segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Discovery, sob novo comando, investe em conteúdo "verde"

Tainã Bispo
Publicado pelo
Valor Online em em 12/11/07

Ações da holding da Discovery sobem 61% no ano, impulsionadas pelas decisões do novo CEO, David Zaslav
Foto Divulgação


Silver Spring, no Estado americano de Maryland, está longe de oferecer aventuras como as apresentadas nos canais de TV paga da Discovery Channel e do Animal Planet. Mas é justamente essa cidade pacata e suburbana, a 30 minutos de Washington DC, que abriga o ritmo frenético de mudanças da Discovery Communications, um dos principais grupo de entretenimento dos Estados Unidos, cuja sede localiza-se em um dos maiores prédios da pequena Silver Spring.

Desde o início deste ano, o grupo trocou de CEO, fechou o braço varejista, com mais de 100 lojas físicas em shopping dos EUA, anunciou um investimento de US$ 50 milhões para lançar um canal novo, voltado exclusivamente ao meio ambiente. O grupo tenta modernizar-se, ser mais "contemporâneo", como adjetivou David Zaslav, presidente e CEO da Discovery Communications desde janeiro deste ano. Ele é ex-executivo do grupo americano NBC, um dos mais assistidos canais dos EUA. Por mais "contemporâneo", entenda-se uma tendência que vem sendo objeto de discussão de toda a indústria de entretenimento, seja cinematográfica, fonográfica ou editorial: tratar do conteúdo, independentemente da mídia.

O mercado parece ter aprovado a dinâmica da empresa nas mãos de Zaslav e de sua equipe - ele fez questão de trocar vários executivos. Entre janeiro deste ano e sexta-feira passada, as ações da Discovery Holding Company valorizaram-se 61,6%, chegando a US$ 26.

"Decidimos investir em áreas em que teremos um forte retorno econômico. Por isso, estamos investindo em conteúdo e comprando ativos de mídia", afirma o executivo. O foco, porém, continua o mesmo de quando a Discovery foi criada, em 1985, por John Hendricks, que hipotecou a casa para lançar o canal: satisfazer a curiosidade das pessoas. "Nós queremos estar em todos os lugares em que há pessoas procurando satisfazer suas próprias curiosidades. Pode ser pela TV, pelo DVD, pelo celular ou pela internet", diz.

Uma das principais diretrizes do grupo, para o ano que vem, é criar uma estrutura para atender novas mídias. Há cerca de três semanas, a empresa comprou o site How Stuff Works (em uma tradução livre, Como as Coisas Funcionam), por US$ 250 milhões - a maior aquisição da história do grupo. No Brasil, os internautas têm acesso a uma versão em português do site há cerca de quatro meses, através do portal UOL. Este ano, a Discovery já havia comprado o site TreeHugger.com, um dos endereços virtuais líderes nos EUA sobre meio ambiente.

Através de sites e outras tecnologias, a empresa planeja ampliar sua penetração em todo o mundo. Conteúdo é o que não falta. A Discovery tem uma "biblioteca" com mais de 100 mil horas de filmagens. "O mais importante é que o nosso maior ativo, os vídeos, podem ser explorados em qualquer plataforma", explica Bruce Campbell, presidente de mídia digital, redes emergentes e desenvolvimento corporativo.

A percepção do grupo em relação a esse novo formato de vender conteúdo, no entanto, só passou a ter mais atenção este ano. Até então, os sites dos canais, por exemplo, eram utilizado como uma ferramenta principalmente promocional. Ou seja, os sites criados ofereciam basicamente informação sobre a programação. "A idéia era fazer com que os espectadores voltassem para a TV. Ainda há esse tipo de conteúdo dentro do grupo, mas hoje, ainda mais essas aquisições, nossa idéia é ir além", afirma Mark Hollinger, presidente de negócios globais e de operações.

Sob essa nova perspectiva, a empresa não tem medido esforços para oferecer ao espectador e ao anunciante uma programação de qualidade. O custo de um episódio pode variar de US$ 750 mil a US$ 3 milhões. Por ano, o grupo investe cerca de US$ 500 milhões em conteúdo. "Estamos apostando em qualidade, porque é isso que realmente traz resultado. É isso o que os anunciantes estão procurando: uma experiência única, que não se encontra em nenhum outro lugar", afirma Jane Root, presidente e diretora geral dos canais Discovery Channel e Science Channel.

O investimento no Planet Green, um canal 24 horas dedicado totalmente ao tema do meio-ambiente, faz parte desse projeto. O Planet Green deve ir ao ar ainda este ano nos EUA. Nos outros países, inclusive no Brasil, os programas "verdes" do canal serão veiculados em alguns canais do grupo, a partir de 2008. "Muitas empresas têm um orçamento de publicidade voltado especificamente para o meio ambiente e estão procurando lugares para anunciar", diz Zaslav.

O olhar voltado para novas mídias e para uma programação "verde", no entanto, teve seu preço. Para tornar a empresa "mais eficiente", Zaslav fechou o braço varejista da empresa: mais de 100 lojas que vendiam produtos da Discovery, localizadas em shoppings nos EUA. Junto, foram demitidos cerca de 1 mil funcionários, ou 20% da força de trabalho.

Os produtos - desde DVDs a brinquedos e roupas - são vendidos, atualmente, na loja virtual da empresa e nas prateleiras de outros varejistas, como a loja especializada em brinquedos Toys 'R' Us. "Foi uma decisão difícil. Mas nosso foco é claro: transformar a Discovery de uma empresa de TV a cabo para um provedor de conteúdo."

(A repórter viajou a convite da Discovery Communications)

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A conta é do produtor ou do consumidor?

Jane Spencer
Publicado pelo
Valor Online em em 12/11/07

Para entender o impasse no debate sobre mudanças climáticas, dê uma olhada no seu aparelho de MP3. A grande maioria desses aparelhos é fabricada na China, onde a principal fonte de eletricidade é o carvão. A fabricação de um só iPod joga na atmosfera oito quilos de dióxido de carbono, um dos gases responsáveis pelo aumento da temperatura no planeta.

Aparelhos de MP3, assim como outros produtos feitos na China, de brinquedos a aço laminado, trazem à tona um questionamento que está se tornando importante no debate sobre o efeito estufa. Se algo é fabricado na China por uma empresa americana e exportado para consumidores em São Paulo, o governo chinês deve ser responsabilizado pelo carbono emitido na sua fabricação?

No mês que vem, líderes mundiais vão se reunir em Bali para começar a estruturar um sucessor para o Protocolo de Kyoto, o tratado internacional para combater o aquecimento global que acaba em 2012. A China e os Estados Unidos, os dois maiores emissores de carbono do mundo, enfrentam pressão internacional cada vez maior para participar de um novo tratado, porque nenhum dos dois ratificou o protocolo. Mas enquanto surge a conta das emissões descontroladas, cresce uma batalha sobre quem deve pagá-la.

Tratados anteriores, como o de Kyoto, avaliavam as emissões de cada país e exigiam que as nações participantes reduzissem os gases do efeito estufa emitidos dentro de suas fronteiras. Em outras palavras, o país que fabrica é o que paga pela poluição. Mas numa mudança que pode aumentar a pressão sobre países industrializados como os EUA, acadêmicos, ambientalistas e alguns políticos argumentam que o próximo tratado internacional contra o efeito estufa deve levar em conta o "consumo" de emissões num país. Eles afirmam que as emissões ficam embutidas em produtos que viajam o mundo através do comércio - então, se os EUA importam iPods da China, os americanos devem dividir parte da responsabilidade pela poluição emitida quando eles foram fabricados.

"Enquanto crescem as emissões na China, todo mundo põe a culpa no país", diz Andrew Simms, diretor da New Economics Foundation, um centro de pesquisas e grupo de defesa ambiental de Londres. "A verdadeira responsabilidade pelo crescimento das emissões deveria ser dos consumidores finais na Europa, América do Norte e no resto do mundo."

O argumento agrada aos líderes da China, que, de acordo com algumas contas, já passou os EUA como maior emissor de dióxido de carbono do mundo. No início do ano, Qin Gang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, lembrou aos repórteres dos países ricos que "muitas das coisas que vocês usam, suas roupas, seus alimentos, são produzidos na China". Por um lado, as empresas dos países ricos produzem cada vez mais na China, "mas, por outro, vocês criticam a China sobre a redução das emissões", acrescentou. Grosso modo, 23% das emissões chinesas vêm da fabricação de produtos que serão exportados para outros países, segundo relatório do Tyndall Centre for Climate Change Research, no Reino Unido.

Alguns economistas refutam o argumento e notam que a China se beneficia do arranjo. "A China adora ser exportadora, então é irônico eles culparem os EUA por suas exportações", diz Robert Stavins, professor de negócios e administração pública na Universidade Harvard.

No momento, a abordagem que aponta o consumidor como culpado é mais uma tática de negociação do que uma proposta séria para redesenhar o mapa mundial das emissões de gases do efeito estufa. Mas à medida que surgem novos dados e estudos para catalogar as emissões contidas nos produtos, as informações podem influenciar a discussão sobre qual é o tipo de redução das emissões que vários países devem tomar.

Defensores da abordagem baseada no consumidor final argumentam que ela resolve um dos problemas mais importantes em relação ao Protocolo de Kyoto, conhecido como "vazamento de carbono". É a idéia de que os países podem reduzir suas emissões transferindo indústrias poluentes para outros lugares. Os mesmos países ainda podem importar os produtos fabricados no mundo em desenvolvimento, o que cria uma situação em que as emissões mundiais de gases do efeito estufa continuam aumentando, até mesmo quando os países alcançam individualmente suas metas. "Se você precisa restringir as emissões, é bastante atraente realocar a produção poluente para países pobres, ou importar do mundo em desenvolvimento", diz Glen Peters, pesquisador da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia. "Você importa produtos prontos e deixa a poluição na China."

Tecnicamente, as emissões de gases do efeito estufa diminuíram nos EUA nos últimos anos, fato geralmente propagandeado pelo presidente George W. Bush. As emissões de carbono do país caíram 1,3% em 2006. Mas um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon indica que os EUA podem estar reduzindo suas próprias emissões por meio da terceirização de cada vez mais fábricas.

Com a expansão do comércio internacional nos últimos dez anos, os EUA começaram a importar de seus parceiros comerciais muito mais produtos cuja produção emite altos níveis de carbono, segundo os pesquisadores. O estudo descobriu que as chamadas emissões embutidas nas importações americanas praticamente dobraram entre 1997 e 2004. Em 2004, os EUA importaram até 1,8 bilhão de toneladas de CO2 embutido nos produtos, o que equivale a 30% da emissão de gases do efeito estufa naquele ano. Muitos desses produtos têm origem na China.

Autoridades americanas reconhecem que as indústrias poluentes viajam o mundo em busca dos lugares mais tolerantes, por causa das restrições ambientais. É por isso que países ricos como os EUA e a Austrália se negaram terminantemente a participar de um acordo sobre o clima que não incluísse países em desenvolvimento como China e Índia. Eles argumentam que forçar países desenvolvidos a cortar as emissões, quando os países pobres não são limitados por restrições semelhantes, poderia tornar suas indústrias menos competitivas. Eles afirma que esse sistema pode enfraquecer qualquer tratado ao empurrar as fábricas poluentes para o exterior, em áreas onde há menor fiscalização.

Há várias propostas dentro do conceito de "carbono embutido" que envolvem tarifas. Os países que se comprometessem com os problemas climáticos poderiam punir os países que não participam dos tratados, com a imposição de tarifas extras para importados que consomem muita energia em sua fabricação, como aço, alumínio ou vidro. Este ano, a França propôs que a União Européia imponha tarifas para os importados americanos, a não ser que Washington aceite participar de um tratado sobre o efeito estufa. Várias leis relacionadas a mudanças climáticas que já tramitam no Congresso dos EUA também podem aumentar as tarifas para a importação de produtos poluentes de países em desenvolvimento.

Qualquer que seja a abordagem adotada pela comunidade internacional para pôr um preço nas emissões, os compradores de iPods e outros eletrônicos de consumo é que vão acabar pagando a conta no fim da história.

"Se o governo chinês for responsabilizado pelas suas emissões, vai aumentar o custo de produzir por lá", diz Joseph Aldy, economista da Resources for the Future, um centro de pesquisas ambientais sediado em Washington. "Quando alguém impõe uma tarifa, o custo geralmente é repassado para o consumidor."

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Como ganhar diploma de otário

Gilberto Dimenstein
Publicado pela
Folha Online em 11/11/07

Infelizmente não causou escândalo relatório divulgado pelo governo federal que informa que, apesar do gigantesco desemprego, sobram centenas de milhares de vagas para funções qualificadas. Daria, na minha opinião, uma CPI.

O escândalo é o seguinte: gastam-se bilhões de reais, saídos dos cofres públicos, para manter programas de formação profissional de sindicatos patronais e de trabalhadores, sem contar os cursos mantidos pelos governados estaduais e municipais. A sobra de emprego revela que se deveria fazer uma profunda investigação nesses programas.

Enquanto isso se estimulam, com dinheiro público, bolsas para jovens cursarem faculdade, cujos alunos, uma vez formados, ficam longe do mercado. Será que precisamos de mais alunos em direito ou administração? Ou precisamos de técnicos em informática, logística ou exploração mineral?

O que o mercado está dizendo claramente é que o jovem teria mais chance de ganhar um emprego se fizesse um curso técnico ou tecnológico. Fazer um curso superior pode significar, em muitos casos, apenas o diploma de otário.

Preparei um material em meu site (www.dimenstein.com.br) sobre tendências e novos cursos profissionais. São Paulo começa a oferecer, dentro das escolas públicas, por exemplo, cursos técnicos à distância.

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sábado, 10 de novembro de 2007

Jogo na web arrecada arroz para alimentar milhares, diz ONU

Publicado pela BBC Brasil

O jogo já arrecadou 1 bilhão de grãos de arroz

Um jogo de internet arrecadou uma quantidade de arroz suficiente para alimentar 50 mil pessoas por um dia, informou a FAO (a agência das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação).
O jogo, que ganhou o nome de FreeRice (Arroz de graça), testa o vocabulário dos participantes.

Para cada resposta certa, o site gera dinheiro suficiente para comprar dez grãos de arroz. A verba é fornecida pelos anunciantes do site à FAO, que fica responsável pela compra e distribuição do alimento.

O jogo está disponível na internet pelo site www.freerice.com desde o início de outubro e desde então arrecadou 1 bilhão de grãos de arroz.

A diretora da FAO, Josette Sheeranz, disse que o FreeRice demonstra como a “internet pode ser usada para conscientizar as pessoas e levantar fundos para a primeira necessidade do mundo”.

Ela disse que o jogo foi amplamente divulgado com a ajuda de pessoas que mantêm blogs e de sites como o de relacionamentos Facebook e o de vídeos YouTube.

O jogo foi criado pelo americano John Breen, pioneiro na criação de ações para levantamento de fundos pela internet.

Antes do FreeRice, Breen já havia criado o The Hunger Site (O site da fome).

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Eles usam black-tie

Maria Cristina Fernandes
Publicado pelo
Valor Online em 09/11/07

Edson Bazílio: depois de ser dispensado do programa de estágio firmado entre a Unipalmares e um banco, usou a indenização de R$ 5 mil para abrir empresa de comércio virtual voltada para o mercado afro
Foto Davilym Dourado

Vai ser a maior festa de formatura que já se viu. O número de formandos até que é modesto, 126. Grande é a platéia. Para a colação de grau em março foi reservado o Ginásio do Ibirapuera, com capacidade para 12 mil pessoas. A maioria deles levará para casa o primeiro diploma universitário de suas famílias. "Minha filha disse que tem um limite de dez convites, mas na nossa família tem pelo menos 50 parentes que querem muito ir", diz a auxiliar de enfermagem Marilena Duarte, de 46 anos, mãe de Elaine Duarte Damião, de 23, uma das integrantes da primeira turma de formandos da Universidade Zumbi dos Palmares.

Criada em 2003 com a reserva de metade de suas vagas para estudantes que se declarem negros, a universidade tem hoje entre seus 1,5 mil alunos 87% de afrodescendentes. Oferece cursos de Administração de Empresas e Direito e, a partir do próximo ano, terão início Comunicação Social e Informática, somando 2 mil alunos.

A impressão de que os portões da antiga fábrica que abriga a universidade, na Barra Funda (centro de São Paulo), dão acesso a um gueto, se desfaz à entrada da sala de aula da turma do último ano de Administração. Um grupo de alunos cerca o professor de Finanças Internacionais, Jorge Max Lucki, branco até o último fio de cabelo. Discutem os últimos IPOs, sigla em inglês da oferta inicial de ações, com a animação de quem conversa sobre a rodada do Brasileirão do fim de semana.

"Vocês querem passar o resto da vida ganhando dinheiro para os outros?", provoca o professor, ao perceber que desconheciam detalhes das últimas operações do mercado. O grupo desfaz-se e toma seus lugares nas carteiras, onde não se vê aluno falando ao celular, folheando revistas, jogando truco ou entrando e saindo da sala. "Além de demonstrarem interesse acima da média em sala de aula, eles também são mais afetuosos e nos tratam com muito mais respeito", comenta, ao fim da aula, o professor, que, assim como a maioria dos outros 73 da universidade (60% de brancos), dá aulas em outras escolas particulares de São Paulo.

Na turma de formandos, mais de um terço dos alunos é estagiário em bancos por meio de convênios firmados entre a universidade e instituições financeiras. Daí que se avistem mais terno e tailleur do que chinelo de dedo ou bata indiana nas salas de aula.

Ao contrário de colegas de universidades públicas ou particulares que estabeleceram políticas de cotas minoritárias, não são submetidos a pichações racistas nos banheiros. A lei ali é deles. É antes no estágio, que na universidade, que eles se sentem participantes de uma experiência de política de cotas.

O reitor José Vicente atribui a esmagadora maioria de negros da faculdade à mensalidade módica e à publicidade que, inicialmente, foi mais dirigida ao público das escolas de samba e dos bailes funk. A mensalidade é de R$ 260, 50% do custo. A outra metade é bancada por parceiros da escola. Além dos bancos, a lista de colaboradores inclui empresas como a Nestlé e instituições de ensino privadas, como a Universidade Metodista e a Unip, de João Carlos di Genio, que chegou a custear a folha de funcionários da escola no início do projeto.

"Vimos que trabalhar para colocar negros na USP e na Unicamp era como enxugar gelo", diz o reitor sobre a origem da Unipalmares, um curso preparatório de vestibular dirigido a afrodescendentes. No fim da década de 1990, haviam conseguido colocar 520 negros bolsistas em 12 faculdades particulares, que ofereciam vagas em troca de perdão de débitos fiscais.

Filho de bóia-fria e lavadeira, nascido em Marília (SP), casado e pai de três filhos, Vicente chegou a São Paulo pelos quadros da Polícia Militar. Fez Direito em Guarulhos, mas foi na Escola de Sociologia e Política de São Paulo que reuniu o grupo de 30 colegas que fundaria a Unipalmares.

De gravata e camisa social branca de manga curta, dois celulares na cintura, José Vicente explica por que a escola teve início pelo curso de Administração de Empresas. Afirma haver um grande mercado de produtos voltado para negros que é comandado por brancos. Dos 77 mil periódicos em circulação no país, conta, há um único dirigido para a comunidade negra, a revista "Raça", que é de uma descendente de coreanos, Joana Woo - "até galinha preta, farofa e todos os paramentos do candomblé são produzidos por brancos".

Vem de um aluno excluído da mais vistosa parceria empresarial da escola - os convênios com os bancos - uma das principais iniciativas na conquista desse mercado. Filho de um encanador industrial e de uma diarista e primeiro de seis irmãos a se formar, Edson Bazílio, 29 anos revelados a contragosto, era estagiário de um banco até agosto. A experiência, que durou um ano e um mês, começou pela área de Recursos Humanos do banco. Era o único negro num setor de 40 pessoas. Um dia, ao voltar do almoço, ouviu de um gerente: "Edson é negro, por isso fede que nem merda." Ficou mudo. "Em outra situação teria reagido, mas aprendi aqui a importância da inteligência emocional", conta, com voz baixa e pausada, em uma mesa de canto da biblioteca da faculdade.

Relatou o acontecimento à sua chefe e depois ao chefe da chefe. O gerente explicou a todos eles que tinha sido uma brincadeira. Os chefes disseram a Edson que ele receberia um pedido de desculpas e, em seguida, aceitaram sua transferência para outra área do banco. "Saía para a balada com a turma do banco, mas depois disso minha auto-estima ficou abalada e me isolei", relembra. "Eles faziam palestra sobre diversidade para os estagiários da Unipalmares, mas quem tinha que estar na platéia era a maioria branca do banco."

Três meses depois da transferência, foi chamado pelo chefe. Achou que receberia a notícia de sua efetivação por ter fechado dez contratos no período. Acabou demitido. Foi até a mesa do gerente agressor se despedir. Nem assim ouviu o prometido pedido de desculpas. Com os R$ 5 mil da indenização, montou uma loja virtual. Quer focar no mercado afro oferecendo cosméticos, roupas, ingressos para shows, eventos e treinamento.

O insucesso de Edson é uma exceção no programa de estagiários, mas todos têm histórias de dificuldades na adaptação aos bancos. Para Flávio Batista, de 35 anos, filho de sapateiro e cabeleireira, a maior dificuldade do início do estágio no setor de auditorias do Citibank foi o inglês: "Os outros estagiários são de universidades top de linha e estudam inglês desde os 8 anos de idade. A defasagem é muito grande".

Denise dos Santos, de 29, estagiária no marketing estratégico do Itaú, queixa-se das resistências ao que os colegas chamam de privilégios dos cotistas, como, por exemplo, a semana a que têm direito, uma vez por mês, para se dedicar ao curso de formação de jovens executivos na Unicamp. Filha de um motorista aposentado e de uma costureira, diz que todos ali são contra a perpetuação do benefício - "A cota é para resolver uma situação emergencial de exclusão."

Todos têm respostas na ponta da língua para contestar os adversários da iniciativa. Ao argumento de que o país estaria sendo apresentado a uma divisão por raças até então inexistente, Maira Barbosa, de 27 anos, dois filhos, colega de Denise no Itaú, afirma que a racialização já existe, não são as cotas que a estão criando: "Ainda me choca muito quando vejo as pessoas no banco comentarem um crime cometido por um dentista, por exemplo. Dizem logo que o cara deve ter algum problema psicológico. Se for um negro, é porque não presta mesmo."

À alegação de que a política de cotas é inconstitucional, porque afronta o princípio da igualdade, Kátia Botelho, de 22 anos, estagiária do Bradesco, responde que a desigualdade no acesso à educação de qualidade é que não está prevista na Carta: "Somos parte de um problema social que engloba a cor da pele, mas não se restringe a ela." Quando defronta com colegas que questionam sua presença no banco pela cota afro, conta que antes de entrar no estágio do banco tentou colocar seu currículo numa empresa de recrutamento pela internet. Procurou a lista de faculdades relacionadas e não encontrou a Zumbi dos Palmares.

A resistência interna às cotas não é suficiente para reverter os programas das instituições financeiras. Depois que o Ministério Público do Trabalho ajuizou ações contra os cinco maiores bancos privados brasileiros pela reduzida presença de negros entre seus funcionários, foram firmados termos de compromisso para garantir sua ampliação no quadro funcional. Nessas ações, os procuradores citaram dados do IBGE em que constatam que a maior presença de negros nas instituições financeiras se dá na manutenção (65%) ou nas funções de contínuos (57%) e copeiros (50%). Nas atividades que permitem ascensão funcional na carreira, a presença é mais reduzida: há 5% de escriturários, 13% de caixas e 15% de gerentes.

O quadro alastra-se em outros setores da economia. Pesquisa do Instituto Ethos/Valor, com as 500 maiores empresas do país, constatou 26,4% de negros em seu quadro funcional. Entre os executivos, essa participação reduz-se para 3,4% .

Hoje, oito bancos já oferecem estágios para alunos da Unipalmares: Itaú, Bradesco, Safra, Citibank, HSBC, Real, Santander e Unibanco. O Itaú, pioneiro nos convênios, começou com 20 alunos em 2005 e hoje já tem 91 ou 20% do total de seus estagiários. Metade dos 20 que estão na turma de formandos já passou no certificado da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) e 5 já foram efetivados. Começam com uma remuneração de R$ 842 e chegam a R$ 1,1 mil, além dos benefícios assistenciais. No Itaú, não há queixas formalizadas. Atribuem-se suas dificuldades à "cultura distinta do mundo corporativo", que inclui desde o vestuário ao comportamento no restaurante. "Eles chegaram com defasagem muito grande em relação aos demais estagiários, mas tiveram uma evolução brilhante nesses três anos", diz Valéria Riccomini, responsável pela gestão do projeto no Itaú.

O Bradesco tampouco registra queixas dos alunos da Unipalmares. "Não haveria por quê. Todos estão indo muito bem e é ampla a perspectiva de efetivação", informa José Luiz Bueno, diretor de Recursos Humanos do banco. Atribui-se a facilidade de adaptação à chamada carreira fechada da instituição, política de ingresso que prevê a ascensão de escriturários ao topo da carreira. Dos 30 iniciais, 4 desistiram. Hoje somam 76, 17% do total de estagiários do banco. A remuneração é de R$ 1,2 mil, além dos benefícios. Tanto o Itaú quanto o Bradesco investem em formação suplementar dos estagiários com cursos de formação de executivo, respectivamente, na Unicamp e na USP.

Luiz Henrique Ferreira diz nunca ter se sentido hostilizado no Bradesco, mas atribui o ambiente de trabalho antes ao respeito à hierarquia das políticas do banco: "Sabe-se que se é algo que as diretorias do banco e da faculdade assinaram é porque precisa ser cumprido. Tem gente que não tem preparo para conviver com a diversidade, mas é levada a aceitá-la."

Maira Barbosa atribui sua adaptação no Itaú ao desempenho de seu gestor no campo minado do debate das cotas: "Ele me disse que eu deveria me sentir como qualquer outro estagiário ali porque minha efetivação não dependeria da cota, mas de meu desempenho."

No Citibank, a diretora de Recrutamento e Seleção, Fernanda Pacheco, tampouco registra dificuldades de adaptação dos estagiários. São 40 alunos da Unipalmares de um total de 600 estagiários do banco. "Como a aceitação foi muito grande, já ficou mais fácil ampliar o programa", conta. Atribui a adaptação aos cursos oferecidos pelo banco, como o de resolução de conflitos ou de "postura em ambiente de trabalho", que ensina desde como atender ao telefone até como escrever uma mensagem eletrônica profissional. O índice de contratação dos alunos da Unipalmares já se igualou ao do programa regular de estagiários do banco, 50%.

Edinilson Nascimento, de 32 anos, estagiário do Citibank, relata que uma das perguntas que mais lhe faziam no banco era por que a Universidade se chamava Zumbi dos Palmares. "'Vocês querem se segregar?', me perguntavam." Diz ter um bom ambiente de trabalho e bons colegas, "mas amizade de olhar no olho é difícil porque não há comunhão de idéias". Ele acha que os mundos são muito distintos. "O padrão é de branquinhos, lourinhos, sem filhos, com carro e com a idéia fixa de que os dados do IBGE são manipulados e o o país é movido pela meritocracia". A maioria de seus amigos de banco é de outros estagiários da Unipalmares.

Todos sonham em ser efetivados. Mas não é apenas por isso que evitam formalizar queixas nas instituições. A maioria considera as resistências pessoais que encontram nos bancos apenas mais um capítulo das adversidades que costumam enfrentar.

"Eles se agarram com unhas e dentes a essa oportunidade", diz o professor de Economia Edmilson Costa. Egresso do grupo de professores que fundou a Unipalmares, Edmilson acompanha a turma desde o primeiro ano. Diz que eles chegaram com muita deficiência de formação básica, combatida com aulas aos sábados de português e matemática, além do curso de inglês oferecido pela Alumni. "Não queríamos que eles adquirissem a mentalidade 'Quem mexeu no meu queijo'", diz, numa referência a uma das bíblias do senso comum da Administração de Empresas. "Fomos muito exigentes com eles desde o início. Não tínhamos a intenção de formar agitadores, mas queremos que eles tenham espírito crítico."

Eles praticamente não conversam em sua aula. Um aluno desvia a atenção do quadro-negro para consultar o livro "A Dialética Radical do Brasil Negro", de Clóvis Moura, e o fecha cinco minutos depois. Fazem muitas perguntas. O professor exemplifica como se chega à média do PIB per capita: "Imaginem um cara com os pés enfiados no freezer e a cabeça no fogão. Ele teria a temperatura média do seu umbigo, mas, na verdade, está morto. O PIB per capita é assim. Mede pouco quando a renda é muito desigual. É o mesmo que tirar uma média entre a renda de Alphaville e a de uma favela vizinha em Barueri", exemplifica.

Os alunos falam de seus professores preferidos como brancos com alma de negro. Um deles é o professor de filosofia Hudson Marcelo da Silva. "Ele dizia que estávamos aqui para escapar dessa sina de curso técnico. Que a periferia tinha que contestar essa coisa de todo negro pobre ter que fazer um curso técnico", conta Luiz Henrique. "Eles são muito politizados. Carregam a sina da humilhação. Mas nunca lhes demos moleza. Debatíamos a política de cotas. Dizia a eles que alguma coisa tinha que ser feita para se reparar a injustiça histórica com os negros, mas que não se devia perder de vista o princípio constitucional da igualdade", relembra.

A questão divide os alunos. Celso Falcini Santos, de 40 anos, funcionário público municipal e um dos poucos brancos da turma, é contrário à política de cotas: "Eles já carregam o rótulo de negros. Não precisam carregar mais um, o de cotista. Não merecem isso." Mas entre os que concordaram com Celso no questionário elaborado pelo Valor, há pelo menos dez negros. Um deles é Ivone Lopes, de 25 anos, auxiliar administrativa. "Nós negros, às vezes, nos fazemos de coitados." Marta Rufino, de 27, estagiária do Itaú, diz que, apesar de beneficiária da política, não tem opinião formada sobre as cotas: "Mas desejo, sinceramente, que meus filhos não precisem delas." Na maioria que é favorável às cotas, grande parte se manifesta pela necessidade de não perpetuá-la. "A alternativa às cotas é igual à alternativa para o Brasil. Quem ganha menos paga menos", resume Edinilson, num grupo de sete colegas, sem ser contestado.

A enquete foi conduzida pelo Valor com 34 dos 126 formandos. A maioria afirma que os preconceitos racial e social são igualmente difíceis de ser enfrentados. Um dos nove alunos que responderam ser a discriminação racial a mais difícil, resumiu numa frase sua resposta: "Cor não se muda." O estudante não quis se identificar.

O perfil característico do militante esquerdista do movimento negro está longe de ser dominante na universidade. Assemelham-se à maioria da população brasileira na identificação dos maiores problemas do país - educação e desigualdade. Um único aluno menciona o racismo entre os maiores problemas.

Na lista de livros dominam os manuais de administração e os textos utilizados para o trabalho de conclusão de curso. Mas surpreende que, numa turma que não vai para a cama antes da meia-noite e dificilmente acorda depois das 5 horas e gaste, em média, quase quatro horas de deslocamento em transporte público, haja quem encontre tempo para atravessar Dante Alighieri e disposição para encarar as memórias políticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

O professor Hudson teme pelo futuro de seus ex-alunos. Diz que basta consultar as estatísticas para concluir que um negro com má formação no ensino superior tem chances menores de conseguir emprego do que aquele que tenha apenas o ensino médio.

Tem recebido em seu escritório de advocacia alunos como João Bosco, militante do movimento negro e dono de uma pequena empresa de recrutamento de mão-de-obra. Um dos inadimplentes da turma, ele está impedido de freqüentar as aulas e corre o risco de não se formar. A turma está fazendo rifas e organizando festas na tentativa de arrecadar dinheiro suficiente para regularizar a situação dos colegas inadimplentes. Dos 200 alunos que iniciaram o curso, 74 o abandonaram ao longo dos quatro anos.

Hudson foi demitido no ano passado depois de um confronto com a reitoria, a quem acusou de associar a instituição com o grupo político do ex-governador de São Paulo e ex-candidato à Presidência da República Geraldo Alckmin.

"O governador Alckmin apoiou nosso projeto antes mesmo que se tornasse uma iniciativa vencedora. Já esteve na nossa escola pelo menos umas dez vezes. Numa dessas oportunidades, antes de deixar o mandato para disputar a Presidência, disse que gostaria de nos visitar. Fomos mal compreendidos pelos petistas, mas não queremos partidarizar a escola", defende-se o reitor, que cita a deputada Luiza Erundina (PSB-SP), a ex-senadora Heloísa Helena (Psol) e o senador Paulo Paim (PT-RS) como políticos engajados no projeto da universidade. "Minha gestão é contestada por movimentos que não aceitam que o cargo seja ocupado por quem não freqüentou os porões da ditadura", defende-se.

Na enquete do Valor, a turma aparece dividida entre aqueles que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva e em Alckmin. Nas conversas com os alunos, freqüentemente se colhem depoimentos de decepção com o governo e revolta com a corrupção, mas o presidente da República é um dos poucos políticos a aparecer na lista das pessoas que os alunos mais admiram.

Presidente da Comissão de Formatura, Sônia Maria da Silva, de 47 anos, afirma já ter confirmada a presença de Lula como patrono da turma e de Alckmin e do governador de São Paulo José Serra como paraninfos. A lista de convidados inclui Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, e a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice. Quer fazer da festa de formatura um tributo à negritude. "Um mini-Pan da cultura negra", resume. O orçamento é de R$ 2 milhões. A empresa de formaturas Dorana Forte Real está captando patrocínios, mas já teve vetada pela comissão de formatura a oferta de uma cervejaria. "Não queremos a formatura associada a bebida ou carnaval", comenta Sônia, funcionária da Caixa Econômica Federal há 26 anos.

Filha de um pequeno empreiteiro de obras e de uma dona-de-casa e fã da apresentadora bilionária da TV americana Oprah Winfrey, é uma das poucas alunas do curso com nítido perfil de classe média. Garante nunca ter sofrido discriminação racial na vida. "Acho que porque sempre fui muito impetuosa", admite. Prestes a se aposentar, quer, como a maioria da turma, fazer pós-graduação. E dedicar-se ao ramo de hotelaria.

Na festa que fizeram no Moinho Santo Antonio, na zona leste de São Paulo, para divulgar a festa de formatura entre possíveis patrocinadores, emocionou-se com o brilho nos olhos dos colegas. Foram servidos prosecco e uísque 12 anos a noite toda.

O sentimento é resumido pelo artista plástico Tom Ruthz, ao relatar as dificuldades no combate ao complexo de penetra da turma. Organizador das exposições de arte, festivais de cinema e desfiles de moda da faculdade, conta que os colegas se aproximavam acanhados e perguntavam: "Tenho que comprar um quadro para entrar?"

A turma de ex-acanhados rejeitou a oferta do Jockey Club de São Paulo para o baile de formatura porque as corridas de cavalo começam cedo e a festa teria que terminar às 4 horas. Optou-se pelo World Trade Center, o complexo empresarial mais sofisticado de São Paulo, na zona sul da cidade, cujo espaço de eventos, com capacidade para 5 mil pessoas, será inaugurado pela formatura da Unipalmares.

Raquel Celestino Leite, de 35 anos, funcionária pública da Secretaria da Educação, onde recebe menos de dois salários mínimos, fez poupança desde o primeiro dia da faculdade para poder participar da festa de formatura. "Vou ser a heroína da família com esse diploma", revela, numa referência ao sonho da mãe, morta há oito anos, em vê-la formada. Ao saber que a festa seria patrocinada, comemorou. Poderia encomendar seu vestido. Vai ser azul, como o de todas as colegas, explica, sem esconder o espanto com o desconhecimento, àquela altura dos acontecimentos, de que o azul é a cor da Administração de Empresas: "Quero três peças, um bolero de renda, uma regata e uma saia evasê, num tecido brocado, azul acinzentado."

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quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Brasil defende na ONU os direitos dos homossexuais

Publicado pela Folha Online em 08/11/07

Brasil, Argentina e Uruguai promoveram nesta quarta-feira na sede da ONU (Organização das Nações Unidas) um ato para defender diante da comunidade internacional os Princípios de Yogyakarta, um código que há um ano reúne os direitos fundamentais dos homossexuais.

"Pedimos a todos os países que usem este documento como referência legal e como padrão para poder melhorar as vidas daqueles que a cada dia são vítimas da discriminação", reivindicou Boris Dittrich, diretor do programa de direitos dos homossexuais da Human Rights Watch (HRW), uma das ONGs que organizaram o ato ao lado das três missões diplomáticas.

A organização de direitos humanos lembrou que as relações homossexuais ainda são consideradas ilegais em 77 países. Em sete deles, a homossexualidade pode ser punida com a pena de morte. Além disso, a minoria sofre humilhações, agressões, discriminações trabalhistas e sociais, mesmo nos países onde seus direitos são reconhecidos, apontaram os participantes.

Os 29 princípios foram redigidos e assinados por 30 especialistas em direitos humanos de 25 países, em novembro de 2006, durante uma reunião na cidade indonésia de Yogyakarta.

Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda e ex-Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, ressaltou ao abrir o ato a importância do documento. Para ela, o texto deve servir de instrumento para zerar o déficit na proteção dos direitos humanos na área da orientação sexual.

"Este é um assunto central na defesa dos direitos humanos, e é muito apropriado que seja apresentado aqui, na sede da ONU", disse.

O diretor para Direitos Humanos do Ministério de Relações Exteriores da Argentina, Federico Villegas Beltrán, disse que boa parte dos princípios já está incluída no plano contra a discriminação que seu país aprovou em 2005.

"Desta maneira, reconhecemos o direito de cada pessoa viver segundo a sua identidade sexual, sem ser discriminada por isso e com o gozo pleno de todos os direitos", afirmou.

Ele defendeu a inclusão da discriminação por orientação sexual como um das situações examinadas pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU. Mas o órgão ainda tem reservas a incorporar plenamente o tema.

Philip Dayle, membro da Comissão Internacional de Juristas, defendeu a necessidade de promover os Princípios de Yogyakarta. "É preciso reforçar na comunidade internacional os mecanismos de proteção dos direitos humanos nos casos de orientação sexual", disse.

O jurista destacou avanços na área, mencionando como exemplo o maior reconhecimento em alguns países latino-americanos dos direitos dos casais de gays e lésbicas a pensões e benefícios sociais.

Apesar disso, acrescentou, há retrocessos, como a tentativa em Trinidad e Tobago de excluir a orientação sexual dos direitos humanos que a lei deve proteger.

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Catálogo elenca produtos gastronômicos ameaçados de desaparecer

Janaina Fidalgo
Publicado pela
Folha Online em 08/11/07

Dos mais de 750 produtos "em extinção" listados, 23 são do Brasil, como o babaçu
Foto Divulgação

Quando Noé construiu sua arca, protegeu do dilúvio casais de animais. Fosse hoje, talvez o personagem bíblico incluísse também alimentos tradicionais ameaçados de extinção. E eles não seriam poucos, conforme revela um catálogo mundial feito pela associação Slow Food que identifica e divulga produtos em risco de desaparecer. Dos mais de 750 produtos listados na Arca do Gosto - uma alusão à embarcação de Noé -, 23 são do Brasil, entre eles o feijão canapu, o babaçu, o pirarucu e a castanha-de-baru.

"A Arca reúne produtos de pequenos agricultores, extrativistas e indígenas", diz Roberta de Sá, coordenadora dos projetos do Slow Food no Brasil. "Para entrar na lista, o produto deve ter excelência gastronômica, ser ligado à história da comunidade, ter produção artesanal com ênfase na sustentabilidade e estar em risco de extinção."

A ameaça de desaparecimento, segundo Roberta, pode ser justificada de inúmeras maneiras, como a perda da tradição do modo de fazer - caso da marmelada de Santa Luzia -, ou pela localização do alimento em uma área devastada.

A partir do catálogo, a fundação, que prega a combinação do prazer à alimentação consciente e responsável, partiu para a captação de recursos financeiros para bancar as Fortalezas, projetos que visam a melhoria da qualidade dos produtos ameaçados. No Brasil, elas são sete e muitas participaram no último mês, em Brasília, do Terra Madre Brasil, um encontro nacional de ecogastronomia.

Não existe um padrão para as Fortalezas. As iniciativas variam de acordo com a realidade e as necessidades de cada comunidade, mas objetivam: 1) promover os produtos artesanais; 2) criar padrões de produção; 3) e garantir a viabilidade futura dos produtos.

Na Fortaleza do palmito-juçara, planta nativa da mata Atlântica que há 12 anos está sendo plantada pelos guaranis da aldeia Ribeirão Silveira (litoral norte de São Paulo), a próxima etapa é conseguir um selo que permita aos índios comercializarem o caule comestível.

"Estamos inventariando as palmeiras nativas para criar um plano de manejo, provar que somos produtores e conseguirmos a autorização para vendê-lo", diz o cacique Adolfo Timótio Verá Mirim.

Na Fortaleza do umbu, que reúne os municípios baianos de Uauá, Curaçá e Canudos, por exemplo, foram construídas minifábricas onde o fruto é transformado em doces, geléia e polpa pasteurizada. Da produção total, 55% é destinada à merenda de escolas do sertão do Estado, 30% vai para países como França e Áustria, 10% é vendida em feiras e exposições e 5% fica no mercado regional.

"É mais fácil exportar que vender aqui dentro", diz Jussara Dantas de Souza, da Fortaleza do umbu. "Lá fora, a Associação Comércio Justo deposita 50% do valor antes de começarmos a produção. Aqui, você investe, entrega o produto e só recebe 60 dias depois."

Mas, para quem acredita que, para preservar, é preciso fazer a população conhecer os produtos, ainda há um importante passo a ser dado, que é o da distribuição dentro do Brasil. Como se faz hoje para comprar os produtos da Arca? "Há realmente uma dificuldade muito grande que é a parte do transporte. [A distribuição] É o nosso maior desafio", diz Roberta.

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Fraudes no leite expõem fragilidades na fiscalização

Publicado pelo Valor Online em 08/11/07

Para Stephanes, problemas têm origem na falta de capacidade operacional
Foto Davilyn Dourado/Valor

O retrato do sistema de fiscalização do leite no Brasil, revelado ontem em audiência pública no Senado, rendeu críticas dos parlamentares e culminou em apelo pela demissão do responsável pela inspeção desses produtos no Ministério da Agricultura.

Dados oficiais apresentados aos senadores mostram que o governo tem apenas 212 fiscais para auditar 1.686 indústrias de produtos lácteos com registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF) em 25 Estados - em 2006, o governo condenou somente 0,08% dos 25,7 bilhões de litros produzidos no país.

E, até a Polícia Federal estourar o esquema de fraudes em duas cooperativas mineiras, os testes laboratoriais não pesquisavam adição de soda cáustica no leite, embora o produto químico esteja disponível nas usinas e seja usado na limpeza de dutos e tubulações por onde passa o leite. De 2003 a 2006, foram analisadas 920 amostras anuais para fraude - ou 3.679 no total, 75,6% na região Sudeste. Mais: a multa máxima para a infrações desse tipo está limitada a irrisórios R$ 16 mil e a lei de melhoria da qualidade do leite não prevê outras medidas punitivas.

Para complementar o quadro, Reinhold Stephanes, ministro da Agricultura, declarou que os problemas da defesa agropecuária têm origem na "falta de planejamento e capacidade operacional", e não na alegada escassez de fiscais ou orçamento para as atividades.

"O problema do Ministério da Agricultura não é falta de recursos nem de pessoal. O governo tomou a decisão política de que não faltariam recursos [para a defesa]", afirmou Stephanes. "São outros tipos de problema. É falta de planejamento e capacidade operacional". E emendou: "O caso do leite não foi por falta de fiscal porque ele estava lá 24 horas por dia. Foi outra coisa".

A reação dos poucos senadores presentes à audiência foi imediata. "Há uma herança maldita de cinco anos de fraudes. Em qualquer lugar do mundo, o chefe do Dipoa [responsável pela fiscalização] não estaria onde está", disse a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária.

Segundo ela, as ações de fiscalização contra fraude e clandestinidade de produtos de origem agropecuária, cujo orçamento para 2007 soma R$ 2,64 milhões, registrou gastos efetivos de R$ 1,25 milhão até outubro pelos dados do sistema de acompanhamento de gastos federais (Siafi). Mais grave, segundo Kátia Abreu, é que a proposta de orçamento para 2008 enviada pelo governo ao Congresso não reserva recursos para esta ação específica.

Mesmo com a negativa do ministro em relação a eventuais problemas causados pela falta de pessoal, a associação dos fiscais federais (Anffa) afirma que a situação atual é preocupante. "Falta pessoal, sim. Precisamos, no mínimo, de mais 1 mil fiscais para dar conta de tanta obrigação", diz o presidente da Anffa, Luiz Fernando Carvalho. "O governo prometeu abrir 390 vagas, mas só devem ser contratados 280 até 2008", afirma o dirigente.

O diretor do Departamento de Proteção ao Direito do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça, Ricardo Morishita, informou que, um convênio com o Dipoa para fiscalizar produtos no varejo, indicou problemas com 18 das 57 amostras coletadas.

Em sete delas, o problema estava relacionada a divergência de informação nos rótulos dos produtos. Mesmo com uma regra da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que permite variação de 20% nos valores informados nos rótulos, as empresas ultrapassaram os índices tolerados. De acordo com Morishita, houve problemas com leite longa vida das marcas Cedrense (SC), Marajoara (GO e TO), Big Leite, Parmalat e Total (PB), além do leite em pó Le Bon (PB).

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Na USP, posições do Brasil sobre clima são chamadas de "frágeis e atrasadas"

Daniela Chiaretti
Publicado pelo
Valor Online em 08/11/07

Eduardo Viola, da Universidade de Brasília: " O Brasil só perdeu tempo"
Foto Davilym Dourado/Valor


As posições defendidas pelo Brasil nas negociações internacionais sobre mudanças climáticas são frágeis e beiram o ridículo. As críticas, agora, não vêm de ambientalistas mas de dois acadêmicos, os professores José Eli da Veiga, titular do departamento de economia da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo, a FEA-USP, e Eduardo Viola, da cátedra de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, a UNB. "O Brasil, nestes últimos dez anos, só perdeu tempo", diz Viola. "Tínhamos que assumir uma postura muito mais pró-ativa e liderar o Bric", emendou Veiga, referindo-se ao bloco de nações emergentes formado pelo Brasil, China, Índia e Rússia.

Veiga e Viola participaram ontem do seminário "Meio Ambiente e Desenvolvimento do Brasil", no prédio da FEA, em São Paulo. Os dois contestam a argumentação-base das posições brasileiras nas negociações internacionais de combate ao aquecimento global - a citação, repetida incansavelmente pelo governo brasileiro, do princípio das responsabilidades históricas, que consta da Convenção sobre Mudanças Climáticas da ONU e reconhece que os grandes responsáveis pelo problema são as nações desenvolvidas. Nada contra a idéia, claro, mas as farpas são por conta de este ponto ser a base da argumentação brasileira há anos, sem avanços nem novidades. "Não dá para recuar assim, só voltar atrás na história, a posição se torna ridícula. Ficar repetindo a doutrina das responsabilidades históricas é muito pouco convincente, é ficar culpando pais, avós. Esta é a fórmula da guerra perpétua", disse Viola.

A posição defensiva brasileira produziu o que o professor chama de "paranóia da soberania", que estava por trás da defesa do território amazônico pelos governos militares e que tem uma nova versão nas justificativas do governo Lula. É por essas posturas que o Brasil, na avaliação dos professores, vai ao próximo encontro internacional sobre mudanças climáticas, em dezembro, em Bali, muito fragilizado. Veiga desconfia até da marca eterna das emissões de CO2 que o Brasil emitiria - especificamente dos 75% sempre atribuídos ao desmatamento da Amazônia. Ele lembra que este dado vem do anuário das emissões de carbono brasileiras, que se tornou público em 2000, mas que se refere ao período 1990-1994. "O que é o Brasil hoje comparado ao de 1992?", diz, pontuando por exemplo que há 15 anos a matriz energética brasileira não tinha a força que as térmicas a carvão começam a assumir agora. E que o conceito de "uso da terra", onde se enquadram as emissões por desmatamento, é vago. "Talvez não englobe sequer as queimadas feitas nas lavouras de cana", diz.

Também o Protocolo de Kyoto, o tratado internacional pelo qual os países desenvolvidos têm que reduzir suas emissões de CO2 (e que Estados Unidos e Austrália não ratificaram), levou suas bordoadas. "Os resultados de Kyoto nem se aproximarão dos sonhados pelos seus articuladores", registrou Veiga. Apesar de as metas atribuídas a cada nação serem tímidas - emissões de carbono 8% menores, em 2010, em relação a 1990 - só a Alemanha e o Reino Unido, entre os grandes emissores, poderão apresentar resultados positivos.

A Alemanha conseguiu obter um corte de quase 19% e o Reino Unido, praticamente 16%, considerando-se as emissões no período 1990-2005. Neste ranking, a Itália aumentou suas emissões em mais de 12%, a França reduziu menos de 2% e a Espanha cresceu 52%. "Isto mostra o fracasso de Kyoto", disse Veiga.

Para Viola, o encontro de Bali, a chamada Cop 13, "é um teatro" e o que importa são "os bastidores". Segundo ele, "a reunião multilateral tem pouca importância. O decisivo está no G8+5, que reúne os países que respondem por 90% das emissões de carbono", referindo-se ao grupo das sete nações mais ricas do mundo e a Rússia, e os cinco emergentes (o Bric mais a África do Sul). "O fundamental não virá de Bali, nem remotamente, mas da eleição do novo presidente dos EUA", continua Viola. "Isto é chave: teremos que ficar no 'pause' até 2009. Não se faz um acordo desta magnitude sem a adesão americana."

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quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Seleção de projetos da BrazilFoundation vai até 14 de dezembro

Publicado no site da BrazilFoundation

O Processo de Seleção da BrazilFoundation busca identificar iniciativas sociais nas áreas de educação, saúde, direitos humanos, cidadania e cultura.

O processo de seleção está aberto a todas as organizações de direito privado, interesse público e sem fins econômicos, de todas as regiões do país, que atendam aos objetivos e critérios da BrazilFoundation.

Critérios para seleção de projetos
As propostas serão avaliadas de acordo com os seguintes critérios de seleção:
· Alinhamento da proposta apresentada com a missão da instituição proponente;
· Comprovada capacidade técnica e operacional da instituição de desenvolver o projeto proposto;
· Adequação da intervenção social proposta às necessidades impostas pela realidade social da comunidade ou público diretamente beneficiado;
· Apresentação de abordagens diferenciadas em relação a outras iniciativas da mesma área de atuação em seu estado ou região;
· Implantação de um modelo de atuação eficaz que possa gerar mudanças sociais e contribuir para a melhoria da qualidade de vida da comunidade ou do público diretamente beneficiado;
· Apresentação de uma estratégia clara de continuidade do trabalho.
· Legitimidade da instituição em sua área de atuação.

Instruções para o envio de projetos
A BrazilFoundation tem por objetivo principal estimular mudanças sociais ao apoiar soluções criativas e eficazes que gerem resultados significativos na realidade de comunidades e grupos sociais em situação de vulnerabilidade.

Apenas serão consideradas as propostas apresentadas por meio do FORMULÁRIO PARA ENCAMINHAMENTO DE PROJETOS acompanhado da PLANILHA DE SOLICITAÇÃO DE RECURSOS.

Leia com atenção o edital antes de preencher o formulário.

Edital para Seleção de Projetos/2008

Da Participação
1. Podem participar pessoas jurídicas, não-governamentais, de direito privado e sem fins econômicos, políticos ou religiosos.

2. Cada instituição poderá enviar apenas um projeto. Caso haja o envio de mais de um projeto pela mesma instituição, TODOS esses serão eliminados.

3. Não poderão participar:
. Pessoas físicas;
. Partidos Políticos e Igrejas;
. Instituições cujo projeto tenha objetivos político-partidários ou religiosos;
. Instituições do Sistema "S" (SENAI, SESI, SESC, SESI, SEBRAE), que podem, porém, ser parceiras do projeto ou da instituição proponente;
. Universidades e autarquias, que podem, porém, ser parceiras do projeto ou da instituição proponente.

Da Seleção
1. A BrazilFoundation prioriza projetos que visem:
. Melhorar as condições sociais de uma comunidade ou grupo social em situação de vulnerabilidade.
. Desenvolver lideranças nas áreas em que atua.
. Criar um modelo eficaz que tenha potencial de replicação em outras iniciativas governamentais ou não governamentais.

2. Critérios Específicos de Seleção
. Alinhamento da proposta apresentada com a missão da instituição proponente.
. Capacidade estrutural da instituição para o desenvolvimento do projeto proposto.
. Legitimidade da instituição em sua área de atuação.
. Adequação da intervenção social proposta às necessidades presentes na realidade social da comunidade ou do público diretamente beneficiado.
. Implantação de um modelo de atuação eficaz em termos do impacto social para a comunidade ou público diretamente beneficiado.

3. A BrazilFoundation não apóia projetos voltados exclusivamente para:
. Atendimento clínico (ambulatorial, domiciliar ou hospitalar);
. Viagens e conferências;
. Abrigo, albergue ou creche;
. Pesquisas;
. Publicações e produção de material multimídia;
. Construções, restaurações e compra de imóveis ou veículos;
. Compra de equipamentos ou materiais permanente e/ou pagamento de pessoal;
. Eventos ou espetáculos;
. Inclusão digital

Do Financiamento
1. A BrazilFoundation oferece apoio financeiro de até R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) durante um ano. A doação será feita em Reais (R$) e em duas parcelas. Os orçamentos deverão ser discriminados em Reais (R$) na planilha anexa ao Formulário. Não serão aceitas propostas com orçamentos preenchidos em outro modelo de planilha, contudo, detalhamentos em planilhas auxiliares poderão ser acrescentados caso seja julgado necessário.

2. Apenas serão aceitas propostas com orçamentos dentro do limite estabelecido pela BrazilFoundation (R$ 25.000,00).

3. A organização cujo projeto for selecionado fica automaticamente responsável pela apresentação de relatórios trimestrais de atividades e prestação de contas ao longo do período de desenvolvimento do seu projeto.

4. A primeira parcela do financiamento será repassada no início do projeto e será equivalente a 50% do valor total da doação. A segunda parcela será repassada depois de decorrido metade do desenvolvimento do projeto mediante aprovação do Relatório Semestral de Atividades e da Prestação de Contas.

Da Inscrição
1. A inscrição será feita exclusivamente através do preenchimento integral e envio do Formulário para Encaminhamento de Projetos e Planilhas de Solicitação de Recursos, disponíveis nos links abaixo.

Clique aqui para fazer o download do "FORMULÁRIO PARA ENCAMINHAMENTO DE PROJETO"(formato Word)

Clique aqui para fazer o download da "PLANILHA DE SOLICITAÇÃO DE RECURSOS"(formato Excel)

2. O formulário e a planilha deverão ser enviados impressos, acompanhados obrigatoriamente, de cópia dos arquivos em disquete ou CD-Rom devidamente identificado, para o endereço abaixo.

Não serão aceitos projetos enviados por correio eletrônico (e-mail) ou fax.

BrazilFoundation
VII Seleção Anual de Projetos
Avenida Calógeras, 15 - Cobertura
Centro - Rio de Janeiro/RJ
CEP: 20030-070

O prazo de envio é de 01 de outubro 2007 a 14 de dezembro de 2007. Os projetos enviados fora do período estabelecido serão eliminados do processo de seleção. A data de postagem no correio será considerada como comprovante.

Os formulários preenchidos devem ser obrigatoriamente acompanhados de uma cópia da Ata de Fundação e do Estatuto da instituição, do CNPJ e do currículo resumido da pessoa que será responsável pelo projeto. O nome do responsável pela Instituição constante na Ata mais recente, deverá ser o mesmo que constar do Formulário para Encaminhamento de Projetos.

Os documentos enviados não serão devolvidos ao término do processo de seleção. NÃO ENVIE DOCUMENTOS ORIGINAIS.

Da Planilha de Orçamento
Deverá ser preenchida exclusivamente dentro do modelo fornecido pela BrazilFoundation disponível no link abaixo.

Clique aqui para fazer o download do "PLANILHA DE SOLICITAÇÃO DE RECURSOS"(formato excel)

Dos Prazos
. Data limite para postagem de projetos: 14 de dezembro de 2007.
. Divulgação dos projetos finalistas: 28 de abril de 2008.
. Divulgação dos projetos aprovados: 28 de julho de 2008.
. Repasse da 1ª parcela dos recursos: Agosto de 2008.

Das Dúvidas
Após a publicação do edital, esclarecimentos sobre o preenchimento serão prestados pelo telefone (21) 2532-3029 às terças e quintas-feiras, das 14 às 18 horas. Não aceitaremos ligações a cobrar.

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Anatel aprova proposta para levar internet banda larga a todo o país até 2010

Lorenna Rodrigues
Publicado pela
Folha Online em 06/11/07

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) aprovou hoje proposta que abre caminho para a instalação de infra-estrutura de banda larga em todos os municípios brasileiros até 2010.

Pela proposta - que vai a consulta pública até o dia 19 - será modificado o decreto que prevê obrigações de universalização das empresas de telefonia fixa. Ao invés de instalarem 8.461 pontos de telefonia e acesso à internet, como prevê a legislação atual, as teles terão de instalar cabos de internet banda larga em todas as cidades do país.

Apesar de o ministro das Comunicações, Hélio Costa, ter dito no mês passado que as teles levariam a internet até as escolas, a Anatel entendeu que as empresas só podem ser obrigadas a levar a infra-estrutura até uma central em cada cidade. A ligação entre a central e as escolas terá que ser feita com recursos do governo.

"Não era possível levar a internet [às escolas] se não tivesse a infra-estrutura. Agora tem. Como o governo vai levar, se vai usar dinheiro do Fust [Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações], se vai fazer licitação, aí já passou da Anatel", declarou o conselheiro Pedro Jaime Ziller, relator do processo na agência.

De acordo com Ziller, os custos para as teles serão da ordem de R$ 1 bilhão. O valor foi calculado com base nos gastos que as empresas teriam para instalar os pontos de telefonia, o que permitiu a substituição das obrigações.

As teles terão de levar redes com velocidade entre 8 e 64 Mbps (Megabits por segundo). Isso na central, já que depois a capacidade é dividida pelos pontos de internet que serão instalados nas escolas e outros locais como postos de saúde e delegacias.

A Anatel calcula que 3.570 municípios não têm internet banda larga. A instalação será feita a partir de janeiro do ano que vem.

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Capitalistas levantam a voz - Grupo Lide reúne parte do PIB para discutir desenvolvimento e investimento ambiental

Carlos José Marques
Publicado pela IstoÉ Dinheiro de 31/10/07


Encontro Latino - Brasileiros e argentinos que estiveram no Meeting têm ao menos uma preocupação comum no que diz respeito à evolução do bloco Mercosul: a escalada autoritária do governo venezuelano de Hugo Chávez

Enquanto o governo chama empresários para angariar apoio, o Grupo Lide, de Doria, reúne parte do PIB para discutir desenvolvimento e investimento ambiental

João Doria Jr., o diligente fundador do Lide – Grupo de Líderes Empresariais – e ex-presidente da Embratur, sempre fez retiros anuais com executivos de grandes companhias no fim do inverno andino, início da primavera no hemisfério, muito preocupado em desenvolver trabalhos com essa turma em cenários encantadores. Nas últimas duas edições a escolha, em sintonia com a mudança de estação, recaiu sobre alguns dos lugares mais frios do continente. Ao pé da Cordilheira, Bariloche e Mendoza se alternaram, do ano passado para cá, na recepção ao “Meeting Internacional” de Doria – que costuma colocar no mesmo espaço, para confronto de idéias e busca de saídas político-econômicas, alguns dos principais presidentes e CEOs de empresas do País, senadores, deputados e especialistas.

O clima às vezes severo na área externa e o ambiente acolhedor dentro das convenções criaram de uns tempos para cá a atmosfera perfeita para manter as pessoas concentradas no que acontece nas salas de debates e encontros informais. Mas a reunião de 2007, a última que Doria montou há pouco mais de duas semanas, foi mais intensa e alimentou provavelmente mais expectativas do que qualquer outra, para surpresa talvez até do organizador. A receita de movimentos de alcance nacional – como o “Cansei”, que se apresentou como apolítico, mas teve um poder de mobilização capaz de incomodar até membros do governo com suas bandeiras contra a apatia geral – deu o tom. Doria, cujos fóruns, rodadas de negociação e protestos silenciosos por mudanças têm despertado a atenção de um número cada vez maior de interessados (neste 12º “Meeting” foram 332 participantes, que ficaram confinados em entendimentos por quatro dias), está com certeza trazendo uma agitação diferente à arena de discussões.


ENCONTRO LATINO Brasileiros e argentinos que estiveram no Meeting têm ao menos uma preocupação comum no que diz respeito à evolução do bloco Mercosul: a escalada autoritária do governo venezuelano de Hugo Chávez

Para se contrapor à força do Lide de Doria, há quem diga que estaria surgindo nas entranhas dos partidos da base de apoio ao governo uma espécie de “concílio de empresários aliados” com o mesmo intuito de difundir propostas e sacudir opiniões – mas, naturalmente, na direção oposta à do Lide. Pelo sim, pelo não, o presidente Lula em pessoa fez um gesto nesta direção, na semana passada, chamando quase 100 empresários do time dos maiores para fomentar alternativas rumo ao crescimento. Falou em despertar o “espírito animal” de cada um, em “acender uma faísca” no empresariado para o novo ciclo de investimentos do PAC e, claro, buscou apoio a suas bandeiras, como a aprovação da CPMF. Lula planeja manter em constante vigília esse concílio, recorrendo a ele quando necessário para se contrapor a movimentos de cobrança como os do Lide e mesmo os da Fiesp – que chegou a recolher dois milhões de assinaturas para barrar o imposto do cheque. Uma coisa é certa: a onda de iniciativas, oficiais ou não, no âmbito dos senhores da produção vem ajudando o País a fomentar o tão esperado desenvolvimento.

Cobranças
O Lide, de sua parte, proclama estar em busca da construção de uma sociedade mais “ética, desenvolvida e consciente”. Vem usando os encontros para este fim. E, talvez traquejados na arte de cobrar respostas, os empresários participantes do Meeting de Mendoza foram mais aguerridos nesta edição, a ponto de um deles chegar a inquirir de pé o ex-presidente José Sarney – convidado como palestrante – sobre o “affair” Renan Calheiros no Congresso. O clima esquentou. Imagine Sarney, sentado à cabeceira de uma grande mesa de debatedores, que acomodava também dois embaixadores brasileiros, o governador do Amazonas, Eduardo Braga, além de autoridades argentinas, sendo instigado por um representante do PIB a opinar sobre o futuro do seu amigo, o presidente licenciado do Congresso. Experimentado no jogo parlamentar, Sarney não se fez de rogado. Em vez de uma resposta conservadora, protocolar, saiu a destacar o valor da amizade e o porquê do seu apoio a Renan. Percebeu sonoros murmúrios de protesto. A temperatura subiu. Lá fora fazia perto de 11 graus, mas naquela platéia do fórum o calor das indagações só aumentava: a militarização da Venezuela, o crescente autoritarismo de Hugo Chávez e as relações de Lula com o líder venezuelano estiveram no capítulo seguinte das perguntas. Sarney mal teve tempo de respirar. Sobre a Venezuela tem, e mostrou aos empresários, uma posição clara e cristalina. Diz que o governo Chávez está deixando de lado os valores democráticos, principalmente pela falta de alternância no poder e pela onda de constituintes convocadas para reforçar o seu autoritarismo, cassando direitos sociais.

Ficava no ar uma questão: o que os empresários estariam buscando sobre a Venezuela? Tudo. Vários deles estão com um pé ali, vendendo produtos ou com instalações próprias naquele mercado. Um mercado que Chávez está modificando com regras inusitadas, como a dos cinco tipos de propriedade privada – desde a parcialmente privada até aquela que pode ser confiscada. Titãs nacionais como Usiminas, Braskem, Odebrecht e Petrobras apostaram muito na Venezuela e correm o risco, num efeito cascata sobre parceiros, de perder tudo com a política belicosa do líder venezuelano. O comércio bilateral entre os dois países já monta em US$ 4 bilhões, mas os petrodólares dali podem virar uma bomba-relógio. Na sua fala, Sarney fez uma revelação inquietante a respeito: assegurou que a Venezuela já investiu pelo menos US$ 4 bilhões na era Chávez em armamento pesado e que seus planos militares podem afetar toda a região. Na conclusão, surpreendeu: é contra a adesão da Venezuela ao Mercosul na base do tal “socialismo bolivariano” e vai trabalhar para o Congresso Nacional barrar o pedido de Lula neste sentido. Foi com essas palavras que ouviu, pela primeira vez, aplausos mais fortes daquela platéia.

Qual o segredo?
Em determinado momento, o mediador Doria estabeleceu outra vertente de temas – a do desenvolvimento das relações comerciais no Mercosul. Afinal, foi para isso que Sarney esteve ali, fazendo a sua exposição. Sarney tentou durante pouco mais de 45 minutos mostrar o quanto o Brasil havia perdido de tempo na corrida do desenvolvimento e como ele e seu amigo Raul Alfonsin, que presidia a Argentina à mesma época, tinham gerado o embrião do modelo de relações comerciais e políticas em bloco que desembocaria no Mercosul – nos moldes do mercado comum europeu. Sarney diz que fez a transição do atraso, com a restauração das liberdades políticas e da busca de uma alternativa econômica, mas mesmo assim sofreu pesadas queixas. Tinha de pronto um argumento aos contestadores da época: “Levamos décadas no militarismo que estagnou a região por uns 40 anos, e agora querem tudo de uma hora para outra, crescimento já, emprego já, melhorias sociais já?”

Hoje o senador, à sua maneira, administra um equilíbrio delicado no plenário, ocupando um papel ativo de negociador. Deve influir decisivamente na escolha do sucessor de Renan e tem seu próprio nome lembrado para a cadeira – embora, como todo bom político, descarte a hipótese com veemência. Não admira que no atual estágio da carreira encare as críticas com solene tranqüilidade, venham elas de colegas parlamentares ou de empresários. Em raras ocasiões saiu de sua sala no Congresso para ir confabular com representantes do PIB, mas dessa vez resolveu seguir a Mendoza – contrariando conselhos de aliados – para recolher impressões da iniciativa privada. Deve ter saído surpreso com o atual estágio de engajamento dos senhores do capital.

Os principais executivos do Meeting de Mendoza tiveram olhos também para outras estrelas do debate. O governador da Província de Mendoza, Julio Cobos – que está prestes a virar vice-presidente da Argentina na chapa encabeçada pela líder das pesquisas, Cristina Kirchner –, ganhou com a pergunta de um espectador a chance de se levantar como mais uma voz de resistência aos avanços bélicos do modelo chavista. Não o fez. Preferiu sair pela via diplomática da importância da integração. Não foi mais lembrado para comentários.

Créditos de carbono
Melhor projeção no encontro alcançou o governador do Amazonas, Eduardo Braga – como tem sido uma constante nas suas passagens por eventos do tipo. O grande esforço de Braga tem tido como objetivo atrair e aglutinar novos financiadores para os seus projetos do “Fundo de Proteção Ambiental”, com cotas de crédito de carbono, e o “Bolsa Floresta” – um bem pensado mecanismo de inserção social que estimula populações de baixa renda do Estado a aderir, via pagamento de incentivo, aos programas de sustentabilidade e preservação do meio ambiente. A bandeira “uma floresta em pé vale mais que a derrubada” tem atraído muitos adeptos. Ali mesmo no Meeting, vários empresários se interessaram pela iniciativa e empenharam promessas de recursos. Nos cálculos de Braga, pelo menos 17 milhões de hectares quadrados já estão preservados com os programas em andamento – o equivalente ao território inteiro da Inglaterra – e num efeito cascata essa área protegida, que cresce dia a dia, pode vir a gerar até US$ 30 bilhões em dividendos ao Brasil nos próximos cinco anos. “A mata amazônica é uma bomba biótica da atmosfera . Cada árvore no Amazonas chega a evaporar 300 litros de água por dia e eis o sentido positivo dessa bomba biótica.” Para conseguir o grande prêmio dos créditos de carbono, o governador Braga tem corrido atrás de todo e qualquer apoio, principalmente da comunidade internacional. Ele acredita que iniciativas como a modelada para o seu Estado alcançarão o pico de demanda em pouco tempo. Daí sua corrida para superar desafios como a baixa informação a respeito. Empresários nacionais e estrangeiros seguem bastante receptivos. Eles sabem que o engajamento em causas verdes virou palavra de ordem no mundo capitalista.

No ambiente do Lide o tema é discutido à profusão. A ONG de Doria não tem se furtado a assumir um papel de destaque nesse campo. Assim como, com a mesma preocupação, tem encampado causas sociais e criou até um braço de operações, batizado de EDH – Empresários pelo Desenvolvimento Humano –, só para tratar do assunto. Com quatro anos de funcionamento e 452 empresas filiadas, que representam quase 48% do PIB, o Lide vem fazendo barulho. Alimenta uma nova geração do empresariado, mais consciente e exigente, e apoderou-se de causas que estavam órfãs de defensores. Pode-se dizer que o Lide está conseguindo dobrar o entusiasmo dos empresários para tais temas, com respostas concretas.

Virada de qualidade
No Meeting essa conscientização social e ambiental é um dos objetivos, tal como a procura por histórias de sucesso que enriqueçam a experiência do grupo. Nas terras de Mendoza nada é mais representativo de iniciativas bem-sucedidas do que o trabalho das vinícolas. Três delas foram abertas para empresários do Meeting: a do mestre Nicolás Catena, a do gigante produtor Norton e a Terrazas, controlada pelo grupo francês Chandon. No caso de Catena, sua história delimita a virada de qualidade dos vinhos argentinos. No início dos anos 90 as demandas por vinhos de primeira linha estavam por colidir com os sonhos dinásticos da família Catena, que havia se instalado na Argentina ainda no início do século. Nicolás, que sucedeu o pai como responsável pela vinícola e seguia como terceira geração de produtores da família, decidiu fazer novas experimentações no plantio da uva. Afastou da cabeça a velha idéia de que as geadas podiam arrasar com tudo e colocou o plano em campo. O ímpeto dele não murchou mesmo quando caminhou em concorrência direta com os chilenos, que também se projetavam no cenário mundial. Hoje, na inusitada pirâmide inspirada na civilização inca que abriga sua vinícola, Nicolás e seu filho Ernesto contemplam o resultado. O “case” da Vinícola Catena, cujos vinhos são cotados entre os melhores do mundo, é o espelho do empreendedorismo ousado e bem-sucedido que os filiados do Lide perseguem. Ali Catena mostrou mais uma lição aos aguerridos convivas do Meeting de Doria: que a excelência é um bem conquistado à base de muita luta e persistência.

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terça-feira, 6 de novembro de 2007

Obras de 40 artistas vão a leilão para ajudar Parque Lage

Renata Granchi
Publicado pelo
G1 em 05/11/07

O artista Ernesto Neto criou uma obra que fecha inteiramente o teto da piscina do Parque Lage
Foto Renata Granchi/G1

A Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, já foi referência no ensino das artes plásticas do Brasil. O grupo que coordena a associação de amigos da EAV quer este status de volta. Para isso, chama toda a sociedade a participar da revitalização da escola e do Parque. Uma iniciativa que tem apoio da Secretaria municipal das Culturas.
“Queremos que ela volte a ser a escola de arte mais importante do Brasil. Temos objetivos ambiciosos”, avisa a líder do grupo Jaqueline Vojta, que trabalhou no Museu de Arte Moderna de Nova York.

Para inaugurar a série de ações que promete ajudar a revitalizar a EAV, um grande leilão de arte com 40 obras de artistas plásticos da pintura, escultura e fotografia de renome no Brasil será realizado no dia 9 de novembro.

Ingressos a R$ 500
Beatriz Milhazes, Ernesto Neto, Tunga, Nelson Lerner, Cildo Meireles são alguns dos nomes que doaram obras para o evento. O lance mínimo é de R$ 3 mil, mas, para participar da disputa, o interessado deve desembolsar antes R$ 500 num ingresso, que dá direito a um jantar e a uma grande festa. São 200 bilhetes à venda, mas já estão quase todos vendidos, segundo Jaqueline.

“Todo o dinheiro será usado para potencializar o máximo tudo o que esta escola pode oferecer. Há necessidade de informatizar, por exemplo. Depois do leilão, pretendemos fazer palestras, seminários, workshops. Tudo para trazer de volta os artistas que estão afastados e a própria sociedade. Nosso objetivo é profissionalizar a EAV nos moldes das escolas do exterior”, explica Jaqueline.


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Google e ONU lançam site para monitorar metas do milênio

Publicado pela Folha Online em 05/11/07

Um site lançado pela ONU (Organização das Nações Unidas), em parceria com o Google e com a fabricante de equipamentos Cisco, irá monitorar como e em que lugares do mundo as Metas de Desenvolvimento do Milênio estão sendo cumpridas.

De acordo com autoridades da ONU e especialistas de fora da organização, há uma crescente dificuldade para o cumprimento das oito metas socioeconômicos estabelecidas em 2000 e que os países da ONU se comprometem a atingir até 2015.

O MDG Monitor irá mostrar um panorama do progresso de cada país em relação ao cumprimento das metas, que incluem itens como a redução da mortalidade infantil e a diminuição da fome.

Para os criadores do site, o acompanhamento mais eficiente do progesso na concretização das metas deve estimular os sucessos. "Esconder-se dos problemas garante que eles se perpetuem", disse à Reuters Michael Jones, tecnólogo-chefe do Google Earth, responsável por integrar o sistema de imagens de satélite e mapeamento ao site para que os usuários possam ver os lugares mencionados.

A opinião é compartilhada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que acredita que o site ajudará num monitoramento mais eficiente e ajudará a identificar os locais que precisam de mais atenção. "Nosso placar mundial está misturado", disse Ban. "Algumas regiões, particularmente a África Subsaariana, não estão a caminho [de cumprirem as metas]".

Ban reiterou que aproximadamente 1 bilhão de pessoas vivem com menos de um dólar por dia e que milhões de crianças morrem todos os anos antes de completar cinco anos devido à desnutrição.

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Comida saudável não tem sabor, preço e praticidade

Daniele Madureira
Publicado pelo
Valor Online em 06/11/07

"A maioria sabe o que deve comer, mas 55% enfiam o pé na jaca", diz Giacometti
Foto Divulgação

Trinta por cento da população das capitais do Rio de Janeiro e de São Paulo procura, a duras penas, ter uma alimentação balanceada e um estilo de vida saudável. O corre-corre diário, o alto custo de vida, além do costume de usar a comida como forma de indulgência, têm limitado a vontade de assumir uma vida equilibrada. Mas a indústria também não tem ajudado.

O consumidor não consegue encontrar produtos que sejam, ao mesmo tempo, práticos, saudáveis, saborosos e de baixo custo - a combinação ideal, na opinião de cariocas e paulistas. E esse quadro já tem dez anos, quando cerca de 30% dos moradores do Rio e de São Paulo já adotavam hábitos saudáveis à mesa - o mesmo percentual medido neste ano. Os dados de 1997 e 2007 foram indicados em pesquisas feitas pela Giacometti Propaganda, para monitorar tendências de alimentação nas metrópoles.

"O maior acesso à informação aumentou o nível de consciência sobre a necessidade de cuidar bem do corpo e do tipo de combustível que se coloca nele, inclusive, entre os consumidores da classe C", diz Dennis Giacometti, diretor da agência responsável pelo levantamento, que ouviu 600 pessoas em Rio e São Paulo, entre agosto e setembro. A primeira etapa da pesquisa, qualitativa, foi feita pela Mandalah, especializada em comportamento de consumo, que realizou 23 entrevistas.

Giacometti observa, no entanto, que mais informação não significa necessariamente mais atitude. "As pessoas sabem mais a respeito do que não podem do que sobre o que podem comer", diz. Aí a vontade fica reprimida e, volta e meia, estoura. Não por acaso, 55% dos entrevistados disseram "enfiar o pé na jaca" de vez em quando, comendo tudo o que têm vontade.

Com os práticos semi-prontos, cujo consumo vem aumentando na mesma velocidade dos lançamentos, a indústria só incentiva a alimentação rápida e, quase sempre, individual. "Por isso, não faz sentido a publicidade continuar apresentando a família que se reúne ao redor da mesa para o café da manhã, o almoço ou o jantar, já que isso está cada vez mais distante da realidade", diz Giacometti.

O comportamento típico dos moradores dessas metrópoles do Sudeste do país se mantém o mesmo há anos: a maioria das pessoas tem tempo apenas para "engolir" o almoço, às vezes em pé ou em frente do computador, o que acaba privilegiando o fast-food barato. Ao mesmo tempo, comer algo saboroso - e, invariavelmente, calórico - é cada vez mais encarado como uma recompensa por momentos estressantes em casa, no trabalho ou na escola. Essa conduta, por sinal, está presente também no dia-a-dia dos mais jovens e das crianças, o que pode ser constatado a partir do aumento dos índices de obesidade nessas faixas etárias.

É certo que o portfólio light também vem crescendo, mas os itens dessa natureza só entram no cardápio quando convém ao consumidor. A prova disso está nas entrevistas da etapa qualitativa, que foram condensadas em vídeo. A modelo carioca Flávia, de 28 anos - que afirma não comer "nada" no verão -, tem opinião formada sobre as comidas de baixa caloria. "Nada light é gostoso", diz ela. A amiga Etyenne, de 23 anos, concorda. "Light é uma enganação, a gente consome porque está no desespero, mas muitas vezes nem adianta: engordamos do mesmo jeito".

O ceticismo em relação aos fabricantes de alimentos não se restringe aos lights. Na pesquisa feita pela agência, não houve unanimidade na escolha da empresa que é referência em produtos saudáveis. "Cada indústria recebeu menos de 20% das citações dos entrevistados", diz Giacometti.

Os restaurantes, por sua vez, não incentivam o consumidor a fazer uma alimentação equilibrada. "Os 'naturebas' oferecem sempre o mesmo cardápio, as pessoas se cansam do menu e acabam desistindo", diz Giacometti, um vegetariano que abriu espaço para os peixes no prato. "Hoje, o indivíduo só deixa de comer mal se tiver grande força de vontade ou se levar um susto com a sua saúde".

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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Na surdina

Publicado pela Veja de 07/11/07

Feeney, um crítico dos impostos: as pessoas sabem gastar melhor do que o governo
Foto Jennifer S. Altman

A história do americano que doou 4 bilhões de dólares sem que ninguém tivesse percebido

A filantropia é parte indissociável do capitalismo americano. Os principais magnatas da história dos Estados Unidos deixaram bilhões de dólares para museus, escolas e todo tipo de instituição sem fins lucrativos. Criaram ainda fundações poderosas que carregam seus nomes até hoje. No início do século passado, figuraram como grandes filantropos Henry Ford (indústria automobilística), John Rockefeller (petróleo) e Andrew Carnegie (aço). Essa tradição persevera ainda hoje, em razão de uma cultura que valoriza a filantropia e do estímulo tributário (o imposto sobre transmissão de grandes fortunas pode chegar a 70% em alguns estados). Qualquer que seja a razão que os leve a fazer doações, o fato é que todos os magnatas americanos são grandes filantropos. A maioria deles faz questão de propagandear seus atos de generosidade. Mas existe um time de empresários que prefere fazer filantropia anonimamente. Entre estes, nenhum é mais excêntrico e reservado do que o americano de origem irlandesa Charles "Chuck" Feeney, que doou toda a sua fortuna de 4 bilhões de dólares sem que ninguém tivesse notado. Uma das particularidades desse filantropo é o fato de ele ter no processo de paz da Irlanda do Norte uma de suas principais causas.

Até recentemente, pouco se conhecia sobre a trajetória de Feeney. Parte do mistério começa a ser desvendada agora, com a publicação, nos Estados Unidos, do livro The Billionaire Who Wasn't: How Chuck Feeney Secretly Made and Gave Away a Fortune, ainda sem tradução no Brasil, escrito pelo jornalista irlandês Conor O'Cleary com a ajuda do próprio perfilado. Nascido em Nova Jersey e descendente de irlandeses, Feeney, hoje com 76 anos, ficou rico como sócio da Duty Free Shoppers, uma rede de lojas de aeroportos que vende produtos livres de impostos. Feeney descobriu esse filão nos tempos em que vendia produtos a soldados americanos no exterior. Nos anos 1960, o negócio floresceu com a explosão do turismo japonês. Sua cadeia tornou-se uma das maiores do mundo, com forte presença nos países da rota do Pacífico, como Austrália, Taiwan e Cingapura.

A história de Feeney, que começou como simples comerciante, iguala-se à de tantos outros descendentes de imigrantes que realizaram o sonho de enriquecer na América. Não fosse por um detalhe: em vez de acumular sua riqueza, Feeney, que tem cidadania americana e irlandesa, sempre doou praticamente tudo o que ganhava, reservando apenas uma fração para o sustento de sua família. O empresário não tem carro nem casa própria, e acompanhava seus negócios viajando de classe econômica. Doava em parte por ideal, mas em boa medida pela aversão completa ao ato de contribuir para o Fisco. Ele afirmou certa vez que preferia dar esmolas a pagar impostos. "As pessoas sabem o que fazer com o dinheiro melhor do que o governo." Evitar tributos, para Feeney, é uma filosofia de vida: além de ter ascendido num ramo cujo negócio é vender produtos com isenção de impostos, sua empresa tinha sede em paraísos fiscais.

A filantropia de Feeney passou despercebida até 1996, quando vendeu a Duty Free Shoppers. Na transação, o empresário embolsou 3,5 bilhões de dólares. Embolsou, não, embolsaria – porque doou essa dinheirama à Atlantic Philanthropies, criada por ele em 1982 e que já havia recebido outros 500 milhões. Com isso, a instituição se tornou uma das maiores entidades americanas de filantropia. Em 2006, ela investiu 500 milhões de dólares, valor inferior apenas ao de duas das mais ricas fundações americanas, a Ford e a Bill and Melinda Gates. A Atlantic se dedica, entre outras ações, a aprimorar a saúde e a educação em diversos países. Feeney doou também 600 milhões de dólares à Universidade Cornell, onde estudou hotelaria, transformando-se, assim, no maior colaborador individual dessa instituição. Mas a mais conhecida de suas causas é, sem dúvida, o apoio dado ao partido Sinn Fein, o braço político do IRA. Feeney conheceu Gerry Adams, o líder do Sinn Fein, no início dos anos 90, e passou a ajudar o movimento republicano da Irlanda do Norte. Doou, por exemplo, 720.000 dólares para que o partido mantivesse um escritório em Washington. Ao empenhar-se na institucionalização do movimento republicano irlandês, Feeney deu a sua contribuição ao processo de pacificação naquela região.

O lema de Feeney é "doe enquanto ainda está vivo". Conforme afirmou nas raras entrevistas que concedeu, sua intenção é utilizar os recursos disponíveis para resolver problemas atuais. Por isso a Atlantic Philanthropies é uma entidade fadada a desaparecer: investe o máximo possível e, quando seus recursos acabarem, simplesmente fechará as portas. Estima-se que isso ocorra em 2016. Uma das frases de Feeney poderia estar na cabeça dos governantes brasileiros: "Gastar não é problema, mas gastar bem, sim".

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