segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Crowdfunding chega ao universo cultural

Plataformas digitais de financiamento colaborativo são alternativas à realização de projetos culturais

Em setembro de 2010, um grupo de amigos indignados com a escassez de shows de bandas internacionais no Rio de Janeiro, se reuniu para trazer o grupo de rock sueco Miike Snow para tocar no Circo Voador. O sucesso da empreitada dependia do financiamento do cachê da banda e do show, o que os rapazes conseguiram com a venda de cotas para 60 pessoas de suas redes sociais e para quatro empresas, a partir de uma plataforma online – www.queremos.com.br. No entanto, a façanha só ganharia repercussão nacional dois meses depois, com a vaquinha para a vinda da banda Belle & Sebastian, que contou com o aporte de 140 pessoas e de algumas empresas. As iniciativas de financiamento colaborativo da Queremos e de outras plataformas digitais compõem o que foi batizado de crowdfunding.

O nome pode até parecer complicado, mas o conceito é simples. O crowdfunding é um modelo de financiamento coletivo que mobiliza pessoas físicas e jurídicas com o intuito de tornar um projeto realidade. Cada um escolhe o projeto com o qual quer colaborar, investe a quantia que deseja e, em troca, participa dos eventos, recebe os produtos finalizados, conquista algumas vantagens ou, simplesmente, torna-se parte de uma ação. O interessante é que, a partir da participação coletiva, uma série de projetos que teria dificuldades para sair do papel por falta de financiamento governamental ou privado, ganha força e realização.

No Estados Unidos, a rede Kickstarter promove o crowdfunding desde 2009, tendo contribuído para projetos que vão de produções de álbuns musicais e animações até criações de softwares e acessórios para computadores. O site movimentou, nesse período, cerca de 27 milhões de dólares. Na Europa, o grande representante do crowdfunding é a plataforma francesa Ulule, que atua sob o slogan “donnez vie aux bonne idées” [dê vida às boas ideias], somando cerca de 653 pageviews por dia.

Segundo Diego Borin Reeberg, um dos idealizadores do site Catarse, o conceito revoluciona o mercado. “Acho que a mensagem que fica é: as novas ferramentas e possibilidades que têm surgido colocam na mão do público, e não das instituições, a decisão sobre o que deve ser incentivado ou não. É uma revolução. E ainda vai mudar muita coisa no mundo”, diz.

Se por um lado, o crowdfunding permite a concretização de projetos culturais, democratizando o acesso e a distribuição de recursos; por outro, ajuda a formar o que foi cunhado de ING’s, “indivíduos não governamentais”. Essas pessoas adotam causas e atuam em prol do desenvolvimento humano sem, necessariamente, fazerem parte de nenhuma instituição ou grupo estabelecido, e acabam gerando grande impacto na vida de outras pessoas.

Para quem planeja ações que aliam cultura e transformação social existem ainda as start-ups sociais, que seguem o mesmo sistema de captação de recursos para projetos criativos. A exemplo de sites como o 33needs e o Profounder, no Brasil, foi lançado o Senso Incomum, plataforma digital que divulga ações sociais, distribui recursos e, como eles mesmos definem, “encorajam as práticas cidadãs e a aceleração da inovação social”.

Para Kevin Lawton, autor do livro The crowdfunding revolution: Social Networking Meets Venture Financing, ainda sem tradução no Brasil, o modelo que oferece diversos formatos democratiza o financiamento e gera novos negócios. “O crowdfunding lança, de forma vibrante, pequenos projetos e negócios, especialmente aqueles que necessitam de quantias menores de capital. O sistema tem fortes elementos de redes sociais e a abertura do processo de financiamento ao público, em geral, adiciona transparência e sinaliza confiança. É muito mais difícil uma fraude ocorrer quando o mundo inteiro está assistindo, principalmente com avaliações de credibilidade e desempenho. O recém-lançado Crowdcube [Reino Unido], por exemplo, permitirá a participação dos financiadores em empresas iniciantes, embora eles precisem ser amigos ou familiares do empreendedor. Levantar o capital inicial quase sempre requer o uso de uma rede próxima, de primeiro nível, que sinalize confiança e gere efeito para toda a rede. Sem um círculo de confiança não existe financiamento”, diz Lawton em artigo para a Small Business America. Segundo o pesquisador, a plataforma ainda traz benefícios econômicos para os países envolvidos. “Quando países diversos adotam os formatos do crowdfunding, colhem benefícios econômicos. Acredito que, para além de um novo modelo de financiamento, o crowdfunding gera uma revolução ao igualar empresários e investidores”, completa.

Se você tem muitos projetos na gaveta à espera de patrocínio, esse é o momento de tirar o pó, atualizar os planos e oferecer ao público em uma das redes de financiamento coletivo existentes no Brasil e no exterior. Confira a seguir as principais plataformas de crowdfunding.

Colaboração criativa:
Brasil
Catarse
Queremos
Movere
Motiva-me
Produrama
Incentivador
Outros países
Ulule
Crowdsourcing.org
Kickstarter

Start-ups sociais:
Brasil
Senso Incomum
Outros países
33needs
Profounder


Priscila Fernandes
blog Acesso, 17/02/11


Um comentário:

rvertulo disse...

Para quem tiver interesse, visitem também o site brasileiro de CrowdFunding WacaWaca: http://www.wacawaca.com.br

Abraços



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