terça-feira, 27 de novembro de 2007

Quando o Terceiro Setor é governo

Renato Baruki *
Publicado pela Revista Filantropia - OnLine - nº130


Com o decreto nº5.504, associações e fundações que recebem transferências de recursos públicos ou incentivos fiscais devem se igualar ao setor público na prestação de contas e utilizar o pregão eletrônico

Não faltavam indícios do que estava acontecendo. Infelizmente, os gestores públicos de má-fé descobriram nos últimos anos uma nova maneira de realizar suas improbidades: desvio de recursos públicos via entidades do Terceiro Setor. No final de 2006, a CPMI dos Sanguessugas identificou que 53 ONGs estariam envolvidas no esquema de compra superfaturada de ambulâncias. Muitos outros escândalos nos mesmo moldes apareceram.

Para evitar abusos como estes, foi criado o decreto nº 5.504, de 5 de agosto de 2005, antes mesmo de descoberto o esquema de corrupção. Este decreto equipara as entidades do Terceiro Setor aos órgãos públicos nas contratações de bens e serviços comuns. Ou seja, os gastos com recursos públicos devem seguir as mesmas regras que a União, os estados, os municípios e o Distrito Federal: Lei de Licitações. E mais, devem utilizar preferencialmente o modelo mais moderno de licitação: o pregão eletrônico.

Legislação
A lei nº 8.666/93, chamada de Lei de Licitações, enumera em seu art. 22 as seguintes modalidades de licitação: 1) Concorrência,
2) Tomada de preços, 3) Convite, 4) Concurso e 5) Leilão. A medida provisória nº 2.026/00 trouxe mais uma modalidade: o pregão. E a lei nº 10.520/02 criou a possibilidade de o pregão ser realizado por meio eletrônico.

Com o crescimento contínuo do uso da internet em todo o país, o legislador, por meio do decreto nº 5.450/05, regulamentou o pregão eletrônico para a aquisição de bens e serviços comuns. Passaram a utilizar o pregão eletrônico, além dos órgãos da administração pública direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e todas as demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União.

Responsável por boa parte das compras governamentais devido à maior agilidade e transparência, o uso do pregão eletrônico cresce de maneira exponencial no Brasil. Segundo um estudo divulgado pelo Ministério do Planejamento, até meados de 2006, o pregão eletrônico respondia por 46% em valor e 64% em volume das licitações de bens e serviços comuns realizadas pelo governo federal.

Pregão eletrônico
O pregão eletrônico é, em linhas gerais, a modalidade de leilão conhecida como “leilão reverso” ou “leilão holandês”, no qual os fornecedores interessados participam de um leilão às avessas, oferecendo lances sucessivos e menores, no chamado “quem dá menos”. Diferentemente do pregão presencial, no pregão eletrônico os lances ocorrem em um ambiente virtual, por intermédio da internet, o que traz diversos ganhos no que diz respeito ao estímulo direto à competitividade e à livre concorrência. Esses diferenciais são traduzidos em eficiência, rapidez na contratação (em média 20 dias, contra 89 dias nas tomadas de preço e 180 dias nas concorrências), transparência e uma grande economia real (em média entre 20% a 30%).

Mas o que pode e o que não pode ser comprado por meio de pregão eletrônico? A lei diz que o pregão eletrônico pode ser utilizado nas aquisições de bens e serviços comuns, que legalmente são aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade podem ser objetivamente definidos em um edital. Ou seja, todos os produtos que possam ser bem descritos, sem deixar margem para dúvidas. Além disso, para que haja concorrência, é necessário encontrar vários fornecedores do mercado.

Vantagens do Pregão eletrônico
Uma das principais vantagens do sistema eletrônico de licitação é o estímulo à competitividade e à democratização na participação dos fornecedores. Os editais são disparados por e-mail, atingindo um número maior de participantes. Fornecedores dos mais diversos estados podem participar sem a necessidade de locomoção, diminuindo assim seus gastos.

Mecanismos especiais garantem a idoneidade do sistema como, por exemplo, o tempo aleatório (ou randômico): após o término do tempo normal de disputa, há um acréscimo de tempo que pode ir de 1 segundo a 30 minutos.

Fornecedores e o pregoeiro não sabem qual será esse tempo, o que impede que os participantes guardem seus “melhores lances” para os momentos finais da disputa. Os sistemas são seguros (criptografados) e, com a ata digital, a prestação de contas é mais simples.

Além disso, no ambiente virtual os fornecedores disputam lances menores sem conhecer os concorrentes. A cada fornecedor, é atribuído pelo sistema um código numérico, em vez do nome, prevenindo possíveis fraudes ou formação de cartéis.

Pregão eletrônico e Terceiro Setor
Neste cenário de ampliação do uso desta modalidade de licitação é que o governo quis inserir as entidades do Terceiro Setor. E, hoje, nas prestação de contas dessas entidades ao TCU, não será mais aceita a justificativa de desconhecimento da lei.Os prazos previstos em lei para a adoção do pregão eletrônico venceram no começo deste ano (dia 23 de março).

A portaria interministerial nº 217, de 31 de julho de 2006, estabelecia vários prazos para a utilização do pregão eletrônico, dependendo do valor a ser licitado.

Sendo assim, teremos nos próximos anos grandes desafios no que diz respeito ao enquadramento nesta lei pelas organizações sociais. Isso porque as entidades não dispõem de experiência, tempo ou capital humano para a realização de um pregão eletrônico, que é uma atividade burocrática, trabalhosa e complexa.

Além disso, os sistemas de pregão eletrônico disponíveis no mercado e no setor público não são adequados às necessidades do Terceiro Setor: só trabalham com grandes volumes, não auxiliam na elaboração dos editais e na descrição correta dos produtos, na publicação dos editais e no cumprimento de todos os requisitos legais necessários; além de serem caros e não disponibilizarem pregoeiros.

Por outro lado, podemos ver com otimismo estas novas exigências, que, de fato, auxiliam na crescente profissionalização das associações e fundações brasileiras. Elas vêm deixando de ser organizações baseadas exclusivamente em trabalhos voluntários para se tornarem organizações profissionais.

Quando as entidades do Terceiro Setor aprenderem a utilizar a ferramenta de pregão eletrônico para suas aquisições de bens e serviços, provavelmente o efeito será similar ao que aconteceu quando essa modalidade foi adotada pelo setor público: maior economia e agilidade nas compras, além de uma maior transparência nos gastos, o que é uma demanda de toda a sociedade brasileira. Será criado, então, um ambiente no qual quem for pioneiro poderá fazer mais com o mesmo volume de recursos.

*Renato Baruki é Sócio do Terceiro Pregão – O Pregão do Terceiro Setor

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Força-tarefa pela legalidade do terceiro setor no PR

Publicado pelo Pauta Social em 26/11/07

A Ação Social do Paraná (ASP), instituição sem fins lucrativos ligada à Cúria Metropolitana, está promovendo nesta sexta, 23, um encontro com representantes de entidades do Terceiro Setor de todo Paraná, com o objetivo de criar um sistema de informação, avaliação e monitoramento das atividades desenvolvidas por essas instituições. O que se pretende é realizar um estudo detalhado a respeito do setor social.

Neste primeiro encontro pretende-se nivelar as informações acerca das entidades, e em seguida será estabelecido um plano de ação para legalizar e orientar juridicamente as instituições do terceiro setor que estiverem com irregularidades, ou que estão ilegais. “A proposta faz parte de uma das ações para o alcance da auto-sustentabilidade da rede de entidades ligadas a ASP e servirá de alicerce para a concretização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”, afirma Pe. José Aparecido, coordenador da ASP.

Dentro de agenda ASP e dando continuidade aos esforços para a regularização das entidades sociais, acontece no dia 1.º de dezembro, das 8 às 17 horas, no auditório da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o treinamento “Gestão de Instituições do Terceiro Setor”, com o especialista e consultor Takashi Yamauchi. Conceito e gestão das instituições do terceiro setor, aspectos legais, responsabilidade social e ambiental, aspectos contábeis, estrutura de um estatuto, centro de custo e plano de contas, captação de recursos, renúncia e incentivo fiscal, OSCIP e demais certificações são alguns dos temas abordados durante o curso.

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GIFE lança Indicadores de Gestão do ISP

Rodrigo Zavala
Publicado pelo
redeGIFE Online em 26/11/07

O GIFE lançou, no último dia 21, os Indicadores GIFE de Gestão do Investimento Social Privado. Trata-se de um questionário em que institutos e fundações de origem privada podem aferir a eficiência de sua gestão ao analisar fatores como: composição de conselhos de governança, direção executiva, recursos humanos e financeiros, planejamento estratégico e ações de monitoramento e avaliação.

“O instrumento leva a uma reflexão sobre a estruturação de suas organizações para o desenvolvimento da ação social, identificando os aspectos mais frágeis e fortes”, afirma a responsável técnica dos indicadores, Simone Coelho, diretora do Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e de Ação Comunitária (Ideca).

O questionário foi aplicado a 68 organizações associadas ao GIFE, que aportam o maior volume de recursos no grupo. Na análise das respostas, algumas informações chamam atenção, como a estrutura decisória. De acordo com o levantamento, o funcionamento dos Conselhos de Governança – os grandes orientadores das decisões – ainda é um desafio.

“Ao que parece, a principal dificuldade dos associados sobre o papel dos conselhos se dá na elaboração das linhas de atuação, participação em ações específicas e apoio a captação de parcerias e recursos”, conclui Simone. O fato sugere uma área crítica. De maneira geral, quando há problemas na estrutura em que as decisões são tomadas, estas podem não ser suficientemente institucionalizadas e legitimadas internamente.

Outro ponto importante, evidenciado na pesquisa, foi em relação aos recursos financeiros. Questionados sobre o fluxo de liberação dos recursos e sua evolução, apenas 7% dos gestores entrevistados garantiram ter um horizonte de dois ou mais anos para planejar as ações. Para 79%, as perspectivas para o trabalho são anuais.

”Isso revela que os processos de definição dos orçamentos e da sua disponibilização ainda apresentam procedimentos que nem sempre favorecem a própria ação social”, argumenta Simone.

Embora os dois resultados acima pareçam negativos, a análise global dos questionários mostra, segundo sua responsável técnica, que a maioria das fundações e institutos têm procurado estruturar suas intervenções “de forma bastante adequada”.

“A explicitação das principais dificuldades tais como governança, recursos financeiros, definição da ação e avaliação pode inspirar ações específicas de superação. Mas é importante ver que poucas instituições estejam fora do padrão médio de atuação”, afirma.

O secretário-geral do GIFE, Fernando Rossetti, explica que os indicadores são resultado do conhecimento acumulado ao longo dos anos em pesquisas, publicações, seminários e cursos, sistematizados de forma objetiva. “Foram cinco anos debruçados em um questionário que abarcasse a heterogeneidade dos investidores sociais privados”, argumenta.

Os indicadores também são complementares ao Censo GIFE de Investimento Social Privado, considerado o principal estudo aprofundado no país sobre como as organizações de origem privada realizam seu trabalho social.

“A importância central do Censo é saber o quê e porquê se faz. Nos últimos anos, ele se tornou referência ao identificar sinergias entre ações sociais, tal como áreas que precisam de mais investimento”, explica. De forma sucinta, de acordo com Rossetti, “enquanto o Censo diagnostica a estratégia de investimento, os indicadores GIFE apontam sua tática”.

A quarta edição do Censo GIFE, para o biênio 2007-2008 já começou a ser realizado em parceria com o Instituto ibi e com o IBOPE/Instituto Paulo Montenegro. A análise do levantamento será transformada em uma publicação e, tal como , os dados mais aprofundados dos Indicadores GIFE, será divulgado no 5º Congresso GIFE sobre Investimento Social Privado, a ser realizado de 02 a 04 de abril de 2008, em Salvador.

Na última versão do Censo GIFE, divulgado no ano passado, o levantamento mostrou que a Rede GIFE investe aproximadamente R$1 bilhão por ano em projetos, cujo foco (81%) é preponderantemente educativo. Outro dado importante foi o aumento de projetos voltados para a juventude. Como principal beneficiada, a faixa etária entre 15 e 24 anos aparece em primeiro lugar nas ações sociais realizadas.

“Embora se restrinja ao universo de organizações associadas ao GIFE, é uma amostra qualificada da atuação das empresas no campo social, já que o Grupo é modelo na realização de investimento social privado”, argumenta Rossetti.

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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Unibanco e AACD fecham parceria em capitalização

Fernando Travaglini
Publicado pelo
Valor Online em 26/11/07

Carlos Moura (esq.), diretor do Unibanco, e Eduardo Carneiro, presidente da AACD: mais de R$ 600 mil em dois meses
Foto Marisa Cauduro / Valor


O Unibanco Capitalização fechou parceria com a AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) para destinar uma parte das vendas do plano de capitalização para a entidade. No mês de novembro, foi repassado o primeiro cheque, de R$ 100 mil. Em dezembro, o valor deve ser superior a R$ 500 mil.

O presidente da AACD, Eduardo de Almeida Carneiro, destaca que o acordo é "extraordinário" por atingir um público muito grande. "Em 58 anos, conquistamos credibilidade e a simpatia de todo mundo, mas não temos penetração muito grande. Contamos com 18 mil sócios".

Já com a parceria, a entidade poderá ser vista pelos 27 milhões de clientes do banco, usando o "meio do banco para chegar a um público com poder aquisitivo que pode nos ajudar", completa Carneiro. A instituição realiza mais de 5 mil atendimentos todos os dias, 96% deles gratuitos. Mesmo assim tem uma fila de mais de 32 mil pessoas.

Hoje, os planos de capitalização atingem 15% da base de clientes do Unibanco, incluindo o segmento Uniclass, de mais alta renda, que também compra esse tipo de título, explica o diretor do banco, Carlos Alberto Bezerra de Moura.

Moura acredita que os volumes doado à AACD servem como mais um incentivo. "Esses títulos se ajustam às pessoas que querem guardar dinheiro, mas não tem disciplina e ainda tem o incentivo do sorteio associado à ajuda à AACD", diz Moura.

Carneiro destaca ainda que parcerias como essas são importantes pela destinação fixa de recursos. "Dependemos do serviço de profissionais especializados e temos de ter linearidade no fluxo de caixa", explica. Segundo ele, essa segurança permite também planejar certas ações, por exemplo cirurgias, que exigem maior tempo de acompanhamento.

A AACD tem um orçamento anual de R$ 104 milhões para atender oito unidades e um hospital. Do total, 16% é coberto pelo SUS, parte ainda vem das cirurgias particulares realizadas no hospital e o restante, de doações. "Temos preocupação com a sustentabilidade da operação", enfatiza Carneiro.

Além do dinheiro, Carneiro ressalta que o conhecimento, o contato com a AACD é importante para mostrar que a prevenção é fundamental, visto que metade das pessoas atendidas são vítimas de acidentes.

O Unibanco já havia retomado, em março, uma antiga parceria do Hipercard com a AACD. Os usuários do cartão podem doar todo mês R$ 1, R$ 2 ou R$ 5 para a entidade. O montante mensal chega a R$ 200 mil. Eles estudam ainda uma parceria para treinamento de deficientes para o quadro de funcionários do banco.

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ONU convoca internautas a criarem vídeos para conscientizar sobre fome

World Food Programme criou canal no YouTube para concurso Hunger Bytes. Entre os cinco melhores, ganha o vídeo mais acessado.

O World Food Programme (WFP), da Organização das Nações Unidas (ONU), deu início nesta quarta-feira (21/11) ao concurso Hunger Bytes, que convoca estudantes e aspirantes a cineastas a criarem um vídeo curto que conscientize sobre a fome.

O programa aponta que a idéia é que as pessoas saibam e tenham consciência sobre uma crise, que envolve a morte de uma criança a cada cinco segundos, como consequencia da falta de comida.

O Hunger Bytes tem um canal no YouTube com um vídeo provocativo para inspirar os participantes. As imagens mostram pessoas comendo compulsivamente em competições. Ao final, a uma mensagem lembra que “850 milhões de pessoas vão dormir com fome todas as noites.” Assista ao vídeo no YouTube.

Os vídeos devem ter de 30 a 60 segundos e serem enviados por e-mail ao WFP - pode ser um link, arquivo .wmv ou do QuickTime, com menos de 4MB - até o dia 1 de agosto de 2008.

Cinco vídeos serão selecionados e publicados na web. Ganha o que tiver mais acessos até o World Food Day, no dia 16 de outubro de 2008. Para aumentar suas chances, os inscritos podem compartilhar o link com comunidades, redes sociais ou incluir o vídeo em blogs.

O vencedor irá visitar e filmar um dos locais de ação humanitária do WFP pelo mundo.

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Aberta Seleção Pública de Projetos do programa Desenvolvimento & Cidadania Petrobras

Publicado no site da Petrobrás

Está sendo lançada a Seleção Pública de Projetos 2007 do programa Desenvolvimento & Cidadania Petrobras. Neste ano, serão destinados R$ 27 milhões a projetos que contribuam para a redução das desigualdades sociais nas comunidades mais excluídas do país.

Visando assegurar a igualdade de condições no acesso a seus recursos, a Petrobras está planejando, durante o período de inscrições, Caravanas Sociais. Tratam-se de oficinas presenciais e virtuais que visam capacitar as organizações sociais para a elaboração de projetos. As oficinas presenciais ocorrerão em todos os estados brasileiros, são livres e gratuitas. As oficinas virtuais e o cronograma das oficinas presenciais podem ser acessados no site da Petrobras, em breve.

Poderão candidatar-se projetos em andamento ou em fase de planejamento que tenham como foco, ao menos uma das linhas de atuação:
. Geração de renda e oportunidade de trabalho
. Educação para qualificação profissional
. Garantia dos direitos da criança e do adolescente
Os projetos inscritos devem contemplar ações diretas que se relacionem a atividades de implantação, implementação, expansão, aperfeiçoamento ou replicação do projeto.

As inscrições estão abertas de 21 de novembro a 11 de janeiro, com o limite máximo de solicitação de recursos de até R$ 690.000,00 por projeto por ano (12 meses), com a possibilidade de renovação por até dois anos (24 meses).

Veja aqui o regulamento e aqui o roteiro de elaboração de projeto.

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ONU prevê 12,3 mi de toneladas de lixo eletrônico na Europa em 2020

Publicada pelo IDG Now! em 22/11/07

United Nations University critica baixa reciclagem e sugere aumento em programas para mais que duplicar descarte correto de gadgets.

Um estudo sobre lixo eletrônico divulgado pela United Nations University nesta quinta-feira (22/11) prevê que, mesmo com o aumento na reciclagem, os países da União Européia produzirão cerca de 12,3 milhões de toneladas de dejetos eletrônicos em 2020.

De acordo com o estudo, o lixo eletrônico entre os 27 países da União Européia crescerá até 2,7% anualmente até a data, a partir de 10,3 milhões de toneladas registradas em 2005, quando a região representou cerca de um quarto de todo lixo eletrônico produzido no mundo.

A baixa taxa de reciclagem atual dos restos de aparelhos eletrônicos - 25% dos equipamentos de pequeno e médio porte e 40% dos equipamentos maiores - mostra que o cenário tem espaço "para melhorias significativas", afirma o documento da ONU.

A proposta da United Nations University é elevar a taxa de coleta para 60% dos aparelhos médios e 75% dos maiores, o que resultaria em cerca de 5,3 milhões de toneladas recicladas até 2011, mais que o dobro das 2,2 milhões de toneladas que deverão ser reaproveitadas na Europa em 2007.

Os dados sobre as previsões fazem com que o órgão estime cerca de 4 quilos de lixo eletrônico por morador da União Européia em 2020, "taxa fácil de se lidar em membros mais ricos da união, mas bastante desafiantes para novos membros", explica o documento, apontando a dificuldade de países mais pobres no continente em lidar com os dejetos.


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Aumenta a auditagem de publicidade no rádio

Ivana Moreira
Publicado pelo
Valor Online em 23/11/07

Um acórdão do Tribunal de Contas de União de 2006 tornou obrigatória, para fins de pagamento, a comprovação de veiculação de todos os anúncios do governo federal em rádio. A determinação, que inspirou decisões semelhantes em governos estaduais como o de Minas Gerais, abriu um novo mercado para empresas especializadas em auditagem das emissoras de rádio do país.

Há mais de 3,7 mil emissoras de rádio em funcionamento no Brasil, a maior parte espalhada pelo interior. Elas ficam com cerca de 4% da verba total de publicidade no país. "Os anunciantes pagavam mas não tinham comprovação de que as emissoras haviam realmente veiculado o número de inserções contratado", diz Valter Cruz, diretor da mineira Pró-Ativa.

A empresa é dona da patente do TrackMedia, um sistema tecnológico, em plataforma java, que permite a auditagem on-line das inserções publicitárias. O governo mineiro foi o primeiro cliente da empresa. "O governo de Minas só anuncia em emissora auditada", afirma o diretor da Pró-Ativa.

Com uma boa base de rádios monitoradas, a empresa já começou a ser procurada também por grandes empresas da iniciativa privada, como a Fiat Automóveis. Os anunciantes pagam, dependendo do tipo de contrato, R$ 0,60 pela comprovação de cada anúncio veiculado.

O TrackMedia já está instalado em 296 emissoras de Minas Gerais, mercado teste para Pró-Ativa. Outras quase 300 emissoras de três Estados - Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraíba. Segundo Cruz, até abril serão 1,5 mil emissoras monitoradas pelo sistema, que foi desenvolvido por especialistas do Rio Grande do Sul. "A meta é chegar ao fim de 2008 com 2,5 mil emissoras monitoradas."

Para instalar o sistema de auditagem e passar a ser monitorada pela Pró-Ativa, as emissoras precisam pagar uma taxa de R$ 480. "A auditagem é um novo impulso para o meio rádio", aposta Valter Cruz.

A grande interatividade com os ouvintes, a segmentação de público e o custo relativamente baixo no meio rádio são qualidades reconhecidas pelos publicitários no planejamento das mídias de seus clientes. Mas a falta de informações sobre as emissoras e de dados a respeito da execução dos planos de mídia sempre foram reclamações freqüentes no mercado.

Nos últimos anos, as rádios perderam receita publicitária para outros veículos de comunicação, sobretudo a internet. De acordo com dados da publicação Meio & Mensagem, especializada no mercado publicitário, o faturamento publicitário das rádios brasileiras foi de R$ 461,3 milhões entre janeiro e agosto deste ano - valor 2,72% mais baixo que o do mesmo período do ano passado. A expectativa, porém, é de retomada do crescimento do faturamento das emissoras de rádio.

Além de investir em sistemas de comprovação da veiculação dos anúncios, como o TrackMedia, muitas emissoras vêm aplicando recursos também em avanços técnicos e tentam se preparar para aderir à tecnologia digital. As 3.766 rádios espalhadas pelo país conseguem atingir 93,9% da população brasileira, conforme dados da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão.

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O que faz os ricos, ricos

Robinson Borges
Publicado pelo
Valor Online em 23/11/2007

Uma piada que tem circulado nas rodas de gestores de fortunas brinca com a diferença no estilo de vida dos ricos e dos super-ricos dos últimos tempos. Enquanto os ricos acham que viajar de primeira classe é um luxo, os super-ricos consideram que chique mesmo é ter um avião para chamar de seu. O motivo do bom humor dos administradores de recursos é que o número de endinheirados, sejam ricos ou super-ricos, cresce a uma velocidade quase supersônica no Brasil, e boa parte dos gestores está pegando carona neste vôo. No ano passado, os ativos dos milionários nacionais cresceram 20%, de acordo com um levantamento da consultoria Boston Consulting Group. Em outra pesquisa, realizada pela corretora Merril Lynch, observa-se um aumento de 10,1% no número de pessoas com mais de R$ 1 milhão para investir ao longo de 2006, um incremento superior ao da média global de 8,3% no mesmo período. "Em 2007, vivemos o pico do boom desta liquidez no país", afirma Paulo Colaferro, sócio-diretor da Taler Empreendimentos.

A capitalização de pessoas físicas brasileiras tem crescido como efeito colateral de uma conjuntura favorável do mercado: expansão das fusões e aquisições no país - R$ 23,6 bilhões no primeiro semestre e estimativa de chegar a R$ 70 bilhões até o mês que vem-, aquecimento do mercado imobiliário e aumento substancial do volume das ofertas públicas de ações, que até quarta-feira geraram R$ 29,5 bilhões em 2007. A expectativa é que o IPO da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) na próxima sexta-feira deva adicionar outros nomes à crescente lista de milionários, a exemplo do que ocorreu com o lançamento de papéis da Bovespa neste ano.

Um agente influente e poderoso para o aumento desta liquidez no mercado são os fundos de private equity, geridos por financistas que montam fundos e compram e vendem empresas na bolsa. A análise é de René Werner, da Werner & Associados Consultores Internacionais em Desenvolvimento Societário, que também observa uma alteração significativa no horizonte com a chegada de novas gerações no comando das empresas familiares. "A primeira geração das companhias nacionais aplicava 100% de seus lucros na operação. Com a entrada das segundas e das terceiras gerações, vejo uma diversificação no portfólio, com aplicações também no setor financeiro. O que antigamente era visto apenas como risco é agora uma grande oportunidade."

Antes da fase atual de bonança, muitos dos clientes da Taler - empresa que administra uma carteira de R$ 1 bilhão - possuíam grande número de ativos engessados, com pouca liquidez. Com a onda de fusões e aquisições, muitos se desfizeram de seus empreendimentos e alguns venderam seus imóveis para grandes incorporações, o que resultou na disponibilidade de mais dinheiro para investir no mercado financeiro. Hoje, 45% do patrimônio dos clientes cujos recursos são administrados pela Taler têm participação acionária e 30% investem em ativos imobiliários.

"Vivemos um fenômeno de amadurecimento dos mercados. É o capitalismo chegando no Brasil. Antes vivíamos um pré-capitalismo, em que poucas pessoas dispunham de acesso ao mercado de capitais", afirma Ricardo Taboaço, sócio da Taboaço, Nieckele & Associados, que administra cerca de R$ 800 milhões em sua carteira. "Metade desses recursos foram gerados pelo esplendor da nova riqueza", prossegue.

De acordo com o estudo do Boston Consulting, o aquecimento na formação de fortunas no Brasil começou a se intensificar no início da década. Entre 2001 e 2006, o país ocupou a vice-liderança no ranking das nações que experimentou maior expansão no volume de riqueza, com aumento de 22,4%. Perdeu apenas para a quase sempre imbatível China, que teve acréscimo de 23,4% ao longo do mesmo período. "Desejo que 2008 seja tão bom quanto 2007, entretanto, não acho que vamos manter a mesma velocidade no aumento de liquidez. Mas o ano que vem será um bom ano", afirma o diretor da Taler.

Mesmo sem manter o ritmo, as perspectivas seguem uma rota de prosperidade. "Projetamos um crescimento de 7,2% ao ano nos ativos dos ricos da América Latina até 2011, mais do que a média global de 6,8% prevista para o mesmo período", diz Michael Angelicola, gerente do grupo de pesquisas estratégicas das Américas da consultoria Capgemini, que realiza anualmente o levantamento World Wealth Report em parceria com o Merril Lynch.

Em termos globais, a situação também tem sido positiva. Os ativos financeiros das pessoas super-ricas somados aos das ricas tiveram ganhos de 11,4% no ano passado, totalizando US$ 37,2 trilhões, segundo dados da corretora americana. Foi a primeira vez, em sete anos, que esse índice chegou aos dois dígitos. No ano passado, havia 9,5 milhões de pessoas no mundo - 0,14% da população da Terra - com mais de US$ 1 milhão em ativos para investimentos.

Os países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) têm sido alguns dos propulsores dessa economia próspera, de acordo com Angelicola. A China e a Rússia estão no topo da lista dos dez países que possuem maior aumento no número de milionários do mundo. "A população de chineses ricos cresceu 7,8% e a de russos, 15,5%. O Brasil e a Índia se mantêm fortes", observa. Para ele, o aumento do PIB das nações em desenvolvimento, a estabilidade econômica, o encorpado lucro das companhias dos países emergentes e do fluxo maior de investimentos estrangeiros também devem ser considerados como fatores de enriquecimento das pessoas das nações em desenvolvimento.

Na categoria "exclusiva" dos super-ricos, o Brasil também vai bem, obrigado. Na última lista da mítica revista "Forbes", o país contribui com 20 nomes. Em 2006, havia apenas 16 super-ricos nacionais e há cinco anos eram apenas 5. A maioria dos empresários brasileiros da "Forbes" é de industriais ou de donos de empresas prestadoras de serviços, que não herdaram fortunas e deram saltos por si mesmos.

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"Vivemos um fenômeno de amadurecimento dos mercados. É o capitalismo chegando no Brasil", afirma Ricardo Taboaço--------------------------------------------------------------------------------

A soma dos bens desses brasileiros passou de US$ 33,5 bilhões para US$ 46,2 bilhões. Trata-se de um aumento de 38% na comparação com 2006, superior à média de 35% dos super-ricos do ranking total da revista. O banqueiro Joseph Safra, de 68 anos, é o mais rico. Dono do banco Safra, ele aparece no 119º lugar na perspectiva mundial. Sua fortuna é de US$ 6 bilhões. Como segundo brasileiro mais rico e em 165º lugar no âmbito global está o empresário Jorge Paulo Lemann, da Ambev e Inbev, com R$ 4,9 bilhões. Um ex-banqueiro e atualmente empresário aparece no terceiro posto entre os brasileiros (214º no mundo): Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa, com US$ 4 bilhões. No quarto lugar (226º no mundo) vem a família liderada pelo empresário Antonio Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantim, com US$ 3,9 bilhões (leia lista na página 7).

No âmbito internacional, delineou-se também um bom cenário para esta pequena parcela da população. O total de pessoas com patrimônio acima de US$ 1 bilhão, segundo a "Forbes", atingiu a marca recorde de 946 neste ano, 178 a mais do que o verificado no ano passado e maior do que qualquer outro número divulgado pela revista. Os Estados Unidos mantêm sua supremacia habitual. Possuem mais super-ricos do que qualquer outro país: 415. Mas a China mostra sua força com um belo segundo lugar. Ao todo, 53 países figuram na última lista da "Forbes", o que representa um recorde.

Os bilionários da "Forbes" acumulam hoje US$ 3,5 trilhões, com uma renda de US$ 3,14 bilhões, bem mais do que a média de US$ 231 milhões de 1982, quando Malcolm Forbes (1919-1990), criou o índice, há 25 anos. Na época, havia apenas 13 pessoas com fortuna acima de US$ 1 bilhão no ranking e era preciso ter US$ 75 milhões para ingressar no seleto grupo da "Forbes" - de apenas 400 nomes.

A senha atual para participar do clube é ter no mínimo US$ 1 bilhão. Trata-se de uma evidência de que a economia global está bem mais aquecida, um resultado direto de um ciclo de expansão inédito no mundo. Na análise de Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve (o Banco Central americano), essa liquidez mundial é resultado do fim do comunismo, o que resultou na entrada de grande número de pessoas na sociedade de mercado.

Essa nova ordem mundial implica fortes mudanças. Quando era criança, por exemplo, um descendente da tradicional família Vanderbilt, que durante décadas esteve no topo da lista dos clãs mais ricos do mundo, acreditava que todas as pessoas que morriam se transformavam em estátuas. A impressão de que a morte se materializava em bronze nasceu de sua freqüente presença em cerimônias de inauguração de bustos em praças públicas poucas semanas após o funeral de seus parentes aristocratas.

Hoje, o pequeno príncipe provavelmente não teria elaborado a mesma teoria sobre o outro lado da vida. A roda da fortuna está muito mais dinâmica e os símbolos da riqueza estão mais concentrados em empreendedores individuais do que nos cultuados herdeiros de corporações. "É a maravilhosa meritocracia do dinheiro", explica Peter W. Bernstein, autor de "All the Money in the World" (Todo o dinheiro do mundo).

Seu livro, recém-publicado nos Estados Unidos pela editora Alfred A. Knopf, revela a história da vida dos super-ricos, segundo a revista "Forbes". A análise da publicação permite captar uma grande mudança no perfil do capitalismo: o chamado dinheiro velho de poderosos sobrenomes perdeu força para o dinheiro novo de self-made men e de nomes conhecidos apenas do jet set empresarial, consolidando o segmento social dos emergentes. A maioria desses super-ricos é filha da classe média, acumulou a própria fortuna e gosta de alardear sua origem modesta, muitas vezes na periferia do mundo.

Quando a lista da "Forbes" saiu pela primeira vez, 53% dos integrantes do ranking haviam criado o próprio império, ante 47% de herdeiros de famílias tradicionais americanas como Vanderbilt, DuPont e Rockfeller. No ano passado, a proporção de super-ricos que ganharam dinheiro com o próprio suor era de 70%, mais de duas vezes o número de pessoas que já havia nascido em berço de ouro.


Durante esses anos todos, houve também uma significativa mudança na relevância dos setores fundamentais para a acumulação de riquezas (ou super-riquezas). Em 1982 o petróleo era a fonte de 22,8% das fortunas. Era o setor mais relevante, batendo a indústria (15,3%), o mercado financeiro (9%) e o de tecnologia (3%). Na lista do ano passado, o petróleo caiu para 8,5%, o mesmo índice do setor industrial. A tecnologia, por outro lado, subiu para 11,7% e o mercado financeiro para extraordinários 24,5%. Não por acaso, esses dois setores são muito mais ligados à inovação.

Mas o que hoje é chamado de dinheiro velho nos Estados Unidos já teve seu momento de frescor. No fim do século XIX, o Reino Unido era a grande potência da economia internacional, e os EUA eram apenas uma ex-colônia britânica. Com as duas Grandes Guerras na primeira metade do século XX, as nações do Velho Mundo se tornaram terras arrasadas e os EUA emergiram como potência econômica mundial. Saíam de cena os nobres europeus e magnatas como John D. Rockefeller, Andrew Carnegie e Cornelius Vanderbilt ganhavam os holofotes. Rockfeller foi o primeiro bilionário da história. Chegou a controlar 90% das refinarias de petróleo dos EUA, acumulando uma fortuna de US$ 236 bilhões, em valores atualizados. Os feitos o elevaram a símbolo de uma era, que, segundo Bernstein, evidenciava uma energia de empreendedorismo extraordinária, quando a sociedade enfatizava o poder das corporações e os herdeiros das fortunas acreditavam que a vida acabava em liga metálica de cobre e estanho numa praça qualquer.

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Concentração no mercado veterinário

Cibelle Bouças
Publicado pelo
Valor Online em 23/11/2007

O recente processo de concentração no mercado farmacêutico já produz reflexos no segmento de saúde animal, que enfrentará novas reviravoltas já no próximo ano. A cartada mais recente foi da americana Merial, que há menos de um mês adquiriu o laboratório neozelandês Ancare por um valor não divulgado.

A estratégia da empresa, que fatura por ano US$ 2,2 bilhões, tem por objetivo recuperar a liderança perdida em 2006, quando a também americana Pfizer Saúde Animal superou a Merial. A empresa comprou a Pharmacia em 2003 e consolidou-se no mercado veterinário nos últimos anos, encerrando 2006 com faturamento de US$ 2,311 bilhões. Em 20006, a Pfizer Saúde Animal também comprou a americana Embrex, que fatura em torno de US$ 55 milhões por ano e produz vacinas para o setor de aves.

A nova liderança, no entanto, terá vida curta. Em março deste ano, a americana Schering-Plough adquiriu a holandesa Intervet, como parte da compra da Organon BioSciences, divisão farmecêutica e química da Akzo Nobel. Assim que aprovada pelos órgãos anti-truste dos Estados Unidos e Brasil, a nova divisão de saúde animal da Schering-Plough elevará o seu faturamento global de US$ 910 milhões para valor aproximado de US$ 2,4 bilhões.

A "dança das cadeiras" já é notada no Brasil. De acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), em 2006, a Merial ocupava a liderança do mercado, com 11% de participação, seguida por Pfizer 10%, Intervet e Schering-Plough (cada uma com 8%).

Entre janeiro e outubro deste ano, a Pfizer passou à frente, com 10,2% de participação, seguida por Merial, com 9,5%, e Intervet, com 8,66% - que, somado à Schering-Plough passará a ocupar a liderança do setor no país. "Esse mercado ainda passará por um grande movimento de consolidação em nível mundial e, no Brasil esse movimento também já ganha força", afirma Jorge Espanha, diretor de saúde animal da Pfizer.

Em julho deste ano, a brasileira Vetbrands Saúde Animal, que antes ocupada a 12ª posição do mercado, com faturamento de US$ 32 milhões no país, foi adquirida pela francesa Ceva Sante Animale, que também já tinha operações no Brasil, subindo para a nona posição no ranking do setor ao elevar a receita para algo próximo a US$ 57 milhões ao ano.

Atenta às mudanças e decidida a recuperar a liderança de mercado no Brasil e no exterior, a Merial - criada há dez anos a partir da união das divisões veterinárias da americana Merck e da francesa Sanofi-Aventis - traça um novo plano de vendas para as linhas de produtos da neozelandesa Ancare e estuda outras aquisições, inclusive na América do Sul.

"Estamos interessados em negócios na América do Sul que possam elevar o nosso portfólio ou que tenham uma estrutura comercial que permita alavancar os negócios da Merial na região", afirma Alfredo Ihde, presidente da Merial para a região Cone Sul.

De acordo com Ihde, a neozelandesa Ancare fatura US$ 40 milhões por ano e tem atuação hoje restrita às regiões da Austrália e Ásia, o que de imediato não oferece mudanças no ranking global veterinário para a Merial. "No entanto, a Ancare oferece um grande potencial de expansão dos negócios nos próximos anos, devido às linhas de produtos que já possui e às pesquisa que desenvolve no segmento de produtos para bovinos", afirma.

Um dos objetivos da Merial será expandir globalmente as vendas de produtos da Ancare, que já têm grande penetração na Austrália, Nova Zelândia, Coréia do Sul, Japão e Cingapura. Segundo ele, a empresa atua em segmentos onde a Merial não tinha participação efetiva, como suplementos minerais e alguns tipos de antiparasitários. No Brasil, onde a Merial espera faturar R$ 265 milhões neste ano (com crescimento em torno de 5% sobre 2006), as vendas de antiparasitários para bovinos correspondem a 40% da sua receita.

"Alguns produtos serão trazidos para o Brasil, mas sobretudo, teremos produtos com grande qualidade para exportar à Europa", diz. A aquisição também ajudará a Merial a garantir maior espaço nos mercados da Ásia e da Austrália, observa Ihde.

A Pfizer também avalia a possibilidade de aquisições no Brasil e no exterior, segundo Jorge Espanha, diretor de saúde animal da empresa. "Neste ano, crescemos no país acima da média do mercado com o aumento do portfólio e estamos abertos a aquisições e parcerias que possam resultar em aumento das vendas", afirma. Conforme dados do Sindan, até outubro, a empresa elevou as vendas no Brasil em 10%, enquanto o mercado cresceu 6,5% no mesmo período. Neste ano, a empresa fechou parcerias no país com a paranaense Allvet, para ampliar a rede de distribuição, e a Dow AgroSciences, para competir no segmento de produtos para pastagem.

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quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Site doa arroz ensinando inglês

No “FREE RICE”, para cada palavra (em inglês) que você acertar o significado, o World Food Program doa 1 grão de arroz para os famintos, via ONU.

O FreeRice é um site irmão do Poverty.com e a doação é possível graças aos anunciantes do site.

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Goldman Sachs cria fundo filantrópico multimilionário

Publicado pela Folha Online em 21/11/07

O banco de investimentos Goldman Sachs informou nesta quarta-feira que criou um fundo filantrópico multimilionário baseado em doações de seus sócios, e que pode alcançar US$ 1 bilhão nos próximos anos.

Por meio deste fundo, chamado "Goldman Sachs Gives", os sócios do banco de investimentos se comprometem a entregar uma parte de seus lucros a organizações de caridade.

O Goldman Sachs explicou, por meio de um comunicado de imprensa, que serão abertas contas pessoais no Goldman Sachs Gives para os sócios que participem deste fundo filantrópico.

Os sócios recomendarão organizações beneficentes de todo o mundo como destinatários das doações, diversificando deste modo a filantropia do Goldman Sachs.

O banco de investimentos espera que o Goldman Sachs Gives alcance US$ 1 bilhão em doações nos próximos anos.

O jornal "The New York Times" calcula que, se cada sócio doar US$ 250 mil, o fundo começaria com US$ 87,5 milhões.

O presidente e executivo-chefe do Goldman Sachs, Lloyd C. Blankfein, disse que a criação do novo fundo se insere dentro da longa tradição de doações caridosas do banco de investimentos.

"Sabemos que ganhamos muito dinheiro, e que temos a responsabilidade de devolver algo", assinalou o banqueiro.

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quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Rede Parceria Social terá 200 projetos em todo o RS

Publicado pela Pauta Social em 20/11/07

Um modelo de gestão inovador na área social começa a ser implementado no Rio Grande do Sul. Com 197 projetos no Estado foi anunciado na tarde da última segunda-feira, 19, as ações que integram Rede Parceria Social, iniciativa coordenada pela Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento Social e realizada juntamente com as empresas Azaléia, Banrisul, Braskem, Caixa RS, CEEE, Copesul, Corsan, Gerdau, /RGE, Sulgás e Vonpar.

A Rede também conta com a participação de entidades âncora, que, por sua expertise na área em que atuam, irão acompanhar os projetos no período de dez a 12 meses - são elas Fundação Vonpar, Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho, Associação Amigos do Meio Ambiente, Instituto Nestor de Paula, SESI/RS, Federação das Apaes do RS, União Sul Brasileira de Educação e Ensino, Fundação O Pão dos Pobres de Santo Antônio, Centro de Educação Profissional Calábria, Amencar e Famurs.

" É um marco na área social. Além de descentralizar recursos, a Rede Parceria Social está qualificando seu capital humano, por meio de cursos de gestão pela ONG Parceiros Voluntários, além de avaliarmos o desempenho e o impacto dos projetos", disse o secretário da Justiça e do Desenvolvimento Social, Fernando Schüler. A Fundação de Economia e Estatística fará a avaliação do impacto econômico dos projetos, e a Unesco e a Unisinos serão responsáveis pela avaliação do impacto social, medindo o número de beneficiários com as ações - uma inovação na área social. O secretário destacou a importância da qualidade dos projetos, que devem beneficiar especialmente aos que mais precisam.

A presidente do Conselho Estadual de Assistência Social, Edilar Cruz, disse que a Rede é uma fórmula para que se obtenham resultados qualificados. "É preciso saber o que é necessário para uma ação ser bem desenvolvida. A Rede permitirá que os recursos sejam melhores utilizados", disse. Especialista em Desenvolvimento Sustentável e consultor de organizações, Augusto de Franco salientou que a Rede Parceria Social vai melhorar e fortificar o ambiente social mostrando que é possível fazer políticas sociais como política de desenvolvimento social. "É uma oportunidade de mostrar que possível fazer experiências inovadoras na área de desenvolvimento", completou.

As iniciativas estão distribuídas em carteiras de projetos em áreas como infância e adolescência, cultura, preservação ambiental, inclusão de jovens no mercado de trabalho, além de ações voltadas à população de rua adulta e galpões de reciclagem de materiais.

A lista completa das entidades beneficiadas estará disponível no site http://www.sjds.rs.gov.br a partir desta terça-feira.

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Um terço dos latino-americanos com HIV vive no Brasil, diz ONU

France Presse
Publicado pela
Folha Online em 20/11/07

Cerca de um terço das 1,6 milhão de pessoas infectadas pelo vírus HIV na América Latina vive no Brasil, onde as relações homossexuais não protegidas são a causa de metade das infecções. A informação é de um relatório anual da ONU (Organização das Nações Unidas).

De acordo com o órgão, o Brasil tem 620 mil indivíduos infectados, segundo estimativas que datam de 2005.

O dado, entretanto, está em linha com a diferença populacional do Brasil em relação a outros países da região. Conforme dados da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), o Brasil abriga em torno de 34% da população residente da América Latina.

A organização também indica que "a epidemia de HIV na América Latina se mantém estável" a 1,6 milhão de casos de infecção, mas destaca que a transmissão do vírus "segue" afetando nesta região as populações mais expostas devido a comportamentos de risco como a prostituição e as relações sexuais não protegidas.

"A sexualidade não protegida entre homens continua sendo um fator importante, responsável por cerca da metade de todas as infecções do HIV transmitido sexualmente no Brasil", ressaltou a ONU.

Trata-se também de um "importante fator" de propagação da epidemia a prevalência da doença na Bolívia, Chile, Equador e Peru, assim como em vários países da América Central como El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá e também no México.

No ano passado, quase 58 mil pessoas morreram de Aids na América Latina.

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Nove mil escolas públicas vão ganhar computadores no início de 2008

Publicada pelo IDG Now! em 20/11/07

Nove mil escolas públicas urbanas vão receber laboratórios de informática. O serviço vai estar disponível para professores, alunos e também para a comunidade no início de 2008.

Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, o diretor de Infra-Estrutura Tecnológica do Ministério da Educação (MEC), José Guilherme Moreira, disse que a idéia é fazer dos laboratórios grandes telecentros.

As escolas estão distribuídas nos municípios brasileiros que tiveram os menores Índices de Desenvolvimento da Educação Básica Brasileira. Os laboratórios são equipados com impressoras e computadores.

“O MEC construiu conteúdos pedagógicos que estão nesses equipamentos. Selecionamos mil obras literárias e disponibilizamos nesses computadores. Uma escola que não tem biblioteca vai ganhar mil obras literárias como Grande Sertão Veredas.”

Segundo o diretor, estudos do ministério mostram que as escolas que já receberam os laboratórios tiveram um processo de inclusão social maior. “As pessoas saíram melhor preparadas das escolas para o mercado de trabalho. Esperamos que os computadores que melhorem não só a qualidade de educação com também desenvolvimento de diferentes regiões do País.”

O governo federal já entregou 27 mil laboratórios e a meta é que até 2010 todas as 119 mil escolas públicas brasileiras estejam equipadas

*Com informações da Agência Brasil

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terça-feira, 20 de novembro de 2007

ONU reconhece ter superestimado total de vítimas de Aids no mundo

Publicado pela BBC Brasil em 20/11/07


Portadora do HIV na Índia, onde ONU reviu estimativa de infectados
O relatório anual da ONU publicado no ano passado havia mostrado que em 2006, 39,5 milhões de pessoas estavam infectadas com o vírus da Aids. Mas, a Unaids reviu sua metodologia para contagem de dados e, neste ano, estimou que 33,2 milhões de pessoas estão vivendo com o HIV. E, aplicando a nova metodologia, a Unaids também reviu os números de 2006, estimando que, no ano passado, 32,7 milhões de pessoas tinham o vírus da Aids.

Índia
Segundo o relatório da Unaids, a razão para a redução nos números globais da doença no último ano foi a recente revisão das estimativas na Índia, depois de uma grande reavaliação da epidemia naquele país.

As estimativas revisadas para a Índia, combinadas com importantes revisões dos números de infecções em cinco países da África subsaariana (Angola, Quênia, Moçambique, Nigéria e Zimbábue), são responsáveis por 70% da redução da prevalência do HIV, em comparação com as estimativas de 2006.

"A informação para avaliar a epidemia de HIV usada pela Unaids/OMS (Organização Mundial da Saúde) teve uma expansão considerável e melhorou nos últimos anos", disse Ron Brookmeyer, professor de bioestatística da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg.

"No entanto (...) há uma necessidade de melhorar os sistemas de vigilância para rastrear melhor as subepidemias em populações de risco de cada país. Estimativas mais precisas vão levar à melhoria dos projetos e avaliação dos programas de prevenção", acrescentou o professor que também foi o diretor do Painel Independente de Revisão na última Consulta Internacional em estimativas epidemiológicas estabelecida pela Unaids e pela OMS.

Novas infecções
O relatório da Unaids afirma que, em 2007, 2,5 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV e outras 2,1 milhões morreram devido à Aids.

Na região da África subsaariana, ocorreram 1,7 milhões de novas infecções, uma redução desde 2001, segundo o documento.

Apesar da redução, a Unaids afirma que a região continua a mais afetada pela doença. Estima-se que 22,5 milhões de pessoas com o HIV, ou 68% do total do mundo, estão na África subsaariana. Oito países nesta região são os responsáveis por quase um terço de todas as novas contaminações por HIV e mortes por Aids no mundo.

Na África subsaariana, o aumento no tratamento contínuo e a prevenção estão trazendo resultados em alguns países, mas a mortalidade causada pela Aids continua alta, pois as necessidades de tratamento na região não foram atendidas.

O relatório afirma que a prevalência do HIV entre mulheres grávidas entre 15 e 24 anos que têm assistência médica caiu desde 2000 em 11 dos 15 países mais afetados.

Informações preliminares também mostram mudanças favoráveis em comportamentos de risco entre jovens em países como Camarões, Chade, Haiti, Quênia, Zâmbia, Zimbábue, Botsuana, entre outros, indicando mais impacto das políticas de prevenção.

Além da África subsaariana, a Unaids também observou queda nos números da doença no sul e sudeste da Ásia, principalmente Camboja, Mianmar e Tailândia.

Autoridades da Unaids e da OMS afirmam que estas novas estimativas não mudam a necessidade de ação imediata e o aumento das verbas para dar acesso universal à prevenção do HIV, tratamento e serviços de apoio.

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A guerra do Ipea: não ao alinhamento

Valdo Cruz *
Publicado pela
Folha Online em 20/11/07

Desde o afastamento de quatro pesquisadores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), todos com uma visão crítica em relação a políticas do governo Lula, tornou-se pública uma guerra interna dentro da instituição notabilizada pela sua pluralidade, uma marca registrada desde sua criação nos anos 60. Segundo pesquisadores do instituto, tudo ficou muito claro em uma reunião com o novo presidente do Ipea, Marcio Pochmann, quando ele teria dito o que desejava de sua equipe.

O tom da fala do economista, que assumiu o posto recentemente, é traduzido mais ou menos assim por quem não concorda com os rumos que Pochmann vem dando ao órgão: a determinação a partir de agora seria montar um Ipea mais alinhado ao pensamento desenvolvimentista, mais ao gosto dos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil). O que, sinceramente, seria uma estupidez. O Ipea, por sua tradição e seu perfil de debatedor de políticas públicas, não pode se alinhar a essa ou aquela corrente. Seria um desserviço ao próprio governo, que assim estaria demonstrando sua total incapacidade de assimilar críticas. O que, diríamos, não é uma inverdade.

Pochmann rebate essa versão. Diz que jamais teria dito tal coisa. Segundo ele, o que disse é que o Ipea precisa "contribuir com o planejamento do desenvolvimento industrial" do país. Daí a dizer que estava determinando um alinhamento do órgão a esse tipo de pensamento haveria uma grande distância, garante ele.

O presidente do instituto assegura que não há nenhuma política de alinhamento do Ipea a essa ou aquela corrente de pensamento. "A missão do Ipea é planejar o desenvolvimento, mas não vamos abandonar as outras linhas", afirma Pochmann, que trabalhou na gestão da petista Marta Suplicy à frente da Prefeitura de São Paulo. Acrescenta que não há um "clima de intranquilidade" dentro do órgão como a mídia estaria passando.

Não é o que dizem vários pesquisadores do instituto hoje comandado por Pochmann, subordinado ao ministro Mangabeira Unger. Relatos indicariam que os trabalhos estão num ritmo lento, quase parando, diante da insatisfação com o que consideram rumos indesejáveis. Tem gente que chega a dizer que a "liturgia" do órgão estaria sendo quebrada. Em outras palavras, em vez de hipóteses serem testadas para, então, montar estudos sobre determinado tema, a linha atual seria corroborar teses do novo comando do órgão. Pode ser um exagero de quem não gosta nem um pouco da dupla Unger/Pochmann, mas que mais cedo ou mais tarde se tornará pública se for verdadeira.

O que Pochmann não pode negar, porém, é que o Ipea só tem a perder com o afastamento de pesquisadores como Fábio Giambiagi, Regis Bonelli, Otávio Tourinho e Gervásio Rezende. Podem não rezar pela mesma cartilha de quem manda no governo Lula, mas funcionavam como consciência crítica de um governo que realmente não gosta nada de ser contestado. Perdem ainda os novos economistas do órgão, que agora não terão mais o convívio com esses pesquisadores. Talvez esse fosse um dos objetivos.

O fato é que não é de hoje que gente dentro do governo reclamava da liberdade de pensamento reinante no Ipea. É lembrado um fato recente, quando o governo divulgou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e lançou a previsão de taxas de crescimento na casa dos 5%. Em seguida, veio o Ipea dizendo que aquilo só seria possível bem mais à frente. Até agora, contudo, ninguém havia resolvido mudar os rumos do instituto. As críticas ficavam nisso, em críticas. O clima parece estar mudando, apesar das negativas do novo comandante do órgão. Somente ele poderá mostrar que realmente não se trata de nada disso que todos estão dizendo. A conferir.


*Valdo Cruz, 46, é repórter especial da Folha. Foi diretor-executivo da Sucursal de Brasília durante os dois mandatos de FHC e no primeiro de Lula. Ocupou a secretaria de redação da sucursal e atuou como repórter de economia. Escreve às terças.

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Teletrabalho: como garantir o sucesso na adoção

Network World
Publicado pelo
Comnputerworld em 20/11/07

Horários de trabalho flexíveis ajudam as empresas a reduzir custos e reter talentos, mas, para que dêem certo, gerentes precisam ir além da configuração do acesso remoto.

À medida que as iniciativas de teletrabalho se disseminam, gerentes interessados em adotar o modelo de trabalho flexível têm de definir políticas de uso, implementar tecnologias capacitadoras e estabelecer metas para os funcionários de modo a garantir o sucesso desta empreitada.

Todos os indicadores apontam que o número de teletrabalhadores está aumentando nas empresas norte-americanas. Segundo pesquisa recente realizada com aproximadamente 200 gerentes de RH pela fornecedora de talentos e outsourcing Yoh, 81% das empresas adotam políticas de trabalho remoto e 67% dos entrevistados acreditam que o teletrabalho crescerá nos próximos dois anos.

De acordo com a WorldatWork, associação profissional norte-americana sem fins lucrativos focada em recursos humanos, cerca de 12,5 milhões de pessoas se beneficiam do teletrabalho naquele país. A associação define os “teletrabalhadores empregados” como funcionários em tempo integral ou parcial que trabalham em casa pelo menos um dia por mês.

Contando com os teletrabalhadores autônomos, que só trabalham em casa, o número de trabalhadores à distância nos Estados Unidos totalizou perto de 29 milhões em 2006, um aumento de aproximadamente 10% em comparação a 2005. Este número deverá aumentar em 2007, na medida em que mais empresas percebam os benefícios do teletrabalho.

“Os programas de teletrabalho normalmente têm início quando um funcionário pede para trabalhar fora do escritório um ou dois dias por mês. A partir daí, esta prática pode se espalhar como mato dentro de uma organização”, diz Rose Stanley, líder de práticas de vida no trabalho da WorldatWork.

“O local de trabalho nunca mais será o mesmo; será muito diferente”, afirma Rose, complementando: “E os gerentes precisam começar a estabelecer políticas para possibilitar o teletrabalho porque a nova força de trabalho o exigirá.”

Adesão ao teletrabalho
As empresas que possuem uma força de trabalho distribuída e recursos limitados para instalações físicas recorrem ao teletrabalho com freqüência. Os programas de trabalho remoto ajudam Linda Casey, gerente de operações sênior da companhia norte-americana McKesson Health Solutions, a montar call centers virtuais para novos clientes, conservar funcionários contratados valiosos e cortar gastos com imóveis.

A McKesson, que aloca enfermeiras diplomadas nos call centers para fornecer serviços de triagem e gerenciamento de doenças pelo telefone a membros de planos de saúde, mantém um programa de trabalho a distância que emprega entre 80% e 85% de seus funcionários sob o regime de teletrabalhadores em tempo integral. A população de profissionais remotos da McKesson cresceu para quase 800 operadores de call center nos últimos quatro anos.

“Muitas empresas relutam em se aventurar no teletrabalho, mas, depois que o fazem, não tem mais volta”, diz Linda. “Os benefícios tanto para o empregador quanto para o empregado são tão grandes que as empresas não podem se dar ao luxo de abrir mão dele”, reforça a executiva.

Para a McKesson, os benefícios variam do dinheiro economizado com imóveis, que chega a 1 milhão de dólares por ano, à maior eficiência do agendamento, que também proporciona mais uma economia de cerca de 1 milhão de dólares. E a organização de serviços de saúde deixa de gastar 500 mil dólares com novos clientes quando um call center virtual substitui uma localização física tradicional. Além disso, os call centers virtuais permitem que a McKesson empregue talento local para os novos clientes, o que lhe rende pontos juntos a estes clientes.

“O teletrabalho proporciona diversidade na contratação de novos funcionários, e os clientes gostam quando empregamos talento local. O trabalho remoto também nos possibilita reter funcionários contratados se, por alguma razão, eles precisarem se mudar para outro lugar”, explica Linda.

Pesquisando no website da American Automobile Association, ela descobriu que funcionários com trajetos de ida e volta de aproximadamente 46 quilômetros, por exemplo, podem economizar pelo menos 3 mil dólares por ano. Este definitivamente é um bom argumento.

Mas o programa de teletrabalho da McKesson não teve sucesso garantido assim que foi lançado, em 2003. Uma parcela dos funcionários da empresa não era talhada para isso. “Existem funcionários que não são adequados para o teletrabalho, eles precisam de mais interação social. E também há os que simplesmente não trabalham”, observa.

É como se o teletrabalho fosse o casamento: você tem de estabelecer confiança, e ambos os lados, empregador e empregado, precisam se empenhar para que a relação seja produtiva.

Comunicação virtual
A comunicação clara e contínua desempenha um papel importante no sucesso do teletrabalho, segundo especialistas. “Os empregadores têm de sentar com os funcionários para determinar como eles vão se comunicar, como o trabalho será levado a cabo e como o desempenho dos funcionários será medido sem haver muito contato frente a frente entre o gerente, o teletrabalhador e os outros colegas de trabalho”, diz Jane Anderson, diretora do Midwest Institute for Telecommuting Education (MITE). “Fundamentalmente, as linhas de comunicação precisam ser muito abertas”, afirma.

Os gerentes devem documentar as políticas de teletrabalho que detalham as expectativas do gerente para a comunicação. Os teletrabalhadores podem ser instados a se comunicar via telefone ou e-mail uma vez por dia, por semana ou outro intervalo de tempo qualquer, por exemplo.

Os gerentes também devem deixar para trás a idéia de “ver para crer” quando se trata da produtividade do trabalhador remoto. Eles precisam confiar que estes funcionários estão trabalhando quando estão fora do escritório. “O maior medo do gerente é perder o controle sobre a produtividade dos funcionários quando eles não estão no escritório”, observa Cindy Auten, gerente geral da Telework Exchange.

Para avaliar a adequação de funcionários e seus cargos a potenciais postos de teletrabalho, a Telework Exchange oferece uma calculadora online que funciona como um teste, em que o profissional coloca seus dados, batizada de Telework Eligibility Gizmo. A calculadora ajuda funcionários a justificar o teletrabalho para a gerência.

“O desempenho tem de ter foco no resultado real do trabalho, não na percepção intuitiva de que se está trabalhando, prática comum no mundo corporativo. Em muitos casos, os teletrabalhadores têm menos motivos de distração e tendem a ser mais produtivos do que as contrapartidas no escritório”, afirma Cindy.

A relação dos teletrabalhadores com os funcionários do escritório é tão importante quanto a interação com seus gerentes. De acordo com observadores da indústria, ensinar aos colegas de trabalho que os profissionais remotos trabalham tanto quanto eles é vital para o ambiente do escritório.

Por sua vez, “as pessoas que trabalham em casa receiam a percepção de que não estejam trabalhando realmente e, com freqüência, exageram e trabalham muito mais para provar que merecem o mesmo respeito que os colegas do escritório”, ressalta Jack Nilles, co-fundador e presidente da empresa de consultoria em gestão JALA International.

Outros acreditam que mostrar a todos os funcionários os benefícios do teletrabalho e promover a comunicação entre colegas por meio de videoconferência e teleconferência, reuniões no local e encontros sociais ajuda a fazer com que os funcionários continuem trabalhando em prol dos mesmos objetivos.

Os gerentes dizem que também precisam se empenhar para manter os teletrabalhadores desestressados. “Não é uma questão de ‘longe dos olhos, longe do coração’. Queremos que os funcionários façam pausas, levantem da mesa de trabalho para almoçar e se sintam uma parte importante do time”, diz Cindy, da McKesson.

Tecnologias capacitadoras
Para promover a comunicação, as empresas precisam adotar novas tecnologias que mantenham os teletrabalhadores em contato no home office. Os teletrabalhadores devem ter à disposição no mínimo a mesma tecnologia usada por suas contrapartidas no escritório. Isso significa que os home offices devem ser equipados com conexão à internet de alta velocidade e que o departamento corporativo de TI deve conceder aos funcionários capacidade de acesso remoto, como VPN.

O computador, seja do próprio empregado ou fornecido pelo empregador, precisa seguir normas de segurança padrão, e o pessoal do help desk deve ser treinado para lidar com problemas que possam ocorrer em um home office ou escritório remoto.

“Os requisitos tecnológicos precisam ser definidos e os funcionários precisam ser treinados desde o início para satisfazer estes requisitos ao trabalhar fora da empresa”, diz Cindy, da Telework Exchange.

Para quem trabalha em casa e não tem acesso à banda larga, o governo federal norte-americano apóia centros de teletrabalho na periferia das grandes áreas metropolitanas. A banda larga ainda não está em todas as áreas, mas pode haver um centro adequado para o funcionário em uma determinada região.

Com os baby boomers deixando a força de trabalho, um número maior de empresas terá novos funcionários que usam comunicação móvel no dia-a-dia e tornam mais popular o uso de mensagem instantânea, mensagens de texto e telefone celular nas operações de escritório. “A Geração Y tem a expectativa de teletrabalhar. É uma das primeiras coisas que eles pedem nas entrevistas de emprego”, diz Anderson, da MITE.

As empresas também podem optar por fornecedores que oferecem novas ferramentas de colaboração para possibilitar o teletrabalho em sua organização. Tecnologias da Citrix Systems e da WebEx Communications ajudam os profissionais remotos a participar de reuniões com colegas do escritório; fornecedores de software como serviço, como a Everdream, desenvolvem atualizações de patches contínuas para laptops; e a Symantec anunciou recentemente um serviço de backup online.

“O teletrabalho impõe uma grande carga de tecnologia em algumas empresas”, reconhece Jeff Kaplan, diretor da empresa de consultoria ThinkStrategies. O fato é que fornecedores de software como serviço e de serviços gerenciados estão moldando seus acordos de serviços gerenciados para incluir não só o escritório centralizado, mas também os trabalhadores remotos do cliente.

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UE e BID reforçam acordos de cooperação em projetos na AL

France Presse
Publicado pela
Folha Online em 19/11/07

A Comissão Européia - braço executivo da UE (União Européia) - e o BID (Banco Inter-americano de Desenvolvimento) assinaram nesta segunda-feira, em Bruxelas, um acordo que reforça sua cooperação na América Latina, com prioridade para a luta contra a pobreza e o desenvolvimento das energias renováveis.

"A intenção é reforçar nossa coordenação em temas tão importantes como a coesão social, a luta contra a pobreza e a promoção das energias renováveis", afirmou a comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero Waldner, depois da assinatura do documento com o presidente do BID, Luis Alberto Moreno.

Moreno também destacou a importância de desenvolver projetos vinculados às energias renováveis, afirmando que a América Latina se encontra no "coração da revolução" desse setor --que inclui os biocombustíveis, favorecida por uma conjuntura mundial de preços altos do petróleo e uma maior consciência sobre as conseqüências da mudança climática.

O BID já participa do programa EURO-SociAL da Comissão Européia, lançado em 2005 e com quatro anos de duração, centrado no incentivo de políticas públicas de educação, saúde, administração da justiça, fiscalidade e emprego.

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Detetives cegos combatem crime na Bélgica; veja vídeo

Publicado pela Folha Online em 19/11/07

Seis detetives cegos fazem parte de uma nova unidade da polícia belga. Com ouvidos treinados, o grupo trabalha na análise de sons: escuta de telefone ou outros tipos de gravações. Segundo o diretor da polícia federal da Bélgica, Paul Van Thielen, no início, muitos não acreditavam que pessoas cegas pudessem se tornar policiais.

"Com o tempo, nós conseguimos integrá-los à equipe", diz Van Thielen.
Um dos detetives do grupo, Sacha Van Loo, conseguiu identificar recentemente o país de origem de um traficante de drogas, apesar da gravação ruim a que tiveram acesso.

Veja vídeo dos detetives cegos na Bélgica

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Jovens alemães conciliam moda e consciência social

Louisa Schaefer
Publicado pela
Deutsche Welle em 20/11/07

Martin Höfeler (e) e Anton Jurina, os fundadores

Dois estudantes alemães fundaram uma empresa de moda, que pretende trabalhar apenas com meios éticos e ecologicamente sustentáveis, e ganharam por isso um prêmio de 250 mil euros.

No início deste ano, Martin Höfeler e Anton Jurina fundaram a Social Fashion Company, em Colônia, e com ela a etiqueta Armedangels (anjos armados) que, segundo Höfeler, oferece roupas fabricadas "de maneira ética e ecologicamente aceitável". Isso significa trabalhar com fornecedores que não empregam trabalho infantil e oferecem aos seus empregados salários justos e horas de trabalho aceitáveis. Os dois estudantes também só usam, na produção das roupas, algodão isento de pesticidas e com a menor quantidade possível de produtos químicos.

A meta dos jovens empresários é manter uma empresa cujos métodos sejam compatíveis tanto com o ambiente quanto com sua consciência social. "Queremos criar moda exclusiva distinta do lema das produções de massa: 'bom e barato'", afirma Höfeler.

Promover a sustentabilidade
Outras companhias, como a Levi's, Nike e a rede sueca H&M, têm descoberto que "ecomoda" vende. Da mesma forma, as empresas de cosméticos orgânicos estão em alta, e cada vez mais companhias vendem produtos com base em políticas de comércio justo.

Mas Höfeler e Jurina, com 25 e 28 anos, respectivamente, garantem que sua empresa distingue-se de todas as outras: uma parte de seus lucros é doada diretamente a organizações de caridade.

Neste momento, a linha Armedangels é composta de camisetas em estilo street wear – manga curta ou longa e regata – que variam de 29 a 50 euros. Para cada camiseta vendida, a Armedangels repassa 3,33 euros em benefício de escolas e hospitais na Bolívia.

Certificado de comércio justo com design chique
Para garantir que a Armedangels mantenha a reivindicação de sustentabilidade dos alunos, ela só trabalha com empresas socialmente responsáveis que têm rótulos e certificados de comércio justo.

Höfeler e Jurina atualmente importam algodão do Peru e têm camisetas costuradas nas Ilhas Maurício. Porém pretendem mudar para um produtor de algodão da Índia, com uma boa reputação de comércio justo.

Justificando-se devido ao impacto ambiental causado pelo longo trajeto de transporte, Höfeler lembrou que a Alemanha não é um país produtor de algodão.

Cansados do velho slogan capitalista
A dupla freqüentava junto aulas de gestão corporativa quando surgiu a idéia da Armedangels.

"Nós estávamos cansados de ouvir o tradicional lema capitalista de 'maximizar lucros' cada vez que tínhamos aulas sobre comércio", recorda Höfeler, acrescentando que ele sempre quis fundar sua própria empresa.

Os dois passaram tempo suficiente fazendo estágios em grandes empresas para perceber que não queriam ser engrenagens na "máquina capitalista". Em vez disso, decidiram capitalizar no segmento de mercado socialmente consciente – com sucesso.

Recompensa pela idéia
A empresa de moda social de Höfeler e Jurina conquistou o Jovens Empresários (Gründerpreis), prêmio da revista econômica alemã Wirtschaftswoche, por encontrar a combinação certa nesta eclética mistura de interesses. A empresa recebeu também 250 mil euros para marketing, negócios e consultoria jurídica.

"A Armedangels tem uma equipe entusiasta e uma idéia de mercado absolutamente convincente que se encaixa bem na atual tendência de moda sustentável e consciência ambiental", declarou Jochen Mai, coordenador do prêmio da Wirtschaftswoche, cuja matéria de capa de setembro se ocupa da concepção de que moral conduz ao lucro.

Höfeler e Jurina também foram bem-sucedidos de outra maneira: eles convenceram alguns "business angels" – empresários mais velhos, com negócios sedimentados e dispostos a investir nos jovens empresários – a dar-lhes capital de giro. Os dois têm trabalhado tanto que adiaram seus estudos em Economia e Direito.

Os rapazes têm planos de expandir a Armedangels. Atualmente seus produtos só podem ser adquiridos pela internet.

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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Quanto custa a calhordice política

Gilberto Dimenstein
Publicado pela
Folha Online em 19/11/07

Até pouco tempo, a imagem das ONGs estava associada à generosidade e eficiência. Agora, se associa, graças aos escândalos que aparecem na mídia, à malandragem típica da política. A verdade sobre os escândalos, porém, não está clara.

A imensa da maioria das pessoas que apoiaram e apóiam entidades não-governamentais queriam fazer a diferença nas suas comunidades, mas também ficar justamente longe da política, onde corrupção e incompetência são rotina.

O ambiente mudou e o resultado dos escândalos é o surgimento de uma CPI para investigar as entidades não-governamentais. O ambiente mudou exatamente por causa da calhordice política.

É bom que se investigue qualquer entidade com dimensão pública. Quanto mais investigação, melhor. O chamado terceiro setor cresceu muito, misturando os mais diferentes tipos de entidades sem fins lucrativos, que envolvem um templo evangélico, um sindicato patronal ou de trabalhador, até um grupo que cuida de crianças com HIV. Há anos se fala na filantropia.

Mas o que provocou os escândalo é a forma como os partidos (e aqui se envolvem PT e PSDB) usaram o terceiro setor como recurso para ajudar aliados, a começar dos sindicatos. Basta ver que o que está na mira da CPI são grandes transferências de recursos a entidades suspeitas de alinhamento partidária --e, por isso, beneficiadas não por sua competência.

Não é à toa que dinheiro dado aos sindicatos para formação profissional foi, em muitos casos, desperdício. A junção de incompetência, esperteza e falta de fiscalização só poderia mesmo dar em escândalo.

É uma pena que um movimento generoso e com grandes conquistas de direitos de mulheres, crianças, idosos, negros, trabalhadores, portadores de deficiências, seja contaminado pela malandragem. Tudo isso talvez desestimule a participação dos brasileiros em desafios coletivos, especialmente dos jovens --esse é mais um custo da calhordice política.

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Internet: um bilhão online, mas mundo questiona como incluir cinco bilhões restantes

Agnes Dantas
Publicado pel'
O Globo Online em 18/11/07

Internet: um bilhão online, mas outros cinco bilhões excluídos

Foto Arquivo

Internet na tela do celular, via redes comunitárias sem fio ou mesmo por meio da tradicional linha telefônica discada. Já não importa o meio de acesso quando a questão é buscar alternativas para evitar o agravamento de um panorama mapeado pela Organização das Nações Unidas: mais de um bilhão de cidadãos em todo o mundo estão plugados à internet, mas pelo menos cinco bilhões de pessoas ainda são excluídos digitais. (Leia também: embaixador americano, David Gross, defende mais acesso, liberdade de expressão e elogia o Brasil) .

Para defender novos modelos de acesso às chamadas Tecnologias de Informação e Comunicação (ICTs, da sigla em inglês) na redução do vão que aumenta com o avanço da internet em todo o mundo, especialistas e organizações não governamentais de mais de 70 países sentaram à mesa no Rio de Janeiro durante o IGF Brazil 2007 - Fórum sobre Governança da Internet para conhecer e divulgar alternativas de acesso. Apoiado pela ONU, o evento ganhou ares de cúpula mundial e deixou o Brasil e suas políticas de democratização de acesso público expostos a elogios e críticas por parte de líderes de países ricos e pobres.

- Dados recentes dão conta que o Brasil tem 20 milhões de internautas residenciais, sendo que o programa Computador para Todos já facilitou a venda de mais de 1,5 milhão de computadores. Sabemos que é pouco, mas acreditamos que estamos indo pelo caminho certo - afirmou o ministro das Comunicações, Helio Costa, durante o evento.

Mas alguns especialistas defendem que a nova fronteira de democratização do acesso à informação já não deve ser limitada ao computador como intermediário. Valeria D'Costa, consultoria mundial do programa Informação para o Desenvolvimento (infoDev - www.infodev.org), mantido pelo Banco Mundial, destacou que políticas devem ser mudadas juntamente com as tendências mundiais. E citou como exemplo a Índia, país em que existem 50 milhões de usuários de computador e mais de 225 milhões de telefones celulares, plataforma móvel que "pode e deve ser usada como um novo veículo de inclusão" mas que não vem sendo considerada por governos e empresas de telecomunicações.

- Investir em tecnologias é levar aos cidadãos todos os serviços a que eles têm direito, como saúde e educação. Se isso pode ser feito pelo celular, por uma estrutura já acessível, para quê serve uma rede de gigabyte de velocidade se isso não chega a quem é de direito? Chegar a estes bilhões de excluídos significa ouvir o que eles têm a dizer e oferecer acesso à internet e à tecnologia da forma mais direta possível - defendeu a especialista, que citou a massa de mais de 100 milhões de usuários de telefones celulares no Brasil.

Em localidades remotas de países como a Colômbia, Peru e Uruguai, vilarejos fugiram às regras de mercado e estão se conectando entre si através de rede sem fio nos mais diversos padrões (Wi-Fi, WiMESH, WiMax etc) - inclusive a partir de equipamentos usados e readaptados para freqüências de rádiotransmissão. Na prática e sem ameaçar redes já existentes de comunicação - como freqüências de aeroportos e emissoras de radiodifusão - vilas inteiras acessam a internet, realizam comércio eletrônico e preservam sua identidade cultural em redes sociais locais. O exemplo do "Instituto para la Conectividad en las Américas" e da Fundação Escola-Latino Americana de Redes, da Colômbia (ESLARED) foi exibido pela consultora Sylvia Cadena, uma das coordenadoras do projeto e representante da WiLAC, entidade que debate o compartilhamento de tecnologias sem fio na região (www.wilac.net).

- Mais de 70% da população da América Latina vive em zonas rurais. O que acontece é que os atuais modelos de regulamentação, de negócios e de serviços de telecomunicações são baseados em padrões que atendem apenas áreas urbanas. É nesta realidade, da periferia e das áreas rurais que os modelos de leis e de negócios devem estar baseados, e não serem tratados como exceção - destacou Sylvia Cadena, que questiona os modelos de regulamentação de internet e de tecnologias que limitam a democratização do acesso público.

A consultora lembrou que os marcos regulatórios limitam o uso de tecnologias alternativas para a popularização de baixa renda ou de áreas remotas. Segundo ela, as pequenas comunidades não conseguem ter acesso a internet via rede de energia elétrica "porque têm que pagar altas taxas pela importação dos equipamentos", ao mesmo tempo em que taxas impostas aos provedores de acesso e de serviços (ISPs, da sigla em inglês) reduzem os incentivos para a oferta de acesso em comunidades remotas ou populações rurais.

- Em uma comunidade remota do Peru, entregamos nas mãos dos cidadãos de vilarejos rurais antigos equipamentos de rede e eles foram adaptando cada uma destas tecnologias para construir engenhocas capazes de conectá-los. Foi uma das soluções encontradas para buscarmos representatividade, já que o mercado ignora esta realidade - relatou a consultora, ao se referir ao Tricalcar, projeto de redes sem fio comunitárias em vilas da América Latina e Caribe.

Roque Gagliano, um dos executivos da Antel, única operadora de telefonia fixa e 100% controlada pelo governo, reforçou o argumento de que para incluir digitalmente os próximos bilhões de usuários será preciso mudar os modelos vigentes de acesso à internet. Ele lembrou que o Uruguai paga 100% de custos sobre a interoperabilidade de acesso para levar internet ao país porque não há alternativas.

- Atualmente as empresas que precisam se conectar a servidores ou a provedores de serviços e estes entre si precisam trafegar dados entre países, precisam entrar em redes internacionais de acesso para oferecer serviços localmente. Não precisamos interconectar países. Precisamos permitir que provedores de conteúdo, empresas ou clientes se comuniquem localmente, precisamos defender a conectividade regional - afirmou.

E quando o assunto é inclusão digital em massa em países pobres, a África exibe alguns dos mais bem sucedidos exemplos de superação, destacaram integrantes da ONU presentes ao IGF Brazil 2007. A ONG Associação pela Comunicação Progressiva (APC, da sigla em inglês) é uma das entidades não governamentais que tem unido governos, iniciativa privada, mídia e sociedade civil na implementação de programas de inclusão digital no continente, e apresentou casos de comunidades rurais que alfabetizam adultos e crianças, que geram conteúdos locais na internet e que têm criado redes de comunicação entre vilarejos com a ajuda da rede mundial. (http://apc.org)

- As comunidades usam a infra-estrutura da qual dispõem, que as vezes é (acesso) via celular ou via modem (internet discada), e através dela criam atividades e grupos responsáveis pelo desenvolvimento social e cultural, pelo resgate dos valores daquela pequena sociedade - afirmou Anriette Esterhuysen, diretora-executiva da APC, referindo-se a telecentros comunitários gerenciados pela ONG em países como o Quênia, a Etiópia e o Senegal.

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