quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Desenvolvimento: Para ajudar, siga as instruções

Representantes do Norte industrializado e do Sul em desenvolvimento adotaram na sexta-feira (5) a Agenda de Accra para a Ação (AAA) uma normativa para melhorar a efetividade da ajuda internacional. O documento foi adotado fim do Fórum de Alto Nível sobre a Efetividade da ajuda, que reuniu por três dias na capital de Gana mais de 1.200 delegados de 120 países. Pela AAA, as nações em desenvolvimento se comprometem a supervisionar o efetivo uso dos recursos, enquanto os doadores assumem a missão de melhorar suas políticas e a coordenação para a entrega de fundos.

Após duras negociações, as duas partes se comprometeram a serem mais responsáveis uma perante a outra. Uma porta-voz norte-americana negou a versão de que houve discussões entre países do Sul em desenvolvimento, apoiados pela União Européia, com os principais doadores, liderados por Estados Unidos e Japão. “Vários grupos participaram da discussão e contribuíram com idéias. Todos ficaram lado a lado e trabalharam juntos”, afirmou a diretora de Assistência Exterior do Departamento de Estado norte-americano e administradora da agência de ajuda internacional Usaid, Henrietta H. Fore. “Queríamos refletir a urgência, mas também queríamos ser realistas. Desejávamos fixar os objetivos que podíamos alcançar”, disse à IPS.

Outros funcionários norte-americanos disseram que houve “diferenças culturais” entre Estados Unidos e Europa. As nações européias desejavam fixar altos “objetivos de aspiração”, enquanto Washington preferia metas mais realistas a alcançáveis. Os “Estados Unidos se interessam muito pelas metas e pelos resultados”, disse um funcionário desse país na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que representou os principais doadores no Fórum, junto com o Banco Mundial. A AAA estabelece que os governos do Sul devem assumir maior liderança em suas próprias políticas de desenvolvimento, que definirão com seus parlamentos e cidadãos.

“Os doadores os apoiarão respeitando suas prioridades, investindo em seus recursos humanos e instituições, fazendo maior uso de seus sistemas de distribuição da ajuda e aumentando a previsão de imperfeições”, acrescentou o funcionário. Além disso, acordaram “conseguir os resultados de desenvolvimento e serem abertamente responsáveis por eles deve ser o centro do que fazemos”, disse. Já que os cidadãos e contribuintes de todos os países esperam ver resultados tangíveis da assistência ao desenvolvimento, os delegados se comprometeram a “demonstrar que as ações se traduzem em impactos positivos nas vidas das pessoas”.

“Seremos responsáveis perante a outra parte e diante de nossos respectivos parlamentos e órgãos de governos por esses resultados”, afirmaram. “Sem tratar estes obstáculos para acelerar o progresso, ficaremos curtos em nossos compromissos e perderemos oportunidades para melhorar a subsistência dos povos mais vulneráveis do mundo”, acrescentaram. A AAA também tentará aumentar a participação das organizações da sociedade civil como atores independentes para o desenvolvimento, complementando o trabalho dos governos e do setor privado.

Entretanto, grupos civis presentes ao Fórum criticaram o resultado final dizendo que é um acordo fraco com mais palavras do que ação. “Inclusive os esforços de último minuto por parte dos ministros dos países em desenvolvimento e seus aliados apenas permitiram algumas melhorias marginais. Este fórum foi organizado pela OCDE, um clube de países ricos doadores”, disse a diretora-executiva da organização ganesa Netright. “Em um ano em que mais de cem milhões de pessoas foram arrastadas à pobreza pelo aumento nos preços dos alimentos, é escandaloso que os governos doadores se neguem a remover as restrições rígidas danosas que aumentam os custos da ajuda alimentar”, afirmou.

Por sua vez, o ativista Tony Tujan, da Reality of Aid, afirmou que “os doadores não conseguiram um acordo para reduzir as prejudiciais políticas de condições que prejudicam os processos democráticos e reduzem as opções dos países. Apesar dos esforços das nações beneficiadas, os doadores continuam impondo suas próprias estruturas, ignorando os processos internos”, acrescentou. (IPS/Envolverde)


Francis Kokutse e correspondetes da IPS
Envolverde,
09/09/08
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A rica expressão do associativismo brasileiro

Em agosto foi lançado o segundo suplemento sobre as Fundações e Associações Privadas Sem Fins Lucrativos no Brasil, pesquisa desenvolvida a partir da parceria entre IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Instituto de Pesquisa Econômicas e Aplicadas - IPEA, a Associação Brasileira de ONGs – ABONG e o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas – GIFE.

Com base em dados do Cadastro de Empresas – CEMPRE de 2005, a pesquisa demonstra que existem hoje no Brasil 338 mil organizações sem fins lucrativos divididas em cinco catregorias: 1. que são privadas, não integram o aparelho do Estado; 2. que não distribuem eventuais excedentes; 3. que são voluntárias; 4. que possuem capacidade de autogestão; e, 5. que são institucionalizadas.

O crescimento do número de organizações, bem como sua diversificação, são reflexos da democracia brasileira, mas o resultado da pesquisa demanda um olhar atento sobre suas especificidades e não pode ser considerado bom ou ruim a priori. Além disso, é preciso considerar o alto nível de precariedade deste crescimento, considerando hoje as frágeis formas de financiamento dos trabalhos destas organizações.

Dentre várias informações trazidas à cena pelo levantamento, algumas são particularmente interessantes:

1. A pesquisa demonstra a heterogeneidade do associativismo brasileiro, explicitando o quanto esse universo é amplo e complexo. Assim, podemos ver que não existem 338 mil ONGs, na acepção destas como entidades de defesa de direitos e nem do terceiro setor, como são referidas as do campo da filantropia empresarial. Esses conceitos são políticos, sem rebatimento jurídico e esse universo amplo engloba também essas organizações, mas não se limita as mesmas;

2. Existe uma extrema desigualdade entre essas organizações, e, ao contrário de um recorrente “mito”, o associativismo não é uma “forma fácil de enriquecer”. A média salarial nessas entidades é baixa, cerca de 3,8 salários mínimos por mês. Além disso, as organizações empregam em torno de 1,7 milhão de trabalhadores(as) assalariados(as), mas há, de fato, muito trabalho voluntário, militante e precarizado. As que mais empregam são aquelas que trabalham nas áreas da saúde e da educação, sendo que cerca de 70% empregam um milhão de pessoas, e o restante se distribui em 30%, consideradas de pequeno porte;

3. A distribuição regional, ainda que avaliada em proporção à população das regiões, na pesquisa, demonstra, em relação a 2002, um crescimento de organizações no Nordeste e afirma o alto percentual de associativismo da região Sul, já com tradição nesse sentido. O Sudeste é a região que mais apresenta organizações sem fins lucrativos;

4. A pesquisa aponta para um crescimento das entidades classificadas como de “defesa de direitos e de interesses dos cidadãos”, mas vale desmembrar essa informação para reconhecer o crescimento também de entidades corporativas patronais, de defesa de interesses de classe;

5. Há um percentual de entidades situadas na área de assistência social que, em relação a 2002, não sofre aumento significativo, porém cabe considerar que muitas não se enquadram exatamente nas atribuições de assistência social do Ministério de Desenvolvimento Social – MDS;

6. As entidades são relativamente novas, tendo uma média de 12 anos de existência. A pesquisa não aborda a “mortalidade” delas e seria um aspecto interessante a se levantar para avaliar a sustentabilidade. As que de fato demonstram maior longevidade são as que trabalham com saúde, em especial hospitais. Isso é relevante para entender a sustentabilidade em termos das relações com o Estado brasileiro, no acesso a isenções e imunidades fiscais;

7. Há também um crescimento significativo do grupo de organizações ligadas ao grupamento de religião, demonstrando a forte natureza confessional do associativismo;

8. Por outro lado, há de se olhar para o crescimento do agrupamento de cultura e recreação, que pode ser analisado tanto pela proliferação de atividades de caráter assistencial e mesmo assistencialista, quanto de novas formas associativas a partir da cultura;

Nesse sentido, a ABONG acredita ser de fundamental importância o lançamento dessa pesquisa, em momento de tanta evidência do que genericamente é intitulado de “ONG” no Brasil.

A ABONG espera, através do produto dessa profícua parceria, contribuir para um maior entendimento sobre esse amplo universo e um melhor conhecimento sobre o associativismo e sua contribuição para a democracia brasileira.
/noticia_visualiza.php?id_noticia=1205&id_pagina=1

Veja a pesquisa na íntegra e faça o download em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/fasfil/2005/


Fonte: Informes Abong
Envolverde, 08/09/08
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Programa de alfabetização do Banco do Brasil vai beneficiar índios e quilombolas em 2009

A Fundação Banco do Brasil pretende reformular em 2009 o programa BB Educar, de alfabetização de jovens e adultos a partir dos 15 anos, focando-o em comunidades tradicionais, que têm mais dificuldades de serem assistidas em convênios com prefeituras e projetos públicos.
Aí se enquadram comunidades de quilombolas, indígenas, assentados da reforma agrária, cooperativas de catadores de materiais recicláveis e presidiários. “São públicos que a gente pretende priorizar”, afirmou à Agência Brasil o gerente das áreas de Cultura e Educação da Fundação BB, Marcos Fadanelli. Atualmente, o programa contabiliza 58.129 pessoas em sala de aula.

Para 2008, a meta é atender em torno de 50 mil pessoas, considerando alguma evasão. Desde 1992, a média histórica de evasão é de 38%. De 2003 para cá, houve uma redução para 30%, em razão dos aperfeiçoamentos que foram sendo introduzidos no programa. “Está havendo um movimento positivo”. Fadanelli disse que o Brasil ainda tem necessidades muito grandes pela frente para atender, mas observou que houve uma redução significativa no analfabetismo urbano.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o analfabetismo era de 10,2% para maiores de 15 anos, em 2005, e caiu pela primeira vez na história do país para 9,6%, em 2006. “Isso é uma coisa importante, porque a expectativa de vida no nosso país aumentou”.

Os investimentos do BB Educar somam, em média, entre R$ 3 milhões a R$ 4 milhões por ano. A duração média para alfabetização oscila entre seis a dez meses. O tempo varia de acordo com a freqüência semanal. Os quilombolas, por exemplo, podem se reunir apenas duas vezes por semana. Nas colônias de pescadores, na época do defeso, existe possibilidade de se reunirem para estudar com maior freqüência.

O programa BB Educar foi lançado pelo Banco do Brasil em 1992 e há oito anos vem sendo conduzido pela Fundação Banco do Brasil. O projeto nasceu quando o banco, diante da elevada inflação existente à época, teve que promover uma reformulação em seus quadros funcionais, eliminando uma carreira de serviços auxiliares.

Ao fazer isso, percebeu que havia analfabetos entre as pessoas que prestavam serviços de apoio. Alguns funcionários se ofereceram então para realizar um trabalho de alfabetização voluntária, de modo que essas pessoas pudessem fazer uma prova e mudar de carreira. O trabalho melhorou a escolaridade desses funcionários. A partir desse esforço interno, o programa começou a crescer, com a abertura de núcleos de funcionários voluntários em todo o país.

Mais tarde, por causa da demanda, o programa se expandiu para as comunidades, através da assinatura de convênios com entidades sem fins lucrativos do setor público e do terceiro setor. Marcos Fadanelli revelou que nesses 17 anos foram alfabetizadas 369.243 pessoas. O quadro de educadores, formado por funcionários do banco, engloba 102 pessoas, das quais 42 da ativa e 51 ex-funcionários e aposentados. O Banco do Brasil comemora em outubro próximo 200 anos de fundação.


Alana Gandra, da Agência Brasil
Envolverde, 08/09/08
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quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Mercados verdes, produtos mais verdes

Com a nova realidade global e a crescente demanda por produtos verdes, grandes corporações começam a repensar suas estratégias de negócios visando adaptar-se a um mercado consumidor cada vez mais engajado e sensível às questões socioambientais. A partir do investimento em pesquisa e em novas tecnologias, alternativas mais sustentáveis surgem a cada dia, inspiradas em casos mundiais já clássicos de inovação verde, como a linha Ecoimagination, da General Eletric, e os veículos híbridos Prius da Toyota.

Segundo Alexandre Alfredo, diretor de comunicação da GE na América Latina, a inovação para produtos mais sustentáveis começou a ganhar força na empresa a partir de 2004. “Foi quando sentimos que havia a necessidade do desenvolvimento de novas tecnologias, que deveriam ser mais limpas e mais amigáveis em relação ao meio ambiente. Essa era uma preocupação em comum dos nossos clientes da GE. Assim resolvemos lançar a Ecoimagination”, afirma.

De acordo com Alfredo, existe uma forte consciência socioambiental em ascensão no Brasil. O consumidor - acredita - está cada vez mais exigente e cobra ações eficientes por parte das empresas, do governo e das ONGs. “Existe uma consciência muito presente. Por conta disso, identificamos várias oportunidades na área. Não abraçamos esse tema porque queremos ser simplesmente corretos, mas porque é uma unidade de negócios que pode gerar muito retorno financeiro”, explica o diretor.

A linha Ecoimagination será lançada oficialmente no Brasil em 2009. Mas os primeiros bons resultados comprovam o sucesso do empreendimento. Em três anos, mais de 5.000 projetos da linha foram lançados, gerando uma economia energética de 97 milhões de dólares e a redução de 600 mil toneladas de CO2 por metro cúbico, contabilizados produção e consumo. O segmento de produtos mais sustentáveis já rendeu à General Eletric um lucro de aproximadamente 14 bilhões de dólares.

Inovações para o mercado verde
Algumas empresas já têm uma posição consolidada em relação a práticas ambientalmente responsáveis. É o caso da Natura. Considerada uma pioneira em sustentabilidade no país, a empresa fez investimentos importantes, na última década, visando substituir elementos fósseis por outras substâncias na composição de seus produtos, e também o álcool comum pelo álcool orgânico na perfumaria e nos desodorantes da marca.

Segundo Daniel Gonzaga, diretor de pesquisa e tecnologia da empresa, o processo de modificação dos produtos pode levar de um a dois anos de estudo. “É necessário garantir que a matéria-prima esteja disponível na quantidade necessária e que a nova fórmula não altere as características sensoriais da composição. Não adianta desenvolver algo sustentável, natural, mas que não agrade o consumidor”, conta.

As inovações na formulação dos cosméticos da Natura só foram possíveis após anos de trabalho no campo de pesquisa e desenvolvimento, com o auxilio de cerca de 200 profissionais de diferentes formações. Para Gonzaga, a união entre as empresas é fundamental para que resultados eficientes possam ser alcançados em menor prazo. “Muitas vezes, temos projetos interessantes do ponto de vista tecnológico, mas que não conseguem ser viabilizados economicamente porque são poucas as empresas interessadas em desenvolvê-los”. Esse tipo de parceria representa o conceito de Open Innovation (Inovação Aberta), uma tendência no mercado que leva empresas a expandirem seus conhecimentos para além dos laboratórios, permitindo economia de tempo e de recursos.

Outra tendência no segmento de produtos mais verdes são os concentrados. Um bom exemplo é a nova versão do Confort de 500 ml, cuja vantagem ambiental é, mantendo o mesmo rendimento da versão de 2 litros, gerar uma economia de cerca de 20% para os consumidores, além de reduzir custos na produção e na confecção de embalagens. Na avaliação de Jorge Lima, gerente de assuntos governamentais e socioambientais da Unilever Brasil, o caso do Confort não reflete apenas o universo dos bens de consumo de limpeza, mas uma tendência global. “O consumidor está sendo convidado a mudar um pouco a sua cultura em benefício do meio ambiente. Acredito que, no futuro, mais produtos serão concentrados”, avalia.

Em relação às embalagens, a Unilever tem feito várias inovações. A redução do tamanho da caixa do sabão em pó Omo, por exemplo, evita o corte de 2,4 mil árvores por mês e reduz em 9% o consumo de combustível para transporte interno e externo. O desodorante Rexona, que antigamente vinha com uma tampa de plástico na embalagem, também passou por uma reformulação para eliminar esse item que terminava na reciclagem pós-consumo. A transição de vidro para PET das embalagens da maionese Hellmann´s, é outro exemplo eficiente, na medida em que resulta em economia anual de 1.029 toneladas de vidro e de 26.000 litros de água.

No mercado desde maio de 2008, esses novos produtos e embalagens, seguem ao pé da letra a nova cartilha da sustentabilidade, estimulando –segundo Lima - uma importante mudança de hábito nos consumidores. “O brasileiro opta tradicionalmente por custo e benefício. Mas hoje, há um terceiro pilar em questão: se o produto possui o selo verde e tem compromisso com a responsabilidade social”, ressalta o gerente da Unilever.

A Tetra Pak, empresa líder no setor de processamento, envase e distribuição de alimentos, também tem disseminado a idéia da sustentabilidade por toda a sua cadeia produtiva A preocupação ambiental com o descarte de seus produtos, aliada à produção recorde de 137 bilhões de embalagens em 2007, levou a empresa a desenvolver uma tecnologia específica para fabricação de diversos objetos a partir da mistura de plástico e alumínio, após a separação do papel que compõe a embalagem – utilizado posteriormente na produção de caixas de papelão e de papel reciclado.

As soluções desenvolvidas pela empresa estimulam o desenvolvimento das recicladoras e geram parcerias eficientes de negócios. Na fábrica Eco-Futuro, por exemplo, embalagens da Tetra Pak já utilizadas passam por um processo de prensagem, resultando em telhas. Na fábrica Polares, o material chamado pellet (mistura de alumínio e plástico) tem sido utilizado na produção de vassouras.

Segundo Fernando Von Zuben, diretor de meio ambiente da Tetra Pak, a quantidade de clientes que compram embalagens da companhia aumentou consideravelmente nos últimos anos. “É benéfico para uma empresa ter seu nome associado a uma cadeia de fornecedores socioambientalmente responsáveis”, afirma

Além de criar novos produtos verdes, há um mercado empenhado em tornar mais sustentáveis os já existentes Um exemplo dessa evolução é a indústria automobilística. O novo conceito Flex Start, desenvolvido atualmente pela Bosch, pode resultar na produção de carros menos prejudiciais ao meio ambiente. Um veículo que possui o Flex Start está apto, por exemplo, a fazer uma “partida a frio”, sem precisar do reservatório dos veículos comuns, proporcionando uma redução de até 40% na emissão de poluentes. A previsão é de que esta nova tecnologia esteja disponível no mercado brasileiro a partir de 2009.

Outra novidade que pode ser muito eficiente nas grandes cidades é o sistema Start Stop, que reconhece uma série de condições de uso do carro e desliga o motor automaticamente quando o automóvel está parado em marcha lenta por longo período, sendo acionado novamente apenas com o uso dos pedais. Esse sistema pode reduzir em até 8% o consumo de combustível e em até 5% as emissões de CO2. O Star Stop já integra os veículos europeus e deve estar disponível no Brasil a partir de 2010.

De acordo com Fábio Ferreira, gerente de desenvolvimento de produtos da unidade sistemas a gasolina da Robert Bosch América Latina, a introdução dessas novas tecnologias no mercado, avaliada juntamente com o impacto no custo final dos veículos, tem gerado bons resultados. “É perceptível a disposição crescente dos consumidores para comprar produtos ambientalmente corretos”, destaca Ferreira.

Empresas mais conscientes
A necessidade de conscientizar os novos consumidores também se mostra um desafio para as empresas que investem em produtos mais sustentáveis. Segundo o diretor da GE, o Brasil tem uma nova classe média com grande poder de consumo e, por isso mesmo, inegável capacidade de influenciar os negócios. “Essa mudança reflete na habilidade do país crescer de uma maneira sustentável e na forma como a GE se prepara para atender a essa demanda”.

Para ajudar a fortalecer a consciência socioambiental nessa nova sociedade em formação, a GE aposta na Convocação Regional, evento que está no quinto ano e acontece pela primeira vez na América Latina e no Brasil. Cerca de 20 lideres de opinião, entre governo, empresas e ONGs, se reunirão na segunda semana de outubro para trocar experiências sobre um determinado tema, que, neste ano, será a sustentabilidade. Segundo Alfredo, como os negócios geram um impacto importante para a sociedade, deve partir das empresas o desenvolvimento de alternativas e soluções mais sustentáveis.

Na mesma linha de conscientizar consumidores, a Natura foi a primeira no país a destacar uma tabela ambiental no rótulo de produtos. “Elas contém informações a respeito da quantidade de matéria-prima proveniente de fontes renováveis e quais embalagens são recicladas ou recicláveis”, afirma Gonzaga. Para Lima, da Unilever, quanto mais consumidores engajados, mais empresas devem aderir às práticas sustentáveis. “De modo geral, quando os consumidores são exigentes, a indústria procura se melhorar. O que temos feito é levar em consideração toda a preocupação durante o processo de produção de novos produtos”, ressalta

Para Von Zuben, da Tetra Pak, o mais importante na relação com os consumidores é a transparência. “A empresa deve comunicar apenas a realidade. No final das contas, é muito fácil vender. Demora-se anos para se construir credibilidade. E pouco tempo para perdê-la”.

Tendências no mercado verde
Redução de embalagens
Parcerias para o desenvolvimento de tecnologias mais limpas
Reformulação de produtos para redução do impacto ambiental
Desenvolvimento de novos produtos concentrados



Redação da Revista Idéia Socioambiental
Envolverde, 03/09/08
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Fecomércio promove seminário e mostra sobre varejo e sustentabilidade

A Federação do Comércio do Estado de São Paulo promove nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro Fecomercio de Eventos, o seminário "Comércio Varejista e Sustentabilidade". O evento visa envolver empresários, educadores, a classe científica, políticos e a sociedade civil em uma campanha de conscientização e na prática de ações ambientais de baixo custo e de alto impacto, que possam ser incorporadas ao cotidiano das empresas.

Voltado para micro, pequenas, médias e grandes empresas do setor de comércio e serviços, acadêmicos, políticos, imprensa e sociedade em geral, o seminário é gratuito. Durante o encontro personalidades de renome na área ambiental abordarão temas como práticas sustentáveis no varejo, consumo consciente, entre outros.

Paralelamente ao Seminário ocorrerá a Mostra Fecomercio de Sustentabilidade, realizada em parceria com os Institutos Ethos e Brasil Ambiental. A exposição reunirá artistas, empresas, organizações e entidades que apresentarão seus produtos e projetos em torno do tema "sustentabilidade", visando a ampliação desta forma de pensar e o estímulo ao desenvolvimento.

A mostra será dividida em dois setores: o primeiro apresentará produtos que resultam da indústria de reciclagem, como obras arte, móveis, design e moda, um trabalho realizado por diversas cooperativas de reciclagem de lixo de São Paulo, com participação de artistas plásticos. Entre os artistas e cooperativas convidados estão Cláudia Araujo, Naná Ayné, Maria do Rosário, Instituto Papel Solidário, Empresa de Lona, Consuelo, Oficina Boracea, Empresa Metropolitan, Móveis de Mato Grosso e Amapá, Rosely Ferraiol e Carlos Gomes.

A segunda parte exibirá as tecnologias sustentáveis, com a participação de empresas e seus cases: Programa Caixa de Diversidade; Projeto Juruti Sustentável; - Viveiros de Mudas da Mata Atlântica, Melhorar – Projeto de Rideshare (Carpool), Brastemp Independente, Eletrodomésticos para Consumidores Portadores de Deficiências, Compressor de Capacidade Variável, Sistema Modular Ecotelhado, Torre Sustentável para Habitações de Baixa Renda no Brasil, Aquecedor Solar de Água de Baixo Custo, Cool Blue – Reciclagem de Carpete, Captação de Água da Chuva, Metodologia Base do Programa Gestão da Água nas Organizações, Projeto Plasma, Quartz Revestimentos Ecológicos.

Caso tenha interesse em participar do evento, por favor, confirme sua presença pelo e-mail raquel.aranha@hotmail.com, ou pelo telefone 8106.9377.

Serviço:
Seminário "Comércio Varejista e Sustentabilidade"
Data: 04 e 05 de setembro
Horário: das 09 às 18 horas
Local: Centro Fecomercio de Eventos (rua dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista – São Paulo)

Programação
04 de setembro
08h30 – credenciamento e welcome coffee
09h30 – abertura do seminário: Abram Szajman (Presidente da Fecomercio)
Prof. Antonio Carlos Borges (diretor executivo da Fecomercio)
10h00 - Desafios e oportunidades da empresa sustentável
Palestrantes: Prof. Mario Monzoni (FGV) e Alcir Vilela (programa de gestão ambiental do SENAC)

12h00 – almoço

13h30 – Visita oficial à Mostra Fecomercio de Sustentabilidade

14h15 – Varejo e Consumo Sustentável: a educação do consumidor
Palestrantes: Jacques Gelman (Programa de Responsabilidade Social e Sustentabilidade no Varejo – FGV-EAESP) e Helio Mattar (Instituto Akatu)

15h45 – Coffee break

16h00 - A Construção do Mercado Responsável
Palestrantes: Paulo Itacarambi (Instituto Ethos) e Sonia Favaretto (Fundação Itaú Social).
17h30 – Propostas de uma cidade justa e sustentável

Palestrante: Oded Grajew (Movimento Nossa São Paulo).

05 de setembro

09h00 – welcome coffee

09h30 - Parcerias para a Sustentabilidade

Palestrantes: Daniela de Fiore (VP de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade do Wal Mart)

11h00 – Como Iniciar a Sustentabilidade na sua Empresa

Palestrantes: Márcio Cardoso (Supermercados Cardoso) e Márcia Vaz (gerente de responsabilidade sócio-ambiental – O BOTICÁRIO)

12h30 – almoço

14h00 - Varejo, Energia e Crédito de Carbono

Palestrantes: Paulo Pompilio (Grupo Pão de Açúcar) e Giovanni Barontini (Fábrica Éthica)

15h30 – Coffee break

16h00 – Programa SEBRAE de gestão ambiental – pequenas empresas
Palestrantes: Ricardo Tortorella (diretor-superintendente do Sebrae-SP)

17h30 –Lançamento Oficial do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade e encerramento do Seminário e da Mostra
Palestrantes: Abram Szajman (presidente Fecomercio) e José Goldemberg (presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Fecomercio)

Mostra Fecomercio de Sustentabilidade
Data: 4 e 5 de setembro – dia 4, das 12h às 19h; dia 5, das 10h às 19h
Local: Fecomercio – R. Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista
Entrada franca
Informações: tel.: (11) 3262-4908 ou http://www.fecomercio.com.br
Agendamentos para escolas e grupos: imello@fecomercio.com.br


Envolverde, 03/09/08
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Prêmio pró-Bolsa Família tem 400 inscritos

Um prêmio do governo federal para destacar estratégias de prefeituras e governos estaduais que ajudem a aprimorar o Bolsa Família já tem 400 concorrentes. As inscrições vão até 19 de setembro e o resultado deve ser divulgado em novembro. Serão selecionados 27 projetos divididos em oito categorias.

O concurso, chamado Prêmio Práticas Inovadoras na Gestão do Programa Bolsa Família, vai destacar 20 iniciativas implantadas por prefeituras e sete por governos estaduais. Eles receberão um certificado de reconhecimento e a publicação de um relato sobre o projeto em um livro do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, responsável pelo concurso.

Além disso, os dirigentes das dez práticas que obtiverem maior pontuação — sendo seis de prefeituras e quatro de governos estaduais — farão uma visita técnica para México, Colômbia ou Chile para conhecer experiências internacionais de programas de transferência de renda.

Em julho, o Ministério atualizou o edital, prorrogou o prazo de inscrição de maio para 15 de maio para 19 de setembro e transferiu a data de divulgação dos resultados de junho para novembro. As inscrições devem ser feitas por técnicos dos projetos no site do prêmio, que tem o apoio do PNUD. As ações devem ser executadas há pelo menos três anos.

O novo edital também incluiu uma nova categoria nas sete já estabelecidas no concurso: gestão integrada do Bolsa Família, a fim de contemplar as iniciativas que se encaixavam em mais de uma categoria. Elas são: cadastro das famílias, gestão de benefício, gestão de condicionalidades, fiscalização, controle social, acompanhamento das famílias beneficiárias e articulação de atividades de qualificação profissional, geração de trabalho e renda.

Com a ampliação dos prazos, 400 iniciativas já foram inscritas no concurso. Entre elas está um projeto de São João do Sul, em Santa Catarina, que ensina tapeçaria para as mulheres beneficiárias; uma ação que auxilia futuras mães a prepararem o enxoval em Formoso do Araguaia, em Tocantins; e uma ação para localizar famílias que não compareciam às atualizações cadastrais em Lagoa do Itaenga, em Pernambuco.

Esta é a segunda edição do prêmio, que acontece a cada dois anos. A primeira edição contemplou 12 iniciativas de prefeituras e quatro de governos estaduais.

Inscrições

Leia o edital do prêmio em http://www.mds.gov.br/bolsafamilia/observatorio/2o-premio-praticas-inovadoras/edital

As inscrições devem ser feitas no site do prêmio. Só podem participar projetos executados há pelo menos três anos.


Osmar Soares de Campos, do Pnud
Envolverde,
03/09/08
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Dia da Paz terá mensagens de celular

As Nações Unidas lançaram uma campanha interativa para marcar o Dia Internacional da Paz. Pela iniciativa, os usuários de celular, nos Estados Unidos, poderão enviar mensagens de texto para todos os líderes mundiais reunidos na Assembléia Geral, que começa neste 23 de setembro. As mensagens serão publicadas num site de internet e servirão para comemorar o Dia Internacional da Paz, marcado em 21 de setembro. Neste dia, as Nações Unidas pedem cessar-fogo, em áreas de conflito, e a não-violência durante 24 horas.

Escolas
Além da campanha, a sede da ONU está preparando outras atividades para marcar o Dia Internacional da Paz como uma cerimônia, onde é tocado o Sino da Paz, no jardim do secretariado. O sino é um presente do governo do Japão às Nações Unidas.

Devem participar do evento, os Mensageiros da Paz da ONU, o ator americano Michael Douglas e a princesa da Jordânia Haya Bint al Hussein entre outros.

As comemorações do Dia Internacional da Paz serão encerradas com uma grande video-conferência entre estudantes de escolas de Nova York, do Sudão, do Afeganistão e da Libéria.

O Dia Internacional da Paz foi estabelecido pela Assembléia Geral da ONU em 1981.

Para ouvira esta matéria clique em http://downloads.unmultimedia.org/radio/pt/real/2008/0809033i.rm ou acesse: http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/7118.html


João Duarte & Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU
Envolverde, 03/09/08
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MMA prepara lista de resultados a serem obtidos com o Fundo Amazônia

O Ministério do Meio Ambiente prepara uma lista dos resultados ambientais que poderão ser obtidos com a aplicação dos recursos captados com o Fundo Amazônia. Entre eles, a implementação de planos de manejo em 100% das unidades de conservação, a finalização do primeiro inventário florestal, a recuperação de áreas desmatadas e a definição da destinação de 25 milhões de hectares de florestas públicas.

"Essa lista servirá de sinalizador para o mercado internacional, uma vez que o Fundo inovou na área de parcerias internacionais ao não incluir cláusulas de desempenho entre o Brasil e os doadores", explicou nesta terça-feira (2), o gerente-executivo de Captação e Fomentos Florestal do Serviço Florestal Brasileiro, Marco Conde. Segundo ele, no entanto, o principal resultado virá da diminuição das emissões de gases causadores do efeito estufa em conseqüência da redução do desmatamento. Mas não há metas e sim uma redução voluntária desses gases, destacou.

Conde fez uma apresentação do Fundo durante a Semana da Amazônia, que teve início na segunda-feira e vai até o dia (5), quando é comemorado o Dia da Amazônia. O evento está sendo realizado na 505 Norte no prédio Marie Prendi, em Brasília. Durante sua palestra, Conde explicou a metodologia de cálculo e a quantidade de carbono por hectares utilizado no cálculo das emissões.

Ele destacou, no entanto, que os aportes serão calculados em função da redução do desmatamento que o Brasil já fez. "É uma estratégia de reconhecimento dos nossos esforços passados", disse. Ele acrescentou que o Fundo será soberano, isto é, não haverá ingerência dos doadores sobre a destinação dos recursos.

De acordo com o gerente, a expectativa do Fundo Amazônia é captar US$ 21 bilhões até 2021. O primeiro aporte deve ser formalizado ainda este mês, durante a visita do primeiro ministro da Noruega ao Brasil, Jens Stoltenberg. A Noruega sinalizou a doação de US$ 500 milhões.

Lançado no dia 31 de julho, o Fundo será administrado pelo BNDES. Do total arrecadado, 20% poderão ser utilizados para desenvolvimento de sistemas de monitoramento e controle do desmatamento em outros biomas e em outros países tropicais.

Além disso, o Fundo contará com dois comitês. Um deles é o Comitê Técnico, formado por seis especialistas nomeados pelo Ministério do Meio Ambiente após consulta ao Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. Sua atribuição será atestar a redução efetiva de Emissões de Carbono Oriundas de Desmatamento (ED), devendo avaliar a metodologia de cálculo e a quantidade de carbono por hectares utilizado no cálculo das emissões.

O Comitê Orientador será composto por nove representantes do governo federal, um representante de cada um dos estados da Amazônia Legal que possuam Plano Estadual de Prevenção e Combate ao Desmatamento Ilegal e seis representantes da sociedade civil. Esse grupo terá a tarefa de indicar, para aprovação do BNDES, as diretrizes para aplicação dos recursos, o regimento interno do Comitê e os relatórios anuais do Fundo. Suas deliberações devem ser aprovadas por consenso.


Gisele Teixeira, do MMA
Envolverde, 03/09/08
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Desenvolvimento: Imagine um mundo livre da necessidade de ajuda

A idéia de um mundo em que os ministérios europeus de assistência ao desenvolvimento fechem as portas porque os países do Sul já não necessitam deles soa como utopia. Mas, é o que têm em mente mais de mil funcionários de nações doadores, países pobres e agências multilaterais de desenvolvimento que iniciam hoje em Accra, capital de Gana, o Terceiro Fórum de Alto Nível sobre a Eficácia da Ajuda. O encontro, organizado pelo Banco Mundial e Banco Africano de Desenvolvimento e pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), reúne ministros, diretores de agências multilaterais e organizações não-governamentais de mais de cem países. Os participantes analisarão os resultados da ajuda para o desenvolvimento e irão sugerir mudanças para conseguir o melhor possível com o dinheiro destinado a esse fim, para construir economias sustentáveis e tirar as pessoas da pobreza.

Tomando como referência a Declaração de Paris de 2005 sobre a eficácia da ajuda, os participantes do Fórum avaliarão como doadores e receptores estão trabalhando associadamente para atingir os objetivos de desenvolvimento. “A Declaração promove um modelo de associação que melhora a transparência no uso dos recursos para o desenvolvimento. Reconhece que para se conseguir uma ajuda realmente eficaz e mais equilibrada são necessários mecanismos de prestação de contas em diferentes níveis”, disse à OCDE, que reúne 30 países ricos e duas economias emergentes, a Coréia do Sul e o México.

No encontro de Accra, os participantes avaliarão se os doadores estão oferecendo financiamento previsto e de longo prazo, coordenando os esforços de desenvolvimento entre os governos nacionais, incluídos os das nações receptoras, e avançando para a supressão da condicionalidade da ajuda. Os organizadores disseram que também será analisado se os países que recebem os fundos estão assumindo “suas próprias necessidades de desenvolvimento, trabalhando com seus parlamentos e a sociedade civil para fixar objetivos e estabelecer os meios que permitam alcançá-los”.

Entre os documentos que serão debatidos está a Agenda de Accra para a Ação, e que, se não houver inconvenientes, será adotada por unanimidade na próxima quinta-feira (4), último dia das deliberações. Em eu parágrafo final afirma que “hoje, mais do que nunca, resolvemos trabalhar em conjunto para ajudar os países de todo o mundo a construir um futuro de sucesso que todos queremos ver, um futuro baseado no compromisso compartilhado de superar a pobreza e no qual não há nações que dependam da ajuda”.

Esta promessa será parte do pacote que o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, apresentará aos líderes mundiais que assistirão em Nova York um encontro de alto nível, no próximo dia 25, e na Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, que se reunirá em Doha entre 20 de novembro e 2 de dezembro. Estará acompanhado por uma mensagem que enfatizará a necessidade de converter em realidade a utopia de um mundo “livre de ajuda”. Yash Tandon, diretor-executivo do Centor Sul, instituto de estudos intergovernamental de países em desenvolvimento com sede em genebra, tem sérias dúvidas de que esse objetivo possa ser alcançado um dia.

“O tema da eficácia da ajuda foi colocado na agenda global por três razões fundamentais. Uma é a necessidade de simplificar a racionalizar o complexo sistema de administração e reduzir os custos de transação”, escreveu Tandon em um artigo publicado pelo jornal de Nairóbi, Business Daily. A segunda, acrescentou, é que os cidadãos das nações doadoras perguntam por que seus governos estão dando “tanto dinheiro” à África, por exemplo, apesar da corrupção, das violações dos direitos humanos e dos poucos avanços na luta contra a pobreza. “Em terceiro lugar, a atual arquitetura da ajuda está dominada pelos países ricos da OCDE e, portanto, sofre um sério déficit de legitimidade democrática”, disse Tandon.

A seu ver, a conclusão é inevitável. “Com o pretexto de tornar mais eficaz a ajuda, o projeto da Declaração de Paris é uma forma de colonialismo coletivo dos doadores do Norte sobre os países do Sul que, devido à sua vulnerabilidade e psicologia da dependência, se submeter a ele na conferência de Accra”, afirmou Tandon. Por sua vez, a confederação de organizações não-governamentais Concord, com sede em Bruxelas, destacou que “os políticos realizam promessas de melhora da ajuda aos pobres, mas a falta de progresso nesses compromissos implica que sua credibilidade se encontra em jogo”.

Dados oficiais da OCDE revelam que praticamente não houve avanços rumo aos objetivos da Declaração de Paris. Os doadores melhoraram sua coordenação para realizar pesquisas e missões conjuntas, mas, a ajuda ficou menos previsível, disse Concord. Um informe de um dos integrantes da conferência, a Eurodad, mencionou alguns exemplos de casos em que as coisas saíram como era esperado. A totalidade da ajuda da Grã-Bretanha a Moçambique figura no orçamento desse país, a Irlanda oferece apoio direto a organizações da sociedade civil em Honduras para trabalhos de auditoria social e a União Européia agora assume compromissos de ajuda com prazo maior.

Mas as deficiências são muitas, alertou Eurodad. Por exemplo, apenas um quarto da ajuda do Banco Mundial a Moçambique é dado como programa de ajuda e o restante através de projetos individuais, enquanto a França financia suas contribuições para esse país reciclando os pagamentos do serviço da divida externa que Moçambique realiza. Além disso, “apenas um terço dos projetos de ajuda técnica da Comissão Européia (órgão executivo da UE) tiveram ou têm possibilidades de sucesso”, segundo uma análise da Corte Européia de Auditores.

Por outro lado, diz o documento da Eurodad, a Espanha condicionou seu alivio da dívida de Honduras à sua implementação por parte de empresas ou organizações espanholas. Em Malawi, os doadores estabeleceram 69 unidades de projeto paralelas aos sistemas governamentais e 30 delas estão dirigidas pela Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (Usaid). Em Mali, o Banco Mundial condiciona sua ajuda à privatização de empresas públicas, o que influência a conduta de outros doadores.

Segundo Concord, grande parte da ajuda está motorizada pelas prioridades e pelos interesses dos doadores, o que pode afetar a prestação de contas democráticas nas nações que a recebe deixando-se de lado as necessidades dos pobres. “Os doadores tomam decisões que afetam as vidas das pessoas nas nações pobres. Um passo fundamental para conseguir que a ajuda seja mais eficaz e que exista prestação de contas é que decidam adotar os padrões internacionais de práticas transparentes na conferência de Accra’’, disse Jessé Griffiths, da ONG ActionAid.

Apesar das promessas de reformas, a maioria da ajuda debilita os sistemas dos países em desenvolvimento, estabelecendo estruturas paralelas controladas pelos doadores e aplicando condições que promovem seus interesses econômicos e de política externa. “Sabemos que os doadores têm o poder de desbloquear muitos dos obstáculos. Se não assumirem compromissos concretos em Accra para modificar a forma com agem, o resultado será mais falta de ação e maior ineficiência”, disse o presidente da Concord, Justin Kilcullen.

Para Kilcullen, a União Européia tem a responsabilidade de garantir que na reunião em Accra sejam adotadas ações para melhorar a transparência, por fim aos condicionamentos políticos para a concessão da ajuda e garantir que atenda as necessidades das pessoas às quais está dirigida. O grupo ISG, que dirige as atividades de organizações da sociedade civil, disse em um documento que a Declaração de Paris fixa uma inconclusa e estreita agenda de reformas, que ignora o papel dos cidadãos e dos grupos da sociedade civil com atores do desenvolvimento, com uma longa tradição de organizar iniciativas políticas, sociais e econômicas a favor dos pobres.

Nesse documento, propõe mudanças em quatro áreas, para que a ajuda tenha um impacto real sobre a pobreza. Diz que se deve compreender o papel da sociedade civil com ator do desenvolvimento, ajustar o enfoque dos doadores a um entendimento mais profundo das modalidades da ajuda aos pobres, resolver as tensões entre o controle local e os condicionamentos dos doadores e garantir a realização de avaliações independentes sobre os progressos.

As organizações da sociedade civil também consideram que se deve cancelar em sua totalidade a divida externa dos países em desenvolvimento e que as nações ricas devem cumprir sua promessa de destinar 0,7% do produto interno bruto à ajuda oficial ao desenvolvimento (AOE). As nações ricas assumiram o compromisso de levar a AOE a esse nível em 1970 e o ratificaram no congresso de Monterrey de 2002, mas, muito poucas cumpriram essa promessa, afirma o documento. (IPS/Envolverde)

Leia também: "Desenvolvimento: Uma agenda e muitas dúvidas" - http://envolverde.ig.com.br/materia.php?cod=51361&edt=1


Ramesh Jaura, da IPS
Envolverde, 02/09/08
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terça-feira, 9 de setembro de 2008

Dez anos de Balanço Social

O Ibase lança livro inédito com análise de mais de mil balanços sociais publicados entre 1997 e 2005. A publicação traz panorama de investimentos empresariais em meio ambiente, ações sociais e no público interno.

As empresas estão, cada vez mais, comprometidas com a transparência de suas informações (como indicadores sociais e perfil do corpo funcional); em contrapartida, os investimentos em áreas importantes como meio ambiente e educação apresentam tendência de queda nos últimos anos. Este panorama é apresentado no livro “Balanço Social, Dez Anos: O Desafio da Transparência”.

Com 96 páginas e dividida em 6 seções, a publicação consolida uma série de dados contidos nos balanços sociais preenchidos pelas empresas que atuam no Brasil e utilizam o modelo Ibase como parâmetro. Foram analisados 1.288 Balanços Sociais de 345 empresas, entre 1997 e 2005.

“O objetivo do trabalho foi fazer uma avaliação de uma década de balanço social e captar tendências. Constatamos avanços, mas existe ainda um longo caminho a ser enfrentado pelas empresas para transformar suas práticas internas e externas”, resume Ciro Torres, coordenador da área de Responsabilidade Social e Ética nas Organizações do Ibase.

Os dados mostram que os investimentos ambientais caíram de uma média de 28 milhões/ano por empresa em 2003 para 20 milhões/ano em 2005 (o índice mais baixo desde 2000); já os investimentos internos em educação caíram de uma média de R$ 79,00 por funcionário(a) (para cada R$ 1 mil de investimento social interno) em 2000 para R$ 24,00 em 2005.

Os números mostram ainda que mantêm-se estáveis os percentuais de mulheres e negros empregados pelas empresas (em torno de 30% e 15% do total de funcionários, respectivamente, entre 2000 e 2005) e que dobrou o percentual de terceirizados (de 20,5% para 42,8%). Já os índices de transparência evoluem a cada ano: em 2005, por exemplo, praticamente todas as empresas (95%) informaram em seus balanços sociais o número de mulheres em seu corpo funcional (contra 72% em 2000).

Faça o download da publicação em http://www.ibase.br/modules.php?name=Conteudo&file=index&pa=showpage&pid=2414


Redação do Ibase
Envolverde, 31/08/08
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Conselho Monetário facilita crédito rural no Bioma Amazônia

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nessa quinta-feira (28) a exigência de comprovação de regularidade ambiental para concessão de crédito rural no Bioma Amazônia. Ficaram dispensados dessa exigência os beneficiários do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf) enquadrados como índios, quilombolas, pescadores artesanais e habitantes e usuários em situação regular de unidades de conservação ou uso sustentável.

Semelhante critério já é adotado com relação aos agricultores familiares de baixa renda, componentes do Grupo B do Pronaf.

O CMN facultou aos beneficiários enquadrados no Pronaf ou detentores de até qiatro módulos rurais no Bioma Amazônia, a apresentação de declaração de recomposição ou renegeração de área de preservação permanente e reserva legal, para a contratação de crédito rural.

Os bancos vão poder contratar empréstimos também para agricultores que estejam com processo de regularização em análise pelos órgãos de fiscalização ambiental, mediante declaração do Incra sobre isso.


Lourenço Canuto, da Agência Brasil
Envolverde, 29/08/08
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Economia solidária cresce, mas as duras penas


Nos primeiro sete anos desta década, o Ministério do Trabalho e do Emprego já registrou um número maior de empreendimentos de economia solidária do que em toda a década passada. De acordo com o Relatório Nacional do Sistema Nacional de Informações em Economia Solidária, já são mais de 21 mil organizações brasileiras que obedecem aos critérios de cooperação, autogestão, viabilidade econômica e, sobretudo, solidariedade, que permitem que elas sejam incluídas nesse estudo.

O estado com maior número de empreendimentos de economia solidária é o Rio Grande do Sul, com 2.085, seguido pelo Ceará, com 1.854 e por Pernambuco, com 1.526. O Relatório mostra que as organizações se dedicam, em sua maioria, às atividades rurais. 48% são exclusivamente rurais, 17% são rurais e urbanas e apenas 35% desenvolvem trabalhos urbanos.

A relação das 30 atividades mais desenvolvidas pelas organizações de economia solidária está focada na produção e comércio de produtos oriundos de cinco setores: lavoura; têxtil; manufatura de madeira, palha e cordas; alimentos; e reciclagem.

O principal motivo que leva as pessoas a organizarem um empreendimento de economia solidária é que ele representa uma alternativa ao desemprego. Em segundo lugar, porque é uma oportunidade de ganhar mais do que o que obtinham com outras formas de trabalho. E em terceiro lugar, a economia solidária aparece como um complemento de renda.

Mas a renda obtida com esses empreendimentos ainda é bastante modesta. A maior fatia, 36%, fatura entre R$ 1.000 e R$ 5.000 por mês; 24% não consegue ultrapassar os R$ 1.000 mensais; e apenas 4,8% registram uma entrada de caixa superior a R$ 100 mil.

Os empreendimentos não são pequenos. A maior parte deles reúne de 20 a 50 pessoas, mas esses trabalhadores admitem que encontram muita dificuldade para colocarem seus produtos no mercado. Quando questionados sobre que obstáculos seriam esses, a primeira resposta que aparece é “que apesar das tentativas, o empreendimento não conseguiu encontrar clientes suficientes”. Depois surge o problema da falta de mão-de-obra porque ninguém na organização quer cuidar das vendas. E existe ainda o fato de que o empreendimento já levou muitos calotes e não sabe como evitá-los.

Esses depoimentos mostram como é difícil consolidar algo tão importante como uma empresa baseada nos princípios da economia solidária. O consumidor consciente pode ajudar, procurando saber onde estão esses empreendimentos e apoiando-os pela compra de seus produtos. Quem quiser conhecer o Relatório na íntegra, pode consultá-lo no site do Ministério do Trabalho e Emprego, no endereço http://www.mte.gov.br/ecosolidaria/sies.asp.

O que é economia solidária?
O site do Ministério do Trabalho e Emprego define com o seguinte texto o que é economia solidária.

Economia Solidária é um jeito diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver. Sem explorar os outros, sem querer levar vantagem, sem destruir o ambiente. Cooperando, fortalecendo o grupo, cada um pensando no bem de todos e no próprio bem.

A economia solidária vem se apresentando, nos últimos anos, como inovadora alternativa de geração de trabalho e renda e uma resposta a favor da inclusão social. Compreende uma diversidade de práticas econômicas e sociais organizadas sob a forma de cooperativas, associações, clubes de troca, empresas autogestionárias, redes de cooperação, entre outras, que realizam atividades de produção de bens, prestação de serviços, finanças solidárias, trocas, comércio justo e consumo solidário.

Nesse sentido, compreende-se por economia solidária o conjunto de atividades econômicas de produção, distribuição, consumo, poupança e crédito, organizadas sob a forma de autogestão.

Considerando essa concepção, a Economia Solidária possui as seguintes características:
a. Cooperação: existência de interesses e objetivos comuns, a união dos esforços e capacidades, a propriedade coletiva de bens, a partilha dos resultados e a responsabilidade solidária. Envolve diversos tipos de organização coletiva: empresas autogestionárias ou recuperadas (assumida por trabalhadores); associações comunitárias de produção; redes de produção, comercialização e consumo; grupos informais produtivos de segmentos específicos (mulheres, jovens etc.); clubes de trocas etc. Na maioria dos casos, essas organizações coletivas agregam um conjunto grande de atividades individuais e familiares.
b. Autogestão: os/as participantes das organizações exercitam as práticas participativas de autogestão dos processos de trabalho, das definições estratégicas e cotidianas dos empreendimentos, da direção e coordenação das ações nos seus diversos graus e interesses, etc. Os apoios externos, de assistência técnica e gerencial, de capacitação e assessoria, não devem substituir nem impedir o protagonismo dos verdadeiros sujeitos da ação.
c. Dimensão Econômica: é uma das bases de motivação da agregação de esforços e recursos pessoais e de outras organizações para produção, beneficiamento, crédito, comercialização e consumo. Envolve o conjunto de elementos de viabilidade econômica, permeados por critérios de eficácia e efetividade, ao lado dos aspectos culturais, ambientais e sociais.
d. Solidariedade: O caráter de solidariedade nos empreendimentos é expresso em diferentes dimensões: na justa distribuição dos resultados alcançados; nas oportunidades que levam ao desenvolvimento de capacidades e da melhoria das condições de vida dos participantes; no compromisso com um meio ambiente saudável; nas relações que se estabelecem com a comunidade local; na participação ativa nos processos de desenvolvimento sustentável de base territorial, regional e nacional; nas relações com os outros movimentos sociais e populares de caráter emancipatório; na preocupação com o bem estar dos trabalhadores e consumidores; e no respeito aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras.

Considerando essas características, a economia solidária aponta para uma nova lógica de desenvolvimento sustentável com geração de trabalho e distribuição de renda, mediante um crescimento econômico com proteção dos ecossistemas. Seus resultados econômicos, políticos e culturais são compartilhados pelos participantes, sem distinção de gênero, idade e raça. Implica na reversão da lógica capitalista ao se opor à exploração do trabalho e dos recursos naturais, considerando o ser humano na sua integralidade como sujeito e finalidade da atividade econômica.


Redação Akatu
Envolverde, 05/09/08
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Petrobras mantém participação no Índice Dow Jones de Sustentabilidade

A Petrobras manteve pelo terceiro ano consecutivo a participação na composição do Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI) - o mais importante índice mundial de sustentabilidade.

A informação foi dada em nota divulgada na noite desta quinta-feira (4) pela assessoria de imprensa da estatal, para quem, com a renovação, “a companhia se consolida como uma das oito empresas brasileiras mais sustentáveis”.

As informações da Petrobras indicam que, para ser incluída no índice - que é usado como parâmetro para análise dos investidores social e ambientalmente responsáveis - são avaliados os desempenhos econômico, ambiental e social de mais de 2.500 empresas em 57 setores, em todo o mundo. Atualmente, apenas 20 empresas mundiais de petróleo e gás integram o índice.

De acordo com os critérios de avaliação do índice, a Petrobras se destacou “por sua transparência, gestão da marca, desempenho ambiental, biodiversidade, desenvolvimento de recursos humanos e cidadania corporativa, permitindo que sua pontuação total aumentasse de 70 em 2007 para 73 em 2008”.

Ainda segundo a Petrobras, o crescimento da pontuação foi no critério "Dimensão Econômica", com grande destaque para o setor de Exploração e Produção, que saltou de 21% para 75%.

“A permanência no índice demonstra o reconhecimento do empenho da companhia, nos últimos anos, na área ambiental, na transparência de seus processos contábeis, de divulgação e em governança corporativa”, diz a nota.

A Petrobras informou que, atualmente, perto de US$ 6 bilhões estão investidos em fundos que se baseiam exclusivamente nas empresas pertencentes aos índices DJSI.

No Brasil integram o índice as seguintes empresas: Aracruz Celulose, Banco Bradesco, Banco Itaú, Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), Itaúsa Investimentos, Usiminas e Votorantim Celulose e Papel.

No setor de Petróleo e Gás estão incluídas: AMEC, BG Group, BP, ENI, EnCana Corp., FMC Technologies, Gamesa Corporacion Tecnológica, Neste Oil Oyj, Nexen, Noble, Repsol YPF, Royal Dutch.


Nielmar de Oliveira, da Agência Brasil
Envolverde, 05/09/08
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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Governo do Estado de SP define programa de compras sustentáveis

O Governo do Estado de SP, por meio do Decreto n.º 53.336, publicado no último dia 20 de agosto, instituiu o Programa Estadual de Contratações Públicas Sustentáveis em todas as esferas da administração. Trata-se de um mecanismo legal para a implementação de um sistema de contratações públicas sustentáveis, promovendo a inserção de critérios socioambientais, que orientarão os procedimentos licitatórios e as aquisições diretas.

“Dessa forma, o Estado, como indutor de políticas públicas e dotado de elevado poder aquisitivo, deve servir de exemplo no que diz respeito à consideração de critérios socioambientais no desenvolvimento de suas atividades. A instituição do programa, objeto do decreto, poderá ensejar não apenas a conscientização dos servidores, como também a inovação do mercado de fornecedores, que buscarão se adequar às novas demandas a fim de atender aos requisitos estabelecidos pela Administração”, considerou Casemiro Tércio Carvalho, coordenador de Planejamento Ambiental da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SMA) e um dos responsáveis pela elaboração do decreto.

De acordo com as finalidades do programa, os consumidores institucionais devem agir de modo responsável, tendo em vista a sua influência no mercado consumidor e na economia como um todo, sendo este o objetivo central do decreto, uma vez que os efeitos ambientais das condutas do Poder Público devem ser adequados à política de prevenção de impactos negativos ao meio ambiente.

A aplicabilidade das diretrizes legais depende em grande parte da atuação direta dos funcionários envolvidos nos procedimentos administrativos de compras e contratações. Por esse motivo, será necessário sensibilizá-los quanto à importância do conteúdo estabelecido no Decreto n.º 53.336, não apenas no sentido de cumprir o conteúdo normativo, mas também no de demonstrar o quanto suas atitudes individuais podem influenciar nas condições ambientais, econômicas e sociais, a partir do entendimento de que o menor preço nem sempre corresponde ao menor custo total efetivo de um produto ou serviço.

Para contemplar essa necessidade, a SMA, por meio da Coordenadoria de Planejamento Ambiental (CPLA), realizará no dia 7 de outubro, um Seminário Internacional sobre Compras Públicas Sustentáveis, cujo público-alvo serão os integrantes dos quadros da administração estadual direta e indireta, ocupantes de cargos de direção, tais como diretores administrativos e financeiros, gerentes de projeto e chefes de gabinete, que atuam como ordenadores de despesas e possuem um papel fundamental na escolha de tudo o que será comprado ou contratado no âmbito de seus órgãos e instituições.

“O seminário contará com a participação de representantes dos setores público e privado e da área acadêmica, os quais terão a missão de demonstrar como o consumo governamental pode afetar o tripé da sustentabilidade - economia, sociedade e meio ambiente -, tanto de forma

positiva quanto negativa, apresentando as ferramentas já disponíveis e as necessárias para a implementação efetiva da sustentabilidade no setor público”, informou Carvalho.


Cris Olivette, da Cetesb
Envolverde, 01/09/08
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Internet: Jornais atrás da fórmula mágica

Os executivos da grande imprensa têm, pelo menos, uma coisa em comum com os blogueiros independentes: ambos estão a procura da fórmula para conseguir a sustentabilidade financeira na Web.

Trata-se de uma busca que até agora não conduziu a uma estratégia financeira capaz de tornar menos arriscada e incerta a transição do modelo convencional de publicação de informações para o formato digital, na internet.

As empresas jornalísticas assistem impotentes a migração de seu público e de seus anunciantes em direção à Web, sem poderem compensar as perdas com novos usuários e novas receitas publicitárias. O mesmo acontece com os blogueiros autônomos, que salvo raríssimas exceções ainda sobrevivem com o salário de empregos convencionais.

O pior de tudo é que crescem os indícios de que a procura da fórmula salvadora ainda vai demorar muito, ou de que provavelmente ela nunca será encontrada.

O grande problema das empresas é que a notícia, a sua principal mercadoria de troca com o leitor, perdeu quase todo o seu valor pelo fato de poder ser encontrada grátis em milhares de paginas da Web, no fenômeno que se convencionou chamar da avalancha informativa.

As versões online dos jornais continuam sendo a principal referência informativa dos internautas, mas a receita publicitária é ínfima (menos de 10% da receita da versão impressa) e insuficiente para manter a operação na Web. O ideal seria a versão impressa financiar provisoriamente a online, só que os jornais estão perdendo fontes tradicionais de receita como os anúncios classificados, bem como a publicidade de automóveis e construção civil, com exceção do Brasil.

Aqui, a nossa imprensa vive em plena bolha financeira provocada pelo boom imobiliário e pelo crédito fácil para a compra de automóveis. Os donos de jornais estão eufóricos e com isto a transição para o modelo digital foi desacelerada e a busca da fórmula mágica deixou de ser uma obsessão como nos Estados Unidos e Europa.

O processo em marcha na imprensa mundial mostra uma irreversível diminuição da rentabilidade da mídia convencional, especialmente a impressa, num fenômeno que torna compulsória a mudança de modelo de negócios.

Por outro lado, cresce a convicção de especialistas na mídia contemporânea de que a imprensa digital jamais alcançará a mesma rentabilidade da versão convencional, por conta de uma — também irreversível — segmentação do mercado, com a formação de nichos informativos.

O conglomerado europeu de mídia Mecon resolveu apostar na diversificação. Está criando em média uma página web por semana, tanto no segmento de redes sociais para públicos específicos como nos cassinos online.

David Montgomery, o executivo chefe da Mecon, anunciou que a estratégia agora é aumentar o número de compradores de jornais oferecendo também desde livros e DVDs grátis até entradas de cinema e sorteios quase diários.

Ainda na Europa, o tablóide sensacionalista Sun, do império Murdoch, vai rifar entre seus leitores 2.200 ingressos para a abertura da temporada lírica em Londres a preços quase 10 vezes menores do que o normal. É uma manobra para atrair leitores classe A para um jornal famoso por suas manchetes escabrosas e pelas fotos de mulheres nuas.

Jeff Jarvis, blogueiro e professor da Escola de Jornalismo da Universidade de Nova York, defende a tese de que a imprensa está passando de uma “economia do conteúdo para uma economia do link”, ou seja: o valor da notícia não está mais no seu conteúdo, mas sim na quantidade de vezes que ela é linkada por outras páginas.

Também a equação econômica na imprensa sofreu uma inversão de componentes, pois agora a regra é crescer primeiro e depois buscar a rentabilidade. Antes, o crescimento só acontecia depois de investimentos iniciais. Na Web atual, a aposta inicial é na criatividade para conquistar usuários e só depois de tornar-se um sucesso de público é que o empreendimento obtém recursos financeiros.

Outro grande dilema dos executivos da mídia convencional é que todos eles foram criados na cultura do "planeje, junte recursos e faça". Agora, além de esta regra ter sido quebrada, os empreendimentos que deram certo na Web não foram planejados e só foram buscar recursos depois de terem crescido. Exemplo disto é o mecanismo de buscas Google. O site You Tube até hoje não tem um modelo de negócios.

Na busca da fórmula mágica, uma coisa parece estar ganhando corpo: na mídia tradicional, os empreendedores desenvolvem um produto e depois o oferecem ao público. Na Web, a norma parece ser outra: o empreendedor chama o público e o usa para desenvolver o produto. Com isto ele baixa os custos de desenvolvimento, mas em compensação corre o risco de perder o controle total do projeto porque os usuários começam a criar novas utilidades.

Os críticos da fórmula mágica, entre os quais está Steve Outing, do Poynter Institute, de Saint Petersburg, Florida, justificam sua posição afirmando que cada jornal terá que procurar no seu público leitor a receita para a sobrevivência. Isto significa que haverá uma solução diferente para cada caso, pois nenhum leitor é igual ao outro.


Carlos Castilho, para o Observatório da Imprensa
Envolverde, 01/09/08
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US$ 1 milhão para projetos sustentáveis no Cerrado

O Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-Ecos) destinará cerca de US$ 1 milhão para projetos de uso sustentável da biodiversidade e fortalecimento de comunidades tradicionais no Cerrado.

Os recursos serão doados a organizações civis sem fins lucrativos, escolhidas por meio do edital divulgado esta semana pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). O prazo final para o envio das propostas é o dia 13 de outubro.

Cada entidade poderá concorrer a projetos de até US$ 35 mil para iniciativas inéditas. Serão contemplados projetos no bioma Cerrado e nas áreas de transição para Caatinga, Amazônia, Mata Atlântica e Pantanal.

As organizações que já possuem experiência ou projetos com resultados e impactos positivos comprovados e que possam ampliar a escala de sua atuação poderão pleitear até US$ 50 mil. A escolha dos projetos se dará por meio de um comitê gestor nacional com representantes de órgãos governamentais, organismos internacionais, organizações da sociedade civil e universidades.

O PPP-Ecos existe no Brasil há 14 anos e é executado por meio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Tem recursos do Fundo para o Meio Ambiente Mundial das Nações Unidas e apoio da Comissão Européia.

Em 2007, o PPP-Ecos entrou em uma nova fase de execução, na qual os recursos destinados aos projetos foram submetidos à aprovação do governo brasileiro e ao secretariado do Fundo para o Meio Ambiente Mundial.

Mais informações: www.ispn.org.br/roteiro2008-2009.doc

Postado por Osmar Aleixo Rodrigues Filho em 05/09/08
Fonte: Agência FAPESP

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ONGs criam parcerias para adoção de animais; veja onde obter seu bicho

Gatinhos esperam dono no Centro de Adoção do Casarão da Paulista; ONGs estão criando parcerias para adoção de animais
Beatriz Toledo/Folha Imagem


Eles são muitos, mas ninguém sabe dizer ao certo quantos. Numa cidade como São Paulo, a população de animais de rua ainda é desconhecida. Ao menos uma coisa é certa: eles não cabem nos abrigos existentes, tanto nas ONGs quanto no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da prefeitura. Com a aprovação da lei que proíbe o sacrifício de animais sadios, aprovada em abril deste ano, o destino de todos os bichinhos é o mesmo: a adoção.

Por conta de uma outra lei, aprovada em 2007 e regulamentada em abril deste ano, eventos de venda de cães e gatos em ruas, praças e parques estão proibidos. As feiras de adoção precisam de aprovação da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.

A solução das ONGs foi criar parcerias com pet shops ou realizar o processo de adoção em seus próprios abrigos e utilizar cada vez mais a internet. As próprias ONGs, que trabalham em defesa dos bichos, estimam que a população de cães e gatos à espera de um dono chegue a 1 milhão. O interessado em um deles passa por uma entrevista de avaliação, para que a adoção tenha chances de ser bem-sucedida e o animal não corra o risco de voltar para as ruas.

A Revista selecionou eventos e sites para quem procura um animal de estimação. Pode-se adotar cães e gatos, filhotes ou adultos, machos ou fêmeas, sem raça definida ou com pedigree. Basta se adequar às noções de posse responsável e ter carinho e amor pelo animal.

Abrigo do CCZ
Além de feiras periódicas, mantém adoção permanente em seus canis e gatis. Atualmente, há 70 cães e 30 gatos, a maioria adultos. Todos são castrados, vermifugados, vacinados contra a raiva e testados para doenças como leishmaniose visceral, leptospirose e toxoplasmose
Para adoção: apresentar RG e CPF. Taxa: R$ 13,80.
R. Santa Eulália, 86, Santana, tel. 2224-5500.
Seg. a sáb.: 9h às 16h.

Abrigo da Uipa
Com 113 anos, a União Internacional Protetora dos Animais tem esquema permanente em seu abrigo, que comporta 900 cães e 300 gatos de diferentes idades e raças. Todos castrados, vacinados e vermifugados. A ONG orienta a devolução dos bichos se não houver adaptação
Para adoção: o interessado responde a um questionário de avaliação. Taxa: R$ 30.
Av. Presidente Castelo Branco (marginal Tietê), 3.200, Canindé, tel. 3313-1475. www.uipa.org.br.
Seg. a sáb.: 9h às 16h.

Centro de Adoção do Casarão da Paulista
São doados 50 cães e gatos por fim de semana, a maioria sem raça definida. Eles são castrados, vermifugados e vacinados
Para adoção: ser maior de 18 anos, apresentar RG e CPF e preencher um termo de responsabilidade.
Taxa: R$ 50.
Av. Paulista, 1.919, Consolação, tel. 6917-0257.
Sáb., dom. e feriados: 11h às 19h.

Feira Permanente de Itaquera
São cães e gatos de todas as idades. Os adotados são acompanhados pelo protetor responsável, que pode reaver o animal em caso de maus-tratos. Eles são castrados, vacinados e vermifugados
Para adoção: apresentar RG, CPF e comprovante de residência. Taxa: R$ 20.
Pet Center Chácara Pêssego. Av. Jacu-Pêssego, 1.475, Itaquera, tel. 4109-8366.
Sáb.: 10h às 17h. Dom.: 9h às 17h.

Projeto Cel
São cerca de 80 cães e gatos, muitos deles filhotes, à disposição nos fins de semana. São castrados, vermifugados e vacinados
Taxa: R$ 100.
Av. Presidente Castelo Branco, 1.795, Pari, tel. 2797-7400 (www.projetocel.org.br). Sáb. e dom.: 14h às 17h.

Na internet
Adote um Gatinho
www.adoteumgatinho.org.br
Os animais são castrados, vacinados e vermifugados. Há fotos, informações sobre cada animal e dicas para quem estiver interessado. A adoção é gratuita

Quero um Bicho
www.queroumbicho.com.br
Traz fotos e dados dos animais, além de procedimentos para adoção

Vira-lata é Dez
www.viralataedez.com.br
Cerca de 450 cães e 50 gatos castrados e vacinados. É possível apadrinhar um animal a partir de R$ 15, dinheiro usado para alimentação e tratamento dos órfãos

Veja as antagens em adotar um animal adulto
1 - Aprendem mais facilmente a fazer as necessidades em local adequado
2 - Dificilmente destroem sapatos, tapetes e móveis
3 - É mais fácil saber, antes de adotar, seu temperamento e seu tamanho
4 - Em geral, não latem muito nem choram à noite
5 - São mais tranqüilos e independentes
6 - Suportam melhor ficar sozinhos
Onde saber mais: www.pea.org.br

Fonte: PEA (Projeto Esperança Animal)


Cíntia Marcucci
da Revista da Folha, 08/09/08

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sábado, 6 de setembro de 2008

Menos Burocracia

A partir de agora, produtores culturais poderão inscrever seus projetos de forma mais simplificada no Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Foi publicada nesta sexta-feira, dia 5 de setembro, no Diário Oficial da União, a Portaria nº 54 (Seção 1, pgs 22 e 23), assinada pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira, revogando a atual portaria que dita regras para a entrada de projetos na Lei Rouanet. Com essa medida, o ministro desburocratiza as inscrições de projetos e permite mais agilidade nos trâmites da Lei nº 8.313/91.

A nova portaria elimina exigências desnecessárias como, por exemplo, a apresentação de documentos de cessão de direitos autorais no ato da inscrição de projetos culturais. Agora, será necessária a apresentação apenas da carta de anuência do proprietário ou detentor de direitos. “A cessão de direitos autorais demanda tempo e implica em custos. Então, não faz sentido cobrarmos esse documento no protocolo de projetos, mas somente depois, já durante a sua execução”, explica o ministro Juca Ferreira.

Outra mudança significativa é o fato de que, no ato da inscrição de projetos, não serão mais exigidos os termos de anuência dos artistas ou grupos culturais envolvidos com a proposta. “Agora, pediremos apenas a ficha técnica e o currículo do diretor e dos artistas ou grupos culturais que se apresentarão”, informa. Também não será mais necessário o termo de compromisso com confirmação da pauta dos teatros que abrigarão os espetáculos. “Faremos essa exigência apenas quando os locais forem espaços públicos”, afirma o ministro.

Segundo Ferreira, a portaria anterior trazia obstáculos burocráticos à tramitação dos processos no Ministério da Cultura. “Esta é uma medida de racionalização, simplificação e atendimento da demanda dos produtores. É uma medida preliminar que não nega os passos seguintes que a gente vai dar no sentido de obter mais agilidade, eficiência e qualidade no funcionamento da Lei Rouanet.”

Na segunda quinzena deste mês, será realizado os Diálogos Culturais, uma série de discussões públicas com produtores, gestores, financiadores e representantes do setor cultural para debater a proposta de reforma da Lei Rouanet elaborada pelo Ministério da Cultura.

Conheça as mudanças implantandas pela nova portaria.

Marcelo Lucena
Ministério da Cultura, 05/09/08

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Pnud muda IDH após críticas do governo federal

Diante das críticas feitas pelo governo sobre a atualidade dos dados utilizados no cálculo do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) resolveu modificar a metodologia da pesquisa e pretende usar pesquisas de opinião e outros índices durante o levantamento.

Pela primeira vez, o Pnud também fará o monitoramento e a avaliação dos dados e apresentará sugestões de políticas públicas que atendam mais efetivamente às demandas sociais. "No Brasil, a gente soma um com nove e diz que a média é cinco. Mas assim não mostramos os extremos", avaliou o pesquisador Flávio Lins.

Acadêmicos também vão participar, com propostas de perguntas e métodos para aferir melhor o avanço em educação, renda e saúde no país. Segundo Lins, a idéia é divulgar os resultados do relatório de desenvolvimento humano a um público maior e de vários segmentos.

Um novo IDH dos municípios brasileiros será divulgado em dezembro de 2009. Em março do ano que vem, serão apresentadas pesquisas de opinião. Um terceiro documento sairá em agosto, com novas sugestões.


Folha de S. Paulo, 04/09/08

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Brasil já possui 220 mil milionários, diz pesquisa

O Brasil está entre os países em que o número de milionários mais cresce. Estimativas do BCG (The Boston Consulting) indicam que 220 mil brasileiros detêm, juntos, US$ 1,2 trilhão aplicado no mercado financeiro. Para fazer parte desse time, é preciso ter investido pelo menos US$ 1 milhão. Há dois anos, os brasileiros formavam grupo de 130 mil integrantes com US$ 1,1 trilhão.

No ano passado, o Brasil chamou a atenção dos pesquisadores do BCG, que registraram um acréscimo de 60 mil novos participantes, aumentando a lista nacional de milionários para 190 mil. Por isso, uma equipe do BCG veio ao país especialmente para fazer um levantamento local.

O estudo ainda não foi publicado, mas estima-se que os números deverão acompanhar o crescimento registrado nos anos anteriores, em torno de 16%.

Segundo o relatório, divulgado ontem nos Estados Unidos, as fortunas mundiais, incluindo as dos brasileiros, cresceram 3% menos que o esperado devido à crise financeira nos EUA. Mas os números indicam que esses afortunados tornaram-se ainda mais ricos.

A soma de suas riquezas atingiu a marca de US$ 109,5 trilhões, uma alta de 4,9% em relação ao ano passado.

Os milionários da América do Norte (EUA e Canadá) lideram essa lista, com US$ 39,2 trilhões; seguidos pela Europa, com US$ 38,3 trilhões; Ásia (considerando o Japão), com US$ 25,6 trilhões; Oriente Médio e África, com US$ 3,4 trilhões; e América Latina, com US$ 3,1 trilhões.

Isoladamente, os EUA são os líderes mundiais, com 4,9 milhões de pessoas com mais de US$ 1 milhão. Desse total, 674 mil têm mais de US$ 5 milhões. Na Ásia, 900 mil japoneses detêm metade da fortuna da região. Desses, 71 mil têm mais de US$ 5 milhões.

Na América Latina, não é diferente. Os brasileiros mais ricos detêm 37% das fortunas da região. Os mexicanos vêm em seguida, com 23%, o equivalente a US$ 714 bilhões.

O que explica o aumento acelerado das riquezas no Brasil foi o grande número de IPOs (Ofertas Iniciais de Ações) nos últimos dois anos.

Segundo o BCG, a maior parte das empresas que abriram o capital pertencia a grupos familiares que, rapidamente, transformaram parte de suas empresas em dinheiro vivo para investir. Os negócios que mais fizeram milionários estão ligados a agropecuária, petróleo e minérios.

No rastro desse crescimento, o mercado de luxo no país cresce 17% ao ano, descontando a inflação, o que significa ritmo três vezes superior ao da economia do país. A expansão vem se mantendo nos últimos quatro anos e, segundo estudos internacionais, seguirá até 2013.

A fila de milionários aguardando artigos sofisticados, que vão de bolsas e sapatos, passando por jóias e aviões executivos, já chega a 18 meses em alguns casos. Bancos nacionais e estrangeiros que atendem essa classe já lucram mais que as instituições similares que atuam com os milionários nos EUA, na Europa e no Japão.


Julio Wiziack
Folha de S.Paulo, 05/09/08

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Secretaria de Cultura lança edital para quadrinhos

Alguns setores da cultura com maior dificuldade para arrecadar fundos via Lei Rouanet têm R$ 1,28 milhão da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo disponível por meio de editais públicos. Artes visuais, projetos de hip hop, fotografia e quadrinhos --área nunca antes considerada-- são contemplados pela seleção.

São R$ 500 mil para 25 projetos de artes visuais --aumento de 16% em relação ao último edital do governo do Estado para o setor--, R$ 350 mil para 14 projetos de hip hop e R$ 250 mil para dez projetos de histórias em quadrinhos. Os prazos para inscrição são: 3/10, para artes plásticas; 15/10, para hip hop e 16/10, para quadrinhos.

O edital de fotografia, que vai destinar R$ 180 mil a 60 selecionados, deve ser lançado só na semana que vem.

Por enquanto, a novidade é o edital de quadrinhos. "É uma aposta numa área que a gente percebe que está em expansão", disse à Folha André Sturm, coordenador da Unidade de Fomento e Difusão de Produção Cultural da Secretaria de Estado da Cultura.

No segundo edital destinado ao hip hop, a secretaria optou por deixar menos específico o texto e contemplar quatro áreas: dança, DJ, MC e grafite.

Nas artes visuais, serão financiados pintura, escultura, instalação, performance e outros suportes, sendo que, de acordo com Sturm, "50% do peso da avaliação" será o currículo do artista proponente.

No edital de fotografia, serão escolhidas 60 fotos para fazer parte de uma exposição. Depois, 12 das 60 imagens serão publicadas num livro. Os editais podem ser consultados na íntegra no site www.cultura.sp.gov.br.


Silas Martí
Folha de S. Paulo, 06/09/08

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Filme brasileiro premiado em Cannes vai compensar emissões

Longa-metragem brasileiro "Linha de Passe" mostra família da periferia de São Paulo
Foto Divulgação


Antes de chegar a Cannes e arrebatar o prêmio de melhor atriz para Sandra Corveloni, em maio, o filme "Linha de Passe", de Walter Salles, liberou na atmosfera pelo menos 118.164 toneladas de CO2 equivalente, unidade de medida padrão para os gases do efeito estufa. A produtora do filme, que estreou ontem em todo o país, pretende agora compensar essas emissões com o plantio de três hectares de floresta e a conservação de outros dois.

A lógica da compensação é que as árvores, ao crescerem, fixam carbono retirado da atmosfera em forma de biomassa (tronco, folhas e raízes, por exemplo). O gás carbônico é o principal responsável pelo aquecimento global, e compensações desse tipo têm virado uma febre entre as empresas.

O reflorestamento ocorrerá no parque estadual da Pedra Branca, na zona oeste do Rio --apesar de o filme ter sido rodado na periferia paulistana. "A preservação de uma área no Rio, em São Paulo ou na Amazônia é uma ação que acaba afetando positivamente o país como um todo", justifica Salles.

O diretor ressalta ainda que, com a iniciativa, não está apenas neutralizando as emissões de "Linha de Passe", mas também de projetos futuros da Videofilmes. É que cada hectare será capaz de seqüestrar em média 380 toneladas de carbono por ano, bem acima do total emitido durante as filmagens.

Responsabilidade
O cálculo é da Secretaria de Estado do Ambiente do Rio. O órgão está por trás da parceria firmada com o cineasta, que inaugura o chamado Parque do Carbono. O projeto prevê a recuperação de áreas degradadas pela iniciativa privada. Segundo a secretária Marilene Ramos, une o interesse estatal de resgatar a cobertura vegetal nativa à estratégia privada de compensar sua parcela de culpa no aquecimento global.

Culpa que Salles parece já ter reconhecido. "O fato de o cinema ser uma atividade cultural não o isenta de responsabilidades em outras áreas. Poluímos como qualquer outra atividade, porque utilizamos meios de transporte para levar os equipamentos e buscar atores, utilizamos eletricidade e química para revelar o negativo etc.", explica. "Para parafrasear [o filósofo Jean-Paul] Sartre, a gente sempre tende a achar que o inferno é o outro. Na verdade, nós somos parte do problema."

O plantio está previsto para começar em 21 de setembro, Dia da Árvore. Será conduzido pela Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, sob orientação e supervisão do Instituto Estadual de Florestas, ligado à secretaria. Segundo Ramos, serão plantadas cerca de 9.000 mudas de árvores nativas.

Valor
A recuperação e a conservação da área custará a Videofilmes R$ 150 mil. O valor, que não foi incluído no orçamento do "Linha de Passe", representa menos de 3,5% do custo total do longa, de R$ 4,5 milhões, e será desembolsado ao longo dos próximos quatro anos. Nesse período, explica Ramos, a empresa contratada pela produtora terá que zelar pelo crescimento das mudas, substituindo as que não vingarem.

"A compensação das emissões só ocorre depois de muitos anos", justifica a secretária. "É preciso garantir que as árvores cresçam sem problemas."


Denise Menchen
Folha de São Paulo, 06/09/08

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Minc facilita acesso a recursos da Lei Rouanet

Portaria publicada nesta sexta-feira, 5, no Diário Oficial, busca simplificar a forma de inscrever projetos culturais

O Ministério da Cultura (Minc) publicou nesta sexta-feira, 5, no Diário Oficial, as novas regras para entrada de projetos na Lei Rouanet. Pela portaria 54, o Minc revoga as normas anteriores e promete simplificar as inscrições com o fim da exigência de apresentação de documentos de cessão de direitos autorais no ato da apresentação de projetos culturais. Com a nova regra, basta apenas apresentar a carta de anuência do proprietário ou detentor de direitos.

Além dessa mudança, a partir de agora somente quando as apresentações ocorrerem em espaços públicos será exigido o termo de compromisso dos teatros que abrigarão os espetáculos.

Ainda no mês de setembro, o Ministério realizará uma série de discussões com gestores, produtores, representantes do setor cultural e financiadores sobre a proposta de reformulação da Lei Rouanet. A expectativa do Minc é que, após o encerramento desses diálogos, seja possível fechar o texto e encaminhá-lo ao Congresso Nacional ainda neste ano.


Alexandra Bicca
Meio & Mensagem Online, 05/09/08

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