terça-feira, 18 de novembro de 2008

Planos de país pobre 'esquecem' igualdade

Estudo analisa 22 programas antipobreza e conclui que a maioria dá pouca importância à distribuição dos benefícios do crescimento

Os planos dos países de renda baixa ou média para combater a pobreza priorizam o crescimento econômico e a criação de empregos, mas raramente explicitam estratégias para que esses processos beneficiem mais os pobres. Essa é a conclusão de um estudo que analisou o texto-base de programas de 22 nações em desenvolvimento, todos eles preparados após o lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM, uma série de metas socioeconômicas que os países da ONU se comprometeram a atingir até 2015).

O texto, intitulado Os ODM são prioridade em estratégias de desenvolvimento e programas de ajuda? Apenas alguns são!, analisou planos de 14 países africanos, dois da América Latina e Caribe, dois asiáticos, um árabe e dois ex-comunistas.

“Todos os Documentos de Estratégia de Redução da Pobreza enfatizam o crescimento econômico como o principal meio de alcançar o objetivo geral de reduzir a pobreza, mas nem todos especificam políticas de crescimento que favoreçam os pobres”, afirma a autora do estudo, Sakiko Fukuda-Parr, professora de Relações Internacionais da New School University, em texto publicado pelo Centro Internacional de Pobreza, uma instituição de pesquisa do PNUD em parceria com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

“Embora quase todos os Documentos vejam tanto a pobreza quanto o crescimento como prioridades, a maioria não apresenta estratégias para aumentar a produtividade e o emprego, nem para gerar crescimento de uma maneira que assegure que os benefícios sejam mais amplamente distribuídos”, escreve a economista.

O problema desse enfoque, indica Fukuda-Parr, é que parte do pressuposto de que a expansão econômica se refletiria sempre em redução da pobreza. Tal concepção tem raízes em teorias da década de 80 e ignoram as pesquisas mais recentes na área, segundo as quais a pobreza “é mais do que falta de renda; é uma privação multidimensional nas vidas humanas e suas causas repousam não apenas na falta de crescimento, mas na falta de participação, nas vulnerabilidades a choques e em obstáculos a oportunidades”, diz a autora. “O impacto do crescimento da redução da pobreza não é de modo algum automático”, destaca ela, que acrescenta que o crescimento do PIB pode levar apenas a mais aumento de renda da parcela mais rica, e não da mais pobre.

Os planos mostram concepção também em outras áreas, como ao dar ênfase ao emprego, mas não ao trabalho decente — como se o aumento no número de postos de trabalho, por si só, pudesse automaticamente ajudar na redução da pobreza. Dos 22 programas analisados, 21 tomam a criação de empregos como prioridade, mas apenas sete colocam em destaque a geração de trabalho decente e nenhum estipula metas nessa área.

Concepção semelhante aparece em alguns dos 20 planos de países ricos voltados ao mundo em desenvolvimento examinados no estudo. “Há uma forte ênfase no crescimento como o principal meio de reduzir a pobreza. Não é dada muita atenção ao impacto das escolhas da política econômica na distribuição dos benefícios, na criação de empregos e em outros temas pró-pobres”, afirma Fukuda-Parr.

A autora identifica, nesses enfoques, uma pouca atenção às desigualdades. Todos os planos consideram a escola primária uma prioridade, mas só em 17 a igualdade de homens e mulheres no acesso à educação tem o mesmo status. Quase todos os programas (21) colocam a saúde em destaque, mas a ampliação do acesso à saúde e aos medicamentos é sublinhada em apenas nove. Também 21 vêm o respeito à lei como prioridade, mas o direito das minorias é destacado em apenas quatro.

“Poucos Documentos de Estratégia de Redução da Pobreza mencionam a igualdade como um objetivo ou uma preocupação política”, observa a autora. “Essa interpretação dos ODM está longe das metas originais de transformar a globalização em algo mais inclusivo e de implementar princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas”, afirma.


Rose Brasil/Agência Brasil
Pnud Brasil, Boletim nº 516, 17/11/08

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Instituto C&A seleciona projetos

O Instituto C&A deu início no último dia 11 ao processo de seleção de projetos para apoio no exercício orçamentário de 2009/2010 (março de 2009 a fevereiro de 2010). A organização seleciona projetos vinculados aos programas Prazer em Ler e Desenvolvimento Institucional. Os procedimentos para solicitação de apoio estão descritos em dois editais publicados na seção Apoio a Projetos do site do Instituto C&A.

Os projetos sociais apoiados pelo Instituto C&A devem atender, em regra, a dois requisitos mínimos: atuar na promoção da educação de crianças e adolescentes e estar situados em cidades ou regiões metropolitanas onde a empresa C&A possui operações.

Para se inscrever, as organizações deverão preencher o formulário de apresentação de projetos, disponível também na seção Apoio a Projetos. As propostas deverão ser enviadas por Sedex. A data-limite para postagem é 6 de dezembro de 2008.

As solicitações de apoio encaminhadas serão analisadas conforme cronograma estipulado nos editais. A relação de apoiados será divulgada no site do Instituto C&A até as 20h do dia 10 de fevereiro de 2009.


Fonte: site do Instituto C&A

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Site incentiva crescimento de micro, pequenas e médias empresas

A IFC, entidade do Grupo Banco Mundial que apóia o desenvolvimento sustentável do setor privado, a IBM e o Banco Real lançaram na última semana um portal gratuito, o “Kit Empresas”, que oferece ferramentas práticas para melhorar as habilidades administrativas das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) no Brasil. A página busca dar suporte ao crescimento sustentável de milhões de empresas que existem atualmente no Brasil, incentivando sua competitividade nos mercados locais e internacionais.

KitEmpresas.com.br oferece ferramentas práticas para as empresas acessarem as informações que elas necessitam para iniciar, estruturar, financiar e alavancar seus negócios. Entre os materiais oferecidos por esse portal inovador estão entre outros: programas de software gratuitos para a criação de planos de negócio; calculadora on-line que ajuda as empresas a determinar seu potencial creditício para obter financiamento; formulários gratuitos para a administração financeira e de recursos humanos; cursos e manuais on-line para fazer negócios pela Internet e acessar diferentes mercados.

Para o superintendente executivo do Segmento Pessoa Jurídica do Banco Real, Antonio Pulchinelli, “participar de uma iniciativa como esta é extremamente importante”. “O segmento de micro, pequenas e médias empresas é de extrema importância para o crescimento da economia e a geração de empregos. Por isso, faz parte de nosso objetivo atuar colaborando para o desenvolvimento do setor.”

O Banco Real é o parceiro da IFC e da IBM neste projeto para disponibilizar o SME Toolkit, batizado de KitEmpresas no Brasil, e integrar conteúdos locais em associação com outras entidades públicas e privadas participantes, incluindo Universidades e Empresas.

Sobre o tema, o representante da IFC, Pedro Mader Meloni, é enfático: “a apresentação do SME Toolkit no Brasil demonstra o compromisso da IFC de cobrir as necessidades de desenvolvimento de capacidades das MPMEs no país. Reforçando as habilidades gerenciais e a produtividade, nós ajudamos as MPMEs a criar oportunidades de trabalho e fazer uma contribuição mais sustentável para a economia local.”

Este modelo de desenvolvimento de capacidades demonstrou ser bem sucedido em outras regiões do mundo. Em 2006, a IFC firmou um acordo com a IBM para otimizar a ferramenta e agregar novas funções como fóruns e conferências on-line, aumentando assim a interação entre as MPMEs participantes.

“O SME Toolkit é uma poderosa combinação de tecnologia e conhecimento de negócios. Esta iniciativa, que utiliza a tecnologia IBM e a experiência do IFC e do Banco Real, foi desenvolvida para promover o desenvolvimento econômico, a geração de empregos, de maneira abrangente e inovadora, afirma a diretora de Cidadania Corporativa da IBM Brasil, Ruth Harada.

Para conhecer a ferramenta, acesse: www.KitEmpresas.com.br.


redeGIFE Online, 17/11/08

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Site facilitará apoio a esporte por particulares

Até o fim do ano, o Ministério do Esporte deverá implantar em seu site na internet uma ferramenta que facilitará o apoio de pessoas físicas a projetos e atletas de uma forma direta e sem burocracia, com base na Lei de Incentivo ao Esporte. No portal, estarão listados os projetos aprovados pelo Conselho Nacional do Esporte. "Para serem aprovados, esses projetos passam por avaliações internas centradas nos aspectos educacional, participativo e de rendimento", informou o presidente da Organização Nacional das Entidades do Desporto, Humberto Panzetti.

"Pelo menos 90% dos esportistas devem estar estudando, e os projetos devem ter o objetivo de integração social. Até esse ponto, não levamos em consideração os aspectos competitivos", completou.

Segundo o presidente da comissão técnica da Lei de Incentivo ao Esporte, Alcino Rocha, o contribuinte poderá escolher o atleta que deseja apoiar e também a forma de contribuição. "O site possibilitará uma simulação de até quanto o contribuinte pode doar diretamente ao atleta, e o ministério disponibilizará as informações relativas aos investimentos dirigidos a ele, como os custos gerais, ações e materiais necessários."

A legislação brasileira permite dedução de até 6% do imposto devido por pessoa física em favor dos setores esportivo, cultural, e do Fundo Nacional para a Criança e o Adolescente. "Mas isso só é possível quando o modelo declarado é o completo", disse Rocha.

"Se, em 2007, a União arrecadou R$ 38 bilhões em impostos de pessoa física nesse formato, tínhamos um potencial de arrecadação próximo a R$ 2,29 bilhões. Mas, devido à falta de conhecimento por parte do contribuinte, que precisaria direcionar seu imposto, apenas R$ 40 milhões, em média, chegam a esses três setores", disse Rocha.


redeGIFE Online, 17/11/08

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Governo edita MP e cria confusão no terceiro setor

O governo federal deixou os setores ligados à assistência social no Brasil em polvorosa, na semana passada. Ao publicar a Medida Provisória n.º 446 no Diário Oficial da União, dia 10 de novembro, mudou as regras para a concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas), documento que isenta de impostos 5.630 organizações registradas em todo o país – a um custo de R$ 4,4 bilhões por ano.

A medida foi considerada polêmica em dois pontos principiais. No primeiro, a suposta “anistia” a entidades na renovação do certificado. Pela MP, todas as organizações que deram entrada na documentação, incluindo aquelas que estavam em suspeição para renová-la, tiveram deferimento automático de seus pedidos.

Outra discussão fundamental foi a responsabilidade de outorgar o documento, que deixa de ser do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), e passa a ser dos ministérios da Educação (MEC), Saúde (MS)e Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Eles darão a chancela de acordo com as especificidades de trabalho de cada entidade.

Grupos de defesa e ataque à MP foram os destaques da última semana. De um lado, especialistas alegam que a medida pode trazer mais transparência e profissionalismo à certificação. De outro, representantes dessas entidades dizem que a ação do governo é inconstitucional e trará mais burocracia ao setor.

No entanto, independentemente da entidade, o que se pode constatar nos discursos, seja nos movimentos sociais, seja no setor público, é que ainda existe um grande ponto de interrogação sobre como as novas regras serão implantadas. Nem mesmo os ministérios possuem qualquer regulamentação para fazer a certificação, segunda apontaram as secretarias de comunicação deles.

Outro ponto grave se dá na forma que a as mudanças chegam ao setor. “O grave não é a proposta em si, mas a maneira como o governo federal está conduzindo esse processo. Primeiro ele manda um projeto de lei ao Congresso e no mesmo dia põe a Polícia Federal no CNAS, com um discurso que generaliza para todo o setor a acusação de pilantropia”, afirma o secretário-geral do GIFE, Fernando Rossetti (veja matéria sobre o caso).

Segundo o secretário-geral, mesmo assim, o GIFE se organizou para participar do debate democrático do PL no parlamento. No entanto, ao ver que a discussão seria demorada (“como costumam ser os processos democráticos de construção de políticas públicas”), o governo baixou a medida provisória, sem a possibilidade de participação da sociedade civil. “Enfim, é claro que é necessário aprimorar a legislação sobre entidades beneficentes, mas a maneira como isso está sendo feito é, no mínimo, pouco democrática”, critica.

O que é Cebas?
Para entender o tema é preciso saber porque o Cebas é importante. O certificado garante às entidades imunidades tributárias e, em contrapartida, elas devem oferecer à população a continuidade de serviços públicos de saúde, educação e assistência social que a estrutura governamental não consegue oferecer.

Essas entidades - geralmente hospitais, universidades e casas de assistência social - ficam livres da contribuição previdenciária patronal, equivalente a 20% da folha de pagamento, e das contribuições CSLL (sobre o lucro líquido), PIS e Cofins (9,25% sobre o faturamento).

“Mas isso não quer dizer que esse dinheiro vá direto para o bolso dessas entidades, como alguns querem fazer crer. Para conseguir o Cebas é preciso comprovar que existe um atendimento no mesmo valor isentado no imposto”, afirma o advogado Eduardo Szazi, especialista em legislação do terceiro setor.

Anistia
Questionada sobre porque as mudanças foram levadas adiante por um MP e não pelo Projeto de Lei nº 3021/2008, em trâmite no Congresso Nacional, a secretária nacional de Assistência Social do MDS, Arlete Sampaio, respondeu que não há estrutura para julgar rapidamente o substancial estoque de processos administrativos. Daí a tal anistia.

Para se ter uma idéia, só no conselho, são 8.515 casos sem decisão, envolvendo mais de R$ 4 bilhões em tributos. Se a Receita Federal tivesse que cobrar dívidas das entidades que perdessem o Cebas, 1.274 casos teriam de ser julgados até o final de 2008 pelo CNAS. Outros mil recursos aguardam julgamento na Previdência, sendo que, desses, 380 também terão cobrança de tributos inviabilizada sem decisão até 31 de dezembro. “Era preciso zerar o jogo”, afirmou.

A reação foi imediata. Na edição do dia 13 de novembro, o jornal O Estado de São Paulo, em editorial intitulado “Pilantrópicas Perdoadas”, classificou a medida como um “verdadeiro trem da alegria para as entidades filantrópicas”. No mesmo dia, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN) advertiu o governo que ia trabalhar para impedir a tramitação da MP, se não fosse modificada a concessão automática.

No entanto, para especialistas sobre o tema, a preocupação com a “tal anistia” tem sido exagerada. “Não vejo isso como uma anistia ampla geral e irrestrita em matéria tributária, pois a Receita Federal pode, ainda, fiscalizar os últimos cinco anos da vida de cada entidade e lavrar autos de infração caso se verifique o descumprimento das condições legais para a fruição do beneficio tributário”, argumenta Eduardo Szazi.

Segundo ele, isso já existia com o certificado renovado regularmente e não muda com a renovação automática. “Não há, pois, anistia fiscal, como alguns apressadamente sustentaram. O anzol não foi percebido pelos peixes”, afirma.

Já o especialista em Direito Assistencial Filantrópico, Sergio Monello, apesar de creditar a MP como inconstitucional, também defende que a discussão foi longe demais. “Essas renovações de concessão não foram para entidades criminosas. Muitas delas estavam em processo de revisão da documentação por alguma tecnicalidade simples”, acredita.

Divisão Ministerial
Para os representantes do setor, a discussão não se resume a decidir sobre quem deve certificar, mas como esse processo burocratizará o sistema. De acordo com a representante da Rede Brasileira do Terceiro Setor (Rebrates), Marília de Castro, a divisão por área será cruel para as organizações, principalmente para as menores, com pouco amparo jurídico.

Marília conta que, se uma entidade trabalha conjuntamente em educação e assistência social, por exemplo, deverá se cadastrar, com CNPJ diferente, tanto no MEC, como no MDS. “Vamos ver organizações com atividades suspensas. Elas vão comer na mão dos ministros e deverão seguir as políticas governo se quiserem manter o Cebas”, critica.

Fazendo coro a Marília, Flavia Oliveira, da Confederação Brasileira de Fundações (Cebraf), concorda com sua conclusão e vai além: “haverá uma imposição às entidades. Se o MEC disser que as organizações de educação devem dar bolsa de estudos, o que acontece com os trabalhos comunitários que a entidade realiza? Não serão contados?”, contesta.

Questionados sobre como passará a funcionar na prática, os ministérios ainda vão editar a regulamentação para emitir a certificação.”Por isso, não há detalhes sobre o tema”, diz nota enviada a imprensa.

No entanto, há quem defenda a divisão. Para o advogado Eduardo Szazi, a idéia é salutar em três pontos:
a. aparenta ser mais capaz de desafogar a análise, dividindo-a;
b. atribui a análise de mérito ao ministério temático da área, contribuindo para uma avaliação mais precisa e alinhada com a política pública da área; e
c. representa uma atualização do modelo original, que concentrava no CNAS e no Ministério da Previdência Social uma atribuição que a evolução da estrutura governamental tornou obsoleta.

“Afinal, qual a lógica de pedir ao Ministro da Previdência que aprecie um recurso de uma entidade de Saúde versando sobre uma contribuição arrecadada por órgão do Ministério da Fazenda?”, acredita.

A idéia de Szazi é que sejam criados três conselhos temáticos em nível federal: Educação, Saúde e Assistência Social. “Como a atividade da entidade beneficente compreende iniciativas que não são consideradas estritamente assistência social, pois são de saúde e educação, parecia-me esdrúxulo atribuir a um conselho a análise de assunto afeto a outras áreas.”

Frente Brasileira
Três dias depois de publicada a publicada Medida Provisória 446 , representantes de cerca de 100 entidades de todo o Brasil, se reuniram em São Paulo para criar A Frente Brasileira do Terceiro Setor. O objetivo da iniciativa é promover ações visando o desenvolvimento, a defesa e o fortalecimento do segmento.

Ficou decidido no lançamento da frente que a primeira medida do grupo será a adoção de ações frente à MP. Segundo o presidente do SINEPE/RS, Osvino Toillier, o grupo irá propor emendas à Câmara dos Deputados, a fim de tornar viável a MP para as instituições de ensino. “Da forma como foi proposta torna-se inviável. O ponto mais grave é que ela não contempla a imunidade restringindo-se apenas à isenção”, ressalta o presidente.

Tramitação
Após sua publicação, a medida provisória deverá ser apreciada por uma comissão mista, composta por deputados e senadores (até o dia 23/11/2008). Emitido um parecer, segue à apreciação, primeiramente, do plenário da Câmara dos Deputados (de 24/11/2008 a 07/12/2008) e, em seguida, do Senado Federal (de 08/12/2008 a 21/12/2008). Se modificada na última casa legislativa, retorna para análise da primeira (de 22/12/2008 a 03/02/2009).

Se não for apreciada em até 45 dias, contados da sua publicação, a medida provisória entrará em regime de urgência, trancando a pauta da casa legislativa em que estiver e impedindo a deliberação de qualquer outra matéria. Esta situação ocorrerá em 04/02/2009, uma vez que os prazos de uma medida provisória são suspensos durante o recesso parlamentar.

Uma medida provisória tem prazo de vigência de 60 dias (até 18/02/2009), prorrogável uma única vez pelo menos período (até 19/04/2009). Se, decorrido este período, não for aprovada, a medida provisória perde sua eficácia, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas dela decorrentes

Segurança Jurídica
As novas modificações trazidas pela MP levantam também uma questão sobre a insegurança jurídica para a atuação no terceiro setor brasileiro. Um dos consensos nas discussões sobre o tema é o Brasil possui uma legislação para setor fragmentada, contraditória e conflituosa. A situação torna-se ainda mais negativa quando analisada a conturbada relação entre sociedade civil organizada e governo, que trabalha, muitas vezes, de forma ambivalente, ora concedendo imunidades e isenções, ora cancelando-as de forma arbitrária.

No entanto, a existência de um ambiente regulatório moderno, claro e estável é fator fundamental para promover a expansão e qualificação da atuação das organizações da sociedade civil em qualquer país. Com base nessa premissa, o GIFE desenvolve, desde o início de 2003, uma iniciativa destinada a contribuir para o aperfeiçoamento da legislação brasileira do terceiro setor: o Programa Marco Legal e Políticas Públicas.

Um dos produtos desse trabalho é o ainda inédito Visão GIFE do Marco Legal do Terceiro Setor, documento que estabelece os cinco temas que o grupo identifica como prioritários: (1) transparência e controle social (accountability), (2) liberdade de organização e funcionamento para as organizações da sociedade civil, (3) imunidades e isenções tributárias, (4) incentivos fiscais para iniciativas de interesse público e (5) segurança jurídica, na qualidade de tema transversal.

Na publicação, que será lançada em 2009, o leitor encontra uma descrição concisa de como a legislação brasileira aborda a matéria, identifica e analisa os principais entraves e oportunidades e traz um conjunto de propostas concretas de aperfeiçoamento do respectivo ambiente regulatório, incluindo medidas legislativas, administrativas e/ou de auto-regulação.


Rodrigo Zavala
redeGIFE Online, 17/11/08

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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Empresários se reúnem em SP para discutir combate à exploração sexual infantil

Cerca de 40 representantes de empresas e associações se reuniram na tarde desta segunda-feira no escritório da Presidência da República, em São Paulo, para discutir medidas para combater a exploração sexual.

O evento foi chefiado pelo ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) e contou com a presença da primeira-dama, Marisa Letícia, presidente de honra do 3º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que acontece entre os dias 25 e 28 de novembro, no Rio.

No encontro de hoje, os representantes das empresas anunciaram o interesse de constituir um fórum nacional permanente que continuaria as discussões e projetos após a realização do congresso. As diretrizes desse grupo ainda não foram definidas, mas representantes afirmaram que continuarão se articulando contra a exploração sexual infantil sem esperar que o governo tome a iniciativa das campanhas.

"Todos os setores da sociedade, são co-responsáveis pelo abuso de crianças e adolescentes, por isso é que devemos ampliar o número de setores que trabalham no combate a esse tipo de crime. Está na hora de vermos que não são apenas os setores de turismo e transporte que estão ligados a exploração sexual", afirmou Ana Maria Drummond, representante do Instituto WCF-Brasil.

Na internet
Outro projeto anunciado no evento foi a criação de um sistema federal de rastreamento na internet capaz de detectar crimes sexuais. De acordo com a subsecretária de promoção dos direitos da criança e do adolescente, Carmem Oliveira, o projeto do governo conta com a parceria do Ministério da Justiça e da Secretaria dos Direitos Humanos, além da ONG Safernet que denunciou, em julho deste ano, casos de pedofilia no site de relacionamento Orkut.

A Safernet já faz esse trabalho de rastreamento na rede de computadores, mas essa seria a primeira vez que contaria com o apoio e a estrutura do Governo Federal, afirmou Oliveira. O projeto ainda não tem data para ser lançado, mas já conta com o patrocínio da Petrobrás.


Folha Online, 17/11/08

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Justiça suspende obrigação de teles levarem internet a todos municípios

A juíza Maria Cecília Rocha, da 6ª Vara Federal do Distrito Federal, suspendeu liminarmente os termos do aditivo aos contratos de concessão que prevêem que as empresas de telefonia fixa terão que levar redes de internet a todos os municípios do país até 2010. A suspensão foi feita após pedido da Pró-Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor).

A obrigação de levar infra-estrutura de internet a todo país faz parte de um programa do governo para colocar banda larga em todas as escolas públicas. Em abril, o governo modificou o PGMU (Plano Geral de Metas para Universalização) trocando a determinação para as empresas instalarem postos de serviço telefônico --que incluem orelhões e acesso à internet discada-- pela infra-estrutura de internet. Segundo o governo, as empresas gastariam entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão, mesmo valor que gastariam com a instalação dos postos.

A Justiça entendeu, porém, que as redes serão construídas pelas empresas com esse dinheiro, mas não serão devolvidas ao governo ao final do período de concessão. Ou seja, as empresas acabariam construindo uma rede privada com dinheiro que deveria ser destinado a um programa de políticas publicas.

"O Estado terá gasto uma fortuna em recursos públicos para construir bem privado, fortuna essa de remota recuperação na medida em que as empresas podem argumentar que o contrato não previu a reversibilidade", afirma a juíza, na decisão.

O consultor jurídico do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara, disse que a reversibilidade das redes de infra-estrutura está prevista em lei e que o órgão irá recorrer da decisão da Justiça em segunda instância. Ele disse ainda que a decisão da juíza beneficia as empresas, que não terão nem que levar a internet aos municípios nem instalar os postos de telecomunicações previstos anteriormente.

"Não consigo imaginar um prejuízo maior do que privar a população a ter acesso à internet em alta velocidade", afirmou.


Lorenna Rodrigues
Folha Online, 07/11/08

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Nações Unidas: Também é preciso ajudar os pobres

A palavra mais usada estes dias na comunidade internacional é “salvataje”, em referência aos multimilionários pacotes de resgate para os vacilantes bancos de investimento e companhias de seguro, em sua maioria dos Estados Unidos e da Europa ocidental. Agora a Organização das Nações Unidas, temendo que seus programas para a erradicação da fome e da pobreza possam também ser afetados pela propagada crise econômica, propõe seu próprio pacote de salvação: US$ 300 bilhões para as nações mais pobres.

O pedido de fundos foi feito aos líderes do Grupo dos Oito países mais poderosos (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão, Rússia) que participaram no sábado em Washington de uma cúpula econômica patrocinada pelo presidente norte-americano, George W. Bush. Trata-se da cúpula econômica do Grupo dos 20, que também inclui líderes de nações em desenvolvimento como Brasil, Arábia Saudita, Argentina, China, Índia, Indonésia, África do Sul e Turquia, entre outros.

Segundo a Campanha do Milênio da ONU, o pacote proposto será de ajuda adicional e alívio da dívida para compensar as perdas no produto interno bruto das nações mais pobres como conseqüência da crise financeira, “em cuja origem não tiveram responsabilidade”. Os “bilhões de dólares encontrados de um dia para outro destinados a resgatar os banqueiros ocidentais nos mostram que o verdadeiro problema que enfrentamos nesta crise não é a disponibilidade de dinheiro, mas a vontade política”, disse o diretor da Campanha do Milênio, Salil Shetty. O principal mandato da Campanha é lutar contra a fome e a pobreza em todo o mundo.

Consultado se realmente interessa aos países ricos ajudar as nações pobres, Shetty disse à IPS: “Sabem que qualquer revés nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU, que representam as necessidades mais básicas para os povos mais pobres, seria catastrófico não só para esses países, mas para a paz e a prosperidade mundiais. Por isso, tanto por interesse próprio quanto por senso de justiça e mora, o caso do pacote de salvatage é claro”, disse Shetty. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse na quinta-feira que a atual crise “também mostra o quanto interdependentes nos convertemos todos, e como podemos ser tão prejudicados quanto ajudados pelas políticas de outros”.

Mas é essencial que a reunião do G-20 indique de forma inequívoca uma solução comum para a crise, para agirmos juntos e com urgência e para mostrar solidariedade com os mais necessitados, acrescentou Ban. “Uma importante forma de fazer isto seria alcançar os compromissos existentes sobre ajuda, para que se mantenha o progresso rumo aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”, acrescentou. Para os 1,4 bilhão de pessoas que sobrevivem com menos de US$ 1,25 ao dia, ter menos poder aquisitivo é literalmente uma questão de vida ou morte, pois faz a diferença entre ter ou não ter o que dar de comer aos seus filhos.

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio incluem reduzir pela metade a extrema pobreza e a fome; conseguir educação primária universal; promover a igualdade de gênero; reduzir em dois terços a mortalidade infantil e em três quartos a materna; combater a propagação do HIV/aids, da malária e de outras doenças; garantir a sustentabilidade ambiental e construir uma aliança Norte-sul para o desenvolvimento. Os líderes mundiais se comprometeram em setembro de 2000 a alcançar estas metas até 2015, tendo por referência os dados de 1990. Mas sua colocação em prática, inicialmente afetada por uma queda na assistência ao desenvolvimento, agora se vê cada vez mais prejudicada pela crise econômica mundial.

Em uma carta aos líderes do G-8, na quinta-feira, o secretário-geral da ONU disse que em uma sessão informal da Assembléia Geral no começo da semana passada ouviu algumas das preocupações dos Estados-membros e dos problemas que enfrentam devido à crise. Além disso, Ban Ki-moon destacou que algumas dessas nações “com poderosas economias desenvolvidas’, bem como nações com emergentes motores de crescimento, participarão da cúpula em Washington. “Mas, mais de 170 países não estarão à mesa, e também enfrentam graves dificuldades. Suas vozes também contam, e procurarei levá-las ao encontro”.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está atualmente em processo de resgate de pelo menos três países: Hungria, Islândia e Ucrânia. A economia islandesa, considerada em um tempo uma nação industrial, está à beira de um colapso total. No informe 2007-2008 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, a Islândia ficou em primeiro lugar entre 177 países no Índice de Desenvolvimento Humano, acima de Noruega, Austrália, Canadá e Irlanda. A Islândia chegou ao topo da lista graças aos seus altos índices de PIB por habitante, expectativa de vida e adultos alfabetizados.

Segundo a Campanha do Milênio, o pacote proposto de US$ 300 bilhões pode ser uma combinação de ajuda adicional do G-8, alívio de dívida e, se for preciso, vendas de ouro por parte do FMI. “Os governos beneficiados devem, por sua vez, assegurar que esses fundos sejam destinados a significativos gastos em educação, saúde e programas de proteção social”, afirma a Campanha. Esses programas deverão estar particularmente destinados aos mais pobres e excluídos da sociedade, em especial mulheres e crianças.


Thalif Deen, da IPS
Envolverde, 17/11/08
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Presidente do Senado deve dificultar aprovação de MP da Filantropia

Ao retornar para Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ter de lidar com uma resistência no Congresso. O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou nesta segunda-feira que pretende dificultar a tramitação da MP (medida provisória) da filantropia. A medida foi editada semana passada pelo governo e remetida ao Legislativo.

"Temos de procurar espaços para poder resistir às MPs", afirmou Garibaldi. "Dentro do que é concedido [ao Congresso Nacional], quero fazer com que as MPs enfrentem dificuldades que [hoje] não enfrentam. Quero colocar uma pedrinha no caminho das MPs", disse ele.

Garibaldi condicionou a MP da Filantropia, batizada pela oposição de MP da Pilantropia, a pelo menos uma mudança específica. Para o senador, é fundamental acabar com o a anistia às empresas questionadas na Justiça, que pela medida, poderiam continuar a manter os certificados, enquanto o processo não for transitado e julgado.

O peemedebista negou que sua posição seja uma provocação ao governo. "Não tem nada de intriga. Estou procurando o caminho do entendimento. [Aguardo] mudanças no texto", disse o senador.

Texto
A MP 446 foi editada no dia 10 pelo governo federal e torna automática a aprovação dos pedidos de renovação de certificados de filantropia pendentes no CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social).

O texto autoriza ainda a concessão a pedidos que anteriormente foram negados. A MP aguarda votação no Senado e na Câmara.

Mal foi editada a medida gerou polêmicas no Congresso. Porém, em reunião do Conselho Político, no Palácio do Planalto, na semana passada, o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) defendeu sua execução.

Para o ministro, é fundamental que os líderes dos partidos que apóiam o governo atuem para desfazer a imagem pejorativa em torno da medida. O ministro se referiu ao apelido de MP da Pilantropia. O PSOL ameaça entrar no STF (Supremo Tribunal Federal) contra a MP.


Renara Giraldi e Gabriela Guerreiro
Folha Online, 17/11/08

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Edital Prêmio Asas do Programa Cultura Viva

Inscrições até 13 de março de 2009

O Prêmio Asas do Programa Cultura Viva - Arte, Educação e Cidadania da Secretaria de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura - SPPC/MinC tem como objetivo premiar as iniciativas dos Pontos de Cultura que apresentarem as melhores práticas de implantação na execução dos projetos apoiados, contribuindo para a divulgação dos meios mais efetivos de promover o desenvolvimento autônomo de suas atividades e o avanço do processo cultural da Rede dos Pontos de Cultura.

Edital

Requerimento da entidade
Ficha de inscrição
Declaração da entidade


Ministério da Cultura, 12/11/08

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Edital Pró-Cultura Capes/MinC - apoio à pesquisa em cultura

Inscrições até 31 de março de 2009

O Edital nº 7/2008 - Capes/MinC - faz parte do Programa Pró-Cultura e irá conceder 48 bolsas de ensino para estudantes de mestrado (stricto sensu) e para pesquisas na área cultural.

O programa é fruto de um trabalho conjunto entre a Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura (SPC/MinC) e a Capes e visa fomentar a pesquisa universitária, bem como o aperfeiçoamento e a formação de pessoal de nível superior em Cultura. O valor das bolsas a serem concedidas é de R$ 1.200,00, cada uma.

As inscrições estão abertas até 31 de março de 2009 e deverão ser feitas por instituições de ensino superior.

A divulgação dos selecionados será realizada a partir de abril de 2009.

As áreas temáticas da Cultura prioritárias para o desenvolvimento das pesquisas são: Cultura, Arte e Novas Tecnologias; Cultura, Manifestações Artísticas e Conhecimentos Tradicionais; Cultura, Memória e Patrimônio; Cultura Populações e Territórios; Cultura, Cidadania e Inclusão Social; Cultura, Estado, Legislação da área de Cultura e Políticas Públicas; Cultura, Economia e Desenvolvimento; e Cultura, Globalização e Diversidade.

A preferência para a seleção dos bolsistas, conforme o edital, será dada a projetos que promovam o diálogo e a interação das pesquisas com os conhecimentos da cultura tradicional do país; promovam a articulação das universidades com empresas; realizem a apresentação de conteúdos em formatos audiovisual e/ou digital; façam a divulgação dos resultados em seminários, oficinas e eventos culturais, entre outros aspectos.

Conheça o edital:
Edital PRÓ-CULTURA Capes/MinC

Mais informações:
CAPES - Coordenação de Programas de Indução e Inovação - CII
E-mail: cii@capes.gov.br
Telefone: (61) 2104-8944

Secretaria de Políticas Culturais
E-mail: pablo.martins@cultura.gov.br
Telefone: (61) 3316-2358


Ministério da Cultura, 10/11/08

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BID quer dobrar seus empréstimos à região

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) planeja conceder 18 bilhões de dólares em empréstimos aos países latino-americanos em 2009, duplicando os créditos deste ano, para ajudar a região a enfrentar a crise financeira global.

A crise, que começou com os problemas das hipotecas de alto risco nos Estados Unidos -- o principal parceiro comercial da América Latina --, foi um duríssimo golpe nos mercados financeiros e nas moedas da região, reconhece a entidade.

Em entrevista divulgada nesta segunda-feira pela agência de notícias Reuters, o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, diz que o órgão reduziu a estimativa de crescimento econômico para a América Latina no ano que vem. A previsão era de 3%. Agora é de 2,5%.

No domingo, durante um fórum de banqueiros latino-americanos no Panamá, o representante local do BID, Marcelo Antinori, afirmou que o pacote de apoio preparado pelo banco "é muito significativo". "Embora as cifras da crise sejam muito grandes, vamos duplicar os recursos", reforçou ele.

A crise está atingindo principalmente as exportações da América Latina, além de provocar uma queda nas remessas que imigrantes nos Estados Unidos mandam a seus familiares. Isso se somou ao efeito da alta nos preços do petróleo e dos alimentos, ocorrida nos meses anteriores.


Veja Online, 17/11/08

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domingo, 16 de novembro de 2008

Casas Bahia, na favela e no Financial Times

Hoje o jornal inglês “Financial Times” traz reportagem sobre a abertura de uma loja da Casas Bahia na favela de Paraisópolis, em São Paulo, no dia 5 último. A rede investiu R$ 2 milhões nela e já programou mais 30 lojas novas para 2009, inclusive mais algumas em favelas. O autor do artigo, Jonathan Wheatley, começa escrevendo que, ao som de Exaltasamba, “centenas de pessoas na frente da loja dançam, pulam e abanam os braços como se não houvesse amanhã”. Aí fiquei pensando no que essa loja vai fazer pela auto-estima de seus consumidores e em como o C.K. Prahalad tem sua razão ao defender a possibilidade de inclusão social (e distribuição de renda) pelo consumo.

Já demos num dos veículos da HSM um estudo de inspiração etnográfica da ESPM-RJ que mostrava esse potencial com declarações de consumidoras, todas empregadas domésticas, sobre a Casas Bahia. É impressionante o impacto da rede varejista em seu target – acompanhem:
* As Casas Bahia pegam você na porta, eles se dedicam mesmo, abrem o coração, pra laçar você ali na hora. Agora na outra loja [omiti o nome, vou chamá-la aqui de “outra loja”] você é que tem que ir lá – êi, êi [como se estivesse tendo que chamar o vendedor]. Acho que as Casas Bahia tem mais dedicação à pessoa. (Lourdes)

* As Casas Bahia são como uma mãe, facilita pra gente. É rápido tirar [comprar] as coisas lá. (Andréia)

* Lá [Casas Bahia] eles facilita demais pra gente, só falta dar as coisas. Em termos de tudo, de dividir, de pagamento. Agora, há pouco tempo mesmo, eu atrasei as prestações da minha geladeira, eles fizeram um acordo excelente prá mim. (Janaína)

* Da outra loja, não gosto, acho que é muito cheio de coisa; pras pessoas comprar, tem que comprovar a renda, tem que fazer isso, tem que fazer aquilo; nas Casas Bahia já não tem esse problema, você não precisa comprovar renda, é só você dar um telefone pra contato, que você consegue. (Rita)

Em resumo, a Casas Bahia mergulhou ainda mais no seu segmento de mercado, fez uma inovação (um breakthrough!) sem precedentes ao entrar na favela e não se amedrontou com a crise. Está fazendo inclusão social com lucro e, de quebra, ajudando a construir a marca Brasil no exterior. Talvez este artigo do “Financial Times” seja o primeiro do gênero na imprensa internacional depois que o “Guardian” noticiou a fundação, em 2005, da pousada Maze Inn, do jornalista britânico Bob Nadkarni, na favela Tavares Bastos, do Rio. E dessa vez a iniciativa é brasileira e voltada para o público da própria favela. Se update or die é mesmo um paradigma no século 21, a Casas Bahia certamente é da turma do update, mesmo sem ser “cool”. Ou melhor, Casas Bahia, pela ousadia estratégica, é cool, sim!

Update: Vários leitores estão comentando sobre o assassinato de um cliente dentro de uma loja da Casas Bahia, ocorrido esta semana. Admito que não tinha visto a notícia, que é chocante, mas a ênfase do post é na inovação estratégica da empresa e isso não muda com a tragédia. Inclusive não acredito que os consumidores de baixa renda, que seriam potenciais alvos do mesmo preconceito que teria levado o segurança a matar o rapaz, vão deixar de “adorar” a Casas Bahia por conta do episódio. Mas torço para que a Casas Bahia, além de assumir sua responsabilidade no caso, saiba preparar-se melhor para lidar com o complexo universo que ela atende.


Adriana Salles Gomes
Update Or Die, 14/11/08

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Governo aprova certificados de filantropia

O governo concedeu anistia geral e irrestrita às instituições que tentavam renovar seus certificados de filantropia. A Medida Provisória 446, editada na segunda-feira, aprovou todos os processos que estavam pendentes no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), mesmo aqueles que ainda passavam por investigações. A MP também eximiu o CNAS de emitir os Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas). Eles passarão a ser emitidos pelos ministérios da Educação, da Saúde e do Desenvolvimento Social.

Um dos artigos mais polêmicos da medida, o 39, diz que os pedidos negados pelo conselho, mas cujo parecer tenha sido contestado pelas entidades que o solicitaram - o que ocorre em grande parte dos casos - devem ser considerados aprovados sem nova análise. Outro ponto controverso estipula que recursos apresentados pelo governo federal contra entidades anteriormente certificadas pelo CNAS devem ser anulados.

Em março deste ano, a Operação Fariseu, da Polícia Federal, revelou que funcionários do CNAS tinham ligações com advogados que fraudavam processos de obtenção de certificados. O prejuízo estimado era de 2 bilhões de reais em impostos sonegados.


Veja, 12/11/08

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Modonna vai construir escola na África

A cantora Madonna anunciou nesta sexta-feira que vai abrir uma escola para meninas em Malaui, na África. A cantora afirma que o projeto dará "oportunidade a jovens mulheres de todo o Malaui de se tornarem pessoas melhores" e pede colaboração. "Espero que vocês entendam minha urgência. Cada doação contribui para essas meninas alcançarem seu potencial completo. E cada dólar fará diferença", diz a cantora.

Segundo o site oficial do projeto, milhões de meninas não têm oportunidades e cerca de 14,5% das jovens entre 15 e 24 anos são soropositivas. A apresentadora de televisão Oprah Winfrey inaugurou, em 2007, uma escola na África do Sul para meninas de famílias pobres.


Veja Online, 14/11/08

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Amazon começa a vender online laptops da OLPC

Usuários vão comprar dois XO por 400 dólares a partir de 17/11. Um deles será doado

A organização não-governamental OLPC (One Laptop Per Child) confirmou que dará início às vendas do laptop XO pela Amazon.com na próxima segunda-feira (17/11). O acordo havia sido anunciado em setembro.

O laptop educacional da OLPC será vendido da seguinte forma: o consumidor doa 400 dólares por dois notebooks e um deles será entregue a uma criança de algum país em desenvolvimento.

Apenas a versão com o sistema operacional Linux estará disponível na loja online, disse o vice-presidente de engenharia de software da OLPC Jim Gettys.

Por enquanto o XO será vendido pela Amazon apenas nos Estados Unidos. A ONG está em negociação para que a venda ocorra também para outros países.

Na segunda-feira (10/11) a Microsoft anunciou que o governo da Colômbia começou a implementar o laptop da OLPC em escolas do país com o intuito de fazer as crianças se interessarem mais por computadores e se envolverem menos com o grupo rebelde FARC.

Destinado a crianças de países em desenvolvimento, o laptops tem sido bem recebido por sua inovação em hardware e design favorável ao meio ambiente. Ele vem com 1 GB de armazenamento interno, 256 MB de memória RAM, tela LCD de 7,5 polegadas e suporte a conexão wireless.

A OLPC já anunciou uma nova versão do XO, que incluirá um teclado sensível ao toque e duas telas touchscreen. Este modelo deve chegar ao mercado apenas em 2010.


IDG News Service, EUA
Computerworld, 12/11/08

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Da eficácia à grandeza

Stephen Covey: usamos o mapa da Era Industrial na Era do Conhecimento
Foto Tachibana Zen / Lola Studio


Conhecido como a maior autoridade em desempenho humano da atualidade, Stephen Covey, autor de O Oitavo Hábito, abriu o último dia da ExpoManagement 2008 falando da liderança na Era do Conhecimento para um público de cerca de 1.000 pessoas.

Segundo o co-fundador da Franklin Covey, empresa especializada em habilidades de gestão, ainda usamos o mapa da Era Industrial, o que não contribui em nada para que as pessoas persigam as metas das organizações. “É preciso coragem para questionar as premissas subjacentes à era passada”, afirmou.

Por “mapa”, Covey quer dizer “paradigmas”. Para ele, o mapa deve ser uma função de leis naturais e não de nossos conceitos. “Quem governa são os princípios”, diz. Então, é preciso termos humildade para ser governados pela generosidade, pela gentileza e pelo respeito ao outro, pois o trabalhador não é mais uma “despesa” nos demonstrativos financeiros, mas alguém que pensa.

No entanto, se ainda utilizamos o mapa da Era Industrial, baseado em comando e controle, não somos líderes adequados. “Quanto mais controle se exerce, mais passividade você terá embaixo, o que justifica mais controle, o que leva as pessoas a viciarem na urgência, o que justifica mais controle de novo”, explica o especialista.

“Se vocês perguntarem à sua equipe qual o propósito da sua empresa, obterão respostas diversas, porque as pessoas não estão conectadas às metas estratégicas”, aposta Covey. Para ele, parte disso é devido ao fato de a cultura das organizações ser voltada a tratar mais do urgente do que do que é importante. Concentrando-se no urgente, as pessoas realizam um trabalho falso.

Para Covey, as organizações precisam de um centro moral que transmita claramente a visão, os valores e os objetivos da empresa. Ele alerta: “O que você é, o seu caráter, comunica-se de modo muito mais eloqüente do que o que você faz”.

Enquanto na Era Industrial a liderança dependia de autoridade formal, na Era do Conhecimento a autoridade é moral, isto é, vem de baixo para cima. “Gandhi não tinha autoridade formal e, no entanto, libertou a Índia, pois o povo lhe deu autoridade para isso”, exemplifica Covey.

O palestrante destacou os quatro imperativos dos grandes líderes: esclarecer o propósito, inspirar confiança, alinhar os sistemas e liberar talentos. Se cada membro da equipe atuar com base em seus talentos –“deixar falar a sua voz”– as pessoas se complementarão umas às outras e a necessidade de controle já não imperará. Para o professor, supervisão é um conceito obsoleto.

Na Era do Conhecimento, a cultura é responsável pelos resultados, isto é, as pessoas se auto-administram e todo mundo deve prestar contas a todo mundo. “As sessões de feedback chefe-funcionário tradicionais são coisa do passado”, afirma Covey. “O maior desinfetante da organização é a informação transparente”.

Ele diz que, quando as pessoas se comunicam permanentemente e de modo transparente, os que não querem se adaptar à nova onda não duram. “Até o chefe pode ser demitido”, avisa.

O poder da cultura é a maior força que existe. “É a idéia por trás do Grameen Bank, e vocês assistiram ao Muhammad Yunus aqui ontem. A inadimplência é zero, porque o controle está com os próprios tomadores de empréstimos”, recorda o palestrante.

A Grandeza

Para Covey, os quatro elementos da grandeza são o desempenho superior constante, a cultura vitoriosa de pessoas talentosas, os clientes e os parceiros leais e a contribuição distintiva da organização, como é o trabalho da entidade japonesa Feed the Children. Covey contou que ela se dedica a tirar da desnutrição crianças do mundo todo e capacitá-las a conseguir seu alimento no futuro.

Os resultados organizacionais são função do tripé formado pela grandeza pessoal (os talentos), a organizacional (foco e execução) e a liderança. O professor afirma que a chave para isso não é o comportamento, mas o mapa, as premissas e os modelos mentais.


Portal HSM On-line, 12/11/08

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Desenvolvimento Local, no local!

Minha maratona em torno de temas socioambientais em diversas partes do Brasil me trouxe agora a Cuiabá, onde está acontecendo a Expo Brasil, Desenvolvimento Local. É a 7ª edição do evento que tem três dias e centenas de atividades acontecendo paralelas com quase 9 mil inscritos. Ontem no espaço Central de Eventos do Pantanal, havia muita gente. Não saberia dizer quantas pessoas, mas muito mais do que tenho visto em eventos para discutir desenvolvimento sustentável em qualquer outro local do Brasil. Entre os patrocinadores, um é o de sempre, a Petrobras. Mas tem outros, como Sebrae, Banco do Nordeste, Furnas, Eletronorte e Banco da Amazônia.

Independente de quem está pagando, o evento me pegou de surpresa. Minha fala, às 17 horas de um dia que começou para os participantes às 7h30 da manhã, e sobre um tema mais técnico (Desafios Socioambientais no Brasil e o Papel da Comunicação) tinha certamente mais de 250 pessoas na sala, que ficaram até o final e ainda participaram de uma sessão de perguntas ( http://www.expobrasil.org.br/?q=pt-br/node/161 ). Muita gente interessada, gente que está trabalhando para criar alternativas de desenvolvimento local em lugares que a gente da cidade grande muitas vezes nunca ouviu nem falar.

Numa conversa com um jornalista da equipe da organização, que gravou uma entrevista comigo, falávamos sobre a importância de um evento como este. Pensei com meus botões sobre o papel dos eventos? O que eles devem representar para os participantes em termos de oferta de informação e interlocução? Tenho visto muitos eventos que são realizados em grandes centros do Sul/Sudeste com uma proposta de levar informação e conhecimento ao grande público. Recentemente a Envolverde mesmo realizou o Encontro Latino-Americano de Comunicação e Sustentabilidade, com a presença de 42 palestrantes e um nível de debates realmente muito elevado. Mas quantas pessoas foram? O auditório do Hotel Jaraguá no centro de São Paulo comportava 320 pessoas. Na média estavam cerca de 200 todo o tempo. Muitos lugares desocupados. E a opção de fazer em São Paulo era justamente para facilita o acesso das pessoas.

Em Cuiabá o evento é fora do eixo Sul/Sudeste, está lotado e tem salas onde depois de começar as palestras não pode entrar mais gente porque se esgotaram os lugares. Quem são estas pessoas ávidas por conhecimento e troca de informações? São pessoas que estão efetivamente trabalhando pelo desenvolvimento local em seus locais. Que precisam olhar em volta e ver que não estão sozinhas, que tem mais gente fazendo a mesma coisa, só que em outros locais. É gente buscando força em seus iguais. Estar na vanguarda é muito solitário. Quase não se vê ninguém à frente e do lado. A maioria está lá atrás.

Diante disso preciso fazer uma outra reflexão e mudar de idéia. No ano passado, em Porto Alegre, durante o II Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, defendo que a terceira edição fosse em Brasília em 2009. Os argumento eram os de praxe: mais público, estar perto do poder, facilidades de logística e organização. Eu estava errado. Venceu a proposta por Cuiabá. Hoje estou convencido de que fazer o III Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental em Cuiabá é uma grande idéia e uma forma de buscar mais integração entre a prática do jornalismo e a prática do desenvolvimento sustentável. Um dia os escritórios da Avenida Paulista vão entrar na luta pela sustentabilidade para valer, além do marketing e dos discursos. Enquanto isso vamos mostrar mais sobre desenvolvimento local e sustentável de verdade.

Saiba mais sobre a Expo Brasil em: www.expobrasil.org.br


Adalberto Wodianer Marcondes
Blog da Envolverde, 13/11/08

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sábado, 15 de novembro de 2008

O recado verde de Jeffrey Immelt, CEO da General Eletric

É na crise que se destacam os líderes, as empresas líderes e as idéias líderes. No último dia seis de novembro, Jeffrey Immelt, CE0 da General Eletric, deu um recado importante para aqueles que estavam pensando em suspender investimentos em sustentabilidade por causa do tsunami financeiro mundial. Em palestra realizada na cidade de Nova York, disse a 1200 convidados da Business Social Responsability e do grupo brasileiro ABC, patrocinador do evento, que a crise representa o fim de um ciclo e que o momento sugere reorganizar os modelos dos negócios, criando novas formas de atuação.

Nesse cenário – acredita – a prática da responsabilidade social em todos os níveis da empresa constitui um diferencial competitivo estratégico valorizado por consumidores, funcionários, acionistas e sociedade. “Investir nisso não é queimar dinheiro, mas sim construir um meio estratégico para criar valor, gerar confiança e reforçar a transparência. Em um futuro próximo, as empresas vão competir para ver quem é mais responsável ou não”.

As palavras de Immelt ecoam com força e credibilidade. Não só porque é um dos mais importantes executivos do mundo. Mas, porque, há quatro anos, ele e a empresa que dirige têm sido respectivamente porta-voz e estandarte do movimento verde nos negócios.

Quando em dezembro de 2004, o sucessor de Jack Welch reuniu seus principais diretores para comunicar que todos os departamentos da empresa teriam que se esforçar para criar produtos ambientalmente responsáveis, a primeira reação foi de total incredulidade. A maioria pensou que o chefe enlouquecera. Afinal, como fabricar turbinas verdes em uma organização que até então sequer havia se preocupado em mensurar seus impactos ambientais? Incomodava-os, sobretudo, a ousadia de Immelt de achar que podia mexer, sem riscos, na estratégia de uma megacorporação centenária, com faturamento de 173 bilhões de dólares.

O executivo estava convicto da aposta. Sabia que a nova linha de produtos, denominada Ecoimagination, hoje com mais de 60 itens, atendia às expectativas de um novo perfil de consumidores preocupados com as mudanças climáticas. E que a atitude verde, longe de ser apenas um ato de generosidade para com o planeta, atrairia novos negócios.

Em 2007, a empresa investiu um bilhão de dólares na linha Ecoimagination, turbinando as vendas para um patamar de 14 bilhões de dólares, cerca de 10% do volume global de vendas da GE. Os negócios verdes crescem três vezes mais rápido do que a média dos demais produtos da empresa. E a expectativa é que, até 2010, alcancem a cifra de 25 bilhões de dólares.

Nesse processo, Immelt contou com dois conselheiros e uma executora de mão cheia. Chad Holliday, presidente da Dupont, foi uma espécie de coach. Andrew Shapiro, diretor da GreenOrder, e responsável pela estratégia de produtos limpos da Dupont e da BP, ajudou no planejamento. Já Lorraine Bolsinger, recrutada no Marketing, tem sido a capitã da implantação. Coube a ela, por exemplo, mobilizar e envolver os profissionais, inserir o tema na cultura da empresa, estabelecer um sistema de padrões e definir critérios para os produtos.

Quem analisa os números da evolução rápida da Ecoimagination pode até achar que o caminho verde tem sido plano e sem sobressaltos. Não é bem assim. A mudança no modo de pensar e fazer negócios impôs enormes desafios para a GE. Entre os mais bicudos enfrentados por Immelt, quatro merecem destaque.

O primeiro diz respeito à dificuldade natural de transformar a cultura organizacional de uma corporação global, com 327 mil funcionários espalhados em 83 países. Como a empresa optou por não ter um departamento de sustentabilidade, a tarefa de criar produtos verdes acaba sendo, na prática, de todos os colaboradores, o que exige diretrizes claras, metas bem definidas, ambiente encorajador à inovação e um enorme esforço de educação para pensar “fora da caixa.”

O segundo desafio refere-se ao fato de que, na maioria dos casos, os produtos verdes estão criando mercados absolutamente novos. Uma coisa é “tirar pedidos” para turbinas movidas a carvão em um mercado certo com clientes certos. Outra, bem diferente, é vender sistemas como o Ecohome, para controle do uso de água e energia em residências. Ninguém cria novos mercados impunemente. Há um custo inicial a se pagar –e aí se está diante do terceiro desafio – que é o de tornar os novos produtos comercialmente viáveis. Para fechar a equação de baixa escala e alto custo de desenvolvimento, os lançamentos verdes costumam cobrar 20% a mais do que os similares convencionais.

O quarto desafio está relacionado á superexsposição pública. Ao adotar uma linha de produtos verdes, a General Eletric entrou na alça de mira de ONGs, sociedade civil organizada e mídia vigilante. E passou a ser mais visada. A despeito de ter cortado em 20% suas emissões de carbono e da promessa de ampliar progressivamente a produção de equipamentos de energia eólica e solar, as poluidoras máquinas a carvão continuam sendo o carro-chefe da companhia. Superar as contradições como essa, para que a GE não venha a ser incluída no time das que praticam greenwashing, é o próximo trabalho do hércules Immelt.


Ricardo Voltolini
Publisher da revista Idéia Socioambiental e diretor da consultoria Idéia Sustentável. ricardo@ideiasustentavel.com.br
Envolverde, 12/11/08
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Nova Metodologia Mensura Impacto de Projetos Sociais

Buscando medir o real valor de um investimento social, tendo como fundamento a promoção de políticas públicas já existentes para o desenvolvimento social e econômico de uma região, a John Snow Brasil Consultoria desenvolveu a MAIS (Metodologia de Avaliação de Impacto Social). Seu principal objetivo é mensurar a redução das diferenças sociais produzidas em função dos investimentos realizados por um agente de transformação, entre eles fundações e institutos privados, organizações da sociedade civil e agências governamentais.

Um dos estudos realizados pela consultoria foi em cima dos projetos sociais do SESI (Serviço Social da Indústria). A metodologia permitirá avaliar o impacto dos seus projetos nas áreas de educação, saúde, lazer e responsabilidade social e mostrará, com exatidão, a contribuição aos cidadãos e à sociedade.

“A MAIS vai permitir não só avaliar, mas inclusive quantificar o retorno econômico e financeiro para cada indivíduo, suas famílias e para as comunidades em que estão inseridos”, explica Carlos Henrique Ramos Fonseca, Diretor do Departamento Nacional do SESI. Numa fase inicial está prevista a utilização do MAIS na avaliação de oito projetos sociais.

A eficácia da metodologia criada pela John Snow Brasil foi testada no ano passado para avaliar os resultados da “Ação Global”, desenvolvido pelo SESI em parceria com a Rede Globo de Televisão. Criado em 1991 e realizado anualmente, o programa consiste em um mutirão de serviços essenciais e gratuitos, promovidos por profissionais voluntários nas áreas de saúde, lazer, educação e cidadania. Em 2007, foi realizado simultaneamente em 34 cidades, envolvendo 40 mil profissionais e 2 mil parceiros. Calcula-se que mais 1 milhão de pessoas tenham participado do evento, resultando em 2,3 milhões de atendimentos.

A análise realizada por meio do MAIS permitiu identificar que os serviços prestados pela Ação Global tem impacto na renda das famílias atendidas. “Isso não quer dizer que aqueles que vão à Ação Global terão, no dia seguinte, a sua renda aumentada”, destaca Rodrigo Laro, coordenador de pesquisa e avaliação de impacto social da John Snow Brasil. “Significa que uma pessoa beneficiada com os serviços da Ação Global pode ter mais acesso a um emprego, a uma renda fixa e inclusão social, portanto mais condições de aumentar a sua renda.”

A John Snow Brasil é uma consultoria especializada em Gestão e Desenvolvimento Social que promove e implementa conhecimentos inovadores aos gestores sociais das esferas empresarial, governamental e da sociedade civil organizada. Sua metodologia é baseada em uma escala de valores e possui seis etapas de aplicação: 1 - desenvolvimento do marco lógico; 2 - elaboração dos instrumentos de pesquisa avaliativa; 3 - coleta de dados e análises exploratórias dos dados; 4 - análise financeira (custo-eficácia); 5 - análise econômica (custo-benefício); 6 - análise social (equidade ou redução de diferenças sociais).

O desenvolvimento da Metodologia de Avaliação de Impacto Social partiu de uma abordagem integrada de algumas ferramentas que já se encontravam disponíveis na literatura. Porém, estas ferramentas não trabalhavam com a ferramenta inicial de marco lógico, que define metas e indicadores a todos os objetivos do programa. A John Snow acoplou o marco lógico e mais as ferramentas de pesquisa avaliativa e coleta de dados para chegar ao formato atual da MAIS. “Atualmente consideramos a metodologia completa”, avalia Miguel Fontes diretor da John Snow Brasil. “Até o momento, tínhamos aplicado parcialmente a MAIS, no entanto, essa é a primeira vez que a utilizaremos por completo junto a um parceiro”, diz Fontes.

Sobre o SESI

Criado oficialmente no dia 1º de julho de 1946 como uma entidade de direito privado, mantida e administrada pela indústria que tem como objetivo melhorar a qualidade de vida do industriário e seus dependentes, o SESI tem procurado focar sua atuação em seu público estratégico. “As avaliações de impacto trarão maior direcionamento quanto à eficácia da atuação junto a esse público e permitirá também a demonstração dos benefícios às comunidades desassistidas socialmente”, afirma Carlos Henrique Fonseca.

Em 2007, o SESI investiu em seus programas sociais e realizando 48,6 milhões de atendimentos. Os Departamentos Regionais do SESI estão espalhados nos 26 estados e no Distrito Federal e são percebidos pelos empresários locais como parceiros para o desenvolvimento social de suas indústrias e de seus funcionários. Entre as atividades realizadas estão a prestação de serviços em saúde, educação, lazer, cultura, nutrição e promoção da cidadania.

Agora o SESI pretende, com os resultados obtidos pela pesquisa, otimizar os impactos das ações, entendendo o que realmente funciona e o que não dentro de seus programas, para fazer as alterações adequadas e atender ainda melhor à população. “Ao terminarmos a avaliação divulgaremos para sociedade os resultados do investimento social da Indústria, afirma Carlos Henrique Fonseca.


Envolverde, 12/11/08
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Profissionais optam cada vez mais pelo terceiro setor

Hoje, cerca de 4 milhões de pessoas trabalham no terceiro setor no Brasil. O número de vagas cresceu duas vezes mais que a média geral do país nos últimos anos. Nesse contexto, longe da imagem de trabalho voluntário, organizações não-governamentais, institutos e fundações atraem cada vez mais profissionais bem sucedidos da iniciativa privada.

Esse foi o caminho que o diretor-presidente do Instituto C&A, Paulo Castro, resolveu seguir. Formado em economia, Castro atuou durante 18 anos na C&A. Em sete deles, o executivo acumulou o cargo de conselheiro do instituto responsável pela parte de responsabilidade social da empresa. Apaixonou-se pelas causas sociais e hoje é o principal dirigente da instituição. “A possibilidade de colocar a energia em uma causa que tem dimensão social amplia o sentido do que você está fazendo”, afirma.

Buscando um sentido maior para a vida, a coordenadora de comunicação do programa Geração MudaMundo, da ONG Ashoka Empreendedores Sociais, Juliana Soares, também optou por fazer carreira no terceiro setor. “Trabalhar no terceiro setor trouxe mais paixão, prazer e vontade”, revela.

Formada em publicidade pela ESPM, universidade que tradicionalmente forma profissionais para grandes agências, há dois anos Juliana quis traçar um caminho diferente. “Foi uma escolha pessoal, não financeira. Queria uma razão maior para minha profissão do que um comercial de 30 segundos”.

Formação
Assim como Castro e Juliana, profissionais de diversas áreas têm optado por fazer carreira no terceiro setor, mas para isso é necessário buscar uma formação apropriada, principalmente quando a questão é gestão. “As iniciativas no terceiro setor não têm maior continuidade, pois não há gestão adequada. A profissionalização é fundamental para se gerir uma ONG”, afirma a vice-coordenadora do Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor e professora da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Graziella Comini. “Quem atua no terceiro setor precisa entender a construção de alianças e parcerias. Se não entender isso, não vai a lugar nenhum. Gerir o terceiro setor é mais difícil do que se pensa”, completa.

Hoje, muitas universidades já oferecem cursos de MBA para capacitação no terceiro setor. “Há restrição de recursos e disputa entre as ONGs por recursos escassos das empresas. Por isso, um gestor do terceiro setor deve entender a lógica empresarial e para isso precisa de conhecimentos básicos de captação de recursos”, defende Graziella.

A professora conta que o tempo médio de duração de uma ONG no Brasil é de oito anos, isso porque não há uma devida preparação para o gerenciamento da organização. “Só o sonho de fazer o bem não basta, tem que saber gerir o projeto para que dê certo. A morte de uma ONG é um prejuízo enorme para a sociedade, já que o resultado do trabalho de uma ONG demora a aparecer”, alerta.

“Infelizmente, no terceiro setor, há uma carência de profissionais que trabalhem com administração financeira, mas em um geral, faltam profissionais realmente preparados”, afirma a Coordenadora Executiva da ONG baiana Eletrocooperativa, Leila Rocha Marques. “A formação é necessária, mas o aprendizado é contínuo”, completa.

Graziella afirma que o público dos cursos de capacitação para o terceiro setor é variado. “São pessoas que querem fazer a diferença. Profissionais que trabalham no setor privado, mas querem mudar de trajetória; pessoas que já estão no terceiro setor e querem aprimorar o que já sabem na prática; pessoas que querem saber o que é o terceiro setor. Basicamente, pessoas com vontade de se profissionalizarem no terceiro setor”.

O perfil dos professores do curso também é diversificado: varia entre profissionais que trabalham com gestão empresarial e profissionais experientes do terceiro setor. “É importante compartilhar as experiências que deram certo”.


Bruna Souza, do Aprendiz
Envolverde, 11/11/08
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Brazil Foundation lança edital 2008-2009 para educação, saúde, direitos humanos, cidadania e cultura

BrazilFoundation oferece apoio financeiro de até R$ 30 mil durante um ano

O processo de seleção está aberto a todas as organizações de direito privado sem fins lucrativos, de todas as regiões do país, que atendam aos objetivos e critérios da BrazilFoundation e busca identificar iniciativas sociais nas áreas de educação, saúde, direitos humanos, cidadania e cultura.

As propostas serão avaliadas de acordo com os seguintes critérios de seleção:
* Alinhamento da proposta apresentada com a missão da instituição proponente;
* Comprovada capacidade técnica e operacional da instituição de desenvolver o projeto proposto
* Adequação da intervenção social proposta às necessidades impostas pela realidade social da comunidade ou público diretamente beneficiado;
* Apresentação de abordagens diferenciadas em relação a outras iniciativas da mesma área de atuação em seu estado ou região;
* Implantação de um modelo de atuação eficaz que possa gerar mudanças sociais e contribuir para a melhoria da qualidade de vida da comunidade ou do público diretamente beneficiado;
* Apresentação de uma estratégia clara de continuidade do trabalho;
* Legitimidade da instituição em sua área de atuação

Instruções para o envio de projetos
A BrazilFoundation tem por objetivo principal estimular mudanças sociais ao apoiar soluções criativas e eficazes que gerem resultados significativos na realidade de comunidades e grupos sociais em situação de vulnerabilidade.

Podem participar pessoas jurídicas, não-governamentais, de direito privado e sem fins lucrativos, políticos ou religiosos. Cada instituição poderá enviar apenas um projeto.

Não poderão participar:
* Pessoas físicas;
* Partidos Políticos e Igrejas;
* Instituições cujo projeto tenha objetivos político-partidários ou religiosos;
* Instituições do Sistema "S" (SENAI, SESI, SESC, SESI, SEBRAE), que podem, porém, ser parceiras do projeto ou da instituição proponente;
* Universidades e autarquias, que podem, porém, ser parceiras do projeto ou da instituição proponente.

A BrazilFoundation prioriza projetos que visem:
* Melhorar as condições sociais de uma comunidade ou grupo social em situação de vulnerabilidade.
* Desenvolver lideranças nas áreas em que atua.
* Criar modelos inovadores e eficazes que tenham potencial de reaplicação para outras iniciativas, governamentais ou não governamentais.

Serão consideradas apenas as propostas apresentadas por meio do formulário de inscrição acompanhado da planilha de solicitação de recursos, disponíveis no site da fundação (veja links abaixo). A inscrição deve ser feita exclusivamente através do preenchimento integral e envio pelo correio do Formulário de Inscrição e Planilha de Solicitação de Recursos.

Prazos
O prazo de envio é de 01 de outubro 2008 a 05 de dezembro de 2008.
Data limite para postagem de projetos: 05 de dezembro de 2008.
Divulgação dos projetos finalistas no website da BrazilFoundation: 14 de abril de 2009.
Divulgação dos projetos aprovados no website da BrazilFoundation: 30 de junho de 2009.

EDITAL (em PDF)
FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO (formato Word)
PLANILHA DE SOLICITAÇÃO DE RECURSOS(formato Excel)


Fonte: Brazil Foundation

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Captação de recursos: uma atividade em que se cria e se copia

A prática da captação de recursos envolve não apenas processos e técnicas, mas, principalmente, pessoas. O processo de captação é um ciclo que passa pela implantação de uma idéia, pela criação de uma cultura no interior da organização – freqüentemente demandando a quebra de paradigmas e práticas consagradas internamente –, a consolidação de novas práticas internas e de relacionamento com parceiros, culminando no aprofundamento dessas práticas e relações e na abertura de novas possibilidades e oportunidades no domínio dessas redes.

Tecnicamente falando, cada uma dessas etapas tem sido descrita e praticada a partir de conceitos muito bem definidos no recente artigo de Rene Steuer, “O ciclo da captação não termina nunca...”, como: o caso; os objetivos; as metas de captação; as necessidades do mercado; os potenciais doadores; os meios e as fontes de captação; a solicitação e a renovação da doação, entre outros.

Todo esse arsenal conceitual pode ser exemplificado pela própria história da captação de recursos na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP). A captação na FGV-EAESP começou em 1991 com o então diretor Michael Paul Zeitlin que, logo que eleito, viajou aos Estados Unidos para estudar os modelos americanos de captação para universidades e adaptá-los à cultura brasileira. Com a captação incorporada ao planejamento estratégico da instituição, Zeitlin iniciou o processo com empresas e ex-alunos de modo institucional, dando origem às famosas salas patrocinadas, laboratórios e auditórios personalizados.

O movimento iniciado por Zeitlin é referência até hoje entre as instituições de ensino superior e no Terceiro Setor em geral. Esse trabalho foi consolidado pela atuação internacionalmente reconhecida de Célia Cruz, que coordenou o departamento de desenvolvimento institucional da FGV-EAESP até 2000, passando a gestão para Zilla Bendit, que aprimorou e expandiu as técnicas utilizadas no patrocínio de espaços físicos, eventos culturais e acadêmicos, incorporando o marketing de relacionamento às ações de captação.

Entretanto, há mais a considerar com relação ao ciclo de captação do que o simples instrumental técnico. Esse ciclo, que não termina nunca, é um processo que passa por diferentes momentos e fases, que, por sua vez, têm diferentes exigências e características. Existem diversos meios de fazer captação: eventos especiais, mala direta, campanha anual, campanha de capital, captação on-line, telemarketing e projetos específicos, entre outros. Existem também diversas fontes de doação: pessoa física, empresas, fundações nacionais e internacionais, igrejas, convênios públicos, agências internacionais etc. E existem ainda diversas organizações da sociedade civil, ligadas a diferentes áreas de atuação: à saúde, ao meio ambiente, ao ensino, à cultura e outras. Essas diferentes organizações direcionam suas ações para diferentes públicos-alvo: crianças, adolescentes, adultos, idosos, natureza, animais... qual é a melhor prática? Qual é a mais eficiente? Além disso, sabemos que a prática da captação envolve pessoas. Como deveria, então, ser a pessoa do captador de recursos? Que habilidades deveria ter o melhor captador de recursos?

Para responder essas questões, a citação do professor em captação, Daniel Yoffe, é ideal: “Diga-me quais recursos desejas buscar que te direi o melhor tipo de pessoa para ajudá-lo”.

É a melhor combinação de todos esses fatores que determinará o melhor resultado na captação de recursos. É muito importante esclarecer que os melhores resultados se alcançam ao longo do tempo.

Nesse sentido, recomenda-se às organizações que pretendem criar uma área de captação de recursos que conheçam outras entidades já estruturadas e seus processos de desenvolvimento nessa área.

Ações como essas, alinhadas à cultura e valores das suas organizações, é que poderão garantir sua autonomia e sustentabilidade. O bom resultado decorre do amadurecimento do processo. Seguem alguns exemplos:

Programa de sócios-contribuintes
A equipe de captação de recursos do Doutores da Alegria é uma boa referência. A qualidade do trabalho de captação dos Doutores é reconhecida por todos e é importante lembrar que isso é resultado de um esforço de muitos em um processo contínuo iniciado há muitos anos.

Em 1996, os Doutores da Alegria fecharam um grande patrocínio com a Itaú Seguros. Nessa época, Rodrigo Alvarez foi chamado para iniciar o processo estruturando um programa que chamou informalmente de “um programa atencioso para qualquer doador”. Desde o início, a maior preocupação foi acolher os doadores. Naquela época, Alvarez foi visitar as equipes da Fundação Abrinq e do Greenpeace, provavelmente com a mesma intenção que outras organizações hoje visitam a equipe dos Doutores. O passo seguinte desse processo foi o uso da Internet como ferramenta para captação de recursos.

Captação de recursos no Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente
A AACD é uma referência importante, pois estruturou uma área especializada em viabilizar recursos para os projetos aprovados pelo Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fumcad), coordenada por Marta Delpoio. Em 2005, teve três projetos aprovados e, atualmente, já tem seis. Toda doação recebida de pessoas físicas e jurídicas até o último dia do ano-calendário pode ser deduzida do imposto de renda devido. O limite de doação para declaração do IR é de 6% (PF) e 1% (PJ).

Programa com ex-alunos
O trabalho da FGV-EAESP é muito bem desenvolvido. Como descreve Márcia Pastore, responsável pela captação com os ex-alunos da instituição no período de 1996 a 2000, alguns fatores são fundamentais para o sucesso dessa captação:
• Apoio irrestrito da diretoria;
• Planejamento a médio e longo prazo;
• Equipe bem-estruturada com profundo conhecimento da instituição e de seus ex-alunos, além das técnicas de captação;
• Tecnologia da informação – banco de dados estruturado e organizado;
• Comunicação pessoal para estreitar e fidelizar o relacionamento.

O programa ex-aluno doador da FGV-EAESP – Comunidade GV, começou com encontros entre as turmas dentro da própria instituição. Com o tempo, tornou-se um programa de relacionamento, oferecendo a seus ex-alunos doadores palestras com professores renomados, cafés da manhã, festas, seminários, entre outros.

Os ex-alunos, por sua vez, eram chamados a contribuir e participar desse movimento histórico na instituição investindo em bolsas para alunos que não podiam pagar a graduação, na atualização da biblioteca, ou mesmo deixando a critério da própria diretoria o que fazer com a doação, tamanha a credibilidade do trabalho. São exemplos assim que permitem que nesse espaço social, regido pela lógica da solidariedade, essas trocas de experiências sejam possíveis e, até mesmo, estimuladas.

Links
www.aacd.org.br
www.doutoresdaalegria.org.br
www.eaesp.fgvsp.br


Renata Brunetti
Doutora e mestre em Psicologia Social pela PUC-SP, certificada em Fund Raising Management pela Fund Raising School, do Centro de Filantropia da Indiana University e mestre em Gestão em Empreendedorismo Social pela Universidade de São Paulo.
Revista Filantropia - OnLine - nº175

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Talent cria por novo Cultura Artística

Agência é a responsável por campanha voltada a empresas que possam ajudar na reconstrução do teatro, orçada em R$ 60 milhões. Até o final do ano Sociedade de Cultura Artística deve ir à mídia pedir contribuições da população

Após incêndio que consumiu as instalações do Teatro Cultura Artística, em São Paulo, em agosto, a Talent assina voluntariamente uma campanha que visa sensibilizar empresas e pessoas jurídicas para que sejam potenciais colaboradoras do plano de reconstrução do teatro, orçado em R$ 60 milhões. "Quando aconteceu aquele infeliz acidente, achamos que poderíamos ajudar o Cultura Artística", conta José Eustachio, sócio-diretor da agência.

Assim, foi desenvolvido um folder dividido em quatro atos, por meio dos quais é contada a história da Sociedade de Cultura Artística, de seu surgimento à atual fase, passando pela inauguração do teatro. Por fim, o material propõe o renascimento do espaço, que deve se tornar mais completo e moderno.

Segundo Eric Klug, responsável pela área de relações institucionais da Sociedade, a apresentação desse material aos potenciais investidores deve acontecer em dezembro, já que nesta semana o tombamento da fachada do teatro deve ser aprovado e, até o final deste mês, o projeto de reconstrução deve ser aprovado pelo Ministério da Cultura para de beneficiar da Lei Rouanet. O plano prevê a retirada de todo o entulho gerado pelo incêndio e a reconstrução de 10,5 mil metros quadrados, com melhorias no backstage e no estacionamento do espaço, sem qualquer alteração na fachada original.

Em breve, um DVD vai compor o material apresentado aos potenciais investidores, no qual artistas como Monica Salmaso, Nelson Freire, Regina Duarte e Roberto Minczuk ressaltam a importância do espaço para a cultura nacional. Até o primeiro trimestre de 2009, a população em geral deverá ser impactada por uma campanha em mídia impressa e rádio convidando todos a contribuírem com a reconstrução do teatro. "A idéia é que possamos contar com a disposição dos veículos", prevê Eustachio. O novo Centro Cultura Artística deve ser inaugurado em 2012, quando serão comemorados os cem anos da Sociedade.


Eduardo Duarte Zanelato
Meio & Mensagem Online, 12/11/08

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A esperança vem do microcrédito

Economista e detentor do Prêmio Nobel da Paz conta como seu projeto vem transformando há décadas a realidade em Bangladesh

Vencedor do Prêmio Nobel da Paz, em 2006, pela criação do Grameen Bank -- banco que fornece microcrédito à população pobre de Bangladesh sem burocracia -- Muhammad Yunus, afirmou nesta terça-feira,11, durante o HSM Expo Management, que o presidente Lula foi o único presidente que admitiu o fracasso de suas iniciativas relacionadas a esse tipo de programa. "Quando estivemos juntos percebi que ele é um homem muito realista e foi o único governante que conheci capaz de admitir seus erros e pedir ajuda", disse.

Ao comentar o programa federal Bolsa Família, o professor ressaltou que "dar um dinheirinho para garantir dignidade é o primeiro passo de um processo mais amplo, mas está longe de ser a solução para a pobreza e dificuldades da população. "Para aqueles que buscam sobreviver, qualquer espécie de apoio imediato é bem-vindo, mas é importante oferecer alternativas para que a pessoa cresça e desenvolva suas idéias para conseguir deixar o estado de pobreza pensando em longo prazo", comentou Yunus.

Segundo ele, apresentar a possibilidade de, ao invés de pegar um determinado valor para as necessidades mais urgentes, o cidadão tenha acesso a uma quantia cinco vezes maior para pensar em um ofício que lhe traga retorno é essencial para estimular uma população a abondanar a pobreza. "Se você oferecer o crédito a cem pessoas e dez aceitarem e dessas dez, cinco conseguirem algum tipo de retorno, as atitudes geram uma reação em cadeia capaz de despertar o empreendedorismo em qualquer um", afirmou.

No entanto, para que esse tipo de programa obtenha sucesso, Yunus aconselha que não haja vínculo algum com o governo de forma que não haja chances de manipulação política e se torne objeto para simples conquista de eleitorado. "O trabalho social deve pregar transparência total e o envolvimento da política deve ser de todas as formas evitado para que essa não comprometa o controle financeiro e ético", acrescentou.

Crédito: direito humano fundamental
De acordo com Yunus, o direito ao crédito deveria estar no topo da lista dos direitos humanos, já que torna todos os outros direitos básicos de qualquer cidadão consequência de seu esforço e trabalho. O acesso ao dinheiro para sobrevivência gera automaticamente acesso à alimentação, moradia, saúde e educação.

Partindo do princípio de que a pobreza é um conceito artificial criado e imposto por uma sociedade que definiu suas políticas e sistemas baseado em um único modelo de lucros nos negócios, Yunus deixou claro qual seu sonho e sua missão no mundo: acabar com a pobreza até que essa se transforme em tema de museu como são hoje os dinossauros.

Para tanto, o professor e economista defende que cada vez mais sejam criadas empresas sociais, ou seja, aquelas que não vislumbram lucro ou retorno financeiro para reaplicar recursos em busca da solução para problemas que afetam o desenvolvimento da sociedade como um todo.


Mariana Ditolvo
Meio & Mensagem Online, 11/11/08

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Ken Robinson: Escolas matam a criatividade?

Para quem não conhece, TED é uma conferência anual que desde 1984 reúne, segundo seus promotores, os pensadores e atores mais fascinantes do mundo. Os temas são tecnologia, entretenimento e design, e os convidados a falar são desafiados a fazer "a palestra de suas vidas" em 18 minutos.

Embora de algum tempo para cá elas sejam disponibilizadas em vídeo - e nunca me arrependi de ter investido tempo em assiti-las -, infelizmente as palestras são em inglês, razão pela qual nunca publiquei nenhuma aqui. Mas para nossa sorte, algumas vem sendo legendadas em português. Inauguro, portanto, a publicação de uma seleção, entre as que já estão legendadas, com a de Sir Ken Robinson que embora seja sobre educação, nos faz refletir sobre muito mais do que isso. Vale apena ver! Abaixo a primeira parte. Clicando no link "Mais..." no fim do post, a segunda.



Abaixo a segunda parte:

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