sexta-feira, 24 de agosto de 2007

JBIC financia projetos que gerem créditos de carbono

Bettina Barros
Publicado pelo
Valor Online 24/08/07

Richard Bird, do Unibanco: idéia é engordar a carteira de project finance
Foto Anna Carolina Negri / Valor

O Unibanco fechou convênio com o JBIC (Banco do Japão para Cooperação Internacional) para a criação de uma linha de financiamento exclusivo para projetos envolvendo a comercialização de créditos de carbono no Brasil.

É a primeira linha que o banco japonês fecha com essa finalidade no Brasil. O acordo disponibilizará um total de US$ 50 milhões, com prazo de até 12 anos.

O Japão está entre os três maiores emissores de gases que provocam o superaquecimento do planeta - em 2005, o país emitiu 8% a mais de gases-estufa que os níveis de 1990. Pelas regras do Protocolo de Kyoto, deveria estar diminuindo as emissões para que, até 2012, elas estejam 5% inferiores em relação aos níveis de emissão de 1990. Na prática, o país ainda tem uma diferença de 14% a ser cumprida.

Além de fazer o dever de casa, as empresas japonesas podem comprar créditos de carbono em países em desenvolvimento, através dos chamados projetos MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), previstos em Kyoto.

"O Brasil é visto como mercado potencial nesse setor", disse ao Valor Kaname Nakano, diretor-geral do JBIC, um dos três representantes do banco que vieram a São Paulo para a assinatura do protocolo com o Unibanco. "O país tem uma variedade de setores para serem explorados e expertise no desenvolvimento de projetos de MDL", acrescenta.

O Brasil tem hoje 232 projetos de MDL, que deverão deixar de emitir 204 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) - por convenção, cada tonelada de carbono equivale a um crédito.

A condição fundamental para se ter direito à linha é vender os créditos de carbono para compradores japoneses. O JBIC entra com o dinheiro, o Unibanco com sua carteira de clientes e a prospecção de novos mercados. O Japan Carbon Fund, também do governo japonês, faria a ponte entre vendedor e comprador.

Apesar de não ser uma condição exigida pelo JBIC, o financiamento também é visto como uma oportunidade para negócios do ponto de vista de interesse nipônico - além de comprar os créditos, os japoneses poderiam ser fornecedores ou compradores de produtos gerados pelos projetos, por exemplo.

Segundo Richard Bird, superintendente da área de bancos correspondentes e relacionamento com multilaterais do Unibanco, cerca de 30 projetos assessorados pelo banco estariam aptos ao financiamento. "Boa parte tem elegibilidade. Mas a idéia é atrair novos clientes, sobretudo em project finance", diz ele. A palavra final sobre a aprovação de um projeto de MDL é do JBIC.

O MDL é um de sete setores estudados pelo "Wise Men Group", grupo formado por representantes do setor privado do Brasil e Japão para o desenvolvimento conjunto de negócios.

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Reduzir emissões de gases custará US$ 200 bi ao ano

Assis Moreira
Publicado pelo
Valor Online 24/08/07

Com as emissões de gases-estufa em alta, serão precisos investimentos adicionais de US$ 200 bilhões anuais até 2030 para reduzir os níveis aos atuais, segundo estudo da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC na sigla em inglês).

O Brasil precisará investir US$ 13,5 bilhões a mais por ano para melhorar a eficiência energética na indústria, agricultura e outros setores, sem contar o capital necessário para combater o desmatamento da Floresta Amazônica.

A ONU calcula ainda que US$ 9,8 bilhões a mais serão necessários por ano para geração de energia, principalmente renovável, no país. Para melhorar os transportes, a previsão é de outros US$ 2,2 bilhões, quase tudo na produção de etanol. A indústria nacional deverá desembolsar US$ 614 milhões a mais para melhorar a eficiência energética. Outros US$ 400 milhões serão necessários para tornar os prédios ecologicamente mais eficientes.

O Brasil, um dos maiores produtores agrícolas mundiais, deverá gastar US$ 550 milhões a mais por ano somente para cortar emissões no setor.

Em todo o mundo, a ONU estima que US$ 148 bilhões de um total projetado de US$ 432 bilhões anuais de investimentos devem ir para geração de energia renovável. O setor de transporte precisará de mais US$ 88 bilhões, sendo 10% para produção de biocombustível. A indústria necessitará de US$ 36 bilhões para melhorar a eficiência energética; a agricultura, mais US$ 35 bilhões; e o setor de construção, outros US$ 52 bilhões. Entre US$ 35 bilhões e 45 bilhões ainda serão necessários para o desenvolvimento de novas tecnologias.

A divulgação do estudo provocou polêmica, ontem, quando o secretário-geral da UNFCCC, Yvo de Boer, defendeu que os países ricos sejam liberados de cortar suas emissões, se pagarem as nações em desenvolvimento para fazerem isso no lugar delas.

Grupos ecológicos retrucaram dizendo que a idéia vai contra os objetivos definidos pela própria ONU para os países industriais - principais responsáveis pela mudança climática - contribuírem mais para atenuar seus efeitos.

Mas Boer insiste que os países em desenvolvimento, no rastro de sua rápida expansão econômica, precisarão da parte maior de investimentos para combater o problema. E enquanto o fluxo de investimentos para essas economias é estimado em 46% da necessidade global, ele acha que a redução de emissões por esse grupo deve ficar em 68% da redução total.

Boer insistiu na importância do mercado de carbono, que permite aos países industrializados investir em projetos de desenvolvimento sustentável nos países pobres e assim gerar crédito de corte de emissões. No ano passado, as atividades do Clean Developmento Mechanism (CDM) geraram investimentos de US$ 25 bilhões, segundo o estudo.

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Governo vincula defesa de CPMF a gastos sociais para obter aprovação

Paulo de Tarso Lyra e Arnaldo Galvão
Publicado pelo
Valor Online em 24/08/07

Mantega aos empresários reunidos em seminário do setor de infra-estrutura: "A CPMF não é tão ruim como se diz. É fácil de ser paga. A gente vai lá e pega"
Foto Uéslei Marcelino/Folha Imagem

Pressionado pelos aliados que pedem cargos e pela oposição e empresários que querem o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o governo quer mudar o enfoque do debate da CPMF: ao invés de defender a prorrogação como uma questão de equilíbrio fiscal, o Planalto vai passar a dizer que, sem ela, ficam ameaçados o Bolsa Família, os recursos para o SUS e a aposentadoria de quase um milhão de brasileiros. Um estudo preparado pela Secretaria de Orçamento e Finanças do Ministério do Planejamento e apresentado há duas semanas ao presidente Lula tentará sustentar esta argumentação. Mostra que, em quatro anos, o governo federal investiu, graças à CPMF, R$ 91,6 bilhões em Saúde, Previdência e Combate à Pobreza.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, contrariou em parte esta orientação, apesar de, provavelmente, ter participado de sua definição, ao falar aos empresários reunidos em seminário do setor de infra-estrutura. Disse que a prorrogação da CPMF é um dos cinco desafios para expandir o potencial de crescimento do país. E enalteceu a facilidade de arrecadação do tributo. "A CPMF não é tão ruim como se diz. É fácil de ser paga. A gente vai lá e pega", ensinou Mantega.

O documento do Ministério do Planejamento começou a ser encaminhado ontem à tarde aos líderes da base aliada, sob o título: "uma contribuição solidária da sociedade brasileira para combater a pobreza e reduzir a desigualdade social no país". O texto busca induzir os aliados a pensarem que, sem a CPMF, todas as ações sociais do governo Lula estarão irremediavelmente perdidas. No campo da Saúde, o documento mostra que, entre 2003 e 2006, foram investidos R$ 46,6 bilhões de recursos da CPMF em Saúde, dos quais R$ 32 bilhões destinados ao SUS. "O SUS é o único acesso à saúde para 80% da população brasileira", alerta o documento.

O estudo prossegue afirmando que a CPMF deve investir R$ 7,5 milhões no Bolsa Família, o que representaria 88% dos recursos do programa, beneficiando 9,6 milhões de famílias ou 40 milhões de pessoas. Já no caso da Previdência, "o maior programa social do país", a CPMF asseguraria o pagamento de benefícios mensais para quase um milhão de pessoas.

"O governo precisa se empenhar para passar dados e argumentos aos partidos da base", defendeu o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). "A CPMF tem papel estratégico no financiamento de todos os nossos programas de assistência social", prossegue o petista.

Essa falta de visão política, na opinião de um senador aliado, permitiu que o Planalto fosse chantageado pelo PMDB e por outros partidos da base desde que a PEC da CPMF chegou ao Congresso. A chantagem começou durante a tramitação da matéria na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. O Planalto foi obrigado a nomear Luiz Paulo Conde para a presidência de Furnas em troca do relatório favorável do pemedebista Eduardo Cunha (RJ).

A emenda tramitará agora em uma Comissão Especial, mas a troca de favores está longe de terminar. "Ninguém gosta de votar matérias antipáticas ao povo. Quem apóia aumento de imposto? Essa tarefa de convencimento fica ainda mais difícil porque o governo não distribui os cargos que promete aos aliados", explicitou um líder da base aliada na Câmara.

Durante a reunião do Conselho Político de ontem, os líderes dividiram-se quanto à conveniência de se encaminhar neste momento a proposta de reforma tributária ao Congresso. A equipe econômica pretende enviar o texto em meados de setembro. "Não seria mais prudente mandar depois para não parecer que só queremos garantir a prorrogação da CPMF?" ponderou a líder do governo no Senado, Roseana Sarney (PMDB-MA).

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Auto-regulação prevalece na Europa

Assis Moreira
Publicado pelo
Valor Online em 24/08/07

Angela Mills, diretora executiva do European Publishers Council, gastou muito tempo para convencer o Parlamento e a Comissão Européia a não impor regras de conduta para jornalistas financeiros, na elaboração da Diretriz sobre Irregularidades de Mercado - que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) quer adotar no Brasil.

Ela nota que o texto final de 2003 introduziu um conjunto de regras aos quais os jornalistas devem estar "conscientes", mas criou salvaguarda para "a maioria das atividades jornalísticas". Boa parte dos governos delegou a implementação das exigências a imprensa pelo meio de auto-regulamentação. Assim, os repórteres seguem seus próprios códigos de conduta "equivalentes" a diretiva.

No entanto, o balanço de Mills é incisivo. Ela considera que o texto europeu representa "uma nova e indesejável intrusão na liberdade editorial na União Européia".

Muito depende da atitude dos governos e sua interpretação da diretiva. Exemplifica com um caso recente na República Checa, que está sendo contestado na justiça, pela qual as autoridades pediram a condenação de um órgão de imprensa que "fez um simples erro" de informação financeira.

Nesse cenário, ela vê o persistente "perigo" de a autoridade regulamentadora e os governos exigirem conformidades tão severas sobre publicações envolvendo os mercados financeiros, que leve jornalistas a se auto-censurarem pelo temor de violar a regulamentação.

Adotada pela UE em janeiro de 2003, a Diretriz sobre Abuso de Mercado tem como alvo o uso de informação privilegiada e manipulação de mercado. Proíbe a toda pessoa que detém uma informação privilegiada de usá-la, de comunicá-la a outra pessoa fora de seu ambiente de trabalho e de recomendar aquisição ou venda do papel. Depois de muita pressão, a Comissão Européia aceitou diferenciar a situação de jornalistas, desde que eles revelem qualquer conflito de interesse a seus editores que poderia deliberadamente levar a manipular o mercado para ganhos pessoais. Jornalistas agindo ilegalmente não têm nenhum privilégio especial.

Os governos tiveram quatro anos para implementar a diretiva em suas leis nacionais. Angela Mills estima que os casos de abuso de mercado e "insiders" por jornalistas tem sido muito poucos e "tratados corretamente". Mas o recente caso na República Checa alimenta temor entre certos jornalistas de que a diretiva pode asfixiá-los, dependendo de como é interpretada.

O EPC acompanha agora a discussão desencadeada pela CVM no Brasil. A entidade foi criada em 1991 precisamente para avaliar o impacto de uma proposta de legislações européias para a imprensa. Reúne presidentes e principais executivos das maiores empresas de comunicações da Europa, incluindo jornais, revistas, televisão, rádio e internet.

Para Mills, é fundamental que a imprensa no Brasil evite regulamentação sem necessidade. "Se um regime contra abuso de mercado for implementado, que salvaguardas sejam explicitadas, incluindo a liberdade de expressão. E o governo deve delegar a gestão da auto-regulamentação, incluindo a maneira como os órgãos de imprensa tratam de conflitos de interesse." Ela acha que conseguiu isso no texto europeu também graças a aliança informal entre proprietários de órgãos de imprensa e jornalistas durante os debates na Europa. "Gastei boa parte de meu tempo com os jornalistas que cobriam essa diretiva em Bruxelas", conta.

Para ela, alguns pontos tem que ficar claros: primeiro, que a imprensa financeira não ganha dinheiro do leitor que faz suas aplicações lendo os artigos, diferentemente das firmas de investimentos. Leitor não é "cliente". Assim, não há as mesmas motivações para abuso de mercado entre jornalistas, como haveria para firmas de investimentos que desejam expandir seus negócios, diz ela.

Além disso, deve ser levado em conta que a imprensa financeira opera com prazos muito curtos, às vezes em tempo real, sem tempo suficiente para conduzir o mesmo nível de verificação que um analista de investimento.

Outro ponto "vital" é que toda informação relevante deve alcançar o mercado o mais rápido possível. Do contrário, aí sim, condições para abuso de mercado e manipulação serão criadas. "Por causa disso, os reguladores devem ter muito cuidado para não interferir no livre fluxo de informação impondo exigências com restrições impraticáveis ou desproporcionais", afirma. "Se eles fizerem isso, vão de fato produzir conseqüências negativas, contrárias ao que pretendem estabelecer."

A representante do EPC nota também que "a mídia é crescentemente on-line e global, e os mercados financeiros também são globais. É muito importante que o regulamentador nacional não impeça intencionalmente a disponibilidade de toda informação financeira relevante de dentro ou fora do país, para não deixar o investidor brasileiro em desvantagem competitiva".

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Mundo animal volta com força às vitrines de Paris

Daniela Fernandes
Publicado pelo Valor Online em 24/08/07

Em tempos de grandes preocupações em relação ao meio-ambiente, os animais exóticos voltam à moda com força total na próxima estação outono-inverno na França. Crocodilos, cobras e onças já estão invadindo as vitrines, em meio às chuvas e temperaturas amenas desse verão atípico. O crocodilo será a grande vedete da próxima temporada. As marcas de luxo lançaram bolsas, sapatos e diversos acessórios com esse tipo de couro, presente também em casacos e detalhes em roupas.

É certo que os preços do material genuíno podem desestimular muitos consumidores. As bolsas em crocodilo de grandes grifes podem chegar até ? 30 mil (R$ 54 mil). Um simples par de botas da Chanel, por exemplo, custa ? 5,8 mil (quase R$ 16 mil).

Desta vez o crocodilo ganha cores que vão além do tradicional marrom, como a bolsa Samurai 1947 da Christian Dior, em couro cinza (? 15 mil), ou ainda a bolsa Trunkette da marca Céline em azul cobalto (? 9,5 mil) - duas cores que estarão bastante em voga no próximo outono-inverno.

A procura pela estampa do bicho é tão forte que a grife Hermès acaba de adquirir o controle acionário da Soficuir, especializada no fornecimento e tratamento de couros exóticos, sobretudo o de crocodilo. A Hermès já tinha 49,6% do capital da Soficuir, que faturou 56 milhões em 2006, e tornou-se o único acionista em julho. A grife francesa informou, em comunicado, que a compra permitirá à marca "reforçar sua capacidade no tratamento dos couros e assegurar seus estoques em um contexto de forte demanda, sobretudo em relação à pele de crocodilo".

A Hermès, tradicionalmente, lança acessórios em couro de crocodilo, que ganham, agora, mais destaque. Uma das bolsas mais emblemáticas da marca é o modelo Birkin, que em crocodilo custa quase ? 18 mil (R$ 48,6 mil).

As grandes marcas também lançam produtos que imitam crocodilo, em couro de verdade e de boa qualidade, que apenas reproduz o desenho da pele do animal. Dessa forma, os preços caem bastante. Um par de botas da Louis Vuitton em couro "façon croco" (ou estilo crocodilo), custa ? 770 (R$ 2 mil).

Outro réptil que desliza pelas vitrines na França é a píton, uma espécie de jibóia gigante. Além de bolsas e sapatos, o couro dessa cobra, que costuma ser mais caro do que o de crocodilo, está presente em roupas do próximo outono-inverno como os costumes da Christian Dior, que também abusa de colarinhos e mangas em pele de raposa em seus modelos da nova coleção.

Para completar o estilo da próxima estação, as estampas de onça também voltam em casacos, calças, blusas e sapatos. O último desfile de alta-costura da grife Givenchy teve ares de safári, com manequins vestidas dos pés à cabeça com roupas de onça. A passarela também mostrou muitas saias com plumas de avestruz e casacos de estilo fraque reproduzindo a couraça do crocodilo. O nome de um dos modelos da coleção Givenchy, criada pelo costureiro Riccardo Tisci, reforça bem o tom da próxima tendência: fauna. Um dos cuidados das grifes francesas é informar que couros e peles dos animais exóticos são originários de fazendas de criação - portanto, não caçados em seu habitat natural.

As marcas mais populares devem reproduzir a tendência utilizando materiais sintéticos menos nobres, mas com preços bem mais acessíveis. Falsos como "lágrimas de crocodilo", mas nem por isso menos "fashion".

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Padrão da Microsoft sofre derrota no Brasil

André Borges
Publicado pelo Valor Online em 24/08/07

Não deu para a Microsoft. Depois de meses de discussões e reuniões marcadas por bate-boca, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) decidiu reprovar a adoção do sistema defendido pela companhia, o Open XML, sugerido como padrão de comunicação para uniformizar a linguagem mundial de todos os arquivos digitais, como documentos de texto e mensagens de e-mail.

A decisão do diretor de normalização da ABNT, Eugenio Guilherme Tolstoy De Simone, foi enviada ontem ao grupo de técnicos que participaram das discussões, depois de uma tumultuada reunião realizada na última terça-feira, no Rio de Janeiro. "(...) O voto do Brasil que está sendo enviado pela ABNT à ISO é de desaprovação pelas razões técnicas apontadas (...)", informou o diretor da ABNT.

Não é uma questão meramente técnica. Agora que está definido, o voto de reprovação do Brasil segue para a ISO (sigla para Organização Internacional para Padronização), que tem coletado opiniões de vários países para definir se a proposta da Microsoft pode ou não ser uma linguagem padrão. A postura da ABNT será mais um elemento de avaliação para a decisão da ISO.

O interesse em ter o reconhecimento da ISO não se restringe à publicidade com selos de qualidade. Se a linguagem de programação é considerada um padrão pela ISO, ela passa a ser exigida, por exemplo, pela Organização Mundial do Comércio (OMC), quando esta for legislar sobre que normas técnicas vigorará entre países. Daí tanto barulho.

O objetivo da Microsoft é dar à sua proposta tecnológica o status já alcançado pelo padrão rival ODF, que já foi reconhecido pela ISO e tem apoio total de empresas como Google, IBM e Sun Microsystems, além de toda a comunidade de desenvolvedores de sistemas de código aberto, o chamado software livre. Do lado do Open XML fazem coro à Microsoft empresas como Intel e HP.

Vários países do mundo estão se posicionando a respeito do assunto. Uma das preocupações, por exemplo, é a de garantir que daqui a 20 anos os sistemas em uso sejam capazes de abrir qualquer documento de texto escrito na década de 90. No Brasil, a discussão foi marcada por polêmicas e acusações, uma celeuma que, no último momento, também envolveu a mão do governo.

Na última segunda-feira, um dia antes da reunião final sobre o tema, o diretor de normalização da ABNT, Eugenio Guilherme Tolstoy De Simone, foi até Brasília. O encontro foi articulado pelo deputado federal Paulo Teixeira (PT/SP). No Itamaraty, o diretor da ABNT se encontrou com representantes dos ministérios da Defesa, Ciência e Tecnologia, Planejamento, Casa Civil e Desenvolvimento, além do Serpro. "O governo consolidou a sua opinião e deixou claro que seu voto era contra o Open XML", disse ao Valor uma fonte que participou do encontro.

Na reunião do dia seguinte, no Rio, não se chegou a um consenso. "Foi tumultuado. Houve momentos em que os técnicos tiveram que se ausentar da sala de discussão", diz diretor de novas tecnologias aplicadas da IBM Brasil, Cezar Taurion, que participou do encontro.

O imbróglio resultou na apresentação de um documento com 63 restrições ao Open XML, entre elas as que reclamavam da inclusão de códigos fechados no sistema, o que impossibilita conhecer exatamente seu funcionamento. "Ficou claro que todos concordaram que havia problema técnicos", comenta Luiz Fernando Maluf, executivo da Sun.

Para o presidente da integradora de software L3, Leandro Lopes, que representou a Associação Internacional de Parceiros Microsoft (IAMCP), faltou maturidade. "A discussão não foi técnica. Virou um palanque, uma confusão generalizada, é uma pena."

Segundo Cesar Taurion, da IBM, "a decisão foi lógica". Todos viram que havia problemas técnicos e concordaram nisso, diz o executivo. "Não é uma questão de vitória. Nós brigamos por padrões abertos, o mundo dos sistemas proprietários está morrendo."

A resistência da Microsoft em apoiar o padrão aberto ODF reside no argumento de que se trata de uma linguagem limitada, incapaz de alcançar as especificidades de seus sistemas, principalmente os antigos. Procurada pela reportagem, a Microsoft Brasil ressaltou, por meio de nota, que "os comentários técnicos que foram objeto de consenso (...) devem contribuir para o aperfeiçoamento do padrão Open XML."

Segundo a companhia, "o fato de ter havido consenso técnico representa efetivamente uma oportunidade de evolução da norma, como parte do processo natural de elaboração de qualquer norma técnica." A empresa informa ainda que continuará a trabalhar em sua alternativa ao ODF. "O Open XML reconhece versões anteriores de formatos de documentos, permite a conversão dos documentos em ODF e vice-versa, sem que haja uma dependência a um único fornecedor para ambos os padrões."

Na última semana, o Comitê Internacional para Padrões de Tecnologia da Informação (Incits), dos Estados Unidos, rejeitou a proposta da companhia. A mesma postura foi adotada por instituições do Canadá, Índia e Japão.

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Terceiro Setor: ‘Para-mercantil’ ou ‘Neo-governamental’?

Augusto de Franco
Carta Rede Social* 143, publicada em 02/08/07

A força da sociedade civil que temos está justamente no fato dela não poder ser organizada pelas organizações da sociedade civil que temos.

Tenho afirmado, nestas cartas e em outros textos e entrevistas, que o chamado terceiro setor está hoje diante de um desafio: ou consegue superar a sua forma de organização predominante (a nova burocracia associacionista que constituiu) ou não vai mais poder cumprir um papel inovador.

É forçoso reconhecer – como não me canso de repetir – que as organizações da sociedade civil, em sua imensa maioria, ainda se estruturam como mainframes e não como networks. Quando se denominam redes, quase sempre tal denominação é indevida porquanto aplicada a estruturas verticais de poder, com topologia descentralizada e não distribuída, com baixíssimo grau de rotatividade nas suas direções e com uma burocracia que, a despeito de ser reduzida pela falta de recursos, não deixa de ser formalmente semelhante a qualquer outra burocracia baseada na opacidade dos procedimentos, na discricionariedade das decisões e na verticalidade do fluxo comando-execução. Também é forçoso reconhecer que o paradigma organizativo que adotam essas organizações ainda é aquele, digamos, das fronteiras fechadas.

Existem exceções, é claro. Mas o fato é que aquela geração de ONGs que apareceu como grande novidade no último quarto de século, não poderá mais se manter na ponta da inovação social. Se não se reciclar, a 'nova burocracia associacionista das ONGs' poderá virar, em breve uma força francamente regressiva em termos da democratização da democracia e do desenvolvimento humano e social sustentável.

Não estou me referindo à sociedade civil e sim às chamadas organizações da sociedade civil. Não ver a diferença entre as duas coisas já é um sintoma do problema que estou enfocando nesta carta.

Em geral me perguntam: então o que podemos fazer – nós, que priorizamos a atuação na sociedade civil, no terceiro setor – para dar nossa contribuição à democracia e ao desenvolvimento? Minha resposta tem sido sempre a seguinte: articulem redes de pessoas ao invés de erigir estruturas burocráticas. Não façam igrejinhas. Não construam castelinhos. Não tentem privatizar o capital social do seu entorno ou do seu setor. Capital social é um bem público: quando privatizado, estraga. E pode dar origem a certas formas perversas de sociabilidade. Sobretudo não tentem jogar usando como cacife as relações alheias, negociando a partir da apropriação da vida social das comunidades, organizando, por exemplo, um "curral de pobres" para conseguir uma verba governamental, para atuar como terceirizados na implantação de uma política de assistência social (não estou delirando: existem centenas, talvez milhares de organizações fazendo isso neste momento). E, acrescento agora, evitem se comportar como organizações para-mercantis ou neo-governamentais. É a minha opinião e vou dizer por que.

Herdeira de uma herança político-cultural não convertida suficientemente à democracia, uma parte significativa das ONGs ainda se comporta como organizações fechadas, com programas proprietários, que não compartilham seus recursos e seus conhecimentos. Mais recentemente, compelidas por razões de sobrevivência, muitas dessas organizações resolveram entrar numa onda, vamos dizer assim, de “profissionalização”, tentando imitar os modelos de gestão mais eficientes das empresas. Penso que isso, ao invés de fortalecer, vai acabar enfraquecendo a sociedade civil. As organizações do terceiro setor não têm que imitar as empresas (e, muito menos, os governos) e sim afirmar a sua identidade própria de organizações da sociedade civil, presididas por uma “lógica” e uma racionalidade diferentes daquelas que regem o mercado (e daquelas que regem o Estado).

Isso não significa, é claro, não aproveitar o conhecimento acumulado pela iniciativa privada em tudo o que diz respeito à estratégia, à gestão organizacional, à gestão de pessoas e de stakeholders e, mais recentemente, à sustentabilidade (esta última, aliás, uma área em que só agora as empresas começam a engatinhar). Mas significa que as tentativas de aproveitar esses conhecimentos ou ferramentas para a gestão do terceiro setor não podem ser bem sucedidas se simplesmente quisermos transplantá-los do segundo para o terceiro setor. O modo como o mercado trata essas questões é – e deve ser mesmo – bastante diferente do modo como a sociedade civil pode tratá-las.

Hoje parece existir um coro apontando as vantagens de aproveitar a expertise de planejamento estratégico das empresas, seus modelos de gestão e seus sistemas de governança corporativa. No entanto, tenho bons motivos para sustentar que, talvez, sejam as empresas que devam aprender agora com a sociedade civil, sobretudo quando o tema é a sustentabilidade.

Sim, as empresas estão diante de um grande desafio: preparar-se para dar conta das novas exigências da sustentabilidade num mundo onde a velocidade das mudanças é vertiginosa e onde o impacto dessas mudanças em uma aérea de atividade repercute diretamente sobre as demais áreas, gerando uma complexidade muito maior do que a verificada em qualquer outra época da história. Assim, não podem mais tratar de estratégia, gestão organizacional, gestão de pessoas e gestão de stakeholders de modo isolado, como se fossem departamentos estanques. Tudo isso agora deve ser encarado do ponto de vista sistêmico (que é o ponto de vista da sustentabilidade). Sustentabilidade, hoje, exige que a empresa atue como agente de desenvolvimento, que saiba fazer a gestão da sua rede de stakeholders, que tenha uma causa para promover o voluntariado interno e externo e que aprenda a articular politicamente não apenas seus interesses, mas também a sua causa, exercendo, para além da responsabilidade social, a sua responsabilidade política. Como se pode ver, várias dessas exigências (padrão de organização em rede, adesão a uma causa, espírito de voluntariado, exercício gratuito da responsabilidade ou cooperação) já constituíam o dia-a-dia (ou, pelo menos, preocupações) das chamadas organizações da sociedade civil antes de entrar no campo de preocupações das empresas.

Sim, as organizações da sociedade civil poderão ajudar muito as empresas nesses temas. Todavia, penso que elas deveriam resistir à tentação de se constituírem como empresas disfarçadas para prestar serviços de consultoria às empresas de verdade. Pois, na verdade, elas não podem (porque não sabem mesmo como fazê-lo) transferir seus conhecimentos, digamos, vivenciais (ou experienciais), para as empresas. Na maior parte dos casos trata-se de conhecimentos tácitos, que não estão sistematizados a ponto de permitir uma transposição não-mecânica para as empresas.

Um caso exemplar que serve para mostrar a incipiência da formulação das organizações do chamado terceiro setor é o chamado netweaving (a articulação e animação de redes distribuídas). Esse é um conhecimento importantíssimo, neste momento, para as empresas que querem fazer alguma coisa em termos da conquista de sustentabilidade, começando por aprender como se faz a gestão de redes que conectem todos aqueles direta e indiretamente interessados e afetados pela sua atuação (i. e., os seus stakeholders). No entanto, a imensa maioria (com certeza mais de 90% das ONGs e assemelhadas) não se organizam, elas próprias, segundo um padrão de rede distribuída. Ainda são, como já disse acima (e como todos sabemos), castelinhos com seus reizinhos (sim, porque é ou não verdade que seus dirigentes costumam ficar no comando para sempre ou quase, mais tempo ainda do que os Secretários-Gerais dos velhos partidos comunistas?).

Sabe-se que, dada a sua natureza multifária e a outras características de uma forma de agenciamento que só se organiza a partir da emergência, uma das características da sociedade civil é que ela aprende fazendo, não em sala e aula nem em reflexões teóricas de seus dedicados expoentes. Mas como ela poderá aprender netweaving (inclusive para ensinar às empresas) se não pratica netweaving, nem interna, nem externamente?

Outro problema é o padrão de relacionamento adotado por essas organizações, quer no interior da própria sociedade civil, quer em relação ao mercado e ao Estado.

Quando, por exemplo, uma organização do terceiro setor quer guardar a sete chaves suas metodologias ou tecnologias (achando que com isso vai assegurar sua vantagem comparativa em relação às suas “concorrentes”), então já está se comportando como uma empresa; ou melhor, já está se constituindo segundo a dinâmica própria de uma forma de agenciamento que caracteriza o mercado, não a sociedade civil. O que caracteriza o terceiro setor não é o fato de ele ser não-governamental (isso as empresas e, a rigor, os parlamentos, também são) e nem o fato de ele ser não-lucrativo (governos e parlamentos também não são lucrativos) e sim o modo como agencia os recursos e se relaciona, entre si e com os outros setores da sociedade.

Repito: se uma ONG se relaciona com suas congêneres na base da concorrência ou da competição, então ela está assumindo uma dinâmica que é própria do mercado, não da sociedade civil. Melhor seria, então, que não disfarçasse sua (verdadeira) natureza e se constituísse formalmente como uma empresa mesmo. Qual é o problema? Empresas são legítimas, são boas, não há nada de errado com elas (a não ser para as consciências que foram colonizadas pela idéia de que o lucro é um pecado ou a razão de todo mal que assola a humanidade, como sustentavam as narrativas ideológicas igualitaristas e totalitaristas). Ou será que ONGs que se comportam objetivamente como empresas não querem se formalizar como tais apenas para auferir vantagens fiscais, pagar menos impostos, como é freqüentemente acusado o terceiro setor por aqueles que não vêem razões para a existência de uma sociedade civil subsistente fora da ordem do Estado e da “lógica” do mercado (é o que pensava, por exemplo, Margareth Thatcher, repetindo, aliás, o que reza a crença econômica ortodoxa)?

Assim como a forma de agenciamento chamada Estado é normativa e a forma de agenciamento chamada mercado é competitiva, a forma de agenciamento chamada sociedade civil (ou terceiro setor) é cooperativa. Se não for, então não subsiste a própria noção de sociedade civil. Eis o ponto!

Discutindo certa vez esse assunto com meu amigo Silvio Sant’Ana, ouvi dele – e inclusive incorporei sua opinião no meu livro “Terceiro Setor: a nova sociedade civil e seu papel estratégico para o desenvolvimento” (Brasília: AED, 2003) – que a característica distintiva do terceiro setor é o fato dele contar com trabalho voluntário, o que é uma outra maneira de dizer: contar com a cooperação – uma forma gratuita de atividade, de ajuda-mútua ou de doação à uma causa fraterna, gerada, talvez, como supõe Maturana, não propriamente por uma racionalidade (no sentido de cálculo ou escolha racional) mas por uma emocionalidade que está na fundação mesmo daquilo que chamamos, stricto sensu, de ‘social’.

Sim, Silvio tem razão. Se não há voluntariado (ou se não há cooperação efetivamente praticada) em uma organização do terceiro setor, então alguma coisa está errada. Não basta ensinar aos outros como cooperar ou como promover programas de voluntariado. Isso é útil, por certo. Mas pode ser feito por uma empresa. Ademais, um velho professor de álgebra, chamado Shaeffer, com quem tomei aulas em 1968, no Rio de Janeiro, costumava dizer: “quem sabe faz, quem não sabe ensina”.

É claro que a objeção sempre levantada nesses casos é a seguinte: mas como as pessoas vão sobreviver, como os dirigentes e os profissionais das organizações do terceiro setor vão poder se dedicar a sua missão se não receberem alguma remuneração? Sempre aceitamos esse argumento como definitivo, mas não é: é abusivo (no sentido literal do termo). Não digo que não deva haver pessoas remuneradas na direção de organizações da sociedade civil (aliás, eu mesmo defendi isso, na Lei das OSCIPs). O sinal de que alguma coisa está errada aparece quando todos são remunerados e, mais do que isso, se comportam como se fossem funcionários de uma empresa... e, conseqüentemente, a própria organização se comporta como uma empresa. Isso me faz lembrar aquela anedota: tem rabo de porco, focinho de porco, orelha de porco, pé de porco, mas... (se não é feijoada), por que não deveria ser porco?

Estou convencido do seguinte: as organizações do terceiro setor (integrantes daquela parcela da sociedade civil que gosta de se apresentar como “sociedade civil organizada”), não vão conseguir sair dessa ambigüidade se não modificarem seus padrões de organização. Organizações piramidais, verticais, hierárquicas, exigem burocracias. Burocracias exigem mais burocracia. Não é uma opção. É uma necessidade que se impõe pela dinâmica de funcionamento que acompanha o padrão de organização.

Por isso venho dizendo: querem fortalecer a nova sociedade civil (aquela composta por milhões de cidadãos desorganizados segundo um ponto de vista tradicional, mas cada vez mais conectados) que está emergindo nos últimos anos? Então não construam organizações hierárquicas, façam redes. Agora, se o problema é ganhar a vida – e devemos todos ganhá-la com nosso trabalho – então fundem empresas ou prestem consultorias como pessoas físicas, ministrem palestras, dêem aulas, escrevam livros, exerçam uma profissão liberal ou arranjem um emprego. Não será isso que impedirá a nossa atuação no terceiro setor.

E se querem continuar, vamos dizer, atuando profissionalmente no terceiro setor, trabalhando em um centro de estudo ou pesquisa, em um clube, em uma associação, então se esforcem para praticar a cooperação, para agregar e promover trabalho voluntário, para se organizar e se relacionar segundo um padrão de rede e para radicalizar a democracia onde ela pode ser radicalizada (no nível local da sociedade civil, no âmbito comunitário). É claro que cabe muito mais coisa no terceiro setor. Mas, do ponto de vista de quem está comprometido com o desenvolvimento humano e social sustentável, a meu ver é isso que justifica – em termo racionais – querer ficar nele. Reconheço, entretanto, que as pessoas que se envolvem com organizações do terceiro setor não o fazem, em sua maioria, a partir de uma escolha racional e sim co-movidas por uma emocionalidade cooperativa, o que é bem bacana, mas não refresca muito, no sentido de que não altera a realidade enfocada nesta carta. Ou seja, a despeito dos motivos que levam a maioria das pessoas a desenvolver uma atuação no terceiro setor serem maravilhosos, ao se organizarem para tanto freqüentemente essas pessoas adotam padrões de organização que não são tão maravilhosos assim.

Vivi profissionalmente, durante vários períodos, recebendo remuneração pelo meu trabalho em organizações da sociedade civil. De uns tempos para cá, porém, não tenho feito mais isso. Mas continuo atuando no terceiro setor. Como? Ora, como cidadão, como participante de redes. Tudo indica que a alternativa organizativa mais inovadora para o terceiro setor são as redes de pessoas (e já expliquei porque, em muitas cartas como esta). Redes (e me refiro a redes propriamente ditas, redes de pessoas, com topologia distribuída, não a holdings ou frentes de instituições abrigadas sob o guarda-chuva da palavra ‘rede’, que está na moda) são o modo de organização compatível com a “lógica” e a racionalidade da sociedade civil. Aliás, o próprio conceito de sociedade civil tende a ser substituído pelo conceito, muito mais potente em termos analíticos e mais preciso em termos descritivos, de rede social.

Há ainda uma outra objeção, também freqüente, que é a seguinte: mas as redes são informais! Como vamos abrir uma conta bancária, tirar um CGC, contratar funcionários, emitir nota fiscal, receber doações, não pagar imposto de renda e outros impostos e, em alguns casos, ser dispensados da quota patronal à previdência social?

Bom, em primeiro lugar é preciso saber se precisamos mesmo dessas coisas. Em muitos casos, sim. Em outros, não. Se estamos naquele tipo de organização que tem tudo de porco mas não quer ser porco, não é muito justo que recebamos alguns desses benefícios. Além disso, uma empresa sempre pode ter parte dessas coisas. Mas outra parte, que se refere à renúncia fiscal e, em qualquer caso, a indevida isenção da quota patronal (indevida sim, pois em um sistema contributivo universal ninguém deveria ter o direito de não-contribuir, mesmo a pretexto de salvar a espécie humana), seria necessário examinar cuidadosamente os motivos capazes de justificar o recebimento desses benefícios. Uma organização que não pratica a cooperação, que não conta com trabalho voluntário, que se estrutura e funciona internamente como uma empresa e, ainda por cima, que compete por recursos com suas congêneres no mercado, não deveria ter direito a essas coisas. Em nome de quê? De suas boas idéias para a humanidade? Ora, tenha paciência!

De qualquer modo, se articulamos e animamos uma rede e, por algum motivo, precisamos de uma organização formal para cumprir exigências formais, nada impede que construamos uma entidade legalmente reconhecida (ou várias) para tais efeitos (formais). O problema não é de ordem legal, mas diz respeito ao padrão de organização que adotamos e, não raro, tem a ver com questões de poder e, em alguns casos, de apropriação privada, ainda que indireta, por meio do acesso diferencial a alguma vantagem, serviço ou recurso, de eventuais superávits produzidos ou valores recebidos (a título de doação, fomento ou por qualquer outra forma). Quando há patrimônio envolvido, como no caso de algumas fundações privadas, aí sim as exigências legais vão além da formalidade e tornam-se de fato necessárias, inclusive para salvaguardar direitos.

Ou seja, não estou propondo nenhum tipo de desconstituição do imenso conjunto de organizações hierárquicas e burocráticas da sociedade civil que existe hoje. É óbvio que é melhor ter esse conjunto de organizações do que não ter nada e a vantagem disso não está, como se poderia pensar, nas virtudes das formas de organização que existem, mas na sua diversidade, na sua multiplicidade, na sua pulverização e na impossibilidade prática de organizar tal conjunto top down. Em outras palavras, a força da sociedade civil que temos está justamente no fato dela não poder ser organizada pelas organizações da sociedade civil que temos. Ainda bem. Como escreveu o ficcionista Frank Herbert – uma pérola que encontrei em “O Messias de Duna” (1969) e que cito freqüentemente – “não reunir é a derradeira ordenação” (o que é uma forma literária mais sofisticada de dizer que ‘o povo desunido jamais será vencido’, como brincávamos no início dos anos 90, os que percebíamos os riscos de querer representar, por meio de uma dúzia de organizações da sociedade civil, o conjunto da sociedade civil supostamente “organizada”).

Mas o problema que coloquei aqui não diz respeito à conservação do que existe e sim à inovação. O que afirmei no início desta carta é que se ficarem estacionadas nos padrões de organização que vêm adotando, as organizações da sociedade civil não cumprirão mais um papel inovador. Não apenas porque deixarão de inovar internamente em termos organizacionais e sim porque não terão experiência de inovação nas suas relações dentro da própria sociedade civil e com os outros setores da sociedade. Não descobrirão coisas novas em relação à natureza e a dinâmica do próprio setor a que pertencem. E não contribuirão para fortalecer a nova sociedade civil que está emergindo.

Se quiserem cumprir tal papel inovador, as organizações da sociedade civil têm que voltar os olhos para o cidadão, desorganizado do ponto de vista tradicional, mas muito mais conectado do que em qualquer outra época da história, que está emergindo neste dealbar do século 21. É incrível como, quando se fala de sociedade civil, esquece-se de que ela é composta por cidadãos. Fala-se ainda de "sociedade civil organizada" como se isso fosse grande coisa diante de milhões de pessoas que podem opinar e participar, não arrebanhadas ou acarreadas (esse é um bom termo, usado pelos mexicanos, que tiveram quase um século de experiência no assunto) por organizações hierárquicas, mas diretamente, uma-a-uma, personalizadamente. Não há outra maneira de fazer isso senão apostando nas redes, nas redes que conectam pessoas com pessoas, segundo uma topologia distribuída (e não centralizada ou descentralizada), peer-to-peer.

Se quiserem cumprir tal papel inovador, as organizações da sociedade civil têm de mudar as suas relações com suas congêneres (as outras organizações da sociedade civil). Não podem contribuir para transformar o campo social em uma esfera de competitividade. Quem tem de ser competitivo é o mercado (e a economia é que deve ser de mercado) não a sociedade. E mercados competitivos, ao que tudo indica, exigem como base uma sociedade cooperativa (por razões econômicas mesmo, como a diminuição das incertezas que afetam os investimentos produtivos de longo prazo, com a redução dos custos de transação e, inclusive, da insegurança jurídica). É o que vêm revelando, nos últimos quinze anos, todas as teorias do capital social (que é apenas uma outra denominação para rede social). Uma sociedade competitiva constitui, em geral, péssimo ambiente para um mercado competitivo. Portanto, temos aqui um argumento adicional, em termos do desenvolvimento, para trabalhar estrategicamente em prol da reprodução ampliada da cooperação, sobretudo naquela única esfera da realidade social que produz mais capital social do que é capaz de consumir, ou seja, a sociedade civil.

Se quiserem cumprir tal papel inovador, as organizações do terceiro setor têm que começar a modificar a sua relação com os outros setores, com o segundo setor (o mercado) e com o primeiro setor (o Estado). Não podem ficar querendo prestar serviços ao mercado como se fossem entes de mercado e, ao mesmo tempo, receber benefícios do Estado como se não fossem entes de mercado (olhaí “o porco falando do toucinho!”).

Nesta carta me concentrei na análise do caráter para-mercantil que algumas ONGs vêm adotando. Mas haveria também muito a dizer sobre o seu caráter neo-governamental, sobretudo nestes últimos anos, em que surgiram numerosas organizações burocráticas da sociedade civil para celebrar convênios e termos de parceria com um governo federal que queria favorecê-las por razões políticas. Aqui, porém, já resvalamos para o tema da ‘corrupção de Estado’ como meio de conquista de hegemonia. Voltarei ao assunto algum dia.

Promover o desenvolvimento humano e social sustentável e ensaiar a democracia no sentido “forte” do conceito, na base da sociedade e no quotidiano dos cidadãos, constituem os dois papéis principais – e mais do que isso, papéis únicos, insubstituíveis – que podem ser cumpridos pelo terceiro setor. Seria uma lástima se, por incompreensão dessas tarefas estratégicas ou por razões de sobrevivência colocadas por uma visão míope de sustentabilidade, o terceiro setor passasse a se comportar como uma espécie de ‘para-mercado’ ou conjunto de organizações ‘neo-governamentais’ (como brincou certa vez Manuel Castells e o critiquei na época, mas agora vejo que ele tinha alguma razão).

* ‘Carta Rede Social’, ex-‘Carta Capital Social’ (e antiga ‘Carta DLIS’) é uma comunicação pessoal de Augusto de Franco enviada quinzenalmente, desde 2001, para mais de 5.000 agentes de desenvolvimento e outras pessoas interessadas no assunto, de todo o Brasil.

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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Fogo Amigo

Gustavo Faleiros e Andreia Fanzeres
Publicado pel' O Eco em 16/08/07

Um artigo publicado na mais recente edição da revista Science, o semanário científico mais influente do mundo, está causando um pequeno terremoto na cena em que atuam as organizações não-governamentais ambientalistas. Entitulado “A Globalização da Conservação” e assinado por pesquisadores de diversas nacionalidades reunidos na Wildlife Trust Alliance, o texto sustenta que as grandes ONGs internacionais – Bingos (Big International Non Governamental Organizatios), na sigla em inglês - têm estratégias falhas na proteção do meio ambiente e prejudicam a atuação de pequenas instituições de países em desenvolvimento.

Os pesquisadores buscam demonstrar que a forma de atuação de organizações como Conservation Internacional (CI), The Nature Conservancy (TNC) e World Wildlife Fund (WWF) se assemelha a de grandes empresas multinacionais. Isso se dá através da criação de programas genéricos, que servem como marcas para a obtenção de recursos financeiros. O texto cita as campanhas ‘Hot Spots’ da CI e ‘200 Ecoregions’ da WWF como casos extremamente bem sucedidos na arrecadação de fundos, mas não tão efetivos na conservação da biodiversidade. Houve um incremento de 40% a 100% nos orçamentos destas ONGs nos Estados Unidos entre 1998 e 2005, e na opinião dos autores, os conceitos ambientais utilizados não resguardam os ecossistemas em perigo.

“Embora estas marcas sejam derivadas das ciências da conservação, elas são vulneráveis à crítica científica. Por exemplo, planos previamente concebidos que miram áreas fixas para conservação (Hot Spots e Ecoregions) são insuficientes para lidar com ameaças repentinas como doenças ou espécies invasoras, a alteração do leque de espécies graças ao aquecimento global, ou a dinâmica espacial de ecossistemas marinhos”, descreve o artigo.

A presidente do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), Suzana Pádua, é uma das autoras do artigo na Science e explica que há algum tempo existe um sentimento entre pesquisadores de que as Bingos, com a grande quantidade de dinheiro que têm, ditam os rumos da conservação em todo mundo, mas não acertam o foco onde a biodiversidade está mais necessitada. Para aumentar a eficiência das ações de proteção aos ecossistemas, Suzana observa que a Wildlife Trust Alliance defende que as pequenas organizações locais tenham mais voz. Segundo ela, ONGs de menor porte que dependem unicamente de parcerias e recursos das grandes “perdem identidade.” “Estamos propondo um exercício para que trabalhemos com respeito e cooperação de fato”, diz a presidente do IPÊ.

A volta do ‘small is beautiful
A representante da TNC no Brasil, Ana Cristina Barros, vê uma preocupação legítima sob os argumentos de “Globalização da Conservação”: a de que as ONGs de países em desenvolvimento tenham um papel maior no desenho dos projetos e na captação direta do dinheiro internacional. Por outro lado, ela acha que o artigo, quando afirma que “organizações locais são mais eficazes”, traz uma apologia ao velho conceito de que o grande por ser grande não vale, a volta da filosofia “small is beautiful” do teórico alemão Ernst Schumacher. Para Ana Cristina essa é uma “afirmação política” sem comprovação científica no texto. Sua opinião é de que as abordagens das pequenas e grandes organizações de conservação são complementares. “O valor da grande organização é poder atuar localmente, mas quando for preciso também atuar em nível internacional”, diz

O ponto-chave de “Globalização da conservação” parece ser a questão de que ao mesmo tempo em que os recursos das Bingos não param de crescer, a verba oficial de governos e organismos multilateriais para a proteção da biodiversidade caiu 50% na última década. É a partir deste desequilíbrio que as grandes ONGs passam a comandar as políticas domésticas de meio ambiente. Uma das consequências, sustenta o artigo, é uma estrutura de decisões de cima para baixo que não considera o conhecimento de instituições e especialistas locais. “Organizações pequenas e localmente focadas, trabalhando na linha de frente da perda da biodiversidade são frequentemente as mais eficazes”, ponderam os autores.

Outra consequência negativa da influência das Bingos, aponta Suzana, é a deficiência na preparação de profissionais locais em práticas de conservação. Um dado no artigo revela que dos 3,2 bilhões de dólares aplicados entre 1990 e 1997 na proteção de ecossistemas na América Latina, apenas 4% foram destinados à “capacitação”. “Hoje, só 30% dos artigos científicos sobre biodiversidade na Amazônia são escritos por brasileiros. Nós estamos fazendo parcerias, mas o conhecimento está ficando no primeiro mundo”, reclama a ambientalista.

Na mesma linha argumenta Cláudio Maretti, superintendente de conservação de programas regionais do WWF-Brasil. “Não vemos o WWF-Brasil do jeito que eles descrevem”, diz. Para ele, cuidar da natureza exige uma postura ativa da sociedade civil local, com quem, garante, a ONG firma parcerias em todos os projetos que desenvolve. Segundo Maretti, essas parcerias podem ser com grupos sociais, empresas, governos e outras ONGs. Essa interface ampla de relacionamentos permite que as grandes organizações se unam na hora de cobrar atitudes do governo e se separem para cada uma continuar desenvolvendo seus projetos localmente. “Hoje os problemas são globais também. Não adianta acreditar que só a atuação local vai resolver”, afirma.

Para o vice-presidente de Ciência da CI, José Maria Cardoso da Silva, o artigo publicado na Science cometeu diversas injustiças. O conceito de Hot Spot, um dos mais criticados pelos pesquisadores, tem como base a constatação de que ecossistemas que estão à beira de um colapso devem receber investimentos em conservação. “Para provar que as ações não estão funcionando, deveria haver uma pesquisa científica feita com espécies fora dos Hot Spots”, frisa Cardoso. Entretanto, o argumento que ele refuta com mais ênfase é o de que as Bingos não contribuem para a profissionalização das instituições locais. A CI, conta Cardoso, sustenta pesquisas de campo de universidades e institutos no Brasil. “A medida de sucesso de um projeto nosso é ver uma entidade local andar com as próprias pernas”, conclui.

Tudo indica que a defesa feita pelas Bingos de suas estratégias de conservação receberá apoio da academia brasileira. O professor do Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Fabio Scarano enviou uma carta à Science contestando o artigo. Devido às regras estabelecidas pela revista para publicação de qualquer texto, ele não pode dar entrevista sobre o assunto, e, procurado por O Eco, preferiu ficar calado. Contudo, sua experiência como representante da área de Ecologia e Meio Ambiente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), fundação do governo federal de apoio à pesquisa científica, o credencia para discordar dos argumentos levantados pelos autores do artigo sobre a falta de apoio dado pelas Ongs internacionais à formação de recursos humanos. Ao menos no caso brasileiro, a CI e a WWF têm tido importância no apoio à realização de pesquisas científicas por profissionais locais, apontara o acadêmico em sua carta.

Parcerias locais
A crítica à internacionalização das políticas de conservação está em voga no Brasil e em outros países da América Latina. O próprio artigo publicado na Science relata o crescente movimento na Bolívia para expulsar a TNC e o WWF da gestão de parques nacionais. Por aqui, na recente campanha do Ibama contra a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, os técnicos do órgão sugeriram que por trás das mudanças institucionais residia o perigo da entrega da Amazônia às grandes ONGs internacionais. Citaram como exemplo estudos e planos de manejo que estão sendo realizados pelo WWF em várias unidades de conservação no Norte do País.

Em especial, incomoda os funcionários do Ibama a presença da ONG no Parque Nacional do Juruena, entre Amazonas e Mato Grosso, onde no ano passado foi feita uma expedição de reconhecimento. Mas lá, a WWF firmou uma parceria com o Instituto Centro de Vida (ICV) para que, com recursos internacionais, a ONG brasileira execute uma avaliação estratégica da região, estudo que dará base para a elaboração do plano de manejo do parque. “Essa parceria com o WWF tem nos fortalecido, pois conseguimos ampliar nossa equipe e nosso conhecimento técnico”, diz o coordenador da ONG Sérgio Guimarães, para quem a ajuda é muito vantajosa, mas poderia ser oferecida em maiores cifras a muitas outras entidades.

Em Mato Grosso, poucas são as organizações que conseguem, com sucesso, tocar projetos de conservação na fronteira do desmatamento. O ICV tem se aproximado de populações locais para trabalhar com agroecologia, unidades de conservação, monitoramento de desmatamento e desenvolvimento de políticas públicas. Boa parte de seu êxito se deve à captação de recursos estrangeiros, apenas 30% dos recursos para projetos do ICV provêm de fontes nacionais, como o governo. Guimarães concorda com o argumento do artigo da Science de que há mais eficiência na solução de questões ambientais quando entidades locais têm condições de atuar. Mas acha que, no caso do desmatamento, não existe uma relação de competição. “Eu vejo ONGs nacionais e estrangeiras pedido uma só coisa: governança, mais presença do governo em áreas como o norte de Mato Grosso”.

Colaborou Eric Macedo

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segunda-feira, 20 de agosto de 2007

2ª Mostra RS – Iniciativa Social recebe propostas para adesão

Publicado Mapa do Terceiro Setor em 20/08/07

A organização da 2ª Mostra RS – Iniciativa Social já está recebendo as propostas de entidades empresariais, instituições ligadas à responsabilidade social e órgãos governamentais interessados em expor no evento, que acontece de 12 a 15 de setembro no Praia de Belas, em Porto Alegre.

Os participantes estarão em estandes distribuídos pelo Shopping e apresentarão as principais ações sociais, ambientais e culturais na área de responsabilidade social desenvolvidas no país. A promoção é de Luiza Pilau Projeto & Gestão de Eventos, com curadoria de Alceu Nascimento e Léo Voight. O Instituto C&A já confirmou a adesão como parceiro estratégico, e a Prefeitura de Porto Alegre e o Grupo de Institutos Fundações e Empresas – Gife são apoiadores institucionais. A mostra tem, também, o apoio da Souza Cruz e do Praia de Belas Shopping.

Além da exposição de projetos e ações das entidades participantes, a 2ª Mostra RS - Iniciativa Social terá espaço especial para a divulgação dos trabalhos realizados por ONG’s, em oito estandes distribuídos no 1º e 2º pisos do Shopping. A programação também inclui palestras, shows, seminário e área educativa para crianças. Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público. O seminário tem vagas limitadas e as reservas devem ser feitas mediante inscrição antecipada, através do e-mail mostrars@mostrars.com.br

Mais informações pelos telefones (51)3222-0183/3346-5562, site www.mostrars.com.br, e e-mail reciclamundosp@yahoo.com.br

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domingo, 19 de agosto de 2007

Fundação O Boticário de Proteção à Natureza financia projetos

Publicado pela Rits em 17/08/07

A Fundação O Boticário de Proteção à Natureza está recebendo inscrições para o edital de apoio a projetos de conservação da natureza do segundo semestre de 2007. As inscrições podem ser feitas por formulário no site até o dia 25 de agosto, ou por correio até 31 de agosto (a data do carimbo do correio será considerada comprovante de cumprimento do prazo).

Podem concorrer ao financiamento propostas desenvolvidas por organizações não-governamentais ou fundações ligadas a universidades e que se enquadrem em pelo menos um dos seguintes temas: manejo de unidades de conservação, conservação e manejo de espécies ameaçadas, fiscalização e proteção ambiental, valorização e manejo de áreas verdes urbanas, controle de espécies exóticas invasoras, restauração de ecossistemas, desenvolvimento e implementação de políticas públicas e legislação ambiental e pesquisa aplicada a ecologia e conservação da natureza.

A Fundação O Boticário aceita propostas de projetos a serem desenvolvidos em todo o Brasil. No entanto, a organização prioriza parte dos recursos a três regiões específicas, que estão inseridas em áreas de alta importância para a conservação mundial: a) Complexo estuarino-lagunar Iguape-Cananéia-Paranaguá, localizado na Mata Atlântica; b) Região de Cerrado compreendida entre o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) e o conjunto de unidades constituído pelo Parque Estadual do Jalapão e Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba (TO); e c) Região do Pantanal, abrangendo a bacia pantaneira e a região da Serra da Bodoquena. O mapa das áreas prioritárias está disponível no site da Fundação O Boticário.

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Banco do Nordeste faz seleção de projetos culturais

Publicado pela Rits em 17/08/07

Está aberta até o dia 24 de agosto a inscrição de projetos para o Programa BNB de Cultura - uma linha de patrocínio direto do Banco do Nordeste para apoio à produção e difusão da cultura nordestina, mediante seleção pública de projetos.

Em sua quarta edição, o Programa destinará R$ 3 milhões para apoiar projetos nas áreas de música, literatura, artes cênicas, artes visuais, audiovisual e artes integradas ou não-específicas (R$ 500 mil para cada uma das seis linhas de atuação), a serem realizados em 2008.

A fim de garantir a interiorização do Programa, serão destinados pelo menos R$ 1,5 milhão (50%) para projetos com ações culturais desenvolvidas em municípios de até 100 mil habitantes, dentro da área de atuação do Banco do Nordeste (Nordeste, Norte de Minas Gerais e do Espírito Santo).

O edital contendo o regulamento do Programa e os respectivos formulários eletrônicos para inscrição de projetos, bem como as instruções para preenchimento e o modelo de relatório para prestação de contas, estão disponíveis no portal do BNB, na rede de agências do Banco, nas superintendências estaduais do BNB e nos três Centros Culturais Banco do Nordeste (Fortaleza, na capital do Ceará; Cariri, em Juazeiro do Norte, região Sul do Ceará; e Sousa, no Alto Sertão Paraibano).

A relação de projetos selecionados será divulgada em 30 de novembro deste ano. Serão contemplados pelo menos 172 projetos, sendo no mínimo 30 em música, 33 em literatura, 30 em artes cênicas, 30 em artes visuais, 19 em audiovisual e 30 em artes integradas ou não-específicas.

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Prêmio Staying Alive

Publicado pela Rits em 16/08/07

Reconhecer iniciativas de adolescentes e jovens que ajudam a difundir e divulgar informações sobre HIV/AIDS. Esse é o objetivo do Prêmio Staying Alive, que será entregue em dezembro deste ano. Os projetos, além de conscientizar e orientar para práticas sexuais seguras, devem trabalhar para desenvolver o protagonismo juvenil nas ações de enfrentamento ao HIV/AIDS e eliminar o estigma e a discriminação associados ao vírus e à doença. As ações premiadas receberão US$ 12 mil dólares para custear suas atividades ao longo de um ano. Esse financiamento pode ser renovado de acordo com a avaliação recebida pelos projetos. As inscrições podem ser realizadas até o dia 1º de outubro e os vencedores serão divulgados no dia 3 de dezembro. Informações, em inglês, no site www.staying-alive.org/en/foundation/other_links/awards.

A campanha Staying Alive é uma iniciativa global de conscientização e prevenção contra o HIV/AIDS, feita a partir da realização de documentários, anúncios de utilidade pública, fóruns de jovens e conteúdo de Internet. A proposta é levar a um público o mais amplo possível as mensagens de prevenção contra o HIV. A campanha é resultado de uma parceria entre a MTV Networks International, o UNICEF e diversas outras organizações.

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Programa Redesenvolvimento: inscrições prorrogadas

Publicado pela Rits em 15/08/07

Foram prorrogadas até o dia 31 de agosto, as inscrições para o Redesenvolvimento 2007 - Programa de Formação em Redes para o Desenvolvimento. A proposta da iniciativa é formar e mobilizar atores sociais, promovendo a construção de um ambiente colaborativo voltado ao fortalecimento de redes. A forte demanda de interessados pelo programa e as parcerias concretizadas pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Lideranças [ABDL] possibilitaram a diminuição do valor do investimento. Além das inscrições individuais, grupos de uma mesma rede ou instituição vão receber um desconto maior.

Os/as interessados/as em fazer parte do Redesenvolvimento terão a oportunidade de ingressar na rede global do Lead ao participar do seminário internacional do programa, a ser realizado em Bali, na Indonésia, com o tema “Liderança e Mudanças Climáticas”, entre 26 de novembro e 1º de dezembro de 2007. Aqueles/as que forem ao seminário, poderão, ainda, ter acesso à Conferência do Clima, realizada pela ONU, na semana seguinte, também em Bali.

O Redesenvolvimento é desenvolvido pela ABDL, com o apoio do Lead International, e parceria com a Rede de Informações para o Terceiro Setor [RITS]. Para mais informações é preciso entrar em contato com a ABDL pelo email redes@abdl.org.br ou pelo telefone (11) 3719 1532, ramal 24.

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sábado, 18 de agosto de 2007

Mais uma ONG fecha as portas

Marcelo Medeiros
Publicado pela
Rets em 17/08/07

Foto Portal do Voluntário

Há mais de 20 anos ele promove e defende os direitos de crianças e adolescentes. Fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e a Adolescência (Abrapia), o pediatra Lauro Monteiro por muito tempo levou adiante o trabalho da ONG por idealismo. Em suas palavras, "tinha um sonho a concretizar".

Duas décadas após a criação da organização, porém, ele está decepcionado. A falta de apoio financeiro fez com que decretasse o fim da entidade, responsável pela criação de serviços de atendimento e denúncia contra a exploração sexual infantil, além de campanhas contra o bullying (comportamento agressivo em escolas) em todo o país. Empresas e Estado deixaram de apoiar seus projetos. Devido às dificuldades que encontrou nos últimos anos, ele recomenda cuidado a quem pensa em abrir uma organização não-governamental. "Parei de procurar apoio. Meu conselho hoje em dia aos idealistas é 'não abra uma ONG'". Nesta entrevista, o pediatra conta as razões de sua frustração.

Rets - Por que, depois de 19 anos, a Abrapia fecha as portas?
Lauro Monteiro - Por vários motivos, mas o principal é a falta de apoio aos nossos projetos. A Abrapia completaria 19 anos em outubro. Criamos telefones de atendimento à crianças e adolescentes e pautamos a mídia por diversas vezes. Muitas das iniciativas da Abrapia foram pioneiras. Porém, desde janeiro de 2006, a entidade não recebeu nenhum centavo para pagar as contas, com exceção de contribuições esporádicas de amigos. Isso totalizava menos de mil reais. Logo, as atividades tiveram que ser interrompidas, pois não havia como pagar o salário dos funcionários e as despesas. Saio, no entanto, com a tranquilidade da missão cumprida. Não houve constrangimento algum.

Rets - Com quais apoios a organização contava?
Lauro Monteiro - Cada programa tinha um financiador. O programa Sentinela (de apoio a crianças vítimas de abuso sexual), por exemplo, era apoiado pela prefeitura do Rio de Janeiro. No fim de 2005, porém, fomos avisados que não haveria renovação do contrato. Até aí, tudo bem. O problema é que, durante muito tempo, tivemos que lidar com atrasos de pagamentos que nos obrigaram a pedir empréstimos para honrar nossos compromissos. Sem a renovação, ficamos sem dinheiro para pagar as dívidas. Chegamos a propor à prefeitura, quando da assinatura do contrato, uma cláusula que impunha uma multa para atrasos no pagamento, mas isso não foi aceito. Ficamos sem dinheiro para pagar os funcionários. Isso acaba com qualquer ambiente de trabalho.

Rets - A iniciativa privada tinha alguma participação no apoio a projetos?
Lauro Monteiro - Tivemos apoio de várias empresas, mas todos com data para acabar. O problema é que enfrentamos muita dificuldade para conseguir novos aportes. Fui a vários locais pedir ajuda, mas tudo era limitado demais. Surgiam, então, pessoas que faziam projetos e intermediavam os contatos com alguns financiadores, mas cobravam até 30% do valor do contrato. Como poderíamos abrir mão de um terço das receitas?

Rets - Você está frustrado com essa situação?
Lauro Monteiro - Como disse, estou tranquilo. Mas fico triste por ninguém ter assumido o Teca (Telefone Amigo da Criança e do Adolescente). É preciso convencer os governos da importância desse programa, que abre um canal para as vítimas denunciarem abusos. Mas já perdi a esperança. Outro exemplo é o programa de conscientização sobre a prática de bullying, problema antigo, mas nunca discutido. Trouxemos o projeto da Inglaterra em 2001, mais de dez anos depois de ele ser introduzido por lá. A Abrapia foi escolhida em uma seleção de projetos de uma empresa estatal e o programa foi considerado um sucesso. Quando o contrato chegou ao fim e perguntei se iriam renová-lo, pessoas de dentro da empresa me disseram que não, pois ele não era mais considerado prioritário, pois não se encaixava nos objetivos do Fome Zero. Daí me aconselharam a escrever um novo projeto, dentro da linha financiada pelo governo federal. Mas como a Abrapia faria isso? Não temos experiência em combate à fome. Nossa área é a de direitos da criança e do adolescente.

Depois de muita briga, decidi parar de procurar apoio. Meu conselho hoje em dia aos idealistas é "não abra uma ONG". O Estado não quer apoiar, as empresas também não. Há ainda muita confusão no terceiro setor.

Rets - Que confusão?
Lauro Monteiro - Há deturpações. Dizem que há cifras muito altas sendo gerenciadas por ONGs, mas essas são uma minoria. Há confusão entre as fundações empresariais e as ONGs. As pessoas pensam que devido à confortável situação financeira de algumas fundações, todas as ONGs estão assim. Eu trabalho como voluntário há muito tempo, não ganho nada com isso. Perdemos nossa sede uma vez, conseguimos outra. Tem gente que trabalha em sala emprestada. Claro que há pequenas organizações que, por vários motivos, se deram melhor que a Abrapia, mas isso não é um fato generalizado.

Rets - Por um lado, há falta de apoio financeiro, mas por outro também deve haver problemas administrativos. Falta profissionalismo ao terceiro setor no Brasil?
Lauro Monteiro - Falta. Não sei se para o bem ou para o mal. Hoje em dia, há muitos cursos de gestão de ONGs. Cheguei a ler vários livros de administração para entender um pouco melhor como as coisas funcionam, mas atualmente existe uma indústria em cima do terceiro setor. Ao mesmo tempo, precisamos de gente que trabalhe não pensando somente no dinheiro que vai ganhar, mas também nos objetivos da organização. No nosso caso, voltados para os direitos humanos. É possível profissionalizar a equipe até certo ponto. E isso é importante. Mas há dificuldade em conseguirmos profissionais qualificados em todas as áreas. Conseguimos atrair muita gente boa para a parte programática da ONG, para atuar em suas atividades-fim, mas para a parte administrativa, por exemplo, é mais difícil. Poucas organizações têm como pagar os salários de mercado para bons profissionais de administração.

Rets - Você acredita que há uma crise ética das ONGs?
Lauro Monteiro - Não exatamente. Porém, as entidades precisam ser mais independentes. As ONGs estão em crise financeira e a Abrapia é um exemplo disso. Elas não sabem ganhar dinheiro e nem acham que devem. Ainda assim, há pessoas que vêem o trabalho nesse setor como um grande negócio.

Rets - Na sua opinião, qual é o papel das ONGs hoje em dia?
Lauro Monteiro - As ONGs não podem ser responsáveis eternas pelos serviços que introduzem. Nosso papel é divulgar idéias, ser proativos, cobrar, criar. O governo, entretanto, é no máximo reativo. Nosso papel não é atender, prestar os serviços do Estado para sempre, mas os governos sempre acham que as ONGs vão dar um jeito de levar adiante programas que criam e que muitas vezes são reconhecidos como uma necessidade.

Rets - Com o fim da Abrapia, surgiu o Observatório da Infância e da Adolescência. Como ele funcionará?
Lauro Monteiro - Está tudo muito lento, pois estou pagando tudo do meu bolso. Estou em busca de apoio. Levei um ano fazendo o site, no qual pretendo divulgar os direitos das crianças e cobrar medidas neste sentido. Também vou fazer palestras e me relacionar com a mídia.

Rets - Há 20 anos o senhor atua nessa área. A situação melhorou?
Lauro Monteiro - Comecei em 1980 no Hospital Souza Aguiar, no Rio, e, desde então, vejo muitas melhorias. Naquela época, por exemplo, as mães não podiam acompanhar os filhos doentes. Era proibido. Para a opinião pública, o abuso sexual não existia - na verdade, ninguém falava sobre isso, era coisa de menino de rua. Hoje já se fala, sabemos que acontece em todas as classes sociais. Foi feito o Estatuto da Criança e do Adolescente, cujo cumprimento não é ideal, mas existe. Então, de uma forma geral, as coisas estão melhores na luta pelos direitos da infância e adolescência.

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Um Milhão de Histórias - Movimento para debate sobre o Plano Nacional de Juventude

Publicado pela Rets em 17/08/07

O Movimento Um Milhão de Histórias de Vida de Jovens acaba de lançar o CD Rom da campanha "Plano Nacional de Juventude em Pauta". O material está disponível para download no site www.ummilhaodehistorias.org.br, dando início à vertente virtual da Campanha pela democratização do debate sobre o Plano Nacional de Juventude.

Em fevereiro de 2005 o governo federal criou um conselho e uma secretaria nacionais de juventude – iniciativa que faz parte de uma política voltada aos 34 milhões de brasileiros/as que têm entre 15 e 24 anos. É nesta faixa etária que se encontra a parte da população atingida pelos piores índices de desemprego, de evasão escolar, de falta de formação profissional, mortes por homicídio, envolvimento com drogas e com a criminalidade. Agora, está pronto para ser votado no Congresso Nacional um projeto de lei elaborado pela Comissão Especial de Juventude, o Plano Nacional de Juventude. Uma emenda constitucional que dê suporte ao projeto e um estatuto da juventude também estão em discussão.

O Plano aguarda votação na Câmara, e neste momento, o Movimento Um Milhão de Histórias de Vida de Jovens, criado em 2006 pelas ongs Aracati e Museu da Pessoa, se une a outras ongs para iniciar uma campanha para promover a participação dos jovens e da sociedade em geral no debate sobre o plano. A iniciativa promove círculos de encontros onde jovens são estimulados a contar suas histórias e depois, com o apoio de um facilitador, escrever um roteiro de sua própria história, que é registrada para depois ser publicada na internet. De cada círculo saem novos facilitadores para outros círculos de histórias - e assim o movimento se espalha. As histórias se tornam ferramentas para discussão de temas relacionados às condições da juventude brasileira.

O objetivo do Movimento é reunir um milhão de jovens para que, por meio da articulação de suas histórias, mobilizem organizações sociais, programas de governo e outros movimentos sociais. Também é objetivo do projeto qualificar políticas públicas de juventude e, tornar o movimento conhecido pela sociedade.

Apesar de ser uma das principais vítimas da crise sócio-econômica do país, a juventude brasileira não tem seus direitos garantidos pela lei. Ao contrário de crianças, adolescentes e idosos, os 50,5 milhões de jovens brasileiros não são protegidos pela Constituição, por um estatuto ou outro aparato legal. Só agora o Brasil está dando os primeiros passos para quitar esta dívida e colocar os jovens em condições de enfrentar desafios como o desemprego e a exclusão social. Hoje, os jovens são 46,6% do total de desempregados das regiões metropolitanas (Dieese – Estudos e Pesquisas nº 11, 2005).

Sobre o Plano Nacional de Juventude
O Plano Nacional de Juventude – Projeto de Lei 4.530 -, possui mecanismos de participação direta da população na formulação de suas políticas. O Plano estabelece metas decenais para os ministérios que destinam ações e recursos à juventude e para governos estaduais e municipais, que terão dois anos para elaborar seus planos locais.

Entre os objetivos do Plano estão promover o empreendedorismo juvenil, a saúde, a segurança, os esportes, a inclusão digital, a educação, a pesquisa, a autonomia estudantil, a erradicação do analfabetismo e o direito à diversidade.

O documento traz um diagnóstico da situação da juventude e planos de atuação agrupados em quatro eixos. Em “Emancipação e Autonomia” encontram-se ações como a inclusão dos jovens nas escolas, a qualificação dos educadores, o aumento das vagas nas universidades, o fomento às redes de economia solidária entre juventudes e a regulamentação especial do trabalho do jovem que atenda às suas necessidades específicas. Em “Bem-estar” há ações ligadas à promoção de cultura, lazer, esporte, meio ambiente e saúde, como a democratização do acesso aos bens culturais e a criação de um fundo que apóie programas na área de prevenção às drogas e à violência. “Participação e Organização” insere os jovens na elaboração das políticas públicas, na gestão da educação e nas discussões comunitárias, por exemplo. “Políticas Afirmativas e Eqüidade de Oportunidades” implanta ações para atender às necessidades de jovens índios, afro-brasileiros, portadores de deficiência, GLBTT (gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis), mulheres, camponeses e jovens em conflito com a lei.

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II FSNE: movimentos repudiam a transposição do São Francisco

Rosário de Pompéia*
Publicado pela
Rets em 17/08/07

A caminhada do II Fórum Social Nordestino deixou evidente o repúdio dos movimentos sociais ao projeto de transposição do Rio São Francisco. Uma gigante carranca (símbolo que fica nas proas dos barcos que navegavam o rio) puxava a multidão, que entoava “São Francisco vivo: terra, água, rio e povo!”.

A conjuntura atual foi o ponto de partida para se pensar em novas estratégias de mobilização. “O processo de licitação está parado porque três empresas entraram com uma ação no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) alegando irregularidades. O projeto como um todo vai ser julgado pelo relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), Sepúlveda Pertence. Os movimentos encaminharam uma ação popular baseada em vários pareceres contrários ao projeto, inclusive o do Tribunal de Contas da União, que recomendou ao Ministério da Integração Nacional uma avaliação do alcance do projeto e o tempo necessário para atingir os beneficiados”, explica Juliana Barros, da Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais – AATR. Enquanto isso, as obras de destacamento e topografia estão caminhando, feitas por um Batalhão de Engenharia do Exército.

Durante os debates nas oficinas, seminários e conferências, os movimentos gritaram e mostraram que os principais beneficiados com a transposição serão os empreendimentos econômicos privados, como monocultura irrigada, carcinicultura, siderurgia e mercantilização da água. “A população está sendo vítima de uma política de marketing, pois o que realmente vai acontecer não é dito. Os beneficiados serão as empreiteiras, principais financiadoras de campanhas políticas. Os canais não vão chegar à população do semi-árido que está espalhada na caatinga, pois para isso serão necessárias outras obras - e assim, o preço da água vai encarecer”, explica Ruben Siqueira, da Comissão Pastoral da Terra, em uma das oficinas do II FSNE. Alzení Thomaz, do Conselho Pastoral dos Pescadores complementa que o problema não é apenas a falta de água, e sim o acesso à água. E nesse atual projeto, 70% da água vai para o agronegócio, 26% para as grandes cidades e 4% para uma população que não vai ter como pagar essa água.

A urgente necessidade da revitalização do rio, que já demonstra sinais de falecimento, e os impactos sociais e culturais também foram questões levantadas por índios, quilombolas e pequenos agricultores. “Essas obras vão passar em territórios indígenas e não se levou em conta que somos contrários ao projeto. Isso é inconstitucional”, afirma Zé de Santa, da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo – APOIMNE. “Esse projeto da morte do São Francisco também passa em comunidades quilombolas. O governo irá tirar as pessoas do seus territórios, mudando totalmente as suas vidas, interferindo nas suas organizações sociais, nas suas terras, nas suas culturas”, diz João da Conceição Santos, da Coordenação Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas - CONAQ. As principais conseqüências do projeto de transposição foram resumidas por Leomarcio Araújo, do Movimento dos Pequenos Agricultores da Bahia. “Vai ter mais concentração da propriedade de terras pelas indústrias e aumentará o uso do agrotóxico”.

O impacto na biodiversidade do Rio São Francisco é uma das preocupações do biólogo Maurício Lins Aroucha, da Agendha (Assessoria e Gestão em Estudos da Natureza, Desenvolvimento Humano e Agroecologia). “O Rio São Francisco possui a água mais doce do planeta de regiões semi-áridas e hiper-áridas. Ele é formado por rios temporários, em que a flora, fauna e microorganismos possuem uma dinâmica própria. Com a transposição, parte do rio ou todo ele (não sabemos ainda) deixará de ser temporário para ter água o ano todo, ou seja, será aletrada a dinâmica do rio. Dificilmente, a fauna, a flora e os microorganismos sobreviverão, pois isso exigiria uma mudança no seu código genético. “Os Estudos e Relatórios do Impacto Ambiental estão incompletos e, mesmo assim, apontaram inúmeros impactos negativos. Transposições desse porte que foram feitas pelo mundo tiveram um impacto negativo sobre o corpo hídrico e, em muitos lugares, o rio chegou a secar, como o Rio Colorado, nos Estados Unidos” explica Juracy Marques, professor da Universidade Estadual da Bahia. Vale salientar que o Brasil é signatário da Convenção Global para Conservação da Diversidade Biológica.

Propostas e alternativas
Alternativas mais eficientes e com menos impacto ao meio ambiente foram apontadas pelos manifestantes. Uma das mais citadas foi o "Projeto de Um Milhão de Cisternas", da Articulação do Semi-árido (ASA) e as 530 obras propostas pelo Atlas Nordeste - Abastecimento Urbano de Água, estudo elaborado pela Agência Nacional de Águas (ANA) que visa melhorar o gerenciamento da água entre os municípios da região. Enquanto a transposição está orçada em R$ 6,6 bilhões, o investimento previsto pelo Atlas é de R$ 3,6 bilhões. A transposição “beneficiaria” 391 municípios em quatro estados nordestinos. Já o Atlas alcançaria 1.356 sedes municipais em Minas Gerais e em todos os estados do Nordeste. Para o meio rural, existem cerca de 144 tecnologias, a maioria testada pela ASA. Construção de barragens subterrâneas, poços, barreiros e caldeirões de pedra também foram propostas como alternativas ao projeto. De acordo com Luiz Carlos Mandela, da Cáritas Brasileira, recurso hídrico existe em cada estado do Nordeste, o que falta é o gerenciamento para a satisfação das necessidades da população. “Deveriam criar um plano de gestão que institua o manejo adequado, descentralizado e participativo.”, sugere.

O projeto
Comumente conhecido como projeto da transposição do Rio São Francisco, oficialmente o nome da iniciativa é "Integração da Bacia do São Francisco às Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional". Para a sua realização, está prevista a construção de dois canais – um a Leste, que levará água para Pernambuco e Paraíba, outro na direção Norte, direcionado aos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte. Esta obra está inserida no pacote do Plano de Aceleração do Crescimento – PAC e custará R$ 6,6 bilhões até 2010, R$ 20 bilhões até 2020 e mais R$ 93,8 milhões por ano, de manutenção.

Rosário de Pompéia, em cobertura especial para Rets, é jornalista do Centro de Cultura Luiz Freire, que apoiou sua ida ao II FSNE.

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Senac Nove de Julho e Fecomercio promovem Fórum Empresarial de Desenvolvimento Sustentável

Roberta Lotti*
Publicado pelo
Setor3 em 10/08/07

No dia 21 de agosto, a Fecomercio São Paulo e o Senac Nove de Julho realizam o "Fórum Empresarial de Desenvolvimento Sustentável", para empresários e interessados. A entrada é franca.

O evento tem como objetivo identificar o espaço da Fecomercio como local onde empresários possam discutir temas ligados ao desenvolvimento em suas várias vertentes, fornecendo um local privilegiado para o debate de temas de fundamental importância, discutindo questões relevantes que poderão orientar e refletir em suas atividades diárias.

O encontro aborda tema "Dimensão Social e Econômica" e será ministrada por Augusto Franco, desenvolvedor de Nan Daí. Foi coordenador-geral da Agência de Educação para o Desenvolvimento (AED) e, entre 1995 e 2002, integrou (juntamente com Ruth Cardoso e Miguel Darcy de Oliveira) o Comitê Executivo do Conselho da Comunidade Solidária, onde foi o responsável pelas Rodadas de Interlocução Política que geraram, dentre outros resultados, a chamada Nova Lei do Terceiro Setor (Lei 9790/99, que criou as Oscips).

Outro palestrante convidado é o Dr. Rafael Bicudo, doutorando em Filosofia da Ciência pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), atualmente ministra aulas na Universidade Presbiteriana Mackenzie (Departamento de Economia) e na Trevisan Escola de Negócios, nos cursos de Relações Internacionais e Administração.

O evento acontece às 10 horas na sede da Fecomercio SP, na Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – São Paulo. Para outras informações, o interessado pode entrar em contato pelo telefone (11) 2182-6900 ou pelo e-mail novedejulho@sp.senac.br.

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Serviço:
"Fórum Empresarial de Desenvolvimento Sustentável"
Quando: 21 de agosto de 2007, às 10 horas
Onde: sede da Fecomercio SP
Rua Dr. Plínio Barreto, 285
São Paulo – SP
Quanto: entrada franca
Informações: telefone (11) 2182-6900 ou novedejulho@sp.senac.br
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* Roberta Lotti é jornalista do programa Rede Social do Senac São Paulo

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Empresários de São Paulo debatem iniciativas de inclusão de pessoas com deficiência

Susana Sarmiento
Publicado pelo
Setor3 em 10/08/07

Entre os dias dois e quatro de agosto, mais de 40 empresas de variados setores e 128 palestrantes estavam na Mostra Sistema Fiesp de Responsabilidade Socioambiental para discutir três grandes temas: Sustentabilidade, Meio Ambiente e Economia. O evento foi uma iniciativa do Comitê de Responsabilidade Social (Cores), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

"Esta Mostra é um marco, um sinal dos tempos. Com isso, vemos que de fato as pessoas notam a importância do tema. O futuro dos negócios são negócios sustentáveis. Para você ganhar dinheiro, não precisa negligenciar os fatores socioambientais. As empresas que administram seu todo são bem vistas pela sociedade. E se cada uma olhasse a questão ambiental e social, estaríamos bem melhor", afirma Fábio Barbosa, presidente da ABN Amro Bank.

Durante a cerimônia de abertura do evento, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, reforçou que o mundo caminha na direção de projetos de preservação do meio ambiente e a necessidade de sinergia com diferentes áreas. "Este evento tem a mesmo espírito que o Projeto Cidade Limpa. Por dia, temos cerca de três mil manifestações encaminhadas a prefeitura para denunciar irregularidades. O poder público tem o papel de fiscalizar, enquanto o poder privado assume uma função empreendedora. Aqui nasce uma nova Fiesp", observa.

"Antes de banqueiros, somos pessoas", reforça Paulo Skaf. O presidente da Fiesp deu as boas-vindas aos participantes e ressaltou aos empresários a necessidade de construírem um mundo sustentável junto com a sociedade.

Inclusão Econômica
O painel Diversidade Social e Inclusão Econômica reuniu Luiza Russo, presidenta do Instituto Paradigma, Sergio Amoroso, presidente da Fundação Orsa e do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC), Bruno Alvim, vice-presidente do Conselho Consultivo da ONG Integrare – Centro de Integração de Negócios, e Mara Cristina Gabrilli, ex-secretária da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da Prefeitura da Cidade de São Paulo, de 2005.

Luiza contextualizou a deficiência e mostrou o como o Instituto Paradigma atua na qualificação profissional dos deficientes. A Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) articula projetos, intermedia e dá assessoria de gestão de projetos na inclusão educacional e econômica. Para isso, há grupos de trabalho focados na criação de políticas públicas inclusivas, programas para alunos com deficiência em salas regulares, formação de professores, apoio na acessibilidade e viabilizar recursos para articular parcerias entre instituições públicas e privadas.
Quanto à inclusão econômica, o Paradigma atua no desenvolvimento de projetos corporativos focados na inclusão de pessoas com deficiência e com pouca experiência no mercado formal.

Luiza informa que cerca de 6,3 milhões dos habitantes de todo mundo são deficientes, representando 10% do total. Desses cerca 85% vivem em países em desenvolvimento e em situação de vulnerabilidade social. No Brasil, eles são 4,5% da população nacional. Eles se concentram geralmente na região Sudeste (39%).

"Dos quase quatro milhões de estudantes universitários matriculados nas instituições de Ensino Superior apenas 5.078 são pessoas com deficiência, representando 0,12% do total", informa a presidenta do Instituto. Ela defende que um grande parceiro para o processo de inclusão desta população é o setor privado, já que o setor público disponibiliza de programas, mas estes não se efetivam se não trabalharem em sinergia. Reforça ainda que a área de Terceiro Setor se especializou no cuidado com os deficientes, ajudando na produção de políticas públicas.

Em 2003, o Estado de São Paulo tinha 22% da população economicamente ativa, sendo 600 mil com algum tipo de deficiência. Luiza revela que, de acordo com dados da Delegacia Regional do Trabalho, o número de contratos para deficientes subiu nos últimos anos. Em 2001, havia 601pessoas com deficiência. Hoje há 60.506 pessoas com deficiência estão contratadas. Este fenômeno se deve à Lei de Cotas, estabelecida na lei 8213/91, que determina percentuais de contratação de 2 a 5% do total de trabalhadores e em diferentes áreas da organização.

Esta medida impacta diretamente na atuação das empresas na hora de contratar uma pessoa com deficiência. "Observamos através dos debates que as empresas têm necessidade de soluções coletivas, porque o problema não será resolvido de forma individual", pontua.

Sérgio Amoroso apresentou os programas da Fundação Orsa. Criada em 1994, a Fundação iniciou com pequenos projetos locais isolados para depois desenvolver programas sociais maiores. Explicou como as empresas do Grupo Orsa destinam 1% do faturamento anual bruto de suas empresas para a instituição. Esse compromisso, conhecido como Recurso Semente, viabiliza estratégias, gestão e planejamento à longo prazo.

Sobre a questão agrária, Sérgio contou o objetivo do programa de geração de renda para as comunidades rurais, que estimulam fixar os trabalhadores rurais em suas cidades. "O campo do Brasil dá muita oportunidade. Dividir é ver com todos os atores envolvidos a melhor saída. Não adianta fazer a mesma coisa que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Eles reivindicam um pedaço de terra, mas depois o trabalhador se torna novamente um pequeno proprietário rural. A situação não muda", critica.

Outro programa da Fundação é o Programa de Atendimento Humanizado ao recém-nascido por meio do método Mãe Canguru. Esta prática é conhecida por ser um tipo de assistência neonatal que implica no contato pele a pele precoce entre a mãe e o recém-nascido de baixo-peso. Esse contato permite a evolução da criança em posição canguru, posicionamento do bebe em decúbito prono, na posição vertical, contra o peito do adulto, que pode ser mãe ou outro familiar.

O representante da Integrare, Bruno Alvim, contou a história da ONG que promove negócios entre minorias com poder privado. "Tentamos trazer as empresas para nossos negócios. Geralmente, as empresas são pouco preparadas e tentamos ajudá-las. Mais importante que dividir a renda da sociedade é dividir as oportunidades das empresas para as pessoas com deficiência. Isso faz a gente caminhar", opina.

A Integrare trabalha de três formas. Primeiro capta recursos com os associados, depois divulga os cases de sucesso para estimular outras empresas a participarem do mesmo processo de inclusão. E, finalmente, a ONG ajuda no desenvolvimento das iniciativas destas empresas. No Brasil, a organização conseguiu sete milhões de dólares em negócios focados na inclusão do deficiente, enquanto a sede da ONG, nos Estados Unidos, atingiram 80 bilhões de dólares. "Se todos fizessem um pouco mudaria a história do País", pontua Bruno.

O debate contou com o depoimento de Mara Cristina Gabrilli, ex-secretária da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da Prefeitura da Cidade de São Paulo, que assumiu em 2005. Há 13 anos a psicóloga e publicitária sofreu um acidente de carro, que causou uma lesão medular e a deixou tetraplégica. Fez seu tratamento nos Estados Unidos e quando retornou ao Brasil notou a falta de informação e conhecimento de grande parte da população sobre deficiência. "Mais de 25 mil pessoas são excluídas por terem mobilidade reduzida. São idosos, gestantes e os deficientes. Na cidade de São Paulo, entre 11 mil habitantes cerca de três mil são pessoas com deficiência. É difícil sair de casa, você precisa ter equipamentos para facilitar a locomoção", revela.

Em 1997, Mara criou a ONG Projeto Próximo Passo (PPP), que auxilia deficientes físicos e financia pesquisas de curas. Percebemos que os atletas deficientes tinham dificuldade de chegar ao treino", justifica. Ela ainda explica que nos últimos 20 anos a própria iniciativa da Secretaria foi responsável por diversas ações, porém foram pulverizadas e pontuais – como a construção de calçadas, ruas e quarteirões mais acessíveis.

"A Secretaria Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida teve uma função mais pedagógica dentro da Prefeitura de São Paulo, pois a maioria desconhecia os problemas dos deficientes. Cerca de 10% dos cegos sabem braille e cada 20 mil nascidos em São Paulo são anões. Ninguém sabe destes dados. Todos nós somos humanos, muitos se baseiam pela aparência. Todos são agentes sociais. A barreira física não é a questão mais complicada. O mais difícil é a barreira da atitude, devido à falta de informação. Não temos que ter vergonha de ter preconceito, mas de não querer eliminá-las", esclarece Mara.

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Serviço:

Instituto Paradigma
www.institutoparadigma.org.br

Integrare
www.integrare.org.br

Projeto Próximo Passo
www.ppp.org.br

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