regiões do Estado.

A Amda foi uma das entidades que se pronunciaram contra a sanção, no fim de dezembro, da legislação que amplia a possibilidade de desmatamento na Mata Seca. Trata-se, de acordo com a associação, de um ecossistema pouco estudado, com número significativo de espécies de fauna e flora. A floresta é rica em árvores altas de bom valor econômico, como ipê e umbu. A nova legislação mineira permite que 70% das árvores secundárias sejam derrubadas - 10% mais do que o permitido pela deliberação normativa do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) de 2004 - e o desmatamento de até 60% da cobertura vegetal primária, três vezes mais do que o autorizado pelo Copam.

Questionada sobre o assunto, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente informou, por meio da assessoria de imprensa, que a aprovação da lei 17.353, sancionada pelo governador em dezembro, atendeu a antiga reivindicação dos produtores da região norte para uso do solo da Mata Seca em empreendimentos agrossilvipastoris, depois de o assunto ser sido debatido em audiências públicas. A lei diz que o desmatamento só será autorizado para atividades econômicas sustentáveis, mas não deixa claro os critérios de sustentabilidade que deverão ser aplicados.

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Concurso internacional convoca jovens a opinarem sobre as cidades

Publicado pelo redeGIFE Online em 19/02/08

“O que precisaria ser feito para transformar a sua cidade no lugar de seus sonhos?”. Essa é uma das questões apresentadas aos jovens por um concurso internacional que quer discutir a questão urbana no mundo.

A competição é organizada pelo Banco Mundial, a Aliança de Cidades e o Governo da Noruega e convoca a participação de jovens de 18 a 25 anos. Eles devem elaborar um texto sobre o tema e inscrevê-lo no concurso até 23 de março. Os detalhes e demais orientações para o evento estão no endereço www.essaycompetition.org.

A justificativa principal para o concurso é o crescimento de mega-cidades no mundo e com ele o desafio de encontrar soluções para problemas urbanos como a pobreza, a degradação ambiental e a carência de serviços básicos (habitação, água, saneamento, energia, estradas, entre outros)

Segundo os organizadores do evento, a cada dia mais e mais pessoas nos países em desenvolvimento, particularmente na África e na Ásia, migram do campo para a cidade.

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Conselho Nacional de Assistência Social convoca eleições

Publicado pelo redeGIFE Online em 19/02/08


Na última semana, começou o processo de eleição dos representantes da sociedade civil no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) para a gestão 2008/2010. Neste primeiro momento, representantes das entidades e organizações socioassistenciais, representantes de usuários, ou de organizações de usuários, e também dos trabalhadores já podem se inscrever, seja como eleitores ou como eleitores e candidatos às vagas de representação.

Um dos objetivos do CNAS é acompanhar a política nacional de assistência social, em articulação com as demais políticas públicas, para exercer o controle social e zelar pela efetivação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). O Conselho é vinculado à estrutura do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), responsável pela coordenação da política nacional de assistência social no País.

“A eleição deste ano é mais uma etapa de controle social com ampla democracia. A participação popular é importante para fortalecer este controle e ampliar o leque da assistência social”, afirmou o presidente da Comissão Eleitoral, João Paulo Ribeiro, representante da sociedade civil pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra). João Paulo lembrou ainda que as eleições do CNAS ocorrem de dois em dois anos, sem caráter permanente.

Para dar mais visibilidade e transparência ao processo eleitoral, cujas inscrições encerram-se no dia 10 de março, o Conselho Nacional de Assistência Social preparou o “Kit Eleição que contém toda legislação referente à eleição dos representantes da sociedade civil.

As entidades inscritas deverão, no momento de apresentação do pedido de habilitação, indicar o segmento a que pertencem, observados seu Estatuto. O pedido de habilitação deve ser feito em formulário próprio, assinado pelo representante legal da entidade ou organização ou por um de seus representantes legais

Para o coordenador do Projeto Marco Legal e Políticas Públicas do GIFE, Eduardo Pannunzio, a eleição é importante, pois é esse conselho que zela pelas boas práticas e regularidade das organizações assistenciais. “Ele tem um papel fundamental no reconhecimento de entidades beneficentes. Ele define, por exemplo, quais delas têm direito a imunidades sobre as contribuições sociais”, argumenta.

Para se ter uma idéia, as organizações com Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social (Cebas), que dá o direito a imunidade sobre as contribuições previdenciárias deixaram de recolher R$ 7,8 bilhões (37%), segundo dados do Ministério da Previdência Social.

A presidente da Associação Paulista de Fundações e da Confederação Brasileira de Fundações (Cebraf), Dora Silvia Cunha Bueno, afirma que o conselho tem uma “missão importante” ao defender os interesses de todo o setor social, não apenas das entidades associadas ao conselho. “Não é apenas a prática cartorial (que gerencia imunidades e isenções) que os gerentes sociais devem prestar atenção. O CNAS acompanha toda a política nacional de assistência social”, define.
Dora Silvia também é enfática ao dizer que a área social não deve olhar para o conselho apenas nas eleições. “Não adianta enviar apenas técnicos para as reuniões. Os dirigentes das organizações sociais devem se conscientizar de todos os processos. Além disso, as pessoas podem simplesmente participar das reuniões (que são abertas) e contribuir nas discussões”, crê.

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Pedido de apoio ao MinC agora por meio da internet

O Estado do Maranhão, 19/02/2008

Até a implantação do sistema, ao contrário do que diz a Associação de Servidores da Funarte, as inscrições em papel continuam, garante o secretário de Fomento, Roberto Nascimento

“Socorro!”, é como começava o email enviado pelo leitor Marco Ferreira sobre suas tentativas de contato com o site do Ministério da Cultura: “Há mais de dois meses, em momentos diferentes, envio ao MinC, pelo sistema de mensagens direcionado a “Dúvidas do proponente”, questões sobre preenchimento do formulário da Lei Rouanet e, até hoje, nada. Os funcionários do MinC recebem seus salários para atender os cidadãos ou não é isso?”

Marco e todos que quiserem inscrever projetos culturais na Rouanet, para captar patrocínio via desconto fiscal, terão que se acostumar com a relação com o órgão pela internet. A partir de 3 de março, segundo a previsão do MinC, ele só aceitará inscrições de projetos na Rouanet por um sistema online desenvolvido pela Secretaria de Fomento do ministério. Atualmente, podem ser feitos testes e simulações no sistema pelo site do MinC (www.cultura.gov.br).

Até a implantação do sistema, ao contrário do que diz a Associação de Servidores da Funarte, as inscrições em papel continuam, garante o secretário de Fomento, Roberto Nascimento. Ele diz que não se excluirá quem não tem acesso à internet. Segundo a Secretaria de Fomento, ela responde gradativamente aos cerca de cem emails que recebe por dia, como o enviado por Marco Ferreira.

“Vamos pôr à disposição acesso à internet em nossas sedes regionais (seis, para todo o país) e nas secretarias de cultura locais”, diz Nascimento, acrescentando que, no novo sistema, o proponente do projeto dirá onde ocorrerá a ação, em vez de só seu endereço, como era antes. “Até então, um festival em Parintins contava como sendo projeto de São Paulo se o produtor fosse de São Paulo”.

Mudanças
O processo de inscrição e análise dos projetos da Lei Rouanet está passando por mais mudanças. Com cerca de dois mil projetos culturais atrasados desde o ano passado, o MinC está contratando o que chama de força-tarefa: um grupo de 20 pareceristas (quem faz a análise e dá o parecer), que ficará responsável por concluir até junho deste ano o parecer dos projetos atrasados, segundo o presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Celso Frateschi. A Associação de Servidores da Funarte diz que cinco pareceristas teriam sido demitidos, sem terem sido substituídos.

A dispensa de “alguns pareceristas”, segundo Frateschi, é um processo normal, pois eles seriam contratados por serviço. Este ano, também começará a ser feito um cadastro com quem inscrever projetos na Rouanet, algo pedido por produtores há pelo menos dois anos.

O objetivo do MinC é poder saber, nos anos seguintes, quem já se inscreveu, quem se inscreve pela primeira vez e quem deve algo em processos anteriores de inscrição na Rouanet.

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Uma década de sustentabilidade

Ricardo Voltolini *, Gazeta Mercantil
Publicado pelo Projeto Envolverde em 19/02/08


No ano passado, o CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) completou dez anos de vida. Em 2008, o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social chega à mesma idade. A considerar que essas organizações foram pioneiras em seus campos de atuação, não é impreciso afirmar que a discussão sobre a sustentabilidade nos negócios tem uma década no Brasil.

A primeira organização, braço brasileiro do WBCSD (World Business Council for Sustainable Development), tem quase 70 associados, entre grandes corporações que respondem por 30% do PIB do País. Nasceu para disseminar a idéia de que os negócios podem e devem ser ambientalmente sustentáveis. A segunda reúne, como associados, 1332 empresas de diferentes portes, que empregam dois milhões de pessoas e contribuem para 35% do PIB. Sua missão é mobilizar, sensibilizar e apoiar as empresas a gerirem seus negócios de modo socialmente responsável.

Além de pertencerem à mesma "geração", ambas apresentam em comum a crença na idéia de que não há melhor caminho do que as empresas produzirem riqueza com justiça social e respeito ao meio ambiente. E embora tenham escolhido estradas diferentes (a ambiental e a social) para chegar ao mesmo destino, suas agendas, desde sempre sinérgicas, se encontram ao final de uma década no vértice do conceito de sustentabilidade e da lógica do triple bottom line. Graças à sua capacidade de persuasão, um tema antes marginal foi parar na mesa dos presidentes de empresas e virou matéria de planejamento estratégico.

Encerrado o ciclo do primeiro decênio, cabe um balanço e uma projeção futura dos próximos desafios. Vamos aos avanços. Seria muita má vontade não reconhecê-los. Até a metade dos anos 1990, as empresas brasileiras eram, em sua maioria, como ilhas auto-governadas exclusivamente pelos interesses dos donos/acionistas, referenciadas na ética egoísta do lucro acima de qualquer coisa e limitadas por um conjunto de responsabilidades, algumas impostas pelo dever de obediência a legislações (do trabalho, do consumidor, do meio ambiente, da concorrência) outras consentidas por conveniência do negócio (economia de recursos, eficiência de processos, atração e retenção de talentos, qualidade de produtos e eficácia nos serviços a clientes).

Para a maioria delas, o relacionamento com stakeholders se limitava a relatórios contábeis para acionistas, uma comunicação correta para funcionários, um serviço de atendimento aos consumidores e, eventualmente, uma ação de relações públicas com a comunidade do entorno, quase sempre baseada em receita filantrópica. Antes acessória, esta tarefa tornou-se estratégica. Mais do que prestar contas ou manter política de boa vizinhança, este contato pressupõe hoje interação, diálogo permanente, incorporação de expectativas das partes interessadas na gestão do negócio. O cenário de relações ficou mais complexo e a lista de stakeholders cresceu, incluindo também governos, organizações da sociedade civil, parceiros da cadeia produtiva e toda a sociedade. Os acionistas passaram a ser informados por meio de balanços socioambientais, os consumidores ganharam ouvidorias, os colaboradores receberam ambientes melhores de trabalho, códigos de ética, políticas de valorização da diversidade (gênero, étnica, etária e por deficiência). Antes tidas como entidades desconfiadas, que se devia controlar mediante a doação de dinheiro de pouca monta, as comunidades começaram a ser vistas como protagonistas do mesmo processo de desenvolvimento. Conceitos nada comuns no mundo dos negócios, como inclusão, geração de renda, redução de desigualdades e desenvolvimento sustentável passaram a integrar a ação cotidiana das corporações. Até uma década atrás, a empresa julgava que sua responsabilidade se encerrava com a fabricação do produto. Eram exceções as que se preocupavam, por exemplo, com o descarte responsável no pós-consumo, com a existência de trabalho escravo, indigno ou infantil em algum ponto de sua cadeia de fornecedores ou com o quanto de energia, recursos naturais e matéria prima esgotável seria necessário utilizar no processo de produção. Poucas efetivamente demonstravam preocupação com transparência e governança. Hoje muitas possuem reservas florestais próprias, reutilizam materiais, controlam emissão de carbono, estabelecem pactos contra a corrupção e o desmatamento da Amazônia e dão preferência a pequenos fornecedores de comunidade.

Pode-se discutir se a motivação nasceu da convicção no conceito ou da conveniência de atender às pressões de consumidores e mercados cada vez mais seletivos. O fato é que houve avanços. E ainda que tudo isso não seja uma regra para o conjunto das empresas, já é prática relativamente comum entre as maiores e melhores, justamente as determinam as tendências dos mercados.
O que esperar do futuro? Levando-se em conta o atual movimento, os próximos dez anos deverão ser marcados muito provavelmente por um esforço das empresas em pesquisa e desenvolvimento de produtos com apelo socioambiental, por ações permanentes de engajamento dos parceiros de cadeia produtiva, pela redução drástica de emissões, pela incorporação de ferramentas gerenciais compatíveis com as demandas de sustentabilidade, pelo estudo e aplicação de novas formas de energia e pela educação de colaboradores para identificação de oportunidades.

Resta saber como as empresas enfrentarão o mais central de todos os impasses: produzir e consumir mais num planeta que já dá sinais claros que não suportará os atuais modelos de produção e consumo.

* Publisher da revista Idéia Socioambiental e diretor da consultoria Idéia Sustentável.
E-mail: ricardo@ideiasocioambiental.com.br


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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

O lucro na era digital ainda está para ser descoberto

Tainã Bispo
Publicado pelo
Valor Online em 19/02/08

Simurro, da Deloitte, diz que a indústria fonográfica precisa encontrar maneiras de tornar a música algo "tangível"
Foto Gustavo Lourenção/Valor


De que forma a música, os livros e os filmes serão consumidos no futuro? Essa é uma das perguntas chaves que o setor de entretenimento terá que responder - e rápido. Nesse novo contexto, em que o conteúdo digital está a um clique do consumidor, o modo de produção tradicional fica cada dia mais obsoleto. É hora de empresas como gravadoras e exibidores de filmes se reinventarem. A consultoria Deloitte pesquisou a fundo o setor no trabalho Media Predictions - TMT Trends 2008 e sugeriu mudanças para que as companhias se adaptem a essa realidade.

No caso da música, o processo de digitalização intensificou a pirataria. Ficou fácil e barato fazer downloads ilegais da internet ou copiar um CD para vendê-lo na rua. Desde 2004, o setor encolheu 28,9%. No ano passado, as vendas físicas de música mundiais totalizaram US$ 15 bilhões.

Para a Deloitte, os fãs de música não se importam em pagar centenas de dólares por um tocador de MP3 ou uma quantia similar para assistir a um show ao vivo. Mas os mesmos fãs são incapazes de comprar música digital. Eles preferem fazer o download ilegal. "A relutância em gastar dinheiro com downloads pode ocorrer porque é difícil para os consumidores darem valor a produtos intangíveis."

Para a pesquisa, a indústria pode mudar esse cenário tornando a música algo tangível de novo. Segundo Marco Antônio Brandão Simurro, sócio-líder para o atendimento às indústrias de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações da consultoria, algumas ações já estão sendo feitas nos EUA e na Europa. As gravadoras têm fechado acordos com as fabricantes de tocadores de MP3 para que o equipamento já chegue na loja com determinado álbum gravado em sua memória. Como a tecnologia desse aparelho tem evoluído rapidamente, o executivo diz ser provável que os consumidores troquem-no com mais freqüência. "Ter um aparelho pré-gravado pode se tornar uma vantagem competitiva", diz. "Algo semelhante pode ser feito no celular também." Outra solução seria oferecer a quem compra downloads a cópia física do álbum que está sendo adquirido, junto com um livro ou uma camiseta.

As redes de cinema também precisam aproveitar o momento para rever seu modelo de negócio. Segundo a Deloitte, o advento do projetor digital - há cerca de 150 salas com esse tipo de equipamento no Brasil - trouxe novas possibilidades. Os filmes podem dividir as salas de cinema com outro tipo de programação, como a exibição de um show ou um evento corporativo. A brasileira Rain Network, por exemplo, já trabalha dentro desse conceito. Além de prestar serviços para os exibidores, como digitalizar os filmes (da película para um arquivo digital), a Rain já organizou um campeonato de video game, o Fifa Soccer 2006, em uma sala de cinema. Dessa forma, as redes exibidoras elevam o índice de utilização das salas, principalmente em horários menos nobres.

Porém, a tecnologia digital não parece tão promissora quando o assunto são os livros, revistas e jornais. "Um dos principais obstáculos para a adoção em massa do e-book (livro digital) em 2008 e nos próximos anos pode estar ligado à profunda afeição que as pessoas possuem pelo livro tradicional de papel", afirma a pesquisa.

Em vez do consumidor em geral, a tendência é que o livro digital - um aparelho com uma tela especial para leitura - interesse mais a públicos específicos. Pode ser um instrumento prático de consulta para quem usa obras de referências no trabalho, como dicionários, manuais técnicos, textos acadêmicos ou títulos jurídicos. No Brasil, uma editora pequena, a Giz Editorial, tem se arriscado nesse mercado, praticamente inexistente no país - nos EUA, a Sony fabrica o e-book e a Amazon oferece um aparelho de marca própria.

Ednei Procópio, dono da Giz, trouxe um primeiro lote da China com sua marca própria, a e-BookReader, em meados do ano passado. Até agora, no entanto, o empresário vendeu apenas 30% do material importado, mesmo tendo diminuído o preço de R$ 999 para R$ 749. "As pessoas preferem um notebook, ainda mais após a queda do dólar, ao e-book", afirma.

Os compradores do livro digital no Brasil, diz Procópio, "são principalmente profissionais liberais ou técnicos que precisam ler manuais". Mesmo assim, ele reconhece que ainda não há grande demanda. "Não tenho pressa em vender o restante do lote. O mais importante, agora, é criar o hábito de consumo desse equipamento."

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Metodologia Mundial de Certificação Para o Terceiro Setor

Publicado pelo Mapa do 3º Setor

Cada vez mais, a comunidade doadora reconhece a importância das Organizações Não Governamentais no processo de cooperação para o desenvolvimento. Sua presença fundamental garante assimilação e crescente função no desenho e implementação de projetos sociais. O aumento dos números das organizações do Terceiro setor em países em transição e desenvolvimento reflete esta nova situação.

Graças às doações publicas e privadas, estas organizações, beneficiam-se de importantes recursos financeiros, de maneira a realizar suas operações sem fins lucrativos. Porém, a falta de clareza de Metodologias regulamentadoras para o Terceiro Setor elevou a preocupação na utilização de recursos e outras vantagens fiscais o que gerou uma crescente necessidade em assegurar a transparência, boa governança, eficiência e efetividade no uso dos fundos conferidos a estas organizações.

Por isso, o propósito da Metodologia mundial de certificação NGO Benchmarking é prover às agências doadoras, organizações do Terceiro Setor, assim como mantenedores privados e sociedade uma avaliação independente de desempenho das organizações com base em uma séria de perspectivas integradas em:

P1 Dimensões de Melhores Práticas
Conselho de Diretores, Estrutura Estratégica, Gerência de Integridade, Comunicações, Advocacia e Imagem Pública, Recursos Humanos, Angariação de Fundos, Alocação de Fundos, Alocação de Recursos e Controle Financial, Resultados das Operações, Melhoria Continua

P2 Expectativas do Contribuinte
Transparência, Eficiência, Efetividade.

P3 Componentes de Gerência
Sistema, Atividades (Programas/Projetos), Recursos Humanos, Finanças.

P4 Melhoria Continua
Planejar, Fazer, Checar, Agir.

A certificação NGO Benchmarking avalia o desempenho de uma organização do Terceiro Setor mediante as perspectivas acima, integrando 108 indicadores objetivamente verificáveis extraídos de uma seleção de Códigos de Boas Práticas e Padrões Internacionais voltados para o Terceiro Setor.

1 – Processo de Certificação NGO Benchmarking:
Tempo Processo: 5 a 6 dias de trabalho no processo de auditoria NGOBenchmarking, incluindo entrevistas, exame de evidências documentárias, visitas as instalações da organização. Estes resultados provêem:
• Relatório de Auditoria;
• Detalhada identificação dos pontos fortes/fracos e áreas de melhoramento potencial;
• Pontos por Dimensão, Expectativas, Componentes e Passo de Aperfeiçoamento Continuo;
• Recomendações resumindo o critério de Boas Práticas que deverão ser destinados a melhorar o nível de conformidade aperfeiçoar o desempenho atual.

2 – Certificação
O certificado da SGS será emitido à organização auditada, se estar obter um número total de pontos igual ou superior a 70% (vide exemplo abaixo).



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9º FILE acontecerá simultaneamente em Porto Alegre e no Rio de Janeiro

Publicado pelo IDG Now! em 18/02/08


A partir do dia 20/02, o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica exibirá 323 obras de artistas de mais de 30 países

O Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE) 2008 acontecerá pela primeira vez em duas capitais com mostras simultâneas: em Porto Alegre, de 20/02 a 20/04 e no Rio de Janeiro, de 27/02 a 30/03.

O FILE é o maior evento brasileiro sobre o universo eletrônico-digital e está na sua nona edição. Neste ano, com apoio do Santander Cultural e do Oi Futuro, o projeto fará um convite ao uso da internet, com o tema “Se Liga”, e pretende estimular expressões estéticas produzidas no cenário da arte e da tecnologia.

As 323 obras e instalações (de web art, net art, vida artificial, hipertexto, animação computadorizada, realidade virtual, software art, games, filmes interativos, e-videos e panoramas digitais - fotos 360º-, em salas interativas e imersivas) foram feitas por artistas de países como Bélgica, Venezuela, Argentina, França, Estados Unidos, Áustria, Reino Unido, Itália, Canadá, Turquia, Alemanha, República Tcheca, Espanha, Portugal, Austrália, Dinamarca, México, Estônia e Coréia do Sul, além dos 20 representantes brasileiros.

Em Porto Alegre, o FILE será realizado no Santander Cultural (Rua Sete de Setembro, 1028), de segunda à sexta-feira, das 10h às 19h e aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 19h, com entrada franca.

No Rio de Janeiro, o festival acontecerá no Oi Futuro (Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo), de terça a domingo das 11h às 20h, também com entrada franca.

Mais informações podem ser obtidas no site do Festival.

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UNICEF experimenta soluções de comunicações personalizadas

Publicado pelo Pauta Social em 18/02/08

Com o objetivo de converter doadores pontuais em colaboradores mensais e aumentar o ROI (Retorno do Investimento) de suas campanhas, o Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF experimentou as inovadoras soluções de Comunicações Personalizadas e Crossmedia da AlphaGraphics Brasil.

O sucesso da iniciativa indicou um novo caminho para a ampliação das doações regulares e o aumento do ROI para as campanhas de captação de recursos. Os resultados conquistados serão apresentados por Regina Gerbi, do marketing do UNICEF Brasil, aos participantes do PODi Application Forum Latin America – Brasil 2008, dia 19 de fevereiro, no Centro de Convenções Novotel Center Norte, em São Paulo. Durante o evento, o público poderá conferir todos os detalhes da parceria UNICEF/AlphaGraphics/agDirect Marketing – antecipados no case a seguir.

No âmbito do programa de marketing direto para captação de recursos para os projetos apoiados pelo UNICEF no Brasil, a entidade firmou parceria com a divisão agDirect Marketing da AlphaGraphics para testar um pacote com dados e oferta personalizados com, por exemplo, nomes gravados dentro das imagens utilizadas na campanha, assim como o uso adicional de e-mail e PURLs – URLs personalizadas, hotsites que carregam e rastreiam as informações dos clientes, inclusive no endereço do navegador web, por exemplo, www.johnsample.doeunicef.org.br.

A ação foi aplicada junto a doadores já cadastrados pelo UNICEF, porém inativos, buscando reativar esses doadores com a opção de convertê-los em mensais. Com esta iniciativa, viabilizou-se o aumento da base de apoio ativa aos projetos do UNICEF, bem como o crescimento na arrecadação de fundos. Paralelamente, aplicou-se uma campanha de controle, com personalização mínima, para efeito comparativo dos resultados. A ferramenta online da AlphaGraphics/agDirect Marketing para cálculo e mensuração das taxas de retorno também foi usada para acompanhamento da ação e avaliação do teste.

O objetivo do projeto é testar o uso de oferta e dados personalizados e enriquecer o banco de dados, aumentando a arrecadação de fundos aplicados nos projetos sociais. Resultados relevantes apontados pelo UNICEF é Pacote Saúde obteve uma taxa de retorno (response rate) 232% maior que a do Pacote Controle para doações pontuais. Arrecadação do Pacote Saúde 111% maior que a gerada pelo Pacote Controle para doações pontuais. è ROI do Pacote Saúde foi 41% maior que o do Controle para doações pontuais. Taxa de retorno do Pacote Educação foi 106% superior para doações mensais e a doação média foi 11% maior em relação ao Pacote Controle. A partir das URLs personalizadas, 28,6% dos internautas que acessaram o hotsite fizeram uma doação.

O gift médio da doação mensal foi de 8% superior ao da resposta por outros canais e das doações pontuais foi 5% superior ao dos demais canais. A taxa de resposta de pesquisa online realizada foi de 11,9%, sobre o número de acessos. è No total de respostas e enriquecimento da base, a taxa de retorno de ambos os pacotes testes foi maior que o do Controle: Saúde voltou 179% mais e Educação 61% mais que o Controle.

No âmbito do programa de marketing direto para captação de recursos para os projetos apoiados pelo UNICEF no Brasil, a entidade realizou um teste em parceria com a AlphaGraphics/ agDirect Marketing. O objetivo era testar o uso de um pacote com dados e oferta personalizados com, por exemplo, nomes gravados dentro das imagens utilizadas na campanha, assim como o uso adicional de uma PURL, ou seja, uma URL personalizada. O UNICEF escolheu trabalhar com doadores já cadastrados, porém inativos. A campanha tinha como objetivo renovar esses doadores pontuais, dando-lhes a opção de converterem-se a doadores mensais.

A metodologia do teste foi baseada na extração de uma base composta por registros parametrizados por data, motivo e valor da última doação, totalizando 8.814 nomes. Dentro deste cenário, esse mailing foi dividido em três universos, sendo um para o Pacote Controle e os outros dois (Saúde e Educação) para o teste – observando-se o tema pelo qual a pessoa se sensibilizou na última vez que fez uma doação ao UNICEF. Após a segmentação, as peças de marketing – como mala-direta, e-mail e hotsite com PURL – foram desenvolvidas sob a ótica do marketing um a um.

Foram definidos os temas Saúde e Educação como ofertas personalizadas. Além da oferta, também foi incluída lâmina personalizada, chamando a atenção do destinatário mesmo com o envelope fechado. Na lâmina havia uma chamada para uma PURL. O Pacote Controle, não personalizado e sem PURL, abordava a questão da Desigualdade Social, usando como exemplo o mesmo projeto mencionado no Pacote Saúde. ROI – Retorno do Investimento: nas doações pontuais, mesmo com uma doação média 4% inferior ao Pacote Controle, o Pacote Saúde obteve uma taxa de retorno 232% maior. Além de renovar mais doadores em números absolutos, aumentando a base de apoio ativa aos projetos, ele gerou uma arrecadação 111% maior que a gerada pelo Pacote Controle. Mesmo com custo superior, o ROI do Pacote Saúde foi 41% maior que o controle.

Nas doações mensais, a taxa de retorno do Pacote Educação foi 106% superior e a doação média foi 11% maior em relação ao Pacote Controle. “O ROI do pacote teste foi igual ao controle em 12 meses, mas leva a vantagem de gerar uma arrecadação 48% maior em 12 meses”, avalia Regina Gerbi, do marketing do UNICEF Brasil. Com respeito ao uso da PURL, é importante mencionar que o universo de teste não era um cadastro oriundo da web. Considerando os acessos realizados nas páginas personalizadas, 28,6% dos internautas fizeram uma doação. O gift médio da doação mensal foi 8% superior ao da resposta por outros canais e das doações pontuais foi 5% superior ao dos demais canais. Além do pedido de doação, a pessoa também era convidada a responder a uma pesquisa que tinha como objetivo alimentar a base de dados com informações estratégicas.

A taxa de resposta da pesquisa online foi de 11,9%, sobre o número de acessos. No total de respostas, a taxa de retorno de ambos os pacotes testes foi maior que o do Pacote Controle: Saúde voltou 179% mais e Educação 61% mais que o Controle. De acordo com Regina Gerbi, “os resultados estimulam experimentar pacotes com oferta e campos importantes personalizados, pois, segundo o teste, além de mais atraentes, esses pacotes podem ser mais efetivos. Também requerem um investimento maior. Então há que se estudar como e para qual target é interessante fazer esse tipo de investimento”.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF está presente no Brasil desde 1950, liderando e apoiando algumas das mais importantes transformações na área da infância e da adolescência no País, como as grandes campanhas de imunização e aleitamento, a aprovação do artigo 227 da Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente, o movimento pelo acesso universal à Educação, os programas de combate ao trabalho infantil e as ações por uma vida melhor para crianças e adolescentes no semi-árido brasilei






















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8ª. Edição do Prêmio Ethos-Valor para produção científica sobre responsabilidade social e desenvolvimento sustentável

O Instituto Ethos, o UniEthos e o jornal Valor Econômico convidam estudantes e professores universitários a discutir o desenvolvimento sustentável e a responsabilidade social empresarial.

O Prêmio Ethos-Valor, em sua oitava edição, visa estimular estudantes e professores universitários a se engajarem na produção científica e em reflexões sobre temas tão atuais como a responsabilidade social empresarial e o desenvolvimento sustentável.

A idéia é estimular que um novo pensamento – mais sustentável, mais justo - paute a formação dos atuais e próximos gestores e profissionais de todas as áreas de conhecimento.

Inscrições
Pré-Inscrição pela internet: de 11 de fevereiro a 17 de março de 2008 Envio dos trabalhos pelo correio: até 18 de março de 2008 Não há limite de inscrições por autor, categoria ou instituição de ensino

Categorias e subcategorias
Professores:
. Plano de Ensino
. Artigo de Pesquisa
. Projeto de Extensão
Estudantes
. Graduação e Cursos Seqüenciais
. Pós-Graduação

Premiação
. Publicação dos trabalhos em livro comercial
. Convite para a Conferência Internacional do Instituto Ethos
. Convite para o Curso de Formação de Multiplicadores da RSE
. Assinatura do jornal Valor Econômico
. Troféu Prêmio Ethos-Valor
. Conjunto de publicações do Instituto Ethos
As premiações variam de acordo com a categoria.

Para mais informações, inclusive para conhecer o regulamento, se inscrever e conhecer os trabalhos premiados nas edições anteriores, acesse http://www.premioethosvalor.org.br ou escreva para premio@uniethos.org.br.

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Os dez erros mais comuns [na RSE]

Ricardo Voltolini *
Publicado pela
Gazeta Mercantil

Nos próximos cinco anos, muitas empresas serão forçadas a reconhecer que seus programas de responsabilidade social impactaram menos do que deveriam nos negócios e não construíram o valor que deles se esperava. Esta é a opinião de especialistas da Anders & Winst Company, importante escritório internacional de consultoria em sustentabilidade. Um modo de evitar frustrações futuras - segundo os analistas - pode ser consertar hoje dez equívocos normalmente cometidos na gestão do conceito.

Didático, e ao mesmo tempo provocativo, o roteiro "O que Não fazer" sintetiza várias reflexões apresentadas nessa coluna ao longo de 2007. Vamos a ele:

1) Falta de visão - Poucas são as companhias que estabelecem uma visão de futuro para a RSE, projetando o que desejam ser num horizonte de 10 anos. A maioria se concentra em respostas para mudanças no presente. Esta visão auto-centrada e de curto prazo, apesar de conveniente, prejudica a construção de um parâmetro mais amplo. Prega a velha sabedoria que quem não sabe aonde chegar acabará mesmo não chegando a lugar nenhum.

2) Resistências às mudanças - As empresas costumam realizar, sem receios, as modificações em práticas e as iniciativas simples demandadas pela RSE de RSE. Fazem bem, portanto, a mudança de pequena escala. O problema está em implantar as de grande escala, que exigem revoluções organizacionais e novas abordagens de gestão. É da essência da RSE buscar novas formas de gerar riqueza. As empresas, no entanto, preferem não deixar a zona de conforto mental, por entenderem que o risco de curto prazo da mudança pode não compensar o ganho negocial de longo prazo gerado por ela.

3) Sub-estratégia - Nas corporações em que o conceito não foi adotado como valor pela principal liderança, a RSE acaba sendo função de departamentos específicos, sem nenhuma conexão com a estratégia do negócio e a gestão da companhia. Se o conceito não se encontra no cerne do negócio, as tomadas de decisão focadas em sustentabilidade tendem a ser superficiais, frágeis e com pequeno alcance. Minimizam os efeitos mas não dão conta das causas das pressões sociais e ambientais que as empresas enfrentam hoje.

4) Visão pouco sofisticada do conceito - Muitas empresas conhecem o conceito até o capítulo dois. Na falta de uma compreensão mais aprofundada, não conseguem distinguir entre duas funções da responsabilidade social: proteger os ativos mediante a adoção de atitudes socioambientalmente responsáveis e criar valor por meio de inovação em produtos e serviços. Acabam preferindo a primeira, mais simples, menos desafiadora. Esquecem-se de desenvolver capacidade instalada para superar o desafio da segunda.

5) Inabilidade para ouvir stakeholders - Embora o relacionamento com as partes interessadas seja elemento comum nos discursos de RSE nem todas as empresas estão preparadas para fazê-lo com a intensidade que a tarefa exige. Faltam, sobretudo, políticas mais claras, canais apropriados e instrumentos capazes de escutar, compreender e incorporar na gestão do negócio o que pensam e querem os stakeholders.

6) Velhas competências gerenciais - Sustentabilidade significa construir o futuro no presente. As mudanças necessárias para a implantação do conceito no negócio exigem novas competências gerenciais, como, por exemplo, estabelecer interação produtiva com as partes interessadas. E elas andam em falta. Não é possível atender às demandas do futuro usando habilidades, ferramentas e modelos de pensamento do passado.

7) Abordagem globalizada - No caso das empresas globais, a maioria dos programas obedece à agenda da matriz. A uniformização é um equívoco, tanto porque aposta na falsa idéia de que existe uma receita quanto porque atropela um dos conceitos inerentes à RSE: a diversidade. Sem respeito às diferenças de cada país ou comunidade, os programas tendem a soar descolados da realidade na qual deveriam se inspirar.

8) Abordagem desigual - Em muitas companhias, as práticas de RSE funcionam bem para uma área e não para outras. É o caso, por exemplo, da empresa que faz controle de emissão de carbono mas continua lançando resíduos nos rios de uma comunidade ou fazendo vistas grossas para o trabalho infantil. Essas contradições sustentam uma percepção da sociedade de que as ações sustentáveis ocorrem por conveniência e não por convicção.

9) Orientação top-down - As empresas impõem seus programas de cima para baixo, sem o envolvimento de funcionários e colaboradores no processo. Um dos efeitos mais ruins da gestão não-participativa é que ela afasta o compromisso, desperdiça a potencial energia de colaboração e desestimula a circulação de idéias necessárias para criar cultura interna de sustentabilidade.

10) Incapacidade de focar a inovação - A falta de visão de futuro, a abordagem sub-estratégica e a persistência de competências gerenciais empoeiradas acabam colocando a RSE muito mais no campo do risco (proteção de ativos) do que no da oportunidade (criação de valor). As empresas falham ao deixar de ver a sustentabilidade como processo contínuo de inovação de modelos de gestão e estratégias de negócio. Este é um equívoco presente que pode custar caro no futuro.

* Ricardo Voltolini - Publisher da revista Idéia Socioambiental e diretor de Idéia Sustentável.
E-mail:
ricardo@ideiasocioambiental.com.br

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Arrecadação de municípios cresce mais que a de Estados

De São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba
Publicado pelo Valor Online em 18/02/08

A combinação de crescimento econômico, maior controle da arrecadação e maturação da legislação que restringe os espaços para a guerra fiscal municipal ajudou a elevar o caixa dos municípios em 2007. No ano passado, a arrecadação de muitas capitais com seu principal tributo - o Imposto sobre Serviços (ISS) - aumentou muito acima do crescimento do respectivo Estado com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Em São Paulo, o ISS foi 16,2% maior, enquanto o Estado recolheu 9,3% mais de ICMS, sem descontar a inflação. Em Minas Gerais, o ISS da capital cresceu expressivos 21,5%, enquanto o governo estadual recebeu 13,5% a mais de ICMS, também em valores nominais.

Em Belo Horizonte, mudanças na legislação para coibir a guerra fiscal ajudaram a compor o aumento nominal de 21,5% na arrecadação. Um decreto do ano passado permitiu que o ISS seja retido pelo tomador de um serviço prestado por empresa registrada em endereço fictício fora da cidade. Por força desta lei, 360 empresas registradas em endereços falsos foram identificadas e seus clientes foram obrigados a reter o imposto em Belo Horizonte, onde a alíquota de ISS varia entre 2% e 5%. A cidade do Rio de Janeiro também credita parte do seu aumento de 16% no recolhimento de ISS a um sistema de rastreamento de empresas com endereço em outros municípios mas que prestam serviços na cidade.

A arrecadação própria vem ganhando importância dentro das receitas municipais. De 2003 a 2006 (últimos dados consolidados pelo Tesouro Nacional), o ISS teve crescimento de 47,1%, enquanto o repasse de ICMS cresceu 20,43%. Em São Paulo, o ISS já supera o valor recebido pela cidade como cota-parte do ICMS estadual. A mudança na capital paulista começou em 2006, quando a arrecadação de ISS ficou cerca de R$ 600 milhões acima da transferência de ICMS. Em 2007, a diferença saltou para R$ 1 bilhão.

Nas capitais do Sul, o crescimento da construção civil ajudou a elevar a arrecadação e em todas elas o crescimento com ISS foi superior ao do ICMS estadual. No conjunto do país, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor de serviços cresceu 4,7% até setembro, um pouco abaixo do ritmo do PIB total. O repasse de preços no setor alcançou 5,2% - mais intenso que os 4,45% do conjunto da economia.

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Para não ter surpresas, assuma o comando sem desculpas

Luis Augusto Lobão Mendes *
Publicado pelo Valor Online em 18/02/08

Um bom sistema de gestão permite ao executivo monitorar performances, antecipar problemas e intervir seletivamente, sem camadas burocráticas. Se todos na empresa tomassem as decisões gerenciais corriqueiras de comum acordo, ninguém poderia os deter. Acontece que bem poucas pessoas têm esse comportamento na tomada de decisões. A maioria fracassa, não por falta de talento ou de visão estratégica, mas por erros na execução do rotineiro corpo-a-corpo- se ele é consistente, as coisas acabam acontecendo de maneira pró-ativa e garantindo os resultados.

Existem vários mecanismos para promover a gestão por resultados nas organizações, mas um dos mais importantes é estabelecer metas e desdobrá-las por unidades de negócio, áreas, equipes e pessoas. Nesse contexto, é fundamental que todos estejam alinhados.

O sistema de metas avisa quando alguma coisa está dando errado, facilitando o acesso imediato aos dados das áreas que nos preocupam. Sou um grande defensor da gestão "walking around" (passeando pela empresa) e, recomendo que os executivos reservem tempo da sua agenda para caminhar, conversar com as pessoas e verificar, pessoalmente, as condições de trabalho, em vez de isolar-se no conforto do escritório. Pode ser muito útil na eliminação dos filtros e distorções da realidade. O sistema de metas permite a prática do MBWA (Management by Walking Around ) ou a gestão "passeando pela empresa" de uma maneira mais eficaz. Examinando o banco de dados e dando alguns telefonemas, o executivo pode inteirar-se do que se passa na empresa e antecipar ações para garantir o resultado, gerindo a operação.

Você já pode estar reclamando, dizendo que não tem tempo para trabalhar nesse nível de detalhes, e que possivelmente perderá o foco no estratégico ao ocupar-se em demasia desta "microgestão". Na verdade, estar no comando de detalhes não significa interferir onde você não é chamado. Coletar informações, revisá-las regularmente e compartilhá-las amplamente é um hábito que permite praticar a gestão por exceção no seu sentido mais verdadeiro. Desde que nos limitemos a dar apoio para garantir um resultado relevante - não dizer o que deve ser feito, mas aportar recursos. Interferir para resolver problemas e defender projetos urgentes, e não apenas fazer cobranças.

A alta direção não funciona sem um controle meticuloso dos detalhes de seu negócio. Acredito que nenhum CEO pode se proclamar responsável pela organização, a menos que, em 15 minutos, seja capaz de responder às seguintes questões: Qual o rendimento por empregado de sua empresa? Como suas cifras comparam-se com as de seus competidores? Qual o rendimento por empregado em cada uma das linhas principais de produtos? O que explica as recentes tendências em cada linha? Qual o nível médio de qualidade final de cada linha de produção? Quantas encomendas apresentam falhas? Quais são os executivos que se destacam e quais os de baixa performance, e por quê? Quais departamentos têm maior capacidade de recuperação após um grande choque competitivo, e quais os mais vulneráveis a mudanças? Qual a produção, os custos, e períodos do ciclo de cada operação de fabricação? O que explica o valor da empresa no mercado de ações, em relação aos seus competidores?

Ou você está no comando ou vai precisar de muitas desculpas, justificativas e explicações, ao final do mês, quando estiver fazendo a autópsia dos resultados.

* Luis Augusto Lobão Mendes é professor da Fundação Dom Cabral

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Marcelinas gerem saúde de R$ 403 milhões

César Felício
Publicado pelo
Valor Online em 18/02/08

Rosane Ghedin: paranaense de 37 anos, formada pela FGV, comanda grupo de 35 irmãs que tem carta branca no governo Serra e respeito dos petistas
Foto Davilym Dourado / Valor


O orçamento sob seu controle é superior ao de 4.758 municípios no país. Por seus domínios já passaram todos os presidentes eleitos desde a redemocratização. Têm franco acesso ao gabinete do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e percorrem, com seu hábito branco, os gabinetes ministeriais e financeiros para manter um complexo que inclui quatro hospitais, 16 ambulatórios de assistência médica e 58 unidades do Programa de Saúde da Família.

São 35 as irmãs da Congregação Marcelina que administram uma soma anual de R$ 403,6 milhões de recursos públicos na área da Saúde. É dinheiro da União, por meio do SUS, do Estado e do município de São Paulo. Dos quatro hospitais, três são organizações sociais (OS) e geridos de maneira independente do Hospital próprio - o modelo têm algum parentesco com o modelo de fundação pública de Saúde proposto pelo ministro José Gomes Temporão. São veneradas pelos tucanos paulistas e respeitadas pelos petistas.

Paranaense de 37 anos e consagrada freira há 17, a irmã Rosane Ghedin comanda a organização desde 2005. Como instituição filantrópica, a Congregação praticamente não conta com receita própria. Nos primeiros anos de seu mandato como administradora do complexo, irmã Rosane percorreu gabinetes em busca de ajuda para reestruturar financeiramente o Hospital Santa Marcelina, que chegou a acumular uma dívida de R$ 57 milhões em 2005.

Irmã Rosane teve a ajuda do então cardeal de São Paulo, dom Claudio Hummes, para ser recebida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O contato com petistas amigos foi usado para conseguir uma audiência com o então presidente do BNDES, Guido Mantega, na tentativa de, sem sucesso, refinanciar uma linha de crédito de R$ 10 milhões com o banco estatal. Com os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin - atual e ex-governador de São Paulo, respectivamente -, o contato sempre foi fácil e a irmã contou com subvenções.

Com o saneamento da instituição encaminhado - hoje, a dívida é de apenas R$ 8,8 milhões - as irmãs ampliaram a sua atuação e foram batalhar por recursos no Orçamento da União. O rol dos deputados amigos da Congregação na hora da apresentação de emendas é eclético: vai do PTB de Ricardo Izar e Arnaldo Faria de Sá ao PSDB de Vanderlei Macris e o PT de Paulo Teixeira, na Câmara. Na Assembléia Legislativa, conta com a boa vontade, entre outros, dos petistas Simão Pedro e Adriano Diogo. Foi graças a uma emenda do último, por exemplo, que as irmãs puderam pagar o décimo-terceiro salário de seus funcionários.

O ecletismo das relações políticas das Marcelinas não esconde, contudo, um entrosamento maior das freiras com o PSDB. "A aproximação delas com Serra e Alckmin é umbilical. Temos consciência disso. Mas as irmãs merecem ajuda pela maneira que tentam ampliar os critérios de atendimento do SUS. Sempre brigaram para ampliar os níveis de cobertura pública. Agora o prestígio delas é usado pelo governo tucano para blindar o modelo de organizações sociais, que é questionável", afirma Diogo.

Está no gigantismo da estrutura das irmãs Marcelinas parte do lastro que garante o trânsito político às religiosas. Fundado em 1961, o hospital Santa Marcelina, com 750 leitos, é a única porta de entrada para o atendimento médico entre os cerca de 200 mil moradores do bairro de Itaquera. Faz, por ano, 900 mil atendimentos de pronto-socorro, internações e consultas. Nada menos que 86% são feitos pelo SUS. "É o verdadeiro Hospital das Clínicas da Zona Leste", comenta o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), autor de uma emenda no Orçamento da União que destina R$ 1 milhão para a manutenção da entidade. "Há três outras grandes entidades filantrópicas de Saúde na cidade: Santa Casa de Misericórdia, Hospital Santa Catarina e Hospital São Paulo. Mas a única que está em uma região carente é o hospital das Marcelinas", explica.

O entrelaçamento entre o trabalho religioso e a política parece ser uma vocação das irmãs. Santa Marcelina, a inspiradora da ordem, uma romana que viveu no século IV, era filha do governador da Gália e irmã de dois prefeitos de Milão. Em sua vida virtuosa, cuidou da educação dos irmãos Ambrósio e Sátiro e os auxiliou na administração pública.

Nos anos 80, entusiasmado com o modelo cubano de assistência domiciliar, o então governador Orestes Quércia (PMDB) negociou com as irmãs a implantação na Zona Leste de 17 equipes do que viria no futuro a se transformar no programa Saúde da Família.

A experiência chamou a atenção do mundo político. Em 1989, Fernando Collor visitou o Santa Marcelina poucos meses antes de ser eleito e deixou-se fotografar ajoelhado, rezando junto às madres. No ano seguinte, mandou o então ministro da Saúde, Alceni Guerra, tratar de subvenções. A ligação com o mundo tucano começou em 1995, quando, no afã de cortar despesas para ajustar financeiramente o Estado, o governador Mário Covas teve a idéia de acabar com o programa de assistência desenvolvido pelas irmãs sob a égide do quercismo.

Depois da mobilização das freiras e da decisiva atuação do então ministro da Saúde, Adib Jatene, o governador não só manteve o programa como ampliou sua escala: o embrião nascido no governo Quércia transformou-se no Projeto Qualis: na prática, o governo estadual assumia a atenção básica à Saúde em São Paulo, com recursos federais, tendo nas irmãs Marcelinas um dos braços operadores. O lançamento do programa foi feito pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, em visita ao hospital.

Nos anos 90, São Paulo havia ficado excluída do SUS, já que os prefeitos Paulo Maluf e Celso Pitta investiram em um programa paralelo, o PAS, uma espécie de modelo de auto-gestão dos estabelecimentos de Saúde que resultou em fracasso completo. Hoje, sob o formato de Programa Saúde da Família, as Marcelinas administram 58 unidades, recebendo R$ 68 milhões de recursos públicos.

Do Qualis, Covas convidou as irmãs para uma parceria em uma empreitada até então inédita: a administração de um hospital público, dentro do recém-criado modelo de organização social. O Hospital do Itaim Paulista, em 1998, fez parte da primeira leva de estabelecimentos estaduais geridos por organizações sociais. Até hoje, o estabelecimento é gerido pelas irmãs, que recebem R$ 59 milhões por ano do governo estadual para mantê-lo. Em 1999, Covas deu para administração das irmãs outro hospital, o de Itaquaquecetuba, que hoje consome R$ 49 milhões anuais. O pioneirismo foi estendido para o âmbito municipal. Ao criar o modelo paulistano de organização social, no fim de seu governo de 14 meses como prefeito de São Paulo, José Serra encarregou as Marcelinas de tocarem o Hospital Cidade Tiradentes, que deve consumir recursos de R$ 69 milhões em seu primeiro ano de funcionamento.

A ascensão de Alckmin ao governo de São Paulo, em 2001, e de Lula ao governo federal, em 2003, coincidiu com a crise da entidade, que a levou a cortar serviços essenciais como a fisioterapia e a psiquiatria do hospital de Itaquera. A defasagem da tabela do SUS até hoje é apontada como a vilã da crise.

Irmã Rosane nega, com veemência, qualquer trânsito entre o dinheiro público destinado às organizações sociais e a manutenção do hospital de Itaquera. "Não há vasos comunicantes. Jamais a matriz recebeu benefícios financeiros por assumir a administração de outros hospitais", diz a religiosa.

Foi sob a gestão da irmã Tereza Lorenzzoni, que antecedeu irmã Rosane, que a Congregação começou a negociar com os parceiros públicos e privados o equacionamento da dívida. Conseguiu com o então ministro da Saúde, Humberto Costa, o aumento do repasse dos recursos do SUS, mas, o fundo do poço chegou no começo de 2005, quando os médicos da instituição que atendiam o programa Saúde da Família entraram em greve por falta de pagamento.

"Aquilo foi um problema do governo Marta, que não era voltado para a Saúde. O governo municipal fechou o caixa antes de efetuar o último pagamento devido e nós tivemos um vácuo em janeiro de 2005, na transição de um governo para o outro", comenta irmã Rosane. Técnicos ligados à administração da ex-prefeita petista e hoje ministra do Turismo, Marta Suplicy, sustentam que o pagamento do convênio com as irmãs Marcelinas foi feito regularmente.

Semanas depois do pico da crise, em março de 2005, irmã Tereza foi substituída por Rosane Ghedin, formada em administração hospitalar pela Fundação Getúlio Vargas. A direção do hospital nega que a troca ocorreu por pressão de credores e argumenta que a prova é que a antiga administradora ainda hoje responde pela direção financeira da organização.

As freiras não entram em detalhes sobre a renegociação financeira. Lacônica, irmã Rosane só afasta a hipótese de suas ligações políticas terem facilitado no diálogo com os bancos. "Negociar com os bancos privados foi muito mais fácil do que com os bancos públicos. Os juros que a Nossa Caixa cobra não são negativos", diz, referindo-se ao banco estadual.

Irmã Rosane admite que a decisão no ano passado do governador José Serra de assumir a manutenção do ambulatório de especialidades representou um alívio mensal de R$ 1 milhão. E que a rede de AMAs, uma espécie de posto de saúde criado pela gestão municipal tucana para ser a marca da administração Serra/Kassab desafogou o setor de pronto socorro do hospital sede. As Marcelinas administram 15 AMAS por convênio e outras três como organizações sociais, recebendo R$ 29 milhões por ano.

As Irmãs Marcelinas estão em dia com seus credores, mas o saneamento não terminou. "Continuamos com um déficit de R$ 2 milhões mensais. Precisamos sempre recorrer a verbas adicionais", afirma a irmã. O repasse da União para o Hospital Santa Marcelina é da ordem de R$ 132 milhões anuais.

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Instituto HSBC abre inscrição para apoio a projetos

Publicado pelo Pauta Social em 15/02/08


O Instituto HSBC Solidariedade, braço de sustentabilidade do Grupo HSBC no Brasil, abre nesta semana, seleção para investimento em projetos sociais. Serão avaliados e selecionados projetos com foco na educação, que busquem reforçar e promover os direitos da criança e do adolescente, por meio de projetos aprovados nos Conselhos dos Direitos da Infância e Adolescência.

Nesta seleção será investido R$: 1 milhão em 15 projetos que envolvam preferencialmente as seguintes linhas de ação: redução e combate a violência doméstica, pesquisa e incentivo a confecção do registro civil, redução da mortalidade infantil, combate da exploração sexual e da pedofilia, redução, conscientização ou tratamento de doenças, redução ou prevenção dos índices de moradia de rua por crianças e adolescentes, aumento dos índices de retorno familiar ou adoções de crianças em situação de abrigamento, exploração do trabalho infantil, tratamento de crianças e adolescentes em situação de drogadição, oferta de cursos técnicos e aumento da escolarização. Cada projeto poderá receber até R$ 70 mil e será apoiado durante 12 meses.

Serão aceitos projetos sob responsabilidade de organismos não governamentais e comunitários, legalmente constituídos no país, sem fins lucrativos, que atuem no Terceiro Setor e que estejam aprovados nos Conselhos dos Direitos da Infância e da Adolescência, permitindo assim, a doação dirigida. Organismos governamentais podem apresentar projetos por meio de suas fundações e associações.

A requisição dos formulários de inscrição e o recebimento dos projetos devem ser feitos pelo e-mail hsbc.solidariedade@hsbc.com.br, até 30 de março de 2008. O Instituto HSBC Solidariedade analisará as melhores propostas até essa data e divulgará os nomes dos selecionados a partir de 16 de junho de 2008 no site do Instituto HSBC Solidariedade: www.porummundomaisfeliz.org.br.

Essa iniciativa, de incentivo a projetos por parte do Instituto HSBC Solidariedade, faz parte da política da organização e do Grupo HSBC no Brasil e no Mundo, que prima pela realização de ações relacionadas aos seus três focos de atuação no Brasil e no mundo: Educação, Meio Ambiente e Comunidade. Seu objetivo primordial é de contribuir efetivamente para melhorar a formação integral do ser humano, valorizando ações que promovam a ética, a autonomia, o conhecimento, a liderança, a solidariedade e a sustentabilidade.

Instituto HSBC Solidariedade: transformando vidas e lugares por um mundo mais feliz. Para mais informações visite o site: www.porummundomaisfeliz.org.br.

O Instituto HSBC Solidariedade é o braço estratégico do investimento social do grupo no Brasil. Estruturado para atuar de forma independente e com gestão própria, o Instituto HSBC Solidariedade tem por objetivo gerir o investimento social aplicando seus recursos em projetos estruturados nas áreas de Educação, Meio Ambiente e a Geração de Renda para a Comunidade, pilares da ação social do HSBC em todo o mundo. Em 2007, foram priorizados temas como escolas rurais, energias renováveis, capacitação profissional para pessoas com deficiência, geração de renda para mulheres e jovens de baixa renda com investimento de mais de R$ 10 milhões em 174 projetos, que beneficiaram direta e/ou indiretamente, mais de dois milhões de pessoas por todo o país.

O HSBC Bank Brasil S.A. é uma subsidiária integral da HSBC Holdings, um dos maiores conglomerados financeiros do mundo. Com sede em Londres, o Grupo HSBC atua em 82 países das Américas, Europa, Ásia, Oriente Médio e Oceania. Em 31 de dezembro de 2006 somava ativos totais de US$ 1,86 trilhão.

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Responsabilidade socioambiental de bancos está abaixo do propagandeado

Publicado pela Envolverde em 14/02/08

Avaliação realizada pelo Idec demonstra que o consumidor ainda passa por problemas básicos junto aos bancos, como a não entrega de contrato e o não acompanhamento de suas reclamações

Em sua terceira pesquisa sobre responsabilidade social de empresas - as outras duas foram sobre camisetas de algodão e margarinas e achocolatados -, o Idec avaliou o discurso dos oito maiores bancos de atuação nacional (com mais de 1 milhão de clientes, exceto os estaduais) e o resultado não surpreendeu: os melhores colocados (ABN Amro Real e Bradesco), obtiveram apenas a classificação "regular"; os piores (Santander e Unibanco), ficaram pouco acima da pior classificação, "péssimo", no limiar da nota "ruim"; já no bloco intermediário, na faixa "ruim", estão, pela ordem, Itaú, Banco do Brasil, Caixa Econômica e HSBC (veja gráfico em http://www.idec.org.br/imagens/grafico_rse_bancos.gif).

Apesar de estar presente na propaganda e até em produtos do setor financeiro, a parte decisiva onde a responsabilidade social é realmente exercida, na relação com os consumidores, continua mal.

O estudo*, com 69 questões, avalia também a atuação dos bancos em relação aos trabalhadores e ao meio ambiente. Juntamente com o bloco de questões Consumidores (que representou 40% da nota final), Trabalhadores e Meio Ambiente (com 30% da nota cada) compuseram as notas utilizadas na pontuação.

Se considerarmos a pontuação por cada bloco de questões (confira tabela em http://www.idec.org.br/arquivos/tabela_rse_bancos.pdf), os resultados são os seguintes: no primeiro bloco, Trabalhadores, o mais bem avaliado foi o Itaú, enquanto o pior foi o Unibanco; já no bloco Meio Ambiente, a melhor colocação ficou com o ABN Amro, e a pior, com o Santander; no bloco Consumidores, cuja avaliação também se baseou em resultados de cinco pesquisas de campo, já publicadas na Revista do Idec ao longo de 2007, o melhor colocado foi o Banco do Brasil, e os piores, Unibanco, Santander, HSBC e Itaú.

O estudo, exceto na parte referente aos Consumidores, se baseou na resposta das próprias instituições, de modo que não cabem críticas dos bancos às suas notas finais, alegando que o Idec não considerou tais políticas ou produtos e serviços.

Por ser a primeira pesquisa do Idec sobre o tema, junto ao setor financeiro, é possível prever que os critérios para as próximas avaliações serão ainda mais rígidos.

Para desenvolver o estudo, o Idec contou com a colaboração de algumas instituições parceiras, como Amigos da Terra, Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT), DIEESE, Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), Centro de Pesquisa de Empresas Multinacionais da Holanda (SOMO), entre outras. Para a próxima avaliação, o Idec pretende desenvolver um trabalho ainda mais sistematizado com essas instituições.

* Íntegra do estudo: http://www.idec.org.br/arquivos/RSE_bancos_RelatorioFinal.pdf

(Envolverde/ IDEC)

© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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Em falta, sucata fica mais cara para indústria

Samantha Maia
Publicado pelo
Valor Online em 15/02/08


Gabriella Michelucci, gerente regional da Klabin, em São Paulo: empresa reduziu uso de aparas de papel no ano passado depois que o preço aumentou 70%
Foto Anna Carolina Negri /Valor


A reutilização de materiais recicláveis - alumínio, papel, vidro e plástico - começou como uma atividade marginal na economia. Hoje, contudo, a sucata ganhou uma importância para a indústria que não parece compatível com a informalidade dos catadores de papelão e de latinhas de cerveja que circulam pelas cidades. Com a falta de uma coleta eficiente e a entrada de novos compradores, a indisponibilidade de materiais recicláveis no mercado nacional tem inflacionado os preços e desafiado as empresas que já incorporaram o uso de matéria-prima reciclada à produção, seja pela economia de custo com energia, seja pela maior oferta de fornecedores.

Dos quatro recicláveis, o papel é o único que ainda possui uma vantagem de preço significativa em relação à matéria-prima original, a fibra de celulose. Mesmo assim, em março e abril do ano passado, a Klabin reduziu a participação das aparas de papel nos seus produtos devido à alta de 70% do valor do material, resultado do desequilíbrio entre oferta e demanda. Faltou lixo para atender ao aumento da produção, e o preço da caixa de papelão - o produto final - cresceu em média 17,6%, segundo levantamento da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).

A Klabin não informa o quanto compra de aparas, mas a empresa possui capacidade para reciclar 380 mil toneladas de papel por ano. "A apara é resultado final da produção e matéria-prima ao mesmo tempo. Quando a produção cresce, a indústria busca mais matéria-prima e falta aparas, pois a produção antes era menor", diz Gabriella Michelucci, gerente regional da Klabin.

Por conta de outras vantagens, como a maior variedade de fornecedores e a redução do uso de energia, o preço mais alto da sucata ainda não afetou o interesse das empresas em reciclar. Muitas delas têm buscado matéria-prima fora do país, como no caso dos setores de papel e alumínio. No ano passado, a importação de aparas aumentou 115% em relação a 2006. Foram 28 mil toneladas de papel para reciclar entrando no país para cobrir o déficit causado pela ausência de coleta seletiva frente a 13 mil toneladas em 2006. Hoje, o índice de reciclagem de papel no país está em 45%.

Mesmo para quem usa alumínio (que alcança níveis de reciclagem em torno de 95% ), falta material. A produção de latas cresceu 14% em 2007, ano em que também surgiu um novo consumidor da sucata, a indústria de pó de alumínio para uso como combustível. Como conseqüência, a latinha passou por períodos de alta do preço, chegando a custar R$ 4,6 mil a tonelada no começo de 2007, frente a R$ 3,25 mil hoje, segundo Henio de Nicola, coordenador da Comissão de Reciclagem da Associação Brasileira do Alumínio (Abal).

O aumento da importação em 2007 ajudou a amenizar a pressão inflacionária de demanda. São recicladas por ano cerca de 140 mil toneladas de latinhas de alumínio. Em 2007, as importações do material chegaram a 104 mil toneladas, quase o dobro de 2006, quando entraram no país 55 mil toneladas. Esse movimento, somado ao maior consumo de latas no verão, derrubou os preços da sucata em 30%, e hoje ele representa 84% do valor pago pelo alumínio primário.

Não é uma diferença representativa, segundo Marcelo Almeida, gerente de planejamento e comercialização de metal da Novelis, fabricante de chapas de alumínio. A diminuição de 95% do uso de energia que o alumínio reciclado permite, porém, é o fator decisivo na hora de escolher entre uma matéria-prima e outra. "Desde que o preço seja equivalente, preferimos comprar a sucata ao alumínio primário", diz.

A empresa compra 50% das latinhas coletadas no país e importa mais um tanto para completar a sua capacidade de reciclar 115 mil toneladas de alumínio por ano. Sem o uso de latinhas, ela precisaria ampliar sua geração própria de energia, que hoje alimenta 60% de seu consumo.

O vidro reciclado também é usado como forma de diminuir a dependência energética das empresas. A cada 10% de caco reciclado, reduz-se em média 4% o consumo de energia nos fornos. A Companhia Industrial de Vidros (CIV) compra 5 mil toneladas por mês de cacos em todo o Nordeste, o que representa 50% da produção. Seu objetivo é chegar a 100%. "Mas nem sempre conseguimos manter o número já atingido, por falta de material", diz Wilson Cohls, consultor da empresa.

A dificuldade em obter sucata faz com que o índice de reciclagem de vidro esteja estagnado em 45% há três anos. Hoje a Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro) estima que até 50% do vidro para reciclagem vem das indústrias de envase e não da coleta. Diferente dos demais materiais, o preço do vidro não varia conforme a demanda e por isso não funciona como alavanca para a coleta. Ele é calculado com base nos valores dos componentes do vidro, como a areia e o calcário. Atualmente, a tonelada da sucata custa R$ 150.

A volatilidade dos preços de recicláveis como o papel e o plástico exige das empresas estratégias para conseguir margens em que os preços do produto final não sejam afetados. O valor da sucata de papel, por exemplo, sofre variações de até 100% durante um ano. Hoje ele está no período de baixa, por volta de R$ 350 e R$ 400 a tonelada. Na alta de 2007, o preço da tonelada quase chegou aos R$ 600.

Desde o segundo semestre do ano passado o preço da garrafa PET não é mais competitivo em relação à resina virgem. Em dois anos, ela deixou de ser quase metade do preço do produto original para ficar equivalente. O fardo de PET limpas e prensadas é vendido hoje a R$ 1,2 mil por tonelada, frente a R$ 700 em 2006. Mesmo o preço não sendo o mais atrativo, a resina reciclada continua como a opção preferida de muitas empresas. Motivo? A maior disponibilidade de fornecedores. São cerca de 70 recicladores, produzindo 194 mil toneladas/ano de resina a partir das garrafas PET, frente a apenas um produtor nacional de resina virgem, a M&G - com produção de 450 mil toneladas da matéria-prima por ano.

Para manter 100% da produção com matéria-prima reciclada, a Unnafibras, fabricante de fibra de poliéster para tecidos a partir de garrafas PET, recorre à compra da sucata em todo o país. São 2,5 mil toneladas de garrafas por mês vindas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Estados do Nordeste. O frete encarece o quilo em cerca de R$ 0,20, valor, que segundo José Trevisan Júnior, diretor da Unnafibras, compensa para manter o ritmo de reciclagem.

A saída encontrada pela Unnafibras para lidar com a instabilidade da oferta e de preço da PET foi investir no estoque de até três meses. "Nunca faltou sucata, mas temos de olhar com antecedência, porque comprar o lixo é diferente de comprar de um produtor, que tem garantias, previsibilidade", diz Trevisan Júnior. Em 1996, quando a Unnafibras iniciou suas operações, apenas 20% da matéria-prima derivava da reciclagem de garrafas PET. Hoje, a empresa não cogita recorrer ao uso de resina virgem. "A PET nos dá autonomia das grandes corporações, por isso damos tanta importância à coleta, onde há espaço para crescer."

São recicladas hoje 51% das PETs fabricadas no país. O que tem impedido esse índice de crescer com mais força é a falta de coleta. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), as recicladoras trabalham com 40% de ociosidade, e diferente do papel, a sucata de PET não pode ser importada.

A situação preocupa, porque a concorrência para a compra do material deve se acirrar em breve. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem até o dia 11 de maio para liberar o uso da resina reciclada na produção de embalagens de alimento. Até agora, ela é usada apenas pela indústria têxtil e de produção de fibras para vassoura e cordas, por exemplo.

A possibilidade de lidar com mais fornecedores e variar o material usado como matéria-prima também é uma ferramenta importante da indústria de papel higiênico. O preço da fibra de celulose e das aparas são flutuantes e dependendo do momento, utiliza-se mais uma do que outra na fabricação das versões de folha simples. "Essa flexibilidade dá margens de competitividade", diz Pedro Coletta, diretor de supply chain da Kimberly-Clark Brasil.

A empresa compra de 2 mil a 5 mil toneladas de aparas por mês, e, segundo o diretor, como o mercado inteiro hoje utiliza a sucata, não dá mais para abrir mão do recurso. "Já utilizamos bem menos aparas na nossa produção, mas num momento em que todas as empresas usavam menos. Hoje o cenário é diferente", diz.

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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Companhias preparam-se para a era da internet pelo celular

Talita Moreira
Publicado pelo
Valor Online em 13/02/08

A internet pelo celular é uma promessa há vários anos, mas nunca foi além de um acesso limitado a algumas páginas da web. Agora, a coisa está mudando de patamar - e as companhias de telecomunicações e tecnologia estão se preparando para isso.

"A grande novidade é a internet", afirmou ontem o presidente da operadora Vodafone, Arun Sarin, numa apresentação durante o Mobile World Congress, realizado em Barcelona. "Finalmente existe demanda para esses novos serviços."

A expansão das redes de terceira geração (3G) da telefonia móvel, capazes de transmitir dados em alta velocidade, a chegada de aparelhos com alta capacidade de computação e a demanda dos usuários por conteúdos multimídia estão proporcionando a combinação que faltava para o verdadeiro acesso à internet pelo celular.

Já existem mais de 200 redes de terceira geração instaladas no mundo, das quais 174 turbinadas com HSDPA, tecnologia que possibilita acelerar o tráfego de dados. A maioria dessas operadoras instalou redes que permitem alcançar velocidade de 3,6 megabits por segundo (Mbps), mas muitas estão dobrando a capacidade ou já estão chegando ao mercado com ofertas mais rápidas do que boa parte dos usuários de banda larga consome hoje nas redes fixas.

A Vodafone, por exemplo, anunciou ontem que irá testar uma atualização de sua infra-estrutura para chegar a 28,8 Mbps.

A operadora japonesa NTT DoCOMo encomendou equipamentos da Ericsson com o objetivo de turbinar sua rede para até 160 Mbps - o que já a colocaria na quarta geração.

Diante desse cenário, as operadoras e os fornecedores de conteúdo estão acirrando a disputa pelo consumidor que quer reproduzir nos aparelhos móveis os mesmíssimos recursos da internet que tem em seu computador - download de músicas e vídeos, acesso a e-mail, mensagens instantâneas etc.

"Os assinantes [das empresas de celular] têm a expectativa de conseguir mover o conteúdo que têm em seus PCs para aparelhos móveis", destacou Sarin.

A corrida da indústria para permitir que isso aconteça já começou. Na segunda-feira, durante o evento em Barcelona, a GSM Association (GSMA) - entidade que reúne operadoras e fabricantes - anunciou a Dell e a Elitegroup Computer Systems (ECS) como as vencedoras de uma competição para desenvolver o notebook mais barato com acesso à banda larga móvel.

As duas companhias apresentaram modelos com custo inferior a US$ 800, equipados com modems para conexão com redes de terceira geração.

Na manhã de ontem, o presidente da GSMA, Rob Conway, afirmou estimar que o mercado potencial para esse tipo de notebook é de 70 milhões de unidades, ou US$ 50 bilhões anuais.

Entre os fabricantes tradicionais de aparelhos móveis, a Nokia também surpreendeu ao anunciar o lançamento de um celular com 16 gigabytes de memória interna - o dobro da capacidade do modelo mais sofisticado do iPhone, da Apple.

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O Google e o Yahoo estão acompanhando esse movimento firmando parcerias com operadoras de telefonia
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As companhias de internet, como o Google e o Yahoo, acompanham o movimento firmando parcerias com as operadoras de celular . Não é por acaso que todas as empresas querem ao menos um pedacinho desse mercado. O tráfego de dados via redes móveis dobra a cada ano, observou o principal executivo da Cisco, John Chambers. "A mobilidade vai mudar os negócios e o estilo de vida das pessoas", avaliou.

Na Vodafone, que atua em 17 mercados, a receita com dados cresce 40% ao ano, segundo o presidente da operadora.

"O mundo é um hotspot", brincou o presidente da Qualcomm, Paul Jacobs, referindo-se aos pontos de acesso de redes sem fio.

Agora que as questões tecnológicas parecem ter sido resolvidas, o desafio é outro: popularizar a banda larga móvel.

Existem 3,3 bilhões de usuários de celular no mundo, mas até agora somente uma pequena parcela tem acesso à internet rápida por meio de redes sem fio.

"Como fazer isso?", indagou Sarin. "A demanda por internet e serviços de internet no mundo em desenvolvimento vai crescer rapidamente. Será a primeira vez que muitas pessoas nesses países terão contato com a internet. Estamos em fases diferentes, mas todos estamos indo na mesma direção", afirmou.

Os fornecedores estão trabalhando no barateamento de aparelhos móveis de baixo custo, assim como fizeram em relação aos celulares voltados para os serviços de voz. Nesse caso, há terminais da chinesa ZTE ao custo de US$ 25.

Assim como fez com os fabricantes de computadores portáteis, a GSMA criou um concurso para o aparelho de 3G mais barato. O nome do vencedor seria revelado ontem à noite.

Segundo fonte a par do assunto, a melhor proposta teria sido feita pela LG.

A Nokia também está trabalhando nessa direção, afirmou ao Valor a principal executiva da área de desenvolvimento da companhia, Mary McDowell. Porém, segundo ela, ainda levará um tempo até que o produto chegue ao mercado.

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Você sabe envolver os outros em seus projetos?

Conseguir que as pessoas se envolvam no trabalho pelo qual você é responsável está na essência da gestão. Mas o que distingue os melhores líderes é o modo como eles obtêm esse envolvimento. Requisitá-lo é fácil, porém, sabe-se, fazer algo não significa envolver-se. E o envolvimento gera resultados muito superiores.

Os funcionários apóiam genuinamente apenas as coisas que ajudaram a criar, diz o consultor de empresas especializado em mudança Richard H. Axelrod, co-autor de You Don't Have to Do It Alone: How to Involve Others to Get Things Done (ed. PubGroup West). Se você entender isso de fato, mudará para sempre seu modo de gerenciar. Veja a entrevista com Axelrod, a seguir.

Onde os gestores erram quando pensam sobre envolvimento?
A maioria tende a começar pela pergunta “De que tipo de envolvimento eu preciso?”. Isso está errado tanto do ponto de vista realista como do humanista. Os realistas acham que precisam de aspectos relativos a conseguir que as coisas sejam feitas, tais como desenvolver um plano e um orçamento para o trabalho, assegurar que o prazo seja cumprido. Já os humanistas, que se preocupam primeiro com as pessoas, querem garantir que todo mundo entenda o que precisa ser feito e se comprometa com o plano, buscam maneiras de lidar com eventuais resistências. Para conseguir envolvimento, você necessita das duas coisas.

De que maneira pensar como humanista e como realista pode ajudar?
Abordar um projeto com ambas as perspectivas ajuda você a avaliar com mais exatidão os diferentes tipos de envolvimento necessários. Por exemplo, os gestores humanistas querem muito que as pessoas comprem a idéia. Esse tipo de envolvimento é de fato importante para projetos de mudança e de prazo mais longo, mas não é o único. Às vezes, você precisa que as pessoas participem de um modo de melhore suas habilidades, para que possam ser mais produtivas e abarcar novas responsabilidades. E há tipos de envolvimento mais “realistas”: quando você necessita que os funcionários forneçam habilidades, experiência e conhecimentos que você não possui ou quando a quantidade de trabalho lhe exige tempo e energia extras. Nossa abordagem propõe que se pense não apenas nos tipos de envolvimento, contudo. É preciso levar em conta os graus de envolvimento.

Quem o gestor deve envolver?
Vá além dos candidatos usuais: pessoas que se preocupam com o que está em jogo ou que serão diretamente afetadas pela iniciativa, funcionários com conhecimento e experiência relevantes na área, profissionais que ficam emocionalmente tocados pelo trabalho. É importante incluir abertamente pessoas com pontos de vista diversos, para que isso resulte em soluções mais inovadoras. Por mais estranho que possa soar, há boas razões para adicionar à equipe os resistentes, os detratores e outros funcionários problemáticos. É melhor ter um causador de problemas dentro de uma iniciativa assim do que fora, semeando desconfiança e rejeição. Além disso, se levarem em conta suas objeções seriamente, ele pode ser útil para a equipe.

O que mantém as pessoas envolvidas depois da fase inicial?
Quando as pessoas ficam tão envolvidas com os detalhes de um projeto de grandes proporções que elas nem lembram mais o que estão fazendo, é preciso que lhes seja assegurado que suas contribuições são muito importantes. Há várias coisas que você pode fazer para reconhecê-las: lembre as pessoas do que vai mudar como resultado do esforço coletivo; entregue-lhes relatórios regulares do que vem sendo conseguido; mostre como seus inputs são avaliados. Isso é o que as mantém com foco no jogo.

O encerramento é importante? Se sim, por quê?
É na finalização de um projeto que você constrói as bases para o futuro. Celebrar o que foi obtido faz com que as pessoas desejem participar de outras iniciativas similares. E também há um componente de transferência de conhecimento aí. Na reunião para festejar o primeiro estágio de um projeto que continuará em outras partes da organização, devem-se convidar as pessoas que participarão do segundo estágio. Para elas, será imensamente valioso ouvir o que os pioneiros dizem sobre o que funcionou e o que saiu errado.


Publicado pelo HSM Online em 12/02/08

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A reunião matinal

Marty Linsky *
Publicado pelo HSM Online em 13/02/08

Uma das melhores práticas de comunicação para equipes executivas ainda não é suficientemente conhecida e utilizada, segundo o autor de Liderança no Fio da Navalha.

A equipe de alta gerência de sua empresa tem de “matar um leão por dia” quando se trata de lidar com dificuldades crônicas de comunicação e com ausência de responsabilidade compartilhada por esses problemas? Muitas das vezes em que meus colegas e eu somos chamados para ajudar organizações em “maus lençóis” descobrimos que os dois problemas estruturais são esses.

Pense em alguns desafios que empresas dos mais variados tipos têm enfrentado:

  • Uma companhia petroquímica de atuação mundial luta para elaborar uma estratégia coerente após uma fusão com Uma empresa bem diferente;
  • Uma pequena agência de publicidade e design tenta pôr ordem na casa num período de crescimento rápido;
  • Um órgão estatal tem de absorver cortes de orçamento que ameaçam os serviços básicos e os valores do governo;
  • Um banco estabelecido perde participação no mercado para pequenos bancos do tipo butique, que lançam produtos com alta margem de lucro.
  • Pois saiba que esses casos são reais, bem complexos e, em cada um deles, os líderes organizacionais não conseguiram –ou não quiseram– comunicar-se completa e francamente entre si, não se viram como uma equipe que se move em prol do bem comum.

    Quando impera a blindagem individual na comunicação, a equipe de liderança sênior é pouco mais que a soma das partes e não consegue lidar com os desafios estratégicos e operacionais da maneira o mais eficaz possível. Desperdiçam-se expertise e energia, quando bastava um dizer ao outro “esse é o problema, vamos consertá-lo”.

    Não temos dúvidas de que as duas qualidades que caracterizam as equipes seniores de alto desempenho são:

    1. Conversas difíceis acontecem; as questões delicadas passam rapidamente da cabeça de cada um para a mesa de reuniões.
    2. A responsabilidade – a accountability, na verdade – é compartilhada; os membros da alta gerência se sentem responsáveis pela organização como um todo, não apenas por seu campo de ação.

    Para conduzir equipes de executivos seniores a um novo patamar de liderança, criamos um modelo de comunicação que chamamos de “Reunião Matinal” [The Morning Meeting (TMM), no original em inglês]. É um nome enganosamente simples para um evento complexo, ritualizado, que tem trazido ótimos resultados para as organizações que o adotam. As barreiras de comunicação costumam desabar diante dele e os piores problemas são abordados enquanto ainda são gerenciáveis. Além disso, aumenta nos executivos o senso de propriedade sobre a empresa.

    Como funciona
    Eis como a reunião matinal funciona: todo dia, na mesma hora, impreterivelmente, os membros da equipe da alta gerência da empresa – entre 6 e 15 pessoas, tanto do staff como de linha – reúnem-se em torno de uma mesa, ao vivo ou virtualmente – por meio de tele ou videoconferência. Sentam-se à mesa também uma ou duas pessoas de outras áreas, que são valorizadas por seu expertise, seja em qual for o assunto do momento.

    Não há pauta predefinida. Mesmo que o CEO ou presidente da empresa ocupe o lugar principal, ele não deve comandar a reunião, e as pessoas devem se sentar sempre no mesmo lugar, dia após dia. Perto, deve-se montar ainda uma espécie de galeria, com cadeiras improvisadas, para os assistentes dos executivos participantes, que assim podem abastecer-lhes com dados e informações adicionais.

    Algumas vezes, o CEO tem uma ou duas questões para começar a conversa. Normalmente, contudo, ele passa o bastão ao executivo nº 2, sentado à sua esquerda – pode ser o vice-presidente ou o diretor de operações, por exemplo – e é este que inicia e comanda o encontro. Quando todas as questões levantadas pelo executivo nº 2 tiverem sido abordadas, aquele que estiver à sua esquerda pode levantar sua própria pauta e assim sucessivamente. As apresentações vão seguindo o sentido horário ao redor da mesa.

    Quando todos já tiverem falado, o pessoal da galeria deixa a sala, e os executivos seniores promovem uma nova rodada de conversas com os assuntos mais sensíveis e confidenciais. Conforme a quantidade e complexidade dos assuntos, uma reunião matinal pode durar de 15 minutos a duas horas.

    Regras de ouro
    Algumas regras precisam ser seguidas “religiosamente” para que tudo saia a contento:

    • Todo mundo deve ter o direito de pôr um assunto em discussão – não precisa ser relativo à sua área de atuação. Todos devem se pronunciar a respeito de cada assunto, mesmo que o desconheçam do ponto de vista técnico.
    • Essas reuniões são para tomar decisões, mas não basta levantar uma questão e resolvê-la.
    • Os planos de implementação têm de ser rascunhados em linhas gerais e com a concordância de todos. E as estratégias de comunicação da decisão externa e internamente devem ser repassadas.
    • Depois de um assunto ser examinado à exaustão, o CEO precisa determinar a regra que o guiará. Por exemplo, ele dirá se a decisão final caberá a ele ou a outrem, se será feita individualmente ou em grupo, por consenso ou maioria simples.
    • Mudar de opinião, até no meio da conversa, não é um problema; isso é até digno de respeito. Mas omitir-se, sem emitir uma opinião sequer, não é aceitável.
    • Devem-se privilegiar questões baseadas em fatos. Os participantes sempre têm de colocar fatos à mesa nas reuniões. Mas todos precisam ter em mente que um fato às vezes mascara algo maior, relativo a valores ou estratégia. Por exemplo, discutir o custo de abrir um escritório em local remoto pode ser um “disfarce” para a verdeira discussão, sobre se tal expansão é, ou não, desejável.
    * Marty Linsky é autor, com Ronald A. Heifetz, de Liderança no Fio da Navalha e professor da Professor da John F. Kennedy School of Government, faculdade de Harvard.

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