quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Sustentabilidade requer novos modelos de aprendizagem

Empresas buscam formas de criar ambientes favoráveis à cooperação e diversidade de idéias para gerar soluções inovadoras.

Apesar de bem aceita, a idéia de que a construção de negócios sustentáveis requer que os indivíduos sejam educados para se reconhecerem como parte do todo e orientem suas ações com base nos impactos para as gerações atuais e futuras ainda desafia os modelos institucionais.

Departamentalizadas por natureza, as empresas têm dificuldades em proporcionar uma experiência de construção coletiva do saber, essencial para a inovação e sustentabilidade. “Tudo está mudando muito rápido. Precisamos de novos tipos de aprendizado, redes sociais e modelos de liderança, pois não será mais possível achar que as pessoas no topo das companhias ou governos terão todas as respostas de que precisamos”, analisa Jane Nelson, diretora do Centro de Iniciativa para Responsabilidade Social Empresarial da Universidade de Harvard.

As companhias que conseguem, aos poucos, superar modelos de gestão excessivamente verticalizados e pouco participativos têm sabido identificar novas oportunidades de negócios.

Com o intuito de estimular a integração e possíveis sinergias, a DuPont, por exemplo, reúne funcionários das mais variadas áreas, níveis hierárquicos e países em encontros anuais para discussão de projetos. Segundo John Jansen, diretor de fluoroprodutos, de pesquisa e desenvolvimento para América Latina, além dos funcionários, o evento conta com a participação de convidados externos que, juntos, selecionam cerca de 100 idéias. As propostas são avaliadas com base nos benefícios gerados para a sociedade em termos ambientais e sociais, assim como nas necessidades do mercado. De cinco finalistas, um projeto é escolhido para ser adotado pela empresa.

Foi justamente da experiência de geração coletiva de idéias que surgiu uma das mais interessantes e recentes soluções de negócio da empresa. Trata-se da SoleCina, elaborada a partir da combinação da proteína vegetal da soja com diferentes tipos de carne. Segundo Jansen, o produto foi criado após a identificação de uma necessidade da população mexicana da base da pirâmide, para a qual os altos preços da proteína animal inviabilizavam o consumo desse item essencial na alimentação Além de ser até 40% mais barata do que a proteína animal, a SoleCina, fabricada em parceria com a Solae Company, possibilita o desenvolvimento de produtos com menos gordura, calorias e sem colesterol.

A Braskem, detentora da tecnologia para fabricação do polietileno verde, apostou na criação de um banco de idéias para receber sugestões de projetos. Criado em 2004, o Programa de Inovação Braskem (PIB) conta com um software para auxiliar na avaliação das propostas. Com base em informações técnicas e comerciais, o sistema calcula a possibilidade de a sugestão ser transformada em produtos e serviços para o mercado. Segundo Luiz Fernando Cassinelli, diretor de inovação da companhia, atualmente, há 75 projetos em andamento nascidos no PIB. Outras 250 idéias aguardam seu lugar nesse portifólio verde.

Novo perfil profissional
Ao contrário do passado, quando o universo das conexões corporativas era, a rigor, o seu próprio umbigo, as empresas de hoje orbitam em torno de uma rede de relacionamentos muito mais diversa. Até menos de duas décadas, os públicos de interesse de uma corporação podiam ser contados nos dedos de uma mão. Hoje, além de funcionários, fornecedores, e clientes, entraram no jogo comunidades, investidores, lideranças comunitárias, governos, organizações não-governamentais, formadores de opinião, grupos de pressão locais e nacionais e até mesmo indivíduos mais atentos e dispostos a disseminar suas eventuais insatisfações pela Internet.

Uma complexa rede de relacionamentos como esta pode ser regida de modo a estabelecer benefícios comuns. Mas não se trata de uma tarefa simples. Requer, além de uma nova forma de gestão, mais transparente e atenta, um time de profissionais preparados para escutar, filtrar e incorporar os pontos de vista das partes interessadas na maneira de pensar e fazer negócios.

Nos últimos dois anos, a Aracruz, recentemente adquirida pela Votorantim, tem centrado esforços no treinamento de funcionários para o relacionamento com a sociedade. “Como a Aracruz é uma empresa florestal com unidades distribuídas em mais de 120 municípios, os profissionais da empresa se relacionam com diferentes tipos de comunidade. Por isso, é importante que desenvolvam a habilidade de construir pontes entre a empresa e a sociedade em diferentes situações”, afirma Carlos Alberto Roxo, diretor de sustentabilidade.

A empresa também tem buscado profissionais com essa competência no mercado. Segundo Roxo, a formação não é o fator mais importante no processo de seleção, mas sim as experiências que o profissional acumulou ao longo de sua trajetória. Para exemplificar, ele conta um exemplo registrado em seu próprio departamento. “Demoramos seis meses para contratar um gerente de sustentabilidade. Só depois fui descobrir que era jornalista. A experiência que ele acumulou por meio de projetos realizados na Amazônia e junto a órgãos governamentais foi determinante para a sua contratação. Além de sólida formação, buscamos profissionais que não sejam apenas resolvedores de problemas, mas capazes de encontrar respostas a partir do relacionamento com diferentes públicos de interesse”, ressalta.

Entender a realidade do outro não é tarefa fácil e demanda, segundo Jansen da DuPont, a ruptura de paradigmas. “O profissional precisa ter a predisposição para entender a fundo a dinâmica das diferentes partes interessadas, além de iniciativa para vivenciar a realidade do outro. Não adiante ler um monte de coisas. É preciso estar lá, conversar e escutar”, explica.

Jansen destaca ainda o espírito empreendedor como competência essencial do profissional para fazer conexões entre as soluções criadas e as necessidades da sociedade. “É interessante observar que o tipo de profissional que se dá melhor nessa área, normalmente, desenvolveu a inteligência emocional, o lado direito do cérebro, área à qual as instituições de ensino não têm se dedicado muito”, completa.

Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), Rodrigo Rocha Loures reforça que a inovação social é uma competência a ser desenvolvida. “A inovação voltada para a sustentabilidade depende de habilidades pessoais, como, por exemplo, a de aprender a aprender, aprender a entender, a se relacionar, a fazer coisas em conjunto, conhecer a si próprio e ter a compreensão do contexto onde se situa. O desafio seguinte é transformar esses conhecimentos em produtos e serviços sustentáveis”, aposta.

A ponte entre a teoria e a prática
Outro caminho para o desenvolvimento de novas soluções se dá a partir de parcerias com universidades. Recentemente, a Braskem lançou o primeiro polietileno verde produzido com o uso da cana-de-açúcar em substituição à nafta, derivada do petróleo. A descoberta contou com o apoio de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “É preciso buscar o conhecimento onde ele está, principalmente nos casos em que são muito específicos. A open innovation oferece essa possibilidade de troca de informações não só com universidades, mas também com outras empresas que não concorrem no mesmo mercado. A principal vantagem é a divisão dos custos da pesquisa”, afirma Cassinelli. Este modelo de cooperação permite que empresas comprem ou licenciem processos de inovação (como patentes) de outras organizações.

Segundo Jansen, da DuPont, a inflexibilidade das universidades em relação a propriedade intelectual dificulta o avanço dessa modalidade de pesquisa no Brasil. “Hoje em dia a inovação fica cada vez mais cara. Normalmente, a cada mil idéias, 100 são efetivamente transformadas em projetos, 10 conseguem atingir a fase de testes e apenas uma chega ao mercado. A colaboração entre empresas e universidades dilui os riscos e aumenta as chances de sucesso da inovação. No entanto é preciso assegurar o retorno financeiro para as empresas. Os resultados da inovação que vingou precisam compensar todo o investimento destinado às outras 1000 idéias malsucedidas. As universidades brasileiras resistem em ceder a patente ainda que 100% do seu desenvolvimento tenha sido financiado pela empresa”, exemplifica Jansen.

A Embraco, por sua vez, mantém parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desde 1982, por meio de convênios de pesquisa que se renovam periodicamente. A primeira grande conquista da mais longa união entre iniciativa privada e academia de que se tem notícia no País foi a fabricação, em 1987, do primeiro compressor com tecnologia 100% nacional.

De dentro pra fora
Pioneiro na capacitação de seu corpo de funcionários com a criação das “Oficinas de sustentabilidade” em 1991, o Banco ABN Anro Real também inovou ao levar a experiência obtida a partir da vivência desse conceito na empresa a clientes e parceiros de negócio.

O programa “Práticas em sustentabilidade” teve início em 2001 com a realização de workshops sobre o tema com fornecedores para troca de informações e experiências. Hoje, o banco também disponibiliza um endereço na internet para ampliar o alcance com o público externo. O blog Práticas disponibiliza o acesso a um banco de iniciativas de implementação da sustentabilidade, uma biblioteca com documentos de referência e cursos online.

O Real apostou na troca de experiências e informações para construção conjunta de conhecimentos, reconhecendo a importância da colaboração na economia contemporânea. “Os indivíduos têm que ser protagonistas, o que pressupõe olhar para o novo, reconhecendo que não sabemos tudo e temos muito a aprender. Podemos não ter todas as repostas, mas não temos medo das perguntas”, afirma Carla Bardaro, superintendente de desenvolvimento sustentável do Banco ABN Anro Real.

Desafios da educação voltada para a sustentabilidade
* Desenvolver ambientes de construção coletiva do saber
* Criar estruturas descentralizadas que proporcionem sinergias entre diferentes áreas do conhecimento
* Estabelecer relações de confiança
* Formar indivíduos integrais que pensam e ajam em um contexto global
* Proporcionar o autoconhecimento
* Valorizar a diferença


Juliana Lopes, da Revista Idéia Socioambiental
Envolverde, 08/10/08
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Para construir uma escola, salve um hipopótamo

Como descobriu a comunidade Wechiau, que vive na ribeira do rio Volta Negro, em Gana, cuidar dos hipopótamos pode ajudar a construir escolas e obter eletricidade. Em 1998, as 17 comunidades agrícolas e de caça dos Wechiau não tinham onde estudar, nem água potável e nem eletricidade. Agora, seus aproximadamente 10 mil membros contam com tudo isso, graças a um plano para preservar a população de hipopótamos. Os Wechiau simplesmente acordaram criar uma reserva para esses animais. “Logo começamos a colher algum lucro com o projeto, especialmente através do turismo”, disse à IPS o líder da comunidade, Chielinah Bandanaa, que participa em Barcelona do Congresso Mundial da Natureza, organizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

“Com o dinheiro ganho, e o apoio para o desenvolvimento de nossos sócios do mundo industrializado, especialmente do Canadá, pudemos construir escolas, cavar poços de água e instalar painéis solares para gerar eletricidade”, explicou Bandanaa. A reserva é o lar de mais de 500 espécies animais e de numerosas plantas medicinais. É administrada por uma junta que representa todas as comunidades Wechiau. As crianças da comunidade agora têm bolsas de estudo graças ao dinheiro obtido com o projeto. Bandanaa recebeu o prêmio Equator, que reconhece internacionalmente os esforços destacados em países abaixo da linha do Equador em sua luta contra a pobreza, pela conservação ambiental e pelo uso sustentável da biodiversidade.

O prêmio é entregue pela Equator Initiative, uma coalizão de organizações da sociedade civil, empresários, governos e comunidades, sob patrocínio da Organização das Nações Unidas. A diretora-executiva para desenvolvimento sustentável da Fundação das Nações Unidas, Érika Harms, afirmou que estes tipos de projetos são “simples e inspiradores exemplos do que as comunidades de base fazem ao longo do Equador para preservar a biodiversidade e, ao mesmo tampo, aliviar a pobreza”. Harms disse que o trabalho da Equator Initiative se baseia no simples fato de que “as grandes concentrações de riqueza biológica do mundo estão nos trópicos, em nações que também têm alguns dos mais altos níveis de pobreza”.

A comunidade Wechiau foi um dos 25 grupos que receberam o prêmio este ano. Os demais foram comunidades indígenas de Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, pela América Latina; das Ilhas Salomão, Filipinas, Sri Lanka, Micronésia, Indonésia, Vanuatu e Camboja, pela Ásia-Pacífico; e República Democrática do Congo, Zâmbia, Quênia, Senegal, Namíbia, Tanzânia e Gana, pela África. O centro para o Desenvolvimento Comunitário (CDC) em Sri Lanka ganhou o prêmio graças a um plano para preservar vegetais tradicionais, especialmente tubérculos. O projeto foi lançado em Aranayaka, no distrito de Kegalle, em1996.

“Desde então, redescobrimos 58 variedades de batata-doce muito nutritivos e saborosos, bem como raízes que nossos ancestrais usavam e que quase desapareceram da dieta diária de nossas comunidades”, disse à IPS Achala Adikari, do CDC. Nos últimos 12 anos – acrescentou – mais de 800 agricultores se uniram ao grupo para cultivar tubérculos tradicionais. “Não usamos aditivos químicos em nossa agricultura”, ressaltou. Mas estes vegetais não só enriquecem a dieta das comunidades Aranayaka como também trouxeram segurança alimentar. “A batata-doce e os tubérculos estão disponíveis o ano todo”, disse Adikari. Além disso, as vendas trouxeram uma nova fonte de renda para as comunidades. “Agora queremos criar um centro de pesquisa e capacitação para permitir a expansão do projeto, bem como o mercado para as sementes tradicionais”, afirmou Adikari.

Outro ganhador foi um projeto de tecido de algodão no Peru. Em 2004, 25 artesãos de Mórrope, na província de Lambayeque, lançaram um programa para preservar uma variedade nativa e tradicional do algodão. “Também quisemos resgatar do desaparecimento nossa indústria artesanal do tecido”, disse à IPS Magbdalena Puican Chinguel, representante do projeto. As mulheres da região tecem com ferramentas locais que carregam na cintura. “No início, nossos maridos nos olhavam como se estivéssemos lucas. Mas logo, quando o dinheiro começou a chegar, viram que tínhamos razão”, contou Chinguel à IPS.

Agências do governo se integraram ao projeto fornecendo cursos de capacitação e apoio financeiro a planos suplementares destinados, por exemplo às fontes de água, tanto para consumo quanto para uso agrícola. “Agora, as mulheres de Mórrope geram sua própria renda e contribuem para o desenvolvimento da província”, disse Puican Chinguel.


Por Julio Godoy, da IPS
Envolverde, 08/10/08
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Cresce a busca de permuta para garantir economia

Bertagnon, da Village, já reservou 500 caixas de panetone como moeda de troca nesse Natal: "Quero espaço de mídia"
Foto Ed Viggiani/Valor


Os móveis do departamento comercial do carioca Studio Alfa - fornecedor de peças para mobiliário urbano - acabam de ser trocados. Depois de passar dez anos com a mesma mobília, os 20 funcionários da área agora vão trabalhar em mesas e cadeiras de primeira linha, fornecidas pela fabricante ML Magalhães, também do Rio de Janeiro. Esta, por sua vez, vai distribuir no próximo Natal aos seus clientes e parceiros brindes da mineira Cia. do Acrílico. Antes disso, em novembro, o Studio Alfa deve entregar as peças da nova campanha publicitária da rádio Oi FM.

Cada uma dessas operações será devidamente tributada (ver reportagem abaixo), mas nenhuma envolve dinheiro. Todas são fruto de permuta multilateral, permeadas pela ProRede, com sede no Rio e unidades em Minas Gerais, Paraná e Santa Cataria. Em São Paulo, a Permute e a Tradaq também são especializadas nessa atividade, que cresce no Brasil como forma de diminuir custos e manter livre o fluxo de caixa.

A ProRede deve movimentar o equivalente a R$ 9 milhões em permutas este ano, valor 40% superior ao de 2007. Entre as 400 empresas atendidas, estão a vinícola Miolo, a editora Record e escola de idiomas Wizard. Já a Permute tem cerca de 600 clientes, que encerrarão o ano trocando entre si produtos e serviços que somam R$ 7 milhões, 27% a mais do que o ano passado. A Permute cobra 5% sobre o valor da operação, de cada uma das empresas envolvidas. A comissão da ProRede, por sua vez varia de 4% a 9%, de acordo com o volume de trocas feitas pelo cliente.

"O sistema funciona como uma 'câmara de compensação', em que cada empresa acumula créditos, conforme o que cede para outras, que podem ser debitados com qualquer tipo de produto ou serviço das demais clientes cadastradas", explica Nádia Nunes, diretora da Permute. A permuta também pode ser "repassada", quando uma empresa oferece como pagamento bens ou serviços que recebeu de terceiros. "O melhor do sistema é que ele mantém livre o fluxo de caixa das companhias", diz Nádia.

Para Francisco Barone, professor Fundação Getúlio Vargas (FGV), trata-se de uma prática atraente, em especial em tempos de pouco crédito na praça. "Nessa época, como a que se avizinha para as empresas brasileiras, tudo o que permitir postergar o desembolso é interessante", diz o professor, que coordena o programa Small Business na Ebap-FGV. Para ele, as empresas economizam com operações de permuta cerca de 5% do seu orçamento anual. "Esse percentual só não é maior porque é preciso uma pessoa - ou, no caso, uma empresa, como essas intermediadoras - apenas para costurar as permutas", diz Barone.

É o que acontece na HSM, empresa de educação e eventos corporativos. Cliente da Permute, a HSM tem uma executiva apenas para tratar de parcerias e permutas. "Vamos economizar 10% a mais este ano em relação a 2007, atingindo uma economia de R$ 3,3 milhões com essas atividades ", diz Vera Costa, gerente de relacionamento da HSM. Em troca de cursos e participação em eventos, a HSM busca brindes e presentes para parceiros e clientes. "A tendência é que essas operações continuem crescendo no próximo ano", diz Vera, considerando a economia de tempo um dos principais atributos das permutas costuradas pela Permute. "Não precisamos ir pessoalmente fechar uma negociação e tudo corre mais rápido".

Para Leandro Bach, sócio Studio Alfa, cliente da ProRede, o melhor é alocar parte da sua capacidade ociosa como moeda para aquisição de produtos ou serviços que dificilmente teriam espaço no orçamento. "Nenhuma empresa trabalha com 100% da sua capacidade produtiva e é plenamente possível encaixar a permuta em períodos ociosos, mesmo em momentos de maior demanda, como o atual", diz ele, que vai economizar o equivalente a 2,3% do seu faturamento deste ano, previsto em R$ 22 milhões, com permutas.

A fabricante de produtos alimentícios Village, de São Paulo, também está a todo vapor com a produção de panetones. Mas já reservou 500 caixas, de 12 unidades cada uma, para as trocas negociadas por meio da Permute. "Temos interesse por mídia, como anúncios em revistas e ações de merchandising", diz Reinaldo Bertagnon, gerente comercial e de exportação da Village, que vê outra vantagem na operação. "Muita gente que não conhecia o meu panetone tem a chance de saboreá-lo agora, o que pode aumentar as minhas vendas futuras", afirma.

Não se sabe ao certo quanto as operações de permuta movimentam no Brasil mas, segundo a International Reciprocal Trade Association (IRTA), entidade sem fins lucrativos que promove esse tipo de atividade no mundo, só nos Estados Unidos essas atividades permitem trocas de R$ US$ 10 bilhões ao ano. No Brasil, o mercado ainda é incipiente: Permute e ProRede começaram há cerca de cinco anos. A Tradaq, do grupo americano Intagio, começou no Brasil em 2000.

Márcio Lerner, diretor da ProRede, acredita que o mercado pode crescer mais agora com a crise. Na sua mira estão empresas com mais de R$ 20 milhões de faturamento. "Já atendemos desde profissionais liberais à locação de DVD, mas o esforço na permuta desses serviços é quase o mesmo destinado a uma grande operação e não compensa", diz ele.


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- Operação é tributada como uma venda


Daniele Madureira, de São Paulo
Valor Online, 09/10/08

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Lei cria cadastro contra telemarketing em SP

Um cadastro estadual permitirá aos usuários proibir que empresas de telemarketing liguem para eles

Uma lei, sancionada nesta quarta (8) pelo governador de São Paulo, José Serra, prevê a criação de um cadastro estadual de usuários que não desejam ser abordados por serviços de telemarketing. A lei valerá para todos os telefones com prefixos paulistas, como 11, 12 e 16, por exemplo.

O cadastro será organizado pela Fundação Procon. O usuário que não quiser ser abordado por estes tipos de serviços, deverá fornecer seu telefone ao órgão e, a partir daí, as empresas de call center terão 30 dias para bloquear este número em suas centrais.

A lei não prevê como será feito o cadastro. O Procon espera fornecer a opção de entrar ou sair do cadastro pela internet. As empresas que descumprirem a lei serão multadas pelo Procon.


Felipe Zmoginski
Plantão INFO, 08/10/08

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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A origem das coisas

Este vídeo já está circulando há algum tempo, mas hoje descobri esta versão dublada em português pela comunidade Permacultura do Orkut (parabéns pessoal!). É muito interessante e dá informações que todos deveriam saber, especialmente quem anda dedicando tempo e energia para construção de um mundo melhor.





Embora fale da realidade dos Estados Unidos, infelizmente, tem tudo a ver conosco...
E é também um bom exemplo de comunicação - simples e direta.

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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Grifes estão de olho nas pré-adolescentes

Suzana, da Cookie, decidiu apostar no potencial de consumo das meninas de 10 a 14 anos: "Elas ainda são um pouco crianças, mas têm um poder de decisão incrível"
Foto Gustavo Lourencao/Valor


Elas não querem mais saber de roupas infantis. Mas também não se sentem à vontade com o estilo de roupas de suas mães. Elas são as "tweens" (o nome vem da palavra between, em inglês), ou pré-adolescentes, as mais novas consumidoras a entrar no mira do mercado de moda. Ainda dependentes do pais, mas com muita decisão sobre o que querem usar, essas meninas de 10 a 14 anos, que têm despertado a atenção de publicitários e da indústria de bens de consumo, começam a contar com grifes só para elas.

É o caso da Cookie, que acaba de abrir as portas no bairro de Moema, em São Paulo, e é um misto de loja com espaço para eventos. A grife carioca Mary Zaide também enxergou boas perspectivas nesse segmento. Há um ano e meio, criou a Miss Zaide, focada na moda para meninas. "As tweens representam um nicho com muito potencial de crescimento", diz a consultora de varejo Celina Kochen.

A Cookie nasceu de um sonho antigo da empresária Suzana Pasternak Kuzolitz, dona da Iorga, indústria de lubrificantes industriais. "Minha família já atuou no ramo da tecelagem e eu sempre tive essa ligação com moda", diz a empresária, que bancou uma pesquisa de mercado para encontrar um setor promissor dentro do universo da moda. Foi assim que ela descobriu as "tweens". "Elas ainda são um pouco crianças, mas têm um poder de decisão incrível."

Para poder atender os desejos dessas consumidoras mirins, Suzana optou por criar uma grife exclusivamente feminina. "Fui atrás dos gostos e preferências delas", afirma Suzana, que descobriu, por exemplo, que as "tweens" adoram bichos de pelúcia e preferem lingeries grandes e confortáveis.

Além de roupas, a Cookie vende acessórios, artigos de papelaria e perfumes. A loja também comercializa bichos de pelúcia fabricados pelas ONGs Orienta Vida, de São Paulo, e Bichos do Mar de Dentro, do Paraná. "A consciência ecológica e o comércio justo são preocupações que já passam pela cabeça dessa geração", afirma Suzana. A empresária reservou um espaço da loja para encontros das clientes com as amigas. "Também pretendemos realizar oficinas de customização." A coleção da Cookie é bastante colorida e feita basicamente de roupas de malha. "Descobri que essas meninas prezam o conforto porque o seu corpo está em transformação", diz.

Essa também é a opinião da consultora Celina Kochen: para agradar esse público é preciso fugir dos decotes, do salto-alto e de outros atributos da moda para mulheres. "Acerta quem consegue criar uma moda nem tão infantil, mas sem o apelo sensual da moda feita para as adultas."

Para o empresário Eduardo Zaide, as consumidoras pré-adolescentes não querem roupas descartáveis. "Elas já prezam a qualidade", diz ele, diretor das marcas Mary Zaide (feminina) e Essencial (masculina), do Rio de Janeiro. As duas grifes, voltadas para o público adulto, foram criadas no início dos anos 1990. Há cerca de um ano e meio, mais uma grife se uniu à família: a Miss Zaide, destinada à meninas e que já representa 20% do faturamento da empresa.

"No próximo ano, deveremos abrir a primeira loja exclusiva Miss Zaide", diz o empresário. Por enquanto, as meninas encontram as roupas da grife dentro das lojas Mary Zaide -- 17, ao todo, distribuídas entre São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Curitiba. A coleção da Miss Zaide inclui roupas para o dia-a-dia e para festas. "Antes, as meninas iam à loja com as mães", diz Eduardo. "Hoje, já vão sozinhas."

O público "tween" é considerado difícil por Marcos Ribeiro, diretor de marketing da Cia. Hering. "Nessa idade, o jovem muda muito, muda de tribo, de escola e de estilo", diz Ribeiro. "Além disso, ele dificilmente é fiel a uma grife." Ainda assim, a Hering não descuida do público pré-adolescente, atendido pela linha Hering Kids (com roupas de zero a 14 anos).

Com 25 anos de mercado, a Tkts, de São Paulo, resolver dividir sua linha de produtos, há três anos, para atender crianças e adolescentes de forma separada. "Passamos a focar o consumidor 'tween' mais fortemente", diz Diego Gadelha Júnior, diretor comercial da grife, que recentemente contratou a estilista Mariana Rotta para cuidar da linha feminina. "O segmento infantil está muito concorrido e as vendas de roupas para os adolescentes vem crescendo", afirma o executivo.


Vanessa Barone, de São Paulo
Valor Online, 07/10/08

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Tenista russa apóia 'filhos de Chernobyl'

Maria Sharapova doa US$ 210 mil para programa que tenta ajudar alunos de região afetada por acidente nuclear a concluir universidade

A estrela do tênis feminino Maria Sharapova doou US$ 210 mil a um programa educacional voltado a estudantes de uma área afetada pelo maior acidente nuclear da história, o de Chernobyl, ocorrido há 22 anos. A iniciativa, uma parceria da Fundação Maria Sharapova e do PNUD, vai permitir que 12 jovens talentosos de Belarus possam concluir os estudos em duas das principais faculdades do país.

A usina nuclear de Chernobyl, em que um reator explodiu em 26 de abril de 1986, ficava numa parte da União Soviética que hoje é a Ucrânia. O desastre, porém, também afetou áreas onde hoje ficam a Rússia e Belarus. Na ocasião, a família de Sharapova morava na província de Homiel (Belarus), mas fugiu para a Sibéria (Rússia), onde a tenista nasceu, em 1987.

A fundação por ela criada já contribuiu com US$ 100 mil para projetos envolvendo jovens dos três países atingidos pelo acidente. "Sempre foi meu sonho ajudar a recuperação da região onde tenho ligações pessoais", disse a campeã na entrega do cheque ao PNUD. "Contribuir para que jovens talentosos concluam os estudos é parte do esforço de construir um futuro brilhante para a região", acrescentou ela, que é Embaixadora da Boa-Vontade do PNUD.

A parceria com o PNUD vai oferecer financiamento por cinco anos para 12 estudantes na Academia Estadual de Artes Belarus e na Universidade Estadual Belarus. Os jovens serão selecionados a partir de uma lista preparada pelas universidades, em um trabalho conjunto com o PNUD e o Ministério de Emergências da Bielorrússia, responsável pelos programas de recuperação das vítimas de Chernobyl.

O objetivo é contribuir para a formação de jovens talentos que, de outra forma, não teriam oportunidade de terminar a faculdade. Esta é a primeira vez em Belarus que uma organização não-governamental oferece apoio desse tipo para projetos de educação. Os primeiros alunos beneficiados vão iniciar seus estudos em setembro de 2009.


da PrimaPagina
Boletim Diário PNUD Brasil, 06/10/08

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Legislação do Brasil terá 'Google das leis'

Serviço de buscas vai tornar mais fácil encontrar jurisprudências, leis, normas e projetos na internet; buscador deve estrear em novembro

Um grupo que reúne técnicos de 12 organismos federais, como o Senado, o Superior Tribunal de Justiça, a Advocacia Geral da União e o Ministério da Justiça, está desenvolvendo uma ferramenta de buscas na internet que vai varrer sites do poder público para encontrar, de maneira simples e direta, leis, normas, decretos, projetos de leis e jurisprudências.

O serviço, que se chamará LexML e será de livre acesso, permitirá localizar os textos por meio de seu número, pelo nome, pela data ou até pelo apelido. Assim, uma busca por “11.340”, “Lei de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher”, “7 de agosto de 2006” e “Lei Maria da Penha” apontaria, nos resultados, para a lei que torna mais rigorosa a punição contra agressão às mulheres.

A expectativa é que a primeira versão do "Google das leis" esteja disponível em novembro, no endereço eletrônico www.lexml.gov.br (ele já existe, mas atualmente traz informações sobre o projeto). O objetivo é que já nessa versão seja possível buscar mais de 1 milhão de registros — todas as leis, projetos de leis e jurisprudências federais dos últimos 20 anos, desde a homologação da Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988. Numa etapa posterior, as legislações estaduais e municipais também deverão ser incluídas.

"Imagine que um cidadão quer informações sobre a lei seca. Hoje, basicamente, ele vai ao Google e faz a pesquisa e lá obtém 100 mil registros, embora só exista uma lei. A proposta do LexML é que ele encontre uma página que vai gerar links para páginas do Diário Oficial, do Senado, da Câmara e do Ministério da Justiça, onde a lei estiver disponível", afirma o analista de informática legislativa do Senado Federal João Lima, que lidera a execução do LexML. "O cidadão vai encontrar informações categorizadas da lei, no original, com as transformações por que ela passou ao longo do tempo, até a versão atualizada."

A intenção da equipe responsável pelo serviço é que, a partir do primeiro semestre de 2009, a base de dados do LexML contenha legislações, jurisprudências e proposições legislativas anteriores a 1988, ou seja, que facilite a busca de mais de 10 milhões de registros. Também devem ser incluídas leis dos maiores municípios do país e dos Estados. Para que isso ocorra, as cidades têm de usar um software desenvolvido pelo INTERLEGIS (Comunidade Virtual do Poder Legislativo) com apoio do PNUD: o módulo Provedor de Dados do LexML. "A partir do próximo ano, vamos ter 100% das leis federais e algumas estaduais e municipais — para aqueles que usam o SAPL [Sistema de Apoio ao Processo Legislativo] a integração será bastante tranqüila", diz Lima. No site do LexML vai haver um formulário de adesão para órgãos da administração pública direta e indireta, que poderão enviar perfis e baixar o módulo Provedor de Dados do LexML.

A consulta no sistema é simples. A página inicial é limpa e dá bastante destaque ao logotipo do serviço e ao campo para busca (foto acima). Quando o usuário aciona a consulta, aparece uma segunda tela, com os resultados relacionados às palavras ou aos números que ele digitou (como data, tipo de documento e abrangência — federal, estadual ou municipal). Ao clicar no link que está procurando, o internauta é levado a uma nova página, em que poderá encontrar o registro com a data de publicação, versão original, publicada no Diário Oficial da União. Há ainda links para a lei em outras esferas do governo federal, a lei em outras línguas, se houver, retificações e a versão atualizada da lei, levando em consideração todas as alterações pelas quais ela passou ao longo dos anos (veja a imagem abaixo).



"Decreto, lei, medida provisória, jurisprudência... O que o usuário quiser ele vai encontrar em um único ponto de acesso, a partir dessa página de resultado, que vai trazer os links possíveis", afirma Lima. "Hoje, no Brasil, não existe nenhum site que faça esse serviço. E é realmente algo bem simples. O esforço, comparado com o benefício, é muito pequeno."

O grupo de técnicos envolvidos no projeto chama-se Comunidade TI Controle. A idéia surgiu em 2000, mas só começou a ser tocada a partir deste ano. Como não tem um orçamento exclusivo, o serviço terá uma rede de computadores que vai crescendo conforme a necessidade de ampliação do banco de dados. O site não é vinculado diretamente a nenhum órgão.

Além de apoiar a execução do sistema SAPL, o PNUD participa do LexML com contribuições técnicas para o trabalho. Ambos compõem o projeto Rede de Integração e Participação Legislativa.


Osmar Soares de Campos, da PrimaPagina
Boletim Diário PNUD Brasil, 06/10/08

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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Índice de Oportunidade Humana coloca Brasil em oitavo lugar na América Latina

Um novo indicador criado pelo Banco Mundial aponta que o Brasil está atrás de países como Argentina, Chile, Jamaica e México no que diz respeito à igualdade de oportunidades oferecidas às crianças. Ainda assim, está dois pontos acima da média latino-americana.

O Índice de Oportunidade Humana (IOH), divulgado ontem (2) pela instituição, mede as oportunidades necessárias para assegurar o acesso universal de crianças e jovens a serviços básicos essenciais para uma vida produtiva. O índice vai de 0 a 100 e aumenta à medida que há mais oportunidades. Outro fator levado em consideração é se essas chances são distribuídas de forma eqüitativa. A insituição defende que esse nivelamento de chances para as crianças é a chave do desenvolvimento na região. A nota do Brasil é 72 e a da América Latina, 70. O país com melhor resultado é o Chile, com IOH de 91. Na outra ponta, a Nicarágua ficou com 46.

Em função das desigualdades entre a população dos países latino-americanos, a região foi escolhida pelo Banco Mundial para aplicação do IOH pela primeira vez. Foram avaliados 19 países. O índice é calculado com base na distribuição das oportunidades educacionais e habitacionais oferecidas nos países. Os cinco indicadores considerados foram acesso à saneamento, água potável, eletricidade, freqüência escolar na faixa etária de 10 a 14 anos e conclusão da 6ª série do ensino fundamental na idade correta.

Segundo o banco, “entre 25% e 50% da desigualdade permanente de renda observada entre os adultos da América Latina e do Caribe deve-se a circunstâncias que essas pessoas enfrentaram ainda na infância e sobre as quais não tinham controle nem responsabilidade”.

Entre os 19 países da América Latina e Caribe, Argentina, Chile, Costa Rica, Uruguai e Venezuela foram considerados os mais próximos da universalidade nos serviços básicos. Já Guatemala, Honduras e Nicarágua são os mais distantes da meta.

O estudo analisa ainda de que forma fatores como cor de pele, local de nascimento e condições de renda da família influem no acesso aos serviços básicos em cada país. De acordo com o relatório, o nível educacional da mãe e a renda salarial do pai estão entre os fatores de maior peso para explicar desigualdades na distribuição de oportunidades entre as crianças da região.

Os pesquisadores analisam ainda os avanços dos países na última década, considerando indicadores sociais de 1995 a 2005. Nesse recorte, o Brasil aparece como destaque, já que o índice subiu de 59 para 72 no período, com uma taxa de crescimento anual de 1,3%.

Ranking IOH América Latina e Caribe: http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/10/02/materia.2008-10-02.9609431861/view

Oportunidades educacionais são menores no Brasil, diz Banco Mundial
No Brasil, as oportunidades em educação oferecidas às crianças são menores do que nos outros países da América Latina e Caribe, com exceção de Nicarágua, El Salvador e Honduras.

A educação é uma das variáveis utilizada para calcular as oportunidades necessárias para assegurar o acesso universal de crianças e jovens a serviços básicos essenciais para uma vida produtiva. A instituição considera esse acesso como fator determinante para a ocorrência de desigualdades sociais e econômicas em uma população.

O IOH brasileiro na área educacional é de 67 pontos, nove abaixo da média (76 pontos) dos 19 países que participaram do estudo. O Chile é o país com melhor desempenho na área educacional, com 90 pontos. As crianças da Nicarágua são as com menos chances de acesso a uma boa educação, com um IOH de 59 pontos.

O índice da educação é calculado com base na freqüência escolar dos alunos de 10 a 14 anos e no número de crianças que conclui a 6ª série do ensino fundamental na idade indicada para o período. O relatório aponta que o Brasil, ao lado do Chile e da República Dominicana, é o país mais próximo da universalização de oportunidades para a freqüência escolar, com 96%.

Por outro lado, o IOH para crianças que concluem a 6ª série na idade certa é de 37%, o terceiro pior entre os países. O índice vai de 0 (privação total) a 100 (universalização de oportunidades). Apesar do baixo desempenho, o relatório do Banco Mundial aponta o Brasil como um país que registrou significativas melhorias na área.

“Na verdade, quando os países latino-americanos são ranqueados pelas melhorias nas oportunidades educacionais, o Brasil é o melhor ou o segundo melhor na região”, diz o estudo.

Segundo o relatório, o avanço é resultado de políticas públicas criadas para esse objetivo. O aumento do financiamento para a educação com a criação do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) é citado como um pilar da política educacional. O relatório aponta ainda o Bolsa Família como “vital para acelerar o progresso educacional do país”.


Amanda Cieglinski, da Agência Brasil
Envolverde, 03/10/08
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Prêmio IPS/ FIDA de Jornalismo

O Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e a agência internacional de notícias IPS - Inter Press Service convocam para o prêmio jornalístico “Desenvolvimento econômico, luta contra a pobreza e a exclusão social nas comunidades rurais pobres e indígenas da América Latina e Caribe”.

O concurso premiará os dois melhores trabalhos - relatórios, reportagens, crônicas, entrevistas ou notícias de qualquer gênero -, publicados entre 1º de janeiro e 30 de setembro de 2008, em meios de comunicação impressos de circulação periódica, de cidades médias e pequenas vinculadas a regiões rurais da América Latina e do Caribe, ou publicações impressas e sites de organizações da sociedade civil, comunitárias ou indígenas.

Os trabalhos apresentados deverão estar centrados na vida, nos problemas e nos projetos dos integrantes das comunidades rurais pobres e dos povos indígenas da América Latina e do Caribe, no desenvolvimento econômico, na luta contra a pobreza e a exclusão social, nos direitos humanos e na diversidade cultural.

Os prêmios são de US$ 1.500 para o primeiro colocado e de US$ 1.000 para o segundo

O júri será composto por Antonella Cordone, Coordenadora de Questões Indígenas e Tribais do Fondo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Ernesto Lamas Coordenador Regional da AMARC para América Latina e Joaquín Costanzo, Diretor Regional da IPS América Latina.


O regulamento do prêmio pode ser visto em http://www.ipsnoticias.net/_focus/voces_tierra/concurso_por.asp

Não serão aceitas inscrições que chegarem após o dia 15 de outubro de 2008

Para qualquer pergunta, escreva para concurso@ipslatam.net

A proposta de comunicação levada adiante pela IPS e apoiada pelo FIDA pode ser encontrada aqui: Vozes da terra. Povos indígenas e pobreza rural (http://www.ipsnoticias.net/_focus/voces_tierra/index.asp)


Envolverde, 03/10/08
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Condicionar repasse de renda vale a pena

Exigir que as famílias pobres cumpram alguns requisitos para receberem dinheiro do governo é uma medida que pode trazer grandes benefícios, embora aumente o custo dos programas de transferência de renda. Um estudo publicado pelo Centro Internacional de Pobreza, uma instituição de pesquisa do PNUD em parceria com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), analisou o caso do México e concluiu que o número de crianças matriculadas na escola aumenta quando o repasse de benefícios é condicionado à freqüência escolar.

Os programas que impõem requisitos para que as famílias recebam recursos têm se tornado muito comum nos países em desenvolvimento. O Bolsa Família, por exemplo, é uma iniciativa desse tipo. Para obterem o dinheiro, os chefes de domicílio precisam comprovar que as crianças em idade de estudar (6 a 17 anos) estão freqüentando a escola. Se houver gestante, ela precisa fazer exames pré-natais. Se houver crianças menores de 7 anos, elas precisam estar com o calendário de vacinação em dia.

No México, o Progresa, analisado pelo estudo, funciona de maneira semelhante. No entanto, algumas famílias receberam o benefício, mas não os formulários para preencherem os dados sobre freqüência escolar — na prática, portanto, não lhes foi imposto requisito algum. Os pesquisadores Alan Brauw e John Hoddinott, do Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar, compararam os dados dessas famílias com os das outras, que foram monitoradas.

Em artigo intitulado As condicionalidades são necessárias em um programa de transferência condicionada? e publicado pelo Centro Internacional de Pobreza, eles relatam que, em média, a freqüência escolar das crianças dos domicílios que não receberam os formulários de monitoramento é 7,2 pontos percentuais menor. A diferença é maior nas séries escolares mais avançadas, mas inexistente na educação primária.

"Nossos resultados mostram que os benefícios das condicionalidades podem ser grandes, mas que, calibrando o desenho dos programas de transferência de renda de acordo com a heterogeneidade de seu impacto, podem torná-las ainda mais eficientes", afirma o texto.

A adoção de condicionalidades, porém, não é algo unânime entre os estudiosos. No artigo, os pesquisadores sintetizam algumas das ressalvas. Alguns especialistas destacam que os requisitos aumentam o custo do programa e, se esse custo adicional for elevado, as exigências podem ser um problema. As condicionalidades também “podem dar espaço para corrupção, uma vez que os indivíduos responsáveis pela certificação de seu cumprimento podem cobrar das famílias para que digam que elas estão seguindo as condicionalidades”, afirmam os autores. Além disso, as vantagens do programa podem diminuir se as exigências não coincidirem com práticas valorizadas pelos beneficiários.

Outra ressalva às condicionalidades é que alguns domicílios podem ter mais dificuldades para cumpri-las — e, se esses domicílios são justamente os mais pobres, o programa pode falhar em atender quem mais precisa de renda.


Redação do Pnud
Envolverde, 03/10/08
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Ícones nascidos na web

Campeãs de popularidade, personalidades fictícias da internet ganham espaço em campanhas de marcas e produtos

A história da propaganda brasileira está repleta de ícones nascidos dos comerciais de TV. Agora, um novo capítulo se consolida. A publicidade vem se apropriando das celebridades surgidas da internet em campanhas de marcas e produtos. São pessoas como a nutricionista atrapalhada Ruth Lemos (que repetia o final das palavras em uma entrevista feita para um telejornal e que foi parar no YouTube, gerando a pérola "sanduíche-íche-íche"), os bailarinos da Dança do Quadrado (popularizada pelo refrão-chiclete "Cada um no seu quadrado") e a veterana atriz Maria Alice Vergueiro, do curta Tapa na Pantera, outro vídeo campeão de views no YouTube. Além disso, as agências começam a criar personagens em ações online com cara de sucesso instantâneo da internet.

O sucesso do desabafo intitulado Rubinho (referindo-se ao piloto da F1) no YouTube rendeu sucesso instantâneo a um grupo de amigos de São Paulo. O protagonista do vídeo foi contratado pela Y&R para campanha de uma marca na agência. "Os ícones da internet são mais espontâneos", afirma o vice-presidente de estratégia digital da Y&R, Fernando Taralli. O filme alcançou 1,5 milhão de page views e chegou a incomodar Barrichello, que pediu para tirarem o vídeo do ar. Ele foi retirado, mas voltou a ser postado. "Não dá para controlar a veiculação na internet", emenda Taralli.

Seguidores
Na história, o protagonista do vídeo fica descontrolado emocionalmente ao criticar o piloto em uma sátira baseada no inconformismo sobre seu desempenho nas corridas. "Esses vídeos que pretendem ser amadores fazem sucesso. A vantagem é que os ícones da internet têm seus seguidores e fãs", explica o executivo da Y&R. Desse modo, ele destaca a diferença entre os populares personagens da web e as celebridades da TV, caso dos participantes do Big Brother, que conseguem a atenção dos telespectadores e consumidores por conta da superexposição na mídia.

Um personagem que vem ganhando destaque é a suposta chocólatra Cláudia Cristina. Ela nasceu por conta de um blog, o Sai pra lá, criado pela Ogilvy para promover a marca Bis. Cláudia Cristina bola maneiras de esconder o chocolate para não ter de dividi-lo com ninguém. Entre as invenções da personagem, estão a saia-porta e a bolsa em formato de bueiro. Quando alguém pede um Bis, as roupas-ferramentas entram em ação.

Na ação promocional para a TV, no programa Pânico, os telespectadores são convidados a criar vídeos com dicas de esconderijos para o chocolate Bis. Os vídeos são enviados diretamente para o blog da personagem, e os melhores são exibidos no programa. O vencedor do concurso garante um ano de Bis grátis. "Vamos utilizar esse tipo de conteúdo sempre que houver identificação com a marca. Quem disser que existe uma fórmula, está errado. Não basta replicar essas ações. O mais importante é achar a linguagem adequada para o internauta", afirma o diretor geral da Ogilvy & Mather, Fernando Musa. A agência também está criando ação de conteúdo na internet para o Magazine Luiza.

Outro personagem fictício que desperta atenção é o repórter investigativo Alexandre Monteiro. No blog publicitário Meu Carro se Matou - Reze para o seu Carro não Virar Pauta, Alexandre Monteiro tenta encontrar pistas sobre a depressão de carros. "Carro deprimido se mata bebendo gasolina envenenada", afirma o jornalista. Alexandre Monteiro era um mistério, até que na semana passada veio a resposta sobre sua identidade. Trata-se de uma ação criada pela Salem para o Renault Sandero Stepway, veículo alinhado com o conceito de modernidade, diferenciação e interatividade na campanha "Um novo movimento urbano".

Em um dos vídeos do blog Meu Carro se Matou, um automóvel se joga do alto de um prédio de dez andares, outro entra na linha do trem para ser atropelado, e um terceiro invade um posto lacrado para se envenenar com gasolina adulterada.

A Salem criou ainda um segundo blog, o Cansei da Cidade, onde pessoas reclamam de problemas comuns aos moradores dos grandes centros. A solução para esses dilemas está no hot site do Sandero Stepway, com animação do carro em 3D. O blog traz lugares interessantes e divertidos de cidades brasileiras. "O Sandero Stepway é um modelo para público de espírito jovem, independente. A internet é um canal de informação fortemente presente no dia-a-dia desse público, um meio de comunicação que não pode ser ignorado ou temido", afirma a gerente de marketing da Renault do Brasil, Vanessa Castanho.

Para o sócio da colmeia, André Passamani, todo projeto de internet tem a missão de ser viral, ter efeito pólvora, para que consumidores enviem o conteúdo para amigos e colegas.

Transitoriedade
O sucesso instantâneo na internet não implica, contudo, credibilidade, segundo o blogueiro e analista de tendências da Fischer América, Carlos Merigo. "Muitas dessas celebridades conseguiram seus 15 minutos de fama, mas não têm credibilidade em mídias sociais. Tem credibilidade quem cria conteúdo de humor e entretenimento".

"O Diário de um Emo já teve seus 15 minutos de fama. Mas o sucesso desapareceu", afirma Merigo. O reconhecimento instantâneo - espontâneo ou planejado - tem alguns exemplos até na música brasileira. A cantora adolescente Mallu Magalhães, de apenas 16 anos, confirmada para a edição 2008 do festival Planeta Terra, lançou músicas no MySpace e conquistou a atenção de patrocinadores. As canções da intérprete teen estão no site patrocinado Hot Pocket Sadia.

No Brasil, a produtora Ioiô Filmes tenta repetir no celular o sucesso do curta Tapa na Pantera, um recorde de 5 milhões de acessos no YouTube. Desde a semana passada, o conteúdo está disponível em WAP para clientes das operadoras Amazonia Celular, Brasil Telecom, Claro, CTBC, Oi, Vivo, TIM, Sercontel e Nextel, na categoria de vídeos de humor.

E por falar em Maria Alice Vergueiro, ela também está na campanha de lançamento da operadora de telefonia celular Aeiou. A BigMan criou um comercial com fenômenos da web. Ela reuniu a estrela do Tapa na Pantera, a nutricionista do "sanduíche-íche-íche", a cantora do hit do YouTube Vai Tomar no Cu e os tais bailarinos da Dança do Quadrado.


Sandra Silva
Meio & Mensagem Online, 01/10/08

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Pela reformulação das leis dos direitos autorais

Professor Lawrence Lessig, eleito uma das 50 pessoas mais visionárias do mundo pela Scientific American, defende adaptação ao novo modelo criativo imposto pelas novas tecnologias

Na abertura do Digital Age, evento promovido pelo Now! Digital Business e que acontece até esta quinta-feira, 2, em São Paulo, o professor Lawrence Lessig inicou os trabalhos com uma palestra focada no tão discutido impasse com relação aos direitos autorais numa era modificou a cultura de todo o mundo.

Batizada "A cultura remix", a apresentação de Lessig - que também é um dos fundadores do Center for Internet and Society - defendeu, sobretudo, a necessidade de reformulação em toda a legislação que envolve os copyrights no intuito de fazer com que os modelos de negócios se adaptem às mudanças bastante significativas provocadas pela web. "Vivemos um tempo em que a criatividade de qualquer pessoa por se propagar pela rede e cada vez mais os conteúdos tidos como amadores se aproximam daquilo que conhecemos por profissional. Para isso, muitas vezes, os usuários de internet fazem uso de matéria-prima protegida pela chamada propriedade intelectual. É hora de distinguir por lei, por exemplo, o que amador e o que é profissional sem criminalizar a liberdade de comunicação", disse Lessig.

O professor destacou ainda a importância dessas mudanças para impedir a propagação da idéia de que a geração - hoje formada pelos mais jovens que utilizam as novas tecnologias de forma natural -- é formada por "criminosos" que desrespeitam os direitos autorais diante da simples transformação na maneira de se comunicarem. "Eu tenho dois filhos e acho um absurdo pensar neles ou em outros jovens como criminosos. Qualquer um que olhe para essa geração na internet sabe que não há meios de impedir a criatividade. Então porquê não adaptar os modelos de negócios", comentou.

Lessig finalizou sua apresentação defendendo, portanto, um meio termo elaborando leis que garantam os direitos de diferentes pessoas sejam elas da indústria ou criadores amadores da nova ordem digital. Como exemplo, ele citou o modelo Creative Commons para distribuir e valorizar qualquer trabalho criativo.

A hora do Marketing de liderança
Também durante o primeiro dia de evento, Seth Godin, o mais influente blogueiro sobre marketing e mídia segundo a AdAge, afirmou que anunciantes de todo o mundo precisam tomar muito cuidado com o que fazem na internet, uma vez que qualquer erro pode deixar marcas profundas. Segundo Godin, que é autor de uma série de livros consagrados, é preciso em primeiro lugar que as empresas abandonem o modelo de publicidade vigente pelo qual conteúdos medianos são vendidos para pessoas medianas a fim de conquistar uma maior escala de consumidores. "Está na hora de todos pensarem formas de elaborar produtos e comunicação que façam com que as pessoas sintam vontade de comentar e passar para frente", disse.

Com catorze tendências em mãos, Godin apresentou algumas dicas de como se dar bem na nova era da comunicação. Entre elas, destacou o diálogo direto com o consumidor para a construção de um relacionamento; contar histórias que agradem os consumidores, já que cada vez mais as pessoas compram histórias e não recursos; e promover a ligação entre as pessoas/consumidores.

"Com o avanço da internet, os usuários estão cada vez mais distantes da televisão e focados em distribuir suas vidas em tribos, comunidades. Para dar certo neste momento, as empresas precisam pensar na frente e encontrar tribos que precisem de um líder, de alguém para seguir", concluiu.


Mariana Ditolvo
Meio & Mensagem Online, 01/10/08

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BID busca projetos inovadores que promovam acesso a serviços financeiros para pessoas de baixa renda da América Latina e Caribe

Programa estimulará implantação de sistemas de banco em aparelhos celulares para população sem acesso a serviços bancários

O Banco Interamericano de Desenvolvimento está aceitando propostas para desenvolver e implantar sistemas de banco móvel voltados às populações sem acesso a serviços bancários em toda a América Latina e Caribe. Atualmente, apenas 35% dos adultos latino-americanos possuem contas em banco.

O BID apoiará os projetos através do M-Banking for the Unbanked (Banco Móvel para Desbancarizados), um programa do banco realizado em parceria com a Associação GSM, uma organização que concentra operadores de telefonia de tecnologia GSM. O BID apoiará o projeto por meio do Fundo Coreano de Parcerias para o Conhecimento em Tecnologia e Inovação com recursos que somam US$500 mil.

Equipes qualificadas de operadores de telefonia móvel e bancos parceiros receberão apoio financeiro e técnico para o desenvolvimento e implantação de soluções de banco móvel em versões de teste ou iniciativa-piloto, para verificar sua viabilidade operacional e financeira ou de apoiar uma aplicação em grande escala.

Por meio dessa iniciativa, o BID pode vir a financiar, por exemplo, projetos de bancos móveis que permitam a clientes acessar suas contas bancárias e realizar transações sem a necessidade de ir a uma agência. O banco pode também financiar projetos que desenvolvam soluções para serviços específicos tais como transferências de valores em nível local e internacional.

A experiência mundial demonstrou que o uso de telefonia móvel é um meio eficaz e eficiente de oferecer serviços financeiros às pessoas sem acesso bancário e, ao mesmo tempo, lucrativo tanto para as operadoras de redes móveis como para as instituições financeiras. O acesso a esses serviços ainda é muito limitado na América Latina e no Caribe.

O programa financiará até 50% dos custos dos projetos selecionados. O montante máximo a ser concedido a um programa será de US$ 150 mil. A expectativa é de que pelo menos cinco projetos sejam selecionados para receber esse apoio.

As operadoras de redes móveis e os bancos parceiros interessados em participar do programa devem enviar uma proposta de projeto, seguindo o modelo e instruções disponíveis no formulário de inscrição.

As propostas serão avaliadas e selecionadas pelo BID com base em critérios transparentes e objetivos indicados no formulário.

Podem se inscrever empresas e instituições de países membros do BID na América Latina e Caribe.

BID
O Banco Interamericano de Desenvolvimento, a maior e mais antiga instituição multilateral de desenvolvimento regional, foi criado em 1959 para ajudar a acelerar o desenvolvimento econômico e social da América Latina e do Caribe. O BID tem 47 países membros, que incluem 26 países latino-americanos e caribenhos, os Estados Unidos, o Canadá e 19 países de fora da região. O Grupo do Banco Interamericano de Desenvolvimento aprovou novas operações em um total de mais de US$ 9,6 bilhões em 2007, confirmando seu papel como a principal fonte de financiamento multilateral para a região.

GSMA
A GSM Association (GSMA) é uma associação mundial que representa mais de 750 operadoras de telefonia móvel GSM em 218 países e territórios do mundo. Os membros da Associação representam mais de 3 bilhões de conexões GSM e 3GSM – mais de 86% das conexões de telefonia móvel do mundo. Além disso, mais de 200 fabricantes e fornecedores apóiam as iniciativas da Associação. A GSMA tem extensa experiência e prática na implantação de soluções de bancos móveis voltadas para os pobres e os desprovidos de acesso bancário.

Link
Formulário de Inscrição
M-Banking: A Transformational Technology to Reach the Unbanked
Video
A Bank in My Cell Phone?

Mais Informações
Franklin Nieder
Especialista Sênior em Finanças
frankn@iadb.org
(202) 623-3446

Rafael Anta
Especialista Sênior em Ciência e Tecnologia
rafaela@iadb.org
(202) 623-3056


BID, 22/09/008

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Seminário online debaterá e-commerce e as redes sociais em outubro

Evento gratuito, que acontece em 7 de outubro, discutirá os principais caminhos para se chegar ao consumidor através das redes sociais.

No dia 7 de outubro, a Ikeda promove o webseminário gratuito “E-commerce e as redes sociais”. O objetivo do evento é auxiliar lojistas virtuais a conhecerem o perfil do atual consumidor brasileiro, considerado mais atento a novas mídias e canais de relacionamento.

O evento será realizado, das 15h às 16h, em tempo real por audioconferência pela web e discutirá os principais caminhos para se chegar ao consumidor através das redes sociais e como, através dessas redes, o consumidor pode levar uma empresa à falência ou ao sucesso completo.

Os interessados podem se inscrever pelo site do evento.


IDG Now!, 03/10/08

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domingo, 5 de outubro de 2008

Inscrições para o Prêmio Klauss Vianna

Os prêmios têm valor de R$ 20 mil a R$ 80 mil e serão distribuídos entre selecionados em duas categorias

Estão abertas até o dia 30 de outubro as inscrições para o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2008. A premiação viabilizará 69 projetos voltados para o desenvolvimento de atividades artísticas na área de dança.

Os prêmios têm valor de R$ 20 mil a R$ 80 mil e serão distribuídos entre selecionados em duas categorias: montagem de espetáculos e manutenção de programas de grupos ou companhias de dança. Desde a primeira edição, em 2006, o Prêmio de Dança Klauss Vianna já beneficiou 199 companhias ou grupos de dança brasileiros. Edital e ficha de inscrição podem ser encontrados no site www.funarte.gov.br.


Marcelo Lucena
Ministério da Cultura, 01/10/08

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Cessão de terra será mais difícil a quilombola

Nova norma exige laudo de antropólogos sem vínculo com interessados, além de consulta a órgãos ambientais, indígenas e, se for o caso, militares

Diante da onda de pedidos polêmicos de reconhecimento de áreas quilombolas, o governo aumentou a rigidez do processo de regularização das terras remanescentes de comunidades negras tradicionais. O texto da nova instrução normativa, já aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, torna mais difícil a abertura do processo, com a exigência de um laudo de antropólogos sem vínculos com os interessados, além de consultas a órgãos ambientais, indígenas e, se for o caso, até militares.

Pelas novas regras, não basta um grupo se identificar como descendente de antigos ocupantes das terras para iniciar o processo. Disposto a evitar conflito com o movimento negro, o governo diz que o mecanismo da “autodeclaração” permanece na etapa inicial. Na prática, porém, o processo só começa com um certificado emitido pela Fundação Cultural Palmares, preparado por antropólogos.

Depois, diversos órgãos públicos deverão ser consultados, como o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Setores militares poderão apresentar parecer, se a área reivindicada for considerada de interesse de alguma das três Forças.

Conflito
O despacho de Lula com o texto da Instrução Normativa 21, que detalha o Decreto 4.887/03, sobre critérios de regularização de áreas quilombolas, deveria ter sido publicado ontem no Diário Oficial da União. O governo tinha até preparado uma entrevista coletiva. Um inesperado ataque do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) anteontem adiou o anúncio.

O despacho presidencial deve ser publicado hoje, segundo informou o Incra.

Acusado por Minc de montar assentamentos que devastam a floresta amazônica, o Incra também perderá força na demarcação de áreas quilombolas. Além de ser alvo dos ruralistas, o Incra enfrenta críticas dentro do próprio governo por disputar áreas com a Funai e o Ibama.

Setores do movimento negro que participaram da fase de consultas reclamaram que o processo ficou mais lento e burocrático, o que atenderia a interesses do agronegócio.

Nas conversas mantidas com o presidente Lula e ministros do governo, o advogado-geral da União (AGU), José Antonio Dias Toffoli, argumentou que a nova norma torna mais objetivo o pedido de demarcação e acaba com confusão nas etapas finais do processo.


Marcelo Lucena
Ministério da Cultura, 01/10/08

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Cultura Ponto-a-Ponto

A Secretaria de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura (SPPC/MinC) publicou no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 29 de setembro, o Edital Bolsas de Intercâmbio Cultura Ponto-a-Ponto, para a seleção de 100 projetos dos Pontos de Cultura conveniados com o Programa Cultura Viva, do MinC.

O Edital é destinado a projetos apresentados conjuntamente por dois Pontos de Cultura e visa o compartilhamento de experiências de ação social, o fortalecimento da Rede de Pontos de Cultura e a sistematização das experiências para um banco de dados.

As inscrições estão abertas até dia 12 de novembro e podem ser feitas mediante o envio da proposta do projeto de intercâmbio para a Comissão de Avaliação das Bolsas de Intercâmbio Cultura Ponto-a-Ponto, no seguinte endereço: Setor Comercial Sul, Quadra 4, Bloco A, 2º Andar, Edifício Vera Cruz, CEP 70304-913, Brasília, DF.

As propostas devem conter o requerimento de inscrição preenchido e assinado pelos representantes legais de ambos os Pontos de Cultura (Anexo I do Edital); o formulário de inscrição preenchido (Anexo II do Edital); carta de apresentação dos Pontos de Cultura (Anexo III do Edital); e o plano de trabalho dos bolsistas (Anexo IV do Edital).

O produto final do intercâmbio é o relato escrito e/ou audiovisual, feito pelos bolsistas, sobre as atividades culturais estudadas. O projeto conta com recursos da ordem de R$ 500 mil, do Fundo Nacional da Cultura (FNC), destinados aos programas de capacitação da SPPC/MinC. O valor da bolsa individual será R$ 1.250,00.

O prazo do intercâmbio será de no mínimo cinco dias e cada Ponto de Cultura terá direito a enviar dois bolsistas. Os proponentes devem inscrever uma experiência de ação cultural realizada em sua comunidade de atuação e indicar os candidatos às bolsas e mais dois para o banco de reserva. Será vedada a participação dos bolsistas em mais de um projeto de intercâmbio.

A Comissão de Avaliação que julgará o mérito dos projetos será presidida pelo secretário de Programas e Projetos Culturais, Célio Turino, e composta por quatro representantes da SPPC/MinC e mais quatro personalidades de notória experiência a serem convidadas.

Os critérios de seleção dos projetos levam em conta as propostas de ação social que promovam o fortalecimento da auto-estima da comunidade e amplie as relações comunitárias, o perfil dos bolsistas e o plano de trabalho apresentado, bem como a experiência de ação cultural das entidades junto à comunidade.

O resultado da seleção será publicado no Diário Oficial da União e passará a fazer parte do cadastro do Ministério da Cultura para a concessão de bolsas de intercâmbio cultural no ano de 2008. Os proponentes selecionados - que serão chamados pela SPPC/MinC de acordo com a disponibilidade orçamentária para os Pontos de Cultura - devem entrar em contato com a Secretaria no prazo de dez dias do recebimento da notificação, para formalizar a concessão das bolsas.

Veja aqui o Edital.


Patrícia Saldanha
Ministério da Cultura, 01/10/08

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Programa Petrobras Ambiental recebe 892 inscrições de todo o país

A Petrobras contabilizou 892 inscrições de todo o país para a Seleção Pública de Projetos 2008 do Programa Petrobras Ambiental. O número de interessados superou o total da última seleção, realizada em 2006, quando 856 projetos foram inscritos. A expectativa da Companhia, agora, é quanto à consistência dos projetos apresentados, já que o edital tem novidades, entre as quais a ampliação do tema, com a incorporação de uma nova linha de atuação voltada para a mudança climática.

A Triagem Técnica dos projetos apresentados terá início na segunda-feira, dia 6 de outubro, com a participação de técnicos e especialistas da área ambiental e representantes do governo, do Terceiro Setor, de universidades, da imprensa e da força de trabalho do Sistema Petrobras. Essa fase vai durar 15 dias e, a seguir, os projetos passarão pela Comissão de Seleção, para depois serem finalmente aprovados pelo Conselho Deliberativo. As propostas selecionadas deverão ser executadas em tempo mínimo de 12 meses e máximo de 24 meses, podendo receber até R$ 3,6 milhões da Petrobras.

A nova temática do Programa Petrobras Ambiental – Água e clima: Contribuições para o desenvolvimento sustentável – tem três linhas de atuação:

1. Gestão de corpos hídricos superficiais e subterrâneos:
* Reversão de processos de degradação dos recursos hídricos;
* Promoção e práticas de uso racional de recursos hídricos.

2. Recuperação ou conservação de espécies e ambientes costeiros, marinhos e de água doce.

3. Fixação de carbono e emissões evitadas com base na:
* Reconversão produtiva de áreas;
* Recuperação de áreas degradadas;
* Conservação de florestas e áreas naturais.

Todas as linhas de atuação devem contemplar como tema transversal a educação ambiental, com foco em eficiência energética, conservação dos recursos naturais e consumo consciente. Os projetos deverão apresentar planejamento para alcançar sustentação econômica e organizacional e a sustentabilidade socioambiental, processo para registro das experiências e resultados, planejamento de comunicação, adoção de iniciativas ecoeficientes em suas práticas de gestão e de instrumentos de acompanhamento e avaliação das ações.


Agência Petrobrás, 03/10/08

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Google pede plano de US$ 4,4 tri para energia alternativa

Cansado de sua missão de 'organizar as informações do mundo', o Google se designou um novo objetivo: salvar o planeta.

O Google revelou na quarta-feira (01/10) um plano de governo com custos avaliados em 4,4 trilhões de dólares. A idéia é reduzir a dependência dos Estados Unidos de combustíveis fósseis e incentivar a adoção de energias alternativas. A proposta traria uma economia líquida de 1 trilhão de dólares até 2030 e reduziria a emissão de dióxido de carbono em 48%, de acordo com a empresa.

O plano envolve desestimular o uso de carvão para produzir eletricidade nos EUA e transformar o vento, o sol e o calor em energia. O plano cortaria o uso de petróleo em carros em 40% e usaria eletricidade para transporte pessoal. Segundo o gigante das buscas, o objetivo em anunciar o plano, chamado Clean Energy 2030, foi estimular um debate.

"Com uma nova administração e novo Congresso - e várias obrigações relacionadas a energia - esta é uma oportunidade, talvez sem precedentes, de passar para o plano da ação", declarou o Google.

Esta é a mais recente e talvez a mais ambiciosa tentativa do Google de mudar políticas públicas. A empresa já influenciou questões como trabalhadores imigrantes e leis de propriedade intelectual. Energia é a maior até então, e o Google contratou especialistas para ajudar na tarefa, incluindo o principal autor da proposta, Jeffery Greenblatt, um antigo cientista da Environmental Defense Fund.

O CEO Eric Schmidt apresentou a proposta na noite de quarta-feira em São Francisco. O Google também descreveu o plano em um blog e, de forma bem mais aprofundada, em seu site colaborativo Knol.

A proposta trata primeiramente de duas áreas: produção de eletricidade e veículos pessoais. Entre as noções básicas estão reduzir o uso de energia hoje, substituir o carvão e o petróleo por energias alternativas como solar, eólica e geotérmica, incentivar a adoção de carros elétricos ou híbridos, apresentar as vantagens econômicas trazidas pela energia limpa e gerar milhões de empregos na construção, operação e serviços da indústria de energias alternativas.

O Google não é o primeiro a elaborar um plano desse tipo. O ex-vice presidente norte-americano Al Gore já apresentou uma proposta ainda mais ambiciosa. Resta agora ver se os esforços do Google conseguirão fazer os EUA se mexerem.

Na semana passada, o Google anunciou um programa de incentivo a idéias que ajudem a "melhorar o mundo". As cinco proposta vencedoras dividirão o incentivo de 10 milhões de dólares.


IDG News Service, EUA
Computerworld, 02/10/08

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Teleton terá show no Auditório Ibirapuera

Iniciativa faz parte dos planos da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) de valorizar mais as atrações da maratona televisiva, que neste ano começará 7 de novembro

A 11ª edição do Teleton, maratona televisiva promovida pela Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) em parceria com o SBT, terá uma série de novidades em sua programação de mais de 24 horas. A primeira será na abertura, 7 de novembro, com a transmissão de um show ao vivo direto do Auditório Ibirapuera (as atrações ainda não foram divulgadas). A exibição será feita em parceria com a TV Cultura

O projeto também terá a estréia de dois programetes. Um deles, apresentado por celebridades, mostrará os bastidores do trabalho da AACD, enquanto o outro dará dicas de prevenção de acidentes - já que 70% das pessoas atendidas pela organização vão buscar tratamento em virtude das conseqüências de acidentes, principalmente de automóvel, motocicleta e bala perdida. Os demais pacientes nasceram com algum tipo de deficiência.

"A AACD já é reconhecida pelo trabalho de reabilitação que faz há 58 anos, e a atual diretoria (toda ela voluntária) está buscando aperfeiçoar a gestão e, dentro desta proposta, quer fazer o Teleton cada vez melhor. Estamos procurando valorizar mais as atrações", aponta o diretor de marketing Jayme de Paula Jr. Para isso, a associação contratou o diretor artístico Michael Ukstin (ex-TV Cultura e SBT) e a produtora executiva Isabela Clivati (ex-Bandeirantes).

Plano comercial e divulgação
Os patrocinadores já confirmados para esta edição são Grupo Votorantim, Bradesco, Itaú, Unibanco, Cartão Hipercard e Guaraná Antárctica. Cada cota tem valor unitário de R$ 1 milhão e prevê, dentre outras coisas, a veiculação de comerciais e de um filme institucional durante a entrega simbólica do cheque de doação na programação. Ainda existem cotas disponíveis. Já na lista de apoiadores estão Lact (Kraft Foods), Magazine Luiza, Cacau Show, Apsen Farmacêutica, Riachuelo, Mattel, Telefônica e Localweb, por exemplo.

A campanha de divulgação, que está sendo desenvolvida voluntariamente pela Fischer América, deverá entrar no ar em meados de outubro - dependendo dos espaços disponibilizados pelos veículos parceiros. A ação pretende contar com peças em portais, rádios, revistas, jornais, TVs abertas e fechadas, além de mídias alternativas. A expectativa dos organizadores é que o Teleton 2008 ultrapasse o montante arrecadado no ano anterior (R$ 17 milhões).


Fernando Murad
Meio & Mensagem Online, 30/09/08

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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Biblioteca Nacional adapta-se à era da web

Muniz Sodré, presidente da Fundação Biblioteca Nacional: integração digital com as maiores bibliotecas do mundo
Foto Silvia Costanti/Valor



O cofre da Biblioteca Nacional (BN) do Rio de Janeiro, lugar onde estão guardadas as principais raridades da memória nacional, já não tem mais espaço para um incômodo equipamento que, de uns tempo para cá, passou a entulhar a disputada sala de segurança. Nas prateleiras, estão empilhados mais de 200 discos rígidos (HDs), o componente de computador usado para armazenar os dados digitais.

O alojamento de luxo não foi uma exigência despropositada do pessoal de informática, explica Angela Monteiro Bettencourt, coordenadora de informação bibliográfica da BN. Naqueles discos, diz Angela, estão guardadas cópias de obras raras, como a "Coleção D. Thereza Christina Maria", o conjunto de 23 mil fotos que fazia parte da biblioteca particular do imperador D. Pedro II.

Iniciado em 2003, o projeto de digitalização de obras é uma das iniciativas mais ambiciosas da BN, hoje a sétima maior biblioteca do mundo. A evolução dessa empreitada, porém, passa agora por uma etapa de reorganização.

A biblioteca ainda não conta com um "data center", o centro de dados usado para armazenar, de forma segura, o conteúdo que seu laboratório digital tem gerado. Hoje, tudo é gravado em computadores comuns, que depois têm seus HDs retirados e guardados no cofre. O problema é que esse conteúdo não pára de crescer.

Atualmente, a Biblioteca Nacional Digital reúne 1 milhão de imagens digitalizadas, o que equivale a 5 terabytes de informação. "Um mapa digitalizado que colocamos no site tem apenas 70 kilobytes de tamanho, só que esse mesmo arquivo guardado em alta resolução tem cerca de 300 megabytes."

A montagem do centro de dados é o próximo passo da BN. A instituição já elaborou uma proposta e a entregou para o Fundo Nacional de Cultura (FNC), controlado pelo Ministério da Cultura. No ano passado, a verba da instituição foi de cerca de R$ 330 mil.

O plano da instituição é ter dois centros de dados, um deles para cópias de segurança. Cada estrutura foi avaliada em cerca de R$ 400 mil. "Com esse data center, teríamos capacidade suficiente para mais 5 anos de trabalho."

Por enquanto, a maior parte dos documentos digitalizados pela biblioteca é constituída de fotos e gravuras raras. De livros, apenas 250 obras passaram pelo processo porque a entidade não conta com um scanner profissional dedicado especificamente a essa tarefa. O equipamento, que custa cerca de US$ 120 mil, também está no pacote proposto.

O objetivo é criar o que Muniz Sodré, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, chama de "repositório da memória digital brasileira". Paralelamente, a BN também faz parte do programa da Unesco, que trabalha na criação de uma grande biblioteca mundial, disponível via internet. Por enquanto, diz Sodré, a iniciativa - lançada pela Biblioteca do Congresso dos EUA em 2005 - só está disponível para a Biblioteca de Alexandria, no Egito. "Daqui a seis meses, todo o conteúdo estará disponível internacionalmente."

Em 2006, a BN chegou a ser procurada pelo Google, que estava interessado em digitalizar seu acervo. A parceria, no entanto, não foi formalizada, e a instituição decidiu tocar seus projetos por conta própria. "Eles queriam que nós assumíssemos uma série de questões ligadas à propriedade intelectual; achei melhor descartar a proposta", afirma Sodré.

Segundo Rodrigo Velloso, diretor de desenvolvimento de negócios do Google, o que atrapalhou as negociações "foram questões políticas, e não de ordem legal".

O programa "Google Books Search" funciona como uma central de busca de livros digitais. Obras protegidas por direitos autorais são exibidos parcialmente, conforme acordo fechado com editoras e autores. Atualmente, o Google tem parceria com 29 bibliotecas de grande porte no mundo. Nenhuma delas está na América Latina. "Nosso critério de escolha é o tamanho do acervo. A Biblioteca Nacional seria a única da região que justificaria montar uma estrutura local de digitalização de conteúdo", diz Velloso.

Nas estantes da BN há mais de 9,5 milhões de itens, dos quais 1,7 milhão são livros e 200 mil obras de domínio público, cujos autores já faleceram há mais de 70 anos. Entre as raridades estão 19 edições do periódico "O Espelho", que trazem textos diversos de Machado de Assis, publicados em 1859. A partir da próxima semana, o material poderá ser lido pela internet, no site da BN. E o usuário poderá, inclusive, fazer buscas por palavras.


André Borges, de São Paulo
Valor Online, 03/10/08

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BNDES pode ter acesso a R$ 6 bi adicionais do FAT

Conselho deliberativo do fundo, no entanto, não quer que recursos financiem grandes empresas

Num momento em que o governo revira as gavetas à procura de dinheiro para manter abertas as linhas de crédito dos bancos oficiais, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) pode ser uma resposta. Existem R$ 6 bilhões em recursos que ainda não foram repassados.

O dinheiro está no chamado extramercado, ou seja, aplicado no Banco do Brasil, onde rende conforme a variação da taxa básica de juros, a Selic (atualmente em 13,75% ao ano).

O problema é que o Conselho Deliberativo do FAT (Codefat) não quer que os recursos sejam usados para financiar grandes empresas, segundo informou um de seus integrantes.

Foi por essa razão que o colegiado já rejeitou, no início do ano, proposta para ampliar os repasses ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Avalia-se que o banco "empresta a quem não precisa". Por exemplo: a Vale do Rio Doce tem uma linha de crédito aberta no banco e obtém recursos do BNDES sem sequer apresentar projetos, segundo o integrante do Codefat.

O BNDES é, porém, prioridade do governo na estratégia de preservar o ciclo de crescimento econômico e manter o nível de investimentos. Segundo o conselheiro do FAT, o BNDES poderá ter acesso a recursos adicionais se, por exemplo, expandir o programa Cartão BNDES, que tem limite de até R$ 300 mil e taxas de juros na casa de 1% ao mês, para micro, pequenas e médias empresas.

O Codefat também estaria disposto a ampliar o crédito à agricultura, outra área considerada crítica. Porém, seria para atender à agricultura familiar. O Conselho já negou pedidos da área econômica de fornecer recursos para financiar capital de giro do agronegócio. Empréstimos às micro e pequenas empresas do Programa de Geração de Emprego e Renda (Proger) também poderiam receber mais dinheiro do FAT.

Desde a piora da crise, porém, nenhum pedido de recursos adicionais chegou ao Conselho. O conselheiro acredita que as propostas deverão chegar após as eleições. O FAT repassa automaticamente ao BNDES 40% da arrecadação do PIS/Pasep. De janeiro a agosto, os repasses somaram R$ 84,8 bilhões, valor 10,5% superior ao repassado em igual período de 2007. Além disso, o banco recebeu mais R$ 24,8 bilhões em empréstimos da parcela administrada pelo Codefat.

Rombo
Embora as contas do FAT estejam no azul, devendo apresentar este ano superávit de R$ 2,7 bilhões, o crescimento das despesas com os principais programas, o abono salarial e o seguro-desemprego, deverá levar o fundo a apresentar déficit em 2010, segundo projeção do Codefat. Hoje, as contas do FAT só ficam superavitárias por causa dos juros recebidos pelos empréstimos.

A situação das contas do FAT chamou a atenção do TCU, que emitiu acórdão no mês passado exigindo providências. Circula na área econômica uma carta assinada pelo presidente do Codefat, Luiz Fernando Emediato, propondo medidas para combater o rombo.

Uma delas é liberar o PIS/Pasep da Desvinculação de Receitas da União (DRU). A DRU é um mecanismo pelo qual 20% das receitas arrecadadas para fins específicos - como é o caso do PIS/Pasep, destinado a programas de apoio ao trabalhador - são desvinculadas e entregues ao Tesouro Nacional para serem gastos como o Ministério da Fazenda julgar mais adequado. Só neste ano, R$ 6 bilhões de recursos que seriam do FAT foram para a DRU. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, levantou esse debate no início do ano, mas recebeu forte resistência do ministro da Fazenda, Guido Mantega.


Lu Aiko Otta
O Estado de São Paulo, 03/10/08

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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Latino é o que mais gosta de brinde

Comprar três produtos e receber um de graça; ganhar um terço, ou metade, a mais do conteúdo; e ser presenteado com um cupom que ofereça 30% de desconto são as opções de promoção preferidas dos consumidores em 15 mercados, segundo estudo da empresa de pesquisas Ipsos. Considerando apenas a América Latina, brindes são a terceira forma de promoção mais atraente (depois do "leve três, pague dois" e de um terço a mais do produto pelo mesmo preço).

"Aqui, o brinde pesa mais na decisão de compra do que em qualquer outra parte do mundo", diz a diretora do Ipsos, Sônia Bittar. Ao que tudo indica, o traço é cultural, considerando que a Espanha, antiga colonizadora da região, foi o único país fora da América Latina que mostrou igual simpatia aos "presentes" oferecidos pelas empresas. O levantamento ouviu nove mil consumidores. Além de latinos e espanhóis, foram entrevistados americanos, canadenses, suecos, belgas, alemães, franceses, italianos, holandeses, britânicos, noruegueses e japoneses.

Alexis Pagliarini, vice-presidente da Associação de Marketing Promocional (Ampro), que reúne as principais agências do setor no Brasil, afirma que os brasileiros não são tão racionais como os americanos ou japoneses, que privilegiam o desconto de 30% na hora da compra. "E isso acaba sendo uma vantagem para as empresas, uma vez que é muito mais barato sortear uma casa e um carro, por exemplo, do que diminuir o preço de um produto ou dar uma unidade de graça", afirma Pagliarini.

Uma segunda pesquisa feita pela Ipsos apenas no Brasil, com 400 consumidores, indica que o melhor brinde é aquele útil, de boa qualidade, pode ser escolhido e é entregue na hora da compra. Entre aqueles que adquiriram algum produto há menos de três meses com brinde, 66% acreditam que vale a pena pagar mais pela marca e 61% aumentaram as compras do respectivo item. Já entre aqueles que não compraram com brinde, 73% disseram preferir o desconto de preço, 66% informaram que não se importam com brindes se gostam da marca e 47% revelaram que não gostam de ter trabalho colecionando embalagens e cupons. Sônia, do Ipsos, alerta que não basta oferecer brinde para que a marca seja escolhida. "É preciso que ele faça sentido para o consumidor, caso contrário, ele vai ignorá-lo".

A Danone, fabricante do iogurte Activia, lançou em setembro a primeira promoção do produto com brinde. Até então, a ação de marketing da marca - carro-chefe da empresa, responsável por 35% das vendas - envolvia a devolução do dinheiro a quem adquirisse 15 unidades e não observasse melhora no trânsito intestinal, principal atributo do iogurte. Agora, o consumidor que juntar 30 tampinhas pode trocá-las por uma travessa de vidro da Marinex. "Das cinco peças oferecidas na pesquisa como opção de brinde, a travessa foi a mais votada", diz Marcelo Costa, gerente de trade marketing da Danone. Segundo ele, só no primeiro mês, foram trocados 15% dos 200 mil itens da promoção. No varejo, o valor da travessa gira em torno de R$ 20. "Mas conseguimos um preço muito especial com a Marinex", diz. A meta é aumentar as vendas de Activia em 25% este ano e fazer com que o consumidor adquira o hábito de consumir o iogurte diariamente.


Daniele Madureira, de São Paulo
Valor Online,02/10/08

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Tudo acontece na internet, até os bons momentos

Blackshaw: Autenticidade e transparência são valores que toda empresa deve ostentar nesta era digital
"Satisfied Customers Tell 3 Friends, Angry Customers Tell 3,000" - Pete Blackshaw. 208 págs. Bantam. US$ 21,95


O consumidor consciente de seus direitos, hoje habitante muito ativo de um mundo sempre mais digital, tem poderes de manifestação e ação que podem derrubar a reputação de uma empresa. Mas também há nesse universo um lado de interação afirmativa, de encontro das aspirações e exigências do consumidor e dos objetivos da empresa, convergência de que resultam diferentes graus de credibilidade. É esse o campo de observação do comandante dos serviços estratégicos da Nielsen Online, Pete Blackshaw, em seu best-seller "Satisfied Customers Tell 3 Friends, Angry Customers Tell 3.000". Ele conversou com o Valor sobre o que muda para empresas e clientes nos tempos do atendimento telefônico, do YouTube e dos sites dedicados ao compartilhamento de experiências entre consumidores.

Valor: Uma empresa pode aumentar sua credibilidade a partir do uso de blogs e websites?
Pete Blackshaw: Certamente. Essas ferramentas não são, é claro, a solução definitiva, mas podem ajudar a criar uma nova relação, mais aberta, entre vendedores e consumidores. A chamada "Web 2.0" oferece a consumidores e clientes novas maneiras de se conectarem e interagir com as mais diversas empresas. Ao mesmo tempo, as empresas não têm outra saída a não ser aumentar sua autenticidade e transparência no relacionamento com os consumidores. Autenticidade e transparência são os dois valores fundamentais para alcançar essa credibilidade de que tanto falo em meu livro.

Valor: Como sua vivência o levou a escrever o livro?
Blackshaw: Tivemos, eu e minha mulher, uma experiência terrível com uma companhia aérea, em 1998. Os funcionários eram despreparados, e nossas expectativas foram gerenciadas de uma maneira tenebrosa. Ali percebemos que os consumidores precisavam de um website que os colocaria em um outro patamar na relação com as empresas, funcionando como um espaço de negociação, mas também de reclamação, de queixas. Foi assim que nasceu o planetfeedback.com, idéia que inspirou o modelo de negócios no qual estou envolvido na Nielsen. Nos últimos dez anos, analisei milhares de cartas de consumidores e centenas de comentários feitos em blogs e websites. De certa forma, o livro nasceu naturalmente de todas essas experiências. Também percebi que me tornei um consumidor mais esperto e mais informado. Tenho um faro muito mais apurado para detectar as fraquezas e os pontos altos das empresas, especialmente quando se trata de serviços de auxílio ao consumidor.

Valor: O sr. passou por São Paulo recentemente [Blackshaw foi um dos palestrantes no Congresso Nacional de Relações Empresa-Cliente, realizado no princípio de setembro]. Acredita que seu livro se aplica também à realidade de um mercado como o brasileiro, menos centrado no mundo digital do que o americano?
Blackshaw: Percebi, durante aqueles dias, uma profunda semelhança entre as realidades dos dois países. Aliás, acho que no Brasil há uma impaciência ainda maior com o serviço prestado aos consumidores, evidenciado pelos esforços do Poder Legislativo em assegurar que consumidores não fiquem perdidos no limbo da espera eterna dos atendimentos telefônicos das empresas. Essa é uma enorme conquista para os consumidores. Também pude entrar em contato com casos específicos [de empresas que usam a internet para relacionamento com clientes]. De modo geral, o Brasil está atrasado em relação aos Estados Unidos no desenvolvimento da comunidade digital e no que batizei de CGM (ou Mídia Gerada por Consumidores, na sigla em inglês). Mas há muito mais ações no setor, que se transforma muito mais rapidamente do que eu esperava.

Valor: O consumidor digital é de fato mais rigoroso e cauteloso do que o cliente do mundo real?
Blackshaw: Estamos chegando a um ponto em que todo consumidor é "digital". Se você usa um celular, já se encaixa nesse rótulo. Em todos os lugares por onde andei, em São Paulo e no Rio, pude perceber que a indústria de celulares no Brasil vive um "boom", e que isso se deve, em parte, à possibilidade de conexão com a internet oferecida pelos novos aparelhos. Os consumidores digitais mais ativos prestam mais atenção e são mais propensos a criar conteúdo, positivo ou negativo, sobre produtos e empresas. Aqui nos Estados Unidos, por exemplo, as mães digitais estão se tornando uma força poderosíssima no universo do consumo. Elas lideram o movimento boca-a-boca que leva a decisões mais inteligentes. Estão fazendo um "broadcast" eletrônico de suas experiências, com grande sucesso. E isso, imagino, se reflete no comportamento das empresas. As empresas estão ficando mais engajadas. Blogs, wikis, RSS, "feedback loops", vídeos online dedicados aos consumidores se multiplicam de forma impressionante. Acabei de moderar uma mesa em Nova York sobre mídia social no mundo do empreendimento e fiquei pasmo com o progresso feito na área por marcas como Sony, Sun Microssystems e até a Procter & Gamble, onde criei, nos anos 1990, o primeiro grupo de marketing online da empresa. Essas empresas têm o mesmo padrão: seu sucesso se deu ao prestarem bastante atenção nas preferências do consumidor.

Valor: O sr. é um fã da série Mad Men, um dos grandes sucessos do ano na televisão americana, que retrata a vida dos gênios da propaganda nos anos 1960. O que o sr. acha que mudou, do ponto de vista do consumidor, em quase meio século no mundo do marketing de produtos?
Blackshaw: Os consumidores têm muito mais poder hoje do que nos anos 1960. Hoje, os consumidores são, de fato, os marqueteiros mais poderosos do mercado. A mídia que cresce mais rápido é justamente a dedicada à criação de informação pelos próprios consumidores, e a web é a grande propulsora desse movimento. Não estou sugerindo aqui que os consumidores da época retratada por Mad Men [referência à Madison Avenue, em Manhattan, onde se concentravam as principais agências de publicidade dos Estados Unidos, e também um trocadilho com a palavra em inglês para "louco"] eram totalmente passivos. Mas as ferramentas do mundo online, nossa capacidade maior de conexão uns com os outros, colocaram a relação consumidor-empresa em outro patamar.


Eduardo Graça, para o Valor, de Nova York
Valor Online, 02/10/08

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