domingo, 19 de agosto de 2007

Fundação O Boticário de Proteção à Natureza financia projetos

Publicado pela Rits em 17/08/07

A Fundação O Boticário de Proteção à Natureza está recebendo inscrições para o edital de apoio a projetos de conservação da natureza do segundo semestre de 2007. As inscrições podem ser feitas por formulário no site até o dia 25 de agosto, ou por correio até 31 de agosto (a data do carimbo do correio será considerada comprovante de cumprimento do prazo).

Podem concorrer ao financiamento propostas desenvolvidas por organizações não-governamentais ou fundações ligadas a universidades e que se enquadrem em pelo menos um dos seguintes temas: manejo de unidades de conservação, conservação e manejo de espécies ameaçadas, fiscalização e proteção ambiental, valorização e manejo de áreas verdes urbanas, controle de espécies exóticas invasoras, restauração de ecossistemas, desenvolvimento e implementação de políticas públicas e legislação ambiental e pesquisa aplicada a ecologia e conservação da natureza.

A Fundação O Boticário aceita propostas de projetos a serem desenvolvidos em todo o Brasil. No entanto, a organização prioriza parte dos recursos a três regiões específicas, que estão inseridas em áreas de alta importância para a conservação mundial: a) Complexo estuarino-lagunar Iguape-Cananéia-Paranaguá, localizado na Mata Atlântica; b) Região de Cerrado compreendida entre o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) e o conjunto de unidades constituído pelo Parque Estadual do Jalapão e Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba (TO); e c) Região do Pantanal, abrangendo a bacia pantaneira e a região da Serra da Bodoquena. O mapa das áreas prioritárias está disponível no site da Fundação O Boticário.

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Banco do Nordeste faz seleção de projetos culturais

Publicado pela Rits em 17/08/07

Está aberta até o dia 24 de agosto a inscrição de projetos para o Programa BNB de Cultura - uma linha de patrocínio direto do Banco do Nordeste para apoio à produção e difusão da cultura nordestina, mediante seleção pública de projetos.

Em sua quarta edição, o Programa destinará R$ 3 milhões para apoiar projetos nas áreas de música, literatura, artes cênicas, artes visuais, audiovisual e artes integradas ou não-específicas (R$ 500 mil para cada uma das seis linhas de atuação), a serem realizados em 2008.

A fim de garantir a interiorização do Programa, serão destinados pelo menos R$ 1,5 milhão (50%) para projetos com ações culturais desenvolvidas em municípios de até 100 mil habitantes, dentro da área de atuação do Banco do Nordeste (Nordeste, Norte de Minas Gerais e do Espírito Santo).

O edital contendo o regulamento do Programa e os respectivos formulários eletrônicos para inscrição de projetos, bem como as instruções para preenchimento e o modelo de relatório para prestação de contas, estão disponíveis no portal do BNB, na rede de agências do Banco, nas superintendências estaduais do BNB e nos três Centros Culturais Banco do Nordeste (Fortaleza, na capital do Ceará; Cariri, em Juazeiro do Norte, região Sul do Ceará; e Sousa, no Alto Sertão Paraibano).

A relação de projetos selecionados será divulgada em 30 de novembro deste ano. Serão contemplados pelo menos 172 projetos, sendo no mínimo 30 em música, 33 em literatura, 30 em artes cênicas, 30 em artes visuais, 19 em audiovisual e 30 em artes integradas ou não-específicas.

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Prêmio Staying Alive

Publicado pela Rits em 16/08/07

Reconhecer iniciativas de adolescentes e jovens que ajudam a difundir e divulgar informações sobre HIV/AIDS. Esse é o objetivo do Prêmio Staying Alive, que será entregue em dezembro deste ano. Os projetos, além de conscientizar e orientar para práticas sexuais seguras, devem trabalhar para desenvolver o protagonismo juvenil nas ações de enfrentamento ao HIV/AIDS e eliminar o estigma e a discriminação associados ao vírus e à doença. As ações premiadas receberão US$ 12 mil dólares para custear suas atividades ao longo de um ano. Esse financiamento pode ser renovado de acordo com a avaliação recebida pelos projetos. As inscrições podem ser realizadas até o dia 1º de outubro e os vencedores serão divulgados no dia 3 de dezembro. Informações, em inglês, no site www.staying-alive.org/en/foundation/other_links/awards.

A campanha Staying Alive é uma iniciativa global de conscientização e prevenção contra o HIV/AIDS, feita a partir da realização de documentários, anúncios de utilidade pública, fóruns de jovens e conteúdo de Internet. A proposta é levar a um público o mais amplo possível as mensagens de prevenção contra o HIV. A campanha é resultado de uma parceria entre a MTV Networks International, o UNICEF e diversas outras organizações.

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Programa Redesenvolvimento: inscrições prorrogadas

Publicado pela Rits em 15/08/07

Foram prorrogadas até o dia 31 de agosto, as inscrições para o Redesenvolvimento 2007 - Programa de Formação em Redes para o Desenvolvimento. A proposta da iniciativa é formar e mobilizar atores sociais, promovendo a construção de um ambiente colaborativo voltado ao fortalecimento de redes. A forte demanda de interessados pelo programa e as parcerias concretizadas pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Lideranças [ABDL] possibilitaram a diminuição do valor do investimento. Além das inscrições individuais, grupos de uma mesma rede ou instituição vão receber um desconto maior.

Os/as interessados/as em fazer parte do Redesenvolvimento terão a oportunidade de ingressar na rede global do Lead ao participar do seminário internacional do programa, a ser realizado em Bali, na Indonésia, com o tema “Liderança e Mudanças Climáticas”, entre 26 de novembro e 1º de dezembro de 2007. Aqueles/as que forem ao seminário, poderão, ainda, ter acesso à Conferência do Clima, realizada pela ONU, na semana seguinte, também em Bali.

O Redesenvolvimento é desenvolvido pela ABDL, com o apoio do Lead International, e parceria com a Rede de Informações para o Terceiro Setor [RITS]. Para mais informações é preciso entrar em contato com a ABDL pelo email redes@abdl.org.br ou pelo telefone (11) 3719 1532, ramal 24.

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sábado, 18 de agosto de 2007

Mais uma ONG fecha as portas

Marcelo Medeiros
Publicado pela
Rets em 17/08/07

Foto Portal do Voluntário

Há mais de 20 anos ele promove e defende os direitos de crianças e adolescentes. Fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e a Adolescência (Abrapia), o pediatra Lauro Monteiro por muito tempo levou adiante o trabalho da ONG por idealismo. Em suas palavras, "tinha um sonho a concretizar".

Duas décadas após a criação da organização, porém, ele está decepcionado. A falta de apoio financeiro fez com que decretasse o fim da entidade, responsável pela criação de serviços de atendimento e denúncia contra a exploração sexual infantil, além de campanhas contra o bullying (comportamento agressivo em escolas) em todo o país. Empresas e Estado deixaram de apoiar seus projetos. Devido às dificuldades que encontrou nos últimos anos, ele recomenda cuidado a quem pensa em abrir uma organização não-governamental. "Parei de procurar apoio. Meu conselho hoje em dia aos idealistas é 'não abra uma ONG'". Nesta entrevista, o pediatra conta as razões de sua frustração.

Rets - Por que, depois de 19 anos, a Abrapia fecha as portas?
Lauro Monteiro - Por vários motivos, mas o principal é a falta de apoio aos nossos projetos. A Abrapia completaria 19 anos em outubro. Criamos telefones de atendimento à crianças e adolescentes e pautamos a mídia por diversas vezes. Muitas das iniciativas da Abrapia foram pioneiras. Porém, desde janeiro de 2006, a entidade não recebeu nenhum centavo para pagar as contas, com exceção de contribuições esporádicas de amigos. Isso totalizava menos de mil reais. Logo, as atividades tiveram que ser interrompidas, pois não havia como pagar o salário dos funcionários e as despesas. Saio, no entanto, com a tranquilidade da missão cumprida. Não houve constrangimento algum.

Rets - Com quais apoios a organização contava?
Lauro Monteiro - Cada programa tinha um financiador. O programa Sentinela (de apoio a crianças vítimas de abuso sexual), por exemplo, era apoiado pela prefeitura do Rio de Janeiro. No fim de 2005, porém, fomos avisados que não haveria renovação do contrato. Até aí, tudo bem. O problema é que, durante muito tempo, tivemos que lidar com atrasos de pagamentos que nos obrigaram a pedir empréstimos para honrar nossos compromissos. Sem a renovação, ficamos sem dinheiro para pagar as dívidas. Chegamos a propor à prefeitura, quando da assinatura do contrato, uma cláusula que impunha uma multa para atrasos no pagamento, mas isso não foi aceito. Ficamos sem dinheiro para pagar os funcionários. Isso acaba com qualquer ambiente de trabalho.

Rets - A iniciativa privada tinha alguma participação no apoio a projetos?
Lauro Monteiro - Tivemos apoio de várias empresas, mas todos com data para acabar. O problema é que enfrentamos muita dificuldade para conseguir novos aportes. Fui a vários locais pedir ajuda, mas tudo era limitado demais. Surgiam, então, pessoas que faziam projetos e intermediavam os contatos com alguns financiadores, mas cobravam até 30% do valor do contrato. Como poderíamos abrir mão de um terço das receitas?

Rets - Você está frustrado com essa situação?
Lauro Monteiro - Como disse, estou tranquilo. Mas fico triste por ninguém ter assumido o Teca (Telefone Amigo da Criança e do Adolescente). É preciso convencer os governos da importância desse programa, que abre um canal para as vítimas denunciarem abusos. Mas já perdi a esperança. Outro exemplo é o programa de conscientização sobre a prática de bullying, problema antigo, mas nunca discutido. Trouxemos o projeto da Inglaterra em 2001, mais de dez anos depois de ele ser introduzido por lá. A Abrapia foi escolhida em uma seleção de projetos de uma empresa estatal e o programa foi considerado um sucesso. Quando o contrato chegou ao fim e perguntei se iriam renová-lo, pessoas de dentro da empresa me disseram que não, pois ele não era mais considerado prioritário, pois não se encaixava nos objetivos do Fome Zero. Daí me aconselharam a escrever um novo projeto, dentro da linha financiada pelo governo federal. Mas como a Abrapia faria isso? Não temos experiência em combate à fome. Nossa área é a de direitos da criança e do adolescente.

Depois de muita briga, decidi parar de procurar apoio. Meu conselho hoje em dia aos idealistas é "não abra uma ONG". O Estado não quer apoiar, as empresas também não. Há ainda muita confusão no terceiro setor.

Rets - Que confusão?
Lauro Monteiro - Há deturpações. Dizem que há cifras muito altas sendo gerenciadas por ONGs, mas essas são uma minoria. Há confusão entre as fundações empresariais e as ONGs. As pessoas pensam que devido à confortável situação financeira de algumas fundações, todas as ONGs estão assim. Eu trabalho como voluntário há muito tempo, não ganho nada com isso. Perdemos nossa sede uma vez, conseguimos outra. Tem gente que trabalha em sala emprestada. Claro que há pequenas organizações que, por vários motivos, se deram melhor que a Abrapia, mas isso não é um fato generalizado.

Rets - Por um lado, há falta de apoio financeiro, mas por outro também deve haver problemas administrativos. Falta profissionalismo ao terceiro setor no Brasil?
Lauro Monteiro - Falta. Não sei se para o bem ou para o mal. Hoje em dia, há muitos cursos de gestão de ONGs. Cheguei a ler vários livros de administração para entender um pouco melhor como as coisas funcionam, mas atualmente existe uma indústria em cima do terceiro setor. Ao mesmo tempo, precisamos de gente que trabalhe não pensando somente no dinheiro que vai ganhar, mas também nos objetivos da organização. No nosso caso, voltados para os direitos humanos. É possível profissionalizar a equipe até certo ponto. E isso é importante. Mas há dificuldade em conseguirmos profissionais qualificados em todas as áreas. Conseguimos atrair muita gente boa para a parte programática da ONG, para atuar em suas atividades-fim, mas para a parte administrativa, por exemplo, é mais difícil. Poucas organizações têm como pagar os salários de mercado para bons profissionais de administração.

Rets - Você acredita que há uma crise ética das ONGs?
Lauro Monteiro - Não exatamente. Porém, as entidades precisam ser mais independentes. As ONGs estão em crise financeira e a Abrapia é um exemplo disso. Elas não sabem ganhar dinheiro e nem acham que devem. Ainda assim, há pessoas que vêem o trabalho nesse setor como um grande negócio.

Rets - Na sua opinião, qual é o papel das ONGs hoje em dia?
Lauro Monteiro - As ONGs não podem ser responsáveis eternas pelos serviços que introduzem. Nosso papel é divulgar idéias, ser proativos, cobrar, criar. O governo, entretanto, é no máximo reativo. Nosso papel não é atender, prestar os serviços do Estado para sempre, mas os governos sempre acham que as ONGs vão dar um jeito de levar adiante programas que criam e que muitas vezes são reconhecidos como uma necessidade.

Rets - Com o fim da Abrapia, surgiu o Observatório da Infância e da Adolescência. Como ele funcionará?
Lauro Monteiro - Está tudo muito lento, pois estou pagando tudo do meu bolso. Estou em busca de apoio. Levei um ano fazendo o site, no qual pretendo divulgar os direitos das crianças e cobrar medidas neste sentido. Também vou fazer palestras e me relacionar com a mídia.

Rets - Há 20 anos o senhor atua nessa área. A situação melhorou?
Lauro Monteiro - Comecei em 1980 no Hospital Souza Aguiar, no Rio, e, desde então, vejo muitas melhorias. Naquela época, por exemplo, as mães não podiam acompanhar os filhos doentes. Era proibido. Para a opinião pública, o abuso sexual não existia - na verdade, ninguém falava sobre isso, era coisa de menino de rua. Hoje já se fala, sabemos que acontece em todas as classes sociais. Foi feito o Estatuto da Criança e do Adolescente, cujo cumprimento não é ideal, mas existe. Então, de uma forma geral, as coisas estão melhores na luta pelos direitos da infância e adolescência.

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Um Milhão de Histórias - Movimento para debate sobre o Plano Nacional de Juventude

Publicado pela Rets em 17/08/07

O Movimento Um Milhão de Histórias de Vida de Jovens acaba de lançar o CD Rom da campanha "Plano Nacional de Juventude em Pauta". O material está disponível para download no site www.ummilhaodehistorias.org.br, dando início à vertente virtual da Campanha pela democratização do debate sobre o Plano Nacional de Juventude.

Em fevereiro de 2005 o governo federal criou um conselho e uma secretaria nacionais de juventude – iniciativa que faz parte de uma política voltada aos 34 milhões de brasileiros/as que têm entre 15 e 24 anos. É nesta faixa etária que se encontra a parte da população atingida pelos piores índices de desemprego, de evasão escolar, de falta de formação profissional, mortes por homicídio, envolvimento com drogas e com a criminalidade. Agora, está pronto para ser votado no Congresso Nacional um projeto de lei elaborado pela Comissão Especial de Juventude, o Plano Nacional de Juventude. Uma emenda constitucional que dê suporte ao projeto e um estatuto da juventude também estão em discussão.

O Plano aguarda votação na Câmara, e neste momento, o Movimento Um Milhão de Histórias de Vida de Jovens, criado em 2006 pelas ongs Aracati e Museu da Pessoa, se une a outras ongs para iniciar uma campanha para promover a participação dos jovens e da sociedade em geral no debate sobre o plano. A iniciativa promove círculos de encontros onde jovens são estimulados a contar suas histórias e depois, com o apoio de um facilitador, escrever um roteiro de sua própria história, que é registrada para depois ser publicada na internet. De cada círculo saem novos facilitadores para outros círculos de histórias - e assim o movimento se espalha. As histórias se tornam ferramentas para discussão de temas relacionados às condições da juventude brasileira.

O objetivo do Movimento é reunir um milhão de jovens para que, por meio da articulação de suas histórias, mobilizem organizações sociais, programas de governo e outros movimentos sociais. Também é objetivo do projeto qualificar políticas públicas de juventude e, tornar o movimento conhecido pela sociedade.

Apesar de ser uma das principais vítimas da crise sócio-econômica do país, a juventude brasileira não tem seus direitos garantidos pela lei. Ao contrário de crianças, adolescentes e idosos, os 50,5 milhões de jovens brasileiros não são protegidos pela Constituição, por um estatuto ou outro aparato legal. Só agora o Brasil está dando os primeiros passos para quitar esta dívida e colocar os jovens em condições de enfrentar desafios como o desemprego e a exclusão social. Hoje, os jovens são 46,6% do total de desempregados das regiões metropolitanas (Dieese – Estudos e Pesquisas nº 11, 2005).

Sobre o Plano Nacional de Juventude
O Plano Nacional de Juventude – Projeto de Lei 4.530 -, possui mecanismos de participação direta da população na formulação de suas políticas. O Plano estabelece metas decenais para os ministérios que destinam ações e recursos à juventude e para governos estaduais e municipais, que terão dois anos para elaborar seus planos locais.

Entre os objetivos do Plano estão promover o empreendedorismo juvenil, a saúde, a segurança, os esportes, a inclusão digital, a educação, a pesquisa, a autonomia estudantil, a erradicação do analfabetismo e o direito à diversidade.

O documento traz um diagnóstico da situação da juventude e planos de atuação agrupados em quatro eixos. Em “Emancipação e Autonomia” encontram-se ações como a inclusão dos jovens nas escolas, a qualificação dos educadores, o aumento das vagas nas universidades, o fomento às redes de economia solidária entre juventudes e a regulamentação especial do trabalho do jovem que atenda às suas necessidades específicas. Em “Bem-estar” há ações ligadas à promoção de cultura, lazer, esporte, meio ambiente e saúde, como a democratização do acesso aos bens culturais e a criação de um fundo que apóie programas na área de prevenção às drogas e à violência. “Participação e Organização” insere os jovens na elaboração das políticas públicas, na gestão da educação e nas discussões comunitárias, por exemplo. “Políticas Afirmativas e Eqüidade de Oportunidades” implanta ações para atender às necessidades de jovens índios, afro-brasileiros, portadores de deficiência, GLBTT (gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis), mulheres, camponeses e jovens em conflito com a lei.

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II FSNE: movimentos repudiam a transposição do São Francisco

Rosário de Pompéia*
Publicado pela
Rets em 17/08/07

A caminhada do II Fórum Social Nordestino deixou evidente o repúdio dos movimentos sociais ao projeto de transposição do Rio São Francisco. Uma gigante carranca (símbolo que fica nas proas dos barcos que navegavam o rio) puxava a multidão, que entoava “São Francisco vivo: terra, água, rio e povo!”.

A conjuntura atual foi o ponto de partida para se pensar em novas estratégias de mobilização. “O processo de licitação está parado porque três empresas entraram com uma ação no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) alegando irregularidades. O projeto como um todo vai ser julgado pelo relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), Sepúlveda Pertence. Os movimentos encaminharam uma ação popular baseada em vários pareceres contrários ao projeto, inclusive o do Tribunal de Contas da União, que recomendou ao Ministério da Integração Nacional uma avaliação do alcance do projeto e o tempo necessário para atingir os beneficiados”, explica Juliana Barros, da Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais – AATR. Enquanto isso, as obras de destacamento e topografia estão caminhando, feitas por um Batalhão de Engenharia do Exército.

Durante os debates nas oficinas, seminários e conferências, os movimentos gritaram e mostraram que os principais beneficiados com a transposição serão os empreendimentos econômicos privados, como monocultura irrigada, carcinicultura, siderurgia e mercantilização da água. “A população está sendo vítima de uma política de marketing, pois o que realmente vai acontecer não é dito. Os beneficiados serão as empreiteiras, principais financiadoras de campanhas políticas. Os canais não vão chegar à população do semi-árido que está espalhada na caatinga, pois para isso serão necessárias outras obras - e assim, o preço da água vai encarecer”, explica Ruben Siqueira, da Comissão Pastoral da Terra, em uma das oficinas do II FSNE. Alzení Thomaz, do Conselho Pastoral dos Pescadores complementa que o problema não é apenas a falta de água, e sim o acesso à água. E nesse atual projeto, 70% da água vai para o agronegócio, 26% para as grandes cidades e 4% para uma população que não vai ter como pagar essa água.

A urgente necessidade da revitalização do rio, que já demonstra sinais de falecimento, e os impactos sociais e culturais também foram questões levantadas por índios, quilombolas e pequenos agricultores. “Essas obras vão passar em territórios indígenas e não se levou em conta que somos contrários ao projeto. Isso é inconstitucional”, afirma Zé de Santa, da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo – APOIMNE. “Esse projeto da morte do São Francisco também passa em comunidades quilombolas. O governo irá tirar as pessoas do seus territórios, mudando totalmente as suas vidas, interferindo nas suas organizações sociais, nas suas terras, nas suas culturas”, diz João da Conceição Santos, da Coordenação Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas - CONAQ. As principais conseqüências do projeto de transposição foram resumidas por Leomarcio Araújo, do Movimento dos Pequenos Agricultores da Bahia. “Vai ter mais concentração da propriedade de terras pelas indústrias e aumentará o uso do agrotóxico”.

O impacto na biodiversidade do Rio São Francisco é uma das preocupações do biólogo Maurício Lins Aroucha, da Agendha (Assessoria e Gestão em Estudos da Natureza, Desenvolvimento Humano e Agroecologia). “O Rio São Francisco possui a água mais doce do planeta de regiões semi-áridas e hiper-áridas. Ele é formado por rios temporários, em que a flora, fauna e microorganismos possuem uma dinâmica própria. Com a transposição, parte do rio ou todo ele (não sabemos ainda) deixará de ser temporário para ter água o ano todo, ou seja, será aletrada a dinâmica do rio. Dificilmente, a fauna, a flora e os microorganismos sobreviverão, pois isso exigiria uma mudança no seu código genético. “Os Estudos e Relatórios do Impacto Ambiental estão incompletos e, mesmo assim, apontaram inúmeros impactos negativos. Transposições desse porte que foram feitas pelo mundo tiveram um impacto negativo sobre o corpo hídrico e, em muitos lugares, o rio chegou a secar, como o Rio Colorado, nos Estados Unidos” explica Juracy Marques, professor da Universidade Estadual da Bahia. Vale salientar que o Brasil é signatário da Convenção Global para Conservação da Diversidade Biológica.

Propostas e alternativas
Alternativas mais eficientes e com menos impacto ao meio ambiente foram apontadas pelos manifestantes. Uma das mais citadas foi o "Projeto de Um Milhão de Cisternas", da Articulação do Semi-árido (ASA) e as 530 obras propostas pelo Atlas Nordeste - Abastecimento Urbano de Água, estudo elaborado pela Agência Nacional de Águas (ANA) que visa melhorar o gerenciamento da água entre os municípios da região. Enquanto a transposição está orçada em R$ 6,6 bilhões, o investimento previsto pelo Atlas é de R$ 3,6 bilhões. A transposição “beneficiaria” 391 municípios em quatro estados nordestinos. Já o Atlas alcançaria 1.356 sedes municipais em Minas Gerais e em todos os estados do Nordeste. Para o meio rural, existem cerca de 144 tecnologias, a maioria testada pela ASA. Construção de barragens subterrâneas, poços, barreiros e caldeirões de pedra também foram propostas como alternativas ao projeto. De acordo com Luiz Carlos Mandela, da Cáritas Brasileira, recurso hídrico existe em cada estado do Nordeste, o que falta é o gerenciamento para a satisfação das necessidades da população. “Deveriam criar um plano de gestão que institua o manejo adequado, descentralizado e participativo.”, sugere.

O projeto
Comumente conhecido como projeto da transposição do Rio São Francisco, oficialmente o nome da iniciativa é "Integração da Bacia do São Francisco às Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional". Para a sua realização, está prevista a construção de dois canais – um a Leste, que levará água para Pernambuco e Paraíba, outro na direção Norte, direcionado aos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte. Esta obra está inserida no pacote do Plano de Aceleração do Crescimento – PAC e custará R$ 6,6 bilhões até 2010, R$ 20 bilhões até 2020 e mais R$ 93,8 milhões por ano, de manutenção.

Rosário de Pompéia, em cobertura especial para Rets, é jornalista do Centro de Cultura Luiz Freire, que apoiou sua ida ao II FSNE.

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Senac Nove de Julho e Fecomercio promovem Fórum Empresarial de Desenvolvimento Sustentável

Roberta Lotti*
Publicado pelo
Setor3 em 10/08/07

No dia 21 de agosto, a Fecomercio São Paulo e o Senac Nove de Julho realizam o "Fórum Empresarial de Desenvolvimento Sustentável", para empresários e interessados. A entrada é franca.

O evento tem como objetivo identificar o espaço da Fecomercio como local onde empresários possam discutir temas ligados ao desenvolvimento em suas várias vertentes, fornecendo um local privilegiado para o debate de temas de fundamental importância, discutindo questões relevantes que poderão orientar e refletir em suas atividades diárias.

O encontro aborda tema "Dimensão Social e Econômica" e será ministrada por Augusto Franco, desenvolvedor de Nan Daí. Foi coordenador-geral da Agência de Educação para o Desenvolvimento (AED) e, entre 1995 e 2002, integrou (juntamente com Ruth Cardoso e Miguel Darcy de Oliveira) o Comitê Executivo do Conselho da Comunidade Solidária, onde foi o responsável pelas Rodadas de Interlocução Política que geraram, dentre outros resultados, a chamada Nova Lei do Terceiro Setor (Lei 9790/99, que criou as Oscips).

Outro palestrante convidado é o Dr. Rafael Bicudo, doutorando em Filosofia da Ciência pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), atualmente ministra aulas na Universidade Presbiteriana Mackenzie (Departamento de Economia) e na Trevisan Escola de Negócios, nos cursos de Relações Internacionais e Administração.

O evento acontece às 10 horas na sede da Fecomercio SP, na Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – São Paulo. Para outras informações, o interessado pode entrar em contato pelo telefone (11) 2182-6900 ou pelo e-mail novedejulho@sp.senac.br.

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Serviço:
"Fórum Empresarial de Desenvolvimento Sustentável"
Quando: 21 de agosto de 2007, às 10 horas
Onde: sede da Fecomercio SP
Rua Dr. Plínio Barreto, 285
São Paulo – SP
Quanto: entrada franca
Informações: telefone (11) 2182-6900 ou novedejulho@sp.senac.br
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* Roberta Lotti é jornalista do programa Rede Social do Senac São Paulo

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Empresários de São Paulo debatem iniciativas de inclusão de pessoas com deficiência

Susana Sarmiento
Publicado pelo
Setor3 em 10/08/07

Entre os dias dois e quatro de agosto, mais de 40 empresas de variados setores e 128 palestrantes estavam na Mostra Sistema Fiesp de Responsabilidade Socioambiental para discutir três grandes temas: Sustentabilidade, Meio Ambiente e Economia. O evento foi uma iniciativa do Comitê de Responsabilidade Social (Cores), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

"Esta Mostra é um marco, um sinal dos tempos. Com isso, vemos que de fato as pessoas notam a importância do tema. O futuro dos negócios são negócios sustentáveis. Para você ganhar dinheiro, não precisa negligenciar os fatores socioambientais. As empresas que administram seu todo são bem vistas pela sociedade. E se cada uma olhasse a questão ambiental e social, estaríamos bem melhor", afirma Fábio Barbosa, presidente da ABN Amro Bank.

Durante a cerimônia de abertura do evento, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, reforçou que o mundo caminha na direção de projetos de preservação do meio ambiente e a necessidade de sinergia com diferentes áreas. "Este evento tem a mesmo espírito que o Projeto Cidade Limpa. Por dia, temos cerca de três mil manifestações encaminhadas a prefeitura para denunciar irregularidades. O poder público tem o papel de fiscalizar, enquanto o poder privado assume uma função empreendedora. Aqui nasce uma nova Fiesp", observa.

"Antes de banqueiros, somos pessoas", reforça Paulo Skaf. O presidente da Fiesp deu as boas-vindas aos participantes e ressaltou aos empresários a necessidade de construírem um mundo sustentável junto com a sociedade.

Inclusão Econômica
O painel Diversidade Social e Inclusão Econômica reuniu Luiza Russo, presidenta do Instituto Paradigma, Sergio Amoroso, presidente da Fundação Orsa e do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC), Bruno Alvim, vice-presidente do Conselho Consultivo da ONG Integrare – Centro de Integração de Negócios, e Mara Cristina Gabrilli, ex-secretária da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da Prefeitura da Cidade de São Paulo, de 2005.

Luiza contextualizou a deficiência e mostrou o como o Instituto Paradigma atua na qualificação profissional dos deficientes. A Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) articula projetos, intermedia e dá assessoria de gestão de projetos na inclusão educacional e econômica. Para isso, há grupos de trabalho focados na criação de políticas públicas inclusivas, programas para alunos com deficiência em salas regulares, formação de professores, apoio na acessibilidade e viabilizar recursos para articular parcerias entre instituições públicas e privadas.
Quanto à inclusão econômica, o Paradigma atua no desenvolvimento de projetos corporativos focados na inclusão de pessoas com deficiência e com pouca experiência no mercado formal.

Luiza informa que cerca de 6,3 milhões dos habitantes de todo mundo são deficientes, representando 10% do total. Desses cerca 85% vivem em países em desenvolvimento e em situação de vulnerabilidade social. No Brasil, eles são 4,5% da população nacional. Eles se concentram geralmente na região Sudeste (39%).

"Dos quase quatro milhões de estudantes universitários matriculados nas instituições de Ensino Superior apenas 5.078 são pessoas com deficiência, representando 0,12% do total", informa a presidenta do Instituto. Ela defende que um grande parceiro para o processo de inclusão desta população é o setor privado, já que o setor público disponibiliza de programas, mas estes não se efetivam se não trabalharem em sinergia. Reforça ainda que a área de Terceiro Setor se especializou no cuidado com os deficientes, ajudando na produção de políticas públicas.

Em 2003, o Estado de São Paulo tinha 22% da população economicamente ativa, sendo 600 mil com algum tipo de deficiência. Luiza revela que, de acordo com dados da Delegacia Regional do Trabalho, o número de contratos para deficientes subiu nos últimos anos. Em 2001, havia 601pessoas com deficiência. Hoje há 60.506 pessoas com deficiência estão contratadas. Este fenômeno se deve à Lei de Cotas, estabelecida na lei 8213/91, que determina percentuais de contratação de 2 a 5% do total de trabalhadores e em diferentes áreas da organização.

Esta medida impacta diretamente na atuação das empresas na hora de contratar uma pessoa com deficiência. "Observamos através dos debates que as empresas têm necessidade de soluções coletivas, porque o problema não será resolvido de forma individual", pontua.

Sérgio Amoroso apresentou os programas da Fundação Orsa. Criada em 1994, a Fundação iniciou com pequenos projetos locais isolados para depois desenvolver programas sociais maiores. Explicou como as empresas do Grupo Orsa destinam 1% do faturamento anual bruto de suas empresas para a instituição. Esse compromisso, conhecido como Recurso Semente, viabiliza estratégias, gestão e planejamento à longo prazo.

Sobre a questão agrária, Sérgio contou o objetivo do programa de geração de renda para as comunidades rurais, que estimulam fixar os trabalhadores rurais em suas cidades. "O campo do Brasil dá muita oportunidade. Dividir é ver com todos os atores envolvidos a melhor saída. Não adianta fazer a mesma coisa que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Eles reivindicam um pedaço de terra, mas depois o trabalhador se torna novamente um pequeno proprietário rural. A situação não muda", critica.

Outro programa da Fundação é o Programa de Atendimento Humanizado ao recém-nascido por meio do método Mãe Canguru. Esta prática é conhecida por ser um tipo de assistência neonatal que implica no contato pele a pele precoce entre a mãe e o recém-nascido de baixo-peso. Esse contato permite a evolução da criança em posição canguru, posicionamento do bebe em decúbito prono, na posição vertical, contra o peito do adulto, que pode ser mãe ou outro familiar.

O representante da Integrare, Bruno Alvim, contou a história da ONG que promove negócios entre minorias com poder privado. "Tentamos trazer as empresas para nossos negócios. Geralmente, as empresas são pouco preparadas e tentamos ajudá-las. Mais importante que dividir a renda da sociedade é dividir as oportunidades das empresas para as pessoas com deficiência. Isso faz a gente caminhar", opina.

A Integrare trabalha de três formas. Primeiro capta recursos com os associados, depois divulga os cases de sucesso para estimular outras empresas a participarem do mesmo processo de inclusão. E, finalmente, a ONG ajuda no desenvolvimento das iniciativas destas empresas. No Brasil, a organização conseguiu sete milhões de dólares em negócios focados na inclusão do deficiente, enquanto a sede da ONG, nos Estados Unidos, atingiram 80 bilhões de dólares. "Se todos fizessem um pouco mudaria a história do País", pontua Bruno.

O debate contou com o depoimento de Mara Cristina Gabrilli, ex-secretária da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da Prefeitura da Cidade de São Paulo, que assumiu em 2005. Há 13 anos a psicóloga e publicitária sofreu um acidente de carro, que causou uma lesão medular e a deixou tetraplégica. Fez seu tratamento nos Estados Unidos e quando retornou ao Brasil notou a falta de informação e conhecimento de grande parte da população sobre deficiência. "Mais de 25 mil pessoas são excluídas por terem mobilidade reduzida. São idosos, gestantes e os deficientes. Na cidade de São Paulo, entre 11 mil habitantes cerca de três mil são pessoas com deficiência. É difícil sair de casa, você precisa ter equipamentos para facilitar a locomoção", revela.

Em 1997, Mara criou a ONG Projeto Próximo Passo (PPP), que auxilia deficientes físicos e financia pesquisas de curas. Percebemos que os atletas deficientes tinham dificuldade de chegar ao treino", justifica. Ela ainda explica que nos últimos 20 anos a própria iniciativa da Secretaria foi responsável por diversas ações, porém foram pulverizadas e pontuais – como a construção de calçadas, ruas e quarteirões mais acessíveis.

"A Secretaria Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida teve uma função mais pedagógica dentro da Prefeitura de São Paulo, pois a maioria desconhecia os problemas dos deficientes. Cerca de 10% dos cegos sabem braille e cada 20 mil nascidos em São Paulo são anões. Ninguém sabe destes dados. Todos nós somos humanos, muitos se baseiam pela aparência. Todos são agentes sociais. A barreira física não é a questão mais complicada. O mais difícil é a barreira da atitude, devido à falta de informação. Não temos que ter vergonha de ter preconceito, mas de não querer eliminá-las", esclarece Mara.

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Serviço:

Instituto Paradigma
www.institutoparadigma.org.br

Integrare
www.integrare.org.br

Projeto Próximo Passo
www.ppp.org.br

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Conceito de rede social chega à televisão

Publicado pelo G1 em 16/08/07

Microsoft planeja sistema que se conecta à TV ou DVD e monitora programas. Usuários poderão saber o que outras pessoas estão assistindo e comentar escolhas.

A internet dá cada vez mais possibilidades aos usuários de assistirem programas e mais programas de TV, o que causa um certo “problema”: o que escolher? Tentando solucionar essa questão, a Microsoft está começando a investir em uma versão de seu sistema de mensagens instantâneas, o MSN Messenger, que se conecta à TV, ao computador e a outros usuários, monitorando a programação e possibilitando bate-papos e dicas de programação.

Desenvolvido para ser utilizado em TVs, DVDs ou tocadores digitais nos quais os usuários assistam a vídeos, o sistema manteria um registro de tudo o que passa por esses equipamentos. Pessoas utilizando a mesma tecnologia poderiam ver a programação de seus amigos - deste modo, grupos seriam capazes de sincronizar seus hábitos e conversar sobre os programas vistos.

Para a Microsoft, pautar a decisão da escolha sobre o que assistir através de recomendações de jornais, revistas e sites pode ser uma opção. No entanto, mesmo quando o programa é escolhido, a experiência acaba sendo um pouco solitária - outras pessoas da família e amigos, por exemplo, não vão assistir ao mesmo programa.

Segundo o site da publicação “New Scientist”, a idéia tem potencial para fazer sucesso - especialistas em marketing reconhecem há algum tempo que recomendações de pessoas com os mesmos hábitos têm mais influência do que propagandas ou outras formas de publicidade. Programas de mensagens instantâneas e redes sociais já são uma parte extremamente importante da web, e a combinação dos dois para fornecer recomendações de programas tende a ser algo que dê certo.

A idéia está no início, sendo ainda necessário o desenvolvimento de um software confiável, fácil de ser utilizado e que possa ser aplicado em diversos sistemas vídeos. Além das dificuldades para desenvolver esse sistema, a Microsoft também deve enfrentar competição neste mercado.

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quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Cidade mineira começa festa gay e quer bater recorde

Publicado pela Folha Online em 15/08/07

Parada de Juiz de Fora terá 4 trios elétricos com saída prevista para 14h deste sábado
Foto de divulgação


A maior festa gay de Minas Gerais começou, na noite desta quarta-feira (15), em Juiz de Fora (272 km de Belo Horizonte), município de cerca de 500 mil habitantes. É a 10ª edição da Rainbow Fest, com término no domingo (19). São esperados cerca de 10 mil turistas, principalmente do Rio, BH, SP e interior. Comerciantes decoraram lojas com as cores e bandeiras do arco-íris. O governo mineiro vai distribuir 20 mil camisinhas, o dobro do ano passado.

"A hotelaria está com 100% de ocupação. Turistas estão se virando em cidades vizinhas", diz Oswaldo Braga, presidente do MGM (Movimento Gay de Minas).

A parada gay de Juiz de Fora, a maior de Minas, será no sábado (18) com previsão de reunir cerca de 100 mil participantes, um aumento de 20% na comparação com o ano passado. No mesmo dia, será realizado o Miss Brasil Gay, com transformistas de vários Estados do país, no clube Tupynambás.

A cidade também vai sediar edições de festas famosas de música eletrônica nesta sexta (17): a carioca X-Demente vai agitar o clube Privilège, enquanto a Val Fetish comemora seus 12 anos no Tupynambás. O encerramento será no domingo, no People Bar, a partir das 20h.

O principal ponto de encontro é a praça Antônio Carlos, onde DJs e músicos vão tocar até o próximo sábado. No shopping Santa Cruz, foi aberta a exposição "Miss Brasil Gay Remember". Já a sauna Sparta's Club vai funcionar em horário especial, das 15h a 1h.

Além de festas, a Rainbow Fest também promoverá debates sobre projetos de combate à homofobia e a construção de uma imagem positiva dos gays na mídia, com participação do estilista Carlos Tufvesson e de Jean Wyllys, vencedor do programa "Big Brother Brasil 5".

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domingo, 12 de agosto de 2007

Prêmio Inclusão Cultural da Pessoa Idosa

Publicado pela Rets em 04/08/07

Está aberto o edital do I Concurso Público Prêmio Inclusão Cultural da Pessoa Idosa 2007, criado pelo Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID), em parceria com o Instituto Empreender. Podem participar do concurso pessoas físicas e jurídicas de natureza cultural, públicas ou privadas, sem fins lucrativos, que já tenham desenvolvido ou que desenvolvem ações de inclusão das pessoas pertencentes a esse grupo etário. Toda a documentação necessária para o ato de inscrição consta do edital,disponível no site do Ministério.

Serão escolhidas 20 propostas e cada uma receberá um certificado e o valor de R$ 20 mil. Os concorrentes poderão inscrever até três propostas, até o dia 8/9/07, exclusivamente por meio dos serviços de postagem dos Correios (ECT), para o endereço Prêmio Inclusão Cultural da Pessoa Idosa 2007 – Caixa Postal nº 8572-X – SHS Quadra 2, Bloco B, CEP: 70312-970 – Brasília-DF.

O formulário de inscrição está disponível para download. Outras informações podem ser solicitadas pelo telefone 61 3226-1084.

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sábado, 11 de agosto de 2007

ONG de todo o mundo difundirão seu trabalho por meio do Google Earth

Publicado por Noticias24horas.com em 28/06/07

El buscador de internet Google ha presentado un proyecto para ayudar a ONG con sus mapas e imágenes vía satélite en sus fines benéficos. A través de su programa Google Earth Outreach, el buscador más popular del mundo permitirá a estas organizaciones publicitar su trabajo en una web abierta a la que puede acceder cualquier particular o empresa.

El Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente ha utilizado el software de Google para mostrar áreas deterioradas medioambientalmente. El Jane Goodall Institute muestra lugares donde investiga los chimpancés africanos y zonas deforestadas, mientras que una tribu brasileña estudia cómo contribuir a detener las actividades de tala y minería que están acabando con su selva, informa AP.

Este acuerdo fue presentado el martes en las oficinas de Google en Nueva York. Además, Google ayudará a las ONG ofreciendo guías online, tutorías por vídeo y estudios de casos sobre cómo pueden conseguir difundir su trabajo a través de Google Earth, donde una de las funciones permite añadir fotos, vídeos, textos o vínculos a las zonas que se muestran en los mapas.

Según Google, 200 millones de personas en el mundo ya se han descargado el programa gratuito para utilizar Google Earth.

Para más información (en inglés): http://earth.google.com/outreach

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domingo, 5 de agosto de 2007

E o celular do Google, heim? Sai?

Publicado no Blog da Sandra Carvalho em 03/08/07

Google por dentro: desenvolvendo celular para a internet

Parece que o celular do Google, sob medida para a internet, vai se materializar. É o que dizem hoje os jornais americanos Wall Street Journal e o Washington Post.

As notícias são de que o Google já começou a mostrar seu protótipo a fabricantes de celulares e a operadoras. A idéia é ganhar dinheiro com publicidade nos aparelhinhos.

Uma dos traços legais do projeto é que tudo será feito para funcionar 100% com busca, e-mail e outros serviços online do Google. Aliás, o Google Mobile já é dos aplicativos mais bacanas e eficientes para smartphones no momento.

O Wall Street Journal lembra hoje, em sua versão online, que o Google já anunciou que pode concorrer a uma licença wireless, o que lhe daria direito de ser uma operadora de celular.

Segundo o WSJ, o centro de desenvolvimento de celular do Google fica em Boston, Massachusetts, onde também se desenvolve um browser especial para celular.

O Google já fechou um acordo com a Sprint Nextel para colocar seus serviços na nova rede 4G WiMAX da empresa nos Estados Unidos, dando uma indicação clara de suas ambições no celular. Tratando-se do Google, alguém aposta contra?

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Telemig terá rede 3G em Belo Horizonte

Felipe Zmoginski
Publicado pelo Info Online em 03/08/07


Serviço será disponibilizado no final deste ano e permitirá uso da banda larga em smartphones, laptops e desktops.

A Telemig apresentou, nesta sexta-feira (3), sua rede 3G construída na cidade de Belo Horizonte. Segundo o diretor de engenharia da telecom, a rede permitiu tráfego de dados na velocidade de 3,5 Mbps.

Uma transmissão teste foi feita entre representantes da Telemig e o ministro das Comunicações, Hélio Costa, por meio de vídeo conferência.

A Telemig anunciou que investirá R$ 250 milhões na rede e espera disponibilizá-la para uso comercial já no final deste ano.

“A rede permitirá a banda larga no celular. A idéia é oferecer pacotes com velocidade de 1 Mbps para os usuários, que poderão usar a banda em seus celulares, laptops ou desktops”, explica o diretor de engenharia da Telemig, Paulo Matos.

A operadora espera disputar mercado com as empresas que oferecem serviço de internet a cabo. “Teremos preços competitivos para disputar mercado com a internet a cabo. Vamos oferecer uma tecnologia tão boa quanto a internet a cabo, porém com o prêmio da mobilidade”, diz Matos.

O usuário da rede 3G poderá, por exemplo, navegar na internet em seu smartphone e, se quiser, conectar usar o telefone como modem, conectando-o ao laptop. A conexão pode ser feita por Bluetooth ou cabo USB.

Quem quiser, poderá ainda comprar um modem e usar a rede 3G como forma de acessar à internet em seu desktop usando a conexão de 1 Mbps da rede 3G.

“Na Suíça, por exemplo, há mais pessoas que assinam serviço de internet móvel do que a cabo”, diz Matos.

A tecnologia usada pela Telemig na rede é a WCDMA com HSPA e os equipamentos usados para construir a rede foram fornecidos pela Ericsson.

Segundo Matos, a tecnologia WCDA é compatível com a GSM. Assim, o usuário poderá usar seu telefone dentro da rede WCDMA quando estiver na área de cobertura e usar redes GSM quando estiver fora desta área, evitando ficar sem cobertura.

A compra da Telemig pela Vivo não altera os planos de explorar comercialmente a rede 3G.

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sábado, 4 de agosto de 2007

Colhedoras de fruto amazônico diante do dilema do biodiesel

Mario Osava
Publicado pela
Terramérica

Mulheres em plena tarefa de abrir os frutos da palmeira.
Foto Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu

O babaçu, palmeira nativa abundante na Amazônia oriental e no norte e nordeste do Brasil, tem grande potencial para produzir biodiesel e biomassa energética, mas as mulheres que vivem de sua coleta temem perder sua tradicional fonte de renda. “A experiência nos faz prever novas dificuldades de acesso ao babaçu (Orbignya phalerata martins)”, explica ao Terramérica Eunice da Conceição Costa, uma das coordenadoras do Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu, em Imperatriz, município do sudoeste do Maranhão.

Essas dificuldades têm suas raízes no processo agrário que o Estado viveu desde 1969, quando foi aprovada a Lei de Terras que impulsionou a formação de propriedades e a apropriação privada de extensas áreas públicas. As cercas se multiplicaram, proibindo a atividade extrativista, e as florestas foram substituídas por pastagens e plantações. O Movimento luta por uma lei nacional, já existente em alguns municípios, para garantir o livre acesso das colhedoras ao babaçu e para deter a destruição deste recurso natural indispensável para a economia popular.

Calcula-se que 400 mil pessoas, quase todas mulheres, sobrevivem extraindo óleo do fruto e outros produtos aproveitáveis do babaçu para alimentação, construção e artesanato. Entretanto, chegou à região a febre dos combustíveis agrícolas, menos poluentes do que os derivados do petróleo. O biodiesel exige uma escala industrial e produção mecanizada e pode atropelar a atividade tradicional. “É um risco para nós, querem nos tirar o babaçu”, disse Maria Adelina Chagas, coordenadora geral do Movimento, organizado nos Estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.

É possível produzir esse combustível a partir do babaçu sem tirar a fonte de renda das quebradeiras de coco, ampliando-a, disse ao Terramérica Fernando Carvalho Silva, coordenador do Núcleo de Biodiesel da Universidade Federal do Maranhão. É necessário um sistema mais eficiente de coleta do coco e extração de suas amêndoas ou sementes, que contêm o óleo. O conteúdo oleaginoso do fruto é de apenas 7%, mas é indispensável aproveitar toda a matéria-prima. A dura casca do coco tem alto poder calorífico e pode ser usada como carvão na indústria ou na geração de energia elétrica. A parte carnosa é rica em amido e empregada na produção de alimentos humanos e para o gado.

Assim, a produção do biodiesel depende de uma cadeia de produção que associe indústrias de alimentos, fertilizantes, energia, insumos para cosméticos e outras, destaca Silva. Além de estudar as possibilidades do babaçu, o grupo universitário desenvolve uma usina-piloto de combustível, de tecnologia simples e barata, acessível para as comunidades rurais. Poderá produzir entre 250 e 280 litros de biodiesel em cada operação, que durará dois dias porque vai purificar o combustível por decantação, evitando centrífugas caras, explicou o pesquisador.

O objetivo é tornar a iniciativa viável economicamente, beneficiando as quebradeiras de coco, que tomarão a decisão final sobre o projeto, que modificaria totalmente a economia do babaçu, acrescenta Silva. A abundância da palmeira é suficiente para fornecer biodiesel a vários Estados. Calcula-se que as florestas nativas de babaçu ocupam 18 milhões de hectares, principalmente no Maranhão. Seu coco é o principal produto florestal brasileiro depois da madeira, e representou 19,4% da produção extrativista não madeireira em 2005, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Contudo, sua extração, muito rudimentar, não se enquadra com a produção energética. Além da colheita manual do coco, as mulheres extraem cada amêndoa em uma operação arriscada. Seguram o fruto entre os dedos de uma das mãos, sobre o fio de um machado apoiado no solo, e o golpeiam com um pedaço de pão. “Nenhuma máquina substitui as quebradeiras de coco”, porque não consegue o corte longitudinal que preserva as quatro ou cinco sementes contidas em cada coco, afirmou Costa, destacando essa habilidade transmitida de mãe para filha que, entretanto, não consegue evitar acidentes.

Cada mulher extrai por dia uma média de oito quilos de sementes e ganha cerca de R$ 7,00, disse Chagas ao Terramérica. É pouco dinheiro, mas muito mais do que o biodiesel proporciona, o que constitui outro obstáculo para que as quebradeiras se somem à produção desse biocombustível, acrescentou. Além disso, o programa governamental de incentivo ao biodiesel nas regiões pobres do Norte e Nordeste do país não incluiu o babaçu, lembraram Chagas e Silva. Não é assim, refuta Edna Carmelio, assessora do Ministério de Desenvolvimento Agrário. O Selo Combustível Social, concedido ao biodiesel feito com matérias-primas procedentes da agricultura familiar, oferece uma redução de tributos que torna o produto mais barato em mais de 10%. Isto o tornaria muito competitivo no mercado de combustíveis, afirma a funcionária. O Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel menciona apenas o rícino e o óleo de palma para o “estímulo máximo” de isenção de dois tributos, porque são produções com tecnologias já dominadas. Mas também o babaçu e outras matérias-primas podem se beneficiar desse fomento se ficar comprovada sua viabilidade na agricultura familiar, acrescenta Carmelio.

O selo social é “uma defesa para as quebradeiras de coco”, que afasta o risco de as florestas de babaçu serem tomadas pelo grande negócio agroenergético, assegura a funcionária. A Petrobras, por exemplo, só compra biodiesel certificado por esse selo. Além disso, a agricultura familiar, que inclui as extrativistas, tem acesso a créditos subsidiados que ampliam suas vantagens, conclui a especialista em biodiesel.

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Esfria projeto de supergasoduto na América do Sul

Humberto Márquez
Publicado pela
IPS em 01/08/07

Os presidentes de Brasil, Venezuela e Argentina assinaram um acordo trilateral para iniciar estudos de viabilidade para a criação de um gasoduto que vai unir os três países.
(Foto publicada pela BBC Brasil)

O projetado Gasoduto do Sul, planejado para levar esse combustível do Caribe até o Rio da Prata e abastecer boa parte do Brasil, “esfriou por causa de ataques dentro da própria América do Sul”, justificou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

O monumental projeto foi lançado em abril de 2006 no Rio de Janeiro pelo próprio Chávez e seus colegas Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner, da Argentina, com custo calculado em US$ 25 bilhões para estender oito mil quilômetros de tubulações que alcançariam os três países envolvidos no anúncio, mais Paraguai, Uruguai, Peru e Equador.

O entusiasmo inicial pelo gasoduto, que segundo o estabelecido no Rio de Janeiro deveria ser apresentado aos demais governos sul-americanos a partir de setembro, deu lugar a um adiamento de prazos para estudos e reuniões, além do silêncio dos governos. “Não podemos obrigar ninguém”, lamentou Chávez, acrescentando que a sugestão foi feita em termos de cooperação bolivariana, pois “se estivéssemos pensando apenas em dinheiro, venderíamos o gás para a América do Norte.

O gasoduto, que cruzaria a Amazônia ou então a contornaria por todo o leste brasileiro, deveria ter capacidade para levar diariamente 150 milhões de metros cúbicos de gás, quase a metade do atual consumo da região, desde o nordeste venezuelano até os principais centros urbanos e industriais de seus países vizinhos no sul. “A Venezuela tem, felizmente para a América Latina, uma das maiores reservas de gás do mundo. Aqui existe gás para um século”, disse Chávez na semana passada, em um ato com simpatizantes a oeste de Caracas. As reservas venezuelanas de gás estão calculadas em 150 bilhões de pés cúbicos, o que coloca esse país no nono lugar no mundo na matéria, mas em sua maior parte associada a petróleo, que seria necessário produzir paralelamente. A Bolívia, segunda fonte de gás sul-americana, tem 52 bilhões de pés cúbicos de gás livre.

Ainda sem reações conhecidas em Brasília e Buenos Aires, a organização ecologista Amigransa (Amigos da Grande Sabana, um gigantesco parque nacional no sudeste venezuelano) disse estar alegre porque “felizmente, tudo o que se afirmou sobre a inviabilidade desse projeto gigante encontrou eco nos técnicos sul-americanos que o avaliaram”. Entretanto, Alicia García, da Amigransa, disse à IPS que, “se pensarmos com otimismo, talvez o presidente Chávez maneje informação sobre a inviabilidade do gasoduto; se o fizermos com pessimismo, talvez sua declaração seja uma pressão sobre os possíveis sócios para que apóiem definitivamente o projeto”.

Chávez prevê visitar Buenos Aires e se reunir com Kirchner na próxima segunda-feira. Mas sua declaração sobre o “esfriamento” do gasoduto aconteceu depois que seu ministro de Energia, Rafael Ramírez, se reuniu com o presidente argentino. Segundo informações dos governos sul-americanos interessados no projeto, sete grupos de especialistas, que totalizavam 50 pessoas, estudavam sua a viabilidade econômica e técnica, a engenharia, o traçado, o financiamento e suas questões ambientais e sociais. A desanimadora declaração de Chávez traduziu a paralisação das reuniões e dos trabalhos para dar forma ao projeto e parece dar razão aos críticos do gasoduto.

“Sem contar problemas ambientais ou econômicos por sua rentabilidade, o projeto é impossível porque a Venezuela não tem agora o gás necessário para alimentá-lo”, disse à IPS Luis Giusti, ex-presidente da estatal Petróleos de Venezuela, horas antes de Chávez expor as dificuldades. O projeto era alvo de duras críticas há um ano, inclusive por parte dos chamados a serem seus beneficiários. “Não tem coerência econômica, cruza muitos rios e florestas tornando impossível calcular seus custos, e encareceria muito o gás venezuelano entregue à Argentina”, disse, por exemplo, o secretário de Energia do Rio de Janeiro, Wagner Victer.

Apesar da aliança política tecida entre La Paz e Caracas, já em abril de 2006 o vice-ministro de Hidrocarbonos da Bolívia, Julio Gómez, afirmava que o gasoduto “é um projeto viciado, uma loucura”. Além disso, no parlamento boliviano foi rotulado de “competição desleal” da Venezuela com a demanda boliviana de melhor preço para seu gás. Mas a frente mais dura foi a dos ambientalistas, que inclusive coletaram assinaturas em quatro continentes para pedir aos governos que deixassem o projeto de lado. Cartas enviadas aos presidentes e assinadas pela Amigransa foram divulgadas durante a Cúpula Energética Sul-americana realizada em abril na Venezuela.

“A integração de nossos povos requer uma mudança de modelo que se afaste do desenvolvimento dependente dos hidrocarbonos imposto à nossa civilização”, dizia a carta da Amigransa, considerando que o projeto “aumentará a dívida ecológica e social, e por fim, a pobreza”. O gasoduto, mais as vias e instalações necessárias para sua manutenção, “seria o passo definitivo para a destruição da Amazônia, da Guiana venezuelana e de diversos ecossistemas da costa caribenha e atlântica, pondo em risco iminente a região com devastadoras conseqüências para o planeta”, segundo o texto.

A queixa de Chávez sobre o gasoduto, “que “no dialeto presidencial equivale a um RIP (requiescat in pace – descanse em paz) para este projeto-bandeira da revolução continental”, segundo o critico venezuelano Gustavo Coronel, pode gerar um novo atrito, na divisão de culpas, entre Brasil e Venezuela. “Nada nem ninguém conseguirá nos distanciar”, repetiu Chávez sobre sua aliança política com o Presidente Lula, embora neste ano Caracas e Brasília tenham enfrentado visíveis diferenças. A primeira, precisamente em matéria energética, pela aliança entre Brasil e Estados Unidos para desenvolvimento da produção e do mercado global do etanol como combustível alternativo à gasolina, uma opção criticada por Chávez e pelo presidente de Cuba, Fidel Castro, como sendo lesiva aos interesses de uma humanidade faminta por plantar alimentos.

Os dois presidentes também tiveram posições diferentes no processo de entrada da Venezuela com membro pleno do Mercosul, formado desde sua origem por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O Presidente Lula censurou Chávez por ter qualificado de “papagaio do império” (os Estados Unidos) o parlamento brasileiro, que ainda não ratificou esse ingresso da Venezuela, depois que alguns legisladores criticaram o fato de Caracas não renovar a licença de funcionamento de uma emissora privada de televisão.

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terça-feira, 31 de julho de 2007

Japão se depara com o poder dos grisalhos

The Economist
Publicado pelo Valor Online em 31/07/07


Novo foco de poder político: idosos impuseram derrota eleitoral no último domingo ao governo do premiê S. Abe
Foto AP

Para uma curiosa evidência de como os 127 milhões de habitantes do Japão estão envelhecendo mais rápido do que outros povos, basta notar o "pokkuri dera". Pokkuri é uma onomatopéia que designa uma explosão súbita; já "tera" ou "dera" significa templo budista. E o termo "pokkuri dera" designa os santuários onde muitos dos japoneses mais idosos vão rezar não apenas por longa vida (longevidade com a qual cada vez mais podem contar), mas também por uma morte rápida e indolor no final. As visitas fizeram reviver a sorte de antigos templos, especialmente nas velhas capitais de Kyoto e Nara, enquanto outros templos se reinventaram, assumindo as características de "pokkuri dera" - de olho em sua bênção financeira.

Evidências mais expressivas do "efeito velhice" emergiram nas eleições de anteontem. O eleitorado japonês mais idoso, pela primeira vez na história democrática, humilhou e pode até mesmo derrubar um governo, no caso o de Shinzo Abe, primeiro-ministro desde setembro de 2006. As eleições para metade dos assentos na câmara alta do Parlamento são geralmente um acontecimento político secundário: afinal de contas, é a câmara baixa que escolhe o primeiro-ministro. A eleição geral de 2005 deu à coalizão de governo liderada pelo Partido Liberal Democrático (PLD) uma folgada maioria. Mas desta vez o governo perdeu a maioria na câmara alta. Foi uma rejeição a Abe, cuja popularidade vem caindo continuamente desde que assumiu o cargo.

Embora as prioridades do primeiro-ministro sejam patrióticas - inocular um senso de orgulho nacional nos colegiais e pressionar por uma revisão da Constituição pacifista japonesa - as prioridades do cidadão japonês comum está em questões mais concretas. A economia está agora em seu quinto ano de recuperação após uma década de recessão, mas empregos razoáveis continuam escassos. Quanto às aposentadorias, o fato de um contingente cada vez menor de mão-de-obra tem de arcar com os custos de um número cada vez maior de aposentados pesa sobre um orçamento já pressionado.

Nesse contexto, a bagunça descoberta em maio na agência governamental que cuida das aposentadorias não poderia ter ter vindo em pior momento para Abe. A agência, que parece ainda não ter se adequado à era digital, não tem condições de casar 50 milhões de registros computadorizados com as respectivas pessoas que contribuíram para seus planos estatais de aposentadoria. Outros 14 milhões de registros, ao que parece, sequer chegaram a ser introduzidos no sistema informatizado.

Um eleitorado descontente puniu o governo na eleição, e o PLD poderá buscar um novo líder. Se Abe sobreviver como primeiro-ministro, ficará sob pressão para formar um governo de outra coloração, que traga para o primeiro plano a questão da subsistência. Seja qual for o resultado, o poder dos grisalhos se estabeleceu como uma força a ser levada em conta.

Sem dúvida, o Japão está ficando grisalho a um ritmo assombroso. Pouco depois da Segunda Guerra, a proporção de japoneses com mais de 65 anos estava em torno de 5% da população, bem abaixo de Reino Unido, França ou EUA. Hoje os idosos constituem 20% da população japonesa, e a vida média cresceu extraordinariamente. A expectativa de vida hoje é de 82 anos, em comparação com apenas pouco mais de 50 em 1947.

Em 2015, a proporção de idosos terá crescido para 25% da população, ou mais de 30 milhões de pessoas. Isso se deve principalmente a ao ingresso nas fileiras dos idosos de uma geração "baby boom" muito grande. Entre 1947 e 1949, em média 2,7 milhões de crianças por ano nasceram dos soldados japoneses que voltaram vivos da guerra, casaram-se e constituíram famílias - cerca de um terço mais do que em anos anteriores. Neste ano, a geração do baby boom começou a se aposentar (atualmente, 60 anos é a idade obrigatória na maioria das empresas). A dimensão das aposentadorias que terão de ser pagas tem implicações financeiras significativas tanto para as empresas como para o governo. Mas há outra dimensão embutida na aposentadoria dos nascidos no baby boom: esses trabalhadores impulsionaram a transformação econômica do Japão nas décadas de 70 e 80. São um reservatório de capacitação técnica e gerencial.

A quem transferir essas responsabilidades? A taxa de natalidade no Japão caiu para abaixo da taxa de reposição de 2,1 no início da década de 70. Reduziu-se a apenas 1,26 em 2005, antes de subir um pouquinho, no ano passado, para 1,32 - mas ninguém chama isso de recuperação. Em 2005, a população japonesa começou a cair em termos absolutos, apesar da expectativa de vida crescente. A mesma população está prestes a encolher a um ritmo inédito para qualquer país em tempo de paz. O Instituto Nacional de População e Pesquisas de Seguridade Social estima uma população total de 95 milhões de pessoas em torno de 2050, na qual os idosos serão 40% do total.

Uma população em queda já tem implicações para o contingente de mão-de-obra. Atualmente, cerca de 16 milhões de japoneses têm entre 20 e 30 anos. Esse número cairá em 3 milhões nos próximos dez anos. Neste ano, durante a rodada anual de recrutamento de funcionários, houve demanda inédita pelos novos formandos universitários, e não só por causa da recuperação econômica: ao longo dos próximos anos, as empresas terão um contingente menor de jovens diplomados entre os quais poderão escolher seus futuros profissionais. Isso é bom para os jovens em busca de trabalho, exceto por uma coisa: à medida que o Japão envelhece e encolhe, os trabalhadores precisarão arcar com os custos de uma proporção cada vez maior de aposentados. Em 2030, dizem os demógrafos, o Japão terá só duas pessoas em idade economicamente ativa para cada aposentado; em meados do século, a menos que haja uma rápida e improvável volta à fecundidade, a proporção vai piorar, passando a três para cada dois aposentados.

Será uma população trabalhadora capaz de sustentar os futuros aposentados? Os atuais trabalhadores jovens parecem não acreditar nisso. Dois quintos deles não estão contribuindo com o componente fixo de seus planos de aposentadoria estatal (as contribuições correntes bancam os custos dos atuais - e não dos futuros - aposentados), o que sugere que eles não acreditam que o esquema será viável quando eles se aposentarem. E eles podem ter razão.

É no interior do país que as mudanças demográficas tem mais impacto. Lá, a população vem caindo há anos, à medida que os jovens dos vilarejo vão para as cidades em busca de trabalho e diversão. Hoje, as pessoas com mais de 65 anos são 40% da população em comunidades rurais e 60% de todos os que trabalham a terra. O futuro da agricultura em tais lugares está em dúvida. O cultivo de arroz, alimento básico, exige esforços comunitários em irrigação, controle de enchentes etc. As obrigações mútuas em comunidades englobam até a organização de funerais. Assim, quando jovens vão para as cidades, todos sentem as perdas. Um terremoto em 16 de julho na região de Niigata evidenciou o problema; as 3 mil pessoas que continuam vivendo em abrigos são majoritariamente idosas, incapazes de cuidar de si em suas casas danificadas.

O minúsculo rincão de Ogama, na município de Ishikawa, está reagindo com o maior dos radicalismos ao declínio populacional. A comunidade tem só três homens e seis mulheres, com idades entre 62 e mais de 90 anos, uma queda em comparação com os 50 habitantes de uma geração atrás. Os sobreviventes desse vale remoto consultaram uma empresa de Tóquio que cuida de resíduos industriais e, se a prefeitura aprovar, os arrozais no vale, bem como suas hortas e plantações de cedro, desaparecerão sob 150 metros de cinza industrial. Os aldeões planejam empregar o dinheiro da venda do vilarejo para construir novas casas numa localidade vizinha, para onde o templo ancestral já foi transferido.

Durante anos, as regiões levaram seus problemas para a capital. Em qualquer dia útil em Tóquio, os corredores do Ministério dos Transportes e Infra-estrutura ficam repletos de pessoas suplicando pela construção de uma rodovia na floresta ou uma barragem desnecessários. Mas os dias de gastos extravagantes em obras públicas estão acabando, já que o governo central reduziu as remessas de receitas tributárias para os municípios. Com a escassez de recursos e a perspectiva de acentuadas quedas no tamanho populacional, os governos locais estão sendo obrigados a promover a mais radical reorganização em meio século.

Duas falências municipais muito divulgadas ajudaram a aguçar os espíritos. Yubari, antiga cidade mineira na ilha setentrional de Hokkaido, testemunhou o declínio da sua população de 100 mil, na década de 50, para 13 mil hoje. Promoções caras para elevar o perfil da cidade - incluindo um festival de cinema e o marketing dos mais caros melões do Japão - sobrecarregaram a cidade com uma soma exorbitante de US$ 519 milhões em dívidas. No ano passado, Yubari foi declarada insolvente.

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O problema do Japão é menos a mudança veloz na demografia e mais a mudança lenta demais na Previdência
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Nenhuma das prefeituras próximas quer ser parceira de Yubari, mas nos demais lugares o governo central está insistindo na fusão de povoados e cidades, com o propósito de unir recursos e conquistar uma base fiscal mais segura. A prefeitura de Yamanashi, a sudoeste de Tóquio, onde se encontram pomares de pêssegos e fábricas de robôs industriais, exemplifica a tendência. Em 1888, Yamanashi possuía 342 distritos administrativos; hoje, encolheu para 28 e continua declinando. O ritmo tem se acelerado muito desde 2003.

Mas é improvável que as fusões municipais representem o fim da questão. Líderes municipais e o governo central estão falando sobre uma reformulação radical do governo local, na qual as prefeituras se juntam para formar blocos maiores - Estados, em essência. Antes do começo dessa dança, as prefeituras já estão de olho nos parceiros mais atraentes.

Nos demais lugares, os administradores estão começando a avaliar as implicações do declínio populacional sobre, entre outras coisas, a gestão de cidades maiores. Aomori, cidade de 300 mil habitantes situada no ponto mais alto de Hanshum, a principal ilha do Japão, tem uma política de refrear ativamente a dispersão urbana que assola o país. Aomori tem uma proporção de idosos e de solteiros ligeiramente acima da média nacional. E também recebe quantidade enorme de neve no inverno, graças à umidade dos ventos siberianos que atravessam o Japão: dez metros podem cair numa temporada. Num ano ruim, o custo de remoção da neve pode atingir 3 bilhões de ienes: uma soma que Takeshi Nakamura do governo da cidade diz que poderia bastar para construir duas novas escolas.

Em resposta, o prefeitura se lançou à tarefa de encolher a cidade. Um arco limitador foi traçado em torno do seu lado sul (o norte é limitado por uma ampla baía), e parte das principais instituições da cidade - a biblioteca, o mercado municipal, hospitais e museus - foram recuados de volta ao centro da cidade. O transporte público foi melhorado, e a neve foi removida das artérias principais e dos calçadões de pedestres para permitir a livre locomoção das pessoas no centro. As melhorias, por sua vez, incentivaram a construção de novos quarteirões residenciais de prédios próximos ao centro, diz Nakamura, e um grande número de idosos cansados de retirar neve com pás está se mudando para lá.

As idéias de Aomori de uma "cidade compacta" foram motivadas pelos problemas causados pela neve. Mesmo assim, diz Takatoshi Ito, da Universidade de Tóquio e membro do Conselho de Política Fiscal e Econômica de Abe, o governo central deveria exigir que outras cidades pensem nisso. A queda populacional não significa que não exista dispersão urbana. Marijo Fujiwara do Instituto Hakuhodo da Vida e do Modo de Vida assinala que o número de residências com um único habitante deverá superar todos os demais tipos neste ano, ao passo que o número total de domicílios continua crescendo no Japão, para quase 50 milhões.

Ainda assim, a maior resposta à mudança demográfica no Japão precisa vir das empresas. Apesar da mudança forçada ao longo dos últimos 15 anos, a empresa japonesa (a kaisha) ainda desempenha um importante papel, quase paternal, na vida dos empregados, mais do que em qualquer outra sociedade abastada, moldando não só o seu trabalho como também sua vida social. Com efeito, as longas horas no escritório, bem como as sessões massacrantes em bares com colegas depois do expediente, são praticamente indistinguíveis. Atsushi Seike, economista do trabalho na Universidade Keio, diz que o problema do Japão está menos relacionado à mudança veloz demais na demografia que com a mudança lenta demais dos sistemas de aposentadoria, projetados para uma época anterior.

Esses sistemas não mantiveram o ritmo com vidas muito mais longas. É verdade que o governo começou a elevar a idade para a aposentadoria pública, que é composta de parte fixa e de parte vinculada aos ganhos. A qualificação para a parcela fixa foi elevada para 62 anos, e subirá para 65 até 2014; a qualificação para a parcela maior, vinculada aos ganhos, subirá para 65 anos até 2026. Seike diz que a idade mínima de aposentadoria deveria ser elevada logo para 70.

Enquanto isso, as empresas também estão se ajustando lentamente. A maioria tem aposentadoria compulsória aos 60 anos. Uma lei recente exige que a aumentem ao longo do tempo ou forneçam programas de recapacitação e recolocação para manter os empregados. A maioria optou pela segunda; considerando que elas têm escalas de remuneração que recompensam o tempo de serviço em detrimento do mérito, elevar a idade de aposentadoria compulsória seria dispendioso. Mas uma empresa de grande porte, a Kawasaki Heavy Industries, abriu caminho novo: em 2009, elevará a idade de aposentadoria obrigatória para 63, com redução de salário.

Livrar-se de uma vez por todas da aposentadoria compulsória apressaria o fim da remuneração baseada em tempo de serviço, permitindo que empregados mais velhos (que no Japão anseiam por trabalhar mais) preencham postos de trabalho para os quais são mais bem capacitados. Um sistema baseado mais no mérito também poderia proporcionar aos empregados mais novos um estímulo.

Elevar a idade para aposentadoria para 70 anos cortaria pela metade a taxa de declínio da força de trabalho. Elevar a participação feminina - atualmente em 63% das mulheres em idade de trabalho, abaixo de Reino Unido e EUA (cerca de 68%) - ajudaria muito para reduzi-la ainda mais. Vários fatores vão contra as mulheres que trabalham. A proporção de mulheres que consegue apenas contratos temporários, que pagam em média 60% a menos que os empregos regulares, é maior do que a de homens. O machismo ainda prevalece nos escritórios: muitos classificados de empregos pedem apenas mulheres jovens. Menos de 10% dos gerentes são mulheres, contra 46% nos EUA. Além disso, os longos expedientes (freqüentemente um substituto para a produtividade) dificultam a situação para aquelas que são mães. Também há falta de creches: só um terço das crianças com mais de três anos e abaixo da idade escolar vão ao jardim de infância. A média entre os países da OCDE é de três quartos. Muitas mulheres saem inteiramente da força de trabalho quando têm filhos. No Japão, diz Jeff Kingston, da Temple University, de Tóquio, as mulheres têm que escolher entre o trabalho e a família.

A OCDE detectou uma correlação positiva entre fertilidade e emprego feminino: quanto mais se facilita que uma mulher faça um trabalho gratificante, maior será a probabilidade de que cogitem ter filhos. Portanto, autoridades japonesas agora começam a lidar com o impacto dos hábitos trabalhistas japoneses na baixa taxa de natalidade. Segundo o diretor de políticas de envelhecimento e fertilidade no governo, Hideki Yamada, as pesquisas sugerem que 90% dos japoneses entre 18 e 34 anos não apenas querem se casar, mas querem ter dois filhos. Com precisão japonesa, as autoridades calcularam que sem impedimentos aos casamentos e à criação dos filhos, a taxa de natalidade iria para 1,75.

As políticas, diz Yamada, deveriam ser direcionadas a conseguir esse salto. A tentativa começou no governo de Junichiro Koizumi, o antecessor de Abe, com a introdução de apoio financeiro para famílias com filhos novos e a expansão da instalação de creches. Agora, um novo conceito surge nos documentos do governo, o "equilíbrio trabalho-vida", para o qual, de forma reveladora, não há uma expressão de uso comum em japonês. No final de julho, líderes empresariais e sindicais se reuniram com Abe e outros ministros para discutir como alcançar tal equilíbrio.

"É embaraçoso dizer isso", admite Yamada, "mas, depois que nasce o primeiro filho, o marido freqüentemente não faz sua parte para ajudar em casa e isso traz ansiedade para a mulher quanto a ter um segundo". Isso, em parte, é um hábito cultural. Os garotos são mimados pelas mães e depois querem o mesmo tratamento das mulheres - nada de trocar fraldas ou dar banho. Mas isso também se deve às longas horas de trabalho que as empresas esperam dos funcionários. Assim, diz Kuniko Inoguchi, ministra de questões sociais no governo de Koizumi, a política precisa não só encorajar mais mulheres a trabalhar ou ampliar os cuidados médicos para idosos, a assistência a filhos pequenos e dar condições de trabalho mais flexíveis. Precisa ainda facilitar a vida dos homens que trabalham.

Um melhor equilíbrio trabalho-vida é positivo para as empresas. Com isso, conseguirão atrair melhores talentos. Também é positivo para os homens que trabalham, diz Inoguchi. Assim, poderiam gozar de uma vida privada apropriada, passando mais tempo em casa. Isso, levando em conta que as esposas japonesas estejam preparadas para tolerá-los dentro de casa, o que não se pode dar como certo.


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Governo quer reduzir tarifa de vôos para fora do país

Daniel Rittner
Publicado pelo
Valor Online em 31/07/07

Milton Zuanazzi: Adoção do acordo de Fortaleza "ainda não seria céu aberto, mas seria o fim da bilateralidade"
Foto Lula Marques/Folha Imagem

Em meio ao pacote de medidas para desafogar o aeroporto de Congonhas, o governo deu o primeiro passo para derrubar as tarifas de vôos internacionais, incluindo aqueles de longo curso, que têm Estados Unidos e Europa como destino. A intenção do governo é aumentar a liberdade das companhias aéreas, tanto nacionais quanto estrangeiras, para dar descontos aos passageiros nas rotas que ligam o Brasil ao exterior. Para isso, será necessário fazer ajustes nos acordos bilaterais em vigência, flexibilizando as bandas tarifárias existentes.

São esses acordos que dizem quantos vôos, quantos assentos e quantas empresas aéreas poderá haver na ligação do Brasil com cada país. Os acordos também estabelecem valores mínimos e máximos para o preço dos bilhetes. As autoridades brasileiras sempre fizeram questão de fixar em patamar elevado o piso das tarifas internacionais. Foi a forma encontrada de preservar as empresas nacionais contra a ameaça de uma guerra tarifária em que elas poderiam sair em desvantagem contra as estrangeiras, mas essa política de preços prejudica os consumidores.

No caso de um acordo bilateral com o Chile, por exemplo, a banda tarifária aplicada no Brasil impede que um passageiro faça um vôo São Paulo-Santiago (ida e volta) por menos do que aproximadamente US$ 400. Já o passageiro que embarca no Chile, país onde a liberdade tarifária nos vôos internacionais é bem maior, pode comprar um bilhete Santiago-São Paulo (também ida e volta) por menos de US$ 200. Nos acordos bilaterais, quando se trata de preços, não importa se a companhia aérea é de bandeira nacional ou estrangeira - o que importa, para a aplicação da banda tarifária, é de onde sai o vôo original (de ida) do usuário.

Por meio de uma resolução do Conselho de Aviação Civil (Conac), aprovada em 20 de julho, o governo decidiu revisar a regulamentação de preços nos vôos internacionais, "com vistas à maior promoção da liberdade de mercado e ao maior acesso dos usuários ao transporte aéreo internacional". Apesar de sobrecarregada com a reestruturação da malha doméstica, em conseqüência das limitações impostas ao uso de Congonhas, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já começou a trabalhar sobre o assunto, mas a implementação dependerá, em boa parte, do grau de resistência das companhias aéreas brasileiras.

O consultor em aviação Paulo Bittencourt Sampaio diz que, se adotada, é positiva a flexibilização das bandas tarifárias no Brasil. A medida, de acordo com ele, beneficia o consumidor sem prejudicar o caixa das companhias aéreas. "O risco só existe se a empresa não for eficiente", observa.

Sampaio aponta que as restrições para descontos nos vôos internacionais têm impedido a Gol de repetir, nas rotas para a América do Sul, o mesmo sucesso alcançado com as agressivas promoções no mercado doméstico. Para o consultor, não há mais sentido em impor bandas tarifárias tão rígidas. "Estamos num mundo globalizado, com competição cada vez mais intensa em todos os setores", completa Sampaio, lembrando que as bandas surgiram na Conferência de Chicago, em 1944, que estabeleceu os acordos aéreos bilaterais.

A mesma resolução do Conac recomendou à agência "expandir a capacidade" e "ampliar as liberdades do ar" na América do Sul. Com o crescimento do transporte aéreo no Brasil e nos países vizinhos, os vôos estão cheios e já faltam brechas legais para aumentar as freqüências. Para a Argentina, por exemplo, o acordo com o Brasil permite a realização de 146 vôos semanais por companhias de cada país. Hoje as empresas brasileiras estão voando 188 vezes por semana à Argentina. A Anac já solicitou a revisão do acordo para 210 freqüências.

Os acordos também estão saturados ou à beira da saturação com outros países sul-americanos. Agora, com o aval do Conac, a agência reguladora quer ativar o Acordo de Fortaleza, assinado em 1996, para driblar o limite de vôos definido em cada acordo bilateral. "Ainda não seria céu aberto, mas seria o fim da bilateralidade", comenta o diretor-presidente da Anac, Milton Zuanazzi.

Pela idéia do governo brasileiro, pode-se usar o Acordo de Fortaleza para liberalizar número de vôos e até preços de passagens nas rotas entre o Brasil e seus vizinhos. Chile, Uruguai e Paraguai já concordaram em participar dessa liberalização, segundo informa Zuanazzi. A Argentina resiste à idéia. Colômbia e Venezuela ainda não firmaram o acordo, e as autoridades brasileiras tentam convencê-las a aderir.

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Superávit primário do governo central cresce 13,4% no 1º semestre

Arnaldo Galvão
Publicado pelo Valor Online em 31/07/07

As despesas do governo central - Tesouro, Previdência e Banco Central - cresceram 2,7% acima do crescimento nominal do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre. Já as receitas tiveram um aumento ligeiramente maior, de 3% a mais que o PIB. Os investimentos previstos pelo Projeto Piloto de Investimentos (PPI), porém, continuam com execução lenta. Até junho, o PPI conseguiu liquidar e pagar apenas R$ 1,18 bilhão de um total de investimentos estimados, para este ano, de R$ 11,3 bilhões.

Segundo dados divulgados ontem pela Secretaria do Tesouro Nacional, o governo central produziu, no primeiro semestre, um superávit primário de R$ 43,78 bilhões, resultado 13,4% maior que o do mesmo período no ano passado. Esse superávit equivale a 3,6% do PIB, em comparação com os 3,49% do PIB de saldo em 2006. No mês de junho, para uma arrecadação total de R$ 49,42 bilhões, as despesas atingiram R$ 34,44 bilhões, resultando, assim, num saldo primário de R$ 5,29 bilhões.

Para o secretário do Tesouro, Arno Augustin, o mais importante desses dados é que a velocidade de aumento da despesa (2,7% acima da variação do PIB) é bem menor que a do mesmo período no ano passado: 6,2%. Ele destacou que o investimento total (incluindo restos a pagar) foi de R$ 7,34 bilhões, o que mostra crescimento nominal de 22% sobre o primeiro semestre de 2006. O ajuste que levará o crescimento das despesas a um ritmo menor que o do aumento do PIB é algo para médio e longo prazos, mas ele assinalou que o que o país precisa consolidar esse processo de maneira sustentável.

As receitas somaram R$ 295,53 bilhões de janeiro a junho, ante R$ 261,19 bilhões no mesmo período de 2006. Em comparação com o produto nominal, esse valor significou aumento de 3%. Já o crescimento da arrecadação em valores nominais foi de 13,5%, enquanto que as despesas totais somaram R$ 199,400 bilhões, com crescimento nominal de 12,74%.

"Na comparação da velocidade, as despesas do governo central, no primeiro semestre, cresceram menos que as receitas. Essa tendência é positiva porque aponta para ajuste e estabilidade. Como o temor da sociedade é o aumento da carga tributária para sustentar mais despesas, a projeção é boa", disse Augustin.

Na visão do secretário, o PPI é apenas um dos itens do programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ele confirmou que, apesar de as despesas do PPI no primeiro semestre terem sido de apenas R$ 1,18 bilhão - a meta é gastar R$ 11,3 bilhões em 2007 - o governo não mudou seu objetivo. "Esses programas são novos e levam tempo para serem pagos", ponderou.

Os números do primeiro semestre divulgados ontem pelo Tesouro também mostraram que as receitas tributárias foram R$ 26,83 bilhões maiores que as do mesmo período em 2006. Isso foi explicado com mais R$ 7,4 bilhões do imposto de renda das empresas e da contribuição sobre o lucro (CSLL) provenientes de maior lucratividade e do retorno dos recolhimentos do setor financeiro. O IR retido na fonte teve crescimento de R$ 3,1 bilhões decorrentes do aumento da massa salarial e das remessas ao exterior. Os ganhos de capital das pessoas físicas também levaram a uma elevação de R$ 1,8 bilhão no período. No lado das importações, o aumento de arrecadação foi de R$ 1,7 bilhão.

A elevação das despesas no primeiro semestre foi de R$ 22,53 bilhões em relação ao mesmo período de 2006. Desses, R$ 6,2 bilhões foram de gastos com pessoal e encargos pela reestruturação de carreiras dos servidores. Outros R$ 3,8 bilhões decorreram do crescimento das despesas discricionárias dos ministérios. Os créditos extraordinários consumiram mais R$ 1 bilhão nesse período.

Outro dado que Augustin destacou ontem foi de que o resultado do governo central, de janeiro a junho, revelou despesas de custeio crescendo bem menos que as de capital. "O Brasil está aumentando sua capacidade de investimento e a expectativa do governo é a de que isso se intensifique. A programação do investimento no segundo semestre deve ser bem maior que a do primeiro", comentou. Ele, contudo, não forneceu os dados discriminados de custeio e capital.

O crescimento das receitas do Tesouro, segundo o secretário, tem perfil saudável porque vem tendo como base o aumento da massa salarial e a elevação da lucratividade das empresas. Não se trata de aumento de alíquotas de tributos, disse ele.

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