quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Projetos comunitários podem ser foco de pequeno investidor

Empresas de pequeno porte podem fazer investimentos planejados, monitorados e sistemáticos para projetos sociais de interesse público. Basta terem estratégia, criatividade e a perspicácia de entender as demandas da comunidade em que estão inseridas para trabalhar conjuntamente com sua população.

As possibilidades foram debatidas no seminário Comércio Varejista e Sustentabilidade, promovido pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo
(Fecomércio), no último dia 5. Nele, especialistas e investidores analisaram os principais desafios para os empresários que pretendem implantar práticas socialmente responsáveis em suas organizações.

Embora estivessem no rol de palestrantes, grandes grupos investidores como o Pão de Açúcar e Wal-Mart - representados por Daniela Fiore e Paulo Pompilio, respectivamente -, um dos pontos fortes do evento foi a discussão de como os pequenos e médios empreendimentos podem iniciar seus próprios projetos sem vultosos aportes.

“A grande oportunidade do setor varejista é a sua capilaridade. Ele está pulverizado na comunidade”, afirmou o coordenador do Programa de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (Eaesp), Fundação Getúlio Vargas, Jacques Gelman.

Novas experiências
Entende-se como do setor de varejo o estabelecimento que dialoga diretamente com o consumidor final, sem intermediários. Nesse sentido, com o ponto vista da pequena e média empresa, ele é o supermercado de bairro, o açougue da rua, a padaria etc. “O varejista é o elo entre o consumidor e fornecedor. Ele pode ser um catalizador de processos”, acredita Gelman.

Um exemplo prático de como é possível iniciar um projeto social, sem gastar muito, vem do Distrito Federal. O que antes era apenas um açougue, vem se tornando, desde 1994, um dos mais irreverentes projetos culturais brasilienses. É o Açougue Cultural T-Bone, na Asa Norte de Brasília.

Os donos criaram, dentro do açougue, nada menos que uma biblioteca com 40 mil livros – começou com 10 volumes - que podem ser consultados ou retirados por qualquer pessoa da cidade. Não contentes, promovem noites culturais duas vezes por ano que já chegaram a reunir, na praça em frente, milhares de pessoas para assistir a shows de música popular e erudita, lançamento de livros e peças de teatro, entre outras atrações.

A experiência não apenas é reverenciada pela comunidade, como também passou a receber apoio do Ministério da Cultura, Petrobrás, Instituto C&A e da Universidade de Brasília.

Outra experiência celebrada pelos especialistas em responsabilidade social e investimento social privado no varejo é o caso do Supermercados Cardoso, em Jequié, Bahia. Em vez dos tradicionais sorteios de brindes para alavancar as vendas, o proprietário resolveu adotar uma postura mais “social”.

Nas cartelas a serem sorteadas, ele inscreveu 20 entidades beneficentes para o consumidor eleger como merecedora de um generoso prêmio em dinheiro, dado pelo supermercado. Enquanto a organização ganhava com o novo aporte de recursos, o consumidor recebia um vale-compra – além da idéia de participar da ação social, mesmo que indiretamente.

“O Supermercado nunca ganhou tanto com uma ação, pois as 20 entidades fizeram boca-a-boca para comprar na loja. Mas, tínhamos a certeza que não levamos à comunidade a qualquer transformação social”, lembrou o empresário Márcio Cardoso.

Com a idéia de que era possível conciliar o negócio com ações sociais, o supermercado não apenas criou um comitê de responsabilidade social, como deu início a uma política de investimento social privado em projetos de cultura, saúde, esporte. As ações envolvem conscientização à doação de sangue, campanhas para a coleta seletiva de lixo e apoio a cooperativas de catadores, incentivo a novos atletas e prática de esporte dos colaboradores, entre outras.

”A empresa não apenas adquire status com o consumidor, mas percebe uma diferença na motivação dos funcionários. Também existe um reconhecimento do poder público, de que você faz algo diferente”, argumentou Cardoso.

Consumidor
O “status” apontado pelo empresário Márcio Cardoso, pode ser identificado nos dado apresentados pelo diretor-presidente do Instituto Akatu, Helio Matttar, durante o evento. Divulgada pela organização em março deste ano, a Pesquisa 2006 e 2007 – Responsabilidade Social Empresarial – Percepção do Consumidor Brasileiro, aponta que cerca de 43% dos consumidores brasileiros esperaram que as empresas tenham ações de investimento social privado.

“O varejo está pressionado pelo lucro trimestral, tal como pelas exigências dos consumidores. O que pode ser feito é começar com poucas práticas. Talvez não consigamos lutar contra o consumo competitivo, mas oferecer boas ações”, crê Mattar.


Rodrigo Zavala
redeGIFE Online, 08/09/08

Mais...

9° Congresso Brasileiro de Direito e Contabilidade do 3° Setor

Debater, com os operadores do direito, contabilistas, administradores de entidades não-governamentais, religiosos, políticos, representantes de empresas e fundações socialmente responsáveis, as mutações legais e contábeis do Terceiro Setor, em especial aquelas derivadas do Projeto de Lei n. 3021/08 e da Lei n. 11.638/07.

Programação

8h45 Abertura Solene do Congresso
Justiça e Contabilidade Social como sinônimo de desenvolvimento humano
Marcos Biasioli
Presidente da Comissão Científica e Coordenador geral do Congresso Contabilidade do Terceiro Setor

9h - Reflexos na Contabilidade do Terceiro Setor por conta da nova lei contábil - n. 11.638/07
João Luís Romitelli
Graduado em Ciências Econômicas e Ciências Contábeis.Um dos fundadores e sócio diretor da Teorema Contabilidade S/S, empresa de consultoria em contabilidade e finanças, especializada nos segmentos de saúde, educação e entidades do terceiro Setor.

9h30 - Análise dos impactos derivados do Projeto de Lei n. 3021/08 na contabilidade das entidades beneficentes
Sérgio Roberto Monello
Contabilista, Bacharel em Direito, especialista em Direito Filantrópico e Assistencial, sócio diretor do Escritório Contábil Dom Bosco SS Ltda e sócio titular da Advocacia Sérgio Monello.

10h - Coffee-break e visita ao espaço cultural

10h30 - Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) e o acompanhamento diferenciado das entidades imunes pela Receita Federal do Brasil
Antonino Ferreira Neves
Diretor da Anális Assessoria Procontábil - GO, Auditoria e a Responsabilidade Contábil do Terceiro Setor

11hs00 Auditoria do Terceiro Setor e as suas peculiaridades frente às atuais mudanças legislativas
Angela Zechinelli Alonso
Bacharel em Ciências Contábeis, jornalista.É sócia da Alonso, Barretto e Cia - Auditores Independentes e Conselheira do Conselho Técnico e de Administração da 5ª Seção Regional do Ibracon.

11h30 - Limites de responsabilidade do contabilista que assina a contabilidade das entidades sociais
Sérgio Prado de Mello
Presidente do Conselho Regional de Contabilidade - CRC SP (2008-2009). Contador, Economista e Advogado. Sócio da SMJ Perícias Contábeis, Árbitro da Câmara de Arbitragem Empresarial de São Paulo.

Debates dos 1º e 2º Painéis
12h - Debates com os palestrantes disponíveis e presentes na mesa diretora

12h30 - Intervalo para almoço

13h30 - Apresentação do grupo Associação de Balé de Cegos Fernanda Bianchini
Direito do Terceiro Setor

14h - Reflexões sobre a constitucionalidade do Projeto de Lei n. 3021/08 e o seu conflito com a ADIN n. 2.028
Fátima Fernandes Rodrigues de Souza
Advocacia Ives Gandra Martins, Procuradora do Estado de São Paulo, Bacharel em Direito. Membro do Instituto dos Advogados de São Paulo e do Conselho Jurídico da Federação do Comércio de São Paulo.

14h30 - Análise legal da extensão dos efeitos da nova Súmula n. 352 do STJ e as gratuidades das entidades beneficentes
Marcos Biasioli
Titular da M. Biasioli Advogados e consultor jurídico de inúmeras entidades beneficentes. Mestrado em Direito pela PUC/SP e administrador de empresas pela Universidade Mackenzie/SP. Pós- graduado em Direito Empresarial pela The European University. Editor da Revista Filantropia e Coordenador Geral do Congresso.

15h - Súmula Vinculante do STF n. 8 e prescrição e decadência do crédito tributário das entidades beneficentes ante a Teoria da Modulação reconhecida pelo STF
Rodrigo de Carvalho
Advogado e Consultor Jurídico nas áreas de direito do Terceiro Setor, Tributário e Previdenciário, Mestre em Ciência Jurídica, Professor, Conselheiro titular no Conselho Deliberativo da Sociedade de Previdência Complementar do Sistema Federação das Indústrias de Santa Catarina - PREVISC.

15h30 - Coffee-break e visita ao espaço cultural

Processo Administrativo
15h50 - A missão e os novos desafios do CNAS
Valdete Barros Martins
Presidente do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) de 2008 a 2009. Assistente Social, professora universitária, mestranda em Serviço Social: Trabalho e Sociedade. Foi membro da direção da Federação Internacional dos Assistentes Sociais.

Legalização da Prestação de Contas
Prestação de Contas Federais
16h30 - Prestação de contas derivada da mobilização de recursos públicos por meio do Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse (Siconv)
Carlos Henrique de Azevedo Moreira
É engenheiro civil com pós-graduação em Consultoria de Informática e Filosofia da Educação. Desde julho/2000, atua na Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento e Gestão, onde exerce o cargo de gerente do Sistema de Compras do Governo Federal (SIASG - Comprasnet), coordenando sua evolução e utilização pelos órgãos públicos.

Prestação de Contas Estaduais
17h - Prestação de contas das fundações e demais entes sociais por meio do Sicap ao Ministério Público e suas implicações
Tomáz de Aquino Resende
Procurador de Justiça e Coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Tutela de Fundações e Entidades de Interesse Social - MG, Representante do Ministério Público no Projeto /Novos Rumos da Execução Penal (APACS) do TJMG. Membro do atual Conselho de Administração da Cooperativa de Crédito dos integrantes e servidores do Ministério Público Estadual.

Prestação de Contas Municipais
17h30 - Prestação de contas das entidades sociais aos Tribunais de Contas do Município
Valmir Leôncio da Silva
Auditor do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, mestre em Administração, bacharel em Ciências Contábeis, professor universitário e co-autor dos livros Guia Municipal de Administração Pública. SP: NDJ, 2006 e Lei de Responsabilidade Fiscal para os Municípios - Uma Abordagem Prática. 2ª ed. SP: Atlas, 2007.

18h - Debates com os palestrantes disponíveis na mesa diretora

18h30 - Encerramento

Mais...

Sai a lista dos Selecionados da edição 2008 do Programa Benchmarking Ambiental

O programa Benchmarking Ambiental Brasileiro é uma iniciativa independente apoiada por entidades representativas e corpo técnico internacional que há 06 anos consecutivos seleciona e apresenta o Ranking Benchmarking dos Melhores da Gestão Socioambiental do País. Na edição 2008, foram rankeadas 30 instituições que pela excelência de suas praticas apresentaram soluções inovadoras em benefício ao meio ambiente natural, as comunidades, e competitividade a organização. São modelos de gestão aprovados e recomendados para a pratica Benchmarking, um método de desenvolvimento gerencial onde se aprende com os melhores.

“O objetivo do Programa Benchmarking é qualificar o debate socioambiental por meio das práticas selecionadas. Só assim será possível avançar com novas técnicas, e acelerar o desenvolvimento da gestão socioambiental corporativa”, diz Marilena Lino de Almeida Lavorato, Coordenadora do Programa Benchmarking e Co-editora do Livro BenchMais, as 85 melhores práticas em gestão socioambiental do país.

Os cases selecionados pelo Programa passam a integrar o maior Banco de Boas Práticas Socioambientais do país com livre acesso, e, a partir desta edição também serão publicados no Banco de Boas Praticas da FNQ – Fundação Nacional da Qualidade.

O “Dia Benchmarking, Compartilhar para Crescer” acontece em evento fechado para um seleto publico de ambientalistas, especialistas, personalidades acadêmicas e autoridades no dia 25/09, Centro de Convenções CADORO em São Paulo. Na ocasião serão apresentados os cases selecionados, e também a classificação das instituições Benchmarking no Ranking 2008.


Ranking das Instituições Benchmarking 2008 em ordem alfabética

AGCO do Brasil - RS
Reciclar para o Social - Uma atitude que faz a diferença

ALUMAR - Consórcio de Alumínio do Maranhão – MA
Redução no Consumo de Água Potável e Eliminação de Descarga de Efluentes.

AMBEV - Companhia de Bebidas das Américas – SP
Reciclagem Solidária

Anglo American Brasil – SP
Biodiversidade Brasil: Análise e recuperação das áreas de influência da empresa e Projetos sócio-ambientais com comunidades vizinhas.

ArcelorMittal Inox Brasil - MG
Agricultores por Natureza: Utilização do Biodigestor nas comunidades do entorno do Parque Estadual do Rio Doce – Reserva da Biosfera

ArcelorMittal Tubarão - ES
Recifes artificiais construídos à base de escória siderúrgica beneficiam ecossistema e comunidade

Avon Cosméticos– SP
Projeto Formiga

Banco Bradesco- SP
Fundação Amazonas Sustentável: um projeto win-win de desenvolvimento sustentável

Bandeirante Energia – SP
Programa Comunidade Educação

Botica Comercial Farmaceutica – PR
Bioconsciência

Braskem – BA
Redução das Emissões de Compostos Orgânicos na UNIB- BA.

Caixa Econômica Federal - DF
Projeto "ILHAS DE IMPRESSÃO"

Celulose Irani – SC
Inventário de emissões e sumidouros de gases de efeito estufa

DAEE – Depto de Água e Energia - SP
PROGRAMA ÁGUA LIMPA

Dana Indústrias – RS
A natureza ajudando na redução dos resíduos sólidos do Tratamento de Efluentes

Duke Energy Geração Paranapanema – SP
Mitigação de Impactos em Reservatórios Hidrelétricos – Estudo de Caso da UHE Taquaruçu.

Duratex – SP
Projeto de Inovação da Área de Vivênia Ambiental PIATAN - AVAP

Fundação Espaço ECO - SP
SEEBALANCE® - Análise de Sócio-Ecoeficiência

HEMORIO - Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira - RJ
Programa de Educação Ambiental - HEMOCICLE

INPEV - Instituto Nacional de Processamento de Embalagens - SP
Logística Reversa

Itautec – SP
Gestão Ambiental aplicada na cadeia de valor - Case embalagens - Redução de insumos sob a ótica ambiental

Klabin – SP
Programa Monitoramento da Biodiversidade

SABESP - SP
Operação Natureza (Programa Córrego Limpo)

Samarco Mineração- ES
Projeto Salvamar - Educação e Ação Ambiental

Souza Cruz – MG
Parque Ambiental

Subprefeitura Itaim Paulista- SP
Projeto Fluir

Suzano Papel E Celulose – BA
BIOINDEX

Volkswagen Caminhões & Ônibus - RJ
Pensando o ciclo de vida e a tecnologia ambiental

Wal-Mart Brasil – SP
Clube dos Produtores

Yagasai Industria de Fibras – SP
Coleta de côco verde


Envolverde, 08/09/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Mais...

Greenwash – empresas vendem falsa imagem ‘verde’

Em meio a atual onda sustentável é difícil distinguir quais empresas e produtos realmente entregam o que prometem. A publicidade é utilizada, em muitos casos, como “greenwash” – termo adotado por ambientalistas para se referir a propaganda corporativa que tenta mascarar um fraco desempenho ambiental das empresas, que passam a enganar o consumidor com anúncios mentirosos.

Uma pesquisa realizada pela TerraChoice Environmental Marketing, consultoria especializada no desenvolvimento de produtos sustentáveis e no reposicionamento de empresas nesse mercado, avaliou a confiabilidade de mais de mil itens com diferenciais teoricamente sustentáveis, em lojas de departamentos americanas e canadenses. O resultado foi surpreendente: 99,9% dos exemplares avaliados eram mentirosos ou, pelo menos, dúbios. O estudo comprovou que apenas um produto — uma marca de papel higiênico produzido sem cloro, com conteúdo reciclado — cumpriu plenamente o que prometia.

"Os consumidores recebem uma enxurrada de produtos que apregoam ser ecologicamente corretos", diz Scott McDougall, presidente da TerraChoice. "Pois nós encontramos uma terrível quantidade de ofertas enganosas". A jornalista Regina Scharf destaca em coluna da Revista Página 22 que “esse tipo de estelionato é particularmente vantajoso, já que os consumidores conscientes costumam aceitar preços mais salgados”.

O fundador da consultoria inglesa SustainAbility, John Elkington, afirma que informações enganosas têm o potencial de prestar um enorme desserviço à causa ambiental. “Elas confundem consumidores e geram ceticismo, fornecendo a muitas pessoas um álibi para não fazer nada”.

Ele acredita que esse processo de desinformação anula uma força motriz importante que poderia levar varejistas e fabricantes a melhorar o desempenho. “Embora muitos consumidores europeus e americanos estejam hoje um pouco mais conscientes, o risco de desorientação continua significativo”, avalia Elkington.

Situação européia
A organização independente que auto-regula a publicidade no Reino Unido (Advertising Standards Authority - ASA), tem controlado de perto um grande número de empresas em resposta a reclamações feitas por Organizações Não-Governamentais (ONGs), como a Amigos da Terra. Em novembro de 2007 a entidade censurou um anúncio da gigante de óleos Shell que dizia: “Nós aproveitamos nosso gasto de CO2 para plantar flores”. As ONGs retrucaram, alegando que a quantidade de CO2 utilizada no projeto das flores representava uma proporção mínima do que era produzido pelas atividades da Shell em todo o mundo.

Reclamações desse tipo cresceram bruscamente no último ano e a ASA tem percebido a recorrência de questionamentos semelhantes – os mais comuns são sobre reduções de carbono, ciclos de vida de produtos e uso de fontes limpas de energia.

As mesmas preocupações chegaram ao Instituto de Relações Públicas do país (CIPR), que em março deste ano aconselhou que as indústrias observassem o código ambiental do Departamento de Meio Ambiente e Relações Agrárias do Reino Unido (Defra), assim como os padrões estabelecidos pela certificação ISO 14021, nas campanhas publicitárias. Sem a obrigatoriedade expressa para que se aderisse às recomendações do instituto, é difícil definir quem as tem seguido.

Uma das advertências diz que os “anúncios devem sempre evitar o uso de termos vagos como ‘verde’, ‘não-poluente’... ou relacionar descrições vagas como ‘amigável’ ou ‘gentil’ com as palavras ‘Terra’, ‘natureza’, ‘meio ambiente’, ‘eco’ e ‘ozônio’”. O guia europeu para marketing sustentável (CSR) aprova as sugestões.

Sem detalhes
Algumas empresas defendem o uso de símbolos genéricos ou de linguagem simplificada na embalagem dos produtos porque, em certos casos, consideram o elemento sustentável muito complicado para ser explicado na embalagem. Elas dizem que explicam os significados ecológicos em seus websites ou os descrevem em letras menores no rótulo. Um exemplo é a fabricante de eletrônicos Philips, que utiliza uma logomarca de “indicação verde” em produtos selecionados.

Um relatório elaborado pelo CSR europeu desaprova essas empresas, sentenciando que as alegações verdes devem ser “explícitas sobre o significado de qualquer símbolo... a menos que o símbolo seja apoiado por lei, regulamentação ou esquema independente de certificação”. De acordo com o documento, os profissionais de marketing estão advertidos para só utilizarem palavras específicas referentes à compostagem, reciclagem e redução de consumo de energia mediante consulta às determinações da ISO 14021 sobre o uso desses termos.

Quanto mais os consumidores se mostram interessados pelas mudanças climáticas, mais os publicitários exaltam as credenciais verdes dos produtos. “Os marqueteiros sempre tentarão expandir os limites”, afirma um porta-voz da ASA, informando que os que as questões referentes aos anúncios com apelações ambientais continuarão a ser avaliadas caso-a-caso.

Elkington entende que “quanto mais investirmos na divulgação de problemas e soluções relacionados à sustentabilidade, maior será o risco de cometer erros”. Por isso, defende, qualquer profissional envolvido com publicidade, marketing e vendas realmente precisa se assegurar de que suas campanhas - por mais espetaculares que sejam - passem no teste do greenwash.

Saiba mais sobre os pecados do Marketing identificados pela pesquisa da TerraChoice Environmental Marketing:
Cortina de fumaça (registrado em 57% dos itens)
Dar destaque para uma qualidade real do produto que desvia a atenção dos problemas existentes. Um exemplo são os eletrônicos de baixo consumo energético (realmente ajudam a economizar energia), mas que possuem altos teores de metais pesados; ou papéis reciclados branqueados com cloro.
Falta de comprovação (26% das ocorrências)
Informar os diferenciais do produto sem apresentar nenhuma prova de que são reais. É o caso de um xampu que se diz orgânico, mas não oferece evidência nesse sentido, nem no rótulo nem no site da empresa. Há também produtos de higiene e beleza que dizem não ter sido testados em animais, mas não apresentavam nenhuma prova disso.
Informações vagas (11% das análises)
Os produtos trazem expressões vagas e ambíguas, afirmando ser “livre de substâncias químicas”, “atóxico”, “verde”, “100% natural”, etc. Besteira comprovada quando se lembra, por exemplo, que todos os elementos da natureza são químicos.
Qualidade irrelevante (4% casos)
Destacar informações que não deveriam fazer a diferença na hora da compra. O exemplo são aerossóis que indicam não conter CFC, sendo que o gás, nocivo à camada de ozônio, foi proibido para esse tipo de produtos há décadas.
Mentira (1% dos produtos)
Enganar o consumidor com informações falsas. É o caso de empresas que afirmam possuir determinadas certificações ambientais ou de um detergente para máquina de lavar louça cuja embalagem totalmente plástica indica ser produzida com papel 100% reciclado. Um famosos restaurante londrino freqüentado por celebridades foi processado quando se descobriu que a carne e o frango orgânicos servidos pelo chef eram preparados com produtos convencionais.
Ética ambígua (1%)
Oferecer, por exemplo, o menor dos males ao consumidor como cigarros orgânicos.


Sabrina Domingos, do Carbono Brasil
Com informações de Climate Change Corp; Revista Página 22 e Época Negócios.
Envolverde, 09/09/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Mais...

Brasil mostra que só crescimento não gera desenvolvimento, aponta estudo da ONU

A experiência brasileira mostra que crescimento econômico é necessário, mas não suficiente, para melhorar o desenvolvimento humano, afirma um relatório lançado nesta segunda-feira em Brasília por três agências da ONU: CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), OIT (Organização Internacional do Trabalho) e PNUD. Só o acesso a trabalho decente pode fazer a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) traduzir-se em melhoria do bem-estar social, conclui o estudo.

“A ênfase na geração de postos de trabalho pode contribuir de modo significativo para elevar o nível de desenvolvimento humano, sobretudo quando essa geração está associada às outras dimensões do trabalho decente: ausência do trabalho infantil ou forçado; nível adequado de remuneração, formalidade e acesso à proteção social; respeito aos direitos no trabalho, inclusive os relativos à livre organização sindical e à possibilidade de negociar coletivamente o contrato e as condições de trabalho; oportunidades iguais de acesso ao emprego e às ocupações de mais qualidade e mais bem remuneradas, independentemente do sexo, da cor, etnia ou outros atributos”, diz o relatório, intitulado Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente – A experiência brasileira recente.

A publicação inova ao analisar a relação entre indicadores dessas três áreas, e também de crescimento econômico, para um único país — em geral, a literatura acerca do assunto debruça-se sobre grupos de países. O terceiro capítulo faz cruzamentos entre indicadores como PIB, nível de ocupação (proporção de pessoas que estão em idade de trabalhar e de fato trabalham), componentes do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), horas trabalhadas, contribuição à Previdência, trabalho infantil e taxa de ocupação feminina.

Os cálculos, feitos com base em dados das unidades da Federação referentes 1993, 1997, 2001 e 2005, indicam, por exemplo, grande probabilidade (99%) de haver relação positiva entre bons indicadores de educação e dois outros fatores: nível de emprego e nível de ocupação das mulheres. O indicador de educação utilizado foi o IDH Educação, um componente do IDH que leva em conta a proporção de pessoas de 15 ou mais alfabetizadas e a taxa bruta de freqüência à escola. Além disso, é grande a probabilidade de haver relação negativa entre o IDH Educação e o excesso de horas trabalhadas.

“Níveis mais elevados de emprego dão a segurança (e possivelmente os recursos) necessários para que uma família possa proporcionar melhor educação a seus filhos. Ao mesmo tempo, é provável que uma população mais educada consiga melhores colocações”, afirma o estudo.

Existe também probabilidade (95%) de haver relação positiva entre nível de emprego e expectativa de vida (que também faz parte do IDH) e relação negativa entre expectativa de vida de excesso de horas trabalhadas. “Níveis de ocupação mais elevados põem um número maior de pessoas na posição de poder gastar mais com o tratamento de enfermidades ou simplesmente levar uma vida mais saudável. Também podem dar mais proteção aos recém-nascidos. Por outro lado, é óbvio que uma pessoa adulta, com mais saúde, tem mais facilidade de trabalhar e de encontrar uma colocação no mercado de trabalho”, diz o relatório.

Nos anos analisados, não houve correlação estatística significativa entre expansão do PIB e geração de emprego. “Na maior parte do período considerado, o crescimento do PIB teve pouco impacto na geração de emprego, seja em razão do ajuste das empresas a um novo contexto de concorrência, seja em virtude das alterações pontuais na legislação trabalhista”, observa o texto, ressalvando que “o resultado não é suficiente para negar que crescimento econômico favorece aumento do emprego”.

Metodologia diferente
Para analisar a variação recente dos níveis de desenvolvimento humano nos Estados brasileiros e no país como um todo, o relatório calculou os dados do IDH de 1991 a 2005. O resultado, porém, é fruto de uma metodologia diferente da usada pelo PNUD nos Relatórios de Desenvolvimento Humano e no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil.

No estudo divulgado nesta segunda, o cálculo é feito com base na PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), um levantamento socioeconômico feito anualmente pelo IBGE. Os dados de 1991 e 2000 (anos em que não houve PNAD, mas Censo) foram adaptados para permitir a comparação com o restante da série histórica. No Atlas, há números apenas de 1991 e 2000, extraídos do Censo.

No Relatório de Desenvolvimento Humano, publicado anualmente em Nova York, alguns indicadores são diferentes dos usados no estudo brasileiro. Para calcular o IDH Renda, por exemplo, o relatório internacional usa o PIB per capita; no documento lançado nesta segunda, é usada a renda familiar per capita.

Leia o relatório Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente – A experiência brasileira recente em http://www.pnud.org.br/arquivos/arqui1220877382.zip


Crédito de imagem: Tarsila do Amaral - Operários (1933)
Redação do Pnud
Envolverde, 10/09/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Mais...

Desenvolvimento: Para ajudar, siga as instruções

Representantes do Norte industrializado e do Sul em desenvolvimento adotaram na sexta-feira (5) a Agenda de Accra para a Ação (AAA) uma normativa para melhorar a efetividade da ajuda internacional. O documento foi adotado fim do Fórum de Alto Nível sobre a Efetividade da ajuda, que reuniu por três dias na capital de Gana mais de 1.200 delegados de 120 países. Pela AAA, as nações em desenvolvimento se comprometem a supervisionar o efetivo uso dos recursos, enquanto os doadores assumem a missão de melhorar suas políticas e a coordenação para a entrega de fundos.

Após duras negociações, as duas partes se comprometeram a serem mais responsáveis uma perante a outra. Uma porta-voz norte-americana negou a versão de que houve discussões entre países do Sul em desenvolvimento, apoiados pela União Européia, com os principais doadores, liderados por Estados Unidos e Japão. “Vários grupos participaram da discussão e contribuíram com idéias. Todos ficaram lado a lado e trabalharam juntos”, afirmou a diretora de Assistência Exterior do Departamento de Estado norte-americano e administradora da agência de ajuda internacional Usaid, Henrietta H. Fore. “Queríamos refletir a urgência, mas também queríamos ser realistas. Desejávamos fixar os objetivos que podíamos alcançar”, disse à IPS.

Outros funcionários norte-americanos disseram que houve “diferenças culturais” entre Estados Unidos e Europa. As nações européias desejavam fixar altos “objetivos de aspiração”, enquanto Washington preferia metas mais realistas a alcançáveis. Os “Estados Unidos se interessam muito pelas metas e pelos resultados”, disse um funcionário desse país na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que representou os principais doadores no Fórum, junto com o Banco Mundial. A AAA estabelece que os governos do Sul devem assumir maior liderança em suas próprias políticas de desenvolvimento, que definirão com seus parlamentos e cidadãos.

“Os doadores os apoiarão respeitando suas prioridades, investindo em seus recursos humanos e instituições, fazendo maior uso de seus sistemas de distribuição da ajuda e aumentando a previsão de imperfeições”, acrescentou o funcionário. Além disso, acordaram “conseguir os resultados de desenvolvimento e serem abertamente responsáveis por eles deve ser o centro do que fazemos”, disse. Já que os cidadãos e contribuintes de todos os países esperam ver resultados tangíveis da assistência ao desenvolvimento, os delegados se comprometeram a “demonstrar que as ações se traduzem em impactos positivos nas vidas das pessoas”.

“Seremos responsáveis perante a outra parte e diante de nossos respectivos parlamentos e órgãos de governos por esses resultados”, afirmaram. “Sem tratar estes obstáculos para acelerar o progresso, ficaremos curtos em nossos compromissos e perderemos oportunidades para melhorar a subsistência dos povos mais vulneráveis do mundo”, acrescentaram. A AAA também tentará aumentar a participação das organizações da sociedade civil como atores independentes para o desenvolvimento, complementando o trabalho dos governos e do setor privado.

Entretanto, grupos civis presentes ao Fórum criticaram o resultado final dizendo que é um acordo fraco com mais palavras do que ação. “Inclusive os esforços de último minuto por parte dos ministros dos países em desenvolvimento e seus aliados apenas permitiram algumas melhorias marginais. Este fórum foi organizado pela OCDE, um clube de países ricos doadores”, disse a diretora-executiva da organização ganesa Netright. “Em um ano em que mais de cem milhões de pessoas foram arrastadas à pobreza pelo aumento nos preços dos alimentos, é escandaloso que os governos doadores se neguem a remover as restrições rígidas danosas que aumentam os custos da ajuda alimentar”, afirmou.

Por sua vez, o ativista Tony Tujan, da Reality of Aid, afirmou que “os doadores não conseguiram um acordo para reduzir as prejudiciais políticas de condições que prejudicam os processos democráticos e reduzem as opções dos países. Apesar dos esforços das nações beneficiadas, os doadores continuam impondo suas próprias estruturas, ignorando os processos internos”, acrescentou. (IPS/Envolverde)


Francis Kokutse e correspondetes da IPS
Envolverde,
09/09/08
© Copyright Envolverde - É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita Envolverde.

Mais...

A rica expressão do associativismo brasileiro

Em agosto foi lançado o segundo suplemento sobre as Fundações e Associações Privadas Sem Fins Lucrativos no Brasil, pesquisa desenvolvida a partir da parceria entre IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Instituto de Pesquisa Econômicas e Aplicadas - IPEA, a Associação Brasileira de ONGs – ABONG e o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas – GIFE.

Com base em dados do Cadastro de Empresas – CEMPRE de 2005, a pesquisa demonstra que existem hoje no Brasil 338 mil organizações sem fins lucrativos divididas em cinco catregorias: 1. que são privadas, não integram o aparelho do Estado; 2. que não distribuem eventuais excedentes; 3. que são voluntárias; 4. que possuem capacidade de autogestão; e, 5. que são institucionalizadas.

O crescimento do número de organizações, bem como sua diversificação, são reflexos da democracia brasileira, mas o resultado da pesquisa demanda um olhar atento sobre suas especificidades e não pode ser considerado bom ou ruim a priori. Além disso, é preciso considerar o alto nível de precariedade deste crescimento, considerando hoje as frágeis formas de financiamento dos trabalhos destas organizações.

Dentre várias informações trazidas à cena pelo levantamento, algumas são particularmente interessantes:

1. A pesquisa demonstra a heterogeneidade do associativismo brasileiro, explicitando o quanto esse universo é amplo e complexo. Assim, podemos ver que não existem 338 mil ONGs, na acepção destas como entidades de defesa de direitos e nem do terceiro setor, como são referidas as do campo da filantropia empresarial. Esses conceitos são políticos, sem rebatimento jurídico e esse universo amplo engloba também essas organizações, mas não se limita as mesmas;

2. Existe uma extrema desigualdade entre essas organizações, e, ao contrário de um recorrente “mito”, o associativismo não é uma “forma fácil de enriquecer”. A média salarial nessas entidades é baixa, cerca de 3,8 salários mínimos por mês. Além disso, as organizações empregam em torno de 1,7 milhão de trabalhadores(as) assalariados(as), mas há, de fato, muito trabalho voluntário, militante e precarizado. As que mais empregam são aquelas que trabalham nas áreas da saúde e da educação, sendo que cerca de 70% empregam um milhão de pessoas, e o restante se distribui em 30%, consideradas de pequeno porte;

3. A distribuição regional, ainda que avaliada em proporção à população das regiões, na pesquisa, demonstra, em relação a 2002, um crescimento de organizações no Nordeste e afirma o alto percentual de associativismo da região Sul, já com tradição nesse sentido. O Sudeste é a região que mais apresenta organizações sem fins lucrativos;

4. A pesquisa aponta para um crescimento das entidades classificadas como de “defesa de direitos e de interesses dos cidadãos”, mas vale desmembrar essa informação para reconhecer o crescimento também de entidades corporativas patronais, de defesa de interesses de classe;

5. Há um percentual de entidades situadas na área de assistência social que, em relação a 2002, não sofre aumento significativo, porém cabe considerar que muitas não se enquadram exatamente nas atribuições de assistência social do Ministério de Desenvolvimento Social – MDS;

6. As entidades são relativamente novas, tendo uma média de 12 anos de existência. A pesquisa não aborda a “mortalidade” delas e seria um aspecto interessante a se levantar para avaliar a sustentabilidade. As que de fato demonstram maior longevidade são as que trabalham com saúde, em especial hospitais. Isso é relevante para entender a sustentabilidade em termos das relações com o Estado brasileiro, no acesso a isenções e imunidades fiscais;

7. Há também um crescimento significativo do grupo de organizações ligadas ao grupamento de religião, demonstrando a forte natureza confessional do associativismo;

8. Por outro lado, há de se olhar para o crescimento do agrupamento de cultura e recreação, que pode ser analisado tanto pela proliferação de atividades de caráter assistencial e mesmo assistencialista, quanto de novas formas associativas a partir da cultura;

Nesse sentido, a ABONG acredita ser de fundamental importância o lançamento dessa pesquisa, em momento de tanta evidência do que genericamente é intitulado de “ONG” no Brasil.

A ABONG espera, através do produto dessa profícua parceria, contribuir para um maior entendimento sobre esse amplo universo e um melhor conhecimento sobre o associativismo e sua contribuição para a democracia brasileira.
/noticia_visualiza.php?id_noticia=1205&id_pagina=1

Veja a pesquisa na íntegra e faça o download em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/fasfil/2005/


Fonte: Informes Abong
Envolverde, 08/09/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Mais...

Programa de alfabetização do Banco do Brasil vai beneficiar índios e quilombolas em 2009

A Fundação Banco do Brasil pretende reformular em 2009 o programa BB Educar, de alfabetização de jovens e adultos a partir dos 15 anos, focando-o em comunidades tradicionais, que têm mais dificuldades de serem assistidas em convênios com prefeituras e projetos públicos.
Aí se enquadram comunidades de quilombolas, indígenas, assentados da reforma agrária, cooperativas de catadores de materiais recicláveis e presidiários. “São públicos que a gente pretende priorizar”, afirmou à Agência Brasil o gerente das áreas de Cultura e Educação da Fundação BB, Marcos Fadanelli. Atualmente, o programa contabiliza 58.129 pessoas em sala de aula.

Para 2008, a meta é atender em torno de 50 mil pessoas, considerando alguma evasão. Desde 1992, a média histórica de evasão é de 38%. De 2003 para cá, houve uma redução para 30%, em razão dos aperfeiçoamentos que foram sendo introduzidos no programa. “Está havendo um movimento positivo”. Fadanelli disse que o Brasil ainda tem necessidades muito grandes pela frente para atender, mas observou que houve uma redução significativa no analfabetismo urbano.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o analfabetismo era de 10,2% para maiores de 15 anos, em 2005, e caiu pela primeira vez na história do país para 9,6%, em 2006. “Isso é uma coisa importante, porque a expectativa de vida no nosso país aumentou”.

Os investimentos do BB Educar somam, em média, entre R$ 3 milhões a R$ 4 milhões por ano. A duração média para alfabetização oscila entre seis a dez meses. O tempo varia de acordo com a freqüência semanal. Os quilombolas, por exemplo, podem se reunir apenas duas vezes por semana. Nas colônias de pescadores, na época do defeso, existe possibilidade de se reunirem para estudar com maior freqüência.

O programa BB Educar foi lançado pelo Banco do Brasil em 1992 e há oito anos vem sendo conduzido pela Fundação Banco do Brasil. O projeto nasceu quando o banco, diante da elevada inflação existente à época, teve que promover uma reformulação em seus quadros funcionais, eliminando uma carreira de serviços auxiliares.

Ao fazer isso, percebeu que havia analfabetos entre as pessoas que prestavam serviços de apoio. Alguns funcionários se ofereceram então para realizar um trabalho de alfabetização voluntária, de modo que essas pessoas pudessem fazer uma prova e mudar de carreira. O trabalho melhorou a escolaridade desses funcionários. A partir desse esforço interno, o programa começou a crescer, com a abertura de núcleos de funcionários voluntários em todo o país.

Mais tarde, por causa da demanda, o programa se expandiu para as comunidades, através da assinatura de convênios com entidades sem fins lucrativos do setor público e do terceiro setor. Marcos Fadanelli revelou que nesses 17 anos foram alfabetizadas 369.243 pessoas. O quadro de educadores, formado por funcionários do banco, engloba 102 pessoas, das quais 42 da ativa e 51 ex-funcionários e aposentados. O Banco do Brasil comemora em outubro próximo 200 anos de fundação.


Alana Gandra, da Agência Brasil
Envolverde, 08/09/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Mais...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Mercados verdes, produtos mais verdes

Com a nova realidade global e a crescente demanda por produtos verdes, grandes corporações começam a repensar suas estratégias de negócios visando adaptar-se a um mercado consumidor cada vez mais engajado e sensível às questões socioambientais. A partir do investimento em pesquisa e em novas tecnologias, alternativas mais sustentáveis surgem a cada dia, inspiradas em casos mundiais já clássicos de inovação verde, como a linha Ecoimagination, da General Eletric, e os veículos híbridos Prius da Toyota.

Segundo Alexandre Alfredo, diretor de comunicação da GE na América Latina, a inovação para produtos mais sustentáveis começou a ganhar força na empresa a partir de 2004. “Foi quando sentimos que havia a necessidade do desenvolvimento de novas tecnologias, que deveriam ser mais limpas e mais amigáveis em relação ao meio ambiente. Essa era uma preocupação em comum dos nossos clientes da GE. Assim resolvemos lançar a Ecoimagination”, afirma.

De acordo com Alfredo, existe uma forte consciência socioambiental em ascensão no Brasil. O consumidor - acredita - está cada vez mais exigente e cobra ações eficientes por parte das empresas, do governo e das ONGs. “Existe uma consciência muito presente. Por conta disso, identificamos várias oportunidades na área. Não abraçamos esse tema porque queremos ser simplesmente corretos, mas porque é uma unidade de negócios que pode gerar muito retorno financeiro”, explica o diretor.

A linha Ecoimagination será lançada oficialmente no Brasil em 2009. Mas os primeiros bons resultados comprovam o sucesso do empreendimento. Em três anos, mais de 5.000 projetos da linha foram lançados, gerando uma economia energética de 97 milhões de dólares e a redução de 600 mil toneladas de CO2 por metro cúbico, contabilizados produção e consumo. O segmento de produtos mais sustentáveis já rendeu à General Eletric um lucro de aproximadamente 14 bilhões de dólares.

Inovações para o mercado verde
Algumas empresas já têm uma posição consolidada em relação a práticas ambientalmente responsáveis. É o caso da Natura. Considerada uma pioneira em sustentabilidade no país, a empresa fez investimentos importantes, na última década, visando substituir elementos fósseis por outras substâncias na composição de seus produtos, e também o álcool comum pelo álcool orgânico na perfumaria e nos desodorantes da marca.

Segundo Daniel Gonzaga, diretor de pesquisa e tecnologia da empresa, o processo de modificação dos produtos pode levar de um a dois anos de estudo. “É necessário garantir que a matéria-prima esteja disponível na quantidade necessária e que a nova fórmula não altere as características sensoriais da composição. Não adianta desenvolver algo sustentável, natural, mas que não agrade o consumidor”, conta.

As inovações na formulação dos cosméticos da Natura só foram possíveis após anos de trabalho no campo de pesquisa e desenvolvimento, com o auxilio de cerca de 200 profissionais de diferentes formações. Para Gonzaga, a união entre as empresas é fundamental para que resultados eficientes possam ser alcançados em menor prazo. “Muitas vezes, temos projetos interessantes do ponto de vista tecnológico, mas que não conseguem ser viabilizados economicamente porque são poucas as empresas interessadas em desenvolvê-los”. Esse tipo de parceria representa o conceito de Open Innovation (Inovação Aberta), uma tendência no mercado que leva empresas a expandirem seus conhecimentos para além dos laboratórios, permitindo economia de tempo e de recursos.

Outra tendência no segmento de produtos mais verdes são os concentrados. Um bom exemplo é a nova versão do Confort de 500 ml, cuja vantagem ambiental é, mantendo o mesmo rendimento da versão de 2 litros, gerar uma economia de cerca de 20% para os consumidores, além de reduzir custos na produção e na confecção de embalagens. Na avaliação de Jorge Lima, gerente de assuntos governamentais e socioambientais da Unilever Brasil, o caso do Confort não reflete apenas o universo dos bens de consumo de limpeza, mas uma tendência global. “O consumidor está sendo convidado a mudar um pouco a sua cultura em benefício do meio ambiente. Acredito que, no futuro, mais produtos serão concentrados”, avalia.

Em relação às embalagens, a Unilever tem feito várias inovações. A redução do tamanho da caixa do sabão em pó Omo, por exemplo, evita o corte de 2,4 mil árvores por mês e reduz em 9% o consumo de combustível para transporte interno e externo. O desodorante Rexona, que antigamente vinha com uma tampa de plástico na embalagem, também passou por uma reformulação para eliminar esse item que terminava na reciclagem pós-consumo. A transição de vidro para PET das embalagens da maionese Hellmann´s, é outro exemplo eficiente, na medida em que resulta em economia anual de 1.029 toneladas de vidro e de 26.000 litros de água.

No mercado desde maio de 2008, esses novos produtos e embalagens, seguem ao pé da letra a nova cartilha da sustentabilidade, estimulando –segundo Lima - uma importante mudança de hábito nos consumidores. “O brasileiro opta tradicionalmente por custo e benefício. Mas hoje, há um terceiro pilar em questão: se o produto possui o selo verde e tem compromisso com a responsabilidade social”, ressalta o gerente da Unilever.

A Tetra Pak, empresa líder no setor de processamento, envase e distribuição de alimentos, também tem disseminado a idéia da sustentabilidade por toda a sua cadeia produtiva A preocupação ambiental com o descarte de seus produtos, aliada à produção recorde de 137 bilhões de embalagens em 2007, levou a empresa a desenvolver uma tecnologia específica para fabricação de diversos objetos a partir da mistura de plástico e alumínio, após a separação do papel que compõe a embalagem – utilizado posteriormente na produção de caixas de papelão e de papel reciclado.

As soluções desenvolvidas pela empresa estimulam o desenvolvimento das recicladoras e geram parcerias eficientes de negócios. Na fábrica Eco-Futuro, por exemplo, embalagens da Tetra Pak já utilizadas passam por um processo de prensagem, resultando em telhas. Na fábrica Polares, o material chamado pellet (mistura de alumínio e plástico) tem sido utilizado na produção de vassouras.

Segundo Fernando Von Zuben, diretor de meio ambiente da Tetra Pak, a quantidade de clientes que compram embalagens da companhia aumentou consideravelmente nos últimos anos. “É benéfico para uma empresa ter seu nome associado a uma cadeia de fornecedores socioambientalmente responsáveis”, afirma

Além de criar novos produtos verdes, há um mercado empenhado em tornar mais sustentáveis os já existentes Um exemplo dessa evolução é a indústria automobilística. O novo conceito Flex Start, desenvolvido atualmente pela Bosch, pode resultar na produção de carros menos prejudiciais ao meio ambiente. Um veículo que possui o Flex Start está apto, por exemplo, a fazer uma “partida a frio”, sem precisar do reservatório dos veículos comuns, proporcionando uma redução de até 40% na emissão de poluentes. A previsão é de que esta nova tecnologia esteja disponível no mercado brasileiro a partir de 2009.

Outra novidade que pode ser muito eficiente nas grandes cidades é o sistema Start Stop, que reconhece uma série de condições de uso do carro e desliga o motor automaticamente quando o automóvel está parado em marcha lenta por longo período, sendo acionado novamente apenas com o uso dos pedais. Esse sistema pode reduzir em até 8% o consumo de combustível e em até 5% as emissões de CO2. O Star Stop já integra os veículos europeus e deve estar disponível no Brasil a partir de 2010.

De acordo com Fábio Ferreira, gerente de desenvolvimento de produtos da unidade sistemas a gasolina da Robert Bosch América Latina, a introdução dessas novas tecnologias no mercado, avaliada juntamente com o impacto no custo final dos veículos, tem gerado bons resultados. “É perceptível a disposição crescente dos consumidores para comprar produtos ambientalmente corretos”, destaca Ferreira.

Empresas mais conscientes
A necessidade de conscientizar os novos consumidores também se mostra um desafio para as empresas que investem em produtos mais sustentáveis. Segundo o diretor da GE, o Brasil tem uma nova classe média com grande poder de consumo e, por isso mesmo, inegável capacidade de influenciar os negócios. “Essa mudança reflete na habilidade do país crescer de uma maneira sustentável e na forma como a GE se prepara para atender a essa demanda”.

Para ajudar a fortalecer a consciência socioambiental nessa nova sociedade em formação, a GE aposta na Convocação Regional, evento que está no quinto ano e acontece pela primeira vez na América Latina e no Brasil. Cerca de 20 lideres de opinião, entre governo, empresas e ONGs, se reunirão na segunda semana de outubro para trocar experiências sobre um determinado tema, que, neste ano, será a sustentabilidade. Segundo Alfredo, como os negócios geram um impacto importante para a sociedade, deve partir das empresas o desenvolvimento de alternativas e soluções mais sustentáveis.

Na mesma linha de conscientizar consumidores, a Natura foi a primeira no país a destacar uma tabela ambiental no rótulo de produtos. “Elas contém informações a respeito da quantidade de matéria-prima proveniente de fontes renováveis e quais embalagens são recicladas ou recicláveis”, afirma Gonzaga. Para Lima, da Unilever, quanto mais consumidores engajados, mais empresas devem aderir às práticas sustentáveis. “De modo geral, quando os consumidores são exigentes, a indústria procura se melhorar. O que temos feito é levar em consideração toda a preocupação durante o processo de produção de novos produtos”, ressalta

Para Von Zuben, da Tetra Pak, o mais importante na relação com os consumidores é a transparência. “A empresa deve comunicar apenas a realidade. No final das contas, é muito fácil vender. Demora-se anos para se construir credibilidade. E pouco tempo para perdê-la”.

Tendências no mercado verde
Redução de embalagens
Parcerias para o desenvolvimento de tecnologias mais limpas
Reformulação de produtos para redução do impacto ambiental
Desenvolvimento de novos produtos concentrados



Redação da Revista Idéia Socioambiental
Envolverde, 03/09/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Mais...

Fecomércio promove seminário e mostra sobre varejo e sustentabilidade

A Federação do Comércio do Estado de São Paulo promove nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro Fecomercio de Eventos, o seminário "Comércio Varejista e Sustentabilidade". O evento visa envolver empresários, educadores, a classe científica, políticos e a sociedade civil em uma campanha de conscientização e na prática de ações ambientais de baixo custo e de alto impacto, que possam ser incorporadas ao cotidiano das empresas.

Voltado para micro, pequenas, médias e grandes empresas do setor de comércio e serviços, acadêmicos, políticos, imprensa e sociedade em geral, o seminário é gratuito. Durante o encontro personalidades de renome na área ambiental abordarão temas como práticas sustentáveis no varejo, consumo consciente, entre outros.

Paralelamente ao Seminário ocorrerá a Mostra Fecomercio de Sustentabilidade, realizada em parceria com os Institutos Ethos e Brasil Ambiental. A exposição reunirá artistas, empresas, organizações e entidades que apresentarão seus produtos e projetos em torno do tema "sustentabilidade", visando a ampliação desta forma de pensar e o estímulo ao desenvolvimento.

A mostra será dividida em dois setores: o primeiro apresentará produtos que resultam da indústria de reciclagem, como obras arte, móveis, design e moda, um trabalho realizado por diversas cooperativas de reciclagem de lixo de São Paulo, com participação de artistas plásticos. Entre os artistas e cooperativas convidados estão Cláudia Araujo, Naná Ayné, Maria do Rosário, Instituto Papel Solidário, Empresa de Lona, Consuelo, Oficina Boracea, Empresa Metropolitan, Móveis de Mato Grosso e Amapá, Rosely Ferraiol e Carlos Gomes.

A segunda parte exibirá as tecnologias sustentáveis, com a participação de empresas e seus cases: Programa Caixa de Diversidade; Projeto Juruti Sustentável; - Viveiros de Mudas da Mata Atlântica, Melhorar – Projeto de Rideshare (Carpool), Brastemp Independente, Eletrodomésticos para Consumidores Portadores de Deficiências, Compressor de Capacidade Variável, Sistema Modular Ecotelhado, Torre Sustentável para Habitações de Baixa Renda no Brasil, Aquecedor Solar de Água de Baixo Custo, Cool Blue – Reciclagem de Carpete, Captação de Água da Chuva, Metodologia Base do Programa Gestão da Água nas Organizações, Projeto Plasma, Quartz Revestimentos Ecológicos.

Caso tenha interesse em participar do evento, por favor, confirme sua presença pelo e-mail raquel.aranha@hotmail.com, ou pelo telefone 8106.9377.

Serviço:
Seminário "Comércio Varejista e Sustentabilidade"
Data: 04 e 05 de setembro
Horário: das 09 às 18 horas
Local: Centro Fecomercio de Eventos (rua dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista – São Paulo)

Programação
04 de setembro
08h30 – credenciamento e welcome coffee
09h30 – abertura do seminário: Abram Szajman (Presidente da Fecomercio)
Prof. Antonio Carlos Borges (diretor executivo da Fecomercio)
10h00 - Desafios e oportunidades da empresa sustentável
Palestrantes: Prof. Mario Monzoni (FGV) e Alcir Vilela (programa de gestão ambiental do SENAC)

12h00 – almoço

13h30 – Visita oficial à Mostra Fecomercio de Sustentabilidade

14h15 – Varejo e Consumo Sustentável: a educação do consumidor
Palestrantes: Jacques Gelman (Programa de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo – FGV-EAESP) e Helio Mattar (Instituto Akatu)

15h45 – Coffee break

16h00 - A Construção do Mercado Responsável
Palestrantes: Paulo Itacarambi (Instituto Ethos) e Sonia Favaretto (Fundação Itaú Social).
17h30 – Propostas de uma cidade justa e sustentável

Palestrante: Oded Grajew (Movimento Nossa São Paulo).

05 de setembro

09h00 – welcome coffee

09h30 - Parcerias para a Sustentabilidade

Palestrantes: Daniela de Fiore (VP de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade do Wal Mart)

11h00 – Como Iniciar a Sustentabilidade na sua Empresa

Palestrantes: Márcio Cardoso (Supermercados Cardoso) e Márcia Vaz (gerente de responsabilidade sócio-ambiental – O BOTICÁRIO)

12h30 – almoço

14h00 - Varejo, Energia e Crédito de Carbono

Palestrantes: Paulo Pompilio (Grupo Pão de Açúcar) e Giovanni Barontini (Fábrica Éthica)

15h30 – Coffee break

16h00 – Programa SEBRAE de gestão ambiental – pequenas empresas
Palestrantes: Ricardo Tortorella (diretor-superintendente do Sebrae-SP)

17h30 –Lançamento Oficial do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade e encerramento do Seminário e da Mostra
Palestrantes: Abram Szajman (presidente Fecomercio) e José Goldemberg (presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Fecomercio)

Mostra Fecomercio de Sustentabilidade
Data: 4 e 5 de setembro – dia 4, das 12h às 19h; dia 5, das 10h às 19h
Local: Fecomercio – R. Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista
Entrada franca
Informações: tel.: (11) 3262-4908 ou http://www.fecomercio.com.br
Agendamentos para escolas e grupos: imello@fecomercio.com.br


Envolverde, 03/09/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Mais...

Prêmio pró-Bolsa Família tem 400 inscritos

Um prêmio do governo federal para destacar estratégias de prefeituras e governos estaduais que ajudem a aprimorar o Bolsa Família já tem 400 concorrentes. As inscrições vão até 19 de setembro e o resultado deve ser divulgado em novembro. Serão selecionados 27 projetos divididos em oito categorias.

O concurso, chamado Prêmio Práticas Inovadoras na Gestão do Programa Bolsa Família, vai destacar 20 iniciativas implantadas por prefeituras e sete por governos estaduais. Eles receberão um certificado de reconhecimento e a publicação de um relato sobre o projeto em um livro do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, responsável pelo concurso.

Além disso, os dirigentes das dez práticas que obtiverem maior pontuação — sendo seis de prefeituras e quatro de governos estaduais — farão uma visita técnica para México, Colômbia ou Chile para conhecer experiências internacionais de programas de transferência de renda.

Em julho, o Ministério atualizou o edital, prorrogou o prazo de inscrição de maio para 15 de maio para 19 de setembro e transferiu a data de divulgação dos resultados de junho para novembro. As inscrições devem ser feitas por técnicos dos projetos no site do prêmio, que tem o apoio do PNUD. As ações devem ser executadas há pelo menos três anos.

O novo edital também incluiu uma nova categoria nas sete já estabelecidas no concurso: gestão integrada do Bolsa Família, a fim de contemplar as iniciativas que se encaixavam em mais de uma categoria. Elas são: cadastro das famílias, gestão de benefício, gestão de condicionalidades, fiscalização, controle social, acompanhamento das famílias beneficiárias e articulação de atividades de qualificação profissional, geração de trabalho e renda.

Com a ampliação dos prazos, 400 iniciativas já foram inscritas no concurso. Entre elas está um projeto de São João do Sul, em Santa Catarina, que ensina tapeçaria para as mulheres beneficiárias; uma ação que auxilia futuras mães a prepararem o enxoval em Formoso do Araguaia, em Tocantins; e uma ação para localizar famílias que não compareciam às atualizações cadastrais em Lagoa do Itaenga, em Pernambuco.

Esta é a segunda edição do prêmio, que acontece a cada dois anos. A primeira edição contemplou 12 iniciativas de prefeituras e quatro de governos estaduais.

Inscrições

Leia o edital do prêmio em http://www.mds.gov.br/bolsafamilia/observatorio/2o-premio-praticas-inovadoras/edital

As inscrições devem ser feitas no site do prêmio. Só podem participar projetos executados há pelo menos três anos.


Osmar Soares de Campos, do Pnud
Envolverde,
03/09/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Mais...

Dia da Paz terá mensagens de celular

As Nações Unidas lançaram uma campanha interativa para marcar o Dia Internacional da Paz. Pela iniciativa, os usuários de celular, nos Estados Unidos, poderão enviar mensagens de texto para todos os líderes mundiais reunidos na Assembléia Geral, que começa neste 23 de setembro. As mensagens serão publicadas num site de internet e servirão para comemorar o Dia Internacional da Paz, marcado em 21 de setembro. Neste dia, as Nações Unidas pedem cessar-fogo, em áreas de conflito, e a não-violência durante 24 horas.

Escolas
Além da campanha, a sede da ONU está preparando outras atividades para marcar o Dia Internacional da Paz como uma cerimônia, onde é tocado o Sino da Paz, no jardim do secretariado. O sino é um presente do governo do Japão às Nações Unidas.

Devem participar do evento, os Mensageiros da Paz da ONU, o ator americano Michael Douglas e a princesa da Jordânia Haya Bint al Hussein entre outros.

As comemorações do Dia Internacional da Paz serão encerradas com uma grande video-conferência entre estudantes de escolas de Nova York, do Sudão, do Afeganistão e da Libéria.

O Dia Internacional da Paz foi estabelecido pela Assembléia Geral da ONU em 1981.

Para ouvira esta matéria clique em http://downloads.unmultimedia.org/radio/pt/real/2008/0809033i.rm ou acesse: http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/7118.html


João Duarte & Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU
Envolverde, 03/09/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Mais...

MMA prepara lista de resultados a serem obtidos com o Fundo Amazônia

O Ministério do Meio Ambiente prepara uma lista dos resultados ambientais que poderão ser obtidos com a aplicação dos recursos captados com o Fundo Amazônia. Entre eles, a implementação de planos de manejo em 100% das unidades de conservação, a finalização do primeiro inventário florestal, a recuperação de áreas desmatadas e a definição da destinação de 25 milhões de hectares de florestas públicas.

"Essa lista servirá de sinalizador para o mercado internacional, uma vez que o Fundo inovou na área de parcerias internacionais ao não incluir cláusulas de desempenho entre o Brasil e os doadores", explicou nesta terça-feira (2), o gerente-executivo de Captação e Fomentos Florestal do Serviço Florestal Brasileiro, Marco Conde. Segundo ele, no entanto, o principal resultado virá da diminuição das emissões de gases causadores do efeito estufa em conseqüência da redução do desmatamento. Mas não há metas e sim uma redução voluntária desses gases, destacou.

Conde fez uma apresentação do Fundo durante a Semana da Amazônia, que teve início na segunda-feira e vai até o dia (5), quando é comemorado o Dia da Amazônia. O evento está sendo realizado na 505 Norte no prédio Marie Prendi, em Brasília. Durante sua palestra, Conde explicou a metodologia de cálculo e a quantidade de carbono por hectares utilizado no cálculo das emissões.

Ele destacou, no entanto, que os aportes serão calculados em função da redução do desmatamento que o Brasil já fez. "É uma estratégia de reconhecimento dos nossos esforços passados", disse. Ele acrescentou que o Fundo será soberano, isto é, não haverá ingerência dos doadores sobre a destinação dos recursos.

De acordo com o gerente, a expectativa do Fundo Amazônia é captar US$ 21 bilhões até 2021. O primeiro aporte deve ser formalizado ainda este mês, durante a visita do primeiro ministro da Noruega ao Brasil, Jens Stoltenberg. A Noruega sinalizou a doação de US$ 500 milhões.

Lançado no dia 31 de julho, o Fundo será administrado pelo BNDES. Do total arrecadado, 20% poderão ser utilizados para desenvolvimento de sistemas de monitoramento e controle do desmatamento em outros biomas e em outros países tropicais.

Além disso, o Fundo contará com dois comitês. Um deles é o Comitê Técnico, formado por seis especialistas nomeados pelo Ministério do Meio Ambiente após consulta ao Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. Sua atribuição será atestar a redução efetiva de Emissões de Carbono Oriundas de Desmatamento (ED), devendo avaliar a metodologia de cálculo e a quantidade de carbono por hectares utilizado no cálculo das emissões.

O Comitê Orientador será composto por nove representantes do governo federal, um representante de cada um dos estados da Amazônia Legal que possuam Plano Estadual de Prevenção e Combate ao Desmatamento Ilegal e seis representantes da sociedade civil. Esse grupo terá a tarefa de indicar, para aprovação do BNDES, as diretrizes para aplicação dos recursos, o regimento interno do Comitê e os relatórios anuais do Fundo. Suas deliberações devem ser aprovadas por consenso.


Gisele Teixeira, do MMA
Envolverde, 03/09/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Mais...

Desenvolvimento: Imagine um mundo livre da necessidade de ajuda

A idéia de um mundo em que os ministérios europeus de assistência ao desenvolvimento fechem as portas porque os países do Sul já não necessitam deles soa como utopia. Mas, é o que têm em mente mais de mil funcionários de nações doadores, países pobres e agências multilaterais de desenvolvimento que iniciam hoje em Accra, capital de Gana, o Terceiro Fórum de Alto Nível sobre a Eficácia da Ajuda. O encontro, organizado pelo Banco Mundial e Banco Africano de Desenvolvimento e pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), reúne ministros, diretores de agências multilaterais e organizações não-governamentais de mais de cem países. Os participantes analisarão os resultados da ajuda para o desenvolvimento e irão sugerir mudanças para conseguir o melhor possível com o dinheiro destinado a esse fim, para construir economias sustentáveis e tirar as pessoas da pobreza.

Tomando como referência a Declaração de Paris de 2005 sobre a eficácia da ajuda, os participantes do Fórum avaliarão como doadores e receptores estão trabalhando associadamente para atingir os objetivos de desenvolvimento. “A Declaração promove um modelo de associação que melhora a transparência no uso dos recursos para o desenvolvimento. Reconhece que para se conseguir uma ajuda realmente eficaz e mais equilibrada são necessários mecanismos de prestação de contas em diferentes níveis”, disse à OCDE, que reúne 30 países ricos e duas economias emergentes, a Coréia do Sul e o México.

No encontro de Accra, os participantes avaliarão se os doadores estão oferecendo financiamento previsto e de longo prazo, coordenando os esforços de desenvolvimento entre os governos nacionais, incluídos os das nações receptoras, e avançando para a supressão da condicionalidade da ajuda. Os organizadores disseram que também será analisado se os países que recebem os fundos estão assumindo “suas próprias necessidades de desenvolvimento, trabalhando com seus parlamentos e a sociedade civil para fixar objetivos e estabelecer os meios que permitam alcançá-los”.

Entre os documentos que serão debatidos está a Agenda de Accra para a Ação, e que, se não houver inconvenientes, será adotada por unanimidade na próxima quinta-feira (4), último dia das deliberações. Em eu parágrafo final afirma que “hoje, mais do que nunca, resolvemos trabalhar em conjunto para ajudar os países de todo o mundo a construir um futuro de sucesso que todos queremos ver, um futuro baseado no compromisso compartilhado de superar a pobreza e no qual não há nações que dependam da ajuda”.

Esta promessa será parte do pacote que o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, apresentará aos líderes mundiais que assistirão em Nova York um encontro de alto nível, no próximo dia 25, e na Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, que se reunirá em Doha entre 20 de novembro e 2 de dezembro. Estará acompanhado por uma mensagem que enfatizará a necessidade de converter em realidade a utopia de um mundo “livre de ajuda”. Yash Tandon, diretor-executivo do Centor Sul, instituto de estudos intergovernamental de países em desenvolvimento com sede em genebra, tem sérias dúvidas de que esse objetivo possa ser alcançado um dia.

“O tema da eficácia da ajuda foi colocado na agenda global por três razões fundamentais. Uma é a necessidade de simplificar a racionalizar o complexo sistema de administração e reduzir os custos de transação”, escreveu Tandon em um artigo publicado pelo jornal de Nairóbi, Business Daily. A segunda, acrescentou, é que os cidadãos das nações doadoras perguntam por que seus governos estão dando “tanto dinheiro” à África, por exemplo, apesar da corrupção, das violações dos direitos humanos e dos poucos avanços na luta contra a pobreza. “Em terceiro lugar, a atual arquitetura da ajuda está dominada pelos países ricos da OCDE e, portanto, sofre um sério déficit de legitimidade democrática”, disse Tandon.

A seu ver, a conclusão é inevitável. “Com o pretexto de tornar mais eficaz a ajuda, o projeto da Declaração de Paris é uma forma de colonialismo coletivo dos doadores do Norte sobre os países do Sul que, devido à sua vulnerabilidade e psicologia da dependência, se submeter a ele na conferência de Accra”, afirmou Tandon. Por sua vez, a confederação de organizações não-governamentais Concord, com sede em Bruxelas, destacou que “os políticos realizam promessas de melhora da ajuda aos pobres, mas a falta de progresso nesses compromissos implica que sua credibilidade se encontra em jogo”.

Dados oficiais da OCDE revelam que praticamente não houve avanços rumo aos objetivos da Declaração de Paris. Os doadores melhoraram sua coordenação para realizar pesquisas e missões conjuntas, mas, a ajuda ficou menos previsível, disse Concord. Um informe de um dos integrantes da conferência, a Eurodad, mencionou alguns exemplos de casos em que as coisas saíram como era esperado. A totalidade da ajuda da Grã-Bretanha a Moçambique figura no orçamento desse país, a Irlanda oferece apoio direto a organizações da sociedade civil em Honduras para trabalhos de auditoria social e a União Européia agora assume compromissos de ajuda com prazo maior.

Mas as deficiências são muitas, alertou Eurodad. Por exemplo, apenas um quarto da ajuda do Banco Mundial a Moçambique é dado como programa de ajuda e o restante através de projetos individuais, enquanto a França financia suas contribuições para esse país reciclando os pagamentos do serviço da divida externa que Moçambique realiza. Além disso, “apenas um terço dos projetos de ajuda técnica da Comissão Européia (órgão executivo da UE) tiveram ou têm possibilidades de sucesso”, segundo uma análise da Corte Européia de Auditores.

Por outro lado, diz o documento da Eurodad, a Espanha condicionou seu alivio da dívida de Honduras à sua implementação por parte de empresas ou organizações espanholas. Em Malawi, os doadores estabeleceram 69 unidades de projeto paralelas aos sistemas governamentais e 30 delas estão dirigidas pela Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (Usaid). Em Mali, o Banco Mundial condiciona sua ajuda à privatização de empresas públicas, o que influência a conduta de outros doadores.

Segundo Concord, grande parte da ajuda está motorizada pelas prioridades e pelos interesses dos doadores, o que pode afetar a prestação de contas democráticas nas nações que a recebe deixando-se de lado as necessidades dos pobres. “Os doadores tomam decisões que afetam as vidas das pessoas nas nações pobres. Um passo fundamental para conseguir que a ajuda seja mais eficaz e que exista prestação de contas é que decidam adotar os padrões internacionais de práticas transparentes na conferência de Accra’’, disse Jessé Griffiths, da ONG ActionAid.

Apesar das promessas de reformas, a maioria da ajuda debilita os sistemas dos países em desenvolvimento, estabelecendo estruturas paralelas controladas pelos doadores e aplicando condições que promovem seus interesses econômicos e de política externa. “Sabemos que os doadores têm o poder de desbloquear muitos dos obstáculos. Se não assumirem compromissos concretos em Accra para modificar a forma com agem, o resultado será mais falta de ação e maior ineficiência”, disse o presidente da Concord, Justin Kilcullen.

Para Kilcullen, a União Européia tem a responsabilidade de garantir que na reunião em Accra sejam adotadas ações para melhorar a transparência, por fim aos condicionamentos políticos para a concessão da ajuda e garantir que atenda as necessidades das pessoas às quais está dirigida. O grupo ISG, que dirige as atividades de organizações da sociedade civil, disse em um documento que a Declaração de Paris fixa uma inconclusa e estreita agenda de reformas, que ignora o papel dos cidadãos e dos grupos da sociedade civil com atores do desenvolvimento, com uma longa tradição de organizar iniciativas políticas, sociais e econômicas a favor dos pobres.

Nesse documento, propõe mudanças em quatro áreas, para que a ajuda tenha um impacto real sobre a pobreza. Diz que se deve compreender o papel da sociedade civil com ator do desenvolvimento, ajustar o enfoque dos doadores a um entendimento mais profundo das modalidades da ajuda aos pobres, resolver as tensões entre o controle local e os condicionamentos dos doadores e garantir a realização de avaliações independentes sobre os progressos.

As organizações da sociedade civil também consideram que se deve cancelar em sua totalidade a divida externa dos países em desenvolvimento e que as nações ricas devem cumprir sua promessa de destinar 0,7% do produto interno bruto à ajuda oficial ao desenvolvimento (AOE). As nações ricas assumiram o compromisso de levar a AOE a esse nível em 1970 e o ratificaram no congresso de Monterrey de 2002, mas, muito poucas cumpriram essa promessa, afirma o documento. (IPS/Envolverde)

Leia também: "Desenvolvimento: Uma agenda e muitas dúvidas" - http://envolverde.ig.com.br/materia.php?cod=51361&edt=1


Ramesh Jaura, da IPS
Envolverde, 02/09/08
© Copyright Envolverde - É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita Envolverde.

Mais...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Dez anos de Balanço Social

O Ibase lança livro inédito com análise de mais de mil balanços sociais publicados entre 1997 e 2005. A publicação traz panorama de investimentos empresariais em meio ambiente, ações sociais e no público interno.

As empresas estão, cada vez mais, comprometidas com a transparência de suas informações (como indicadores sociais e perfil do corpo funcional); em contrapartida, os investimentos em áreas importantes como meio ambiente e educação apresentam tendência de queda nos últimos anos. Este panorama é apresentado no livro “Balanço Social, Dez Anos: O Desafio da Transparência”.

Com 96 páginas e dividida em 6 seções, a publicação consolida uma série de dados contidos nos balanços sociais preenchidos pelas empresas que atuam no Brasil e utilizam o modelo Ibase como parâmetro. Foram analisados 1.288 Balanços Sociais de 345 empresas, entre 1997 e 2005.

“O objetivo do trabalho foi fazer uma avaliação de uma década de balanço social e captar tendências. Constatamos avanços, mas existe ainda um longo caminho a ser enfrentado pelas empresas para transformar suas práticas internas e externas”, resume Ciro Torres, coordenador da área de Responsabilidade Social e Ética nas Organizações do Ibase.

Os dados mostram que os investimentos ambientais caíram de uma média de 28 milhões/ano por empresa em 2003 para 20 milhões/ano em 2005 (o índice mais baixo desde 2000); já os investimentos internos em educação caíram de uma média de R$ 79,00 por funcionário(a) (para cada R$ 1 mil de investimento social interno) em 2000 para R$ 24,00 em 2005.

Os números mostram ainda que mantêm-se estáveis os percentuais de mulheres e negros empregados pelas empresas (em torno de 30% e 15% do total de funcionários, respectivamente, entre 2000 e 2005) e que dobrou o percentual de terceirizados (de 20,5% para 42,8%). Já os índices de transparência evoluem a cada ano: em 2005, por exemplo, praticamente todas as empresas (95%) informaram em seus balanços sociais o número de mulheres em seu corpo funcional (contra 72% em 2000).

Faça o download da publicação em http://www.ibase.br/modules.php?name=Conteudo&file=index&pa=showpage&pid=2414


Redação do Ibase
Envolverde, 31/08/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Mais...

Conselho Monetário facilita crédito rural no Bioma Amazônia

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nessa quinta-feira (28) a exigência de comprovação de regularidade ambiental para concessão de crédito rural no Bioma Amazônia. Ficaram dispensados dessa exigência os beneficiários do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf) enquadrados como índios, quilombolas, pescadores artesanais e habitantes e usuários em situação regular de unidades de conservação ou uso sustentável.

Semelhante critério já é adotado com relação aos agricultores familiares de baixa renda, componentes do Grupo B do Pronaf.

O CMN facultou aos beneficiários enquadrados no Pronaf ou detentores de até qiatro módulos rurais no Bioma Amazônia, a apresentação de declaração de recomposição ou renegeração de área de preservação permanente e reserva legal, para a contratação de crédito rural.

Os bancos vão poder contratar empréstimos também para agricultores que estejam com processo de regularização em análise pelos órgãos de fiscalização ambiental, mediante declaração do Incra sobre isso.


Lourenço Canuto, da Agência Brasil
Envolverde, 29/08/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Mais...

Economia solidária cresce, mas as duras penas


Nos primeiro sete anos desta década, o Ministério do Trabalho e do Emprego já registrou um número maior de empreendimentos de economia solidária do que em toda a década passada. De acordo com o Relatório Nacional do Sistema Nacional de Informações em Economia Solidária, já são mais de 21 mil organizações brasileiras que obedecem aos critérios de cooperação, autogestão, viabilidade econômica e, sobretudo, solidariedade, que permitem que elas sejam incluídas nesse estudo.

O estado com maior número de empreendimentos de economia solidária é o Rio Grande do Sul, com 2.085, seguido pelo Ceará, com 1.854 e por Pernambuco, com 1.526. O Relatório mostra que as organizações se dedicam, em sua maioria, às atividades rurais. 48% são exclusivamente rurais, 17% são rurais e urbanas e apenas 35% desenvolvem trabalhos urbanos.

A relação das 30 atividades mais desenvolvidas pelas organizações de economia solidária está focada na produção e comércio de produtos oriundos de cinco setores: lavoura; têxtil; manufatura de madeira, palha e cordas; alimentos; e reciclagem.

O principal motivo que leva as pessoas a organizarem um empreendimento de economia solidária é que ele representa uma alternativa ao desemprego. Em segundo lugar, porque é uma oportunidade de ganhar mais do que o que obtinham com outras formas de trabalho. E em terceiro lugar, a economia solidária aparece como um complemento de renda.

Mas a renda obtida com esses empreendimentos ainda é bastante modesta. A maior fatia, 36%, fatura entre R$ 1.000 e R$ 5.000 por mês; 24% não consegue ultrapassar os R$ 1.000 mensais; e apenas 4,8% registram uma entrada de caixa superior a R$ 100 mil.

Os empreendimentos não são pequenos. A maior parte deles reúne de 20 a 50 pessoas, mas esses trabalhadores admitem que encontram muita dificuldade para colocarem seus produtos no mercado. Quando questionados sobre que obstáculos seriam esses, a primeira resposta que aparece é “que apesar das tentativas, o empreendimento não conseguiu encontrar clientes suficientes”. Depois surge o problema da falta de mão-de-obra porque ninguém na organização quer cuidar das vendas. E existe ainda o fato de que o empreendimento já levou muitos calotes e não sabe como evitá-los.

Esses depoimentos mostram como é difícil consolidar algo tão importante como uma empresa baseada nos princípios da economia solidária. O consumidor consciente pode ajudar, procurando saber onde estão esses empreendimentos e apoiando-os pela compra de seus produtos. Quem quiser conhecer o Relatório na íntegra, pode consultá-lo no site do Ministério do Trabalho e Emprego, no endereço http://www.mte.gov.br/ecosolidaria/sies.asp.

O que é economia solidária?
O site do Ministério do Trabalho e Emprego define com o seguinte texto o que é economia solidária.

Economia Solidária é um jeito diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver. Sem explorar os outros, sem querer levar vantagem, sem destruir o ambiente. Cooperando, fortalecendo o grupo, cada um pensando no bem de todos e no próprio bem.

A economia solidária vem se apresentando, nos últimos anos, como inovadora alternativa de geração de trabalho e renda e uma resposta a favor da inclusão social. Compreende uma diversidade de práticas econômicas e sociais organizadas sob a forma de cooperativas, associações, clubes de troca, empresas autogestionárias, redes de cooperação, entre outras, que realizam atividades de produção de bens, prestação de serviços, finanças solidárias, trocas, comércio justo e consumo solidário.

Nesse sentido, compreende-se por economia solidária o conjunto de atividades econômicas de produção, distribuição, consumo, poupança e crédito, organizadas sob a forma de autogestão.

Considerando essa concepção, a Economia Solidária possui as seguintes características:
a. Cooperação: existência de interesses e objetivos comuns, a união dos esforços e capacidades, a propriedade coletiva de bens, a partilha dos resultados e a responsabilidade solidária. Envolve diversos tipos de organização coletiva: empresas autogestionárias ou recuperadas (assumida por trabalhadores); associações comunitárias de produção; redes de produção, comercialização e consumo; grupos informais produtivos de segmentos específicos (mulheres, jovens etc.); clubes de trocas etc. Na maioria dos casos, essas organizações coletivas agregam um conjunto grande de atividades individuais e familiares.
b. Autogestão: os/as participantes das organizações exercitam as práticas participativas de autogestão dos processos de trabalho, das definições estratégicas e cotidianas dos empreendimentos, da direção e coordenação das ações nos seus diversos graus e interesses, etc. Os apoios externos, de assistência técnica e gerencial, de capacitação e assessoria, não devem substituir nem impedir o protagonismo dos verdadeiros sujeitos da ação.
c. Dimensão Econômica: é uma das bases de motivação da agregação de esforços e recursos pessoais e de outras organizações para produção, beneficiamento, crédito, comercialização e consumo. Envolve o conjunto de elementos de viabilidade econômica, permeados por critérios de eficácia e efetividade, ao lado dos aspectos culturais, ambientais e sociais.
d. Solidariedade: O caráter de solidariedade nos empreendimentos é expresso em diferentes dimensões: na justa distribuição dos resultados alcançados; nas oportunidades que levam ao desenvolvimento de capacidades e da melhoria das condições de vida dos participantes; no compromisso com um meio ambiente saudável; nas relações que se estabelecem com a comunidade local; na participação ativa nos processos de desenvolvimento sustentável de base territorial, regional e nacional; nas relações com os outros movimentos sociais e populares de caráter emancipatório; na preocupação com o bem estar dos trabalhadores e consumidores; e no respeito aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras.

Considerando essas características, a economia solidária aponta para uma nova lógica de desenvolvimento sustentável com geração de trabalho e distribuição de renda, mediante um crescimento econômico com proteção dos ecossistemas. Seus resultados econômicos, políticos e culturais são compartilhados pelos participantes, sem distinção de gênero, idade e raça. Implica na reversão da lógica capitalista ao se opor à exploração do trabalho e dos recursos naturais, considerando o ser humano na sua integralidade como sujeito e finalidade da atividade econômica.


Redação Akatu
Envolverde, 05/09/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Mais...

Petrobras mantém participação no Índice Dow Jones de Sustentabilidade

A Petrobras manteve pelo terceiro ano consecutivo a participação na composição do Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI) - o mais importante índice mundial de sustentabilidade.

A informação foi dada em nota divulgada na noite desta quinta-feira (4) pela assessoria de imprensa da estatal, para quem, com a renovação, “a companhia se consolida como uma das oito empresas brasileiras mais sustentáveis”.

As informações da Petrobras indicam que, para ser incluída no índice - que é usado como parâmetro para análise dos investidores social e ambientalmente responsáveis - são avaliados os desempenhos econômico, ambiental e social de mais de 2.500 empresas em 57 setores, em todo o mundo. Atualmente, apenas 20 empresas mundiais de petróleo e gás integram o índice.

De acordo com os critérios de avaliação do índice, a Petrobras se destacou “por sua transparência, gestão da marca, desempenho ambiental, biodiversidade, desenvolvimento de recursos humanos e cidadania corporativa, permitindo que sua pontuação total aumentasse de 70 em 2007 para 73 em 2008”.

Ainda segundo a Petrobras, o crescimento da pontuação foi no critério "Dimensão Econômica", com grande destaque para o setor de Exploração e Produção, que saltou de 21% para 75%.

“A permanência no índice demonstra o reconhecimento do empenho da companhia, nos últimos anos, na área ambiental, na transparência de seus processos contábeis, de divulgação e em governança corporativa”, diz a nota.

A Petrobras informou que, atualmente, perto de US$ 6 bilhões estão investidos em fundos que se baseiam exclusivamente nas empresas pertencentes aos índices DJSI.

No Brasil integram o índice as seguintes empresas: Aracruz Celulose, Banco Bradesco, Banco Itaú, Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), Itaúsa Investimentos, Usiminas e Votorantim Celulose e Papel.

No setor de Petróleo e Gás estão incluídas: AMEC, BG Group, BP, ENI, EnCana Corp., FMC Technologies, Gamesa Corporacion Tecnológica, Neste Oil Oyj, Nexen, Noble, Repsol YPF, Royal Dutch.


Nielmar de Oliveira, da Agência Brasil
Envolverde, 05/09/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Mais...



Acesse esta Agenda

Clicando no botão ao lado você pode se inscrever nesta Agenda e receber as novidades em seu email:
BlogBlogs.Com.Br