sábado, 8 de novembro de 2008

Investimentos para 2009 repetirão 2008

Sondagem quantitativa do Ibope Inteligência, realizada em outubro de 2008 pela internet, com empresários da Câmara Americana de Comércio (Amcham), indica expectativas para 2009

A crise financeira internacional impactou os planos das empresas brasileiras para 2009. Esquecendo-se um pouco dos bons resultados dos sete ou oito primeiros meses do ano ano e do otimismo exacerbado, registrado na pesquisa de 2007, a edição 2008 da sondagem de expectativas do Marketing Round Up, realizada pelo Ibope Inteligência com 211 empresários da Câmara Americana de Comércio (Amcham) no mês de outubro, indica que os executivos brasileiros "caíram na real" e, em vez, de projetarem forte crescimento dos investimentos em marketing para 2009, como havia acontecido nas previsões para 2008, esperam apenas repetir o crescimento de investimentos em 13%, registrado em 2008. Para os entrevistados, os investimentos em marketing poderão aumentar de 7,6% em 2008 para 8,6% em 2009.

Na avaliação do Ibope Inteligência, o clima entre os empresários era de serenidade, apesar do levantamento ter sido realizado no ápice da crise financeira mundial. A percepção dos executivos brasileiros é que o impacto foi mais forte no setor macroeconômico do que no micro-ambiente das empresas. Ainda assim, "os empresários estão caindo na real", afirma Laure Castelnau (Ibope Inteligência). As três principais preocupações para o próximo ano são desaceleração da economia nacional, impostos/carga tributária e retração da economia americana/recessão mundial.

Para 2009, os empresários estão mais cautelosos. Vão manter foco em novos mercados mas diminuir o ritmo de lançamentos. "Verificamos que as empresas vão colocar mais o pé no freio de lançamentos de produtos em 2009", afirma Laure.

A gestão de pessoas é uma das ferramentas que fez a diferença para as empresas da Amcham em 2008. CRM e relacionamento, comunicação dirigida e eventos também estão entre essas ferramentas, utilizadas com maior força.

Ainda segundo a sondagem, 50% dos empresários projetam crescimentos dos eventos (na previsão do ano anterior, o percentual era 55%). A pesquisa indica ainda que a principal aposta em meios de comunicação para 2009 será a internet (56% dos entrevistados indicam um crescimento da utilização desse canal, ante 58% no ano anterior), porém fortemente concentrada em sites próprios das empresas (70%). "Há também um crescimento do celular como ferramenta de comunicação", afirma Laure. Já em mídia impressa haverá diminuição da intensidade de utilização (24% apontam aumento contra 42% na sondagem anterior).

Mesmo com o susto e perdas provocados pelos mercados financeiros globais e a deterioração da crise americana, dois terços dos empresários brasileiros consultados pelo Ibope Inteligência conseguiram cumprir totalmente ou em grande parte o planejamento de marketing em 2008. Agregar valor e inovação são os elementos mais importantes para os executivos da Amcham. "O ano de 2008 está sem um final feliz. Estas percepções começaram a se cristalizar em setembro ou outubro. Temos sete meses de resultados bem positivos e o final do ano com percepções de crise", afirma Laure.


Sandra Silva
Meio & Mensagem Online, 07/11/08

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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Grupo ABC patrocina encontro internacional

Mais do que um investimento financeiro, a iniciativa sinaliza o tom que a empresa pretende assumir em sua trajetória internacional

Pela primeira vez a Conferência da BSR - Business Social Responsibility, encontro anual sobre responsabilidade social corporativa, tem um patrocinador brasileiro: o Grupo ABC de Comunicação. Ao lado de marcas como General Electric, Toyota, Walt Disney Company , Ikea, McDonald's, UPS e Coca-Cola, o logotipo da holding verde-amarela da área de publicidade recepciona executivos de companhias de todo o mundo que chegam a Nova York para quatro dias de debates que começam hoje.

Mais do que um investimento financeiro - o grupo contribuiu com US$ 100 mil para a realização do evento, cerca de 15% do total e é o principal patrocinador - a iniciativa sinaliza o tom que a empresa pretende assumir em sua trajetória internacional.

O Grupo ABC, que atua em publicidade, serviços especializados e conteúdo, iniciou em 2007 um processo de internacionalização. É hoje o maior grupo de propaganda e serviços e marketing do país e figura em 21º lugar no ranking da revista "Advertising Age", que lista os grandes grupos globais de comunicação.

Segundo Luís Roberto Pires Ferreira, vice-presidente de responsabilidade social, o ABC pretende ser líder na área de responsabilidade social e sustentabilidade. "A BSR é uma referência internacional e esse patrocínio é uma primeira parte de uma relação", explica. A idéia é que a associação sem fins lucrativos, que opera quase como um instituto, ajude o grupo ABC a implementar sua política de sustentabilidade, que seja um parceiro na atuação internacional. Segundo o executivo, a BSR pode, por exemplo, mostrar o que seria efetivo em termos de sustentabilidade e responsabilidade social para ser feito no momento nos Estados Unidos, o ponto de partida da trajetória internacional com a aquisição da Pereira & Odell em 2007.

O apoio ao congresso também deve dar maior visibilidade a um trabalho que as agencias hoje reunidas no grupo fazem ha mais de uma decada. O Instituto Sou da Paz, o Faça Parte, que estimula o voluntariado, o Movimento Todos pela Educação, Unesco, Unicef, Masp e ABI têm recebido apoio de forma sistemática, em um contexto que dá prioridade a investimentos na área de educação pública e empreendedorismo.


Célia Rosemblum
Valor Econômico, 04/11/08

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Emigrantes de chuteiras

Estudo traça perfil dos jogadores de futebol brasileiros que residem no exterior e conclui que eles não são vistos como imigrantes. Suas fronteiras simbólicas não são as nações, mas os clubes

Entre os milhões de brasileiros atualmente residem no exterior, há cerca de 5 mil jogadores de futebol. Um estudo feito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) traçou o perfil dos emigrantes de chuteiras e constatou que eles vivem em condições tão especiais que não chegam a ser considerados imigrantes nos países de destino.

A pesquisa, publicada na revista Horizontes Antropológicos, aponta ainda que os jogadores emigram cada vez mais jovens, normalmente são os caçulas da família e, em grande parte, são evangélicos. A autora, Carmen Silvia Rial, é professora do Departamento de Antropologia da UFSC.

O ato de emigrar para jogar em clubes do exterior – ou “rodar”, na linguagem futebolística, é classificado como “circulação” no estudo, já que os jogadores estão em outros países de passagem, de acordo com a antropóloga. “Eles não se consideram e não são considerados como imigrantes. Suas referências de fronteiras simbólicas não são as nacionais ou locais, mas as dos clubes”, disse Carmen à Agência FAPESP.

Segundo ela, essa circulação ocorre em circuitos particulares, que podem abranger diversos Estados-nações, sem que suas fronteiras sejam especialmente relevantes. A primeira característica que se diferencia esse grupo dos emigrantes é o registro, mais preciso do que nos casos de emigração convencional.

“Não há dados precisos sobre a emigração no Brasil, porque grande parte das pessoas sai sem declarar. No caso dos jogadores de futebol isso não ocorre. Todo esse fluxo é registrado. Embora esses jogadores venham, em grande parte, das camadas médias e subalternas, com perfil parecido dos emigrantes que normalmente saem do país, eles não são vistos como imigrantes lá fora, mas contam com um estatuto especial”, disse.

De acordo com Carmen, o perfil desses jogadores em nada se aproxima do imigrante que aparece na mídia estrangeira – rótulo geralmente impingido com teor pejorativo. Normalmente, segundo ela, o termo é empregado para designar os trabalhadores braçais e é associado ao crime e à ilegalidade. “Em reportagens sobre imigração, os jogadores são invisíveis nas matérias. Nem os próprios jogadores se identificam como imigrantes nos países onde estão jogando”, afirmou.

“Há uma grande distância entre o estatuto do jogador de futebol e o que se considera imigrante nos países de destino, mas, por outro lado, há uma proximidade com outros tipos de circulação hoje no mundo. Intelectuais e estudantes que vão fazer doutorado e pós-doutorado no exterior não são vistos como imigrantes e eles também não se representam de modo”, disse.

A idéia de emigração hoje, afirma a pesquisadora, “precisa ser repensada para incluir essas pessoas que circulam pelo planeta sem corresponder ao perfil daqueles que rompem vínculos e referências familiares e nacionais”.

A pesquisa, iniciada em 2003, partiu da perspectiva dos jogadores brasileiros no exterior. Participaram cerca de 40 jogadores que viviam ou haviam vivido e exercido sua profissão no exterior – muitos deles em mais de dois países. De acordo com a pesquisadora, o estudo etnográfico se concentrou nas cidades de Sevilha (Espanha) e Eindhoven, na Holanda.

“Também conversei com muitos de seus familiares, amigos, empresários, técnicos e secretários diversos, realizei entrevistas, assisti a treinos e a jogos, visitei seus restaurantes preferidos e algumas de suas casas no Canadá, Holanda, Japão e também no Brasil. E mantive longas conversas telefônicas com jogadores e seus familiares na França, Mônaco e Bélgica”, explica Carmen, que atualmente escreve um livro sobre o tema.

Caçulas e evangélicos
O estudo aponta que cerca de 90% dos entrevistados que migraram são provenientes de camadas com menores faixas de renda. A maioria dos jogadores entrevistados tinha apenas o primário, e uma parcela de cerca de 10% conseguiu terminar o secundário. Apenas duas entre as esposas concluíram o terceiro grau, mas segundo o estudo “há uma tendência de que as mulheres apresentem uma escolaridade maior do que a dos jogadores”.

O perfil identifica ainda que os jogadores receberam apoio familiar e, em geral, são os caçulas da casa. Um dado que chamou a atenção, segundo Carmen, diz respeito à prática religiosa. “É interessante como Deus – e não a religião – é um valor central na vida deles, em sua grande maioria, evangélicos.”

De acordo com a pesquisadora, uma das hipóteses para explicar a centralidade da fé é que a situação de vida do jogador muda radicalmente em pouco tempo. “Eles precisam de algum tipo de auxílio externo que os ajude a elaborar esse tipo de situação, que dêem alguma explicação. Eles encontram na religião esse campo onde se sentem amparados”, apontou.

Segundo o estudo, é no consumo cotidiano em que se percebe mais claramente a dimensão da “identidade nacional” nesses jogadores. Os altos salários recebidos pelos jogadores na Europa e no Japão não se refletem em consumos ostentatórios. Seus hábitos, afirma o artigo, “aproximam-se mais os de uma camada média-alta do que da faixa dos milionários, que são efetivamente. Não transitam em aviões particulares, não possuem iates, não passam as férias em ilhas particulares, nem freqüentam restaurantes de luxo.”

“Eles moram em casas espaçosas localizadas em bairros nobres – geralmente os que concentram grande número de jogadores de futebol –, mas não vi na decoração das casas nenhuma grande extravagância. Continuam a vestir-se como os jovens de sua idade, com tênis, jeans e camisetas, a comer em casa ou em restaurantes que sirvam comida próxima da brasileira”, disse.

Os únicos consumos de luxo recorrentes entre eles, acrescenta, são “os automóveis, sempre carros novos de luxo, mas às vezes fornecidos pelo próprio clube, os brincos de diamantes ou as invariáveis trousses de toilette Louis Vuitton”.

A autora diz que, ao contrário do que se vê um pouco na mídia ou do que torcedores brasileiros imaginam, esses jogadores não se europeizaram. “Eles continuam sendo muito nacionalistas, tendo o Brasil como principal referência, e no seu cotidiano o país é extremamente presente”.

A pesquisadora destaca a efemeridade de suas permanências nas instituições de trabalho e nos países no exterior e caracteriza essa emigração como uma “circulação”, que poderia ser chave explicativa para a manutenção desse sentimento nacional. Segundo ela, o estudo terá continuidade. Mas com outro foco.

“Trabalhei muito com celebridades, com jogadores que tiveram carreiras de sucesso no exterior em clubes globais, e menos com os desconhecidos, que estão em outra faixa salarial. Quero agora focar nesse grupo que está no exterior, mas que não tem a mesma trajetória de sucesso, anônimos para nós brasileiros, que estão em clubes menores e periféricos. E também focar nos que já retornaram”, disse.

Para ler o artigo Rodar: a circulação dos jogadores de futebol brasileiros no exterior , de Carmen Silvia Rial, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), acesse o http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832008000200002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt



Alex Sander Alcântara, da Agência Fapesp
Envolverde, 03/11/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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Hora de conhecer quem vai às compras

Rua 25 de março, centro de São Paulo: multidões à procura de melhor preço e, agora, também de qualidade
Foto A. Vicente / Folha Imagem


O maior segmento de consumidores brasileiros - 111 milhões de pessoas ou 62 % da população - permanece invisível para boa parte do mercado publicitário, embora movimente, anualmente, cerca de R$ 500 bilhões. Para Elyseu Mardegan Jr. e Marcelo da Rocha Azevedo, consultores de marketing e autores de "O Consumidor de Baixa Renda", o Brasil precisa se reconhecer como um país de negros e mestiços, pouco lembrados pela publicidade, pelo sistema bancário e pelo mundo acadêmico, mas cortejados pelo comércio e pela indústria, que têm investido em pesquisas para adequar seus produtos a este nicho. "Quem quiser ter sucesso com este grupo precisa conhecê-lo in loco, esquecendo o que aprendeu na faculdade, que sempre cultivou um certo desdém por esses consumidores. É preciso descer do pedestal, descobrir as cidades-dormitórios em volta das metrópoles, para entender a realidade e não perder o segmento durante a transição no mercado. Existem vários Brasis, com diferentes culturas e necessidades sociais", afirma Mardegan Jr.

O consumidor de baixa renda é a maior categoria de consumo no mundo inteiro. No Brasil, ele tanto compra na vendinha do bairro quanto na loja do shopping e representa 71% do consumo. "É um fenômeno que acontece em todos os países emergentes, no Brasil, na China, na Índia, na Rússia, e que desperta a atenção das multinacionais. Elas sabem que não podem reproduzir aqui os modelos de suas matrizes e tratam de buscar como melhor atender a este comprador", diz Rocha Azevedo.

Se as agências de publicidade ainda não enxergam o consumidor de baixa renda como público-alvo, a indústria e o comércio procuram conquistá-lo. Enquanto as grandes cadeias de lojas oferecem crédito a quem não tem como comprovar renda, algumas empresas instalam seus funcionários dentro de bairros das periferias de grandes cidades, para que conheçam o universo daqueles novos consumidores. "Não basta conversar com sua empregada enquanto ela cozinha para compreender este grupo, nem adianta tornar uma embalagem muito colorida ou oferecer um produto de baixa qualidade. O novo consumidor não pode errar quando faz uma escolha, por que não joga dinheiro fora. Ele procura qualidade, não variações baratas do produto sofisticado", observa Mardegan Jr.

A baixa inadimplência, mesmo sem a apresentação de documentos que comprovem o emprego formal, é um dos fatores que levam o comércio a buscar fidelizar o cliente de baixa renda. "Eles têm orgulho de ser bons pagadores, principalmente quando compram algum produto no cartão de algum amigo ou parente. Se a loja os trata com respeito e cordialidade, eles vão voltar. O comércio que sabe cativar este cliente é o que mais terá sucesso com este grupo, assim como as redes de pequenas lojas que começaram nas comunidades e que estão ganhando os centros, fazendo publicidade não apenas em jornais populares ou em emissoras de televisão, mas também nas rádios comunitárias ou nos carros de som que circulam pelos bairros", diz Rocha Azevedo.

Para alinhar as peculiaridades do público de baixa renda, os autores se basearam em entrevistas com 200 moradores da zona Norte de São Paulo, além de consultarem as pesquisas de empresas que têm mandado empregados viver nas comunidades. O painel apresentado é mais sociológico do que econômico, reconhecem. "Não queríamos nos prender ao formalismo acadêmico, mas usar uma linguagem coloquial, de fácil acesso para profissionais de mercado, já que a literatura nesta área é muito pequena. O grupo de consumidores de baixa renda só tende a crescer e o mercado vai mudar cada vez mais para recebê-lo. Nos últimos 18 meses, eles foram a maioria dos compradores de televisores de plasma nas Casas Bahia", exemplifica Mardegan Jr.

Os estudos mencionados no livro apontam que o consumidor de baixa renda começa a trabalhar jovem - 41% têm menos de 20 anos - e é tradicionalista no que diz respeito ao grupo social. O trabalho feminino é visto como uma ajuda no orçamento doméstico, mesmo quando a mulher ganha mais que o marido ou filhos. A casa própria é o maior objeto de desejo e a educação é considerada como instrumento de inclusão social. O orgulho por haver prosperado é um traço comum no consumidor emergente, dizem os autores. "Mesmo quando o assistencialismo é a única maneira de tirar uma parcela da população da miséria, vemos que o crescimento real da economia fez 60 mil famílias devolverem, voluntariamente, seus cartões do Bolsa-Família ao governo federal. A nova classe média quer ser independente", diz Mardegan Jr. (que dirige uma empresa de crédito imobiliário voltada para consumidores de baixa renda).

"O Consumidor de Baixa Renda" - Marcelo da Rocha Azevedo e Elyseu Mardegan Jr.
Campus/Elsevier. 146 págs. R$ 49,90


Olga de Mello, para o Valor, do Rio
Valor Online, 06/11/08

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I Concurso Pontos de Leitura

Prazo para as inscrições vai até 10 de novembro

O Concurso Pontos de Leitura 2008 - Edição Machado de Assis, instituído pelo Ministério da Cultura no âmbito do Programa Mais Cultura, é um trabalho inédito no país. Por meio dele serão selecionadas até 600 iniciativas culturais desenvolvidas em todo o Brasil com a finalidade de incentivar a leitura.

As inscrições foram abertas no dia 25 de setembro, data em que foi publicada a Portaria nº 60, assinada pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira, por meio da qual o concurso foi instituído e regulamentado.

As ações que vão participar do concurso devem fortalecer, estimular e fomentar a leitura em diferentes locais, como bibliotecas comunitárias, Pontos de Cultura, sindicatos, hospitais, presídios, associações comunitárias, residências e em vários outros lugares. Uma das condições é que as iniciativas devem completar pelo menos um ano de existência no dia 10 de novembro de 2008.

Ineditismo
O ineditismo da premiação chama a atenção: cada iniciativa selecionada receberá um kit com, no mínimo, 500 livros, dos quais 50% serão de obras de ficção, 25% de não-ficção e 25% de referência. Também farão parte do kit um computador e um mobiliário básico. O Ministério da Cultura (MinC) e a Fundação Biblioteca Nacional (FBN) farão a compra e a distribuição de todo material. O conjunto a ser entregue aos vencedores do concurso se destina à renovação de acervos bibliográficos e de equipamentos que promovam o uso cultural de computadores e Internet.

São consideradas prioritárias, mas não exclusivas, as iniciativas localizadas nos 410 municípios atendidos pelo Programa Territórios da Cidadania 2008, nas áreas do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) e municípios prioritários do Programa Mais Cultura, citados no Anexo A da Portaria.

Podem se inscrever no concurso pessoas físicas ou jurídicas nacionais, públicas ou privadas, sem fins lucrativos, representantes de iniciativas voltadas para, pelo menos, um dos objetivos que constam no artigo 1º, parágrafo 2º da Portaria nº 60. Não poderão candidatar-se bibliotecas, escolas e universidades mantidas pelo poder público. Cada candidato poderá inscrever uma única iniciativa.

Correios
As inscrições são gratuitas e só poderão ser feitas por meio dos serviços dos Correios, preferencialmente via Sedex ou carta registrada, e encaminhadas para: Concurso Pontos de Leitura 2008: Homenagem a Machado de Assis - Caixa Postal n° 8614 - CEP 70312-970 - Brasília/DF.

Os envelopes a serem remetidos pelos candidatos deverão conter a ficha de inscrição preenchida e assinada pela pessoa responsável pela iniciativa. Além da ficha, precisam constar dentro dos envelopes os documentos que se encontram listados na Portaria, a qual deve ser lida atentamente, uma vez que contém todas as orientações e normas para a participação no concurso.

Os trabalhos de avaliação e seleção das iniciativas serão feitos por uma comissão julgadora, que será presidida pelo coordenador-Geral de Livro e Leitura do MinC ou por substituto formalmente designado. A comissão será composta por 15 profissionais representantes de escritores, editores e leitores, técnicos e/ou dirigentes do Ministério da Cultura e também de órgãos federais e/ou organismos internacionais parceiros.

Informações: pontosdeleitura@minc.gov.br ou pontosdeleitura@cultura.gov.br e pelo telefone (61) 3316-2014.

Veja a portaria e os anexos.


Fonte: Ministério da Cultura

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Editais Culturais da Caixa Econômica Federal

A instituição vai destinar cerca de R$ 7,3 milhões para projetos de revitalização de patrimônio histórico e para adoção de entidades culturais. Inscrições até 05 de dezembro

A Caixa Econômica Federal disponibilizou a partir de 31 de outubro, no endereço eletrônico www.caixa.gov.br/caixacultural, os regulamentos para participação no Programa CAIXA de Revitalização do Patrimônio Histórico e Cultural Brasileiro e no Programa CAIXA de Adoção de Entidades Culturais. Os interessados devem enviar as propostas via Correio até 5 de dezembro.

O Programa CAIXA de Revitalização do Patrimônio Histórico e Cultural Brasileiro é voltado para projetos que visem à restauração, adaptação e modernização arquitetônica do patrimônio cultural brasileiro. Serão contemplados projetos de restauração de fachadas, telhados e infra-estrutura das edificações; modernização e recuperação das instalações hidráulicas e elétricas; implantação ou modernização da climatização dos espaços; implantação, ampliação ou readequação de reserva técnica; implantação ou modernização de acessos adaptados a pessoas com necessidades especiais; implantação ou modernização de sistemas de segurança e monitoramento de acervos e visitantes; e, implantação ou modernização de laboratórios de conservação e/ou restauração.

Serão destinados, ao todo, R$ 3.360.000,00 para os 30 projetos selecionados. O processo de avaliação levará em conta, entre outros critérios, a relevância histórica e cultural da edificação/instituição; os benefícios sociais do projeto, assim como seu impacto regional, sobretudo na geração de emprego e renda; e, a atuação social do projeto junto à comunidade, como atividades sócio-culturais e pedagógicas. Além disso, os projetos selecionados deverão estar previamente aprovados no Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), do Ministério da Cultura. O programa será realizado exclusivamente com os benefícios da Lei Rouanet.

Já o Programa CAIXA de Adoção de Entidades Culturais patrocina, por no máximo 18 meses, projetos que deverão ser iniciados em 2009 e visem à promoção, a preservação e a divulgação de acervos. As entidades contempladas deverão ter como principal atividade a atuação cultural, com realização regular de atividades. Além disso, deverão possuir coleções/acervos de caráter museológico e de cunho artístico, histórico, antropológico, etnográfico, científico, tecnológico, de cultura popular, bibliográfico ou documental. Serão contemplados projetos de tratamento técnico e acondicionamento adequado de coleções; pesquisa, catalogação e informatização de acervos; implantação ou reformulação de módulos expositivos de longa duração; e, aquisição de obras visando à expansão ou atualização de coleções já existentes. Ao todo, o programa destinará R$ 4 milhões a 26 projetos aprovados.

Os resultados das seleções dos dois programas serão publicados no site da CAIXA Cultural até 30 de janeiro de 2009.


Fonte: Ministério da Cultura

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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Fundação Itaú Social lança sistematização de projeto com jovens

Fundação Itaú Social lança sistematização de metodologia de trabalho com juventude em evento na próxima semana. A capital paulista sediará o Seminário “Metodologias e Práticas de Programas com a Juventude” nos dias 10 e 11 de novembro. O objetivo é dar visibilidade ao tema juventude, colocando em debate propostas de intervenção social para este público. A realização é da Fundação Itaú Social, com coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

O ponto alto do Seminário é o lançamento da publicação “Jovens Urbanos – sistematização de uma metodologia”, que apresenta os eixos metodológicos do Programa Jovens Urbanos e as práticas adotadas no trabalho com juventude em regiões metropolitanas com alto índice de vulnerabilidade. “A intenção é disponibilizar os aprendizados obtidos ao longo das edições do Jovens Urbanos, contribuindo com instituições interessadas ou já envolvidas com programas para jovens e, contribuindo também para o avanço de políticas públicas para este público”, afirma a diretora da Fundação Itaú Social, Ana Beatriz Patrício.
Seminário de Metodologias e Práticas de Programas com a Juventude
No primeiro dia do evento, haverá uma mesa principal sobre o tema juventude e políticas públicas, com as presenças de Maria do Carmo Brant de Carvalho, coordenadora Geral Cenpec; Beto Cury, secretário nacional de juventude; Fernando Rossetti, secretário geral do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE); e Veet Vivarta, secretário executivo da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), que fará a mediação da mesa.

No dia seguinte, assuntos como cidade, educação e mundo do trabalho, cultura, tecnologias e gestão de programas serão abordados em grupos de trabalho. Gilberto Dimenstein, diretor da Cidade Escola Aprendiz; Maria Virgínia de Freitas, vice-presidente do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) e diretora da ONG Ação Educativa; Lúcia Araújo, diretora do Canal Futura; e Wanda Engels, superintendente do Instituto Unibanco são alguns dos convidados que estarão presentes para enriquecer a discussão.

Para participar, confirme sua presença pelo tel. 0800 774 4848. Para mais informações e programação completa, acesse: www.fundacaoitausocial.org.br
Serviço:
Seminário de Metodologias e Práticas de Programas com a Juventude
Data: 10 e 11 de novembro de 2008, segunda e terça-feira.
Horário: dia 10 (das 14h às 17h30) e dia 11 (das 9h às 18h).
Local: Centro de Convenções Indianópolis.
Endereço: Av. Jabaquara, 2925 – São Paulo


Fonte: Rede Gife
Publicado pela ABCR

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Programas, projetos e processos

Completamente auto-explicativo.
Parabéns à Bia e equipe!

O Projeto
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O paraíso da tecnologia

Os brasileiros são campeões no uso de ferramentas da internet, mas as empresas ainda não ganham dinheiro com isso


Lan house em São Paulo: no mundo, o brasileiro é o que passa mais tempo conectado

Há tempos, o Brasil é visto como país emergente - mesmo antes do surgimento do BRIC, sigla criada por Jim O'Neill, economista-chefe do Goldman Sachs. A expressão significa que a economia brasileira tem perspectivas de se tornar uma potência, mas ainda precisa percorrer um caminho antes de chegar lá.

O título de promessa do futuro, porém, se restringe à economia. No universo da internet, o País é o queridinho das empresas de tecnologia, à frente de gigantes como EUA e China. Personalidades como Steve Ballmer, da Microsoft, e Craig Barrett, da Intel, se referem ao Brasil, citando a impressionante rapidez e facilidade com que a população adota novas tendências do mundo digital. Por exemplo: de acordo com o Ibope/NetRatings, os brasileiros são os líderes mundiais em tempo de navegação, somando quase 24 horas por mês. E veja que menos de 20% dos 180 milhões de habitantes do País têm acesso à rede. Mais: até 2010, o Brasil poderá ocupar o terceiro lugar no ranking mundial de venda de computadores.

Apesar de toda a popularidade da tecnologia por aqui, as empresas ainda não descobriram como transformar isso em receita. "As companhias do setor estão vindo para cá", afirma Marco Fernandes, sócio-diretor da SaleSolution. "Só não investem tanto quanto em outros países porque não têm garantia de retorno." A captação de publicidade online no mercado brasileiro ainda é tímida, se comparada à de outros países. Segundo o IAB, instituto de pesquisas, a internet recebe investimentos publicitários de R$ 470 milhões por ano. Nos EUA, a quantia supera US$ 21 bilhões.

Para Marcelo Coutinho, diretor de análise de mercado do Ibope Inteligência, as empresas deveriam explorar mais as redes sociais em suas ações de marketing e comunicação. "Nos sites de relacionamento, não é preciso investir nada para divulgar um trabalho. O retorno vem como reflexo do boca a boca", explica Coutinho. É o caso da jovem cantora Malu Magalhães. Desconhecida do grande público, lançou quatro músicas na internet, que rapidamente se transformaram em hits entre os internautas. Com isso, conquistou visibilidade na mídia e no mercado.

RECEITA REDUZIDA: a captação de publicidade online no Brasil ainda é tímida. Enquanto o País recebeu investimentos de R$ 470 milhões, em 2007, os Estados Unidos atingiram US$ 21 bilhões

A dificuldade em transformar a paixão dos brasileiros pela tecnologia em receita está relacionada ao baixo poder aquisitivo da população. Os grandes campeões de audiência da rede oferecem acesso gratuito. Aqui se encontra a terceira maior comunidade de usuários da linguagem de programação Java e o português é o segundo idioma entre os visitantes do Java.com. "O governo local é muito receptivo à linguagem e existe uma comunidade brasileira de desenvolvedores muito interessada", diz Jean Elliot, diretor da Sun Microsystems. Entre os usuários do sistema operacional de código aberto Open Solaris, também da Sun, o Brasil aparece em segundo lugar. O mesmo acontece com a Wikipédia. Na última semana, Jimmy Wales, co-fundador da enciclopédia online, veio ao Brasil para ampliar o time de colaboradores por aqui.

O sucesso mais impressionante, porém, é o Orkut, do Google. Dos 60 milhões de usuários ao redor do mundo, 53% estão no Brasil. Por isso, parte da administração do Orkut veio para cá. Para Félix Ximenes, diretor de comunicação do Google Brasil, o portal reforça características culturais da população. "O brasileiro é muito intuitivo e curioso. Sai apertando botão e se identifica com as ferramentas, mesmo se estiverem em inglês", afirma. Outro motivo, segundo Coutinho, do Ibope Inteligência, é, mais uma vez, econômico. "As redes sociais substituíram o contato social que exigia deslocamento ou telefonemas e, por tabela, algum desembolso", diz ele. O bom desempenho se repete no serviço de comunicação instantânea - são mais de 37 milhões de brasileiros que usam diariamente o Windows Live Messenger, recorde no mundo. Já no YouTube, página de compartilhamento de vídeos, o País aparece em quarto lugar em visitas. O acesso às novidades da rede é também visto como trampolim social. "Tecnologia no Brasil sempre foi sinônimo de status", lembra Marco Fernandes. "Na época da reserva de mercado, poucos tinham computador. O que vemos hoje é fruto de uma demanda reprimida de anos."


Roberta Namour
Boletim IstoÉ Dinheiro - Edição 579

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ROI na calculadora?

O modelo econométrico pode ajudar a controlar o marketing pela matemática e estatística. Mas para funcionar, ele depende é de uma boa conversa

Em tempos de freio de mão puxado, muita gente se pergunta se é possível identificar estatisticamente se está ocorrendo algum tipo de desperdício dentro das ações de marketing. Em outras palavras, trata-se do retorno obtido sobre o investimento, o ROI.

A consultoria econômica LCA é uma das que emprega a estratégia chamada de Econométrica para anunciantes como a Ambev, empresa que planeja, executa e tenta controlar resultados de campanhas publicitárias a partir deste modelo que nada mais é do que a representação matemática da relação entre diversos fatores como, por exemplo, preço e share, investimento em publicidade e share, para identificar quando a queda de um representa a alta (ou a baixa) do outro.

"Fazemos duas análises. Uma sobre o perfil de cada ação de marketing isoladamente, para medir o ROI de cada uma delas, e outra mais global, sobre o orçamento total de marketing, que fornece as melhores opções para a alocação do budget entre marcas, contas e regiões", explica Cristian Andrei, CEO e diretor de Marketing ROI da LCA, que enxerga bastante espaço para crescimento desta ferramenta no mercado.

Mas o executivo lembra que, apesar de estatístico, o modelo não traz resultados concretos se os fatores que determinam o resultado não forem bem discutidos. Johan Landmark, diretor global gastos comerciais da InBev, divide a mesma opinião. Ele disse recentemente durante uma visita ao Brasil que o segredo para o modelo de controle de custos em marketing funcionar, é a discussão transparente sobre os fatores que serão avaliados para se descobrir o que os conecta entre si. "Não podemos separá-los em caixas-pretas", diz.


Felipe Turlão
Meio & Mensagem Online, 31/10/08

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Mobile Marketing deve movimentar US$ 150 mi em 2008

Segundo IDC Brasil, o valor corresponde às mensagens de texto enviadas pelos anunciantes

Estudo realizado pelo IDC Brasil mostrou que as mensagens enviadas pelos anunciantes para os celulares de consumidores movimentaram US$ 120 milhões no ano passado, o que fez com que mobile marketing respondesse por 10% de toda a receita das operadoras gerada pelos serviços de valor agregado. De acordo com a consultoria, esse valor deve ultrapassar os US$ 150 milhões até o final de 2008. O número total de mensagens e promoções está em torno de um bilhão por ano quando somadas todas as operadoras.

Em comparação aos Estados Unidos - onde o mercado já está mais maduro - outro levantamento mostrou que, apenas com mensagens de publicidade, o segmento movimentou cerca de US$ 105 milhões. "À medida que os telefones de terceira geração entrarem com força no mercado brasileiro, a tendência é que o País alcance rapidamente esse estágio. Atualmente, esses aparelhos respondem somente por 1,2% da base de celulares", diz Vinicius Caetano, analista de telecom da IDC. "A propaganda baseada em localização também deve se mostrar importante para o mobile. Porém, com o aumento no número de celulares com GPS, é o momento de se discutir profundamente a questão da privacidade para que a plataforma não seja inviabilizada", completa Caetano.

Para o analista, a maior dificuldade para o crescimento dessa mídia ainda é a falta de preparo das operadoras para fornecerem informações detalhadas aos provedores de conteúdo. "O mercado precisa ser segmentado e as operadoras precisam fazer estudos de suas bases para ofertar maior eficiência aos anunciantes", destaca.


Meio & Mensagem Online, 31/10/08

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Clubes investem na torcida mirim

Flamengo, Corinthians e São Paulo têm projetos para público infantil

De acordo com pesquisas (Datafolha e Placar), Flamengo, Corinthians e São Paulo são os três clubes de futebol mais populares do País. Ainda assim, essas agremiações investem decididamente na ampliação de suas torcidas. Todos eles desenvolvem projetos consistentes de conquista e fidelização dos torcedores mirins.

O Flamengo tem aprimorado os conteúdos específicos para a criançada em seu site, apostando em atividades interativas e na comunicação mediada por personagens exclusivos associados à tradição rubro-negra. Assim surgiram Uruba e Urubinha, versões atualizadas do mascote flamenguista que contam com um site exclusivo agregado à página oficial do clube. Ali, a galerinha pode ler a história do papai urubu e de seu filho, baixar papéis de parede e avatares, acessar jogos, imprimir material, colorir imagens online e baixar um relógio customizado para a área de trabalho do computador. O site é patrocinado pela empresa de brinquedos Plast-brinq, especializada em temas esportivos.

O trabalho mais elogiado, entretanto, é o site Urubródi, criado em parceria com a Fábrica de Quadrinhos. A principal atração são as caprichadas animações, o conteúdo para celular e os personagens que reproduzem características dos apaixonados pelo futebol. Segundo Ricardo Jorge Hinrichsen, vice-presidente de marketing do Flamengo, a idéia é fornecer um conteúdo altamente interativo, em uma linguagem próxima do universo da criança e do adolescente. "No Rio, por exemplo, já temos 53% da torcida", afirma. "Então, o objetivo maior é tratar bem esse nosso público e trabalhar com uma comunicação de qualidade."

No intuito de estreitar laços com os torcedores mirins, o departamento de marketing do Corinthians acaba de anunciar um pacote de projetos para o segmento. A partir de janeiro, o clube promoverá o Acampamento de Férias corintiano, com oficinas de futebol e atividades recreativas. O clube também fechou acordo com o cartunista Ziraldo para a atualização do Mosqueteiro, personagem símbolo do alvinegro, e para a criação da turminha do Corinthians. Segundo Caio Campo, gerente de marketing da agremiação, discute-se com a Editora Abril o lançamento de edições em quadrinhos com esses novos personagens. "Também teremos a Estrela como parceira em um projeto para licenciamento de brinquedos", anuncia.

Em parceria com a Friends Forever, o Corinthians mantém a Certidão de Nascimento do Corintiano. A empresa produz o livro Aconteceu Enquanto Eu Nascia, com um panorama da época em que a criança veio ao mundo. Obviamente, há páginas específicas sobre futebol, com destaque para o time do coração. Outra parceria do Timão, com a fábrica de bichos de pelúcia Happy Town, permitiu o lançamento de 20 diferentes personagens com o uniforme do clube.

Na recente pesquisa Datafolha sobre a preferência das crianças de 4 a 12 anos pelos clubes de futebol, o São Paulo obteve o segundo lugar, com 11%, atrás apenas do Flamengo. Mesmo assim, o clube aposta em um ritual de iniciação para garantir a fidelidade dos novos torcedores. Trata-se do Batismo Tricolor, que lembra uma cerimônia religiosa e oficializa a adesão dos petizes. Iniciada em 2006, a atividade ocorre no gramado do Morumbi e já teve a participação de 4,2 mil pessoas. Uma figura de "São Paulo" faz a leitura do compromisso de "são-paulinidade" e, depois, entrega aos batizados a camisa oficial do projeto e um certificado.

Segundo Julio Casares, diretor de marketing do clube, o São Paulo busca iniciativas de vanguarda em ações de marketing dirigidas ao público mirim. "Foi um acontecimento importante, por exemplo, ver o personagem Pernalonga vestindo a camisa do time, o que valoriza nossa marca", festeja Casares, referindo-se ao contrato de licenciamento firmado em 2007 entre o São Paulo e a Warner Bros. que permite a associação da imagem do clube a personagens do Looney Tunes.


Walter Falceta Jr.
Meio & Mensagem Online, 30/10/08

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Mauro Calliari assume exclusivamente Abril Educação

Executivo deixa vice-presidência de planejamento estratégico para se dedicar exclusivamente à presidência executiva da Abril Educação

O executivo Mauro Calliari está deixando a vice-presidência de planejamento estratégico para assumir exclusivamente à presidência executiva da Abril Educação, hoje composta das Editoras Ática e Scipione. A decisão, segundo a editora, vai permitir a Calliari "dar atenção integral à Abril Educação, que vem apresentando resultados excepcionais".

"Temos projetos importantes em Educação, um segmento que está na nossa Missão e no nosso DNA. A área de Educação é um dos pilares de crescimento do Grupo Abril, e o Mauro, além de sua reconhecida competência, vem demonstrando enorme disposição e grande entusiasmo em levar adiante nossos projetos", afirma, em comunicado, Giancarlo Civita, presidente executivo do Grupo Abril.


Meio & Mensagem Online, 30/10/08

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Honda, Nike e Dove patrocinam corrida feminina

Circuito Vênus, que acontece em São Paulo nos dias 15 e 16 de novembro; organização do evento espera receber cerca de 3,5 mil participantes

O Circuito Vênus, corrida só para mulheres que prioriza a qualidade de vida e combina corrida, yoga, massagens, test-drives e palestras, terá patrocínio e ativações das marcas Nike, Honda e Dove. A corrida será realizada no Jockey Club, em São Paulo, nos dias 15 e 16 de novembro. Nesta segunda etapa - a primeira foi disputada no Rio de Janeiro em setembro -, a organização do evento espera receber cerca de 3,5 mil participantes.

Na prova, as corredoras podem escolher percursos de 5 km ou 10 km. O valor para participar do circuito é de R$ 80, sendo que assinantes da Revista O2 e Prana Yoga Journal pagam R$ 60. As inscrições podem ser feitas através do site Circuito Vênus.

Aproveitando os espaços disponibilizados para ações dos patrocinadores, a Nike montará uma loja especial no lounge da prova e oferecerá 20% de desconto nos produtos expostos. O espaço também irá oferecer testes de pisada e permitirá que consumidor experimente alguns tênis da marca e kit Nike+ durante a corrida. As camisetas oficiais da prova, que farão parte do kit de todas as participantes, também são oferecidas pela Nike.

Já a Dove distribuirá faixas para o cabelo das atletas, além de diversas amostras de produtos que farão parte dos kits. No lounge da marca, as participantes poderão receber massagens e conversar com o psicólogo e psicoterapeuta, Marco Antonio De Tommaso, que falará sobre beleza feminina, saúde e auto-estima.

A Honda, por sua vez, permitirá que as corredoras e seus acompanhantes façam test-drives nos carros da montadora. No espaço da Honda, haverá um estúdio de fotos com um fotógrafo profissional a disposição para clicar as interessadas. Após o evento elas poderão baixar as fotos na internet.


André Lucena
Meio & Mensagem Online, 30/10/08

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Conferência discute Felicidade Interna Bruta

Índice internacional vira tema de encontro e secretário paulistano considera a possibilidade de aplicar avaliação.

Há muito tempo, questiona-se a eficácia de medir progresso através do crescimento do PIB - Produto Interno Bruto. Este índice mede o quanto cresceu a produção industrial e o consumo, sem medir a conservação do meio ambiente e a qualidade de vida das pessoas.

Em meio a crise global, com governos e mercados preocupados com uma possível recessão mundial, há quem defenda que a busca por crescimento econômico está matando o planeta e precisa ser revista. Na busca por um índice mais eficaz do ponto de vista do Desenvolvimento Sustentável, foram criados no Butão, critérios que medem a Felicidade Interna Bruta (FIB). O FIB mede o progresso levando em consideração as dimensões sociais, ambientais, espirituais e econômicas.

Para divulgar este índice, aconteceu na quarta-feira (29), em São Paulo, uma conferência que contou com a participação de Karma Dasho Ura, coordenador das pesquisas sobre FIB no Butão, Michael Pennock, consultor sobre o Índice de Genuíno Progresso no Canadá, Susan Andrews, coordenadora da ecovila Parque Ecológico Visão Futuro e Ladislau Dowbor, economista e professor da PUC-SP.

Inspirada numa idéia de um país tão distante quanto o Butão, pequena nação asiática incrustada no meio do Himalaia, São Paulo pensa agora em medir o progresso com base na felicidade de seus cidadãos. O conceito de FIB, instituído no Butão em 1972, com a proposta de incorporar conceitos díspares como felicidade e progresso, alegria e desenvolvimento econômico, contam, desde já, com apoiadores dentro da administração municipal.

“A idéia do FIB é incorporar a felicidade - medida por critérios técnicos em questionários de até 150 perguntas - aos índices de desenvolvimento de uma cidade, Estado ou país”, explica a psicóloga e antropóloga Susan Andrews, organizadora da 1ª Conferência Nacional sobre FIB. Para medir o FIB, a percepção dos cidadãos em relação a sua felicidade é analisada em nove dimensões: padrão de vida econômica, critérios de governança, educação de qualidade, saúde, vitalidade comunitária, proteção ambiental, acesso à cultura, gerenciamento equilibrado do tempo e bem-estar psicológico.

“O FIB situa a felicidade como pivô do desenvolvimento, em oposição ao PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma das transações econômicas de uma nação), que falha por não contabilizar os custos ambientais e inclui formas de crescimento econômico prejudiciais ao bem-estar da sociedade, como o corte de árvores”, afirma Susan.

Para ela, os bons resultados no Butão chamaram a atenção da ONU (Organização das Nações Unidas), que passou a estudar a implementação do exemplo butanês em outros países. Uma versão internacional está sendo elaborada no Canadá, com aplicação prática prevista para este ano. Karma Dasho Ura, coordenador das pesquisas sobre FIB no Butão, conta que mesmo com as diferenças visíveis entre o Butão e o Brasil (o país é do tamanho do estado do Rio de Janeiro, conta ainda com grande parte do território intocado e preserva a herança budista de respeito a vida), é possível adaptar o FIB para a realidade daqui. “Basta mostrar às pessoas que elas podem fazer uma auto-avaliação de suas condições de vida, direcionando-a para caminhos melhores”, afirma ele.

Segundo Michael Pennock, consultor sobre o Índice de Genuíno Progresso no Canadá, a métrica do PIB é muito estreita enquanto medida de bem-estar. “Precisamos repensar a maneira como estamos medindo o progresso. O FIB é mais abrangente que o PIB e, diferentemente do que muita gente imagina, é sim baseado em métodos científicos e não em questões filosóficas e religiosas”.

Pennock é categórico: “nesse momento de crise e instabilidade constatamos que nossos paradigmas precisam ser modificados. Esse turbilhão, embora penoso, será uma grande maré para mostrarmos a importância do FIB”.

Butão e Brasil
Até o início da década de 1970, uma brutal política de isolamento levou o Butão a concentrar os mais altos índices de pobreza, analfabetismo e mortalidade infantil do planeta. Em 1972, juntamente com a abertura econômica, o recém-empossado rei Jigme Singye Wangchuck criou o conceito de Felicidade Interna Bruta, para redefinir o significado de desenvolvimento social e econômico.

Hoje o Butão - cuja capital, Thimphu, com 50 mil habitantes, não possui semáforos e só conheceu televisão e internet em 1999 -, vê os índices de analfabetismo e mortalidade infantil despencarem, a economia se recuperar e as belezas naturais continuarem intactas, com 28% de seu território delimitado por parques nacionais. Desde o fim da década de 1990, observadores da ONU viajam ao País anualmente para estudar o jeito butanês de levar a vida. “As mudanças foram reflexo da maneira como os butaneses passaram a observar a vida, valorizando somente o que realmente interessa”, afirma Susan. “Eles se dizem, hoje, o povo mais feliz do planeta.”

No Brasil, um protótipo de FIB foi colocado em prática em abril, em Angatuba, a 181 km de São Paulo. Na capital, a idéia já conquistou um primeiro aliado: o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge, que propõe, a partir de 2009, iniciar pesquisas de medição do FIB em subprefeituras da capital. “Seria uma maneira de a cidade contribuir com esse esforço internacional, com adaptações à realidade da metrópole”, disse. “O ideal seria começar numa subprefeitura central, como Pinheiros, e em outra periférica, como Parelheiros. É uma boa sugestão para a próxima gestão.”

Segundo Susan Andrews, o uso equilibrado do tempo é um dos indicadores do FIB. As pesquisas revelaram que falta tempo para muita coisa, tal como cuidar da família, mas em compensação, sobra tempo para ver televisão. “O que está errado? Como melhorar essa relação com o tempo”, questiona ela.

Para pesquisadores, a adoção do FIB, em conjunto com outros indicadores, tem o mérito de informar a população sobre sua percepção de bem-estar. “O PIB foi elaborado na década de 1950 e está defasado há muito como indicador de desenvolvimento de um país. O FIB complementa os indicadores de qualidade de vida, juntamente com o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)”, afirma o economista Ladislau Dowbor, consultor da ONU.

Como ressalva, há valores subjetivos que influenciam na avaliação das pessoas sobre a felicidade. “Para quem não tem nada, qualquer melhoria já representa um ganho enorme em relação ao bem-estar”, afirma o economista Flavio Comim, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). “Mas a ONU analisa o indicador com bons olhos.”

O que é avaliado:
1. Padrão de vida econômica
2. Educação de qualidade
3. Saúde
4. Expectativa de vida e longevidade comunitária
5. Proteção ambiental
6. Acesso à cultura
7. Bons critérios de governança
8. Gerenciamento equilibrado do tempo
9. Bem-estar psicológico


Naná Prado, do Mercado Ético
Envolverde, 30/10/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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ONG oferece € 4,3 milhões para projetos de energia

A ONG internacional Parceria Energia Renovável e Eficiência Energética (REEEP, na sigla em inglês) está recebendo propostas que apóiem o desenvolvimento de mercados para energias renováveis e eficiência energética. A chamada para os projetos é a maior já realizada pela REEEP nos cinco anos de existência da entidade, com mais de € 4,3 milhões disponíveis para trabalhos em países menos desenvolvidos e em economias emergentes.

O programa recebe financiamento de um consórcio que abrange Austrália, Irlanda, Itália, Noruega e Reino Unido. Com uma contribuição significativa, a Austrália, onde a ONG está sediada, irá ajudar a intensificar os esforços da REEEP em pequenas ilhas do Pacífico. O Reino Unido e a Noruega, por usa vez, manterão o foco nas economias emergentes, enquanto Irlanda e Itália estarão voltadas para as necessidades da África.

A REEEP está aberta para projetos de países prioritários, como Brasil, China, Índia e África do Sul, e de todo o mundo em desenvolvimento. Com a experiência adquirida ao longo dos últimos cinco anos, a ONG irá construir parâmetros para definir prioridades e selecionar projetos.

A entidade procura agora engajar governos e instituições financeiras nesta iniciativa. Para isso, convida países com políticas e necessidades regulatórias específicas ou instituições que precisem de ajuda para financiar estrutura e modelos de negócios para desenvolverem projetos diretamente com a REEEP.

A esperança é de que, ao apoiar governos com os setores de energias renováveis e de eficiência energética de baixo risco, ou trabalhar com agências de desenvolvimento que estimulem negócios financeiros, o capital seja atraído para novos mercados.

Prazo
A chamada para o programa foi lança do no último dia 23. As propostas de concepção de projeto podem ser enviadas até 21 de novembro. O prazo para governos e entidades financeiras se inscreverem é 20 de fevereiro de 2009 – as demais instituições também têm até esse dia para submeter as propostas completas.

Para aumentar a eficácia operacional e a transparência do processo, todas as propostas serão submetidas para avaliação por meio de um programa online da REEEP de gerenciamento de informação.

A diretora internacional da ONG, Marianne Osterkorn, afirma que a parceria pode agora adicionar valor a várias áreas. “Nós estamos agradecidos a todos os doadores da REEP – Reino Unido, Noruega, Irlanda e Itália – e damos as boas-vindas à Austrália, mais novo doador do programa”.

Ela explica que a intenção é trabalhar com a Austrália no apoio a ilhas do Pacífico com o objetivo de desenvolver as fontes locais de energia e a segurança energética. “Nós também pretendemos intensificar nosso engajamento com governos e instituições financeiras em desenvolvimento para ampliar as chances de investimentos em infra-estrutura sustentável de energia”, completa.

A REEEP distribuiu € 3,2 milhões em 2007; € 2,2 milhões em 2006 e € 1,1 milhão em 2005.

Para obter mais informações sobre as inscrições no programa acesse http://www.reeep.org ou clique em http://www.reeep.org/11364/7th-reeep-programme-call.htm


Sabrina Domingos, do Carbono Brasil
Envolverde, 30/10/08
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Comunicação e Alinhamento Estratégico

Kaplan e Norton, criadores do Balanced Scorecard, afirmam que o planejamento e a estratégia das empresas falham no processo de implementação e que menos de 10% das estratégias são efetivamente executadas devido à falta de alinhamento estratégico entre a companhia e os seus funcionários.

De modo objetivo, o alinhamento consiste em uma situação em que todos os membros da organização, do CEO ao jardineiro, compartilham simultaneamente da mesma visão e direção e compreendem a importância de suas atribuições para ajudar a empresa a alcançá-los.

O conceito de alinhamento estratégico se baseia na idéia de que a performance econômica de uma empresa está diretamente relacionada com a habilidade do gerenciamento para criar uma adequação estratégica, ou seja, uma posição da empresa no mercado competitivo suportada por uma estrutura administrativa adequada.

Outro aspecto importante do alinhamento é a capacidade de adequação estratégica da empresa mediante um processo contínuo de adaptação e mudança às diretrizes estratégicas estabelecidas.

Os idealizadores do Balanced Scorecard deixam claro que a eficácia do alinhamento decorre de dois atributos simples: a habilidade em traduzir com clareza a estratégia e a habilidade em conectar a estratégia a um sistema de gestão que seja capaz de medir o desempenho e os resultados.

Para tornar possível o alinhamento estratégico entre a empresa e seus colaboradores será preciso administrar estrategicamente a comunicação interna, será preciso capacitar as lideranças não somente à gestão da estratégia e à gestão da comunicação, mas, sobretudo, à gestão da comunicação da estratégia.

A comunicação interna deve facilitar a compreensão tanto do mapa estratégico corporativo quanto dos processos e sistemas que contribuem para a implementação da estratégia, além de gerar feedback contínuo sobre o desdobramento da estratégia.

Para ser estratégica e eficaz, a comunicação deve orientar a diretoria sobre como comunicar seus propósitos de modo eficiente, criando um ambiente participativo que favoreça a gestão dos processos de mudança e quantifique o impacto das iniciativas comunicacionais de modo a personificar uma identidade de empresa colaborativa, orientada para seus principais clientes: funcionários, consumidores e sociedade.

Na condição de ferramenta estratégica, cabe à comunicação interna o desafio de ser uma função organizacional. A área deve ser capaz de impulsionar o desempenho e o sucesso financeiro de uma empresa, deixando de ser apenas um instrumento, uma mera divulgadora de informações, para compartilhar a missão, a visão, a estratégia e os valores organizacionais de modo a contribuir para o alcance dos objetivos estrategicamente planejados.

Sem a compreensão da visão e da estratégia empresarial, os funcionários não estarão aptos para proativamente encontrar alternativas inovadoras que contribuam com o alcance dos objetivos intencionados pelo planejamento estratégico da corporação.

Neste sentido, a comunicação interna deve contribuir efetivamente para orientar os executivos e demais colaboradores para as necessidades dos clientes, buscando o envolvimento dos funcionários nos processos de negócio, conscientizando todos sobre os fatores críticos que devem ser perseguidos para que a estratégia da empresa seja bem sucedida.

É preciso que executivos, gestores e profissionais envolvidos parem para repensar a comunicação e o relacionamento entre empresa e funcionários. É necessário refletir se, na prática, essa comunicação está contribuindo para promover o alinhamento estratégico e facilitar o alcance dos objetivos organizacionais e a estratégia corporativa de longo prazo.

Se a comunicação não está realmente cumprindo uma função estratégica dentro da empresa, se ela não incorpora o desafio diário da gestão da mudança, se não espelha a arquitetura de uma cultura corporativa comprometida com metas, objetivos, desempenho e resultados, dificilmente o alinhamento se concretizará, pois, alinhamento estratégico supõe mudança, e mudança não funciona sem comunicação estrategicamente planejada.


Fábio Albuquerque
Relações Públicas, especialista em estratégia empresarial. Exerce o cargo de gerente de Marketing da TV Tambaú e da rádio Tambaú FM e atua como professor substituto do Departamento de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba.
HSM On-line, 28/10/08

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O mapa da mina

Pesquisa do Sebrae de São Paulo aponta quais são os setores e negócios que vão dar o que falar nos próximos anos

Muitos futuros empreendedores devem estar quebrando a cabeça para saber que ramo de negócio tem mais chance de prosperar nos próximos anos. Neste tempo de crise mundial, haverá um porto seguro para quem juntou algum dinheiro e quer se tornar patrão? Estudo recém-concluído pelo Sebrae-SP se propõe responder essas dúvidas e indica os 12 setores que vão crescer de fato até 2015.

De acordo com a pesquisa, como conseqüência haveria uma elevação de 76% no número de micro e pequenas empresas, que passariam de atuais 5 milhões para 8,8 milhões nos próximos sete anos.

Alguns indicadores do que se pode tornar um negócio rentável até são visíveis para um bom observador. É o caso do avanço da internet nos lares brasileiros (20,1 milhões de internautas residenciais em 2007, de acordo com pesquisa Ibope/Net Ratings).

Ou do aumento da expectativa de vida da população (de 3,4 anos nos últimos dez anos) e o crescimento do número de idosos (47,8% dos que estão na faixa de 60 anos ou mais ou 65% dos com 80 anos ou mais, segundo o IBGE). Ou seja, as oportunidades são muitas, tanto no mundo digital como também no campo de serviços e produtos para a chamada terceira idade.

Coordenador da pesquisa Cenários para as Micro e Pequenas Empresas 2009/2015, Marco Aurélio Bedê informa que a projeção é de que mais da metade do total das MPEs distribuídas por todo o território nacional, em 2015, esteja concentrada no setor de comércio (55% ou mais de 4,8 milhões), seguido pelo de serviços (34% ou mais de 2,9 milhões) e indústria (11% ou quase 1 milhão).

A área de materiais e equipamentos para escritórios e informática deverá sobressair no comércio, com um crescimento de 12,5% ao ano, seguida pela de autopeças, com 7,7%, e quitandas, avícolas e sacolões, com 7,1%. A informática também vai liderar o setor de serviços (12% ao ano). Em seguida, de acordo com a pesquisa, vem o transporte terrestre, empatado com atividades auxiliares de intermediação financeira (crescimento de 8,4% ao ano). Já a indústria registrará maior crescimento na fabricação de máquinas e equipamentos (7,5%), ficando edição e gráfica em segundo lugar (5,6%) e depois confecção de artigos do vestuário (5,0%).

Mas atenção, pois as projeções se alteram quando se trata de grandes centros. Nestes, como a região metropolitana de São Paulo, o setor de serviços é que estará em alta, em 2015, com 717 mil novas empresas, ante 665 mil firmas comerciais e 134 mil indústrias. Destaque para aluguel de veículos, máquinas e equipamentos (15,5% de crescimento ao ano) e informática (14,8%).

''O comércio cresce seguindo a população, ou seja, caminha no sentido de atender às necessidades. Daí o destaque para papelarias e lojas com artigos de informática, além de quitandas e sacolões'', explica. Dentre as oportunidades, Bedê chama a atenção do empreendedor para as amplas possibilidades do mercado segmentado para 60 anos ou mais, de calçados e roupas, passando por serviços e entretenimento. ''As perspectivas aí são bastante positivas também no campo da saúde, envolvendo desde a produção de vitaminas até a criação de cursos e atividades associadas.''

A urbanização, o crescimento vertical das cidades, famílias sem filhos ou pessoas vivendo sozinhas também proporcionarão um aquecimento no nicho pet. ''O nosso estudo indica a tendência de um crescimento ainda maior nessa área, incluindo a abertura de novos hotéis, cemitérios e produtos diversos para animais.''

Entre os 12 setores que deverão assegurar lucros para micro e pequenos empresários nos próximos anos, a publicação Cenários 2015 aponta negócios voltados para ecossoluções e responsabilidade social. ''A consciência ecológica está crescendo. Então é natural que aumentem os serviços e produtos nessa linha. E esse mercado é muito amplo, pois envolve desde a construção civil até a área de veículos'', argumenta Bedê. Na construção há uma busca contínua por materiais ecologicamente corretos, que garantam melhor aproveitamento da água e do solo ou o tratamento de resíduos. Nos carros, haverá amplo espaço para a reciclagem e equipamentos ou produtos antipoluição.

O levantamento do Sebrae indica ainda oportunidades em serviços associados a atividades domésticas. ''As pessoas que moram sozinhas precisam de soluções práticas de limpeza e conservação, da casa à roupa. E como ficam mais tempo em casa vão querer a comodidade do plug e use'', diz, acrescentando ainda a área de serviços de segurança, que o estudo inclui no grupo com amplas perspectivas de crescimento.

''Agora é claro que o empreendedor tem de se identificar com a atividade escolhida, pois não pode se dispor a levar cachorro passear se detesta animais. Vai levar mordida o dia todo. Precisa também fazer uma avaliação do potencial do mercado na região. Será que o bairro tem essa demanda? Se vai, por exemplo, trabalhar com produtos sofisticados precisa ir onde a população tem maior renda. O que cabe na Zona Leste é diferente do que cabe na Sul. É necessário avaliar os recursos que vai precisar e começar de maneira simples para depois ampliar o negócio'', orienta Bedê.

Trabalho com idosos
Ela trocou a confecção de enfeites para festas e casamentos pelo cuidado intensivo a idosos. Liliana Aranha de Barros Santoro, de 63 anos, abriu a casa de repouso Recanto das Flores, no Butantã, há quatro anos. ''Foi um desafio que eu me impus para tentar corrigir as coisas erradas que vi em vários lugares que se propõem a cuidar de idosos'', conta.

Tudo começou quando precisou deixar sua mãe numa casa para a terceira idade. ''Foi aí que eu vi como o Brasil apenas engatinha nessa área. Encontrei asilos, lugares que não sabem como cuidar dos mais velhos'', afirma. Liliana fez consultas entre familiares e amigos e muitas pesquisas. Concluiu que é amplo o campo de casas de atendimento à terceira idade.

Até então trabalhando só como decoradora, produzindo, sobretudo, enfeites de flores, Liliana arregaçou as mangas e fez um levantamento completo de tudo o que precisaria para dar um atendimento adequado a idosos. Na parte financeira buscou apoio do marido e abriu o negócio com o filho arquiteto, que hoje mora em Vila Velha (ES). ''Atualmente conto com a ajuda da minha filha que é dentista. Mas os interessados precisam saber que se trata de uma área em que a pessoa precisa se dedicar integralmente, gostar do que faz e se preparar para um esquema bastante dispendioso.''

Ela toca a casa com recursos próprios. ''Nada de empréstimo, de ficar devendo. Vou na base do passo a passo, devagar para não comprometer a qualidade dos serviços e do atendimento. Tanto que a casa comporta 21 idosos, mas eu atendo a 17. Com a ajuda de 17 profissionais entre médico, nutricionista, fonoaudióloga, terapeuta e auxiliares 24 horas entre outros.''

Além de remédios na hora certa, alimentação correta e muita higiene (banhos e troca de fraldas constantes), Liliana se preocupou em implantar uma série de atividades para manter a depressão a quilômetros de distância do local. ''Nossa equipe dá muito carinho e alegria aos nossos clientes. Aqui você não encontra ninguém triste, pois todos participam de jogos, brincadeiras ou pintam, mantendo-se ativos e estimulados'', garante.

Ela considera que o serviço é gratificante, mas o empreendedor deve estar preparado para as emergências de um paciente idoso. ''Meu pai era médico dermatologista. E por conta disso morei durante um ano num leprosário, em Guarulhos (SP). Tenho um irmão médico e entendo bem de primeiros socorros. Mas antes de tudo é preciso gostar de estar e de lidar com pessoas mais velhas'', aconselha. Ou seja, o negócio exige dedicação integral. ''Se você não ficar à frente do negócio ele fecha mesmo. Por isso você vê que muitas casas são abertas e logo fecham. Ou seja, são abertas por pessoas que não se informam e não sabem um terço do que terão pela frente'', avisa.

Comércio de créditos de carbono

Quem também já está numa área com boas perspectivas de desenvolvimento nos próximos anos é a Cerâmica Luara, em Panorama, quase na divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul. Fundada há 20 anos, ela produz cerca de 440 mil tijolos por mês, vendidos em Campo Grande (MS). E desde fevereiro foi enquadrada como empresa com processo de produção sustentável.

O dono da Luara, Juarez Pinheiro Cotrim, de 38 anos, conseguiu no ano passado a aprovação do projeto para venda de créditos de carbono. Ou seja, ele se aproveita do mecanismo previsto pelo Protocolo de Kyoto, pelo qual empresas que combatem o efeito estufa, reduzindo a emissão de gases, podem vender esses créditos de carbono a empresas de países desenvolvidos. ''Só neste ano vendi mais de trinta mil toneladas de CO2'', confirma Cotrim. Em fevereiro, ele negociou créditos referentes a 23,7 mil toneladas de CO2 para uma empresa norte-americana e, em agosto, 6.370 t de CO2 para uma companhia francesa. Em cada tonelada ganhou seis euros, ou seja, cerca de R$ 15 na época.

Todo o dinheiro, pouco mais de R$ 450 mil, foi reinvestido na empresa. ''Troquei a maquinaria de produção e modifiquei a parte elétrica para reduzir o consumo de energia'', diz o empresário, que justifica sua iniciativa como a forma de garantir o futuro dos filhos - três do primeiro casamento e dois do atual.

Na verdade, ele já teve de investir pesado para adaptar a cerâmica às modificações exigidas pelo projeto. Afinal, para se tornar uma empresa sustentável e voltada à preservação de recursos naturais, Cotrim precisou substituir a queima da lenha nativa por biomassa, um pó de serra produzido a partir de madeiras de reflorestamento e que polui menos.

Cotrim prefere não precisar quando estará lucrando com o novo sistema. ''Mas sei que vai render para mim no futuro.'' Conta que obteve junto ao Sebrae toda a orientação necessária para levar a idéia adiante. Ao que a mulher Dulce acrescenta uma reclamação: ''O que atrapalha é a enorme burocracia, tanto que a idéia é de 2005 e só agora vingou. E a gente sabe que existem dezenas de empresas aguardando o sinal verde para seguir o nosso exemplo.''


Marilena Rocha
O Estado de São Paulo, 29/10/08

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Programa Tear completa primeira edição e cumpre objetivo de disseminar práticas sustentáveis na cadeia de valor

Três anos de trabalho, nove grandes empresas de sete setores estratégicos engajadas, 108 pequenas e médias empresas mobilizadas, mais de 20 mil pessoas envolvidas e a certeza de que o Programa Tear atingiu seus objetivos. Criado em 2006, o programa aplicou a Metodologia Tear para que grandes empresas, designadas pelo programa como empresas-âncoras, estimulassem sua cadeia de valor (clientes e fornecedores) a incorporar os conceitos e as práticas da responsabilidade social em seus processos. Agora, quando a primeira edição chega ao final, realizou-se uma pesquisa com as 108 pequenas e médias empresas que chegaram ao final do programa, a qual foi respondida por 83 delas. Pelos resultados obtidos, é possível observar que a maior parte delas já introduziu o conceito de sustentabilidade em sua visão, missão e valores.

"Antes de participar do Programa Tear, apenas 54% das empresas respondentes tinham em sua missão valores voltados para a sustentabilidade", afirma Carla Stoicov, coordenadora geral do programa no Instituto Ethos. "Após a participação e a implementação de uma gestão socialmente responsável, 100% delas aprimoraram sua gestão e 90% incorporaram a sustentabilidade em seu modelo de negócio", avalia.

Para as pequenas e médias empresas, a participação no Tear traduziu-se em avanços importantes no acesso a novos mercados, em ganhos de produtividade e de competitividade e no aprofundamento das relações comerciais com os parceiros envolvidos. As empresas-âncoras, por sua vez, compartilharam as experiências, dilemas e lições aprendidas com fornecedores e clientes e com as outras âncoras participantes, promoveram a participação ativa do público interno nas ações do Tear e beneficiaram-se com a mudança positiva da qualidade do diálogo com as outras empresas da cadeia de valor.

O Programa Tear, resultado de uma parceria entre o Instituto Ethos e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), implementa práticas de responsabilidade social em pequenas e médias empresas participantes da cadeia de valor de sete setores estratégicos da economia: açúcar e álcool; construção civil; energia elétrica; mineração; siderurgia; petróleo e gás; e varejo. Na primeira edição, em cada um desses segmentos foi escolhida uma empresa-âncora, com experiências avançadas em gestão socialmente responsável, que selecionou cerca de quinze pequenas e médias empresas integrantes de sua cadeia de valor. Consultores contratados pelo Programa Tear auxiliaram as empresas em todas as etapas, que incluíam a análise da sustentabilidade do negócio, o diagnóstico da gestão sustentável, a elaboração de um plano de ação, a comunicação e a divulgação de um relatório.

Para desenvolver o trabalho, acompanhar e avaliar os resultados, as empresas participantes responderam os Indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial e preencheram a Matriz Brasileira de Evidências de Sustentabilidade, desenvolvida em parceria pelo SustainAbility, pela International Finance Corporation (IFC) e pelo Instituto Ethos, além de utilizar outras ferramentas ao longo do processo.

Na avaliação dos resultados, um dado é particularmente revelador: até setembro de 2007, a maioria das empresas participantes nunca havia produzido um relatório socioambiental. Em 2008, 72 dessas empresas já tinham elaborado e divulgado seus relatórios, que podem ser conferidos aqui.

"Tenho a certeza de que nenhum relatório demonstrará que o dinheiro investido é o principal, porque cada ação se multiplicará em competitividade e sustentabilidade, repercutindo no mercado de trabalho", diz Luciana Botafogo, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Entre as práticas de responsabilidade social implementadas pelas empresas, destacam-se: a coletiva seletiva, realizada por 77% delas; o desenvolvimento e a implantação de processos internos para redução do impacto ambiental, por 65%; código de conduta, por 63%; e programas de redução de consumo de energia, água e papel, por 60%.

Repercussão positiva nos negócios
A gestão socialmente responsável influenciou diretamente o resultado dos negócios das empresas participantes. A avaliação revelou que, em razão de sua participação no Programa Tear, elas conquistaram 130 novos clientes e incluíram 57 novos fornecedores em suas relações comerciais. Entre 2006 e 2007, a receita líquida média das empresas participantes teve um incremento de mais de 700%. Ao mesmo tempo, o custo operacional médio cresceu 32%. "Mais de 66% das empresas afirmaram que as medidas de responsabilidade social implantadas contribuíram para melhorar as relações comerciais com grandes empresas, além de permitir solucionar conflitos por meio do diálogo. Percebemos que as empresas conseguiram visualizar resultados práticos e até mesmo retorno em seus investimentos, pois 71% delas afirmam que melhoraram as relações comerciais com as suas respectivas cadeias de valor", conta a coordenadora do Tear, Carla Stoicov.

Ao longo dos três anos de duração do projeto, foram realizados mais de 800 eventos, nos quais foram envolvidas 23.734 pessoas, 32% delas funcionários, 8% familiares de funcionários, 11% clientes e 49% membros das comunidades envolvidas. No último dos seminários regionais, realizado em Campinas (SP), representantes de pequenas e médias empresas apresentaram os resultados de sua participação no Programa Tear. Aline Baldon, da Engemetal, uma das empresas da cadeia de valor do Grupo Camargo Corrêa, traduziu em palavras o que as avaliações mostraram em números: "O programa mudou a empresa, introduziu conceitos de sustentabilidade antes desconhecidos, permitiu o aprendizado com as experiências das outras empresas do grupo e melhorou o relacionamento da empresa com pessoas e processos".

Para Débora Anfimof, da área de sustentabilidade da Unidade de Engenharia e Construção do Grupo Camargo Corrêa, o Programa Tear foi o primeiro passo do grupo no sentido de estreitar os laços com sua cadeia de valor. "Percebemos o quanto a relação com as pequenas empresas é importante, e também estratégica, e pretendemos continuar com o trabalho com fornecedores nos próximos anos", disse Débora.

No seminário, Paulo Itacarambi, vice-presidente-executivo do Instituto Ethos, propôs que a sociedade transite da competição para a cooperação, investindo nas pessoas e nas relações. "Nesse sentido, o Tear deve ser a base de um programa nacional de gestão sustentável do negócio, para que se possa construir uma economia inclusiva no Brasil", defendeu ele.

A experiência da primeira edição do programa tem incentivado outras empresas a buscar o mesmo modelo de trabalho para disseminar a gestão sustentável em suas cadeias. Por isso, o Instituto Ethos está organizando um segundo grupo de empresas-âncoras, que deve participar da nova fase do Programa Tear, entre 2008 e 2010.

As empresas-âncoras da primeira edição do Programa Tear são:
- ArcelorMittal Brasil (no setor de Siderurgia)
- Camargo Corrêa (no setor de Construção Civil/Grandes Obras)
- CPFL Energia (no setor de Energia Elétrica)
- Grupo Pão de Açúcar (no setor de Varejo)
- Petrobras (no setor de Petróleo e Gás)
- Santelisa Vale (no setor de Açúcar e Álcool)
- Vale (no setor de Mineração)
- Y. Takaoka Empreendimentos e Gafisa (no setor de Construção Civil/Incorporação)

Os parceiros do Programa Tear são:
- Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee);
- Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp);
- Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg);
- Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan);
- Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP);
- Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram),
- Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae)
- União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica).



Redação do Instituto Ethos
Envolverde,29/10/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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Fronteiras da Responsabilidade

A cada ano que passa podemos constatar o quanto o assunto responsabilidade social corporativa ganha mais aderência e visibilidade no cotidiano das empresas brasileiras, seja na consciência ou no modo de atuação de seus gestores. Esses líderes, com o passar do tempo, mostram-se mais envolvidos e preocupados com os diversos segmentos que fazem parte do tema, considerando-o definitivamente importante instrumento para a tomada de decisão.

É uma mudança cultural. Antes, havia apenas a prestação de contas para os acionistas, através das demonstrações contábeis, hoje existem os relatórios de sustentabilidade. Aos poucos, a postura de confidencialidade das informações em outras áreas, que não a financeira, foi se alterando a partir da cobrança dos stakeholders por mais transparência e responsabilidade em relação aos impactos causados por ações das empresas.

Atualmente, existem corporações que destinam parte do seu orçamento para a preservação e manutenção do desenvolvimento sustentável da sociedade. Empresas que se preocupam com as gerações futuras respeitando as desigualdades sociais e a diversidade.

A preocupação com a melhoria no ambiente de trabalho vem se mostrando como fator de grande importância no meio corporativo. Essa constatação é o reconhecimento de que o público interno é um dos stakeholders fundamentais para as empresas.

Durante os últimos três anos pudemos acompanhar os avanços da responsabilidade social corporativa baseados em estudos que desenvolvemos ao longo deste período. Em um universo de 330 empresas de diversos segmentos e setores da economia brasileira, obtivemos números que nos permitiram desenhar um panorama da visão do mercado brasileiro no campo da sustentabilidade. Para se ter uma idéia, 58% das empresas ouvidas nas pesquisas, entendem que a responsabilidade social corporativa ou a publicação de relatórios de sustentabilidade, são formas de governança e têm de estar inseridos no planejamento estratégico das empresas.

A harmonia entre os pilares econômico, ambiental e social é de extrema importância para o contínuo sucesso das empresas, o que torna cada vez mais necessário que a responsabilidade social corporativa passe a ser incorporada ao planejamento estratégico de cada empresa. O esforço para que o relacionamento entre a empresa e os seus diversos stakeholders seja aprimorado e, cada vez mais, transparente é de suma importância para que as necessidades e expectativas possam ser conhecidas e entendidas, objetivando que as ações e metas sejam traçadas da melhor maneira para atender a estas necessidades, tendo como finalidade a sustentabilidade.

Os constantes problemas ambientais, o efeito estufa, as alterações climáticas constantes têm sido causas responsáveis pelo engajamento de muitas empresas com a preocupação de investir parte de seus recursos em ações que, além de beneficiar o que está ao seu entorno, poderão garantir a sustentabilidade e perenidade dos negócios. Esta visão está cada vez mais clara entre os gestores e investidores do mundo todo.

Alguns empresários defendem que nenhuma corporação deve ficar de fora das ações de responsabilidade social. O foco de todas as empresas sempre será o econômico, mas sempre há como equilibrar os resultados econômicos com o fator ambiental e social com ética e transparência. Isso é ser socialmente responsável.


Patrícia Centeno
Gerente sênior e especialista da Área de Sustentabilidade da BDO Trevisan. E-mail: patricia.centeno@bdotrevisan.com.br
Envolverde, 29/10/08
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Sites buscam novas fontes de receitas

Como diretor-presidente da Gaia Online, um ponto de encontro na internet para cerca de 6 milhões de adolescentes, Craig Sherman deveria estar preocupado sobre como o agravamento da situação econômica poderá afetar a propaganda na internet. Mas ele não está. Nem um pouco. Ao contrário de muitas companhias iniciantes da internet que até recentemente viam os anúncios como um passaporte para a riqueza, a Gaia consegue a maior parte de suas receitas mensais de mais de US$ 1 milhão com vendas - nesse caso, itens virtuais: roupas, jóias e outros acessórios para avatares, ou personagens on-line. Eles vão de uns poucos centavos a US$ 10 ou mais a peça. A margem bruta de lucro da Gaia sobre as vendas de produtos virtuais, que cresceram dez vezes em relação há dois anos, supera os 95%. Afinal, esses produtos são bits e bytes que poderão se reproduzidos indefinidamente.

A Gaia é apenas uma de dezenas de companhias da internet que cada vez mais garimpam fontes de receitas que vão além dos anúncios. Os produtos virtuais são hoje um negócio mundial que movimenta mais de US$ 1 bilhão por ano. E as assinaturas de sites, outrora vistas como uma proposta perdedora para a internet, se tornaram um negócio de pelo menos US$ 2 bilhões, com milhões de pessoas dispostas a pagar taxas mensais ou anuais para companhias como a United Online e seus sites Classmates.com e Ancestry.com (especializado em pesquisas genealógicas). Outras companhias estão vendendo listas de empregos, listas de possíveis clientes e mais.

O momento é oportuno. A propaganda on-line está se deparando com o primeiro obstáculo em mais de cinco anos, o que está criando problemas para muitas das companhias iniciantes que contam com os anúncios para as suas receitas. Em antecipação à redução dos gastos com propaganda on-line, o serviço de compartilhamento de vídeo Seesmic, a companhia especializada em conteúdo adulto Zivity e a rede de anúncios AdBrite, que conecta sites aos anunciantes, além de outras, começaram a demitir funcionários. A desaceleração da propaganda na internet que se aproxima está renovando o interesse nos outrora desprezados modelos de negócios. "Muitas companhias iniciantes estão lutando para enxergar além da propaganda", diz Reid Hoffman, presidente do site LinkedIn e um investidor em mais de 50 empresas da internet, incluindo o Facebook e o Digg. "Tenho visto as pessoas dizerem: 'Oh, temos um novo plano que não envolve propaganda'".

Nenhum desses modelos de receita é inteiramente novo. Mas o sucesso desenfreado do Google com os modestos anúncios de texto apresentados junto aos resultados de busca, tornaram qualquer estratégia que não a propaganda antiquada para a maior parte da mais nova geração de companhias iniciantes da internet. E mesmo além dos efeitos da economia, as empresas iniciantes aprenderam da maneira mais difícil que os sites gratuitos, a maioria dos quais usa os anúncios para pagar as contas, nem sempre funcionam bem. Três anos atrás, por exemplo, o site de fotografia SmugMug tentou oferecer contas gratuitas de compartilhamento de fotografias como um gancho para conseguir mais assinantes, que pagam de US$ 39,95 a US$ 149,95 por ano para armazenar, compartilhar e vender fotografias. Mas mesmo antes da SmugMug começar a considerar se iria ou não colocar anúncios no site, ela descobriu que as contas gratuitas estavam atraindo pornografia, afugentando outros usuários, segundo afirma o diretor-presidente Don MacAskill. Agora, com 200 mil assinantes, as receitas dobraram a cada ano nos últimos dois anos, para mais de US$ 10 milhões no ano passado.

Enquanto os consumidores sempre reclamam por pagarem pelo acesso a conteúdo on-line, as empresas têm uma disposição maior em fazer a assinatura de um serviço que é importante para elas. A Salesforce.com, por exemplo, deverá ter receita bruta de US$ 1 bilhão no exercício que se encerra em janeiro, com a venda de serviços on-line de acompanhamento de clientes e administração, com taxas a partir de US$ 9 por mês por usuário. O sucesso da companhia ajudou a criar a chamada indústria das empresas de software enquanto serviço, que fornecem programas on-line para gerenciamento de folha de pagamento, colaboração e muitas outras funções.

No entanto, o modelo mais surpreendente a alcançar os consumidores em massa é o dos produtos virtuais. Eles são mais comuns em mundos on-line como o Second Life, em que as pessoas criam avatares para brincar e colaboram para uma ambientação na forma de jogo, além de jogos on-line como o "World of Warcraft", em que as pessoas adquirem ferramentas, bugigangas e poções mágicas. Há anos os produtos virtuais têm sido o principal modelo de negócios de sites populares na Ásia. Dois terços das vendas de US$ 523 milhões dos sites de relacionamentos Tencent da China vêm de produtos virtuais como animais de estimação; apenas 13% das receitas têm origem na propaganda.

Agora, os produtos virtuais também poderão se transformar numa fonte de dinheiro crucial para os florescentes sites de jogos menos sofisticados e as redes de relacionamento dos EUA. Tome o Facebook: ele é um dos sites da internet que mais cresce, mas vem tendo dificuldades para ganhar dinheiro com propaganda. Isso porque os anúncios mais distraem do que atraem a atenção nos sites em que as pessoas estão lá para interagirem umas com as outras. Por outro lado, os produtos virtuais são essencialmente artefatos sociais que as pessoas usam para ganhar status entre os colegas on-line. Isso faz deles uma combinação melhor que a propaganda tradicional em sites voltados para a socialização. O Facebook vende presentes virtuais como rosas e cervejas por US$ 1 a unidade, e são hoje um negócio milionário.

Os marqueteiros estão percebendo isso e começam a usar os produtos virtuais como substitutos dos anúncios tradicionais. A New Line Cinema promoveu seu filme "Sex and the City" em maio com sapatos virtuais distribuídos gratuitamente na internet. Em 24 horas, membros do Facebook deram mais de 500 mil Manolo Blahniks de presente uns aos outros, respondendo por mais de 220 milhões de acessos no Facebook no primeiro dia de exibição do filme. Muitas pessoas os mantêm em seus perfis, provando uma associação de marca duradoura com o filme. "Algumas de nossas melhores experiências vêm dos presentes virtuais", disse a diretora operacional do Facebook, Sheryl Sandberg.

Por mais promissoras que possam ser, essas fontes alternativas de receitas não serão fortes o suficiente para, sozinhas, salvarem muitas companhias. Até mesmo as empresas iniciantes da internet poderão ter dificuldades para mudar rapidamente seus modelos de negócios. E é quase certo que o mercado de propaganda on-line, que movimenta US$ 26 bilhões, continuará sendo muito maior que as outras fontes de receita durante anos. Mas à medida que os anunciantes, abalados pela recessão, vão cortar os orçamentos de propaganda nos próximos meses, as alternativas podem ser a última esperança para muitas companhias da internet.


Robert D. Hof, BusinessWeek
Tradução de Mário Zamarian
Valor Online, 03/11/08

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