domingo, 22 de julho de 2007

Conquistas do Terceiro Setor

Luiz Carlos Merege*
Editorial da Revista IntegrAção de julho/07


Decorridos treze anos desde a publicação do já clássico “O Setor Emergente” (1994) de Lester Salamon as conquistas do terceiro setor podem ser consideradas admiráveis, considerando este curto espaço de tempo.

Vejamos algumas dessas conquistas:

Identidade: A grande batalha travada nos anos noventa foi à criação da identidade do setor. Assim como uma pessoa necessita de um documento que indique a sua nacionalidade e suas principais características, não tínhamos até o inicio dos anos 90 um conceito que distinguia o setor dos demais setores. Foi necessário um grande esforço conceitual para demonstrar que as organizações da sociedade civil possuíam características distintas das organizações estatais e das privadas. Substituir o paradigma de uma sociedade bi-setorial por um novo modelo tri-setorial foi uma tarefa executada principalmente por uma rede de pesquisadores da Europa, Estados Unidos e América Latina. Essa nova estruturação da sociedade passou a ser o referencial que orientou as pesquisas posteriores que passaram a estudar os problemas da sociedade contemporânea e as suas soluções partindo da possibilidade de uma sinergia inter-setorial. Desde então não se fala em política pública como uma atribuição exclusivamente do Estado, assim como não se concebe o setor privado tendo como único objetivo à geração de lucro.

Conhecimento: No Brasil não tínhamos praticamente nenhuma publicação específica sobre o terceiro setor até meados da década passada. Além da importantíssima publicação de Rubem César Fernandes, “Público porém privado: o terceiro setor na América Latina” de 1994 registrava-se as publicações do Instituto de Estudos da Religião – ISER em que apareciam o nome deste pesquisador e o de Leilah Landim. A partir da criação de centros de estudos do terceiro setor nas universidades os artigos acadêmicos assim como as dissertações e teses versando sobre o tema cresceram acentuadamente. Pesquisa recente na base de currículos Lattes indicava a existência de pelo menos dois mil pesquisadores trabalhando a temática do terceiro setor. Atualmente a bibliografia referente ao tema apresenta uma grande diversidade de assuntos abordados que cobrem os mais distintos campos do conhecimento. Pode-se facilmente listar cerca de 100 livros de autores nacionais que se constituem como principal referência bibliográfica existente hoje.

Reconhecimento: Apesar do grande volume de publicações que se acumulou em todo o mundo faltava ainda o reconhecimento oficial do setor por parte de autoridades internacionais que desse legitimidade ao novo modelo de estruturação da sociedade. Este reconhecimento finalmente chegou em março de 2002 quando o Departamento de Estatística da ONU publicou o “Handbook on Nonprofit Institutions in the System of National Accounts”. Este manual convoca as agências nacionais de estatística para que modifiquem o sistema de levantamento de informações econômicas e sociais que são realizadas tendo como referência a metodologia de Contas Nacionais que foi instituída pela ONU em 1948. Para nossa alegria o IBGE adotou o manual como uma referência para publicar as primeiras estatísticas oficiais sobre o setor no Brasil, o que foi feito por meio do documento intitulado “As fundações Privadas e as Associações sem Fins Lucrativos no Brasil.” Com essa publicação o nosso País se insere no grupo de outros 12 países que adotaram a nova metodologia e que seguem uma definição comum no que diz respeito ao conjunto de organizações que compõem o terceiro setor, assim como adotam uma mesma classificação das suas áreas de atuação. É claro que o manual da ONU deixa em aberto a discussão sobre a precisão do conceito de terceiro setor, instigando o debate sobre a natureza e papel do setor nas distintas realidades sociais. Entretanto, o referencial metodológico comum que se estabeleceu permitirá que os países, estados e municípios possam, brevemente, realizar estudos comparativos identificando similaridades e características peculiares do setor em cada realidade.

Neste editorial chamo a atenção para estas três conquistas fundamentais que contribuíram para o reconhecimento da existência e importância do setor. Voltarei ao tema para realçar outras importantes conquistas assim como comentar sobre a necessidade de construção de uma agenda que transforme o setor em um ativo protagonista estratégico para a solução dos graves problemas sociais em nosso País.


* Luiz Carlos Merege é professor titular, doutor pela Maxwell School of Citizenship and Public Affairs da Universidade de Syracuse, coordenador do Centro de Estudos do Terceiro Setor - CETS da FGV-EAESP, do curso de Administração para Organizações do Terceiro Setor e do Projeto Censo do Terceiro Setor do Pará . E-mail: merege@fgvsp.br

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Venezuela compra submarinos russos

Humberto Márquez
Publicado pela
IPS em 19/07/07

O anúncio de que a Venezuela comprará da Rússia cinco submarinos fez disparar alarmes de armamentismo convencional em um país que adota como doutrina de defesa a guerra assimétrica, ou de “todo o povo”.

Os submarinos custarão mais de US$ 1 bilhão, aos quais se somam os US$ 3 bilhões que o governo de Hugo Chávez destinou nos últimos dois anos para a compra também de armas russas. Além disso, adquiriu três radares da China e nesta semana foi informada a importação de aviões militares de transporte.

Os sistemas de armas incluem 24 caça-bombardeios Sukhoi-30, 55 helicópteros Mi-17 e Mi-35, 100 mil fuzis AK-103 e uma fábrica desses Kalashnikov e suas munições. Várias das aeronaves já sobrevoam território venezuelano. “Os Estados Unidos nos ameaçam constantemente. Temos de defender nossa revolução”, disse no final de junho durante visita a Moscou o presidehte Hugo Chávez, que mantém um aberto enfrentamento político com Washington. Chávez acusa os norte-americanos de negarem reposição de armamento e peças de reposição para os caças F-16 que a Venezuela comprou há um quarto de século, bem com para os aviões de transporte Hércules C-130, também fabricados nos Estados Unidos.

A agência russa Interfax informou sobre a venda dos submarinos movidos a diesel da classe Varshvyanka, conhecidos no Ocidente como Kilo 636, para operações anti-naves e equipados com seis tubos torpedeiros, 18 torpedos, 24 minas e oito mísseis superfície-ar. Uma versão melhorada, o submarino Amur 677, é mais silencioso e possui sistemas de lançamento vertical, para atingir alvos localizados a centenas de quilômetros.

“Por que submarinos?”, perguntou Chávez, dirigindo-se aos seus críticos. “Porque temos mar, para ajudar a proteger os campos de produção energética em mar aberto e porque o império norte-americano tem planos de agressão e fez tentativas desse tipo há anos, quando um porta-aviões entrou em águas territoriais da Venezuela”. Por sua vez, Rocio San Miguel, presidente da organização não-governamental Controle Cidadão para a Segurança e Defesa, entende que os submarinos “não atendem às necessidades de vigilância marítima da Venezuela, que são de superfície e de natureza aduaneira, ambiental, fiscal, sanitária e de luta contra o narcotráfico”.

A compra dos submarinos “é ruim para os vizinhos e pode alterar a geopolítica no Caribe”, começando pela vizinha Colômbia, que tem pendente com Caracas a delimitação de suas áreas marinhas e submarinas junto à fronteira norte, envolvendo águas do mar do Caribe e do Golfo da Venezuela, disse San Miguel à IPS. Durante décadas, as academias militares destes dois países incluíram em seus jogos de guerra hipóteses de conflito entre ambos.

O general da reserva Fernando Ochoa, ministro da defesa quando em 1992 Chávez liderou um cruento e falido golpe, disse que, “devido à deterioração de seu prestígio e ao fato de ninguém acreditar na invasão gringa, Chávez precisa recuperar popularidade à la Galtieri, criando tensão com um país vizinho”. Em 1982, o então ditador argentino Leopoldo Galtieri ordenou a ocupação militar das ilhas Malvinas, para deter a acelerada deterioração do regime imposto em 1976, com o resultado de uma guerra com a Grã-Bretanha e a conseqüente derrota diante da segunda maior força marítima do mundo.

Segundo Ochoa, isso explica o fato de “ter comprado material bélico pesado, embora seja contraditório com a teoria da guerra assimétrica, que demanda material leve em lugar de submarinos ou aviões de alta tecnologia para uma guerra regular na região”. A preparação “de todo o povo” para tarefas de defesa levou Chávez, há dois anos, a criar a Reserva, com dezenas de milhares de civis como quinto componente das Forças Armadas, junto com Exército, Marinha, Aeronáutica e Guarda Nacional, que é uma força militar com atribuições de polícia.

O até agora comandante dessa Reserva, general Gustavo Rangel, assumiu ontem como ministro da Defesa, “o que impulsionará a nova doutrina de segurança, de união cívico-militar e guerra de resistência”, afirmou o coronel da reserva Héctor Herrera, do grupo pró-oficialista Frente Cívico-Militar Bolivariano. Rangel substitui o general Isaías Baduel, artífice da devolução do governo a Chávez em abril de 2002, quando um golpe de Estado cívico-militar o tirou do poder por dois dias, e que passa à reserva com outros generais, como Alberto Muller, coordenador do Estado Maior Presidencial.

A imprensa informou que Baduel liderou dentro dos altos comandos a corrente “profissional” dos quadros militares com compra de armamento convencional, enquanto Muller, seguindo o discurso de Chávez, defendeu a “guerra de todo o povo”. Há “pressões nos comandos militares a respeito da mudança que possa significar o novo modelo de defesa, porque isso acaba com uma série de privilégios. Minha posição é contrária a profissionalizar a Força Armada’, disse o esquerdista Muller, que em 2005 foi chamado novamente às fileiras pelo mandatário, apesar de já ter 70 anos de idade e 20 na reserva. A Força Armada venezuelana “deve apontar para a defesa de todo o povo, para a guerra de resistência que faz o povo diante do invasor estrangeiro”, ressaltou Muller.

O especialista político Alberto Garrido disse à IPS que, “embora Chávez compartilha com Muller o julgamento de que o choque final com os Estados Unidos é assimétrico, a imprescindível situação geopolítica regional e a realidade militar racional o obrigam a ser cuidadoso”. O esquema do presidente seria “preparação para uma guerra combinada, convencional e assimétrica. A convencional não pode funcionar eficazmente contra os Estados Unidos, mas, tem validade diante de vizinhos, algo esboçado por Baduel quando formulou (há um ano) a hipótese de guerra em razão de conflitos em países fronteiriços”, segundo Garrido.

A guerra assimetria ou sem restrições, segundo os teóricos chineses Qiao Lyang e Wang Xiangsui, pressupõe a utilização de qualquer tipo de luta diante de uma potência esmagadoramente superior em força, tecnologia ou influência diplomática, combinando ações políticas e militares e envolvendo a população civil.San Miguel recordou que a Venezuela é signatária dos Convênios de Genebra de 1949 e seus protocolos adicionais de 1977, que protegem a população civil e vedam seu emprego em ações bélicas, “pois se assumem o papel de combatentes pode-se usar a força letal contra eles”.

A anunciada compra de submarinos não despertou maiores repercussões no resto da América. Washington se absteve de incluir o assunto quando, ainda com Chávez na Rússia, o presidente desse país, Vladimir Putin, visitou seu colega George W. Bush em sua residência de verão. Até deixar seu cargo há duas semanas, o embaixador de Washington em Caracas, William Brownfield, repetiu com freqüência em suas declarações públicas que “os Estados Unidos não invadiram nunca a Venezuela, não a está invadindo e jamais a invadirá”.

A Colômbia não fez nenhuma declaração sobre o assunto. Um pacto entre os presidentes Chávez e seu colega Álvaro Uribe mantém longe dos microfones diversos temas sensíveis. Diplomatas europeus e latino-americanos em Caracas reconhecem em particular que um crescimento do armamento venezuelano deve levar a Colômbia a fórmulas de equilíbrio. Segundo Ochoa, a hipótese de um conflito com a Colômbia exige a neutralidade dos Estados Unidos, “sem a qual uma aventura seria irresponsabilidade inaceitável”.

No Brasil, o almirante Julio Soares de Moura, comandante da Marinha, descartou qualquer preocupação. “Não diria que há uma corrida armamentista na Venezuela, creio que é um reequipamento ou renovação de arsenal. Não me parece que representam algum risco. Brasil e Venezuela mantêm relações cordiais”, disse Moura. San Miguel insistiu em que a Venezuela carece de um “livro branco” que defina as ameaças à sua segurança e a construção de políticas de defesa nacional. “Parece que o presidente se expressa e os demais atuam. Não há quem lhe diga não”.

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Grandes empresas dos EUA querem ação urgente

Jim Lobe
Publicado pela
IPS em 19/07/07

Representantes de 160 das principais empresas dos Estados Unidos reclamaram das autoridades ações urgentes para enfrentar a mudança climática. Os líderes empresariais alertaram que “as conseqüências do aquecimento global para a sociedade e o meio ambiente são potencialmente sérias e de longo alcance”, e acrescentaram que “o tempo para agir é agora”. A declaração, divulgada esta semana pela Mesa Redonda de Negócios (BRT), não promove a redução obrigatória da emissão de gases causadores do efeito estufa – apontados pela maioria dos cientistas como responsáveis pelo aquecimento -, mas pede “uma ação coletiva que a reduza em nível mundial”.

A intenção é “reduzir o aumento da concentração de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera para, em última instância, estabilizá-los em um nível que permita evitar os riscos da mudança climática. É a primeira vez que líderes empresariais de todos os setores da economia norte-americana alcançam um consenso sobre as ameaças do aquecimento da Terra e a necessidade de tomar medidas a respeito”, disse o presidente da BRT, John J. Castellani. “Os membros da BRT estão prontos para trabalharem junto com os líderes políticos em soluções ativas para enfrentar o problema, ao mesmo tempo em que se mantém o crescimento econômico”, acrescentou. Castellani informou que a declaração foi aprovada pelo consenso de toda a Mesa Redonda.

Organizações ambientalistas destacaram o pronunciamento que, afirmaram, deveria estimular o Congresso dos Estados Unidos a tomar medidas. Com maioria do Partido Democrata nas duas Casas legislativas, os legisladores começaram a analisar projetos para limitar as emissões, ao que se opõe o presidente George W. Bush. “Basicamente, os líderes empresariais estão reconhecendo que haverá algum tipo de legislação de caráter obrigatório, o que não é pouco”, disse o diretor da área de mercados e negócios do Centro Pew sobre Mudança Climática, Truman Semans.

O Centro é uma organização não-governamental que trabalha em estreito contato com as maiores empresas norte-americanas em matéria de regulamentações e legislação para reduzir as emissões de gases que causam o efeito estufa. “Uma declaração desse tipo reflete o mínimo denominador comum”, disse Semans. “Indica a vontade de alguns dos membros em apoiar reduções obrigatórias, o que sugere que a visão média do grupo é mais progressista do que denota o texto da declaração”, acrescentou.

“É realmente notável que o establishment empresarial dos Estados Unidos tenha avançado, ainda que alguns passos, para assumir o problema e a necessidade de iniciar ações”, disse Christopher Flavin, presidente do centro de estudos sobre meio ambiente e desenvolvimento World Watch Institute. “É uma declaração tímida, mas mesmo assim é um sinal, entre outros, de que a comunidade empresarial se move bastante rápido em matéria de mudança climática, e que inclusive empresas com a petrolífera Exxon Móbil, uma das mais reticentes, pouco a pouco tira a cabeça da areia”, afirmou Flavin à IPS.

A BRT agrupa companhias que somam ganhos anuais no valor de US$ 4,5 bilhões e representam cerca de um terço do mercado de ações dos Estados Unidos. Entre seus membros estão presidentes de gigantes do setor energético com Exxon e Peabody Energy Company, o maior produtor de carvão do país. Até agora, combatiam energicamente todo projeto de lei ou iniciativa que implicasse reduzir o consumo de combustíveis fósseis ou as emissões de gases que causam o efeito estufa.

“É estimulante que empresas como Exxon e Peabody assinem a declaração”, disse Tony Kreindler, do Conselho para a Defesa dos Recursos Naturais (NRDC). “E é muito significativo que alguns membros da BRT, que sentem que a ciência ainda evolui, aceitem que é preciso tomar medidas já”, acrescentou. A campanha para que a BRT adotasse uma nova política sobre aquecimento global foi liderada por membros da instituição que participaram este ano do lançamento da Coalizão Norte-americana para a Ação sobre o Clima (Uscap). Esta associação incluiu em sua origem 10 empresas de primeira linha e várias organizações não-governamentais, como Centro Pew e o NRDC.

A Uscap reclamou do Congresso a aprovação de leis que estabeleçam reduções obrigatórias das emissões de gases que provocam o efeito estufa. As companhias, entre elas Caterpillar, DuPont e General Electric, reclamaram uma lei para reduzir as emissões em 70% de seu nível atual no prazo de 15 anos, e em 80% até 2050. Desde então, o número de empresas que aderiram à Uscap cresceu para mais de 20. As reduções deveriam ser alcançadas por meio de maior eficiência no uso de combustíveis e melhorias nas tecnologias de poupança de energia nos setores de transporte, construção e produção de eletricidade.

Um projeto de lei em que trabalham os senadores Joseph Lieberman (democrata) e John Warner (republicano) incorpora muitos dos objetivos e o contexto conceitual adotado pela Uscap. Semans, do Centro Pew, disse que a declaração da BRT está longe das metas da Uscap, mas propõe recomendações especificas semelhantes às propostas por essa coalizão, como a criação de um registro nacional para levar conta das emissões e a adoção de políticas governamentais que estimulem investimentos para reduzi-las.

A declaração da BRT não apóia nenhuma medida especifica entre as recomendadas pela Uscap para reduzir as emissões, mas, pede aos legisladores e funcionários que avaliem o valor potencial de cada uma delas em função de determinados critérios. Entre eles, se as medidas forem efetivas para reduzi-las, flexíveis e maximizarem a utilização dos mercados, fomentarem as soluções tecnológicas, minimizarem os custos de transação, oferecerem certeza e previsibilidade às empresas e promoverem a inovação.

O documento também reclama a realização de importantes investimentos, tanto públicos quanto privados, nas ciências do estudo do clima, para “entender melhor e prever a magnitude e velocidade do aquecimento global. Apesar da falta de certezas nesta área, “é prudente tomar medidas para enfrentar os riscos da mudança climática agora”, diz a declaração.

Os membro da BRT também afirmaram que o desafio apresentado pelo aquecimento global não pode ser enfrentado apenas pelos Estados Unidos e exige “uma resposta global. Uma resposta eqüitativa e efetiva deveria ser posta em prática, e os maiores emissores de gases causadores do efeito estufa, incluídos Brasil, China e Índia, teriam de se comprometer com as metas de redução estabelecidas”, afirmaram os empresários. “A liderança norte-americana para estabelecer este contexto global de referencia é essencial”, concluíram os empresários.

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sexta-feira, 20 de julho de 2007

Criação cultural sustentável

Por Jorge Felix
Publicado pelo
Valor Online em 20/07/07

Tolila: "Pode haver a co-existência de uma indústria e de uma criação artística. Até porque a criação artística é a base da indústria. A indústria funciona sobre a lógica do mercado, mas precisa da novidade"
Foto: divulgação

A cultura pode ser uma mercadoria valiosa e contribuir de forma significativa para o crescimento econômico de um país. É possível sustentar uma produção artística independente e, em paralelo, uma indústria de massa - sempre prejuízo à criação. O economista francês Paul Tolila viaja o mundo para defender essas teses tão polêmicas. Ou melhor, que provocaram muito debate no passado, mas hoje caminham na direção de um consenso.

Ex-diretor do Departamento de Estudos Socioeconômicos do Ministério da Cultura da França, Tolila é autor de "Cultura e Economia" (Iluminuras, 144 págs., R$ 26). Ele esteve no Brasil para o lançamento de seu livro a convite do Itaú Cultural, no qual participa do Observatório da Cultura. Na entrevista a seguir, ele recomenda um primeiro passo para o crescimento do PIB da cultura brasileira: avaliação mais rigorosa dos resultados das leis de incentivos fiscais.

Valor: As leis de incentivo fiscal são a melhor forma de fomentar a cultura?
Paul Tolila: É sempre dinheiro público. Nós temos na Europa um dispositivo idêntico. Mas a presença do Estado é forte. Há um bom orçamento e o governo pode investir diretamente. O modelo espanhol é um pouco diferente. É meio a meio. Globalmente falando, a grande questão que se coloca é qual é o montante de investimento que vai para a cultura? O que se faz de forma direta pelo governo e de forma indireta? Quais são as necessidades para o setor cultural se desenvolver economicamente? É por isso que a questão da economia desse setor é tão importante.

Valor: Como evitar que os recursos das leis de incentivo sejam destinados apenas aos artistas com um melhor retorno de marketing para as empresas?
Tolila: Essa é uma questão crucial da política pública. Há um risco de reduzir a ajuda do Estado à renovação cultural. É o problema de equilibrar a subvenção. Eu acho - veja bem, acho - que essa política de leis de incentivo carece de um dispositivo de avaliação permanente. Essa política é muito executada como um dispositivo administrativo, apenas. É concedida burocraticamente. Basta haver conformidade no dossiê dos documentos apresentados ao ministério. Falta objetivo. Falta saber qual é a visão que tem da cultura para não ficar apenas concedendo o benefício a todos e deixando os produtores disputar as verbas da iniciativa privada. É uma forma burocrática demais. Não quero fazer uma crítica abstrata. Mas, pelo que entendi, no Brasil ocorre assim. Talvez tenha entendido errado.

Valor: Falta um objetivo?
Tolila: Poderia dizer: 50% dos recursos vão para jovens artistas. Seria brutal. Mas seria mais claro. Poder-se-ia também dar condições para artistas jovens ou sem condições de montar seu projeto para apresentá-lo ao ministério e fazer depois uma avaliação. O problema é que essas políticas de incentivo nunca são avaliadas em seus resultados. Damos a autorização, as pessoas vão captar o patrocínio na iniciativa privada e há a renúncia fiscal. Todos ficam contentes. Mas qual é o efeito para o conjunto da sociedade? Para o processo cultural? Para a economia da cultura? Para os novos criadores? Ninguém sabe. Não se pode renunciar os impostos para uma política que é apenas a administração de processos, dossiês. E para avaliar é necessário ter, antes, um objetivo claro.

Valor: Na sua visão, o Estado cumpre apenas parte da missão?
Tolila: Esse é um perigo das leis de incentivo: o governo se vê cumprindo o seu papel. Ele dá a permissão para captar e não verifica o que ocorre depois. No entanto, o mais importante para a cultura é o que ocorre depois. A avaliação, é bom que se lembre, é uma premissa de todas as economias modernas, mesmo as mais liberais. Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha. A avaliação é uma "cultura de informação" válida para o governo, a iniciativa privada e os profissionais da cultura. É um feedback para a administração da política cultural e decisiva para a modernização do processo.

Valor: Em outros países, a estratégia das leis de incentivo tem um bom resultado?
Tolila: Em todos os países que adotam leis de incentivo há objetivo definido. E avaliação constante dos resultados. É bom dizer também que em todos há uma forma mista: leis de renúncia fiscal e recursos públicos diretos. Sem isso, os administradores públicos não poderiam ser cobrados quanto a resultados.

Valor: Como traçar uma estratégia de produzir cultura com a lógica mercantil e preservar a arte?
Tolila: Nós vivemos efetivamente numa espécie de contradição potencial entre o nível de mercado de massa e a criação cultural. Mas acredito que a verdadeira produção artística pode sobreviver, desde que a cultura se torne verdadeiramente uma preocupação do país. Não somente discurso. Uma verdadeira preocupação, insisto. Isso quer dizer que o governo, assim como a iniciativa privada, se preocupam com essa questão. Porque a indústria cultural, a grande, a grande mesmo, não tem necessidade de financiamento do Estado. Mas a criação cultural, sim. Ela precisa de financiamento porque ela não é rentável. Assim como a pesquisa. A pesquisa não é rentável agora, será em 5, 10, 15 anos. O ritmo do capital financeiro não suporta esse tempo. É a mesma coisa também da educação. Logo estamos falando de um processo longo, um investimento no qual o industrial capitalista exerce mal o seu papel. É essencial que as instituições sejam capazes de ver a questão a longo prazo, seja o governo ou o setor privado.

Valor: Assim teria espaço para as duas formas de produção?
Tolila: Pode haver a co-existência de uma indústria e de uma criação artística. Até porque a criação artística é a base da indústria. A indústria funciona sobre a lógica do mercado, evidentemente. Mas ela precisa da novidade. Veja os grandes grupos, como Sony, Warner, que são alimentados por pequenas empresas muito criativas. Empresas minúsculas sem a pujança financeira que, no entanto, têm criatividade, se interessam pela criação, trabalham em nichos de mercado e não para o mercado mundial. Então as grandes ficam olhando. Quando descobrem um talento, elas integram, compram a empresa pequena, etc. É assim que a grande, apesar de tudo, participa da diversificação cultural. Não é sempre um instrumento que desqualifica a produção artística. Ela também, muitas vezes, permite que o artista se exprima de maneira ampla, global.

Valor: Como fazer para políticos, governos e profissionais pensar a economia da cultura?
Tolila: O problema é que a economia da cultura carece sempre, em muitos países, de uma organização do setor - tanto administrativa quanto profissional. Falta também uma capacitação de infra-estrutura. Faltam economistas que analisem a cultura, faltam sociólogos. Isso impede enxergar a cultura de outra maneira.

Valor: No Brasil, governos costumam escolher artistas para administrar a cultura. Isso é bom?
Tolila: Freqüentemente, o empenho pessoal em uma atividade não é a certeza de uma boa gestão. É bom dizer que não é uma particularidade do Brasil. Há sucesso, mas há muito fracasso. Podemos nos questionar se não existe aí muita ilusão. Não diria demagogia. Mas ilusão mesmo de acreditar que por ser artista se torna capaz de administrar o setor. Não tem sido sempre o caso.

Valor: A arte tem um espaço nos investimentos do mundo capitalista de hoje?
Tolila: Há duas economias no setor cultural. Uma economia dos espetáculos, de dança, de teatro, da música, do patrimônio. As atividades clássicas. De outro lado, desenvolveu-se a indústria cultural, em que os mercados são atualmente mundiais. Destaca-se aí uma dominação americana. Essa economia tem todas as características da economia clássica, do business. Não só isso. Ela chegou a um nível de desenvolvimento tal que hoje conquistou um papel estratégico.

Valor: É um produto de exportação.
Tolila: Claro. É preciso saber que a exportação dos produtos culturais é o primeiro item da pauta dos Estados Unidos, antes de aviões, carros, agricultura e armas. Logo, a indústria cultural representa hoje um precioso papel no jogo de competição mundial. Nesse momento de dominação americana, há um jogo mais pesado para aqueles que querem defender sua cultura nacional. Como sobreviver e continuar a criar, quando a difusão massiva do modelo cultural é aquele difundido a partir dos Estados Unidos?

Valor: A indústria, então, pode competir, mas a arte é sempre obrigada a se adaptar...
Tolila: Conversei outro dia com estudantes africanos que me contavam a história de um cantor. Ele produzia de forma independente e foi contratado por uma gravadora, aí seus versos se tornaram mais curtos, o ritmo mudou. Os artistas são obrigados a se adaptar a uma formatação que a indústria impõe. É como o design dos carros. Muda ao mesmo tempo em todo o planeta. O desafio é fazer que, dentro dessa industrialização, exista uma política pública capaz de fazer uma produção cultural competitiva no mundo globalizado.

Valor: Como?
Tolila: No México, decidiram juntar pequenas empresas para receber aporte financeiro governamental. O cinema mexicano foi muito importante nos anos 1950 e estava morrendo porque os tratados de livre comércio assinados com os americanos provocaram uma invasão e o cinema americano passou como um rolo compressor sobre a produção nacional. Então, a questão se colocou: o que fazer para revitalizar o cinema mexicano? Não sei se ocorre o mesmo com o cinema brasileiro.

Valor: A cultura sofre mais nesse processo de resistência à globalização?
Tolila: Necessariamente se deve repensar a cultura, porque temos efetivamente uma dominação econômica por intermédio da economia da cultura. Não se pode é ver mecanicamente como apenas "é preciso resistir a". Mas a verdadeira questão, a mais conseqüente, é "como resistir a?". Com qual política? É preciso olhar as margens de manobra, examinar em qual setor é possível agir mais. Resistir não é uma tarefa fácil.

Valor: Quais seriam suas recomendações para o Brasil?
Tolila: Falta um pensamento estratégico, industrial, alianças que possam constituir uma indústria brasileira forte. Talvez européias, latino-americanas, mas em face da hegemonia americana é preciso pensar uma rede, uma articulação. Essa é uma reflexão rara no setor cultural. Deveria ser o princípio para a parceria público-privada. Se vale para outros setores, infra-estrutura, por exemplo, vale para a cultura. Eu defendo isso em meu livro: o trabalho de uma inteligência econômica para a questão cultural. Pode-se fazer uma ação conjunta dos Ministérios da Fazenda, da Cultura e das Relações Exteriores e o setor privado. É preciso que todos se sentem para refletir qual é a estratégia cultural capaz de colaborar para o crescimento econômico.

Valor: De que forma, nesta visita, sentiu os efeitos concretos da falta dessa estratégia?
Tolila: Não existe, por exemplo, um grande circuito de galerias de arte nas cidades brasileiras. São muito poucas. Isso é espantoso. Supreendente. É um problema da organização do mercado de arte. Isso me parece ter um efeito, às vezes, tanto econômico como na forma de criação. Isso é uma observação que fiz porque fui também ao Rio e tentei fazer um passeio por alguma área de galerias e não existe, não existe um bairro que as reúna. Você vai a Paris, à Cidade do México, a Londres, a Nova York e há um bairro inteiro especializado em arte. É extremamente importante para o turismo.

Valor: Como constituir um setor cultural rentável em um país com carências na educação?
Tolila: Se a educação não é prioridade, o país terá problema. Compromete a formação da cidadania e competitividade da pessoa no mercado de trabalho globalizado, porque a economia moderna é cada vez mais sustentada pela capacidade de inovação. São as soluções originais que valem mais. A educação e a cultura são os setores em que o retorno do investimento de um país na questão de inovação é certo, garantido. No México houve uma percepção estratégica. Não sei se existe essa percepção aqui.

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Usinas de SP buscam uma melhor gestão socioambiental

Mônica Scaramuzzo e Bettina Barros
Publicado pelo
Valor Online 20/07/2007

As usinas paulistas estão se estruturando para criar uma gestão socioambiental para o setor sucroalcooleiro. Coincidência ou não, o movimento ocorre num momento em que o mercado internacional amplia exigências e privilegia a aquisição de matérias-primas de empresas que adotam políticas de sustentabilidade.

O Valor ouviu quatro grandes grupos de alimentos e bebidas - Nestlé, Unilever, Coca Cola e Ambev - que estão entre os principais consumidores de açúcar do país. Consultadas, todos informaram que possuem políticas de sustentabilidade e que excluem fornecedores que não estão de acordo com o compromisso ético de suas matrizes. Juntas, essas quatro companhias consomem aproximadamente 2 milhões de toneladas de açúcar anualmente, cerca de 20% do volume total do consumo do país (em torno de 10 milhões).

Exceções no mercado, essas empresas fazem parte de um movimento que deverá crescer no país. E as usinas paulistas começam a se estruturar. Em 2001, a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) contratou a consultora Iza Barbosa para uma "mudança de gestão" para o setor inteiro, na qual a responsabilidade social e ambiental das usinas - que por décadas estiveram associadas a desrespeitos humanos e ambientais - ganhasse a mesma prioridade de outros assuntos das empresas. "Praticamente todas as usinas tinham projetos neste sentido, mas não havia como mensurá-los", diz. Até 2003, quase nenhuma das 102 empresas associadas à entidade fazia balanço social de suas empresas. "Hoje praticamente todas fazem [97 das 102]", afirma a consultora.

"Procuramos ter o retorno dessas ações. Não adianta dizer que a gente faz só porque é bonito", afirma Silvio Nicoletti, superintendente do centro de serviços administrativos da Usina São Manoel, instalada na cidade paulista de São Manoel e considerada referência em modelo socioambiental no setor. O grupo investe há quatro anos cerca de 400 mil em projetos nessa área. "Tomamos essa decisão imaginando que no futuro o mercado exigiria da gente um selo verde".

Na prática, já está acontecendo. Segundo Nicoletti, grandes clientes da empresa já vinculam contratos a essas normas. "A Coca-Cola, por exemplo, só compra com essa condição". Mas é uma condicionalidade restrita ainda às multinacionais, que seguem diretrizes impostas pela matriz no exterior . "Nenhuma empresa nacional já nos fez esse pedido".

"Ainda não há movimento nacional neste sentido. Há conversas", confirma Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro, especializada em açúcar e álcool.

É o sinal amarelo vindo de países importadores que já preocupa o setor. Aproximadamente dois terços da produção de açúcar do Brasil é exportada.

Após o primeiro passo de mapear a cadeia produtiva e realizar balanço social das empresas, a Unica, em parceria com o Banco Mundial e o Instituto Ethos, trabalha em um projeto que deverá abranger todos os quase 5 mil fornecedores das usinas, desde os de cana até os de insumos e equipamentos. "Precisamos conscientizar toda a cadeia", diz Iza. "Não adianta a usina seguir o programa e um dos seus fornecedores não se adequar. A usina responde por toda a cadeia".

No caso mais recente em São Paulo, o Ministério Público do Trabalho autuou a Usina Renascença, em Ibirarema, por manter trabalhadores em condições degradantes. Os cortadores de cana trabalhavam para um fornecedor terceirizado. A exemplo da Renascença, outras usinas paulistas e de outros Estados foram autuadas pelo mesmo motivo.

As ações da Unica, no entanto, deverão extrapolar os limites do Estado, na medida em que novas unidades de companhias paulistas são abertas sobretudo na região central do país. "Não temos interesse em transformar São Paulo em um nicho diferenciado de usinas. O comprador pensa em açúcar do Brasil, não em açúcar de São Paulo. Por isso, é importante que as demais regiões sigam o nosso exemplo", diz ela. Já iniciativas avançadas neste mesmo sentido no Nordeste.

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A vida começa aos 60

Danilo Fariello e Catherine Vieira
Publicado pelo
Valor Online 20/07/07

"No dia seguinte ninguém morreu." Assim começa o romance "Intermitências da Morte", de José Saramago, que trata da súbita ausência de óbitos em determinada cidade e das absurdas conseqüências do desaparecimento da Indesejada no cotidiano. No mundo real, a Malfadada não pendurou a foice, mas parece cada vez mais preguiçosa. A expectativa de vida mundial cresceu mais nos últimos 50 anos do que nos cinco milênios anteriores. Os centenários já não são raros nos países desenvolvidos e muitos chegam à terceira idade com saúde e dinheiro para continuar a fazer diferença no mundo. Assim como na fábula do Nobel de literatura, uma revolução acontece à medida que as pessoas passam mais tempo neste mundo. Do ponto de vista econômico, governos têm de lidar com novas questões na saúde, na previdência e nas relações de trabalho. Empresas ganham um novo nicho com um exército de idosos que se forma. E as pessoas, já com idade avançada ou jovens ainda, devem estar preparadas para viver cerca de 20 anos mais do que os seus avós.

Essa revolução se dá, agora, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, onde a longevidade já atinge níveis mais elevados. Multiplicam-se consultorias de marketing e negócios que oferecem estudos sobre os mercados denominados 50+ ou 60+. Lemas como "transforme o grisalho em dourado" ou o irônico "viva até os cem, ou morra tentando" tomam conta da mídia nessas regiões. Os países mais desenvolvidos enfrentam o envelhecimento dos chamados baby boomers, pessoas que nasceram após o término da Segunda Guerra, em 1945, e agora chegam à terceira idade. Pululam produtos e serviços para esse público, como o cranky.com, um site de busca cuja relevância das respostas é a idade do internauta. Os mesmos executivos por trás do cranky, de Boston, criaram o eons.com, uma espécie de Orkut para cabeças brancas ou tingidas.

Segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a parcela da população acima de 65 anos crescerá em média 80% nas sete maiores economias industrializadas até 2050, quase 90% na Rússia, e ainda mais rápido no Brasil, China e Índia. Aqui, o número de pessoas com mais de 65 anos passaria de 5,4% no ano 2000 para 19,2% em 2050. Entre as grandes economias emergentes, apenas a Índia terá idade média abaixo de 40 anos nas próximas décadas, segundo estudo da OCDE produzido no ano passado.

Fatalmente, todos os setores econômicos são afetados pelo aumento da longevidade, inclusive o de entretenimento. Percebe-se essa influência, por exemplo, na produção de filmes cujo foco é o vigor das experiências na velhice, como nos casos de "Elsa e Fred", "Alguém Tem que Ceder" e o nacional "O Maior Amor do Mundo", descoberto por José Wilker na maturidade. Músicos sexagenários, como Bob Dylan e Paul McCartney, voltam com força às paradas de maior sucesso, inclusive no iPod. As novas tecnologias não assustam os mais velhos, como se poderia imaginar: nos Estados Unidos, nada menos que 94% dos boomers (aqueles que nasceram de 1945 a 1955) têm internet em casa.

Como nas culturas indígenas e orientais, o mercado passa a tratar a velhice como sinal de sabedoria, mas, notadamente, de bolso cheio. No ano passado, uma conferência do Hay Market que levou o nome de "Older, richer, wiser" (mais velhos, ricos e espertos) reuniu grupos de mídia, financeiros, de varejo e, principalmente, de lazer, para discutir como explorar melhor esse público representado por números bem estimulantes: 70% dos cruzeiros são freqüentados por pessoas com mais de 50 anos, a mesma faixa em que se vendem 60% dos carros de luxo e 55% dos cosméticos. "O desafio do século XXI é lidar com esse novo mercado", diz Richard Jones, diretor global de previdência complementar do HSBC, que participou do evento do Hay Market.

O lado negativo do envelhecimento da população recai, principalmente, nas costas dos governos. Até 2050, a Europa terá apenas dois trabalhadores para cada aposentado, proporção que hoje é de quatro para um, segundo o estudo "Can Europe afford to grow old?", elaborado pela Comissão Européia de Assuntos Econômicos e Financeiros, publicado no site do Fundo Monetário Internacional (FMI). O estudo aponta riscos para o crescimento econômico europeu no futuro por conta do encolhimento e envelhecimento da população.

Para os autores desse texto, os gastos relacionados à idade da população (incluindo previdência, entre outros) crescerão entre 3% e 4% do PIB até 2050 nos países europeus, o que equivaleria a um aumento de 10% no tamanho do setor governamental. Enquanto atualmente há 35 pessoas acima de 65 anos para cada 100 trabalhadores, em 2050 serão 72 pessoas. Não é necessário chegar perto de uma calculadora para imaginar que faltarão recursos para financiar a aposentadoria de tantos idosos no futuro, se todos se aposentarem aos 65 anos.

Chefe do programa de envelhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS), o brasileiro Alexandre Kalache alerta que está em curso uma enorme mudança de paradigmas, provocada pelo aumento da longevidade, acompanhado de uma redução das taxas de fecundidade. "Até o início dos anos 2000, esse quadro ainda não estava tão claro", lembra ele, apontando que o fenômeno é recente e vai exigir também uma mudança profunda nos costumes. "Tolstói disse que o envelhecimento foi a coisa mais súbita que lhe aconteceu, mas a verdade é que não existe nada mais previsível. Então, é preciso ter sabedoria para se preparar", diz.

Kalache lembra também que os dados de longevidade refletem a expectativa de vida média ao nascer, mas o detalhe mais importante é a expectativa de sobrevida, ou seja, o número estimado de anos excedentes em relação a uma certa média, que tem mudado com o passar do tempo. "Uma mulher, na França, com 60 anos, por exemplo, ainda deve viver mais 30", explica. Contudo, na época em que essa geração de sexagenários nasceu, chegar aos 90 era algo quase impensável. Hoje, esse é o nível médio. "As mulheres são mais longevas e, por essa lógica, o natural seria que se casassem com homens mais novos", brinca Kalache, ao contrário do que se imagina ser mais "normal".

Mas o que as francesas têm a ver com as brasileiras? É simples. Segundo os especialistas, as classes A e B no Brasil tendem a estar muito mais alinhadas com as projeções de longevidade dos países mais desenvolvidos do que a média dos brasileiros. O poder aquisitivo, portanto, também é um fator que tem efeitos sobre a expectativa de viver mais. Moradores de um prédio de luxo de São Paulo tendem a ter 14 anos mais de expectativa de vida do que os habitantes de uma favela do mesmo bairro. "É triste, inaceitável, que essa revolução da longevidade não alcance todos da mesma forma", lamenta Kalache. No Japão, por exemplo, a expectativa de vida ao nascer das mulheres já é superior a 85 anos. Em Serra Leoa, é 34 anos, evidência de que a pobreza é fator determinante da longevidade.

Nos Estados Unidos, o percentual do tempo da vida adulta que as pessoas passam aposentadas saltou de 18% em 1950 para cerca de 30% hoje em dia e a tendência é de crescimento ainda por muito tempo. "No mundo, o número total de pessoas com mais de 80 anos passará dos atuais 88 milhões para 404 milhões no ano 2050. É o subgrupo da população que mais rapidamente aumentará neste 45 anos", diz Kalache. Daí a importância de se conscientizar toda a sociedade para essa nova realidade.

De olho nesses muitos vovôs e vovós, empresas já se reestruturam para atender a uma nova demanda, avalia Robert W. Fogel, Nobel de Economia em 1993 e pesquisador de questões ligadas à longevidade (ver pág.9). Para os idosos conectados, por exemplo, a Vodafone deu início à moda dos telefones básicos, distribuindo o celular A101K, da Kyocera, um aparelho sem visor, sem internet e sem nenhum daqueles brinquedinhos que encantam tanta gente, mas que podem deixar os idosos perdidos. Além de não ter tela, os números do aparelho celular são grandes, para quem já tem a visão debilitada. A indústria automobilística tem adaptado os ângulos das portas, aumenta a potência dos faróis e faz bancos mais macios, entre outros pormenores pensados para corpos mais cansados. O mesmo ocorre com o design de mobiliário e eletrodomésticos.

Estudo encomendado pela Unilever, com abrangência internacional, Brasil incluído, mostrou no ano passado que nove entre dez mulheres acima dos 50 anos acreditam estar melhor do que suas mães na mesma idade e 89% delas se consideram "muito novas para se sentirem velhas". Além disso, 91% opinaram que anúncios publicitários deveriam representar a realidade etária das consumidoras de forma mais realista. Outras grandes empresas de produtos de higiene pessoal e cosméticos têm dirigido esforços constantes de marketing para jovens senhoras.

A comunicação está entre as fronteiras mais polêmicas no trato do aumento da longevidade e do envelhecimento da população. Atualmente, muitos temem, por exemplo, que ao anunciar que um automóvel é perfeitamente adaptado para um idoso sejam perdidas mais vendas do carro para jovens do que conquistados clientes da terceira idade. No entanto, atentos ao potencial de consumo desses consumidores, vários setores econômicos abandonaram preconceitos antigos, frente ao potencial de retorno ao focar os mais idosos. Uma revista, com o sugestivo nome de "Elixir", e um programa de televisão em rede de grande audiência foram lançados na Europa para falar exclusivamente aos boomers. Sinal de que há empresas suficientemente interessadas em ajudar a sustentar com patrocínios e anúncios publicitários esses veículos nos países mais ricos.

A boa notícia para as pessoas em conseqüência disso, diz Kalache, da OMS, é que nunca foi tão bom envelhecer nos países mais desenvolvidos. "Há novidades da medicina, mais serviços e uma nova consciência da sociedade", avalia ele. Segundo dados apresentados por Kalache, estima-se que o aumento da expectativa de vida tenha adicionado cerca de US$ 70 trilhões à economia americana desde 1970. Um setor que vem sendo fortemente impactado por essa avalanche de consumo é o de refeições fora de casa. Na Europa, pessoas com mais de 50 anos comem fora entre 4 e 5 vezes por semana.

O bairro de Copacabana, um dos que mais concentra idosos no mundo todo, acabou se tornando inspiração para o projeto Cidades Amigas dos Idosos, da OMS, que começou no bairro carioca. O objetivo é reunir informações úteis para uso de pessoas de mais idade. Os primeiros resultados serão publicados em 1 de outubro, Dia Internacional dos Idosos. O guia das cidades amigas dos idosos será lançado simultanemente em Londres e em Genebra. O lançamento da versão em português está previsto para 8 de outubro.

Assim como governos e empresas estão atentos à questão do envelhecimento, pessoas se preocupam com sua sobrevivência no futuro. Olhando para os sistemas públicos de previdência, muitos já percebem que a corda poderá se romper do lado mais fraco, ou seja, poderá faltar dinheiro para financiar o futuro de uma multidão de aposentados. Pesquisa do HSBC com clientes do banco em todo o mundo revelou que, no ano passado, 43% dos entrevistados acreditavam que os indivíduos devem arcar com a maior parte dos custos financeiros de sua aposentadoria, enquanto apenas 30% pensam que essa responsabilidade cabe ao governo.

No Brasil, o relativamente novo mercado de previdência privada dispara em velocidade impressionante. Atualmente, é investida em planos privados uma quantia superior a R$ 110 bilhões, valor que não chegava a R$ 30 bilhões há quatro anos. "Os brasileiros já tomaram consciência de que o sistema público não conseguirá oferecer todas as necessidades que terão na aposentadoria", diz Renato Russo, vice-presidente de Previdência da SulAmérica

Por enquanto, o INSS é a principal fonte de renda dos brasileiros de mais idade. Pesquisa recente com mais de 3,7 mil pessoas, sendo dois terços de idosos, da Fundação Perseu Abramo (FPA), patrocinada pelo Sesc, revelou que 22% dos idosos com mais de 60 anos ainda fazem parte da População Economicamente Ativa (PEA). Gustavo Venturi, coordenador do levantamento, diz que a maioria dos idosos tem como principal fonte de renda a aposentadoria e ajudam financeiramente as famílias. Segundo a pesquisa, 91% dos idosos contribuem de alguma forma para a renda familiar, sendo a aposentadoria ou pensão a fonte de renda mais freqüente.

Como as fontes de renda da maior parte dos idosos são a aposentadoria ou a pensão, as famílias se apóiam na certeza da virtual infinitude desses recursos. "Ocorre que, por conta do elevado índice de emprego informal ou desemprego, a aposentadoria acaba sendo a única renda certa de muitas famílias", diz Venturi.

Como a longevidade aumenta e os aposentados vivem mais, os recursos para a aposentadoria deveriam vir cada vez mais de poupanças individuais, afirma Indermit Gill, consultor econômico do Banco Mundial, em texto publicado no site da instituição. Contudo, a própria América Latina, alvo principal do estudo que Gill realizou, já viu nas últimas duas décadas doze países levarem do Estado para a iniciativa privada a responsabilidade pela previdência, com sucesso bastante questionável. Na região - onde o sistema público já entrou em colapso antes de a população envelhecer de forma mais crítica -, as estratégias privadas não serviram para incluir mais pessoas na cobertura de sistemas de previdência. Eram caras demais para muitos, especialmente os mais pobres, a contribuição destinada a contas particulares e as taxas cobradas pelas instituições. Além disso, os custos de transição eram elevados e os planos não se mostraram blindados contra problemas macroeconômicos que ocorreram.

Seja a poupança para a aposentadoria pública ou privada, compulsória ou não, o cenário atual indica algumas tendências praticamente inevitáveis. Os trabalhadores terão de começar a poupar mais cedo e por mais tempo e deverão trabalhar também por mais tempo, até a aposentadoria. A pesquisa do HSBC aponta que, com a vulgarização do debate a respeito dos déficits da previdência, muitos já adquiriram essa consciência. Segundo o levantamento, quase dois terços dos entrevistados em 2006 declararam a opção ou capacidade do indivíduo como primeiro critério a se observar quando chega a hora de decidir sobre a aposentadoria, inclusive pela impossibilidade física de continuar a trabalhar.

A pesquisa da Fundação Perseu Abramo/Sesc vai na mesma direção. "A maioria não se considera idosa", diz Venturi. Vê-se a terceira idade como um conjunto de problemas que ainda não se percebe na própria vida. Segundo a pesquisa, as pessoas levaram o conceito de terceira idade para além dos 71 anos, 11 além do comum até pouco tempo atrás. "Os idosos têm muitos desejos e planos, como hobbies, lazer, trabalho, até mesmo o estudo, já que metade deles, no Brasil, são analfabetos funcionais", diz Venturi. Então, trabalhar por mais tempo pode ser simplesmente um meio de se manter fisicamente ativo e saudável, como mostrou a pesquisa do HSBC.

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Florestas em pé, para quê?

Gustavo Faleiros
Publicado pelo
Valor Online em 20/07/2007

Já se faz algum controle florestal, mas não o suficiente para impedir o desmatamento que cria desertos como os já observados em partes de Rondônia
Foto Rodrigo Baleia / Folha Imagem

O combate ao desmatamento de florestas nativas ganhou dimensão política e econômica nunca antes alcançada, graças, em grande medida, à intensificação do debate sobre mudanças climáticas. Com isso, começam a delinear-se perspectivas para o financiamento internacional da preservação de recursos verdes e de todo seu conteúdo de biodiversidade. Persistem, porém, obstáculos à concretização das melhores expectativas a esse respeito, no Brasil, por razões também relacionadas à qualidade da percepção, ultrapassada, que aqui se tem de relações entre uso controlado de recursos naturais e crescimento econômico.

No último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) se reconhece, com grau elevado de certeza, que as emissões causadas por mudanças no uso da terra, ou seja, desmatamentos e queimadas, respondem por até 20% das emissões mundiais de gases de efeito estufa. É a segunda maior contribuição após o setor de energia. Verificou-se ainda que o modo mais barato de fazer um corte drástico na poluição atmosférica seria evitar a perda de florestas tropicais.

O Banco Mundial dá os primeiros passos para criar um mecanismo internacional de financiamento para países com grandes porções de floresta preservada: vai colocar dinheiro em atividades econômicas que mantenham as árvores de pé e calculará quanto carbono deixará de ser emitido ao se evitar a queima da vegetação. Assim, será possível gerar créditos que serão vendidos a países e empresas que precisam reduzir seus gases estufa. A idéia está em fase preliminar, mas o banco já anunciou que terá US$ 200 milhões para projetos-piloto até 2014.

A criação de instrumentos internacionais de controle sobre as florestas nativas é discutida há algum tempo. Esperava-se que, assim como foram instituídas nas Nações Unidas as convenções para lidar com o clima e a biodiversidade, houvesse um fórum específico para cuidar de questões florestais. O projeto esbarrou na resistência dos países em desenvolvimento (entre eles, o Brasil) em submeter seus recursos naturais a controle internacional. A questão de soberania ainda pesa, mas o aquecimento global abriu as portas para que as nações ricas em biodiversidade sejam instadas a preservá-la. E, assim como durante toda a década de 1990 o crédito internacional esteve atrelado à estabilidade econômica e ao combate à inflação, não é exagero dizer que se caminha para a concessão de financiamentos internacionais condicionados à estabilidade ambiental com controle do desmatamento.

O pesquisador da Universidade de Oxford Andrew Mitchell explica que, além da questão do clima, os países devem discutir como recompensar os serviços providos por ecossistemas preservados. As chuvas de zonas agrícolas estão ligadas à transpiração das áreas com florestas tropicais e por isso a produção deve sustentar a conservação. "Devemos olhar não apenas o clima, mas todo o sistema, e o papel importante que as florestas desempenham."

A idéia de dar maior valor financeiro a ecossistemas preservados tem atraído a atenção de políticos brasileiros. Eduardo Braga (PMDB), governador do Amazonas, foi o precursor no país e seu discurso está sempre pontuado pela retórica do "desmatamento zero". Braga lançou recentemente o Bolsa-Floresta, no qual se propõe pagar até US$ 500 por ano para pequenos proprietários que não derrubarem suas florestas. A disposição de organismos internacionais para financiar idéias como essa interessou também o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS). Sempre criticado por liderar o Estado com os mais altos índices de destruição da floresta amazônica, Maggi, um dos maiores produtores de soja do país, defende a idéia de que não se derrube nem mais uma árvore sequer. Para isso, diz, os produtores devem ser recompensados financeiramente.

Com poucas exceções, a maioria dos países promoveu notável destruição da vegetação nativa durante os ciclos de prosperidade. No Brasil, mesmo os ciclos econômicos pré-industriais foram calcados na destruição da Mata Atlântica. Hoje, são os países pobres que mais desmatam, como se vê no relatório bianual "O Estado das Florestas no Mundo", da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), publicado em março. Entre 2000 e 2005, o planeta perdeu 7,3 milhões de hectares de florestas.

A África responde por 55% do desmatamento mundial. O Brasil é o país que, isoladamente, mais destrói florestas em todo o mundo. Entretanto, registra-se na Europa um crescimento de 7% nas áreas florestadas, desde 1990. Na América do Norte, o panorama não chega a ser de crescimento, mas de estabilidade. Nos últimos 15 anos, americanos e canadenses reflorestaram vegetação no mesmo ritmo em que suprimiram.

Portanto, pode ser equivocada a concepção, largamente difundida no debate ambiental - e muito cara ao governo Lula - de que riqueza e progresso estão associados a danos ao ambiente. Diz Giuseppe Topa, especialista em florestas do Banco Mundial, que na bacia do Congo, região com as maiores extensões de floresta tropical após a do rio Amazonas, o desmatamento e a pobreza estão intimimamente ligados. Lá, as pessoas esgotam os recursos naturais e se tornam cada vez mais miseráveis.

Em alguns países da Ásia, o crescimento econômico incentivou investimentos na recuperação e conservação de florestas. O Oriente distante, que exclui a Rússia e os países árabes, teve aumento de 1,6% das áreas com floresta entre 2000 e 2005. Isso ocorreu graças à China, país com as mais altas taxas de crescimento econômico no globo, que planta 4 milhões de hectares de árvores todos os anos.

Nos últimos dois anos, a taxa de desmatamento na Amazônia caiu pela metade, de 2,6 milhões de hectares/ano para algo como 1,3 milhão de hectares. Mas o quê não se sabe ainda é se essa queda tem relação com políticas públicas do governo Lula, que colocou a Polícia Federal no encalço de madeireiras ilegais, ou reflete a queda no preço de commodities agrícolas, que teria reduzido o ímpeto da ocupação de terras por fazendas de soja e gado.

De toda forma, parece haver um movimento relativamente forte de valorização dos ativos da floresta nativa brasileira. Para além da retórica do desmatamento zero, há grupos de pesquisadores, principalmente na Embrapa, empenhados em verificar como se pode aumentar a produtividade agrícola de áreas que já estejam desmatadas, para não se avançar em zonas preservadas. Ao mesmo tempo, o governo federal, através de concessões públicas para a exploração florestal, tenta legalizar a produção de madeira e outros bens florestais. O mesmo modelo está sendo reproduzido no Pará, no Acre e outros Estados.

Criar uma economia florestal forte é uma saída para conservar as florestas, gerar desenvolvimento regional e contribuir para o controle do aquecimento global. A tese foi defendida recentemente, em entrevista ao Valor, pelo pesquisador Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). "Nós, a SBPC, a Academia Brasileira de Ciências e vários cientistas estamos propondo verdadeira revolução científica e tecnológica na Amazônia, que desenvolva as bases empresariais, sociais e econômicas de uma economia baseada no valor da biodiversidade", afirmou Nobre.

O combate ao aquecimento global traz uma boa oportunidade para se aumentar o valor econômico das florestas. No xadrez das negociações internacionais da Convenção das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, países desenvolvidos mostram-se razoavelmente dispostos a financiar nações emergentes, como o Brasil, que se disponham a coibir a degradação de regiões preservadas. No entanto, a maior dificuldade está em como arquitetar um sistema no qual os países que recebam recursos possam comprovar que estão realmente barrando a degradação. Isso exigiria investimentos em monitoramento e fiscalização.

"Transparência é peça-chave no combate ao desmatamento", argumenta Mike Packer, diretor da Globe International, organização que promove encontros entre parlamentares do G8 com representantes das economias emergentes, como Brasil, China e Índia. A Globe está elaborando propostas para aumentar a governança sobre as atividades florestais nos países em desenvolvimento. Isso inclui desde a criação de mapas com todas as áreas cobertas com vegetação nativa até estabelecer políticas de acompanhamento das taxas de desflorestamento, algo que já ocorre na Amazônia brasileira, mas está longe de se tornar realidade em países africanos.

Aumentar o controle e transparência, embora essencial para concretizar um mecanismo internacional de financiamento para a conservação de florestas nativas, ainda gera resistências em boa parte dos diplomatas do governo Lula. Nas negociações do novo acordo para o combate às mudanças climáticas, que substituirá o Tratado de Kyoto em 2013, a diplomacia brasileira não quer ver a comunidade internacional determinando quais serão os limites para a degradação em solo nacional. Conter o desmatamento, afinal, significa interferir na questão agrícola e fundiária em nível doméstico. Sem metas claras, mesmo que não sejam ambiciosas como o desmatamento zero, será difícil ver dinheiro saindo dos países ricos.

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quarta-feira, 18 de julho de 2007

Congresso internacional sobre captação de recursos para escolas e instituições de ensino superior acontece em São Paulo

Com o tema "Fundraising: Captação de Recursos" acontece, nos dias 21 e 22 de setembro em São Paulo, o 1º Congresso Internacional para Escolas e Instituições de Ensino Superior. O evento é promovido pelas Faculdades Integradas Rio Branco e pela AFP - Association of Fundraising Professionals, a maior organização mundial em captação de recursos, com sede em Arlington, Estados Unidos.

O objetivo central do congresso é reunir lideranças de escolas e instituições de ensino superior para debater, trocar experiências e mostrar que é possível desenvolver a cultura da sustentabilidade nas instituições de ensino no Brasil, e em países da América Latina, por meio da captação de recursos (fundraising).

A idéia é apresentar as estratégias para esta arrecadação, seja ela por meio da mobilização de recursos financeiros ou humanos, aumentando assim a capacidade da instituição e sua importância na sociedade civil. Entre os temas discutidos estão:
. a apresentação de experiências bem-sucedidas na captação de recursos, como a dos Estados Unidos e até a de países da América Latina, como o México;
. a identificação dos problemas que interferem a cultura de doações no Brasil;
. o debate sobre a legislação brasileira, visando aprimorar e facilitar o recebimento dos recursos.

O Congresso vai tratar também da exeqüibilidade deste novo modelo de captação de verbas, por meio de planejamento estratégico, gestão financeira e processos orçamentários e quer estimular os participantes a iniciar projetos de arrecadação, por meio do bom relacionamento com ex-alunos e potenciais doadores.

Espera-se cerca de 400 executivos e líderes do setor educacional no Brasil e exterior. Representantes de renomadas universidades, como Harvard, fazem parte do corpo de palestrantes.

Custódio Pereira, diretor-geral das Faculdades Integradas Rio Branco e especialista em Ensino Superior e Captação de Recursos, é o responsável pelo evento no país. Recentemente, publicou "Sustentabilidade e Captação de Recursos na Educação Superior no Brasil", que relata experiências bem-sucedidas no assunto.

Mais informações (adesões, palestrantes, agenda etc.) no site http://www.fundraising.com.br/.

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Mudança climática gera novos negócios

Altamiro Silva Júnior
Publicado pelo
Valor Online em 18/07/07

Segundo Sanxes, da Tokio Marine, seguradora desenvolveu precificação própria
Foto Sergio Zacchi / Valor


Mudanças climáticas, preocupações com energias alternativas e critérios de sustentabilidade já trazem novos negócios para o mercado de seguros. A Unibanco AIG criou o seguro de risco ambiental, que cobre danos que uma empresa possa causar ao meio ambiente. A Tokio Marine resolveu apostar no seguro para usinas de biocombustíveis e lucrar com o crescente interesse pelo etanol. A companhia já tem apólices de três usinas e está fechando com mais outras duas. Já a alemã AGF criou um seguro para florestas cultivadas.

Um relatório recente da Munich Re, uma das maiores resseguradoras do mundo, afirma que o aquecimento global pode aumentar a ocorrência de maremotos e ciclones no mundo em 2007 e nos próximos anos. A resseguradora já se prepara para um aumento na demanda deste tipo de cobertura, que vão exigir maior sofisticação e formas de avaliação. No ano passado, as catástrofes naturais trouxeram perdas de US$ 50 bilhões ao redor do mundo, dos quais US$ 15 bilhões estavam segurados.

No Brasil, a Unibanco AIG foi a pioneira no segmento. Lançou um seguro específico para riscos ambientais há pouco mais de dois anos e conta com 15 empresas na carteira. Segundo Ney Ferraz Dias, diretor da seguradora, o número ainda é baixo perto do potencial do mercado. "Mas pelo estágio que está, é um bom começo", diz. Lá fora, a americana AIG é líder no setor e detém 80% dos prêmios mundiais, que somam US$ 3 bilhões. Entre as 15 empresas, há companhias do setor petroquímico, petróleo e químico. Há ainda algumas metalúrgicas e até uma editora, que contratou a apólice por causa dos riscos que a gráfica possa trazer ao meio ambiente.

Mauro Dias, da corretora Marsh, que ajudou a desenvolver o produto junto com a Unibanco AIG, vê no mercado um movimento de outras seguradoras para entrar no segmento de riscos ambientais, mas com apólices diferentes da do Unibanco. A AGF lançou o seguro para florestas cultivadas, que protege contra chuva excessiva, ventos fortes e inundação.

Com o avanço das preocupações com o meio ambiente, ter um seguro ambiental passou a contar pontos extras para as empresa listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e interessadas em fazer parte do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Uma das perguntas do questionário é justamente sobre que tipo de apólice a empresa tem e se ela cobre, por exemplo, danos ambientais.

Luiz Alberto Pestana, diretor da UBF Garantias, vê grandes oportunidades para o setor de seguros com as mudanças ambientais. O executivo, porém, não vê uma enxurrada de novos produtos chegando ao mercado. Antes disso, ele vê um crescimento no uso dos produtos tradicionais, já existentes, mas adaptados para o setor, como as usinas de energia limpa e transporte de cargas perigosas.

A Tokio Marine resolveu apostar justamente neste segmento. A companhia, conhecida por atuar forte com grandes riscos industriais, resolveu levar para o mundo dos biocombustíveis produtos que já oferecia, como as apólices que cobrem risco de engenharia (que inclui a instalação e montagem de equipamento de uma planta industrial). A diferença é que a seguradora conseguiu desenvolver alguns diferenciais, principalmente com relação a determinação do preço do seguro. "Criamos uma taxação própria", diz Alexandro Sanxes, gerente da área de riscos de engenharia da Tokio.

A seguradora montou em 2005 um comitê formado por sete engenheiros para discutir o assunto. O resultado foi uma fórmula sofisticada, que leva em conta até o resultado da reação do etanol com o óleo de mamona (ou outra matéria-prima usada para produzir o biocombustível). Como esta é a principal reação em uma usina, qualquer problema com ela pode afetar o preço do seguro. "Enquadramos este tipo de risco na definição do preço", diz o executivo.

As usinas seguradas pela Tokio estão bem espalhadas pelo país, incluindo uma planta no Rio Grande do Norte, outra em Minas Gerais e mais outra no Rio Grande do Sul. Segundo Sanxes, a preocupação com maior geração de energias alternativas está aumentado o tamanho das usinas. As primeiras plantas seguradas pela Tokio não passavam dos R$ 20 milhões. Agora, chegam até a R$ 150 milhões.

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Empresas contestam cobrança de ICMS de consumo de baixa renda

Zínia Baeta
Publicado pelo Valor Online em 18/07/07


A Cemig Distribuição obteve na Justiça de Minas Gerais uma liminar que suspende a cobrança de aproximadamente R$ 80 milhões pelo Governo do Estado. Com a liminar, a companhia pôde participar de leilões de energia ocorridos no mês passado. A empresa estava impedida de participar de operações desta natureza em razão da discussão tributária travada com o Estado de Minas Gerais, que cobra uma diferença do ICMS sobre as contas dos consumidores residenciais de baixa renda - aqueles cujo consumo mensal está na faixa de 80 Kwh. A disputa levada à Justiça pela Cemig é comum também a outras companhias do setor. As empresas CPFL, Elektro e Bandeirante, por exemplo, também foram ao Judiciário do Estado de São Paulo questionar o pagamento da diferença do imposto das contas destes consumidores.

A advogada que representa a Cemig na ação, Bianca Delgado, do escritório Décio Freire Advogados, afirma que os consumidores de baixa renda são beneficiados por um subsídio previsto em lei federal, cujo objetivo é reduzir o valor final da conta. O que a Cemig e outras empresas discutem é a cobrança do ICMS pelos Estados também sobre o montante da conta que é subsidiado. Segundo ela, a tese defendida é a de que o imposto deve incidir somente sobre a parte não subsidiada, sob o risco de tornar inócua esta política de redução tarifária.

O diretor jurídico da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Braz Pesce Russo, diz que o valor do subsídio é arrecadado dos demais consumidores de energia, a partir de um valor embutido na tarifa. No caso da discussão tributária, e a título de exemplificação, ele diz que se uma conta é de R$ 100,00, com um subsídio de R$ 30,00, o consumidor pagará somente R$ 70,00. E sobre este valor deveria incidir o ICMS. Mas, segundo ele, alguns governos entendem que o imposto deverá recair sobre os R$ 70,00 e também sobre o subsídio de R$ 30,00.

Russo afirma que a cobrança desta diferença do imposto começou a partir de 2004 com a edição do um Convênio nº 79 do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), por meio do qual alguns Estados dispensaram as empresas de pagarem multas e juros sobre a diferença do ICMS passado - entre maio de 2002 e agosto de 2004. "Até 2004 ninguém recolhida nada", afirma o diretor. De acordo com Russo, algumas empresas têm questionado a cobrança e outras têm repassado a diferença para o consumidor residencial de baixa renda. Há também Estados que não promovem a cobrança da diferença, caso de Pernambuco. E outros que cobraram somente a partir de 2004.

No entendimento da associação, o subsídio seria uma espécie de indenização e não ocorreria a venda de mercadoria. Por este motivo, não poderia haver a tributação. Em termos financeiros, as concessionárias não são afetadas pela cobrança do ICMS sobre as contas, pois quem pagará a diferença é o consumidor. No entanto, Braz entende que esse pagamento retira o subsídio e seu objetivo social. Além disso, com uma conta maior, o risco de inadimplência dos consumidores é maior.

As empresas CPFL, Elektro e Bandeirante, por meio de suas assessorias de imprensa, informaram que não comentariam o assunto. Procurada pelo Valor , a Advocacia Geral do Estado de Minas Gerais também não comentou a disputa com a Cemig.

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Governo vai proibir o plantio de cana na Amazônia e no Pantanal

Mauro Zanatta
Publicado pelo
Valor Online em 18/07/07

O governo anunciou ontem que passará a controlar a expansão da cana-de-açúcar no país para evitar acusações de agressão ambiental e reduzir a pressão sobre áreas dedicadas à produção de alimentos. A medida também incluirá uma certificação socioambiental obrigatória de lavouras de cana e de usinas sucroalcooleiras.


O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, informou que a intervenção estatal buscará proibir o plantio da matéria-prima em regiões consideradas inadequadas pelo governo. "Um mapa de restrições vai proibir o plantio de cana-de-açúcar nos biomas da Amazônia, do Pantanal e de outros que ainda estamos estudando, mas não divulgaremos agora", disse. "Será totalmente proibido [nesse locais]. É uma decisão de governo". As outras áreas podem ser regiões específicas do cerrado e do pampa gaúcho.

Em entrevista no ministério, Stephanes anunciou, ainda, que o zoneamento ecológico-econômico (ZEE) do governo estará pronto em um ano e indicará as áreas onde será permitido cultivar cana e as localidades onde haverá a concessão de incentivos ao plantio, como um adicional de crédito rural oficial e isenções fiscais. "O mapa vai dizer onde será permitido [plantar] e as áreas com incentivos onde teremos plantio, como áreas de pastagens degradadas", disse. O ZEE levará em conta as condições de clima e solo em cada microrregião do país.

O secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do ministério, Marcio Portocarrero, calcula que, somente em Mato Grosso do Sul, há 10 milhões de hectares de pastagens degradadas que poderiam ser utilizadas e onde seriam incentivados o plantio de cana. "É uma maneira de ordenamento territorial para evitar denúncias de avanço em áreas protegidas, como Amazônia, e a ocupação de áreas produtoras de alimentos pela cana", afirmou.

A decisão do governo federal reproduz medidas já adotadas em administrações estaduais e municipais. Em Mato Grosso do Sul, há restrições para o plantio de cana na bacia do rio Paraguai. Em Rio Verde (GO), a prefeitura debate regras para conter a explosão do cultivo de cana e proteger áreas de plantio de soja, milho e algodão.

A certificação socioambiental para as lavouras e as usinas será um fator restritivo para a comercialização da produção. "Haverá uma certificação socioambiental do Inmetro para todo o processo, desde as lavouras até a qualidade do álcool. Isso está sendo tratado com extremo cuidado", afirmou Stephanes. O ministro disse também que as medidas não incluirão as plantas já em atividade. "As usinas que já estão implantadas não serão atingidas. Mas possivelmente terão problemas de certificação". Os estudos estão sendo conduzidos pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).

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Aposentados são recrutados para suprir a falta de especialistas

Andrea Giardino
Publicado pelo Valor Online em 18/07/07

Pedro Paulo Scoffano, 63 anos, 12 meses após ter se aposentado pela Petrobras, foi chamado de volta pela estatal
Foto Silvia Costanti / Valor


Em novembro de 2002, o administrador de empresas Pedro Paulo Scoffano, 63 anos, retornava ao mercado de trabalho, 12 meses após ter se aposentado pela Petrobras, onde começou como estagiário e saiu como assistente do superintendente da Gaspetro (braço da estatal). Quando se despediu de uma carreira em ascensão de 22 anos, ele não imaginava que pouco tempo depois retornaria à casa. Mas a explosão do setor de petróleo e gás, que resultou num 'gap' de mão-de-obra especializada, vem levando muitas companhias a buscar profissionais já aposentados, como ele.

Scoffano foi chamado por uma assessoria na área de gestão empresarial, escolhida por meio de licitação para prestar serviços à gigante do petróleo, passando a atuar como consultor. "Este é um segmento bem complexo, que exige um profundo grau de conhecimento técnico dos processos", afirma. "E o mundo acadêmico não consegue acompanhar o ritmo de crescimento acelerado do mercado. Resultado, os recém-formados acabam não saindo prontos".

A realidade do setor de petróleo também se aplica em outras áreas, como a de mineração, siderurgia, seguro e construção, que vivem seus melhores momentos. Consequentemente, o boom dos novos investimentos reflete na abertura de inúmeras vagas não preenchidas pela falta de gente preparada. E a alternativa encontrada diante do problema tem sido trazer de volta profissionais experientes que penduraram a chuteira. "É um fenômeno interessante, porque o mercado normalmente descarta quem já passou dos 50", avalia André Bocater, diretor geral da Case Consulting, consultoria especializada na seleção de profissionais para média gerência.

"Mas vale ressaltar que esse movimento só acontece em funções que exigem do profissional um perfil técnico ou segmentos que enfrentam a escassez de talentos", observa. Ele destaca que no setor de petróleo e gás não há gerentes de operação ou gerentes técnicos disponíveis. O mesmo pode ser observado em indústrias que precisam hoje de engenheiros químicos, que migraram de área por conta da falta de boas oportunidade no passado e agora são de novo bastante valorizados.

De acordo com Bocater, tirá-los da concorrência sai bem mais caro, já que quem está empregado nessas áreas ganha altos salários e benefícios. "Não quer dizer que todo mundo vai se aposentar e ter emprego garantindo. Apenas esses profissionais que construíram carreira em setores extremamente especializados ou que vêm se expandindo", afirma. Em geral, os aposentados que voltam à ativa são contratados como pessoa jurídica.

Por outro lado, com medo de perderem suas mentes brilhantes e não acharem substitutos no mercado, algumas companhias retêm os executivos após a aposentadoria. "O mercado está aquecido e as empresas não podem segurar os negócios por falta de gente", avalia Karin Parodi, sócia da Career Center, consultoria especializada em orientação de carreira. "Vemos companhias desenharem programas de aposentadoria com o objetivo de não deixar as pessoas sairem".

Sérgio Duarte Cruz, 73 anos, recebeu proposta da diretoria da Marsh, multinacional americana que atua no gerenciamento de riscos e seguros, para permanecer na companhia como consultor após sua aposentadoria - na época ele tinha 65 anos. Seus mais de 40 anos de casa pesaram na decisão da empresas em mantê-lo. Poucos conhecem o setor de segurança patrimonial, análise de risco, roubo e prevenção como ele.

"Tinha até convite para trabalhar em outra empresa. No entanto, resolvi ficar porque aqui faço o que gosto, sem ter a responsabilidade administrativa de antes, como funcionário", destaca. Cruz está sempre viajando, algo que lhe agrada por permitir fugir da rotina. "Faço inspeções, avaliação de risco e auditoria, esse trabalho que complementa o que ganho com minha aposentadoria". Além dele, a empresa possui outros aposentados em seus quadros, responsáveis por tarefas bastante peculiares, dominadas sobretudo por profissionais bem mais experientes.

Luiz Alberto Bezerra, 60 anos, foi até promovido quando comunicou a empresa que estaria se aposentando. Convidado em 2003 a ocupar a gerência corporativa de recursos humanos do grupo Orsa - indústria dos setores de celulose, papel e embalagens -, até então era responsável pela parte administrativa de uma das unidades da holding, em Paulínia, interior de São Paulo. "Foi um salto importante, porque fiquei com todas as áreas de RH do grupo sob o meu comando", afirma.

"A empresa reconhece o profissional com experiência, que possui uma bagagem difícil de achar por aí". Bezerra acredita que a valorização do profissional mais velho começa a ser uma prática em alguns mercados. "É claro que imaginava permanecer na organização, mas não esperava ser chamado para subir degraus", diz. O que para ele é um bom indicador de que os cabelos brancos significam experiência e capacidade de lidar com situações em que os mais novos possuem pouco traquejo.

Na opinião de Flávio Kosminsky, sócio da Korn/Ferry INternational, empresa de recrutamento de alto executivos, trazer de volta aqueles que já saíram do mercado ou manter profissionais aposentados é uma opção que vem se tornando comum às companhias com déficit de talentos. "Formar bons profissionais leva em torno de 10 a 15 anos. Não dá para esperar esse tempo. A demanda é bem superior à oferta de gente preparada", explica. "No setor de petróleo então, a situação é mais grave. São posições extremamente especializadas em exploração e produção". Para o executivo, essa caça aos aposentados deve permanecer forte nos próximos oito anos, pelo menos, quando os os mais jovens estarão lapidados.

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Estão abertas as inscrições para o Prêmio Melhores Microempreendedores 2007

Publicado no site do Citibank

Maria da Silva M. Castro, premiada com o 2º lugar na categoria Comércio em 2006 pelo Banco do Nordeste - Crediamigo PI.

A iniciativa realizada pelo Citibank, em parceria com as ONGs ACCIÓN International e Gaia (Grupo de Aplicação Interdisciplinar a Aprendizagem), distribuirá mais de R$ 50 mil em prêmios para 9 empreendedores de pequenos negócios que se destacam em suas atividades e que contribuem para a sustentabilidade de suas famílias e das comunidades onde estão inseridos. Este ano, além dos prêmios em dinheiro, os vencedores e as 5 Instituições que mais enviarem projetos qualificados ainda receberão uma capacitação ministrada pela FGV-SP.

Faça o download dos arquivos e abaixo veja como a sua instituição pode inscrever seus clientes:
Ficha de Inscrição
Regulamento
LSE

Para mais informações ligue para (11)4009-2004 (Cleidiane Matos) eu envie um e-mail para responsabilidade.social@citi.com

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UOL gerencia compras via internet

André Borges
Publicado pelo Valor Online em 17/07/07

O portal e provedor de acesso à internet Universo Online (UOL) colocou no ar ontem a sua nova plataforma de meios de pagamento para compras realizadas via internet. O serviço, batizado de PagSeguro, é resultado da aquisição da empresa capixaba BRpay, comprada no primeiro trimestre deste ano. O portal não informou o valor da transação.

Com a plataforma de meios de pagamento, o UOL pretende explorar um mercado que, até hoje, sofre com a desconfiança de milhares de usuários de internet que relutam em comprar produtos pela web por não conhecerem quem está do outro lado do balcão. Ao efetuar uma transação, o comprador paga por meio do PagSeguro - com boleto, cartão de crédito ou transferência bancária - e tem até 14 dias para bloquear o pagamento se não receber o produto, ou se este chegar em danificado.

O serviço, diz o diretor de projetos especiais do UOL, Ricardo Dortas, é uma alternativa para micros e pequenas empresas que já vendem produtos pela web, mas que enfrentam dificuldades quanto a meios de pagamento.

O recurso permite que o comerciante controle seus recebimentos no próprio site, por meio de log in e senha. Outra possibilidade de pagamento, esta não vinculada à compra de produtos, é a transferência direta entre clientes. O usuário cadastrado pode enviar dinheiro para qualquer pessoa que tenha uma simples conta de e-mail, mesmo que essa não tenha cadastro no PagSeguro. Ao receber o e-mail, o destinatário se cadastra e escolhe se sacará o valor ou se comprará produtos, por exemplo.

A receita do UOL com o serviço virá da cobrança de taxas. Quando uma empresa vender algo utilizando o PagSeguro, pagará entre 1,9% e 2,9% ao portal sobre o valor da transação, se esta for à vista. Em casos de cartão de crédito, a taxa ficará entre 5,4% e 6,4%, dependendo do volume transacionado.

O portal estréia sua nova plataforma de meios de pagamento com uma base de 300 usuários herdados com a aquisição da BRpay. "Queremos pelo menos dobrar esse número até o final do ano", afirma Dortas.

Atualmente há cerca de 10 mil sites ativos no Brasil que, de alguma maneira, já atuam com comércio eletrônico, diz o executivo. O problema é que esse mercado está muito centralizado em poucas empresas. "Nossa projeções apontam que só o Submarino e a Americanas, juntos, concentram entre 55% e 60% de todas as compras via internet", diz o executivo. "Se pegarmos os 30 maiores sites de comércio eletrônico do país, o índice sobe para mais de 95%, enquanto uma Amazon, por exemplo, uma das maiores dos Estados Unidos, tem cerca de 20% do mercado."

O novo serviço do UOL é similar à plataforma de pagamentos on-line Checkout, lançada no ano passado pelo Google. Também tem as mesmas características da PayPal, a mais tradicional do setor. Em 2002, o site de leilões eBay desembolsou US$ 1,5 bilhão pela PayPal. Hoje o serviço vendido para uma infinidade de outras empresas de comércio eletrônico dos EUA se converteu em uma das maiores fontes de receita do site de leilões.

Atualmente, cerca de 40% dos US$ 11,4 bilhões em pagamentos processados pelo PayPal já são de sites que não o eBay. Apenas no primeiro trimestre deste ano, o PayPal respondeu por um faturamento de US$ 439 milhões, o que lhe dá a liderança no mercado de pagamentos on-line nos EUA, ficando atrás apenas das empresas de cartões de crédito. No primeiro trimestre deste ano, os negócios cresceram 51% em relação ao mesmo período do ano passado.

No Brasil, o comércio eletrônico movimentou pouco mais de R$ 2,6 bilhões no primeiro semestre de 2007, segundo a empresa de pesquisas E-bit. A cifra, que exclui vendas em sites de passagens aéreas, automóveis e sites de leilão, representa um crescimento de 49% em relação ao primeiro semestre de 2006. A média do valor gasto nas lojas virtuais nos primeiros seis meses do ano ficou em R$ 296, 3% acima do registrado em 2006.

No ano passado, 68% das compras pela internet no país foram efetivadas com cartão de crédito. O boleto bancário foi a opção de 12% dos consumidores; enquanto 3% preferiu depósito bancário e 2% cartão de débito. Cheque e dinheiro foram usados por 1%. As pesquisas apontam que mais de 8 milhões de pessoas já fizeram ao menos uma compra pela web no país.

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terça-feira, 17 de julho de 2007

Santander seleciona projetos de educação

Rodrigo Zavala
Publicado pelo
redeGIFE Online em 16/07/07

O Santander recebe, de 16 de julho a 17 de agosto, inscrições de projetos na área de educação destinados a crianças, adolescentes e universitários, orçados em até R$ 60 mil, para serem apoiados pelo programa Parceiros em Ação.

Serão aceitas inscrições de projetos a serem implementados nas regiões Sul e Sudeste do país, com o desenvolvimento em localidades nas quais o Banco tenha agências em operação. Organizações não-governamentais, associações e organizações sociais de interesse público podem obter informações sobre o processo seletivo e os critérios de análise, entre outras, no site www.santander.com.br/social. Os projetos selecionados serão anunciados no início de novembro. O objetivo do programa é apoiar a realização de projetos sociais, com foco educacional, para colocar em prática boas iniciativas, possibilitando o desenvolvimento social do público atendido pelas entidades escolhidas.

Lançado em 2005, o Parceiros em Ação já investiu em projetos de 17 instituições sociais (entre elas Associação Lua Nova, Instituto Sou da Paz e Arrastão), beneficiando cerca de 100 mil crianças e jovens.

O Banco abre inscrições para o programa duas vezes por ano: uma no primeiro e outra no segundo semestre. No primeiro semestre de 2007, foram selecionados cinco projetos para receber apoio: Educadores em Ação: Mapeando as necessidades de aprendizagem dos jovens (SP/SP), da Ação Educativa, Assessoria, Pesquisa e Informação; Curso Preparatório para a 5ª série do Ensino Fundamental (RJ/RJ), do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré – Ceasm; Ação Interativa: Escola, Estudantes e Comunidade Construindo Novas Práticas (Curitiba/PR), da Central de Notícias dos Direitos da Infância e da Adolescência - Ciranda; Qualiescola - Qualidade na Educação de 5ª à 8ª série (SP/SP), do Instituto Qualidade de Ensino; e ContArte: Projeto Contando Histórias e Fazendo Arte (Itajaí/SC), da Universidade Solidária - Unisol.

O Santander promove, também, uma edição especial do Parceiros em Ação, em comemoração aos 150 anos do Banco. Nela, são os colaboradores (funcionários, estagiários e terceiros) de todo o País que indicam, até final de julho, os projetos s serem selecionados pelo programa. A seleção será feita independentemente dos projetos inscritos pela edição tradicional.

A política de responsabilidade social do Santander beneficia projetos educacionais que possam contribuir com o desenvolvimento socioeconômico e ambiental, favorecendo a melhoria da qualidade de vida das comunidades em que atua.

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