quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Vendedora de hot dog é vencedora do Prêmio Microempreendedores

Publicado pelo Pauta Social em 29/11/07


Em cerimônia realizada no dia 21, no Centro de Convenções do Sebrae Maranhão, em São Luís (MA), foram anunciados os vencedores do Prêmio Melhores Microempreendedores 2007, realizado pelo Citi em parceria com as ONGs ACCIÓN International e Gaia (Grupo de Aplicação Interdisciplinar à Aprendizagem). Na categoria comércio, o primeiro lugar ficou com empreendedora Josefa Gomes, vendedora de hot dog em São Paulo, que ganhou R$8 mil para investir em seu negócio.

O trabalho foi enviado pela Instituição Crédito Solidário Popular – São Paulo Confia, que concedeu uma linha de microcrédito à empreendedora Josefa. Com o objetivo de gerar renda para visitar parentes em Sergipe, Josefa comprou um carrinho de hot dog com economias próprias, que conseguiu arrecadar com a comercialização de salgados aos finais de semana. O crescimento das vendas, mais o dinheiro obtido com a produção de doces e salgados para festas, permitiu à comerciante trocar o carrinho por outro mais equipado, além de diversificar os produtos. Com isso, passou a oferecer tapiocas, doces caseiros, hamburgers, além de vender latinhas de alumínio para aumentar a renda. Hoje, o seu faturamento anual é de R$16.800,00 e Josefa pretende comprar um trailler, além de um espaço na comunidade para oferecer serviços de buffet e expandir os seus negócios.

Ainda nesta categoria, o segundo lugar ficou com Divina Alves Campos, proprietária da Lanchonete e Restaurante Cristal, em Goiânia (GO), que faturou R$5,5 mil. A proprietária da lanchonete Ester Fest, de Salvador (BA), conquistou o terceiro lugar e recebeu o prêmio de R$3,5 mil. Além do dinheiro, os premiados foram contemplados com um curso em Gestão de Negócios, ministrado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVCes) da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. Realizado desde 2004, o prêmio tem como objetivo reconhecer empreendedores de microempresas de todo o Brasil que se destacaram pelo sucesso alcançado em seus negócios e pela contribuição na busca da sustentabilidade de suas famílias e das comunidades onde estão inseridos.

O prêmio, ainda, reconhece o papel efetivo do setor de microfinanças na redução da pobreza. Mais de 450 projetos concorreram este ano, enviados por 22 instituições de microfinanças, de 13 Estados brasileiros. Os finalistas receberam um total de R$ 51 mil em prêmios, distribuídos entre os nove vencedores, divididos em três categorias: comércio, produção e serviço. Entre as instituições que mais enviaram projetos estão: Banco do Povo de Goiás (125), Banco do Nordeste/Crediamigo (106), CEAPE/MA (36), Crédito Popular Solidário-São Paulo Confia (29) e Associação Comunitária de Crédito do Vale do Aço/Banco Popular MG (25). Estas instituições também ganharam um curso de Capacitação, ministrado pelo Centro de Microfinanças da FGV-SP.

O processo de seleção dos microempreendimentos, realizada por 44 voluntários do Citi, teve início em outubro com a classificação dos 30 melhores projetos, Os vencedores foram escolhidos por um júri, formado de profissionais do setor de microfinanças. “Esta iniciativa encoraja o empreendedorismo brasileiro e reflete o nosso compromisso com o desenvolvimento do país. Além disto, estimula os pequenos negócios de sucesso e prestigia aqueles que dão o exemplo a outros milhares de pessoas", afirma Gustavo Marin, CEO do Citi no Brasil.

Desde a primeira edição, a iniciativa reconheceu e premiou 36 empreendimentos populares de sucesso no Brasil. No mundo, o prêmio é realizado em 23 países e já contou com a participação de mais de 1200 instituições de microcrédito, recebeu mais de 4.600 inscrições de microempreendedores e premiou mais de 300 projetos. Citi, a empresa líder em serviços financeiros globais, tem mais de 200 milhões de contas de clientes e negócios em mais de 100 países, sempre oferecendo aos consumidores, às empresas, governos e instituições uma grande variedade de produtos e serviços financeiros, inclusive de consumer banking e crédito, corporate e investment banking, corretagem de títulos mobiliários e administração de fortunas. As principais marcas que compõem o Citi são Citibank, CitiFinancial, Primerica, Smith Barney e Banamex. Para mais informações, visite o site www.citigroup.com ou www.citi.com.

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Bolsas - cultura e cidadania - de 20 horas semanais por até 6 meses

Publicado pelo Ministério da Cultura em 27/11/07

Casa de Rui Barbosa abre inscrições para pesquisadores na área cultural

Estão abertas até o dia 28 de janeiro de 2008 as inscrições para o Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), instituição vinculada ao Ministério da Cultura. Ao todo, serão selecionados 36 bolsistas, nas categorias doutor júnior, mestre, graduado, iniciação científica e desenvolvimento tecnológico. Uma iniciativa da FCRB e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

O edital tem por finalidade fortalecer o cumprimento da missão institucional da FCRB, que é “promover a preservação e a pesquisa da memória e da produção literária e humanística e congregar iniciativas de reflexão e debate acerca da cultura brasileira, contribuindo para o conhecimento da sua diversidade e para o fortalecimento da cidadania”.

Além de cumprirem as exigências referentas à documentação e às características estabelecidas pelas categorias escolhidas, os candidatos devem ter uma disponibilidade mínima de 20 horas semanais para se dedicarem à realização dos projetos aos quais estão vinculadas as bolsas, que serão concedidas por um período de um ano, podendo ser renovadas por igual duração ou interrompidas ao final de cada seis meses, em função do desempenho do bolsista.

Veja o regulamento do concurso.

As inscrições devem ser feitas por via postal expressa (SEDEX) para o seguinte endereço:

Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura
Fundação Casa de Rui Barbosa
Serviço de Arquivo Histórico e Institucional
Rua São Clemente, nº 134 - Botafogo
CEP 22260-000 - Rio de Janeiro, RJ

Informações: (21) 3289-4648.

(Texto: Maíra Guedes, Comunicação Social/MinC)
(Fonte: Assessoria de Imprensa da FCRB)

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Transporte para a participação em eventos culturais no Brasil e exterior

Publicado pelo Ministério da Cultura em 27/11/07

O Edital nº. 3/2007 do Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural, lançado em Abril de 2007, possibilita o custeio de transporte para a participação em eventos culturais no Brasil e exterior a partir do mês de maio até março de 2008. As inscrições estão abertas até 30 de novembro.

Para mais informações, clique aqui.

Veja o edital e os anexos.
Edital nº 03/2007
Ficha de inscrição individual
Formato de currículo individual
Ficha de inscrição para grupos
Formato de currículo para grupos

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Minc financia projetos audiovisuais em até R$ 500 mil

Publicado pelo Ministério da Cultura em 28/11/07




Apresentação de Projetos Audiovisuais
Critérios e instruções para projetos audiovisuais que se enquadrem nas seguintes modalidades:
* Curta metragem (até 15′)
* Média metragem (até 70′)
* Festivais Nacionais
* Difusão (mostras / distribuição de acervo)
* Restauração / Preservação de acervo
* Oficinas
* Workshops
* Programa de rádio e TV
* Multimídia (site / portal, DVD, CD Rom)

Para projetos de outras modalidades como longa metragem (acima de 70′), séries (+ de 3 capítulos) e festivais internacionais, o proponente deve dirigir-se à Agência Nacional de Cinema, Ancine (clique aqui).

1) Proponentes:

a) Pessoa Física:
- Apresentação de no máximo 02 (dois) projetos para captação e realização simultânea;
- Valor máximo passivel de autorização para captação simultânea: até 1.000 (um mil) salários minimos.

b) Pessoa Jurídica de Natureza Cultural:
- Apresentação de no máximo 02 (dois) projetos por segmento, respeitado o limite máximo de até 06 (seis) projetos para captação e realização simultânea;
- Valor máximo passivel de autorização para captação simultânea: a ser definido mediante análise de portifólio de realizações na área audiovisual;

* O conteúdo das propostas (projeto) apresentadas tem que ser de natureza cultural.

** Em qualquer situação, seja o proponente pessoa física ou jurídica, a depender do montante passível de aprovação, a autorização para captação de recursos poderá ser concedida de forma escalonada (parcelada), com a exigência de prestação de contas parcial.

2) Documentos

Itens (informações) Especificos - Apresentação Obrigatória:

a) Projetos de Produção de Obra Audiovisual (Curta ou Média Metragens):
- Sinopse com no máximo 5 (cinco) linhas;
- Roteiro dividido por seqüências e contendo seus diálogos desenvolvidos, devidamente registrado na Fundação Biblioteca Nacional, no caso de ficção;
- Argumento contendo sua abordagem e/ou ações investigativas, identificação das locações e dos depoentes e/ou personagens e, quando for o caso, o material de arquivo e as locuções, no caso de documentário;
- Story Board, no caso de animação.

b) Projetos de Restauração/Preservação de Acervo Audiovisual:
- Termo de comprometimento de entrega de um master para preservação na Cinemateca Brasileira, devidamente assinado pelo titular do projeto e dos direitos sobre a obra.

c) Projetos de Mostras/Festivais/Oficinas e Workshops:
- Identificação dos títulos a serem exibidos com a devida manifestação de interesse do(s) titular(es) dos direitos das mesmas, no caso de mostra;
- Justificação acerca do conteúdo (acervo) indicado para o segmento de público a ser atingido, no caso de mostra;
- Apresentação de planilha orçamentária específica para cada ação prevista (mostra competitiva, mostra paralela, oficinas, workshop, … etc…), no caso de festivais;
- Vinculação de despesas (cachês, passagens, hospedagens e alimentação) referentes a profissionais e participantes (homenageados, palestrantes, instrutores, curadores, atores/produtores) com as respectivas identificações e funções a serem exercidas, em ambos os casos;

d) Projetos de Programa de TV e Rádio:
- Estrutura/formato do programa, contendo sua duração e sua periodicidade;
- Sinopse e modelo de roteiro do programa dividido por blocos e pauta/temas;
- Carta de interesse de emissora(s) em veicular o programa;
o Declaração de regularidade da emissora exibidora junto ao ECAD.

e) Multimídia (cd-room, site, portal):
- Estrutura do site/portal;
- Descrição das fontes de alimentação de conteúdo;
- Definição de conteúdos (pesquisa, sua organização, roteiros);
- Design das interfaces, descrição da navegabilidade, opções de interatividade, design da editoração de texto/imagem/som e indexações.

2.1) Documentos Complementares - Apresentação Obrigatória:

* Para todos os projetos é obrigatória, ainda, a apresentação dos seguintes documentos:

- Curriculo dos principais responsáveis pela realização da proposta (diretor, curador, palestrante, instrutor, produtor), contendo informações especícifas da área cultural;
- Portifólio de realizações da proponente, contendo informações específicas da área cultural;
- Orçamento detalhado por etapas de execução (ex: pré-produção, produção e finalização), contendo a descrição de todas as despesas, seus quantitativos e preços unitários e totais;
- Declaração de titularidade ou comprovação de aquisição/cessão de direitos de uso de obra e/ ou imagem, no caso de proposta de obra adaptada ou que faça uso de imagem, ou de proposta de difusão/exibição de conteúdo, no caso de mostra.

* Os projetos de programas de rádio e tv não contemplarão a aquisição de espaço(s) para sua veiculação.

ANÁLISE e APROVAÇÃO de PROJETOS
a) Respeitado os parâmetros descritos no item 01 acima, o(s) valor(es) passíveis de autorização para captação serão definidos mediante análise acerca da proposta cultural, da estrutura de produção, da viabilidade técnica com base em currículos e portifólios, do alcance das metas, bem como dos parâmetros de custo do mercado audiovisual;

b) Em qualquer situação, a depender do montante passivel de aprovação, a autorização para captação de recursos poderá ser concedida de forma escalonada (parcelada), com a exigência de prestação de contas parcial;

c) A autorização para captação é concedida por exercício fiscal;

d) A aprovação de projeto é condicionada ainda à comprovação, por parte do proponente, de regularidade jurídica, fiscal e tributária (certidões negativas e de regularidade, contrato social/ estatuto e atas de posse de dirigentes, conforme o caso e, cópia de cédula de identidde e cpf do dirigente máximo), bem como junto ao Ministério da Cultura.


VALORES DE REFERÊNCIA - R$
(valores podem ser alterados por decisão da SAv/MinC)

Obra audiovisual de curta metragem (até 15 min.)
Valor de referência p/ aprovação - Até R$150.000,00
Observação - Em sendo captado e/ou finalizado em película, acrescenta-se o custo referente a este processo.

Obra audiovisual de média metragem (mais de 15, até 70 min.)
Valor de referência p/ aprovação - Até R$500.000,00
Observação -Em sendo captado e/ou finalizado em película, acrescenta-se o custo referente a este processo.

Festivais/mostras/oficinas/workshops
Primeira edição: Valor de referência p/ aprovação - Até R$500.000,00
A partir da segunda edição, avalia-se também a média de captação da(s) ultimas edições e a viabilidade financeira do pleito em questão.

Programa de rádio e TV
Valor de referência p/ aprovação - Até R$20.000,00 por programa.

Restauração / Preservação de acervo
Valor de referência p/ aprovação definido pelo montante do material a ser restaurado.

Multimídia (site/portal)
Valor de referência p/ aprovação definido pela infra de armazenagem e transmissão de dados e o respectivo volume do conteúdo, bem como o perfil de navegabilidade e interfaces/interatividade.

GESTÃO DE PROJETOS
1. Aprovação / Prorrogação / Liberação de Recursos / Execução:

a) Aprovação (autorização para captação): é concedida por exercício fiscal, observado que para os projetos de evento (festivais, mostras, oficinas, workshops) sua vigência será de até 30 dias após a data de realização.

b) Prorrogação de prazo de captação: será concedida mediante análise de regularidade fiscal e tributária e da evolução do projeto, bem como da disponibilidade da renúncia fiscal, até o limite de mais 2 (dois) exercícios, observado os seguintes termos:
- projetos de eventos (festivais, mostras, oficinas, workshops):

Havendo pactuação de patrocínio com liberação escalonada, até a data do aporte da ultima parcela;

Não havendo captação e/ou captação parcial/insuficiente, poderá ser prorrogado, até o limite de mais 2 (dois) exercícios fiscais, desde que , se for o caso, os recursos não tenham sido movimentados e, atualizadas as metas e definição de nova data de realização;

- para os demais projetos, até o limite de mais 2 (dois) exercícios fiscais, exceto para aqules que movimentaram recursos captados, cujo prazo de execução é de no máximo 18 meses contados a partir da primeira movimentação.

c) Liberação de recursos: a autorização para movimentação de recursos será concedida após a efetiva captação de recursos incentivados correspondentes a no mínimo 20% (vinte por cento) do custo total do projeto e a apresentação dos seguintes documentos:
- carta/requerimento devidamente assinada pelo titular do projeto;
- comprovação de regularidade jurídica, fiscal e tributária;
- cronograma fisico financeiro, cujo prazo máximo de execução deve respeitar o descrito na alínea “c” abaixo.

d) Execução dos projetos: terá os seguintes prazos:
- produção/restauração/preservação de obras audiovisuais/multimídia (cd-room, site, portal): até o limite máximo de 18 meses a contar da primeira movimentação dos recursos captados, verificado o cronograma aprovado;
- realização de eventos (festivais/mostras /oficinas/workshops), até 30 dias após a data de sua efetiva realização;

* Entende-se como PRAZO DE EXECUÇÃO, o prazo para entrega de produtos ou realização da ação prevista no projeto, bem como suas respectivas prestações de contas.

** A concessão de prazo (prorrogação/execução) é condicionada ainda à comprovação, por parte do proponente, de regularidade juridica, fiscal e tributária, bem como junto ao Ministério da Cultura.

2) Alterações Diversas:

a) Troca de proponente: permitida uma única vez, desde que o projeto não tenha captado recursos incentivados;

b) Complementação de valor: permitida uma única vez, devidamente justificada por erro comprovado, aumento de custos ou necessidades de ampliação de metas, sendo que no caso de ampliação de metas faz-se necessário a captação minima de 50% (cinqüenta por cento) do valor anteriormente aprovado, bem como a comprovação de viabilidade financeira do novo valor integral do projeto;

c) Redução de custos / readequação de metas: permitida uma única vez, devidamente justificada.


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Mostra de Projetos Sociais pela Internet acontece em dezembro

Publicado pelo Aulavox

1ª Mostra de Projetos Sociais pela Internet apresentará Organizações do Terceiro Setor e seus projetos sociais.

As apresentações acontecerão ao vivo, em formato de audioconferência, com o suporte de slides no Power Point, pelo sistema Aulavox. Durante as apresentações, a interação com as Organizações acontece por áudio ou chat, portanto, em tempo real.

Programação:
Em breve iremos divulgar a agenda de apresentações
Data: 06 a 08 de dezembro de 2007
Horário: A partir das 13h
Investimento: gratuito
Local: Evento realizado através de áudio conferência pela Internet.
Para saber mais clique aqui.
Inscreva-se agora preenchendo o formulário.

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Quatro lições do desenvolvimento local

Augusto de Franco
Carta Rede Social 151 publicada em 22/11/07

[Tempo estimado de leitura: 8 minutos]

Quem quer articular e animar redes sociais deve resistir às quatro tentações seguintes: de fazer redes de instituições (em vez de redes de pessoas), de ficar fazendo reunião para discutir e decidir o que os outros devem fazer (em vez de, simplesmente, fazer), de tratar os outros como “massa” a ser mobilizada (em vez de amigos pessoais a serem conquistados) e, por último, de querer monopolizar a liderança (em vez de estimular o fenômeno da emergência da multiliderança).

‘Carta Rede Social’, ex-‘Carta Capital Social’ (e antiga ‘Carta DLIS’) é uma comunicação pessoal de Augusto de Franco enviada quinzenalmente, desde 2001, para mais de 5.000 agentes de desenvolvimento e outras pessoas interessadas no assunto, de todo o Brasil.

Prezado(a) leitor(a)

Participei, como muitos sabem, durante os anos de 1998 a 2002, de um programa de indução ao desenvolvimento local promovido pelo governo federal em parceria com o SEBRAE. Esse programa, chamado Comunidade Ativa, aplicava uma metodologia chamada DLIS – Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável.

Continuo, de lá para cá, tentando promover o desenvolvimento local sob várias formas e denominações diversas. Nesses novos trabalhos, eu mesmo e pessoas que trabalham comigo temos nos deparado com dúvidas, sobretudo da parte daqueles que, no passado, participaram da iniciativa mencionada acima.

Como se sabe, houve uma certa descontinuidade nesses trabalhos depois de 2002. Isso desapontou muitas pessoas que acreditaram nas instituições que os promoviam. A descontinuidade administrativa é uma das mazelas do nosso sistema político. Quem está chegando não quer saber o que foi feito de bom por quem está saindo. E, em geral, atua irresponsavelmente, às vezes até destruindo o que foi feito para apagar a marca do governante anterior (e esse não era o caso do DLIS – que sempre se baseou numa articulação mais ampla – mas o atual governo achou que era), sem se importar com as populações envolvidas.

Nas novas iniciativas de promoção do desenvolvimento local em que estou envolvido, tenho procurado incorporar algumas lições importantes que aprendi nestes últimos cinco anos e que começo a compartilhar agora com os interessados.

PRIMEIRA LIÇÃO Em primeiro lugar, não se pode promover o desenvolvimento sem fazer política. Existem muitas evidências de que os problemas ocorridos em programas de indução ao desenvolvimento local são, em sua maior parte, de natureza política. Os casos são variados: às vezes é o prefeito que não acredita ou tem medo, ou o governador que não quer, ou um outro chefe político que não vê com bons olhos o surgimento de novas lideranças que tendem a crescer em visibilidade e credibilidade. Às vezes são as instituições locais que não se entendem e disputam o tempo todo entre si em um clima adversarial, ninguém querendo colocar azeitona na empada do outro. E às vezes são vaidades pessoais que atrapalham tudo, quando as lideranças da localidade se comportam como se estivessem em um concurso de beleza. Para contornar tais problemas precisamos fazer política, exercitar nossa capacidade de articulação política. Essa capacidade não é inata, não é assegurada por um gene, mas tem que ser adquirida (e pode ser aprendida).

SEGUNDA LIÇÃO Em segundo lugar, não se pode colocar nas mãos de uma instituição (seja ela qual for, governamental ou não) a responsabilidade por promover processos de desenvolvimento local. Se fizermos isso, com toda a certeza, mais cedo ou mais tarde, teremos problemas. Pois nada garante que uma instituição manterá a mesma linha de atuação e a mesma disposição de investir recursos humanos, materiais ou financeiros. Pode acontecer, por exemplo, de mudarem os dirigentes dessa instituição (como é normal e desejável). Aprendemos, às custas de algum sofrimento, que o desenvolvimento local deve ser local mesmo. Ou seja, não pode ser patrocinado ou apadrinhado por ninguém de fora. A rigor, nem de dentro. Se isso ocorrer, as pessoas não assumirão suas responsabilidades, nem se virarão para captar novos recursos, pois ficarão esperando alguma coisa que virá de fora ou de cima. Ora, se for assim, não tem desenvolvimento local, que é – por definição – capacidade de identificar ativos internos, dinamizar potencialidades endógenas e aproveitar oportunidades a partir de uma inteligência coletiva formada localmente. O que fazer então para resolver esse problema? Não há outro caminho senão constituir parcerias entre instituições e pessoas da própria localidade, mobilizando amplo voluntariado local. Se isso não for possível, também não será possível promover o desenvolvimento local. E, assim, não devemos perder tempo tentando fazer o impossível: é melhor ir logo cuidar de outra coisa.

TERCEIRA LIÇÃO Em terceiro lugar, não se pode deixar o trabalho de indução do desenvolvimento local nas mãos de um conjunto de instituições (mesmo que sejam instituições locais). Ou seja, o sujeito impulsionador do desenvolvimento local não pode ser um conjunto de instituições (mesmo que queiramos, indevidamente, chamar tal conjunto de “rede” – pois que, em geral, não é rede coisa nenhuma e sim uma frente de instituições hierárquicas, cada qual com seu interesse particular no processo, interesse que, muitas vezes, não casa perfeitamente com os objetivos mais gerais do processo). Assim, aprendemos também a não apostar tudo apenas em Fóruns ou Agências de Desenvolvimento constituídos por representantes de instituições, a não ser que essas instâncias estejam suficientemente capilarizadas, ligadas no dia-a-dia das pessoas da localidade. Se fizermos isso acabaremos constituindo um grupinho mais ou menos isolado da população e, passado algum tempo, começaremos a reclamar que faltam recursos para contratar pessoas ou que ninguém vem na reunião, que está todo mundo muito ocupado com seus próprios assuntos, que ninguém quer colaborar com o coletivo. Para resolver esse problema descobrimos a solução da rede de desenvolvimento local (ou rede do desenvolvimento comunitário). Se estamos querendo induzir o desenvolvimento em uma localidade a partir dos recursos da própria localidade (outra boa definição de desenvolvimento local), então temos que ter, no mínimo, 1% das pessoas dessa localidade envolvida no processo. Só assim teremos a capilaridade suficiente para mobilizar contingentes maiores de voluntários. Só assim não ficaremos isolados da população, sem condições de disseminar mensagens molecularmente pela rede e sem condições de alavancar recursos novos que farão toda diferença.

Resumindo as três primeiras lições aprendidas: 1º) A indução do desenvolvimento local é um processo político, que exige muita articulação política para se concretizar; 2º) O desenvolvimento local não pode ter pai, padrinho ou patrocinador externo ou interno; 3º) O sujeito do desenvolvimento local é a rede social que existe na localidade e nosso papel (como agentes de desenvolvimento) não é fazer as coisas pela população e sim aumentar a conectividade e o grau de distribuição dessa rede, incorporando as pessoas – não como massa, mas uma-a-uma – no exercício compartilhado de visão de futuro, na elaboração do plano de desenvolvimento, na formulação da agenda de prioridades e na realização dessas prioridades.

Tudo indica que, se conseguirmos fazer isso, teremos mais chances de obter uma combinação virtuosa de esforços de todos os setores – governamentais, empresariais e sociais – e de uma boa parcela das pessoas (enquanto indivíduos mesmo, voluntários) na tarefa de promover o desenvolvimento da localidade em que atuamos. Se não conseguirmos, infelizmente, nossas chances serão bastante reduzidas.

No entanto, alguns leitores destas cartas me perguntam como proceder em relação às redes sociais. Como articulá-las e animá-las? Andamos quebrando a cabeça com esse problema e, a partir do infalível (e insubstituível em uma democracia) processo de tentativa-e-erro, também aprendemos alguma coisa (que tento resumir abaixo, na forma de uma quarta lição):

QUARTA LIÇÃO Quem quer articular e animar redes sociais deve resistir às quatro tentações seguintes: de fazer redes de instituições (em vez de redes de pessoas), de ficar fazendo reunião para discutir e decidir o que os outros devem fazer (em vez de, simplesmente, fazer), de tratar os outros como “massa” a ser mobilizada (em vez de amigos pessoais a serem conquistados) e, por último, de querer monopolizar a liderança (em vez de estimular o fenômeno da emergência da multiliderança).

Resistir à tentação de fazer redes de instituições (entidades, organizações). Muitas vezes é necessário, para começar um projeto ou mesmo para dar respaldo à sua implantação, reunir instituições em torno de um propósito. Pode-se até chamar esse conjunto de instituições de rede. No entanto, redes propriamente ditas, ou seja, redes distribuídas, não podem ser compostas por instituições hierárquicas (centralizadas ou descentralizadas, quer dizer, multicentralizadas). Redes distribuídas devem ser de pessoas (P2P). Portanto, é necessário conectar as pessoas diretamente à rede, mesmo que essas pessoas ainda imaginem estar ali representando suas instituições. Ocorre que um membro conectado à rede não pode ser substituído por outro membro da mesma instituição (nenhuma pessoa é substituível em uma rede). Além disso, as redes devem ser compostas pelas pessoas que queiram delas participar, independentemente de estarem ou não “representando” instituições (redes não são coletivos de representação, mas de participação direta – sem mediações de instituições hierárquicas).

Resistir à tentação de fazer reuniões de discussão ou de deliberação com os membros da rede. Rede é uma forma de organização não-baseada no ajuntamento, no arrebanhamento, no confinamento de pobres coitados numa salinha fechada, onde, em geral, se discute o que outros (que não estão ali) devem fazer. Sim, pois se for para fazer alguma coisa, então não se trata de reunião de discussão e sim de atividade coletiva. Outra coisa nociva é a tal da reunião para decidir, sobretudo pelo voto. Isso é um desastre. Se houver necessidade de votar para decidir é sinal de que o assunto não está maduro. Se estivesse, a solução se imporia naturalmente.

Ter sempre presente que fazer rede é fazer amigos. Tão simples assim. Então as pessoas devem estabelecer comunicações pessoais entre si, uma-a-uma. Cada membro da rede é um participante único, insubstituível, totalmente personalizado, que deve ser tratado sempre pelo nome, valorizado pelo que tem de peculiar, incluído pelo reconhecimento de suas potencialidades distintivas. Nada, portanto, de circulares impessoais, panfletos, chamamentos coletivos. Nada de mobilização de massa. Quem gosta de massa são os candidatos a condutores de rebanhos, que estabelecem uma relação vertical, autoritária e paternalista com o povo.

Levar em conta que rede é um campo para a emergência do fenômeno da multiliderança. Cada um pode ser líder em algum assunto de que goste, domine e a partir do qual seja capaz de propor iniciativas que são acolhidas voluntariamente por outros. Redes não podem ter líderes únicos, líderes de todos assuntos, dirigentes autocráticos que tentam monopolizar a liderança e impedir que os outros a exerçam.

Até a ‘Carta Rede Social 152’ e um abraço do

Augusto de Franco
augustodefranco@gmail.com

22 de novembro de 2007.

Para ler as ‘Cartas Rede Social’, ex-‘Cartas Capital Social’ (e antigas ‘Cartas DLIS’) e outros textos de Augusto de Franco, publicados a partir do final de 2005, clique em http://www.augustodefranco.com.br/ .

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Avaliação de Programas: Concepções e Práticas

Publicado pea Revista IntegrAção de 11/07

Os programas do Instituto Ayrton Senna a muito se tornaram referência no Brasil e no mundo. Em grande parte, porque o Instituto está sempre desenvolvendo novas ferramentas de gestão e buscando modelos assertivos para a realização de suas atividades.

Dessa vez, o Instituo buscou inspiração para o trabalho de monitoria e avaliação de programas sociais e como fruto de uma parceria com o Instituto Fonte, Editora Gente e Edusp (Editora da Universidade de São Paulo) lançou a edição em português de Avaliação de Programas: Concepções e Práticas. O livro já está circulando há algum tempo pelas lojas, mas continua sendo peça indispensável às bibliotecas das organizações do Terceiro Setor.

Escrito por três referências norte-americanas no tema, Blaine R. Worthen (Utah State University), James R. Sanders (Western Michigan University) e Jody L. Fitzpatrick (University of Colorado), o livro serve como guia para a condução de processos de avaliação de programas sociais. Ele apresenta as principais metodologias usadas na área, as diferentes abordagens do processo de avaliação e o modo de planejar e conduzir uma avaliação.

Além disso, a publicação mostra-se tão completa que pode auxiliar tanto a profissionais de avaliação e gestores sociais, quanto a estudantes, professores e pesquisadores acadêmicos sobre o tema, pois traça uma linha histórica do surgimento e evolução do processo de avaliação de programas.

Título: Avaliação de programas: concepções e práticasAutor(es): Blaine Worthen, James Sanders e Jody Fitzpatrick. Editoras: Gente e Edusp em parceria com Instituto Ayrton Senna e Instituto Fonte
O livro pode ser adquirido também pelo site da Livraria Fonte: http://www.livrariafonte.org.br/default.asp?origem=cets.


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PAC da Saúde prevê fortalecimento dos fabricantes de medicamentos

André Vieira
Publicado pelo
Valor Online em 29/11/07

Um dos principais eixos do Programa de Aceleração do Crescimento da Saúde, o PAC da Saúde, que será anunciado no dia 5 de dezembro, prevê medidas para reduzir a vulnerabilidades na área da saúde e o fortalecimento da indústria farmacêutica.

A intenção do governo é utilizar uma de suas armas mais valiosas: o poder de barganha nas compras públicas. União, Estados e municípios gastam, direta e indiretamente, cerca de R$ 10 bilhões por ano em compras na área de saúde, que inclui medicamentos e produtos afins.

"As relações do Ministério da Saúde com a indústria são intensas, mas a articulação é tênue", disse o secretário de Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos da Pasta, Reinaldo Guimarães. "Ela [indústria] se aproxima do ministério como vendedora."

Esse é o quadro que o governo diz querer mudar. "Temos estudado várias medidas que fortaleçam a indústria de saúde e crie condições menos assimétricas no produto nacional com o importado", afirmou o secretário. A idéia é oferecer o apoio financeiro da linha especial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Finep à indústria farmacêutica.

O governo também pretende fazer mudanças na Lei 8.666, de licitações, para permitir a introdução de mecanismos de pré-qualificação de produtos e empresas. "Estudamos um novo arcabouço legal", disse Guimarães, que participou ontem de debate na Febrafarma, entidade que reúne o setor farmacêutico.

Um déficit comercial crescente, superior a US$ 5 bilhões neste ano, tem sido um dos principais fatores motivadores para a nova política de saúde do governo. A meta do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, é fazer com que a política pública de sua Pasta esteja atrelada ao desenvolvimento do setor.

O novo PAC deve deixar claro a preferência pela produção nacional de produtos e serviços do chamado complexo industrial da saúde. "Nós vamos fazer substituição de importação. Não é um anátema como foi nos anos 90", disse o secretário de Ciência e Tecnologia.

É esperado que o PAC da Saúde amplie o programa Farmácia Popular 2. Não só da rede credenciada que comercializa medicamentos de uso contínuo dos atuais 2 mil estabelecimentos para mais de 10 mil farmácias em todo o país, como também das classes terapêuticas hoje atendidas. O governo subsidia hoje apenas medicamentos de diabetes e hipertensão.

Outra iniciativa é dobrar a participação dos medicamentos genéricos, que hoje representam aproximadamente 15% do mercado total, incentivando seu uso. Para reforçar o lançamento de novos produtos, o governo prevê aumentar a rede de laboratórios de bioequivalência e biodisponibilidade, usados para testar esses medicamentos.

Além disso, o governo prevê estimular a área de inovação. A idéia é ampliar a rede atual dos centros de pesquisas clínicas, hoje 19, para 35 até 2011. E criar dois centros de toxicologia e dois biotérios (viveiros de camundongos e outras cobaias usadas para pesquisas) no país.

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Senado debate políticas públicas para primeira infância

Publicado pelo Pauta Social em 28/11/07


Começa nesta quarta-feira, 28, no Auditório Petrônio Portela, em Brasília, o 3º Fórum Senado Debate Brasil, que tem como tema “Políticas para a Primeira Infância – Quebrando a cadeia da violência”. O objetivo é debater em profundidade as raízes da violência e os possíveis modos de prevenção em nosso contexto sócio-cultural contemporâneo, além de propor sugestões de políticas públicas em vários níveis e áreas, como a saúde, a educação, a assistência social e a cultura. A discussão parte do pressuposto de que os comportamentos violentos têm suas raízes nas relações fundamentais de cada indivíduo em seus primeiros anos de vida, as quais se desenvolvem em contextos familiares e culturais definidos.

A abertura do evento contará com a presença do presidente do Senado, Tião Viana, dos senadores Pedro Simon e Cristovam Buarque e do Representante da UNESCO no Brasil, Vincent Defourny, além de autoridades e especialistas no tema primeira infância. Durante os dois dias do evento, que termina na quinta, 29, haverá diferentes debates e discussões envolvendo primeira infância e violência.

O evento apresentará experiências bem sucedidas do Brasil e do exterior como referências que permitam criar, nos nossos contextos sócio-culturais, modalidades de ação e de intervenção apropriadas para o combate e a prevenção da violência. O secretário estadual da Saúde, Osmar Terra, falará sobre o programa gaúcho Primeira Infância Melhor (PIM) na quarta-feira, às 16h50min, no painel “Experiências bem sucedidas de atenção à primeira infância”.

A experiência gaúcha do PIM também está presente no lançamento do livro “Primeira Infância Melhor: uma inovação em política pública”, editado pela representação da UNESCO no Brasil. A publicação tem prefácio da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, e do Representante da UNESCO no Brasil, Vincent Defourny.

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Sustentabilidade já faz parte do plano de metas das empresas

Publicado pelo Pauta Social em 28/11/07

É o que mostra a oitava edição do Guia EXAME de Sustentabilidade

A revista EXAME, maior publicação de negócios e economia do país, premiou na noite da última terça-feira, 27, no Teatro Alfa, em São Paulo, as empresas que melhor integraram a sustentabilidade às suas estratégias de negócios em 2007. No ranking das 20 empresas-modelo em responsabilidade corporativa, oito são estreantes: Accor, Amanco, Aracruz, Arcelor, Braskem, Caterpillar, IBM e Mapfre. As outras premiadas são: Acesita, Banco Itaú, Banco Real, Basf, CPFL, Elektro, IBM, Natura, Philips, Promon, Serasa, Suzano e Unilever.

“Quando tomamos a decisão de criar o Guia EXAME de Sustentabilidade (antigo Guia Exame de Boa Cidadania Corporativa), há oito anos, a responsabilidade corporativa era uma novidade e um grande desafio para as companhias. Exame foi pioneira, pois acreditou que o assunto não era um modismo e que tinha vindo para ficar. Hoje, o tema é um dos mais discutidos em empresas de todos os portes e segmentos no mundo todo”, disse Roberto Civita, presidente do Grupo Abril, em seu discurso de abertura do evento.

Segundo Civita, questões ambientais e sociais, que sempre foram marginais aos negócios, estão chegando ao coração da estratégia. “Do total de companhias analisadas, 63% contam com um comitê de sustentabilidade, 83% têm uma política corporativa ambiental e 81% utilizam critérios sociais para a escolha de seus fornecedores. Cerca de um terço dessas empresas também vincula a remuneração variável de seus executivos a metas ambientais e sociais.”

O Guia Exame de Sustentabilidade mostra que as companhias têm metas cada vez mais ambiciosas no quesito ecoeficiência, sobretudo no que se refere ao consumo de água e energia: 66% têm metas de redução do consumo de água e 72% de energia. Há indícios de que as organizações devem cada vez mais evoluir também no que se refere à emissão de gases de efeito estufa — seja no processo produtivo ou em outras etapas de sua atividade, como o transporte de materiais ou pessoas. Segundo o levantamento, 40% das empresas realizam hoje um inventário de emissão de gases de efeito estufa — e 32% já possuem metas de redução dessas emissões.

Embora o Guia Exame de Sustentabilidade aponte que há grande esforço das companhias em adaptar os seus negócios aos novos tempos, a postura sustentável das empresas brasileiras tem muito espaço para se estender pela cadeia de negócios: 64% monitoram o impacto ambiental de sua atividade produtiva, mas apenas 28% analisam a atividade de seus fornecedores no que se refere ao meio ambiente. Quando o assunto é o impacto social, porém, a porcentagem de empresas que levam em conta a atuação dos fornecedores chega a 81%. A maior parte delas verifica o cumprimento da legislação trabalhista, como se há trabalho infantil (68%) ou escravo (67%). Um percentual mínimo de empresas (5%) prevê, no entanto, medidas disciplinares e legais para as situações em que os fornecedores não se enquadram a esses indicadores de monitoramento.

Nas bancas de todo o país a partir da quinta-feira, 29, o Guia EXAME de Sustentabilidade, considerado o levantamento de maior credibilidade sobre o assunto no Brasil, é uma iniciativa pioneira de EXAME. Em 2007 passou por uma mudança metodológica ao firmar uma parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (Gvces). Conhecido como uma das maiores autoridades em sustentabilidade do país, o Gvces é responsável, por exemplo, pelo Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa, que reúne empresas responsáveis listadas na bolsa. A mudança do nome do Guia e da metodologia visam refletir as transformações em curso no Brasil, já que o tema vem saindo do terreno do discurso e da boa intenção e se traduz cada vez mais em ações que podem ser mensuradas.

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Empresas do grupo AES integram Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa

Publicado pelo Valor Online em 28/11/07


A distribuidora de energia elétrica AES Eletropaulo e a geradora AES Tietê, empresas do Grupo AES no Brasil, estão entre as 32 empresas que fazem parte da carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa (ISE) para 2008.

A nova carteira reúne empresas que apresentam os melhores desempenhos sob o aspecto da sustentabilidade corporativa, baseada na eficiência econômica, no equilíbrio ambiental, na justiça social e na governança corporativa. O ISE é revisado anualmente e ponderado pelo número de ações em circulação no mercado.

"Desde dezembro de 2005 a AES Eletropaulo participa do ISE. A inclusão da AES Tietê na carteira de 2008 reforça o compromisso do Grupo AES com a sustentabilidade", explica Britaldo Soares, presidente do Grupo no Brasil.

O indicador da Bovespa foi criado para se tornar marca de referência para o investimento socialmente responsável e também indutor de boas práticas no meio empresarial brasileiro, como transparência com o mercado financeiro, relação ética com fornecedores e funcionários e respeito à comunidade e ao meio ambiente.

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Dunga doa camiseta e boné autografado para o Instituto Ver

Publicado pelo Pauta Social em 28/11/07


O técnico da Seleção Brasileira de Futebol, Dunga, doou, através da agência Plenna – Solução em Comunicação, um boné e uma camiseta oficial da Seleção para o Instituto Ver. Na camiseta constam os autógrafos dos 22 convocados para a partida ocorrida no dia 21 de novembro contra o Uruguai, pela 4ª rodada das eliminatórias da Copa de 2010. Já o boné apresenta uma dedicatória e um autógrafo do eterno capitão do tetra.

Os objetos doados serão leiloados no Jantar que celebra o dia mundial da propaganda, dia 3 de dezembro, no Plaza São Rafael em Porto Alegre. Toda a verba arrecadada será revertida a esta ONG. A entrega oficial do boné e da camiseta acontecerá dia 29 de novembro, ao meio dia, na sede de Porto Alegre da Plenna.

Os objetos doados por Dunga serão entregues oficialmente pelo diretor da Plenna, Roner Anderson, para João Firme de Oliveira, Secretário Geral da Associação Latino Americana de Agências de Publicidade (Alap) e Presidente do Sindicato das Agências de Propaganda do Rio Grande do Sul (Sapergs), entidades mantenedoras do Instituto Ver. Estará presente no encontro a oftalmologista pediátrica e diretora técnica do Instituto, Rosane Ferreira


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MDS vai investir mais de 12 milhões em projetos de agricultura

Publicado pelo Pauta Social em 28/11/07

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) vai disponibilizar, em 2008, mais de R$ 12 milhões que serão investidos em projetos de Agricultura Urbana e Periurbana. Municípios das regiões metropolitanas de Recife (PE), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Belém (PA), Manaus (AM), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA) - considerados pólos da Agricultura Urbana no Brasil - estão entre os beneficiados.

O país contabiliza mais de 600 projetos de Agricultura Urbana. Destes, 136 são apoiados pelo MDS. O benefício é recebido por aproximadamente 306 mil famílias. Segundo o coordenador da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, João Augusto de Freitas, até o final deste ano, o Ministério terá apoiado 113 novos projetos, beneficiando mais 46 mil famílias: “Em dezembro, a região metropolitana de São Paulo será beneficiada com cinco grandes projetos nos municípios de Embu, Mauá, Osasco e Jandira. A cidade de São Paulo também está inclusa. Nos bairros do Campo Limpo e Capão Redondo serão implantadas Hortas Comunitárias. O valor total do investimento é de R$ 1.295.000,00”, explica João Augusto.

Freitas destaca que a atividade vem crescendo no Brasil, apesar da ausência de dados oficiais sobre o assunto. Estudo realizado em junho pela Rede Intercâmbio de Tecnologias Alternativas em 11 regiões metropolitanas – Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR); Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ); São Paulo (SP); Brasília (DF); Goiânia (GO); Belém (PA); Fortaleza (CE), Recife (PE) e Salvador (BA) constatou intensa e variada atividade de Agricultura Urbana e Periurbana.

A partir do estudo, foi elaborada uma lista com mais de 600 iniciativas, em sua maioria de produção destinada ao auto-consumo e à comercialização. Destas, 160 experiências são desenvolvidas em 52 municípios das regiões metropolitanas, tanto em metrópoles (população superior a 2 milhões de habitantes) quanto em municípios medianos e pequenos (até 30 mil habitantes).

“A prática da Agricultura Urbana e Periurbana é desenvolvida em todas as regiões do Brasil. É uma realidade que engloba grande diversidade de contextos, apresentando ampla capacidade de expansão e muitas possibilidades de consolidar-se com uma atividade permanente e multifuncional na escala local, impulsionando as políticas de Segurança Alimentar e Nutricional e produtora de trabalho, emprego e renda”, explica o coordenador do MDS.

O Programa
A Agricultura Urbana é uma das ações que compõem a estratégia do Fome Zero, incentivando a produção de alimentos de forma comunitária, com uso de tecnologias de bases agroecológicas, em espaços urbanos e periurbanos ociosos.

Com a mobilização comunitária, em especial com apoio das Prefeituras, são implementadas hortas, lavouras, viveiros, pomares, canteiros de ervas medicinais, criação de pequenos animais, unidades de processamento/beneficiamento agroalimentar e feiras e mercados públicos populares.

Os alimentos produzidos são destinados para auto-consumo, abastecimento de restaurantes populares e cozinhas comunitárias, além da venda de excedentes no mercado local, resultando em inclusão social, melhoria da alimentação e nutrição e geração de renda.

Os produtores em geral são oriundos de famílias pobres que produzem para auto-consumo e vendem ou trocam o excedente nas comunidades onde vivem.

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quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Brasil cai para 70º lugar no ranking do IDH; veja lista de países

Publicado pela Folha Online em 27/11/07

O Brasil entrou pela primeira vez no grupo de países considerados de alto desenvolvimento humano. O Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) divulgou nesta terça-feira relatório que mostra que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) brasileiro alcançou 0,800 --em uma escala de 0 a 1--, o que é considerado alto.

Apesar disso, o país caiu uma posição no ranking do IDH, passando de 69º para 70º. O índice divulgado hoje leva em consideração dados de 2005. No relatório do ano passado, de 2004, o IDH do Brasil foi de 0,792.

Em 2005, a Albânia e a Arábia Saudita ultrapassaram o Brasil no ranking do IDH, ocupando agora a 68ª e a 61ª posição respectivamente. O Brasil, em compensação, ficou à frente da Dominica (71ª posição).

Países vizinhos do Brasil, porém, estão em melhor posição, como a Argentina (38ª), Chile (40ª) e Uruguai (46ª). A Islândia ocupa a primeira posição, com IDH de 0,968, seguida por Noruega, Austrália, Canadá e Irlanda. Em último lugar (177ª posição), com IDH de 0,336, está Serra Leoa.

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terça-feira, 27 de novembro de 2007

Quando o Terceiro Setor é governo

Renato Baruki *
Publicado pela Revista Filantropia - OnLine - nº130


Com o decreto nº5.504, associações e fundações que recebem transferências de recursos públicos ou incentivos fiscais devem se igualar ao setor público na prestação de contas e utilizar o pregão eletrônico

Não faltavam indícios do que estava acontecendo. Infelizmente, os gestores públicos de má-fé descobriram nos últimos anos uma nova maneira de realizar suas improbidades: desvio de recursos públicos via entidades do Terceiro Setor. No final de 2006, a CPMI dos Sanguessugas identificou que 53 ONGs estariam envolvidas no esquema de compra superfaturada de ambulâncias. Muitos outros escândalos nos mesmo moldes apareceram.

Para evitar abusos como estes, foi criado o decreto nº 5.504, de 5 de agosto de 2005, antes mesmo de descoberto o esquema de corrupção. Este decreto equipara as entidades do Terceiro Setor aos órgãos públicos nas contratações de bens e serviços comuns. Ou seja, os gastos com recursos públicos devem seguir as mesmas regras que a União, os estados, os municípios e o Distrito Federal: Lei de Licitações. E mais, devem utilizar preferencialmente o modelo mais moderno de licitação: o pregão eletrônico.

Legislação
A lei nº 8.666/93, chamada de Lei de Licitações, enumera em seu art. 22 as seguintes modalidades de licitação: 1) Concorrência,
2) Tomada de preços, 3) Convite, 4) Concurso e 5) Leilão. A medida provisória nº 2.026/00 trouxe mais uma modalidade: o pregão. E a lei nº 10.520/02 criou a possibilidade de o pregão ser realizado por meio eletrônico.

Com o crescimento contínuo do uso da internet em todo o país, o legislador, por meio do decreto nº 5.450/05, regulamentou o pregão eletrônico para a aquisição de bens e serviços comuns. Passaram a utilizar o pregão eletrônico, além dos órgãos da administração pública direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e todas as demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União.

Responsável por boa parte das compras governamentais devido à maior agilidade e transparência, o uso do pregão eletrônico cresce de maneira exponencial no Brasil. Segundo um estudo divulgado pelo Ministério do Planejamento, até meados de 2006, o pregão eletrônico respondia por 46% em valor e 64% em volume das licitações de bens e serviços comuns realizadas pelo governo federal.

Pregão eletrônico
O pregão eletrônico é, em linhas gerais, a modalidade de leilão conhecida como “leilão reverso” ou “leilão holandês”, no qual os fornecedores interessados participam de um leilão às avessas, oferecendo lances sucessivos e menores, no chamado “quem dá menos”. Diferentemente do pregão presencial, no pregão eletrônico os lances ocorrem em um ambiente virtual, por intermédio da internet, o que traz diversos ganhos no que diz respeito ao estímulo direto à competitividade e à livre concorrência. Esses diferenciais são traduzidos em eficiência, rapidez na contratação (em média 20 dias, contra 89 dias nas tomadas de preço e 180 dias nas concorrências), transparência e uma grande economia real (em média entre 20% a 30%).

Mas o que pode e o que não pode ser comprado por meio de pregão eletrônico? A lei diz que o pregão eletrônico pode ser utilizado nas aquisições de bens e serviços comuns, que legalmente são aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade podem ser objetivamente definidos em um edital. Ou seja, todos os produtos que possam ser bem descritos, sem deixar margem para dúvidas. Além disso, para que haja concorrência, é necessário encontrar vários fornecedores do mercado.

Vantagens do Pregão eletrônico
Uma das principais vantagens do sistema eletrônico de licitação é o estímulo à competitividade e à democratização na participação dos fornecedores. Os editais são disparados por e-mail, atingindo um número maior de participantes. Fornecedores dos mais diversos estados podem participar sem a necessidade de locomoção, diminuindo assim seus gastos.

Mecanismos especiais garantem a idoneidade do sistema como, por exemplo, o tempo aleatório (ou randômico): após o término do tempo normal de disputa, há um acréscimo de tempo que pode ir de 1 segundo a 30 minutos.

Fornecedores e o pregoeiro não sabem qual será esse tempo, o que impede que os participantes guardem seus “melhores lances” para os momentos finais da disputa. Os sistemas são seguros (criptografados) e, com a ata digital, a prestação de contas é mais simples.

Além disso, no ambiente virtual os fornecedores disputam lances menores sem conhecer os concorrentes. A cada fornecedor, é atribuído pelo sistema um código numérico, em vez do nome, prevenindo possíveis fraudes ou formação de cartéis.

Pregão eletrônico e Terceiro Setor
Neste cenário de ampliação do uso desta modalidade de licitação é que o governo quis inserir as entidades do Terceiro Setor. E, hoje, nas prestação de contas dessas entidades ao TCU, não será mais aceita a justificativa de desconhecimento da lei.Os prazos previstos em lei para a adoção do pregão eletrônico venceram no começo deste ano (dia 23 de março).

A portaria interministerial nº 217, de 31 de julho de 2006, estabelecia vários prazos para a utilização do pregão eletrônico, dependendo do valor a ser licitado.

Sendo assim, teremos nos próximos anos grandes desafios no que diz respeito ao enquadramento nesta lei pelas organizações sociais. Isso porque as entidades não dispõem de experiência, tempo ou capital humano para a realização de um pregão eletrônico, que é uma atividade burocrática, trabalhosa e complexa.

Além disso, os sistemas de pregão eletrônico disponíveis no mercado e no setor público não são adequados às necessidades do Terceiro Setor: só trabalham com grandes volumes, não auxiliam na elaboração dos editais e na descrição correta dos produtos, na publicação dos editais e no cumprimento de todos os requisitos legais necessários; além de serem caros e não disponibilizarem pregoeiros.

Por outro lado, podemos ver com otimismo estas novas exigências, que, de fato, auxiliam na crescente profissionalização das associações e fundações brasileiras. Elas vêm deixando de ser organizações baseadas exclusivamente em trabalhos voluntários para se tornarem organizações profissionais.

Quando as entidades do Terceiro Setor aprenderem a utilizar a ferramenta de pregão eletrônico para suas aquisições de bens e serviços, provavelmente o efeito será similar ao que aconteceu quando essa modalidade foi adotada pelo setor público: maior economia e agilidade nas compras, além de uma maior transparência nos gastos, o que é uma demanda de toda a sociedade brasileira. Será criado, então, um ambiente no qual quem for pioneiro poderá fazer mais com o mesmo volume de recursos.

*Renato Baruki é Sócio do Terceiro Pregão – O Pregão do Terceiro Setor

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Força-tarefa pela legalidade do terceiro setor no PR

Publicado pelo Pauta Social em 26/11/07

A Ação Social do Paraná (ASP), instituição sem fins lucrativos ligada à Cúria Metropolitana, está promovendo nesta sexta, 23, um encontro com representantes de entidades do Terceiro Setor de todo Paraná, com o objetivo de criar um sistema de informação, avaliação e monitoramento das atividades desenvolvidas por essas instituições. O que se pretende é realizar um estudo detalhado a respeito do setor social.

Neste primeiro encontro pretende-se nivelar as informações acerca das entidades, e em seguida será estabelecido um plano de ação para legalizar e orientar juridicamente as instituições do terceiro setor que estiverem com irregularidades, ou que estão ilegais. “A proposta faz parte de uma das ações para o alcance da auto-sustentabilidade da rede de entidades ligadas a ASP e servirá de alicerce para a concretização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”, afirma Pe. José Aparecido, coordenador da ASP.

Dentro de agenda ASP e dando continuidade aos esforços para a regularização das entidades sociais, acontece no dia 1.º de dezembro, das 8 às 17 horas, no auditório da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o treinamento “Gestão de Instituições do Terceiro Setor”, com o especialista e consultor Takashi Yamauchi. Conceito e gestão das instituições do terceiro setor, aspectos legais, responsabilidade social e ambiental, aspectos contábeis, estrutura de um estatuto, centro de custo e plano de contas, captação de recursos, renúncia e incentivo fiscal, OSCIP e demais certificações são alguns dos temas abordados durante o curso.

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GIFE lança Indicadores de Gestão do ISP

Rodrigo Zavala
Publicado pelo
redeGIFE Online em 26/11/07

O GIFE lançou, no último dia 21, os Indicadores GIFE de Gestão do Investimento Social Privado. Trata-se de um questionário em que institutos e fundações de origem privada podem aferir a eficiência de sua gestão ao analisar fatores como: composição de conselhos de governança, direção executiva, recursos humanos e financeiros, planejamento estratégico e ações de monitoramento e avaliação.

“O instrumento leva a uma reflexão sobre a estruturação de suas organizações para o desenvolvimento da ação social, identificando os aspectos mais frágeis e fortes”, afirma a responsável técnica dos indicadores, Simone Coelho, diretora do Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e de Ação Comunitária (Ideca).

O questionário foi aplicado a 68 organizações associadas ao GIFE, que aportam o maior volume de recursos no grupo. Na análise das respostas, algumas informações chamam atenção, como a estrutura decisória. De acordo com o levantamento, o funcionamento dos Conselhos de Governança – os grandes orientadores das decisões – ainda é um desafio.

“Ao que parece, a principal dificuldade dos associados sobre o papel dos conselhos se dá na elaboração das linhas de atuação, participação em ações específicas e apoio a captação de parcerias e recursos”, conclui Simone. O fato sugere uma área crítica. De maneira geral, quando há problemas na estrutura em que as decisões são tomadas, estas podem não ser suficientemente institucionalizadas e legitimadas internamente.

Outro ponto importante, evidenciado na pesquisa, foi em relação aos recursos financeiros. Questionados sobre o fluxo de liberação dos recursos e sua evolução, apenas 7% dos gestores entrevistados garantiram ter um horizonte de dois ou mais anos para planejar as ações. Para 79%, as perspectivas para o trabalho são anuais.

”Isso revela que os processos de definição dos orçamentos e da sua disponibilização ainda apresentam procedimentos que nem sempre favorecem a própria ação social”, argumenta Simone.

Embora os dois resultados acima pareçam negativos, a análise global dos questionários mostra, segundo sua responsável técnica, que a maioria das fundações e institutos têm procurado estruturar suas intervenções “de forma bastante adequada”.

“A explicitação das principais dificuldades tais como governança, recursos financeiros, definição da ação e avaliação pode inspirar ações específicas de superação. Mas é importante ver que poucas instituições estejam fora do padrão médio de atuação”, afirma.

O secretário-geral do GIFE, Fernando Rossetti, explica que os indicadores são resultado do conhecimento acumulado ao longo dos anos em pesquisas, publicações, seminários e cursos, sistematizados de forma objetiva. “Foram cinco anos debruçados em um questionário que abarcasse a heterogeneidade dos investidores sociais privados”, argumenta.

Os indicadores também são complementares ao Censo GIFE de Investimento Social Privado, considerado o principal estudo aprofundado no país sobre como as organizações de origem privada realizam seu trabalho social.

“A importância central do Censo é saber o quê e porquê se faz. Nos últimos anos, ele se tornou referência ao identificar sinergias entre ações sociais, tal como áreas que precisam de mais investimento”, explica. De forma sucinta, de acordo com Rossetti, “enquanto o Censo diagnostica a estratégia de investimento, os indicadores GIFE apontam sua tática”.

A quarta edição do Censo GIFE, para o biênio 2007-2008 já começou a ser realizado em parceria com o Instituto ibi e com o IBOPE/Instituto Paulo Montenegro. A análise do levantamento será transformada em uma publicação e, tal como , os dados mais aprofundados dos Indicadores GIFE, será divulgado no 5º Congresso GIFE sobre Investimento Social Privado, a ser realizado de 02 a 04 de abril de 2008, em Salvador.

Na última versão do Censo GIFE, divulgado no ano passado, o levantamento mostrou que a Rede GIFE investe aproximadamente R$1 bilhão por ano em projetos, cujo foco (81%) é preponderantemente educativo. Outro dado importante foi o aumento de projetos voltados para a juventude. Como principal beneficiada, a faixa etária entre 15 e 24 anos aparece em primeiro lugar nas ações sociais realizadas.

“Embora se restrinja ao universo de organizações associadas ao GIFE, é uma amostra qualificada da atuação das empresas no campo social, já que o Grupo é modelo na realização de investimento social privado”, argumenta Rossetti.

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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Unibanco e AACD fecham parceria em capitalização

Fernando Travaglini
Publicado pelo
Valor Online em 26/11/07

Carlos Moura (esq.), diretor do Unibanco, e Eduardo Carneiro, presidente da AACD: mais de R$ 600 mil em dois meses
Foto Marisa Cauduro / Valor


O Unibanco Capitalização fechou parceria com a AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) para destinar uma parte das vendas do plano de capitalização para a entidade. No mês de novembro, foi repassado o primeiro cheque, de R$ 100 mil. Em dezembro, o valor deve ser superior a R$ 500 mil.

O presidente da AACD, Eduardo de Almeida Carneiro, destaca que o acordo é "extraordinário" por atingir um público muito grande. "Em 58 anos, conquistamos credibilidade e a simpatia de todo mundo, mas não temos penetração muito grande. Contamos com 18 mil sócios".

Já com a parceria, a entidade poderá ser vista pelos 27 milhões de clientes do banco, usando o "meio do banco para chegar a um público com poder aquisitivo que pode nos ajudar", completa Carneiro. A instituição realiza mais de 5 mil atendimentos todos os dias, 96% deles gratuitos. Mesmo assim tem uma fila de mais de 32 mil pessoas.

Hoje, os planos de capitalização atingem 15% da base de clientes do Unibanco, incluindo o segmento Uniclass, de mais alta renda, que também compra esse tipo de título, explica o diretor do banco, Carlos Alberto Bezerra de Moura.

Moura acredita que os volumes doado à AACD servem como mais um incentivo. "Esses títulos se ajustam às pessoas que querem guardar dinheiro, mas não tem disciplina e ainda tem o incentivo do sorteio associado à ajuda à AACD", diz Moura.

Carneiro destaca ainda que parcerias como essas são importantes pela destinação fixa de recursos. "Dependemos do serviço de profissionais especializados e temos de ter linearidade no fluxo de caixa", explica. Segundo ele, essa segurança permite também planejar certas ações, por exemplo cirurgias, que exigem maior tempo de acompanhamento.

A AACD tem um orçamento anual de R$ 104 milhões para atender oito unidades e um hospital. Do total, 16% é coberto pelo SUS, parte ainda vem das cirurgias particulares realizadas no hospital e o restante, de doações. "Temos preocupação com a sustentabilidade da operação", enfatiza Carneiro.

Além do dinheiro, Carneiro ressalta que o conhecimento, o contato com a AACD é importante para mostrar que a prevenção é fundamental, visto que metade das pessoas atendidas são vítimas de acidentes.

O Unibanco já havia retomado, em março, uma antiga parceria do Hipercard com a AACD. Os usuários do cartão podem doar todo mês R$ 1, R$ 2 ou R$ 5 para a entidade. O montante mensal chega a R$ 200 mil. Eles estudam ainda uma parceria para treinamento de deficientes para o quadro de funcionários do banco.

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ONU convoca internautas a criarem vídeos para conscientizar sobre fome

World Food Programme criou canal no YouTube para concurso Hunger Bytes. Entre os cinco melhores, ganha o vídeo mais acessado.

O World Food Programme (WFP), da Organização das Nações Unidas (ONU), deu início nesta quarta-feira (21/11) ao concurso Hunger Bytes, que convoca estudantes e aspirantes a cineastas a criarem um vídeo curto que conscientize sobre a fome.

O programa aponta que a idéia é que as pessoas saibam e tenham consciência sobre uma crise, que envolve a morte de uma criança a cada cinco segundos, como consequencia da falta de comida.

O Hunger Bytes tem um canal no YouTube com um vídeo provocativo para inspirar os participantes. As imagens mostram pessoas comendo compulsivamente em competições. Ao final, a uma mensagem lembra que “850 milhões de pessoas vão dormir com fome todas as noites.” Assista ao vídeo no YouTube.

Os vídeos devem ter de 30 a 60 segundos e serem enviados por e-mail ao WFP - pode ser um link, arquivo .wmv ou do QuickTime, com menos de 4MB - até o dia 1 de agosto de 2008.

Cinco vídeos serão selecionados e publicados na web. Ganha o que tiver mais acessos até o World Food Day, no dia 16 de outubro de 2008. Para aumentar suas chances, os inscritos podem compartilhar o link com comunidades, redes sociais ou incluir o vídeo em blogs.

O vencedor irá visitar e filmar um dos locais de ação humanitária do WFP pelo mundo.

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Aberta Seleção Pública de Projetos do programa Desenvolvimento & Cidadania Petrobras

Publicado no site da Petrobrás

Está sendo lançada a Seleção Pública de Projetos 2007 do programa Desenvolvimento & Cidadania Petrobras. Neste ano, serão destinados R$ 27 milhões a projetos que contribuam para a redução das desigualdades sociais nas comunidades mais excluídas do país.

Visando assegurar a igualdade de condições no acesso a seus recursos, a Petrobras está planejando, durante o período de inscrições, Caravanas Sociais. Tratam-se de oficinas presenciais e virtuais que visam capacitar as organizações sociais para a elaboração de projetos. As oficinas presenciais ocorrerão em todos os estados brasileiros, são livres e gratuitas. As oficinas virtuais e o cronograma das oficinas presenciais podem ser acessados no site da Petrobras, em breve.

Poderão candidatar-se projetos em andamento ou em fase de planejamento que tenham como foco, ao menos uma das linhas de atuação:
. Geração de renda e oportunidade de trabalho
. Educação para qualificação profissional
. Garantia dos direitos da criança e do adolescente
Os projetos inscritos devem contemplar ações diretas que se relacionem a atividades de implantação, implementação, expansão, aperfeiçoamento ou replicação do projeto.

As inscrições estão abertas de 21 de novembro a 11 de janeiro, com o limite máximo de solicitação de recursos de até R$ 690.000,00 por projeto por ano (12 meses), com a possibilidade de renovação por até dois anos (24 meses).

Veja aqui o regulamento e aqui o roteiro de elaboração de projeto.

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ONU prevê 12,3 mi de toneladas de lixo eletrônico na Europa em 2020

Publicada pelo IDG Now! em 22/11/07

United Nations University critica baixa reciclagem e sugere aumento em programas para mais que duplicar descarte correto de gadgets.

Um estudo sobre lixo eletrônico divulgado pela United Nations University nesta quinta-feira (22/11) prevê que, mesmo com o aumento na reciclagem, os países da União Européia produzirão cerca de 12,3 milhões de toneladas de dejetos eletrônicos em 2020.

De acordo com o estudo, o lixo eletrônico entre os 27 países da União Européia crescerá até 2,7% anualmente até a data, a partir de 10,3 milhões de toneladas registradas em 2005, quando a região representou cerca de um quarto de todo lixo eletrônico produzido no mundo.

A baixa taxa de reciclagem atual dos restos de aparelhos eletrônicos - 25% dos equipamentos de pequeno e médio porte e 40% dos equipamentos maiores - mostra que o cenário tem espaço "para melhorias significativas", afirma o documento da ONU.

A proposta da United Nations University é elevar a taxa de coleta para 60% dos aparelhos médios e 75% dos maiores, o que resultaria em cerca de 5,3 milhões de toneladas recicladas até 2011, mais que o dobro das 2,2 milhões de toneladas que deverão ser reaproveitadas na Europa em 2007.

Os dados sobre as previsões fazem com que o órgão estime cerca de 4 quilos de lixo eletrônico por morador da União Européia em 2020, "taxa fácil de se lidar em membros mais ricos da união, mas bastante desafiantes para novos membros", explica o documento, apontando a dificuldade de países mais pobres no continente em lidar com os dejetos.


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Aumenta a auditagem de publicidade no rádio

Ivana Moreira
Publicado pelo
Valor Online em 23/11/07

Um acórdão do Tribunal de Contas de União de 2006 tornou obrigatória, para fins de pagamento, a comprovação de veiculação de todos os anúncios do governo federal em rádio. A determinação, que inspirou decisões semelhantes em governos estaduais como o de Minas Gerais, abriu um novo mercado para empresas especializadas em auditagem das emissoras de rádio do país.

Há mais de 3,7 mil emissoras de rádio em funcionamento no Brasil, a maior parte espalhada pelo interior. Elas ficam com cerca de 4% da verba total de publicidade no país. "Os anunciantes pagavam mas não tinham comprovação de que as emissoras haviam realmente veiculado o número de inserções contratado", diz Valter Cruz, diretor da mineira Pró-Ativa.

A empresa é dona da patente do TrackMedia, um sistema tecnológico, em plataforma java, que permite a auditagem on-line das inserções publicitárias. O governo mineiro foi o primeiro cliente da empresa. "O governo de Minas só anuncia em emissora auditada", afirma o diretor da Pró-Ativa.

Com uma boa base de rádios monitoradas, a empresa já começou a ser procurada também por grandes empresas da iniciativa privada, como a Fiat Automóveis. Os anunciantes pagam, dependendo do tipo de contrato, R$ 0,60 pela comprovação de cada anúncio veiculado.

O TrackMedia já está instalado em 296 emissoras de Minas Gerais, mercado teste para Pró-Ativa. Outras quase 300 emissoras de três Estados - Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraíba. Segundo Cruz, até abril serão 1,5 mil emissoras monitoradas pelo sistema, que foi desenvolvido por especialistas do Rio Grande do Sul. "A meta é chegar ao fim de 2008 com 2,5 mil emissoras monitoradas."

Para instalar o sistema de auditagem e passar a ser monitorada pela Pró-Ativa, as emissoras precisam pagar uma taxa de R$ 480. "A auditagem é um novo impulso para o meio rádio", aposta Valter Cruz.

A grande interatividade com os ouvintes, a segmentação de público e o custo relativamente baixo no meio rádio são qualidades reconhecidas pelos publicitários no planejamento das mídias de seus clientes. Mas a falta de informações sobre as emissoras e de dados a respeito da execução dos planos de mídia sempre foram reclamações freqüentes no mercado.

Nos últimos anos, as rádios perderam receita publicitária para outros veículos de comunicação, sobretudo a internet. De acordo com dados da publicação Meio & Mensagem, especializada no mercado publicitário, o faturamento publicitário das rádios brasileiras foi de R$ 461,3 milhões entre janeiro e agosto deste ano - valor 2,72% mais baixo que o do mesmo período do ano passado. A expectativa, porém, é de retomada do crescimento do faturamento das emissoras de rádio.

Além de investir em sistemas de comprovação da veiculação dos anúncios, como o TrackMedia, muitas emissoras vêm aplicando recursos também em avanços técnicos e tentam se preparar para aderir à tecnologia digital. As 3.766 rádios espalhadas pelo país conseguem atingir 93,9% da população brasileira, conforme dados da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão.

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O que faz os ricos, ricos

Robinson Borges
Publicado pelo
Valor Online em 23/11/2007

Uma piada que tem circulado nas rodas de gestores de fortunas brinca com a diferença no estilo de vida dos ricos e dos super-ricos dos últimos tempos. Enquanto os ricos acham que viajar de primeira classe é um luxo, os super-ricos consideram que chique mesmo é ter um avião para chamar de seu. O motivo do bom humor dos administradores de recursos é que o número de endinheirados, sejam ricos ou super-ricos, cresce a uma velocidade quase supersônica no Brasil, e boa parte dos gestores está pegando carona neste vôo. No ano passado, os ativos dos milionários nacionais cresceram 20%, de acordo com um levantamento da consultoria Boston Consulting Group. Em outra pesquisa, realizada pela corretora Merril Lynch, observa-se um aumento de 10,1% no número de pessoas com mais de R$ 1 milhão para investir ao longo de 2006, um incremento superior ao da média global de 8,3% no mesmo período. "Em 2007, vivemos o pico do boom desta liquidez no país", afirma Paulo Colaferro, sócio-diretor da Taler Empreendimentos.

A capitalização de pessoas físicas brasileiras tem crescido como efeito colateral de uma conjuntura favorável do mercado: expansão das fusões e aquisições no país - R$ 23,6 bilhões no primeiro semestre e estimativa de chegar a R$ 70 bilhões até o mês que vem-, aquecimento do mercado imobiliário e aumento substancial do volume das ofertas públicas de ações, que até quarta-feira geraram R$ 29,5 bilhões em 2007. A expectativa é que o IPO da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) na próxima sexta-feira deva adicionar outros nomes à crescente lista de milionários, a exemplo do que ocorreu com o lançamento de papéis da Bovespa neste ano.

Um agente influente e poderoso para o aumento desta liquidez no mercado são os fundos de private equity, geridos por financistas que montam fundos e compram e vendem empresas na bolsa. A análise é de René Werner, da Werner & Associados Consultores Internacionais em Desenvolvimento Societário, que também observa uma alteração significativa no horizonte com a chegada de novas gerações no comando das empresas familiares. "A primeira geração das companhias nacionais aplicava 100% de seus lucros na operação. Com a entrada das segundas e das terceiras gerações, vejo uma diversificação no portfólio, com aplicações também no setor financeiro. O que antigamente era visto apenas como risco é agora uma grande oportunidade."

Antes da fase atual de bonança, muitos dos clientes da Taler - empresa que administra uma carteira de R$ 1 bilhão - possuíam grande número de ativos engessados, com pouca liquidez. Com a onda de fusões e aquisições, muitos se desfizeram de seus empreendimentos e alguns venderam seus imóveis para grandes incorporações, o que resultou na disponibilidade de mais dinheiro para investir no mercado financeiro. Hoje, 45% do patrimônio dos clientes cujos recursos são administrados pela Taler têm participação acionária e 30% investem em ativos imobiliários.

"Vivemos um fenômeno de amadurecimento dos mercados. É o capitalismo chegando no Brasil. Antes vivíamos um pré-capitalismo, em que poucas pessoas dispunham de acesso ao mercado de capitais", afirma Ricardo Taboaço, sócio da Taboaço, Nieckele & Associados, que administra cerca de R$ 800 milhões em sua carteira. "Metade desses recursos foram gerados pelo esplendor da nova riqueza", prossegue.

De acordo com o estudo do Boston Consulting, o aquecimento na formação de fortunas no Brasil começou a se intensificar no início da década. Entre 2001 e 2006, o país ocupou a vice-liderança no ranking das nações que experimentou maior expansão no volume de riqueza, com aumento de 22,4%. Perdeu apenas para a quase sempre imbatível China, que teve acréscimo de 23,4% ao longo do mesmo período. "Desejo que 2008 seja tão bom quanto 2007, entretanto, não acho que vamos manter a mesma velocidade no aumento de liquidez. Mas o ano que vem será um bom ano", afirma o diretor da Taler.

Mesmo sem manter o ritmo, as perspectivas seguem uma rota de prosperidade. "Projetamos um crescimento de 7,2% ao ano nos ativos dos ricos da América Latina até 2011, mais do que a média global de 6,8% prevista para o mesmo período", diz Michael Angelicola, gerente do grupo de pesquisas estratégicas das Américas da consultoria Capgemini, que realiza anualmente o levantamento World Wealth Report em parceria com o Merril Lynch.

Em termos globais, a situação também tem sido positiva. Os ativos financeiros das pessoas super-ricas somados aos das ricas tiveram ganhos de 11,4% no ano passado, totalizando US$ 37,2 trilhões, segundo dados da corretora americana. Foi a primeira vez, em sete anos, que esse índice chegou aos dois dígitos. No ano passado, havia 9,5 milhões de pessoas no mundo - 0,14% da população da Terra - com mais de US$ 1 milhão em ativos para investimentos.

Os países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) têm sido alguns dos propulsores dessa economia próspera, de acordo com Angelicola. A China e a Rússia estão no topo da lista dos dez países que possuem maior aumento no número de milionários do mundo. "A população de chineses ricos cresceu 7,8% e a de russos, 15,5%. O Brasil e a Índia se mantêm fortes", observa. Para ele, o aumento do PIB das nações em desenvolvimento, a estabilidade econômica, o encorpado lucro das companhias dos países emergentes e do fluxo maior de investimentos estrangeiros também devem ser considerados como fatores de enriquecimento das pessoas das nações em desenvolvimento.

Na categoria "exclusiva" dos super-ricos, o Brasil também vai bem, obrigado. Na última lista da mítica revista "Forbes", o país contribui com 20 nomes. Em 2006, havia apenas 16 super-ricos nacionais e há cinco anos eram apenas 5. A maioria dos empresários brasileiros da "Forbes" é de industriais ou de donos de empresas prestadoras de serviços, que não herdaram fortunas e deram saltos por si mesmos.

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"Vivemos um fenômeno de amadurecimento dos mercados. É o capitalismo chegando no Brasil", afirma Ricardo Taboaço--------------------------------------------------------------------------------

A soma dos bens desses brasileiros passou de US$ 33,5 bilhões para US$ 46,2 bilhões. Trata-se de um aumento de 38% na comparação com 2006, superior à média de 35% dos super-ricos do ranking total da revista. O banqueiro Joseph Safra, de 68 anos, é o mais rico. Dono do banco Safra, ele aparece no 119º lugar na perspectiva mundial. Sua fortuna é de US$ 6 bilhões. Como segundo brasileiro mais rico e em 165º lugar no âmbito global está o empresário Jorge Paulo Lemann, da Ambev e Inbev, com R$ 4,9 bilhões. Um ex-banqueiro e atualmente empresário aparece no terceiro posto entre os brasileiros (214º no mundo): Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa, com US$ 4 bilhões. No quarto lugar (226º no mundo) vem a família liderada pelo empresário Antonio Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantim, com US$ 3,9 bilhões (leia lista na página 7).

No âmbito internacional, delineou-se também um bom cenário para esta pequena parcela da população. O total de pessoas com patrimônio acima de US$ 1 bilhão, segundo a "Forbes", atingiu a marca recorde de 946 neste ano, 178 a mais do que o verificado no ano passado e maior do que qualquer outro número divulgado pela revista. Os Estados Unidos mantêm sua supremacia habitual. Possuem mais super-ricos do que qualquer outro país: 415. Mas a China mostra sua força com um belo segundo lugar. Ao todo, 53 países figuram na última lista da "Forbes", o que representa um recorde.

Os bilionários da "Forbes" acumulam hoje US$ 3,5 trilhões, com uma renda de US$ 3,14 bilhões, bem mais do que a média de US$ 231 milhões de 1982, quando Malcolm Forbes (1919-1990), criou o índice, há 25 anos. Na época, havia apenas 13 pessoas com fortuna acima de US$ 1 bilhão no ranking e era preciso ter US$ 75 milhões para ingressar no seleto grupo da "Forbes" - de apenas 400 nomes.

A senha atual para participar do clube é ter no mínimo US$ 1 bilhão. Trata-se de uma evidência de que a economia global está bem mais aquecida, um resultado direto de um ciclo de expansão inédito no mundo. Na análise de Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve (o Banco Central americano), essa liquidez mundial é resultado do fim do comunismo, o que resultou na entrada de grande número de pessoas na sociedade de mercado.

Essa nova ordem mundial implica fortes mudanças. Quando era criança, por exemplo, um descendente da tradicional família Vanderbilt, que durante décadas esteve no topo da lista dos clãs mais ricos do mundo, acreditava que todas as pessoas que morriam se transformavam em estátuas. A impressão de que a morte se materializava em bronze nasceu de sua freqüente presença em cerimônias de inauguração de bustos em praças públicas poucas semanas após o funeral de seus parentes aristocratas.

Hoje, o pequeno príncipe provavelmente não teria elaborado a mesma teoria sobre o outro lado da vida. A roda da fortuna está muito mais dinâmica e os símbolos da riqueza estão mais concentrados em empreendedores individuais do que nos cultuados herdeiros de corporações. "É a maravilhosa meritocracia do dinheiro", explica Peter W. Bernstein, autor de "All the Money in the World" (Todo o dinheiro do mundo).

Seu livro, recém-publicado nos Estados Unidos pela editora Alfred A. Knopf, revela a história da vida dos super-ricos, segundo a revista "Forbes". A análise da publicação permite captar uma grande mudança no perfil do capitalismo: o chamado dinheiro velho de poderosos sobrenomes perdeu força para o dinheiro novo de self-made men e de nomes conhecidos apenas do jet set empresarial, consolidando o segmento social dos emergentes. A maioria desses super-ricos é filha da classe média, acumulou a própria fortuna e gosta de alardear sua origem modesta, muitas vezes na periferia do mundo.

Quando a lista da "Forbes" saiu pela primeira vez, 53% dos integrantes do ranking haviam criado o próprio império, ante 47% de herdeiros de famílias tradicionais americanas como Vanderbilt, DuPont e Rockfeller. No ano passado, a proporção de super-ricos que ganharam dinheiro com o próprio suor era de 70%, mais de duas vezes o número de pessoas que já havia nascido em berço de ouro.


Durante esses anos todos, houve também uma significativa mudança na relevância dos setores fundamentais para a acumulação de riquezas (ou super-riquezas). Em 1982 o petróleo era a fonte de 22,8% das fortunas. Era o setor mais relevante, batendo a indústria (15,3%), o mercado financeiro (9%) e o de tecnologia (3%). Na lista do ano passado, o petróleo caiu para 8,5%, o mesmo índice do setor industrial. A tecnologia, por outro lado, subiu para 11,7% e o mercado financeiro para extraordinários 24,5%. Não por acaso, esses dois setores são muito mais ligados à inovação.

Mas o que hoje é chamado de dinheiro velho nos Estados Unidos já teve seu momento de frescor. No fim do século XIX, o Reino Unido era a grande potência da economia internacional, e os EUA eram apenas uma ex-colônia britânica. Com as duas Grandes Guerras na primeira metade do século XX, as nações do Velho Mundo se tornaram terras arrasadas e os EUA emergiram como potência econômica mundial. Saíam de cena os nobres europeus e magnatas como John D. Rockefeller, Andrew Carnegie e Cornelius Vanderbilt ganhavam os holofotes. Rockfeller foi o primeiro bilionário da história. Chegou a controlar 90% das refinarias de petróleo dos EUA, acumulando uma fortuna de US$ 236 bilhões, em valores atualizados. Os feitos o elevaram a símbolo de uma era, que, segundo Bernstein, evidenciava uma energia de empreendedorismo extraordinária, quando a sociedade enfatizava o poder das corporações e os herdeiros das fortunas acreditavam que a vida acabava em liga metálica de cobre e estanho numa praça qualquer.

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