sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Senado abre inscrições para o prêmio Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz 2009

Já estão abertas as inscrições para indicações ao Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, instituído para homenagear mulheres que tenham oferecido contribuição relevante à defesa dos direitos da mulher e questões do gênero no Brasil. A premiação é realizada todos os anos no Senado, desde 2002.

As agraciadas devem ser indicadas por entidades, governamentais ou não-governamentais, de qualquer lugar do país. A indicação da candidata deverá ser encaminhada à Mesa do Senado, acompanhada do respectivo currículo e de justificativa até o dia 1º de novembro deste ano. O modelo do formulário para indicação da candidata pode ser encontrado no endereço http://www.senado.gov.br/web/comunica/bertha_lutz/

A premiação é coordenada pelo Conselho do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, presidido pela senadora Serys Slhessarenko (PT-MT). Para a senadora, essa condecoração é uma forma de reconhecimento dos trabalhos de mulheres que lutam por causas importantes para a sociedade. "É necessário que as entidades enviem suas indicações, para que possamos reconhecer estas lutadoras, muitas vezes anônimas, mas que conseguem resultados excepcionais em prol da sociedade feminina no Brasil", declara Serys.

Para mais informações, entre em contato com o gabinete da senadora Serys Slhessarenko pelos telefones (61) 3311-2291/2293 ou pelo e-mail paulalou@senado.gov.br.


Agência Senado, 31/07/08

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Minc anuncia R$ 50 milhões para estimular ecoturismo

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, informou nesta quinta-feira (31) que, até setembro, o governo lançará um pacote de R$ 50 milhões para estimular o ecoturismo em seis unidades de conservação federais, com previsão de investimentos em infra-estrutura e licitação para concessão de serviços de atendimento ao visitante.

Os recursos, segundo Minc, serão distribuídos entre os Parques Nacionais da Serra dos Órgãos (RJ), do Jaú (AM), da Chapada dos Veadeiros (GO), dos Aparados da Serra (RS), da Serra da Capivara (PI) e o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (PE). Os investimentos federais deverão custear a construção de centros de visitantes, trilhas guiadas, mirantes e a contratação de guias.

Os serviços de restaurantes e turismo de aventura deverão ser concedidos a empresa privadas, por meio de licitação pública, segundo Minc.

“O objetivo é defender melhor, curtir melhor e fazer com que as unidades de conservação gerem lucro”, disse Minc, após dar posse ao novo presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Rômulo Mello.

De acordo com o ministro, as unidades de conservação federais recebem cerca de 3,5 milhões de visitantes por ano, mas 90% da visitação é concentrada nos Parques Nacionais do Iguaçu (PR) e da Tijuca (RJ).

Minc adiantou, ainda, que o governo deverá autorizar a construção de “estradas-parque”, linhas que poderão cruzar as unidades de conservação, desde que sigam exigências como baixa velocidade e uso de materiais não poluentes.


Luana Lourenço, da Agência Brasil
Envolverde, 31/07/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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quinta-feira, 31 de julho de 2008

Fundo Amazônia terá potencial para captar mais de US$ 21 bilhões até 2021

O Fundo Amazônia, que captará recursos para ações de combate ao desmatamento e de preservação da floresta, tem potencial para receber mais de US$ 21 bilhões até 2021, segundo estimativa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O banco será o gestor do fundo, que será criado nesta sexta-feira, por meio de decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para o primeiro ano de operação, o fundo terá um limite de captação de US$ 1 bilhão. "Esses US$ 21 bilhões estão calculados baseados no limite potencial, e não na expectativa de doações que o órgão poderá ter", disse o chefe do departamento de meio ambiente do BNDES, Eduardo Bandeira de Mello.

O primeiro aporte está previsto para setembro, e deverá vir do governo da Noruega. O executivo do BNDES não confirmou o valor, mas fala-se em algo em torno de US$ 100 milhões.

Existe uma limitação de recursos que o fundo poderá agregar, a partir de uma média do desmatamento dos últimos dez anos e as emissões de carbono geradas a partir da devastação. Essa média será atestada pelo CTFA (Comitê Técnico do Fundo Amazônia). À medida em que o desmatamento cair, o fundo poderá ampliar esse teto de captação.

O fundo apoiará projetos voltados para atividades alternativas de combate ao desmatamento, à proteção de unidades de conservação, projetos de desenvolvimento científico e tecnológico para proteção da floresta, e projetos de desenvolvimento institucional ligados à floresta.

A aprovação dos projetos ficará a cargo do BNDES, apoiado na orientação de um comitê formado por membros do governo federal (Ministério do Meio Ambiente e Secretaria de Assuntos Estratégicos), governos estaduais que têm áreas da floresta e órgãos da sociedade civil, como ONGs e confederações.

"O trâmite de aprovação dos projetos obedecerá aos critérios normais do banco. Isso dá segurança a quem coloca os recursos. Eles entrarão na rotina do banco", afirmou Bandeira de Mello. Ele explicou que o o banco disponibilizará os dados sobre o fundo e seus projetos de forma periódica, na internet.

Bandeira de Mello disse que não haverá nenhum tipo de incentivo ou compensação a quem doar para o fundo, seja por meio de abonos fiscais ou pela concessão de crédito de carbono. Poderão fazer doações governos ou empresas de qualquer parte do mundo. Bandeira de Mello garantiu que os doadores não terão qualquer influência sobre as decisões do fundo, que não será contabilizado no orçamento do banco.

Lula assinará o decreto na sede do BNDES, no Rio, onde passará o dia. Antes, terá encontro com intelectuais no mesmo local. À tarde, estará na Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), onde vai inaugurar um pólo de virologia e lançara a 17ª semana mundial de amamentação. À noite, Lula participa da posse do poeta Crispiniano Neto como imortal da Associação Brasileira de Literatura de Cordel.


Cirilo Junior
Folha Online, 31/07/08

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SOS Mata Atlântica lança serviço e capta recursos via SMS

A Fundação SOS Mata Atlântica lança na próxima segunda-feira, 4 de agosto, um serviço de notícias via SMS, em parceria com a Atope – empresa de soluções móveis do grupo Ouvi.

Os interessados poderão se cadastrar enviando de seu celular uma mensagem de texto (SMS) com a palavra SOS para o número 49820, passando a pagar R$ 0,31 (mais impostos) por dia para receber uma mensagem com dicas e informações a respeito da Mata Atlântica e sobre sustentabilidade.

Parte do valor será revertida para projetos e ações da entidade. Os usuários de celular também poderão fazer downloads de wallpapers e se informar sobre novidades da fundação no portal wap.sosma.org.br. Além do serviço via SMS, a SOS Mata Atlântica também acaba de colocar no ar o blog www.sosma.org.br/blog e um sistema de mobilização no portal www.sosma.org.br, ambos desenvolvidos pela Dialeto.


Portal da Propaganda, 30/07/08

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Abrale e Abrasta promovem concurso

As ONGs Abrale e Abrasta estão promovendo o concurso cultural "Retratos da coragem", com o intuito de conscientizar a sociedade para as doenças onco-hematológicas por meio da arte.

As inscrições, que vão de 4 de agosto até 9 de setembro, poderão ser feitas pelo www.abrale.org.br, pelo concursodefotografia@abrale.org.br ou pela Caixa Postal nº. 11058, CEP 05422-970.

Fotógrafos profissionais e amadores poderão participar com imagens que representem atos corajosos. As fotos pré-selecionadas e vencedoras farão parte de uma exposição fixa em 2008 e outras itinerantes em 2009, além de ilustrar a agenda e o calendário da Abrale.


Portal da Propaganda, 30/07/08

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Autora de "Harry Potter" doa livro para caridade

Autora inglesa J.K Rowling doou livro de contos para instituição de caridade
Foto Brian Snyder/Reuters


Uma coleção de contos de fadas escritos por J.K. Rowling será publicada em benefício de uma organização para ajuda de crianças. Ela, que completa 43 anos nesta quinta (31), é a criadora da saga do bruxinho Harry Potter.

O livro "Os Contos de Beedle, o Bardo" ("The Tales of Beedle the Bard"), escrito e ilustrado por Rowling, será publicado no dia 4 de dezembro, anunciou a Children's High Level Group (CHLG), a organização criada por Rowling e a parlamentar Emma Nicholson.

A obra original, um manuscrito nunca publicado, foi doado por Rowling para um leilão em benefício dessa organização que ajuda as crianças na Europa. Rowling é a escritora de maior sucesso de todos os tempos, com uma fortuna calculada em mais de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 1,56 bilhão).

A decisão de publicar o livro é resultado de um acordo exclusivo entre as editoras Bloomsbury e Scholastic, que publicam a saga do bruxinho, e a Amazon. Todo o dinheiro arrecadado pela venda dos contos, que devem alcançar US$ 8 milhões (cerca de R$ 12,53 milhões), será entregue à organização de caridade.

A coleção é composta de cinco histórias que o diretor da Escola de Magia de Hogwarts, Albus Dumbledore, deu à amiga de Harry, Hermione Granger. Um deles aparece no sétimo volume da série de Harry Potter, mas os demais são inéditos.


Folha Online, 31/07/08

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Fraude no sistema de transplantes deve reduzir doações, afirma associação

Prisão do médico Joaquim Ribeiro Filho, acusado de manipular a lista de transplantes de fígado no Rio
Foto Bruno Gonzalez/Agência Estado


O presidente da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), Valter Garcia, afirma que a suposta fraude no Sistema Nacional de Transplantes deve reduzir o número de doações pela metade.

Na quarta-feira (30), o médico Joaquim Ribeiro Filho, professor da UFRJ e ex-chefe da Rio Transplantes (hoje Central Estadual de Transplantes), foi preso na chamada Operação Fura-Fila da Polícia Federal sob a acusação de manipular a lista de transplantes de fígado no Rio e de desviar órgãos para fazer cirurgias em clínicas particulares, ao custo de até R$ 250 mil cada uma.

Em entrevista concedida nesta quinta ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional, o presidente da ABTO disse que a associação tinha dúvidas quanto ao respeito à seqüência da fila do sistema de transplantes, mas que considerava difícil ocorrer fraudes. Garcia afirma que a lista de candidatos a um órgão é feita por meio de software e segue rigorosamente os critérios de classificação.

Segundo ele, o sistema é "muito bom", porque mais de 90% dos transplantes são feitos em pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). "O sistema hoje é baseado na gravidade que se encontra o paciente, não no tempo de espera" diz.

Investigação
De acordo com as investigações da PF e a denúncia do Ministério Público Federal, Ribeiro Filho, que era credenciado ao sistema nacional de transplantes, colocava na frente de pessoas que estavam no topo da lista de doações pacientes que pagavam a ele taxas que variavam entre R$ 200 mil e R$ 250 mil. Ele e outros quatro médicos suspeitos de participar do esquema foram denunciados à Justiça por peculato --apropriação ilegal de recursos.

A advogada de Ribeiro Filho negou o envolvimento do médico no esquema e afirmou que ele é vítima de perseguição por denunciar suposta precariedade do sistema de saúde do Rio. "O doutor Joaquim é um médico muito experiente, um dos mais reputados na área de transplante, mas é muito combativo. Ele vem denunciado a precariedade da saúde no Rio e, com isso, angariando inimigos", afirmou a advogada Simone Kamenetz.

Transplantes
Após a operação, o Ministério da Saúde informou, por meio de nota, que determinou a concentração de todos os transplantes de fígado do Estado do Rio no Hospital Geral de Bonsucesso (zona norte do Rio).

Em 2007, o SUS (Sistema Único de Saúde) realizou 15.857 transplantes de órgãos, sendo deles 971 de fígado.


Folha Online, 31/07/08

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Seminário gratuito aborda e-commerce em pequenas e médias empresas

Ciclo de seminários sobre comércio eletrônico será oferecido gratuitamente para micros, pequenas e médias empresas em agosto e setembro

A 5ª edição do ciclo de seminários “Comércio Eletrônico para micro, pequena e média empresa” promete detalhar o usp do comércio eletrônico em seis capitais brasileiras, nos meses de agosto e setembro.

As apresentações mostrarão como é possível e barato transformar os negócios tradicionais em digitais com a utilização adequada da tecnologia.

Os participantes irão receber um Kit de Inclusão Digital, com uma oferta integrada para a inclusão das micro, pequenas e médias empresas participantes do evento.

O evento acontecerá nas cidades de Salvador (05/08), Vitória (07/08), Londrina (12/08), Florianópolis (21/08), Curitiba (04/09), Campinas (16/09), Porto Alegre (07/10) e Brasília (23/10).

Os interessados podem se inscrever ou obter mais informações no site do evento.


IDG Now!, 30/07/08

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Lucro do petróleo pode espalhar Ceus e Cieps por todo o país

Piscina do Ceu Casa Blanca, na Vila das Belezas. A vizinhança pensava: "É tudo tão bonito, não deve ser para nós"
Foto Ed Viggiani / Valor


Ainda não se sabe quanto de petróleo a Petrobras descobriu sob uma camada de sal a 280 quilômetros da costa brasileira no Atlântico Sul. Também não se sabe se haverá mudanças na legislação para adaptá-la à prodigalidade com que a natureza retribui o esforço de técnicos e pesquisadores da estatal. Muito se vai discutir também sobre se é justo a lei de royalties permitir, entre 5.500 municípios, que apenas nove deles, no Rio de Janeiro, fiquem com 62% da distribuição nacional da regalia. Começa, entretanto, a criar-se um consenso em torno do que deve ser feito com o resultado da exploração dessas ultragenerosas reservas.

O dinheiro irá preferencialmente para a educação pública fundamental, num projeto que associará experiências realizadas em países de culturas e sistemas econômicos distintos, como Noruega, Coréia do Sul, Cuba, com duas iniciativas autenticamente nacionais: os Cieps de Leonel Brizola, no Estado do Rio de Janeiro, e os Ceus de Marta Suplicy, na cidade de São Paulo. Não há uma diretriz definida para a utilização desses recursos, mas os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Cristovam Buarque (PDT-DF) já apresentaram projeto de lei em que propõem a criação de um Fundo Nacional do Petróleo para Formação de Poupança e Desenvolvimento da Educação Básica (Funped). O fundo seria formado com 59,3% do lucro com o aproveitamento das recentes descobertas e, desses recursos, 60% seriam destinados à educação básica. O nome e a sigla do Funped serão obviamente mudados por falta de apelo de marketing e por causa do "n" antes do "p", erro de ortografia inconcebível num projeto educacional, mesmo se tratando de sigla. Mas o projeto está na comissão de infra-estrutura do Senado para o recebimento de emendas e se espera que, em torno dele, se harmonizem todas as tendências da Casa.

Na execução do programa, a inspiração do horário integral, com alunos permanecendo na escola o dia inteiro, virá dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps). Dos Centros Educacionais Unificados (Ceus) virá o conceito de escola como pólo de convivência comunitária em regiões urbanas tão carentes de educação de qualidade quanto de entretenimento e atividades culturais e esportivas.

Confirmadas as previsões de que do fundo do mar jorrará dinheiro para investir no encaminhamento de soluções para as carências nacionais - educação básica em primeiro plano, sem descuidar do ensino médio e superior, com ênfase na inovação e na tecnologia de ponta -, desaparecerão os motivos da principal crítica que Cieps e Ceus atraem até hoje: seu alto custo e a falta de recursos para implementá-los. A educação, como o petróleo, é um ativo que se valoriza à medida que se torna mais necessário e o benefício do seu alto retorno justifica e recompensa o investimento para desenvolvê-lo.

A candidata à prefeitura do Rio, Jandira Feghali (PCdoB), segunda nas pesquisas, diz que o projeto pedagógico dos Cieps "foi perdido no tempo" e promete revivê-lo, abrir as escolas nos fins de semana para integração comunitária, restabelecer a permanente assistência à saúde, dotar a rede municipal de equipamentos de cultura, esporte e inclusão digital. "Nada em educação é tão caro quanto o alto custo de não fazer nada", diz.

Com maior ou menor entusiasmo, outros candidatos a prefeito do Rio elogiam os Cieps. Fernando Gabeira (PV-PSDB), diz que, por enquanto, está "na fase do pré-pré-sal", ou seja, ainda não há dinheiro para grandes vôos, mas pretende ampliar em uma hora os turnos atuais de apenas quatro horas diárias na maioria das escolas municipais e também a duração do ano letivo, de 175 para 200 dias, equiparando-as às escolas particulares (o calendário da secretaria da Educação indica que essa equiparação já existe).

A deputada federal Solange Amaral (DEM) diz que a educação em horário integral "é uma absoluta necessidade" a ser satisfeita até o fim do mandato, se eleita, "em estruturas que não precisam, necessariamente, ser as dos Cieps". O senador Marcelo Crivella (PRB), líder nas pesquisas, diz que o turno único será implantado primeiramente nas áreas mais carentes das zonas Norte e Oeste para, até 2012, chegar a todo o município. É o que pode ser feito no momento com recursos próprios (R$ 1,5 bilhão), royalties (R$ 135 milhões) e os atuais R$ 800 milhões do Fundeb. "Mas todo dinheiro novo será bem-vindo", diz Crivella.

Dos 515 Cieps que Brizola construiu, 316 ainda são administrados pela secretaria estadual de Educação e o restante foi municipalizado - na capital, são 101 os que passaram à prefeitura; o Estado conserva 31. Os candidatos afirmam que não há necessidade de mais Cieps e nenhum deles, em período eleitoral, parece disposto a condená-los. Sincera ou não, essa unanimidade é explorada por outro candidato, o deputado estadual Paulo Ramos (PDT): "Brizola fez tanto pela educação que, 25 anos depois, os brizolões ainda atendem às necessidades do Rio."

O dinheiro da exploração dos novos campos de petróleo só entrará para os cofres do governo federal por volta de 2012. A disputa pela repartição desses ainda incalculáveis recursos, porém, já começou e desde agora se poderá visitar o que resta dos Cieps no Estado do Rio e acompanhar o evolução dos Ceus de São Paulo, para avaliar se a experiência tem realmente potencial para transformar o Brasil no primeiro país de economia emergente a usar a riqueza do petróleo na melhora das condições de vida de sua população.

O Valor visitou Cieps e Ceus e constatou que autoridades da área, professores e outros profissionais da educação, ex-alunos e moradores das comunidades que os hospedam consideram válida a experiência, com plenas condições de servir de modelo à educação básica brasileira no futuro. Existindo dinheiro para sustentá-los, gostariam todos de ver Ceus e Cieps espalhados pelo país - feitas as correções que o passar do tempo e as diferenças regionais impõem. "Unidade não significa uniformidade. A unidade pressupõe multiplicidade. A um centralismo estéril e odioso se opõem as condições geográficas do país e a necessidade de adaptação crescente da escola aos interesses e às exigências regionais", já proclamava o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, que Anísio Teixeira assinou em 1932, na companhia de educadores como Fernando de Azevedo, Afrânio Peixoto e Roquette Pinto e de intelectuais como Júlio de Mesquita Filho e Cecília Meirelles.


Paulo Totti, do Rio e São Paulo
Valor Online, 31/07/08

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Ativismo societário ganha o manual de um novo capitalismo

"Os Novos Capitalistas" - Stephen Davis, Jon Lukomnik, David Pitt-Watson. Trad. de Afonso Celso C. Serra. Campus/Elsevier, 303 págs., R$ 79,90

Ah, a revolução. Quantos livros ilegíveis não lemos em nome dela? Quantos anos de nossas vidas esperando por ela, noites em claro em botecos de quinta categoria planejando os próximos passos e... nada. Só a ressaca. Talvez não seja tão drástico como na canção do compositor cearense, talvez não sejamos os mesmos e nem vivamos como os nossos pais, pode ser que até tenhamos conseguido mudar alguma coisa, mas o fato é que a revolução não veio nos resgatar em seu cavalo branco.

Mas há esperança. O grande líder revolucionário está a caminho, não pela via campesina, pés descalços, camisa de tecido grosseiro com mangas arregaçadas. Ele vem por uma moderníssima autopista, dirigindo uma Ferrari (vermelha, como não?), charuto cubano (é a revolução!), terno Armani, Rolex e o livro azul (de lucro, de blue chip): "Os Novos Capitalistas - A influência dos Investidores-cidadãos nas Decisões das Empresas".

Os três autores, arautos da nova era de distribuição de riqueza, são Stephen Davis, Jon Lukomnik e David Pitt-Watson, todos com currículos cheios de feitos notáveis em ativismo pró-governança empresarial e direitos de acionistas. A boa nova que eles trazem não é tão romântica como a redenção das classes trabalhadoras sonhada pelos estudantes nas ruas de Paris naquele ano mítico, não segue nem de longe os preceitos do Manifesto Comunista e não sobe as encostas de Sierra Maestra. Mesmo assim, o trio chega a soar tão grandiloqüente quanto qualquer obra do realismo soviético.

A tese sustenta-se na constatação de que não há mais "donos" de empresas abertas, chamadas "públicas", na acepção anglo-americana - e o livro tenta ser o mais global, mas o foco está, obviamente, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Acontece que essas empresas se tornaram públicas de fato muito recentemente, depois da era dos "barões ladrões" e de um período em que o poder estava nas mãos de uma elite de capitalistas. A revolução é esta: o "capitalismo sem proprietários", ou melhor, com milhões de proprietários, trabalhadores do mundo unidos, por meio de suas poupanças, investidas em fundos de pensão e de investimento, "acionistas majoritários das empresas mais poderosas do mundo". De acordo com uma das muitas citações do livro (são dez páginas delas, o que torna a leitura um tanto truncada), investidores institucionais detinham 69,4% das mil maiores empresas abertas dos Estados Unidos em 2004, comparado a 61,4% em 2000. Na Inglaterra, a participação do "povo" saiu de 25% em 1963 para mais de 70% das ações das empresas atualmente.

Então, o povo chegará ao poder não pelas armas, mas pelas cotas dos fundos. Na verdade, o povo já chegou ao poder nos países desenvolvidos, o que confirmaria a previsão da dupla Marx-Engels sobre a vitória do comunismo em países mais desenvolvidos, no estágio mais avançado do capitalismo. Resta agora o mundo todo seguir o modelo - sem nenhuma alusão a Leon Trotsky. Ou talvez isso até esteja nas entrelinhas.

Os autores são mais claros nas referências furtivas aos autores do Manifesto Comunista e não tiveram pudor em redigir, para que a alusão ficasse completa, um "Manifesto Capitalista" - composto de dez curtos mandamentos, como se para provar que não há limites no quesito emulações pretensiosas. "Seja lucrativo - crie valor" é o primeiro. Os outros também não trazem nada que você não tenha visto num manual de gestão.

Os trabalhadores chegaram ao topo das companhias, agora é a hora de assumir as responsabilidades. Os autores passam, então, a examinar todos os animais do "ecossistema capitalista" e a discorrer sobre os elos fracos da cadeia, os problemas que impedem a ascensão plena dos trabalhadores: os conflitos de interesse na gestão de recursos, os conselhos de administração ausentes, os analistas de investimentos alinhados aos interesses do banco de investimento, os auditores só supostamente independentes, normas contábeis "ultrapassadas", a "timidez" da grande imprensa na cobertura das empresas, entre outros empecilhos.

No levantamento dessas fragilidades, o livro faz um apanhado dos abusos perpetrados contra os acionistas minoritários nas últimas décadas, o que serve para nos lembrar que o escândalo da Enron foi um cataclisma de intensidade similar ou superior ao da quebra de 1929.

Mas isso é história. O livro concentra seus esforços em mapear a expansão do universo da governança depois da grande explosão dos escândalos. E nesse ponto é uma ótima referência sobre o chamado ativismo societário. Para fortalecer o sistema do novo capitalismo, os autores propõem um espelhamento entre a sociedade civil e a "economia civil": eleição de conselheiros, limitação de poderes dos executivos etc. Faz sentido, mas não é garantia de bom funcionamento, mesmo porque as instituições da sociedade civil estão cheias de imperfeições.

O Brasil aparece em quatro citações, duas como referência negativa (ações sem direito a voto e controle concentrado) e duas positivas (Novo Mercado e obrigação dos investidores institucionais de votar e revelar o voto). O fato é que o país ainda é pé de página no assunto, apesar dos avanços recentes. O controle "difuso" é realidade em pouquíssimas empresas, e o ativismo dos proprietários de ação ainda está engatinhando. Ainda assim, não há como os nossos capitalistas continuarem ausentes, porque os fundos globais estão nos portões, soando as trombetas da revolução.


Nelson Niero, de São Paulo
Valor Online, 31/07/08

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quarta-feira, 30 de julho de 2008

As várias utilidades de uma navalha

Qualquer criança sabe o que é kiss, em inglês. Significa beijo. Mas K.I.S.S. também é o nome de um princípio muito curioso, com grandes e amplas aplicações em várias – senão em todas – as áreas do conhecimento e do comportamento. O princípio KISS se resume em: Keep It Simple, Stupid – em português, "Mantenha Isto Simples, Burro”.

Einstein disse, certa vez: "Tudo deve ser feito da forma mais simples possível, mas não mais simples que isso". Antoine de Saint Exupéry, o autor do delicado e profundo romance "O Pequeno Príncipe" também expressou algo maravilhoso em relação a este contexto: "A perfeição não é alcançada quando já não há mais nada para adicionar, mas quando já não há mais nada que se possa retirar".

Um frade franciscano que viveu no século XIV, Guilherme de Ockham foi um grande pensador de seu tempo. Coube a ele a honra de demarcar a virada do pensamento escolástico medieval em direção ao pensamento científico moderno.

Guilherme de Ockham – algumas vezes grafado Occam – nasceu no vilarejo de Ockham, na Inglaterra. Estudou na Universidade de Oxford, onde também lecionou por algum tempo. Foi chamado diante do Papa para prestar contas por suas idéias pouco ortodoxas.

Anos depois foi oficialmente excomungado devido ao seu apoio ao grupo conhecido como "Os Espirituais", a ala extremista da Ordem Franciscana que se opunha à opulência da Igreja. Então, fugiu para a corte do Imperador Ludwig, em Munique, um rival do Papa, onde viveu até sua morte.

Ockham poderia ser classificado como empirista e cético. Empirista por defender a necessidade da experimentação como fonte do conhecimento, em oposição à crença corrente de que o verdadeiro conhecimento só poderia ser obtido pelo uso da razão pura. Cético, na medida em que dizia ser impossível provar a existência de Deus através de qualquer ferramenta racional – embora não fosse por isso um descrente.

Ao pregar a separação entre a religião e a razão, Ockham traçou uma linha divisória entre os assuntos da fé e da razão e permitiu libertar a filosofia, berço comum de todas as ciências, da teologia.

Hoje, o nome de Ockham se encontra imortalizado no famoso argumento de sua autoria conhecido por "Navalha de Ockham", o princípio de que diante de duas teorias que explicam igualmente os fatos observados, a mais simples é a correta. Em outras palavras, se uma explicação simples basta, não há necessidade de buscar outra mais complicada.

E=mc2, entropia, caos, herança genética, etc são princípios científicos mal compreendidos e vulgarizados pela repetição. Assim também Navalha de Ockham se tornou um bordão utilizado indevidamente por leigos e céticos ansiosos demais em descartar explicações incomuns.

Quando se diz que a teoria mais simples é a correta, não se quer dizer que a teoria mais fácil de se entender é a correta. Em primeiro lugar porque simplicidade é um critério pessoal e subjetivo. Além disso, a natureza certamente não tem vocação para a simplicidade; apesar de algumas leis fundamentais da física serem expressas de forma surpreendentemente simples – como as leis de Newton – isto não significa que a explicação mais simples seja sempre a correta, ou que seja correta num número maior de vezes.

Na verdade, à medida que nos aprofundamos nos terrenos da física quântica ou da cosmologia, ocorre justamente o contrário e as explicações tornam-se cada vez mais complexas. Por isso é preciso compreender que a Navalha de Ockham não trata de descartar hipóteses só porque são mais difíceis de entender. Sua proposta é que sejam descartadas as hipóteses que, em igualdade de condições com outras, possuem mais suposições ou mais pressupostos, já que quanto mais suposições, maior a chance de que alguma delas esteja errada.


Abraham Shapiro
Coach e consultor especializado em lideranças, equipes de vendas e relacionamento com o cliente. shapiro@shapiro.com.br
HSM On-line, 29/07/2008

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20ª Bienal do Livro de São Paulo tem captação recorde

Com mais de R$ 3,5 milhões em patrocínio, organizadores do evento esperam receber 800 mil visitantes neste ano

Com abertura marcada para dia 14 de agosto, a 20ª Bienal do Livro de São Paulo tem como tema os 200 anos da vinda da família real portuguesa para o Brasil, homenageia os 100 anos de imigração japonesa no Brasil e, ao longo dos seus 11 dias, pretende confirmar a expectativa de ser a maior já realizada na cidade.

"A palavra chave para definir essa edição é envolvimento", diz a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Rosely Boschini. "Tanto dos expositores, que serão 350 com 900 selos editoriais, quanto dos patrocinadores que levaram essa edição à captação recorde de R$ 3,5 milhões, passando pelos 46 autores de 30 países que devem comparecer à Bienal", completa a presidente da entidade que promove a Bienal há 40 anos e que estima que o público desta edição deve alcançar 800 mil pessoas.

Volkswagen e Ipiranga apresentam o evento, que tem co-patrocínio do HSBC e do Submarino e apoio da Visa, Anhembi, Prefeitura da Cidade de São Paulo e do Ministério da Cultura. "Sempre buscamos destacar a vocação de São Paulo para as artes e cultura e a posicionar a cidade como o principal centro das economias criativas na América Latina", diz o presidente da Anhembi Turismo, Caio Luiz de Carvalho que calcula que a cidade deverá receber cerca de 160 mil visitantes atraídos pela Bienal.

"Hoje a Bienal de São Paulo é a segunda maior do mundo, só perde para a de Frankfurt", lembra o coordenador da Comissão Organizadora, Oswaldo Siciliano. Segundo dados da CBL relativos a 2006, o faturamento em vendas do setor ficou em torno do R$ 3 bilhões.Criada pela DM9DDB, a campanha deste ano tem como tema "O Livro de Todos", uma iniciativa que começou na internet e que consistia numa proposta de obra coletiva. No final, o Livro de Todos teve mais de uma centena de autores - alguns famosos entre eles - e contabilizou mais de 14 mil visitantes/leitores no site. A veiculação da campanha inclui boa parte da grande mídia impressa, televisiva e digital.


Andréa Ciaffone
Meio & Mensagem, 29/07/08

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Vencedor do Prêmio Inovação em Sustentabilidade levará agricultura familiar sustentável a todo o Brasil

A Agência Mandalla foi criada no ano de 2003, na Paraíba, com o objetivo de difundir um conceito inovador de desenvolvimento por meio da união do saber popular com o saber científico. O Projeto Mandalla tornou-se uma metodologia de desenvolvimento, com a missão de transformar a agricultura familiar em um negócio economicamente rentável, socialmente responsável e ambientalmente sustentável. Baseado no desenho circular de uma mandala, ele permite a um agricultor familiar, com poucos recursos, cultivar vários tipos de frutas, legumes e verduras e ainda criar pequenos animais, sem o uso de agrotóxicos e aproveitando todos os recursos naturais sem desperdício.

Cinco anos e vários prêmios depois - entre eles o Prêmio Inovação em Sustentabilidade, organizado em parceria pelo Instituto Ethos e pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) - o conceito e o método da Mandalla já alcançaram municípios em doze Estados brasileiros. Impulsionado pelo Prêmio Inovação, que foi entregue em maio, durante a Conferência Internacional Ethos 2008, o Projeto deve chegar, nos próximos cinco anos, a todos os Estados e a alguns países da América Central e da África, como Moçambique. Nesta entrevista, Willy Pessoa, fundador e presidente do projeto, conta como uma tecnologia de baixo custo pode transformar e melhorar a vida dos brasileiros mais necessitados, não só na zona rural, mas também na periferia das cidades.

Instituto Ethos: Qual o conceito do Projeto Mandalla?
Willy Pessoa: É um processo de desenvolvimento que se dá pelo crescimento de uma mandala, que vai se formando como um corpo. Se você observar tudo o que existe na natureza, nos seres vivos há essa seqüência - células que vão gerar um corpo, um organismo. O indivíduo faz parte do universo da família, que faz parte da comunidade, que faz parte do município, do Estado, do país, até chegar ao planeta Terra, ao sistema solar e finalmente ao universo. O desenho do nosso projeto obedece ao desenho do universo mais próximo do nosso, que é o sistema solar. Contém um centro e nove círculos, que representam o sol e nove planetas. O centro é o sol, responsável pela geração de luz, de energia. No Projeto Mandalla, o centro é o lago, responsável pela geração de energia a partir da água, além da criação de peixes e marrecos. A partir do centro se distribui a energia, em nove círculos alimentados pela água. Em cima do lago há uma pirâmide hexagonal, que chamamos de o berço piramidal, e que sustenta a linha de distribuição da água. Cada Mandalla tem uma área de 50 X 50 metros, ou seja, um quarto de hectare, nos quais estão os quatro elementos: terra, fogo, água e ar.

IE: Quais foram as principais dificuldades na implantação do projeto?
WP: Tivemos muitas dificuldades, no início, porque não tínhamos recursos. Fomos montando o processo, e nesse universo, os prêmios que recebemos são muito importantes. O prêmio do Instituto Ethos nos deixou muito satisfeitos, porque é representativo em termos de empresas e vai de encontro ao nosso ponto, que é auxiliar o campo e educar a cidade.

IE: Como mostrar aos beneficiados a renda que será gerada pela venda da produção da Mandalla? Se a família consome o que produz, não precisa trabalhar fora para comprar comida?
WP: Nós dizemos: primeiro você deve vender a você mesmo - senão vai ter de comprar e gastar dinheiro, e para isso deverá ter um emprego. A alimentação é a base de tudo. Se a família produz o que come, é como se já partisse ganhando 1000 reais, que é o que ela precisa gastar com alimentação. E, depois que se alimentar, vende os excedentes. Nessa venda, cada unidade de produção familiar vai gerar pelo menos seis empregos. Além disso, se está no campo, não precisa pagar aluguel, que seria mais ou menos 300 reais. É como se a família já começasse ganhando 1300 reais.

IE: Qual a influência do Projeto na estrutura social da comunidade?
WP: Hoje, o salário mínimo está muito aquém das necessidades de calorias que precisamos por dia. As pessoas não estão mais produzindo alimentos, estão comendo pouco e por isso estão nas filas dos hospitais - de cada 100 pessoas, 75 não estariam lá se estivessem bem alimentadas e vivendo em boas condições de higiene. Assim, com o Projeto Mandalla, a família passa a produzir sua alimentação e a vender o excedente, criando um enriquecimento na célula familiar. Além disso, com as feiras da produção das Mandallas, o dinheiro fica dentro dos municípios. Isso enriquece o grupo de famílias e os municípios. O PIB vai se criando a partir da família. O PIB não vai subir se as pessoas não entenderem que a célula-base é a família, e depois o município. É preciso transformar o miserável em pobre e o pobre em empreendedor. Os programas sociais são paliativos, clientelistas, pura politicagem. O Brasil é rico em potencial e pobre em conhecimento. E nós trabalhamos a informação para o conhecimento com o potencial que temos. É um processo de empreendedorismo, de aproveitar o capital humano e ambiental para o capital social. Isso nasce a partir da família, da célula produtiva.

IE: Há dificuldades na disseminação do Projeto entre as famílias?
WP: É difícil convencer as comunidades de que é possível produzir e gerar renda com o material disponível, agregando tradições e costumes com avanços tecnológicos. Como explicar que a garrafa PET, que é lixo, pode servir para uma porção de coisas? Na Mandalla a garrafa PET não é lixo, pode ser usada para o plantio de hortaliças. Há uma parceria com escolas para trabalhar esses conceitos com os alunos, para que eles aprendam lições que vão além dos números. São lições para a vida, que também podem levar a uma melhor integração entre as escolas e as famílias. Por exemplo, se o município tem 3000 alunos, e se cada aluno recolher seis garrafas PET, serão 18 mil garrafas. Cada uma apóia dois pés de tomate, então serão 36 mil pés de tomate. Considerando que são 3 quilos de tomate por pé, então serão 100 toneladas de tomate nos quintais! Isso é fazer contas de forma prática. É um processo de coleta de lixo, e que produz 100 toneladas de tomate a cada três ou quatro meses.

IE: Como esse projeto influencia nas cidades?
WP: Educar a cidade para consumir e capacitar o campo para produzir - esta intersecção é a linha mestra do projeto. A Mandalla pode alimentar dez famílias urbanas, portanto é necessário educar a cidade para consumir. No entanto, o importante é chegar ao foco das periferias, porque se tudo for vendido no centro, vai beneficiar as pessoas que têm dinheiro. É possível vender os produtos das Mandallas pela metade do preço do mercado, e com isso ajudar também as famílias urbanas pobres, que não têm muito dinheiro para comprar comida. No limite, diminuem a marginalização, as doenças, e tudo isso se reflete na economia local.

IE: Como você vê o conceito do desenvolvimento local?
WP: Desenvolvimento local não existe porque é um processo egoísta, concentrado. É preciso desenvolver o município vizinho também, deve ser o todo pela parte e a parte pelo todo, fazendo parte do conjunto. Não podemos concentrar a riqueza e a oportunidade em uma célula determinada, pois isso complica o corpo todo. Se não trabalhar o vizinho, ele vem para a periferia, e assim crescem as favelas. Nesse sentido, o município cresce, mas não se desenvolve.

IE: Quais os desafios para o futuro?
WP: Estamos trabalhando a difusão da Mandalla virtual, para dinamizar capacitadores com um processo de informação pela internet. Também há o projeto Mandalla Júnior, pois os jovens são a base. Estamos implantando um processo de gerenciamento a partir dos próprios jovens, que estudam na escola técnica e vão aos finais de semana até o município, recebendo uma bolsa que cobre esses gastos. Quando terminam o curso técnico, fazem um estágio de quatro meses na sede do projeto. Os que ficam aprendem a entender o conjunto, se reúnem a cada semana com o coordenador, planejam o que melhorar. É uma capacitação prática do potencial que trazem da escola, com as tradições, a cultura e o processo de mudança.


Betina Sarue, para o Instituto Ethos
Envolverde, 30/07/08
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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Fibra processada de garrafa PET dá origem a edredons

A fabricação de edredons utilizando fios de Polietileno Tereftalato (material das garrafas PET) reciclado como matéria-prima está beneficiando a comunidade do Morro Santana, Região Leste. (fotos) O projeto é resultado de uma parceria entre Secretaria Municipal de Coordenação Política e Governança Local (SMGL), Comitê de entidades no combate a fome e pela vida (COEP/RS), Banco Regional do Extremo Sul (BRDE), Banco do Vestuário da Fiergs, Transportadora Giulian e Maxitex Indústria Têxtil Ltda. (veja vídeo)

Proporcionando trabalho e renda para pessoas da região, a iniciativa tem a participação de 15 mulheres que executam o trabalho desde quarta-feira, 23 de julho. Os resultados já motivam o grupo a iniciar a produção de outros produtos como almofadas, travesseiros e bolsas. "São fabricados objetos úteis e que serão vendidos por um preço bastante acessível, contribuindo, assim, para a geração de renda à comunidade, que é o objetivo principal da iniciativa", explica Robson Rosa Lhul, agente de governança da Região Leste da Capital.

Reciclagem
Beneficiado por uma iniciativa ímpar no país, que é a fabricação de fios têxteis (fios ecológicos) a partir das garrafas de refrigerante, o grupo de mães do Morro Santana agrega mais um diferencial ao trabalho por elas realizado: a reciclagem. A técnica começa com a lavagem das garrafas e, após serem processadas, as fibras são extraídas.

Com uma maciez e um poder de aquecimento tão grande quanto a lã natural, o resultado final do ciclo de reaproveitamento do plástico das garrafas de refrigerante, que mal descartadas poderiam entupir bueiros ou poluir os riachos da cidade, é dar oportunidade de trabalho para pessoas de baixa renda. "Através de um trabalho conjunto, onde a comunidade é a grande beneficiada, com o apoio de lideranças locais, somado à consciência ecológica de suas parceiras, pode-se vislumbrar um futuro mais limpo e cidadão para a grande vilã do meio-ambiente: a garrafa PET", comemora Lhul.


Site da Prefeitua de Porto Alegre, 20/07/08

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terça-feira, 29 de julho de 2008

Em 10 anos, telefonia dobra participação no PIB

Em dez anos, o celular passou de artigo de luxo para o meio de comunicação mais popular no País. Quando o Sistema Telebrás foi privatizado, em 29 de julho de 1998, não existia acesso à internet em alta velocidade (banda larga) e havia fila para conseguir o telefone fixo. De lá para cá, muita coisa mudou. O número de telefones fixos em operação no País passou de 20 milhões, em 1998, para 39,4 milhões. Os assinantes de celulares eram 7,4 milhões naquele ano e chegaram a 133,2 milhões no ano passado. O total de acessos de banda larga alcançou 8,3 milhões.

Dobrou a participação das telecomunicações no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, passando de 3,2% em 1998 para 6,2% no ano passado. De 1998 a 2007, as empresas do setor investiram R$ 140,9 bilhões, sem contar o pagamento de licenças e o que foi gasto na privatização. Uma média de R$ 14 bilhões por ano. No período de 1994 a 1997, o investimento médio anual do setor tinha sido de R$ 5,6 bilhões.

O setor acaba de começar um novo ciclo de investimentos. As empresas estão construindo redes celulares de terceira geração (3G) e redes abertas, baseadas na tecnologia da internet, para distribuir conteúdo mais facilmente."A convergência entre telecomunicações e mídia é uma realidade", afirma Manzar Feres, principal executiva de Telecomunicações da IBM para América Latina.

O mercado se desenvolveu muito desde a privatização, mas existem problemas importantes que ainda precisam ser atacados. A competição na telefonia fixa não ocorreu. O modelo criado há dez anos não tinha uma solução para a telefonia rural. Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), somente 43,1% dos municípios têm serviço de banda larga. O atendimento das operadoras de telecomunicações é ruim, fazendo com que as empresas do setor liderem as listas de reclamações nas entidades de defesa do consumidor. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Portal Exame, 29/07/08

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Ano da França no Brasil prorroga prazo de inscrição de propostas

Programação oficial do evento já conta com mais de 250 projetos inscritos

O prazo para a inscrição de projetos que irão compor a programação do Ano da França no Brasil foi prorrogado até 30 de setembro. A decisão foi acordada pelos membros dos Comissariados Brasileiro e Francês, durante o Encontro Nordeste de Coordenadores para o Ano da França no Brasil, realizado no último dia 18, em Salvador.

A data final de inscrições é válida tanto para os proponentes que estão buscando o apoio das Leis Federais de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet e Lei do Audiovisual) para o desenvolvimento dos projetos, quanto para aqueles que já têm os recursos garantidos. Os critérios e orientações, conforme o edital de seleção pública divulgado pelo Ministério da Cultura, estão disponíveis na página eletrônica do França.Br (www.cultura.gov.br/franca_br2009), no link Apresentação de Projetos.

A programação do Ano da França no Brasil será composta principalmente por projetos propostos e gerenciados, em parceria, por franceses e brasileiros. Os trabalhos apresentados serão submetidos à aprovação dos Comissariados dos dois países, sendo cada um examinado em seu próprio país.

Segundo o presidente do Comissariado Brasileiro, Danilo Miranda, existem mais de 200 projetos chancelados, abrangendo teatro, artes visuais, dança, música, festival de cinema, moda, design, artes circenses, patrimônio, documentários, projetos acadêmicos, dentre outros segmentos.

A terceira Reunião do Comitê Misto - Comissariados Brasileiro e Francês - para avaliar as propostas inscritas será realizada no mês de setembro e o último encontro para selecionar projetos para a concessão da chancela oficial deverá ocorrer em outubro.

O França.Br será promovido de 21 de abril a 15 de novembro de 2009 e sua programação será desenvolvida em várias cidades brasileiras. A iniciativa é fruto de um acordo firmado entre os presidentes Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, em reciprocidade ao Ano do Brasil na França, que ocorreu em 2005.

Narla Aguiar
Site do Ministério da Cultura, 29/07/08

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Dilma: agricultura familiar é estratégica para biodiesel

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse hoje que a inauguração da unidade de biodiesel da Petrobras em Candeias, na Bahia, encerra uma primeira etapa de implantação do programa no Brasil, que durou quatro anos e meio. "Em 2003 houve a determinação, reunida com vontade política, de inserção do biodiesel na matriz energética. De lá para cá fizemos mais do que a Alemanha fez em 20 anos nesta área", disse, lembrando que hoje o Brasil já ocupa a terceira posição em produção de biodiesel, atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha.

Ela ressaltou o fato de que a determinação relacionada ao biodiesel não foi somente a sua inserção na matriz energética, mas sim sua função social, "em que a força do programa tem que estar na agricultura familiar". "A agricultura familiar é estratégica porque tem capacidade de produção descolada do mercado internacional, e pode produzir alimento e energia, gerando recursos e renda para milhões de brasileiros", afirmou.

Segundo a ministra, com o encerramento desta etapa, inaugura-se uma nova fase, que é mais ambiciosa, de tornar o País líder na tecnologia de produção de biocombustíveis a partir de resíduos, e não somente com base na matéria-prima como é hoje. "Temos que generalizar a produção de energia com base na agricultura familiar, buscando 60% até 70% da produção com base neste tipo de atividade agrícola, para termos a certeza de que essa produção não vai ser infectada pelos preços internacionais de oleaginosas. E garantir que o Brasil tenha condições de melhorar a renda desses trabalhadores", disse.

Ela ainda lembrou que o Brasil busca a produção do biodiesel não porque está faltando petróleo. Pelo contrário, "produzimos biodiesel ao mesmo tempo em que nos tornamos donos de uma das maiores reservas mundiais (de petróleo)", disse a ministra, citando a camada pré-sal. "Estamos produzindo biodiesel porque temos a convicção de que o combustível renovável pode servir para que as populações do mundo - especialmente a África e a Ásia - possam ter alimento e energia conjuntamente. Estes dois pontos são fundamentais neste século: segurança alimentar e energética. E o Brasil prova que nós não só trataremos da emissão de poluentes e segurança climática, mas oferecemos eficaz instrumento de combate à fome e à falta de energia".


Kelly LimaPortal Exame, 29/07/08

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Os mitos e realidades do filantropo-capitalismo

Michael Edwards, Diretor de Governança e Sociedade Civil da Fundação Ford

Nos últimos 12 meses, a caixa de entrada de meu computador, como a do seu, vem sendo inundada com notícias de conferências, palestras, artigos e relatórios que prometem "salvar o mundo" revolucionando a filantropia, fazendo com que as organizações sem fins lucrativos operem como negócios, e criando novos mercados para produtos e serviços que beneficiam a sociedade.

Os defensores desta abordagem, apelidados de "filantropo-capitalismo", para abreviar, acreditam que os princípios dos negócios podem ser combinados com sucesso com a busca da transformação social. Não há dúvidas de que se trata de um fenômeno importante. Grandes somas estão sendo geradas para a filantropia, especialmente na indústria financeira e na indústria de informática.

Apesar do seu grande potencial, esse movimento é falho tanto nos meios que propõe quanto nos fins prometidos. Ele vê os métodos dos negócios como resposta aos problemas sociais, mas oferece poucas evidências ou análises rigorosas para embasar essa alegação e ignora as fortes evidências que indicam o contrário. Os negócios continuarão a ser uma parte essencial da solução dos problemas globais e alguns métodos dos negócios certamente têm muito a contribuir.

Mas os negócios também serão causa de problemas sociais. Como Jim Collins, autor de “Good to Great”, concluí em um livro recente "devemos rejeitar a idéia, bem-intencionada, mas totalmente errônea, de que o caminho principal para a grandeza dos setores sociais é se tornarem mais como o setor de negócios".[1]

A outra promessa do filantropo-capitalismo é alcançar transformações de grande escopo resolvendo problemas sociais arraigados, ainda assim, sua falta de compreensão de como ocorrem as mudanças mostra que essa promessa provavelmente não será cumprida. Existe um grande abismo entre o modismo que cerca essa nova filantropia e seu impacto potencial. Alguns dos mais novos filantropos já perceberam isso e mostraram tanto humildade quanto vontade de aprender sobre as complexidades da mudança social, mas muitos outros permanecem vítimas do modismo.

O filantropo-capitalismo tem uma peça importante do quebra-cabeças de como alinhar democracia e mercado, mas corre o risco de se colocar como a solução total, minimizando a importâncias dos custos e das perdas de se estender os princípios do mercado à transformação social. Meu argumento é que:

• O modismo que cerca o filatropo-capitalismo é muito maior do que sua capacidade de conseguir resultados reais. É hora de mais humildade.
• A concentração cada vez maior de riqueza e poder entre os filantro-capitalistas é prejudicial à saúde da democracia. É hora de mais responsabilização.
• O uso da lógica dos negócios e do mercado pode prejudicar a sociedade civil, que é crucial para a transformação política e social democrática da sociedade. É hora de diferenciar as duas e reafirmar a independências da ação cívica mundial.
• O filantropo-capitalismo é sinônimo de um mundo desordenado e profundamente desigual. Ele ainda não demonstrou que pode fornecer a cura.

É justificável a empolgação com as possibilidades de avanço na saúde, agricultura e acesso a microcrédito para os pobres do mundo, estimulados pelos enormes investimentos da Fundação Gates, Clinton Global Initiative e outras. Novos empréstimos, sementes e vacinas certamente são importantes, mas não existe vacina contra o racismo que nega terra aos dalits (os assim chamados intocáveis) na Índia, nenhuma tecnologia pode propiciar a infra-estrutura de saúde para combater o HIV e nenhum mercado pode organizar as relações disfuncionais entre as diferentes religiões e outros grupos sociais que reforçam a crescente violência e insegurança.

Atacando os sintomas e não a causa
O filantropo-capitalismo pode alegar que ataca as "grandes desigualdades" da sociedade, mas elas são causadas pela natureza de nosso sistema econômico e a incapacidade da política [de]alterá-la. As disparidades de riqueza e educação são sintomas desses problemas e reaparecerão em todos os lugares em que as causas não forem resolvidas. O conceito não reconhece essa lição básica da história e corre o risco de mascarar a verdadeira natureza das tarefas que enfrentamos.

Apenas os mais visionários filantropo-capitalistas têm incentivo suficiente para transformar um sistema dos quais eles se beneficiaram enormemente.

Será que o filantropo-capitalismo teria ajudado a financiar o movimento dos direitos civis nos Estados Unidos? Espero que sim, mas esse movimento não era "dirigido pelos dados", não operava através da concorrência, não gerava muita receita e não media seu impacto em termos de números de pessoas beneficiadas a cada dia. Mas ainda assim ele mudou o mundo para sempre.

O filantropo-capitalismo é importante? Certamente que sim, mas poderá se mostrar mais efêmero do que os seus proponentes alegam. Os objetivos que eles mesmos definiram serão alcançados? Provavelmente não, embora algum bem, sem dúvida, será feito ao longo do caminho. Ele vai avançar os esforços de outros para alavancar mudanças profundas na sociedade? Não, a menos que decida mudar de rumo e aprender a aceitar que existem custos e contradições na mistura de negócios com objetivos sociais.

Hora de um novo tipo de debate
Se as bases deste movimento são tão fracas, por que não deixar que ele se queime como tantos outros modismos antes dele? Não se trataria de "apenas mais um imperador que está nu", esperando que alguém corajoso ou tolo reconheça sua nudez em público? Acredito que este seria um grave erro porque não podemos ignorar o que eu chamo de "pergunta de 55 trilhões de dólares" - a quantidade estimada de recursos filantrópicos a serem gerados apenas nos Estados Unidos nos próximos 40 anos.

Vamos usar esses imensos recursos na busca de transformações sociais ou apenas desperdiçá-los gastando-os nos sintomas? Se ignorarem essa pergunta, os filantropos podem acabar sendo vítimas da mesma reação adversa que receberam as concentrações anteriores de riqueza e poder.

Então, o que fazer? Acho que chegou a hora para um tipo diferente de conversa, menos dominada pelos modismos e mais aberta a vozes diferentes e dissidentes. O resultado será, sem dúvida nenhuma, confuso e descômodo para alguns, mas será mais democrático e muito mais eficaz em nutrir novas estratégias ousadas da mudança social e econômica. A sociedade civil deve participar deste debate como um parceiro igual e independente, orgulhoso de suas realizações e suas conquistas, e sem medo de rejeitar ou criticar modelos de negócios que sejam inadequados aos seus propósitos. O resultado seria, sem dúvida, um mundo transformado.

[1] Jim Collins (2006), “Good to Great and the Social Sectors”, Century.

Para pedir ou baixar
O novo folheto de Michael Edwards, Just Another Emperor? The myths and realities of philanthrocapitalism está disponível no Amazon ou para download gratuito nos seguintes sites: www.demos.org, www.youngfoundation.org e www.futurepositive.org.


Michael Edwards
Autor de vários livros e artigos sobre o papel da sociedade civil mundial. Na publicação deste artigo, ele é Diretor de Governança e Sociedade Civil da Fundação Ford, mas escreve inteiramente na capacidade de indivíduo e quer agradecer à Fundação Ford por permitir que ele estivesse de licença quando escreveu este artigo. Os pontos de vista expressos neste artigo não devem ser tomados como representando as opiniões nem as políticas da Fundação Ford.

redeGIFE Online, 28/07/08

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Agressores se juntam para não agredir mais

Projeto em Diadema coloca em uma mesma roda homens acusados de violência contra mulher, para que discutam e mudem atitudes

Reunir maridos agressores em uma mesma roda para discutir suas idéias e atitudes pode ser o caminho de saída de um problema que afeta muitas famílias em Diadema, na Grande São Paulo. É nisso que aposta a Casa Beth Lobo, projeto social que está implantando no município um tipo de "terapia coletiva" que coloca, em uma mesma sala, homens com histórico de violência doméstica para debater o assunto.

O objetivo é, por meio das conversas direcionadas, eles se dêem conta de que bater nas mulheres (ou mesmo nos filhos) é um comportamento socialmente reprovado. "Fazemos uma roda e discutimos assuntos corriqueiros, como foi a semana deles, por exemplo", conta o psicólogo e sociólogo Flávio Urra, responsável por conduzir as conversas no chamado Projeto Masculinidade, lançado no final de 2006. "Aos poucos, vamos dirigindo a discussão para as questões de direitos humanos e de rompimento da violência."

Esse é uma dos três trabalhos (leia notícias ao lado) que colocaram a Casa Beth Lobo — Centro de Referência da Mulher em Situação de Violência Doméstica entre os 20 projetos vencedores do Prêmio ODM Brasil 2007, uma iniciativa do governo federal e do PNUD que destacou práticas de prefeituras e organizações sociais que ajudam o país a avançar nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Os encontros são semanais — atualmente, ocorrem nas tardes de quarta-feira. Os participantes chegam ao projeto por meio de indicação de mulheres que freqüentam a casa, de pessoas da comunidade ou recomendação de órgãos públicos, como tribunais ou unidades básicas de saúde. A iniciativa enfrenta, contudo, uma grande resistência de seu público alvo — os grupos não tiveram mais de sete participantes e muitos homens acabam abandonando-a no meio do percurso.

"Geralmente, quem freqüenta pensa que vai ter algum ganho no grupo — dificilmente é uma coisa espontânea", afirma Urra. "Na cabeça dele, ele tem o privilégio de bater na companheira, o poder de sair com outras mulheres, chegar à hora que quer em casa. Ele tem uma série de poderes que nós questionamos. Falamos de distribuição de tarefas em casa, cuidar de filho. Não é fácil convencê-los", acrescenta.

Apesar das dificuldades, Urra, que já participou de experiência semelhante em outra cidade do ABC, Santo André, avalia que há efeitos positivos no longo prazo. "Com o tempo, esse tipo de trabalho tem resultado. Em um ano, um ano e meio, os efeitos começam a aparecer", afirma. "Após quatro meses em que o homem freqüenta o grupo, começa uma mudança no discurso. O homem tem aquela coisa: ele quer ser aceito, respeitado no grupo, que a posição dele seja ouvida. No começo o sujeito tinha uma posição radical em questões como pena de morte, por exemplo. Depois de um tempo, ele começa a tocar em questões que envolvem religião, falar sobre Bíblia e ir por caminhos mais humanos."

Urra defende que projetos como este de Diadema virem política pública. Ele cita a Lei Maria da Penha, que estabelece penas mais pesadas para casos de violência doméstica e prevê, em seu artigo 35, "centros de educação e de reabilitação para os agressores". "O que nós fazem aqui é uma parceria, um trabalho voluntário. O ideal seria que se criasse uma política pública voltada ao trabalho com os agressores", completa.

Casa Beth Lobo
A Casa Beth Lobo existe desde 1991 e hoje integra uma série de projetos, que incluem, além do grupo de discussão de maridos agressores, oficina de teatro, cursos de artesanato e aulas de ioga. Além das atividades ocupacionais, a casa oferece apoio jurídico, psicológico e social para mulheres vítimas de violência doméstica. Em média, a casa recebe 40 novos casos todos os meses.


Osmar Soares de Campos, da PrimaPagina
Boletim PNUD, nº 502, 29/07/08

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Brasil usa IDH para distribuir verba cultural

Ministério da Cultura adota índice como critério para financiamento de viagens do setor; regiões com menor IDH-M serão privilegiadas

O Ministério da Cultura resolveu adotar o IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, uma adaptação do IDH, indicador elaborado pelo PNUD, aos padrões regionais brasileiros) como um dos critérios de seleção dos beneficiados do Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural.

O programa é responsável pelo financiamento de viagens de artistas, técnicos e estudiosos do setor cultural que tenham sido convidados a participar de eventos fora do local onde residem, no Brasil ou no exterior. São atendidos pedidos relacionados às áreas de artes cênicas, artes visuais, música, patrimônio cultural e humanidades, com exceção do setor audiovisual, que já possui um programa próprio. O edital contempla viagens a serem realizadas entre julho de 2008 e março de 2009.

Para poder receber os recursos, essas viagens devem estar relacionadas às seguintes atividades: apresentação de trabalho próprio, residência artística ou cursos de capacitação de profissionais da cultura. Os beneficiários devem apresentar, no seu retorno, fotos, vídeos ou documentos legais que comprovem a viagem, a realização do evento e a sua participação.

A aprovação do financiamento depende de uma pontuação que segue seis critérios: relevância do evento e da instituição que o promove para a área cultural, experiência do candidato para a atividade, relevância do trabalho a ser apresentado para a respectiva área cultural, caráter inovador ou experimental, contribuição para a divulgação da cultura brasileira e troca de conhecimento. Uma comissão de avaliação compostas por profissionais do Ministério da Cultura vai atribuir nota de 0 a 5 para cada um desses quesitos. Para se classificar, o candidato deve somar, no mínimo, 16 pontos.

A novidade é a inclusão de uma pontuação extra (de 1 a 5 pontos) baseada no IDH-M. Pedidos de estados como Maranhão, Alagoas e Piauí representam aumento de 5 pontos; Rio de Janeiro, 2; São Paulo, Distrito Federal, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, 1.

“A proposta é tentar induzir uma melhor distribuição de recursos, minorando as diferenças regionais. Nós observamos que existia uma maior demanda no Sul e no Sudeste e que a proporcionalidade de demandas estava centralizando os recursos nessas regiões”, afirma Teresa Cristina Oliveira, secretária da SEFIC (Secretaria de Incentivo e Fomento à Cultura “Não queremos perder a qualidade, mas valorizar iniciativas que estão em lugares onde a demanda e o financiamento são menores”.

Outra responsabilidade da comissão de avaliação é determinar o valor do apoio financeiro a cada beneficiado. Os recursos destinados ao programa totalizam R$ 2 milhões, provenientes do FNC (Fundo Nacional da Cultura). As inscrições estão abertas para pessoas físicas, grupos ou entidades culturais privadas sem fins lucrativos. De acordo com o edital, 5% dos recursos serão destinados para participantes com deficiência.

Saiba mais:
Leia o edital do Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural


Juliana Sayão, especial para Prima Pagina
Boletim PNUD, nº 502, 29/07/08

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Setor informal "é principal via para escapar da pobreza no Brasil"

O setor informal retira mais trabalhadores da pobreza do que o formal, segundo um artigo divulgado em uma publicação do CIP (Centro Internacional da Pobreza), órgão ligado ao Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP).

"Empregos para trabalhadores pobres são escassos no setor formal. Para melhorar a sua renda, os pobres apelam para empregos informais e sem registro que são altamente vulneráveis", dizem a pesquisadora Ana Flávia Machado, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e Rafael Perez Ribas, do CIP, no artigo Onde Estão os Empregos que Tiram as Pessoas da Pobreza no Brasil?

Utilizando dados da Pesquisa Mensal de Emprego de 2004 para avaliar a relação entre mobilidade entre estados de pobreza e inserção no mercado de trabalho, os autores classificaram trabalhadores entre 18 e 60 anos em três grupos: trabalhadores do setor formal, do setor informal e desempregados.

Os autores constataram que 6% dos desempregados, 3% dos trabalhadores pobres do setor informal e 1% dos trabalhadores pobres do setor formal saem da pobreza de um mês para o outro. Segundo eles, isso mostra que "trabalhadores pobres do setor formal têm menos chances de sair da pobreza."

Além disso, cerca de 85% de trabalhadores informais que saem da pobreza continuam no setor informal, e apenas 11% passam a ter um emprego no setor formal.

No setor formal, entre os que saem da pobreza, 91% continuam no setor formal, enquanto 9% se deslocam para a informalidade.

Já entre os desempregados que conseguem sair da pobreza, 37% encontram emprego no setor informal, enquanto que 14% o fazem no setor formal.

"Isso sugere que o setor formal não tem ajudado as pessoas a saírem da pobreza tanto quanto o setor informal", dizem os autores.

Vulnerabilidade
Por outro lado, o artigo diz que os trabalhadores do setor informal têm mais chances de cair na pobreza do que os do setor formal, porque "podem não ter proteção social durante tempos de crise econômica".

Os dados compilados pelos autores mostram que 4% dos trabalhadores informais, 3% dos desempregados e 2% dos trabalhadores do setor formal passam a ser pobres de um mês para o outro.

Os autores também concluíram que a porcentagem de trabalhadores que entram na pobreza por causa do desemprego é maior no setor informal (16%) do que no formal (12%).

"O setor formal oferece as melhores condições para os trabalhadores, mas no Brasil os pobres têm acesso limitado a esse setor. A informalidade tem sido um meio alternativo de promover mobilidade sob condições de baixa renda, apesar de sua maior vulnerabilidade", concluem os pesquisadores.


BBC Brasil, 28/07/08

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segunda-feira, 28 de julho de 2008

Grupo usa a internet para doar e receber objetos

Rosângela Braga, 36, posa com a filha recém-nascida, Marina, com 17 dias
Foto Beatriz Toledo/Folha Imagem


Marina Braga Gentile nasceu há 17 dias no Hospital Metropolitano, na Pompéia. Para enfrentar o inverno paulistano, a menina, de 50 cm e 4 kg, saiu da maternidade vestida com casaquinho e sapatinhos de lã. O modelito, novinho em folha, foi presente de desconhecido, via internet. E, atenção, não foi caridade!

A mãe de Marina, a psicóloga Rosângela Braga, 36, participa da Freecycle (www.freecycle.org), rede que reúne internautas doadores e receptores de tudo o que se imagina. Pode ser livro, gato, equipamento odontológico e até piano.

"Arrumei todas as roupinhas e vi que faltavam peças de lã. Não pensei duas vezes. Postei o pedido no site e umas dez pessoas se propuseram", conta a psicóloga, que, pela primeira vez, é receptora.

Desde que soube da iniciativa, há cerca de um ano, Rosângela já doou computador, disquetes, sapatos e livros. "Vi que um americano doou até a casa. Quis participar também e comecei pelo que estava sobrando no meu apartamento. Agora, chegou a minha vez de pedir. Recebi mais do que esperava e muito rapidamente", relata.

No mundo todo, a Freecycle reúne cinco milhões de pessoas em mais de 80 países. Mas a idéia do que se chama "economia da doação" surgiu despretensiosa, em 2003, no Arizona, EUA. Deron Beal, o fundador, trabalhava para um grupo ambientalista que buscava manter bens utilizáveis fora de aterros sanitários. Um dia, a instituição quis doar materiais de escritório de que não precisava mais, e Beal teve dificuldade em encontrar, com rapidez, alguém que precisasse.

Foi quando percebeu que, se pudesse postar a oferta em uma lista de e-mail, economizaria tempo. Nascia a organização que, hoje, recebe 30 mil novos membros a cada semana. O esquema de funcionamento é simples: o usuário entra no site e se cadastra no grupo da cidade em que mora, para facilitar a troca de informações e a entrega dos objetos. Depois, é só postar os pedidos e doações.

No Brasil, a rede ainda é pequena. Além do grupo de São Paulo, o maior, com 650 membros e pouco mais de dois anos de existência, há apenas outros sete no país. O antropólogo Guilherme Falleiros, 31, é um dos moderadores da lista paulistana. Assim que descobriu o grupo americano, entrou em contato com os organizadores e recebeu permissão para abrir uma "filial" na capital paulista, a primeira do Brasil.

"Me interessei porque a Freecycle possibilita uma solidariedade que não se baseia na caridade, que pressupõe uma desigualdade. Aqui não: doadores e recebedores se confundem, se alternam. E sem que haja troca", diz.

Há um mês, Guilherme saiu de sua casa em Santo André e foi buscar um gatinho que estava sendo doado na Vila Prudente, na zona leste. Foi sua primeira participação. A atividade do moderador se resume a aprovar ou não as mensagens que são enviadas para a lista. Só são censuradas ofertas que citam valores ou que propõem troca. Fora isso, não há registro formal dos itens que são doados ou aceitos e nenhuma barreira à participação de qualquer pessoa.

Sem explicações
Foi exatamente essa "falta de questionamento" que motivou Rosângela. Ela diz que, assim que pediu as roupinhas para o seu bebê, as únicas perguntas que recebeu, também por e-mail, foram quanto ao sexo da criança e a época do nascimento, além dos votos de "boa sorte no parto". "Ninguém me perguntou por que eu queria os casaquinhos, como é minha vida ou com o que trabalho", conta.

Quem participa diz que as indagações são mesmo dispensáveis, já que a idéia não é fazer caridade. "O que faço é por ideologia, pela proposta do não-desperdício. Isso é o que importa", diz o advogado André Graça, 30, membro há seis meses. Há três semanas, ele doou uma lavadora de alta pressão. Assim que postou a oferta, oito pessoas se manifestaram.

O receptor foi um morador de Osasco, que André nem chegou a conhecer. "Agendamos a data, e ele veio buscar. Eu não estava. Foi a diarista que entregou." É o segundo objeto que o advogado doa. O primeiro foi um armário.

O designer Maurício de Sousa, 32, também participa pela segunda vez. Mas ele ainda não doou nada. Só recebeu. Assim que se cadastrou, há um mês, ele viu que alguém oferecia um hub (equipamento de informática). Respondeu rapidamente o e-mail, saiu de sua casa em São Bernardo do Campo e foi até Pinheiros buscar a peça.

Na última semana, o site possibilitou que Maurício realizasse o antigo sonho de montar um curso de fotografia. Ele pediu equipamentos fotográficos antigos ou com defeitos, coisa que, com a era digital, muita gente deixou de usar. Duas pessoas responderam à solicitação, e o designer já conseguiu angariar quatro câmeras e um tripé.


Ocimara Balmant,da Revista da Folha
Folha Online, 28/07/08

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domingo, 27 de julho de 2008

Estrangeiro ganha espaço no ensino superior brasileiro

Enquanto projetos que prevêem restrições ao capital internacional na educação andam a passos lentos no Congresso, os estrangeiros ganham cada vez mais espaço no mercado de ensino superior brasileiro. São pelo menos seis as instituições nessa situação, sem contar as faculdades e escolas menores que elas compraram com o aporte de recursos.

O ritmo dos negócios contrasta com a demora dos congressistas para apreciar o tema. Enviado em 2006, o projeto de reforma universitária do Ministério da Educação limita a participação de estrangeiros a 30% do capital votante das instituições, mas está parado na Câmara.

"Creio que não seja só essa matéria que esteja atrasada, mas isso não implica nenhuma falta de ação do MEC, é o tempo do Congresso", diz Ronaldo Mota, secretário de Educação Superior da pasta.

Não aos estrangeiros
Outra proposta, do deputado e candidato à Prefeitura de São Paulo Ivan Valente (PSOL-SP), proíbe qualquer capital internacional em instituições de ensino superior. "A idéia de que esse capital aprimora a melhora do ensino superior no Brasil é uma balela", diz. "Não está vindo Harvard, mas grupos que têm como único fim o lucro."

Para Elizabeth Guedes, vice-reitora da Anhembi Morumbi, trata-se de "puro preconceito". A universidade foi uma das primeiras a receber recursos estrangeiros --em 2005, o grupo norte-americano Laureate comprou 51% da participação.

Outra modalidade de participação estrangeira tem acontecido por meio da compra de ações na bolsa de valores. É o caso da Anhanguera, da Fanor (Faculdades Nordeste), e da Kroton, que detém as faculdades Pitágoras. A CM Consultoria aponta também a Estácio de Sá, segunda maior do país, e o SEB (Sistema Educacional Brasileiro) --a Folha não conseguiu confirmar a informação com as instituições.

A próxima pode ser a Unip (Universidade Paulista), que, com 136 mil alunos, é a maior instituição do país de acordo com dados do MEC de 2006. Segundo o jornal "Valor Econômico", a instituição recebeu uma oferta de R$ 2,5 bilhões do grupo americano Apollo. A Unip não confirma nem nega.

O interesse dos grupos estrangeiros está relacionado ao baixo percentual de jovens no ensino superior no Brasil (12,1%) o que pode indicar demanda reprimida. Por outro lado, há cerca de um milhão de vagas ociosas na iniciativa privada, o que leva a um temor do governo de que, fragilizadas, as instituições sejam completamente desnacionalizadas.

Angela Pinho
Folha Online, 27/07/08

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Ele está vencendo o crime

O prefeito da cidade com mais brasileiros nos Estados Unidos dá prêmio em dinheiro a quem entregar bandidos e diz que vale copiar experiências boas de qualquer lugar
"Viramos a cidade que mais reduz os crimes violentos em todo o país"

Foto Gilberto Tadday

Cory Booker, 39 anos, é prefeito da capital brasileira nos Estados Unidos: Newark, em Nova Jersey. Os cerca de 30 000 brasileiros que moram no local compraram 60% de todas as residências vendidas na cidade nos últimos anos. Ele governa mais brasileiros do que 4 000 de nossos prefeitos. É uma estrela em ascensão na política americana. Em 2002, sua campanha para a prefeitura de Newark, uma das cidades mais pobres e violentas dos EUA, acabou em derrota, mas virou um documentário indicado ao Oscar. Em 2006, Booker ganhou, com mais de 70% dos votos. Está no meio do mandato e já tem um sucesso vistoso: reduziu drasticamente a taxa de crimes violentos.

Booker faz parte da primeira geração de políticos negros que era jovem demais – ou nem nascida – para ter participado da luta contra o racismo nos anos 60. Colega de Barack Obama, ele sempre aparece na lista dos cotados para ministro no caso de vitória do democrata. "Ninguém me tira daqui", diz. Formado em direito por Yale e filho de pais bem-sucedidos, ambos executivos da IBM, Booker é solteiro, não bebe, não fuma e é vegetariano desde 1992. Numa cidade ainda violenta, Booker anda com segurança 24 horas por dia.

Os comentaristas políticos dizem que, se Barack Obama for eleito presidente, o senhor trocará o título de prefeito pelo de ministro. Ministro?
Talvez eu pudesse ser o mordomo. Eu poderia abrir a porta e saudar as pessoas: "Bem-vindas à Casa Branca". Não, não. Ninguém me tira daqui. Estou há dois anos no comando da prefeitura, tenho mais dois anos pela frente e serei candidato à reeleição.

O senhor tem conversado com Obama?
Nos últimos tempos, não. Obama está muito ocupado. Não quero nem vou incomodá-lo. Antes da campanha, vínhamos conversando de vez em quando. Não somos amigos que se ligam para ir ao cinema no fim de semana. Ele nunca me convidou para tomar uma cerveja, mesmo porque não bebo. Mas Obama é um colega, um companheiro. Tenho grande afeição por ele. Quando li a sua autobiografia, A Origem dos Meus Sonhos, vi partes da minha própria história.

Nos anos 80, Obama mudou-se para Chicago para fazer trabalho comunitário. Nos anos 90, o senhor fez o mesmo, em Newark. Inspirou-se no trabalho dele? Nem sabíamos da existência um do outro. Só fomos ouvir falar um do outro quando entramos para a política e a imprensa começou a escrever sobre as nossas semelhanças.

O que muda no fato de ser um político negro e não ter lutado pelos direitos civis nos anos 60?
Sou tudo o que sou por causa do sacrifício daquela geração, o que me permitiu freqüentar escolas de primeira linha e desfrutar uma série de privilégios. Nossa geração se beneficiou daquela luta e, hoje, sentimos a obrigação de retribuir algo do que recebemos por meio da ação política. É o meu caso, é o caso de Obama e de outros, como Harold Ford Jr. (ex-deputado do Tennessee), Artur Davis (deputado do Alabama), Adrian Fenty (prefeito de Washington).

Vocês são todos jovens, nascidos entre os anos 60 e 70, negros e democratas. Formam um grupo, costumam se reunir, discutir política?
Não somos um grupo no sentido formal, mas, informalmente, sim. Na primeira vez em que o encontrei, Obama já veio logo brincando comigo e dizendo que eu ficasse fora das reportagens que a imprensa publica sobre ele. Naquela altura, porque éramos associados pela imprensa, já estávamos familiarizados uns com os outros. De lá para cá, nossos laços se estreitaram.

Quando se mudou para Newark, em 1995, por que o senhor escolheu um dos lugares mais pobres da cidade para viver?
Para fazer diferença numa comunidade, é preciso conhecê-la. Meu sonho era participar da transformação de uma vizinhança pobre e degradada. Quando me mudei, não foi um sacrifício no sentido óbvio. Na verdade, encontrei uma ligação com aquela comunidade, estabeleci um laço, descobri um sentimento de pertencimento.

Ninguém o acusou de demagogo por ir morar com os pobres?
Só depois que entrei para a política. Quando eu vivia lá como um jovem advogado, tentando organizar a comunidade, ninguém me acusava de nada.

Quando o senhor assumiu a prefeitura, Newark era a cidade mais violenta do país. Como reverteu esse quadro?
O primeiro desafio é despertar a comunidade para seu potencial. Por muito tempo, os moradores de Newark toleraram crimes demais, toleraram um governo que não lhes prestava serviço. Os habitantes da cidade não exigiam do governo, nem de si mesmos ou de seus vizinhos. O primeiro desafio, então, é despertar as pessoas para o sucesso possível, sepultar o cinismo, o ceticismo. Viver numa comunidade não é como assistir a um jogo de futebol, em que nos sentamos e esperamos as coisas acontecerem no campo.

A comunidade despertou estimulada apenas por sua retórica?
Vivemos grandes momentos no meu primeiro ano na prefeitura, mas houve um ponto de virada. Foi o homicídio de três jovens universitários em agosto de 2007 (sob a mira dos assassinos, os jovens foram levados até um muro de concreto, ali se ajoelharam e foram executados, de costas, com tiros na cabeça). Foi um choque, e deu-se então a virada. Diante daquela brutalidade, a cidade podia entregar-se ao desespero, à raiva, à frustração, ou pegar uma estrada diferente. E pegou. As pessoas arregaçaram as mangas, ofereceram-se para realizar trabalho voluntário, doar dinheiro, fazer parceria com a cidade. A mudança foi extraordinária. Hoje, somos a cidade que mais reduz a taxa de crimes violentos nos EUA. No ano passado, ela caiu 5% ou 6%. Neste ano, a queda já está em torno de 37%, 38%. Os outros prefeitos agora nos perguntam o que fizemos para reduzir tanto a criminalidade.

O que o senhor responde?
Não há resposta simples ou fácil. Além de despertar a comunidade, é preciso conjugar uma gama ampla de estratégias. Nós contratamos mais policiais, engrossamos o turno da noite, que é quando acontecem os crimes, e mudamos os lugares de plantão para onde os crimes de fato ocorrem. Criamos uma equipe que acompanha o pessoal em liberdade condicional, para evitar que cometam novos crimes e voltem para a prisão. Criamos a divisão de combate ao narcotráfico, porque percebemos que o tráfico de drogas está por trás dos crimes violentos. Investimos em tecnologia para ter uma ampla base de dados. Acabamos de instalar uma centena de câmeras pela cidade.

O senhor tem algum exemplo de participação direta da comunidade que esteja fazendo diferença?
Hoje mesmo tivemos um belo exemplo. Há um ano, começamos a dizer que era preciso transformar os espaços verdes de Newark para valorizar nossas crianças. A cidade estava cinza, feia, as quadras de esportes estavam quebradas. Mas a prefeitura não tinha dinheiro. Então, reunimos empresários, vizinhos, filantropos, e conseguimos criar um fundo de 40 milhões de dólares. Hoje, lançamos a campanha de renovação dos parques. Até o fim do ano, alguns já estarão reformados. Isso é animador.

Além de violenta, Newark tem um quarto da população abaixo da linha de pobreza. Como um prefeito pode combatê-la?
Discordo da idéia de que a pobreza compete ao governo federal. Essa idéia é disseminada, mas, no Brasil mesmo, as coisas não são assim. Quando eu ainda pensava em ser prefeito, conheci Jaime Lerner, então prefeito de Curitiba, na Universidade de Virgínia. Fiquei tão impressionado com o trabalho dele que dois anos depois visitei a cidade. Lerner reduziu a pobreza em Curitiba, atacou o problema ambiental, porque o assumiu como responsabilidade sua. Em Curitiba, aprendi como um líder pode fazer diferença no nível local. Nos Estados Unidos, prefeitos podem fazer mais do que senadores e deputados. Em Newark, temos problemas nacionais, globais, mas é preciso ser criativo.

Dê um exemplo de criatividade.
Vou contar o que considero um dos meus maiores sucessos. Criamos quase 4 000 empregos para moradores de Newark, sem abrir nova vaga no serviço público nem atrair nova empresa para a cidade. O que fizemos? Chamamos os empresários instalados aqui e perguntamos a eles por que contratavam milhares de pessoas, mas não contratavam gente de Newark. Era um problema de qualificação de mão-de-obra. Então, o dinheiro que gastávamos em treinamento de trabalhadores estava indo pelo ralo. Destinávamos muito dinheiro a empresas que davam cursos de qualificação, mas, no fim, os trabalhadores iam para casa com um papel na mão e sem emprego. Só 5% dos treinados conseguiam uma vaga. Pegamos o dinheiro e começamos a treinar as pessoas para trabalhar nas empresas instaladas em Newark. Na Continental Airlines, só 7% dos empregados eram daqui. Agora, são quase 30%. Eu bati à porta deles. Fui à sede da Continental em Houston, no Texas. Fiz isso com várias empresas para entender o problema. A Cablevision, empresa de TV a cabo, não encontrava gente qualificada para trabalhar no seu call center. Junto com a empresa, montamos um treinamento específico. Centenas de moradores de Newark já ganharam emprego no call center da Cablevision.

Qual é o melhor prefeito dos Estados Unidos?
Michael Bloomberg, de Nova York.

O senhor é democrata e acha que o melhor prefeito do país é um republicano que agora se declara sem partido?
Sim. Ele não é um modelo para mim porque suas circunstâncias são diferentes. Uma cidade com 8,3 milhões de habitantes é um país. Newark tem 300 000. Mas nós copiamos coisas que Bloomberg fez, como o estímulo à denúncia contra o crime. Agora, em Newark, um morador pode ligar sem se identificar, fazer a denúncia, e lhe damos quatro números. Se a polícia pega o denunciado, o morador telefona de novo e recebe mais quatro números. A seqüên-cia de oito números é uma senha com a qual ele saca 1 000 dólares de recompensa num terminal bancário, sem se identificar. Em Nova York, eles dão 500 dólares; nós damos 1 000. Copiamos coisas de outras cidades também. Numa delas, havia um programa que treinava pais ex-detentos a cuidar dos filhos. Era relevante, porque esses pais voltam para casa e não sabem como lidar com os filhos, que acabam nas ruas reproduzindo uma herança de crimes. Sou do tipo que, antes de reinventar a roda, olha em torno. Não importa que a novidade venha de Curitiba, no Brasil, ou de São Francisco, na Califórnia. Se for boa, copio, adapto. Quero transformar Newark no Vale do Silício da inovação urbana.

Newark tem mais brasileiros do que muita cidade brasileira. O que os eles têm de melhor?
A comunidade brasileira apoiou minha candidatura à prefeitura, pelo que sou muito grato. Agora, o melhor dos brasileiros são eles mesmos, as pessoas em si. Os brasileiros têm energia, têm um espírito vibrante que me inspira, me alegra.

E o que têm de pior?
O mais frustrante para mim é o clima de hostilidade em relação aos imigrantes que se criou no país, sobretudo depois do 11 de Setembro. Isso afeta a comunidade brasileira, porque parte dela não está legalizada. É frustrante, porque somos um país de imigrantes, cujas portas foram abertas para a energia, as idéias, os recursos de fora. Newark também é uma cidade de imigrantes. Temos irlandeses, italianos, judeus, latinos, portugueses, brasileiros, afro-americanos que migraram do sul do país para cá. Nós mesmos cometemos um erro. Um policial pediu a um brasileiro na rua para mostrar seu green card (visto permanente de imigração). Isso é inadmissível. Um policial não pode fazer com que uma pessoa, esteja ela legal ou ilegalmente no país, se sinta insegura para cooperar com a polícia. O incidente passou uma mensagem muito equivocada à comunidade brasileira. Peço desculpas.

O senhor fala português?
Não falo português (ele responde em português). Hablo español. No hablo perfecto y tengo que practicar. Os brasileiros entendem o pessoal que fala espanhol, mas o pessoal que fala espanhol não entende os brasileiros. Não é interessante?

André Petry, de Newark
Veja, Edição 2071, 30/07/08

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