domingo, 13 de julho de 2008

A nova dinâmica do marketing e vendas

Chris Anderson, editor da revista Wired, é categórico ao dizer que é a tecnologia que muda o mundo e que transformará em gratuito tudo o que tocar o mundo on-line. Na palestra que apresentou, Chris resgatou a história da tecnologia, desde a invenção do rádio até chegar ao mundo digital, e explicou sua teoria da "Cauda Longa", tema de um de seus livros best-sellers.

De acordo com Anderson, a teoria da Cauda Longa nada mais é do que a libertação das sociedades da cultura de massa, que dominou o século XX, para um novo modelo, que passa a vigorar na era digital e que contempla a diversidade. “Basta pensar que nós, quando éramos adolescentes, desejávamos ter a camiseta idêntica a dos colegas ou então ouvir a mesma música que tocava no rádio, queríamos os hits e, hoje, os adolescentes e crianças estão interessados na camiseta com a frase mais original e em descobrir bandas das quais ninguém nunca ouviu falar”, exemplifica.

Com o invento do rádio, no início do século passado, houve a primeira experiência em aproveitar o modelo gratuito, com a transmissão para diversos locais, pontapé inicial para uma incipiente globalização. Mas, assim como as tecnologias vindouras da televisão, havia espaço limitado, canais de transmissão limitado. O mesmo ocorria em supermercados e lojas, que precisavam aproveitar o espaço limitado de suas prateleiras. Por esse motivo, foi desenvolvida uma cultura de massa, para que o horário nobre ou o melhor espaço entre os corredores de uma loja de varejo fossem preenchidos pelo que era o gosto da maioria.

Anderson explica que naquela época, as bandas diferentes e os artistas alternativos existiam e as comidas especiais podiam ser fabricadas. Só que elas perdiam espaço para a cadeia de distribuição, que só considerava o que era feito pela massa.

Um meio para o novo
A tecnologia digital, então, não foi o que fez com que a “cauda” se alongasse. Ela só deu o espaço necessário para as pessoas terem acesso ao que é diferente e repensar seus conceitos sobre si próprias, sobre o que gostam e sobre serem indivíduos. Como exemplo, citou um site de distribuição de música na internet, que foi o estopim para seu livro, o Rhapsody, que disponibiliza 10 mil álbuns. Para 98% deles, ao menos uma canção é comprada a cada três meses. “Isso ocorre pois, em uma loja de discos comum, o dono prefere colocar nas prateleiras o que vende mais e na internet o espaço de armazenagem é infinito. Então, muito se fala da decadência da indústria fonográfica, mas a verdade é que hoje se vende tanto ou mais música do que antes, só que de maneiras diferentes, através de ringtones, downloads, shows etc.”

O mesmo ocorre em todos os setores: cada produto agora concorre não com dois ou três grandes players, mas com um exército de formiguinhas que fazem produtos cada vez mais diversificados e com especificações. Exemplificou com o caso de uma cerveja, lançada no ano passado, que não contém glúten. É um produto que poderia ter sido desenvolvido há muito tempo, já que há demanda e as pessoas com intolerância sempre existiram, mas que só agora “cabe” nas prateleiras dos supermercados. “A tecnologia permitiu, por meio da organização de estoques, da facilidade de reordenação de pedidos e do código de barras, que as próprias prateleiras físicas das lojas pudessem ser melhores aproveitadas com mais opções de produtos e menos quantidades de cada um deles” , citou, mostrando que a cauda longa é uma realidade tanto no mundo físico quanto no digital ou virtual.

O fracasso da planificação da cultura
Anderson explica que o conceito de cauda longa não é novo e que na Europa, no século XX, já se pensava no quanto era injusto que a concentração de riquezas existisse na proporção 80%-20%, ou seja, 80% das riquezas mas mãos de apenas 20% da população. A tentativa de planificação da sociedade, que permeava as idéias do socialismo, não deu certo pois não levavam em conta a individualidade. No entanto, essa é a nossa cultura de verdade: existe um pequeno grupo de produtos que são hits, que são populares, e um grande número de produtos alternativos, e isso significa que o mundo está conectado a ponto de fazer com que todos tenham mercado, mesmo não passando no teste da cultura de massa.

“O que ocorria antes é que só havia acesso ao que passava no teste da massificação. Hoje, com a gratuidade da internet e sua infinita capacidade de armazenamento, qualquer coisa pode atingir seu público alvo”, o editor da Wired explica, afirmando também que o mercado hoje nos satisfaz mais. Com a internet e a evolução das tecnologias foi possível satisfazer aos três pré-requisitos necessários para que cada setor encontrar a sua cauda longa: a diminuição de custos de distribuição, o aumento do espaço de armazenamento e a capacidade de atender mais pessoas nos nichos de mercado.

Um exemplo claro de como os pequenos podem ser uma força importante em cada setor é o mundo da moda, onde os que vendem menos são os mais influentes – os estilistas de alta costura.

Várias maneiras de ser grátis
Chris Anderson falou também sobre o seu novo livro, que se chamará Free, que abordará as possibilidades de se oferecer produtos e serviços de maneira gratuita, mas obtendo lucros, a freeconomics. A base da teoria é suportada por três modelos: o falso gratuito, exemplificado no case da Gillette, em que seu inventor, após não conseguir sucesso vendendo suas lâminas descartáveis, passou a dá-las como brindes para clientes de bancos e soldados do exército. Por meio da experimentação, as pessoas passaram a comprar, depois, as lâminas e seus aparelhos. Foi uma das primeiras experiências da prática da gratuidade em troca da compra de outro produto.

A outra maneira de existir gratuidade para os consumidores é por meio do subsídio. É como funciona a imprensa em geral, em que o telespectador, ouvinte ou leitor não paga por um serviço, pois o anunciante já pagou. A grande novidade, salientou o palestrante, está naquilo que é de fato gratuito e que está intrinsecamente ligado à economia digital.

Mas mais do que uma idéia de gratuidade, a economia do free também prega a liberdade, segundo explica Anderson. “A nova TV, a nova música, vai ser feita por pessoas que nunca se imaginaram fazendo isso, mas na prática, já fizeram, colocando músicas em sites ou vídeos no YouTube, e tendo audiência real com isso”. E completa: “mais de 99% do que está nesses sites é desperdício, mas é a partir daí que nascerão as novidades”. Anderson faz menção à Lei de Moore, que diz que quando uma coisa é barata demais, a ordem é desperdiçar o que, nesse caso, significa aproveitar o espaço de armazenamento abundante e barato na internet e a velocidade de acesso. (N.R. A Lei de Moore diz que o poder de processamento dos computadores vai duplicar a cada 18 meses e o preço se manterá o mesmo).

O palestrante explica que, em um mercado competitivo, o preço cai até o custo marginal. Se o custo marginal for zero, todas as coisas que tiverem sua versão on-line chegarão a zero. “O gratuito é o único preço sustentável. A partir da experiência gratuita, softwares, produtos e serviços com qualidades reais, as pessoas vão se interessar em pagar para serem usuários Premium, que é o que eu chamo economia do freemium. Se cerca de 1% a 10% dos usuários agirem assim, já haverá lucro”.

Para concluir, Anderson lembrou que sempre que há uma abundância, se cria também uma nova escassez. Atualmente, atenção e reputação são escassas e é exatamente aí que está a oportunidade de redefinição de um negócio. O desafio é descobrir qual das versões do grátis poderá fazer com que cada empresa seja bem-sucedida.


Portal HSM On-Line, julho de 2008

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sábado, 12 de julho de 2008

Copyright, Copyleft e Creative Commons

Copyleft é uma forma de usar a legislação de proteção dos direitos autorais com o objetivo de retirar barreiras à utilização, difusão e modificação de uma obra criativa devido à aplicação clássica das normas de propriedade intelectual, sendo assim diferente do domínio público que não apresenta tais restrições. "Copyleft" é um trocadilho com o termo "copyright" que, traduzido literalmente, significa "direitos de copia".

Mas se você quer distribuir sua "obra" e acha que mais que educado, é obrigatório, a inclusão da fonte, ou ainda quer se proteger com alguns direitos, você precisa conhecer o Creative Commons.

Veja um vídeo explicativo ou leia mais a respeito clicando abaixo.

Richard Stallman popularizou o termo copyleft ao associá-lo em 1988 à licença GPL. De acordo com Stallman, o termo foi-lhe sugerido pelo artista e programador Don Hopkins, que incluiu a expressão "Copyleft - all rights reversed." numa carta que lhe enviou. A frase é um trocadilho com expressão "Copyright - all rights reserved." usada para afirmar os direitos de autor.

Um projeto (softwares ou outros trabalhos livres) sob a licença Copyleft requer que suas modificações, ou extensões do mesmo, sejam livres, passando adiante a liberdade de copiá-lo e modificá-lo novamente.

Uma das razões mais fortes para os autores e criadores aplicarem copyleft aos seus trabalhos é porque desse modo esperam criar as condições mais favoráveis para que um alargado número de pessoas se sinta livre para contribuir com melhoramentos e alterações a essa obra, num processo continuado.

As licenças Creative Commons foram idealizadas para permitir a padronização de declarações de vontade no tocante ao licenciamento e distribuição de conteúdos culturais em geral (textos, músicas, imagens, filmes e outros), de modo a facilitar seu compartilhamento e recombinação, sob a égide de uma filosofia copyleft.

As licenças criadas pela organização permitem que detentores de copyright (isto é, autores de conteúdos ou detentores de direitos sobre estes) possam abdicar em favor do público de alguns dos seus direitos inerentes às suas criações, ainda que retenham outros desses direitos. Isso pode ser operacionalizado por meio de um sortimento de módulos standard de licenças, que resultam em licenças prontas para serem agregadas aos conteúdos que se deseje licenciar.

Os módulos oferecidos podem resultar em licenças que vão desde uma abdicação quase total, pelo licenciante, dos seus direitos patrimoniais, até opções mais restritivas, que vedam a possibilidade de criação de obras derivadas ou o uso comercial dos materiais licenciados.

Da mesma forma do Copyleft, o Creative Commons tem sua associação meio complicada para alguns, e nada melhor que um videozinho pra explicar sua estrutura.




No Brasil, as licenças já se encontram traduzidas e totalmente adaptadas à legislação brasileira. O projeto Creative Commons é representado no Brasil pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.


(*) PArte do texto é da Wikipédia (que também está sob a licença Copyleft). Você pode ver na integra e aqui.

Fonte: Treta

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sexta-feira, 11 de julho de 2008

Inflação da 3ª idade sobe 2,65% no 2º trimestre e é o maior em cinco anos

O IPC-3i (Índice de Preços ao Consumidor - 3ª idade) fechou o segundo trimestre em 2,65%, informou a FGV (Fundação Getúlio Vargas) nesta sexta-feira. Trata-se do maior índice em cinco anos, desde os 5,28% registrados no primeiro trimestre de 2003.

O indicador mede os preços da cesta de consumo de famílias formadas majoritariamente por pessoas com mais de 60 anos.

A inflação acumulada pelo IPC-3i no primeiro semestre ficou em 4,05%, enquanto que no acumulado de 12 meses ficou em 6,36%.

O indicador de inflação dos idosos foi maior do que a do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) tradicional nas três bases de comparação. O IPC subiu 2,38% no segundo trimestre, 3,84% no primeiro semestre e 5,96% no acumulado de 12 meses.

Das sete classes de despesa, a que mais subiu no segundo trimestre foi Alimentação, a 5,71%. Foi seguida por Vestuário (2,65%), Saúde e Cuidados Pessoais (2,17%), Educação, Leitura e Recreação (1,71%), Habitação (0,95%), Transportes (0,65%) e Despesas Diversas (0,62%).

Os itens que mais influenciaram para elevar o IPC-3i no período foram o pão francês (18,06%), batata inglesa (29,54%) e empregada doméstica mensalista (5,54%). As maiores influências de queda foram a tarifa de energia elétrica (-2,66%), banana prata (-19,39%) e laranja pêra (-18,11%).

O IPC-3i se diferencia do IPC devido ao peso maior ou menor das classes de despesa. Alimentação, Habitação, Saúde e Cuidados Pessoais e Despesas Diversas têm maior peso no IPC-3i, enquanto que Vestuário, Educação, Leitura e Recreação e Transportes têm peso menor.


Folha Online, 11/07/08

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Uma cidade toda prosa

Paraty durante a 6ª Festa Literária Internacional: cada Flip importa em custos de R$ 3,5 milhões a R$ 4 milhões, cobertos com a venda de ingressos e patrocínios
Foto Michel Filho/Agência Globo


No balcão do Margarida Café, bar e restaurante à entrada do centro histórico, a jovem copeira serve um café expresso com três minúsculos biscoitinhos, cobra R$ 4,70 por ele. O freguês reclama: "Vocês estão fazendo café com petróleo?" A moça parece não ouvir e pergunta: "Capitu não leva acento?"

Num país em que a população inteira, em 1988, se perguntava quem matou Odete Roitman, os 35 mil habitantes de uma cidade à beira-mar, no meio do caminho entre Rio e São Paulo, mais os cerca de 20 mil vindos de fora, preparavam-se na semana passada para passar os quatro dias seguintes a decifrar um enigma: "Capitu traiu mesmo Bentinho?"

O questionamento se faz desde que Machado de Assis publicou seu "Dom Casmurro" em 1899 e sobre ele se ocuparia, naquela mesma noite de quarta-feira, o crítico Roberto Schwarz, em brilhante e definitiva palestra na abertura da 6ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Simplificadamente, a tese de Schwarz é de que Bentinho, inseguro e fraco de espírito, mas machão e prepotente escravocrata, estava a merecer que a independente e altiva Capitu buscasse, alhures, as alternativas a essa sensaboria.

O que Schwarz disse naquela noite às mais de mil pessoas que foram assistir à palestra, a R$ 25, no palco nobre da festa, a Tenda dos Autores, ou a R$ 8 (e um quilo de alimento não perecível) na popular Tenda do Telão foi ecoado por restaurantes, bares, botecos, pousadas, lojas de turismo receptivo, barracas de "faço tererê" e cachaçarias de Paraty (frase de Luis Fernando Verissimo, apaixonado pela Flip e pela cidade: "Antes de a Flip existir, Paraty já era uma cachaça"). Doutores da USP, críticos, colunistas, livreiros, garçons, cirandeiros, e consta que até os dois hare krishnas que bailavam silenciosos, instavelmente equilibrados na ponta dos pés sobre o calçamento de pedras irregulares defronte à Igreja do Rosário, na rua do Comércio, incorporaram-se à cruzada de defesa de Capitu. E reabilitada estava a reputação da rapariga dos enigmáticos "olhos de ressaca" e não mais do "olhar de cigana oblíqua e dissimulada", como despeitado serviçal de Bentinho a descreveu.

A copeira do Margarida Café, porém, traz no peito, estampado em vermelho na camiseta preta que a editora Nova Fronteira espalhou pelos restaurantes do centro histórico - vestidas assim estavam até as cozinheiras -, a inscrição: "Quem é Capitu?" A moça tem apenas uma dúvida ortográfica, que, naquele preciso instante, na platéia do que se chamou de Flipinha, uma professora do Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Dom Pedro I acaba de esclarecer a meninos e meninas da quarta série do ensino fundamental. "Capitu, diminutivo de Capitolina, não leva acento porque as oxítonas terminadas em i ou u, seguidas ou não de s, não têm acento. As exceções são os hiatos: país, Piauí, Itaú."

Pois é. Apreende-se muito em ambas, na Flip e na Flipinha. Antes mesmo de adentrar na tenda onde se celebrariam 20 mesas-redondas, o público podia, de graça, conhecer, por exemplo, as fotos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro ao fim do século XIX, de autoria de Marc Ferrez, ali expostas pelo Instituto Moreira Salles, e perceber como está relativamente preservado o skyline da avenida Pasteur, que liga o Botafogo à Urca. E especialmente surpreender-se com o retrato do patrono da festa: os cabelos do carioca Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) são lisos, mas grossos, como o são também os seus lábios, o cavanhaque e os bigodes. E a pele é escura, como os cabelos. A foto, testemunho histórico indesmentível, mostra que o mais genial dos nossos romancistas, até para os padrões brasileiros é muito mais negro do que jamais nos ensinaram com traços tão nítidos na escola primária, secundária, superior, pública ou privada. O bruxo do Cosme Velho que Ferrez nos apresenta - "ele está morto, podemos homenageá-lo à vontade (Roberto Schwarz)" - seria admitido na Universidade de Brasília pelo regime de cotas.

Criada pela ONG Casa Azul como um evento cultural que se destinava a chamar a atenção para a cidade e ajudar a salvar do turismo desenfreado e da especulação imobiliária um patrimônio histórico e ambiental inestimável, a Flip tem atingido seus objetivos. Segundo o arquiteto paulistano Mauro Munhoz, presidente da Casa Azul, a Flip conseguiu "dissolver a fronteira do erudito com o popular". "Sempre dá certo quando isso acontece no Brasil", diz Munhoz, para quem samba, chorinho, bossa nova são exemplos dessa fusão criativa.

Ao meio-dia de domingo, Munhoz está sentado a uma mesa do Café Pingado, à saída da Tenda dos Autores. Lá dentro, no palco, o músico, crítico, ensaísta, paulista e santista José Miguel Wisnik e o antropólogo, sociólogo, mineiro e torcedor do Fluminense Roberto DaMatta refletem sobre o futebol. Concluem que, se os europeus praticam o jogo da bola como se fossem exímios prosadores, os brasileiros o fazem como poetas - e Ronaldinho Gaúcho, hoje o mais inspirado deles, desenvolve uma arte que é prosa, verso e algo mais, tudo muito mágico, pós-moderno. As referências são eruditas, vão de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Jr. a Pier Paolo Pasolini. Dos sábios exegetas da arte esportiva que os brasileiros canibalizaram dos ingleses, só faltou a citação do mais famoso - Neném Prancha. Na platéia, aplausos do ministro dos Esportes, Orlando Silva, do banqueiro Pedro Moreira Salles (o Unibanco é o principal patrocinador da Flip), do ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, do ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa.

Às costas de Munhoz está o rio Perequê-Açu, fronteira norte dos 42 quarteirões do centro histórico de Paraty. Sobre o rio que rola preguiçoso por mais uns 500 metros até o mar, ancorados ou navegando em pequenos trechos como se fossem táxis, estão 16 pequenos barcos de construção local, cópia perfeita de escaleres ingleses que auxiliavam os grandes barcos na caça à baleia. Os açorianos espalharam esses barcos pelo litoral brasileiro, mas só em Paraty o artesanato de sua construção foi preservado. "É uma das nossas sócio-diversidades", afirma Munhoz, lembrando que no século XVIII Paraty abrigou o maior porto exportador de ouro do Brasil. Depois veio o ciclo do café, pois até seu cais chegavam os carros de boi vindos de Taubaté. Em 1855, um caminho de ferro uniu a ponta produtora em São Paulo ao porto do Rio, sem passar por Paraty. Isolada e ignorada, a cidade parou no tempo. O não planejado e precário crescimento econômico brasileiro só voltou a considerar Paraty em 1974, quando o asfalto da Rio-Santos chegou até ela.

"Tudo o que se vê aqui, o rio, as montanhas, o casario, as igrejas, as pedras da rua, a Casa da Cultura, os barcos de madeira, é da época do café, antes de 1855, um ativo muito frágil que felizmente o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou", comenta Munhoz.

Quatro anos antes de a ferrovia começar a funcionar, nascia Julia da Silva Bruhns, filha de um comerciante alemão e uma mulata paulista. Aos 6 anos sua mãe morreu e o pai a levou para Lübeck, na Alemanha. Morena e bonita, Julia viria a ser a mãe do Prêmio Nobel de Literatura Thomas Mann e morreria aos 70 anos, sem voltar ao Brasil. A Fazenda Boa Vista, onde Julia viveu, era um local que ainda hoje só pode ser alcançado por mar. A fazenda agora se chama Marina do Engenho e seu proprietário é o navegador solitário Amyr Klink, em casa que o arquiteto Mauro Munhoz projetou.

"Você precisa vir almoçar comigo no domingo em Paraty e conhecer uma figura fantástica, minha editora na Inglaterra", escreveu Klink ao seu arquiteto em um dia de 1992. O convite era para conhecer Liz Calder, da editora inglesa Bloomsbury, que iria publicar o primeiro livro de Klink, "Cem Dias entre o Céu e a Terra". Nesse domingo, durante caminhada de uma hora por uma trilha que leva à casa de Klink, nasceram a amizade e a associação Munhoz-Calder, que, mais de dez anos depois, resultariam na Flip. Liz, casada com um jornalista inglês, vendeu a casa que tinha no sul da França e comprou um terreno em frente da Ilha do Araújo, a 7,5 quilômetros do centro histórico de Paraty. Munhoz projetou-lhe a casa (vendida em 2002).

O arquiteto procurava patrocínios e a editora, autores internacionais para a primeira Flip em 2003. Os autores não receberiam cachê. Até hoje não recebem e o holandês Cees Nooteboom diz-se bem pago apenas com a oportunidade de conhecer Paraty. A Casa Azul e as editoras bancam passagem e hospedagem (a hospitalidade inclui um tradicional e aborrecido almoço com o príncipe d. João de Orleans e Bragança, morador de Paraty). Cada Flip importa em custos de R$ 3,5 milhões a R$ 4 milhões para a Casa Azul, cobertos com a venda de ingressos (cerca de 36 mil na edição da semana passada) e patrocínios incentivados pela Lei Rouanet. Com escritórios em Paraty e São Paulo, a Casa Azul tem quatro funcionários, dez colaboradores permanentes e cerca de 300 recrutados em Paraty para atuar durante a montagem, a duração e a desmontagem da festa.

Na primeira Flip, em 2003, a atração foi o historiador Eric Hobsbawn, com cuja conferência se esperava lotar a Casa da Cultura (200 lugares), na esquina das ruas Dona Geralda e Samuel Costa, no centro histórico. Compareceram seis mil pessoas e telões tiveram que ser improvisados em bares, restaurantes e pousadas. Hoje são três as tendas, espaçosas e refrigeradas, para quase duas mil pessoas sentadas. A transmissão é ao vivo por rede de TV e, externamente, pela web. Pelas esquinas, agora, há uma novidade: grandes e pequenas editoras, lideradas pela Plugme, da Ediouro, demonstram como funciona o videolivro - best-seller narrado pelo autor ou por autores (Milton Gonçalves gravou "A Vida Como Ela É", de Nelson Rodrigues; Nelson Motta é o próprio narrador da sua biografia de Tim Maia).

As Flips anteriores tiveram Salman Rushdie, Martin Amis, Paul Auster, entre os estrangeiros, e, entre os nacionais, Ariano Suassuna e Lygia Fagundes Telles, Chico e Caetano, Verissimo e Millôr, Zuenir Ventura e Ruy Castro. Nesta sexta festa, não eram muitos os famosos, mas o público gostou do que viu, ouviu e acompanhou. O quadrinista inglês Neil Gaiman foi o campeão de autógrafos - mais de 600 em cinco horas, superando Chico Buarque e Adélia Prado em Flips anteriores. O também inglês Tom Stoppard foi descrito por um crítico como "dramaturgo de grandes virtudes a quem só não é permitido considerar-se o melhor de todos os tempos nas ilhas britânicas". Cees Nooteboom, autor de "Paraíso Perdido", agradou a quem gosta de literatura de viagens com seu bom humor e a paciência de quem, aos 75 anos, já viu de tudo na vida - até companheiro chato de mesa-redonda, como o colombiano Fernando Vallejo, que, falando, fazia lembrar advertência à porta de velhos elevadores: "Porta pantográfica. mantenha-se afastado."

Em eventos como festas literárias, de música, de cinema, campeonatos de gastronomia e torneios de futebol de botão - "o garoto brasileiro é o único que joga futebol de botão no mundo" (Roberto DaMatta) - há gênios que são também excêntricos e excêntricos que, sem genialidade, são apenas importunos. Nooteboom teve o azar de dialogar com um deles. Jornalista sério, Humberto Werneck não teve melhor sorte e pouco conseguiu falar sobre o contraditório e interessante paraense Jayme Ovalle, um poeta que não fazia versos, mas os tinha muito celebrados por Manuel Bandeira. Werneck foi literalmente atrapalhado pelo companheiro de mesa, um outro jornalista, que supria com palavrões a angustiante carência de vocabulário e obteve, nos bares, efêmera repercussão com a originalidade de uma só frase: "Bebo pacas e escrevo socialmente." (Na verdade, não foi bem pacas que ele disse).

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A Flip conseguiu "dissolver a fronteira do erudito com o popular", diz Mauro Munhoz, presidente da Casa Azul, que organiza a festa
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Lucrou mais quem, poupando os R$ 25 dessa chatice, estava na Flipinha e assistia de graça, exatamente no mesmo horário, ao grupo carioca Tear, num espetáculo de música, dança e canto extremamente competente e rigorosamente profissional, apesar do amadorismo de seus integrantes, adolescentes do bairro da Tijuca.

O clima dominante desta Flip foi, porém, de descontração. Jantares que editores ofereceram a seus autores rompiam a madrugada e os cafés-da-manhã começavam pelas 10h e iam até perto do meio-dia. Esse relaxamento tem algo a ver com a conjuntura econômica. "Este é um momento bom para a indústria", disse ao Valor o jornalista Cassiano Elek Machado, referindo-se à editora de que é diretor, a Cosac Naify, e ao setor em geral.

Sociedade do brasileiro Charles Cosac com seu milionário cunhado americano Michael Naify, que vive em Florença, a Cosac Naify "tem o DNA da qualidade, com livros bonitos, encadernação luxuosa, geralmente capa dura", segundo Machado. "Mas não somos diletantes; nossos preços são competitivos e estamos no mercado para vender livro, ganhar dinheiro." E parece que está ganhando. A editora paulista começou, em 1997, com livros de arte e hoje explora quase todos os gêneros, do ensaio acadêmico à ficção nacional ou estrangeira e à literatura infanto-juvenil. Esta, aliás, já responde por 40% do seu faturamento.

"A conjuntura, marcada pelo crescimento econômico e por discreta melhora na educação, ajuda", diz Machado. O diretor-editorial da Cosac Naify destaca que o investimento do governo federal na compra de livros para a formação de bibliotecas escolares "é um dos maiores do mundo, mas precisaria haver ainda mais bibliotecas". Queixas? "Sim, em São Paulo as bibliotecas públicas estão caindo aos pedaços." Outra constatação de Machado: a chegada das editoras internacionais, especialmente espanholas, é um sinal da vitalidade e da potencialidade do mercado brasileiro. "Mas não estamos à venda", adverte.

(Durante os quatro dias de Flip circulou o rumor de que a Leya, grupo português que acaba de vender uma emissora de televisão em Lisboa e comprar seis editoras locais, entre as quais a Dom Quixote, prepara o desembarque no Brasil. Não se sabe se, capitalizada, a Leya faria como a Santillana e procuraria, com sucesso, um parceiro nativo ou tentaria começar do zero, como a Planeta, com resultados não tão satisfatórios).

Quem entende de editoras estrangeiras no Brasil é Roberto Feith. Há três anos, Feith vendeu para a espanhola Santillana - do grupo Prisa, que também edita o respeitável jornal "El País" - 75% dos 100% que possuía na editora Objetiva e permaneceu como seu diretor-executivo no Brasil. Repórter internacional da TV Globo que mudou de profissão na década de 1980 e comprou a Objetiva, Feith concorda com as razões que Cassiano Machado apresenta para o interesse do mercado brasileiro pelas editoras estrangeiras.

Confortável na posição de diretor da empresa de que já foi dono, Feith diz que a Santillana traz para o Brasil sua experiência de quatro décadas em gestão empresarial e editorial e atuação em 25 países na Europa e na América Latina. No Brasil, a Santillana vai trabalhar com cinco selos: Alfaguara (ficção literária), Suma (ficção de entretenimento - "Código Da Vinci", da Sextante, é um exemplo desse gênero), Objetiva (não-ficção sofisticada), Fantanar (não-ficção popular) e livro de bolso (a ser criado e batizado). A Santillana, segundo Feith, se define como um grupo que atua "na área das idéias" - livros, imprensa, educação - em duas línguas, espanhol e português, e pretende penetrar em breve no mercado de língua espanhola dos Estados Unidos.

Sobre a boa situação do livro no Brasil, Feith tem uma explicação que considera "singela". "Melhorou o poder aquisitivo da população." Essa, de acordo com ele, é a maior contribuição para a boa performance do livro nas livrarias, acrescida, é claro, do desempenho individual e profissional de cada editora. Feith estima em pouco mais de 10% o crescimento do setor no Brasil em 2007 e destaca que a Objetiva cresceu mais: 25% em 2007 e 35% no primeiro semestre deste ano. O editor, porém, não se deixa contaminar pela euforia: "Estamos chegando perto da posição em que estávamos no início do Plano Real (1994/95)."

Sônia Machado Jardim, da editora Record e presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), considera que a internet é o grande instrumento auxiliar na venda de livros. "Ela praticamente acabou com o problema da distribuição. Hoje, no Acre, você pode comprar pela internet um livro que está apenas chegando às livrarias do Rio. Essa é a grande revolução." Para que isso ocorra, o leitor do Acre precisa apenas de informação. Festas como as de Paraty, com a cobertura que recebe da mídia, servem à difusão da informação.

Mauro Palermo trabalhou no Departamento de Circulação de "O Globo" e os dados do Instituto de Verificação de Circulação (IVC) ajudavam nas decisões sobre venda avulsa e de assinaturas do jornal. Agora diretor-executivo da Nova Fronteira, ele tem de confiar na própria competência e na dos profissionais com que trabalha para tomar decisões. "Não há IVCs nem Ibopes na nossa área", observa. Na ausência desses instrumentos, estima-se a venda de livros pelas listas que jornais e revistas publicam, ressalvada a precariedade das informações sobre vendas no interior do país e em outros canais que não as livrarias.

A ausência de números independentes dá lugar a falsas interpretações e até mitos. Divulgou-se recentemente que 94 milhões de brasileiros lêem um livro por trimestre. Meia-verdade. A pesquisa foi do Ibope para o Instituto Pró-Livro e apurou que 95,6 milhões de brasileiros teriam declarado a leitura de pelo menos um livro no trimestre anterior a dezembro de 2007. Desse universo, porém, 47,4 milhões são estudantes que lêem livros recomendados pela escola, inclusive didáticos. Lêem somente a "Bíblia" outros 6,9 milhões. Os restantes 41,1 milhões (55% deles mulheres) seriam realmente os leitores que vão à livraria - ou recorrem a outros pontos-de-venda para comprar um livro.

Baseado na lista dos mais vendidos - nenhum editor ouvido pelo Valor pôs em dúvida a seriedade desses levantamentos - o mercado especula sobre o ranking das principais editoras. Por esses critério, o grupo Ediouro teria superado a Record e assumido a liderança neste ano - fruto da atuação da própria Ediouro e das duas editoras pertencentes ao grupo, Nova Fronteira e Agir. Esta última quer ainda mais espaço e vai publicar já em agosto o mais novo livro (200 mil exemplares na 1ª edição) de Paulo Coelho, "O Vencedor Está Só", que, segundo o diretor-editorial, Paulo Roberto Pires, mostra um "PC diferente", com história ambientada nos bastidores do Festival de Cannes. Objetiva, Companhia das Letras e Cosac Naify disputam as posições seguintes.

Sobre a importância de outros canais de venda que não as livrarias, Palermo informa: "O Caçador de Pipas", que a Nova Fronteira lançou em 2005, está chegando neste mês a 1,8 milhão de exemplares vendidos. "Em torno de 200 mil não foram vendidos em livrarias, mas em plataformas como a internet e até o porta-a-porta da Avon."

É meia-noite e o Banana da Terra está repleto. A Nova Fronteira homenageia com um jantar os 15 autores da coletânea "Quem É Capitu?", cujo marketing agressivo suscitou até as já relatadas dúvidas ortográficas da copeira do Margarida Café. Izabel Aleixo toma discretamente seu vinho com água mineral e prova do prato preferido: vegetais. E sorri, solícita. Esta carioca de Vila Isabel, miudinha, simpática, loira, 41 anos, que estudou jornalismo, foi professora de Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e só entrou para o ramo editorial porque "precisava ganhar algum dinheiro", é caçadora de best-sellers, responsável pelo mais espetacular sucesso da Nova Fronteira. "O Caçador de Pipas", do médico afegão Khaled Hosseini, recuperou o prestígio (e as finanças, obviamente) da empresa fundada por Carlos Lacerda. Até então, Umberto Eco, com "Em Nome da Rosa", e Marguerite Yourcenar, em "Memórias de Adriano", eram os campeões de vendas na Nova Fronteira.

Para comprar os direitos de "O Caçador..." (Kite Runner), Izabel enfrentou a descrença da própria editora nos Estados Unidos, a Riverhead, que lançou o livro sem publicidade e não fez esforços para vendê-lo no exterior. Em 2004 o livro não vendeu praticamente nada nos EUA e só no fim do ano começou a aparecer entre o 33º e o 35º lugares na lista dos mais vendidos, impulsionado pelo interesse de clubes de leitores. Mas Izabel já estava interessada nele antes disso e batalhou dentro e fora da editora para assegurar os direitos autorais. Da oferta tradicional de US$ 1 mil, ela de imediato elevou para US$ 1,5 mil, como adiantamento para conseguir a exclusividade (a remuneração do editor será completada mais tarde de acordo com a tiragem - 10% entre 5 mil e 10 mil exemplares; 12% acima de 10 mil). Quando apareceu um competidor nacional, que Izabel não revela, os lances se agigantaram até chegar aos US$ 12 mil, o maior até agora feito pela Nova Fronteira ou qualquer outra editora brasileira. Um ano depois, quando o livro chegou às livrarias do Brasil, já estava alavancado pelo sucesso no mundo.

Presentes à Flip criticaram a programação por não incluir poetas nas mesas-redondas da Tenda dos Autores. Seria o caso, também, de incluir alguns diretores-editoriais para tentar explicar um mistério tão grande quanto o da fidelidade de Capitu. Afinal, o que constrói o sucesso de um livro como o de Khaled Hosseini?


Paulo Totti, de Paraty
Valor Online, 11/07/08

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Poder de compra do governo utilizado em favor da sustentabilidade

Ao seguir critérios socioambientais, aquisições públicas estimulam a criação de mercado para produtos e serviços sustentáveis.

Os governos, cujas compras representam 10% do PIB nacional, podem ser indutores na adoção de padrões sustentáveis. Ao considerarem aspectos como o ciclo de vida do produto como menor consumo de matéria-prima, possibilidade de reutilização ou reciclagem ou ainda critérios baseados em impactos sociais e ambientais, seus processos de licitação pública criam ou ampliam a demanda por produtos e serviços mais sustentáveis, reduzindo os riscos dos produtores e aumentando as margens de lucro deles por meio de economia de escala.

Para Paula Gabriela Freitas, gerente de projetos do Iclei – Governos Locais pela Sustentabilidade, o setor privado necessita de apoio para criar tecnologias sustentáveis. “O empresário precisa saber que haverá mercado para produtos com essas características, senão poderá ter prejuízos. O governo é um grande comprador. Ao adotar critérios socioambientais nas licitações, aumenta a demanda por produtos e serviços mais sustentáveis, diminuindo o preço individual de cada item”, afirma Paula.

O Iclei é uma instituição internacional de governos locais e outras organizações governamentais nacionais e regionais para promoção do desenvolvimento sustentável. Desde 2007, realiza o projeto “Fomentando Compras Públicas Sustentáveis no Brasil”, que está sendo implementado nos estados de São Paulo e Minas Gerais e na cidade de São Paulo - os três maiores PIBs – Produto Interno Bruto do País depois da União. A iniciativa, que integra a campanha global do Iclei, Cidades pela Proteção do Clima (CCP), tem como objetivo desenvolver um processo sistemático e uma estrutura estratégica para práticas das chamadas Compras Públicas Sustentáveis (CPS).

Ao contrário do que possa, em princípio, parecer, a licitação sustentável não é uma solução cara para os governos e as populações. Segundo o “Guia de Compras Sustentáveis”, produzido pelo Iclei e pelo Centro de Estudos de Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, a licitação sustentável “usa forças eficientes de mercado, a instrução e a parceria para alcançar objetivos ambientais e sociais e, normalmente, reduz o gasto do contribuinte.”

Marcos regulatórios
O passo inicial para consolidar a prática de compras públicas sustentáveis consiste em estabelecer mecanismos legais, que assegurem a inserção de critérios socioambientais no âmbito das compras e contratações realizadas pelos órgãos públicos. “A primeira dificuldade para convencer os governos de que o uso do seu poder de compra pode estimular boas práticas no mercado é a inexistência de um marco regulatório”, afirma Fábio Feldman, consultor e secretário estadual de meio ambiente durante o governo de Mário Covas, em São Paulo.

A Lei das Licitações e Contratos Públicos (nº 8666/93) privilegia o menor preço no ato da compra. A análise do ciclo de vida dos produtos, por exemplo, não é considerada, de modo que uma lâmpada incandescente pode levar vantagem em um processo licitatório em detrimento de uma fluorescente, ainda que o consumo dessa última seja, em média, 80% menor e a sua duração até 20 vezes superior.

O governo do Estado de São Paulo optou pela elaboração de diretrizes legais para viabilizar as licitações sustentáveis. Criou, por exemplo, normas relativas à obrigatoriedade da aquisição pela Administração Pública Estadual de lâmpadas com maior eficiência energética e menor teor de mercúrio (Decreto Estadual nº 45.643/01); à proibição do uso do CFC - Clorofluorcarbono (Decreto Estadual nº. 41.629/1997); à obrigatoriedade de aquisição de veículos movidos a álcool (Decreto Estadual nº. 42.836/1998) e à redução do consumo e racionalização do uso de água (Decreto Estadual nº. 48.138/2003).

Os governos locais têm um papel importante na revisão e criação de regulamentações, assim como práticas que estimulem o desenvolvimento sustentável. O próprio Estado de São Paulo foi o primeiro a adotar uma política estadual de recursos hídricos em 1991 que, inclusive, inspirou a elaboração do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, de 1997.

“A ação local move o mundo. Muitas vezes ficamos presos a mobilizar o grande gigante que é o Estado, enquanto o sistema de ações locais pode causar forte impacto nos padrões de consumo e produção. Marcos regulatórios, como o decreto que proibiu o uso de madeira ilegal em obras públicas no Estado de São Paulo, ajudam a revisão de normas e processos da União”, afirma Paula, do Iclei.

Análise do ciclo de vida
A consolidação da prática de compras públicas sustentáveis depende do estabelecimento de critérios socioambientais objetivos para seleção dos produtos e serviços. Feldman defende uma parceria entre o setor privado e público para criação de um cadastro de produtos e serviços sustentáveis. “O uso do poder de compra dos governos em favor da sustentabilidade está condicionado ao desenvolvimento de uma ferramenta que proporcione a avaliação dos bens a partir da análise do ciclo de vida. Como essa iniciativa exige investimentos, o recomendável seria viabilizá-la com a participação da iniciativa privada”, crê.

Atendendo a uma solicitação do governo do estado de São Paulo o GVces - Centro de Estudos de Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas desenvolveu o catálogo sustentável, disponível na internet desde abril de 2008. A partir de uma relação de 7500 produtos utilizados pelo governo, o GVces analisou, primeiramente, os itens que apresentavam algum aspecto relacionado à noção de sustentabilidade. Como alguns bens não atenderam a esse primeiro requisito, os pesquisadores recorreram a uma sondagem de equivalentes no mercado, que permitissem vantagens ambientais e sociais como, por exemplo, economia no consumo de água e energia, minimização na geração de resíduos, racionalização do uso de matérias-primas e redução de emissões de poluentes.

“Chegamos a uma lista de 800 produtos que estão organizados por categorias no site. Ao final desse trabalho, desenvolvemos uma ferramenta para estimular o consumo consciente tanto por parte dos governos como dos indivíduos. Essa é uma forma dos dois setores sinalizarem à iniciativa privada que também é possível obter benefícios financeiros a partir dessa prática”, explica Luciana Betiol, pesquisadora do Programa de Consumo Sustentável da GVces.

O governo paulista providencia agora a integração de alguns itens desse catálogo ao sistema de pregão eletrônico (modalidade de licitação a partir de lances realizados pela internet). “Cruzamos a relação fornecida pelo GVces com o catálogo de materiais utilizado internamente e chegamos a 150 itens. Eles receberão o selo socioambiental que orientará as compras realizadas por todos os órgãos da administração estadual”, explica Denize Coelho Cavalcante, executiva pública da coordenadoria de planejamento ambiental da Secretaria Estadual de Meio Ambiente.

Com a criação do Decreto Estadual nº. 50.170/2005, esses produtos, assim como todos os outros que futuramente vierem a atender critérios socioambientais, deverão ter preferência nos processos de aquisição pública. A recusa a esses itens deverá ser justificada pelo comprador.

Para ser considerado socioambiental, o produto deve seguir ao menos um dos critérios estabelecidos pelo GVces, e adotados pelo governo de São Paulo (veja relação completa no box abaixo).

A orientação obedece a um princípio do “Guia de compras públicas sustentáveis”, segundo o qual a sustentabilidade será mais facilmente alcançada se muitos considerarem apenas alguns critérios, do que se apenas poucos avaliarem muitos critérios ao tomar as decisões de compras e contratações.

Luciana, pesquisadora do GVces, ressalta que o catálogo sustentável não é uma certificação, mas uma ferramenta de auxílio aos compradores institucionais ou individuais na busca de alternativas mais sustentáveis. “A idéia é que, com o tempo, os critérios sejam mais rigorosos, acompanhando a evolução do mercado, até que se tornem tão exigentes quanto os japoneses e europeus, por exemplo”, ressalta.

Cooperação para a inovação
Nesse sentido, a ferramenta de pregão eletrônico pode fazer diferença importante na promoção de mercados sustentáveis, na medida em que permite a participação de uma diversidade maior de concorrentes. A transparência e redução de custos dos processos de licitação são as grandes vantagens dessa modalidade, cujos resultados podem ser acompanhados pela internet. “A medida que se aumenta o acesso a informação, amplia-se também o potencial de participação no processo licitatório e as possibilidades de inovação”, explica Feldman.

A integração de critérios socioambientais às ferramentas de comércio eletrônico é uma das experiências que o Iclei pretende expandir para os demais participantes do projeto “Fomentando Compras Públicas Sustentáveis no Brasil”. Essa iniciativa conta com um grupo de trabalho que reúne representantes da sociedade civil, universidades, poder público e iniciativa privada. Depois de discussões entre os diferentes setores, estabeleceu-se algumas estratégias de ação, como a capacitação de gestores públicos.

“A princípio, pretendíamos treinar os compradores. Mas depois de discutirmos com as lideranças políticas, percebemos que antes era necessário mostrar os ganhos econômicos das compras públicas sustentáveis para os gestores. Do contrário, os compradores enfrentariam resistências para implementar novas práticas. Treinamos os supervisores de finanças e assim, minimizamos possíveis barreiras que os compradores poderiam ter”, explica Paula.

A gerente de projetos do Iclei ressalta ainda a importância da participação das empresas no fomento às compras públicas sustentáveis. “O setor privado é muito dinâmico e criativo, por isso não poderia ficar de fora desse processo. As companhias podem trazer informações que não temos sobre tecnologia e benefícios econômicos, além de oferecer barateamento inicial do custo dos produtos e serviços para justificar o investimento”, ressalta.

Segundo Feldman, os governos, por sua vez, podem incentivar a inovação e, conseqüentemente, a competição da indústria, garantindo aos produtores recompensas pelo melhor desempenho ambiental e social de seus produtos, por meio da demanda do mercado ou de incentivos como a tributação diferenciada.

Critérios socioambientais utilizados nos processos de compras públicas sustentáveis:
1 - fomento a políticas sociais
2 - valorização da transparência da gestão
3 - economia no consumo de água e energia
4 - minimização na geração de resíduos
5 - racionalização do uso de matérias-primas
6 - redução de emissão de poluentes
7 - adoção de tecnologias menos agressivas ao meio ambiente
8 - utilização de produtos de baixa toxicidade


Juliana Lopes, da Revista Idéia Socioambiental
Envolverde, 10/07/08

© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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Fapesp lança programa de apoio a pesquisas em bionergia

Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) apóia pesquisas relacionadas a biocombustíveis
Foto Fapesp


A Fapesp lançou, durante workshop realizado em sua sede, o Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), que tem o objetivo de apoiar a pesquisa relacionada a biocombustíveis, com a colaboração de universidades e empresas, de modo a promover o avanço do conhecimento e aplicações baseadas especialmente em etanol de cana-de-açúcar.Foram anunciadas quatro chamadas de propostas, com valor total de R$ 73 milhões.

O programa financiará projetos de pesquisa com cinco abordagens: melhoramento de cultivares para produção de biomassa com foco em cana-de-açúcar; processo de fabricação de biocombustíveis; pesquisa sobre impactos socioeconômicos, ambientais e uso da terra; biorrefinarias e alcoolquímica; e aplicações do etanol para motores automotivos. As chamadas de propostas foram voltadas para os três primeiros temas.

A primeira chamada se refere a propostas de pesquisa para Projetos Temáticos no âmbito de convênio entre a Fapesp e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que tem como objeto implementar o Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) no Estado de São Paulo.

A segunda chamada é voltada a propostas para Auxílio a Pesquisa e Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes, modalidades de apoio da Fapesp.


A terceira é para propostas de pesquisa sobre processos industriais para a fabricação de etanol de cana-de-açúcar, publicada no âmbito de convênio vigente entre a Fundação e a Dedini.

A quarta chamada, resultado de novo convênio com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), é para seleção de projetos de pesquisa científica e tecnológica cooperativos no campo das ciências agronômicas, das ciências da vida, exatas e engenharias e intercâmbio de pesquisadores e estudantes.

Segundo Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, o conjunto de seleções públicas se articula com duas outras chamadas encerradas, resultantes de convênios com a Braskem e com a Oxiteno e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), lançadas respectivamente em fevereiro de 2008 e novembro de 2006.

“A idéia é estimular a interação entre todas essas iniciativas, de modo a mobilizar a comunidade de pesquisa em São Paulo a fim de enfrentar os principais desafios da bioenergia, como o aumento da produtividade, processos industriais, alcoolquímica, motores e impactos sociais, econômicos e ambientais”, disse Brito Cruz.

O diretor científico destacou que o Estado de São Paulo é o segundo maior produtor de etanol no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e, para manter essa liderança, não pode parar de pesquisar.

“O programa se sustenta sobre uma sólida base de pesquisas desenvolvidas na área há quase dez anos. Essa posição de liderança científica, no entanto, não permanece por si só: é preciso continuar avançando. O Brasil não está acostumado a ser um dos melhores do mundo quando o assunto é ciência e tecnologia. Mas em bioenergia nós estamos na liderança e precisamos ter uma atitude diferenciada”, afirmou.

Para Celso Lafer, presidente da Fapesp, ao investir em pesquisa científica e tecnológica na área de bioenergia, o BIOEN responde não apenas à necessidade de aprofundamento do conhecimento e da manutenção da presença competitiva do país no cenário internacional, mas também a interesses estratégicos do ponto de vista diplomático.

“O Brasil tem feito esforços no sentido de argumentar em defesa do etanol nacional, afirmando sua sustentabilidade ambiental e social. Só teremos condições de sustentar essa articulação diplomática se ela vier acompanhada de um conhecimento sólido, com publicações de abrangência internacional, legitimando nossa posição”, disse.

Alberto Goldman, vice-governador de São Paulo e secretário do Desenvolvimento, ressaltou que os desafios ligados à capacidade competitiva brasileira na área de bioenergia só poderão ser enfrentados com o aprofundamento do conhecimento.

“O BIOEN consolida uma colaboração importante entre a comunidade científica, o governo federal, os governos estaduais e o setor privado. Hoje, o que menos falta para o setor público são recursos, mas falta capacidade de gestão. Esse esforço de convergência é importante para superar essa limitação. Sabemos que isso está sendo feito quando vemos Fapesp, Fapemig, CNPq e o setor privado trabalhando juntos”, disse.

Marco Antonio Zago, presidente do CNPq, destacou a importância, para a agenda nacional, dos temas para os quais são voltadas as chamadas. “Mais importante ainda é poder anunciar a cooperação entre as duas maiores agências de fomento à ciência do país. Não é uma tarefa trivial unir os esforços de duas instituições que têm seus procedimentos particulares. Mas foi um esforço que certamente será recompensado, garantindo projetos relevantes para o Brasil no campo da bioenergia”, afirmou.

Parcerias valiosas
A chamada de propostas do convênio Fapesp-MCT/CNPq-Pronex terá valor total de R$ 38 milhões, sendo R$ 19 milhões da Fapesp e R$ 19 milhões do CNPq. A chamada busca projetos de pesquisa acadêmica básica e aplicada em produção de biomassa (especialmente cana-de-açúcar), seu processamento para produção de biocombustíveis, e impactos sociais, econômicos e ambientais dos biocombustíveis.

Os recursos da Fapesp serão voltados para custeio dos projetos temáticos e bolsas de iniciação científica e pós-doutorado, enquanto o investimento federal financiará, além dos projetos, bolsas de mestrado e doutorado.

Um primeiro bloco de R$ 28 milhões será destinado a projetos enviados até 1º de setembro. Outros R$ 10 milhões irão para projetos com limite de envio em 10 de novembro.

A Fapesp investirá mais R$ 10 milhões em projetos que poderão ser submetidos como Auxílios a Pesquisa ou no âmbito do Programa Apoio a Jovens Pesquisadores.

José Luiz Olivério, presidente de Tecnologia e Desenvolvimento da Dedini, salientou a importância do convênio com a Fundação. “Nos últimos anos o Brasil melhorou incessantemente a eficiência da transformação de cana-de-açúcar em etanol com base no caldo. Mas o maior potencial não estava no caldo e sim em componentes como o bagaço. Temos perseguido isso e acreditamos que as chamadas vão trazer grandes avanços”, disse.

Na chamada do convênio Fapesp-Dedini serão oferecidos R$ 20 milhões para projetos cooperativos entre pesquisadores da empresa e de universidades ou instituições de pesquisa paulistas, nos moldes do Programa Pesquisa em Parceria para Inovação tecnológica (Pite).

Os projetos selecionados serão apoiados em instituições de ensino superior e pesquisa no Estado de São Paulo. Ao longo dos próximos cinco anos o convênio investirá R$ 100 milhões, divididos em partes iguais entre os parceiros.

Alberto Duque Portugal, secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais, afirmou que o governo mineiro está determinado a investir em ciência e tecnologia, especialmente na área de energia.

“Minas Gerais tem 10% da população brasileira, mas utiliza 14% da energia do país, por isso trata-se de uma questão crucial. Temos uma matriz energética diversificada, mas com forte presença da biomassa. Do orçamento de R$ 200 milhões da Fapemig, cerca de R$ 20 milhões foram investidos em bioenergia este ano. Acredito que o edital abre perspectivas interessantes, em uma cooperação inédita”, disse.

A chamada de propostas de pesquisa do convênio Fapesp-Fapemig oferece um total de R$ 5 milhões para projetos de pesquisa em colaboração entre pesquisadores de São Paulo e Minas Gerais em temas relacionados a etanol. São R$ 3 milhões para projetos enviados até 1º de setembro e mais R$ 2 milhões para projetos enviados até 10 de novembro.

Outras informações: http://www.fapesp.br


Notícias da Rede, 10/07/08

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Novo Atlas da Economia Solidária no Brasil já está disponível no site do MTE

O novo Atlas da Economia Solidária no Brasil já está disponível para consulta no site do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Lançado no dia 04 de julho, o documento apresenta informações atualizadas pelo mapeamento realizado até 2007.

O Atlas foi desenvolvido pela Coordenação Geral de Informática do MTE juntamente com o Departamento de Estudos e Divulgação da Secretaria Nacional de Economia Solidária. Por meio do Atlas, é possível elaborar tabelas, mapas e gráficos com os dados contidos no Sistema, além de poder manipular os mapas com relação a cores, faixas de classe de dados, entre outros.

São informações sobre 21.859 empreendimentos econômicos solidários nos municípios, estados, em regiões, microregiões, mesoregiões, territórios de cidadania e nacional. O usuário do Atlas poderá obter informações sobre a quantidade de empreendimentos, ano de criação, atividades econômicas (produtos e serviços), comercialização, crédito e finanças, autogestão e compromisso social e ambiental, entre outras.

Para utilizar o Atlas, é importante que o usuário leia as informações no "Manual do Usuário" na opção Ajuda, além de instalar os programas necessários para o adequado funcionamento. Além disso, o usuário poderá fazer cursos de capacitação da ferramenta Tabwin, responsável pela construção de mapas, acessando a aba "UNIVERSUS". Poderá também ter acesso a um documento sobre estatística acessando a aba "ESTATÍSTICA", ou poderá baixar os arquivos da ferramenta Tabwin na aba "TABWIN".

Os dados estão disponíveis no endereço: http://www.mte.gov.br/sistemas/atlases/
Sies - Os dados coletados pelo mapeamento alimentam o Sistema Nacional de Informações em Economia Solidária (Sies), que registra e identifica todas as informações sobre os empreendimentos econômicos solidários e entidades de apoio, assessoria e fomento à economia solidária no país. As atividades são de produção de bens, prestação de serviço, fundos de crédito, comercialização ou de consumo solidário.

No endereço www.sies.mte.gov.br estão disponíveis as informações coletadas. As entidades com características solidárias ainda podem participar informando seus dados no sistema.

Fonte: Assessoria de Imprensa do MTE
Boletim V2V, Nº 71 - Julho 2008

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quarta-feira, 9 de julho de 2008

Prêmio Santander de Empreendedorismo e de Ciência e Inovação

Estudantes e pesquisadores interessados em participar da 4ª edição dos Prêmios Santander de Empreendedorismo e de Ciência e Inovação podem aproveitar o recesso de julho e usar o tempo livre das férias para fazer suas inscrições. É possível se candidatar até o dia 22 de agosto, no portal Universia, no endereço: www.universia.com.br/premiosantander.

Realizados pelo Santander Universidades, com o desenvolvimento e a gestão do Universia Brasil, os prêmios visam estimular a atitude empreendedora e a pesquisa científica no meio acadêmico, revelando novos talentos que irão beneficiar a sociedade brasileira com a implementação de seus projetos empreendedores e de suas pesquisas científicas.

Para o Prêmio de Empreendedorismo, poderão se inscrever estudantes de graduação e/ou pós-graduação e, no de Ciência e Inovação, pesquisadores-doutores, ambos participando tanto individualmente como em equipe, de Instituições de Ensino Superior parceiras do Universia e/ou do Santander Universidades. Os vencedores de cada categoria, de ambos os prêmios, receberão R$ 50 mil para viabilização do projeto, totalizando R$ 350 mil em premiações.

A quarta edição traz três novidades. Este ano, os inscritos no Prêmio de Empreendedorismo terão acesso a um curso on-line gratuito de empreendedorismo, desenvolvido pela Fundação Dom Cabral (FDC). Outra mudança é que, diferente do ano passado, os finalistas serão revelados, durante as cerimônias regionais. Outra novidade é que a cerimônia final, realizada em São Paulo, será durante a semana global de empreendedorismo.

A premiação estão com inscrições abertas até o dia 22 de agosto, que poderão ser realizadas no portal Universia, no endereço: www.universia.com.br/premiosantander.


redeGIFE Onlline, 07/07/08

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Real reduz calote no microcrédito

A agente Rosimeire: empenho para conquistar a confiança dos clientes
Foto Bia Parreiras

Depois de se recuperar de uma inadimplência de 40% em sua carteira de "nano" empreendedores, o Banco Real acredita que conseguiu acertar a receita para ser tornar o maior agente de microcrédito do país em 2011. Com 70 mil clientes, o Real Microcrédito, lançado em 2002, tem planos de chegar a 100 mil até o fim do ano, passando dos R$ 72 milhões atuais para R$ 100 milhões em empréstimos concedidos.

Para isso, deixou de lado a estratégia de "metralhadora", em que se priorizava o crescimento rápido de clientes, para o do crédito solidário, um modelo já comprovado em outras partes do mundo. "A gente achava que dominava o negócio, e demos muito crédito individual. Agora só fazemos grupos solidários", afirma José Giovani Anversa, diretor da Real Microcrédito. Em 2005, quando sofreu o baque dos calotes, o programa tinha seis mil clientes. "O banco errou. Foi o preço da nossa aprendizagem."

A fórmula para minimizar riscos com esse novo perfil de empreendedor - que em sua maioria não possui conta em banco nem comprovante de renda - foi dividir a responsabilidade. O contrato é assinado por grupos de três a quatro pessoas, geralmente pessoas de uma mesma família, vizinhos e conhecidos. O empréstimo é concedido de acordo com a capacidade de endividamento do grupo e, por isso, a diferença entre o menor e o maior empréstimo não pode ser superior a 50%. A idéia é simples: no caso de um não honrar o pagamento, os outros cobrem.

Parece ter dado resultado. O lucro veio em novembro passado. E o trabalho dos agentes foi considerado fundamental para o sucesso do programa. A relação com o cliente é intimista, com visitas à casa, cafezinhos e muitas rodadas de conversa com a comunidade. "É um private equity às avessas", compara Giovani.

Sem documentos que comprovem o funcionamento do negócio, o agente extrai por meio de um questionário os dados fundamentais para fazer a análise de crédito. A parcela mensal não pode ser superior a 50% da renda disponível do cliente. O empréstimo médio é de R$ 1.100 e os clientes têm de quatro a nove meses para quitar a dívida. "No primeiro momento todos querem R$ 10 mil. Parece um número mágico", brinca o executivo. Mas aí entra o trabalho de orientação. "É preciso fatiar o sonho."

Com o novo plano de negócios, o Real Microcrédito pretende chegar, em 2011, a R$ 550 milhões e a uma carteira de 500 mil clientes. Cerca de 70% dos clientes dessa modalidade de crédito estão no Nordeste. O maior desafio é conquistar o Sudeste, sobretudo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde a concorrência ainda é muito pequena. Hoje, o maior agente de microcrédito no Brasil é o Banco do Nordeste, que conta com pouco mais de 60 mil clientes apenas no Ceará e um total de 300 mil no país.

"Tem mexicanos e bolivianos querendo entrar [nesse mercado], mas os concorrentes ainda são pequenos, com apenas 2 mil a 3 mil clientes", afirma Giovani. "Há um enorme mercado: são 10 milhões de nano-empreendedores no país e nem 1 milhão deles está sendo atendido hoje."

Um dos lugares onde o Real Microcrédito tenta crescer é na favela de Heliópolis, em São Paulo. Ali, Jailson Nascimento dos Santos montou seu primeiro negócio, consertando e montando bicicletas. Ele conheceu o microcrédito por meio de um amigo e já está no seu segundo empréstimo. Foram R$ 1.500 para investir em peças. "Com mais dinheiro na mão, os preços das peças ficam mais atraentes", diz Jailson.

Com o grupo solidário, o Real Microcrédito derrubou a inadimplência para 6,5%. Um valor baixo se comparado à média do mercado de 7,3% no crédito pessoal e 14% no caso de financeiras.

"É mais fácil de pagar porque os juros são mais baixos e as prestações são mensais", diz Maria das Mercês de Sousa, costureira que captou R$ 1.500, a juros médios de 2,2%, para comprar tecidos e começar uma poupança para comprar uma máquina de costura melhor. As financeiras costumam cobrar cerca de 11% de juros e algumas trabalham com prestações semanais. "A que eu quero custa R$ 900", diz Maria Mercês de Souza.

Apesar do crescimento do Real Microcrédito, em seu sexto ano de existência, ele ainda é um "traço" no portfólio do banco, segundo Giovani. Nem por isso é considerado um negócio marginal. A intenção do banco é conquistar um mercado ainda incipiente, pouco conhecido, mas com grande capacidade de expansão.


Bettina Barros e Samantha Maia, De São Paulo
Valor Online, 09/07/08

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Visa, Rendimento e Warner lançam "cartão presente"

Chedid, da Visa: 67% das pessoas gostariam de ganhar um cartão assim
Foto Emiliano Caposoli/Valor

Depois do forte crescimento dos cartões de crédito e de débito no país, sempre acima dos 20% ao ano, a bandeira Visa resolveu apostar no cartão pré-pago, que pode se transformar tanto em cartão para dar de presente (ou "gift card") quanto para empresas fazerem promoções e distribuírem o plástico ao cliente. Amanhã, a Visa, o Banco Rendimento e a Warner Bros. anunciam o lançamento de um cartão presente temático. Todos os plásticos terão desenhos do filme "Batman, o Cavaleiro das Trevas".

O objetivo é vender 50 mil desses cartões, que serão colocados no mercado no dia 18, data oficial do lançamento do filme no Brasil. Os plásticos terão valores de R$ 30 a R$ 1.000 e podem ser usados em 1,2 milhão de estabelecimentos credenciados pela bandeira Visa no país. Na operação de compra de um produto, funciona como um cartão de débito. O dinheiro que a pessoa não usar naquela compra fica como saldo no cartão e pode ser utilizado depois.

Após o Batman, o objetivo é lançar outros cartões temáticos, por exemplo, para datas como o Dia das Crianças ou o Dia dos Pais.

Os cartões pré-pagos ainda não decolaram no Brasil. Muito comuns nos Estados Unidos e Europa, poucos bancos se interessaram pelo produto. Eduardo Chedid, vice-presidente de produtos da Visa do Brasil, diz que uma pesquisa da bandeira feita no país mostra que 67% das pessoas gostariam de ganhar um cartão desses como presente. A maior vantagem, segundo os entrevistados, é poder escolher o produto que quiser e comprar onde e quando desejar.

Nos Estados Unidos, as pessoas que compram cartões para presentear, adquirem, em média, 4,8 plásticos por ano. Pesquisa feita lá no final do ano passado mostra que 95% das pessoas ou já compraram ou já receberam um "gift card".

No Brasil, Banco Rendimento, Banco Real e Banco Schahin estão entre os poucos que resolveram apostar em cartões pré-pagos. O Rendimento já emitia o "Visa Travel Money", cartão pré-pago que é carregado em dólar ou euro para ser usado nas viagens ao exterior. Já foram emitidos mais de 200 mil desses cartões. Agora, resolveu apostar nos "gift cards".

Segundo Abramo Douek, diretor geral do Rendimento, quando o banco começou a oferecer o cartão de viagem, ninguém conhecia o produto. "Hoje, já é mais conhecido." A expectativa de Douek é que o mesmo aconteça com o cartão presente.

A idéia do Banco Rendimento é lançar em seguida produtos alusivos a determinadas datas, como o cartão presente para as festas de Natal. O do Batman será vendido pela internet ( www.maisquepresente.com.br ) a partir do dia 18, além de alguns pontos em shoppings centers. O cartão custa R$ 5 e não pode ser recarregado. O cliente entra no site, escolhe o desenho impresso no cartão e faz o pagamento via boleto ou transferência bancária. O cartão é enviado pelo correio para a pessoa que foi presenteada. Por correio eletrônico, o cliente recebe a senha para fazer a transação.

A Visa também quer incentivar o uso do cartão pré-pago para empresas fazerem promoções. A rede de cinemas Cinemark lançou no dia dos namorados um cartão que custa R$ 55 e dá direito a seis sessões de cinema. Dependendo do horário e do cinema, essas seis sessões poderiam custar R$ 120 se a pessoa fosse pagar em dinheiro.


Altamiro Silva Júnior, De São Paulo
Valor Online, 09/07/08

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terça-feira, 8 de julho de 2008

Reposicionamento de marca é essencial para o Terceiro Setor

Casa Ninho: ex CACCC - Centro de Apoio à Criança Carente com Câncer

As entidades estão seguindo a mesma tendência das empresas, a fim de atingir mais objetivamente seus públicos-alvo

Os anos 1990 ficaram conhecidos como um dos períodos mais férteis para o surgimento de manifestações culturais de gosto duvidoso. Não deixaram muitas saudades como os anos 1980. Apesar desse aspecto negativo, a década passada ficou marcada pelo início de um movimento, principalmente das empresas, de ordem mercadológica. Propunha-se, à época, um reposicionamento de marcas e identidade corporativa, a fim de atingir um público cada vez maior ou, dependendo do caso, de maior poder aquisitivo.

Em pouco mais de dez anos, os conceitos acerca dessa estratégia evoluíram. O mercado fez uma releitura dessa nova ferramenta e redefiniu rapidamente o foco que queria dar a tais mudanças – levando em consideração, é claro, os desejos inconscientes dos stakeholders. Só para citar alguns exemplos de empresas bem sucedidas, estão o Bradesco e a Alpargatas, dona da marca Havaianas.

A primeira mudou radicalmente sua imagem institucional, abandonando uma identidade visual de cunho cartorial, quadrada e burocrática, para uma aura de modernidade, sofisticação e agilidade. A segunda investiu pesado e conseguiu reverter a imagem de um produto considerado de terceira categoria, popular, sem graça e fajuto, para um objeto da moda, clean, com preço elevado e desejado por pessoas mais abastadas. Hoje, as sandálias Havaianas são exportadas para vários países e vendidas a preços nada populares.

Seguindo os passos
Com um pouco de atraso, o Terceiro Setor pegou carona nesse movimento que, ainda bem, não foi apenas mais uma moda mercadológica e passageira. A onda ficou mais forte ainda no final dos anos 1990 e agora já se mostra como uma tendência que veio para ficar.


Tradicionais instituições se viram obrigadas a acompanhar as mudanças e não se arrependeram de ações para o reposicionamento de sua identidade visual – novos logotipos e peças de papelaria, site mais dinâmico e atraente, alteração em uniformes entre outras ações para o desenvolvimento institucional da marca.


“No processo contínuo da reflexão estratégica de nossa entidade, 2005 foi ano de repensar a marca, a maior representação das informações sobre a instituição, pois atesta sua qualidade e agrega valor. É o que a faz especial e única, ou seja, um patrimônio institucional”, afirma Eduardo de Barros Pimentel, presidente da Fundação de Rotarianos de São Paulo, fundada em 1946. A principal mudança foi a criação de uma identidade única para a mantenedora e todas as entidades mantidas, que refletisse os mesmos atributos para todas. Assim, o nome Rio Branco passou a ser utilizado para todas as mantidas, promovendo, segundo Pimentel, grande sinergia e nítida percepção de valor pelo mercado, além de gerar referência de identidade.

“Além disso, a marca foi modernizada, refletindo a vanguarda da fundação como entidade educacional de primeira linha, que sempre evolui com o tempo”, argumenta Célia Dugaich, gerente de marketing. “Acreditamos que a marca rejuvenescida, equilibrada e dinâmica trouxe à instituição maior atratividade, e a idéia de transformação foi transmitida com sucesso, preservando os nossos valores e a nossa história.”

Um dos motivos, em geral, para que uma entidade decline de uma ação de reposicionamento de marca e identidade visual é o impacto que pode haver entre seus stakeholders. O temor é por não conseguir transmitir o novo conceito de maneira clara.

Mas, é claro, tudo vai depender das pessoas que estão por trás do desenvolvimento da campanha, da criação da marca, do uso de cores e tipologia.

Segundo Pimentel, a nova identidade institucional da Fundação Rotarianos de São Paulo foi bem recebida por todos os colaboradores e pelas diversas entidades mantidas, pois se reconheceu o esforço realizado, no sentido de unificar mantenedora e entidades mantidas.

“A idéia de dinamismo, flexibilidade, movimento e simultaneidade foi transmitida pela nova marca, gerando um movimento de grande repercussão e otimismo com relação à fundação, para os stakeholders e toda a comunidade.”

Coragem
Se o reposicionamento de marca já traz todo um estresse para os envolvidos, imagine, então, quando ocorre a criação de um novo nome para uma entidade – gera diversos sentimentos: medo, angústia, desconfiança, receio e dúvidas, muitas dúvidas acerca dos resultados. Foi o caso do Centro de Apoio à Criança Carente com Câncer (CACCC), que em dezembro de 2007 passou a se chamar Casa Ninho. A agência de publicidade Y&R foi quem desenvolveu as ações de reposicionamento da marca.

“A mudança no nome e no logo da instituição acontece para proporcionar uma maior identidade para a organização e de uma maneira que representa todo o trabalho de carinho e acolhimento que a Casa Ninho oferece para as crianças e adolescentes que necessitam dessa assistência”, explica Jaime Gianizella Filho, diretor da entidade. A entidade atua há mais de dez anos no cuidado com as crianças com câncer, propiciando a elas e a seus acompanhantes hospedagem, alimentação, medicação, transporte e acompanhamento de médicos e especialistas aos pacientes, além de assistência educativa, cultural e social.

Para o 2º tesoureiro da Casa Ninho, Marcelo Nodólskis, o projeto visa dar uma identidade mais comercial a um projeto de sucesso que nunca se preocupou em cuidar do marketing. “Esperamos que a nova identidade faça nosso trabalho se tornar mais conhecido, pois queremos conseguir mais parceiros que possibilitem à entidade aumentar suas atividades”, frisa.

Outras entidades do Terceiro Setor também promoveram mudanças e obtiveram sucesso, como a Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong), que tem entre seus objetivos promover o intercâmbio entre as ONGs que buscam a ampliação da cidadania, a constituição e expansão de direitos, a justiça social e a consolidação de uma democracia participativa. No ano 2000, a Abong passou por um processo de renovação de sua identidade visual, a partir da reorganização gráfica de informes e do site. Deu certo, e hoje está colhendo frutos, com a consolidação de sua imagem como agregadora de valores para o TS.

A Inspetoria Nossa Senhora Auxiliadora, coordenada por religiosos salesianos, foi outra entidade que decidiu, em 2003, adotar uma identidade visual que viesse ao encontro de suas necessidades, uma vez que precisava unificar diversas representações espalhadas pelo país, como as 103 comunidades educativo-pastorais – entre escolas, instituições universitárias, obras sociais, oratórios e paróquias.

A verdade é que neste século 21, que será conhecido como a Era da Informação, a adequação a novos padrões estéticos de imagem e de comunicação terá fundamental importância para a sobrevivência das entidades do Terceiro Setor. “O meio é a mensagem”, expressão cunhada no século 20 pelo filósofo e educador canadense Marshall McLuhan, ficou ultrapassada. Nestes dias atuais, com a tremenda exposição às informações a que estamos expostos, é certo dizer que a mensagem é o meio. E as entidades precisam entender isso, pois terão de aprender como, quando e por que se comunicar com seus stakeholders. Não adianta ter os canais certos se não houver sabedoria sobre como usá-los.


Marcio Zeppelini
Consultor em comunicação para o Terceiro Setor, editor da Revista Filantropia, produtor editorial pela Universidade Anhembi Morumbi e diretor executivo da Zeppelini Editorial & Comunicação.

Revista Filatropia OnLine - nº158

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35 ações pró-escola disputam prêmio
Dez iniciativas que ajudam municípios a melhorar qualidade das escolas vão receber premiação de R$ 100 mil para aplicar nos projetos


Um concurso do governo federal para destacar iniciativas de prefeituras que ajudem a melhorar a qualidade das escolas selecionou 35 finalistas, entre 240 projetos inscritos, para concorrer a um prêmio de R$ 100 mil. Ao final da seleção, restarão as 10 experiências consideradas mais eficientes para melhorar o rendimento dos alunos, capacitar professores e garantir que mais estudantes freqüentem as aulas.

Chamada Prêmio Inovação em Gestão Educacional 2008, a iniciativa visa destacar projetos municipais que ajudem a alcançar o Plano Nacional de Educação, uma série de metas estabelecidas pelo governo federal para tentar melhor a qualidade do ensino público e aumentar o acesso da população a escola. Cada uma das 10 iniciativas vencedoras deve investir o prêmio de R$ 100 mil na continuidade e ampliação dos projetos.

Os resultados devem ser divulgados a partir do dia 10 de dezembro. Está prevista uma cerimônia de premiação para o dia 17 do mesmo mês. Os 240 projetos de governos municipais já passaram por dois processos de avaliação. Ao final deles, restaram 35 finalistas de 13 Estados (Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Pará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Ceará, Maranhão e Pernambuco).

Entre 4 e 19 de agosto uma comissão do prêmio vai visitar os projetos para conhecer de perto as ações e produzir um relatório sobre a execução da iniciativas e sobre os resultados alcançados, que será avaliado pela comissão julgadora. O PNUD participará da visita aos projetos in loco e ajudará a escrever o relatório.

O grupo das iniciativas finalistas inclui ações para promover educação de indígenas em Dourados, no Mato Grosso do Sul, elaborar indicadores para monitorar qualidade do ensino em Belo Horizonte, implantar um programa de educação ambiental em Ilhabela (São Paulo) e oferecer cursos a professores de Pompéia, também em São Paulo. O prêmio foi concebido para ser realizado a cada dois anos e está em sua segunda edição.


SARAH FERNANDES, da PrimaPagina
Pnud, Boletim nº 500, 0/07/08

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Projeto quer formalizar grupos de catadores

Caixa Econômica Federal quer registrar 30 associações de catadores de lixo reciclável, para que possam se inscrever em programas sociais

Trinta grupos de catadores de materiais recicláveis de cinco unidades da Federação devem virar cooperativas legal e formalmente estabelecidas, numa iniciativa da Caixa Econômica Federal que prevê beneficiar cerca de 900 pessoas. Formalizados, os catadores poderão participar de programas sociais e receber financiamento público para projetos.

A Caixa estima que 37% das agremiações de catadores são informais — eles trabalham em conjunto, mas não são cooperados. O banco ficará responsável pelos processos jurídicos que devem regularizar as associações.O projeto faz parte de um acordo de cooperação técnica com o PNUD para estimular geração de trabalho e renda em grupos vulneráveis.

A ação deve ser concluída em dezembro. A data de inicio depende da contratação de técnicos para implantar o projeto. A Caixa está selecionando, via edital, cinco consultorias para implantar o projeto, uma em cada unidade da Federação: Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Ceará e Distrito Federal. As inscrições podem ser feitas pela internet, até 15 de julho.

Além do projeto com catadores, a instituição está selecionando consultorias para mais duas iniciativas com comunidades pobres. Uma delas vai fazer um diagnóstico sobre a produção de 49 grupos de artesões, de todas as grandes regiões do Brasil. O objetivo é que os cinco consultores selecionados, um por região, produzam um relatório sobre organização, produção e comercialização do artesanato, para subsidiar futuros programas da Caixa.

O outro projeto vai firmar parcerias entre grupos de costureiros e hospitais. A idéia é que eles produzam materiais como campos cirúrgicos, uniformes e aventais e os vendam para hospitais. O programa deve atender dois grupos em cada um dos 15 Estados a serem definidos.

Conheça o projeto
Saiba mais sobre o Acordo de Cooperação Técnica CAIXA/PNUD/ABC- MRE.
Edital
Veja aqui o edital para a seleção da Caixa. Os concursos abertos são números 1776/2008, 1805/2008 e 1806/2008.


SARAH FERNANDES, da PrimaPagina
Pnud, Boletim nº 500, 08/07/08

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ONU elogia ação social privada no Brasil

Relatório do PNUD sobre inclusão de pobres no processo produtivo destaca projetos da Natura, Sadia e Votorantim Celulose e Papel

Três empresas brasileiras — Natura, Sadia e VCP (Votorantim Celulose e Papel) — foram destacadas em um relatório do PNUD que mostra como a iniciativa privada pode incluir os pobres nos processos produtivos. As três companhias têm projetos que ajudam as comunidades a produzir matéria-prima e trazem ganhos de renda e ambientais, segundo o estudo.

“O poder da economia de gerar trabalho decente depende em grande medida do setor privado. E o setor privado, por fornecer bens de consumo e serviços, traz mais chances e oportunidade para os pobres”, afirma o relatório, intitulado Criando valores para todos: estratégias para fazer negócios com pobres.

O estudo apresenta exemplos de iniciativas empresariais que conseguiram ampliar o acesso dos pobres a bens de consumo e contratá-los em alguma etapa do processo de fabricação. Segundo o relatório, essas são maneiras de reduzir a pobreza e ajudar a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) (uma série de metas socioeconômicas que os países da ONU se comprometeram a atingir até 2015).

A Sadia, do setor de alimentos, desenvolveu um programa para reduzir emissão de poluentes durante a produção de carne suína e criar melhor condições de trabalho para os criadores. A empresa forneceu biodigestores a 3.500 fornecedores, de modo a transformar detritos de porcos em fertilizante e comida para peixe, e ainda incrementar a renda dos produtores por meio da venda de créditos de carbono — o biodigestor converte metano em gás carbônico, o que diminui emissões de substâncias que agravam o efeito estufa. Esse projeto da companhia mostra que “sustentabilidade ambiental e redução da pobreza podem andar de mãos dadas”, diz o relatório.

A Natura contrata e capacita moradores de três comunidades do interior do Pará para extrair uma planta da Amazônia chamada priprioca, usada para fazer perfumes, sabonetes e cremes. “Para aumentar a escala da produção local e garantir extração sustentável, a companhia construiu um novo modelo de negócios, que envolve pequenas comunidades, organizações não-governamentais e governos na promoção do desenvolvimento local sustentável”, afirma o texto.

A empresa do grupo Votorantim que produz papel e celulose fez uma parceria com o Banco Real para oferecer crédito a pequenos agricultores do Rio Grande do Sul. Para os produtores, plantar eucalipto não era atividade atraente, pois a árvore só é cortada de sete em sete anos. Com o projeto, o banco concede empréstimos a juros menores, para que os agricultores possam desenvolver também outras culturas, e a Votorantim Celulose e Papel garante o empréstimo ao comprometer-se a comprar a madeira dos produtores.


SARAH FERNANDES da PrimaPagina
Pnud, Boletim nº 500, 08/07/08

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Último mês para inscrições no Programa de Democratização Cultural




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sábado, 5 de julho de 2008

Moeda Verde

Os moradores da Bacia do Aribiri, em Vila Velha, têm mais uma opção para geração de renda de forma sustentável. É que agora eles possuem além de um banco comunitário, um supermercado solidário e uma moeda própria: o Verde. E olha que isso é apenas o começo.

A assistente social do projeto, Renata Lima, explica que a idéia do Banco Verde Vida é promover o desenvolvimento local e a consciência do consumo sustentável. Funciona da seguinte forma: Os moradores da região podem trocar plásticos, papéis, óleo de cozinha, metais e vidros, pelo Verde de acordo com a tabela de valores dos produtos recicláveis. Depois, com a moeda, é só se dirigir aos estabelecimentos credenciados, adquirir produtos ou serviços e pagar com a moeda.

O banco fica localizado na casa sede do Fórum Permanente da Bacia do Aribiri, no bairro Ataíde. Em frente à casa, semanalmente, ocorre a feira de economia solidária, onde também moradores oferecem seus produtos para venda e aceitam a moeda Verde.

Para o Sr. Joãozinho, representante da comunidade no banco Verde Vida, envolver a sociedade nesse projeto é essencial. "As coisas são difíceis, mas temos escutado o 'sim' das pessoas que conhecem a idéia, e isso nos dá perspectiva de avançar" afirma o engajado morador.

O supermercado solidário também funciona na sede do Fórum e aceita a moeda Verde. Por lá pode se encontrar produtos da cesta básica nacional, ítens de limpeza e higiene, além de produtos caseiros produzidos pela cooperativa de mulheres da região.

Existem também os acionistas que contribuem mensalmente com doação de produtos para o supermercado. Assim o dinheiro arrecadado vai para o fundo de investimento do Banco. Isso mesmo. "Esse é apenas o início. A idéia é que o banco ofereça crédito para a população desenvolver ações sustentáveis. Por exemplo, se uma família quiser pegar crédito para criar um sistema de reaproveitamento de água de chuva em casa, terá direito." afirma Renata Lima.

São 21 bairros integrantes da Região 3 de Vila Velha que agora trabalham juntos para promover o desenvolvimento local e a apropriação da riqueza produzida por eles. Esse é um claro exemplo de como é possível integrar a sociedade em prol de um objetivo único, a melhoria da qualidade de vida.

Fórum Permanente da Bacia do Rio Aribiri
(27) 3229-8822

Fonte: Gazeta online

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O artesanato sustentável do Brasil

Arcos, flexas, bordunas e tacapes. Banquinhos de madeira em forma de tamanduás, onças e outros bichos. Tapetes e cestos de buriti com desenhos ancestrais indígenas e outros instrumentos de caça. Não é uma aldeia indígena ou alguma disputa entre índios e brancos pela posse de um pedaço de terra. Trata-se da Associação Ponto Solidário, uma organização não-governamental que divulga e coloca à venda artesanatos produzidos por diversas etnias brasileiras, como os Baniwa, que vivem na Amazônia, os Mehinako e os Waurá, ambas do Alto Xingu.

Além do artesanato indígena, mais de 130 cooperativas e comunidades de artesãos expõem suas produções na associação. São entidades de diversos estados do Brasil que produzem suas peças a partir de material reaproveitado. São bolsas de couro de peixe; esculturas com latas de alumínio; camisetas, taieres e cachecóis de garrafa PET; porta-jóias com cascas de frutas secas; jogos americanos feitos com um capim exclusivo da região centro-oeste do país; capelas e oratórios em madeira com representações de santos católicos.

A diversidade cultural do Ponto Solidário inclui ainda estatuetas em cerâmica feitas no Vale do Jequitinhonha; luminárias de bagaço de cana; agendas, bolsas e álbuns fotográficos de saco de cimento reciclado; cordéis de Juazeiro do Norte ilustrados com xilogravuras; sabão feito com óleo de cozinha usado; brinquedos, colares, peças em marchetaria e diversas outras produções. Dentre as exclusividades estão os sabonetes de babaçu produzidos no Maranhão e a Canjinjim, bebida artesanal com propriedades afrodisíacas utilizada também em festas religiosas e produzida artesanalmente por quilombolas do Mato Grosso desde o período colonial.

A Associação Ponto Solidário foi criada em 2002 com o objetivo de gerar renda às comunidades por meio do comércio justo e solidário. A loja está localizada na Avenida Nove de Julho, 3186, São Paulo e fica aberta de segunda a sexta-feira das 10 as 19 e aos sábados das 10 as 16. Os telefones para contato são 2132-7459 / 2132-7393. Visite o site: www.pontosolidario.com.br


Mapa do Terceiro Setor, junho/08

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Terra compra direitos de transmissão de Olimpíada na A. Latina

O portal Terra informou na quinta-feira que comprou os direitos para transmitir ao vivo os Jogos Olímpicos de Pequim pela internet para a América Latina.

O Terra, que é uma unidade do grupo espanhol Telefónica, também transmitirá os Jogos por celular, porém com um atraso de cinco minutos.

"Com um investimento de 7 milhões de dólares, o Terra aposta fortemente nos conteúdos esportivos e de entretenimento, possibilitando o acesso através da internet, seja por celular ou por computador", disse Alejandro Adamowicz, diretor do Terra para a Argentina.

"É a primeira vez que um evento esportivo de tal magnitude será transmitido por estes dois canais", destacou.

O site do Terra para os Jogos Olímpicos estará disponível a partir do dia 1o de agosto e permitirá aos usuários seguir as competições de diferentes modalidades.

As Olimpíadas de Pequim acontecem entre os dias 8 e 24 de agosto.


Reuters, 04/07/08

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Governo confirma plano para turbinar agricultura familiar

Cassel: mais 18,6 milhões de toneladas por ano à produção familiar até 2010
Foto Ruy Baron/Valor


Na mesma linha de elevar a produção para reduzir o impacto da carestia dos alimentos nos índices inflacionários, o governo confirmou na quinta-feira os planos de "modernização" da agricultura familiar com base no modelo de forte mecanização adotado pelo agronegócio empresarial.

O orçamento para investimento nas pequenas propriedades crescerá R$ 1,2 bilhão, chegando a R$ 6 bilhões no ano-safra 2008/09, iniciado em 1º de julho. No total, o segmento familiar terá R$ 13 bilhões para financiar operações de custeio e comercialização da safra.

Mas a idéia de "acabar com a agricultura de subsistência", defendida pelo presidente Lula no lançamento do Plano de Safra 2008/09, acendeu um debate ideológico ao chocar-se com a posição política dos movimentos sociais ligados ao campo, que rejeitam o modelo empresarial. "Os mini-produtores não vão deixar de existir. Temos é que acabar com a idéia de que o familiar produz só um saquinho de feijão, uns litros de leite", diz o presidente da Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel dos Santos. "Isso afeta a questão política".

O coordenador da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf-Brasil), Altemir Tortelli, diz que o setor "não tem nada a aprender" com o agronegócio empresarial. "Trabalhamos a auto-suficiência e a produção de excedentes para melhorar o padrão de vida. Se o Lula acha que só interessa o empresário, ele está errado", diz. "Não queremos aprender nem reproduzir o modelo do agronegócio, com agrotóxicos e custos de produção altíssimos".

No discurso do presidente, o novo plano da agricultura familiar "é o mais sólido" dos últimos anos porque permitirá o "salto de qualidade" e a "noção do potencial produtivo" do setor. "Se [o produtor] planta dez, vamos plantar 20", disse. O governo espera adicionar 18,6 milhões de toneladas anuais à produção da agricultura familiar até 2010. "É igual ao consumo de dois meses e meio do Brasil", disse o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel.

O plano de mecanização da produção familiar, similar ao "Moderfrota" oferecido aos empresários a partir de 1998, prevê um forte subsídio ao financiamento de tratores, máquinas, equipamentos e implementos agrícolas. Um acordo inédito firmado com a indústria (Abimaq) permitirá descontos médios de 15% para até 20 mil tratores com potência de até 75 cavalos.

Os empréstimos de até R$ 100 mil por beneficiário terão juros anuais de 2%, dez anos de prazo para pagar e três de carência. Até 2010, o governo prevê financiar 60 mil tratores e 300 mil equipamentos agrícolas com R$ 25 bilhões de orçamento para investimentos no campo. "Agora, teremos crédito rápido, fácil e barato para alavancar as vendas", comemorou Francisco Maturro, diretor da indústria Marchesan, dona da marca Tatu.

Nos planos do governo, estão o fortalecimento da assistência técnica com reforço de orçamento. Serão usados R$ 397 milhões para azeitar as ações de uma rede estimada em 30 mil extensionistas. A Embrapa ganhará R$ 15 milhões para ajudar na difusão tecnológica. "Sem isso, não funcionaria", afirmou o secretário de Agricultura Familiar, Adoniran Sanches.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário prevê ainda a ampliação do seguro rural de crédito e de renda dos produtores, e elevação dos recursos para a compra direta da produção familiar via Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A Companhia Nacional de Abastecimento terá R$ 623,3 milhões para comprar uma lista de 15 produtos do segmento. "Com seguro e compras garantimos a renda do produtor", disse Sanches. Neste ano, a Conab também comprará R$ 700 milhões em produtos do setor para a merenda escolar.


Mauro Zanatta
Valor Online, 04/07/08

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