segunda-feira, 5 de maio de 2008

“ONGs devem definir metas claras com medidas de produtividade e qualidade”

Nos últimos três anos, a Hand in Hand International treinou mais de 252.000 mulheres pobres, analfabetas e mal nutridas do estado indiano de Tamil Nadu em empreendedorismo e geração de negócios. Isso resultou na criação de 85.000 empresas familiares e 400 empresas de porte médio. O objetivo é criar 1,3 milhões de empregos e 250.000 empreendimentos em Tamil Nadu nos próximos três anos, além de expandir para outros estados indianos e outros países.

A Hand in Hand também retirou 12.000 crianças de contratos de trabalho vinculados e colocou-as em escolas transitórias ou residenciais até que estejam prontas a voltar ao sistema escolar estadual. Como tanto foi realizado em tão pouco tempo?

A editora da Alliance Magazine, Caroline Hartnell, conversou com o doador fundador da Hand in Hand, o bem-sucedido industrial suíço Percy Barnevik, sobre o uso de metas e indicadores pela Hand in Hand, suas opiniões sobre o aumento de escala e as barreiras a isso.

Caroline Hartnell - O senhor diz que 95 % da administração de uma organização sem fins lucrativos são iguais à uma empresa com fins lucrativos. Poderia falar um pouco mais sobre isso?

Percy Barnevik - Os 5% de diferença são, é claro, que a empresa com fins lucrativos é de propriedade dos acionistas que exigem lucros e dividendos. O mais importante são os 95 % que são iguais: recrutar, desenvolver e manter funcionários capazes, compartilhar uma visão e fazer com que as pessoas tenham orgulho de trabalhar na empresa ou na ONG, definir metas claras com medidas de produtividade e qualidade, recompensar o bom desempenho.

Em relação às operações, eu aplico na Hand in Hand o mesmo que empreguei na Sandvik e na ABB durante os últimos 40 anos: descentralização de longo alcance com a responsabilidade colocada no nível do indivíduo, organização plana e custos mínimos de administração e instalações.

CH - Quantas ONGs você acha que funcionam assim, com metas claras?

PB - Existem ONGs bem administradas e ONGs que são mais confusas e com pouco foco, mas acho que as coisas estão indo na direção certa. O que é medido é feito – é o que disse nos negócios durante décadas e estou tentando fazer a mesma coisa no trabalho de caridade. Mas a filantropia internacional também tem custos administrativos altos porque têm sedes no Ocidente e expatriados nas suas folhas de pagamentos.

A Hand in Hand tem apenas funcionários indianos (e alguns sul-africanos e afegãos) e não temos uma sede em Londres. Todos os ocidentais trabalham como voluntários, como eu. A Hand in Hand também tem a sorte de ter um excepcional líder indiano como nosso CEO, o Dr Kalpana Sankar. Ela e sua excelente equipe fazem uma grande diferença.

CH - O senhor diz que deseja ser comparado com as melhores empresas, não com as melhores ONGs. O que quer dizer com isso?

PB - Na Índia, as ONGS são vistas como ocupações de classe B secundárias, para pessoas qualificadas, educadas. Quando eu quero recrutar as melhores pessoas na Índia concorrendo com boas empresas, tenho de convencê-las de que a Hand in Hand não é uma ONG normal. Somos como uma organização comercial, mas a nossa missão é maximizar nosso impacto para as crianças, as mulheres exploradas etc., não maximizar nossos lucros.

Não se trata apenas de pagar salários melhores, porque as pessoas que contratamos normalmente têm tanto coração quanto cérebro. Elas gostam da idéia de estar nessa cruzada contra a pobreza extrema. Muitos indianos acham terrível que a Índia tenha 40% das crianças subnutridas do mundo. Gostamos de atrair essas pessoas e dizemos que podemos pagar a elas salários justos. Elas também recebem por desempenho. Assim, nós usamos medidas, medidas todo o tempo.

CH - Muitas outras ONGs recompensam o desempenho dessa maneira?

PB - Não, acho que não, embora as ONGs que conheço são quase todas indianas. Elas colocam dinheiro para fazer o bem e depois medem as mudanças nos padrões de vida. Aqui, a administração, eu mesmo, o conselho e alguns doadores recebemos um relatório mensal de 25 páginas sobre desempenho: crianças educadas, empresas abertas, empregos criados e assim por diante.

Nossos coordenadores de grupos, por exemplo – os que trabalham em campo lidando diretamente com as mulheres – têm metas mensais para a criação de novos grupos, por exemplo, iniciar uma operação de tecelagem em um distrito tecelão, e para diferentes tipos de treinamento. Um professor em uma escola transitória tem uma meta de aprovação de um certo número de alunos em certos exames. Todos têm metas individuais. Eu rejeito completamente a idéia de que o trabalho assistencial não é mensurável.

CH - Como as metas são definidas?

PB - Você tem o orçamento para o próximo ano que é dividido por programa e distrito. Existem hoje 14 distritos, cada um com um gerente distrital e, em baixo dele, gerentes de zonas, gerentes de quarteirão e 400 coordenadores de grupos. Em alguns casos, são dadas recompensas monetárias imediatas quando as metas mensais são ultrapassadas. Mais importante, existe uma comunicação com o gerente superior tanto no caso de desempenho aquém quanto além do previsto.

Antes do início do ano, a pessoa e seu gerente concordam em relação à meta. O gerente pode, por exemplo, perguntar ao coordenador de grupo se ele poderia organizar 800 mulheres no próximo ano e o coordenador poderia dizer, "Acho que devemos nos concentrar na criação de empregos e nos grupos existentes, assim prefiro ficar com uma meta de 400 mulheres e dobrar o número de empresas familiares". Houve um diálogo.

Eu comecei a ASEA em 1980 e acabei tendo 220.000 pessoas trabalhando para mim. Criamos 5.000 centros de lucros com um gerente em cada um. Cada um deles tinha uma equipe, com cinco gerentes por equipe, o que perfaz 25.000 gerentes no total. Se conseguimos que todos eles puxem juntos na mesma direção, é uma força tremenda. Na Hand in Hand, temos 4.000 funcionários, mas a mesma idéia funciona. Eu acho que a gente deve dar responsabilidade às pessoas. Se você não atinge a sua meta, isso não quer dizer que é demitido. Isso pode ser causado por circunstâncias externas, ou talvez você precise de mais treinamento ou suporte, mas o resultado é um diálogo muito construtivo.

CH - Tudo isso claramente toma muito tempo. Vale a pena?

PB - Vale muito a pena. E eu não diria que toma tempo, é parte do processo administrativo. Se você não falasse com as pessoas, se apenas definisse metas para elas, levaria menos tempo, mas não funcionaria tão bem. Mas você não precisa sentar-se e conversar horas sobre uma meta, você pode falar por telefone por 10 a 15 minutos. Dessa forma, você tem uma base construtiva para a sua discussão periódica. As pessoas dizem "você pode fazer isso em uma instituição de caridade?" Claro que pode. Pode fazer isso em qualquer lugar.

CH - Existe um processo para relacionar essas colaborações imediatas com o impacto na qualidade de vida?

PB - Eu não sou entusiasta de planos enormes, mas a gente precisa de algumas metas de longo prazo. Se tomarmos o programa das mulheres, temos uma meta de 1,3 milhões de empregos até 2011, 250.000 empresas. Com o programa de lixo, coleta, armazenamento e reciclagem, temos o objetivo de alcançar 1,7 milhões de domicílios, cerca de 10 milhões de pessoas.

Como chegar lá? Bem, temos um plano de tratar de uma vila de cada vez, cidade após cidade. Depois nos espalharemos por todo o estado de Tamil Nadu até finalmente cobrir 10 milhões de pessoas – e essa é uma visão a ser compartilhada. As pessoas têm orgulho de trabalhar na Hand in Hand porque nós realmente mudamos a situação de vida de tantas pessoas de forma permanente.

O que nos distingue da instituição de caridade normal é o tamanho. Muitas instituições têm 50 vacas, administram um pequeno hospital, trabalham com 50 mulheres – não há nada de errado nisso. Mas se um problema afeta um bilhão de pessoas e você realmente quer ter um impacto, tem de ter certeza de poder aumentar a escala.

CH - Quais são as barreiras ao aumento de escala? O senhor já aumentou a escala, mas quer ir mais além.

PB - Muito mais além. Temos, é claro, um plano claro para Tamil Nadu para os próximos cinco a dez anos. Depois, temos mais três outros estados indianos com 240 milhões de pessoas que estão nos pedindo para introduzir o programa de cinco pilares ali. Estamos trabalhando na África do Sul e no Afeganistão, e a China quer que desenvolvamos um plano-piloto para 1.000 vilas em Yunnan.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento está nos consultando sobre o desenvolvimento de um plano-piloto no Nordeste do Brasil, onde existe muita pobreza. Estou em contato com Kofi Annan sobre o que poderíamos fazer juntos na África e, há uma hora, conversei com algumas pessoas sobre fazer isso no Nepal.

Como você pode ver, a necessidade é infinita. Minha maior limitação é ter o número suficiente de pessoas fluentes em inglês treinadas, além é claro, de financiamento.

CH - O senhor espera que o dinheiro venha dos países ricos?

PB - De pessoas, famílias e fundos ricos e de organizações com programas de responsabilidade social corporativa. Não importa em que país estejam. Nosso principal objetivo é recrutar doadores no Reino Unido, Suécia, Estados Unidos e Índia. Mas estamos tendo conversas também na Holanda e nos países nórdicos.

Até um ano atrás, eu mesmo doava a maior parte do dinheiro porque a Hand in Hand era desconhecida, mas eu não posso cobrir mais todo o financiamento. Mesmo com o custo per capita sendo baixo, os números são muito altos, temos uma equipe de 4.000 pessoas e estamos crescendo. Agora, nós temos um histórico e podemos mostrar, de forma transparente, que é possível oferecer ajuda para auto-ajuda. Mas a necessidade é grande e precisamos de mais fundos, e ficamos felizes de os doadores realmente se envolverem se quiserem.

Temos tido sucesso no recrutamento de doadores. Eu acho que a forma mais eficiente é trazê-los a Tamil Nadu para verem o nosso trabalho. Uma grande empresa de cosméticos nos deu meio milhão de dólares – acharam que nosso trabalho é interessante e eles também trabalham com mulheres. Então os donos foram visitar e viram por si mesmos. Quando voltaram, pediram à sua fundação familiar que nos desse US$5 milhões!

Assim, quanto mais pessoas nos visitarem e tiverem uma noção boa de como operamos, mais doadores teremos, assim esperamos. Mas, na verdade não estou preocupado com o financiamento, se conseguirmos divulgar nossa mensagem. Temos uma história tão boa para contar e o custo de transformar a vida de cada mulher é tão pequeno.

CH - Como o senhor pode garantir que terá as pessoas treinadas de que precisa?

PB - Precisamos ter nossa própria escola de treinamento. Estamos em contato com várias universidade que trabalham com empreendedorismo –Stanford, a escola de administração de Oxford e Erasmus University, Rotterdam. Todas querem nos ajudar a montar uma academia Hand in Hand em Chennai, onde teremos pessoas pesquisando e dando treinamento em empreendedorismo. Essa é a meta de longo prazo. Se montarmos um quadro de consultores, eles podem ir ao Afeganistão, África do Sul, China, Brasil, onde quer que exista pobreza, e desenvolver a capacidade local.

Vamos tomar o Quênia como exemplo: temos de treinar seus assistentes sociais e temos de encontrar financiamento porque o governo não pode fazer isso. Poderia ser a agência de assistência sueca ou a USAID, ou o Banco Mundial, como no Afeganistão. Depois, precisa haver algum tipo de rede de microcrédito para que as mulheres, e às vezes os homens, possam tomar empréstimos com condições decentes. Com esses pré-requisitos e os nossos consultores da Hand in Hand, podemos alavancar a nossa competência e experiência adquirida em Tamil Nadu.

Isso custa mais em alguns países, como o Afeganistão, por exemplo, onde as vilas são pequenas e há montanhas muito altas e problemas de segurança. Na índia, podemos fazer o trabalho com maior eficiência de custo porque controlamos todo o processo; em outros países, apenas treinamos os treinadores. Mas em dez anos, esperamos ser capazes de ter um impacto importante na pobreza extrema do mundo.

CH - Então o seu objetivo não é abrir Hand in Hands em todos esses países, mas fornecer a eles treinamento para que possam fazer eles mesmos?

PB - Certamente. A África do Sul, por exemplo. Aqui, 30 indianos treinarão 1.200 assistentes sociais sul-africanos que, por sua vez, treinarão 300.000-400.000 mulheres africanas por ano para ajudá-las a abrir empresas.

Assim estamos exportando o modelo. Mas não se pode apenas enviar o modelo, é necessário ter as pessoas, e elas precisam ser de mais alto calibre do que os coordenadores de grupo da Índia, porque os coordenadores de grupos estão cercados de pessoas que os apóiam. E eles falam o idioma. Os que vão para o Quênia, digamos assim, entram em território estrangeiro. Eles têm de ser fluentes em inglês. Eu estimo que 90 % de nossos funcionários tenham diploma superior e muitos têm PhDs.

CH - Então recrutamento e financiamento são seus principais desafios. Há outros?

PB - Bom, existe mais um. Na Índia, experimentamos uma resistência dos interesses atingidos. Você tem os mais velhos em cada vila que costumavam decidir tudo, imagine o que acontece quando uma mulher de pele escura aparece de repente! Os senhorios não gostam que as mulheres recebam salários melhores, porque são concorrentes deles. Você acaba com os intermediários – eles podem ficar contentes?

Os agiotas que costumavam cobrar 150 % de juros perdem porque nós só cobramos 15%. Os donos das tecelagens que perderam a mão de obra infantil, não gostam de nós tampouco. Alguns maridos têm ciúme porque as mulheres estão ficando superiores economicamente, por isso oferecemos cursos sobre gênero a eles. E há ainda os políticos que, às vezes, ficam preocupados que as mulheres se unam para pressioná-los – 50.000 mulheres exigindo banheiros, estradas e eletricidade podem ser poderosas quando cada pessoa tem um voto.

Eles também suspeitavam de mim, no início, um deles até pensou que eu queria ser político na Índia! Ele me perguntou: "Qual é o seu interesse?" “Por que está fazendo tudo isso?" E eu disse, "Meu Deus, sou cidadão suíço, eu moro em Londres!"

Para obter mais informações: http://www.hihseed.org/

redeGIFE Online, 05/05/08

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Evento mostra os desafios para influenciar políticas públicas

Qual é a possibilidade real de organizações não-governamentais influenciarem políticas públicas de Estado no Brasil? Que estratégias elas devem planejar para almejá-lo? E o mais importante: como começar?

Essas questões foram as bases para o Instituto Gesc e a William Davidson Institute (WDI) -- instituição sem fins lucrativos que faz parte da Universidade de Michigan, EUA – promoverem o “Encontro Internacional ONGs e Políticas Públicas”. O evento foi realizado na última semana, em São Paulo, e contou com 50 participantes selecionados pelas instituições organizadoras para, não apenas mostrar casos exitosos, mas ferramentas nessa seara.

Segundo superintendente do Instituto Gesc, João Paulo Altenfelder, durante os debates, lideranças sociais e acadêmicos convidados para o encontro chegaram a três grandes “achados”. O primeiro é a de que influenciar políticas públicas não é uma tarefa solitária. “Você precisa ter legitimidade e credibilidade para trabalhar e ter sucesso. Isso ocorre quando você se associa com outras iniciativas que representam um bem maior”.

Em segundo lugar, Altenfelder afirma, que é preciso de disciplina, em que se encontram qualidades como: processo, competência profissional, cronograma e avaliação. “Talvez a ONG não tenha todos esses atributos, por ter uma estrutura pequena e enxuta. No entanto, terá que encontrá-los, nem que sejam pro bono. Porque não se trata apenas de desejo, é preciso estratégia”, acredita.

O terceiro ponto fundamental é “paciência”. As mudanças não ocorrem em curto prazo e podem demorar para ocorrer. “Pode levar anos, mas é preciso ter em mente os benefícios da causa, o que se terá de retorno. Uma política pública de Estado não afeta apenas a organização que se dedicou a aperfeiçoá-la. A prática valeu a pena”, argumentou a diretora do Departamento de Gestão e Políticas de Saúde da Universidade de Michigan, Paula Lantz.

Para Altenfender, esses “achados” podem parecer muito básicos, mas a obviedade não é necessariamente implementada. “As experiências internacionais nesse campo são mais organizadas. O brasileiro é mais intuitivo, ele coloca a faixa no peito e vai, porque conhece o cara. Lá fora isso não acontece: é processo, disciplina, gestão. Por isso dá certo”, acredita.

Nesse ponto de vista, o diretor da associação Oficina Municipal, José Mario Brasiliense, afirma que, no exterior, esta tradição é longa e, no Brasil, começam a aparecer os mais diversos resultados. “No país, o conceito vem ganhando força desde a década de 1990 e a participação das ONGs no mundo das políticas públicas tem sido muitas vezes visíveis. Por isso merecem ser bem analisadas”.

O que Brasiliense defende sua visão de forma clara, na medida em que as ONGs se definem como aquelas instituições que “não são governo” elas se afirmam como instituições que das duas uma: ou simplesmente criticam as políticas de governo ou propõem políticas alternativas às políticas de governo existentes. As duas opções levam a três categorias de organizações: as controladoras das políticas públicas (freios e contrapesos); propositivas, que colaboram na formulação e co-gestão das políticas; e as substituidoras, que praticam a assistência direta ao público (com ou sem o Estado).

“O debate ideológico sobre a substituição do Estado em muitos momentos é falso na sua premissa e por isso não leva a nenhuma conclusão. Toda ação social deve na verdade preceder o papel dos Governos que é somente o de subsidiar a comunidade quando esta não dá conta de oferecer voluntariamente, a todos os necessitados, os bens e serviços dos quais precisam segundo o princípio da solidariedade humana”, argumenta.

Com um universo tão grande para trabalhar, João Paulo Altenfelder acredita que as ONGs que planejam influenciar políticas públicas devem dar o primeiro passo fazendo-se três perguntas simples: Em que? Como? Com o quê? As três questões definem o óbvio: qual a área, com quais parceiro e de onde virá o financiamento. “Parece básico, mas não é”.

A proposta do “Encontro Internacional ONGs e Políticas Públicas” não terminou com o evento. O Gesc irá acompanhar os progressos das organizações que participaram das palestras e dinâmicas e os resultados serão apresentados em nove meses. Além disso, todas as palestras foram gravadas e podem ser acessadas pelo site http://www.impactosocial.org.br/.


Rodrigo Zavala
redeGIFE Online, 05/05/08

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Brasil e FAO selam acordo de cooperação internacional

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o governo brasileiro firmaram parceria para apoiar projetos nas áreas social e ambiental.

O Programa de Cooperação Internacional entre Brasil-FAO foi publicado hoje (5) no Diário Oficial da União (DOU).

A finalidade do acordo é promover cooperação internacional para assistência humanitária, capacitação, divulgação de tecnologias, infra-estrutura e implementação de políticas públicas em países pobres. O programa tem duração de cinco anos e pode ser renovado por igual período.

Redação da Agência Brasil
Envolverde, 05/05/08

© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

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Empresas investem na capacitação de uma futura geração de talentos

Marici Soares Becherer, superintendente de educação corporativa do Itaú, diz que para atrair mais alunos das faculdades o banco criou programas de trainees divididos por áreas de negócios
Foto Ricardo Benichio/Valor


Para driblar o problema da falta de talentos no país, muitas companhias estão apostando na formação da próxima geração. Programas de capacitação hoje visam atrair uma nova força de trabalho e qualificá-la para o futuro. O Itaú, por exemplo, está de olho em quem está saindo da faculdade. Para conquistar os mais jovens, ansiosos para ingressar no mercado, desenvolveu programas de trainee específicos, divididos por áreas de negócios.

Atualmente existem dois em andamento. O primeiro é voltado a recém-formados em tecnologia da informação, uma das áreas mais crítica para a instituição financeira encontrar talentos. "Os bons profissionais estão empregados ou desenvolvendo algum projeto, precisamos olhar para o futuro", afirma Marici Soares Becherer, superintendente de educação corporativa do Itaú. A expectativa é que aproximadamente 30 pessoas sejam recrutadas este ano para participar deste programa. O segundo é dirigido a jovens em início de carreira interessados em atuar na área de mercado de capitais. O objetivo é que depois de um ano e meio eles possam ser aproveitados nas agências do banco.

De acordo com Marici, o Itaú conta hoje com cerca de 500 programas de capacitação, incluindo MBAs para o desenvolvimento de lideranças, cursos técnicos e funcionais. Só no ano passado, o banco investiu R$ 51 milhões em treinamento e a previsão é de que para 2008 sejam gastos um total de R$ 65 milhões.

A Petrobras que atua hoje numa das áreas mais afetadas pela escassez de talentos, a de petróleo e gás, vislumbrou há 50 anos que a saída para ter pessoal qualificado numa área pouco estudada no país seria investir na formação de seus quadros. Foi pensando nisso, que a companhia, numa iniciativa pioneira, criou sua própria universidade corporativa. Em 2007, 62,4 mil empregados dos 69, 1 mil funcionários do sistema Petrobras, do Brasil e do exterior, participaram de cursos, palestras e seminários. Na universidade, trabalham hoje 600 pessoas, incluindo consultores e professores contratados em universidades brasileiras e do exterior.

Não há no país uma universidade corporativa deste porte. Ela é uma das maiores no mundo e também considerada uma das melhores, colecionando vários prêmios internacionais. Seu orçamento previsto para 2008 é de R$ 90 milhões. "Nosso maior esforço nos últimos cinco anos tem sido capacitar engenheiros de petróleo na própria companhia", conta Walter Brito, gerente geral da Universidade Petrobras. "É um trabalho muito gratificante".

Se as instituições de ensino formais no Brasil ainda não dão conta de preparar profissionais na velocidade do crescimento da economia, a saída para muitas companhias tem sido realizar seus próprios cursos de formação. Algumas não possuem uma universidade corporativa, mas investem pesado nos cursos de formação técnica. Um exemplo é o grupo Pão de Açúcar. Ele investe cerca de R$ 20 milhões por ano para preparar técnicos como padeiros, açougueiros e peixeiros, diz Eliana Ponzio, gerente de atratividade e seleção do grupo. "Os cargos técnicos são importantes e é difícil achar pessoas com a formação e o interesse em fazer carreira nessa área", diz. "Onde tem Senac é mais fácil achar mão-de-obra", ressalta Cristiane Lacerda, gerente de treinamento e desenvolvimento do Pão de Açúcar.

Pensando em ter mais facilidades na hora de preencher as vagas abertas para profissionais de alta performance, como engenheiros mecânicos, elétricos e metalúrgicos, a Gerdau também decidiu investir na realização de cursos de capacitação. A companhia atua em várias frentes. Realiza programas de estágio em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), de trainees, além de subsidiar cursos de graduação e pós-graduação para os funcionários. Iniciativas que demandaram, em 2007, recursos de R$ 44,6 milhões, 20,4% superiores em relação ao ano anterior.

Já a Nestlé investe, por ano, no Brasil em torno de R$ 20 milhões no incremento da formação de seus 16,7 mil profissionais. O que inclui desde subsídios a cursos de idiomas até pós-graduação. João Dornellas, diretor de RH da multinacional, enxerga dois problemas na massa de trabalhadores disponível no mercado hoje: a ausência de conhecimento em outros idiomas, como inglês e espanhol, e de uma visão ampla de negócios. Fatores que exigem da multinacional treinamento após as contratações.

Parte dos recursos também é aplicada em qualificação técnica para a ocupação de cargos nas fábricas. Para os posições executivas, são patrocinados MBAs e treinamentos no IMD, renomada escola de negócios da Suíça. Por ano, entre 70 e 90 funcionários brasileiros são levados para trabalhar em outras unidades da empresa no mundo, considerada outra forma de capacitação da mão-de-obra local.

Em meio à uma disputa acirrada no mercado, as operadoras de telefonia celular sentem de perto os problemas da escassez de talentos, principalmente na área de atendimento. Para contorná-los, investem também na capacitação de jovens. Principal canal de comunicação com o clientes, o call center é o foco de atenção da TIM. "O atendimento é um diferencial competitivo e não podemos ter gente despreparada", explica Orlando Lopes, diretor de RH da TIM.

Prova disso é que a operadora optou por manter sua equipe de 3,5 mil funcionários dentro de casa. No entanto, o RH sofre para encontrar gente capacitada, já que para a maioria desses profissionais esse é o primeiro emprego. "Então, precisamos formar", diz.

Andrea Giardino, Stela Campos e Cibelle Bouças, de São Paulo
Valor Online, 05/05/08

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Treinar o olhar na gestão social

Vivemos um momento positivo para abertura e quebra de paradigmas

Existem notórios avanços que organizações do Terceiro Setor têm dado rumo a maior profissionalização de suas atividades e estruturas. Sua articulação cada vez mais necessária com a iniciativa privada, por conta de demandas de responsabilidade social, trouxe essa benéfica conseqüência para as instituições; permitiu um novo olhar sobre como atuar e se organizar. Porém, tão difícil quanto derrubar tabus, é promover mudanças nas estruturas de pensamento que povoam a criação dessas organizações. Muitas vezes, apesar dos avanços, ainda encontramos duras resistências, solidificadas por anos de pré-conceitos do tipo: “sempre fizemos assim”; “essa é a nossa forma de atuar”; dentre outros que se ouvem por aí. Tal postura encobre uma visão mais acurada do que isso significa no contexto geral da organização e como isso afeta os resultados finais de desempenho de programas e projetos implementados.

A rigidez de postura pode prejudicar o desenvolvimento e o crescimento de um projeto e mesmo de toda a instituição. Vivemos um momento especialmente positivo para abertura e quebra de paradigmas em todos os setores. Das esferas sócio-econômicas às estruturas psicológicas e espirituais. A iniciativa que se fecha sucumbe. Hoje, não mais podemos olvidar as articulações em rede, a criação cada vez mais numerosa de espaços de participação coletiva. O grupo é um importante instrumento de atuação social estratégica. Portanto, é preciso treinar o olhar dentro da organização social.

A forma como ela se percebe, como vê a si mesma e compreende sua influência e sua importância no espaço social reflete o modo como ela se relaciona com seus desafios internos e externos. Treinar o olhar é antes manter uma visão crítica que permita notar os contextos internos, encontrar foco – e, mais do que nunca, este foco precisa ser compartilhado, ser um querer participado para ser verdadeiro-, e alinhá-lo com as demandas externas. Sem vencer os desafios “dentro de casa”, a atuação no exterior é amorfa, tímida e descontínua. A profissionalização das OSCs passa, ou deve passar, por esse viés.

Uma avaliação acurada sobre ‘como estou desenvolvendo a minha organização de modo a traduzir uma verdade coletiva?’ Porque é dessa verdade, da essência do que a instituição deseja que nascem as possibilidades. Dela se parte com direção, força e precisão. Ela permite articular parcerias, iniciativas, criar idéias, mudar rumos, modificar o entorno com ações locais e, principalmente, unificar a atuação interna. É por isso, em última análise, que esse olhar é fundamental: para promover a unidade dentro da organização, o ponto concêntrico de forças e oportunidades, um núcleo ativo e dinâmico.

Apesar de belas e louváveis, as iniciativas que não refletem um querer participado, criado em conjunto, perdem seu significado maior. Tem de fazer sentido para todo mundo e não mais seguir os humores e ideais de “euquipes” engajadas. O diálogo nunca foi tão bem-vindo como agora. A construção do saber coletivo tem um efeito aglutinador fortíssimo, capaz de operar transformações que hoje são tão necessárias. Exercitar essa prática de dialogar, formar rodas de debate, pensar em grupo desde o começo sobre ‘o que somos’ e ‘o que queremos’ é um espaço que precisa ser criado. Aliás, é um novo hábito a ser implantado nas nossas agendas. O fruto é sempre maior do que o esperado. Como diz a canção: “um mais um é sempre mais que dois”, é muito mais, é grande, vivo, possível; é gerador de felicidade. O momento é propício: temos material, poder, mãos e, talvez,... só precisemos amadurecer a própria vontade de olhar de uma forma nova para o que ainda não ficou totalmente velho.

Mozana Amorim
Publicitária com especialização em Gestão de Pessoas, faz consultorias na área de gestão social e atua na ONG Brahma Kumaris com comunicação e parcerias estratégicas.

Pauta Social, 05/05/08

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Projeto abre disputa por receita do Sistema S

O governo federal está prestes a abrir um contencioso com as entidades patronais, com uma proposta legislativa que mudará os critérios de repartição de recursos para o sistema S, um conjunto formado por organismos que cuidam da formação de mão de obra (Senai, Senac, Senar, Senat e Sescoop), do apoio ao empreendedor (Sebrae) e de serviços sociais (Sesc, Sesi e Sest).

A reforma do sistema S, iniciativa do ministro da Educação, Fernando Haddad, que já ganhou o apoio do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e do vice-presidente José de Alencar (ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais - Fiemg - e pai de Josué Alencar, presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial - Iedi), já foi encaminhada para a Casa Civil. Deve ir para o Congresso Nacional ainda neste mês.

Pela proposta do governo, será mantido o encargo de 2,5% sobre a folha salarial das empresas para a manutenção do sistema. Mas haverá uma inversão na proporção da destinação dos recursos. Hoje 60% dos cerca de R$ 8 bilhões arrecadados vão para atividades sociais e 40% para educativas. Pela nova regra, estas porcentagens serão invertidas. Os recursos para Educação irão para o Fundo Nacional de Formação Técnica e Profissional (Funtep), antes de chegarem às entidades do sistema S.

Cada serviço de aprendizagem receberá 80% dos repasses do Fundo, de natureza contábil conforme o número de vagas gratuitas que oferecer. Os restantes 20% serão rateados de acordo com a população economicamente ativa de cada Estado. Só serão consideradas para o cálculo as vagas em cursos profissionalizantes que sejam complementares ao ensino médio. A avaliação no governo é que a gratuidade no sistema atualmente é abaixo do desejável e concentrada em cursos de pequena duração. O governo gostaria de ver a totalidade dos recursos destinados para cursos técnicos, de nível médio ou que tenham pelo menos 20% de sua carga horária.

Atualmente, as entidades carream a maior parte do investimento para cursos curtos de aperfeiçoamento e qualificação profissional. Para este usuário, normalmente pessoas que já saíram há muito tempo da rede de ensino e estão interessadas em trocar de profissão, desapareceriam os cursos gratuitos.

Um conselho consultivo, presidido em rodízio pelo ministério do Trabalho e pelo ministério da Educação, irá supervisionar a repartição. A princípio não deverá haver interferência na gestão dos recursos, mas há tempos os defensores da reforma alegam que o sistema é pouco transparente na aplicação do que arrecada. A estimativa usada pelos favoráveis à reforma é que mais de 50% dos recursos carreados para as entidade se perdem em atividades-meio.

A modificação do sistema S é um dos três pilares da proposta do governo federal para expandir o ensino médio, ao lado da ampliação da rede de escolas técnicas federais e de um programa que repassa recursos para os governos estaduais, o Brasil Profissionalizado. Haddad venceu resistências contra a proposta dentro do ambiente do governo. Em sua argumentação, afirmou que os critérios usados pelas entidades para a aplicação dos recursos eram poucos claros e que proporcionavam a elitização do ensino e a perpetuação de desigualdades regionais.

O ministro esbarrou, contudo, nas resistências das Confederações patronais. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já divulgou um documento em que contesta as bases factuais usadas pelo governo para criticar o sistema. Alega por exemplo, que todas as 94 mil matrículas em cursos de aprendizagem industrial do Senai são gratuitas. Afirma ainda que gasta 100% dos R$ 1,5 bilhão que recebe em atividades-fim. O documento diz que a priorização dos cursos técnicos diminuirá a população atendida pelo Senai de 2,1 milhões para 630 mil.


César Felício
Valor Online, 05/05/08

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Para onde vão as doações

Revista Veja, 07/05/08

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Fica faltando o progresso ético

Elogios são sempre bons de ouvir, mas nem sempre surpreendem. É o caso da constatação da agência de risco Standard & Poor's de que as instituições nacionais estão firmes e funcionam. Trata-se de fato sabido pela unanimidade dos brasileiros que atentam para questões como essa. Sabem também quanto isso conta para a confiança no sistema político, apesar de suas diversas peças à espera de reformas que reduzam os aspectos ainda disfuncionais da ordem democrática consolidada. Não menos evidente é o papel da estabilidade institucional ao longo dos períodos Fernando Henrique e Lula para a expectativa de que as políticas governamentais produzam os efeitos duradouros para o interesse comum imaginados por seus autores. Assim não fosse, o País talvez não teria a festejar - muito além da promoção que acaba de receber - os ganhos econômicos e sociais dos anos recentes, que configuram um avanço com alcance e velocidade sem paralelo na história do Brasil democrático.

O que parece ter sido removido desse cenário alentador é a esperança da sociedade na aptidão das instituições - e no empenho dos governantes - para dar origem e garantir o desenvolvimento sustentável de políticas igualmente robustas de moralidade pública. Entenda-se por isso o engajamento direto dos condutores da Administração para baixar gradativamente a patamares civilizados os índices de corrupção - como se queira caracterizá-la - no âmbito da área estatal. Na realidade, o que se vê é um abismo entre a chamada vontade política visando ao progresso econômico e social e aquela sem a qual não se alcançará nada parecido com isso em matéria da integridade dos agentes públicos. Já entrou para a história a lucidez do presidente Lula em manter as diretrizes macroeconômicas responsáveis pelo ciclo de bonança de que o Brasil desfruta - à falta delas nem mesmo o impulso sumamente favorável da conjuntura internacional teria gerado as conseqüências que estão aí -, bem como a determinação com que o governo leva a cabo as suas amplas políticas de transferência de renda.

Comparem-se essas conquistas com o notório retrocesso destes anos no campo da ética política e administrativa, e o resultado só pode ser o desalento. Diga-se desde logo que seria um despropósito responsabilizar diretamente o presidente da República, qualquer que fosse, pela escalada de maracutaias que praticamente transformaram o noticiário nacional da imprensa em páginas policiais - embora se possa no mínimo presumir a sua cumplicidade com os escândalos políticos do gênero do dossiê confeccionado em pleno Palácio do Planalto. A responsabilidade pessoal do chefe de governo é outra, além, naturalmente, de cobrar e acompanhar medidas vigorosas de defesa do dinheiro público. Trata-se do exercício, por palavras e atitudes, do papel pedagógico inseparável da sua liderança. E nesse sentido o desempenho de Lula é o oposto do que deveria ser.

Quando ele proclama o seu respeito pelo ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti, que cobrava mensalinho do dono de um restaurante, ou diz que nada abalará a sua amizade com o ex-titular do Senado Renan Calheiros, ligado a um lobista que lhe pagava contas pessoais, a sua mensagem é uma ode ao deboche impune. Agora mesmo, desdenhando do princípio de que os homens públicos não apenas precisam ser honestos, mas parecer honestos, ele se solidarizou com o governador do Ceará, Cid Gomes, exposto na mídia por ter levado a sogra numa viagem ao exterior, a bordo de um jatinho alugado por R$ 388,5 mil do bolso do contribuinte. É certo que o aluguel de aviões se paga pelo percurso e não pelo número de passageiros. Mas a carona dada à sogra é só o tempero da história. Em companhia dela, da esposa, de um secretário e de um assessor, também com as respectivas, Gomes passou 10 dias entre Madri, Londres, Edimburgo, Dublin e Berlim, em visitas a feiras e eventos, com a finalidade de 'buscar investimentos para o Ceará'.

Dias antes de receber a absolvição do presidente, o governador se desculpara 'pelo constrangimento' causado aos cearenses. Mas não explicou por que não viajaram todos em aviões de carreira, por uma fração do preço pago. Na visão ética que Lula transmite aos brasileiros, isso deve ser detalhe.

Notas e Informações
Estado de São Paulo, 05/05/08

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sexta-feira, 2 de maio de 2008

A comunicação empresarial educadora

A comunicação da sustentabilidade, no âmbito das atividades empresariais, é o grande tema dos principais eventos dos comunicadores em 2008. As discussões sobre o tema começaram neste início de abril, em São Paulo, na sede da Bovespa, por iniciativa da Fundamento, uma agência de comunicação paulistana, que tem se destacado por pensar o presente, em uma perspectiva agostiniana:

- Não é exato falar de três tempos - passado, presente e futuro. Seria talvez mais justo dizer que os tempos são três, isto é, o presente dos fatos passados, o presente dos fatos presentes, o presente dos fatos futuros.

A partir de Santo Agostinho, a agenda do futuro já estaria sendo desenhada, por nós, hoje. O que nós entregaremos do mundo para as gerações futuras depende do que fizermos agora. Um ponto de vista que foi reforçado pelos debatedores do evento, dentre eles, Marta Dourado (Fundamento), Carlos Raíces (Valor Econômico), Rogério Marques (Bovespa), Sonia Favaretto (Itaú), Jorge Cajazeira (Suzano e ISSO 26000), Henrique Lian (CPFL) e Daniela Reis (Vale).

Na implantação de uma vida e de uma produção sustentável, que respeite as pessoas, o meio ambiente e as formas como elas se organizam economicamente, os grandes desafios (para nós, corporações, governos e organizações da sociedade civil) passam por transformar os hábitos de consumo de milhões de consumidores, a forma como esses consumidores se relacionam com as empresas, pela mudança dos processos industriais existentes e por criar, e, também, por repensar a educação e os comportamentos para o trabalho e para a vida, entre outros.

É claro que estas mega-tarefas não são exclusivas dos comunicadores empresarias. É preciso mudar principalmente a cultura empresarial, que nos últimos duzentos anos tem visto o meio ambiente, a sociedade e as pessoas de forma exclusivamente quantitativa, matemática. Uma agenda produtiva e social em que todos são reduzidos a números e gráficos.

Neste contexto quantitativo, a comunicação empresarial é, também, uma expressão quantitativa. E, os comunicadores empresariais reduzidos ao papel de difusores de mensagens da administração, acostumada a ver o mundo como projeção da linha de produção.

Em outro evento realizado também no início deste mês, o Comitê ABERJE de Sustentabilidade, quase duzentos comunicadores ouviram e debateram as apresentações das políticas e ações da BASF e da Coca-Cola voltadas para a sustentabilidade.

Estas empresas foram representadas por Rolf-Dieter Acker, presidente da BASF para América do Sul, e por Marco Simões, Diretor de Comunicação da Coca-Cola Brasil. Mais uma vez, ficou claro para os participantes do Comitê que o sucesso de políticas e ações cotidianas voltadas para a sustentabilidade passa por um pensamento que consiga criar valor, ao mesmo tempo, para os acionistas e para a sociedade.

O debate continuará em outros eventos como o I Fórum Internacional de Sustentabilidade e Comunicação, em Brasília, nos dias 12 e 13 de junho, com a presença de Mohammad Yunus, fundador do Grammen Bank, o banco dos pobres, e Prêmio Nobel da Paz, em 2006, e Rajendra Pachauri, economista indiano, Prêmio Nobel, em 2007.

No campo acadêmico, o tema da sustentabilidade será o foco do II Congresso da Associação Brasileira dos Pesquisadores de Comunicação Organizacional e Relações Públicas (ABRAPCORP), no final de abril, em Belo Horizonte.

A participação de comunicadores, economistas, políticos, empresários, dentre outros, nos eventos comentados demonstra que sustentabilidade é um desafio multidisciplinar, mestiço, em que a comunicação empresarial entra com uma missão educadora e até meta-humana. Vale dizer, por exemplo, que, em sustentabilidade, o homem e a empresa não são mais os centros de todas as coisas.


Paulo Nassar
Professor da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE). Autor de inúmeros livros, entre eles O que é Comunicação Empresarial, A Comunicação da Pequena Empresa, e Tudo é Comunicação.


redeGIFE Online, 28/04/08

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Estudantes priorizam empresas com preocupações ecológicas

Pesquisa realizada com estudantes de Administração de Empresas da Universidade de São Paulo (USP) e de faculdades privadas mostra que a empresa dos sonhos não é apenas grande porte, mas também ecologicamente responsável.

O levantamento foi elaborado pela Quorum Brasil, empresa que faz pesquisas estratégicas para o setor privado. Foram entrevistados 200 alunos (de até 29 anos) do último ano da graduação, entre março e abril. A metade desse número estuda na Faculdade de Economia e Administração (FEA), da USP.

As conclusões apontam para uma realidade otimista: a juventude de hoje passou a assimilar a importância do meio ambiente e da responsabilidade social. Seja por altruísmo, seja por pressão, os questionários apontam também que trabalhos sociais são importantes na hora de pleitear um emprego. A maior parte dos recém-formados, que ingressaram em programas de trainees nos últimos anos, tinham trabalhado em ONGs ou em defesa do meio ambiente.

Além da preocupação com o meio ambiente (98% dos respondentes), os alunos dizem que gostariam de trabalhar em empresas abertas para ouvir opiniões dos funcionários (95%). Quando questionados sobre o que seria uma vida de sucesso, estudantes dos dois sexos não diferem muito. Mas chama a atenção o fato de mais mulheres (54%) assinalarem a resposta “realização profissional”. Entre os homens, o índice ficou em 51%.

A pesquisa identificou algumas diferenças entre as respostas dadas pelos alunos da USP e das instituições privadas, todas elas voltadas para um público das classes mais baixas. Entre os alunos da USP, a maior parte cita a área de atuação da empresa e os benefícios oferecidos por ela como os pontos mais importantes.

Os estudantes do outro grupo também valorizam os benefícios, mas a maioria busca empresas que ofereçam para eles perspectivas de crescimento. O setor industrial é o preferido para 36% dos formandos de universidades privadas; na USP, só 15% deram essa resposta. A maior parte, 37%, opta pela área de serviços ou finanças.
Compromisso - Trabalhar com o público interno tornou-se imprescindível para as empresas que buscam consolidar suas marcas como sustentáveis. Mais do que defender a organização, funcionários e colaboradores devem ser estimulados a adotar os valores e comportamentos éticos que a empresa pretende fundamentar suas práticas socioambientais.

Para o diretor de Comunicação Corporativa da Fiat, Marco Lage, nenhuma empresa conseguirá alcançar metas socioambientais (tal como qualquer outra meta) sem a participação dos funcionários. “As organizações são pessoas. Se elas não tiverem motivações pessoais, dificilmente a empresa chegará aos seus objetivos”, disse.

Na prática da Fiat, de acordo com o diretor, a etapa objetiva para a conscientização dos colaboradores foi a criação de um comitê de desenvolvimento sustentável, que passou a elaborar planos voltados aos 22.142 funcionários. “Não se constrói um programa de sustentabilidade com foco em um público A ou B. É preciso criar formas transversais para chegar a todos eles”, argumentou.

Independentemente do tema a ser passado para a equipe, a gerente de Comunicação Interna e Endomarketing da Atento, Ana Cristina Santos, garantiu que é importante fazer com que os funcionários participem das fases de produção dos materiais. “Funcionário tem tanta importância quanto o cliente”, advertiu.

Na Atento, os colaboradores participam dos projetos de comunicação interna, sugerindo, pautando, produzindo e estrelando as peças. “Trabalhamos com nossas próprias vivências para nos entendermos como grupo”. Nesse contexto, a colaboração dos funcionários traz benefícios à marca, à produtividade e à dinâmica entre os colaboradores.

RedeGIFE Online, 28/04/08

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quinta-feira, 1 de maio de 2008

Programa Democratização Cultural abre inscrições para seleção pública

Em 2008, o Programa de Democratização Cultural investirá R$ 4 milhões em projetos de todas as áreas culturais - artes visuais, artes cênicas, cinema e vídeo, literatura, música e patrimônio - desde que objetivem a fruição, experimentação e vivência de conteúdos culturais pelo público, principalmente pelos jovens entre 15 e 24 anos.

Esta seleção pública traz inovações perante a edição anterior. Este ano, não haverá categorias diferenciadas de projetos, com faixas de investimento específicas. O limite do investimento por parte do Grupo Votorantim será de R$ 600 mil por projeto – tanto na condição de patrocinador único, quanto na condição de patrocinador de um segmento dos projetos selecionados. Tais iniciativas deverão se destacar pelo alto impacto cultural e, também, pelo benefício ao público jovem. No processo seletivo, serão considerados aspectos como diversidade de portes de projetos e regiões beneficiadas, qualificação dos conteúdos, elementos de diferenciação, planejamento, potencial de visibilidade, entre outros pontos detalhados neste regulamento.

Podem participar da seleção artistas, grupos, produtores e instituições, de todas as regiões do País, que realizem ações culturais para estimular o interesse e ampliar o acesso dos jovens às manifestações artísticas. Os conteúdos devem ser atrativos e apresentados em locais de fácil acesso, de forma gratuita ou a baixo custo.

A inscrição de projetos é gratuita e estará aberta a pessoas físicas ou jurídicas entre os dias 24 de abril e 08 de agosto de 2008, às 18h. Serão qualificados para a etapa de análise, somente projetos que possuam número de registro no Pronac (Programa Nacional de Apoio à Cultura) até o término do período de inscrição, em 08 de agosto de 2008, às 18h.

Os projetos recebidos serão avaliados por uma Comissão Técnica independente, formada por especialistas da área cultural. A decisão final fica a cargo do Comitê e do Conselho do Instituto Votorantim, que examinarão os projetos pré-selecionados pelos especialistas.

O resultado do processo de seleção será anunciado até 04 de novembro deste ano, no site do Programa de Democratização Cultural. Os projetos contemplados serão implementados durante o ano de 2009.

Visite os links abaixo para acessar os capítulos do documento ou clique aqui para baixar uma versão em PDF.


1. Programa de Democratização Cultural e a Causa Jovem
2. 3ª Seleção Pública de Projetos
3. Tipos de Projetos Beneficiados
4. Proponentes
5. Leis de Incentivo à Cultura
6. Datas de Inscrição e Avaliação de Projetos
7. Período de Realização dos Projetos
8. Valores de Investimento
9. Inscrição de Projetos
10. Informações Importantes
11. Seleção dos Projetos
12. Contrato com os Projetos Selecionados
13. Contrapartidas dos Projetos Selecionados

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Você sabe o que é Pegada Ecológica?

Qual é o impacto que você causa no planeta? Aprenda a medir como suas atividades do dia-a-dia influenciam a capacidade de regeneração da Terra.

Pegada Ecológica
A cada ano que passa, o consumo da humanidade supera mais rapidamente a capacidade de regeneração do planeta. Em 1987, o ano do primeiro Ecological Debt Day – dia em que a humanidade passa a estar em débito em relação ao meio ambiente -, ocorreu no meio de dezembro. Em 95, essa marca passou para novembro e, em 2007, chegou ao dia 6 de outubro.

A diferença entre o que o planeta é capaz de regenerar e o consumo efetivo das populações humanas provoca um saldo ecológico negativo e compromete, ao longo dos anos, a capacidade de sobrevivência da humanidade e de manutenção na vida do planeta. Esse cálculo é feito pela Global Footprint Network, Ong internacional que tem entre seus integrantes o pesquisador William Rees, co-autor da ferramenta conhecida como Pegada Ecológica, que serve de base para análise de impacto do consumo apresentada pela Ong.

O Cálculo
A Pegada permite calcular qual é a área (em hectares) necessária para produzir tudo aquilo que é consumido e, ainda, absorver os resíduos desses processos, em um ano. A conta é feita considerando toda a quantidade de água e de espaço físico necessários para o plantio, pastagem, pesca, etc. Todo esse conjunto é chamado de “biocapacidade” do planeta, ou seja, a habilidade dos sistemas ecológicos de gerar recursos e absorver resíduos em um determinado período.

Ao calcular o dia em que a Pegada Ecológica total da Humanidade é igual à biocapacidade da Terra, os pesquisadores identificam em qual data a população atinge o seu limite de consumo para o período. Esse é considerado o dia em que passamos a usar mais recursos ambientais do que a Terra é capaz de renovar, em um ano.

Como agir?
Cada um de nós pode contribuir para diminuir a Pegada Ecológica da humanidade. É preciso tomar consciência do problema e procurar saber quais são os impactos do seu estilo de vida – na sociedade, na natureza e sobre si mesmo. O Brasil tem uma pegada ecológica média de 2,1 hectares por habitante por ano, número superior à média mundial sugerida para que atingíssemos um padrão de consumo sustentável hoje, que seria de 1,8 (hectares/hab./ano), mas bastante próxima da média mundial per capta de 2,2.

Você pode descobrir qual é a sua pegada ecológica em www.earthday.net/Footprint/index.asp. É possível, por meio desse cálculo, descobrir como anda o seu ritmo de consumo dos recursos naturais e ver se não está na hora de repensar hábitos. Para saber mais sobre consumo, acesse o site do Instituto Akatu e leia o Manual dos 12 Princípios do Consumidor Consciente.

Mobilize-se
A Global FootPrint Network e seus 85 parceiros internacionais organizam todos os anos uma campanha internacional de mídia para divulgar o Ecological Debt Day e a Earth Day organiza em abril a comemoração do Dia da Terra, em todo o mundo. Quem tiver interesse em participar das campanhas internacionais pode acessar o www.footprintnetwork.org ou http://www.earthday.net/.

Publicado pelo Boletim V2V nº 65, abril/08

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LIVRO EXPLICA COMO AUMENTAR RESULTADOS DO MARKETING SOCIAL

Consultor Miguel Fontes lança livro Marketing Social Novos Paradigmas

A maior parte dos investimentos realizados pelas empresas na forma de programas de responsabilidade social não se utiliza das ferramentas de marketing social, o que contribui para a sua baixa eficácia. Para Miguel Fontes, doutorando em saúde pública internacional pela Johns Hopkins University e diretor da John Snow do Brasil Consultoria (www.johnsnow.com.br), a principal causa é a distorção feita entre marketing de “causas sociais” e marketing social. O primeiro está relacionado à valorização da marca da empresa no engajamento em promoções sociais (como as campanhas feitas para arrecadar recursos a uma determinada entidade assistencial). Marketing social, na verdade, está relacionado à área de saúde pública e implica em desenvolver inovações sociais que provoquem mudança de comportamento, atitudes e práticas individuais e coletivas.

"Ao confundir as duas coisas, as empresas acabam por não ter uma referência exata sobre o resultado dos seus investimentos. Não sabem avaliar com exatidão qual o benefício para a sociedade ou o valor agregado às suas marcas”, considera Miguel Fontes. Este é um dos temas que o seu livro Marketing Social – Novos Paradigmas (Editora Campus/Elsevier, 110 páginas), propõe a esclarecer. Voltada para profissionais do setor público e privado, estudantes e professores universitários, a obra é a primeira no Brasil a apresentar o verdadeiro contexto e conceito do marketing social no mundo. Além disso, coloca à disposição todas as ferramentas a serem utilizadas no desenvolvimento de um efetivo plano de marketing social. “Um programa social que não se utiliza das ferramentas de marketing social pode cair no simplismo promocional, atividades puramente assistencialistas e na falta de impacto”, alerta.

No Brasil e no mundo, o conceito de marketing social se torna ainda mais importante quando se constata que a principal causa de mortandade e mortalidade não está mais relacionado ao contágio de doenças infecciosas, mas ao comportamento humano (violência, obesidade, hábitos alimentares não saudáveis, fumo, sexo sem preservativo etc.). Para o autor, as ferramentas do marketing social são as únicas que oferecem ao gestor social a capacidade de identificar rapidamente erros, estabelecer estratégias a partir da realidade dos públicos adotantes e demonstrar qual o benefício econômico em valores monetários dos investimentos feitos na área social.

Sobre o Autor
Miguel Fontes é doutorando em saúde pública internacional pela Bloomberg School of Public Health da Johns Hopkins University, nos Estados Unidos. O autor recebeu o título de mestre em desenvolvimento social, político e econômico da América Latina e Caribe pela Escola de Estudos Internacionais Avançados (SAIS) da Universidade Johns Hopkins, Estados Unidos. Atualmente, é o diretor da John Snow do Brasil Consultoria. Trabalhou como consultor em projetos de desenvolimento social financiados por diversos organismos internacionais (USAID, Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, entre outros) e é autor de diversas publicações de marketing social e artigos científicos sobre comportamento humano.

Pauta Social, 24/04/08

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Concurso Banco Real Talentos da Maturidade completa dez anos

Iniciativa mostra que a inspiração vem da experiência de vida

O Concurso Banco Real Talentos da Maturidade chega à 10ª edição com excelentes resultados. A iniciativa - que promove a atividade artística e cultural de pessoas com mais de 60 anos, estimula a reflexão sobre o envelhecimento e apóia o desenvolvimento de projetos que visem melhorar a qualidade de vida e a integração do idoso na sociedade - já premiou 176 talentos. O total de participantes das últimas nove edições ultrapassa 100 mil inscritos. Só no ano passado, foram mais de 12 mil inscritos.

Nesta edição, as inscrições ficam abertas de 22 de abril a 22 de agosto. O tema escolhido para essa edição, na categoria Monografia, é “Mais de 60 anos - os desafios dos profissionais de comunicação no relacionamento com esse público”. Segundo Daniela Dutra, gerente de Eventos, Promoções e Patrocínios do Banco Real, o intuito é provocar os profissionais de comunicação a repensarem o relacionamento com o público com mais de 60 anos, que hoje é massificada.

Daniela Dutra, gerente de Eventos, Promoções e Patrocínios do Banco Real, explica que hoje a maturidade é vista sob uma nova perspectiva, mais positiva. Hoje a história de vida da pessoa e suas experiências são valorizadas e se refletem em importantes contribuições para a sociedade. “Hoje as pessoas chegam aos 60 mais preparadas, conscientes e com melhor planejamento financeiro; querem viver cada vez mais e melhor. A maturidade é encarada como um momento em que podem aproveitar oportunidades que não estavam ao alcance quando eram mais novas”, diz.

O psicólogo José Newton Garcia de Araújo, professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), é um exemplo de quem soube aproveitar experiências pessoais para valorizá-las como inspiração. Ele começou a escrever na juventude e, de vez em quando, tira alguma história do baú e faz um conto. “Retalhos de Fazenda”, com o qual ganhou o Concurso Banco Real Talentos da Maturidade em 2007, foi escrito durante uma temporada que passou na França, elaborando sua tese de doutorado. “De tempos em tempos, entre as muitas lembranças do Brasil, as recordações da infância batiam com força na porta”, lembra. O ponto de partida do conto vencedor foi uma situação que viveu quando tinha seis anos de idade.

Jorge Maciel, 63 anos, aproveitou bem as preferências pessoais como contribuição para sua arte. Nas três vezes que participou do concurso, homenageou ídolos eternos da MPB. Por isso, ficou orgulhoso de ter ganhado com auxílio da obra de músicos que tanto aprecia. “Estou feliz por ter vencido sem precisar abrir mão das minhas preferências, que são bem conservadoras”, diz Jorge, integrante do Clube do Choro de Santos, no litoral paulista, onde nasceu.

Como se inscrever
O Concurso Banco Real Talentos da Maturidade conta com seis categorias. São elas: Artes Plásticas, Música Vocal, Contador de Histórias, Literatura, Monografia e Programas Exemplares. As quatro primeiras são artísticas e voltadas a pessoas com mais de 60 anos. A Monografia é aberta a pessoas de todas as idades que cursam ou já concluíram o ensino superior e visa gerar uma reflexão acadêmica sobre temas relacionados ao envelhecimento no país.

A categoria Programas Exemplares foi criada em 2001 e já beneficiou 33 projetos. A categoria passou por uma evolução em 2007 e desde então, tem com objetivo apoiar novas propostas a serem implantadas ou que estejam em andamento, e necessitem de recursos financeiros para seu desenvolvimento, consolidação ou aprimoramento. Os projetos selecionados recebem consultoria de apoio para ampliar suas chances de gerar resultados efetivos e sustentáveis. Serão financiadas iniciativas de pessoas jurídicas sem fins lucrativos que desenvolvam programas na área de valorização do idoso com foco no apoio ao idoso empreendedor e ao idoso vulnerável e sua família.
Com premiação diferenciada das demais categorias, os cinco melhores projetos selecionados receberão, por tempo determinado, ajuda financeira de até R$ 100 mil, além de consultoria para o projeto.

Os interessados devem procurar uma agência do Banco Real e retirar o regulamento. As fichas de inscrição e as obras devem ser postadas de acordo com as regras estabelecidas. Mais informações podem ser obtidas no www.bancoreal.com.br/talentos ou pelo 0800 12 00 77.

Categorias
- Artes Plásticas, Contador de Histórias, Música Vocal e Literatura (apenas para participantes com mais de 60 anos);
- Monografia (aberta a participantes de todas as idades com curso superior concluído ou em andamento);
- Programas Exemplares (voltado para empresas sem fins lucrativos que desenvolvem projetos com idosos).

Sobre o Concurso Banco Real Talentos da Maturidade
O projeto, criado em 1999, visa promover o debate sobre a condição do idoso no país e sua integração na sociedade, além de incentivar a produção acadêmica sobre o envelhecimento e estimular a produção artística. O objetivo do Banco Real com essa iniciativa é estimular projetos e estudos relacionados à qualidade de vida dessa população para auxiliar na promoção de uma sociedade melhor, hoje e no futuro.

Informações: www.bancoreal.com.br/talentos ou 0800 12 00 77.

Pauta Social, 24/04/08

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Número de internautas residenciais sobe 40% e bate recorde

O número de internautas residenciais ativos no Brasil subiu para 22,7 milhões em março, maior número já apurado em pesquisa mensal feita pela Ibope//NetRatings desde setembro de 2000, informou a companhia nesta quinta-feira.

O levantamento afirma que o tempo médio de uso residencial da internet pelo brasileiro também bateu recorde no mês passado, avançando a 23 horas e 51 minutos, duas horas e 56 minutos acima do tempo de março de 2007. A média mantém o Brasil na liderança em tempo de navegação entre os 10 países monitorados pela empresa de pesquisa.

Na medição relativa a pessoas com acesso à internet em todos os ambientes, que inclui local de trabalho, cibercafés e telecentros, o país se manteve com 40 milhões de usuários, número relativo ao quarto trimestre de 2007.

Em relação à quantidade de usuários residenciais ativos em março, o crescimento foi de 3,2% em relação a fevereiro e 40% maior do que em março de 2007.

"O ritmo de crescimento da internet brasileira é intenso", afirma o gerente de análise do Ibope//NetRatings, Alexandre Sanches Magalhães. "A entrada da classe C para o clube dos internautas deve continuar a manter esse mesmo compasso forte de aumento no número de usuários residenciais", disse o analista em comunicado à imprensa.

Para Magalhães, o forte crescimento da economia brasileira é o grande responsável para o atual e futuro crescimento no número de internautas. "Estamos vivendo um bom momento econômico, com maior número de trabalhadores com carteira assinada, portanto com maior possibilidade de (...) comprar computador para sua família."

O analista aponta ainda para a queda nos preços dos computadores e no custo da banda larga como fatores para a expansão na base de usuários residenciais.

Reuters, 25/04/08

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Cana avança em áreas de alimentos

Apontada pelos críticos dos biocombustíveis como uma das vilãs da disparada dos preços dos alimentos, a cana-de-açúcar tem avançado sobre áreas cultivadas com soja, milho, café e laranja na região centro-sul do país, revela estudo oficial divulgado na terça-feira pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os dados apontam que ao menos 27% da expansão da área de cana no ano-safra 2007/08, segundo declaração dos próprios produtores, ocorreu em regiões antes ocupadas por esses culturas. O restante da expansão foi em áreas de pastagens.


O governo vinha negando de maneira sistemática a ampliação da área de cana em regiões ocupadas por grãos. E tem usado esse argumento para rebater os recentes ataques à produção dos biocombustíveis e seus efeitos sobre a inflação dos alimentos.

A dimensão dessa substituição, entretanto, é ainda bastante restrita, mostra a Conab. Apenas 176,2 mil hectares de soja, milho, café e laranja foram desalojados pela cana no centro-sul, segundo os dados do levantamento "Perfil do setor do açúcar e do álcool no Brasil", que pesquisou 343 usinas em 19 Estados.

A maior parte da expansão da matéria-prima do etanol (64,7%) ocorreu, porém, em áreas de pastagem. Neste ano-safra, foram substituídos 423,1 mil hectares de pastos. A pesquisa da Conab também mostra o avanço da cana em 15,5 mil hectares de novas áreas (2,4%) e em 38,9 mil hectares de outras áreas não-especificadas pelos produtores (6%).

Os números não permitem inferir que a expansão tenha ocorrido em regiões de floresta. Pode ter sido em áreas até então em regime de pousio. "A cana-de-açúcar não tem, na tradição brasileira, o papel de lavoura pioneira em áreas virgens da fronteira agrícola", afirma, no estudo, o coordenador da pesquisa Ângelo Bressan. "O movimento recente de expansão, com crescimento anual da área cultivada acima de 10%, segue o padrão tradicional e se expande, na quase totalidade, em áreas já ocupadas por outras atividades agropecuárias". O estudo conclui que o crescimento da área de cana nos anos recentes "não parece ser suficiente para modificar o panorama agrícola e pecuário do país". Mas adverte que devem ser examinadas "com mais cautela" questões sobre mudanças na paisagem local e seus efeitos provocados pela construção de novas usinas.

A Conab também divulgou na terça-feira a nova estimativa recorde de produção de cana-de-açúcar e de álcool no país. Mesmo com a crescente onda retórica contra os biocombustíveis, os produtores devem colher a maior safra da história com uma variação entre o piso de 608 milhões de toneladas e o teto de 631,5 milhões de toneladas. O desempenho pode ser de 9% a 13% superior às 558,5 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior. A Conab aponta os fatores para o forte avanço: investimentos em tecnologia nas usinas, variedades mais produtivas e clima favorável. A expansão da produção deve-se também ao aumento da área plantada, que deve saltar de 7 milhões para 7,8 milhões.

Este primeiro levantamento da Conab mostra que a maior parte da cana será destinada à produção de álcool. As usinas devem processar entre 310 milhões e 322 milhões de toneladas (55%) para o biocombustível. A industrialização deve resultar em 26,4 bilhões a 27,4 bilhões de litros de álcool, algo como 15% a 19,4% acima do resultado do ciclo passado. A Conab estima a exportação de 4,2 bilhões de litros - 2,5 bilhões de litros para os Estados Unidos. Se confirmadas as atuais condições, a produção de açúcar (44% do total) deve ficar entre 248 milhões a 258 milhões de toneladas. Outras 50 milhões a 51,7 milhões de toneladas devem ser usadas na fabricação de outros produtos, como aguardentes, ração animal, sementes e mudas.

O avanço da área para cana no Brasil tem suscitado vários debates no mercado internacional. Críticos afirmam que a expansão da cultura é feita em regiões do bioma amazônico. Houve pouco avanço da cultura nessas regiões.

De acordo com Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro, a cana não pode ser culpada pelo desmatamento da amazônia. Nastari afirma que essas críticas, sobretudo da União Européia, chegam em tom de restrição de acesso a mercado. "A cana avança sobre as pastagens", observa. Mas, segundo o consultor, a atividade pecuária no Brasil tem registrado ganhos de eficiência, com maior número de cabeças de gado por hectare. "Antes a ocupação era de 0,4 a 0,5 cabeça por hectare no país. Saltou para 0,8 hectare", diz ele.

Nastari lembra, também, que o governo federal deveria rever o conceito do uso econômico da terra para fins de reforma agrária no país. "Hoje a legislação brasileira considera as áreas de pastagens isentas de risco de serem tomadas para a reforma agrária", diz. (Colaborou MS)

Mauro Zanatta
Valor Online, 30/04/08

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segunda-feira, 28 de abril de 2008

A volatilidade do mundo corporativo dita comportamentos

A volatilidade no universo empresarial subverteu a lógica do mundo corporativo, redefiniu comportamentos, transformou padrões e implantou uma nova ordem no mundo dos negócios. O reaquecimento da economia global produziu um círculo virtuoso impulsionado por uma onda de fusões, aquisições e reestruturações. Os sistemas de gestão sofreram o efeito perecível dessas alterações, ou seja, a novidade de hoje torna-se obsoleta em tempo recorde. Em meio a isso, a administração "just-in-time" traduz esse movimento incontrolável e lança uma lógica desafiadora: como essas mudanças transformaram a cultura organizacional e como os profissionais se inserem nelas?

A competitividade resiste a uma concepção linear. De um ângulo macro da questão, pode ser analisada pelo ambiente dos negócios, segurança jurídica, estabilidade política e, sobretudo, pela definição de regras claras a demarcar os papéis dos agentes econômicos e as relações entre estado e iniciativa privada. Nas companhias mais avançadas, por outro lado, um traço distintivo é o processo de gestão e, também, a sua capacidade de desenvolver recursos exclusivos. Isto é, não encontramos à venda no mercado o exemplo da transparência, comunicação eficaz com seus diferentes públicos e qualidade das pessoas que integram as equipes de trabalho. Reside nesse ponto o compromisso visceral das instituições, com o sucesso ou o fracasso.

Vivemos numa espécie da ´era da incerteza´. E por meio dessa contingência surge a grande oportunidade para o colaborador. Nesse momento de reciclagem das atividades, ser eficaz, inovador, empreendedor e criativo tornou-se requisito básico. A novidade é que a liberdade de ação passou a ter dimensões passíveis de conquista e um diferencial dos vencedores. Cabe ao profissional a habilidade de transformar visões e idéias em projetos, e realizações luminosas, em viáveis e lucrativas. Cabe ao talento ser o agente de mudança e gestor da sua própria carreira. E a ele também ser um influenciador nos rumos da empresa. O ´board´ está ávido e estimula essa participação adulta e responsável.

Isso significa que o mercado quer o profissional com novas feições. O funcionário cumpridor de tarefas está em desuso. Atualmente, exigem-se duas vertentes com competências expressivas. De um lado, um talento multidisciplinar, capaz de compreender o planejamento estratégico, priorizar objetivos, identificar tendências e oportunidades, com visão de longo prazo e disciplina financeira, aliada a uma boa dose de ousadia. Do outro, um colaborador atento com o sistema de governança corporativa, orientado por valores éticos e focado em resultados claros que promovam a integração da gestão com as expectativas de uma administração sustentável. A combinação desses fatores é a tradução de atratividade e empregabilidade no mercado.

Envolver-se com essa nova realidade é mais um desafio para os gestores. Além disso, permite um engajamento da companhia de alto a baixo, criando um ambiente organizacional energizado, coeso e motivado. A felicidade no trabalho não é fruto da inércia, mas sim decorrência desse espírito inovador e empreendedor, que se concretiza em realizações que fazem a diferença. Felizes são as pessoas que se focam, não nos problemas, mas no caminho coerente e seguro para resolvê-los. A velocidade e a instabilidade mundial reforçam nossa crença de que existe um elo de união das empresas vencedoras com o ânimo e o engajamento criativo, inovador e atrevido das pessoas.

Arlindo Casagrande Filho
Diretor de RH da CPFL Energia


Valor Online, 28/04/08

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Fundo vai garantir crédito a pequena empresa

Carlos Alberto Santos, do Sebrae: em caso de inadimplência, banco poderá usar depósitos feitos pelos empresários
Foto Carol Carquejeiro/Valor


Aproveitando a onda de liquidez de crédito no mercado brasileiro - decorrente da estabilidade econômica - o Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae) planeja lançar, neste ano, as Sociedades de Garantia de Crédito. Por meio delas, um grupo de micros e pequenos empresários se une, deposita recursos em uma instituição bancária - normalmente pública - para que o dinheiro sirva de lastro para financiamentos contraídos para projetos econômicos desenvolvidos pelo grupo.

A expectativa é que, dessa forma, o acesso ao crédito fique mais barato e os bancos se sintam seguros a emprestar os recursos, sem temer prejuízos decorrentes de eventuais inadimplências.

Segundo o o Sebrae, Carlos Alberto Santos, a mecânica das sociedades de garantia de crédito assemelha-se ao crédito consignado para a pessoa física. Nesse último caso, o banco se sente seguro, pois em uma parceria entre ele, a empresa e o empregado fica acertado que o desconto será feito diretamente na folha de pagamentos. "No caso da associação, se houver alguma inadimplência, o banco poderá utilizar o fundo depositado pelos empresários. Além disso, toda aquela burocracia de levantar a papelada com o histórico dos interessados é feito pela sociedade, livrando o banco dessa trabalheira."

Além de orientar e prestar assessoria técnica a essa parceria, o Sebrae deverá ter, nos próximos 24 meses, R$ 30 milhões para investir nas Sociedades de Garantia de Crédito. "Se formos pensar em uma alavancagem na ordem de dez vezes, estamos falando de R$ 300 milhões para massificar e baratear esse crédito pelos próximos três ou quatro anos", afirma Santos.

Já existem alguns projetos-piloto funcionando em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul (a primeira experiência), nos municípios mineiros de Araxá e Governador Valadares, em Pato Branco e Maringá, no Paraná, entre outros. "Na Serra Gaúcha, temos hoje cerca de 400 associados. O ideal é um mínimo de 150 a 200 associados, para diluir o risco", diz Santos.

Para o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, a estabilidade econômica do país permite que a instituição desenvolva projetos de médio e longo prazo - o que significa planejamento para três, quatro anos. "Ao buscar eficiência e agilidade, podemos oferecer aos nossos clientes um ganho de escala em suas atividades, algo fundamental em um mundo cada vez mais competitivo", afirma.

Ele reconhece que ainda é grande o número de pequenos empreendedores que chegam aos balcões do Sebrae, espalhados pelo país, pedindo dinheiro emprestado para abrir os seus negócios. "Nós não emprestamos dinheiro, nós não somos banco", afirma. O Sebrae mantém parcerias com os bancos e entidades públicas, especialmente Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, além de agências de fomento estaduais.

Os recursos do Sebrae para alavancar o setor são depositados nessas instituições. Além das Sociedades de Garantia de Crédito, o Sebrae, que tem orçamento de R$ 1,5 bilhão, auxilia no financiamento de projetos para a criação das empresas e na compra de equipamentos. Nesse último caso, a entidade tem o Fundo de Aval, com R$ 218 milhões disponíveis.

Há ainda, desde 1999, os Fundos Mútuos de Investimento em Empresas Emergentes, denominados Fundos de Capital de Risco (venture capital). São oito ao todo, em conjunto com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o BNDES. Aliados a alguns fundos de pensão, bancos e investidores privados, eles totalizam R$ 149,62 milhões, dos quais R$ 38,359 milhões são da participação do Sistema Sebrae. Esses fundos já investiram mais de R$ 147 milhões em 71 empresas.

Segundo Okamotto, o Sebrae manteve, durante sua gestão, a expertise adquirida anteriormente e aproveitou o bom momento do país para promover mudanças importantes, como o cadastro unificado e a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. "O cadastro unificado já recebeu adesão de 22 Estados, é um mecanismo que vai desburocratizar o processo de abertura de uma nova empresa", aposta Okamotto.

Ele lembra que, para o empreendedor abrir um novo negócio, é preciso uma série de documentos da Previdência, Receita Federal, Receita Estadual e Junta Comercial. "Com o cadastro unificado, as informações vão 'conversar' entre si. Em São Paulo, por exemplo, onde o sistema já está funcionando, em alguns casos demora apenas 24 horas para um novo empreendimento entrar em operação."

A Lei Geral da Micro e Pequena Empresa entrou em vigor em julho de 2007. A principal medida foi a criação do Simples Nacional, unificando seis tributos federais, ICMS e ISS. Mas o ICMS se tornou o grande vilão, pois alguns Estados - São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais - não incorporaram seus sistemas à nova lei e os micros e pequenos empresários reclamam que passaram a pagar mais impostos. Segundo o Sebrae, esses Estados aumentaram a relação de produtos sujeitos ao pagamento de ICMS com substituição tributária.

Em outras unidades da federação, as empresas que aderiram ao Simples Nacional se viram obrigadas, a pagar o ICMS com base na alíquota interna integral, desconsiderando o percentual já recolhido pela empresa do Estado vendedor. "Esperamos equalizar essa situação até o fim do ano, especialmente com a aprovação da reforma tributária", diz Okamotto.

Paulo de Tarso Lyra
Valor Online, 28/04/08

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Relator busca popularizar reforma tributária

Sandro Mabel: ambição de traduzir o IVA para a dona-de-casa
Foto Ruy Baron/Valor


O deputado Sandro Mabel (PR-GO) lançará mão de forte estratégia de comunicação - principalmente via internet - para tentar "popularizar" a discussão da reforma tributária e despertar interesse da sociedade para o tema, tratado em geral de forma árida. Relator da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) enviada pelo governo ao Congresso, Mabel pretende que o cidadão comum saiba os reflexos para seu bolso. E tenha um canal para enviar perguntas e sugestões. "A população precisa entender que a reforma tributária não é de interesse só dos Estados. É de todos", diz.

Para ele, a participação externa vai estimular os congressistas a votar a reforma. A ofensiva terá início na próxima terça-feira, com uma iniciativa que deve se tornar semanal: uma entrevista coletiva do relator, transmitida em tempo real pela internet, com imagens, por meio do portal da Câmara . Será um bate-papo realizado no plenário de uma comissão técnica da Casa, onde há sistema de televisão instalado. Internautas enviarão perguntas por escrito, a ser respondidas pelo relator na hora ou posteriormente.

Mabel combinou com a Secretaria de Comunicação da Câmara a inauguração, mais à frente, de uma ferramenta nova no portal da Casa: um vídeo chat, com imagem, em que Mabel se comunicará diretamente com internautas, recebendo e respondendo por escrito a perguntas, nesse caso em tempo real. "Não temo sugestões em excesso. Pode vir a ser solução interessante", afirma.

Segundo a Secretaria de Comunicação da Câmara, o portal da Casa (www.camara.gov.br) tem uma média de 45 mil acessos por dia. No ranking das proposições em tramitação, a PEC da reforma tributária (número 233, de 2008) é a mais consultada, com média de 22 mil acessos diários. Quando há bate-papo com internautas - por enquanto sem imagem -, há participação média de 60 internautas, em geral representando entidades. As páginas de notícia têm 10 mil acessos por dia.

O deputado encomendou à Secretaria de Comunicação da Câmara um link de acesso a um fórum de participação popular da reforma tributária. Por meio da ferramenta, qualquer um pode enviar perguntas e sugestões. Nesse caso, a comunicação não será "online". O compromisso de Mabel é responder às mensagens, "esclarecendo de forma mais popular" aspectos da reforma.

"Quando falamos de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), parece grego para a maioria da população. A mudança do sistema tributário tem sido discutida somente como assunto técnico. Mas atinge toda população", diz Mabel. A intenção é "montar uma estratégia de comunicação que leve o seu significado ao estudante, à dona de casa e a quem ouve rádio".

No pacote de ações para massificar o debate da reforma tributária, Mabel planeja utilizar a Rádio Câmara, que funciona como agência: o conteúdo produzido é distribuído a 1.400 rádios associadas no país. Ainda na internet, será criado um site específico (www.nossareforma.com), hospedado no portal da Câmara, onde o interessado poderá encontrar tudo a respeito da reforma (texto da PEC do governo, a cartilha preparada pelo governo, íntegras da legislação relacionada, as entrevistas do relator, etc.).

Para os deputados da comissão especial encarregada de examinar a PEC, o deputado mandou confeccionar um CD com a proposta de reforma tributária comentada - com explicações sobre toda legislação relacionada. Mabel encomendou 100 CDs, mas planeja aumentar a produção, dependendo da demanda. O relator pretende viajar pelos Estados, para reunir-se com governadores, empresários, prefeitos e representantes da sociedade civil.

Mabel foi indicado relator da PEC no dia 23, após acordo que levou o deputado Antonio Palocci (PT-SP) à Presidência. A comissão tem prazo até meados de julho (40 sessões deliberativas da Câmara) para concluir o trabalho. Para ser aprovada no plenário, precisa de votos favoráveis de três quintos dos deputados.

De lá, a proposta é encaminhada ao Senado, onde passa pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e vai ao plenário. Para ser aprovada, também precisa de três quintos dos senadores votando a favor. Quórum alto, especialmente em ano de eleições, em que costuma haver esvaziamento do trabalho legislativo.

Raquel Ulhôa
Valor Online, 28/04/08

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Com loja enxuta e internet, GBarbosa acelera expansão


Luciana Santos, moradora de Rio Real, entrou na Eletro Show e estava em dúvida entre um notebook e uma lavadora
Foto Salgado / Valor

Um pouco antes das nove horas da manhã do dia 16 de abril o padre de Rio Real, pequena cidade do interior baiano, deixou a igreja matriz, caminhou alguns metros e chegou ao local onde o aguardavam para uma benção. A tradição católica se misturou à inovação tecnológica no nordeste da Bahia. O padre abençoou o Eletro Show da rede GBarbosa, que foi inaugurado logo depois. É uma loja enxuta, com poucas peças em mostruário e em estoque, e onde o cliente pode escolher pela internet o que deseja comprar.

Desde a inauguração, o entra e sai de pessoas na loja é constante. A maioria quer "dar uma olhadinha", mas as vendas já estão indo bem, como garante José Bezerra da Silva Lopes, gerente da filial de Rio Real.

Em uma semana, sete das 12 televisões mais baratas da loja foram vendidas. Um morador da cidade também já comprou um notebook de R$ 2.199. Na tarde em que o Valor visitou o Eletro Show, mais um computador portátil estava prestes a ser vendido para Luciana dos Santos.

"Estou na dúvida. Não sei se compro o computador ou uma máquina de lavar", diz ela sorrindo, ciente de que "uma coisa não tem nada a ver com a outra". O notebook seria bom para o marido, advogado. Já ela ficaria feliz em não ter mais que esfregar e torcer as roupas na mão. A palavra final seria do marido, "que é quem tem o dinheiro". Para Luciana, que há dois anos se mudou de Esplanada (cidade vizinha) para Rio Real, "o bom é que com a loja nova não precisamos mais viajar e eles entregam em dois dias".

Com a unidade de Rio Real, o GBarbosa, que pertence ao grupo varejista chileno Cencosud, conta agora com 12 lojas nesse formato, na Bahia e em Sergipe. A forte aposta neste modelo a partir deste ano mostra que a experiência tem dado certo. "Com o Eletro Show queríamos criar um negócio com baixo custo para disseminar o grupo pelo interior", diz Eduardo Costa Júnior, gerente desse modelo de negócios na rede. Com a estrutura reduzida, não é preciso ter caixas, estoquistas e empacotadores. Em Rio Real, quatro vendedores e um gerente dão conta do recado.

O primeiro Eletro Show foi aberto em dezembro de 2005 e, dois anos depois, havia nove no total. Agora, só neste ano, foram abertas três unidades e, até julho, serão inauguradas outras cinco. Em seis meses, a rede abrirá quase o mesmo número de lojas inauguradas em dois anos.

Quem não está nada contente com a chegada dessa loja é a concorrência local. Embora todos tenham na ponta da língua o discurso de que "a competição é sempre boa para todos", os comerciantes sabem que será complicado manter os bons resultados que suas lojas estão apresentando nos últimos anos.

"Em preço sei que não vou ganhar", diz Lana Pinheiro, gerente da Maranata Móveis. Lana deu uma espiada nos preços do novo concorrente e viu que o páreo não será fácil. Ela conta que o microondas de 22 litros que a Maranata vende por R$ 385 em até seis vezes, sai por nada menos do que R$ 265 no Eletro Show. "Se eu cobrar isso, fico no prejuízo. Comprei esse produto do distribuidor a R$ 285."

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Rede Eletro Show tem 12 lojas na Bahia e em Sergipe - neste ano já foram abertas três e até julho serão mais cinco
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A avaliação de Juarez Dantas, proprietário da JN Móveis, vizinha de porta da nova loja GBarbosa, é a mesma de Lana. Ele aposta, no entanto, no seu mix de produtos, que está muito apoiado em móveis - o que a Eletro Show não vende - nas formas de pagamento que oferece e no "atendimento diferenciado". "Ali eles só aceitam dinheiro ou cartão. Aqui eu faço em menos vezes, no máximo seis, mas pode ser na nota promissória e no carnê." E completa: "aqui a garantia sou eu. Se o produto quebrar, eu conserto ou dou outro. Em loja grande sempre tem muita burocracia".

Júnior admite que o poder de barganha do GBarbosa é realmente muito maior, mas diz que as experiências anteriores do Eletro Show mostram que a loja acaba dinamizando mais o comércio da cidade do que canibalizando-o. "Se o consumidor compra um produto R$ 10, R$ 20, R$ 30 mais barato, ele vai usar esse dinheiro em outra compra. Pode ser em alimentos, roupas, calçados", argumenta.

Os varejistas locais têm, porém, um trunfo em mãos. Com lojas maiores, eles podem expor uma variedade maior de produtos. Já no Eletro Show, que tem cerca de 120 metros quadrados, a variedade de itens expostos é menor. Se o cliente desejar algo diferente do que está no mostruário, terá que escolher o produto pelo computador, junto com o vendedor. A fórmula ainda não é muito bem aceita, especialmente entre os compradores de menor renda.

"Aqui o pessoal é que nem São Tomé, tem que ver para crer", brinca Lopes, o gerente da loja. Ele acredita que com o tempo as pessoas vão se acostumar com a compra virtual. Enquanto isso, pediu mais produtos ao centro de distribuição de Aracaju para reforçar o mostruário.

Outra vantagem das lojas locais é o atendimento bastante pessoal. Grande parte dos moradores de Rio Real trabalha em fazendas de laranja e não têm comprovante de renda ou carteira assinada. "Acabamos aceitando outras garantias e quando é conhecido, nem pedimos nada", diz Dantas, da JN Móveis.

Atenta a esse costume, a rede GBarbosa tem flexibilizado a concessão de crédito nessas localidades. Ao longo de março, um estande foi montado na praça principal da cidade e três promotoras ofereceram o cartão de crédito própria da rede o Credi-Hiper. Quem chegasse lá com RG, CPF, comprovante de residência e qualquer carnê de loja com pelo menos quatro parcelas quitadas poderia pedir o cartão. Na cidade com cerca de 30 mil habitantes, mil propostas foram preenchidas e mais de 500 cartões já foram distribuídos. Com eles, é possível parcelar as compras em até 12 vezes.

"Temos um mercado muito grande aqui (Bahia). Há mais de 50 cidades com potencial para receber um Eletro Show", diz Júnior. Segundo ele, não há um formato fechado para a escolha de um município. "Analisamos o que todo mundo analisa: número de habitantes, renda per capita, comércio local."

Raquel Salgado
Valor Online, 28/04/08

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Bolsa e apoio financeiro para jovens empreendedores sociais

Desenvolvido a partir da iniciativa internacional YouthActionNet®, o Iam - Iniciativa Jovem Anhembi Morumbi [o Programa] visa reconhecer e apoiar projetos de jovens empreendedores sociais que desenvolvem ações de impacto em comunidades, a fim de conquistar mudanças positivas para o bem-estar social.

A Anhembi Morumbi, articulada com organizações da sociedade civil, acolherá, até 7 de maio, a inscrição de projetos de toda a região metropolitana de São Paulo e selecionará 20 jovens, que terão a oportunidade de participar de um curso específico do Iam, de agosto a novembro de 2008. O curso terá como foco o desenvolvimento de competências e habilidades, voltadas ao empreendedorismo social, liderança, elaboração de projetos e ações comunitárias.

Além de bolsa-auxílio de R$ 340 mensais durante o curso, a Universidade também ofererecá um prêmio de R$ 2 mil, em dinheiro, a esses jovens, como forma de apoio ao desenvolvimento de seu projeto comunitário. A solenidade de entrega dos prêmios e certificações será realizada em dezembro de 2008.

Para dúvidas e comentários sobre o processo de inscrição, envie um e-mail para contatoiam@anhembi.br.

Saiba mais pelo folder.

Inscrições Abertas
A abertura para as inscrições para o Iam começaram no dia 6 de março de 2008, dia do lançamento oficial do Programa. A partir dessa data, as inscrições de projetos estão abertas até o dia 7 de maio de 2008.

O programa é aberto para a participação de jovens, entre 18 e 29 anos, que tenham ou não qualquer vínculo com a Anhembi Morumbi. É fundamental que os projetos sociais apresentados para seleção estejam em desenvolvimento há pelo menos um ano, envolvam a comunidade e visem uma mudança positiva de impacto na realidade local.

Clique aqui e faça o download do formulário de inscrição.

As inscrições poderão ser realizadas enviando o formulário de inscrição devidamente preenchido por e-mail, correio ou fax para:

Iam - Iniciativa Jovem Anhembi Morumbi
Universidade Anhembi Morumbi
Coordenação de Responsabilidade Social
Rua Casa do Ator, 294 – 7° andar – Vila Olímpia
CEP 04546-001 – São Paulo – SP.
Tel.: (11) 3847-3034
e-mail: inscricaoiam@anhembi.br

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