terça-feira, 6 de novembro de 2007

Obras de 40 artistas vão a leilão para ajudar Parque Lage

Renata Granchi
Publicado pelo
G1 em 05/11/07

O artista Ernesto Neto criou uma obra que fecha inteiramente o teto da piscina do Parque Lage
Foto Renata Granchi/G1

A Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, já foi referência no ensino das artes plásticas do Brasil. O grupo que coordena a associação de amigos da EAV quer este status de volta. Para isso, chama toda a sociedade a participar da revitalização da escola e do Parque. Uma iniciativa que tem apoio da Secretaria municipal das Culturas.
“Queremos que ela volte a ser a escola de arte mais importante do Brasil. Temos objetivos ambiciosos”, avisa a líder do grupo Jaqueline Vojta, que trabalhou no Museu de Arte Moderna de Nova York.

Para inaugurar a série de ações que promete ajudar a revitalizar a EAV, um grande leilão de arte com 40 obras de artistas plásticos da pintura, escultura e fotografia de renome no Brasil será realizado no dia 9 de novembro.

Ingressos a R$ 500
Beatriz Milhazes, Ernesto Neto, Tunga, Nelson Lerner, Cildo Meireles são alguns dos nomes que doaram obras para o evento. O lance mínimo é de R$ 3 mil, mas, para participar da disputa, o interessado deve desembolsar antes R$ 500 num ingresso, que dá direito a um jantar e a uma grande festa. São 200 bilhetes à venda, mas já estão quase todos vendidos, segundo Jaqueline.

“Todo o dinheiro será usado para potencializar o máximo tudo o que esta escola pode oferecer. Há necessidade de informatizar, por exemplo. Depois do leilão, pretendemos fazer palestras, seminários, workshops. Tudo para trazer de volta os artistas que estão afastados e a própria sociedade. Nosso objetivo é profissionalizar a EAV nos moldes das escolas do exterior”, explica Jaqueline.


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Google e ONU lançam site para monitorar metas do milênio

Publicado pela Folha Online em 05/11/07

Um site lançado pela ONU (Organização das Nações Unidas), em parceria com o Google e com a fabricante de equipamentos Cisco, irá monitorar como e em que lugares do mundo as Metas de Desenvolvimento do Milênio estão sendo cumpridas.

De acordo com autoridades da ONU e especialistas de fora da organização, há uma crescente dificuldade para o cumprimento das oito metas socioeconômicos estabelecidas em 2000 e que os países da ONU se comprometem a atingir até 2015.

O MDG Monitor irá mostrar um panorama do progresso de cada país em relação ao cumprimento das metas, que incluem itens como a redução da mortalidade infantil e a diminuição da fome.

Para os criadores do site, o acompanhamento mais eficiente do progesso na concretização das metas deve estimular os sucessos. "Esconder-se dos problemas garante que eles se perpetuem", disse à Reuters Michael Jones, tecnólogo-chefe do Google Earth, responsável por integrar o sistema de imagens de satélite e mapeamento ao site para que os usuários possam ver os lugares mencionados.

A opinião é compartilhada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que acredita que o site ajudará num monitoramento mais eficiente e ajudará a identificar os locais que precisam de mais atenção. "Nosso placar mundial está misturado", disse Ban. "Algumas regiões, particularmente a África Subsaariana, não estão a caminho [de cumprirem as metas]".

Ban reiterou que aproximadamente 1 bilhão de pessoas vivem com menos de um dólar por dia e que milhões de crianças morrem todos os anos antes de completar cinco anos devido à desnutrição.

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Comida saudável não tem sabor, preço e praticidade

Daniele Madureira
Publicado pelo
Valor Online em 06/11/07

"A maioria sabe o que deve comer, mas 55% enfiam o pé na jaca", diz Giacometti
Foto Divulgação

Trinta por cento da população das capitais do Rio de Janeiro e de São Paulo procura, a duras penas, ter uma alimentação balanceada e um estilo de vida saudável. O corre-corre diário, o alto custo de vida, além do costume de usar a comida como forma de indulgência, têm limitado a vontade de assumir uma vida equilibrada. Mas a indústria também não tem ajudado.

O consumidor não consegue encontrar produtos que sejam, ao mesmo tempo, práticos, saudáveis, saborosos e de baixo custo - a combinação ideal, na opinião de cariocas e paulistas. E esse quadro já tem dez anos, quando cerca de 30% dos moradores do Rio e de São Paulo já adotavam hábitos saudáveis à mesa - o mesmo percentual medido neste ano. Os dados de 1997 e 2007 foram indicados em pesquisas feitas pela Giacometti Propaganda, para monitorar tendências de alimentação nas metrópoles.

"O maior acesso à informação aumentou o nível de consciência sobre a necessidade de cuidar bem do corpo e do tipo de combustível que se coloca nele, inclusive, entre os consumidores da classe C", diz Dennis Giacometti, diretor da agência responsável pelo levantamento, que ouviu 600 pessoas em Rio e São Paulo, entre agosto e setembro. A primeira etapa da pesquisa, qualitativa, foi feita pela Mandalah, especializada em comportamento de consumo, que realizou 23 entrevistas.

Giacometti observa, no entanto, que mais informação não significa necessariamente mais atitude. "As pessoas sabem mais a respeito do que não podem do que sobre o que podem comer", diz. Aí a vontade fica reprimida e, volta e meia, estoura. Não por acaso, 55% dos entrevistados disseram "enfiar o pé na jaca" de vez em quando, comendo tudo o que têm vontade.

Com os práticos semi-prontos, cujo consumo vem aumentando na mesma velocidade dos lançamentos, a indústria só incentiva a alimentação rápida e, quase sempre, individual. "Por isso, não faz sentido a publicidade continuar apresentando a família que se reúne ao redor da mesa para o café da manhã, o almoço ou o jantar, já que isso está cada vez mais distante da realidade", diz Giacometti.

O comportamento típico dos moradores dessas metrópoles do Sudeste do país se mantém o mesmo há anos: a maioria das pessoas tem tempo apenas para "engolir" o almoço, às vezes em pé ou em frente do computador, o que acaba privilegiando o fast-food barato. Ao mesmo tempo, comer algo saboroso - e, invariavelmente, calórico - é cada vez mais encarado como uma recompensa por momentos estressantes em casa, no trabalho ou na escola. Essa conduta, por sinal, está presente também no dia-a-dia dos mais jovens e das crianças, o que pode ser constatado a partir do aumento dos índices de obesidade nessas faixas etárias.

É certo que o portfólio light também vem crescendo, mas os itens dessa natureza só entram no cardápio quando convém ao consumidor. A prova disso está nas entrevistas da etapa qualitativa, que foram condensadas em vídeo. A modelo carioca Flávia, de 28 anos - que afirma não comer "nada" no verão -, tem opinião formada sobre as comidas de baixa caloria. "Nada light é gostoso", diz ela. A amiga Etyenne, de 23 anos, concorda. "Light é uma enganação, a gente consome porque está no desespero, mas muitas vezes nem adianta: engordamos do mesmo jeito".

O ceticismo em relação aos fabricantes de alimentos não se restringe aos lights. Na pesquisa feita pela agência, não houve unanimidade na escolha da empresa que é referência em produtos saudáveis. "Cada indústria recebeu menos de 20% das citações dos entrevistados", diz Giacometti.

Os restaurantes, por sua vez, não incentivam o consumidor a fazer uma alimentação equilibrada. "Os 'naturebas' oferecem sempre o mesmo cardápio, as pessoas se cansam do menu e acabam desistindo", diz Giacometti, um vegetariano que abriu espaço para os peixes no prato. "Hoje, o indivíduo só deixa de comer mal se tiver grande força de vontade ou se levar um susto com a sua saúde".

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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Na surdina

Publicado pela Veja de 07/11/07

Feeney, um crítico dos impostos: as pessoas sabem gastar melhor do que o governo
Foto Jennifer S. Altman

A história do americano que doou 4 bilhões de dólares sem que ninguém tivesse percebido

A filantropia é parte indissociável do capitalismo americano. Os principais magnatas da história dos Estados Unidos deixaram bilhões de dólares para museus, escolas e todo tipo de instituição sem fins lucrativos. Criaram ainda fundações poderosas que carregam seus nomes até hoje. No início do século passado, figuraram como grandes filantropos Henry Ford (indústria automobilística), John Rockefeller (petróleo) e Andrew Carnegie (aço). Essa tradição persevera ainda hoje, em razão de uma cultura que valoriza a filantropia e do estímulo tributário (o imposto sobre transmissão de grandes fortunas pode chegar a 70% em alguns estados). Qualquer que seja a razão que os leve a fazer doações, o fato é que todos os magnatas americanos são grandes filantropos. A maioria deles faz questão de propagandear seus atos de generosidade. Mas existe um time de empresários que prefere fazer filantropia anonimamente. Entre estes, nenhum é mais excêntrico e reservado do que o americano de origem irlandesa Charles "Chuck" Feeney, que doou toda a sua fortuna de 4 bilhões de dólares sem que ninguém tivesse notado. Uma das particularidades desse filantropo é o fato de ele ter no processo de paz da Irlanda do Norte uma de suas principais causas.

Até recentemente, pouco se conhecia sobre a trajetória de Feeney. Parte do mistério começa a ser desvendada agora, com a publicação, nos Estados Unidos, do livro The Billionaire Who Wasn't: How Chuck Feeney Secretly Made and Gave Away a Fortune, ainda sem tradução no Brasil, escrito pelo jornalista irlandês Conor O'Cleary com a ajuda do próprio perfilado. Nascido em Nova Jersey e descendente de irlandeses, Feeney, hoje com 76 anos, ficou rico como sócio da Duty Free Shoppers, uma rede de lojas de aeroportos que vende produtos livres de impostos. Feeney descobriu esse filão nos tempos em que vendia produtos a soldados americanos no exterior. Nos anos 1960, o negócio floresceu com a explosão do turismo japonês. Sua cadeia tornou-se uma das maiores do mundo, com forte presença nos países da rota do Pacífico, como Austrália, Taiwan e Cingapura.

A história de Feeney, que começou como simples comerciante, iguala-se à de tantos outros descendentes de imigrantes que realizaram o sonho de enriquecer na América. Não fosse por um detalhe: em vez de acumular sua riqueza, Feeney, que tem cidadania americana e irlandesa, sempre doou praticamente tudo o que ganhava, reservando apenas uma fração para o sustento de sua família. O empresário não tem carro nem casa própria, e acompanhava seus negócios viajando de classe econômica. Doava em parte por ideal, mas em boa medida pela aversão completa ao ato de contribuir para o Fisco. Ele afirmou certa vez que preferia dar esmolas a pagar impostos. "As pessoas sabem o que fazer com o dinheiro melhor do que o governo." Evitar tributos, para Feeney, é uma filosofia de vida: além de ter ascendido num ramo cujo negócio é vender produtos com isenção de impostos, sua empresa tinha sede em paraísos fiscais.

A filantropia de Feeney passou despercebida até 1996, quando vendeu a Duty Free Shoppers. Na transação, o empresário embolsou 3,5 bilhões de dólares. Embolsou, não, embolsaria – porque doou essa dinheirama à Atlantic Philanthropies, criada por ele em 1982 e que já havia recebido outros 500 milhões. Com isso, a instituição se tornou uma das maiores entidades americanas de filantropia. Em 2006, ela investiu 500 milhões de dólares, valor inferior apenas ao de duas das mais ricas fundações americanas, a Ford e a Bill and Melinda Gates. A Atlantic se dedica, entre outras ações, a aprimorar a saúde e a educação em diversos países. Feeney doou também 600 milhões de dólares à Universidade Cornell, onde estudou hotelaria, transformando-se, assim, no maior colaborador individual dessa instituição. Mas a mais conhecida de suas causas é, sem dúvida, o apoio dado ao partido Sinn Fein, o braço político do IRA. Feeney conheceu Gerry Adams, o líder do Sinn Fein, no início dos anos 90, e passou a ajudar o movimento republicano da Irlanda do Norte. Doou, por exemplo, 720.000 dólares para que o partido mantivesse um escritório em Washington. Ao empenhar-se na institucionalização do movimento republicano irlandês, Feeney deu a sua contribuição ao processo de pacificação naquela região.

O lema de Feeney é "doe enquanto ainda está vivo". Conforme afirmou nas raras entrevistas que concedeu, sua intenção é utilizar os recursos disponíveis para resolver problemas atuais. Por isso a Atlantic Philanthropies é uma entidade fadada a desaparecer: investe o máximo possível e, quando seus recursos acabarem, simplesmente fechará as portas. Estima-se que isso ocorra em 2016. Uma das frases de Feeney poderia estar na cabeça dos governantes brasileiros: "Gastar não é problema, mas gastar bem, sim".

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sábado, 3 de novembro de 2007

Crédito e financiamento à cultura serão temas de palestra

Carlos Minuano*
Publicado pelo site do
Teia 2007

O desenvolvimento de alternativas de financiamento às atividades culturais e o papel da Lei Rouanet na economia da cultura serão temas da palestra “Linhas de Crédito e Financiamento para a Cultura”, que será realizada na TEIA 2007 pela Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura em parceria com o Banco do Nordeste do Brasil (BNB). A coordenadora de Orientação e Integração de Projetos da Secretaria de Incentivo e Fomento à Cultura do MinC (Ministério da Cultura) Teresa Cristina Azevedo de Oliveira, fará um balanço do trabalho realizado pelo Ministério da Cultura neste ano.

Também participa do evento a gerente de políticas regionais da diretoria de Gestão do Desenvolvimento do BNB, Manuelita Falcão Brito, que apresentará as opções de financiamento viabilizadas a partir da parceria firmada com o MinC em junho deste ano. Linhas de crédito e microcrédito direcionadas ao produtor cultural e ações desenvolvidas no Nordeste, Norte de Minas Gerais e Norte do Espírito Santo são alguns exemplos.

De acordo com informações do MinC, a iniciativa do banco visa o desenvolvimento e o apoio das políticas de universalização da cultura embasadas em alocação criteriosa de recursos que proporcione condições de dinamização das economias locais. É o caso do programa “CrediAmigoCultural”, que atende a pessoas físicas com um programa de microcrédito orientado para pequenos empréstimos, rápidos e sem burocracia. O programa destina inicialmente até R$ 2 mil a microempreendedores do setor cultural.

Parcerias MinC e Bancos Federais
Outras parcerias foram firmadas com o mesmo objetivo de dinamizar o setor. A Caixa Econômica Federal, o Banco da Amazônia e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social da União (BNDES) assinaram com o MinC protocolos de intenção para o desenvolvimento da cultura no país. O Banco do Brasil e o Banco do Nordeste também firmaram acordos de cooperação que possibilitarão o investimento de mais de R$ 300 milhões para a contratação de linhas de crédito e microcrédito.

A parceria com as instituições bancárias faz parte do conjunto de ações do Mais Cultura. Conhecido como PAC Cultural, o programa integra a agenda social do Governo Federal e é fruto do esforço do MinC para a construção de uma agenda de desenvolvimento do setor que envolve governos, iniciativa privada e organizações da sociedade civil. As assinaturas foram efetuadas no lançamento do programa.

"As instituições financeiras públicas também são responsáveis pela melhoria da qualidade de vida da população brasileira e assumem isso ao participar do fomento à economia da cultura no país", afirmou o secretário-executivo do MinC, Juca Ferreira, no lançamento do programa. O objetivo, segundo ele, é construir um novo padrão de financiamento às atividades culturais, inclusive com a atuação dos bancos, que já demonstram entender a cultura como ponto estratégico para o desenvolvimento do país.

Serviço
Palestra “Linhas de Crédito e Financiamento para a Cultura”
Dia 10 de novembro, às 14h00, na Sala 1 do Centro Cultural da UFMG, em Belo Horizonte.

*Com informações do MinC

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sexta-feira, 2 de novembro de 2007

"Boas maneiras" nas ações de e-mail marketing

A Associação Brasileira de Marketing Direto (ABEMD) elaborou esta relação de “Boas maneiras” para contribuir na estruturação de ações de e-mail marketing. Trata-se de uma série de recomendações que conduzem a uma utilização ética, pertinente e responsável do e-mail como ferramenta de marketing. Estas orientações se fundamentam no respeito aos destinatários das ações e, também, no uso adequado da internet, o que certamente contribuirá para as empresas alcançarem os resultados desejados e construírem um relacionamento sólido e de confiança mútua com clientes e prospects.

1 - Ética.
Atuar dentro do Código de Ética da ABEMD, que conceitua detalhadamente as boas práticas no Marketing Direto.

2 - Opt in*.
O primeiro recebimento é muito importante, porque marca o início da relação. É preciso ter permissão para prosseguir o relacionamento, por meio do opt in do receptor, tanto quando ele procura como quando é procurado.

Quando é a pessoa quem procura a empresa, o campo onde é feita a opção pelo recebimento da mensagem deve estar visível e com descrição clara do produto ou serviço oferecido.

Quando é a empresa quem procura a pessoa, tratando-se do primeiro contato deve-se informar como foi possível chegar a ela, explicitar o produto ou serviço oferecido e apresentar de forma visível a alternativa opt in. Se a pessoa não responder o e-mail com essa alternativa assinalada, deve-se entender que não deseja receber novas mensagens.

3 - Opt out**.
Toda mensagem precisa ter opt out. É prerrogativa do receptor decidir o momento em que não quer mais receber mensagens de determinado emissário.

4 - Uso do endereço eletrônico.
Quando houver cadastro prévio, deve ficar claro que o endereço eletrônico poderá ser utilizado para o envio de mensagens comerciais, ou seja, na geração de leads próprios ou, se for o caso, repassado também com a finalidade de envio de mensagens comerciais. E o receptor deve manifestar sua concordância com isso.

5 - Tamanho dos arquivos.
Procure sempre limitar o tamanho dos arquivos enviados, seja no corpo das mensagens ou nos anexos. Deve-se ter sempre em mente o público da média inferior em capacitação tecnológica (software, hardware e modalidade de conexão). Sugere-se mensagens no formato txt ou html, este último com tamanho máximo de 12 KB, e que as figuras (gifs) não estejam anexadas na mensagem, mas sim localizadas em servidor próprio.

6 - Auto-executáveis.
Não devem ser enviados arquivos com auto-funcionamento. Os auto-executáveis são arquivos que os programas gerenciadores de e-mail conseguem ler e interpretar, iniciando automaticamente algum processo que não é necessariamente desejado pelo receptor. Essa modalidade de arquivo também torna o sistema vulnerável à transmissão de vírus (voluntária ou não).

7 - Relevância.
O consumidor não se incomoda em receber uma mensagem de cunho comercial, desde que seja relevante para ele. Portanto, preocupe-se sempre com o conceito de relevância.

8 - Freqüência.
Deve-se preferencialmente oferecer ao cliente que assinale a opção de sua preferência na freqüência de recebimento de informações ou solicitar que ele opte entre as diversas alternativas de periodicidade que lhe são oferecidas. Quando não for possível oferecer que faça a opção, deve-se deixar claro qual a freqüência de envio das mensagens.

9 - Política de relacionamento.
É sempre conveniente que se tenha clareza na política de relacionamento adotada, o que pode ser feito por meio de um contrato/compromisso assumido formalmente com o consumidor.

* Opt-in: permissão dada pelo receptor para prosseguir o relacionamento através de e-mail marketing, tanto quando ele procura como quando é procurado.

**Opt-out: aviso do receptor de que ele não deseja mais receber e-mail marketing de uma empresa. É prerrogativa do receptor decidir o momento em que não quer mais receber mensagens de determinado emissário.

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Cadeias produtivas da economia solidária a pleno vapor

Publicado pela Agência Ibase em 01/11/07

Nos dias 25 e 26 de outubro, foi realizado o Seminário Nacional de Redes e Cadeias Produtivas da Economia Solidária (ES), em Mesquita, Baixada Fluminense, no estado do Rio de Janeiro. O encontro, organizado por Ibase e Centro de Ação Comunitária (Cedac), teve como objetivo promover o debate e a troca de experiências sobre caminhos para a construção e o fomento a redes e cadeias produtivas solidárias. Aproximadamente 150 pessoas, representantes de instituições ligadas a fóruns e empreendimentos da ES, estiveram presentes. Foram discutidos temas como autogestão, comércio justo e estratégias alternativas para expansão das redes produtivas.

O evento teve como foco o fortalecimento de iniciativas da sociedade civil para o fomento de políticas públicas. Haroldo Mendonça e Roberto Marinho contextualizaram as ações da Secretaria Nacional de Economia Solidária nesse campo e as integrações e políticas que estão sendo construídas.

Daniel Tygel, do Fórum Brasileiro de Economia Solidária, apresentou um sistema que está sendo desenvolvido pelo FBES, que será lançado em março do ano que vem durante a IV Plenária Nacional de Economia Solidária. Esse sistema permite o encontro entre os empreendimentos em termos econômicos tornando-se um primeiro passo na construção de cadeias e redes produtivas solidárias. É também um espaço que fomenta o relacionamento e articulação entre empreendimentos e consumidores(as) e empreendimentos.

O sistema está sendo criado a partir das informações contidas no Sistema Nacional de Informações em Economia Solidária (Sies) que vem sendo desenvolvido desde 2003 e conta com informações sobre empreendimentos e entidades de apoio e fomento.

“A economia solidária não precisa de gestão pública, pode ser somente organizada pela sociedade civil”. Esse foi o argumento de Nelsa Nespolo, representante da Justa Trama (cadeia produtiva solidária do algodão agroecológico), para afirmar que a gestão deve acontecer a partir dos próprios empreendimentos ou a partir de suas próprias demandas, na gestão de todo o processo formativo.

Luigi Verardo, da Associação Nacional de Trabalhadores e Empresas de Autogestão, complementou que, para isso, “a economia solidária deve se opor ao materialismo absoluto”. Refletiu sobre os valores e princípios da economia solidária e como são fundamentais para o movimento continuar lutando pela transformação social, que vai além do resultado econômico imediato.

Paulo Palhano, da rede Abelha, que articula apicultores no Nordeste e, agora, expande essa atividade para outras regiões do país, trouxe as experiências da organização e mencionou algumas conquistas em relação às políticas públicas, como a entrada do mel na lista de produtos adquiridos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

“Há alguns anos, a Conab lançou um programa de compra direta do produtor, mas o mel não fazia parte dele. Então, questionamos e sugerimos que o mel entrasse na cadeia produtiva. O mel não fazia parte do cardápio escolar e, agora, está nas escolas no Brasil inteiro”, comemora.

Ele também ressaltou a necessidade de discussão sobre a forma de produção justa e sustentável unida a um processo de formação educativa para apicultura e de que o governo invista na área de crédito e de informação. “É preciso ter uma legislação específica para a apicultura por estado. No Rio Grande do Norte, há uma lei estadual que trata apenas da apicultura, ou seja, não apenas produzimos e fazemos trabalhos ecológicos, fazemos também trabalhos políticos, porque beneficia todas as pessoas”.

Ainda falando sobre o fortalecimento das redes, Fabíola Zerbini, do Instituto Faces, comentou que o monopólio dos supermercados dificulta a entrada dos produtos solidários. O consumo desequilibrado das pessoas torna o comércio desigual. Para ela, é preciso que produtores(as), comerciantes e consumidores(as) montem cadeias de consumo de confiança e mantenham a integridade da rede. “Para mudar a realidade, é preciso criar o Sistema Brasileiro de Comércio Justo e Solidário”, justifica. Além disso, citou a criação de selo de identificação dos produtos solidários e produtos com preço justo para o(a) produtor(a) e para o(a) consumidor(a).

O prefeito de Mesquita, Arthur Messias, mostrou-se disposto a ajudar no fomento da economia solidária, mas também pediu ajuda para que a cultura local do comércio mude. Mesquita montou um centro público, uma incubadora municipal e uma loja da ES, tudo gerenciado com grande participação dos empreendimentos solidários da cidade.

Mapeamento e experiências
As reflexões do segundo dia do evento se voltaram para o estado do Rio de Janeiro. Eugênia Motta e João Roberto, representantes do Ibase, apresentaram mapas apontando a situação dos principais produtos, insumos e cadeias existentes no estado, destacando o levantamento das principais informações do Sies que potencializam redes e cadeias solidárias e das que estão faltando e precisam ser incorporadas em novo mapeamento.

Um dos objetivos do mapeamento é subsidiar a formulação de políticas públicas para a economia solidária. Hoje, a maior demanda do movimento da economia solidária é a construção de redes e cadeias produtivas. “É importante que as políticas públicas para os empreendimentos tenham este horizonte, que aponte para a viabilidade econômica, autonomia e democratização das relações também fora do empreendimento”, aposta Eugênia Motta.



Carta de Mesquita

Os empreendimentos econômicos solidários, as organizações e os gestores públicos presentes ao Seminário Nacional de Redes e Cadeias Produtivas da Economia Solidária, realizado nos dias 25 e 26 de outubro de 2007, na cidade de Mesquita-RJ, entendem que o fomento e fortalecimento de redes e cadeias produtivas solidárias e justas representam a reivindicação maior da economia solidária em favor de um desenvolvimento capaz de superar desigualdades e promover a emancipação das pessoas.

Este desafio está posto para o conjunto de práticas, muitas delas representadas no Seminário, que vêm sendo conduzidas por empreendimentos, organizações e gestores em todo o país. A constituição de fóruns estaduais, regionais e locais no âmbito do Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES) – que estará realizando sua IV Plenária Nacional em princípio de 2008 –, a criação e desenvolvimento de organizações nacionais como a Unisol, Unicafes, Anteag, Rede de Gestores de Economia Solidária, a construção dos Sistemas Públicos de Informação
de Economia Solidária, do Comércio Justo e Solidário, de Comercialização da Agricultura Familiar e Economia Solidária e da Segurança Alimentar apontam não apenas para a criação e o fortalecimento de empreendimentos solidários, mas também para a constituição de relações econômicas solidárias para fora do empreendimento, como garantia de sua própria
sustentabilidade.

Neste contexto, os presentes ao Seminário manifestam seu apoio a ações estruturantes voltadas à constituição de redes de cooperação entre empreendimentos de um mesmo segmento, bem como à promoção de uma dada cadeia produtiva em bases solidárias, desde o consumo até a produção, passando pela distribuição e comercialização. Tais ações devem estar orientadas conforme prevêem as próprias bandeiras do FBES em favor de uma legislação adequada à realidade dos empreendimentos solidários, das finanças solidárias, da logística de distribuição, dos processos e meios de comercialização e da formação em economia solidária. Além do que,
considera-se inadiável uma política de desconcentração e descentralização de cadeias produtivas responsáveis pela produção de riquezas essenciais à vida e que hoje encontram-se concentradas nas mãos de algumas poucas corporações.

Mesquita, 26 de outubro de 2007.

Colaborou: Carlos Daniel da Costa

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quinta-feira, 1 de novembro de 2007

A confiança como caminho para o bom desempenho

Publicado pelo Valor Online em 01/11/07

Os contratos formais estabelecem as condições básicas para a promoção da congruência de interesses entre as partes na relação entre empregado e empregador, mas para que uma organização tenha desempenho superior isso não basta. É preciso capacidade de gestão para promover a associação espontânea entre os seus membros baseada em relações de confiança para a criação de valor econômico superior. São palavras de Marco Tulio Zanini neste "Confiança - O Principal Ativo Intangível de uma Empresa".

Professor na Fundação Dom Cabral, especialista em gestão estratégica do valor intangível, cultura organizacional e ética aplicada à economia das organizações, Zanini debruça-se sobre o impacto de diferentes ambientes institucionais no comportamento das pessoas, nestes tempos de novas formas de produção baseadas no conhecimento.

"Confiança é fruto de normas e regras, formais e informais, e de valores compartilhados, que governam as interações humanas, e que, por sua vez, podem gerar níveis de cooperação espontânea de inestimável valor econômico", explica o professor. "O foco nas relações de confiança dentro das empresas nos permite analisar a capacidade gerencial de gerar motivação e cooperação espontânea no ambiente de trabalho." Por meio de padrões gerenciais baseados em valores compartilhados e princípios de justiça que promovam benefícios mútuos, as empresas podem obter vantagem competitiva e sustentabilidade.

Assim, o autor aborda conceitos e definições de confiança numa perspectiva econômica, buscando entendê-la "de uma forma mais calculada", mas sem rejeitar sua definição social ou relacional, igualmente importante.

O livro traz também a primeira pesquisa empírica realizada no Brasil que trata dos níveis de confiança dentro de empresas privadas. "Buscamos analisar confiança como elemento central dos contratos de trabalho dentro das empresas da 'nova economia', aqui conceituadas como as da indústria das tecnologias da informação e comunicação, por meio de uma análise comparativa com outras indústrias mais tradicionais", esclarece. O resultado da pesquisa, no geral, mostra um nível baixo de confiança nas empresas da Nova Economia em relação ao da Velha Economia. (Luíza Mendes Furia)

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Um novo professor

Laura Knapp
Publicado pelo
Valor Online em 01/11/07

"Dar uma graninha não resolve", diz Maria Elisa Miranda, da Escola Osvaldo Aranha (foto), que já passou por vários planos de carreira em 32 anos de magistério. "Ser professor era atraente"
Foto Ana Carolina Negri/Valor

O governador de São Paulo, José Serra, tem planos ambiciosos: pretende levar o profissionalismo da iniciativa privada para o funcionalismo público. O projeto de gestão por resultados ainda está em fase de elaboração, mas o objetivo é implantá-lo em todos os setores, começando com força pela educação e passando para a saúde. "Queremos profissionalizar mais a máquina pública", afirma o secretário estadual de Gestão Pública, Sidney Beraldo. "Desde o início do governo, a equipe toda está empenhada em implantar gestão por resultados."

Não há como negar a importância de elevar a eficiência no setor público, até como meta permanente de governo, e ainda mais numa área, como a da educação, que, por todas as razões imagináveis - inclusive e particularmente aquelas associadas aos fundamentos do desenvolvimento do país - precisa ser tirada do limbo em que foi colocada no processo de desestruturação financeira do Estado brasileiro. Mas essa é também uma área que, por natureza, tende a ser politizada. Mudanças, especialmente quando identificadas com princípios privatizantes, sempre encontrarão fortes resistências. Nas entidades de classe dos professores e do pessoal de administração escolar, por exemplo, a proposta do governo Serra é vista com uma mistura de desconfiança, descrédito e mesmo repúdio.

Quando se ouve o secretário estadual de Gestão Pública, Sidney Beraldo, fica a impressão de que estão sendo pensados todos os detalhes de uma boa argumentação para o debate inevitável. Com uma escala de prioridades, diz Beraldo, será possível estabelecer quais as escolas que precisam de mais investimentos, de uma força-tarefa para melhorar seus resultados. "A meta é melhorar a média de todas", afirma o secretário. E vai a um dos pontos mais sensíveis da proposta: "Não adianta só criar indicadores. É preciso dar condições [às escolas] para que façam progressos". Outro detalhe que poderá facilitar o diálogo é que as metas serão negociadas. Será observado, por exemplo, se uma escola já é boa ou apresenta deficiências, para que, a partir daí, os objetivos sejam ajustados individualmente, de maneira que nenhuma saia perdendo, diz Beraldo.

Os complicadores estarão sempre na presunção de que haverá ações alternativas para melhorar o nível da escola pública, do ponto de vista de líderes dos profissionais da área, sem o risco, que imaginam, de o governo pretender justificar demissões ou a transitoriedade de acréscimos de remuneração, via bônus, que depois não são incorporados aos cálculos para aposentadoria. A discussão apenas se inicia, mesmo que o governo já ponha em prática as mudanças que julga adequadas.

Atualmente, professores e funcionários da rede estadual de ensino recebem um bônus anual calculado com base no absenteísmo. Quem falta menos ganha mais - independentemente do resultado alcançado nas salas de aula ou nas unidades de ensino como um todo. O projeto de gestão por resultados muda esse sistema. Cada escola será avaliada de acordo com os resultados do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), uma prova anual aplicada desde 1996 (mas suspensa em 2006), basicamente com questões de matemática e português (leitura e escrita). A partir da prova deste ano, a Secretaria da Educação fixará metas para cada unidade, levando em consideração o nível dos alunos e fatores como infra-estrutura (ou sua falta). A gratificação por rendimento será paga integralmente aos funcionários das unidades que cumprirem as metas, ou proporcionalmente, de acordo com o avanço conseguido. "O objetivo é comparar uma unidade com ela mesma, e aí dialogar com a diretoria e estabelecer metas", afirma Beraldo.

No caso das melhores escolas, a meta será menor, mas talvez mais difícil, afirma a secretária da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro. "Vamos dar incentivos para que alunos e professores não percam o pique." Os incentivos, como outros pontos do programa, ainda não estão totalmente definidos. Os prêmios podem ser semestrais, ou quadrimestrais. Toda a equipe da escola, do diretor ao faxineiro, receberá uma gratificação, proporcional a seu salário.

Ao contrário dos anos anteriores, quando os professores das próprias escolas eram responsáveis pela aplicação dos exames em suas unidades, as provas em uma unidade serão feitas por profissionais de outra. Todos os estudantes das 1ª, 2ª, 4ª, 6ª e 8ª séries do ensino fundamental e 3ª do médio participarão. Somente as duas primeiras séries responderão a questões abertas. Para as outras, os testes serão de múltipla escolha. Todas as provas serão impressas em folha óptica pré-identificada com o nome do aluno.

Um grupo de consultores está trabalhando com a Secretaria da Educação para definir as metas das escolas. De início, o Saresp sofreu algumas alterações, para que seus resultados possam ser comparados ao desempenho escolar nacional, medido pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

A fim de estabelecer as metas para cada escola, o Saresp 2005 foi tomado como linha-base e convertido para a escala do Saeb. Os consultores da Secretaria da Educação farão uma análise estatística de cada uma das 5.450 escolas do Estado, comparando o desempenho de 2007 em relação a 2005. Os resultados devem ser divulgados em abril de 2008. "O primeiro critério para atribuir remuneração variável será a melhora de resultados em relação à própria escola", afirma Maria Helena. Assim, em 2008, em vez de basear o bônus apenas em assiduidade, 70% dessa remuneração variável dependerão da melhora registrada em relação ao ponto de partida, isto é, o Saresp de 2005.

O sistema adotará critérios que levem em conta a eqüidade entre as escolas. Os estudos devem estar prontos até o fim do mês de novembro, de acordo com a secretária da Educação. O Saresp será aplicado nos dias 28 e 29. A análise para estabelecer as metas deve considerar, por exemplo, a porcentagem de alunos que atingiram um certo ponto na escala do exame. Se em português o nível mínimo for 200, por exemplo, no ano seguinte a meta da escola será de que uma porcentagem mínima de alunos alcance esse patamar.

O fluxo escolar também será considerado. A taxa de aprovação será um indicador para que não haja risco de as escolas reprovarem ou mandarem alunos embora a fim de melhorar seu desempenho. Se isso acontecer, a unidade perderá pontos. "Se valorizamos só o desempenho, a escola vai expulsando os maus alunos", reflete a secretária. Além disso, serão utilizados outros critérios, como a assiduidade dos funcionários e a estabilidade dos professores. Segundo Maria Helena, há muita movimentação na rede, e a constante troca de professores, principalmente na periferia das grandes cidades, acaba atrapalhando o desempenho dos alunos. Um dos objetivos é criar um incentivo para que os professores permaneçam na mesma unidade.

O governo estima que destinará uma verba adicional, entre R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão para o pagamento da remuneração variável pelo novo sistema. O orçamento da Secretaria da Educação, de R$ 12 bilhões em 2007, será ampliado para R$ 13,3 bilhões, ou mais, em 2008. Desse total, 78% são destinados à folha de pagamento dos funcionários. O restante é investido em manutenção, obras, merenda escolar e material didático.

Para o professor Romualdo Portela de Oliveira, da Universidade de São Paulo (USP), especialista em política educacional, convém lembrar que planos de pagamento por mérito não são estranhos ao magistério. Docentes que fazem cursos extras recebem bônus, quem faz mestrado recebe um adicional a seu salário. "O programa de carreira já está associado a características que melhorem o desempenho profissional. O avanço se dá por tempo de carreira ou por esse critério. O que o novo projeto faz é vincular a variação mais diretamente aos resultados."

Poderá haver dificuldade, diz Oliveira, em medir o desempenho profissional, que não deve ser baseado apenas nos resultados dos alunos. Aí entram questões como as condições das escolas. Aquelas com melhores recursos ou mais bem situadas geograficamente tendem a ter resultados melhores. "O nível socioeconômico pode enviesar os resultados", lembra. Portanto, é preciso cuidado para que um sistema por mérito como esse não termine reproduzindo desigualdades.

Outra questão levantada por Oliveira é que esse modelo está muito calcado na competitividade, uma idéia liberal mas talvez pouco afim com o papel do governo, de redutor de desigualdades, diz. "Nada contra o sistema como indutor de mudança, mas é preciso trabalhar as duas pontas", diz. Ou seja, é preciso não esquecer quem fica para trás, quem trabalha em condições adversas, quem precisaria dar um salto muito grande para se equiparar aos demais. Nas escolas de periferia, mais pobres, por exemplo, tendem a trabalhar profissionais mais jovens ou menos preparados. "Mas se estão falando que levarão em conta as desigualdades, acho um projeto razoável. Agora é ver como vão operacionalizá-lo", observa.

Para o professor da USP, a bonificação é bastante válida quando se trata de atacar as desigualdades no interior do magistério. A grande maioria é séria, diz,, mas o percentual de faltas de alguns docentes é abusivo. "É preciso ter políticas que coíbam isso."

Os presidentes do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Carlos Ramiro de Castro, e do Sindicato dos Funcionários e Servidores da Educação (Afuse), Marcos Duarte D'Assunção, não querem nem discutir o projeto de remuneração por mérito. "Há 12 anos e meio a prática tem sido dar gratificação, bônus", diz Castro. "Premiar não é novidade alguma. O professor precisa de salário digno. O que precisamos é de reajuste salarial."

Atualmente, o piso salarial dos professores, sem gratificação, é de R$ 668, e a categoria reivindica um mínimo de R$ 1.670. Reivindica também melhores condições de trabalho. Na opinião de Castro, é preciso melhorar as condições das salas de aula, da carga horária. E há as questões da violência, da falta de infra-estrutura, da aprovação automática. "Educação de qualidade se inicia com a valorização do professor", afirma.

Os investimentos na área são desproporcionais à dimensão da economia paulista, diz Castro: não passam de 3,5% do PIB. No Brasil, são 4,5%. Além disso, o professor não tem um processo de formação continuada, ou um plano de carreira que o estimule, acrescenta. E a carga horária dos alunos é muito reduzida.

Para D'Assunção, da Afuse, que congrega funcionários administrativos de escolas e diretorias de ensino, não está nem claro se o projeto do governador existe mesmo. "Isso não foi discutido com as entidades", afirma. "No mínimo, temos que participar do processo." Há um certa desconfiança de que as avaliações das escolas sirvam para justificar demissões em massa, como aconteceu por volta de 1996, quando 4 mil funcionários quase foram mandados embora. "Não temos que ser totalmente contra. Mas será que a avaliação é só para pagamento?", questiona.

"Dar uma graninha não resolve", diz Maria Elisa Miranda, professora de história da Escola Estadual Osvaldo Aranha. Há 32 anos no magistério, ela diz que já passou por vários planos. "Quando comecei, ser professor era muito atraente, dava para viajar de avião, era um bom salário até para iniciante de carreira", afirma. Desde então, houve uma queda vertiginosa, cada década com seu contexto, e a qualidade da educação entrou também em decadência, piorando muito com a democratização do país, em sua opinião. Lecionando para dez classes da 1ª série do ensino médio, hoje ela precisa de três empregos para se sustentar. "O governo sempre encontra fórmulas para achatar o salário do professor."

Para ela, em vez de projetos de bônus, o governo deveria consertar o mal pela raiz: dar condições de trabalho, reduzir a jornada "estafante", reformular a contratação de professores. Na sua opinião, muitos professores contratados não são qualificados, fizeram cursos rápidos e não têm bagagem ou visão sobre a relevância social da educação. Por que os professores faltam tanto? Por que precisam fazer outras coisas para ganhar dinheiro, e o ensino acaba se tornando um bico. "A política de bonificação é falaciosa. Além disso, com remuneração bonificada, os inativos são desrespeitados, pois não a recebem."

O senador Cristovam Buarque se diz totalmente a favor da remuneração por resultados. Mas, como os salários estão bastante defasados, são baixos tanto para os bons quanto para os maus professores. O ideal, entende Buarque, seria aumentar o contra-cheque de todo mundo e, a partir de um bom piso salarial, aumentar a diferença, para remunerar melhor os bons profissionais. "Quando os professores dizem que precisam de salário maior, estou de acordo", afirma. Mas dizer que a saída é um (aumento de salário) ou outro (bônus), está errado. "Tem que ser os dois".

Paula Watson, professora de geografia em escola do Estado, concorda que professores mais bem preparados deveriam receber salários diferenciados. Para ela, se os docentes estivessem mais próximos da academia, o nível de ensino seria muito melhor. Ela faz cursos, mas isso não repercute em termos de salário. A resistência por parte dos professores em se aperfeiçoar é grande. Como ganham mal, não querem "perder" mais tempo fazendo cursos. Paula aproveitou curso oferecido pelo governo e fez graduação lato sensu em Ciências Sociais na Universidade Estadual de Campinas.

Na sua opinião, contexto e funcionários têm peso igual na formação dos alunos. "É preciso avaliar o professor, sim", afirma. "Não é por que encontro péssimas condições de trabalho que não vou fazer direito. O salário é vexaminoso, mas eu curto muito dar aula para esses garotos."

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Nada mais global que as diferenças

Olga de Mello
Publicado pelo Valor Online em 01/11/07

Pankaj Ghemawat, sobre globalização: "As fronteiras ainda existem, as distâncias físicas e culturais também"
Foto AP


A globalização tomou conta do planeta ou é uma ilusão que move companhias internacionalmente, trazendo prejuízos consideráveis aos que imaginam que o mundo inteiro poderá reproduzir modelos sem levar em conta as diferenças sócio-culturais entre países? A reflexão está nos estudos do economista indiano Pankaj Ghemawat, um dos mais renomados especialistas em estratégia empresarial, crítico da noção de "mundo plano", no qual a tecnologia e as grandes corporações derrubam fronteiras, estabelecendo métodos de operação padronizados em qualquer parte do mundo. "Não sou contra a globalização", esclarece Ghemawat, que chega a São Paulo nos próximos dias para participar da ExpoManagement 2007. "As fronteiras ainda existem, as distâncias físicas e culturais também, e a empresa que ignorar as diferenças entre os países está fadada ao fracasso nos negócios em suas filiais no exterior", acredita Ghemawat, que conversou com o Valor, por telefone, de Barcelona, onde mora.

Formado em matemática, PhD em economia de negócios, professor na Harvard Business School e no Instituto Superior de Estudos de Negócios (Iese) da Universidade de Navarra, na Espanha, Ghemawat já esteve no Brasil diversas vezes, analisando os processos de privatização e acompanhando a reestruturação de empresas, como o grupo Bozano, Simonsen. Ressalvando que não se sente à vontade para comentar a situação social do Brasil, ele a aponta como o principal entrave para as projeções de que o país estará entre as principais economias mundiais até o fim do século. "O Brasil é fonte de estudos constantes por causa da velocidade de seu crescimento econômico nos primeiros 70 anos do século XX e a superação, depois, das altíssimas taxas de inflação. É um país que não apostou apenas nos seus recursos naturais e tem uma produção diversificada. No entanto, acredito que algo deveria ser feito para garantir uma distribuição de renda mais igualitária , de forma que sejam superados os problemas sociais. A globalização trouxe avanços tecnológicos, mas não conseguiu melhorar a vida de populações que estão abaixo da linha da pobreza. Algo semelhante acontece na Índia, que se moderniza sem resolver os problemas de escassez, embora meu país seja muito mais pobre do que o Brasil", comenta Ghemawat.

Seu último livro, "Redefinindo a Estratégia Global", da Bookman, que será lançado no próximo mês, traz um atrativo extra para os brasileiros: o exemplo do futebol para explicar os processos de globalização, já que a internacionalização do esporte ocorre ao mesmo tempo em que o mundo se abre para o capital externo. "Os leitores americanos podem ficar decepcionados, já que me refiro ao que eles chamam de "soccer". Os esforços para popularizar o esporte mais difundido no mundo entre os maiores consumidores do setor, que estão nos Estados Unidos, fortalecem os argumentos que comprovam as diferenças culturais entre os países", afirma Ghemawat. No livro, ele recorda que a expansão do futebol, durante o apogeu do Império Britânico, sofreu uma retração no período das duas guerras mundiais, quando os governos europeus restringiram o intercâmbio de jogadores, retomado apenas no fim da década de 1950. Enquanto isso, os países do Leste Europeu coibiam a saída de seus atletas.

"A situação só mudou nos anos 1990, quando os clubes europeus acabam com essas regras e montam equipes com jogadores de todas as partes do mundo, o que vai se refletir diretamente no aumento da participação de países africanos na Copa do Mundo", diz Ghemawat.

O futebol não serve apenas como metáfora para a globalização. Ghemawat aponta para a necessidade de se obedecer às peculiaridades locais no mundo dos negócios. Em 1999, a Hicks, Muse, Tate & Furst investiu US$ 60 milhões no Corinthians. O time paulista foi campeão mundial de clubes no ano seguinte, mas não repetiu o bom desempenho no Brasil. "Infelizmente para a Hicks, o circuito de clubes brasileiro era tão condicionado pela política e corrupto quanto era cativante o estilo de jogo dos brasileiros", comenta Ghemewat no livro. Em sua opinião, a empresa deixou o Corinthians em 2003, derrotada, principalmente, por haver desprezado as características locais.

"Uma companhia abre filiais no exterior porque foi bem-sucedida em seu país. Por mais que deseje trabalhar seguindo o modelo da sede, terá que se adaptar ao novo ambiente ou acabará derrotada pelas diferenças", diz.

A certeza sobre a validade de seus próprios métodos leva muitas empresas a desprezarem informações importantes sobre os hábitos de outros povos. "A globalização acontece mais como um ato de fé, de autoconfiança, do que de análise. 90% dos gerentes não estudam os hábitos do novo local onde vão trabalhar, acreditando que basta repetir a metodologia empregada em seu próprio país. Se não for pensada uma estratégia diferente, adaptada ao novo ambiente, a empresa pode fracassar, não importando quanto invista no país estrangeiro", afirma Ghemawat. Para ele, o mundo vive uma fase de semiglobalização. Até a conectividade através da internet, afirma, ainda é parcial. Segundo Ghemawat, o Google atinge a apenas 28% do mercado da Rússia e sofre dificuldades para se estabelecer plenamente na China, onde o sistema de censura à informação é oficial.

"A democratização da informação através da internet existe, mas o mundo não estará totalmente integrado amanhã. As melhores estimativas indicam um nível de internacionalização abaixo de 20% na rede", diz Ghemawat. Ele considera um exagero falar em morte da distância com base apenas no trabalho feito em diferentes locais, graças à tecnologia. "Os níveis de integração vêm aumentando de modo geral, mas ainda levaremos décadas nesse estágio de semiglobalização", afirma Ghemawat, que escolheu como epígrafe para um dos capítulos do livro as palavras de Robert Louis Stevenson, escritas em 1883: "Não existem terras estrangeiras. Estrangeiro é o viajante".

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terça-feira, 30 de outubro de 2007

Portal de moda vende roupa de famosos para construir hospitais

Publicado pela Folha Online em 30/10/09

O portal eforpeople.com lançou no último fim de semana a terceira edição da campanha que coloca à venda, a preços reduzidos, roupas e acessórios de grandes marcas em favor de crianças carentes. Segundo os idealizadores do projeto, a renda será revertida para construção de hospitais. [no Brasil, em Salvador!]

A iniciativa, idealizada pela associação Baby nel Cuore, fundada por Simonetta Tugnolli Frabboni, acontece até o próximo mês de abril. Na apresentação do site em Milão estavam presentes personalidades como Leonardo Ferragamo e Ermano Scervino.

A nova edição do portal, criado gratuitamente pela agência do grupo Armando Testa, terá novas seções, como por exemplo uma com peças únicas e edições limitadas (Top Shop) e uma outra onde poderão ser compradas roupas de celebridades (Celebbrities & Friends).

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Banda larga pela rede elétrica: novo cenário para as telecomunicações

Vinicius Cherobino
Publicado pela
Computerworld em 29/10/07

A prometida – e ansiada – chegada da banda larga pela rede elétrica (ou PLC) traz para o mercado redes A2A e cria um novo cenário de telecomunicações no Brasil.

No final de agosto, o COMPUTERWORLD publicou uma reportagem com entrevistas de dois especialistas em banda larga pela rede elétrica com posições antagônicas: um defendia que a tecnologia morreu antes de nascer; o outro dizia que ela viria proximamente.

Ao ouvir quatro das mais representativas concessionárias de energia que estão investindo na tecnologia, um especialista que prestou consultoria à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e um representante desta mesma agência, uma conclusão é óbvia: existe algo por trás da adoção do PLC para as concessionárias de eletricidade. Mais do que isso, o Brasil está vendo nascer uma nova realidade de telecomunicações e poucas pessoas se deram conta disso.

As concessionárias de energia criaram subsidiárias de telecomunicações, investindo milhões para passar um backbone de cabos de fibra ótica de centenas de quilômetros por boa parte de seus estados de atuação, sejam eles Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro ou São Paulo. Isso não é nenhuma novidade.

O fato novo é que, ao fazer isso, essas companhias criaram a base de uma rede multisserviço apoiada em duas infra-estruturas – elétrica e ótica – que podem transportar ofertas como acesso à internet em banda larga, mas também serviços de telefonia, vigilância de segurança, telemedicina, acompanhamento pessoal para idosos e IPTV. Rede que será acessível pelos mais diversos equipamentos, sejam computadores, câmeras ou outros gadgets que precisarão apenas ser conectados na tomada.

A tendência é que as concessionárias oferecerão esse tipo de serviço diretamente, como no caso do acesso à banda larga pela rede elétrica, ou venderão o uso da rede para parceiros interessados – como já acontece hoje com algumas operadoras de telefonia.

E o PLC é a ponta-de-lança desse movimento. Tanto que as companhias de energia elétrica no Brasil estão inaugurando novos projetos da tecnologia que começou a ser investigada em 1999. Hoje, longe dos problemas técnicos das soluções pioneiras, falta muito pouco para o lançamento comercial.

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Brasil tem 4 finalistas entre projetos que usam tecnologia para revolucionar ensino

Publicado pela Computerworld em 29/10/07

No ano passado, quando a final aconteceu na Filadélfia (EUA), o Brasil conquistou a segunda colocação na categoria Inovação em Comunidade do prêmio criado pela Microsoft.

Nesta terça-feira (30/10), a Microsoft anuncia os nomes dos vencedores da etapa mundial da edição 2007 do Prêmio Microsoft Educadores Inovadores. O concurso reconhece os melhores projetos educacionais que utilizam a tecnologia para aperfeiçoar o processo de ensino e de aprendizagem desenvolvidos em mais de 50 países, inclusive no Brasil. Os vencedores serão conhecidos em cerimônia que será realizadah em Helsinque, na Finlândia.

Segundo informações da companhia, na edição deste ano o Brasil será representado pelos quatro projetos vencedores da etapa nacional do prêmio da Microsoft, realizada em São Paulo no dia 29 de agosto. Os brasileiros que disputam a fase final do prêmio são: Projeto Exceleições do Grêmio Estudantil, da Escola Estadual Francisco Ferreira de Freitas de Serra Azul, São Paulo; Projeto Capacitação e uso de tecnologias, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação de Betim, Minas Gerais; Projeto Griot - Contando Histórias, da Fundação Bradesco do Rio de Janeiro, e Projeto CriarLaços, da Escola Professor Urbano Gomes Salgueiro, de Pernambuco.

No ano passado, quando a final aconteceu na Filadélfia, Estados Unidos, o Brasil conquistou a segunda colocação na categoria Inovação em Comunidade, com o projeto "Ler e Escrever? Com o computador".

Desenvolvido por educadores da Fundação Bradesco de Osasco (São Paulo), o projeto propôs um método divertido e ao mesmo tempo desafiador de aprendizado, que aumenta a auto-estima e valoriza o aluno a partir de atividades lúdicas, segundo informações da Microsoft.

Em 2006, o Brasil participou do prêmio com três projetos, além do que ficou com a segunda colocação.

Foram eles: "Revitalização do Córrego Cipoaba", "TICs: Acesso e Qualidade" e "Rompendo Barreiras". Eles concorreram com outros 180 participantes de 35 países. Neste ano, são esperados 200 educadores de mais de 50 países na competição.

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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Ethos debate pesquisa do Ibope sobre percepção da Sustentabilidade e o papel do jornalista na afirmação dessa pauta nas redações de todo o País

Juliana Rocha Barroso
Publicado pelo Setor3 em 17/10/07

No dia 3 de outubro, jornalistas, associados e parceiros do Instituto Ethos – Empresas e Responsabilidade Social foram convidados para um encontro em que conheceriam os resultados da pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) "Sustentabilidade: Hoje ou Amanhã?", sobre a percepção dos brasileiros em relação à Sustentabilidade. O encontro desencadeou um importante debate sobre o papel do jornalista na afirmação desse tema nas redações de todo o País e o futuro das ações do próprio Ethos.

Para iniciar, Ricardo Young, presidente do Instituto, destacou que o encontro faz parte de alguns eventos realizados para trazer temas relacionados a Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Social que estão em debate na sociedade e disseminar essas informações para o público interno. "Neste caso resolvemos fazer uma coisa mais aberta, chamando os amigos jornalistas e alguns associados, justamente porque o tema é muito quente e importante. Porque é quente? Porque o termo Desenvolvimento Sustentável tem sido muito banalizado. Tudo virou sustentável", declarou Young.

Ele contou ainda que ouviu do professor em gestão da Sustentabilidade e consultor Rubens Mazon, que, hoje, um dos grandes desafios da Academia é conseguir sinônimos adequados para Desenvolvimento Sustentável, que continuem passando a idéia original do termo, definida na Comissão Brundtland, como ficou conhecida a Comissão Mundial para Meio Ambiente e Desenvolvimento (WCED – sigla em inglês), de 1987. O relatório Brundtland é o documento intitulado Nosso Futuro Comum, e concebe o termo como "o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades".

Números que provocam
Paula Sória, diretora do Ibope, contou que o tema, Sustentabilidade, foi escolhido não porque está na moda, mas, principalmente, por ser muito pesquisado pelos clientes do Ibope. O estudo foi realizado em duas frentes: uma feita pela internet com cerca de 500 executivos de áreas distribuídas entre serviços, indústria, comércio. Outra, por telefone, junto à população (a partir de 16 anos), com uma amostra de mil casos.

Revelou que quando se fala em Sustentabilidade, vários outros termos são citados: Empreendedorismo Social, Desenvolvimento Sustentável, Responsabilidade Empresarial, Responsabilidade Socioambiental, Responsabilidade Social, Economia Sustentável, Empreendedorismo Social... "É um pouco de tudo e ninguém tem uma imagem muito clara. Percebemos uma grande confusão."

A diretora destacou que pesquisa revelou que o que faz a diferença para um executivo, para uma organização, é o ser estratégico, mas isso ainda se coloca distante das motivações das empresas. 31% dos executivos disserem que suas empresas têm ações de sustentabilidade para agregar valor à imagem. 18% apontam que isso faz parte da missão da empresa. 13% porque tem consciência de que precisa fazer algo pela sociedade, 9% disseram que as ações são feitas para obter isenções tributárias, 8% para a autopromoção e 7% porque a empresa sente-se socialmente cobrada.

"E vimos que o cidadão percebe. 46% deles acreditam que as marcas que fazem algo pela sociedade e pelo meio ambiente o fazem somente como ação de marketing. Para 31%, a maioria das empresas monitora o impacto ambiental de suas atividades. E aqui é um ponto importante porque eu tenho 1/3 da população falando que as empresas estão monitorando e, conseqüentemente, eu, cidadão, não preciso me preocupar muito com isso. A gente começa a ver uma certa sensação de delegar", disse Paula.

Quase 1/3 dos executivos disseram que é inexistente a divulgação sistemática das práticas de sustentabilidade da organização para clientes, fornecedores e funcionários.

Foi avaliada a diferença entre o discurso e a prática. O resultado é que apesar de nos últimos anos a Responsabilidade Social ter ganhado maior projeção, a expectativa de investimentos não mudou. Como resposta dos cidadãos: 92% acham que separar lixo para a reciclagem é uma obrigação do cidadão, mas apenas 30% separam o lixo para reciclagem em casa, por exemplo.

Segundo Paula, a percepção de pertencer a um ecossitema e de que sua atuação tem impactos na sociedade, no meio ambiente e nos seus negócios faz falta no discurso do cidadão e do próprio executivo. "Sentir-se responsável e respeitar o outro são conceitos pouco introjetados e que ainda tem um longo caminho a percorrer nas organizações e também para o cidadão."

Brasil brasileiro
A imagem do País também foi alvo de perguntas na pesquisa. Os resultados foram comparados pela diretora do Ibope com os de uma pesquisa realizada em 2005, com o mesmo questionamento e revelou outro ponto dissonante entre cidadão e executivos. Para os últimos, a imagem do presidente Lula é bastante negativa e piorou em relação a 2005. Os executivos citaram termos como inexperiente, despreparado, perdido; ineficiente; incompetente; não confiável; não cumpre o que promete; falso e dependente. Essa é a mesma opinião das classes A e B, enquanto os mais pobres tem uma imagem positiva.

Os aspectos positivos de 2005 estão perdendo força: nacionalista (de 47% para 28%), preocupado com o social (de 46% para 35%), bem intencionado (de 52% para 31%). Mas o que chamou mais a atenção é que enquanto em 2005 38% citaram aspectos positivo, em 2007, nenhum dos entrevistados citou um aspecto positivo.

Ela concluiu que este cenário contribui para uma percepção negativa do Brasil, principalmente entre os executivos. "A gente percebe que existe uma aceitação de que as coisas vão piorar, ou seja, AIDS, Educação, Meio Ambiente, Corrupção, Justiça, Saúde, Crimes e Impostos têm para os executivos uma tendência muito forte de piorar. E problemas crônicos como pobreza, moradia, segurança, drogas, violência na TV, continuam com níveis graves, porém sem grandes alterações."

Os cidadãos são mais otimistas. Em um comparativo entre o País e uma empresa que poderia ser sustentável, os cidadãos têm uma visão mais positiva: 59% deles acreditam que o Brasil seja um país de sucesso, 51% que o País investe no desenvolvimento econômico; 53% que investe no desenvolvimento social e 38% que preserva o meio ambiente.

Para ela, o contexto político atual dificulta a percepção da importância da responsabilidade socioambiental. "A gente sabe que mudanças no consumidor são fundamentais para desencadear ou fortalecer transformações nas empresas. Neste momento, os cidadãos necessitam de mais informações."

Debate aberto
Os dados apresentados por Paula levaram Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo do Ethos, e Ricardo Young a comentarem os desafios, dilemas e oportunidades que as informações da pesquisa trazem para o movimento da responsabilidade social empresarial e para o conjunto da sociedade brasileira.

Ricardo Young abre com três observações:

"Desde 2006, a agenda ambiental se acelerou e a social se inibiu. Nós podemos ver a pouca presença da apreciação das questões sociais na pesquisa como um todo, como se o desenvolvimento sustentável não tivesse como pressuposto a questão da inclusão social, que é fundamental. Acho que essa questão está sendo muito desfocada. Isso é preocupante."

A segunda coisa preocupante: "É uma descrença generalizada nas instituições. O Brasil, em 2010, completa o maior período democrático desde a declaração da república. O único período tão extenso de democracia sem interrupções que nós tivemos foi de 1945 a 1964. Então nós completaremos vinte anos de exercício democrático. Evidentemente que nós estamos numa curva de aprendizado enquanto sociedade em relação aos nossos compromissos, o exercício da cidadania. Mas, por outro lado, é muito preocupante ver a deterioração da crença que a elite brasileira tem principalmente em relação às instituições democráticas, aquelas que deveriam ser os pilares da democracia."

E por fim a terceira: "Quando vemos a diferença da visão do futuro do Brasil entre cidadãos e executivos, lembro muito de um artigo histórico do Carlos Lessa, que foi publicado no jornal Valor Econômico, acho que no final de 2005, em que ele questionava duramente a elite brasileira, que a partir do momento em que se torna elite se desapega da sua condição de brasileiro e se projeta nos países desenvolvidos. Ele pergunta neste artigo como pode uma elite que se espelha nos países desenvolvidos se responsabilizar e assumir a sua cota e responsabilidade de obrigação na construção e na liderança do enfrentamento aos grandes obstáculos à construção da democracia. É um artigo histórico, muito bem fundamentado e que coloca a gente um pouco em cheque. Quer dizer, o cidadão apesar de ter um pessimismo e estar até mais exposto a várias das coisas que foram mostradas na pesquisa, continua acreditando no País e a elite empresarial, que tem uma responsabilidade na liderança dos processos, na formação de opinião, na influência de hábitos, modelos e valores, não acredita no País. Esse é um aspecto da pesquisa que eu acho bastante preocupantes."

Oded Grajew relembra o lançamento do Instituto Ethos, em 1998, que contou com a presença de jornalistas. "O nosso objetivo, nossa maior preocupação era explicar o que se tratava essa tal Responsabilidade Social Empresarial. Naquela época, nem o termo existia. Explicar que não era filantropia, assistencialismo, que era gestão, que implicava na relação da empresa com todos os seus públicos. E esse era o nosso maior desafio, explicar o conceito. E acho que o conceito hoje é entendido. Outra coisa é ser praticado." E como Young, Grajew sinaliza preocupações com o risco de apropriação indevida dos conceitos e valores, deturpando seus sentidos. "Outro dia minha mulher estava ouvindo o rádio, em que uma entidade religiosa dizia o seguinte: democracia é isso, cada um fazendo a sua parte. Faça a sua. Contribua com a igreja... Isso é democracia? Renan Calheiros também fala de ética no Senado."

Para Grajew, a elite brasileira é, em geral, omissa. "Eu faço parte do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Falo do Renan, da corrupção e até do presidente. Depois todo mundo me cumprimenta, mas na hora H ninguém abre a boca, ninguém fala, ninguém se coloca. E lá tem 100 pessoas que são escolhidas como parte da elite brasileira. Não existe apenas a elite empresarial, tem a elite sindical e a elite da sociedade civil. Acho que essa pesquisa dá sinais para a gente, mostra que temos que tomar consciência. Alguma coisa diferente tem que ser feita: mais coragem, mais contundência, mais articulação, outro tipo de ação, porque, na verdade, a mídia e nós deixamos rolar essas deturpações. Sustentabilidade acaba sendo apropriado por todos e acaba querendo dizer nada ou dizer tudo. Eu acho que é um momento de radicalizar, e radicalizar significa ir às raízes. E as raízes de onde estão os problemas."

Confira mais trechos do debate:


Amélia Gonzalez (editora do Razão Social): Até que ponto a mídia é responsável por este pessimismo dos cidadãos, deixando as coisas boas em pequenos espaços ou deixando muitas delas de fora?

Oded Grajew: A mídia tem sido o grande baluarte hoje de combate à corrupção, o que é uma distorção, porque você tem o Poder Judiciário, a Controladoria Geral da União, mas a mídia, sob este aspecto, está sendo muito positiva. O Judiciário brasileiro sempre corre atrás da mídia. Vários jornalistas realmente comprometidos com a responsabilidade social têm dificuldade mesmo de colocar isso de uma forma correta. Existe uma tendência de passarem pautas de filantropia. Acho que batalhamos muito para mudar essa visão, a fim de que as redações falem mais de responsabilidade social. Eles falavam que isso não vende. Há alguma dificuldade em denunciar determinadas coisas para não entrar em conflito com a área comercial. É o que muitos jornalistas contam para a gente nas conversas. Inclusive, se estamos falando em responsabilidade social, um veículo de mídia é uma empresa e também devia aplicar os indicadores, fazer balanço social. O mesmo em relação à responsabilidade social interna, na relação com o funcionário, em toda aquela agenda. Empresa é empresa. Esse estado de coisas é fruto de desinformação ou de informação errada. E a mídia tem um grande poder de mobilização e de formação.

Amália Safatle (editora da revista Página 22): Se as empresas associadas ao Ethos tiveram acesso a essas informações, como é possível fazer algum trabalho para que todo esse discurso se transforme em prática? Como é o trabalho do Ethos em relação a isso?

Ricardo Young: Ainda bem que você, Oded, fez essa colocação, porque acho que a palavra que você usou na primeira fala sua fracassamos é muito forte. Inclusive vou propor para vocês do Ibope uma nova pesquisa, usando essa mesma referência de perguntas, entre as empresas socialmente responsáveis ou que adotam os indicadores Ethos ou GRI (Global Reporting Initiative). Fazer essa mesma pesquisa nesse universo e ver como responde. A agenda da responsabilidade social fez avançar toda uma consciência que provavelmente não foi totalmente expressa no corte da amostragem que vocês fizeram. Não fracassamos. Estamos muito longe de cumprir nossa missão, o que é outra coisa. Estamos num processo que ainda não foi capaz de reverter uma tendência inexorável, a insustentabilidade, ao combate de todos estes males. Mas não há dúvida de que estamos hoje melhores do que estávamos há cinco anos. Essa discussão toda de aquecimento global, meio ambiente, sustentabilidade obedece uma curva exponencial, e nós conhecemos isso, porque o próprio processo do Ethos foi exponencial. No primeiro ano 11 associados, no segundo ano 60 e assim por diante. Acredito que você tem toda razão quando diz que precisamos radicalizar. A imprensa também tem que radicalizar.

Adalberto Marcondes (diretor responsável da revista digital Envolverde): Os indicadores da economia são todos positivos. No entanto, os executivos, que são os beneficiados e os beneficiários desse momento econômico, avaliam para o País com um olhar muito negativo. Isso me traz uma certa esquizofrenia, porque quem se beneficia acha que não está bom e quem ainda estão precisando galgar degraus no desenvolvimento social, que é a população, principalmente os mais pobres, são os que dizem que as coisas estão boas. Outra coisa, não existe um vínculo entre a responsabilidade social e a sustentabilidade da empresa e seus processos de comunicação e de financiamento à informação para a sociedade. A pesquisa também mostra que a sociedade tem uma demanda por informações nesta área, não suprida. No entanto, veículos como a revista Agenda 22, o caderno Razão Social, a Envolverde, e outros, que estão trabalhando a questão da responsabilidade social e da sustentabilidade de uma forma efetiva não recebem verbas publicitárias. Não há juízo de valor entre a informação e o que a verba publicitária financia para a sociedade. E aí eu faço uma provocação: não está na hora do Ethos chamar este pessoal que decide essas verbas e que financia a informação para a sociedade para conversar? Fazendo a intermediação e mostrando que existe uma necessidade de informação?

Paula Sória (Ibope): Os executivos vêem com muito otimismo a economia no Brasil e os investimentos externos que estão sendo feitos no Brasil. Então está parte é super coerente. O pessimismo gira em torno de tudo que é mais vinculado à ética e à questão social no Brasil. Isso realmente apareceu de uma maneira muito forte, uma descrença e um crescimento muito grande. Esta questão entre a elite e população em geral a gente vê isso em todas as pesquisas seja de mercados, seja de produtos, enfim, em qualquer tipo de serviço que a gente avalie, sempre as classes mais altas avaliam de uma forma mais crítica e aqui acontece a mesma coisa. Quando a gente está falando com os executivos, estamos falando com menos de 1% da população e comparando com algo em torno de 45% da população brasileira. Então é normal que exista essa discrepância.

Ricardo Young: Acho que a esquizofrenia é ótima porque mostra a incerteza e a falta de convicções, seja no plano ideológico, no plano mesmo dos valores e das práticas. Mostra claramente um momento de transição, quer dizer, a sociedade passa a compreender que verdades absolutas estão indo por terra e é necessário construir um outro caminho. Como se constrói esse novo caminho ninguém sabe. A esquizofrenia mostra que as certezas absolutas estão sendo colocadas em cheque. A pergunta seguinte é qual a capacidade de polarização e de discussão que a sociedade vai ter para fazer avançar a agenda na direção do desenvolvimento sustentável. Um segundo ponto é a coerência entre a consciência e a prática.

Nós não vamos acelerar o processo de transformação sem o engajamento da universidade, da mídia, das empresas socialmente responsáveis e da sociedade civil organizada. Essas são as quatro forças aglutinadoras da energia cidadã, da participação cidadã que podem fazer a diferença.

Para ter acesso a pesquisa clique aqui ou acesse o site do IBOPE.


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Artigo de Especialista em Desenvolvimento Local explica a importância da atuação do gestor social na sociedade atual

Vilma Ambrósia Jurevicius*
Publicado pelo
Setor3 em 17/10/07

Pensar o papel do Gestor Social no Brasil nos faz refletir sobre a construção histórica da democracia e a entender a participação do cidadão nesse processo.

O gestor é um promotor da cidadania, independentemente do público ou causa em que ele está atuando. Reafirmar constantemente seu papel é fundamental entendendo que a localidade pode ser o maior campo de atuação para empreender mudanças sociais significativas.

O processo de participação das pessoas em nossa sociedade foi incentivado ou reprimido com maior ou menor ênfase, de acordo com o cenário político da época e os interesses econômicos vigentes. Atualmente os efeitos da globalização e do mercado aumentam a concentração de renda e a exclusão social.

Na contramão, está o "setor cidadão" que acredita na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, democrática e participativa. Passa-se a crer no sonho, na utopia de um mundo equânime, no empoderamento de um grupo de pessoas que acreditam que essa mudança local pode interferir globalmente nas grandes discussões que afetam em maior ou menor grau a coletividade.

O que nos afeta individualmente, afeta o coletivo e vice versa. Participar, assumir nossas responsabilidades e reconhecer nossos direitos é contribuir para a consolidação da democracia.

É expressiva a diferença entre as cidades, comunidades, localidades onde a participação das pessoas acontece e outros locais em que residem velhas formas de organização e os efeitos de colonização do nosso país.

Essas últimas são localidades que dão a impressão de abandono, cidades vocacionadas que com o tempo perderam sua identidade. As pessoas que nelas habitam parecem adormecidas, inoperantes. A mesmice impera e elas crêem que nada podem mudar em suas vidas, em suas casas, na vila. Passivamente esperam que algo mude, ou alguém possa fazer a mudança com fórmulas mágicas. A mágica reside exatamente na crença de que pessoas podem com objetivos comuns operar mudanças significativas.

Vemos a clara diferença em localidades onde uma parcela significativa da sociedade participa, como na Comunidade Heliópolis, onde o líder comunitário, o arquiteto, o empresário, o maestro, vários profissionais das artes, jornalistas e cidadãos comuns estão engajados organizando seus espaços, rádios comunitárias, lavanderias comunitárias, centros de geração de trabalho e renda com parcerias de multinacionais. O trabalho avança, a comunidade se apropria cada vez mais dos espaços e mudanças significativas acontecem.

A solução em nossas mãos
Não podemos isentar o papel do Estado em qualquer âmbito, mas exigir que ele cumpra sua parte como prestador de serviço público. Os cidadãos têm as soluções para seus problemas e é preciso romper com a inversão que muitas vezes se pretende de que as ONGs nasceram para cumprir o papel do Estado.

O terceiro setor surgiu a partir de pessoas que abraçaram causas, cansados de testemunhar a incompetência do Estado. Essa área apareceu para enfrentar os problemas, organizar a sociedade civil, mas não para substituir ou atuar no lugar do Estado. Governo, empresas e a sociedade civil precisam atuar juntos, cada um cumprindo o seu papel.

Vivemos uma realidade onde milhões de pessoas não conseguem exercer plenamente a sua cidadania e a democracia ainda precisa ser conquistada para esse grande contingente de pessoas excluídas.

Mais uma vez, o gestor social pode contribuir na promoção da dignidade ou da cidadania, ter clareza que democracia é o ponto de partida para garantir a participação das pessoas em todas as discussões, em todas as áreas.

Identificando as causas e procurando agir com os diversos setores da sociedade, os cidadãos podem influenciar na aplicação de políticas públicas enquanto o Gestor social, empenhado em buscar o cumprimento da missão organizacional, tem como maior desafio obter efetividade nas ações.

Se a missão é contribuir para erradicar a evasão escolar, por exemplo, é fundamental ter uma proposta político pedagógica que consiga envolver o público alvo, com a atuação de profissionais e pessoas comprometidas com a causa da organização.

Pensar coletivamente é assumir que a evasão escolar não se restringe a um problema da escola ou do projeto social, mas é característica de crianças de uma dada localidade, uma causa que também é da escola, dos conselhos de direitos, de programas de amparo à família, do posto de saúde. Enfim, é de todos nós.

Tecido Social
Mas como trabalhar coletivamente de forma democrática e participativa? Desenvolvendo o trabalho em rede e estabelecendo parcerias que formam o tecido social para renovar e consolidar as ações que geram impacto social.

O que a maioria das pessoas faz é agir individualmente no imediatismo. Ainda há gestores de organizações que trabalham de forma isolada, sem efetividade, sem ressonância. Já ouvi depoimentos como: ter a impressão de estar enxugando gelo, apagando incêndio o tempo todo, os problemas se avolumam e nada modifica.

As dificuldades são muitas e complexas em um cenário onde o descrédito das instituições é cada vez maior. Outro desafio é conscientizar e sensibilizar os atores locais para o protagonismo individual e coletivo.

O sentimento do gestor de impotência no enfrentamento da pobreza econômica, política, étnica, cultural e social existente tem exigido uma postura de ruptura com velhas formas de atuação e a necessidade de atuar cada vez mais integrado, em rede. Para isso, há um resgate de valores como solidariedade, colaboração e história, pois nos remete a entender como alguns grupos sociais se organizaram e se desenvolveram, formando comunidades de projetos e de aprendizagens.

O Gestor Social pode ser o protagonista da formação da Rede, assim como qualquer cidadão comprometido pode adotar a metodologia do trabalho em rede, mobilizando e articulando as pessoas, grupos representativos de cada segmento. Juntos discutirão uma agenda de prioridades, destinação de recursos e ações para enfrentamento dos graves problemas sociais, ambientais, educacionais, econômicos de geração de trabalho e renda que afetam sua localidade.

Nas incursões pelas periferias deste país vemos pessoas de boa vontade contrariando a lógica das coisas, realizando projetos criativos que oferecem oportunidades.

O nosso país é muito jovem, tem muito por fazer. Paulatinamente, O Brasil vem consolidando importantes processos como o de romper com antigas formas de coronealismo, clientelismo, assistencialismo, centralização do poder.

Não vamos nos acostumar com as injustiças sociais que impedem a grande parcela da população de ter cidadania plena e se consolar com o sentimento de impotência. Qual o legado que estamos deixando para as futuras gerações? Qual a lição de cidadania que estamos passando para os nossos jovens? Qual o protagonismo juvenil estamos fomentando?

"Nunca duvide de um pequeno grupo de pessoas conscientes e engajadas possa mudar o mundo; de fato, sempre foi somente assim que o mundo mudou". (Fritjof Capra)

*A autora do texto pedagoga especialista em Desenvolvimento Local pela Organização Internacional do Trabalho em Turim, pós-graduada em Gestão do Terceiro Setor. É especialista em Treinamento e Técnicas de Aprendizagem pela John Hopinks University e colaboradora do Senac São Paulo há 6 anos nas áreas de desenvolvimento social, Redes Sociais e Capacitação de Gestores.

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Yes, nós temos governança

Danilo Fariello
Publicado pelo
Valor Online em 29/10/07

Algumas das empresas da América Latina com melhores práticas de governança corporativa decidiram assumir a responsabilidade de ser um canal de comunicação pelo mundo afora para mostrar o valor do mercado local. O Círculo de Companhias da Mesa-Redonda Latino Americana de Governança Corporativa - que conta com 14 empresas de cinco países da região para disseminar procedimentos responsáveis para as outras empresas - resolveu agir como intermediário entre empresas daqui e agências que avaliam a governança local, situadas principalmente nos EUA. A iniciativa é uma forma de melhorar a visão dos estrangeiros sobre as empresas da AL e, por conseqüência, aumentar a vazão de recursos para cá.

O resultado recente mais espantoso para as empresas foi a última edição do ranking dos mercados divulgado no mês passado pela Governance Metrics Internacional (GMI), que coloca o Brasil na 39ª colocação em uma lista de 50 países segundo a governança, atrás de México, Rússia e Venezuela. O grupo acredita que as agências de ratings de governança avaliam as empresas da região sob a ótica estrangeira, sem considerar as peculiaridades e os avanços das empresas da AL. "As agências começaram a olhar para a região no ano passado e ainda usam uma lente única, em que predominam os assuntos de lá", diz Sandra Guerra, coordenadora do Círculo das Companhias.

Um dos exemplos citados na reunião anual do grupo, que ocorreu neste mês em Medellín, na Colômbia, é a diferença da estrutura societária das empresas da região e as americanas. Como lá a maior parte das empresas tem o controle pulverizado, as agências de rating de governança olham muito para o compromisso e remuneração dos administradores, mas aqui é diferente, com muitos grupos de acionistas majoritários. Isso muda totalmente a análise da governança da empresa, diz ela. "E um bloco de controle não é necessariamente negativo, pois tem a virtude de um dono vigilante, por exemplo."

As empresas que fazem parte do Círculo de Companhias são Argos e ISA, da Colômbia; Atlas, da Costa Rica; Buenaventura e Ferreyros, do Peru; Homex, do México - recém-ingressa, acrescentando mais um país ao grupo -; e CCR, CPFL Energia, Embraer, Marcopolo, Natura, Net, Suzano e Ultrapar, do Brasil. O grupo foi formado por uma iniciativa do Banco Mundial, seu braço financeiro, o International Finance Corporation (IFC), e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O senso comum entre as empresas do grupo, acostumadas a lidar com investidores de grande porte, é que a escolha das empresas para aplicar será cada vez mais pautada por aspectos de governança, em paralelo à previsão de crescimento das próprias ações, diz Sandra. "Se os resultados são vistos superficialmente, isso poderá prejudicar a decisão de investimento", diz ela, relatando opinião do grupo.

Só agora começamos a ter questões de governança comparáveis ao exterior, comenta Marco Geovanne, presidente da comissão Internacional do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri). "Não me estranha a colocação brasileira nesses rankings, porque equilíbrio entre poderes de acionistas, transparência, prestação de contas, responsabilidade social e mesmo o próprio Ibri - com dez anos - são fatos ainda recentes no país."

Geovanne lembra, ainda, que o mercado brasileiro tem algo que prejudica a avaliação e com razão muito justa: a existência des ações preferenciais, que não dão direito a voto. "Com pouco mais de 25% do capital social você controla uma empresa aqui e isso não é comum lá fora, porque fere o preceito de eqüidade entre os acionistas."

Apesar da abordagem genérica internacional - o GMI avaliou 44 empresas brasileiras para dar os pontos e a colocação de 39º ao Brasil - e de o Brasil ter muito a avançar, o país conta com empresas com aspectos de governança superiores a diversas companhias do primeiro mundo, diz Geovanne. Ele destaca que os EUA conquistaram o nível atual a duras penas, após as crises de gigantes como Enron e Worldcom e a conseqüente promulgação da Lei Sarbanes-Oxley, que elevou os critérios mínimos de governança.

Os ratings de governança corporativa ainda são pouco usados em comparação àqueles de risco de crédito, mas tendem a ganhar importância conforme se amplie o consenso em torno dos critérios. Além da GMI, também fazem estudos similares no mundo, atualmente, a RiskMetrics e The Corporate Library. A internacional Standard & Poor's já considera critérios de governança corporativa como um dos elementos avaliados no rating de crédito. É nessas portas que o Círculo das Companhias deverá bater para explicar as diferenças do mercado regional em relação ao internacional. No Brasil, a única empresa a fazer análise de governança é a Austin Rating, que concedeu nota AA ao Bradesco, primeira companhia no Brasil a divulgar sua classificação.

A tendência do mercado, porém, é de universalizar os critérios de avaliação de governança, diz Sandra, mas por enquanto os pesos e medidas conforme a região ainda são muito diferentes. "As práticas de governança e sua avaliação tendem a ser harmonizadas em níveis internacionais", acrescenta Geovanne, do Ibri. Mas isso não exclui a necessidade de as empresas avançarem em governança.

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