sexta-feira, 20 de julho de 2007

Usinas de SP buscam uma melhor gestão socioambiental

Mônica Scaramuzzo e Bettina Barros
Publicado pelo
Valor Online 20/07/2007

As usinas paulistas estão se estruturando para criar uma gestão socioambiental para o setor sucroalcooleiro. Coincidência ou não, o movimento ocorre num momento em que o mercado internacional amplia exigências e privilegia a aquisição de matérias-primas de empresas que adotam políticas de sustentabilidade.

O Valor ouviu quatro grandes grupos de alimentos e bebidas - Nestlé, Unilever, Coca Cola e Ambev - que estão entre os principais consumidores de açúcar do país. Consultadas, todos informaram que possuem políticas de sustentabilidade e que excluem fornecedores que não estão de acordo com o compromisso ético de suas matrizes. Juntas, essas quatro companhias consomem aproximadamente 2 milhões de toneladas de açúcar anualmente, cerca de 20% do volume total do consumo do país (em torno de 10 milhões).

Exceções no mercado, essas empresas fazem parte de um movimento que deverá crescer no país. E as usinas paulistas começam a se estruturar. Em 2001, a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) contratou a consultora Iza Barbosa para uma "mudança de gestão" para o setor inteiro, na qual a responsabilidade social e ambiental das usinas - que por décadas estiveram associadas a desrespeitos humanos e ambientais - ganhasse a mesma prioridade de outros assuntos das empresas. "Praticamente todas as usinas tinham projetos neste sentido, mas não havia como mensurá-los", diz. Até 2003, quase nenhuma das 102 empresas associadas à entidade fazia balanço social de suas empresas. "Hoje praticamente todas fazem [97 das 102]", afirma a consultora.

"Procuramos ter o retorno dessas ações. Não adianta dizer que a gente faz só porque é bonito", afirma Silvio Nicoletti, superintendente do centro de serviços administrativos da Usina São Manoel, instalada na cidade paulista de São Manoel e considerada referência em modelo socioambiental no setor. O grupo investe há quatro anos cerca de 400 mil em projetos nessa área. "Tomamos essa decisão imaginando que no futuro o mercado exigiria da gente um selo verde".

Na prática, já está acontecendo. Segundo Nicoletti, grandes clientes da empresa já vinculam contratos a essas normas. "A Coca-Cola, por exemplo, só compra com essa condição". Mas é uma condicionalidade restrita ainda às multinacionais, que seguem diretrizes impostas pela matriz no exterior . "Nenhuma empresa nacional já nos fez esse pedido".

"Ainda não há movimento nacional neste sentido. Há conversas", confirma Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro, especializada em açúcar e álcool.

É o sinal amarelo vindo de países importadores que já preocupa o setor. Aproximadamente dois terços da produção de açúcar do Brasil é exportada.

Após o primeiro passo de mapear a cadeia produtiva e realizar balanço social das empresas, a Unica, em parceria com o Banco Mundial e o Instituto Ethos, trabalha em um projeto que deverá abranger todos os quase 5 mil fornecedores das usinas, desde os de cana até os de insumos e equipamentos. "Precisamos conscientizar toda a cadeia", diz Iza. "Não adianta a usina seguir o programa e um dos seus fornecedores não se adequar. A usina responde por toda a cadeia".

No caso mais recente em São Paulo, o Ministério Público do Trabalho autuou a Usina Renascença, em Ibirarema, por manter trabalhadores em condições degradantes. Os cortadores de cana trabalhavam para um fornecedor terceirizado. A exemplo da Renascença, outras usinas paulistas e de outros Estados foram autuadas pelo mesmo motivo.

As ações da Unica, no entanto, deverão extrapolar os limites do Estado, na medida em que novas unidades de companhias paulistas são abertas sobretudo na região central do país. "Não temos interesse em transformar São Paulo em um nicho diferenciado de usinas. O comprador pensa em açúcar do Brasil, não em açúcar de São Paulo. Por isso, é importante que as demais regiões sigam o nosso exemplo", diz ela. Já iniciativas avançadas neste mesmo sentido no Nordeste.

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A vida começa aos 60

Danilo Fariello e Catherine Vieira
Publicado pelo
Valor Online 20/07/07

"No dia seguinte ninguém morreu." Assim começa o romance "Intermitências da Morte", de José Saramago, que trata da súbita ausência de óbitos em determinada cidade e das absurdas conseqüências do desaparecimento da Indesejada no cotidiano. No mundo real, a Malfadada não pendurou a foice, mas parece cada vez mais preguiçosa. A expectativa de vida mundial cresceu mais nos últimos 50 anos do que nos cinco milênios anteriores. Os centenários já não são raros nos países desenvolvidos e muitos chegam à terceira idade com saúde e dinheiro para continuar a fazer diferença no mundo. Assim como na fábula do Nobel de literatura, uma revolução acontece à medida que as pessoas passam mais tempo neste mundo. Do ponto de vista econômico, governos têm de lidar com novas questões na saúde, na previdência e nas relações de trabalho. Empresas ganham um novo nicho com um exército de idosos que se forma. E as pessoas, já com idade avançada ou jovens ainda, devem estar preparadas para viver cerca de 20 anos mais do que os seus avós.

Essa revolução se dá, agora, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, onde a longevidade já atinge níveis mais elevados. Multiplicam-se consultorias de marketing e negócios que oferecem estudos sobre os mercados denominados 50+ ou 60+. Lemas como "transforme o grisalho em dourado" ou o irônico "viva até os cem, ou morra tentando" tomam conta da mídia nessas regiões. Os países mais desenvolvidos enfrentam o envelhecimento dos chamados baby boomers, pessoas que nasceram após o término da Segunda Guerra, em 1945, e agora chegam à terceira idade. Pululam produtos e serviços para esse público, como o cranky.com, um site de busca cuja relevância das respostas é a idade do internauta. Os mesmos executivos por trás do cranky, de Boston, criaram o eons.com, uma espécie de Orkut para cabeças brancas ou tingidas.

Segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a parcela da população acima de 65 anos crescerá em média 80% nas sete maiores economias industrializadas até 2050, quase 90% na Rússia, e ainda mais rápido no Brasil, China e Índia. Aqui, o número de pessoas com mais de 65 anos passaria de 5,4% no ano 2000 para 19,2% em 2050. Entre as grandes economias emergentes, apenas a Índia terá idade média abaixo de 40 anos nas próximas décadas, segundo estudo da OCDE produzido no ano passado.

Fatalmente, todos os setores econômicos são afetados pelo aumento da longevidade, inclusive o de entretenimento. Percebe-se essa influência, por exemplo, na produção de filmes cujo foco é o vigor das experiências na velhice, como nos casos de "Elsa e Fred", "Alguém Tem que Ceder" e o nacional "O Maior Amor do Mundo", descoberto por José Wilker na maturidade. Músicos sexagenários, como Bob Dylan e Paul McCartney, voltam com força às paradas de maior sucesso, inclusive no iPod. As novas tecnologias não assustam os mais velhos, como se poderia imaginar: nos Estados Unidos, nada menos que 94% dos boomers (aqueles que nasceram de 1945 a 1955) têm internet em casa.

Como nas culturas indígenas e orientais, o mercado passa a tratar a velhice como sinal de sabedoria, mas, notadamente, de bolso cheio. No ano passado, uma conferência do Hay Market que levou o nome de "Older, richer, wiser" (mais velhos, ricos e espertos) reuniu grupos de mídia, financeiros, de varejo e, principalmente, de lazer, para discutir como explorar melhor esse público representado por números bem estimulantes: 70% dos cruzeiros são freqüentados por pessoas com mais de 50 anos, a mesma faixa em que se vendem 60% dos carros de luxo e 55% dos cosméticos. "O desafio do século XXI é lidar com esse novo mercado", diz Richard Jones, diretor global de previdência complementar do HSBC, que participou do evento do Hay Market.

O lado negativo do envelhecimento da população recai, principalmente, nas costas dos governos. Até 2050, a Europa terá apenas dois trabalhadores para cada aposentado, proporção que hoje é de quatro para um, segundo o estudo "Can Europe afford to grow old?", elaborado pela Comissão Européia de Assuntos Econômicos e Financeiros, publicado no site do Fundo Monetário Internacional (FMI). O estudo aponta riscos para o crescimento econômico europeu no futuro por conta do encolhimento e envelhecimento da população.

Para os autores desse texto, os gastos relacionados à idade da população (incluindo previdência, entre outros) crescerão entre 3% e 4% do PIB até 2050 nos países europeus, o que equivaleria a um aumento de 10% no tamanho do setor governamental. Enquanto atualmente há 35 pessoas acima de 65 anos para cada 100 trabalhadores, em 2050 serão 72 pessoas. Não é necessário chegar perto de uma calculadora para imaginar que faltarão recursos para financiar a aposentadoria de tantos idosos no futuro, se todos se aposentarem aos 65 anos.

Chefe do programa de envelhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS), o brasileiro Alexandre Kalache alerta que está em curso uma enorme mudança de paradigmas, provocada pelo aumento da longevidade, acompanhado de uma redução das taxas de fecundidade. "Até o início dos anos 2000, esse quadro ainda não estava tão claro", lembra ele, apontando que o fenômeno é recente e vai exigir também uma mudança profunda nos costumes. "Tolstói disse que o envelhecimento foi a coisa mais súbita que lhe aconteceu, mas a verdade é que não existe nada mais previsível. Então, é preciso ter sabedoria para se preparar", diz.

Kalache lembra também que os dados de longevidade refletem a expectativa de vida média ao nascer, mas o detalhe mais importante é a expectativa de sobrevida, ou seja, o número estimado de anos excedentes em relação a uma certa média, que tem mudado com o passar do tempo. "Uma mulher, na França, com 60 anos, por exemplo, ainda deve viver mais 30", explica. Contudo, na época em que essa geração de sexagenários nasceu, chegar aos 90 era algo quase impensável. Hoje, esse é o nível médio. "As mulheres são mais longevas e, por essa lógica, o natural seria que se casassem com homens mais novos", brinca Kalache, ao contrário do que se imagina ser mais "normal".

Mas o que as francesas têm a ver com as brasileiras? É simples. Segundo os especialistas, as classes A e B no Brasil tendem a estar muito mais alinhadas com as projeções de longevidade dos países mais desenvolvidos do que a média dos brasileiros. O poder aquisitivo, portanto, também é um fator que tem efeitos sobre a expectativa de viver mais. Moradores de um prédio de luxo de São Paulo tendem a ter 14 anos mais de expectativa de vida do que os habitantes de uma favela do mesmo bairro. "É triste, inaceitável, que essa revolução da longevidade não alcance todos da mesma forma", lamenta Kalache. No Japão, por exemplo, a expectativa de vida ao nascer das mulheres já é superior a 85 anos. Em Serra Leoa, é 34 anos, evidência de que a pobreza é fator determinante da longevidade.

Nos Estados Unidos, o percentual do tempo da vida adulta que as pessoas passam aposentadas saltou de 18% em 1950 para cerca de 30% hoje em dia e a tendência é de crescimento ainda por muito tempo. "No mundo, o número total de pessoas com mais de 80 anos passará dos atuais 88 milhões para 404 milhões no ano 2050. É o subgrupo da população que mais rapidamente aumentará neste 45 anos", diz Kalache. Daí a importância de se conscientizar toda a sociedade para essa nova realidade.

De olho nesses muitos vovôs e vovós, empresas já se reestruturam para atender a uma nova demanda, avalia Robert W. Fogel, Nobel de Economia em 1993 e pesquisador de questões ligadas à longevidade (ver pág.9). Para os idosos conectados, por exemplo, a Vodafone deu início à moda dos telefones básicos, distribuindo o celular A101K, da Kyocera, um aparelho sem visor, sem internet e sem nenhum daqueles brinquedinhos que encantam tanta gente, mas que podem deixar os idosos perdidos. Além de não ter tela, os números do aparelho celular são grandes, para quem já tem a visão debilitada. A indústria automobilística tem adaptado os ângulos das portas, aumenta a potência dos faróis e faz bancos mais macios, entre outros pormenores pensados para corpos mais cansados. O mesmo ocorre com o design de mobiliário e eletrodomésticos.

Estudo encomendado pela Unilever, com abrangência internacional, Brasil incluído, mostrou no ano passado que nove entre dez mulheres acima dos 50 anos acreditam estar melhor do que suas mães na mesma idade e 89% delas se consideram "muito novas para se sentirem velhas". Além disso, 91% opinaram que anúncios publicitários deveriam representar a realidade etária das consumidoras de forma mais realista. Outras grandes empresas de produtos de higiene pessoal e cosméticos têm dirigido esforços constantes de marketing para jovens senhoras.

A comunicação está entre as fronteiras mais polêmicas no trato do aumento da longevidade e do envelhecimento da população. Atualmente, muitos temem, por exemplo, que ao anunciar que um automóvel é perfeitamente adaptado para um idoso sejam perdidas mais vendas do carro para jovens do que conquistados clientes da terceira idade. No entanto, atentos ao potencial de consumo desses consumidores, vários setores econômicos abandonaram preconceitos antigos, frente ao potencial de retorno ao focar os mais idosos. Uma revista, com o sugestivo nome de "Elixir", e um programa de televisão em rede de grande audiência foram lançados na Europa para falar exclusivamente aos boomers. Sinal de que há empresas suficientemente interessadas em ajudar a sustentar com patrocínios e anúncios publicitários esses veículos nos países mais ricos.

A boa notícia para as pessoas em conseqüência disso, diz Kalache, da OMS, é que nunca foi tão bom envelhecer nos países mais desenvolvidos. "Há novidades da medicina, mais serviços e uma nova consciência da sociedade", avalia ele. Segundo dados apresentados por Kalache, estima-se que o aumento da expectativa de vida tenha adicionado cerca de US$ 70 trilhões à economia americana desde 1970. Um setor que vem sendo fortemente impactado por essa avalanche de consumo é o de refeições fora de casa. Na Europa, pessoas com mais de 50 anos comem fora entre 4 e 5 vezes por semana.

O bairro de Copacabana, um dos que mais concentra idosos no mundo todo, acabou se tornando inspiração para o projeto Cidades Amigas dos Idosos, da OMS, que começou no bairro carioca. O objetivo é reunir informações úteis para uso de pessoas de mais idade. Os primeiros resultados serão publicados em 1 de outubro, Dia Internacional dos Idosos. O guia das cidades amigas dos idosos será lançado simultanemente em Londres e em Genebra. O lançamento da versão em português está previsto para 8 de outubro.

Assim como governos e empresas estão atentos à questão do envelhecimento, pessoas se preocupam com sua sobrevivência no futuro. Olhando para os sistemas públicos de previdência, muitos já percebem que a corda poderá se romper do lado mais fraco, ou seja, poderá faltar dinheiro para financiar o futuro de uma multidão de aposentados. Pesquisa do HSBC com clientes do banco em todo o mundo revelou que, no ano passado, 43% dos entrevistados acreditavam que os indivíduos devem arcar com a maior parte dos custos financeiros de sua aposentadoria, enquanto apenas 30% pensam que essa responsabilidade cabe ao governo.

No Brasil, o relativamente novo mercado de previdência privada dispara em velocidade impressionante. Atualmente, é investida em planos privados uma quantia superior a R$ 110 bilhões, valor que não chegava a R$ 30 bilhões há quatro anos. "Os brasileiros já tomaram consciência de que o sistema público não conseguirá oferecer todas as necessidades que terão na aposentadoria", diz Renato Russo, vice-presidente de Previdência da SulAmérica

Por enquanto, o INSS é a principal fonte de renda dos brasileiros de mais idade. Pesquisa recente com mais de 3,7 mil pessoas, sendo dois terços de idosos, da Fundação Perseu Abramo (FPA), patrocinada pelo Sesc, revelou que 22% dos idosos com mais de 60 anos ainda fazem parte da População Economicamente Ativa (PEA). Gustavo Venturi, coordenador do levantamento, diz que a maioria dos idosos tem como principal fonte de renda a aposentadoria e ajudam financeiramente as famílias. Segundo a pesquisa, 91% dos idosos contribuem de alguma forma para a renda familiar, sendo a aposentadoria ou pensão a fonte de renda mais freqüente.

Como as fontes de renda da maior parte dos idosos são a aposentadoria ou a pensão, as famílias se apóiam na certeza da virtual infinitude desses recursos. "Ocorre que, por conta do elevado índice de emprego informal ou desemprego, a aposentadoria acaba sendo a única renda certa de muitas famílias", diz Venturi.

Como a longevidade aumenta e os aposentados vivem mais, os recursos para a aposentadoria deveriam vir cada vez mais de poupanças individuais, afirma Indermit Gill, consultor econômico do Banco Mundial, em texto publicado no site da instituição. Contudo, a própria América Latina, alvo principal do estudo que Gill realizou, já viu nas últimas duas décadas doze países levarem do Estado para a iniciativa privada a responsabilidade pela previdência, com sucesso bastante questionável. Na região - onde o sistema público já entrou em colapso antes de a população envelhecer de forma mais crítica -, as estratégias privadas não serviram para incluir mais pessoas na cobertura de sistemas de previdência. Eram caras demais para muitos, especialmente os mais pobres, a contribuição destinada a contas particulares e as taxas cobradas pelas instituições. Além disso, os custos de transição eram elevados e os planos não se mostraram blindados contra problemas macroeconômicos que ocorreram.

Seja a poupança para a aposentadoria pública ou privada, compulsória ou não, o cenário atual indica algumas tendências praticamente inevitáveis. Os trabalhadores terão de começar a poupar mais cedo e por mais tempo e deverão trabalhar também por mais tempo, até a aposentadoria. A pesquisa do HSBC aponta que, com a vulgarização do debate a respeito dos déficits da previdência, muitos já adquiriram essa consciência. Segundo o levantamento, quase dois terços dos entrevistados em 2006 declararam a opção ou capacidade do indivíduo como primeiro critério a se observar quando chega a hora de decidir sobre a aposentadoria, inclusive pela impossibilidade física de continuar a trabalhar.

A pesquisa da Fundação Perseu Abramo/Sesc vai na mesma direção. "A maioria não se considera idosa", diz Venturi. Vê-se a terceira idade como um conjunto de problemas que ainda não se percebe na própria vida. Segundo a pesquisa, as pessoas levaram o conceito de terceira idade para além dos 71 anos, 11 além do comum até pouco tempo atrás. "Os idosos têm muitos desejos e planos, como hobbies, lazer, trabalho, até mesmo o estudo, já que metade deles, no Brasil, são analfabetos funcionais", diz Venturi. Então, trabalhar por mais tempo pode ser simplesmente um meio de se manter fisicamente ativo e saudável, como mostrou a pesquisa do HSBC.

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Florestas em pé, para quê?

Gustavo Faleiros
Publicado pelo
Valor Online em 20/07/2007

Já se faz algum controle florestal, mas não o suficiente para impedir o desmatamento que cria desertos como os já observados em partes de Rondônia
Foto Rodrigo Baleia / Folha Imagem

O combate ao desmatamento de florestas nativas ganhou dimensão política e econômica nunca antes alcançada, graças, em grande medida, à intensificação do debate sobre mudanças climáticas. Com isso, começam a delinear-se perspectivas para o financiamento internacional da preservação de recursos verdes e de todo seu conteúdo de biodiversidade. Persistem, porém, obstáculos à concretização das melhores expectativas a esse respeito, no Brasil, por razões também relacionadas à qualidade da percepção, ultrapassada, que aqui se tem de relações entre uso controlado de recursos naturais e crescimento econômico.

No último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) se reconhece, com grau elevado de certeza, que as emissões causadas por mudanças no uso da terra, ou seja, desmatamentos e queimadas, respondem por até 20% das emissões mundiais de gases de efeito estufa. É a segunda maior contribuição após o setor de energia. Verificou-se ainda que o modo mais barato de fazer um corte drástico na poluição atmosférica seria evitar a perda de florestas tropicais.

O Banco Mundial dá os primeiros passos para criar um mecanismo internacional de financiamento para países com grandes porções de floresta preservada: vai colocar dinheiro em atividades econômicas que mantenham as árvores de pé e calculará quanto carbono deixará de ser emitido ao se evitar a queima da vegetação. Assim, será possível gerar créditos que serão vendidos a países e empresas que precisam reduzir seus gases estufa. A idéia está em fase preliminar, mas o banco já anunciou que terá US$ 200 milhões para projetos-piloto até 2014.

A criação de instrumentos internacionais de controle sobre as florestas nativas é discutida há algum tempo. Esperava-se que, assim como foram instituídas nas Nações Unidas as convenções para lidar com o clima e a biodiversidade, houvesse um fórum específico para cuidar de questões florestais. O projeto esbarrou na resistência dos países em desenvolvimento (entre eles, o Brasil) em submeter seus recursos naturais a controle internacional. A questão de soberania ainda pesa, mas o aquecimento global abriu as portas para que as nações ricas em biodiversidade sejam instadas a preservá-la. E, assim como durante toda a década de 1990 o crédito internacional esteve atrelado à estabilidade econômica e ao combate à inflação, não é exagero dizer que se caminha para a concessão de financiamentos internacionais condicionados à estabilidade ambiental com controle do desmatamento.

O pesquisador da Universidade de Oxford Andrew Mitchell explica que, além da questão do clima, os países devem discutir como recompensar os serviços providos por ecossistemas preservados. As chuvas de zonas agrícolas estão ligadas à transpiração das áreas com florestas tropicais e por isso a produção deve sustentar a conservação. "Devemos olhar não apenas o clima, mas todo o sistema, e o papel importante que as florestas desempenham."

A idéia de dar maior valor financeiro a ecossistemas preservados tem atraído a atenção de políticos brasileiros. Eduardo Braga (PMDB), governador do Amazonas, foi o precursor no país e seu discurso está sempre pontuado pela retórica do "desmatamento zero". Braga lançou recentemente o Bolsa-Floresta, no qual se propõe pagar até US$ 500 por ano para pequenos proprietários que não derrubarem suas florestas. A disposição de organismos internacionais para financiar idéias como essa interessou também o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS). Sempre criticado por liderar o Estado com os mais altos índices de destruição da floresta amazônica, Maggi, um dos maiores produtores de soja do país, defende a idéia de que não se derrube nem mais uma árvore sequer. Para isso, diz, os produtores devem ser recompensados financeiramente.

Com poucas exceções, a maioria dos países promoveu notável destruição da vegetação nativa durante os ciclos de prosperidade. No Brasil, mesmo os ciclos econômicos pré-industriais foram calcados na destruição da Mata Atlântica. Hoje, são os países pobres que mais desmatam, como se vê no relatório bianual "O Estado das Florestas no Mundo", da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), publicado em março. Entre 2000 e 2005, o planeta perdeu 7,3 milhões de hectares de florestas.

A África responde por 55% do desmatamento mundial. O Brasil é o país que, isoladamente, mais destrói florestas em todo o mundo. Entretanto, registra-se na Europa um crescimento de 7% nas áreas florestadas, desde 1990. Na América do Norte, o panorama não chega a ser de crescimento, mas de estabilidade. Nos últimos 15 anos, americanos e canadenses reflorestaram vegetação no mesmo ritmo em que suprimiram.

Portanto, pode ser equivocada a concepção, largamente difundida no debate ambiental - e muito cara ao governo Lula - de que riqueza e progresso estão associados a danos ao ambiente. Diz Giuseppe Topa, especialista em florestas do Banco Mundial, que na bacia do Congo, região com as maiores extensões de floresta tropical após a do rio Amazonas, o desmatamento e a pobreza estão intimimamente ligados. Lá, as pessoas esgotam os recursos naturais e se tornam cada vez mais miseráveis.

Em alguns países da Ásia, o crescimento econômico incentivou investimentos na recuperação e conservação de florestas. O Oriente distante, que exclui a Rússia e os países árabes, teve aumento de 1,6% das áreas com floresta entre 2000 e 2005. Isso ocorreu graças à China, país com as mais altas taxas de crescimento econômico no globo, que planta 4 milhões de hectares de árvores todos os anos.

Nos últimos dois anos, a taxa de desmatamento na Amazônia caiu pela metade, de 2,6 milhões de hectares/ano para algo como 1,3 milhão de hectares. Mas o quê não se sabe ainda é se essa queda tem relação com políticas públicas do governo Lula, que colocou a Polícia Federal no encalço de madeireiras ilegais, ou reflete a queda no preço de commodities agrícolas, que teria reduzido o ímpeto da ocupação de terras por fazendas de soja e gado.

De toda forma, parece haver um movimento relativamente forte de valorização dos ativos da floresta nativa brasileira. Para além da retórica do desmatamento zero, há grupos de pesquisadores, principalmente na Embrapa, empenhados em verificar como se pode aumentar a produtividade agrícola de áreas que já estejam desmatadas, para não se avançar em zonas preservadas. Ao mesmo tempo, o governo federal, através de concessões públicas para a exploração florestal, tenta legalizar a produção de madeira e outros bens florestais. O mesmo modelo está sendo reproduzido no Pará, no Acre e outros Estados.

Criar uma economia florestal forte é uma saída para conservar as florestas, gerar desenvolvimento regional e contribuir para o controle do aquecimento global. A tese foi defendida recentemente, em entrevista ao Valor, pelo pesquisador Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). "Nós, a SBPC, a Academia Brasileira de Ciências e vários cientistas estamos propondo verdadeira revolução científica e tecnológica na Amazônia, que desenvolva as bases empresariais, sociais e econômicas de uma economia baseada no valor da biodiversidade", afirmou Nobre.

O combate ao aquecimento global traz uma boa oportunidade para se aumentar o valor econômico das florestas. No xadrez das negociações internacionais da Convenção das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, países desenvolvidos mostram-se razoavelmente dispostos a financiar nações emergentes, como o Brasil, que se disponham a coibir a degradação de regiões preservadas. No entanto, a maior dificuldade está em como arquitetar um sistema no qual os países que recebam recursos possam comprovar que estão realmente barrando a degradação. Isso exigiria investimentos em monitoramento e fiscalização.

"Transparência é peça-chave no combate ao desmatamento", argumenta Mike Packer, diretor da Globe International, organização que promove encontros entre parlamentares do G8 com representantes das economias emergentes, como Brasil, China e Índia. A Globe está elaborando propostas para aumentar a governança sobre as atividades florestais nos países em desenvolvimento. Isso inclui desde a criação de mapas com todas as áreas cobertas com vegetação nativa até estabelecer políticas de acompanhamento das taxas de desflorestamento, algo que já ocorre na Amazônia brasileira, mas está longe de se tornar realidade em países africanos.

Aumentar o controle e transparência, embora essencial para concretizar um mecanismo internacional de financiamento para a conservação de florestas nativas, ainda gera resistências em boa parte dos diplomatas do governo Lula. Nas negociações do novo acordo para o combate às mudanças climáticas, que substituirá o Tratado de Kyoto em 2013, a diplomacia brasileira não quer ver a comunidade internacional determinando quais serão os limites para a degradação em solo nacional. Conter o desmatamento, afinal, significa interferir na questão agrícola e fundiária em nível doméstico. Sem metas claras, mesmo que não sejam ambiciosas como o desmatamento zero, será difícil ver dinheiro saindo dos países ricos.

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quarta-feira, 18 de julho de 2007

Congresso internacional sobre captação de recursos para escolas e instituições de ensino superior acontece em São Paulo

Com o tema "Fundraising: Captação de Recursos" acontece, nos dias 21 e 22 de setembro em São Paulo, o 1º Congresso Internacional para Escolas e Instituições de Ensino Superior. O evento é promovido pelas Faculdades Integradas Rio Branco e pela AFP - Association of Fundraising Professionals, a maior organização mundial em captação de recursos, com sede em Arlington, Estados Unidos.

O objetivo central do congresso é reunir lideranças de escolas e instituições de ensino superior para debater, trocar experiências e mostrar que é possível desenvolver a cultura da sustentabilidade nas instituições de ensino no Brasil, e em países da América Latina, por meio da captação de recursos (fundraising).

A idéia é apresentar as estratégias para esta arrecadação, seja ela por meio da mobilização de recursos financeiros ou humanos, aumentando assim a capacidade da instituição e sua importância na sociedade civil. Entre os temas discutidos estão:
. a apresentação de experiências bem-sucedidas na captação de recursos, como a dos Estados Unidos e até a de países da América Latina, como o México;
. a identificação dos problemas que interferem a cultura de doações no Brasil;
. o debate sobre a legislação brasileira, visando aprimorar e facilitar o recebimento dos recursos.

O Congresso vai tratar também da exeqüibilidade deste novo modelo de captação de verbas, por meio de planejamento estratégico, gestão financeira e processos orçamentários e quer estimular os participantes a iniciar projetos de arrecadação, por meio do bom relacionamento com ex-alunos e potenciais doadores.

Espera-se cerca de 400 executivos e líderes do setor educacional no Brasil e exterior. Representantes de renomadas universidades, como Harvard, fazem parte do corpo de palestrantes.

Custódio Pereira, diretor-geral das Faculdades Integradas Rio Branco e especialista em Ensino Superior e Captação de Recursos, é o responsável pelo evento no país. Recentemente, publicou "Sustentabilidade e Captação de Recursos na Educação Superior no Brasil", que relata experiências bem-sucedidas no assunto.

Mais informações (adesões, palestrantes, agenda etc.) no site http://www.fundraising.com.br/.

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Mudança climática gera novos negócios

Altamiro Silva Júnior
Publicado pelo
Valor Online em 18/07/07

Segundo Sanxes, da Tokio Marine, seguradora desenvolveu precificação própria
Foto Sergio Zacchi / Valor


Mudanças climáticas, preocupações com energias alternativas e critérios de sustentabilidade já trazem novos negócios para o mercado de seguros. A Unibanco AIG criou o seguro de risco ambiental, que cobre danos que uma empresa possa causar ao meio ambiente. A Tokio Marine resolveu apostar no seguro para usinas de biocombustíveis e lucrar com o crescente interesse pelo etanol. A companhia já tem apólices de três usinas e está fechando com mais outras duas. Já a alemã AGF criou um seguro para florestas cultivadas.

Um relatório recente da Munich Re, uma das maiores resseguradoras do mundo, afirma que o aquecimento global pode aumentar a ocorrência de maremotos e ciclones no mundo em 2007 e nos próximos anos. A resseguradora já se prepara para um aumento na demanda deste tipo de cobertura, que vão exigir maior sofisticação e formas de avaliação. No ano passado, as catástrofes naturais trouxeram perdas de US$ 50 bilhões ao redor do mundo, dos quais US$ 15 bilhões estavam segurados.

No Brasil, a Unibanco AIG foi a pioneira no segmento. Lançou um seguro específico para riscos ambientais há pouco mais de dois anos e conta com 15 empresas na carteira. Segundo Ney Ferraz Dias, diretor da seguradora, o número ainda é baixo perto do potencial do mercado. "Mas pelo estágio que está, é um bom começo", diz. Lá fora, a americana AIG é líder no setor e detém 80% dos prêmios mundiais, que somam US$ 3 bilhões. Entre as 15 empresas, há companhias do setor petroquímico, petróleo e químico. Há ainda algumas metalúrgicas e até uma editora, que contratou a apólice por causa dos riscos que a gráfica possa trazer ao meio ambiente.

Mauro Dias, da corretora Marsh, que ajudou a desenvolver o produto junto com a Unibanco AIG, vê no mercado um movimento de outras seguradoras para entrar no segmento de riscos ambientais, mas com apólices diferentes da do Unibanco. A AGF lançou o seguro para florestas cultivadas, que protege contra chuva excessiva, ventos fortes e inundação.

Com o avanço das preocupações com o meio ambiente, ter um seguro ambiental passou a contar pontos extras para as empresa listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e interessadas em fazer parte do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Uma das perguntas do questionário é justamente sobre que tipo de apólice a empresa tem e se ela cobre, por exemplo, danos ambientais.

Luiz Alberto Pestana, diretor da UBF Garantias, vê grandes oportunidades para o setor de seguros com as mudanças ambientais. O executivo, porém, não vê uma enxurrada de novos produtos chegando ao mercado. Antes disso, ele vê um crescimento no uso dos produtos tradicionais, já existentes, mas adaptados para o setor, como as usinas de energia limpa e transporte de cargas perigosas.

A Tokio Marine resolveu apostar justamente neste segmento. A companhia, conhecida por atuar forte com grandes riscos industriais, resolveu levar para o mundo dos biocombustíveis produtos que já oferecia, como as apólices que cobrem risco de engenharia (que inclui a instalação e montagem de equipamento de uma planta industrial). A diferença é que a seguradora conseguiu desenvolver alguns diferenciais, principalmente com relação a determinação do preço do seguro. "Criamos uma taxação própria", diz Alexandro Sanxes, gerente da área de riscos de engenharia da Tokio.

A seguradora montou em 2005 um comitê formado por sete engenheiros para discutir o assunto. O resultado foi uma fórmula sofisticada, que leva em conta até o resultado da reação do etanol com o óleo de mamona (ou outra matéria-prima usada para produzir o biocombustível). Como esta é a principal reação em uma usina, qualquer problema com ela pode afetar o preço do seguro. "Enquadramos este tipo de risco na definição do preço", diz o executivo.

As usinas seguradas pela Tokio estão bem espalhadas pelo país, incluindo uma planta no Rio Grande do Norte, outra em Minas Gerais e mais outra no Rio Grande do Sul. Segundo Sanxes, a preocupação com maior geração de energias alternativas está aumentado o tamanho das usinas. As primeiras plantas seguradas pela Tokio não passavam dos R$ 20 milhões. Agora, chegam até a R$ 150 milhões.

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Empresas contestam cobrança de ICMS de consumo de baixa renda

Zínia Baeta
Publicado pelo Valor Online em 18/07/07


A Cemig Distribuição obteve na Justiça de Minas Gerais uma liminar que suspende a cobrança de aproximadamente R$ 80 milhões pelo Governo do Estado. Com a liminar, a companhia pôde participar de leilões de energia ocorridos no mês passado. A empresa estava impedida de participar de operações desta natureza em razão da discussão tributária travada com o Estado de Minas Gerais, que cobra uma diferença do ICMS sobre as contas dos consumidores residenciais de baixa renda - aqueles cujo consumo mensal está na faixa de 80 Kwh. A disputa levada à Justiça pela Cemig é comum também a outras companhias do setor. As empresas CPFL, Elektro e Bandeirante, por exemplo, também foram ao Judiciário do Estado de São Paulo questionar o pagamento da diferença do imposto das contas destes consumidores.

A advogada que representa a Cemig na ação, Bianca Delgado, do escritório Décio Freire Advogados, afirma que os consumidores de baixa renda são beneficiados por um subsídio previsto em lei federal, cujo objetivo é reduzir o valor final da conta. O que a Cemig e outras empresas discutem é a cobrança do ICMS pelos Estados também sobre o montante da conta que é subsidiado. Segundo ela, a tese defendida é a de que o imposto deve incidir somente sobre a parte não subsidiada, sob o risco de tornar inócua esta política de redução tarifária.

O diretor jurídico da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Braz Pesce Russo, diz que o valor do subsídio é arrecadado dos demais consumidores de energia, a partir de um valor embutido na tarifa. No caso da discussão tributária, e a título de exemplificação, ele diz que se uma conta é de R$ 100,00, com um subsídio de R$ 30,00, o consumidor pagará somente R$ 70,00. E sobre este valor deveria incidir o ICMS. Mas, segundo ele, alguns governos entendem que o imposto deverá recair sobre os R$ 70,00 e também sobre o subsídio de R$ 30,00.

Russo afirma que a cobrança desta diferença do imposto começou a partir de 2004 com a edição do um Convênio nº 79 do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), por meio do qual alguns Estados dispensaram as empresas de pagarem multas e juros sobre a diferença do ICMS passado - entre maio de 2002 e agosto de 2004. "Até 2004 ninguém recolhida nada", afirma o diretor. De acordo com Russo, algumas empresas têm questionado a cobrança e outras têm repassado a diferença para o consumidor residencial de baixa renda. Há também Estados que não promovem a cobrança da diferença, caso de Pernambuco. E outros que cobraram somente a partir de 2004.

No entendimento da associação, o subsídio seria uma espécie de indenização e não ocorreria a venda de mercadoria. Por este motivo, não poderia haver a tributação. Em termos financeiros, as concessionárias não são afetadas pela cobrança do ICMS sobre as contas, pois quem pagará a diferença é o consumidor. No entanto, Braz entende que esse pagamento retira o subsídio e seu objetivo social. Além disso, com uma conta maior, o risco de inadimplência dos consumidores é maior.

As empresas CPFL, Elektro e Bandeirante, por meio de suas assessorias de imprensa, informaram que não comentariam o assunto. Procurada pelo Valor , a Advocacia Geral do Estado de Minas Gerais também não comentou a disputa com a Cemig.

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Governo vai proibir o plantio de cana na Amazônia e no Pantanal

Mauro Zanatta
Publicado pelo
Valor Online em 18/07/07

O governo anunciou ontem que passará a controlar a expansão da cana-de-açúcar no país para evitar acusações de agressão ambiental e reduzir a pressão sobre áreas dedicadas à produção de alimentos. A medida também incluirá uma certificação socioambiental obrigatória de lavouras de cana e de usinas sucroalcooleiras.


O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, informou que a intervenção estatal buscará proibir o plantio da matéria-prima em regiões consideradas inadequadas pelo governo. "Um mapa de restrições vai proibir o plantio de cana-de-açúcar nos biomas da Amazônia, do Pantanal e de outros que ainda estamos estudando, mas não divulgaremos agora", disse. "Será totalmente proibido [nesse locais]. É uma decisão de governo". As outras áreas podem ser regiões específicas do cerrado e do pampa gaúcho.

Em entrevista no ministério, Stephanes anunciou, ainda, que o zoneamento ecológico-econômico (ZEE) do governo estará pronto em um ano e indicará as áreas onde será permitido cultivar cana e as localidades onde haverá a concessão de incentivos ao plantio, como um adicional de crédito rural oficial e isenções fiscais. "O mapa vai dizer onde será permitido [plantar] e as áreas com incentivos onde teremos plantio, como áreas de pastagens degradadas", disse. O ZEE levará em conta as condições de clima e solo em cada microrregião do país.

O secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do ministério, Marcio Portocarrero, calcula que, somente em Mato Grosso do Sul, há 10 milhões de hectares de pastagens degradadas que poderiam ser utilizadas e onde seriam incentivados o plantio de cana. "É uma maneira de ordenamento territorial para evitar denúncias de avanço em áreas protegidas, como Amazônia, e a ocupação de áreas produtoras de alimentos pela cana", afirmou.

A decisão do governo federal reproduz medidas já adotadas em administrações estaduais e municipais. Em Mato Grosso do Sul, há restrições para o plantio de cana na bacia do rio Paraguai. Em Rio Verde (GO), a prefeitura debate regras para conter a explosão do cultivo de cana e proteger áreas de plantio de soja, milho e algodão.

A certificação socioambiental para as lavouras e as usinas será um fator restritivo para a comercialização da produção. "Haverá uma certificação socioambiental do Inmetro para todo o processo, desde as lavouras até a qualidade do álcool. Isso está sendo tratado com extremo cuidado", afirmou Stephanes. O ministro disse também que as medidas não incluirão as plantas já em atividade. "As usinas que já estão implantadas não serão atingidas. Mas possivelmente terão problemas de certificação". Os estudos estão sendo conduzidos pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).

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Aposentados são recrutados para suprir a falta de especialistas

Andrea Giardino
Publicado pelo Valor Online em 18/07/07

Pedro Paulo Scoffano, 63 anos, 12 meses após ter se aposentado pela Petrobras, foi chamado de volta pela estatal
Foto Silvia Costanti / Valor


Em novembro de 2002, o administrador de empresas Pedro Paulo Scoffano, 63 anos, retornava ao mercado de trabalho, 12 meses após ter se aposentado pela Petrobras, onde começou como estagiário e saiu como assistente do superintendente da Gaspetro (braço da estatal). Quando se despediu de uma carreira em ascensão de 22 anos, ele não imaginava que pouco tempo depois retornaria à casa. Mas a explosão do setor de petróleo e gás, que resultou num 'gap' de mão-de-obra especializada, vem levando muitas companhias a buscar profissionais já aposentados, como ele.

Scoffano foi chamado por uma assessoria na área de gestão empresarial, escolhida por meio de licitação para prestar serviços à gigante do petróleo, passando a atuar como consultor. "Este é um segmento bem complexo, que exige um profundo grau de conhecimento técnico dos processos", afirma. "E o mundo acadêmico não consegue acompanhar o ritmo de crescimento acelerado do mercado. Resultado, os recém-formados acabam não saindo prontos".

A realidade do setor de petróleo também se aplica em outras áreas, como a de mineração, siderurgia, seguro e construção, que vivem seus melhores momentos. Consequentemente, o boom dos novos investimentos reflete na abertura de inúmeras vagas não preenchidas pela falta de gente preparada. E a alternativa encontrada diante do problema tem sido trazer de volta profissionais experientes que penduraram a chuteira. "É um fenômeno interessante, porque o mercado normalmente descarta quem já passou dos 50", avalia André Bocater, diretor geral da Case Consulting, consultoria especializada na seleção de profissionais para média gerência.

"Mas vale ressaltar que esse movimento só acontece em funções que exigem do profissional um perfil técnico ou segmentos que enfrentam a escassez de talentos", observa. Ele destaca que no setor de petróleo e gás não há gerentes de operação ou gerentes técnicos disponíveis. O mesmo pode ser observado em indústrias que precisam hoje de engenheiros químicos, que migraram de área por conta da falta de boas oportunidade no passado e agora são de novo bastante valorizados.

De acordo com Bocater, tirá-los da concorrência sai bem mais caro, já que quem está empregado nessas áreas ganha altos salários e benefícios. "Não quer dizer que todo mundo vai se aposentar e ter emprego garantindo. Apenas esses profissionais que construíram carreira em setores extremamente especializados ou que vêm se expandindo", afirma. Em geral, os aposentados que voltam à ativa são contratados como pessoa jurídica.

Por outro lado, com medo de perderem suas mentes brilhantes e não acharem substitutos no mercado, algumas companhias retêm os executivos após a aposentadoria. "O mercado está aquecido e as empresas não podem segurar os negócios por falta de gente", avalia Karin Parodi, sócia da Career Center, consultoria especializada em orientação de carreira. "Vemos companhias desenharem programas de aposentadoria com o objetivo de não deixar as pessoas sairem".

Sérgio Duarte Cruz, 73 anos, recebeu proposta da diretoria da Marsh, multinacional americana que atua no gerenciamento de riscos e seguros, para permanecer na companhia como consultor após sua aposentadoria - na época ele tinha 65 anos. Seus mais de 40 anos de casa pesaram na decisão da empresas em mantê-lo. Poucos conhecem o setor de segurança patrimonial, análise de risco, roubo e prevenção como ele.

"Tinha até convite para trabalhar em outra empresa. No entanto, resolvi ficar porque aqui faço o que gosto, sem ter a responsabilidade administrativa de antes, como funcionário", destaca. Cruz está sempre viajando, algo que lhe agrada por permitir fugir da rotina. "Faço inspeções, avaliação de risco e auditoria, esse trabalho que complementa o que ganho com minha aposentadoria". Além dele, a empresa possui outros aposentados em seus quadros, responsáveis por tarefas bastante peculiares, dominadas sobretudo por profissionais bem mais experientes.

Luiz Alberto Bezerra, 60 anos, foi até promovido quando comunicou a empresa que estaria se aposentando. Convidado em 2003 a ocupar a gerência corporativa de recursos humanos do grupo Orsa - indústria dos setores de celulose, papel e embalagens -, até então era responsável pela parte administrativa de uma das unidades da holding, em Paulínia, interior de São Paulo. "Foi um salto importante, porque fiquei com todas as áreas de RH do grupo sob o meu comando", afirma.

"A empresa reconhece o profissional com experiência, que possui uma bagagem difícil de achar por aí". Bezerra acredita que a valorização do profissional mais velho começa a ser uma prática em alguns mercados. "É claro que imaginava permanecer na organização, mas não esperava ser chamado para subir degraus", diz. O que para ele é um bom indicador de que os cabelos brancos significam experiência e capacidade de lidar com situações em que os mais novos possuem pouco traquejo.

Na opinião de Flávio Kosminsky, sócio da Korn/Ferry INternational, empresa de recrutamento de alto executivos, trazer de volta aqueles que já saíram do mercado ou manter profissionais aposentados é uma opção que vem se tornando comum às companhias com déficit de talentos. "Formar bons profissionais leva em torno de 10 a 15 anos. Não dá para esperar esse tempo. A demanda é bem superior à oferta de gente preparada", explica. "No setor de petróleo então, a situação é mais grave. São posições extremamente especializadas em exploração e produção". Para o executivo, essa caça aos aposentados deve permanecer forte nos próximos oito anos, pelo menos, quando os os mais jovens estarão lapidados.

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Estão abertas as inscrições para o Prêmio Melhores Microempreendedores 2007

Publicado no site do Citibank

Maria da Silva M. Castro, premiada com o 2º lugar na categoria Comércio em 2006 pelo Banco do Nordeste - Crediamigo PI.

A iniciativa realizada pelo Citibank, em parceria com as ONGs ACCIÓN International e Gaia (Grupo de Aplicação Interdisciplinar a Aprendizagem), distribuirá mais de R$ 50 mil em prêmios para 9 empreendedores de pequenos negócios que se destacam em suas atividades e que contribuem para a sustentabilidade de suas famílias e das comunidades onde estão inseridos. Este ano, além dos prêmios em dinheiro, os vencedores e as 5 Instituições que mais enviarem projetos qualificados ainda receberão uma capacitação ministrada pela FGV-SP.

Faça o download dos arquivos e abaixo veja como a sua instituição pode inscrever seus clientes:
Ficha de Inscrição
Regulamento
LSE

Para mais informações ligue para (11)4009-2004 (Cleidiane Matos) eu envie um e-mail para responsabilidade.social@citi.com

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UOL gerencia compras via internet

André Borges
Publicado pelo Valor Online em 17/07/07

O portal e provedor de acesso à internet Universo Online (UOL) colocou no ar ontem a sua nova plataforma de meios de pagamento para compras realizadas via internet. O serviço, batizado de PagSeguro, é resultado da aquisição da empresa capixaba BRpay, comprada no primeiro trimestre deste ano. O portal não informou o valor da transação.

Com a plataforma de meios de pagamento, o UOL pretende explorar um mercado que, até hoje, sofre com a desconfiança de milhares de usuários de internet que relutam em comprar produtos pela web por não conhecerem quem está do outro lado do balcão. Ao efetuar uma transação, o comprador paga por meio do PagSeguro - com boleto, cartão de crédito ou transferência bancária - e tem até 14 dias para bloquear o pagamento se não receber o produto, ou se este chegar em danificado.

O serviço, diz o diretor de projetos especiais do UOL, Ricardo Dortas, é uma alternativa para micros e pequenas empresas que já vendem produtos pela web, mas que enfrentam dificuldades quanto a meios de pagamento.

O recurso permite que o comerciante controle seus recebimentos no próprio site, por meio de log in e senha. Outra possibilidade de pagamento, esta não vinculada à compra de produtos, é a transferência direta entre clientes. O usuário cadastrado pode enviar dinheiro para qualquer pessoa que tenha uma simples conta de e-mail, mesmo que essa não tenha cadastro no PagSeguro. Ao receber o e-mail, o destinatário se cadastra e escolhe se sacará o valor ou se comprará produtos, por exemplo.

A receita do UOL com o serviço virá da cobrança de taxas. Quando uma empresa vender algo utilizando o PagSeguro, pagará entre 1,9% e 2,9% ao portal sobre o valor da transação, se esta for à vista. Em casos de cartão de crédito, a taxa ficará entre 5,4% e 6,4%, dependendo do volume transacionado.

O portal estréia sua nova plataforma de meios de pagamento com uma base de 300 usuários herdados com a aquisição da BRpay. "Queremos pelo menos dobrar esse número até o final do ano", afirma Dortas.

Atualmente há cerca de 10 mil sites ativos no Brasil que, de alguma maneira, já atuam com comércio eletrônico, diz o executivo. O problema é que esse mercado está muito centralizado em poucas empresas. "Nossa projeções apontam que só o Submarino e a Americanas, juntos, concentram entre 55% e 60% de todas as compras via internet", diz o executivo. "Se pegarmos os 30 maiores sites de comércio eletrônico do país, o índice sobe para mais de 95%, enquanto uma Amazon, por exemplo, uma das maiores dos Estados Unidos, tem cerca de 20% do mercado."

O novo serviço do UOL é similar à plataforma de pagamentos on-line Checkout, lançada no ano passado pelo Google. Também tem as mesmas características da PayPal, a mais tradicional do setor. Em 2002, o site de leilões eBay desembolsou US$ 1,5 bilhão pela PayPal. Hoje o serviço vendido para uma infinidade de outras empresas de comércio eletrônico dos EUA se converteu em uma das maiores fontes de receita do site de leilões.

Atualmente, cerca de 40% dos US$ 11,4 bilhões em pagamentos processados pelo PayPal já são de sites que não o eBay. Apenas no primeiro trimestre deste ano, o PayPal respondeu por um faturamento de US$ 439 milhões, o que lhe dá a liderança no mercado de pagamentos on-line nos EUA, ficando atrás apenas das empresas de cartões de crédito. No primeiro trimestre deste ano, os negócios cresceram 51% em relação ao mesmo período do ano passado.

No Brasil, o comércio eletrônico movimentou pouco mais de R$ 2,6 bilhões no primeiro semestre de 2007, segundo a empresa de pesquisas E-bit. A cifra, que exclui vendas em sites de passagens aéreas, automóveis e sites de leilão, representa um crescimento de 49% em relação ao primeiro semestre de 2006. A média do valor gasto nas lojas virtuais nos primeiros seis meses do ano ficou em R$ 296, 3% acima do registrado em 2006.

No ano passado, 68% das compras pela internet no país foram efetivadas com cartão de crédito. O boleto bancário foi a opção de 12% dos consumidores; enquanto 3% preferiu depósito bancário e 2% cartão de débito. Cheque e dinheiro foram usados por 1%. As pesquisas apontam que mais de 8 milhões de pessoas já fizeram ao menos uma compra pela web no país.

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terça-feira, 17 de julho de 2007

Santander seleciona projetos de educação

Rodrigo Zavala
Publicado pelo
redeGIFE Online em 16/07/07

O Santander recebe, de 16 de julho a 17 de agosto, inscrições de projetos na área de educação destinados a crianças, adolescentes e universitários, orçados em até R$ 60 mil, para serem apoiados pelo programa Parceiros em Ação.

Serão aceitas inscrições de projetos a serem implementados nas regiões Sul e Sudeste do país, com o desenvolvimento em localidades nas quais o Banco tenha agências em operação. Organizações não-governamentais, associações e organizações sociais de interesse público podem obter informações sobre o processo seletivo e os critérios de análise, entre outras, no site www.santander.com.br/social. Os projetos selecionados serão anunciados no início de novembro. O objetivo do programa é apoiar a realização de projetos sociais, com foco educacional, para colocar em prática boas iniciativas, possibilitando o desenvolvimento social do público atendido pelas entidades escolhidas.

Lançado em 2005, o Parceiros em Ação já investiu em projetos de 17 instituições sociais (entre elas Associação Lua Nova, Instituto Sou da Paz e Arrastão), beneficiando cerca de 100 mil crianças e jovens.

O Banco abre inscrições para o programa duas vezes por ano: uma no primeiro e outra no segundo semestre. No primeiro semestre de 2007, foram selecionados cinco projetos para receber apoio: Educadores em Ação: Mapeando as necessidades de aprendizagem dos jovens (SP/SP), da Ação Educativa, Assessoria, Pesquisa e Informação; Curso Preparatório para a 5ª série do Ensino Fundamental (RJ/RJ), do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré – Ceasm; Ação Interativa: Escola, Estudantes e Comunidade Construindo Novas Práticas (Curitiba/PR), da Central de Notícias dos Direitos da Infância e da Adolescência - Ciranda; Qualiescola - Qualidade na Educação de 5ª à 8ª série (SP/SP), do Instituto Qualidade de Ensino; e ContArte: Projeto Contando Histórias e Fazendo Arte (Itajaí/SC), da Universidade Solidária - Unisol.

O Santander promove, também, uma edição especial do Parceiros em Ação, em comemoração aos 150 anos do Banco. Nela, são os colaboradores (funcionários, estagiários e terceiros) de todo o País que indicam, até final de julho, os projetos s serem selecionados pelo programa. A seleção será feita independentemente dos projetos inscritos pela edição tradicional.

A política de responsabilidade social do Santander beneficia projetos educacionais que possam contribuir com o desenvolvimento socioeconômico e ambiental, favorecendo a melhoria da qualidade de vida das comunidades em que atua.

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segunda-feira, 16 de julho de 2007

BVS&A recebe inscrições de projetos ambientais

Rodrigo Zavala
Publicado pelo redeGIFE Online em 16/07/07


A Bolsa de Valores Sociais e Ambientais (BVS&A), principal programa em Responsabilidade Social da Bovespa, está recebendo inscrições de projetos ambientais em busca de recursos.

Funcionando como uma replicação do mercado de capitais, a BVS&A lista projetos que necessitam de recursos para serem implantados ou ampliados, buscando fazer a ponte desses projetos com investidores socioambientais (doadores) dispostos a apoiá-los.

Lançada em 2003, a BVS&A já captou R$ 5,4 milhões no mercado, permitindo que 39 projetos fossem 100% atendidos. Saiba mais acessando http://www.bovespasocial.org.br/. No site é possível encontrar a ficha de inscrição que pode ser preenchida e enviada online – primeiro passo para ter seu projeto analisado.

As áreas ambientais abrangidas são:
Educação para a Sustentabilidade – Projetos cujo objetivo é apoiar a educação como meio de construção da cidadania e de um sistema econômico que permita maior igualdade social; formação de profissionais e líderes voltados para o desenvolvimento sustentável; atividades educativas para crianças e adolescentes e apoio a iniciativas multidisciplinares; defesa dos direitos humanos e do consumidor e geração de emprego e renda.

Mudanças Climáticas –Projetos direcionados para a avaliação e redução dos impactos das mudanças; trabalhos que tenham como meta a diminuição de emissões de gases de efeito estufa, o desenvolvimento de fontes renováveis de energia.

Recursos Hídricos – Projetos que busquem aperfeiçoar e racionalizar as várias formas de uso da água; fomentar iniciativas de proteção e combate à sua degradação e assegurar a sua qualidade e quantidade.

Biodiversidade e Florestas – Atividades de conservação, recuperação e uso sustentável da biodiversidade associadas ao desenvolvimento das comunidades locais; criação de reservas naturais; proteção de espécies ameaçadas de extinção.

Cidades Sustentáveis – Iniciativas em saneamento ambiental, poluição atmosférica e dos mananciais; déficit habitacional e ausência de políticas de transporte e de trânsito; projetos voltados para a criação de áreas verdes em centros urbanos; desenvolvimento de novos hábitos de moradia, transporte e consumo.

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IDIS e parceiros lançam Guia Prático de Marketing Relacionado a Causas

Publicado pelo Idis

O IDIS e seus parceiros da Iniciativa de Marketing Relacionado a Causas (MRC) acabam de lançar o “Guia Prático de Marketing Relacionado a Causas: Diretrizes e Casos”. A publicação pretende contribuir para apoiar profissionais de marketing de empresas e de mobilização de recursos de organizações da sociedade civil na realização de programas inovadores de investimento social privado que utilizem a ferramenta do MRC.

O material apresenta textos sobre o conceito do MRC, princípios e premissas de um programa de MRC, além de diretrizes para elaborar um programa bem-sucedido e casos brasileiros e internacionais. As experiências apresentadas são de organizações participantes da rede Agente - mobilizador do marketing relacionado a causas, que surgiu em 2006, a partir do Comitê de OSCs de Marketing Relacionado a Causas, formado pela Iniciativa de MRC do IDIS.

Estão registrados na publicação os seguintes casos: AVON, com a Campanha Um Beijo pela Vida; parceria Havaianas-IPÊ, com a produção de sandálias estampadas com animais em extinção; parceria Santander Banespa e Doutores da Alegria, com o título de capitalização Din Din Natal da Alegria; aliança Copagaz e Fundação Abrinq, para o Programa Adotei um Sorriso; parceria Atlantica Hotels International e a WCF-Brasil, para combater a exploração sexual de crianças e adolescentes; aliança Whirlpool e Habitat for Humanity, com a doação de uma geladeira e um fogão para cada casa construída pela OSC; e parceria IBTT e WWF International, com a produção de brinquedos de pelúcia.

O lançamento da publicação foi realizado na manhã do dia 4 de julho, em Säo Paulo, e contou com a presença de cerca de 70 pessoas. Durante o evento foi apresentado também o novo vídeo da Iniciativa de MRC, que traz depoimentos sobre o uso da ferramenta por representantes do Comitê de Empresas da iniciativa de MRC do IDIS, da Rede Agente e parceiros.

Para realizar a publicação, assim como as demais ações da Iniciativa de Marketing Relacionado a Causas, o IDIS conta com o patrocínio da AVON, Nestlé e Charities Aid Foundation e apoio da Enfoque Pesquisa de Marketing, E-consulting, Grupo Camargo Corrêa e The Key. A impressão do livro foi viabilizada com o apoio da Inter-American Foundation. A versão digital do documento está disponível para download na biblioteca do Portal do Investimento Social logo após o evento de lançamento.

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Falta de informação emperra políticas de microcrédito

Rodrigo Zavala
Publicado pelo
redeGIFE Online em 16/07/07

Considerados como uma das ferramentas fundamentais para o desenvolvimento local, os programas de microcrédito alcançam apenas 1% de seu público potencial em todo o Brasil. As razões para o baixo grau de penetração dessas iniciativas são, na visão de especialistas, a falta de informação da população, problemas de gestão das instituições creditícias e a inexistência de uma política nacional coerente.

Segundo o diretor do Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade (Iets), Manuel Thedim, ainda persiste no país um entendimento equivocado sobre o que seja microcrédito, considerado erroneamente apenas como um “empréstimo de pouca monta”. Trata-se, na verdade, tal como defende o especialista, de um “crédito voltado a empreendedores com acesso restrito a empréstimos adequados ao seu perfil de renda e ciclo produtivo”.

Em outras palavras, tratam-se de empréstimos a pessoas físicas ou jurídicas rejeitadas pelo setor bancário, por não apresentarem garantias tangíveis para o pagamento da dívida. Por essa razão, grande parte das instituições creditícias é formada por Organizações da Sociedade Cilvil de Interesse Público (Oscips) e Sociedades de Crédito ao Microempreendedor, com a missão de estimular a geração de renda e postos de trabalho para o desenvolvimento econômico da região em que atuam.

Nessas iniciativas atuam os chamados Agentes de Crédito, que fazem um completo levantamento sobre os negócios candidatos a receber empréstimos, por meio de entrevistas locais, na comunidade em que os microempreendedores vivem e fazem negócio. “Eles traduzem o negócio informal em dados analisáveis. Constróem um balanço patrimonial, fluxo de caixa e até uma estrutura financeira familiar, já que esses negócios se mesclam, muitas vezes, ao orçamento de seus lares”, explica Thedim.

As facilidades apresentadas para quem busca o microcrédito parecem atrativas, exceto para seu público-alvo. As pouco mais de 200 Oscips e sociedades creditícias registradas pelo Ministério da Justiça mantém, segundo estimativas aproximadas aferidas por Thedim, 320 mil créditos ativos. “Se cruzarmos esses dados com os mais de 20 milhões de possíveis microempreendedores (que trabalham por conta própria) contabilizados pelo Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), o alcance ainda é irrisório”, argumenta.

Com a falta de pesquisa sobre a atuação dessas instituições, as explicações para o pequeno grau interesse na obtenção de microcrédito se centravam no desconhecimento generalizado sobre o tema. No entanto, estudo lançado pela Fundação Itaú Social e pelo Iets, aponta que as razões são mais complexas.

Ele teve como base em uma análise realizada com instituições inscritas para o Prêmio Itaú de Apoio ao Empreendedor 2005, que teve por objetivo identificar, divulgar e apoiar o trabalho de Oscips creditícias. No total, foram analisadas 39 iniciativas (19% das 207 entidades existentes) por todo o país, abordando temas como infra-estrutura, produtos ofertados, eficiência, crescimento e sustentabilidade.

Entre as principais conclusões destaca-se que o setor está em expansão. No entanto, uma análise mais detalhada dos indicadores de resultado operacional indica que essa expansão, tanto da rede de atendimento como da demanda, não tem se traduzido integralmente em ganhos econômicos do ponto de vista da atividade fim das instituições, isto é, da concessão de empréstimos.

“É preciso fortalecer essas instituições. Elas apresentam problemas de gestão e não trabalham de forma articulada. Um dos frutos do Prêmio, nesse sentido, é a construção de uma rede institucional para potencializar a aplicação de recursos do banco Itaú em Micro-crédito”, afirma o vice-presidente do banco, Antonio Matias.

Outro dado proveniente do diagnóstico realizado por meio do prêmio apontou se essas instituições atendiam os empreendedores de mais baixa renda. O valor médio dos empréstimos realizados pelas 39 instituições pesquisadas foi de R$ 1.640,00 e a mediana é de 1.237.

Esse indicador mostrou uma relação inversa entre o valor médio dos empréstimos e o tempo de funcionamento das instituições. O mesmo ocorre com o tamanho da organização, isto é, quanto maior o número de créditos ativos, menor o valor dos empréstimos. “Esse resultado reforça a conclusão anterior de que o crescimento de uma Oscip de microcrédito está vinculado ao atendimento a clientes menos estruturados”, conclui a pesquisa.

Setor bancário
Além do Itaú, outros bancos começam a incorporar em suas operações bancárias iniciativas ligadas à microcrédito, aos moldes das realizadas pela sociedade civil organizada. É o caso do ABN Amro Real que recentemente inaugurou um posto de atendimento da Real Microcrédito nas cidades pernambucanas de João Pessoa (PE) e Campina Grande.

A proposta do programa é oferecer atendimento personalizado para entender a situação do cliente e identificar suas necessidades, além de assessoria para todo o processo de solicitação do crédito. Segundo o superintendente dessa iniciativa, José Giovani Anversa, o projeto tem cerca de 17.165 clientes ativos e um total de 26.800 operações realizadas desde o início das atividades, em julho de 2002.

"O objetivo é contribuir para o desenvolvimento das pessoas que possuem pequenos negócios gerando emprego e renda nas próprias comunidades. Com a abertura dos postos de atendimento em João Pessoa e em Campina Grande, nossa perspectiva é aumentar em 300% o total de transações concretizadas", destaca o executivo.

Atualmente, a Real Microcrédito está em toda a periferia de São Paulo, Campinas (SP), Rio de Janeiro (Baixada Fluminense), Caruaru, Aracajú, Campina Grandre, João Pessoa, Maceió, Natal, Recife, São Luís, Teresina. A meta para 2007 é atingir 55.000 clientes ativos, totalizando uma carteira de cerca de R$ 80 milhões.

O Citigroup, por outro lado, em parceria com as Ongs ACCIÓN International e Gaia (Grupo de Aplicação Interdisciplinar à Aprendizagem), lançou a 4ª Edição do Prêmio Melhores Microempreendedores . O objetivo é reconhecer microempreendedores de todo o Brasil que se destacaram pelo sucesso alcançado em seus negócios e pela contribuição na busca da sustentabilidade de suas famílias e das comunidades onde estão inseridos. “Esta iniciativa estimula os pequenos negócios de sucesso e prestigia aqueles que dão o exemplo a outros milhares de pessoas", afirma o CEO do Citigroup no Brasil, Gustavo Marin.

Este ano serão distribuídos R$ 51 mil entre os nove empreendedores vencedores, divididos em três categorias: comércio, produção e serviço. Os premiados também participarão de um curso em Gestão de Negócios, e as cinco instituições que mais enviarem projetos qualificados serão premiadas com uma capacitação. Ambos os cursos serão ministrados pela Fundação Getúlio Vargas.

O prêmio é aberto à participação de pessoas físicas e jurídicas. As inscrições podem ser feitas até o dia 31 de agosto. A ficha de inscrição e o regulamento do prêmio estão disponíveis no site, http://www.citi.com.br/. Mais informações poderão ser obtidas no telefone (11) 4009-2004, com Cleidiane Matos, ou pelo e-mail responsabilidade.social@citi.com.

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Guia traz o contato de mais de 600 fontes em Desenvolvimento Sustentável

Rodrigo Zavala
Publicado pelo
redeGIFE Online em 16/07/07

A Fundação AVINA e A Iniciativa de Comunicação, aliança de 29 organizações internacionais, lançam a “Guia de Fontes para o Desenvolvimento Sustentável”, um banco de dados gratuito com informações detalhadas e contatos de 634 especialistas e organizações não-governamentais de 23 países, atuantes em 22 áreas de Desenvolvimento Sustentável.

A agenda de telefones é uma das principais ferramentas de trabalho de todo jornalista. Este guia tem como objetivo enriquecer esta agenda, permitindo o acesso a múltiplas fontes do setor social e facilitando a realização de pesquisas com pluralidade de pontos de vista.

Cada especialista aparece com seu número de telefone e e-mail, sua biografia e área geográfica em que trabalha. Além disso, está disponível a missão da entidade à qual ele está vinculado e suas principais atividades.

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Terceiro setor como estratégia de sustentabilidade

Rodrigo Zavala
Publicado pelo rede
GIFE Online em 16/07/07

Ser um fórum de debate onde gestores de organizações não-governamentais dividam as melhores práticas e estratégias voltadas para a sustentabilidade, eficácia e eficiência através de parcerias público-privadas. Ao mesmo tempo, ser um canal de aproximação entre empresas e sociedade civil, principalmente no que tange o relacionamento promovido pelo investimento social privado.

Esses são apenas alguns dos pontos a serem discutidos durante a Conferência Internacional - Inovação para o Terceiro Setor: Sustentabilidade e Impacto Social, que será realizada entre os dias 16 e 18 de agosto, no Centro de Convenções da Serasa, em São Paulo.

Promovido pelo Instituto Gesc, organização vinculada à Fundação Instituto de Administração (USP), o evento conta com o apoio do William Davidson Institute, da Universidade de Michigan. A parceria possibilitou que a conferência trouxesse ao Brasil uma rede de contatos internacional para compartilhar as melhores práticas de gestão aplicadas por organizações sociais de diversas partes do mundo. “As soluções são regionais, mas os problemas são globais”, defende o superintendente do Instituto Gesc, João Paulo Altenfelder.

A Conferência terá como base quatro temas estratégicos: Modelos de Negócios em Geração de Recursos, em Gestão, em Inclusão Digital e em Parcerias Intersetoriais. Para disponibilizar este conteúdo foram definidas palestras, apresentação de estudos de casos elaborados pelas próprias ONGs, debates e oficinas de assistência técnica.

Estão sendo esperados 150 participantes acompanhando os três dias de conferência. Além destes, estima-se que um público em torno de cinco mil pessoas acompanhe o evento em tempo real pelo site (www.impactosocial.org.br), que possibilitará ao internauta assistir as apresentações, ler artigos e entrevistas e acessar links de interesse. “Queremos encorajar as pessoas que não possam participar a acessarem o conteúdo e discuti-lo em suas organizações”, explica o superintendente.

Um dado inédito para uma conferência é será o monitoramento realizado nas organizações convidadas a participar do evento. “Queremos acompanhar como elas aproveitaram o aprendizado trazido pela conferência”, argumenta.

Em entrevista ao redeGFIE, João Paulo Altenfelder fala um pouco mais sobre o evento e como a gestão é ainda um sério desafio para as organizações do terceiro setor.

redeGIFE - A conferência sugere inovação em sustentabilidade e impacto social, e a expertise do Gesc é gestão. Qual é o ponto de partida para esse temário?
João Paulo Altenfelder – Partimos da premissa de que não existe sociedade inclusiva e justa com um terceiro setor fraco, já que ele é um dos pilares para sua construção. E o que nós vemos no Brasil é justamente um setor fraco, com problemas de gestão, de captação de recursos, com tecnologias sociais que são implementadas sem ao menos serem avaliadas. Falhas que levam a uma sociedade injusta e insustentável.

Nesse sentido, há uma relação muito clara em trabalhar qualidade de gestão das Ongs com o fortalecimento da sociedade civil. Fazer com que organizações sociais sejam mais eficazes eficientes na aplicação dos recursos que ela recebe; não apenas os financeiros, mas os humanos e materiais. Esse é o fio lógico que leva qualidade de gestão para o fortalecimento da sociedade civil.

redeGIFE - O que se deve entender por gestão?
JPA - Gestão se refere a planejamento estratégico, que na essência é entender o contexto que cerca determinada ONG, na causa social que ela escolheu. Trazer para dentro essas informações, fazer um questionamento de quais são as competências que essa organização tem para conseguir lidar com diferentes panoramas, como surgem e quais são as tecnologias sociais a serem aplicadas e desenvolver algumas estratégias de ação antes partir para o trabalho.

E qual é a realidade? Geralmente, as Ongs não olham para o contexto, aplicam uma tecnologia que alguém da organização acredita que seja a melhor, não negocia com a comunidade o impacto que a ação pode provocar – para ter o comprometimento comunitário – e muitas vezes ela não monitora, não avalia e não chega a conclusões sobre possíveis melhorias. E todos dados são procedimentos de gestão.

Outro campo da gestão é a política de recursos humanos ou desenvolvimento de lideranças, que terá impacto em todas as ações que a Ong empreender. É a preocupação de que dentro do ambiente da organização possa surgir valores, pessoas capacitadas, o melhor perfil de liderança para conduzir um processo comunitário.

O Gesc, por exemplo, dá aulas de planejamento estratégico, gestão de projetos, marketing social, marco legal, tecnologia da informação, desenvolvimento de lideranças, captação de recursos, gestão financeira de recursos. Além desses, também orienta para um assunto que os gestores de Ongs acreditam que não ter muita a ver com eles: a questão de qualidade, sob o ponto de vista e eficácia e eficiência.

Todos eles, de alguma maneira, irão impactar em todos os programas que essas organizações vem fazendo. Assim, a gestão é um conceito bastante amplo, mais do que o foco de processos e procedimentos, normas contáveis ou administração.

redeGIFE – Essas constatações se baseiam nas observações no Instituto...
JPA – Com 11 anos de atuação, percebemos nos trabalhos de terceiro setor práticas que deveriam ser muito óbvias. Como por exemplo, os gestores começam, só agora, a perceber que é preciso planejar antes de fazer. Ou mesmo avaliar seus resultados. Por isso, a gestão ainda tem muito a progredir.

Outro ponto de observação é a constatação de que a maior parte das organizações sociais surge pelo lado do conteúdo programática; pela dor social. Dessa forma, o protagonista desse processo é uma pessoa extremamente sensibilizada por determinada questão social, cuja visão é ir direto para o impacto para a solução do problema.

O problema é que ele não pensa em uma estrutura adequada ou em plano de gestão. Ele só começa a pensar nisso se sobrevive aos primeiros anos Omo organização, quando ele percebe que precisa se estruturar, de mais recursos financeiros etc.

Por outro lado, as organizações mais longevas, com décadas de funcionamento, também apresentam problemas. Como concluem que as estrutura de gestão é historicamente exitosa, não acompanhar s mudanças dos últimos anos. Não perceberam que nestes últimos 50 anos, a internet, a sociedade do conhecimento, o empobrecimento da população etc, são dados novos de contexto. Sem essa percepção começam a enfrentar problemas para se comunicar e se manter. E falamos aqui se uma situação enfrentada por organizações clássicas do terceiro setor brasileiro.

redeGIFE - Existe uma crença de que o setor privado pode ajudar as organizações sociais na gestão de seus projetos. Trata-se de um mito ou uma verdade?
JPA - É uma teoria. Já presenciei exemplos interessantes de executivos que ajudaram a organizar a área contábil, financeira, planejamento, ou fizeram com que uma Ong tivesse capacidade de se questionar e achar novos caminhos. Mas também vi grandes tragédias, como por exemplo, achar que uma organização social pode ser gerida pelo mesmo modelo corporativo de uma empresa.

O grande perigo dessas práticas, assunto a ser debatido durante a conferência, é a questão da chamada “profissionalização” das Ongs, O instituto acredita que essa nomenclatura é um equívoco. Afinal, ninguém quer trazer o modelo empresarial para o terceiro setor, sem qualquer questionamento ou modificação. Defendemos assim, a disciplina de gestão.

redeGIFE -Qual é a diferença?
JPA - A disciplina de gestão é trazer conceitos e ferramentas do segundo setor e adaptá-las à realidade de terceiro de forma contributiva. Para algumas Ongs é imprescindível fazer planejamento estratégico. Para outras, faz muito mais sentido adaptar controle e procedimentos financeiros, principalmente para melhorar a prestação de contas.

No entanto, para outras organizações talvez não faça nenhum sentido. Uma creche é diferente de um SOS Mata Atlântica. As demandas de organizações com capilaridade global também são distintas.

Aliás, o setor privado tem muito a aprender com o terceiro setor. Um exemplo são organizações sociais que mal conseguem remunerar as pessoas, mas possuem pessoas dedicadas, envolvidas e satisfeitas. Muitas empresas gostariam descobrir como manter esse ambiente de motivação dentro de um corpo diretivo.

redeGIFE – Qual é a participação do William Davidson Institute, da Universidade de Michigan, no evento?
JPA - Tal como o Instituto Gesc, o WDI teve origem em uma escola de negócios. Nós, com foco na melhoria da qualidade de gestão do terceiro setor, e a WDI em prol da sustentabilidade financeira das organizações sociais.

A WDI, no entanto, tem um projeto internacional presente em 14 países chamado NGO Alliance , que articula Ongs do mundo inteiro para discutir melhores práticas de gestão. Os grandes encontros anuais, que buscam fortalecer essa rede, já contavam com a participação de países latino-americanos, exceto o Brasil, devido à barreira idiomática.

Há um ano, representantes da NGO Alliance viram ao Brasil e procuraram o Instituto Gesc, devido à afinidade das ações. Desse encontro nasceu a idéia da Conferência, que trará toda a expertise dessa instituição, somada a do Gesc.

redeGIFE - Por que a conferência é importante para as empresas?
JPA - Existe um grande volume de recursos destinado ao investimento social privado, mas sempre persiste a pergunta: o quanto ele se perde no meio? Não por culpa de um determinado ator social, mas porque não há uma gestão eficiente.

A conferência, a princípio, deveria interessar a todas as empresas que façam investimento social privado, porque elas se não fazem através de Ongs, o fazem com sua cooperação. E é oportuno, pois ao fortalecer a gestão dessas organizações a empresa estará melhorando o seu próprio trabalho social.

Outro ponto é a influência das Ongs, que passaram a ter uma significativa influência no mercado. Um exemplo prático é o setor de saúde. Inegavelmente, o movimento social modificou o mercado no Brasil. É só olhar o movimento de HIV-AIDS e perceber o quanto ele mudou o marco regulatório, pressionando o governo, o atendimento em saúde, e, conseqüentemente, o atendimento nos postos de saúde, e o quanto ele faz frente a interesse de laboratórios.

Por isso, é interessante construir alianças mais profundas, que possibilitem levar temas que não sejam apenas conflito de interesses. Além disso, muitas vezes é a Ong que tem a chave de relacionamento com a comunidade. Então, as empresas, por teoria, deveriam se preocupar com esse assunto.

Aproximar-se do terceiro setor deixou de ser um ato de filantropia corporativa para ser uma estratégia de sustentabilidade.

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Fora do ar - Relaxa e Compra, da Peugeot, deixa a telinha

Publicado pelo ClubeOline em 13/07/07

O novo comercial de varejo da Peugeot, “Relaxa e compra”, sai do ar neste sábado, 13, depois de ser exibido poucas vezes, na quinta e sexta-feiras (12 e 13). O filme deveria ser apresentado ainda por toda a semana que vem. O motivo seria um pedido à montadora do presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Em São Paulo, Jáder Rossetto, vp de criação da agência Euro RSCG Brasil, que criou a peça e acaba de voltar de Porto Alegre, diz que o melhor a fazer é tocar o barco adiante, já que um pedido do presidente não poderia ser negado.

A montadora passou há pouco por situação parecida, com o filme da sogra que quase era jogada para fora de um concorrente do Peugeot (veja aqui) que não andava bem em subidas. Que fase, hein? Segundo Rossetto, "nada que uma boa benzedeira não possa resolver".

O comercial retirado do ar neste sábado faz referência à frase da Ministra do Turismo Marta Suplicy, “Relaxa e goza”, deferida em relação aos passageiros que enfrentam, no nosso país, o apagão aéreo e os intermináveis atrasos. Engraçado que censura às frases da ministra não há, mas ao bem-humorado filme, no ato. Vai ver que foi questão de vaidade. Afinal, o ator que aparece na telinha travestido de Ministra não é assim nenhum modelo de beleza. E mulheres são seres muito vaidosos.

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Prêmio von Martius de Sustentabilidade 2007

A Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha está recebendo inscrições para a 8ª Edição do Prêmio von Martius de sustentabilidade, que reconhece o mérito de iniciativas de empresas, do poder público, de indivíduos e da sociedade civil que promovam o desenvolvimento econômico, social e cultural com respeito socioambiental.

O Prêmio homenageia simbolicamente o emérito pesquisador alemão Karl Friedrich von Martius, cujo trabalho contribuiu grandemente para o conhecimento e valorização dos ambientes natural e cultural de nosso país e foi instituído para transmitir uma mensagem sobre responsabilidade ecológica para o mundo, através da valorização de três importantes plataformas de ação: Humanidade, Tecnologia e Natureza.

Categorias
Poderão concorrer ao prêmio projetos de empresas, organizações não-governamentais, indivíduos e instituições do poder público de qualquer ponto do território nacional, associadas ou não à Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, com iniciativas e projetos de destaque em três categorias: Humanidade, Tecnologia e Natureza.

Os projetos serão avaliados por uma comissão julgadora constituída por empresários, lideranças sociais, especialistas em cultura e sociedade e jornalistas especializados nas áreas social, cultural e ambiental, e será considerada especialmente a contribuição da iniciativa pelo seu significado coletivo e resultados, independentemente do porte, local de realização e recursos investidos.

Prêmios
Os melhores trabalhos em cada uma das três categorias receberão um troféu e um diploma. Todos os trabalhos premiados serão divulgados, de forma resumida, em português e alemão na revista "Brasil-Alemanha", publicação oficial da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha.

Cronograma
O Prêmio von Martius de Sustentabilidade receberá inscrições entre 25 de junho e 30 de setembro de 2007. Os trabalhos premiados serão conhecidos a partir de 26 de outubro de 2007, com ampla divulgação. A entrega dos troféus será feita durante evento especial em 7 de novembro de 2007, na cidade do Rio de Janeiro.

Inscrições
Cópias do regulamento e da ficha de inscrição podem ser obtidas no site www.premiovonmartius.com.br. Mais informações serão fornecidas exclusivamente pela Coordenação do Prêmio, pelo telefone (+11) 4702-9006, pelo fax (+11) 4702-9007 ou pelo e-mail info@premiovonmartius.com.br.

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